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Artigos Educacionais

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VINTE E TRÊS DE MAIO – DIA DO SOLDADO CONSTITUCIONALISTA

Izabel Sadalla Grispino *

A escola não pode deixar de reviver, nesta época, os episódios da Revolução Constitucionalista. Reverenciar os heróis da Pátria é despertar no educando o sentimento patriótico, é resgatar os valores humanos de nossa terra e preparar as novas gerações para o amor e para as responsabilidades sociais, que a Pátria impõe.

Através dos grandes vultos de sua História, ensina-se a exortar o lugar onde nasceu ou onde vive, ensina-se a enaltecê-lo, a defendê-lo e, acima de tudo, a amá-lo. Ensina-se a respeitar os seus princípios, crenças e tradições, ensina-se a valorizar os atos de bravura devotados à Pátria, como o que aconteceu com a morte dos 4 estudantes: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, dando a própria vida pela redenção democrática do País – os seus despojos foram colocados, para orgulho do povo brasileiro, no Mausoléu do Ibirapuera. Ensina-se aos alunos o valor de uma Constituição, da Carta Magna de um país.

Como preâmbulo à poesia abaixo, lembro que em 1930 deveria haver eleição para presidente da República. Eram candidatos Júlio Prestes e Getúlio Vargas. Este, gaúcho, em 3 de novembro de 1930, sob o pretexto de que uma fraude eleitoral (antigo PRP) elegera Júlio Prestes, desencadeou no Sul a Revolução, conhecida como de 1930.

Tropas vieram do Sul e chegaram até o Rio de Janeiro, onde tomaram o poder. Getúlio Vargas tornou-se o chefe da Nação e nomeou interventores para governar os Estados, sendo em São Paulo interventor o embaixador Pedro de Toledo.

SOLDADO  CONSTITUCIONALISTA


Glorioso Soldado Constitucionalista,
Herói que lutou pela Revolução Paulista,
Bradou forte por uma nova Constituição,
Acirrada luta travou pela republicana redenção.

A rebelião teve origem na Revolução de 1930,
Tropas sulistas, sangrentas tintas derramaram sobre o País,
Se apossaram do poder, tendo à frente Getúlio Vargas,
Destituindo e prendendo o presidente Washington Luiz.

O governo provisório foi se tornando permanente,
O Estado de São Paulo não aceitava essa situação,
Em maio de 1932, por uma Constituição premente,
O povo saiu às ruas, contra a ditadura fez exortação.

Os estudantes aderiram bravamente ao movimento,
À democracia se prenderam em juramento,
No dia 23, na Praça da República,
Quatro jovens tombaram pela nobre causa pública.

Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo
Foram os primeiros mortos na luta pela Constituição,
Lavaram com seu sangue a afronta nacional,
Ídolos se tornaram no coração social!

Ergueu-se a sigla MMDC, como um estandarte,
Representa a data, traz as primeiras letras dos estudantes,
Cujo sacrifício pela Pátria não foi em vão,
O País teve, em 1934, a sua propalada Constituição!

Esta Constituição vigorou até 10 de novembro de 1937,
Quando Getúlio impôs nova ditadura ao povo,
Farsa que denominou “Estado Novo”,
Encomendando outra Constituição, a de 1937.

Em 9 de julho de 1932, em São Paulo,
Foi declarada a Revolução Constitucionalista,
Trazia o lema: “Tudo pela Constituição”,
O povo exaltado exigia a reparação.

Em homenagem aos quatro estudantes, de ardor nacionalista,
23 de maio foi consagrado ao Soldado Constitucionalista,
MMDC sintetiza para a Nação o gesto heróico,
A força que marcou o exemplo patriótico.

No Estado de São Paulo, por esse episódio,
O pendor de bravura ficou notório,
Pela Justiça, São Paulo revelou-se o primeiro,
Pela Democracia, impôs-se como pioneiro!

 

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em maio/2005)

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, ZONA LESTE DA CAPITAL

Izabel Sadalla Grispino *

A zona leste da capital terá a sua Universidade de São Paulo, USP. As obras do futuro campus da USP Leste estão bem adiantadas, com o primeiro vestibular previsto para 2005.

A USP Leste, segundo o que se depreende do noticiário divulgado, decidiu por novos cursos, em número de 12, sem se ater a pesquisas de opinião dos maiores interessados, os alunos. Entendeu a USP que era momento de inovar, formar profissionais para as demandas do mercado, criar novas demandas e não aumentar vagas nos cursos conhecidos, como Medicina, Engenharia ou Direito, embora estes tenham sido os cursos mais citados e solicitados pelos alunos.

Dos 12 cursos sugeridos pelo campus Zona Leste 10 foram aprovados: Lazer e Turismo; Tecnologia Têxtil; Gestão Ambiental; Licenciatura em Ciências da Natureza; Sistemas da Informação; Gestão em Políticas Públicas; Ciências da Atividade Física; Marketing; Gerontologia e Obstetrícia. Foi aprovado um 1.º ano de ciclo básico para os 1.020 alunos previstos.

Uma pesquisa realizada pela própria USP, concluída em junho de 2003, com os alunos que estão terminando o ensino médio, mostra um descompasso entre o que está sendo oferecido e o que foi solicitado por eles. A pesquisa ouviu mais de 5 mil alunos das escolas públicas e privadas e cursinhos. Foram ouvidas 5.697 pessoas, com 5.280 questionários, em 49 escolas de ensino médio e 15 cursinhos, distribuídos por todas estas regiões da cidade de São Paulo.

A pesquisa foi realizada entre fevereiro  e abril de 2003, sendo a Fuvest a responsável pela conferência e tabulação dos dados. 69% dos questionários foram aplicados a alunos da última série do ensino médio da rede pública e 31% aos alunos das escolas privadas e cursinhos. 48% eram alunos dos cursos diurnos e 52% do noturno. Também foi levantado o perfil socioeconômico desses estudantes. Quanto ao grau de instrução do pai, 36% das respostas revelaram um ensino fundamental incompleto; 19%, fundamental completo e apenas 14%, universitário. Os números são semelhantes quanto à escolaridade da mãe.

O questionário foi aplicado em duas etapas. Na primeira, o entrevistado recebia um pequeno texto, com explicações do currículo de 22 cursos superiores escolhidos pela USP. Na segunda etapa, transcorrida no dia seguinte, o entrevistado preenchia um questionário quanto à opção demonstrada pela instituição e respondia à questão: “Você gostaria de fazer algum curso que não consta desse questionário? Explique suas razões”.

As respostas revelaram grande distância entre as escolhas dos estudantes, sobre os cursos universitários, e os que serão oferecidos no novo campus da USP. Contudo, mostraram, também, que 53% dos jovens “não têm consciência da razão da escolha”; 33% falaram em interesse pessoal e apenas 5,1% mencionaram “oportunidades de trabalho”. Perguntas sobre as razões pelas quais desejavam cursar uma faculdade, 35,2% responderam “melhoria das condições financeiras” e 37,9% afirmaram “realização pessoal” e somente 5,3 ficaram com a opção “reconhecimento social”.

A USP tinha, portanto, dados reais, pesquisados, para formular e assentar novos cursos no campus da zona leste. Até que ponto é válido ignorar as demandas solicitadas e apoiar-se apenas na criação de novas demandas? Não seria justo fazer uma adequação entre os cursos mais pedidos, que referendam vocação, revelam potencialidades, com a introdução de novos cursos? Afinal, a zona leste é uma região carente, onde o aluno não tem condições de se locomover, ir em busca de suas aspirações, acabando por sucumbir, relegar seus ideais de realizações, tendo que freqüentar os cursos ofertados.

As respostas à pesquisa mostraram possibilidades de um equacionamento na oferta dos cursos. Aos 35,2% que disseram querer apenas “melhorar suas condições financeiras” fariam os cursos idealizados pela USP, mas os 37,9% que opinaram por “realização pessoal” deveriam poder atender aos seus estímulos internos, os que levam à verdadeira realização profissional.

