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Artigos Educacionais

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A ESCOLA E A VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL

Izabel  Sadalla Grispino *

Como pode a escola exercer seu papel de coadjuvante da transformação social? Sabemos que escola e sociedade se integram, se interagem. São interfaces que se refletem, que se completam: uma recebe o produto da outra. O projeto pedagógico da escola deve contemplar a realidade vivida pelo aluno, seu cotidiano; contemplar o contexto socioeconômico-cultural, no qual se insere. A contextualização é matéria-prima do currículo. A análise reflexiva do comportamento social é vital para a performance da escola. Os alunos que a freqüentam saem da sociedade, é dela parte integrante. De que características se reveste a sociedade de hoje?

No cotidiano social vivenciamos a violência, a fome, a corrupção, o desemprego, tudo banalizado pela alta freqüência. Estamos nos tornando uma comunidade anestesiada pela repetida violência, que vai minando o organismo social. Presenciamos, em larga escala, uma juventude desajustada, psicologicamente envelhecida, deixando, no uso da droga, a própria capacidade de sonhar. O número da delinqüência juvenil vem aumentando em progressão geométrica. A miséria moral se configura no seio social.

As causas da violência, apontadas por especialistas, ajudam no entendimento e na colaboração que cada instituição – família, escola, igreja, justiça, polícia... – pode dar. Pesquisas realizadas nessa área mostram várias causas, todas girando em torno da família. A ênfase é dada à desestruturação da família. A destruição do casamento vem trazendo uma pesada fatura. A ruptura familiar produz na criança, no jovem, o “rasgão afetivo”, responsável pelo comportamento desajustado.

Resgatar a juventude significa recuperar o conceito de família. Subverte-se a escala de valores da ordem social e com ela vem a desintegração da família, caracterizada como um grave problema do nosso tempo. Evidencia-se o advento de uma nova civilização, com outro quadro de valores, gerado pelas mutações das épocas. Mas, dentro de toda essa mudança, algo deve ser revisto, repensado, como medida salvadora, em termos da união da família, de fortalecimento dos laços familiares.

O número de casas sem pais vem crescendo assustadoramente. Pais ausentes, filhos delinqüentes, diz a regra. Pais fora de casa, filhos entregues à “babá eletrônica”, com maléficas conseqüências. A ausência de vínculos afetivos gera introspecção, frieza, revolta. Família sadia é ainda a melhor receita para uma sociedade sadia. Família que reza unida, permanece unida, nos ensina a Bíblia Sagrada e a sabedoria popular nos adverte: “Colheremos o amargo fruto que a nossa omissão ajudar a semear”.

Violência e droga são aspectos afins,  ambas se prendendo à crise familiar. Uma pesquisa do Ibope, realizada em fins do ano de 1999, em cinco capitais brasileiras, concluiu que os conflitos familiares, o declínio da família, são a principal causa da entrada dos jovens no mundo da droga. De cada 100 adolescentes entrevistados, 35 alegaram que se drogavam para fugir dos problemas familiares. O segundo motivo, a necessidade de ser aceito pelo grupo, vem bem atrás, 15% dos jovens visitados. Um estudo do Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas  (Cebrid), em setembro de 1999, mostrou que 26% dos jovens brasileiros usaram algum tipo de droga, legal ou não. Hoje, esse número, estima-se ser maior. Nas famílias problemáticas, esse índice é bastante superior.

Uma segunda causa apontada para o crescimento da violência infanto-juvenil são os jogos eletrônicos. Uma pesquisa realizada, durante 5 anos, pela psicóloga Paula Gomide, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, com 500 crianças e adolescentes, relata: “Cumulativamente, os efeitos da exposição contínua à violência podem causar sérios danos psicológicos”. Especialistas endossam essa afirmativa, demonstrando forte conexão entre a violência transmitida via entretenimento e sua dramática transposição para a vida real. Um dos videogames de maior sucesso, o Carmageddon, revelou-se um autêntico laboratório de crime e perversão. Um garoto de 12 anos assim se manifestou: “Eu acho dez o Carmageddon. É engraçado ver todo mundo se despedaçando. Eu adoraria poder jogar o carro em cima dos pedestres, principalmente idosos. É legal ver o velhinho sair correndo e a gente atrás”. É uma apologia ao comportamento destrutivo, indiferente ao sofrimento humano, antes, estimulador.

Essa precoce carga de perversidade, estimulada pelos jogos eletrônicos, pode ser mais uma origem de comportamentos patológicos, excessivamente agressivos.

Outras causas são apontadas por especialistas; refletiremos sobre elas na próxima semana.

Baseada em minhas observações e conduzida pelas luzes da Psicologia Comportamental, convido meus leitores a refletirem sobre minha poesia “Estrutura familiar”.

ESTRUTURA FAMILIAR

Pai e mãe, suporte físico e moral,
Estrela-guia das pedras do caminho,
Anjo que fortalece o emocional,
Que dá ao filho a dimensão do espinho.

Pai e mãe, da criança o porto seguro,
Navegando juntos, o alvo é certo,
Em segurança, encara o futuro,
Tendo o amor e a proteção por perto.

Pai e mãe separados, filhos bloqueados,
Crescem divididos, sem referência,
Passam a existência desencontrados.

“O que Deus uniu, o homem não separe”,
Sabedoria bíblica em evidência,
Sua válvula de escape, repare!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2001)

EXEMPLO DE AMOR AO PRÓXIMO

Izabel Sadalla Grispino *

Nunca é demais repetir que educação é mola-mestra do desenvolvimento humano e social, o embrião que se ramifica por todas as atividades do viver.

Por isso, a escola mais que um centro de estudo, deve transformar-se num centro educativo de formação de diálogo, de orientação, de convivência comunitária. É preciso resgatar a importância da escola na abrangência de ações que envolvem todo o comportamento humano.

A Síntese de Indicadores Sociais de 2003, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicada em abril de 2004, assinala que educação influi no índice de morte na infância. O IBGE encontrou em 2000, entre mulheres com nível de instrução superior a 8 anos, uma taxa de 20 óbitos por mil nascidos vivos; no grupo com até 3 anos de estudo, a mortalidade foi muito maior: 49,3 por mil.

O Nordeste apresentou quadro mais desanimador: a taxa, entre os filhos de mulheres de baixa escolaridade, chegou a 70,3 mortes por mil, uma diferença de 151% em relação às crianças de mães com mais de 8 anos de instrução. Mostra o relatório que no Brasil as taxas de mortalidade infantil – menores de 1 ano – e  na infância estão muito acima do nível considerado “civilizado”, ou seja, 5 óbitos por mil nascidos vivos. Em 2002, o índice entre crianças de 1 a 364 dias foi de 27,8 mil. Já entre os menores de 5 anos, o indicador foi ainda mais elevado: 34 por mil.

Conclui o estudo do IBGE que o caminho para a redução de mortes na infância – menores de 5 anos – passa pela educação da mãe. O nível educacional influencia a atitude da mulher em relação ao acompanhamento da gravidez, à higiene e à saúde da criança.

A consciência do valor da educação toma vulto. Parece que estamos conseguindo despertar os estudantes para a realidade social. A reativação do Projeto Rondon, abordado por mim no último artigo, partiu da União Nacional dos Estudantes (UNE). A visão de mundo está se alargando, as necessidades sociais se visualizando e os estudantes começam a chegar à comunidade carente e, ao querer ser-lhe útil, idealizam projetos, no sentido de colaborar com ela, desenvolvendo ações educativas, preventivas de saúde.

Tomamos conhecimento, através da mídia, de jovens universitários, alunos da Faculdade de Farmácia de Araraquara (Unesp), que se embrenham pelas sendas das comunidades carentes. Sentem que a faculdade propicia pouco contato com a realidade e elaboraram, eles mesmos, programação de intervenção social. Receberam treinamento no Centro de Referência do  Jovem e do Adolescente, da Prefeitura, e entenderam que esse projeto não poderia ser confundido com os programas assistencialistas, como, por exemplo, doação de comida. Interessam-se pela saúde da população. Visitam as famílias no último domingo de cada mês, no ônibus da Unesp, orientam sobre remédios, saúde, higiene e medem a pressão arterial. Na faculdade, promovem exibição de filmes, debates para jovens, abordando temas como drogas, sexualidade e cidadania.

Essas ações sociais são voluntárias e praticadas com entusiasmo e dedicação, tanto que não existe problema de continuidade. Os alunos do 1.º ano aderem maciçamente, substituindo os que vão se formando, ............... uma corrente ininterrupta.

