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Artigos Educacionais

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

SISTEMA NACIONAL DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

Um novo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), preparado por uma comissão especial, Comissão Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Conaes), propõe mudanças no Exame Nacional de Cursos, o Provão. O foco da avaliação será a instituição e não o desempenho do aluno. O exame dos alunos perde peso para a avaliação institucional.

O teste deixa de ser obrigatório para todos os formandos e será apenas um dos itens da avaliação das instituições do ensino superior. Será aplicado por amostragem e a classificação por conceitos abandonados. A avaliação institucional levará 3 anos para ser concluída. Começará com uma auto-avaliação, feita por alunos, professores e funcionários. A instituição passará por uma análise externa, organizada pela Comissão Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Conaes). Essa comissão dará um parecer sobre a instituição, formando um dossiê com os resultados da avaliação para cada universidade, cujo resumo será divulgado pela Internet.

Um dos componentes do Sinaes é o Processo de Avaliação Integrada do Desenvolvimento Educacional e da Inovação de Área (Paidea). O teste dos alunos recebeu esse nome, Paidea, que, em grego, significa ensino ou educação. O exame será realizado por áreas: ciências humanas, exatas, tecnológicas e biológicas. Cada área será avaliada de dois em dois anos, com testes em duas etapas: no meio e no fim do curso. O teste além do conteúdo incluirá a avaliação do aluno sobre a instituição em que estuda.

Além da auto-avaliação, a cada três anos, a instituição receberá a visita de uma comissão externa, que verificará a infra-estrutura, entrevistará professores, alunos e servidores. O Paidea será feito por amostragem, só ficarão obrigados a passar por ele os alunos sorteados. Acabam os conceitos de A a E. O resultado do Paidea vai compor o dossiê final. Ficarão reunidas no Sinaes avaliações já existentes, como o Censo da Educação Superior, o Cadastro do Perfil Institucional (bibliotecas, laboratórios e outros equipamentos), Avaliação do Ensino Tecnológico Superior e Avaliação da Pós-graduação, realizada pela Capes. Todos vão fornecer elementos para o relatório final.

As opiniões sobre o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior têm oscilado. Uma parte dos envolvidos parece satisfeita, achando que as instituições ganham em autonomia e credibilidade. Serão avaliadas pela totalidade e não só pelo aluno. A avaliação dos alunos em duas etapas, no 2.º e no último ano, é positiva, porque mostra o nível do aluno quando entra na instituição e quando sai dela. Acha que o Provão discrimina ao aplicar uma prova única, sem considerar a clientela escolar recebida pelas faculdades.

Em verdade, a avaliação do Provão se propõe a verificar se os alunos assimilaram o conteúdo curricular mínimo obrigatório e um conhecimento mínimo é indispensável, não importa que clientela. Quanto à credibilidade, essa é uma conquista pessoal de cada instituição e a nível de sociedade, a nível de produto ofertado ao mercado de trabalho, a maioria não vem se enquadrando nesse item; não recebe conceito positivo.

Outros opinam ser o sistema de avaliação das faculdades, o Provão, o que de melhor aconteceu na esfera do ensino superior, nos últimos anos. Afirmam que o Provão é indicador de qualidade, aponta as boas e as más faculdades. São contrários à aplicação do exame por amostragem, como quer o novo sistema, porque enfraquece a avaliação por curso, dificultando a comparação entre eles, não distinguindo o bom do mau. O grande objetivo do Provão é fazer comparações e o novo sistema elimina o único referencial que existe no ranking das instituições do ensino superior. Além disso, o Sinaes propicia a volta do clientelismo, o tempo em que, conforme Paulo Renato Souza, influências políticas definiam o reconhecimento e a autorização dos cursos de ensino superior: “Eu criei um critério objetivo, justamente porque percebi que essa era a única maneira de impedir as pressões. O Provão definiu as atribuições do Conselho Nacional de Educação para o credenciamento dos cursos universitários, extinguindo o papel cartorial adotado pelas visitas dos enviados do antigo Conselho”, reitera o ex-ministro.

Educar exige avaliação constante, continuada e divulgação dos resultados. Processos de avaliação são indispensáveis em qualquer atividade humana; nas escolas, constatam a correspondência entre o que é oferecido e o que, realmente, oferece, entre o que se fala e o que se faz; conferem se os cursos cumprem um papel social, cultural e econômico.

Essas considerações vão ajudar o leitor a refletir sobre os dois sistemas de avaliação do ensino superior, para melhor opinar a respeito, pois, segundo o ministro Cristovam Buarque, a proposta lançada pelo MEC deverá ser submetida à opinião pública, aos especialistas da educação, antes de se concretizar. É possível que muita coisa ainda mude e que se entenda que a boa formação do aluno é o maior indicador do ensino ministrado por uma escola. O resultado da avaliação do desempenho do aluno é o espelho que refletirá, com mais propriedade, a eficiência da instituição escolar.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2003)

A ESCOLA FRENTE À MÍDIA

Izabel Sadalla Grispino *

O problema de ontem continua hoje. Vamos voltar à reflexão.

Como a escola pode ajudar as crianças frente à TV? Como educar a leitura que elas fazem da TV?

O primeiro passo é, sem dúvida, conhecer os programas a que elas mais se apegam. Estudar-lhes as características e os aspectos que mais as impressionam.

Proibir, simplesmente, não é o caminho. A proibição só vai aguçar a curiosidade, a vontade de assistir-lhes. Ao proibir, é preciso explicar as razões. Manter com as crianças uma aprendizagem crítica, uma aprendizagem do pensamento divergente. Ensinar a criança a questionar, a duvidar, a encontrar outras saídas, diferentes das apresentadas no filme. Duvidar do que se vê é um bom exercício mental, dizem os psicólogos. A atitude reflexiva favorece a elaboração de exercícios mentais, que a criança pode exercitar ao assistir aos filmes, aos desenhos.

Uma boa estratégia é encaminhar a criança para uma esclarecida interpretação. Professor e aluno raciocinando juntos, a criança sendo encaminhada à ponderação, a exaltar ações que conduzem ao amor, ao bem.

Uma outra preocupação dos pais e dos professores é com os jogos eletrônicos.  Até que ponto os videogames viciam e o que fazer? Especialistas da área de tecnologia dizem que a escolha dos jogos não pode ser aleatória. Eles devem ser relacionados segundo as características de cada criança, considerando, também, os aspectos socioculturais , educativos e psicológicos.

Os videogames têm seu lado positivo e negativo. É uma questão de regra e limites, que vale para o videogame, a TV, o computador, a Internet. Crianças que jogam de forma compulsiva sofrem os malefícios decorrentes, como sua exclusão do convívio social, o descumprimento de suas obrigações, dos efeitos colaterais orgânicos, como irritação dos olhos, excitação, insônia, principalmente quando os jogos são muito violentos.

Com horário e disciplina, os jogos podem trazer benefícios. Confirmam os especialistas que videogames e jogos para computador são excelentes para o desenvolvimento cognitivo. Desenvolvem a percepção, a memória visual e auditiva, a rapidez, o raciocínio, a capacidade de solucionar problemas e, até mesmo, a socialização, quando jogados via Internet.

Em tudo, não há modelo único de educação. Vai depender de cada criança. As regras e os limites devem ser passados dentro dos conceitos éticos, morais, culturais de cada sociedade, de cada família. O importante é conhecer a criança que se tem à frente para ser educada e agir de acordo com cada caso. Para impor limite aos videogames, ao computador, estuda-se a melhor forma, como programar atividades compartilhadas, passeios, esportes, diálogo... Disciplinar os horários, conscientizá-los da hora de estudar, de dormir e de brincar, é imprescindível. Videogame, por exemplo, só depois da lição de casa feita.

Com a finalidade de evitar a violência do jogo, a prática de atos sexuais e desvirtuamento de valores éticos e morais, o Ministério da Justiça definiu a norma de que todos os cartuchos e CDs, de games, tragam, em suas embalagens, um selo de classificação etária.

O Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento – CAD --, clínica formada por uma equipe multidisciplinar da capital, explicitou regras úteis para o aconselhamento e à aprendizagem de crianças e de jovens.

