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Artigos Educacionais

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A GESTÃO ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

A gestão escolar vem, cada vez mais, se ressaltando dentro da organização da escola. A qualidade da gestão tem respondido pelo bom desempenho dos alunos.

Economistas de renome, como Naércio Menezes Filho, da USP e do Ibmec, cruzando os dados dos resultados do último exame do Sistema Nacional da Avaliação da Educação Básica (Saeb) e da Prova Brasil, constataram que alunos tiveram o mesmo desempenho, apesar da expressiva diferença na quantidade de recursos destinados ao setor educacional entre os municípios analisados.

Muitos municípios, por terem uma gestão eficiente, mesmo gastando pouco, obtiveram mais retorno no investimento dado à educação que municípios que gastaram mais, tendo, porém, escolas mal geridas. Conclui-se, assim, que o desempenho escolar não é determinado apenas pelo orçamento, mas, principalmente, pela eficiência na administração das escolas. Conclui-se da necessidade de uma profissionalização da gestão, com cobranças de resultados. De um gerenciamento, que acompanhe e monitore o processo educacional, levando à elaboração, pela unidade escolar, de projetos que definam o que os alunos devem aprender.

Pesquisadores educacionais pronunciam-se por uma definitiva profissionalização na gestão escolar para se chegar a uma necessária revolução da educação Querem passar, entre os educadores, a idéia de que a educação é um serviço e que seus representantes devem prestar contas de seus resultados.

Reforçam o conceito de que um dos graves problemas da educação é a falta de gestão. Com isso, chamam a atenção da gestão escolar obtida na base da meritocracia e nunca pela indicação de partidos políticos, de lideranças comunitárias, ou de sindicatos, como acontece em muitos municípios.

A função de gestar deve recair, necessariamente, em profissionais capacitados. A qualidade da gestão escolar tem sido responsável pela melhora na apresentação de projetos escolares, na elaboração de plano de metas.

Uma gestão compartilhada entre escolas e secretarias de educação é capaz de refletir mudanças significativas no resultado da educação. Cada escola, dentro de sua autonomia, elabora seu projeto, definindo o que os alunos devem aprender. Não se trata mais de conduzir o ensino, seguindo apenas o livro didático e ensinar o que o professor acha que deve ser ensinado. É apoiar-se na necessidade do grupo-classe e conduzir a aprendizagem estabelecendo metas e ações.

Toda mudança na escola deve vir acompanhada de opiniões dos pais dos alunos, deve, com eles, ser discutida e concluída. A importância da participação da comunidade, na definição dos rumos da escola, é um aspecto bastante considerado na moderna gestão escolar. Outros aspectos, como o uso racional dos recursos e a melhora no desempenho do aluno, fazem parte de um plano, onde entram conselhos gestores das escolas.

Tenta-se, por diversos caminhos, desvendar o fracasso do sistema educacional, na mira de mudanças.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2007)

EMPRESAS INVESTEM NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Izabel Sadalla Grispino*

As empresas, ressentindo-se da ausência de determinadas profissões requeridas por elas, organizam cursos de formação na própria instituição. Tentam suprir lacunas deixadas pelo sistema escolar.

Com a reativação de produção de máquinas e equipamentos pesados, antigas profissões, como de maquinistas de trem, de soldadores, de caldeireiros, de ferramenteiros e outros, vêm faltando ao mercado de trabalho. A escassez desses trabalhadores dificulta a reposição dos velhos profissionais, que se aposentaram pela estagnação do setor.

A indústria pesada deixou por algum tempo de investir em infra-estrutura. A função de metalúrgico, por exemplo, diminuiu e aumentou o setor de serviços, onde as chances de emprego eram maiores. A indústria passou a produzir equipamentos mais modernos e essas antigas profissões tiveram, com o avanço da tecnologia, uma função mais moderna, distante daquela em que o maquinista jogava carvão na locomotiva.

O Brasil Ferrovias vem dando cursos de auxiliar de maquinista, com 184 horas de aulas teóricas e 220 horas de aulas práticas, ministradas pelos técnicos da própria companhia. A razão dos cursos é preencher as vagas em aberto. Neste último ano, o Brasil Ferrovias ampliou sua frota em 56 locomotivas e 2,3 mil vagões, na linha férrea entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. No ano de 2004 foram dados 12 cursos de auxiliar de maquinista e de janeiro a setembro a companhia contratou 376 pessoas, a maioria para a função de auxiliar de maquinista. Destes, os melhores serão treinados para a função de maquinista, em dois anos, com salário superior.

O mesmo procedimento ocorre com a Jaraguá, em Sorocaba/SP, que produz máquinas e equipamentos para indústrias siderúrgicas, petrolíferas, e de infra-estrutura. Para as aulas teóricas, a empresa contratou o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e as aulas práticas ficam por conta dos funcionários da empresa.

O Senai vem prestando serviço para várias empresas da região de Sorocaba. A oferta de ferramenteiros – trabalhadores especializados na confecção de moldes mais refinados – está em falta. Também, em falta, profissionais da área mecânica e elétrica e o Senai, a partir de 2005, vai iniciar cursos para essas profissões. Segundo pesquisas, a procura por trabalhadores do setor metalomecânico cresceu cerca de 30% na região.

Em Ourinhos/SP, um grupo formado pela associação das indústrias locais organizou, com a colaboração da prefeitura e do Senai, um curso para a formação de soldador. Entre soldadores e caldeireiros existem perto de 200 vagas na região, com salários variando de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil. O crescimento das exportações é o responsável pelo aumento da demanda desses profissionais. Uma grande parte da indústria fabrica equipamentos de extração de óleo vegetal.

Na Suco faltam caldeireiros e soldadores. O caldeireiro é o profissional que transforma chapas de aço em peças e seu salário está em torno de R$ 1,5 mil.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) revela que no prazo de um ano, encerrado em agosto, foram criadas 23,4 mil vagas na indústria de máquinas. Os segmentos mais procurados são mecânica pesada, máquinas-ferramentas, gráfica e agrícola.

Para se ter idéia do avanço das profissões citadas, relata o diretor regional do Senai, de São Paulo, Luiz Carlos de Souza Vieira, que no primeiro semestre de 2004, nos cursos do Senai, havia 6 candidatos por vaga. Antes dessa data, o Senai não tinha nenhum candidato. Hoje, para dar conta da demanda, o Senai ampliou o número de escolas móveis, que funcionam dentro de carretas. Há 13 escolas móveis em atividade, revelando como essas profissões estão em alta no mercado de trabalho.

Na situação de desemprego em que o País se encontra, tomar conhecimento de novas alternativas favorece a possibilidade de encontro. Tem-se que caminhar com os olhos voltados para a época, para as crescentes renovações do mercado de trabalho.

O ano de 2005 bate à nossa porta. Que em cada coração, em cada lar, a presença de Deus se faça viva, com a prática de seus ensinamentos. Que a paz reine entre os povos e que a caridade seja a semente que, em 2005, frutificará. Saúde, prosperidade, a todos os meus prezados leitores. Com amor, minha poesia a seguir:

 

ANO  DE  2005

O ano novo se avizinha,

Ano vai, ano vem,

A vida, tal lebre rapidinha,

Vai levando o homem pro além.

O tempo é uma roda-gigante,

Oscila sem parar, pra baixo e pra cima,

É um traiçoeiro amante,

Pela fugacidade prima.

Ano-novo só é mais um dia novo,

É apenas um símbolo do tempo,

É a soma da existência do povo,

Marca a passagem de nossos momentos.