A USP, após a leitura da pesquisa, deu uma explicação razoável, porém não convincente. Iria abrir cursos de humanidades na zona leste da cidade porque encontraria, assim, “maior simetria interna”, visto ser o campus de Ribeirão Preto mais orientado para as habilidades na área da saúde e o de São Carlos para as ciências exatas. “O campus da zona leste encontra sua vocação principalmente no campo das humanidades”, disse a comissão de professores indicada pela reitoria. Mas, a USP não atinou com a distância em quilômetros entre estes campi, obrigando o aluno carente a sufocar sua vocação, deixar o sonho pela pesada realidade.

A USP deixou de aproveitar a diversidade de interesses pessoais, acadêmicos e conciliá-los à diversidade de possibilidades de emprego da região. Mesmo que quisesse se prender ao item controle social, favorecendo o equilíbrio em regiões carentes de determinados profissionais, poderia equilibrar anseios individuais e mercado de trabalho, equacionar vocação institucional, vocação educacional da região e vocação discente.

Pensar só em mercado de trabalho, ricas aptidões se perdem e ganham-se medíocres profissionais. Quando se trata de USP, a primeira idéia que surge é a expansão de ensino com padrão de qualidade. Difícil encontrar esse padrão em aluno desmotivado pela escolha da carreira, desencontrado em suas aspirações. Hoje, a formação universitária prima por transformar o aluno superficial em aluno profundo. Como chegar à profundidade sem vocação, quando o que está impulsionando o aluno é simplesmente o atendimento a demandas externas?

A USP Zona Leste, ignorando o resultado da pesquisa, decidiu, por si só, a criação de cursos que objetiva simplesmente ativar o mercado da localidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2004)

MUDANÇAS NA REFORMA DO ENSINO

Izabel  Sadalla Grispino *

Muito já se tem falado ou escrito sobre a reforma do ensino, mas o que parece é que ela está sendo sofrivelmente entendida e aplicada, em boa parte das escolas. Hoje, se preconizam voluntários da educação, pessoas da comunidade, da sociedade em geral, que, de alguma forma, possam contribuir com a escola, enriquecer seu conhecimento, seu currículo, inclusive sob a forma de atividades aos alunos. Este artigo engloba o objetivo de fornecer às escolas subsídios à reflexão sobre a nova realidade escolar, inscrita nas proposições emanadas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).

A escola precisa fornecer parada para a meditação, para a reequilibração num processo de feed-back. “Um professor que não pára para rever sua prática pedagógica, se ver em atuação, trocar com seus pares, é um professor literalmente tragado pela “fazeção” do dia-a-dia, que acaba ficando sem sentido”. (Paulo Freire)

Surge uma nova concepção de currículo e, com ele, uma nova concepção de escola. Nova em seu formato, em seu funcionamento, em sua organização, requerendo uma profunda revisão das metodologias de ensino. Uma escola que deve estar apoiada em avaliações periódicas, renovando-se, ajustando-se a um mundo em permanente mutação, para o qual o ensino tradicional tornou-se inapropriado, obsoleto.

Revoluciona-se o conceito de currículo, que tem, agora, sua maior característica na flexibilização. A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) prevê a flexibilização na organização de cursos e carreiras e por isso torna possível a mudança que vale tanto para as escolas públicas como para as privadas. A idéia central é substituir a atual estrutura curricular, baseada em disciplinas e carga horária fixa, por outros modos de organização. Na educação básica por: “séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência” e em outros critérios e formas diversas de organização, como módulos, reclassificação de alunos, aceleração da aprendizagem... No ensino superior a LDB prescreve que “alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos... podem ter abreviada a duração de seus cursos”.

O novo currículo substitui padronização por flexibilização. Vivemos numa sociedade plural, plural que deve ser usado para o enriquecimento, para o acréscimo, não para a unificação. A reforma adota currículos que buscam a cultura compartilhada, atualizada, incluindo a informal, onde a leitura de jornais e revistas deve ser pensada como uma de sua parte integrante. O currículo formal só é autêntico se apoiado no currículo oculto, oriundo da vida do aluno, sua cultura, suas variadas influências. O projeto pedagógico da escola precisa contemplar o contexto sociocultural, trabalhar a metodologia interativa, interdisciplinar, contextualizada, com o foco do currículo caracterizado mais por competência cognitiva de caráter geral que por informações. “No lugar de uma cabeça bem cheia, uma cabeça bem feita”, nos ensinava no século XVII o pensador francês Montaigne.

As modernas teorias pedagógicas têm suas raízes no passado, foram estruturadas ao longo dos séculos. Reforçam, entre outras, o pragmatismo lançado pelo educador norte-americano John Dewey, que antes da década de 30 dizia: “Escola é vida, não é preparação para a vida”. Propunha que a escola desenvolvesse aptidões e habilidades nos alunos por meio de experiências vividas; é o famoso “aprender fazendo”. Piaget e Bruner, influentes mentores da educação moderna, na 2ª metade deste século, possibilitaram-nos a formação de programas de ensino mais realistas, conteúdo mais acessível, métodos de ensino e de aprendizagem mais adequados aos alunos. “O aluno é um ser que interage com a realidade”, dizia Piaget.

As disciplinas tradicionais do currículo devem estar relacionadas aos aspectos essenciais da vida do cidadão, como ética, saúde, meio-ambiente,  movimentos  culturais,  sexualidade,  pluralidade  cultural,  mito  da democracia

social, vivência familiar, social e outros. Esses temas serão incluídos e trabalhados em associação às áreas convencionais, conforme recomendam os “Parâmetros Curriculares Nacionais”. A escola abre oportunidade para que os alunos aprendam temas normalmente excluídos e atua propositadamente na formação de valores e atitudes.

O currículo de todos os níveis de ensino contém uma base nacional comum, complementada por uma parte diversificada que variará de conformidade com as “características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela” (LDB). Deve nortear-se pela interdisciplinaridade –  interligando as diversas áreas do saber  – pela contextualização. A interdisciplinaridade promoverá ao aluno uma formação geral mais ampla e a contextualização buscará solução dos problemas sociais no seu trato com o cotidiano.

INTERDISCIPLINARIDADE – As disciplinas inter-relacionadas fornecem ao aluno um conhecimento globalizado do assunto. Na universalidade, por exemplo, vem corrigir distorções do ensino superior e da especialização excessiva dos cursos de graduação realizados em departamentos e cursos desintegrados dos demais. Hoje, os profissionais mais qualificados para o mercado de trabalho são os chamados especialistas generalizantes, que, junto ao conhecimento de sua área e especialização, devem ter a capacidade de adquirir informações sobre outras áreas, facilitando o conhecimento do papel de outras pessoas e uma melhor interação entre elas.

A interdisciplinaridade, aliada às diretrizes curriculares básicas comuns a todos os cursos, levará a especialização para os últimos anos, o que faz repensar na forma atual do exame vestibular, que força o estudante à escolha precoce, a uma especialização com escolha preestabelecida.

CONTEXTUALIZAÇÃO – O ensino das disciplinas tradicionais deve estar relacionado aos contextos: trabalho, ambiente, convivência social, movimentos culturais e outros. Estes relacionamentos rompem com o modelo de educação, no qual o aluno não sabe aplicar na vida a teoria aprendida na escola.

Ao evitar conhecimentos descolados da realidade, a escola afasta o enciclopedismo dos currículos, colocando os objetivos do ensino próximos ao dia-a-dia da sala de aula. A nova proposta parte do pressuposto de que o conhecimento não está mais parado nas enciclopédias, ao contrário, sofre mudanças espantosas.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março de 2000)

UNIVERSITÁRIOS ANALFABETOS FUNCIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Trabalhar bem a linguagem é requisito primordial para um bom desempenho em língua portuguesa e em todas as disciplinas do currículo. As avaliações do Sistema Nacional da Educação Básica (Saeb), o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e tantas outras têm, sistematicamente, demonstrado o baixo rendimento escolar em português e em matemática.