Dos 3 aos 7 anos: as regras são externas à criança, que espera que os adultos lhe dêem ordens. Aproveite a fase para fixar bem a rotina e estabelecer hábitos saudáveis;

Dos 7 aos 12 anos: a criança começa a internalizar as regras. Explique os porquês de suas exigências, sem abrir mão delas. Ela espera esse limite do adulto. É uma boa fase para trabalhar direitos e deveres, estabelecer horários das atividades escolares, de lazer e sono;

Dos 12 anos em diante: o jovem já deve ter adquirido autonomia e capacidade de pensar os valores por si mesmo.

Diálogo é essencial. O jovem deve participar da construção e/ou reformulação das regras para poder organizar sua própria vida. Vai exigir coerência dos pais e dos educadores e um compromisso recíproco de respeito às regras.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2006)

QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Um grande objetivo hoje é educar com a paz. Trabalhar o sentimento de paz, tê-la como companheira, como conselheira. Um conceito toma conta dos meios educacionais: “Educar é acreditar na vida e ter esperança no futuro; é semear com sabedoria e olhar com paciência”. Esse olhar leva à paz.

Educação envolve a árdua tarefa de penetrar nos domínios da inteligência e da emoção. É caminhar com cautela nesses territórios. Hoje, a ciência fala em inteligência como fator genético, cujo desenvolvimento se favorece com o contexto cultural. Genética e ambiente devem andar de mãos dadas com conhecimento e incentivo. Cada vez mais, temos elementos para nos colocar, com mais precisão, frente ao aluno.

Entre as práticas pedagógicas ressalta-se o diálogo; em sala de aula a disposição em U ou semicírculo. Ressalta-se o pensamento de que educar é criar idéias, é cativar e não repetir palavras. Não é um manual de regras, é aproximação, é abraço, é liberdade e encorajamento à construção da própria história.

Educar é compreender o momento do estudante, compreender o momento social, o crescimento da violência e da alienação. A velocidade do pensamento do jovem e do adulto há um século era bem menor que a atual. Surge daí a necessidade de criar um novo modelo de educação. No passado, o conhecimento duplicava a cada dois séculos. Hoje, duplica a cada cinco anos, constatam as pesquisas. O excesso de conhecimento, associado aos estímulos da TV, à competição acirrada, forçou de maneira assustadora a produção de pensamentos, podendo levar ao estresse.

Para tanto, é preciso educar a emoção, educá-la com inteligência, ensinando os alunos a pensar antes de reagir. Ensinar os alunos a serem pensadores e não reprodutores de informação. Educá-lo a pensar e a acreditar na sua transformação, na sua capacidade cognitiva.

Hoje, consideramos que, para a educação ter qualidade, talvez, o principal seja propiciar aos alunos autonomia intelectual e espírito inquiridor. Desenvolver uma cidadania consciente, em que a obtenção de respostas, às perguntas, seja feita de forma independente de professores e na possibilidade de o aluno ser capaz de estar permanentemente fazendo perguntas.

O hábito de leitura, por prazer, é outro caminho importante a ser contemplado numa educação de qualidade. A leitura ajuda os jovens a formularem seus próprios julgamentos, a alcançar melhor as atividades que a escola apresente e depois o mercado de trabalho. É preciso que a leitura se constitua num lazer saudável e não só na busca do saber acumulado pela humanidade. A construção do prazer na leitura é, contudo, dificultada pelo próprio contexto escolar, onde 60% dos professores no Brasil não têm o hábito da leitura, conforme dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Estimular a criação de bibliotecas municipais, atualizadas, introduzir na grade curricular semanal uma hora de leitura por prazer, podem ajudar. Porém, o mais importante é capacitar os professores para um trabalho mais competente com a leitura, tornando-os leitores. É voz corrente de que se os mestres gostarem de ler, freqüentarem bibliotecas públicas e fizerem dos livros companheiros de viagem, a grande probabilidade é que seus alunos também o farão.

Essa  é uma cruzada que não pode ser relegada, nem postergada, se quisermos uma educação de qualidade. Índice demonstrado em avaliações do Ministério da Educação (MEC) é de que 30% das crianças chegam à 4.ª série sem saber ler.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ministério da Educação (MEC), desde 1997,  passam orientação do que deve ser enfatizado em cada segmento de ensino, mas a forma e a complementação são de competência da escola, que deve ajustar o seu ensino às características do momento social. A escola precisa, acompanhando o movimento atual, envolver-se em discussões sobre como desenvolver nos jovens coração e mente, emoção e objetividade, para que venha acontecer melhoria sustentável na educação. A escola, desenvolvendo competências e habilidades,  aspectos cognitivos de caráter geral, garante que os avanços obtidos não sejam perdidos no tempo.

A educação precisa entrar na agenda do País; os países desenvolvidos cresceram educando a população. A única idéia-força capaz de levar o País a um avanço histórico é a revolução da qualidade da educação. Essa colheita, infelizmente, o Brasil não está colhendo, porque não está semeando acertadamente.

O social que muda uma sociedade é a escola nota 10. A grande libertação do povo faz-se com lápis e caneta, não com assistencialismo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2006)

TRANSPORTE ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

Participei de um encontro de Pais e Mestres de uma renomada escola particular. Introduzi a reunião falando da importância da participação dos pais na vida e nas decisões da escola do filho.

A escola só é autêntica quando reflete a comunidade que representa. Para conhecer bem essa comunidade, ela tem nos pais seus maiores aliados. É um enriquecimento de via dupla, de ganho para os dois lados. Escola e pais trocam informações, fazem parceria de atuação.

Ingressar os pais no recinto escolar, fazê-los entender e participar de atividades, principalmente, extracurriculares são procedimentos seguros para o ajustamento do ensino ao perfil do aluno. As reuniões de pais e mestres devem ser programadas, preparadas com esmero, aprimorando-se na boa acolhida, passando e recebendo informações, inteirando os pais do andamento da escola, do processo de ensino-aprendizagem, do processo de avaliação adotado, da metodologia empregada. Deve ouvir os pais, ponderar sugestões, levantar questões, abordar normas disciplinares, entre outros quesitos pertinentes.

A escola deve esclarecer sobre o importante papel que os pais exercem nos conselhos de escola, conselhos responsáveis por uma série de decisões nas unidades, incluindo a definição do projeto pedagógico. Os conselhos, conforme regimento escolar, são formados pela diretoria da escola, professores, funcionários, pais e alunos. Além dos conselhos, há, também, as Associações de Pais e Mestres (APMs), de função relevante. Nas escolas estaduais, as APMs recebem recursos da Secretaria da Educação, destinados a pequenas reformas.

Os pais dão vitalidade à escola e em contrapartida, também, se fortalecem. Pesquisas provam que o rendimento do aluno é bem melhor quando os pais se interessam pela escola do filho, quando a freqüentam. Cumplicidade entre pais e escola é importante não só para detectar problemas dos alunos, mas, também, para buscar soluções. Quanto mais os pais participam, melhor é a gestão em todos os sentidos. A escola conquista credibilidade em razão da identificação mais próxima com o município. Mobilizar os pais para a escola é um desafio que deve ser perseguido.

Nos encontros, os pais colocam preocupações de ordem geral e particular. Na reunião citada, os pais levantaram uma questão, que demonstrava preocupação com o transporte escolar – um noticiário de TV mostrou o desespero de pais diante de um desastre ocorrido com uma perua que transportava seus filhos à escola. No  momento faltaram dados precisos para um total esclarecimento do assunto. No sentido da parceria, escola e pais ficaram de pesquisar, buscar informações e repassá-las a todos.

Dias depois, recebi de uma mãe o resultado de sua busca. Conseguiu esclarecimentos através do Procon e pediu-me que os publicasse em colaboração a outros pais, a outras escolas.

A Fundação Procon elaborou recomendações, cuidados que os pais devem ter na hora de contratar o transporte escolar. As informações são úteis, principalmente, nas grandes cidades que enfrentam problemas com peruas clandestinas.

