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UM OLHAR DIRETO PARA O CÉU

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Izabel Sadalla Grispino *

Há, entre os humanos, um fascínio pelo céu que perpassa as gerações, que habita o imaginário da criança e do adulto. Um projeto inovador, estimulador da aprendizagem científica, que irá encantar os alunos, está sendo montado por astrônomos de vários institutos brasileiros. Em fase piloto, os elaboradores do projeto estão importando telescópios a favor da educação de crianças e adolescentes das escolas da rede pública.

O programa conta com a participação de seis universidades do País, cada uma delas com uma escola parceira. Pela internet, alunos e professores poderão monitorar os equipamentos e fazer observações do espaço em tempo real. Poderão observar a lua, acompanhar diferenças de brilho das estrelas dentro de salas de informática em escolas públicas. Os alunos vivenciarão um projeto científico de alto nível.

O projeto intitula-se Observatórios Virtuais e tem como coordenador Laerte Sodré Júnior, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAGUSP). Baseia-se em um programa americano semelhante, patrocinado pela Nasa, que usa um telescópio do Instituto Tecnológico da Califórnia.

O projeto Observatórios Virtuais é gratuito para as escolas que quiserem dele participar. A única exigência, para a observação do espaço, é o software, que permite monitorar os telescópios. O software está sendo desenvolvido pelo IAGUSP e ficará disponível no próprio site do projeto. A previsão é que o programa esteja aberto a todos, sem custos, em meados do ano que vem. Contudo,  já desperta curiosidade geral. Vai usar telescópios acoplados a redes de computadores e para participar dela as escolas precisarão apenas de computadores ligados à internet.

O pesquisador do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), André de Castro Milone, fala da observação espacial nas escolas como um processo simples. “Ninguém vai colocar o olho no telescópio. O aluno ou o professor digitará no computador a coordenada do objeto a ser observado e o aparelho se movimentará seguindo essas recomendações. É como se estivesse dizendo a ele: direcione para a lua ou para uma determinada estrela”.

O computador ajuda porque permite exposições mais prolongadas e coleta imagens melhores que o olho humano. Em São José dos Campos, o Inpe acaba de construir um miniobservatório para abrigar um dos telescópios que está sendo importado.

O projeto provoca forte interesse nos alunos, que vão, com entusiasmo, de madrugada, às aulas na escola. O Colégio Bandeirantes é um dos únicos no País que participa, há dois anos, do programa americano que inspirou o brasileiro. Por isso, nessa fase inicial os seus alunos vão aproveitar o telescópio de São Paulo que ficará no IAG. O professor do Bandeirantes Airton Borges, que participará da execução do projeto, diz que com “apenas os conhecimentos básicos de geografia, os estudantes conseguem fazer o reconhecimento do céu e trazer uma nova discussão para a escola”. Procuram por supernovas em galáxias que o telescópio pode visualizar. Aprendem astronomia de verdade, bem mais real do que está nos livros.

Nos Estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Santa Catarina, o projeto piloto será realizado com estudantes de escolas públicas. No Rio Grande do Sul, será em um colégio militar. Os professores dessas escolas e mais os dos colégios que vierem a aderir ao projeto receberão um treinamento especial para orientar os alunos a fazer as observações e as pesquisas.

O projeto Observatórios Virtuais está sendo financiado pela Fundação Vital. Cada telescópio custa em média 6 mil dólares. Aos poucos o aluno vai entendendo e manuseando melhor o telescópio, com uma análise sobre os assuntos, cada vez mais objetivo, mais lógico.

Este é um projeto ousado, de longo alcance, que tem a propriedade de se abrir à escola pública, tão necessitada de avanços tecnológicos.

Há, atualmente, um crescente interesse pela astronomia. Este ano, realizou-se na Rússia, na cidade de Bukova, a 7.ª Olimpíada Internacional de Astronomia e um aluno brasileiro do 2.º ano do ensino médio do Colégio Objetivo, Felipe Augusto Cardoso Pedreira, ganhou a medalha de bronze. Apenas o Brasil representou o continente americano e Felipe concorreu com 50 estudantes de 21 países. Ele participou de exames teóricos, práticos e de observação. Antes da etapa internacional, disputou com outros 60 mil alunos brasileiros. Ele já está classificado para a Olimpíada de 2003.

Neste Natal, envio meu abraço a todo morador desta querida cidade, pedindo a Jesus que derrame, em seu coração, esperança de uma  vida  harmoniosa e feliz. Que neste Natal, o mundo coloque paz no lugar da violência e que os homens se reconheçam como irmãos em Cristo. Levo aos prezados leitores a inspiração que, este ano, o Natal me passou.

N A T A L

O colorido na terra ressurge,
Magia inexplicável,
A vaquinha novamente muge,
Natal é emoção renovável.

A cada ano vem mais exuberante,
Vem, como se fosse a primeira vez,
Põe os homens na ala dos amantes,
Provoca na alma uma certa embriaguez.

Assim, são todos os Natais,
Cumprimentos, alegrias e abraços,
O grande afago dos mortais,
Perene, varre os tempos, os espaços.

Seria o Natal fruto da imaginação?
Da necessidade do sonho, da esperança?
A verdade é que ele habita cada coração,
E Jesus renasce no sorriso da criança.

A cada idade, um voto especial,
A cada nação, uma prece que apraz,
Mas, em todos, um desejo universal:
Que o Natal reuna os povos na santa paz.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2002)