O projeto surgiu em 2001, através do Centro Acadêmico, com o nome de Atenção Farmacêutica Estudantil Permanente (Afep), que fez parceria com a Associação Amigos da Vida, que trabalha com dependentes químicos.

Aguardamos que estudantes de outras faculdades se mirem no exemplo desses beneméritos universitários e partam para novas ações de utilidade social, dando também sua parcela na construção de um mundo melhor, mais igual.

A esperança de um mundo melhor no amanhã surge, hoje, com a educação infantil, dando à criança não só um bom alicerce cognitivo, mas formando-a para a solidariedade, para a compreensão, para a compaixão, no enfraquecimento da competição para o exercício da cidadania. Essas crianças, abrigando valores, serão jovens mais participativos, mais solidários ao sofrimento humano, aos mais necessitados e estenderão, sem dúvida, seu olhar à comunidade carente.

Esses jovens foram preparados para desenvolver o sentido de humanidade e de trabalho. Alegra-nos tomar conhecimento de jovens, na idade entre 15 e 24, que cursaram pelo menos o ensino médio,  estarem entrando no mercado de trabalho com carteira assinada. É o que mostra um levantamento feito pelo secretário do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo, com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

Esse levantamento considera as 827 mil vagas formais criadas nos cinco

primeiros meses de 2004 em todo o País, consideradas um recorde desde 1992. Mostra que 60% dos novos empregos são ocupados por jovens de 15 a 24 anos, com, pelo menos, 8 anos de escolaridade.

Esses jovens fazem parte de uma juventude que passa um novo alento, na crença de um futuro melhor para a humanidade.

É preciso crer para ver. Continuemos implantando na criança e no jovem valores éticos, morais, humanos, comportamento solidário, participativo e, assim, podemos esperar um mundo mais produtivo, de mais paz, de mais justiça social.

As crianças de hoje serão os comandantes serenos ou atropelados de amanhã.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2004)

AÇÃO MULTIDISCIPLINAR NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Além de o sistema público de ensino oferecer um desempenho muito inferior ao necessário, para uma sociedade cada vez mais centrada no conhecimento e na avançada tecnologia, marca preocupante presença no mundo da violência.

Escolas situadas em bairros pobres de periferia ou nos grandes centros conturbados pela desordem precisam de ajuda multidisciplinar para conseguir um ambiente tranqüilizador ao ensino da aprendizagem.

Muitas escolas trabalham com as famílias dos alunos, buscam o envolvimento da comunidade em suas iniciativas e desenvolvem práticas ligadas à sua realidade socioeconômica. Contam com forte apoio dos pais, principalmente, na fiscalização da freqüência e no controle das lições de casa. A escola sabe que a família é a base e incentiva-a a freqüentá-la, ajudando-a tornar seus alunos mais responsáveis, mais ordeiros.

Dentre as múltiplas causas que concorrem para a decadência do ensino uma é a violência, manifestada sob os mais variados aspectos. Alunos baderneiros, indisciplinados, frutos ................ da omissão de pais por uma educação regulada em normas, princípios e limites e frutos de uma sociedade violenta, permissiva, aliciadora. Toda essa conturbada situação explode na escola.

Há situações em que a escola se sente impotente para harmonizar o seu ambiente conturbado. Professores chegam a ser ameaçados, física e moralmente, por gangues e alunos. Conscientizar alunos e pais vai além do que se faz necessário. Em casos mais agressivos, a escola vem recorrendo à justiça, à promotoria responsável pela vara da Infância e a Adolescência, na busca de ajuda às graves situações.

O que se consta é que quando a escola encontra respaldo na autoridade judicial ela consegue aplainar a violência, avançar na ordem e na disciplina. Temos notícia, pela mídia, de uma atuação devotada e competente de um promotor público, que não hesita em formar fileiras às escolas necessitadas de ajuda.

Alunos-problema que tentam desorganizar a escola, queimando cortinas, quebrando carteiras e cadeiras, pichando muros e lousas, envolvendo-se em brigas com desordeiros são, pelo promotor, obrigados a cumprir penas disciplinares, a consertar o que destruíram ou prestar serviços comunitários.

Verifica-se que a grande maioria se recupera e o vandalismo na escola, praticamente, desaparece. Os mais violentos, que reincidem nos atos de violência, têm seus pais chamados pela justiça e forçados a pagar os prejuízos.

Também, no caso de alunos faltosos, em escolas com alto índice de evasão, os pais são chamados para conversar, para se conscientizar da necessidade da permanência dos filhos menores na escola. Se a ausência persiste, os pais recebem ordem de prisão, apoiada no Código Penal, sobre o crime de abandono intelectual. No município, onde tal ato ocorreu, a evasão caiu de 20% para zero.

Esses fatos comprovam a necessidade de rigor, de autoridade, de força conjugada, para o bom desfecho da agressividade. Em muitas localidades, a escola não se supre mais. Reforço da comunidade, dos pais, da Igreja, da justiça são-lhe imprescindíveis. A desestruturação da instituição escolar, por problemas de violência, afeta toda uma sociedade, que não pode fechar os olhos para esse sério quadro.

A conscientização de se juntar as mãos para reabilitar o ensino precisa avançar. Esse é o ponto em que chegamos e se cruzarmos os braços onde chegaremos?

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em fevereiro/2007)

QUEM SALVARÁ NOSSAS ESCOLAS PÚBLICAS?

Izabel Sadalla Grispino *

A cada período letivo aumenta o abismo existente entre a escola particular e a escola pública. As boas universidades, em seus bancos escolares, tornam evidentes a discrepância e a sociedade, com sua peneira, vai premiando os melhores formados.

A distância, entre o bom e o mau ensino, abrange todos os aspectos educacionais: dos conteúdos, das atitudes, dos comportamentos. O bom ensino dá uma visão ampliada e sedimentada dos assuntos e torna as faculdades  mentais  bem mais desenvolvidas.

Como se isso não bastasse, a escola particular ganha em disparada no ensino da informática, onde na pública o fosso é profundo. Enquanto a rede particular se aprimora, avança em tecnologia, a pública inicia os inseguros primeiros passos. As escolas oficiais começam a receber os primeiros computadores para a criação de suas salas de informática. As particulares montam projetos, envolvendo novas tecnologias na educação e já contam com laboratórios especializados, aulas em 3D e CD-ROMs para os alunos complementarem os estudos em casa. Incluem, em suas apostilas de matérias, um CD-ROM, que lhes permite fazer os trabalhos, com as animações, vídeos e exercícios do CD.

Os próprios alunos da rede particular, que já utilizam computadores e softwares em suas casas, exigem o uso da tecnologia na escola. As escolas buscam adaptar-se à realidade digital, vivida pelos alunos, utilizando recursos de informática e engenharia.

As grandes escolas vêm criando o Laboratório Veicular de Estudos de Aceleração e Dinâmica, uma espécie de sala de aula móvel, que vai permitir que alunos e professores vivenciem experiências do estudo da física concreta, prática e sensorial. A física deixa de ser só teoria, algo abstrato para o aluno. Durante a experiência, o professor vai relatando o que os alunos estão vivenciando.

Além do laboratório, já utilizam a Aula do Futuro, um misto de cinema, sala de aula e simulador da realidade virtual. Como se estivesse assistindo a um filme, o aluno navega, por exemplo, pelas células na aula de biologia, tendo a impressão de estar dentro dela.

Que atalhos tomar para redimir nossas escolas públicas? Experiências auspiciosas, em países avançados, vêm surgindo do mundo empresarial privado.

A concepção de organização e de administração escolar vem mudando, evoluindo para o modelo empresarial. Vêm-se firmando critérios e conceitos diferentes na área educacional. Formam-se companhias que vendem instrução de boa qualidade a preços competitivos, com ações bem cotadas na bolsa. Administram com critério empresarial privado, revertendo situações tidas como bastante precárias.

Essas empresas oferecem benefícios aos acionistas, vendendo um serviço, a educação, e entrando num mercado em que vai competir com as melhores escolas ou as melhores universidades do País. A maior arma utilizada é a qualidade de ensino. Compatibilizam os objetivos gerais da educação com as peculiaridades individuais dos alunos, mantendo forte correlação entre o que se aprende na escola e o que a sociedade quer e exige. O ensino é ministrado por um corpo docente de nível e com modernos métodos pedagógicos.

