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Artigos Educacionais

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CRÉDITO EDUCATIVO PARA O UNIVERSITÁRIO

Izabel Sadalla Grispino *

Como o estudante deve orientar-se na busca do crédito educativo? Surgiu recentemente, cerca de um ano e meio, o financiamento privado do ensino superior. São créditos educativos oferecidos por empresas particulares, por intermédio da própria universidade. A pesquisa feita pela CM Consultoria, realizada em junho p.passado, com 86 universidades privadas revelou que os financiamentos privados estão previstos em 18% das instituições.

Os alunos cursam a faculdade e começam a pagar a dívida um ano após terem se formado, dividindo a prestação em muitos anos. A adesão a esse crédito educativo explica o aumento do número de vagas em faculdades particulares na última década, atraindo alunos com baixo poder aquisitivo. Ele tem combatido a inadimplência que, segundo o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino (Semesp), gira em torno de 25%.

Uma outra modalidade é o Financiamento Estudantil (Fies) do governo federal, que cobre até 70% das mensalidades de alunos carentes.

Cada financiamento tem suas regras, mas todos cobram juros mais altos do que os do Fies e mais baixos do que os bancários. O financiamento do governo cobra 9% ao ano, os privados trabalham com taxas que vão de 1,5 a 3,5% ao mês, e os bancos chegam a cobrar 2% ao mês, dependendo do tipo de crédito e da instituição. Todos exigem um fiador, além de bom rendimento escolar.

Se o aluno estiver com a documentação em dia, o financiamento é rápido, em duas semanas o contrato é assinado. Pelo Financiamento Estudantil (Fies) é preciso esperar abrir a concorrência para as vagas, provar a falta de recursos e aguardar o resultado da seleção.

Conhecer as opções de financiamento ajuda a esclarecer a situação. O aluno deve analisar a proposta, os valores, antes da contratação. Há a Ideal Invest, que cobre até 35% da mensalidade, com juros de 1,5% ao mês. Exige fiador e bom desempenho escolar.  A  dívida  pode  ser paga em até 8 anos. Para maiores informações sobre a Ideal Invest acessar: www.idealinvest.com.br

A Finvest, do grupo Unibanco, também oferece uma linha de crédito educativo para 10.000 clientes. O empréstimo pode ser usado para todos os níveis de ensino, do fundamental à pós-graduação. A dívida pode ser paga em até 3 anos, os juros vão de 2% a 3,9%. Acessar: www.finvest.com.br

O Siemesp criou o Centro Brasileiro de Desenvolvimento do Ensino Superior (Cebrade), cuja principal função é administrar bolsas de estudo restituíveis. Administra bolsas de 1% a 100% em diversas universidades cadastradas. Depois de um ano de formado, o beneficiado devolve esse dinheiro para a instituição, pelo preço da mensalidade na época em que ele for pagar.

O Financiamento Estudantil (Fies) é um programa do governo federal. Financia até 70% da mensalidade, com juros fixos de 9% ao ano ou 0,75% ao mês. Exige bom desempenho escolar. A dívida pode ser paga em até uma vez e meia o tempo do financiamento. Para conseguir o financiamento do Fies, o estudante deve se inscrever e passar por seleção. O Fies exigia fiador, mas uma liminar da justiça suspendeu a obrigatoriedade. Segundo o coordenador do Fies, Leonel Cunha, o pagamento das fases de amortização é fundamental para que o Fies abra novas vagas a cada semestre. “O Fies depende do retorno dos financiamentos para poder financiar novos estudantes. Se cada estudante beneficiado tomar consciência de que o pagamento é que permite a entrada de outro jovem num curso superior e que, se cumprir pontualmente as fases de amortização, será mais fácil manter o Fies em bom funcionamento, com um risco menor de inadimplência”.

Para os estudantes que não podem pagar de forma alguma, o governo está propondo a criação do Programa Universidade para Todos (ProUni), que tem como objetivo a concessão de bolsas de estudo aos mais pobres sem a necessidade de reembolso. Mais informação sobre o ProUni está na pagina do MEC (www.mec.gov.br http://www.mec.gov.br/)

Antes de pegar um financiamento, aconselha-se o estudante a pedir uma simulação das parcelas que vai pagar e do total da dívida. Assim ficará sabendo se poderá arcar com o compromisso.

É grande o número de estudantes precisando de algum tipo de auxílio para cursar o ensino superior. Dar a este estudante a chance de freqüentar uma faculdade, de se auto-afirmar, eleva consideravelmente sua auto-estima. A má distribuição de renda, gerando contrastes sociais, é o que mais afeta a auto-estima de nossa população. Um estudo do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, com base no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), analisou o desempenho de estudantes ricos e pobres, mostrando significativas vantagens ao estudante rico. O aluno rico que usa computador, internet, TV por assinatura alcançou média de 63 pontos numa escala de 0 a 100, enquanto o jovem pobre chegou apenas a 41 pontos. Bens culturais, uma boa situação socioeconômica, fortalecem e propiciam o desenvolvimento das potencialidades do educando.

A pior das constatações é de que a distância entre os alunos de famílias de alta renda e os de baixa renda tende a crescer. Os alunos pobres, necessitados de melhores condições de ensino, são os que menos recebem em termos de qualidade de escola.

Alertemo-nos, dando-nos as mãos – governo, empresas, associações e sociedade agindo juntos – para garantir um futuro mais promissor à classe menos favorecida.

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em outubro/2004)

ESCOLA E FORMAÇÃO DE VALORES, POR SUA EDUCAÇÃO INTEGRAL

Izabel  Sadalla Grispino *

Tem-se hoje que a evolução humana é basicamente cultural. O fator genético permite posturas biológicas iguais, mas só é possível alterar o futuro de uma criança investindo em sua educação. Segundo estudos do Genoma, tudo o que somos tem razão genética, porém, costumes, características de vida são incorporados a partir de uma herança cultural local.

Educação é um processo constante de renovação. Educador é a pessoa compromissada com o outro. Para se achegar ao outro e ajudá-lo, deve inserir-se num mundo que exige atualização constante, revisão sucessiva de métodos e técnicas. Ele tem a função da pesquisa, da reflexão contínua sobre sua prática pedagógica do dia-a-dia, colocando-a a serviço da exigência atual.

O ensino escolar não pode estar desvinculado do que acontece no mundo. O mundo ficou muito complexo e tem, com razão, intimidado o professor. Transformar a escola é uma grande revolução. O professor, em geral, tem deficiência de formação, tem dificuldade para adequar o programa à realidade vivida pelos alunos, e fica, assim, preso ao livro didático. Ele é um profissional gravemente injustiçado, desvalorizado. Aviltantes salários forçam-no a uma sobrecarga de trabalho, roubando-lhe tempo precioso à sua reciclagem. O próprio MEC revela que baixos salários, falta de infra-estrutura das escolas e baixa qualidade de vida constroem o quadro de fracasso escolar que se vê hoje.

Johan H. Pestalozzi (1740-1827), um clássico da Pedagogia e considerado o pai da educação integral, dizia: “O amor é o instrumento da educação”. É esse amor que inspira o professor, que o leva a sublimar sua função, caminhando em correspondência ao pensamento: “Mesmo correndo entre pedras, as águas cumprem sua missão. As árvores plantadas são testemunhas disso”.

Recentes pesquisas têm mostrado que a grande maioria das escolas vem-se negligenciando da parte formativa do aluno, com reflexos negativos no comportamento social. A escola tornou-se uma entidade repetitiva de informação, sem priorizar a educação integral, nos aspectos: cognitivo, afetivo, psicomotor. A educação integral engloba comportamento e conhecimento. A construção do conhecimento, o desenvolvimento das habilidades, devem processar-se paralelamente à formação do educando. Formação das capacidades cognitivas de caráter geral e formação de valores, de ordem ética, moral e religiosa.

A abordagem holística do homem é hoje prioritária em todos os setores. No diagnóstico da doença, examinam-se componentes genéticos, emocionais e ambientais. Saber ler, escrever, contar, raciocinar, é pouco, tem que haver a cultura mais profunda da alma, do sonho, da criatividade.

