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COMPUTADOR E APRENDIZAGEM CRIATIVA

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Izabel Sadalla Grispino *

A metodologia moderna alia criatividade e aprendizagem. Na educação infantil, as crianças constroem brinquedos, instrumentos criativos, que lhes possibilitam pensar, testar e aprender. Também, no ensino fundamental e médio, o caminho do aprender não deveria ser diferente. Estudantes não são ouvintes passivos, permanecendo inativos em sala de aula, quando o professor os sobrecarrega de dados e teorias.

O educador norte-americano Mitchel Reswick, que realiza pesquisas sobre aprendizagem, fala em “jardim da infância para toda a vida”. “As ciências da computação devem desenvolver materiais para que as crianças possam crescer, construir soluções criativas que envolvam as várias áreas do conhecimento”. Brinquedos vão adquirindo formas mais complexas, como pequenos robôs e engenhocas a serem montados e programados pelas crianças. O computador torna-se um grande aliado, uma nova ferramenta para este aprendizado criativo.

O propósito é aprender por toda a vida, pesquisando, movimentando-se, deixando de lado as atividades estanques. Criam-se atividades que se integram às diversas áreas do currículo, para se chegar a uma maior compreensão do assunto em questão. As crianças vão evoluindo no processo e descobrem soluções para problemas do dia-a-dia. O autor do estudo cita o caso de uma garota que criou um sistema para impedir o irmãozinho de mexer no seu diário, com uma câmara fotográfica acoplada à capa para flagrar o irmão toda vez que ele a abrisse.

A tecnologia tem de ser dada às crianças e jovens de modo que faça sentido para eles. O mais importante é que eles podem mudar os sistemas que criam. Eles devem criar de acordo com seus próprios interesses e necessidades e usar as novas tecnologias na busca de soluções de seus problemas. O aprendizado, através de projetos e experiências, deve levar em conta a sociedade reinante, que ultrapassa o sentido de sociedade de informação, evoluindo para o conceito de sociedade do conhecimento. No momento, busca-se evoluir para “sociedade criativa”. É preciso saber dar uso à informação. “As pessoas precisam continuar aprendendo a vida toda e dando soluções criativas para seus problemas e necessidades”, conclui o pesquisador.

A tecnologia, ao permitir simulações e construções simples, ajuda no processo de aprendizado. Porém, as escolas resistem às mudanças, pondo barreiras ao desenvolvimento de novas dinâmicas, criadas para o espaço escolar. Difundir novas idéias, fazer as escolas conhecê-las, é importante para que possam vingar. O trabalho de Mitchel Reswick fala em dificuldade em atingir as escolas, prevê que as mudanças serão lentas, mas que devem ocorrer com maior facilidade ao longo das próximas gerações. “As crianças de hoje é que estarão melhor preparadas para as mudanças sistêmicas”.

Vivemos o momento da inclusão digital maciça, de onde saem, entre outros, estudos da aplicação de novas tecnologias na educação. Através delas, pode-se melhorar e ampliar o aprendizado, usando-se músicas, esportes, laboratórios de ciências ou mesmo observando a natureza. Constata-se, em avaliações, que a aplicação de novas tecnologias faz a diferença na aprendizagem. Com o computador amplia-se a extensão do que se pode fazer e o mais importante, no uso de computadores para a aprendizagem, é a elaboração de projetos pelos alunos, a criação, processo pelo qual os alunos aprendem melhor. É preciso ajudar os alunos a usar as tecnologias de forma criativa e produtiva. Jogar games, tudo bem, mas não exagerar; promover, antes, experiências criativas, mudanças reais na educação.

Em plena era de alta tecnologia, muitas escolas, fazendo vistas grossas, simplesmente tentam ignorar essa tão indispensável forma de aprendizagem e comunicação. É surpreendente constatar que nossas crianças freqüentam ainda escolas nos moldes de nossos avós. Ainda não conhecem o professor virtual, não participam de experiências interativas, não conhecem o computador como ferramenta de ensino. O computador e a internet não abriram portas para essas crianças, às novas e infinitas possibilidades de aprender.

A internet pode, inclusive, servir de sistema de apoio para a continuação dos estudos, como os cursos a distância. A escola americana Calvert School, com tradição de ensino a distância, é popular entre crianças que vivem em barcos, circos, atletas olímpicos, esquimós e filhos de missionários. Envia todo o material de uma só vez, como apostilas, lápis e até cola, pois sabe da dificuldade de o aluno sair para comprar esses materiais. A metodologia é prática, ensina de uma forma empírica e estimula a criatividade dos alunos nos trabalhos. As crianças têm uma redação por dia para escrever e fazem as provas finais em países diferentes, onde quer que estejam no momento.

As novas tecnologias não só abrem melhores possibilidades de aprendizagem, tornam-se indispensáveis ao desenvolvimento criativo, reflexivo, participativo, como desembocam numa sociedade que marginaliza quem não tem o domínio da informática.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em abril/2004)