Os procedimentos administrativos são iguais a qualquer empresa sujeita à concorrência. O professor que não corresponder, que não conseguir obter o rendimento esperado, é despedido. O mesmo acontece com o reitor ou com os decanos e, também, com os alunos repetentes, indisciplinados ou agitadores.

A escola-empresa ou a universidade-empresa primam pela boa formação do aluno, pela entrega ao mercado de trabalho de um profissional preparado, competente. Vem tendo resultados animadores,  demonstrando  que, na superação do desastre educacional, os métodos de gerenciamento de mercado, separando o Estado da gestão direta das escolas, são vistos como salvadores.

A mídia tem divulgado experiências educacionais que colocam esperança no apagado horizonte da nossa educação pública. Exemplo é dado pela companhia Edison Schools, de Nova York, que organiza e administra escolas públicas ou particulares, desde o jardim da infância até o 2.º grau. A fim de manter e melhorar ainda mais os níveis de ensino, a companhia aprimora o processo pedagógico, treina continuadamente os professores, atualiza o currículo, impõe ordem, disciplina e aumenta a duração das aulas.

As escolas são mantidas com o mesmo orçamento então destinado, pelo governo, às escolas oficiais, quando eram administradas pelo setor público. O valor das verbas, o custo, não se alteraram. A diferença vem na eficiência da utilização dos recursos. A escola-empresa compete com as boas escolas particulares e ainda ganha dinheiro para dividir com os acionistas.

Os resultados conhecidos revelam que “os alunos das escolas Edison estão entre os mais preparados do país. Onde antes eram escolas consideradas como depósitos de alunos repetentes e professores desmoralizados, hoje se erguem instituições limpas, eficientes, obcecadas pela busca de excelência”. As escolas da companhia Edison firmam-se, já são uma realidade, não mais um projeto experimental, que em 1995 começou como uma escola-piloto. Hoje, controla 113 escolas públicas com 57 mil alunos.

Para um maior entendimento do assunto, leia-se o livro: “La Nueva Universidad”, de Luis Bustamante Belaunde, onde ele diz: “Se uma universidade quiser estar à altura e responder aos desafios de hoje, deve parecer-se mais com as organizações empresariais de amanhã do que com os velhos padrões de ontem”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2001)

ESCOLAS, PEQUENAS ILHAS DE EXCELÊNCIA

Izabel Sadalla Grispino *

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) leva em consideração dois fatores que interferem na qualidade de ensino: o rendimento escolar, por meio das taxas de aprovação, reprovação e abandono, e as médias de desempenho dos alunos nas avaliações nacionais – Saeb e Prova Brasil. A combinação entre o fluxo e a aprendizagem resulta em uma média para cada Estado, município, escola e País, que varia numa escala de 0 a 10.

Países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), para qualidade de ensino, consideram como índice médio o igual ou maior que 6,0. De um total de mais de 55 mil escolas, apenas 160, de acordo com a classificação do Ministério da Educação (MEC), ou seja, apenas 0,2% das escolas públicas brasileiras chega a este índice.

A comparação com nações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é possível, levando em conta a participação em avaliações internacionais, como o Pisa – que mede conhecimentos de leitura, matemática e ciências, e a criação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que considera o desempenho dos alunos na Prova Brasil, exame realizado por todas as crianças de 4.ª à 8.ª série do País, e o Sistema de Avaliação Básica (Saeb), feito por amostragem.

A média dos países da OCDE é de 6,0 (a Holanda ficou com Ideb 7,0 e o Reino Unido, com 6,5), valor que também foi considerado como meta a ser atingida pelo Brasil até 2021. Hoje, o Ideb médio nacional é de 3,8 nas séries iniciais do ensino fundamental.

Contudo, nem todas as escolas ou municípios, segundo o MEC, precisam de ter esse valor de índice. Cada escola tem uma meta diferente para 2021, de acordo com seu desenvolvimento. Mesmo escolas que tenham passado da média 6,0, hoje, terão de melhorar. O Ideb vai de 0 a 10.

Como sói acontecer, pouquíssimas escolas brasileiras atingiram a média 6,0 e, excepcionalmente, uma escola chegou a suplantar países com educação de excelência, como a Coréia do Sul e a Finlândia. A escola Professora Guiomar Gonçalves Neves, em Trajanos de Morais, no Estado do Rio de Janeiro, teve Ideb 8,5, o melhor índice do País.

Uma outra escola, municipal, Helena Borsetti, na cidade de Matão, interior do Estado de São Paulo, teve Ideb superior ao projetado para a Holanda, 7,8. Ficou classificada como a 3.ª do ranking das melhores do Brasil e a mis bem colocada de São Paulo. Uma escola que reflete a comunidade e o ambiente locais.

É na verdade muito pouco, mas é algo a se considerar, a se ir buscar como fonte, como elixir da boa aprendizagem. São escolas que vivem a sua realidade, que criam, da relação dos alunos com seu meio, estímulos para o aprender.

A escola de Matão está situada na zona rural e tem seu currículo adaptado às crianças desse meio, incorporando noções de agricultura e pesquisas da realidade vivida pelos alunos.

Firma-se, cada vez mais, o conceito de escola inserida em seu meio. Os rankings mostram que as escolas do interior do Brasil são as mais bem colocadas, quando se fala das séries iniciais do ensino fundamental. São escolas que têm um trabalho mais próximo da comunidade, comunidade que valoriza a atuação do professor, a sua atitude em sala de aula

Dentre as 55.967 escolas que fazem parte do índice, apenas, 0,01%, ou seja, 9 delas, tem Ideb, como a de Matão. Outras 33 unidades de ensino, o que representa 0,05% do total, chegam a 6,5 e se equiparam ao Reino Unido.

É ponto significativo, mas é ponto mínimo. Daria para dizer: “Vá em frente, sacode a poeira e dá a volta por cima”?

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2007)

EDUCAR PARA OS DIREITOS HUMANOS

Izabel Sadalla Grispino *

O avanço no processo educacional ganha dimensões humanas inusitadas. A escola volta seu olhar para as pessoas de risco, buscando resgatar sua dignidade, na prática do exercício da cidadania. Em localidades carentes, a escola predispõe-se a regularizar a vida da criança, partindo do registro civil.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, em 16 de dezembro de 2002, que em 2000, em um ano, mais de um milhão de crianças não têm certidão de nascimento. Em 2000, 3,2 milhões de crianças nasceram em hospitais brasileiros, mas apenas 2,5 milhões foram registradas em cartórios. Além desses bebês – 700 mil  que não entraram nas estatísticas oficiais -- o IBGE calcula que outros 370 mil nascimentos ocorreram em casa e não foram notificados, levando a um total de 1.070.000 de crianças sem certidão de nascimento, em apenas um ano.

Os chamados sub-registros afetam não só os dados de nascimentos, mas também os óbitos. O IBGE estima que,  nas regiões Norte e Nordeste, 48,2% e 35,6% dos nascimentos não foram registrados em 2000.

A escola, considerando que o sub-registro é um problema sério, envolve a questão da cidadania, entende que o primeiro passo é providenciar o registro dessas crianças. Afinal, quem não tem certidão de nascimento não existe e não pode exercer seus direitos.

Criou-se, assim, a concepção de sujeito de direito, conceito que a escola quer desenvolver nos alunos. Mostrar à criança novos caminhos, estimular a vontade de ser alguém, desenvolver nela a consciência de que tem direitos, tem direito a ser criança, de que é uma pessoa capaz. Estes aspectos são pontos de partida para a educação da cidadania.

Sujeito de direito é uma louvável vertente da escola que quer educar a criança para os direitos humanos, procedimento que atinge tanto a educação formal, como a informal. A educação dos direitos humanos é multidimensional, abrange não só a dimensão cognitiva do aluno, mas a dimensão comportamental, social, afetiva, emocional. Prepara o aluno para ser um cidadão cônscio de seus deveres, suas responsabilidades e dos direitos a que tem e que pode usufruir.

*    *    *

FELIZ  ANO  NOVO

É o que desejo a todos vocês, queridos leitores. Que 2003 os conduza em direção à estrela-maior, reinado do amor, da fé, da esperança. Que sua irradiação transforme a terra num oráculo de canto e de paz.

 

PASSAGEM DE ANO

PASSAGEM DA VIDA

A vida desponta:

Crescemos,

Lutamos,

Construímos,

Energia total.

Vivemos junto à esperança,

Futuro e sonho,

Escritos em aliança.


Eis que o sol poente aparece,

Quanta mágoa, quanta desilusão!