Fé na vida, fé no amor,

Que os dias desse novo ano

Espalhem canteiros de flor,

Paz no campo e no centro urbano.

O importante é se dar as mãos,

Formar a roda da solidariedade,

O mundo está sedento de oração,

De corações carregados de humanidade!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2004)

A CASA COMO ESCOLA DOS FILHOS

Izabel Sadalla Grispino *

Atinge as esferas judiciais e educacionais a discussão sobre a possibilidade de os pais ministrarem, aos filhos, o ensino em casa, sem que tenham que ir à escola e freqüentar a sala de aula. A mídia tem noticiado casos em que pais tentam, através de mandado de segurança, garantir, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o direito de educar os filhos em casa e levá-los a uma escola determinada apenas para realizar as provas, a fim de submeter-se à avaliação escolar.

QUEM SALVARÁ NOSSAS ESCOLAS PÚBLICAS?

Izabel Sadalla Grispino *

A cada período letivo aumenta o abismo existente entre a escola particular e a escola pública. As boas universidades, em seus bancos escolares, tornam evidentes a discrepância e a sociedade, com sua peneira, vai premiando os melhores formados.

A distância, entre o bom e o mau ensino, abrange todos os aspectos educacionais: dos conteúdos, das atitudes, dos comportamentos. O bom ensino dá uma visão ampliada e sedimentada dos assuntos e torna as faculdades  mentais  bem mais desenvolvidas.

Como se isso não bastasse, a escola particular ganha em disparada no ensino da informática, onde na pública o fosso é profundo. Enquanto a rede particular se aprimora, avança em tecnologia, a pública inicia os inseguros primeiros passos. As escolas oficiais começam a receber os primeiros computadores para a criação de suas salas de informática. As particulares montam projetos, envolvendo novas tecnologias na educação e já contam com laboratórios especializados, aulas em 3D e CD-ROMs para os alunos complementarem os estudos em casa. Incluem, em suas apostilas de matérias, um CD-ROM, que lhes permite fazer os trabalhos, com as animações, vídeos e exercícios do CD.

Os próprios alunos da rede particular, que já utilizam computadores e softwares em suas casas, exigem o uso da tecnologia na escola. As escolas buscam adaptar-se à realidade digital, vivida pelos alunos, utilizando recursos de informática e engenharia.

As grandes escolas vêm criando o Laboratório Veicular de Estudos de Aceleração e Dinâmica, uma espécie de sala de aula móvel, que vai permitir que alunos e professores vivenciem experiências do estudo da física concreta, prática e sensorial. A física deixa de ser só teoria, algo abstrato para o aluno. Durante a experiência, o professor vai relatando o que os alunos estão vivenciando.

Além do laboratório, já utilizam a Aula do Futuro, um misto de cinema, sala de aula e simulador da realidade virtual. Como se estivesse assistindo a um filme, o aluno navega, por exemplo, pelas células na aula de biologia, tendo a impressão de estar dentro dela.

Que atalhos tomar para redimir nossas escolas públicas? Experiências auspiciosas, em países avançados, vêm surgindo do mundo empresarial privado.

A concepção de organização e de administração escolar vem mudando, evoluindo para o modelo empresarial. Vêm-se firmando critérios e conceitos diferentes na área educacional. Formam-se companhias que vendem instrução de boa qualidade a preços competitivos, com ações bem cotadas na bolsa. Administram com critério empresarial privado, revertendo situações tidas como bastante precárias.

Essas empresas oferecem benefícios aos acionistas, vendendo um serviço, a educação, e entrando num mercado em que vai competir com as melhores escolas ou as melhores universidades do País. A maior arma utilizada é a qualidade de ensino. Compatibilizam os objetivos gerais da educação com as peculiaridades individuais dos alunos, mantendo forte correlação entre o que se aprende na escola e o que a sociedade quer e exige. O ensino é ministrado por um corpo docente de nível e com modernos métodos pedagógicos.

Os procedimentos administrativos são iguais a qualquer empresa sujeita à concorrência. O professor que não corresponder, que não conseguir obter o rendimento esperado, é despedido. O mesmo acontece com o reitor ou com os decanos e, também, com os alunos repetentes, indisciplinados ou agitadores.

A escola-empresa ou a universidade-empresa primam pela boa formação do aluno, pela entrega ao mercado de trabalho de um profissional preparado, competente. Vem tendo resultados animadores,  demonstrando  que, na superação do desastre educacional, os métodos de gerenciamento de mercado, separando o Estado da gestão direta das escolas, são vistos como salvadores.

A mídia tem divulgado experiências educacionais que colocam esperança no apagado horizonte da nossa educação pública. Exemplo é dado pela companhia Edison Schools, de Nova York, que organiza e administra escolas públicas ou particulares, desde o jardim da infância até o 2.º grau. A fim de manter e melhorar ainda mais os níveis de ensino, a companhia aprimora o processo pedagógico, treina continuadamente os professores, atualiza o currículo, impõe ordem, disciplina e aumenta a duração das aulas.

As escolas são mantidas com o mesmo orçamento então destinado, pelo governo, às escolas oficiais, quando eram administradas pelo setor público. O valor das verbas, o custo, não se alteraram. A diferença vem na eficiência da utilização dos recursos. A escola-empresa compete com as boas escolas particulares e ainda ganha dinheiro para dividir com os acionistas.

Os resultados conhecidos revelam que “os alunos das escolas Edison estão entre os mais preparados do país. Onde antes eram escolas consideradas como depósitos de alunos repetentes e professores desmoralizados, hoje se erguem instituições limpas, eficientes, obcecadas pela busca de excelência”. As escolas da companhia Edison firmam-se, já são uma realidade, não mais um projeto experimental, que em 1995 começou como uma escola-piloto. Hoje, controla 113 escolas públicas com 57 mil alunos.

Para um maior entendimento do assunto, leia-se o livro: “La Nueva Universidad”, de Luis Bustamante Belaunde, onde ele diz: “Se uma universidade quiser estar à altura e responder aos desafios de hoje, deve parecer-se mais com as organizações empresariais de amanhã do que com os velhos padrões de ontem”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2001)

A ESCOLA FRENTE À MÍDIA

Izabel Sadalla Grispino *

O problema de ontem continua hoje. Vamos voltar à reflexão.

Como a escola pode ajudar as crianças frente à TV? Como educar a leitura que elas fazem da TV?

O primeiro passo é, sem dúvida, conhecer os programas a que elas mais se apegam. Estudar-lhes as características e os aspectos que mais as impressionam.

Proibir, simplesmente, não é o caminho. A proibição só vai aguçar a curiosidade, a vontade de assistir-lhes. Ao proibir, é preciso explicar as razões. Manter com as crianças uma aprendizagem crítica, uma aprendizagem do pensamento divergente. Ensinar a criança a questionar, a duvidar, a encontrar outras saídas, diferentes das apresentadas no filme. Duvidar do que se vê é um bom exercício mental, dizem os psicólogos. A atitude reflexiva favorece a elaboração de exercícios mentais, que a criança pode exercitar ao assistir aos filmes, aos desenhos.

Uma boa estratégia é encaminhar a criança para uma esclarecida interpretação. Professor e aluno raciocinando juntos, a criança sendo encaminhada à ponderação, a exaltar ações que conduzem ao amor, ao bem.

Uma outra preocupação dos pais e dos professores é com os jogos eletrônicos.  Até que ponto os videogames viciam e o que fazer? Especialistas da área de tecnologia dizem que a escolha dos jogos não pode ser aleatória. Eles devem ser relacionados segundo as características de cada criança, considerando, também, os aspectos socioculturais , educativos e psicológicos.