Antes de qualquer contratação, o Procon recomenda que seja verificado o cadastro do veículo e do motorista na Prefeitura, isto é, se são credenciados na Prefeitura. Um selo deve estar colocado no pára-brisa. Isso quer dizer que eles atendem aos requisitos de segurança e manutenção.

  • Aconselha ouvir outros pais e direção da escola para obter referências do serviço.
  • Checar como o motorista recepciona a criança, onde ele estaciona o carro e exigir um contrato de prestação de serviço.
    • Verificar se há cinto de segurança para todas as crianças.
    • Verificar se as janelas abrem mais de 10 centímetros, o que não é permitido.
    • Observar se outro adulto, além do condutor, acompanha as crianças.
    • Pedir telefone, endereço e nome completo do motorista.
    • Registrar tudo em cartório.

O Procon informa que a forma de pagamento pode ser por anuidade ou parcelada de outras maneiras. Pesquisar preço porque a variação é grande.

Somente as grandes escolas oferecem transporte. Na grande maioria, os pais precisam procurar por conta própria o serviço. As escolas desinteressam-se porque o custo de manutenção é alto, visto que precisariam registrar mais funcionários que não trabalhariam nos meses de férias. Contudo, o Procon adverte para o fato de o transporte ser optativo, mesmo que a escola ofereça o serviço ou mantenha convênio com motoristas. Atualmente, além das antigas peruas, os condutores oferecem vans e microônibus.

Em caso de dúvida ou para maiores esclarecimentos, procure o Procon de sua cidade.
* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2003)

PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino*

Em fins de abril p.p. o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). É um plano que surge bem concatenado, um aspecto levando a outro e conta com 47 medidas. Estipula que até 2010 todas as escolas públicas do ensino básico do País estarão dotadas de computadores.

É um plano abrangente, com metas, avaliações, preocupações docentes, alcançando todo o ensino básico, a educação profissional, a alfabetização e o ensino superior. Busca melhorar a infra-estrutura das escolas e seu funcionamento. Traz, conforme se depreende, melhorias nas condições materiais, administrativas e pedagógicas, num programa de reciclagem. Quer corrigir falhas do passado, equipando as escolas, na mira de uma educação de qualidade.

O Plano adotará exames de avaliação do rendimento escolar para os diversos graus de ensino. Apoiando-se nos resultados das avaliações, distribuirá recursos à escola e corrigirá erros cometidos. Deixa expresso que os recursos materiais de cada escola dependerão do esforço dos professores, quanto ao rendimento dos alunos.

Um dias após ao lançamento desse Plano, o Ministério da Educação (MEC) divulgou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), considerado um indicador de qualidade do ensino. Os municípios que forem subindo no ranking desse Índice, definindo metas e adotando as ações e recomendações propostas pelo MEC, receberão apoio técnico e recursos extras, por parte da União. Um bilhão de reais está sendo reservado para destinar aos mil municípios com rede escolar de pior qualidade no País.

Através de um aperfeiçoado sistema de avaliação escolar, o MEC disporá de um diagnóstico fiel do novo sistema educacional. Na luta por uma educação de qualidade no ensino básico, os municípios e a Nação têm no Idec um órgão importante da correção do sistema.

Ao que tudo indica, surgirá maior claridade no horizonte das mudanças educacionais. Há, ainda, uma grande distância a percorrer para o resgate de um ensino de qualidade, de um ensino que, hoje, pouco ensina a sua clientela e que a deixa à margem da boa aprendizagem.

Conseguiremos alcançar, através desse Plano, a escola da inteligência, da beleza e do prazer, como falava Darcy Ribeiro? Os grandes passos estão sendo lançados e se complementados, como a omissão notada do período integral, se bem conduzidos, poderão chegar a um bom nível de ensino, suprindo as necessidades sociais e colocando o País em outra dimensão histórica.

Analisar o Plano, estudá-lo e pô-lo em prática são os primeiros momentos de um longo processo em direção à revolução educacional.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2007)

ENSINO SUPERIOR PARA O ÍNDIO

Izabel Sadalla Grispino *

Uma outra minoria que desponta em direção à afirmação, ao enfrentamento do preconceito, é a do índio. O índio começa a entender o valor da educação e sai à procura de escolas. Desperta-se para uma nova realidade, valorizando a formação profissional. Quer ter acesso ao ensino superior, melhorar o conhecimento, aperfeiçoar-se.

A sociedade também começa a dar mais atenção aos grupos étnicos discriminados. Já se manifesta, em pontos localizados, exortando medidas governamentais, que garantam escolas, de todos os níveis, à população indígena.

A exclusão é sempre lastimável, tanto para os grupos marginalizados, como para o desenvolvimento do País, que se vê limitado no avanço das competições, no mercado internacional. Embora haja toda uma legislação favorável, a política educacional de apoio às minorias é lenta e desestimulada. No Brasil, surgiu, neste segundo semestre, a primeira universidade estadual, localizada em Mato Grosso (Unemat). É uma iniciativa pioneira, onde serão oferecidos cursos de licenciatura, exclusivos para formar professores índios em nível superior. É um passo que se dá em direção à criação de uma universidade abrangente do gênero no País. Matricularam-se na Unemat 300 alunos de 35 etnias.

Os cursos serão dados no campus de Barra do Bugres, a 160 quilômetros da capital Cuiabá. O que antes parecia um sonho distante,  hoje, a idéia de reunir só universitários indígenas em sala de aula torna-se realidade. Levantamento estatístico mostrou existir, entre nós, 207 povos indígenas, com mais de 62 mil alunos freqüentando o ensino fundamental de 1.ª a 8.ª série. Temos 3.041 professores índios, espalhados em 1.666 escolas e que cursaram, com dificuldade, o 1.º e o 2.º graus. São considerados professores leigos porque lecionam sem diploma universitário.

Os ingressantes à Unemat são, na maioria, professores em suas aldeias. Dos aprovados, 167 são homens e as idades variam de 18 a 56 anos. As aulas serão sempre em julho, janeiro e fevereiro, meses de férias escolares. Depois de cinco anos serão formatos em Matemática, Ciências Sociais e Português. Professores de outras universidades, como USP, Unicamp, Puccamp, UFRJ e UFPR, darão, para os índios, aulas em português.

Na passagem dos conteúdos, a universidade vai dialogar com os índios, relacioná-los à cultura indígena, na caracterização da pluralidade cultural e na contextualização do currículo. A metodologia privilegia o debate intercultural. Na redação do vestibular, os candidatos dissertaram sobre a vida dos índios, realidade vivida por eles.

No País, menos de 100 alunos têm acesso ao ensino superior. O Estado de São Paulo, ainda fica no magistério. Pela estatística, há 700 crianças índias, de 7 a 14 anos, tendo aulas com instrutores leigos e em salas de aula em precárias condições. No Amazonas, há 649 escolas, a maioria de madeira, em situação lastimável. É a imagem de um Brasil pequeno, vôo de tico-tico, longe do condor!

Muitos Estados ainda não se acordaram para a educação indígena, em todos os níveis.  O  Estado  do Paraná,

através da Assembléia Legislativa, aprovou, em abril p. passado, uma lei que destina 15 vagas nas universidades estaduais para índios paranaenses. Mas, eles estudarão com os brancos.

Universidades indígenas, que ofereçam cursos como de medicina, enfermagem, agronomia e direito, levarão, ainda, um bom tempo para existir, de oito a dez anos, calcula-se.

Desde 1991, a responsabilidade pelo ensino das tribos passou para o Ministério da Educação. Era da Fundação Nacional do Índio. A legislação prevê que o ensino deve ser feito, preferencialmente, por índios e que até 2007 todos os professores, dos ensinos fundamental e médio, incluindo os professores indígenas, devem ter diploma universitário. O curso universitário para os índios acaba de ser criado, o que faz concluir que para eles essa é uma realidade que se posiciona longe.

O estímulo a uma política educacional para o povo indígena teve um bom suporte, com a elaboração do Parâmetro Curricular Nacional das Escolas Indígenas, pelo Ministério da Educação (MEC), lançado em 21 de maio de 1998. Com esse referencial, as escolas das aldeias passaram a ter, desde 1999, currículos próprios, valorizando sua cultura. Até então, buscava-se apenas civilizar, integrar os índios à sociedade, deixando de preservar e valorizar as suas diferentes culturas.