Ausência de fantasia,

Realidade e sangria.

A realização é inconsistente,

A vida é estreita demais,

Sempre se espera fazer mais.

Agora, pouco se olha pra frente,

O passado vira alimento,

A vida se torna lembranças,

Volta-se ao solar da criança.

A vida é canto sonoro,

Passos leves, sem esmagar,

A estrela que tanto brilha,

Lentamente se apaga ao luar,

Andamos tropeçando em túmulos,

Sabendo que haverá a hora de lá chegar!

Vida e tarde que escurece,

O esperar, o desesperar,

Chorar a saudade,

Viver o conflito,

A dor que arrebenta,

Um amor que nos sustenta;

Vão-se as noites de verão,

O inverno chega de antemão.

A vida vale pela paz,

Águas mansas que deslizam devagar,

Não há tempo, nem espaço para a insensatez,

O universo dá a todos pouca vez.

 

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em dezembro/2002)

A MÚSICA COMO RECURSO DIDÁTICO NAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

Um acontecimento pessoal aproximou-me do coral Madrigal Revivis da USP/Ribeirão Preto. Sou autora, letra e música, do “Hino do Centenário da Igreja São Mateus”, Igreja-matriz de Guariba. O coral esteve presente à missa solene, realizada em comemoração ao centenário da Igreja. Entre outras peças, que abrilhantaram a apresentação, o coral cantou, com extraordinária beleza, o Hino, em quatro vozes, num arranjo do talentoso José Gustavo Julião de Camargo, integrante do coral.

Conheci, na ocasião os componentes do coral, a figura exponencial de seu diretor artístico e regente titular, o maestro Sérgio Alberto de Oliveira, uma pessoa que traz a música na alma. O coral como um todo falou-me; cativou-me pelo profissionalismo, pela arte, pela técnica, pela afetividade. Constatei a presença de jovens formandos, lutando pela afirmação no mercado de trabalho, mas colocando em peso de igualdade o ideal, o deleite pela música. O coral é um misto de pessoas jovens e de mais idade, prevalecendo o aspecto jovem. Jovens que são exemplo, que são alento, que batalham para difundir o belo, difundir o bem, povoar o mundo de sentimentos de paz, de solidariedade que a música inspira, que propiciam, com suas lindas vozes, o cultivo da espiritualidade, espalhando cultura humanística.

O Coral Madrigal Revivis, do campus, em 20 de novembro de 1999, venceu o Mapa Cultural Paulista, o mais importante concurso do Estado. Foi o primeiro coral da região a receber o prêmio, ofertado anualmente pela Secretaria Estadual da Cultura, em que participam centenas de cidades. Ele é, sem dúvida, um patrimônio cultural que orgulha a cidade de Ribeirão Preto.

A música vem, com força, sendo redescoberta em seus variados ângulos, exaltada como portadora de equilíbrio. Nos hospitais é cada vez mais recomendada, como terapia aos doentes. A música acalma, suaviza a dor, incentiva a capacidade de sonhar, abre as portas da esperança. Ela se encarrega de levantar o astral do doente, encorajando-o à recuperação.

Nas escolas, um fundo musical nas salas de aula, em determinadas situações – com  peças clássicas, suaves, peças inesquecíveis de Mozart, Schubert, Chopin, Beethoven, Mendelssohn, Handel, Villa-Lobos entre outros – educa para a música, sugere, desperta o sonho, a criatividade, a imaginação, trabalha a alma, ajuda na concentração, na elaboração de textos e de poemas. A poesia é um outro valioso recurso didático de que a escola deve se apropriar. Enseja ao aluno externar seus sentimentos, expor sua visão de mundo.

Já há experiências pedagógicas concretas da utilização da música, em formação de corais, para a recuperação de alunos rebeldes, dispersos, problemáticos. Os alunos se envolvem na atividade, se entusiasmam pelo protagonismo nas apresentações, quer na escola, quer na comunidade e passam a ser mais responsáveis. O prazer da música contamina e traz o prazer de estudar; muda o ambiente e a aprendizagem melhora gradativamente.

A música na escola não se constitui mais em uma disciplina específica como era antigamente, mas há várias maneiras de introduzi-la no currículo, de abrir-lhe um espaço, em trabalhos individuais ou coletivos, isolados ou interdisciplinares. A escola deve, inclusive,  voltar, através dela, a desenvolver o sentimento cívico, o amor à pátria, fazendo os alunos cantarem os hinos pátrios.

A música, segundo recentes descobertas, não é privilégio do gênero humano. A revista Science publicou resultado de pesquisas assinalando de que no reino animal o gosto pela música existe há dezenas de milhões de anos. Há um instinto musical que antecedeu, em muito, a raça humana e pode estar bastante difundido na natureza, diz a revista.

A biomusicologia estuda o papel da música em todas as coisas vivas. Mostra não ser privilégio dos seres humanos a habilidade de compor música; um certo número de animais produz música e não apenas sons e trinados esparsos ou cacofonia. Uma análise de melodias entoadas por pássaros e baleias corcundas – também chamadas jubartes – mostrou que esses animais convergem para as mesmas opções acústicas e estéticas e seguem as mesmas leis de composição melódica proferidas pelos humanos. Dizem os pesquisadores que as jubartes machos usam ritmos como os encontrados na música humana e frases musicais de duração similar. As baleias têm um alcance vocal de no mínimo sete oitavas, mas tendem a cantar cadenciadamente, com intervalos musicais, ao invés de passar rapidamente de uma oitava para outra, ou seja, cantam dentro de uma clave. Outro fato impressionante é que as músicas das jubartes têm refrões e rimas.

Os pássaros também compõem músicas com as mesmas notas, variações rítmicas, padrões harmônicos e relações de tons encontrados em composições humanas. O tordo-eremita canta na chamada escala pentatônica, na qual as oitavas são divididas em cinco notas. A corruíra-do-brejo da Califórnia, canta até 120 temas, em uma única “sessão”, com cada tema repetido por seu vizinho imediato, numa espécie de diálogo sonoro.

Alguns pássaros usam até instrumentos, escrevem os pesquisadores. A cacatua da Austrália escolhe um tronco de árvore com determinada ressonância e em seguida arranca um de seus galhinhos para usar como baqueta.

Se há um instinto musical, se a música é inerente ao ser humano, à natureza, ela deve se constituir em força propulsora de sublimes realizações.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2001)

EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Izabel Sadalla Grispino *

Lutar para elevar o nível de ensino das escolas brasileiras, em especial das escolas públicas, é lutar pelo de-senvolvimento do País, lutar pela desigualdade social.  A diferença educacional do pobre e do rico só faz aumentar a concentração de renda. Não há ascensão social sem educação de qualidade, inexistindo a possibilidade de empregos bem remunerados.

Quanto à economia, nosso decadente ensino nega os recursos humanos necessitados pelas empresas em mão-de-obra qualificada. A produtividade fica inibida diante do fraco treinamento dos professores para encarar tecnologias mais avançadas no campo da produtividade. O baixo nível de escolaridade interfere, também, na competitividade internacional, quando países como o Brasil disputam a mesma parcela do mercado globalizado.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um indicador que passou a ser usado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a partir dos anos 90. Pelo IDH, divulgado em julho corrente, o Brasil teve uma queda acentuada no ranking que mede o desenvolvimento humano no mundo. Na comparação com 175 países e 2 territórios, entre os anos 2001 e 2002, o Brasil caiu da 65.ª posição para a 72.ª, ficando abaixo da colocação que se encontrava no começo dos anos 90.

A queda brasileira no ranking deu-se pela piora nos dados de educação, principalmente pelo percentual de analfabetos entre pessoas com mais de 15 anos. A posição brasileira no ranking mundial mostra um retrocesso lamentável na educação.

O IDH mostra que a riqueza do País continua concentrada nas mãos de uma minoria da população. Mostra, no Índice, quantas vezes a renda dos 10% mais ricos no País é maior do que a dos 10% mais pobres, e o Brasil atinge 85 vezes. Vemos, então, como somos um País desigual e quanto devemos batalhar por uma educação de qualidade para as classes menos favorecidas.

O grande caminho para enfrentar a marginalidade educacional, social e econômica é assistir melhor à escola. Investir mais no ensino, melhorar e muito o salário dos professores, para que, estimulados, assumam maior compromisso com a educação. Para que se dediquem à reciclagem de conhecimentos, educando-se convenientemente, contribuindo qualitativamente com a escola que a época vem pedindo. Ao capacitar-se melhor, o professor, com mais possibilidades, entenderá que o maior objetivo da escola é fazer o aluno aprender; dar-lhe uma boa formação e não apenas fazê-lo passar de ano, muitas vezes, sem o mínimo necessário de conhecimento.