Os videogames têm seu lado positivo e negativo. É uma questão de regra e limites, que vale para o videogame, a TV, o computador, a Internet. Crianças que jogam de forma compulsiva sofrem os malefícios decorrentes, como sua exclusão do convívio social, o descumprimento de suas obrigações, dos efeitos colaterais orgânicos, como irritação dos olhos, excitação, insônia, principalmente quando os jogos são muito violentos.

Com horário e disciplina, os jogos podem trazer benefícios. Confirmam os especialistas que videogames e jogos para computador são excelentes para o desenvolvimento cognitivo. Desenvolvem a percepção, a memória visual e auditiva, a rapidez, o raciocínio, a capacidade de solucionar problemas e, até mesmo, a socialização, quando jogados via Internet.

Em tudo, não há modelo único de educação. Vai depender de cada criança. As regras e os limites devem ser passados dentro dos conceitos éticos, morais, culturais de cada sociedade, de cada família. O importante é conhecer a criança que se tem à frente para ser educada e agir de acordo com cada caso. Para impor limite aos videogames, ao computador, estuda-se a melhor forma, como programar atividades compartilhadas, passeios, esportes, diálogo... Disciplinar os horários, conscientizá-los da hora de estudar, de dormir e de brincar, é imprescindível. Videogame, por exemplo, só depois da lição de casa feita.

Com a finalidade de evitar a violência do jogo, a prática de atos sexuais e desvirtuamento de valores éticos e morais, o Ministério da Justiça definiu a norma de que todos os cartuchos e CDs, de games, tragam, em suas embalagens, um selo de classificação etária.

O Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento – CAD --, clínica formada por uma equipe multidisciplinar da capital, explicitou regras úteis para o aconselhamento e à aprendizagem de crianças e de jovens.

Dos 3 aos 7 anos: as regras são externas à criança, que espera que os adultos lhe dêem ordens. Aproveite a fase para fixar bem a rotina e estabelecer hábitos saudáveis;

Dos 7 aos 12 anos: a criança começa a internalizar as regras. Explique os porquês de suas exigências, sem abrir mão delas. Ela espera esse limite do adulto. É uma boa fase para trabalhar direitos e deveres, estabelecer horários das atividades escolares, de lazer e sono;

Dos 12 anos em diante: o jovem já deve ter adquirido autonomia e capacidade de pensar os valores por si mesmo.

Diálogo é essencial. O jovem deve participar da construção e/ou reformulação das regras para poder organizar sua própria vida. Vai exigir coerência dos pais e dos educadores e um compromisso recíproco de respeito às regras.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2006)

ALUNOS DE DESEMPENHO EXCEPCIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

O Brasil tem um atendimento irrisório ao estudante superdotado. Poucos, muito poucos, são os programas de incentivo, criados, quer pelo governo, quer pela iniciativa privada, para alunos com desempenho acima da média.

A lei prevê atendimento especial ao aluno superdotado, mas, no plano oficial, não há programas específicos para esse aluno. Países avançados investem fortemente em cérebros, desenvolvendo e beneficiando aluno e país, que acaba formando profissionais altamente capazes em pesquisa e tecnologia, favorecendo o crescimento de sua economia. Uma nação enfrenta com vantagens a competitividade moderna, quando possui em seus quadros número considerável de bons cientistas, de mão-de-obra qualificada.

A escola precisa mudar o olhar, saber reconhecer jovens talentos e apoiá-los. Investir em programas para capacitar estudantes com altas habilidades. Primar pela caça ao talento no Brasil deve merecer atenção especial, sobretudo, pelo pouco que tem de aproveitamento considerável no padrão acadêmico nos cursos regulares.

Quanto aos superdotados, a psicologia educacional moderna afasta a imagem de gênio. São crianças com habilidades especiais, que devem ser desenvolvidas e incentivadas. São crianças que têm um alto desempenho em uma área, mas não são gênios. São especiais, dotadas, sim, de altas habilidades e que devem ser treinadas, estimuladas a desenvolver, mas que são, antes de mais nada, crianças.

Muitas vezes, os pais percebem que o filho é superdotado e se assustam. Temem que a cobrança comece a ser acima do normal e que a criança comece a se achar mais do que as outras. O medo é comum entre famílias de crianças com altas habilidades e esse tem sido um dos argumentos apontados pelo Ministério da Educação (MEC) para não incentivar a existência de escolas especiais para superdotados. Incentiva a convivência em escolas regulares, o que torna, em grande parte, um desafio a mais para os professores.

O MEC incentiva os Estados a terem programas específicos de identificação de superdotados. Brasília, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul têm centros para isso. Também as prefeituras de Lavras (MG) e Belém do Pará trabalham com crianças superdotadas, usando programas especiais. Brasília treina professores de escolas públicas para identificar crianças com habilidades especiais. A Secretaria de Educação Especial do MEC recomenda ao professor que reconheça e responda à diversidade, acolha as diferentes potencialidades, características e ritmos de aprendizagem.

Até pouco tempo, usava-se apenas o teste de Q.I. para medir o grau de capacidade de um aluno. Hoje, ele é complementado por avaliações psicológicas, que medem as habilidades das crianças em várias áreas. Os testes, quando feitos, revelam, normalmente, no superdotado um Q.I. acima da média. Os testes são a última etapa de uma avaliação que analisa o comportamento da criança, seus interesses, habilidades orais e físicas e também a sua maturidade. Uma criança pode ser ricamente desenvolvida em uma área e nem tanto em outras. Há crianças, por exemplo, extremamente criativas, utilizam-se facilmente das palavras, inventam histórias e jogos, mas podem não ter nenhuma habilidade manual, com uma coordenação motora ruim.

A escola vive um momento importante de mudanças. Sempre trabalhou com o paradigma da igualdade; hoje o paradigma é da inclusão da diversidade. No meu artigo da semana passada eu dizia: “A escola deve valorizar a diversidade, mas valorizar, acima de tudo, a potencialidade do aluno”. Valorizando as potencialidades, ela estará valorizando as individualidades em suas diversidades.

O superdotado é um aluno dotado de altas habilidades numa determinada área, um aluno que se destaca, de alguma forma, do seu grupo. O professor percebe o superdotado quando o aluno apresenta habilidades acima da média, quando tem criatividade e, principalmente, persistência. Se o interesse do aluno é apenas de momentos, se não permanece, se não persiste, não se trata de um superdotado. A Associação Brasileira para Superdotados aponta que “as crianças superdotadas costumam ser bastante persistentes na busca por mais informações sobre assuntos que lhes interessam. Chegam a ser “chatas” de tanto que perguntam. Têm senso de humor e também senso de justiça, reagem positivamente a novos elementos e costumam ter idéias variadas sobre um mesmo assunto”.

Entre as habilidades da criança superdotada está a facilidade para aprender coisas novas, compreender uma explicação e uma memória privilegiada. Sua velocidade de aprendizagem é bem maior. A regra é passar tarefa extra porque o aluno termina antes e acaba atrapalhando a aula. Um dos recursos é pedir ao aluno que ajude os colegas nas tarefas da classe.

O aluno superdotado precisa de atividades que vão além da sala de aula, como desenvolver projetos. Programas específicos devem ser preparados, incentivando as habilidades especiais e acalmando sua inquietação. Programas que remanejam os melhores alunos para classes mais adiantadas, que conduzam os alunos do ensino médio a uma universidade para cursar aulas nos fins-de-semana, como ocorre em muitos países avançados.