A escola precisa repensar sua atuação e, num processo de reeducação, tornar-se uma unidade formadora de caráter, de cidadania.

Cidadania não é ensinada como uma disciplina, ela se aprende na vivência, na convivência. É um exercício que se conquista na exigência da ética, da justiça. É o respeito que se tem pelo outro, por sua identidade, pelos bens alheios, pelo patrimônio coletivo, pelo sentido de igualdade de condições. Implica em comportamento responsável, em noção de limite, dentro do preceito de que o direito de cada um termina onde começa o do outro. Já dizia Rui Barbosa: “Educa-se muito mais pelo exemplo que pela doutrina”.

Estamos vivendo uma sociedade violenta, individualista, arbitrária. Formam-se grupos oportunistas, que não têm outra finalidade senão a de se promover e a de tirar proveito do outro. O outro só existe como elemento de conveniência. Uma sociedade onde os fins justificam meios ilícitos, desumanos, onde Deus é uma presença vaga, indefinida, distante. Uma sociedade sem luz, sem fé.

É, principalmente, neste quadro social que se pensou na volta do ensino religioso como obrigatório, não mais como facultativo, conforme reza a Constituição.Por tudo isso, começa haver uma preocupação de educadores de que valores sociais, como amizade, amor, solidariedade, cooperação, lealdade... devam fazer parte dos currículos escolares. Montam projetos que vêm de encontro à proposta do MEC, quando fala em currículos transversais. Permeiam a educação com temas transversais, como política, sociedade, sexualidade, droga, ética, cidadania e outros.

São temas tratados não como disciplina específica, mas como um espaço a ser discutido em sala de aula, por um componente ou por vários. Dependendo da abrangência do tema, projetam atividades interdisciplinares, como um leque de assuntos ofertados. Cada disciplina encontrará um conteúdo correspondente.

É a escola exercendo sua função social na orientação dos jovens, na formação de uma sociedade mais humana, mais ordeira, criando vínculos de inter-relações humanas.

Até recentemente, o grande objetivo da escola era preparar o aluno para o futuro. Hoje, o grande intento é prepará-lo para o presente, para a resolução de seus problemas imediatos, de suas necessidades atuais. Preocupa-se com sua inserção em uma sociedade produtiva, ética, solidária, capaz de ajudá-lo, de maneira saudável, a se realizar. A escola faz uma ponte, ligando a percepção do aluno entre o que aprendeu e a vida. Ele se apodera do saber e aplica-o à sua vida do dia-a-dia, vivencia na escola comportamentos salutares e os desenvolve na comunidade, na sua vida social. A  aprendizagem vai se processando a partir de sue próprio interesse e das condições ambientais que o cercam.

A escola trabalha o presente, ousa, alça vôos, para alcançar o futuro. Busca integrar-se no conceito apregoado pelo consultor americano Michael Hammer: “O segredo do sucesso não é prever o futuro. É preparar-se para um futuro que não pode ser previsto”.

Para tanto, diferentemente do passado, o aluno não consome, mas produz o conhecimento e, assim, como o professor, torna-se um pesquisador permanente, um observador zeloso das relações interpessoais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2000)

RESPOSTA A UMA ALUNA DO CURSO NORMAL

Izabel Sadalla Grispino *

Foi com satisfação que li a mensagem, enviada a mim, através do jornal Guariba Notícias, de Maria Aparecida Monteiro, em véspera de se formar professora.

Maria Aparecida é aluna do 3.º ano do Curso Normal do Instituto de Educação Professora Marisa Serrano, da cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Seu curso termina agora, em 30 de junho.

Citarei trechos de seu e-mail, enviado à redação do jornal: “ ... Venho agradecer as matérias da professora Izabel Sadalla Grispino, que têm sido de grande ajuda para o meu desempenho na escola. Levo os textos para a sala de aula para ser discutido com o grupo, pois, sempre, têm o que nós precisamos. Uso, também, para os meus portfólios os textos de meditação, que sempre nos trazem momentos de reflexão... Nós do Instituto de Educação Professora Maria Serrano, OMEP/BR/MS, agradecemos a sua colaboração, através de seus trabalhos, publicados no jornal Guariba Notícias, o qual recebo regularmente. Maria Aparecida Monteiro, Campo Grande/MS”. (Publico, semanalmente nesse jornal, junto ao artigo educacional, uma poesia para meditação).

Maria Aparecida, seu e-mail cativou-me pelo processo adotado na aquisição do conhecimento. Sua curiosidade leva-a ao método construtivista, de pesquisa e análise, ao encontro de uma metodologia ativa, concreta, interativa.

Você faz, exatamente, o que tem que ser feito: não é apenas ler o texto, mas discuti-lo em grupo, chegar a conclusões, fixar os conceitos emitidos e traduzi-los em práticas educativas, na sala de aula, junto aos alunos.

A sua vontade de aprender, a sua responsabilidade perante a função, a conduzirão às instâncias superiores do saber. Tenho fé em sua futura atuação docente. Você já desponta com brilho no cenário da educação, tal distinguida abelha obreira, fabricando mel para a colméia, tal soldado engajado na luta pelo engrandecimento da Pátria.

Que bom que meus estudos, frutos de suadas lavras, estejam caindo em terra fértil, adubando-a para a rica colheita! Avançar pelo critério de mérito, pela luz do conhecimento, é caminho que consolida toda e qualquer carreira profissional.

Parabéns pela iniciativa,  espero  que  esse processo de aprender a aprender percorra toda sua existência. Se quisermos nos manter em alto nível nessa sociedade do conhecimento, não podemos jamais deixar de lado a educação continuada.

Amanhã, a Nação, por suas famílias, seus jovens, pela sociedade, agradecerá seu ilustrado devotamento à causa da educação, na luta por um ensino de qualidade, o único capaz de dar respostas ao mundo globalizado, em que vivemos.

Abraços e louvores a você.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2007)

CORRELAÇÃO ENTRE SISTEMA E APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

O sistema de ensino interfere no resultado da aprendizagem? Determina o rendimento escolar?

O Estado de São Paulo, por sua Secretaria da Educação, realiza mudança na avaliação da progressão continuada do ensino fundamental. A progressão continuada, implementada no Estado em 1998, dispunha que as avaliações para efeito de promoção ou retenção deveriam ocorrer de 4 em 4 anos, na 4.ª e na 8.ª série. Agora, em 11 de maio, entrou em vigor um novo sistema de avaliação para os alunos da rede pública estadual. Todas as escolas vão adotar um mesmo padrão de médias bimestrais, com notas em números inteiros que vão de zero a 10. Os valores decimais devem ser arredondados para cima. 4,2, por exemplo, na média anual do aluno será arredondada para 5, sendo esse aluno aprovado. Esse arredondamento para cima, praticamente, nada significa em termos de aprendizagem, é, antes, visto como um estímulo ao aluno.

A medida visa mudar a avaliação da progressão continuada, que passa a ser de cada dois anos e não mais de quatro. Avalia nas 2.ª, 4.ª, 6.ª e 8.ª séries, para efeito de promoção ou retenção. Esse novo sistema vai unificar os tipos de avaliação das escolas da rede.

Acredito na viabilidade dessa mudança. Um espaço menor de tempo para uma avaliação conclusiva, aproxima o professor do resultado da aprendizagem de modo mais concreto, mais real. Ele não se perderá pela extensão do ciclo. Ciclos com duração maiores pedem mais do professor, em termos de organização, de controle, de acompanhamento, com elaboração de fichas minuciosas de registros das observações realizadas.

O sistema de ciclos, pedagogicamente, é visto como ideal para a aprendizagem. Sua metodologia observa as fases do desenvolvimento infantil, o processo de construção do conhecimento, o ritmo das crianças, conforme estipula Jean Piaget. Traz como base de sustentação o atendimento individual, requerendo um número menor de alunos por classe.