O parâmetro curricular alia o ensino das matérias tradicionais à discussão de temas de interesse das comunidades, como a organização e direitos das nações indígenas no Brasil. Pela proposta do MEC, o ensino da língua portuguesa deverá ser simultâneo ao da língua indígena local. Na Matemática, além do tradicional estudo de números e operações, o aluno lidará com os sistemas numéricos usados pelos diferentes povos indígenas e pela sociedade em geral, para facilitar sua comunicação. Na geografia, a proposta é partir do espaço geográfico onde vive o aluno para ajudá-lo a entender sua localização no Brasil e no mundo. Na educação física, o aluno deverá conhecer desde os jogos e brincadeiras tradicionais de sua tribo, até as práticas esportivas brasileiras e internacionais.

O índio necessita preservar sua auto-estima, orgulhar-se de sua descendência, não negar sua condição de índio, reabilitar-se perante a sociedade. Ele não pode perder o seu arraigado sentido de grupo, devendo a escola saber conciliar tradição e modernidade.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2001)

O SENTIMENTO PATRIÓTICO

Izabel Sadalla Grispino *

Valores que despertam para a espiritualidade, na direção da moral, da ética, do cooperativismo, que despontam para a valorização e o amor à pátria, na configuração de uma terra respeitada, altaneira, batem à porta da escola e pedem para entrar. Formar o aluno nessas duas vertentes contribui para uma sociedade assentada em bases humanísticas e cívicas.

O sentimento patriótico amplia e reforça a visão de família, de luta unida em favor do bem comum. Afinal, a pátria não é mais que uma agregação de famílias, sustentadas por um tronco comum a todos. Desenvolver a noção de pátria é meio caminho andado à formação política do aluno.

Politizar o educando é um objetivo que não pode ser postergado. Levá-lo à análise do comportamento político, do conhecimento dos regimes políticos, da ética democrática, diferenciando-a da cultura autoritária, na conquista da cidadania, do convívio social,  da reivindicação dos direitos do cidadão e respeito pelos deveres a serem cumpridos, no nascimento de um povo novo. De um povo que, pela participação política, renasce, a cada dia, para a batalha da vida, para a busca de soluções aos destinos de sua terra. Politizar o aluno é dar-lhe estrutura para atuar no campo político, com vistas a uma política responsável, a uma militância consciente. Levá-lo a refletir sobre o voto e sua importância para o País. Mecanismos pedagógicos devem ser acionados, como debates, discussões, trabalhos entre os alunos, ressaltando-se temas como “O País que quero morar”, “O País que quero ter”, “O País dos meus sonhos” etc.

Presenciamos com entusiasmo o retorno aos estímulos patrióticos, com a volta, às escolas, do hasteamento da bandeira e da execução do hino nacional. Há tempos atrás, uma vez por semana, antes do início da 1.ª aula de cada período, professores e alunos hasteavam a bandeira e cantavam o hino pátrio, tentando resgatar valores de nacionalidade, de amor e compromisso para com a pátria. No fim do dia, um aluno era destacado para arriar a bandeira, dobrá-la e, com orgulho, entregá-la a um professor.

O programa governamental, de junho de 2002, denominado Mutirão da Cidadania, teve o mérito de despertar para o retorno do movimento patriótico, instituindo a volta do ato cívico mencionado.

A Secretaria da Educação, abraçando a idéia, remete à escola, em sua autonomia, a decisão de avaliar a pertinência dessa realização, que reforça a cidadania. O Secretário da Educação, Gabriel Chalita, considerou que o hino pode ser usado, também, como base para o ensino das disciplinas do programa curricular, em trabalhos interdisciplinares. Ensinar português, história, geografia e até matemática, utilizando-se do hino.

Embora a execução do hino nacional não esteja sendo obrigatório, o Ministério da Educação (MEC) lembra que pela lei 5.700, de 1.º de setembro de 1971, promulgada pelo governo Médici e mantida na Constituição de 1988, as escolas do ensino fundamental e médio são obrigadas a hastear a bandeira e a cantar o hino uma vez por semana, durante o ano letivo. Essa determinação, infelizmente, caiu no esquecimento.

À argumentação de alguns de que a instituição do hino é uma volta ao passado, ao governo militar, à lembrança desse regime, o secretário Chalita rebate, dizendo: “Para alguns pode lembrar a ditadura, mas, também, lembra as diretas-já e Ayrton Senna”.

Acima de qualquer consideração, o hino é um sentimento suprapartidário, supra-regimental, encerra em si mesmo o amor à pátria, encontra nesse amor o seu maior significado.

Somos responsáveis pelos homens públicos que colocamos no poder e acertamos bem mais quando acompanhamos suas ações, seus desempenhos, quando aprendemos a manusear as armas poderosas que as eleições nos oferecem, filtrando, peneirando o universo indesejável. A escola conseguirá formar um aluno compromissado com a pátria, se despertar o amor à terra natal desde a tenra idade, porque os bons princípios, os sentimentos, crescendo com a criança, se  desenvolvendo com ela, se firmarão e dificilmente serão abalados.

Ao mestre, reforço as reflexões, nos meus versos abaixo:

AMOR  À  PÁTRIA

Quando criança, meu coração batia
Ao ouvir o hino nacional,
As cores da bandeira eu coloria,
Sentia minha esta terra natal!

Cresci orgulhosa da terra-mãe,
Na sua grandeza me espelhava,
Queria lutar, ser-lhe filha, irmã,
O ardor patriótico me falava!

Freqüentando a escola, mais tarde,
Aprendi os três poderes constituídos,
O respeito, praticado sem alarde,
O civismo em passos instituídos.

Hoje, olho a criança, sua apatia,
Não aprende a pátria enaltecer,
É barco perdido em travessia,
Nave sem lume no alvorecer!

Tradição e valores esquecidos
Tornam pobre toda e qualquer nação,
Navio de pilares enfraquecidos
Não leva longe a tripulação.

A pátria é dos filhos a identidade,
Termômetro das condições de vida,
Querê-la pujante, em notoriedade,
Lealdade se elege, esforço se envida.

Orgulho da pátria, orgulho do lar,
Patente timbrada em nobre brasão,
Laço materno que nos clama a amar,
A nos dar as mãos, chamarmos de irmão.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2002)

ALUNOS DE DESEMPENHO EXCEPCIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

O Brasil tem um atendimento irrisório ao estudante superdotado. Poucos, muito poucos, são os programas de incentivo, criados, quer pelo governo, quer pela iniciativa privada, para alunos com desempenho acima da média.

A lei prevê atendimento especial ao aluno superdotado, mas, no plano oficial, não há programas específicos para esse aluno. Países avançados investem fortemente em cérebros, desenvolvendo e beneficiando aluno e país, que acaba formando profissionais altamente capazes em pesquisa e tecnologia, favorecendo o crescimento de sua economia. Uma nação enfrenta com vantagens a competitividade moderna, quando possui em seus quadros número considerável de bons cientistas, de mão-de-obra qualificada.

A escola precisa mudar o olhar, saber reconhecer jovens talentos e apoiá-los. Investir em programas para capacitar estudantes com altas habilidades. Primar pela caça ao talento no Brasil deve merecer atenção especial, sobretudo, pelo pouco que tem de aproveitamento considerável no padrão acadêmico nos cursos regulares.

Quanto aos superdotados, a psicologia educacional moderna afasta a imagem de gênio. São crianças com habilidades especiais, que devem ser desenvolvidas e incentivadas. São crianças que têm um alto desempenho em uma área, mas não são gênios. São especiais, dotadas, sim, de altas habilidades e que devem ser treinadas, estimuladas a desenvolver, mas que são, antes de mais nada, crianças.

Muitas vezes, os pais percebem que o filho é superdotado e se assustam. Temem que a cobrança comece a ser acima do normal e que a criança comece a se achar mais do que as outras. O medo é comum entre famílias de crianças com altas habilidades e esse tem sido um dos argumentos apontados pelo Ministério da Educação (MEC) para não incentivar a existência de escolas especiais para superdotados. Incentiva a convivência em escolas regulares, o que torna, em grande parte, um desafio a mais para os professores.