Português é disciplina tronco, bifurca em todas as áreas do ensino. É indispensável para todas as demais disciplinas e o aluno do ensino médio, da escola pública, não raro, termina o curso com sérias dificuldades em concordância, em pontuação, coesão, falta de ligação entre as partes, tempos verbais. Dificuldade em colocar as idéias no papel, em usar um vocabulário apropriado ao texto, em entender o que lê. Esse aluno mostra incapacidade de concatenar idéias e de se expressar.

O nível de um grande número de alunos que chega à universidade particular é muito baixo, constatam as pesquisas. Diferentemente da universidade pública, a particular convive com vagas ociosas. A oferta é quase sempre maior que a procura e, assim, alunos bem mal preparados, que lêem e escrevem sofrivelmente, conseguem entrar.

Diante de tão baixo nível de ensino, algumas faculdades particulares oferecem aos alunos oficinas para melhorar a capacidade de ler e escrever. A má formação atinge, especialmente, os alunos da escola pública e é tão precária que constitui uma barreira à continuidade dos estudos. Os alunos não conseguem entender e interpretar os textos que precisam estudar, textos, aliás, que lêem muito mal.

As faculdades mantêm aulas obrigatórias de comunicação e expressão para melhorar as habilidades de leitura, interpretação e redação. Em algumas instituições, as aulas de reforço não se limitam ao português, embora as oficinas de texto sejam as mais procuradas. Todos colocam o eixo temático em português, com ênfase na leitura e entendimento de texto.

Essa mão estendida das faculdades é de ajuda mútua: para os alunos, que teriam grande dificuldade em continuar os estudos, e para as próprias instituições, que ficariam sem condições de elaborar com proveito o conhecimento e arriscadas a perder alunos, aumentando ainda mais suas vagas ociosas.

As faculdades oferecem um espaço gratuito, fora do horário de aulas, criado, unicamente, para possibilitar universitários a melhorar a capacidade de leitura e escrita e a não desanimar de estudar.

Não adianta universalizar o ensino se não se ensinar a criança a aprender. Essa iniciativa das universidades, de criar oficinas para as matérias do ensino básico, é louvável, mas uma ação paliativa, insuficiente à aquisição de um bom conhecimento, revelando uma política nacional falha no setor educacional. Política que não consegue articular diretrizes curriculares, resultados de avaliações, investimento e valorização de professores. Esses alunos são resultado de uma escola que não valoriza a leitura e constitui um problema que vem de longe. Educadores constatam que nos últimos 40 anos o desinteresse pela leitura tem crescido. Os jovens apegam-se à TV, ao computador e deixam a leitura de lado.

As dificuldades com a língua portuguesa, a falta de domínio revelada nos testes aplicados, nas diferentes avaliações oficiais,  são fruto da ausência de leitura. Quem lê desenvolve o raciocínio, amplia o vocabulário, o conhecimento, a visão de mundo, apropria-se de um modelo adequado para a escrita. A professora Neide L. de Rezende, da Universidade de São Paulo (USP), constatou que até os anos 60 a língua que se falava na escola era muito próxima da linguagem escrita. “Aprendia-se a gramática de uma língua que você conhecia e os jovens liam muito mais. Hoje, o aluno estuda a gramática de uma língua que ele praticamente desconhece”. Isso é reflexo da perda de qualidade do ensino, de suas condições adversas. O que ocorre é que muitos alunos terminam o ensino médio na condição de analfabetos funcionais e mesmo assim ingressam em uma universidade!

O atraso na educação é incompatível com a possibilidade de desenvolvimento econômico do País. Com esse atraso, o País terá dificuldades em sua força de trabalho, que será aumentada nos próximos anos. Faz-se necessário despertar a consciência nacional para o patrimônio político, econômico, social, que representa a língua portuguesa. Ela simboliza a identidade cultural do País. Fixa sua importância interna e externa.

No âmbito internacional, surge a idéia de o Brasil, com o apoio financeiro das Nações Unidas (ONU) e de empresas nacionais, ensinar português ao Timor Leste, a fim de resgatar a identidade dessa ilha asiática, conquistada pelos portugueses em 1701, ficando sob seu domínio até 1975. O Timor foi, na década de 70, invadido pela Indonésia, que o ocupou. Hoje, depois da independência, a maioria da população fala o dialeto tetum, apesar de o português ser, também, a língua oficial falada por apenas 20% da população. A ocupação da Indonésia durou até 1999 e fez surgir na ilha o indonésio e o dialeto chamado tetum

“A preservação da identidade do Timor passa pelo português e só Brasil e Portugal podem fazer isso”, disse o então representante do Itamaraty, Jadiel Ferreira de Oliveira. A intenção é levar estudantes da Universidade de São Paulo (USP) para ensinar português  no Timor Leste, estudantes dos últimos anos de cursos de Letras, Licenciatura ou Pedagogia.

Cito esse episódio para conscientizar os brasileiros da importância de se cuidar com esmero de sua língua, de preservá-la, dignificá-la. Sentir o quanto ela é representativa da identidade de uma nação, o quanto a define, a identifica, a caracteriza no âmbito nacional e internacional e o quanto ela é fator de promoção pessoal e profissional.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2004)

CURSOS LIVRES

Izabel Sadalla Grispino *

Antes de discorrer sobre o título do artigo, abordarei questões sobre um segmento da educação que começa a preocupar as autoridades educacionais: os recém-criados cursos de pós-graduação, pela grande maioria das faculdades.

Está havendo grande procura por esses cursos. Apenas o diploma de graduação não é mais suficiente para se ter, hoje, uma carreira de sucesso. No mercado competitivo, o grau de exigência vem crescendo e coloca, nos cursos de pós-graduação, o diferencial. A especialização abre caminho no trabalho; a  educação é a moeda desse milênio.

Até uns anos atrás, fazer uma pós-graduação requeria passar por uma seleção em uma universidade pública ou em uma grande instituição particular. A realidade mudou. As faculdades, percebendo a correlação, passaram a manter estruturas de pós-graduação, oferecendo cursos em várias modalidades.

Está havendo uma verdadeira proliferação e já começa a suscitar dúvidas sobre a honestidade e a qualidade de ensino dos cursos. O Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão responsável por esse nível educacional, defende uma ampla avaliação do segmento: “A expansão precisa ser acompanhada de qualidade. Está na hora de fazer um mapeamento para ver onde e como a expansão está ocorrendo, para evitar um crescimento desordenado”, arrematou Arthur Roquete de Macedo, presidente da Câmara de Ensino Superior do Conselho.

Uma, não tão veiculada, modalidade de ensino são os chamados cursos livres.

Os cursos livres podem tornar-se, presentemente, a grande fatia do mercado. Com, praticamente, a extinção ou a grande diminuição dos cursos supletivos particulares a distância, eles serão, sem dúvida, alvo de concorrência.

Os supletivos a distância foram criados e autorizados por causa de brechas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de dezembro de 1996, que determina que os alunos do ensino fundamental (1.ª a 8.ª série), de 7 a 14 anos, devem ter presença mínima de 75% do total de horas letivas, para aprovação, mas não se refere aos alunos com mais de 15 anos, faixa de idade permitida para o ingresso no supletivo. A decepção, contudo, causada por esses cursos levaram à expressão do professor Arthur Fonseca Filho, presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE): “Agora, não há mais dúvida de que eles não podem existir”.

A esse fato, acresce-se que, em maio de 2000, o Conselho Nacional de Educação (CNE) apresentou as normas para a educação de jovens e adultos e foi determinado que não poderia haver ensino fundamental a distância, em nenhuma circunstância, respeitando o artigo 32, inciso IV, § 4.º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que diz: “O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais”.

Baseado nessas normas, o Conselho Estadual de Educação de São Paulo (CEE) proibiu a existência de cursos supletivos a distância para o ensino fundamental. Ensino supletivo a distância, agora, só para o ensino médio.