Este sistema vem acompanhado de uma estrutura – observação constante, avaliação contínua, recuperação paralela, aulas de reforço e recuperação no período de férias – que deve permitir a recuperação das defasagens. Contudo, é preciso que a escola se conscientize de que esses passos da aprendizagem, adotados pelo sistema de ciclos, fazem parte de não importa qual outro sistema. O importante não é, propriamente, o sistema, mas a forma como o professor ensina.

Sob esse aspecto, o meu livro “Prática Pedagógica” traz um estudo detalhado sobre a formação do sistema de ciclos, no ensino fundamental. Entre outras considerações, eu digo, na pág. 181: “Percebemos o quanto o ponto capital, para o sucesso do ensino, está visivelmente calcado na formação do professor, seguido de suas condições de trabalho. Podemos, ainda, perceber que não haverá mudanças se a cabeça do professor também não mudar, como argumentou Elba de Sá Barreto. Tem que haver mudança de mentalidade. Demerval Saviani acrescenta: “Enquanto as escolas operarem em condições precárias e com professores mal preparados, não há como esperar um resultado alentador”.

No tópico do livro “Formação deficiente dificulta a reforma do ensino” (pág. 43) ressalto: “O ensino ministrado nas escolas é muito mais o ensino organizado pelos professores, por sua forma de pensar, agir, por seu nível intelectual, do que aquele sistematizado pelos órgãos centrais”.

Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em junho/2007)

UM PANORAMA DO ENSINO RURAL

Izabel Sadalla Grispino *

O Brasil começa a despertar para o ensino rural. Estudos vêm mostrando claras diferenças educacionais entre o campo e a cidade, mostrando que a área rural ainda é um mundo muito diferente da cidade.

Embora a população rural vem decrescendo nos últimos 30 anos, reduzida em mais de um terço, a escolaridade no campo dobrou. O número de crianças matriculadas no ensino fundamental cresceu 21%, mostrando que a escolaridade dos jovens no campo avança, mas representa apenas a metade da população escolar urbana.

O Instituto Nacional de Estatísticas (Inep) revelou dados, em setembro de 2004, que mostraram que 28% dos jovens, acima de 15 anos no campo, ainda são analfabetos – dois terços a mais do que o índice registrado nas cidades. Na cidade, em média, a população tem 7 anos de estudo. No campo, 3,4 anos. A distorção idade-série chega, no campo, a 65% das crianças matriculadas. Na cidade, é de 50%.

Um estudo feito no mesmo ano pelo grupo permanente de educação do campo do Ministério da Educação (MEC) revela o quanto o ensino rural necessita de assistência por parte governamental. Uma grande parte das escolas rurais funciona em precárias condições, com um mínimo de qualidade e sem meios de atender a toda população, embora concentre mais da metade das escolas brasileiras, 97 mil de 169 mil existentes.

Mais da metade das escolas possui apenas uma sala de aula e 64% são multi-seriadas, nas quais se concentram alunos de várias séries numa mesma sala, com apenas uma professora. Para completar a deficiência do ensino, o estudo constata que boa parte dos professores, que ensina no campo, tem formação inadequada. Permanecem nas escolas até completarem sua formação, quando então pedem transferência para a cidade, onde ganham mais. Apenas 9% dos professores têm ensino superior completo.

A oferta de vagas para as crianças de 4 a 6 anos é apenas de 25% da sua necessidade. O atendimento na pré-escola e no ensino médio é bem pior, está muito abaixo do necessitado, apenas 4,5% dos estudantes encontram vagas.

O censo escolar de 2002 mostrou que 94% dos estudantes do ensino médio, que moram na área rural, estudam nas cidades e se valem de um transporte escolar. Muitos alunos acabam evadindo-se da escola ou migrando para a cidade. O censo do IBGE de 2000 encontrou 690 mil adolescentes entre 15 e 24 anos, vindos do campo, morando em cidades.

Em agosto de 2004, no 2.º Encontro sobre Educação no Campo, realizado em Brasília, a migração para a cidade foi um dos problemas apontados. O relatório do evento apontou a necessidade de adaptação do currículo para as necessidades do campo, respeitando os períodos mais sobrecarregados, como, por exemplo, o da safra, o do plantio, incluindo conhecimentos típicos das atividades rurais.

Além da adaptação do currículo às atividades rurais, seria interessante levar ao cotidiano das populações rurais, através da escola, ciência e tecnologia ao alcance dessa população. Exemplos desse tipo de tecnologia são os elencados no programa que cria a rede de tecnologias sociais, como: soro caseiro, que já salva a vida de milhares de crianças por todo o País. A construção de cisternas e de unidades de tratamento de água, articulada à higiene e à produção de hortaliças e legumes. As famosas barraquinhas de captação de água das chuvas, evitando erosão, enchentes e assoreamento. As águas captadas alimentam o lençol freático e tornam perenes rios e córregos temporários.

A escola, voltada às necessidades e aos interesses dos habitantes do campo, conquista essa população e atua com mais propriedade. O Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep) nos forneceu o seguinte quadro comparativo entre ensino rural e ensino urbano:

Anos de estudo – população com 15 anos ou mais:

Área urbana, 1971 = 4,1; 2001 = 7,0;

Área rural, 1971 = 1,2; 2001= 3,4.

Analfabetos – população com 15 anos ou mais (%):

Área urbana, 1971 = 22,1; 2001 = 9,5;

Área rural, 1971 = 55,6; 2001 = 28,7.

Matrículas no ensino fundamental (milhões):

1971 – área rural = 5,1; população rural = 41,1;

2001 – área rural = 6,2; população rural = 27,2.

Escolas com uma sala (%)

Área urbana, 1971 = 28,9; 2001 = 0,8; 2003 = 0,9;

Área rural, 1971 = 80,7; 2001 = 53,9; 2003 = 49,9.

O entendimento sobre a necessidade de escolaridade nos dias de hoje alastra-se para os quatro cantos do mundo. Felizmente, esse entendimento chegou à população rural, onde os pais começam a perceber que se os filhos não estudarem vão ter uma vida igual ou pior que a deles. Pouco a pouco, caminha-se para a redenção!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2005)

A QUANTAS ANDA O VESTIBULAR?

Izabel Sadalla Grispino *

O vestibular tem sido questionado ao longo de sua existência. Já passou por várias modificações e, na presente data, a Fuvest – o maior vestibular do País – acaba com as questões divididas por disciplina. Quer medir os conhecimentos gerais do aluno.

O vestibular vem se aproximando do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem),  uma prova nacional, gratuita, anual, interdisciplinar, realizada pelo Ministério da Educação, aos alunos do 3.º ano, em que cobra habilidades e competências e não conteúdo.

Além do fator psicológico que envolve o aluno, deixando-o ansioso, tendo que resolver seu futuro por uma única prova, o vestibular é focado no conhecimento acumulado, sem chances de avaliar as capacidades e o potencial do aluno. Ainda, pelo vestibular, o estudante tem que definir sua carreira, numa escolha, muitas vezes, feita sem convicção, pela inexperiência, pela falta de maturidade em virtude da pouca idade. O estudante abraça um caminho que posteriormente venha desistir.

Algumas universidades já oferecem alternativa ao vestibular. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, foi a pioneira em aplicar um vestibular seriado, com avaliações feitas ao longo dos três anos do ensino médio. A própria Fuvest admite a possibilidade de criar vestibular seriado, onde o aluno escolheria entre as três avaliações feitas durante o ensino médio e o vestibular tradicional.

Recentemente, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) ponderou ser este ano de 2006 o último a realizar vestibular nos moldes habituais. Quer uma outra forma de seleção de seus alunos. O pensamento corrente é usar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Mudanças na estrutura do curso de graduação estão sendo estudadas pela universidade, apresentadas em um novo projeto. Haverá a criação de um ciclo básico de três anos, igual para todos os alunos, independentemente de carreira pretendida. O aluno terá liberdade para escolher as disciplinas de todas as áreas, permitindo uma abertura maior entre elas.