O MEC incentiva os Estados a terem programas específicos de identificação de superdotados. Brasília, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul têm centros para isso. Também as prefeituras de Lavras (MG) e Belém do Pará trabalham com crianças superdotadas, usando programas especiais. Brasília treina professores de escolas públicas para identificar crianças com habilidades especiais. A Secretaria de Educação Especial do MEC recomenda ao professor que reconheça e responda à diversidade, acolha as diferentes potencialidades, características e ritmos de aprendizagem.

Até pouco tempo, usava-se apenas o teste de Q.I. para medir o grau de capacidade de um aluno. Hoje, ele é complementado por avaliações psicológicas, que medem as habilidades das crianças em várias áreas. Os testes, quando feitos, revelam, normalmente, no superdotado um Q.I. acima da média. Os testes são a última etapa de uma avaliação que analisa o comportamento da criança, seus interesses, habilidades orais e físicas e também a sua maturidade. Uma criança pode ser ricamente desenvolvida em uma área e nem tanto em outras. Há crianças, por exemplo, extremamente criativas, utilizam-se facilmente das palavras, inventam histórias e jogos, mas podem não ter nenhuma habilidade manual, com uma coordenação motora ruim.

A escola vive um momento importante de mudanças. Sempre trabalhou com o paradigma da igualdade; hoje o paradigma é da inclusão da diversidade. No meu artigo da semana passada eu dizia: “A escola deve valorizar a diversidade, mas valorizar, acima de tudo, a potencialidade do aluno”. Valorizando as potencialidades, ela estará valorizando as individualidades em suas diversidades.

O superdotado é um aluno dotado de altas habilidades numa determinada área, um aluno que se destaca, de alguma forma, do seu grupo. O professor percebe o superdotado quando o aluno apresenta habilidades acima da média, quando tem criatividade e, principalmente, persistência. Se o interesse do aluno é apenas de momentos, se não permanece, se não persiste, não se trata de um superdotado. A Associação Brasileira para Superdotados aponta que “as crianças superdotadas costumam ser bastante persistentes na busca por mais informações sobre assuntos que lhes interessam. Chegam a ser “chatas” de tanto que perguntam. Têm senso de humor e também senso de justiça, reagem positivamente a novos elementos e costumam ter idéias variadas sobre um mesmo assunto”.

Entre as habilidades da criança superdotada está a facilidade para aprender coisas novas, compreender uma explicação e uma memória privilegiada. Sua velocidade de aprendizagem é bem maior. A regra é passar tarefa extra porque o aluno termina antes e acaba atrapalhando a aula. Um dos recursos é pedir ao aluno que ajude os colegas nas tarefas da classe.

O aluno superdotado precisa de atividades que vão além da sala de aula, como desenvolver projetos. Programas específicos devem ser preparados, incentivando as habilidades especiais e acalmando sua inquietação. Programas que remanejam os melhores alunos para classes mais adiantadas, que conduzam os alunos do ensino médio a uma universidade para cursar aulas nos fins-de-semana, como ocorre em muitos países avançados.

Além das salas regulares, das aulas regulares, deve haver a sala de recursos, que complementa as atividades, onde o aluno tem meios e oportunidades de desenvolver as habilidades, de pesquisar, de exercer a criatividade. Levar o aluno fora do período normal a freqüentar outros grupos, dar formas de acesso a uma escola de pintura, de música, de dança etc., de acordo com seus interesses, é outro comportamento recomendado. Acima de tudo, a escola deve ensinar esse aluno a desenvolver as próprias habilidades.

A ESCOLA NO REPASSE DE INFORMAÇÕES

Izabel Sadalla Grispino *

A Secretaria Estadual de Educação, no propósito de se aproximar mais da escola, inaugurou um canal direto de informação para pais e professores. Os professores podem tirar dúvidas, discutir assuntos delicados, como drogas, aids, sexo, como lidar com alunos violentos, com uma equipe de especialistas, através de e-mail. Segundo informações da Secretaria, o Centro de Excelência do Professor, composto por profissionais ligados à universidade, terá três dias para responder às perguntas feitas por meio do site www.educacao.sp.gov.br

Os pais têm um telefone para comunicar-se diretamente com a Secretaria e fazer observações, reclamações de problemas ocorridos na escola dos filhos. Poderão ligar para 0800-770012, enviar e-mail ou mesmo ir pessoalmente à Secretaria, numa espécie de ouvidoria. Este contato direto abre a oportunidade de reforço nas soluções dos problemas que, até então, eram apenas da competência das diretorias de ensino, sem condições reais de resolvê-los satisfatoriamente.

Um outro comunicado, agora aos alunos, diz respeito às Escolas de Ensino Superior que, burlando a legislação, oferecem cursos não legalizados, por falta do credenciado da instituição no Ministério da Educação e Cultura.

Nossos estudantes precisam estar a par das prerrogativas oficiais empreendidas a seu favor. Para protegê-los de faculdades inidôneas, o MEC elaborou um cadastro do Ensino Superior, que pode ser consultado na internet e que relaciona cursos ilegais. Através do cadastro, o aluno verifica a situação legal do curso, evitando matricular-se, por desconhecimento, em uma instituição superior de ensino sem o credenciamento no MEC.

Um curso novo obtém, inicialmente, apenas a autorização do Ministério. Depois de dois anos deve pedir o reconhecimento, que é renovável a cada cinco anos. Somente os cursos reconhecidos pelo Ministério podem emitir diplomas.

O cadastro especifica a data da criação do curso, as vagas para alunos, o tipo de diploma conferido e o endereço da universidade pública ou privada. As informações, pelo sistema, são passadas de imediato, ao estudante. Ao pesquisar uma instituição, aparecem na tela os links para as notas do Provão e para a sua relação de cursos. A nota do Provão é importante porque cursos com três resultados consecutivos D ou E no exame perdem o reconhecimento.

Na relação de cursos, o aluno pode, também, clicar em cada um deles e ter as informações legais sobre o seu reconhecimento e autorização. As instituições podem ser procuradas pelo nome ou pelo município onde atuam.

A partir da criação do Cadastro do Ensino Superior, disponível no endereço eletrônico www.educasuperior.inep.gov.br, o estudante não tem mais desculpas para freqüentar uma faculdade sem credenciamento no MEC.

Ainda, sobre um outro aspecto, a escola, na sua função social, deve fazer chegar à comunidade, através das Reuniões de Pais e Mestres, de comunicados afixados em lugares apropriados, divulgação nos jornais da cidade, assuntos relevantes, ao conhecimento geral.  É  o  caso do Censo 2000 do IBGE, que detalha informações de vários interesses, que facilitam a escolha de iniciativas a serem empreendidas e a avaliar os fatores de riscos. Essas pessoas podem acessar um programa do computador que o IBGE está vendendo. É um software que oferece dados do Censo 2000 referentes a cada rua e a cada quarteirão de 1.058 municípios brasileiros com mais de 25 mil habitantes.

O software oferece informações sobre economia, informações sociais e culturais em cada um dos chamados “setores censoriais”, isto é, dos grupos de 200 domicílios, em média, que ficaram a cargo de um mesmo recenseador no último censo. São dados minuciosos, que permitem análises detalhadas, como, por exemplo, o grau de escolaridade de seus moradores, as faixas etárias, o perfil de consumo e, até mesmo, o grau de incidência de determinadas moléstias. Os dados coletados de cada setor censitário – grupo de 200 domicílios – permitem 1.659 cruzamentos diferentes, a respeito de quem mora naquela área.

O software permite um melhor planejamento de políticas públicas – uma antiga propriedade do IBGE – como o estudo de mercado de áreas geográficas específicas, um empreendimento que se pretenda abrir na região. O interessado encontra um conjunto substancial de dados, capazes de referendar ou não o empreendimento. Assim, quem pretende abrir uma escola num determinado local, pelo Censo 2000, pode identificar em que áreas de cada bairro está a maior demanda por pré-escola, com família de renda suficiente para pagar o atendimento. São cruzamentos de dados, como este, que o novo programa do IBGE permite fazer, possibilitando informações mais precisas para o sucesso do empreendimento.