Além das salas regulares, das aulas regulares, deve haver a sala de recursos, que complementa as atividades, onde o aluno tem meios e oportunidades de desenvolver as habilidades, de pesquisar, de exercer a criatividade. Levar o aluno fora do período normal a freqüentar outros grupos, dar formas de acesso a uma escola de pintura, de música, de dança etc., de acordo com seus interesses, é outro comportamento recomendado. Acima de tudo, a escola deve ensinar esse aluno a desenvolver as próprias habilidades.

A ESCOLA REFLETINDO OS PROBLEMAS SOCIAIS

Izabel  Sadalla  Grispino *

No artigo anterior abordamos a problemática da violência infanto-juvenil disseminada em nossa sociedade. Fizemos reflexão sobre o importante papel da família, concluindo ser ela o foco da agregação ou desagregação do sentimento de amor, de vida esperançosa, produtiva. Ponderamos, também sobre os malefícios produzidos na criança e no jovem pela constante exposição aos jogos eletrônicos, os videogames.

Dando seqüência ao assunto ressaltaremos uma outra face negra da sociedade, que vem se acentuando,  a prostituição infantil, a iniciação sexual precoce. O sociólogo Neil Postman, em seu livro “O desaparecimento da infância”, fala da perda da inocência infantil, do ocaso da inocência. “Descaracteriza-se a infância e ela começa a ser, aos poucos, abolida como fase da vida humana. A fronteira entre a infância e a juventude vem se diluindo, apressando a passagem para a vida adulta”.

A degeneração dos costumes, a cultura da promiscuidade, a decomposição ética da sociedade, os apelos eróticos de uma TV preocupada com audiência, arrastam a criança à curiosidade prematura, a atos sexuais precoces. Histórias infantis, desenhos animados, vêm sendo substituídos pelos apelos eróticos de personagens televisivos, por novelas ou filmes que exploram a face exagerada, quando não desvirtuada, da sexualidade, repercutindo em agressões à alma infantil, provocando nociva influência moral e psicológica.

Avançando um pouco mais na idade cronológica, um estudo encomendado pelo Ministério do Emprego e Solidariedade, juntamente com a Secretaria de Saúde da França, ao Alto Comitê de Saúde Pública, mostrou que os jovens sofrem muito neste mundo pervertido, liberado, onde a puberdade se antecipou dos 17 para os 13 anos. Eles se tornam adultos antes do tempo e, o pior é, os que almejam uma vida promissora dificilmente conseguem emprego. Uma falta de perspectiva os leva à depressão, à explosão de agressividade. Na falta do emprego, ficam, em média, até os 25 anos na casa dos pais. Constatou-se uma tendência assustadora de suicídios entre os jovens, tendência que outros países de primeiro mundo confirmam. Na França, dos jovens, entre 15 e 19 anos, 3,7% tentam o suicídio; 10% revelaram necessidade de ajuda para não sucumbir e 17% admitiram que, alguma vez, pensaram nisso. Tabagismo, alcoolismo e toxicomanias  aumentam consideravelmente.

O mundo vem se mostrando cruel aos jovens, também pelo aspecto profissão. Hoje, o modelo de comportamento é valorizar o presente. Pais e educadores sonham em tornar os filhos, os educandos, ultracompetentes no ramo da informática. O susto aparece quando uma organização especializada – a Learning in the Real World, da Califórnia – divulga que os computadores não estão ajudando os jovens a aprender mais, ao contrário, o nível vem decaindo, eles estão aprendendo menos. Diante desse quadro, faz-se necessário conjeturar posturas mais reflexivas diante do computador.

A todas essas causas acrescente-se o saldo que restou de uma educação permissiva, criando uma geração crescida sob a orientação da educação não traumatizante. Educação de total liberdade que se contrapôs à anterior, na qual os filhos não podiam dizer não aos pais. O não era domínio dos pais. Aos pais competia ordenar e aos filhos obedecer, sem questionar. Não havia diálogo. Porém, a passagem da educação proibitiva para a permissiva deu-se de modo brusco, sem meio termo. Agora, eram os pais que não podiam dizer não aos filhos: o não os reprimia, os traumatizava. Assim, passaram ao outro extremo, o da total liberdade. Essa liberação provocou perda de limites, perda de valores e produziu uma juventude desfibrada, insatisfeita, sempre em busca de mais emoção, correndo atrás de prazeres desenfreados. A educação não traumatizante criou uma geração de desajustados, onde a violência surge como um jogo alucinado, um divertido passatempo.

Hoje, felizmente, volta-se ao entendimento de que, para um crescimento saudável, tem que haver disciplina, tem que haver regras de comportamento, senso de limite. Evolui-se para uma educação voltada ao diálogo, à autodisciplina, à auto-organização, conscientizando-se filhos e educandos de que a vida em sociedade só funciona com regras e limites. A rebeldia, que perambula por aí, é, nessa linha de considerações, resultante da omissão, da pedagogia da concessão, da psicologia da irresponsabilidade, da crise da autoridade. É preciso que se reflita entre o medo de punir e os seus efeitos anti-sociais.

Temos aí denso material para se pensar, para se posicionar. Que parcela de contribuição estamos dando na erradicação ou na diminuição da violência infiltrada no meio social, permitindo ao cidadão recuperar o direito de sair às ruas, de viver em paz em sua própria casa? O silêncio é um forte aliado da violência. A escola, por seus temas transversais, pode inserir o assunto através da matérias tradicionais do currículo, conforme recomendam os “Parâmetros Curriculares Nacionais” e promover debates, discussões, tornando-se conscientes do seu contexto social e passando a conscientização avante. Reduzir a violência, hoje, é prioridade educacional, política, social e econômica, se não como imaginar a sociedade dos próximos anos? Que mundo aguardam nossos filhos, nossos netos? Que filhos e que netos estaremos colocando nesse mundo? Que futuro os aguarda? Haverá futuro para eles?

As instituições ainda se omitem pela distância em que se envolvem com os problemas sociais. Precisamos ser capazes de repensar e atuar na crise provocada pela violência generalizada, se não quisermos ter em breve momentos ainda mais difíceis de suportar. É preciso ir à raiz do problema e lutar para formação de uma nova ordem social.

A estas considerações acrescento o pensamento do educador Paulo Freire: “A escola precisa conscientizar os jovens da importância do investimento em si próprio, em sua cidadania. Conscientizá-los a fazer frente à realidade, colocá-los por dentro dos problemas que os envolvem na atualidade e subsidiá-los para atuar preventivamente”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2000)

ENSINO A DISTÂNCIA

Izabel Sadalla Grispino *

A educação a distância caminha, no Brasil, lentamente. Esse ensino se faz há muito tempo, mas, a ausência do professor, em sala de aula, tem colocado empecilho à freqüência do curso. Todos querem um professor dando aula, por isso o modelo da aula virtual, em que o conteúdo exposto está à espera que os alunos se interajam, não funciona bem. Eles não dispensam a figura do professor. Há uma forte resistência por parte dos alunos à passagem da aula presencial para a aula a distância.

Porém, surge um novo sistema que vem reforçar a aula virtual, aliando TV, internet, telefone celular, estimulando as faculdades a evoluir, deixando de ser conservadoras. As novas tecnologias de ensino a distância, criadas pela Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP) com as empresas Ibir Inteligent Business Solutions, de Campinas (SP), e Sector Tecnologia, de Blumenau (SC), revolucionam as aulas via satélite.