Dessa maneira, o aluno não ficará limitado às suas áreas, desconhecendo as demais. Os cursos ficarão mais longos. Após o ciclo básico, o aluno escolherá o seu curso, que será de mais três anos. Contudo, será admitido ao curso pretendido o aluno que tiver acumulado uma boa nota ao longo do ciclo básico. Os alunos, que não obtiveram notas suficientes para começar os cursos específicos, terão um diploma de bacharelado pelos três anos cursados.

Esse modelo de universidade já havia sido proposto pelo grande educador Anísio Teixeira, para a Universidade de Brasília (UnB), que por razões políticas não fora aceito. Nos EUA e em países da Europa, o sistema é parecido. A Universidade Federal do ABC, em Santo André, recentemente inaugurada, aplica sistema semelhante.

Esse modelo de universidade ganhou os meios educacionais. Foi bem recebido, bastante discutido. O ponto central recai sobre o projeto pedagógico dos três anos do ciclo básico. Deve ser bem equilibrado, conectado com as diversas áreas, apresentar um currículo articulado, interligado, sendo, ao mesmo tempo, específico e generalista.

A escolha das disciplinas, sua dosagem, abrangência e especificidade, é tida como chave para o sucesso desse período de ciclo básico, encaminhando o aluno, com base e visão  suficiente, para uma acertada escolha da profissão.

Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em outubro/2006)

ENSINO A DISTÂNCIA

Izabel Sadalla Grispino *

A educação a distância caminha, no Brasil, lentamente. Esse ensino se faz há muito tempo, mas, a ausência do professor, em sala de aula, tem colocado empecilho à freqüência do curso. Todos querem um professor dando aula, por isso o modelo da aula virtual, em que o conteúdo exposto está à espera que os alunos se interajam, não funciona bem. Eles não dispensam a figura do professor. Há uma forte resistência por parte dos alunos à passagem da aula presencial para a aula a distância.

Porém, surge um novo sistema que vem reforçar a aula virtual, aliando TV, internet, telefone celular, estimulando as faculdades a evoluir, deixando de ser conservadoras. As novas tecnologias de ensino a distância, criadas pela Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP) com as empresas Ibir Inteligent Business Solutions, de Campinas (SP), e Sector Tecnologia, de Blumenau (SC), revolucionam as aulas via satélite.

Utilizam-se de computador básico, TV, webcom, mesa de edição simples e acesso à internet em banda larga e esses equipamentos fornecem várias possibilidades para montar cursos. O sistema permite ao aluno, junto à presença do professor, se ele estiver acompanhando a aula pela internet no momento em que está sendo ministrada, usar um ícone na tela e interpelar virtualmente e fazer perguntas ao professor. Há, ainda, a possibilidade de assistir a aulas gravadas.

O novo sistema quer conquistar o aluno, dando-lhe várias oportunidades de participar ativamente da aula. Com uma webcam simples, o estudante poderá, também, aparecer ao vivo para os colegas virtuais. Se estiver estudando por meio da TV a cabo, poderá usar o próprio controle remoto para interagir ou o telefone celular, por meio de mensagens de texto, tipo SMS. Os pesquisadores estão desenvolvendo uma nova ferramenta que vai possibilitar a participação do aluno por telefone, com voz e vez de mensagens de texto.

Nessa aula virtual, o professor pode lançar uma questão, por exemplo, de múltipla escolha. Quando os alunos responderem, ele terá em sua tela um gráfico que aponta os erros e os acertos da classe. Tem, assim, uma resposta imediata sobre o aproveitamento dos alunos e a partir, de então, decidir a seqüência do conteúdo.

O foco do projeto Escola do Futuro está, por todo País, em cerca de 90 canais universitários. Mas, a tecnologia pode ser usada por empresas que queiram treinar funcionários ou até mesmo pequenas comunidades que possuem um canal de transmissão. No caso de instituições de ensino privadas, o projeto é vantajoso, segundo os desenvolvedores do sistema. Uma instituição que decida criar duas mil vagas pode economizar até R$ 5,4 milhões em investimento em infra-estrutura. O ponto crucial fica revertido à qualidade do programa, fazendo inclusão social com uma educação eficiente.

A educação a distância atua em vários universos. O Telecurso 2000 tem 500 mil alunos. Temos, atualmente, cerca de 1,5 milhão de pessoas fazendo uso da educação a distância dentro de empresas, como a Petrobrás. Temos 3 milhões de pessoas fazendo algum tipo de curso a distância, no Brasil. O novo sistema ajuda a criar novos cursos em áreas que não eram exploradas.

Esses recursos virtuais, movimentando e estimulando a participação do aluno, têm a propriedade de atrair candidatos a essa modalidade de ensino a distância. As novas tecnologias propiciam uma nova mentalidade e trazem a esperança da sonhada democratização do conhecimento.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2007)

GERAÇÕES DE BRASILEIROS SEM-DOCUMENTOS

Izabel Sadalla Grispino *

Um ponto sério de reflexão é a geração, que o País tem formado, dos sem-documentos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) manifestou-se, em janeiro de 2003, dizendo não ter idéia de quantos brasileiros estão nessa situação. O Instituto não tem dados sobre quantas são essas pessoas; oficialmente elas não existem. São pessoas que não têm nenhum documento, nem mesmo o registro de nascimento. Não têm carteira de identidade, CPF, carteira de trabalho, PIS, nem título de eleitor. São adultos e crianças sem documentos! É desumanidade sem tamanho!

O demógrafo da pesquisa estatística sobre os registros civis, Antônio Tadeu de Oliveira, diz que o IBGE não tem um dado sobre os brasileiros adultos sem documentos. “Essa é uma estatística inexistente e é justamente entre os adultos que o problema é mais difícil de ser combatido”. Sem documentos, uma pessoa não pode votar, fazer o alistamento militar, receber qualquer benefício, como aposentadoria ou pensão. Também não pode ser incluída nos programas sociais do governo federal.

O cadastro único para identificar os beneficiários de programas do governo federal exige pelo menos um documento para que a pessoa possa ser inscrita. A orientação dada para as prefeituras é de registrar em arquivos à parte, para quem não tem documentos e de como regularizar a documentação. Exige-se pelo menos um documento para evitar pessoas fictícias ou duplicidade. Até o fim de dezembro de 2002, havia 5,5 milhões de famílias cadastradas e 5.400 pessoas notificadas como sem nenhum documento.

Os dados mais aproximados são os dos cartórios, mostrados pelo IBGE em “Estatísticas do Registro Civil”, em dezembro de 2000, quando 21,3% das crianças nascidas no País não foram registradas no mesmo ano, o que equivale entre 700 mil e 1 milhão de crianças. Em 2000, a estimativa era de 3,4 milhões de nascimentos. Cerca de 3,2 milhões de crianças nasceram em hospitais, mas houve apenas 2,5 milhões de registros. Poderiam  ter sido registradas pelo menos mais 700 mil crianças nascidas em hospitais, fora as que nasceram em casa.

Os chamados sub-registros afetam não só os dados de nascimento, mas também os óbitos. O IBGE, em seu levantamento de 16 de dezembro de 2002, estima que, nas regiões Norte e Nordeste, 48,2% e 35,6% dos nascimentos não foram registrados em 2000. O sub-registro de mortes tem proporções semelhantes, 33,2% para o Norte e 42,7% para o Nordeste. Essa ausência de registros interfere negativamente em outras estatísticas que são calculadas, baseando-se nos registros. É o caso da taxa de mortalidade infantil, com cálculo que surge estimado pelo IBGE, pela falta de dados reais. Em alguns Estados do Nordeste, o sub-registro de óbitos chega a 60%!

São nas regiões mais pobres do País que se encontram as maiores taxas de sub-registro de crianças. No Sudeste, a taxa cai para 6,3%, no Sul é de 11,3% e no Centro-Oeste, 19,7%.

