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A VIDA PASSA PELO CAMINHO DA ESPIRITUALIDADE

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Izabel Sadalla Grispino *

Passeando um pouco pela literatura, pela cultura, em seus diversos domínios, e em diferentes épocas, constatamos em grandes pensadores, cientistas e teólogos um encontro espetacular de ideais de espiritualidade, de convicções, abordadas numa coerência que chega às linhas da sistematização.

A existência não nos é um pano de fundo ou apenas uma inspiração; é parte viva de nós mesmos, nela caminhamos com seu fluxo incessante e contínuo. Ela nos remete a freqüentes reflexões, põe em constante evidência a superioridade das riquezas do espírito sobre as glórias mundiais. Ela nos força a um conhecer a si mesmo e a conhecer, por extensão, o homem em geral.

Relendo Michel de Montaigne, filósofo francês do século XVI (1533-1592), o filósofo que dialogava com a humanidade, em seus temas universais, revivi mensagens absolutamente atuais. A sua capacidade de percepção, de análise e compreensão da alma humana e da natureza, como um todo, vence as barreiras do tempo e se projeta no dia de hoje como, certamente, se projetará no dia de amanhã. Montaigne relacionava o homem à natureza; dizia ser o homem parte da natureza, devendo, portanto, entender que mesmo os animais e as plantas merecem respeito e consideração. Hoje, debate-se a idéia da proximidade estreita do homem com a natureza. A teoria evolucionista de Darwin e as pesquisas genéticas identificaram a pequena diferença que existe entre nós e os outros seres vivos. Imaginemos o impacto provocado por essas reflexões na sua época!

Ressalta-se, também, em Montaigne, nos “Ensaios”, a abordagem superatual, que ele faz sobre razão e fé. Põe a razão em xeque. Analisa-a, não como o teólogo que a critica pela presunção de querer prescindir da idéia de Deus, mas como um observador realista, que não vê na razão caminho para a felicidade.

Sua indagação é no sentido de tentar entender porque a racionalidade não fez do homem um ser mais sensato e equilibrado. Não se trata de confrontar fé e razão, mas de criticar os nossos valores, a razão, como meios de alcançar a verdade e o bem. “Os homens se acreditam superiores e racionais, mas quase sempre se mostram escravos das superstições e repletos de vícios. Poucos homens são verdadeiramente guiados pela razão, pela justiça”. A fé deve estar sempre aliada à razão, em equilíbrio.

Dizia que a única maneira de não se estar ao “sabor dos ventos”, “ao acaso dos encontros”, é sendo senhor de si mesmo. O indivíduo deve libertar-se da mesquinhez do cotidiano e do fanatismo, deixar seduzir-se pelos bens espirituais. Montaigne preconizava a paz, a harmonia e a tolerância, mas não se mostrou muito inclinado a acreditar na concretização de um mundo pacífico.

Passemos a entender a espiritualidade no grande cientista Albert Einstein, séculos XIX e XX (1879-1955), que assim se expressou: “Sei que os homens jamais poderão saber tudo, que a coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério. Deus é sutil, mas não é malicioso, por isso tenho certeza de que a solução será encontrada sempre. Foi uma espécie de fé que me ajudou, durante toda a minha vida, a não desesperar em face das grandes dificuldades da investigação”. Acerca de suas próprias conclusões, Einstein se perguntava: “Terá sido deste modo que Deus criou o universo?”

O grande líder que foi da comunidade católica, o grande guia espiritual, o  papa João Paulo II, na encíclica “Fides et Ratio”, lança o desafio de iluminar a razão e as ciências da modernidade com a luz da fé. Num primor de considerações, diz: “A engenharia genética necessita de fé para não instrumentalizar o Dom divino da vida. A política precisa do Evangelho para tornar-se serviço desinteressado do bem comum. A economia moderna precisa converter-se em justiça e solidariedade. A instituição familiar carece de visão cristã do matrimônio para não se desfigurar. Não há dimensão importante da modernidade que não possa prescindir de uma profunda reflexão e diálogo entre razão e fé”. Acrescenta: “A razão e a fé não podem ser separadas, sem fazer com que o homem perca a possibilidade de conhecer de modo adequado a si mesmo, o mundo e Deus”.

Em sua carta apostólica, intitulada “No Início do Novo Milênio”, João Paulo II diz: “A Igreja não pode perder de vista o rosto de Jesus”. Onde encontrar esse rosto? Ele responde: “Nos Evangelhos, que oferecem uma visão de fé sustentada por um testemunho histórico concreto”. No limiar do novo milênio, a Igreja tem “confiante otimismo em que não será uma fórmula a nos salvar, mas uma pessoa, Cristo”. Não há, pois, que inventar um “programa novo, porque Cristo é seu programa definitivo para o terceiro milênio e para sempre. Compete às Igrejas locais, ou seja, às dioceses, realizá-lo... Vamos em frente, com esperança”.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em novembro/2005)



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(Publicado em novembro/2005)