A nova norma, sobre os cursos supletivos a distância, abre portas para os “cursos livres”. São cursos modalidade suprimento, de nível médio, assistemático. Esses cursos podem emitir certificados, sem validade para continuação dos estudos, mas que podem servir para o mercado de trabalho, na busca de emprego, ou para enriquecer o currículo.

Os cursos livres são organizados por empresas ou associações que aferem a escolaridade do aluno, elaboram apostilas, no final fazem uma prova e entregam o diploma com o carimbo da instituição mantenedora.

Em um Parecer de 1972, o extinto Conselho Federal de Educação previu a criação dos cursos livres de suprimento. Não são cursos regulares, supervisionados pelo Conselho Estadual de Educação (CEE), não precisam cumprir exigências como carga horária definida e título de professor.

Esses cursos podem ser dados por qualquer pessoa, desde que deixe claro que o certificado não serve como documento oficial. “Só lamento porque eles podem induzir ao erro pessoas menos informadas”, diz o presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE). Por isso, faz-se necessário sua divulgação.

A avaliação dos cursos livres será de competência do mercado de trabalho, que, mediante a qualificação do empregado, vai aprová-lo ou não. Os que ministram cursos de bom nível, de alcance empresarial, serão, sem dúvida, promovidos. Caso não tragam contribuições significativas para o desempenho profissional, terão, com suas inadequações, repercussão negativa e acabarão por cair no descrédito.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em julho/2001)

A GESTÃO ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

A gestão escolar vem, cada vez mais, se ressaltando dentro da organização da escola. A qualidade da gestão tem respondido pelo bom desempenho dos alunos.

Economistas de renome, como Naércio Menezes Filho, da USP e do Ibmec, cruzando os dados dos resultados do último exame do Sistema Nacional da Avaliação da Educação Básica (Saeb) e da Prova Brasil, constataram que alunos tiveram o mesmo desempenho, apesar da expressiva diferença na quantidade de recursos destinados ao setor educacional entre os municípios analisados.

Muitos municípios, por terem uma gestão eficiente, mesmo gastando pouco, obtiveram mais retorno no investimento dado à educação que municípios que gastaram mais, tendo, porém, escolas mal geridas. Conclui-se, assim, que o desempenho escolar não é determinado apenas pelo orçamento, mas, principalmente, pela eficiência na administração das escolas. Conclui-se da necessidade de uma profissionalização da gestão, com cobranças de resultados. De um gerenciamento, que acompanhe e monitore o processo educacional, levando à elaboração, pela unidade escolar, de projetos que definam o que os alunos devem aprender.

Pesquisadores educacionais pronunciam-se por uma definitiva profissionalização na gestão escolar para se chegar a uma necessária revolução da educação Querem passar, entre os educadores, a idéia de que a educação é um serviço e que seus representantes devem prestar contas de seus resultados.

Reforçam o conceito de que um dos graves problemas da educação é a falta de gestão. Com isso, chamam a atenção da gestão escolar obtida na base da meritocracia e nunca pela indicação de partidos políticos, de lideranças comunitárias, ou de sindicatos, como acontece em muitos municípios.

A função de gestar deve recair, necessariamente, em profissionais capacitados. A qualidade da gestão escolar tem sido responsável pela melhora na apresentação de projetos escolares, na elaboração de plano de metas.

Uma gestão compartilhada entre escolas e secretarias de educação é capaz de refletir mudanças significativas no resultado da educação. Cada escola, dentro de sua autonomia, elabora seu projeto, definindo o que os alunos devem aprender. Não se trata mais de conduzir o ensino, seguindo apenas o livro didático e ensinar o que o professor acha que deve ser ensinado. É apoiar-se na necessidade do grupo-classe e conduzir a aprendizagem estabelecendo metas e ações.

Toda mudança na escola deve vir acompanhada de opiniões dos pais dos alunos, deve, com eles, ser discutida e concluída. A importância da participação da comunidade, na definição dos rumos da escola, é um aspecto bastante considerado na moderna gestão escolar. Outros aspectos, como o uso racional dos recursos e a melhora no desempenho do aluno, fazem parte de um plano, onde entram conselhos gestores das escolas.

Tenta-se, por diversos caminhos, desvendar o fracasso do sistema educacional, na mira de mudanças.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2007)

ENSINO INFANTIL E RENDA

Izabel Sadalla Grispino *

A época, através de organizações como a ONU, de Fundações, como a Abrinq, vem, constantemente, demonstrando as vantagens de se cursar o ensino infantil. Vem apelando, aos órgãos governamentais, a implementação de uma educação infantil universal, a mesma prioridade dada aos demais graus de ensino.

Buscando conscientizar sobre os benefícios dessa educação e sobre os problemas que sua ausência acarreta, a Fundação Abrinq, pelos Direitos da Criança, passa a lançar uma campanha nacional, pela valorização da educação infantil.

Ampliar o acesso e receber atendimento de qualidade são preocupações que atingem crianças de zero a 6 anos. É na fase dos 3 anos que a criança começa aprender a aprender o mundo ao seu redor. 90% das conexões cerebrais se formam até os 3 anos, significando o desenvolvimento do pensamento simbólico, a memória, a racionalidade e controle dos impulsos mais primitivos.

Essas conexões não são resultantes apenas da genética, mas, também, da interação com o ambiente, com a família, com os educadores. Aos 6 ou 7 anos, a criança já passou por esse período, sumamente importante à sua formação.

Segundo dados do Inep, órgão do Ministério da Educação, atualmente, maio de 2007, 7,2 milhões de crianças de até 6 anos estão matriculadas em escolas particulares e públicas no País. Desse total, 5,2 milhões estão na educação infantil, que engloba a fase de 4 a 6 anos e deve começar a preparar a criança para a alfabetização. Isso significa, pelos dados do IBGE, que só 13% das crianças brasileiras têm acesso à creche. Na faixa de 4 a 6 anos, o índice fica em torno de 70%;

Os ganhos adquiridos pela criança, que freqüentou a pré-escola, vão garantir uma seqüência de estudos com mais facilidade, mais proveito. Estudos mostram a real influência da educação infantil no desempenho do aluno.

Uma pesquisa inédita, realizada em maio de 2007, feita pelo Ibemec São Paulo e pela Tendências Consultoria, mostra que esses alunos têm notas mais altas nos exames nacionais, maior probabilidade de concluir o ensino médio e entrar numa faculdade. A pesquisa revela que as pessoas, com idade entre 21 e 65 anos, que freqüentaram a pré-escola, têm maior escolaridade do que aquelas que começaram a estudar somente a partir da 1.ª série do ensino fundamental.

A freqüência à pré-escola permite um aumento de 4% na conclusão da 4.ª série, 18%, na 8.ª série, 23%, no ensino médio e 5%, na faculdade, totalizando 1,5 ano no estudo a mais do que quem ingressou na escola na 1.ª série. O impacto da creche, com alunos até 3 anos de idade, é maior na conclusão do nível superior, mas faz pouca diferença no nível profissional.

Essa pesquisa é inédita no sentido de revelar a renda maior que o ensino infantil gera. Quem fez o ensino infantil, ou começou a estudar entre os 4 e 6 anos de idade, tem, em média, renda 27% maior do que quem entrou, na escola, apenas aos 7 anos. A pesquisa consegue mostrar, numericamente, a importância e influência futura do ingresso no ensino infantil.

Comprovadamente, a pré-escola traz benefícios significativos às pessoas, quer sobre o crescimento intelectual, quer sobre o impacto do salário. Estes fatores são fortes indicadores da prioridade a ser dada ao ensino infantil, tornando-o universal.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2007)

EXAME NACIONAL DE CERTIFICAÇÃO DE PROFESSORES

Izabel Sadalla Grispino *

O Ministério da Educação e Cultura (MEC), implementando a cultura de avaliação, lança a proposição, que, se confirmada e estendida a todo magistério, poderá reverter em real benefício à educação, no sentido de trazer a tão desejada melhoria da qualidade do ensino. Trata-se do Exame Nacional de Certificação de Professores da Educação Básica, no qual, em calendário já determinado, janeiro e fevereiro de 2004, os professores da 1.ª à 4.ª série do ensino fundamental serão submetidos a teste de avaliação de seu desempenho profissional.