Bons professores resultam em bons alunos. Os próprios professores da rede pública, quando se trata de colocar os filhos na escola, colocam-nos em escolas privadas. Uma pesquisa realizada pela Unesco, feita com educadores brasileiros, “O Perfil dos Professores Brasileiros”, divulgada em maio de 2004, mostrou que os professores brasileiros, ganhando mal, preferem se sacrificar e pagar escolas particulares para seus filhos que deixá-los em escolas públicas. Mostrou que 54% dos 5 mil entrevistados escolheram pagar pela educação dos filhos. Querem garantir, segundo a pesquisa, uma “mobilidade social” para eles, um futuro melhor daquele  que tiveram. Ponderou Jorge Werthein, representante da Unesco no Brasil, de que “esses professores são a prova de que o investimento na educação tem altíssimo retorno”. Esses professores buscam qualidade de ensino, garantia de evolução social, que não encontram nas escolas públicas.

Um fato auspicioso que vem surgindo é o projeto de política integrada para os jovens. É um projeto que, segundo o ministro da Secretaria Geral da República, Luiz Dulci, vai integrar as políticas para a juventude, desenvolvido por várias áreas do governo, pelo Congresso e pela sociedade civil. Entre as ações que se programam está a reativação do Projeto Rondon. Luiz Dulci diz ser “um projeto totalmente novo, diferente do que era realizado no período autoritário”.

Contudo, o objetivo do novo Projeto Rondon “continuará sendo o de permitir uma integração maior dos estudantes com a realidade das regiões menos favorecidas do Brasil”. É, na verdade, um intercâmbio, onde os jovens levam seus conhecimentos e suas aptidões a outras regiões do País e, de retorno, assimilam novas culturas, ganham novas experiências.

A volta do Projeto Rondon foi proposta pela União Nacional dos Estudantes (UNE), como uma ação voltada para a área da juventude. O primeiro projeto foi criado em 1967, durante o regime militar, e durou até 1989. O propósito era levar estudantes universitários e professores para as regiões carentes do País, visando a realização de trabalhos sociais. Durou 22 anos e dele participaram mais de 350 mil alunos e 13 mil professores. O projeto atual pensa em ampliar a participação; além de universitários, incluir alunos do ensino médio.

O projeto de integração para a juventude quer priorizar ações na área do lazer, tentando combater a criminalidade. Atualmente, 18 áreas do governo têm ações voltadas para a juventude e o número de programas nessa ala chega a 48.

Integrar ações entre os jovens propicia avançar em direção à cidadania, à comunicação social. O projeto Rondon foi no passado uma iniciativa bem sucedida, em que a juventude se sentia útil na prática de ações sociais, desenvolvia a sociabilidade, o senso humanitário do viver, a responsabilidade perante a sociedade, vivenciando as desigualdades regionais. Vale a pena repetir a experiência.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2004)

LEI EM VIGOR DEIXA DE SER CUMPRIDA

Izabel Sadalla Grispino *

A educação no Brasil vai mal, muito mal. Alunos que não aprendem, professores que não sabem ensinar, escolas assustadas, sem segurança, desprotegidas, vivendo o caos da violência social.

No final do ano passado, fomos apanhados por um resultado revoltante, de que os alunos brasileiros ficaram em último lugar, entre alunos de 15 anos de 32 países, em capacidade de ler e escrever, em um exame comparativo da Organização de Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), de Paris. O exame foi supervisionado, conforme noticiário da imprensa, por uma técnica brasileira, que concluiu, pelas respostas dadas, que muitos dos alunos brasileiros nem sequer conseguiram ler as perguntas! Se não conseguiram ler, como interpretá-las? Em último lugar, também, em Ciências e Matemática.

No começo desse ano de 2002, a Unesco divulgou um estudo mostrando ser o Brasil campeão de repetência no seu continente. Em educação, o Brasil é campeão em tudo que nos envergonha. O levantamento reuniu dados de 19 países latino-americanos coletados entre 1998 e 1999. Nosso País teve o pior desempenho em repetência no nível básico e no secundário.

A taxa de repetência era de 24% no nível básico e de 18% no secundário. Nos dois casos, o Brasil é o recordista do subcontinente. Na educação básica, a Guatemala é a segunda colocada, com uma taxa de 15%.

Nós sabemos que repetência, nesse grau, revela penúria, baixa qualificação de um povo. Repetência é fruto de uma debilitada conjuntura nacional, de um baixo nível socioeconômico da massa populacional. É fruto de uma estrutura educacional incompetente, desarticulada. O Estado de São Paulo tentou redimir-se, lançando o sistema de ciclos, que retém o aluno na escola, sem qualificá-lo. O aluno não repete, mas também não aprende, o que torna a ausência de repetência um procedimento mascarado.

Estamos vivendo uma situação de ensino-aprendizagem bastante lastimável e que traz, sem dúvida, com ela, o considerável descaso governamental, de décadas, pela educação. Nos últimos tempos, a educação pública só foi prioridade no papel, no discurso, no plano semântico. Contou com verbas irrisórias, camufladas, desviadas, desencaminhadas.

Presentemente, descortina-se a realidade da aplicação das verbas destinadas à escola pública. A mídia denuncia o desrespeito dos últimos governos às leis que determinam o investimento de 30% de suas receitas na manutenção e no desenvolvimento do ensino. A CPI da Assembléia Legislativa sobre a Educação revelou que a incorporação de gastos, sem relação com a Educação, tem sido prática rotineira dos últimos anos. A auditoria da execução orçamentária da Secretaria Municipal da Educação, feita pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), comprovou a irregularidade.

As verbas, que deveriam ser aplicadas em construção de escolas, compra de equipamentos e salários dos professores, servem para pagamento, por exemplo, de aposentados, pensionistas, merenda, transporte e outros gastos. Na gestão Mário Covas, nos anos de 1998 e 1999, por uso indevido das verbas, seu governo foi condenado, pela 12.ª Vara da Fazenda Pública, a devolver R$ 4,1 bilhões para a Secretaria da Educação. Essa ação civil pública foi proposta pela Promotoria da Defesa da Infância e da Juventude.

A verdade é que os governos falseiam despesas com a educação e a educação, que já era financeiramente empobrecida, aumentou ainda mais sua deficiência. As causas da decadência do ensino público estão fortemente calcadas na falta de recursos financeiros, incluindo os baixos salários dos professores. Na política de inclusão social, a qualidade de ensino ainda é o ponto mais frágil do sistema educacional. A qualidade de ensino depende da qualidade dos recursos humanos, cujo nível fica longe do desejado.

A escola não tem meios para se preparar para mudanças e inclusões. Os professores continuam a dar suas aulas nos moldes tradicionais, atendendo, preferencialmente, os alunos com mais condições e mais facilidade para aprender. Não sabem como abordar as desigualdades sociais, como atingi-las através de uma metodologia adequada. Eles ouvem falar em Jean Piaget, em Emília Ferreiro, em Paulo Freire, mas pouco entendem dos processos modernos. Na hora de ensinar é na base da intuição, de sua forma de agir e pensar, escrevendo a matéria na lousa, ausentando-se do diálogo, das explicações.

A escola, sendo incapaz de atender as novas demandas, a inclusão dos mais carentes, acaba por se restringir às vagas ofertadas e não à aprendizagem. O professor não sabe mediar conflitos, lidar com as diferenças e a sala de aula se traduz em apatia para o aluno e em desestímulo para o professor. Há uma distância entre o que o professor ensina e a realidade de vida dos alunos, de suas expectativas, que acabam recebendo um conteúdo monótono, sem interesse para eles e passado sem motivação. Esse cotidiano sem sentido, para o aluno, explica, em grande parte, a evasão escolar.

O Censo Escolar, divulgado em maio p. passado pelo Ministério da Educação, constatou que boa parte dos alunos que ingressam na 1.ª série continua sem chegar ao fim do ensino fundamental. Ao longo do tempo, as crianças ficam defasadas no conhecimento e sem perspectivas de aprendizagem, abandonam a escola ou ficam reprovadas e com isso o número de concluintes acaba sendo muito menor que o de ingressantes. Pelos dados do Censo, em 2000, 2,6 milhões de estudantes foram aprovados na 8.ª série, concluindo o ensino fundamental. Esse contingente é significativamente menor do que o número de crianças matriculadas na 1.ª série em 1993: 6,1 milhões. Se nenhuma delas tivesse sido reprovada, nem abandonado a escola, todas estariam recebendo o diploma de conclusão do ensino fundamental em 2000.