Utilizam-se de computador básico, TV, webcom, mesa de edição simples e acesso à internet em banda larga e esses equipamentos fornecem várias possibilidades para montar cursos. O sistema permite ao aluno, junto à presença do professor, se ele estiver acompanhando a aula pela internet no momento em que está sendo ministrada, usar um ícone na tela e interpelar virtualmente e fazer perguntas ao professor. Há, ainda, a possibilidade de assistir a aulas gravadas.

O novo sistema quer conquistar o aluno, dando-lhe várias oportunidades de participar ativamente da aula. Com uma webcam simples, o estudante poderá, também, aparecer ao vivo para os colegas virtuais. Se estiver estudando por meio da TV a cabo, poderá usar o próprio controle remoto para interagir ou o telefone celular, por meio de mensagens de texto, tipo SMS. Os pesquisadores estão desenvolvendo uma nova ferramenta que vai possibilitar a participação do aluno por telefone, com voz e vez de mensagens de texto.

Nessa aula virtual, o professor pode lançar uma questão, por exemplo, de múltipla escolha. Quando os alunos responderem, ele terá em sua tela um gráfico que aponta os erros e os acertos da classe. Tem, assim, uma resposta imediata sobre o aproveitamento dos alunos e a partir, de então, decidir a seqüência do conteúdo.

O foco do projeto Escola do Futuro está, por todo País, em cerca de 90 canais universitários. Mas, a tecnologia pode ser usada por empresas que queiram treinar funcionários ou até mesmo pequenas comunidades que possuem um canal de transmissão. No caso de instituições de ensino privadas, o projeto é vantajoso, segundo os desenvolvedores do sistema. Uma instituição que decida criar duas mil vagas pode economizar até R$ 5,4 milhões em investimento em infra-estrutura. O ponto crucial fica revertido à qualidade do programa, fazendo inclusão social com uma educação eficiente.

A educação a distância atua em vários universos. O Telecurso 2000 tem 500 mil alunos. Temos, atualmente, cerca de 1,5 milhão de pessoas fazendo uso da educação a distância dentro de empresas, como a Petrobrás. Temos 3 milhões de pessoas fazendo algum tipo de curso a distância, no Brasil. O novo sistema ajuda a criar novos cursos em áreas que não eram exploradas.

Esses recursos virtuais, movimentando e estimulando a participação do aluno, têm a propriedade de atrair candidatos a essa modalidade de ensino a distância. As novas tecnologias propiciam uma nova mentalidade e trazem a esperança da sonhada democratização do conhecimento.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2007)

CURSOS DE MBA

Izabel Sadalla Grispino *

Os cursos de Master Business Administration (MBA) vêm ao encontro à necessidade do funcionário ou empresário se reciclar e saber empreender. O foco dos cursos está no aperfeiçoamento da gestão de empresas, mas, também, despertam o lado empreendedor de seus alunos, desenvolvem habilidades administrativas e de gestão.

Os projetos de conclusão de curso acabam sendo usados para a abertura de um negócio, para montar a própria empresa. Muitos alunos ou executivos transformam-se em seus próprios patrões. Este é um aspecto dos cursos MBA, ensinar a ser patrão.

As aulas preparam para o empreendedorismo, os alunos recebem orientação dos professores para desenvolver os projetos. O MBA prioriza não só o projeto de conclusão de curso, como, também, as atividades em grupo desenvolvidas durante o período de estudos.

As aulas ajudam a conceber o negócio, a definir local e a melhor maneira de atuar no setor. Ajudam a embasar o futuro empreendimento.

Os que já trabalham em empresas ou já têm o seu próprio negócio encontram nos cursos de MBA a oportunidade de compartilhar idéias com pessoas que estão no mercado e bem posicionadas. Nesse contato evoluem, descobrem processos, melhores condições de analisar planos estratégicos de negócio.

Segundo levantamento, 60% dos alunos dos cursos, que já fizeram o último módulo, interessam-se por empreendedorismo, têm vontade de abrir negócio próprio. Sentem que o mercado exige perfil empreendedor, profissionais mais ativos, por isso buscam os cursos de MBA.

Alguns indivíduos têm qualidade nata de empreendedor. São líderes, mas, é possível despertar habilidades em pessoas com essa propensão, dar subsídios aos menos desenvolvidos.

Para atender essa clientela, o MBA oferece cursos de formação específica para empreendedorismo. Desmistificam o empreendedorismo e dão ferramentas adequadas aos alunos.

Geralmente, os alunos, em fim de cursos, que conseguiram uma rede de contatos e acumularam certo capital, 10 ou 15% acabam montando o próprio negócio. Os cursos disseminam o conceito de empreendedorismo ao longo deles e em todas as disciplinas. Periodicamente, os alunos discutem o assunto, não só entre si e com seus professores, mas com grupos formados por outras instituições, desenvolvendo núcleos de estudos.

Alargando o conhecimento, a visão dos negócios, avançam com mais segurança, na linha de frente do próprio negócio. Adquiriram conhecimentos galgados na teoria e na prática, habilidades flexíveis e comportamentos alinhados à vantagem da estratégia de negócios e à visão multifuncional da empresa.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em fevereiro/2007)

INTERATIVIDADE ESCOLA-COMUNIDADE, ESCOLA-ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, em sua visão humana, não considera o aluno como uma carreira em desenvolvimento, mas um ser em formação. Prioriza a educação integral nos aspectos cognitivos, afetivos e psicomotores. Diferentemente do passado, de um mundo mais lento, de uma educação mais devagar, com seu conteúdo mais sedimentado e com mais tempo para o estudante se aprofundar nas matérias, vivemos hoje um mundo onde tudo é muito rápido. Hoje, muita coisa é descartável e muitas necessidades foram criadas.

A escola, no contexto atual, oferece oportunidades para que o aluno faça suas descobertas e coloca o professor como mediador na construção do conhecimento. Nesse processo, o professor vai descobrindo como o aluno aprende, vai criando condições para que ele desenvolva todo seu potencial.

O ensino não pode ser padronizado, porque cada aluno é uma pessoa única, com seu tempo, ritmo e tendências próprias. Ele não é um sistema fechado, mas abrangente, como é a formação das pessoas e a construção da sociedade do futuro.

Professor e aluno trabalham num sistema de parceria. A parceria cria, na sala de aula, um clima interativo, um conhecimento articulado, facilitadores da comunicação e da abordagem democrática, libertadora. O professor vai adequar o seu ensino ao tipo de aluno que recebe, vai falar, como emissor, a língua do aluno, o receptor. Conhecê-lo bem, conhecer seu universo cultural, deve ser o ponto de partida, a fim de centrar a aprendizagem em bases no real, no concreto, preferentemente nas séries iniciais, evitando, dessa maneira, uma possível inadaptação do aluno aos métodos da escola.

Escola é vida, é experiência de vida. Investigar o cotidiano do aluno, trazer sua vida à escola, relacioná-lo, estrategicamente, aos conteúdos do currículo, vão tornar a aula mais atraente, mais condizente com esse aluno.

Ajustar-se às condições de vida do aluno, à sua realidade, é para a escola ponto central, tanto para a sua organização, para a montagem de seu currículo, de seu calendário, como para a sua didática. Tomemos como exemplo as escolas do campo, não mais chamadas de rurais. Essas escolas incorporam o modo de vida das pessoas do campo e valorizam a idéia do pertencimento.

As escolas do campo têm programas específicos, diferentes das escolas da cidade, buscando preservar a cultura dos pequenos agricultores, num processo de revalorização do trabalho do campo. A escola inclui na carga horária o tempo em que o aluno trabalha com a família, sob sua orientação.