O Ministério, por essa linha de conduta, abraça um procedimento concreto, capaz de atingir uma suculenta raiz do fracasso do ensino público, qual seja, a precária formação docente. Pelo encaminhamento desse Exame, conforme especifico abaixo, o professor será estimulado a uma atualização e reforço do conhecimento, numa seqüência que abarga um caráter permanente da educação. O MEC fala em uma rede de formação continuada, com apoio de universidades, para atingir o aperfeiçoamento profissional.

A participação dos professores será voluntária e os que participarem e forem aprovados receberão do Ministério da Educação uma bolsa mensal no valor de R$ 100,00. Segundo o anunciado, a partir de 2005, todos os formandos de cursos de licenciatura deverão passar pelo Exame Nacional de Certificação para a obtenção do diploma. Renata Braga Santos, chefe do gabinete da Secretaria do Ensino Fundamental do MEC, pronunciou-se dizendo que “todos os aprovados terão um documento do Estado brasileiro atestando sua qualidade diferenciada”.

O abono mensal de R$ 100,00, embora de pouca monta, não deixa de ser um atrativo na adesão ao Exame para um profissional que ganha pouco,  e a estimativa inicial do MEC é que 40% dos docentes, cerca de 500 mil  professores, compareçam à primeira prova. A  aprovação  do  professor  ao  teste  dar-lhe-á  gabarito, auto-estima, atributos perdidos nos últimos anos. A proposta do MEC é que o certificado obtido nesse exame tenha validade por 5 anos e a nota seja utilizada como critério em processos seletivos e de promoção no magistério.

A adesão do magistério ao Exame é um grande passo no caminho da escola renovada, capitaneada por profissionais qualificados. É uma pedra enfincada no alicerce do saber, o único verdadeiramente capaz de formar um aluno competente, premiá-lo com um ensino de qualidade. Esse processo traz esperança de que o penoso resultado das pesquisas do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), referente ao ano 2001, venha, a médio e longo prazo, trazer alento ao falido sistema educacional vigente. Essas pesquisas mostraram que cerca de 1 milhão de alunos (980 mil) da 4.ª série não sabe ler e mais de 1,6 milhão são apenas capazes de ler frases simples. Os alunos da 4.ª série, na grande maioria, não adquiriram competências básicas de leitura.

O Exame Nacional de Certificação de Professores da Educação Básica, se acompanhado de outros reforços educacionais, principalmente de um significativo aumento de salário dos professores, da diminuição de alunos por classe, poderá trazer de volta o nível das antigas escolas públicas dos idos anos 30 a 60. O número elevado de alunos em sala de aula prejudica, sobremaneira, a atuação didática do docente, dificulta a interação professor/aluno, centro irradiador de todo processo de ensino-aprendizagem.

A iniciativa do Ministério da Educação (MEC) de se implantar formas de avaliação do trabalho docente, reforçando a cultura da avaliação, mostra que o ponto mais nevrálgico da educação brasileira está sendo tocado. O analfabetismo é um dos nossos problemas sérios, quer o absoluto, quer o funcional. O MEC divulgou, recentemente, que a cada ano cerca de 1 milhão de pessoas é alfabetizada sem nenhuma participação do poder público, com o esforço de entidades não-governamentais, igrejas e instituições, com eficiência de difícil mensuração.

Por sua vez, o ministro Cristovam Buarque entregou ao Senado um resumo dos dados sobre a situação na educação básica do País. Mais de 15 milhões de brasileiros com mais de 15 anos são analfabetos; 2,2 milhões de jovens entre 14 e 17 anos estão fora da escola; 57% das crianças com 10 anos não sabem ler e 34% lêem, mas não conseguem interpretar o texto; 52% dos alunos da 4.ª série não têm noções elementares de matemática; 30% dos alunos têm idade superior à adequada para a série que cursam; 41% dos alunos abandonam a escola.

A este quadro preocupante, acresce-se o resultado do campeonato mundial da ciência em que o Brasil aparece colocado na segunda divisão, afastando-se da divisão especial onde estão, entre outros, Estados Unidos, Alemanha, Grã-Bretanha e Coréia do Sul. O pesquisador Antonio Carlos Martins de Camargo, professor titular de farmacologia da USP, desabafou, dizendo: “Não temos uma cultura de que conhecimento gera riqueza. Aqui, conhecimento só gera conhecimento”.

Ainda temos muito o que fazer para mudar a mentalidade reinante, na compreensão de que não há crescimento sem investir na educação, no aperfeiçoamento da ciência, da tecnologia.

Vamos torcer para que o governo consiga erradicar o analfabetismo, implantar a “escola ideal”, conforme palavras do ministro, escola onde o aluno receba um ensino de qualidade, através de um profissional competente, atualizado. A formação do professor tem estreita relação com o aproveitamento escolar do aluno.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em julho/2003)

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Izabel Sadalla Grispino *

A Educação de Jovens e Adultos (Eja), antigo supletivo, quer garantir que os recém-alfabetizados não voltem a ser analfabetos. São pessoas que, geralmente, fracassaram no sistema escolar, já com histórias de vida, com conhecimentos próprios e que têm pressa para aprender.

O professor não pode partir do pressuposto de que o aluno da Eja não sabe nada. Precisa ensinar a partir dos conhecimentos por ele já adquiridos. Trabalha-se a auto-estima, conquista-se o aluno, valorizando o seu saber. A Eja favorece adultos e jovens, visto estar comprovado que alunos de pais analfabetos ou de pouca escolaridade avançam pouco nos estudos.

Faltam políticas públicas voltadas a essa área. Ela deve ser tratada com a mesma atenção, o mesmo interesse dados a toda educação básica, para não se condenar a geração atual ou passada a não se escolarizar. Segundo constatações, pouco se investe nessa modalidade de ensino.

A Eja de qualidade pede professores capacitados especificamente para ensinar adultos. O professor bem preparado é chave para combater o maior problema da Eja: a evasão. O professor precisa ter sempre presente as características dos alunos desse nível de ensino. Se o professor não tem a técnica, a cumplicidade, o aluno deserta.

A Eja compreende os ensinos fundamental (1.ª a 8.ª séries) e médio, mas cursados em menos tempo. Estudos mostram que não adianta um programa pra baixar os índices de analfabetismo – hoje em 13% -- se os alunos não continuarem seus estudos.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, pede que todos os professores do País estejam formados em nível superior até 2007. Mas, o Brasil professores que sequer terminaram o ensino fundamental: são 282 entre os que trabalham em Eja. Outros 1947 não chegaram a completar o ensino médio. Faltam professores preparados para ativar no setor. O Brasil só tem 14 instituições de ensino superior com cursos que ensinam a atuar em Eja. (A Eja é também oferecida por escolas privadas ou pelo terceiro setor).

A Eja completa e piora o quadro ruim da educação no Brasil. Das avaliações em que a Eja participou revela, em todas, o pior desempenho. No Enem teve uma participação deprimente, teve notas tão ruins quanto os piores estudantes do ensino médio regular.

Segundo a divulgação do MEC em fevereiro de 2006, nota-se que as piores escolas públicas de capitais, como Florianópolis e Vitória, têm notas melhores que a média de Eja. Nota-se que não há grande diferença entre o aluno de Eja pública e de Eja particular, como ocorre no ensino médio comum.

O que se percebe é que a Eja privada muitas vezes acaba sendo um processo facilitado não desejado do ensino, com cursos de poucos meses ou de apenas um ano. No ensino público, há mais controle e exigência mínima de dois anos para cursar da 5.ª à 8.ª série e mais um ano e meio para as três séries do ensino médio.

Os alunos da Eja, além de refletir o perfil do aluno mais pobre, mais excluído, convivem com os problemas do curso noturno, onde há mais falta de professores e menos tempo de aula – a Eja só funciona no período noturno.