Um outro exemplo esclarecedor da utilidade do programa, divulgado pela imprensa, refere-se a bens de consumo, como o carro. Os macrodados do Censo 2000 mostraram que no Sul e no Sudeste mais de 40% dos domicílios têm carro, enquanto que no Norte e no Nordeste não chegam a 15%. Esse fato é interessante para o planejamento empresarial e mesmo para o planejamento do trânsito, que acabam tomando conhecimento em que áreas de cada cidade há a maior concentração de domicílios com automóveis.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2002)

EDUCAÇÃO E SAÚDE

Izabel Sadalla Grispino *

O artigo de hoje é uma homenagem ao dia 12 de outubro, Dia da Criança, a esse raio de sol que ilumina os corações dos homens e traz esperança de um futuro sorridente, mais acolhedor, mais próximo de Deus.

Presentemente, uma das grandes preocupações com a saúde é a obesidade infantil. Comprovam as estatísticas que a criança gorda será um adulto gordo.

A obesidade, além de roubar energias para a prática esportiva, traz, já na infância, problemas de colesterol, triglicérides e até complicações coronárias, agravando-se à medida que o tempo passa, afirmam os especialistas. É preciso haver exercícios diários e controle de peso.

A ciência comprova a força dos alimentos naturais na promoção da saúde, na qualidade de vida. Surge a expressão alimentos funcionais, alicerces de uma dieta equilibrada.

Não é fácil a uma criança deixar de comer o que gosta, principalmente, chocolate, sorvete, batata frita, coxinha, croquete, pastel, frituras em geral. Tem que haver, por parte dos pais, uma intervenção sábia e cautelosa. Conversar, explicar, conscientizar, mas, para essa faixa de idade, o que parece plausível é uma substituição gradativa, na qual a criança não sinta corte pesado.

Dizem os nutricionistas que nada é proibido, desde que os itens saudáveis superem de longe o número dos não saudáveis. Não é preciso abrir mão das guloseimas, mas saber dosar, saber comer.

As pesquisas vêm mudando certos conceitos. O pão, por exemplo, já ocupou lugar privilegiado na pirâmide alimentar. Sustentava a sua base, mas, agora, sabemos que o pão de farinha branca, como o pão francês, tem um nível glicêmico alto e o açúcar é rapidamente absorvido como gordura subcutânea (sob a pele), não dá tempo para digerir. Ele tem, também, uma saciedade menor, logo se está com fome, de novo. Deve-se comer, de preferência, pão integral.

A quantidade aumenta de acordo com a idade. Quem tem mais de 8 anos, por exemplo, deve comer duas fatias de pão, em vez de uma. As cores dos alimentos, também, são importantes, sinal de alimentação equilibrada, de vitaminas variadas: cenoura, rabanete, alface, tomate, pepino..., cores diversificadas.

Quando o alimento for perecível, como queijo e derivados ou sucos, deve-se colocar nas lancheiras das crianças, mesmo nas térmicas, uma bolsinha de gelo.

Sugestões da nutricionista Maristela G. de Sá Francisco para o lanche:

  1. Fruta ou uma porção de carboidrato.

Exemplos:

● 1 fatia de pão, de preferência integral;

● 1 bisnaguinha (de soja ou integral);

● 4 bolachas (sem recheio);

● 1 fatia de bolo (35 g) do tipo formigueiro ou de cenoura (sem cobertura).

b) Uma fonte protéica.

Exemplos:

● 1 fatia de peito de peru;

● 1 fatia de presunto magro;

● 2 fatias de blanquet ou similar.

c) Um laticínio.

Exemplos:

● 1 queijinho do tipo polenguinho ou 1 fatia de queijo minas (30 g);

● 1 iogurte (190 ml).

Observação: 1 iogurte com cereais já soma os itens necessários, pois tem laticínio, proteína e carboidrato.

Quando o lanche tem requeijão ou queijo, deve-se incluir água-de-coco ou suco de caixinha.

Mediante esse modelo, os pais podem variar dentre os alimentos funcionais que compõem a pirâmide da boa alimentação, quais sejam (a partir da base para o topo da pirâmide):

● Alimentos integrais, na maioria das refeições;

● Azeite ou óleos vegetais;

● Verduras e legumes, à vontade;

● Frutas, 2 ou 3 vezes ao dia;

● Laticínios ou suplementos de cálcio, 1 ou 2 vezes ao dia;

● Peixe, frango e ovos, até 2 vezes ao dia;

● Castanhas, amendoim, feijão, ervilha, grão-de-bico, de 1 a 3 vezes ao dia;

● Carne vermelha e manteiga, consumidas moderadamente;

● Arroz branco, pão branco, batata, macarrão e doces, em consumo moderado.

Que os pais se alertem para a necessária alimentação saudável, desde a tenra idade da criança.

 

AO PROFESSOR E AO MÉDICO

Dois grandes sentidos, duas grandes datas, para a humanidade se aproximam: 15 de Outubro, “Dia do Professor”, e 18 de Outubro, “Dia do Médico”.

Educação e Saúde são os dois baluartes da vida humana. Educação forma para o bem viver e Saúde prolonga e ampara esse viver. Sem esses dois ingredientes a vida se perderia num labirinto, caminharia por ruas sombrias, sem luz. Perderia sua estrutura definida, sem bases humanístico-científicas, enveredando-se para o caminho das paixões, para o desfecho das contradições, na perda do equilíbrio.

Exalto, em forma de versos, os dois expoentes da vida: o Magistério e a Medicina, nas pessoas do Professor e do Médico:

 

MAGISTÉRIO E MEDICINA

(Louvores ao 15 e ao 18 de Outubro)

Todas as profissões têm no magistério

Seu ponto de articulação,

Após os 1.ºs passos, segue os próprios critérios,

Cada uma cumprindo sua nobre missão.

Magistério é tronco em ramificações,

Sua estrada tem começo, mas não tem fim,

Sustenta a linha divisória das profissões,

É vibração que circula em anéis de marfim.

Magistério é educação, é saúde,

É astro que irradia com convicção,

Ensinamento, que vai do berço ao ataúde.

A educação tem no magistério a força, o caminho,

A saúde tem na medicina o sol, a lua,

Não haveria o amanhã, sem a união das duas!

 

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em outubro/2005)

REUNIFICAÇÃO DOS ENSINOS MÉDIO E TÉCNICO

Izabel Sadalla Grispino *

A quebra de continuidade de um sistema ou de uma modalidade de ensino, sem comprovação de avaliação que a referenda, pode criar desencontros incompatíveis à boa formação do educando. Educação é um processo a médio e a longo prazo. É preciso, pois, um tempo para avaliar com propriedade os resultados que se quer alcançar.

Um governo lança um programa, mal toma posse o outro, modifica-o, iniciando novas posturas conflitantes. Foi o que aconteceu com o Exame Nacional de Cursos, o Provão, que avaliava a qualidade de ensino dos cursos de graduação, através do desempenho dos alunos, com uma prova aplicada, todos os anos, aos alunos que estavam concluindo o curso. Quando parecia que o processo ia tomar vulto, firmar-se, sinalizando melhorias no aprimoramento do ensino, é banido e substituído por um outro processo de avaliação, pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade).

Falta-nos uma política de Estado para educação, um pacto nacional envolvendo todos os partidos políticos, como vem acontecendo em países avançados. Políticas de educação têm maturação lenta, resultado de longo prazo.

O “Provão”, mais que o resultado das provas, trazia importante efeito sobre as faculdades, abrindo, entre elas, uma salutar concorrência, em direção à qualidade do ensino. O Enade fará uma avaliação por amostragem, duas vezes durante a graduação, no 2.º ano e no fim do curso, sendo tão-somente um aspecto de uma avaliação, que terá como foco a instituição. A avaliação dos alunos perde peso para a avaliação institucional.