A escola não se fecha mais em si mesma. Ela se abre e reflete a vida da comunidade onde se insere. Em 2002, com o apoio do Ministério da Educação (MEC), foram aprovadas as primeiras diretrizes pedagógicas para a organização de escolas no campo. No mês de fevereiro do corrente ano (2006), o Conselho Nacional de Educação (CNE) reconheceu como dias letivos o período em que alunos ficam em casa, desenvolvendo projetos agrícolas com suas famílias, monitorados pelas escolas. É a chamada Pedagogia da Alternância, que leva em conta o fato de os jovens da zona rural não poderem cumprir o calendário escolar convencional, porque trabalham nas suas propriedades. As escolas incluem atividades extraclasses, como ensinar a subir em árvores e colher frutas.

É a escola ensinando o aluno a se desenvolver no ambiente em que vive, a aprender a gostar do lugar onde mora.

O ato pedagógico deve estar inserido nas condições de vida do aluno e nas suas condições psicossociais, dentro de sua faixa etária e ministrado de forma prazerosa, afetiva. O professor encaminha seu ensino de modo a desenvolver habilidades paralelamente à aquisição do conhecimento. Esses preceitos não são recentes, já aprendíamos com Anísio Teixeira, nas décadas de 50 e 60, com sua proposta de escola-parque.

Ajustar o conteúdo escolar à vida da comunidade, à vida do aluno, é fator de sucesso, visto que a apropriação do conhecimento historicamente constituído leva o aluno ao desinteresse, à apatia. Contudo, a competência do professor está em superar, gradativamente, essa realidade e dar ao aluno uma formação compatível com o mundo moderno, remetendo à escola seu caráter formal. É evidente que a preparação do professor tem reflexo na aprendizagem. Ele precisa mostrar qualidade, atualizar-se.

Deve existir entre professor e aluno a troca, onde se transmitem e se recebem informações. É preciso “aprender a aprender”, como enfatizou Paulo Freire, saber interpretar as múltiplas linguagens, as falas heterogêneas, na constatação de que o saber é uma viagem, não um porto. A troca é democrática, forma o aluno para o diálogo. Democracia é treino. A parceria, a troca, são canais, por vezes, difíceis, que demandam tempo,  mas que precisam acontecer.

Traçando o perfil do aluno, valorizando sua história, obedecendo a estrutura do pensamento, o professor terá um aluno interessado, participativo, com um desempenho compensador.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2006)

AS TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS E OS PROCESSOS DE PRODUÇÃO

Izabel  Sadalla Grispino *

As atividades humanas apresentam, desde os primórdios da civilização, com variações de intervalos cíclicos, comportamentos mais ou menos padronizados, que refletem seu “modus vivendi”.

Cada nova ordem social, promotora de mudanças, impulsiona novos procedimentos, imprime seu cunho, a sua marca conceitual e metodológica de realização.

Já vai longe o tempo em que era possível desenvolver trabalho artesanal, unitário. Hoje, ainda, existe, sobretudo como idealismo, “hobby” ou lazer, ou como produto de civilizações mais primitivas ou de pequenas corporações.

Na contemporaneidade não há, praticamente, lugar para o trabalho individual. O grau de complexidade a que chegou o fazer humano passou a exigir, num mesmo segmento, diferentes formas do saber, trabalhado de modo complementar. Presentemente, constatamos, nos mais diversos setores da produção, da educação, da economia, a incorporação de atitudes na linha da “troca”, “parceria”, “co-gestão”, “co-autoria”, “trabalho em equipe”, “interação”, envolvendo “relações interpessoais”.

O setor escolar, também, redefine posições. O trabalho individual cedeu espaço ao trabalho conjugado, cada vez mais explorado. Cooperam-se mutuamente: direção, professor, aluno e comunidade. O professor mantém com seu colega uma interligação horizontal – troca de experiência, planejamento conjunto,  conteúdo interdisciplinar, adoção de critérios e linguagens comuns – e vertical – graduação seqüencial do conteúdo, no entendimento de que “o hoje não existe sem o ontem, o amanhã é o resultado do hoje”.

É uma realidade no cenário educacional a interdisciplinaridade, a contextualização, o construtivismo, a formação integral do aluno, a autonomia na aprendizagem, através de uma educação democrática, libertadora, essencialmente crítica – a crítica da ciência faz parte da ciência. Ontem, falávamos em transmissão do conhecimento, supondo um aluno passivo, depositário. Hoje, falamos em construção do conhecimento, supondo um aluno ativo, criativo. Fazemos um corte no modelo tradicional, onde tudo vem pronto.

O planejamento maior do ensino converge para o binômio professor--aluno, o objetivo maior do ensino é o aluno. Para atingi-lo, a escola precisa estar em consonância com a realidade que a cerca. Entrosar-se com esta realidade e trazê-la para o interior da escola são passos importantes para desenvolver, com êxito, seu projeto educacional. Entra num sistema de parceria com a comunidade, mantendo com ela uma troca permanente. A comunidade participa da vida da escola e a escola, da vida da comunidade, procurando ajustar-se uma à outra. A comunidade empresta o seu saber e a sua língua populares e a escola os absorve e os transforma em saber aperfeiçoado, em língua culta. A escola procura interpretar os valores, os anseios da comunidade e dar-lhe respostas favoráveis. Cria-se um intercâmbio, onde a organização da escola, as normas educacionais resultam da parceria de regras, estabelecendo-se uma co-gestão. O pai participa da escola numa conceituação bem diferente daquela em que, praticamente, só era chamado para ouvir reclamação do filho, por alguma falta cometida. Hoje, procura-se conscientizá-lo de todo procedimento utilizado pela escola, buscando-se uma mútua interação. Profissionais credenciados da comunidade são convidados a participar diretamente do ensino, em sala de aula, dando noções de culinária, de carpintaria, de dança, de balé etc. Busca-se uma participação ativa e não meramente simbólica, como, por exemplo, a dos pais. A tendência atual é canalizar a sociedade civil para uma grande participação na educação.

O ensino nas escolas, visando uma aprendizagem efetiva, uma diminuição da repetência e da evasão, não pode criar uma cultura própria, transformando a sala de aula numa estrutura dissociada da vida comunitária, por conseguinte, da vida do aluno. Estamos voltando às origens, à famosa barganha do início da humanidade, perpetuando a sabedoria da solidariedade, da cooperação, para a sobrevivência das instituições e do próprio indivíduo.

Entre os professores, a parceria manifesta-se por uma co-autoria no levantamento de prioridades, de objetivos educacionais, de conteúdos afins, de metodologias, de estratégias, do sistema de avaliação e tantos outros itens correlatos, pertinentes ao planejamento de ensino. Trocam-se experiência e idéias que repercutem na identidade profissional do ensino.

A parceria do professor com o aluno cria, na sala de aula, um clima interativo, um conhecimento articulado, facilitadores da comunicação e da abordagem da educação democrática e libertadora. Ao trabalhar o aluno, sua matéria-prima, o professor marca sua presença na sociedade, quando lhe entrega o resultado de sua obra maior, um cidadão capaz, consciente que de seu desenvolvimento resulta o desenvolvimento do País.

Para chegar a esse bom termo, o professor precisa adequar o seu ensino ao tipo de aluno que recebe, precisa falar, como emissor, a língua do aluno, o receptor. Conhecê-lo bem, conhecer seu universo cultural, deve ser o ponto de partida, centrando a aprendizagem em bases no real, no concreto, e evitar, assim, uma possível inadaptação do aluno aos métodos da escola.