O que se recomenda para adultos é uma educação centralizada em competência da vida, incentivo à pesquisa, à leitura e ao uso do raciocínio. Exigir menos conteúdo e desenvolver mais as habilidades e competências dos alunos.

A Eja antes era marginalizada, hoje, preparam-se professores para um trabalho específico para seu público, levando em conta suas experiências.

A melhor escola de Eja do País é de Natal. Na lista das 10 mais conceituadas, há 5 no Rio, uma de Minas, 1 de Santa Catarina, 1 da Bahia e 1 de São Paulo. A escola paulista, a única pública entre as melhores, fica em Campinas, mas sua classe de Eja deixou de funcionar este ano – 2006 – por falta de demanda.

Um grande trabalho de assistência, atualização de divulgação, precisa ser feito no Brasil, sobre a Educação de Jovens e Adultos.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em janeiro/2007)

TECNOLOGIA AVANÇADA NA PROTEÇÃO DAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

Ainda, sob o prisma da delinqüência juvenil, abordada nos dois artigos anteriores, há um outro aspecto revelador do comportamento atual da juventude: o aumento do número de jovens de classe média, resvalando, inclusive, para a classe média alta, que pratica infração, principalmente, contra o patrimônio. Esse dado foi evidenciado pelo estudo “O Adolescente na Criminalidade Urbana de São Paulo”, feito pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV), da Universidade de São Paulo, realizado em fins de julho do ano 2000.

O promotor da Infância e da Juventude, Wilson Tafner, constatou que as causas do comportamento desses jovens são o uso de drogas, o consumismo e a desestruturação familiar. São jovens com escolaridade média – ensino fundamental ou médio – financeiramente bem situados e que se infiltram na delinqüência praticando crimes graves. “Antes eles apareciam por dirigir sem habilitação e, agora, como autores de agressão”, disse o coordenador do estudo realizado pelo NEV, Sérgio Adorno.

O estudo apurou, ainda, que é cada vez maior o número de adolescentes que atua em bandos, dificilmente isolados e o pior é que são recrutados por adultos para atividades criminosas. O estudo do NEV ajuda a derrubar a tese de que o menor infrator é de rua. A maioria tem família e boa parte mora em casa própria, diz o procurador Antonio José Leite

O estudo do NEV levantou dados sobre menores infratores com idades entre 12 e 18 anos e mostrou que vem diminuindo, entre eles, o número de analfabetos e aumentando o número com escolaridade média. Essa pesquisa traz à tona a reflexão sobre a necessidade de se concretizar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

Sobre o aspecto violência, vejamos uma experiência específica, relacionada à escola. Em meados de 1998, houve no Anhembi, em São Paulo, o “Congresso Educador 98”. Dele participou, como palestrante, o professor Peter Lucas, PhD em Educação, da Universidade de Nova York. É autor de uma pesquisa sobre “Segurança e Redução da Violência Escolar” em uma das mais conturbadas instituições de Nova York – a Bushaack – no bairro do Brooklyn, onde estudam exclusivamente afro e hispano-americanos. É, também, coordenador de pesquisa similar em outras dez escolas.

Iniciou a palestra constatando que projetos para reduzir a violência nas escolas envolvem altas somas em dinheiro e são baseados em tecnologia: detectores de metais, alarmes, contratação de guardas de segurança e outros. “O investimento em segurança é uma bola de neve, faz-se necessário financiar a modernização dos equipamentos e a permanente capacitação dos seguranças. Hoje, existem mais guardas nas escolas de ensino médio (high school) nova-iorquinas do que em toda a cidade de Boston”.

Há uma cultura de violência que acaba interferindo no processo educacional. Sob tensão é difícil haver aprendizagem. A proposta de se avançar na prevenção à violência, com mecanismos de segurança, o que tudo indica, não tem volta, diz Peter Lucas. Contudo, a violência, especialmente nas escolas, precisa ser discutida, trabalhada com os alunos, conscientizada e não simplesmente combatida. O que se verifica é que a opção pela tecnologia, para combater a violência, afastou os professores do cotidiano dos alunos, especialmente das atividades feitas fora de classe, que passaram a se concentrar apenas no conteúdo pedagógico. O professor acabou por desvincular-se do aluno, não conhece sua família e não sabe como ele vive.

É muito importante, frisou ele, no combate à violência escolar, o estreitamento das relações professor-aluno e, no caso do Brasil, a formação de escolas pequenas. A escola precisa educar para a contra violência, aproximar-se da comunidade, caminhar na direção da conscientização, porque os índices de violência continuam crescendo, apesar dos modernos equipamentos instalados nas portas das escolas e, também, no seu interior. Faz-se necessária uma interação entre escola e família, entre escola e comunidade.

Esse postulado vem de encontro às orientações emanadas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), quando fala na elaboração de currículos flexíveis, diversificados, adaptados à comunidade; currículos que se aproximem da vida dos alunos, que trabalhem o seu cotidiano, que reflitam a sua realidade. Essa aproximação ajuda no entendimento do comportamento anti-social e na busca conjunta de soluções. É a escola exercendo seu papel de agente ativo de prevenção.

Meditem comigo, nesse meu soneto:

A TRANSFORMAÇÃO DA ESCOLA

A escola onipotente, soberana,
Distanciada da comunidade,
Com sua linha autoritária, espartana,
Deitou pra morrer, caiu em fragilidade.

A escola, hoje, abriu suas portas,
Conjugou saber culto e popular,
À sociedade emite respostas,
Ao cotidiano visa postular.

Desceu do seu régio pedestal,
Se aproximou do aluno, da família,
Vivendo a realidade social.

Papel transformador da sociedade,
Função de aperfeiçoar, ser solidária,
A escola aposta na criatividade.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2001)

A CASA COMO ESCOLA DOS FILHOS

Izabel Sadalla Grispino *

Atinge as esferas judiciais e educacionais a discussão sobre a possibilidade de os pais ministrarem, aos filhos, o ensino em casa, sem que tenham que ir à escola e freqüentar a sala de aula. A mídia tem noticiado casos em que pais tentam, através de mandado de segurança, garantir, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o direito de educar os filhos em casa e levá-los a uma escola determinada apenas para realizar as provas, a fim de submeter-se à avaliação escolar.

A ESCOLA INCLUSIVA

Izabel Sadalla Grispino *

A política oficial, já há algum tempo, desde 1996, prevê a inclusão dos portadores de deficiência, na rede regular de ensino. Contudo, em agosto de 2001, o ministro Paulo Renato Souza, regulamentando a Lei de Diretrizes para a Educação Especial, assinou resolução, pela qual as escolas públicas do País deverão atender estudantes com necessidades especiais.

Infelizmente, essa é mais uma mudança, na estrutura de ensino, imposta a uma rede pública desaparelhada, despreparada para recebê-la. É um “Deus nos acuda”, uma perspectiva nada animadora, conforme já se constata em avaliações. A falta de informações ou o despreparo para lidar com a educação inclusiva faz com que os próprios professores, inconscientemente, discriminem os alunos. Isolam-nos, não os motivam, acabando por marginalizá-los, no processo de ensino. Professores que deixam os alunos com deficiência visual acentuada, ou cegos, sentados ou bem na frente da classe ou bem no fundo, na intenção de protegê-los, e acabam por excluí-los do convívio social da classe. Professores que, inadvertidamente, citam, conforme relato de pesquisas, o aluno deficiente como exemplo e que acaba por diminuí-lo perante os colegas, dizendo: “Se até ele consegue, vocês podem conseguir também”.

Para que essa educação venha obter sucesso, é preciso dar estrutura de aprendizagem. É preciso que seja uma inclusão responsável para não comprometer o avanço dos alunos portadores de deficiência. É importante treinar os professores, produzir material de apoio, principalmente para portadores de deficiências visuais e auditivas, assim como adaptações de títulos didáticos para o sistema braile. As escolas devem possuir as chamadas  salas de recursos, equipadas, para facilitar a aprendizagem. Possuir professor de braile, acontecendo, por vezes, ter a sala, mas não o professor.