Os dados do Registro Civil divulgados mostram que, na década de 90, houve aumento dos registros tardios, aqueles feitos depois de 3 meses do nascimento do bebê. Registros com até 10 anos de atraso eram de 25,6% em 1991. Subiu para 30,3% em 2000. Mas, mesmo notificando com atraso, muitos brasileiros passaram a registrar seus filhos. Essa situação evidencia-se melhor, segundo o IBGE, em anos de eleição, quando os políticos têm interesse em ampliar o eleitorado, ou em anos em que há campanhas de registro civil gratuito, como ocorreu em 1999.

A lei 9.534, de dezembro de 1997, determina que sejam gratuitos os registros de nascimento e morte. Outra lei, a 6.015, determina que a criança seja registrada até 15 dias depois do nascimento, sendo que o prazo é ampliado para 3 meses, em lugares que estejam a mais de 30 km da sede do cartório.

Embora ainda altas, as taxas de sub-registro melhoraram nos últimos anos. Em 1991, 29,2% das crianças brasileiras não eram registradas. Até 12 anos de idade, a certidão pode ser tirada sem problemas, desde que os pais estejam com os documentos em ordem. Depois há dificuldades suplementares.

O sub-registro é uma questão que precisa ser tratada com muito interesse pelos organismos competentes. É uma parte triste de nossa história, onde a miséria e a ignorância se completam. O sub-registro envolve o problema da cidadania. Quem não tem certidão de nascimento não existe oficialmente e não pode exercer seus direitos. Sobrevive sem existir legalmente, dependendo de favores para qualquer atividade formal.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em janeiro/2004)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

FUNDO DE DESENVOLVIMENTO DO ENSINO BÁSICO

Izabel Sadalla Grispino *

O Ministério da Educação elaborou um projeto de emenda constitucional, que institui um novo fundo para a educação no País, o Fundeb, que deverá substituir o atual Fundef. Quer garantir que toda a verba para a educação dos Estados e dos municípios seja aplicada no ensino básico e não só no fundamental, englobando, dessa maneira, a creche, a educação infantil, o ensino fundamental, o médio e incluindo o supletivo.

O Fundeb, que se chamará Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico, será enviado ao Congresso Nacional para discussão.

O Fundef, Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério, com início de funcionamento em 1.º de janeiro de 1998, teve forte contribuição no aumento de número de alunos, dos 7 aos 14 anos, no ensino fundamental.

O que se quer, agora com o Fundeb, é ampliar as matrículas para todo o ensino básico, fazendo crescer, com o aumento do número de alunos, a quantidade de recursos para o fundo. Segundo Francisco Chagas, responsável pelo recém-criado Departamento de Financiamento da Educação do MEC, o Fundeb terá 25% da receita dos Estados e municípios (não mais 15% do Fundef), que pela Constituição, devem ser vinculados à educação. A idéia é, também, diminuir as diferenças regionais, que permaneceram com o Fundef. A lei que criou o Fundef dizia que o valor anual mínimo por aluno, determinado pela União, deveria ser reajustado periodicamente, para que nunca fosse inferior à razão entre a receita do fundo e a quantidade total de alunos e isso, segundo consta, nunca foi respeitado. O projeto, de acordo com Chagas, vai propor um piso salarial nacional para professores. Hoje, 60% dos recursos do Fundef são direcionados para os salários dos professores e o restante para o custeio.

A aprovação do Fundeb  vai depender da  discussão com governadores e com prefeitos. Há, ainda, o problema com o financiamento do ensino superior, que, em alguns Estados, é incluído na verba da educação.

O Fundeb e o Fundef têm estrutura semelhante. As diferenças fundamentais consistem em que: O Fundef atende apenas alunos do ensino fundamental e 15% da arrecadação dos quatro principais impostos dos Estados e municípios são destinados ao fundo. O Fundeb atenderá alunos desde a creche até o ensino médio e inclui a educação de jovens e adultos, via supletivo. Todo o dinheiro vinculado à Educação, 25% da arrecadação dos Estados e municípios, vai para o Fundo. Em ambos, a partilha dos recursos é feita em cada Estado e todos os municípios recebem um mesmo valor por aluno. Quando o Estado não atinge um valor mínimo estipulado por aluno, o MEC repassa o restante.

O Fundeb se bem formulado e bem aplicado será, sem dúvida, uma iniciativa de relevância. Poderá contribuir para colocar mais crianças e mais adolescentes em salas de aula, aumentando, em todos os níveis da educação básica, o número de vagas a serem preenchidas. A movimentação financeira, segundo consta, será a mesma do Fundef, ou seja, a divisão do dinheiro ocorreria dentro de cada Estado. Os recursos depositados no Fundo seriam distribuídos para todos os municípios, de acordo com o número de alunos matriculados no ensino básico das redes estadual ou municipal. Essa divisão contaria, também, com o valor anual mínimo por aluno, estipulado pela União.

O Fundef criou, com propriedade, o chamado controle social e acompanhamento das verbas a ele destinadas. É um conselho formado por representantes de pais de alunos, professores, servidores, prefeitura e conselhos de educação. Mas, o que ocorre é que, em muitos municípios, ele não vem funcionando a contento. Em fins de julho, encerrou-se o prazo para que os municípios enviassem os dados sobre os conselheiros, como nomes, telefones e outras credenciais. Das 5.561 cidades brasileiras, 4.717 atenderam a solicitação.

Francisco Chagas, por informações recebidas, conclui que “muitos conselhos não funcionam por vinculações com a prefeitura, mas, também, por serem formados por pessoas que não foram indicadas pelos seus pares – pais ou professores – ou porque a prefeitura não libera a documentação necessária para o acompanhamento efetivo”.

O conselho é um importante canal de fiscalização e de controle das verbas destinadas, por lei, à educação. Deve ser respeitado, estimulado a um bom desempenho em todos os municípios e por todos envolvidos no projeto em questão. São constantes as denúncias de desvio de verbas ou de repasse de verbas a outras instâncias, que não a educacional.

O Fundeb é o amadurecimento do processo desenvolvido no Fundef. Como serão distribuídas as verbas, pelos graus de ensino, ainda não foi divulgado.

* Supervisora de ensino aposentada.  
(Publicado em agosto/2003)

PROFESSOR , UM AMIGO

Izabel Sadalla Grispino *

Sentado em sua mesa de trabalho, atolada em papéis, os olhos cansados do mestre não conseguiam  enxergar para  além do prédio escolar. A montanha de papéis impedia a visão da flor por ele plantada.

Parou, por um instante, de trabalhar e passou a cismar. No seu imaginar, ele via um bosque florido, com águas cristalinas, pássaros revoando e lindas crianças brincando. Eram crianças loiras, morenas, olhos azuis ou castanhos, de trajes elegantes, engomados. Era o vale do sol das crianças bem nascidas e que, no amanhã, se tornariam os adultos bem posicionados na sociedade. O bosque lhes pertencia, não por herança de família, mas, por herança cultural e econômica. Eram elas quem iriam, no futuro, comandá-lo.

Essas crianças, filhos da classe dominante, estavam sendo preparadas para perpetuar, na sociedade, o “status quo” reinante. Os portões do bosque ficavam trancafiados, só se abrindo para os privilegiados.

Passaram-se longos e longos anos e a situação permanecia a mesma. Um dia, veio a redenção e timidamente os portões foram se abrindo para os mais necessitados. As crianças pobres, brancas e negras, carentes e maltrapilhas, foram pedindo licença e tentando entrar. Com passos lentos, incertos, buscavam a luz do vale. Mas, essa luz demorava a chegar e mesmo estando no bosque se deparavam com a escuridão, com o abandono.

A diferença cultural as afugentava, as eliminava do bosque, que, em obediência à tradição, continuava a cuidar dos mais abastados. Depauperadas, desnutridas, não conseguiam alcançar a agilidade e o conhecimento dos colegas ricos e do bosque se evadiam, continuando sua peregrinação de excludentes sociais.

Contudo, com o entrelaçamento das classes sociais, o bosque adquiriu uma outra identidade e, com isso, as crianças ricas foram se deslocando, indo para outras paragens, formando novos bosques iluminados, novos vales do sol.