Conseguiu-se trazer para a escola crianças que estavam excluídas, mas continua o desafio de aumentar o tempo de sua permanência na escola e melhorar a qualidade de ensino. Muitas crianças ainda têm dificuldade de avançar nos estudos, de aprender. Houve, realmente, avanços na universalização do ensino, mas, temos ainda 5,1% de crianças, mais de 1,3 milhão  na faixa etária de 7 a 14 anos fora das escolas.

Embora os dados do censo tenham mostrado uma queda do índice de repetência – há uma década era de 25%, agora é de 10,8% --, a  crise da aprendizagem continua forte, absurdamente intolerável.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2002)

A ESCOLA INCLUSIVA

Izabel Sadalla Grispino *

A política oficial, já há algum tempo, desde 1996, prevê a inclusão dos portadores de deficiência, na rede regular de ensino. Contudo, em agosto de 2001, o ministro Paulo Renato Souza, regulamentando a Lei de Diretrizes para a Educação Especial, assinou resolução, pela qual as escolas públicas do País deverão atender estudantes com necessidades especiais.

Infelizmente, essa é mais uma mudança, na estrutura de ensino, imposta a uma rede pública desaparelhada, despreparada para recebê-la. É um “Deus nos acuda”, uma perspectiva nada animadora, conforme já se constata em avaliações. A falta de informações ou o despreparo para lidar com a educação inclusiva faz com que os próprios professores, inconscientemente, discriminem os alunos. Isolam-nos, não os motivam, acabando por marginalizá-los, no processo de ensino. Professores que deixam os alunos com deficiência visual acentuada, ou cegos, sentados ou bem na frente da classe ou bem no fundo, na intenção de protegê-los, e acabam por excluí-los do convívio social da classe. Professores que, inadvertidamente, citam, conforme relato de pesquisas, o aluno deficiente como exemplo e que acaba por diminuí-lo perante os colegas, dizendo: “Se até ele consegue, vocês podem conseguir também”.

Para que essa educação venha obter sucesso, é preciso dar estrutura de aprendizagem. É preciso que seja uma inclusão responsável para não comprometer o avanço dos alunos portadores de deficiência. É importante treinar os professores, produzir material de apoio, principalmente para portadores de deficiências visuais e auditivas, assim como adaptações de títulos didáticos para o sistema braile. As escolas devem possuir as chamadas  salas de recursos, equipadas, para facilitar a aprendizagem. Possuir professor de braile, acontecendo, por vezes, ter a sala, mas não o professor.

O que se nota, na maioria das escolas da rede pública, é ausência de infra-estrutura. Ausência de instalações especializadas, de rampas, carteiras anatômicas e, principalmente, faltam professores capacitados para lidar com o aluno deficiente.

Uma outra barreira a se vencer, em relação aos alunos portadores de deficiência, é o preconceito. Preconceito da sociedade, da escola, dos pais e até mesmo dos professores. Quando o processo de ensino da educação inclusiva é bem conduzido, administrado por professores competentes, habilitados para a área, ele consegue resultados animadores. Consegue formar indivíduos ajustados, produtivos, capacitados para exercerem tarefas que vão desde as mais simples às mais complexas. A sua inserção, em salas regulares, ajuda-os a vencer, a se integrar melhor na sociedade.

O que mais se necessita, para o sucesso da educação inclusiva, é o apoio a ser dado ao professor, à sua capacitação. Permanecendo, apenas, em instituições especializadas, os alunos deficientes acabam perdendo o convívio social, sem saber como lidar com as pessoas em sociedade. Instituições que só atendem alunos deficientes, adotam, costumeiramente, métodos “mecanicistas”, que tendem a nivelar as crianças. Na inclusão, adota-se uma linha alternativa e mais democrática de ensino. Falta, sobretudo, à rede pública aprender a desenvolver projetos que abram oportunidades educacionais adequadas a essas crianças.

A Educação Inclusiva surgiu na Europa na década de 1950 e, hoje, já é uma realidade. Segundo dados estatísticos, a rede estadual paulista atendeu, no ano de 2001, 19.215 alunos com necessidades especiais em salas regulares, de um total de 6,1 milhões de estudantes. Das 5.580 escolas, apenas 695 praticam a inclusão. Mais de 15.000 alunos são assistidos por instituições especializadas, por causa do alto grau de deficiência.

Neste particular, ressalta-se a atuação das “Associações dos Pais e Amigos dos Excepcionais” (Apaes),com seu atendimento primoroso. Fui supervisora de ensino de algumas Apaes e todas elas primavam pela competência, pelo devotamento aos alunos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, apenas, 2,2% dos brasileiros com deficiências físicas e mentais recebem atendimento educacional. Dentre os 17 milhões, só 374 mil são atendidos pela rede pública ou por instituições privadas, em parceria com o governo federal.

Algumas escolas particulares de ensino regular têm projetos bem sucedidos de inclusão de estudantes especiais. Promovem orientação pedagógica específica, resultando em trabalho diferenciado. São escolas que, em atenção às diferenças e às necessidades dos  alunos, mantêm em classe, no máximo, 15 alunos, permitindo ao professor atendimento individual, acompanhar de perto as dificuldades de cada um, colocando somente um ou dois alunos especiais por classe. Escolas há que adotam, como método estimulador da afetividade dos alunos, a presença de animais na escola: pôneis, cabritos, ovelhas, coelhos, tartarugas, patos e outros. Os animais favorecem a integração entre os alunos.

Há escolas que oferecem atividades de inclusão social. Dão cursos de Preparação e Qualificação Profissional, em que os alunos são encaminhados para o mercado de trabalho. Ensinam o ofício de padeiro, confeiteiro, de atendimento ao público, de auxiliar de escritório, de ajudante de cozinha, entre outros. Para a inserção da mão-de-obra dos portadores de deficiência, no mercado de trabalho, há muito preconceito e desinformação. O preconceito é, ainda, a maior barreira, na colocação de pessoas especiais, no trabalho.

Empresas que empregam portadores de deficiência dizem dar a eles tratamento igual e as responsabilidades são cobradas como de qualquer outro empregado, sem paternalismo e que a correspondência é muito boa. Eles são aproveitados em livrarias, supermercados, lanchonetes, videolocadoras, doceiras, escritórios, especialmente, de advocacia.

A escola de ensino regular, ao receber o aluno portador de deficiência, ao trabalhar o preconceito, ela está difundindo o sentido de igualdade de oportunidades a esse aluno; está desenvolvendo, entre os alunos, a formação humanística e, sob esse prisma, a integração virá bem mais forte e mais consistente.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2002)

EXAME NACIONAL DE CERTIFICAÇÃO DE PROFESSORES

Izabel Sadalla Grispino *

O Ministério da Educação e Cultura (MEC), implementando a cultura de avaliação, lança a proposição, que, se confirmada e estendida a todo magistério, poderá reverter em real benefício à educação, no sentido de trazer a tão desejada melhoria da qualidade do ensino. Trata-se do Exame Nacional de Certificação de Professores da Educação Básica, no qual, em calendário já determinado, janeiro e fevereiro de 2004, os professores da 1.ª à 4.ª série do ensino fundamental serão submetidos a teste de avaliação de seu desempenho profissional.

O Ministério, por essa linha de conduta, abraça um procedimento concreto, capaz de atingir uma suculenta raiz do fracasso do ensino público, qual seja, a precária formação docente. Pelo encaminhamento desse Exame, conforme especifico abaixo, o professor será estimulado a uma atualização e reforço do conhecimento, numa seqüência que abarga um caráter permanente da educação. O MEC fala em uma rede de formação continuada, com apoio de universidades, para atingir o aperfeiçoamento profissional.

A participação dos professores será voluntária e os que participarem e forem aprovados receberão do Ministério da Educação uma bolsa mensal no valor de R$ 100,00. Segundo o anunciado, a partir de 2005, todos os formandos de cursos de licenciatura deverão passar pelo Exame Nacional de Certificação para a obtenção do diploma. Renata Braga Santos, chefe do gabinete da Secretaria do Ensino Fundamental do MEC, pronunciou-se dizendo que “todos os aprovados terão um documento do Estado brasileiro atestando sua qualidade diferenciada”.