Todo educador sabe que a avaliação é um processo contínuo, abrangente. Avalia-se todo o contingente educacional, o conjunto da estrutura institucional, o currículo, a pertinência dos cursos, em termos de exigência social, de mercado de trabalho, a infra-estrutura, a titulação do corpo docente, mas sabe, também, que é o resultado do aproveitamento emitido pelos alunos que define, prioritariamente, a qualidade da instituição.

Agora, deparamo-nos com a mudança de um outro sistema de ensino, que fora acolhido com entusiasmo quando de sua implantação em 1997, separando o ensino técnico do ensino médio, funcionando, até então, de modo integrado. Passaram a ser duas realidades distintas, pertencentes, contudo, a um mesmo sistema. O aluno para receber o diploma de técnico teria de freqüentar as duas realidades. O curso técnico, um ensino paralelo, não interferia no ensino médio.

O MEC lança a proposição de unificar, novamente, o ensino médio e o ensino técnico, permitindo a oferta concomitante e integrada dos dois tipos de ensino. A mudança permitirá ao aluno cursar a educação profissional numa escola regular; cursar os dois níveis de ensino numa mesma instituição ou em instituições diferentes. A conclusão dos dois cursos deverá ser unificada. A idéia é permitir que escolas profissionalizantes e também as da rede pública tradicional ofereçam um curso de nível médio com formação técnica, o que aumentaria de três para quatro anos a duração do ensino médio.

O MEC é de opinião de que o atual sistema prejudica o ensino técnico durante o ensino médio. Porém, o que poderá prejudicar o ensino técnico é a falta de uma boa formação acadêmica, que o ensino médio deveria proporcionar. O mercado de trabalho hoje pede um técnico com formação básica, com uma cultura geral mais abrangente, para poder enfrentar os desafios das inovações tecnológicas. O técnico necessita de formação geral para ajustar-se, com mais facilidade, a um mercado de tantas mudanças ocupacionais. Ele não pode ser um especialista apenas em sua função, precisa estar antenado, ter conhecimento geral, expandindo a visão. Só uma boa formação geral dará  ao estudante condições de exercer com êxito a função de técnico. O mercado de trabalho vem pedindo cada vez mais o que se chama de confluência de competências, um profissional pedindo ajuda a outro.

O ensino médio é um grande aliado da formação de técnico, deve ser levado muito a sério. A unificação das duas modalidades já foi experiência do passado. Surgiu com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, 5.692, de 1971, quando era possível discutir o conceito de “terminalidade”, em relação ao exercício profissional. Por essa lei, o aluno, ao cursar o 2.º grau, podia, de forma integrada, receber uma formação acadêmica e uma educação profissionalizante, obtendo o diploma de técnico. Constatou-se, posteriormente, que a preparação para o trabalho se enfraquecia e a parte acadêmica não trazia um resultado consistente.

É preciso encorajar, estimular o jovem a freqüentar as duas modalidades, o ensino médio e o curso técnico. Um complementa o outro, um reforça o outro. A necessidade de técnicos no País é premente, de técnicos afinados com a função, mas capazes de ramificar, de transitar entre ocupações afins, mobilidade que somente o conhecimento amplificado poderá lhe dar.

É um tanto temerário tentar unificar, novamente, os dois cursos, voltar a uma experiência malograda do passado.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2004)

UMA PROPOSTA DE MUDANÇA

Izabel Sadalla Grispino *

Num debate sobre educação e capital humano, após análise e conclusão da inoperante educação básica brasileira, surgiu por parte do emérito prof. Eduardo Giannetti da Fonseca, economista PhD, pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, professor titular e coordenador do Ibmec, em São Paulo, uma proposta de mudança, de valorização do ensino fundamental, que vale a pena divulgá-la, levar os educadores a tomar conhecimento e a refletir sobre ela.

Constata-se que no Brasil chega ao limiar do ensino superior uma camada de alunos que mal conseguiu atingir o nível de competência necessário para passar de ano e se formar no ensino médio. Esses alunos não adquiriram, em sua formação, as qualificações necessárias ao grau de educação básica e vão freqüentar o ensino superior carregando uma defasagem significativa.

O Pisa, uma avaliação internacional, comparativa entre países, mostrou que não apenas o Brasil ficou em último lugar, como apontou algo incrível: “As crianças que vêm da elite brasileira entendem menos o que está escrito no papel do que os filhos de operários em países da Europa”. Isso torna evidente que a questão da escolaridade, em nosso País, está mal resolvida.

A sociedade brasileira desperta lentamente para a importância da educação. É preciso, pois, avançar nesse terreno e aperfeiçoar a visão docente sobre a necessidade de mudança. Apoiado nesse pressuposto, Giannetti propõe um exame nacional unificado, no final do ensino fundamental. Propõe uma avaliação que mostre que quem passou por esse processo educacional demonstre que adquiriu habilidades e capacidades associadas a este grau de ensino.

O estudante não terá o ensino fundamental completo, simplesmente por ter cumprido os anos determinados por esse ensino. Ele o terá se passar num exame nacional, que vai testar se adquiriu as competências educacionais próprias desse grau.

É um processo semelhante ao exame da Ordem dos Advogados do Brasil. O formando não se torna advogado se não for aprovado no exame da Ordem. Assim, não terá ensino fundamental completo o aluno que não passar no exame.

Pondera Giannetti que o exame vai dar uma indicação da qualidade do ensino, mostrar onde estão as deficiências e por onde começar sua correção. Será um termômetro, fornecendo informações, incentivando as escolas a cumprirem bem o seu papel de ensinar e os alunos a se dedicarem ao estudo, visando sua aprovação no exame.

O exame será um credencial para os concluintes do ensino fundamental na hora de se conseguir um bom emprego. Comprova o grau acadêmico correspondente ao curso. A sociedade terá informações para saber se o aluno, em sua formação, adquiriu as qualificações próprias desse grau escolar.

Os estudantes que não passarem no exame deverão ter toda oportunidade de voltar a estudar, deverá ser criado algum tipo de curso extra, uma reforçada preparação e novas chances de participar dos próximos exames.

Para que não haja esfacelamento de provas, Giannetti propõe acabar com todos os demais exames oficiais – Neb, Prova Brasil –,  ficando apenas esse, de final de curso.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2006)

UMA PARADA PARA MEDITAR

Izabel Sadalla Grispino *

A situação precária em que o Brasil se encontra no terreno educacional vem de décadas e se acentuando com o passar do tempo. Não é falta de alerta, não são vozes isoladas que se manifestam, mas a seriedade norteadora de ações governamentais, fortes e abrangentes, continua diminuta.

São análises internas que se encontram e se completam nas análises de organismos externos. O quadro que se apresenta da educação brasileira é desolador, deprimente, revelam-nos recentes pesquisas do Pnad e da Unesco. A que ponto chegou o tão conceituado magistério do passado! E pensar que se fala em desenvolvimento, em crescimento da economia, como se o Brasil tivesse se pautando por princípios sustentadores dessa evolução!

O ponto forte de todo desenvolvimento, ninguém hoje ignora, é um povo qualificado, portador de ferramentas educacionais consistentes; é a formação escolar das novas gerações, gerações estas, que, no País, não estão sendo educadas para enfrentar o mercado de trabalho do amanhã.

A pesquisa que o IBGE acaba de divulgar, abril de 2006, sobre dados relativos a 2004 do Plano Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad), mostra a ineficiência do nosso sistema educacional. Ineficiência que recai sobre a população brasileira, apresentando uma larga margem de analfabetos e analfabetos funcionais.

De acordo com a pesquisa, um quarto da população com idade igual ou superior a 15 anos tinha menos de 4 anos completos de estudo, em 2004. São pessoas que só sabem escrever o nome e têm dificuldade em operações matemáticas, em ler manuais de instrução. São os chamados analfabetos funcionais.

Revela a pesquisa que jovens na faixa etária entre 18 e 24 anos, idade em que deveriam cursar uma faculdade, 58,5% continuam no ensino fundamental ou no ensino médio. Com relação à população adulta, pessoas com 25 anos ou mais, a situação piora. Em 2004, 27,9% tinham, no máximo, 3 anos de estudo e só 7,8% haviam concluído 15 anos ou mais de escolaridade.

