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CAMINHOS DE REFLEXÃO À ESCOLA

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Izabel Sadalla Grispino *

Não podemos nos furtar a um debate sobre problemas do ensino público, sobre a crise da aprendizagem, do desamparo institucional, deixado pelos últimos governos, repercutindo na falta de segurança das escolas, na perversa violência nela infiltrada. Está sendo difícil, à escola, enfrentar ameaças de morte nas próprias salas de aula, nos corredores, nas entradas ou nas saídas, principalmente em escolas que funcionam em regiões violentas.

Há experiências, trabalhos desenvolvidos em algumas localidades, que devem ser conhecidas, na busca de soluções. Em todas as escolas, sempre há um grupo, um número pequeno de alunos, que costuma influenciar os demais, perturbando a vida escolar. Antigamente, esses alunos eram expulsos, mas, hoje, o critério oficial é mantê-los, pois, a expulsão iria ferir os seus “direitos humanos”.

Consultado, a respeito dessa situação, o diretor executivo do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, Norman Gael, passou a seguinte idéia: propôs, como medida saneadora, criar escolas especiais para alunos agressivos, que não cometeram crimes mais graves, mas que roubam a tranqüilidade da escola, dificultando a aprendizagem geral. Essas escolas especiais funcionariam em regime fechado, com segurança, em horário integral. Receberiam a atenção de que necessitam, atividades de recuperação da aprendizagem, atividades esportivas e outras, consumindo parte de suas energias, orientados por professores selecionados e treinados, com remuneração condizente à qualidade de seu trabalho.

Esses alunos poderiam retornar às escolas regulares, à medida que progredissem no conhecimento e se ajustassem no comportamento. Seriam, sem dúvida, investimentos adicionais, mas, afirma Norman, “compensados pela tranqüilidade e conseqüente produtividade das escolas regulares e pela recuperação de jovens infratores, que, sem um atendimento apropriado, se tornam adultos delinqüentes, incorrendo em custos ainda mais altos para a comunidade e para o Estado”.

Ao afastar os alunos mais rebeldes, a escola alcançaria mais facilmente a qualidade de ensino, que requer disciplina, ordem e competência profissional. Requer um professor capaz de estimular os alunos, especialmente das populações mais carentes, chegando até eles com afetividade, descobrindo suas aptidões, desenvolvendo suas potencialidades, utilizando-se de currículos mais próximos deles, com assuntos de seus interesses, de sua vivência cotidiana. Um professor que incentive o bom desempenho acadêmico, criando prêmios, sob critérios objetivos, que poderiam estender-se a outras escolas, municipais ou estaduais, numa saudável concorrência.

Em muitas localidades, especialmente nas mais violentas, a rotatividade de diretores e professores afasta a necessária estabilidade das ações programadas. A seqüência fica prejudicada e o ambiente conturbado. Nesse sentido, sugere-se, às Secretarias de Educação, pôr em prática uma outra forma de contratação do diretor da escola, como acontece no Estado de Minas Gerais e em outros do País. Em Minas Gerais, já há 8 anos, a comunidade elege o diretor por 2 anos, renováveis, de uma lista de 3 professores da escola com melhor resultado no concurso público. O diretor, não sendo mais um líder imposto, mas eleito pela comunidade escolar, exercerá melhor as suas responsabilidades, porque encontra apoio, respaldo nessa comunidade. A escola torna-se mais compacta, mais interessada e os resultados, certamente, serão bem mais concretos.

Um outro aspecto a meditar-se, nas dificuldades pelas quais passam as escolas, é sobre a sua difícil administração. Num sistema escolar gigantesco, como, por exemplo, do nosso Estado, os problemas vão se acumulando, as diretorias regionais incapacitadas de um controle geral mais apurado e a escola se desorganiza a cada passo. É principalmente sob esse prisma que hoje se vê a municipalização do ensino como um bem a considerar. Reduzindo a escala de gestão, a municipalização ajudaria, permitindo avanços no controle local dos problemas.

Um outro aspecto diz respeito à liderança cívica. Hoje, fala-se em responsabilidade social da empresa, mas pouco se faz. Consta-se  que o crescimento do ensino popular em todo o mundo sempre foi produto da interface do setor público com o privado. Seria de muita ajuda se empresas criassem, em regiões mais pobres, escolas privadas de ensino médio, observando com rigor a qualidade. Cobrariam dos alunos mensalidades módicas, na medida de suas possibilidades. Isso viria criar perspectivas de melhores condições de vida para os alunos e suas famílias. Há uma valiosa experiência desse tipo, em São José dos Campos. Estabelecendo padrões de qualidade para o ensino público, a Embraer criou uma escola de ensino médio, administrada pela empresa de ensino Pitágoras, cuja sede fica em Belo Horizonte.

É importante estimular debates sobre a situação lastimável da maioria das escolas públicas, na busca de soluções.


* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em agosto/2002)