O bosque tornou-se reduto da maioria pobre; porém, o bosque, fiel a seus hábitos seculares, continuava preso ao passado, programando-se para uma elite, agora, inexistente. Continuava a manter um perfil de atendimento caracterizado por uma alta seletividade. Abrindo-se para as classes populares, o bosque não se reformulou para atender a uma população diferente da que estava acostumada a receber. Não ponderou sobre a mudança da clientela, ficando, assim, desajustado, desajustando as pobres crianças.

Nessa altura, o professor saiu do seu sonho, voltou à razão. Levantou-se da cadeira e passou a caminhar desolado. Foi, então, interpelado por uma criança pobre que lhe estendeu a mão e esperou a sua. Olhava o professor com olhos interrogativos, interpretados assim pelo professor: “Ajude-me, mestre, a transpor o imenso obstáculo que advém de minha pobreza, da dificuldade que  sinto diante do aprender, da imensa dificuldade que têm meus pais em me mandar à escola. Ajude-me a participar da vida do vale, não como pária, como marginalizado, mas como um cidadão ativo, responsável e capaz.

Um estalo de consciência lampejou a mente do mestre e tocou seu coração. Entendeu o sentido de uma educação ministrada com solidariedade e eqüidade social. Entendeu a pedagogia do oprimido de Paulo Freire. Conseguiu compreender a função social da escola, o grande Destino que sua missão lhe confere, na transformação do mundo, na formação de uma sociedade mais igualitária, mais humana, menos injusta.

Abraçando a redenção, rendeu compromisso com a pobreza. Sua convicção contagiou seu colega, e esse a outro e juntos decidiram escalar a montanha de papéis e permitir que todas as crianças cheguem ao vale do sol.

O professor é um eleito, um escolhido, um ser especial. Só ele tem em suas mãos a força de lançar a semente e fazê-la germinar tanto em crianças pobres como em ricas, promovendo o progresso social, estruturado não no autoritarismo, não na luta desigual, mas na igualdade, na caridade e na fraternidade cristãs.

Não podemos anular pedagogicamente o direito social à educação. “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda” – Paulo Freire.

O professor  precisa assumir sua função de agente da transformação social, diminuindo a distância entre o que diz e o que faz. Se a escola é determinada socialmente, é também, ao mesmo tempo, determinante social e será tanto mais transformadora quanto mais competente e mais solidária for sua atuação. Ao tornar o ensino acessível à maioria da população, a escola contribui efetivamente para a democratização da sociedade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2002)

NOVAS EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Atualização constante, reciclagem de conhecimentos, experiências educacionais em sintonia com as mudanças mundiais, são pré-requisitos para uma segura atuação docente.

A educação básica tem se preocupado cada vez mais com a educação integral. Na educação infantil, fase da formação do caráter, o ambiente escolar é focado na educação. Garantem-se todos os direitos da criança, especialmente o de brincar. Brincando, ela vai aprendendo regras, noções de ordem, espaço. Torna-se mais independente, sabe escolher e é mais sociável.

Escolas há que vêm adotando novas propostas educacionais. Nelas só se ouve, praticamente, a voz dos alunos. Entendem que o professor não precisa levantar o tom de voz para falar a uma criança. Ela compreende o que se quer dizer quando se fala olhando diretamente nos olhos. Nessas escolas, apesar de bem pequenas, as crianças não andam em filas, não sentam em carteiras enfileiradas e não são obrigadas a desenvolver nenhuma atividade que não queiram. Primam pela individualidade e independência. Contudo, observa-se que as crianças respondem prontamente aos chamados, o que, geralmente, são convites para atividades agradáveis, programadas.

Os estímulos para a aprendizagem estão por toda a parte, desde as pinturas no chão, até as cestas de lixo. A criança vai adquirindo visão das coisas, de modo mais saudável, mais ordeira. Elas se encarregam de transmitir à família, aos pais, conceitos adquiridos na escola, como, por exemplo, costumam chamar atenção quando alguém joga papel na rua ou quando alguém fala palavrão. A criança é um grande veículo de educação na comunidade.

As escolas trabalham muito integradas com os pais. A pintura dos desenhos do chão é, por exemplo, mudada periodicamente e os pais oferecem-se para fazer retoques, assim como participam diretamente de outras atividades.

Ultimamente, vem-se notando que os pais estão ficando cada vez mais dependentes da escola. Eles delegam à escola parte da responsabilidade que são deles e o reflexo dessa transferência é o aumento da procura pelo ensino em período integral. O que parece é que eles dão excesso de liberdade aos filhos, necessitando, depois, de freios externos. Outros não sabem como lidar com certos problemas, como o das drogas e necessitam da ajuda da escola.

É preciso que os pais se conscientizem de que a escola tem um papel complementar na educação de seus filhos, embora faça parte de seu papel discutir sexo, drogas, cidadania, valores morais, respeito ao meio ambiente...

Uma pesquisa realizada pelo Sistema Anglo de Ensino, no fim de agosto do corrente ano, com pais de alunos matriculados em escolas de educação infantil, até em cursinhos do País todo, revela que os pais querem uma escola disciplinadora, que discuta todo tipo de assunto com seus filhos, em especial as drogas. O estudo foi realizado com 16 mil famílias de classes A e B que têm filhos em escolas particulares e mostra essa dependência dos pais às escolas, fato que os educadores e psicólogos já haviam constatado na prática.

Quando questionados, em três itens principais, sobre o que os levariam a mudar o filho da escola, a resposta, em ordem decrescente, foi: a) problemas com drogas (68,9%), b) o aumento das mensalidades (43,8%) e c) o pouco rigor na disciplina (32,4%). Sobre as características mais importantes que os levariam a escolher uma escola, os pais colocaram, em primeiro lugar, o bom ensino e os bons professores (74,1% das respostas), em segundo, um “método moderno” (50,4%) e, em seguida, a mensalidade adequada ao orçamento (35%). Segundo o Sieesp, a mensalidade média, na rede particular em São Paulo, gira em torno de R$ 500,00.

Os pais ao serem consultados sobre o que esperam da escola com relação às drogas, deram as seguintes respostas: 71,6%, orientação e campanhas de combate ao uso; 64,5%, fazer parcerias para programas de prevenção; 27,9%, repelir duramente e 3,4%, não deve tratar do assunto.

Uma outra séria questão diz respeito à orientação de prevenção, para crianças de 4 a 6 anos, à aids e a doenças sexualmente transmissíveis. Até pouco tempo, discutia-se a viabilidade de tal precocidade, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) já aplica este novo modelo no Canadá, na Holanda, na Dinamarca e em Cuba, como medida de proteção à saúde, desde a educação infantil.

No Brasil, há uma proposta nesse sentido, quando, pela primeira vez, ela está sendo discutida pelos Ministérios da Saúde e da Educação, com o objetivo de criar uma política nacional de promoção à saúde nas escolas, que iria da educação infantil ao ensino médio. Entende-se que prevenção envolve o desenvolvimento, desde a infância, de competências para a vida, o que a OMS chama de life skills, como assertividade, auto-estima, capacidade de negociação, relações de gênero. Entende-se que prevenção a DSTs, aids e uso abusivo de álcool e outras drogas não pode se limitar à adolescência e deve ir além da abordagem específica desses assuntos.

As crianças que interiorizam esses conceitos desde cedo têm, segundo os especialistas, mais chances de chegar à adolescência menos vulneráveis. Para a consultora do Ministério da Saúde, Marina M. Valadão, “só se deve falar diretamente em camisinha, droga e aids para crianças de 4 anos se elas perguntarem. E elas perguntam e muito; estão sendo bombardeadas com mensagens erotizadas na TV e nos outdoors”. Como os pais não falam com facilidade de drogas e sexualidade, sobra para a escola abordar esses assuntos.