O Norte e o Nordeste apresentam maiores ineficiências que o Sudeste. No Norte, os analfabetos funcionais correspondiam a 29,1% da população com mais de 15 anos, em 2004. No Nordeste, a proporção era de 37,6%, contra 18,1% do Sudeste e 13,6% na região metropolitana de São Paulo, a mais industrializada do País.

No País, o tempo médio para a conclusão do ensino fundamental é de 9,9 anos, porém, em 6 dos 9 Estados do Nordeste, ele é de 11 anos ou mais, contra 8,7 anos em São Paulo. Constata-se, ainda, que no Nordeste 73,2% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos ainda cursavam o ensino fundamental ou médio, em 2004, e só 16,4% estavam matriculados no ensino superior. No Sudeste, a proporção chegava a 43,7%.

Como pensar num País gigante com uma geração de jovens tão despreparada? Com esse penoso cenário da educação brasileira e sua má qualidade de ensino, fica evidente o tamanho do desafio que o País enfrenta, quer na inclusão, em termos de escolaridade, quer no avanço profissional.

Para reforçar e comprovar a nossa ineficiência educacional, o relatório “Educação para Todos 2006 – Professores  e Educação de Qualidade”, lançado em 25 de abril de 2006 pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, mostra que o Brasil é, na América Latina, um dos países com menor grau de formação de seus professores.

Segundo o relatório, os professores de 1.ª à 4.ª série (92%) têm apenas o magistério, definido pela Unesco como ensino médio completo, mais 1 ou 2 anos de estudo. Apenas Nicarágua e Panamá, entre os países da América Latina, estão na mesma situação que o Brasil. A Argentina tem 67% dos seus professores do primário com ensino superior; o Chile, 92%.

Embora a qualificação dos professores vem crescendo, a pesquisa coloca o País junto com a Indonésia e Egito, países que precisam de um grande esforço para garantir que os professores primários tenham ensino superior.

O Brasil continua entre os países com maiores taxas de repetência do mundo, 21%, igual à da Eritréia e Moçambique, maior que a de Ruanda e Lesoto. “A repetência reflete más condições de ensino e aprendizagem e aumenta a pressão sobre os professores e sobre os recursos nacionais”, diz o relatório.

Dar uma boa formação aos professores para melhorar o nível de ensino continua sendo uma batalha nacional. O Brasil vai precisar de mais 396 mil professores até 2015 para manter o atendimento no ensino básico, para assegurar a universalização. O que se constata é que o número de alunos no ensino básico vem diminuindo, assim como a quantidade de crianças em idade escolar, por causa da queda da mortalidade.

Quanto ao salário dos professores, encontramos problemas, embora, quando comparado com outros 11 países da América Latina e Caribe, que têm dados nacionais, o Brasil não está mal, mas perde de longe para o México, país que tem economia semelhante à nossa.

O relatório da Unesco conclui que os professores são poucos, ganham pouco e sabem pouco. Esse relatório é um estudo comparativo sobre a qualidade de ensino e as necessidades globais, que se enfrentarão até 2015. Dos 142 países avaliados, o Brasil está entre os que apresentam os piores resultados, abaixo do Haiti, tido como a nação mais atrasada das Américas.

A distância do preparo que necessitam as novas gerações, para colocar o País em condições de vencer, é muito grande, tornando-se, a cada passo, mais complexas!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2006)

VIDA: CONCEITUAÇÕES E CURRÍCULO ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

Para os psicólogos “A vida é para ser vivida”, isto é, desfrutada. Esta foi a primeira conclusão a que chegou um estudo, publicado em 2003 pela revista britânica Journal of Humanistic Psychology, sobre o sentido da vida. Partilha dessa visão o ex-presidente dos Estados Unidos Thomas Jefferson. A segunda conclusão é dos que acreditam que o sentido da vida é “amar, ajudar e prestar serviços aos demais”. Estão nesse grupo o físico Albert Einstein e o líder indiano Mahatma Gandhi. Uma outra visão, agora pessimista, é de que a vida simplesmente não tem sentido. Pensavam dessa forma Sigmund Freud, criador da psicanálise, e os escritores Franz Kafka e Jean Paul Sartre. Finalmente, um número menor de entrevistados dizia que a vida é simplesmente “uma piada”. Entram aqui o cantor Bob Dylan e o escritor Oscar Wilde.

Um outro aspecto da vida que divide a humanidade diz respeito às religiões, ao humanismo e ao racionalismo. O cristianismo, por exemplo, professa que Deus é essencialmente amor e quer ser acolhido por adesão livre. Ele, como as outras religiões,  liberta o homem do mal, purifica e eleva a alma, trazendo uma realização plena. As religiões pregam o amor, o diálogo, a paz, a misericórdia, atributos que levam à libertação. Se assim não for, não é religião, não está pregando o sentido de religiosidade.

Há os que dizem que o humanismo cristão seria o responsável pela desertificação do universo, aquilo que Max Weber chama “o desencantamento do mundo”. São convictos de que o cristianismo despovoou a natureza dos deuses e das entidades mitológicas, concentrando toda a sacralidade na figura do homem. Assim, para eles, o mundo transformou-se em coisa inanimada, uma representação sem interioridade, “casca vazia autopsiada pela ciência e abertamente manipulada pela tecnologia. O sol visível do mundo foi ofuscado pelo sol invisível do espírito” (Vicente Ferreira da Silva).

Estamos vivendo uma época de febre racionalista. Os defensores de uma cultura agnóstica acreditam que a humanidade seria mais civilizada e feliz se se libertasse das “amarras” espirituais. Acreditam que a religião, sutilmente, empurra o homem a um sentimento místico, desfavorável à sua libertação total.

Para as coisas da alma não há muito que explicar. Lembro, aqui, Santa Bernadete, a dos milagres de Lourdes, na França, que, apertada por inquisidores, disse: “Não adianta explicar para os que crêem, não é necessário; para os que não crêem, não adianta”.

Transportando essa conclusão para o magistério, percebemos como nele o conceito é real. Se o magistério não acreditar, não vai realizar. São Tomé dizia, em relação à calúnia, é preciso ver para crer. Em relação ao magistério, o processo é o inverso: é preciso crer para ver. Na montagem do currículo, a escola tem necessidade de definir sua concepção filosófica, religiosa. Discutir, ao lado do aspecto intelectual do ensino, a questão moral, ética do comportamento humano. A desordem mundial, o agravamento dos problemas sociais, mostram-nos o quanto a educação moral dos jovens vem falhando. São lançadas na torrente da população levas de jovens sem princípios, sem fé, sem religião, sem sustentação de alma e com conseqüências desastrosas.

A função primeira da escola é o conhecimento, mas, também, formar o cidadão. Ela deve se definir em termos do ser humano que quer formar, da visão de mundo que quer projetar. Deve discutir sua concepção de educação e através dessa concepção criar seus critérios de avaliação e formular toda sua linha pedagógica.

A discussão do humanismo e do racionalismo é importante, porque as duas correntes marcam a humanidade. O ardor racionalista encontra-se subentendido nos textos comemorativos do cinqüentenário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Neles, nota-se a apologia da razão, do sonho da libertação pela razão, contrapondo-se à corrente espiritualista que preconiza o sonho  da  libertação  pela  religião.   Goya,  em uma célebre pintura, cunhou a frase: “Deus e o sonho da liberdade” e o grande escritor Dostoiewski, através de um personagem, diz: “Se Deus não existe, então, tudo é permitido”.

Estes são exemplos que devem perpassar as diretrizes do currículo, a fim de se conseguir uma atitude uniforme de seus membros. Deve-se ir além, às suas linhas norteadoras acrescentar, como queria o nosso  Paulo Freire: “a necessidade de se formar homens e mulheres capazes de sonhar, idealistas, práticos, capazes de transformar seus sonhos em realidade. Precisamos conscientizar os jovens da importância do investimento em si próprio, em sua cidadania. Conscientizá-los a fazer frente à realidade, colocá-los por dentro dos problemas que os envolvem na atualidade e subsidiá-los para atuar preventivamente”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2004)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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