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UNIVERSIDADES CORPORATIVAS: REALIDADE QUE SE IMPÕE

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Izabel Sadalla Grispino *

Um novo segmento na área educacional vem surgindo e se impondo: as universidades corporativas. As universidades tradicionais têm dificuldade em se afinar ao mercado, aos avanços tecnológicos, em acompanhar a evolução científica em sua diversidade, principalmente as particulares. Preocupam-se, de preferência, em dar uma formação geral ao aluno. Com isso vão criando lacunas, deixando espaços, aprendizagens a serem complementadas. Nessas brechas inserem-se as universidades corporativas.

As universidades corporativas vêm obtendo êxito, porque, num espaço menor de tempo, formam um profissional com novos parâmetros, preparado para enfrentar, hoje, o exigente mercado de trabalho, além de fornecer modalidades de treinamento empresarial. Dão cursos especializados,  com visão geral e ampliada do mercado, com visão abrangente das necessidades de uma empresa.

A filosofia implícita dessas universidades consiste em dar, junto ao treinamento que prioriza procedimentos repetitivos, programas que desenvolvam competências importantes para a empresa. Desenvolvam as faculdades de raciocínio, de liderança, de criatividade, formando um profissional autônomo. Têm como grande objetivo desenvolver a competência crítica, a eficiência, a competitividade. Montam cursos especializados, com funcionários ajustados aos seus produtos.

O mercado de trabalho vem requerendo profissionais dinâmicos, atualizados, com capacidade de iniciativa, de inventividade, com capacidade de tomar decisões. Nesse novo comércio, a indústria não pode prescindir de pessoal qualificado, ativo e em constante reciclagem; perderia em competitividade, portanto, em ganho. Ela quer um profissional diferenciado, entrosado aos seus objetivos, perfil dificilmente conseguido pelas universidades tradicionais.

Às universidades corporativas interessam formar um profissional mais rapidamente, contrapondo-se ao antigo modelo, quando a empresa levava de quatro a cinco anos para fazê-lo, após o aluno ter saído da universidade. As corporativas constatam que o propósito das instituições tradicionais, em formar o profissional generalista, estabelece um distanciamento entre o que o aluno aprende na escola e o que exige o mercado de trabalho.

Para superar deficiências, empresas fazem parcerias com instituições convencionais ou, então, montam suas próprias escolas, com prédio próprio, corpo docente e currículos próprios. Criam cursos para desenvolver determinadas técnicas ou para complementar a formação acadêmica. Têm estrutura curricular modular, tal como os cursos de graduação de uma universidade normal. Após cada módulo, o aluno passa por uma avaliação e, sendo aprovado, recebe um certificado.

A base das universidades corporativas reside na formação de projetos adaptados às necessidades da empresa, que querem garantir, aos seus funcionários, o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias ao atingimento de suas metas.

Universidades corporativas existem nos Estados Unidos desde a década de 80. Servem de modelo para o mundo todo, inclusive para nós. Estima-se haver no Brasil por volta de 40 universidades corporativas. As mais conhecidas são das empresas: Motorola, McDonald’s, Bank Boston, TAM e Visa. A FEA-USP e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) são instituições que mantêm parcerias com empresas, criando oportunidades de atualizar o currículo. Já despontam universidades públicas corporativas, como a Sabesp, com sua Universidade Empresarial, e a Metrô de São Paulo.

As necessidades empresariais já começam a influenciar os currículos das instituições convencionais, que se tornam mais sensíveis ao mercado de trabalho. Segundo observadores da área, se as universidades tradicionais não se reestruturarem, não mudarem de direção, aproximando seus currículos das necessidades empresariais, o prognóstico é de que, num futuro próximo, perderão terreno para as corporativas, o que vem comprovar a valorização, pelo mercado, dos certificados emitidos por essas universidades, embora sem valor oficial.

Contudo, a USP vem se preocupando com este aspecto. Na Faculdade de Economia e Administração, empresários bem sucedidos são freqüentemente convidados para relatar suas experiências. A USP tem um setor que atende indústrias necessitadas de resolverem problemas tecnológicos. A Escola Politécnica tem uma aproximação forte com a indústria paulista. Mas, a USP quer preservar a liberdade acadêmica, sua independência e não se colocar, apenas, a serviço da indústria. Talvez, uma articulação maior com o setor produtivo venha ocorrer gradativamente.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2001)