O que se nota, na maioria das escolas da rede pública, é ausência de infra-estrutura. Ausência de instalações especializadas, de rampas, carteiras anatômicas e, principalmente, faltam professores capacitados para lidar com o aluno deficiente.

Uma outra barreira a se vencer, em relação aos alunos portadores de deficiência, é o preconceito. Preconceito da sociedade, da escola, dos pais e até mesmo dos professores. Quando o processo de ensino da educação inclusiva é bem conduzido, administrado por professores competentes, habilitados para a área, ele consegue resultados animadores. Consegue formar indivíduos ajustados, produtivos, capacitados para exercerem tarefas que vão desde as mais simples às mais complexas. A sua inserção, em salas regulares, ajuda-os a vencer, a se integrar melhor na sociedade.

O que mais se necessita, para o sucesso da educação inclusiva, é o apoio a ser dado ao professor, à sua capacitação. Permanecendo, apenas, em instituições especializadas, os alunos deficientes acabam perdendo o convívio social, sem saber como lidar com as pessoas em sociedade. Instituições que só atendem alunos deficientes, adotam, costumeiramente, métodos “mecanicistas”, que tendem a nivelar as crianças. Na inclusão, adota-se uma linha alternativa e mais democrática de ensino. Falta, sobretudo, à rede pública aprender a desenvolver projetos que abram oportunidades educacionais adequadas a essas crianças.

A Educação Inclusiva surgiu na Europa na década de 1950 e, hoje, já é uma realidade. Segundo dados estatísticos, a rede estadual paulista atendeu, no ano de 2001, 19.215 alunos com necessidades especiais em salas regulares, de um total de 6,1 milhões de estudantes. Das 5.580 escolas, apenas 695 praticam a inclusão. Mais de 15.000 alunos são assistidos por instituições especializadas, por causa do alto grau de deficiência.

Neste particular, ressalta-se a atuação das “Associações dos Pais e Amigos dos Excepcionais” (Apaes),com seu atendimento primoroso. Fui supervisora de ensino de algumas Apaes e todas elas primavam pela competência, pelo devotamento aos alunos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, apenas, 2,2% dos brasileiros com deficiências físicas e mentais recebem atendimento educacional. Dentre os 17 milhões, só 374 mil são atendidos pela rede pública ou por instituições privadas, em parceria com o governo federal.

Algumas escolas particulares de ensino regular têm projetos bem sucedidos de inclusão de estudantes especiais. Promovem orientação pedagógica específica, resultando em trabalho diferenciado. São escolas que, em atenção às diferenças e às necessidades dos  alunos, mantêm em classe, no máximo, 15 alunos, permitindo ao professor atendimento individual, acompanhar de perto as dificuldades de cada um, colocando somente um ou dois alunos especiais por classe. Escolas há que adotam, como método estimulador da afetividade dos alunos, a presença de animais na escola: pôneis, cabritos, ovelhas, coelhos, tartarugas, patos e outros. Os animais favorecem a integração entre os alunos.

Há escolas que oferecem atividades de inclusão social. Dão cursos de Preparação e Qualificação Profissional, em que os alunos são encaminhados para o mercado de trabalho. Ensinam o ofício de padeiro, confeiteiro, de atendimento ao público, de auxiliar de escritório, de ajudante de cozinha, entre outros. Para a inserção da mão-de-obra dos portadores de deficiência, no mercado de trabalho, há muito preconceito e desinformação. O preconceito é, ainda, a maior barreira, na colocação de pessoas especiais, no trabalho.

Empresas que empregam portadores de deficiência dizem dar a eles tratamento igual e as responsabilidades são cobradas como de qualquer outro empregado, sem paternalismo e que a correspondência é muito boa. Eles são aproveitados em livrarias, supermercados, lanchonetes, videolocadoras, doceiras, escritórios, especialmente, de advocacia.

A escola de ensino regular, ao receber o aluno portador de deficiência, ao trabalhar o preconceito, ela está difundindo o sentido de igualdade de oportunidades a esse aluno; está desenvolvendo, entre os alunos, a formação humanística e, sob esse prisma, a integração virá bem mais forte e mais consistente.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2002)

A CRESCENTE ONDA DE VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL

Izabel  Sadalla Grispino *

Como pode a escola, nessa linha, exercer seu papel de coadjuvante da transformação social? Sabemos que escola e sociedade se integram, se interagem. São interfaces que se refletem, que se completam: uma recebe o produto da outra. O projeto pedagógico da escola deve contemplar a realidade vivida pelo aluno, seu cotidiano; contemplar o contexto socioeconômico-cultural, no qual se insere. A contextualização é matéria-prima do currículo. A análise reflexiva do comportamento social é vital para a performance da escola. Os alunos que a freqüentam saem da sociedade, é dela parte integrante. De que características se reveste a sociedade de hoje?

No cotidiano social vivenciamos a violência, a fome, a corrupção, o desemprego, tudo banalizado pela alta freqüência. Estamos nos tornando uma comunidade anestesiada pela repetida violência, que vai minando o organismo social. Presenciamos uma juventude desajustada, psicologicamente envelhecida, renunciando, no uso da droga, a própria capacidade de sonhar. O número de delinqüência juvenil vem aumentando em progressão geométrica. A miséria moral é a mola crescente desse pejo social.

As causas da violência, apontadas por especialistas, ajudam no entendimento e na colaboração que cada instituição – família, escola, igreja, justiça, polícia... – pode dar. Pesquisas realizadas nessa área mostram várias causas, todas girando em torno da família. A ênfase é dada à desestruturação da família. A destruição do casamento vem trazendo uma amarga fatura. A ruptura familiar produz na criança, no jovem, o “rasgão afetivo”, responsável por um desajuste precoce. É como se diz: “A pobreza material castiga o corpo, mas a carência afetiva corrói a alma”. A ausência de vínculos afetivos gera introspecção, frieza, revolta. Sem carinho, a criança cresce sem referenciais.

Quem não aprendeu amor em casa, dificilmente levará amor para a rua. O numero de casas sem pais vem crescendo assustadoramente. Pais ausentes, filhos delinqüentes. Pais fora de casa, filhos entregues à “babá eletrônica”, com suas nefastas conseqüências.

Família sadia é ainda a melhor receita para uma sociedade sadia. Família que reza unida, permanece unida, nos ensina a Bíblia Sagrada. Coelho Neto já nos dizia: “A família é a célula-mater da sociedade” e a sabedoria popular nos adverte: “Colheremos o amargo fruto que a nossa omissão ajudar a semear”.

O resgate da juventude passa, sem dúvida, pela recuperação da família. O jovem precisa buscar sentido na família.

Preconiza-se, como medida salvadora, a volta da família nos moldes tradicionais, fortificando-se os laços familiares. Não adianta o brilho do intelecto se não houver o brilho de sentimento.

Violência e droga são aspectos afins,  ambas se prendendo à crise familiar. Uma pesquisa do Ibope, realizada em fins do ano passado, em cinco capitais brasileiras, concluiu que os conflitos familiares, o declínio da família, são a principal causa da entrada dos jovens no mundo da droga. De cada 100 adolescentes entrevistados, 35 alegaram que se drogavam para fugir dos problemas familiares. O segundo motivo, a necessidade de ser aceito pelo grupo, vem bem atrás, 15% dos jovens visitados. Um estudo do Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas  (Cebrid), em setembro de 1999, mostrou que 26% dos jovens brasileiros usaram algum tipo de droga, legal ou não. Hoje, esse número, estima-se ser maior. Nas famílias problemáticas, esse índice era bastante superior.