Escola é vida, é experiência de vida. Investigar o cotidiano do aluno, trazer sua vida à escola, relacioná-la, estrategicamente, aos conteúdos do currículo, vão tornar a aula mais atraente, mais condizente com esse aluno.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2000)

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

O mundo todo desperta-se para a importância da educação infantil. Até pouco tempo atrás esse ensino era tido como de menor importância.

Hoje, sabemos que a estimulação precoce das crianças contribui e muito para o seu aprendizado futuro. Desenvolve suas capacidades motoras, afetivas e de relacionamento social. O contato das crianças com os educadores transforma-se em relações de aprendizado.

Uma outra concepção é o desenvolvimento da autonomia, considerando, no processo de aprendizagem, que a criança tem interesses e desejos próprios e que é um ser capaz de interferir no meio em que vive. Entender a função de brincar no processo educativo é conduzir a criança, ludicamente, para suas descobertas cognitivas, afetivas, de relação interpessoal, de inserção social. A brincadeira leva a criança ao conhecimento da língua oral, escrita, e da matemática.

Acompanhando a implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o Ministério da Educação (MEC), com o objetivo de assessorar as escolas, elaborou referenciais para um ensino de qualidade da educação básica, os chamados Parâmetros Curriculares Nacionais.

Os Parâmetros não têm caráter obrigatório e servem de orientação às escolas públicas e particulares. Os Parâmetros, assessorando a competência profissional, contribuem para a elaboração de currículos de melhor nível, mais ajustados à realidade do ensino.

Os “Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Infantil” propõem critérios curriculares para o aprendizado em creche e pré-escola. Buscam a uniformização da qualidade desse atendimento. Os Parâmetros indicam as capacidades a serem desenvolvidas pelas crianças: de ordem física, cognitiva, ética, estética, afetiva, de relação interpessoal, de inserção social e fornecem os campos de ação. Nesses campos são especificados o conhecimento de si e do outro, o brincar, o movimento, a língua oral e escrita, a matemática, as artes visuais, a música e o conhecimento do mundo, ressaltando a construção da cidadania.

O então ministro da Educação, Paulo Renato Souza, ao se referir aos Parâmetros Curriculares do Ensino Fundamental, ponderou: “Passamos a oferecer a perspectiva de que as creches passem a ter um conteúdo educacional e deixem de ser meros depósitos de crianças. Em todo o mundo está havendo a preocupação de desenvolver a criança desde o seu nascimento”.

Dados de 1998, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 25% da população de zero a 6 anos freqüentam creche ou pré-escola. São 5,5 milhões de crianças de um total de 21,3 milhões.

A educação infantil é definida na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) como parte da educação básica, mas não da educação obrigatória. A lei define, também, nas disposições transitórias, a passagem das creches para o sistema educacional. O Ministério da Educação (MEC) determinou que, a partir de janeiro de 1999, todas as creches do País deveriam estar credenciadas nos sistemas educacionais.

Conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, cabe aos sistemas municipais a responsabilidade maior por esses atendimento. A Constituição da República diz que “A educação é direito de todos e dever do Estado”. A emenda constitucional n.º 14/96 alterou dispositivos relativos à educação e estabeleceu que a educação infantil é atribuição prioritária dos municípios.

A educação infantil tem-se revelado primordial para uma aprendizagem efetiva. Ela socializa, desenvolve habilidades, melhora o desempenho escolar futuro, propiciando à criança resultados superiores ao chegar ao ensino fundamental.

A educação infantil é o verdadeiro alicerce da aprendizagem,  aquela  que deixa a criança pronta para aprender.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2006)

O ENTENDIMENTO QUE DEVE SER ALCANÇADO

Izabel Sadalla Grispino *

O nosso sistema de ensino, no grau debilitado em que se encontra, vem minando a estabilidade e o desenvolvimento futuro do País. A falta de conhecimento da população está diretamente ligada à desordem social.

Que sociedade teremos, daqui a alguns anos, se nossas crianças não conseguem aprender? Enfrentar o fracasso de nossas escolas requer uma análise profunda das falhas de estrutura e incentivos ao sistema. Pensa-se, hoje, numa ação conjunta, integrada de todos os Estados e municípios.

As universidades e institutos de pedagogia preparam mal o professor para o exercício em sala de aula. Ainda, observa-se pouco interesse na solução de problemas sistêmicos do ensino público. O sistema tem negligenciado os resultados acadêmicos, voltando-se mais aos benefícios de infra-estrutura que do produto de seu ensino, levando os nossos jovens ao analfabetismo e a nação à pobreza.

Desenvolver capacidades institucionais, nos diversos domínios da educação escolar, vem alcançando o entendimento geral, a fim de viabilizar soluções de ordem pedagógica e da desordem crônica das escolas.

Uma consistente reforma educacional deve ser providenciada se quisermos salvar nossos jovens do analfabetismo e a não da pobreza. A coisa é mais preocupante do que se apresenta. Entram em jogo o desenvolvimento econômico, a desordem social, gerando violência e perturbações de toda ordem.

Na constatação de que a baixa escolaridade – o jovem, em média, tem 8,5 anos de estudo – é entrave ao desenvolvimento, o Banco Mundial (Bird) apresenta um trabalho em que demonstra o tamanho do estrago que ela traz ao social e ao sistema econômico. Apresenta um relatório “Jovem em situação de risco no Brasil”, divulgado em 25 de julho p.p., mostrando que os custos para o País são muito mais amplos: violência, aids, gravidez precoce, desemprego, abuso de drogas e álcool. Custos não só em despesas diretas do País, quanto no que esse jovem deixará de produzir para si e para o País.

O Banco Mundial conclui que o Produto Interno Bruto (PIB) deixa de crescer meio ponto percentual por ano, porque um grande contingente de jovens não consegue terminar a escola, não consegue aprender. Essa porcentagem, explica o Banco, significa que em uma geração (30 ou 40 anos, neste caso) o Brasil deixa de ganhar R$ 300 bilhões, o equivalente a 16% do Produto Interno Bruto.

O Banco conclui que “a baixa acumulação de capital humano permite antecipar uma futura geração que não será competitiva nem na região, nem no mundo”. Mostra que o número de jovens, que chega ao ensino superior no Brasil, é o menor da América Latina. A pobreza, aliada à incompetência escolar, faz com que todos os demais riscos aumentem.

Assim, uma nova escola deverá surgir, na conscientização da boa educação a ser dada aos jovens, a essa parcela da população mais importante do processo de desenvolvimento do País. Se se conseguir avançar nessa direção, os demais problemas decorrentes serão amenizados.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2007)

LEITURA, INTERPRETAÇÃO E REDAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino*

Os recentes dados do MEC mostram que uma boa parte dos jovens, cursando o fim do ensino médio, é incapaz de entender o que lê. Esses jovens aspiram, geralmente, entrar numa faculdade e a interpretação do texto é a habilidade mais cobrada nos vestibulares, não apenas em português, mas em todas as matérias.

As questões exigem cada vez menos memória e em seu lugar utiliza-se de trechos extraídos de livros, jornais, revistas, tiras de quadrinhos e mesmo de propaganda. Esse processo vem ganhando as escolas em seus sistemas de construção do conhecimento, quando se prepara o aluno para desenvolver a capacidade de resolver problemas, de raciocinar, de ligar o conhecimento formal aos fatos de sua vida diária.

Para desenvolver a interpretação, o melhor caminho é a leitura. Uma leitura diversificada, de gêneros literários diferentes, jornalísticos, publicitários, poesias etc. Uma leitura atenta ao conteúdo, à forma de escrever, às regras gramaticais, tentando captar o que está nas linhas e, também, nas entrelinhas, isto é, o que está implícito no texto. Para tanto, o aluno deve ser orientado a uma leitura cuidadosa, instigado a ver além do que está simplesmente escrito.

