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A JUVENTUDE NA BUSCA DE CAMINHOS

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Izabel Sadalla Grispino *

Diante das contradições e incertezas do mundo atual, em especial no campo profissional, das indefinições das políticas sociais, das mazelas que se arrastam pela sociedade, o jovem, perplexo, busca, ansioso, saídas para as suas indagações. Muitos não conseguem perceber o futuro como trajeto confiável, antes o vêem como algo ameaçador. Resta-lhes o presente e, nele, grande parte se entrega na transgressividade comportamental, no consumismo, no prazer imediato e intenso, quando não, pela fuga, nas drogas. Encontram no desfrute dos bens materiais a razão do existir.

A esses aspectos, acresce-se uma constatada revolução mundial, nos modos de captar os valores morais, influenciados pelos meios de comunicação. A mídia, com seu forte poder, introduz e reflete novas atitudes, novos estilos de vida.

Uma pesquisa de maio de 2000, feita pelo Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC), com o intuito de decifrar, para os próximos três anos, a construção do juízo moral de jovens pertencentes a sociedades emergentes, lançou a pergunta: “Qual é o valor mais importante: ter bom caráter ou muito dinheiro?”. Dos, aproximadamente, 400 alunos arrolados, apenas um respondeu: “É ter bom caráter, sem dúvida alguma”. Os demais votaram no dinheiro, sem pestanejar.

Durante a pesquisa, iniciada no começo do ano passado, questionários foram entregues aos mais de 10 mil alunos da universidade, durante a matrícula. Numa folha, à parte, os pesquisadores pediram aos estudantes que apresentassem os três principais valores da juventude de hoje. Pouco mais de 1.000 alunos, apenas, devolveram a folha. Em suas respostas, dinheiro apareceu em primeiro lugar, seguido de ter emprego, por 186 votos. A ênfase ficou nos valores materiais. Os alunos próximos de se formar revelaram medo de não conquistar um espaço no mercado de trabalho. O medo chegava a turvar-lhes a esperança. A pesquisa revela que família, amizade, felicidade também foram votadas, mas em escala menor.

Uma outra pesquisa, mais recente, feita pelo Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), vem mostrar uma faceta mais animadora da juventude. Foram entrevistados 900 jovens entre 14 e 20 anos de diferentes classes sociais de Curitiba. Desses jovens, 397 (44,1%) apontaram a família como instituição de maior ascendência em suas decisões. Em seguida, vem a escola, com 37% e a TV com 13,7% das respostas. Na seqüência da pesquisa, os estudantes deveriam dar uma nota sobre suas avaliações políticas, ponto em que revelaram decepção, forte rejeição. A média do governo ficou em 3,96; dos partidos políticos, 3,07; do Congresso Nacional, 4,49; e do Judiciário, 4,99. Valorizaram a família, 9,02, a escola, 7,74 e a Igreja, 7,56.

Essa pesquisa surgiu como um oásis no meio do deserto. Mostrou que uma parte dos jovens está buscando valores, como respeito, amor, fidelidade. A vida em família foi considerada fundamental, mesmo havendo conflito. Eles acharam melhor ter uma família danificada que não ter nenhuma. Isso se explica pelo fato de esses jovens serem filhos da permissividade e que hoje sentem necessidade de limites, de valores consistentes. Não querem mais a concessão impensada, mas a orientação, a palavra segura. Os anos da revolução sexual produziram muito sexo e pouco amor; produziram a relação descartável, com sua insegurança, seu vazio.

Há uma outra vertente, a do aspecto religioso, que devemos considerar. Estamos vivendo uma época  de dupla face: de febre racionalista e de febre espiritualista. Os defensores de uma cultura agnóstica acreditam que a humanidade seria mais civilizada e feliz se se libertasse das “amarras” espirituais. Acreditam que a religião, sutilmente, empurra o Homem a um sentimento místico, desfavorável à sua libertação total. O conhecimento desse aspecto é importante porque esse ardor racionalista se encontra subentendido em textos comemorativos do cinqüentenário da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, veiculados na imprensa internacional. Neles, nota-se, segundo a crítica especializada, a apologia da razão, do sonho da libertação pela razão, contrapondo-se à corrente espiritualista, que preconiza o sonho da libertação pela religião.

É marca freqüente da humanidade esta dualidade. Em uma célebre pintura de Goya, encontra-se cunhada a frase: “Deus e o sonho da liberdade” e o grande escritor Dostoiewski expressa sua convicção através de um personagem: “Se Deus não existe, então tudo é permitido”.

Um fato extraordinário, no campo da espiritualidade, que chamou a atenção da imprensa mundial, especialmente européia, aconteceu em 20 de agosto passado, no “Dia Mundial da Juventude”. O Papa João Paulo II celebrou uma missa, no campus de Tor Vergata, nos arredores de Roma, onde compareceram nada menos que cerca de dois milhões de jovens católicos do mundo todo. Eram jovens procedentes dos cinco continentes, de 160 países, participando da “15.ª Jornada Mundial da Juventude”. Atendendo a um chamado do Santo Padre, foram a Roma aclamar, orar, cantar em louvor a Cristo. Lá estavam de coração aberto, prontos para receber mensagens, ouvir, como discípulos, a palavra do maior guia católico, o Papa João Paulo II.

Qual o significado dessa ida dos jovens para professar sua fé em Jesus Cristo? Como interpretar essa mensagem? Estaremos, por acaso, presenciando uma reviravolta, um contrapeso da balança, em direção aos valores espirituais perenes? Certamente, os jovens não estão encontrando, no materialismo exacerbado, sentido real para suas vidas. Estão buscando caminhos novos para seu futuro, estão em busca de algo maior, de um significado maior para a vida.

Diante de tão significativa participação, o Papa, entusiasmado, disse: “Olho com fé o futuro da  humanidade”. A juventude mostra uma forte necessidade de religião, pois esta ajuda a superar “a espiral do desespero, da insensatez e da violência”. João Paulo II exortou-os “a empenhar-se na edificação de um novo mundo, baseado no poder do amor e do perdão, na luta contra a injustiça e contra toda a miséria física, moral e espiritual”. Lançou-lhes uma provocação: que tivessem a coragem de ser os santos do 3.º milênio, o que aconteceria se eles seguissem Jesus Cristo.

Esse encontro, classificado como o Woodstock da Igreja, foi também chamado de “Parada Católica do Amor” e nos manda o recado de que nem tudo está perdido, que há esperanças e luzes despontando num horizonte aberto, promissor. Que assim seja, Senhor!

* Supervisora de ensino aposentada        
(Publicado em dezembro/2000)