Para transmitir essas orientações, o Ministério da Saúde fornecerá aos professores, que lecionam desde a educação infantil, a partir de janeiro, amplo material de apoio, onde “aparecem sugestões de atividades específicas para estimular nos alunos formas de pensar que, no futuro, poderão se traduzir em prevenção”. O Ministério da Saúde vem buscando integrar-se ao MEC, para ilustrar conjuntamente os professores.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2003)

PRÓS E CONTRAS A RESPEITO DA INFORMÁTICA EDUCACIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

 

Temos nos artigos anteriores falado sobre novas tecnologias aplicadas ao ensino-aprendizagem. A tendência de informatizar o ensino, desde os primeiros passos, vem crescendo na metodologia escolar. Crianças que aprendem a ler e a fazer as primeiras contas com o apoio de softwares educativos e, já na fase inicial do ensino fundamental, preparam trabalhos pesquisando na internet. Essas crianças estudam e divertem-se e dizem gostar mais dos computadores que dos livros.

Contudo, há pedagogos e professores que discutem o uso da informática para crianças das primeiras séries. Tentam avaliar o uso do computador nessa fase de ensino para saber se ajuda ou não a aprendizagem. Alguns afirmam, categoricamente, que não ajudam, como a pesquisadora da educação, a canadense Alison Armstrong, que esteve na cidade de São Paulo, no início de maio deste ano, na abertura do IX Congresso Internacional de Educação.

Ela é autora do livro “A criança e a máquina” – como os computadores colocam a formação de nossos filhos em risco. Diz: “Não há nenhuma pesquisa que indique concretamente que a informática aplicada nas primeiras séries ajuda no rendimento das crianças”. “O que há é muita propaganda das empresas de informática, muito entusiasmo por parte de pais e professores, muito dinheiro empregado, mas nenhum dado científico respaldando esse esforço”, arremata ela. Alison cita uma pesquisa feita pelo Educational Testing Service, de New Jersey, que analisou dados de um levantamento nacional sobre o desenvolvimento educacional em matemática nos EUA e que chegou à conclusão de que o uso freqüente de computadores leva a um efeito negativo nas notas da matéria dos alunos que cursam até o equivalente à 3.ª série. Acrescentou: “No Canadá, a mais famosa experiência de informática na educação não conseguiu tampouco levantar evidências de que os computadores melhoram a educação das crianças pequenas”.

Há outros pronunciamentos dizendo que só se podem medir os efeitos, no rendimento dos alunos com acesso aos computadores nas escolas, após um prazo de 6 ou 7 anos. Mas, uma grande maioria é adepta à informatização precoce. A doutora em Educação Andrea Cecília Ramal defende o uso da informática antes mesmo da fase de alfabetização. É autora do livro “Educação na Cibercultura” – Hipertextualidade, Leitura, Escrita e Aprendizagem. Cito algumas de suas frases: “Um dos elementos de ouro da internet para a educação é o hipertexto. O texto linear tem uma estrutura, já é pré-definidio, enquanto que no hipertexto as crianças definem os seus próprios caminhos e fazem conexões como diversos assuntos”. “Há programas para crianças de 5 anos, que as ajudam a fazer relações mentais e cognitivas, que normalmente só fariam mais tarde, quando estivessem alfabetizadas”. “A geração da cibercultura vem absorvendo, com a internet, um novo paradigma mental, que no futuro fará, dessas crianças, adultos com maior capacidade de aprender por si mesmas e de participar”.

Não está sendo fácil conduzir o professor a essas inovações. Uma pesquisa da Apple Computer concluiu que os professores levam de 5 a 6 anos para mudar seus métodos de trabalho, até conseguirem usar o computador de forma a beneficiar os alunos. Professores, porém, que já se adaptaram à máquina, opinam favoravelmente ao seu uso, consideram mais fácil colocar na cabeça dos alunos questões de química, física ou matemática, fazendo simulações no computador. O computador facilita a aprendizagem, dizem eles. A escola aproveita o conhecimentos dos alunos em tecnologia – hoje, eles estão rodeados pela informática – envolvendo-os com mais interesse na aprendizagem das matérias. “Eles contam os minutos para ir ao laboratório de informática e ficam mais motivados”, constata a professora M. Cecília Olivieri, do Colégio Amália Franco.

Na verdade, as escolas, para se adequarem ao mercado de trabalho, estão investindo cada vez mais em tecnologia, aprimorando o aprendizado. A internet ajuda a criar ambientes de aprendizagem por meio da educação a distância e tem sido grande aliada nos trabalhos feitos em casa pelos alunos. As grandes escolas particulares já contam com laboratórios de informática.

Há quem ainda ache que o uso do computador e recursos multimídias levam o aluno para longe do livro, mas é quase unanimidade, por parte dos professores, de que o uso da tecnologia só tem a acrescentar e a facilitar o entendimento das disciplinas.

O questionamento sobre o uso do computador, nos primeiros anos escolares, leva escolas a não utilizarem, nas séries iniciais, a chamada informática educativa. Prioriza, para esse período, no projeto pedagógico, as relações humanas, uma aprendizagem mais aberta, mais de contato com os colegas e com os professores, na linha da canadense Alison Armstrong.

Escolas que definem seu projeto pedagógico, tendo o computador como suporte, precisam estar bem preparadas para que haja um bom uso da tecnologia. Isso vai exigir-lhe um grande investimento, manter um corpo docente bem informado, com domínio da máquina. Investimento em compras, em manutenção, em móveis ergonômicos e investimentos, de igual monta, em treinamento de professores.

Temos, hoje, empresas que atuam no desenvolvimento de programas de ensino, por meio da internet. Desenvolvem estudos em tecnologia, para facilitar o aprendizado nas escolas, preparando profissionais da educação para o uso da informática.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2002)

EDUCAÇÃO: CONFUSÃO ENTRE ORDEM DIRETA E INVERSA

Izabel Sadalla Grispino *

Tenho em meus artigos, reiteradas vezes, chamado a atenção para o baixo nível de ensino de nossas escolas oficiais. Tenho tentado mostrar a necessidade de se desenvolver nas escolas um ensino de qualidade, único fator capaz de nivelar, de dar oportunidade de igualdade a todos os cidadãos, independentemente de cor, raça ou classe econômica. O ensino de baixa qualidade das escolas oficiais vem se traduzindo, cada vez mais, em mecanismo de reprodução das desigualdades sociais existentes. A importância de uma educação de qualidade na vida pessoal e social já foi exaustivamente delineada, em várias ocasiões.

A preocupação abrange o particular e o geral, o indivíduo e a nação. Enquanto o mundo se ilustra, países, como o Brasil, se deslustrando, acabam por cair em descrédito internacional, no estado de pobreza. Como fica o país despreparado frente à globalização? Como fica a concorrência com os países fortes, com seu povo culto, evoluído? Que patamar, no “ranking” mundial, alcançará nosso Brasil, nessa avalanche de conhecimento que toma conta do planeta?

Todos os países do primeiro mundo cultuam seus centros de excelência, que abrangem as melhores universidades. No Brasil, ao que parece, a tendência é a de desperdiçar esse potencial, eixo gerador de grandezas. Existe um projeto de lei, de autoria do senador Antero Paes de Barros, que determina a reserva de 50% das vagas nas universidades estaduais para alunos das redes públicas. Este projeto já fora aprovado na Comissão de Educação do Senado,  em caráter terminal – sem votação em plenário – por acordo entre os partidos. Na semana passada, para espanto dos educadores, a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou projeto semelhante, quase que por unanimidade; dos 68 deputados presentes, apenas um deixou de votar a favor.

Como admitir reserva de vagas por decreto, não importa a que tipo de aluno, sem um critério de qualidade, sem uma prévia avaliação do conhecimento? Que conseqüências socioculturais e econômicas advirão desse procedimento infundado? Um aluno sem boa formação terá condições de acompanhar um curso de alto nível? Ou se espera o contrário, que a universidade de desqualifique, arrebaixe seu padrão, aviltando seus critérios? Se essa última hipótese não vier acontecer, a conseqüência será o desânimo do aluno, sua desistência, seu fracasso profissional. Para atender ao perfil do novo ingressante, a universidade terá de criar programas de adequação curricular e, sem dúvida, com impacto na estrutura dos cursos.