O vestibular tem proposto questões contextualizadas, o que significa que o estudante deve analisar a situação, o contexto em que aparecem, para depois respondê-las. Deve ler jornais para se atualizar, para tomar conhecimento do que se passa ao redor, ao País, ao mundo. Aluno que lê acaba tendo um bom entendimento de texto e desenvolve a capacidade de se expressar bem. A leitura é a chave de uma boa redação, de um bom aproveitamento intelectual. Quanto mais o aluno lê, maior será a sua desenvoltura diante do saber. Infelizmente, o aluno brasileiro lê muito pouco e cada vez menos.

A escola, conhecedora dessa grave distorção no ensino da língua, deve atacar de frente o problema, criando projetos integrados a todas as áreas, não se restringindo ao português. Projetos isolados não trazem o reforço e a amplitude desejável. O que se observa, largamente, nas escolas, são experiências desarticuladas, em recursos que não se aproveitam entre si, em conteúdos que não se interligam, compartimentando o conhecimento.

Programas integrados, além do reforço, da visão ampla do assunto, fixam melhor o conteúdo e produzem, conseqüentemente, pela abrangência, melhores benefícios ao educando. Um estímulo geral, em relação à leitura, em exercícios de interpretação de textos e em redação, deve ser pensado em todas as disciplinas do currículo.

Um outro ponto importante na aprendizagem é ensinar o aluno aprender a aprender. A dedicação pode ser o grande método de estudo para quem deseja aprender. Ensinar ao aluno que ser dedicado significa trabalhar alguma coisa com determinação para atingir um objetivo; também é preciso haver motivação e essa motivação é grandemente ajudada pelo professor, pois nem todo aluno aprende de forma igual. Uns aprendem todo o conteúdo em sala de aula, outros necessitam revisar a matéria em casa ou voltar ao assunto novamente, com o professor. Cada um tem um ritmo, um estilo próprio.

O quadro atual da escolaridade brasileira é lamentável, não só em termos de qualificação, como em termos de abandono à escola. Vejamos o que nos expõe a Geografia da Educação Brasileira 2001, divulgada em março de 2003, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), do Ministério da Educação: a cada grupo de 100 alunos matriculados no ensino fundamental, 41 deixam a escola sem completá-lo. Os que conseguem se formar gastam, em média, 10,2 anos. Praticamente o tempo que levariam para cursar as 8 séries do ensino fundamental e as 3 do ensino médio, se não houvesse repetência.

A relação entre alunos que iniciam e terminam é melhor no ensino médio. De cada 100 alunos que ingressam nesse ensino, 74 chegam a concluí-lo e gastam, em média, 3,7 anos para cursar as 3 séries desse nível. Do total de alunos matriculados na 1.ª série do ensino fundamental, apenas 40% conseguem se formar no ensino médio. Ao repetir, o aluno acaba desanimando e saindo da escola. A repetência é uma das principais causas da perda da auto-estima do aluno e da exclusão escolar.

Junto ao atraso na escolaridade, à perda da qualidade do ensino, perde-se, também, o status social do professor. Perdem-se alunos, perde-se a boa formação acadêmica, não por se ter esgotado o papel do professor, mas pela decadência de todo um sistema de ensino. A escola, no seu âmbito, não consegue coordenar os projetos pedagógicos, que acabam ficando desarticulados, com projeções diferentes. Não consegue alcançar uma metodologia diferenciada, capaz de inclusão, não consegue entrar no mundo desmotivado do aluno carente ou exercitar estratégias que introduzam a qualidade do ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em fevereiro/2004)

Caixa de texto: Clique para voltar ao sumário* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em fevereiro/2004)

O ENSINO DE CIÊNCIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Constata-se uma crise mundial do ensino de ciência. Especialistas da área começam a discutir, mais freqüentemente, como melhorar o aprendizado dessa disciplina.

Na revisão, a ciência sai da abstração das salas de aula e parte para um processo mais ativo, mais especulativo, desenvolvendo na criança a curiosidade pela informação.

O ensino de ciências cria condições para estabelecer critérios de riscos e benefícios, no trato da realidade das coisas, preparando o indivíduo a não acreditar demais e também a não desacreditar. É o enfoque da ciência real. É um ensino que leva ao exercício da reflexão pelo domínio do conhecimento científico, intrinsição relacionado aos riscos enfrentados pela sociedade, como aids, vaca louca, buraco na camada de ozônio, destruição nuclear...

Estudos têm mostrado que a diminuição da habilidade em ciências leva à perda, no ensino médio, de ganhos acadêmicos obtidos no fundamental.

Assinalam os especialistas que a ciência, às vezes, se torna difícil de ensinar, porque os resultados são exatos, sem interpretações. A ênfase fica em passar informações, sem anular a discussão das idéias. Deve levar os alunos a formular hipóteses, fazer pesquisas e registrar suas conclusões. Um ponto que  vem sendo ressaltado é não fazer ciência só no laboratório, mas fora dele, para que a criança perceba que ela faz parte da vida do dia-a-dia.

O ensino de ciências agrava-se pela falta de professores bem formados e interessados na disciplina. Em decorrência, o que se verifica é o número de cientistas cada vez menor. Ademais, pessoas que têm bons conhecimentos em física, química ou biologia enveredam-se por outras oportunidades de emprego, bem mais vantajosas economicamente.

Surge no momento uma grande expectativa com a avaliação internacional de educação o Pisa, previsto para agosto, em 57 países, incluindo o Brasil.

O Pisa, realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é feito a cada três anos, por vários países. Avalia habilidades de leitura, matemática e ciência. Cada ano o foco é uma delas. Este ano será ciência. A prova é feita por alunos de 15 anos, que estejam pelo menos na 7.ª série.

No Brasil serão 633 escolas de todos os Estados, escolhidos por sorteio. Nossas escolas não são bem equipadas em materiais e os professores não foram bem formados e não incentivam o ensino na rede pública. Levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), só 5,4% das escolas públicas de ensino fundamental e 37% das do ensino médio têm laboratório de ciências. No setor privado, os índices são de 31% e 66%, respectivamente.

O resultado do Pisa, que já preocupa o mundo todo, sairá em 2007. Este ano, os alunos responderão questões sobre assuntos, como a razão da escuridão e da claridade na Terra e sobre clonagem. Nos exames anteriores, o Brasil foi o último colocado em leitura e matemática.

Esse resultado nos fere sobremaneira, especialmente por sabermos que há uma estreita relação entre escolaridade, nível de conhecimento e taxa de desenvolvimento de um país. É preciso pensar em educação também como desenvolvimento. Hoje, de acordo com o IBGE, a escolaridade dos trabalhadores brasileiros é de menos 5,4%.

Lembrando a Coréia do Sul, país assolado por uma longa guerra civil, há 30 anos, registrava a mesma média brasileira de escolarização formal dos trabalhadores, 4,7 anos. Nessas três décadas, a Coréia do Sul investiu fortemente na educação, elevando esse índice para 12 anos, saltando em disparada ao indicador brasileiro.

Um outro agravante fator da baixa escolaridade é a violência, rondando, sobretudo, as periferias das grandes cidades.

No processo da educação, é indispensável acompanhar as novas descobertas de ensino, avaliar as informações, sempre na mira de uma pedagogia transformadora, a serviço do social.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em setembro/2006)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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