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ALTERAÇÃO DE CURRÍCULO

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Izabel Sadalla Grispino *

Fui solicitada a me pronunciar sobre a mudança do currículo do ensino médio diurno, da rede estadual, com a ampliação da carga horária de 25 para 30 horas semanais.

Esse aumento da carga horária atende a uma antiga reivindicação dos professores. Na época do governador Mário Covas, em 1998, por sua determinação – gestão da secretária Rose Neubauer – houve uma diminuição do período de aulas. Passou de 6 para 5 o número de aulas diárias e a duração de cada uma aumentou de 50 para 60 minutos.

O novo currículo, aprovado para ser implantado já neste ano letivo de 2005, traz acréscimo de disciplinas, como filosofia e psicologia. Os alunos do ensino médio terão a matriz curricular ampliada de 25 para 30 horas semanais. A disciplina filosofia passa a ser obrigatória para os alunos do 1.º e 2.º anos do ensino médio diurno. Eles terão 2 aulas  de filosofia por semana. No 3.º ano desse ensino, as escolas poderão optar por 2 aulas semanais de sociologia ou de psicologia. As outras horas serão usadas para as disciplinas de ciências e humanas, uma aula a mais por semana de português, matemática, história e geografia. No 3.º ano, a escola pode optar por uma a mais de química, física ou biologia.

O currículo constava de 4 aulas semanais de português e literatura, 4 de matemática e, em média, 2 para cada uma das outras disciplinas: história, geografia, química, física, biologia e língua estrangeira. Havia ainda uma aula semanal para o 1.º e 2.º anos do ensino médio e 3 para o 3.º ano que deviam ser usadas para filosofia, sociologia ou psicologia.

O período noturno do ensino médio não sofrerá mudanças. A nova grade não será aplicada ao noturno porque, segundo a Secretaria da Educação, os alunos trabalham e não têm flexibilidade de horário. Eles têm apenas 4 aulas por dia, com carga total de 20 horas semanais. Porém, o fato de a mudança não se estender ao ensino médio noturno e ao ensino fundamental desagradou os professores, que argumentam que ambos perderam aulas em 1998. O ensino médio noturno abriga 49% dos alunos desse ensino e merece uma carga horária maior, opinam os professores, que lançam uma proposta de ampliação da matriz para o ensino fundamental e ensino  médio

noturno.

No início da implantação do novo currículo do ensino médio diurno, os professores das novas disciplinas, que deverão ter formação específica, foram chamados pela Secretaria da Educação com base no concurso público realizado em 2004. No decorrer do ano, diz o secretário, haverá a possibilidade de um novo concurso. Afirma o secretário da Educação, Gabriel Chalita, que todos os professores passarão por um processo de capacitação.

Colocada a posição antiga e atual da matriz curricular do ensino médio diurno, podemos argumentar que uma carga horária maior, uma grade curricular mais completa, enriquecida por diferentes disciplinas, só podem trazer benefícios aos alunos. Há um enriquecimento do conteúdo, uma diversidade de assuntos, que ampliam a visão do educando.

Para a sociedade que vivemos quanto mais conhecimento, quanto mais abrangência curricular melhor. Contudo, só haverá realmente um reforço de aprendizagem se as condições forem apropriadas a um melhor desenvolvimento das matérias. Infra-estrutura é importante, mas, o mais importante é o professor, em sua formação, em sua mudança de mentalidade, na renovação metodológica aplicada, no domínio do conteúdo a ser ministrado.

Se a mudança de currículo não se caracterizar por mudanças estruturais na sua aplicação prática, se não passar por uma nova dinâmica, teremos mais um remendo, mais uma colcha de retalhos. A inter e a multidisciplinaridade, quando bem aplicadas, reforçam o entendimento dos assuntos tratados, completam sobremaneira a extensão do conhecimento que abordam. A grande revolução educacional está focada na competente atuação docente, em sua renovada metodologia.

Fato semelhante ocorre com a inclusão digital proposta para as escolas, que já se organizam com propostas de inclusão. O computador é um bem essencial nos dias de hoje, está longe de ser um bem secundário. Ele é considerado tão importante para as novas gerações como a TV foi para as gerações anteriores. Acredita-se que todo entretenimento tende a convergir para o computador, além de ser um instrumento valioso para a educação, para a autonomia na aprendizagem.

Os jovens percebem a sua importância, sabem que precisam dominar o PC se não quiserem estar fora do mercado de trabalho. Mas, alunos das escolas públicas terão oportunidades de se afirmar na inclusão digital? Terão chances de dominar essa poderosa ferramenta educacional e profissional? Estar incluído significa ter familiaridade com os processos fundamentais do mundo virtual. Recebem, na escola, através de seus professores, conhecimento necessário para operar um computador e navegar, por exemplo, na web? Seus professores possuem essa habilidade a ponto de poder repassá-la? É aí que se encontra o maior entrave na inclusão digital do aluno carente, na própria capacitação virtual do professor. Falta-lhe uma montagem de estrutura de suporte à implementação de novas tecnologias de informação e comunicação.

Uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, a pais de alunos, sobre a qualidade das escolas públicas, revelou uma avaliação positiva por parte deles. São pais em que a maioria não tem nem o ensino fundamental, com dificuldade em fazer uma ajustada avaliação. Contudo, externaram a opinião de que as escolas particulares, de um modo geral, são melhores. Consideraram que as escolas públicas estão muito fáceis e que não ensinam computação.

A consciência da boa formação profissional, seu aprimoramento, sua atualização, são assuntos que deveriam permear a preocupação de toda escola, especialmente das mais necessitadas.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2005)