O projeto parte do pressuposto de que só alunos das escolas particulares conseguem entrar nas universidades públicas, gratuitas, o que é absolutamente verdade. Mas, por que isso acontece? O que gera a injustiça? Dedução óbvia: a péssima formação recebida nos graus de ensino anteriormente freqüentados por esse aluno. Uma etapa vencida, num determinado padrão, gera outra, no mesmo padrão. Há coerência no trajeto percorrido.

Saltar de repente, sem base de sustentação, é se desfacelar na caída. Pulo de gato só em alpinistas sociais, em educação não funciona. O ingresso à universidade se constitui na legitimação de um processo de seleção anterior. Vamos pensar sério, agir sério, deixar a demagogia, o populismo inconseqüente. Vamos qualificar o aluno pobre, dando mais atenção, mais verba para a educação básica; vamos investir, equiparar, humana e materialmente, nossas escolas oficiais às escolas particulares, melhorando o seu ensino. Assim, não precisaremos inverter a ordem natural das coisas e dos fatos, camuflar valores, colocando a carroça diante dos bois e criando confusão entre ordem direta e inversa.

O ensino superior deve ser seletivo, deve receber os melhores preparados, na perspectiva do maior padrão possível de ensino. É preciso que os educadores se alertem, que reajam contra essa incongruência, que vai acabar no mesmo poço fundo da desigualdade social, com a agravante de arrastar junto as nossas melhores universidades.

Já se denunciou a inconstitucionalidade do projeto, quando a Constituição Federal, em seu inciso I, artigo 26, reza preceito contraditório a esse procedimento: “O ensino será ministrado no Brasil com base no princípio da igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”. O correto é, pois, dar igualdade de condições a ricos e a pobres e deixar que as vagas sejam daqueles que as conquistarem pela competência, pelo conhecimento adquirido. Sem uma educação de qualidade qualquer esforço por igualdade social é inútil.

Não se forma uma grande nação por decreto; forma-se pelos passos que essa nação desenvolve, pelas oportunidades que cria, pelos olhares, competentes e honestos, que dirige ao desequilíbrio da balança social, buscando justiça na eqüidade. A reserva de vagas, a alunos supostamente despreparados, só faz transferir o problema para a universidade, reflete negativamente sobre o nível superior oficial, nivelando-o por baixo.

Amanhã é Natal.  A todos meus prezados leitores votos de um dia feliz, extensivos ao ano inteiro. Que os sentimentos de paz, de amor, de fé, de que é portador, permaneçam junto a nós para sempre. Este ano, o Natal inspirou-me os versos, que publico a seguir.

NESTE NATAL

Quero, neste Natal, mãos que se tocam,

Vidas que, na alma, bondade estocam,

Quero a poesia alimentando a ilusão,

Sabendo que Jesus é coração.

Do papai-noel quero ajuda à pobreza,

Crianças sem fome, sem ar de tristeza,

Que partilham da mesa farta,

Junto ao presente, a esperançosa carta.

Neste Natal não quero iguaria,

Não quero a ceia ornamental,

Nem pedras enfrentando a artilharia.

Quero a graça de ver o mundo em paz,

Criança palestina em terra natal,

O amor expulsando satanás.

 

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em dezembro/2000)

CRIANÇAS COM SOBRECARGA DE ATIVIDADES

Izabel Sadalla Grispino *

Recentemente, deparei-me, num jornal de língua espanhola, com um tema que julguei assaz interessante, oportuno, real e que, sob a minha ótica, comento com os meus prezados leitores.

Os jovens vivem num mundo que muda num ritmo acelerado, caracterizado por pressões sociais que os fazem crescer muito depressa. São pressionados a adaptar-se a padrões familiares instáveis, a assumir compromissos, a ingressar mais cedo nas universidades, a participar e a competir nos esportes, em destrezas especializadas. Enfrentam informações e programas  para adultos antes que tenham vencido os problemas próprios da idade.

Estas pressões impõem-lhes maiores responsabilidades, causam-lhes estresse, ao mesmo tempo que redefinem a essência mesma da infância, esclarece o psicólogo Joan Isemberg.

A criança e o adolescente, de hoje, participam de atividades extracurriculares cada vez mais numerosas e exigentes. São atividades tidas como armas para o futuro, as quais, se não dosadas, podem tornar-se estressantes. Elas dividem o seu tempo entre a escola, os esportes e um sem-fim de tarefas.

A escola de meio período pode não cobrir todas as necessidades de aprendizagem da criança, mas complementá-las com uma carga pesada de atividades pode resultar em fator negativo. Muitos pais consideram que as tentações, como a TV, o computador, devem ser enfrentadas com uma agenda completa. Consideram que é preferível ocupá-la a deixá-la permanecer frente à TV, sem controle.

Depois da escola, as crianças estudam idiomas, computação, música, praticam esportes, dança, balé, não se descuidando das artes, das coisas do espírito – uma expressão artística sempre é enriquecedora.

É uma tendência deste tempo histórico social, com suas aspirações culturais, suas necessidades de conhecimento, de preparação para a vida futura. Porém, é preciso ponderar, estabelecer um equilíbrio, entre o que a criança quer e necessita e o que pode fazer sem se esgotar. Corre-se o risco de se desvalorizar o tempo livre, favorável ao amadurecimento emocional, afetivo e ao desenvolvimento da criatividade. O ócio também é bom e é preciso respeitar as etapas do desenvolvimento infantil, alertam os especialistas.

Quando o jovem está muito preso a horários, passa a viver sob tensão, diante da qual não consegue responder de maneira positiva. Começa a faltar às aulas, a se desmotivar e a produzir baixo rendimento. O excesso de exigência, com vista a uma competência refinada, cada vez mais se instala em todos os aspectos da vida.

As atividades são pensadas, pelos pais, como uma preparação necessária para um futuro mercado de trabalho exigente e competitivo. Elas sempre existiram, mas, agora, são outros os níveis de exigências, outras expectativas. Antes eram complementares ou passatempos, hoje, surge o fator competitividade, encarado não só no plano individual, mas comparado a um outro. Quando isso ocorre, pode se tornar perigoso porque coloca a criança, muito cedo, em frente de batalha.

Por outro lado, as atividades extracurriculares são importantes instâncias de socialização, principalmente para crianças e jovens muito tímidos. Surgem, contudo, dilemas entre os pais de qual o melhor procedimento: crianças agendadas ou crianças livres? Para psicólogos da área infantil, como Aurora Isasmendi, o importante é atender as demandas pessoais, não se podendo, assim, falar em regra geral. Aos pais competem observar o andamento, o rendimento, se a criança não demonstra cansaço e se não começa a fracassar nos estudos.

Nestes tempos, em que o comum são os pais trabalharem o dia todo, as atividades extracurriculares podem ser a solução para que os filhos não dispersem seu tempo, adquiram competência, não se deixando consumir pela TV. Elas são, de um modo geral, consideradas boas e necessárias, mas devem ser acompanhadas com cuidado, para não produzirem efeito negativo, reações de estresse, traduzidas por enxaquecas, dores de estômago, problemas de conduta e insônia.

É preciso apegar-se aos centros de interesses e ao desenvolvimento evolutivo de cada criança e oferecer atividades adequadas à sua idade. Pergunta-se: até que ponto estamos respeitando os ritmos evolutivos e as motivações de nossa criança e até que ponto estamos desraizando-a demasiado cedo da família? Não estamos limitando sua felicidade lúdica? Qual a educação apropriada para o desenvolvimento do nosso filho? Tentar ajustá-la às suas necessidades físicas, sociais, emocionais e cognitivas, como, também, às características sociais e ao trabalho da família.

“Desejaria que cada pai pensasse com a cabeça e agisse com o coração, que conseguisse captar o que agrada ao filho e o que o contraria”. (Isasmendi).

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em março/2001)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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