Uma segunda causa apontada pra o crescimento da violência infanto-juvenil são os jogos eletrônicos. Uma pesquisa realizada, durante 5 anos, pela psicóloga Paula Gomide, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, com 500 crianças e adolescentes, relata: “Cumulativamente, os efeitos da exposição contínua à violência podem causar sérios danos psicológicos”. Especialistas endossam essa afirmativa, demonstrando forte conexão entre a violência transmitida via entretenimento e sua dramática transposição para a vida real. Um dos videogames de maior sucesso, o Carmageddon, revelou-se um autêntico laboratório de crime e perversão. Um garoto de 12 anos assim se manifestou: “Eu acho dez o Carmageddon. É engraçado ver todo mundo se despedaçando. Eu adoraria poder jogar o carro em cima dos pedestres, principalmente idosos. É legal ver o velhinho sair correndo e a gente atrás”. É uma apologia ao comportamento destrutivo, indiferente ao sofrimento humano, antes, estimulador.

Essa precoce carga de perversidade pode estar na origem de comportamentos patológicos, excessivamente agressivos. No próximo artigo, continuaremos abordando o assunto, refletindo sobre novas causas da violência.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2000)

AO JORNAL “GUARIBA NOTÍCIAS”

Izabel Sadalla Grispino *

Venho, através do jornal “Guariba Notícias”, há, aproximadamente, dois anos, publicando, semanalmente, poesias e, ocasionalmente, artigos de fundo educacional e social. Este jornal amigo dá-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade-irmã de Guariba, momento de prazer para mim, quando envio mensagens, através das poesias, de fé, de coragem, de amor, quando sugiro idéias ou passo orientações educacionais, abordando temas pedagógicos.

O jornal “Guariba Notícias” vem, a cada edição, angariando a confiança e o entusiasmo de seus leitores, por apresentar um jornalismo sério, responsável. Parabenizo o Sr. Domingos Ap. Rodrigues de Oliveira, vulgo Sr. Guta, carro-chefe dessa máquina jornalística, a diretora Ana Cláudia dos Santos, a jornalista responsável Ana Lúcia Castro, Sérgio Alves de Brito, Cristiane Brito, Gercino Gomes e demais funcionários, pelo profissionalismo com que vêm conduzindo o jornal, pela maneira cordial com que atende a todos, indistintamente.

A equipe, com perseverança e idealismo, mantém um jornal que reflete e representa a comunidade guaribense. Que Deus, nesse novo ano que se inicia, proteja os seus dirigentes, lhes dê saúde e vigor para que possam continuar na nobre missão de educar, de esclarecer, de divulgar, que, em última análise, é o que faz o bom jornal. Homens que lutam por ideais salvaguardam a humanidade. Parabéns ao jornal!

Desejo, a toda querida população dessa terra-mãe, um feliz Ano Novo. Que Deus a coloque em seu manto protetor, derramando bênçãos sobre ela. Que Ele nos ilumine, que ilumine os nossos dirigentes, para que, juntos, possamos fazer de Guariba uma cidade próspera, humana, acolhedora.

Quero, também, agradecer aos meus prezados leitores pela atenção, pelas manifestações de carinho e de apreço, a mim formulados, pela publicação de minhas poesias e de meus artigos.

A todos, meus versos sobre o terceiro milênio.

TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em janeiro/2001)

PROJETO EDUCATIVO: PARCERIA ESCOLA-COMUNIDADE

Izabel  Sadalla  Grispino *

O papel da escola mudou, não se centraliza mais em si mesma. Abre-se cada vez mais ao diálogo e abandona conceitos cristalizados. Quanto mais se aproxima dos pais, quanto mais mantém com eles uma parceria afinada, mais alcança a identidade cultural do aluno, os aspectos sociológicos que o cercam e uma aprendizagem real, efetiva.

A desmotivação do aluno é conseqüência da distância entre a sala de aula e o seu cotidiano. A escola deve criar um ambiente que tenha a ver com seu mundo, evitar choque cultural, evitar que ele se sinta “um estranho no ninho”. Busca-se o homem e devolve-o a seu destino, com ampla autonomia.

Cada escola deve achar um canal de comunicação com a comunidade, deve estimular os pais a participarem da vida da escola, de sua gestão, transformando-os em aliados. Deve rediscutir suas propostas curriculares, montar projetos, projetos educativos que a referendam na sua comunidade, em termos de atuação social.

Projeto educativo é o projeto macro da escola. É um projeto político-pedagógico, uma linguagem que democratiza e amplia o conhecimento num entrelaçamento com a comunidade. Traduz-se em trabalhos coletivos, articulados, envolvendo escola, alunos, pais e comunidade, numa metodologia interativa e de cooperação. É a escola se inserindo em sua realidade, promovendo efetivo desenvolvimento social de sua comunidade mais próxima. Coloca o eixo na formação da cidadania e incentiva, por parte da comunidade, todas as formas de participação: consultas sobre a escolha de temas, entrevistas, palestras, visitas localizadas etc. Premia o aluno-cidadão frente aos problemas sociais, politizando-o, espalhando sementes politizadoras por toda a comunidade. Quanto mais consciência da situação social, quanto mais intervém nessa situação, quanto mais campanha cidadã, mais capaz o indivíduo vai se tornando e mais facilmente atingem-se os objetivos. O projeto educativo aproxima a comunidade da escola e vice-versa. A escola passa a ser o fermento de ações sociais educativas.

Esses projetos se utilizam da transversalidade – transposição dos conteúdos sociais para os escolares, quando os conteúdos se tecem como numa rede – e da interdisciplinaridade, da maneira de como trabalhar os conteúdos. Na interdisciplinaridade, as diversas disciplinas se complementam, se interligam, sem que, contudo, venham a perder sua linguagem própria, sua individualidade. A  partir das especificidades, constroem a integração.

A escola irradia-se por toda a comunidade, espalha o exercício da cidadania. O projeto educativo põe ênfase na criatividade individual, grupal, buscando soluções para situações de risco, para contenção da violência, da criminalidade e outros. Mobilizam-se escola e comunidade na busca de respostas à problemática social de diversas ordens.

Pode reportar-se aos mais diferentes assuntos, onde o amor a Deus, ao próximo, à Pátria estão sempre no alicerce das proposituras. Temas como “Minha cidade, minha responsabilidade”, “Vamos arrumar a casa social”, “Cuide bem de mim”, permitem amplitude de objetivos instrucionais e atitudinais. O tema “Ecologia” deve estar presente, obrigatoriamente, no currículo escolar. O estudo da educação ambiental, do ecossistema, da responsabilidade de todos pela preservação do meio-ambiente, pela exploração racional dos recursos naturais, evitando o esgotamento das fontes e impedindo a degradação ambiental. Alunos e professores entrosar-se-ão com pais, com representantes da área do meio-ambiente. Os alunos pesquisarão clima, atmosfera, energia, tecnologia, recursos hídricos, poluição, queimada, desmatamento, com seu efeito universal, envolvendo conceitos de biodiversidade, de efeito estufa, de desenvolvimento sustentável, de desertificação do solo e outros.

A união de propósitos, em torno de um objetivo comum, vai estreitar e fortalecer as relações interpessoais de amizade, de solidariedade, de respeito. Sendo um projeto de educação intencionada, tornar-se-á um capítulo de estudos interdisciplinares. A grande arma está numa metodologia criativa, diversificada.

O professor poderá garantir ocasiões para troca de informações, de idéias, de opiniões, em sala de aula, organizando-a para momentos coletivos, quando terá a oportunidade de contemplar a diversidade apresentada. Não deve reduzir as diferenças, antes, aproveitar a variedade de respostas, promovendo troca entre elas. Poderá garantir momentos individualizados, quando o professor conhecerá melhor cada aluno em sua idealização.

Nesses projetos, o pragmatismo deve estar presente. É importante ao aluno saber que o resultado de sua pesquisa poderá servir de utilidade pública. De nada adianta investir numa pesquisa que não serve para algum segmento da população ou para a vida prática do educando.

O projeto educativo deverá destacar aspectos que levem a um produto final, destinado ao uso da escola e da comunidade como um todo. “Não basta saber, é preciso aplicar; não basta querer, é preciso, também, agir”. (Goethe).

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2000)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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