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UM PARALELO ENTRE O ENSINO OFICIAL E O ENSINO PRIVADO

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Izabel Sadalla Grispino *

Pesquisa da Unesco, sobre o ensino médio, em 13 capitais brasileiras, mostrou o desinteresse dos alunos pelo aprendizado da escola. Mostrou sonhos diferenciados ente alunos de classe abastada e de classe pobre. Alunos de escola particular estão preocupados com o vestibular e os da escola pública, em arrumar emprego ao terminar o ensino médio.

Os alunos da escola pública estão em desvantagem na aprendizagem, especialmente no que se refere ao acesso à informática, ao uso de laboratórios e às atividades extracurriculares. A grande maioria não tem computador em casa. Nas escolas públicas 76% não usam computador em classe, na particular apenas 14%.

O livro “Ensino Médio: Múltiplas Vozes”, lançado em abril de 2003, coordenado pelos pesquisadores da Unesco Miriam Abramovay e Mary Garcia Castro, traz um retrato do ensino médio. Foram entrevistados mais de 7 mil professores e 50.740 alunos de 673 escolas públicas e privadas em 2001. Um dado triste e que revela falta de auto-estima é o fato de os alunos mostrarem tendência a se culpar pelo fracasso na escola. Os professores, também, atribuem ao desinteresse do aluno os maus resultados obtidos. Em São Paulo, os professores disseram que 71% dos problemas da escola são o desinteresse dos alunos e a maioria dos alunos, 57%, concordou.

A pesquisa revela que para os professores a repetência está simplesmente ligada a causas externas à escola, como família e condições socioeconômicas. Não há, entre eles, um questionamento sobre as falhas do sistema, ou a ausência de um ensino de qualidade, capaz de atrair e motivar o aluno. A repetência é grande, metade dos alunos já foi reprovada pelo menos uma vez nas escolas públicas. Nas particulares, o percentual fica em 25%. A reprovação é maior entre os estudantes do período noturno, 65%, do diurno, 40%. Entre a escola pública e a particular, a pública registra uma porcentagem bem maior de repetência: 43% por 19%.

Quanto à infra-estrutura, a escola pública perde de longe das privadas. Os alunos da escola pública ressentem-se da falta de um centro de informática, de laboratórios e de mais computadores. Os alunos das escolas particulares pedem mais liberdade, mais atividades extraclasses e mais esporte, reivindicando mais espaço. Segundo o relatório da pesquisa, numa escala de 0 a 10, os alunos das escolas públicas deram notas entre 4,7 e 6,3 para as salas de aula e os das escolas particulares, entre 6,4 e 7,8.

Uma grande ausência das escolas públicas é o computador. Dados do Ministério de 2003 mostram que o número de computadores nas escolas públicas é bem inferior ao das escolas  particulares. Se essa distância for mantida, a informatização das escolas públicas pode demorar 40 anos para terminar. Segundo o MEC, para que todas as escolas tenham uma média de um computador para cada 50 estudantes, são necessárias 800 mil máquinas. A rede pública recebeu apenas 42 mil computadores.

Entre 1999 e 2002, a quantidade de micros no ensino público subiu de 111.986 para 226.986. O setor privado, com muito menos alunos, as máquinas passaram de 184.371 para 263.001. Temos 179.935 escolas públicas e 34.258 estabelecimentos particulares. Na rede pública, o percentual das escolas que contam com computadores subiu de 13% (25.705) para apenas 23% (42.488) nos últimos três anos. Nas escolas particulares, a relação cresceu de 60% (17.735) para 70% (24.008) no mesmo período.

As escolas públicas estão ainda em defasagem bem maior no que se refere à disponibilidade de acesso à Internet. O número de escolas públicas, onde se pode usar a rede, em 1999, era de 1,3% (2.528) e em 2002, 8,2% (14.773). No ensino particular, os estabelecimentos com conexão à Internet subiram de 17% (5.157) em 1999 para 32% (13.320) em 2002. Essa defasagem será de difícil correção, estampando na rede oficial um ensino de baixa qualidade e uma fraca formação em informática. Como concorrer em igualdade de condições no mercado de trabalho, no ingresso ao ensino superior de uma boa faculdade?

Enquanto o setor privado forma cidadãos aptos a enfrentar os desafios que lhes vêm pela frente, o setor público vem formando não-cidadãos, fracassados por falta de conhecimento. O setor privado está bem próximo, segundo a pesquisa, de conseguir dar acesso à informática a todos os seus alunos; o ensino público coloca-se à margem, bem distante desse objetivo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2004)