O abono mensal de R$ 100,00, embora de pouca monta, não deixa de ser um atrativo na adesão ao Exame para um profissional que ganha pouco,  e a estimativa inicial do MEC é que 40% dos docentes, cerca de 500 mil  professores, compareçam à primeira prova. A  aprovação  do  professor  ao  teste  dar-lhe-á  gabarito, auto-estima, atributos perdidos nos últimos anos. A proposta do MEC é que o certificado obtido nesse exame tenha validade por 5 anos e a nota seja utilizada como critério em processos seletivos e de promoção no magistério.

A adesão do magistério ao Exame é um grande passo no caminho da escola renovada, capitaneada por profissionais qualificados. É uma pedra enfincada no alicerce do saber, o único verdadeiramente capaz de formar um aluno competente, premiá-lo com um ensino de qualidade. Esse processo traz esperança de que o penoso resultado das pesquisas do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), referente ao ano 2001, venha, a médio e longo prazo, trazer alento ao falido sistema educacional vigente. Essas pesquisas mostraram que cerca de 1 milhão de alunos (980 mil) da 4.ª série não sabe ler e mais de 1,6 milhão são apenas capazes de ler frases simples. Os alunos da 4.ª série, na grande maioria, não adquiriram competências básicas de leitura.

O Exame Nacional de Certificação de Professores da Educação Básica, se acompanhado de outros reforços educacionais, principalmente de um significativo aumento de salário dos professores, da diminuição de alunos por classe, poderá trazer de volta o nível das antigas escolas públicas dos idos anos 30 a 60. O número elevado de alunos em sala de aula prejudica, sobremaneira, a atuação didática do docente, dificulta a interação professor/aluno, centro irradiador de todo processo de ensino-aprendizagem.

A iniciativa do Ministério da Educação (MEC) de se implantar formas de avaliação do trabalho docente, reforçando a cultura da avaliação, mostra que o ponto mais nevrálgico da educação brasileira está sendo tocado. O analfabetismo é um dos nossos problemas sérios, quer o absoluto, quer o funcional. O MEC divulgou, recentemente, que a cada ano cerca de 1 milhão de pessoas é alfabetizada sem nenhuma participação do poder público, com o esforço de entidades não-governamentais, igrejas e instituições, com eficiência de difícil mensuração.

Por sua vez, o ministro Cristovam Buarque entregou ao Senado um resumo dos dados sobre a situação na educação básica do País. Mais de 15 milhões de brasileiros com mais de 15 anos são analfabetos; 2,2 milhões de jovens entre 14 e 17 anos estão fora da escola; 57% das crianças com 10 anos não sabem ler e 34% lêem, mas não conseguem interpretar o texto; 52% dos alunos da 4.ª série não têm noções elementares de matemática; 30% dos alunos têm idade superior à adequada para a série que cursam; 41% dos alunos abandonam a escola.

A este quadro preocupante, acresce-se o resultado do campeonato mundial da ciência em que o Brasil aparece colocado na segunda divisão, afastando-se da divisão especial onde estão, entre outros, Estados Unidos, Alemanha, Grã-Bretanha e Coréia do Sul. O pesquisador Antonio Carlos Martins de Camargo, professor titular de farmacologia da USP, desabafou, dizendo: “Não temos uma cultura de que conhecimento gera riqueza. Aqui, conhecimento só gera conhecimento”.

Ainda temos muito o que fazer para mudar a mentalidade reinante, na compreensão de que não há crescimento sem investir na educação, no aperfeiçoamento da ciência, da tecnologia.

Vamos torcer para que o governo consiga erradicar o analfabetismo, implantar a “escola ideal”, conforme palavras do ministro, escola onde o aluno receba um ensino de qualidade, através de um profissional competente, atualizado. A formação do professor tem estreita relação com o aproveitamento escolar do aluno.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em julho/2003)

SISTEMA ÚNICO DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Inúmeras propostas de sugestões de mudança infiltram-se na área da educação. O ministro Cristovam Buarque tem se revelado um profissional irrequieto, inconformado com o decadente ensino oficial brasileiro.

Por vezes, assusta-nos pela quantidade de inovações lançadas, como reformulações no Exame Nacional de Cursos, o Provão, no Exame Vestibular, no Exame Nacional do Ensino Médio, com realização anual, na Universalização do Ensino Médio, seguido do acréscimo de um quarto ano, opcional para o aluno, ou alfabetizar todo mundo.

Tantas e complexas propostas, muitas de difícil concretização, chamam, contudo, a atenção e colocam na pauta de discussões a causa da educação oficial, que no Brasil beira à raia da falência. As freqüentes considerações de mudança podem despertar consciências, movimentar opiniões, transformar-se em assunto prioritário, criar um fortalecimento político em torno da falência da escola pública. Cria-se, também, a expectativa de se formar uma escola preparada para lidar com o problema crucial da dificuldade de aprender.

Como uma de suas últimas propostas, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, fala da criação de um sistema único da educação, inspirado nos Sistemas Únicos da Saúde (SUS) e da Segurança Pública (Susp). Essa nova forma de organização teria a participação da União, Estados e municípios, também de sindicatos e organizações não-governamentais (ONGs).

As sugestões do ministro foram bem acolhidas por Estados e municípios, que apoiam em compor com o governo federal o sugerido sistema integrado de educação. Aliás, a Constituição Federal, no seu artigo 211, define como a União, Estados, Distrito Federal e municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino.

O ministro Cristovam Buarque propõe, ainda, um grande projeto, que chamou de sistema solidário de educação, visando melhorar a qualidade da formação do profissional da educação. Fazem parte desse projeto quatro propostas: instituir um piso salarial para o professor e implantar a avaliação permanente do seu trabalho; garantia de vaga a todas as crianças a partir de 4 anos; ensino médio obrigatório; quatro anos de ensino médio, sendo um deles profissionalizante.

É patente a louvável intenção do ministro de criar uma mobilização, envolvendo governo, sociedade, sobre o sério problema que o Brasil enfrenta na área do ensino público.

Terá ele condições de viabilizar a contento tantas iniciativas? Estruturas deficitárias, falta de verba, falta de professores, vão requerer muita criatividade e objetividade, para uma real operacionalização dessas propostas.

 

15 DE OUTUBRO, DIA DO PROFESSOR

Antecipando-me ao 15 de Outubro, Dia do Professor, não posso deixar de render minha homenagem ao professor. Irmano-me à causa do ensino, à luta por melhores condições de trabalho e, particularmente, por melhores salários. Que a Nação passe a compreender que sem professor não há ensino e sem ensino não há pátria altaneira. Que haja uma consciência nacional sobre a função insubstituível do professor para a sociedade e para a vida como um todo.

A você, professor, com carinho e respeito, meus versos abaixo:

AO  PROFESSOR

Querido professor,
Não desanime, vá avante,
Da humanidade é luz do esplendor,
É sol que brilha em terra exuberante,
Estrada iluminada,
Luzeiro de escuras madrugadas!

Sem você, a sociedade esmorece,
A criança perde seu futuro,
Você é, de todos, a mais bela prece,
O sonho que surge prematuro,
A fé que a esperança carece,
O brilho que nunca desaparece.

Embora pouco reconhecido,
E, pouco prestígio alcança,
Com Jesus é parecido;
Seu devotamento, transpassado de lança,
Tem como maior recompensa
A luta, para que seu aluno vença.

Assemelha-se ao pesado arado,
Que remove a terra, prepara o plantio,
Joga-se o grão adubado,
Que vencerá o inverno e o estio,
Com a chuva, a colheita é abundante,
A terra sorri em seu veludo verdejante!

Você, professor, vai além,
Prepara, aduba, planta, conquista,
Trata da semente como ninguém,
Da mente e da alma é um especialista;
Você é o amanhã de suave brisa,
O construtor, que a sociedade mobiliza ou paralisa!


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2003)

CRIANÇA HIPERATIVA

Izabel Sadalla Grispino *

Múltiplas são as funções da escola. Educar para a vida todas as crianças que acolhe em sua instituição é para ela um desafio, que se acentua pela complexidade que resulta da diversidade que marca a clientela escolar. A escola precisa compreender e atender os alunos em suas diferentes especificidades.

Educar, atendendo as diferenças individuais, requer muita dedicação, habilidade, competência e predisposição ao trabalho educativo. Vejamos o caso de crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), uma doença infantil conhecida apenas por hiperatividade.

Os sintomas das crianças hiperativas podem ser observados desde os primeiros anos de vida. Segundo recentes estudos, mães de crianças hiperativas relatam que seus filhos se mexiam muito, mesmo antes do nascimento, sentiam uma certa agitação da criança no útero materno.

As escolas confirmam seu diagnóstico conversando com as mães. Desde pequeninhas, essas crianças mostram-se irritadiças, choram muito nos primeiros anos de vida e apresentam sono agitado. São crianças que precisam de vigilância redobrada, expõem-se, constantemente, a riscos de acidentes. Elas quebram, com freqüência, seus brinquedos, perdem rapidamente o interesse por brincadeiras ou situações, necessitando, sempre, de novos estímulos.

Muitas mães chegam a se queixar de esgotamento. São crianças indisciplinadas, problemáticas, por vezes, avoadas e malcriadas. Em determinados momentos parecem estar “no mundo da lua” e têm seus relacionamentos agravados pela impulsividade.

Quando o hiperativo vai à escola, a situação se complica. Ele dá muito trabalho, tem grande dificuldade de permanecer no lugar, agita pés e mãos em demasia, corre ou fala demais, não respeita os momentos da aprendizagem. Chamar a atenção, castigar, não resultam efeito, ao contrário, geram conflitos nas relações pessoais.

A hiperatividade é mais freqüente no gênero masculino e os estudos mostram influência dos fatores genéticos. Vem demonstrando que o hiperativo apresenta essa característica ao longo da vida, com acentuadas melhoras se atendido corretamente em termos comportamentais, educacionais, ambientais e, quando necessário, medicamentosos.

A hiperatividade é uma doença que causa, pela constante agitação, pela dificuldade de concentração e instabilidade emocional, transtorno à aprendizagem. Os psicólogos a definem como doença neuropsiquiátrica, que traz dificuldade de atenção, de percepção, planejamento, organização, com falhas de comportamento. A criança se distrai com tudo, não consegue avaliar o que é mais importante, porque o cérebro trabalha mais lentamente.

Aconselha-se aos pais que a encaminhe a um tratamento que, geralmente, envolve a administração de medicamentos estimulantes, para que o cérebro volte à atividade normal, diz o psiquiatra Ênio Roberto de Andrade, do Hospital das Clínicas da USP/São Paulo.

Escolas despreparadas para lidar com o problema agravam a situação. Precisam utilizar-se de uma metodologia específica, com professores treinados para trabalhar com o quadro hiperativo.


* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em março/2007)



 

 

BASE HUMANÍSTICA DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Continuando o assunto sobre voluntariado, constatamos que escolas há que orientam os alunos para a participação voluntária. Muitas já incluem, em seus projetos pedagógicos, atividades de trabalho voluntário. Os exemplos começam a se multiplicar.

Alunos de escolas particulares de alto padrão estão se predispondo, com orientação, a oferecer ajuda, em diversas disciplinas, a alunos de escolas da rede oficial, com dificuldade de aprendizagem, ajudando a tirar dúvidas e a elevar o nível de conhecimento desses alunos. Eles integram a programação da escola contemplada, uma ou duas vezes por semana, em determinado período, participam de atividades extraclasses ou, então, a escola monta um horário especial para esse atendimento.

O entusiasmo atinge o emissor e o receptor: os alunos, com deficiência de aprendizagem, evoluem e os que ensinam fixam o conhecimento, adquirindo uma visão mais ampla do assunto.

Outras escolas incentivam os alunos à assistência hospitalar, às crianças doentes, internadas em hospitais. É o caso de adolescentes, de 16, 17 anos, geralmente do 3.º ano do ensino médio, que se dedicam, como voluntários, a brincar com crianças – na maior parte carentes – internadas em hospitais, exercitando o amor ao próximo.

Utilizam-se de livros infantis, tintas, lápis de cor, teatrinhos de fantoches e outros. Contam histórias, pintam, desenham, encenam peças infantis, organizam jogos, sempre com a supervisão de um técnico em recreação. Trabalham atividades educativas e recreativas.

As crianças doentes sentem-se animadas com o ganho dessas parceiras para brincar. O ganho dos adolescentes é de outra natureza: tornam-se pessoas mais solidárias, com sentimentos mais elevados, com um olhar voltado ao infortúnio humano. A presença deles, no hospital, contribui para a humanização do atendimento, diminuindo o impacto da internação da criança.

Os resultados, segundo consta, são surpreendentes. As crianças aceitam melhor o tratamento, curam-se mais depressa. Muitas choram quando recebem alta, por não querer se afastar dos novos amiguinhos, mais velhos.

Um outro grupo dedica-se ao atendimento de idosos. Os adolescentes buscam sentido nesse trabalho, ganham experiência, avançam para a maturidade emocional e engrossam a ação solidária da sociedade.

Na abrangência do trabalho voluntário, outras luzes surgem na educação, quais sejam, os cursinhos comunitários. Alunos da classe pobre, oriundos de escolas públicas de má qualidade, poucas chances têm de ingressar numa boa universidade. Ainda recentemente, esse dado foi comprovado, quando as universidades públicas de São Paulo anunciaram isenção da taxa do vestibular para alunos carentes, alunos que cursaram o ensino básico em escolas públicas e que pertencem a famílias de baixa renda.

As universidades decidiram sobre a isenção, “apesar de terem tido uma experiência considerada insatisfatória, quando nem todas as isenções foram utilizadas”. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) aumentou o número de candidatos isentos, porém poucos beneficiados passaram no seu vestibular. A USP também divulgou que os isentos não tiveram bom desempenho.

As barreiras desses alunos para atingir um nível razoável de conhecimento são grandes. Trazem defasagem de longa data, que vai, no tempo, se acumulando, e ainda não só não podem pagar um bom cursinho preparatório para o ingresso a uma boa universidade, como não têm base suficiente para absorver o conteúdo por ele ministrado.

Atuações altruístas surgem na área educacional e vêm criando oportunidades de um ensino complementar de bom nível aos alunos, como são os cursinhos comunitários. Estes constituem uma rede alternativa de ensino, mantida por voluntários, que investe, especialmente, na auto-estima dos alunos. O Educafro, por exemplo, é uma rede que agrupa quase 70% dos cursinhos comunitários dirigida pelo frei David dos Santos, um fervoroso defensor do aluno necessitado.

Os cursinhos comunitários são uma nova opção à população estudantil de baixa renda. Em geral, surgem da própria comunidade, que se organiza e monta um núcleo, ou de grêmios estudantis, onde todos os funcionários são pagos.

Abrir um cursinho comunitário exige muita vontade e trabalho, pois todos os seus integrantes são voluntários. A mensalidade equivale a 10% do salário mínimo, valor simbólico comparado aos grandes cursinhos. Esses cursinhos têm se revelado de grande utilidade e têm trazido resultados animadores, em termos de melhora da qualidade de ensino. Muitos alunos, hoje estudando em universidades, passaram por cursinhos comunitários. Torcemos para que o exemplo se prolifere, para que, daqui há algum tempo, não precisemos nos deparar com o resultado divulgado, no início de setembro de 2005, do Ibope, sobre analfabetismo funcional, mostrando que 75% da população não consegue ler e escrever direito.

A solidariedade é, sem dúvida, um caminho de reabilitação da escolaridade, evitando os profundos desníveis sociais. Reabilitação não só da parte que recebe a ajuda, mas, e muito, da parte que estende a mão e influencia o vizinho, para o comportamento cristão do pão repartido.

A preocupação em desenvolver uma base humanística e solidária entre os estudantes dos vários graus de ensino, hoje, é uma constante, um conhecimento a favor da cidadania. É um trabalho de educação que tem, a médio e longo prazo, perspectivas de sensibilizar alunos para que se envolvam em trabalhos voluntários.

É preciso pensar no conjunto da população, porque ninguém pode ser feliz vivendo no seio de uma comunidade desventurada. O ambiente geral é reflexo ou de uma sociedade bem constituída, bem repartida, ou de uma sociedade onde o desequilíbrio traz profundas marcas de dor.

Vamos educar  nossos alunos, os responsáveis pelo mundo que se formará amanhã, vamos conscientizá-los em direção à eqüidade social! Eqüidade em trabalho, em capacitação profissional, em realização pessoal, na linha construtiva do ensinar a pescar. Não é dar gratuitamente, é dar condições de vida própria, de vida de qualidade!

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em setembro/2005)

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