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SOCIEDADE DO CONHECIMENTO

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Izabel Sadalla Grispino *

A idade do conhecimento já chegou. É comum ouvirmos dizer que estamos na “sociedade do conhecimento”, impulsionada pela economia da informação. Para a nova economia, o término da escola superior significa ponto de partida, não de chegada.

Neste processo econômico, o capital humano ganha valor preponderante. Para cobrir o diferencial de nosso obsoleto sistema educacional, as empresas vêm desenvolvendo programas de educação continuada para os funcionários de todos os níveis. Avolumam-se os investimentos em qualificação permanente da mão-de-obra e elas funcionam como empresa-escola.

Os investimentos em formação de capital humano ultrapassam os investimentos em formação de capital físico. Propaga-se de que dois terços da atual produtividade surgem dos ganhos do capital humano e não do capital físico.

Para ser um bom profissional, além de freqüentar uma boa escola, de falar, com fluência, mais de dois idiomas, é preciso entender o mundo do trabalho e saber relacionar-se com ele. Hoje, tudo acontece com alta velocidade e a escola não tem acompanhado essa exigência das organizações. Por isso, formar profissionais tem sido, cada vez mais, papel das empresas, que vêm criando as universidades corporativas.

Os vários aspectos do desenvolvimento social mostram que a escola de hoje é o emprego de amanhã. Faz-se, pois, necessário uma reflexão séria do ensino brasileiro, em relação ao aqui e ao mundo. O nível de escolarização está diretamente relacionado à possibilidade de empregos e de assimilação de habilidades profissionais. Só arruma emprego, em uma boa empresa, quem recebeu uma educação qualificada. É preciso tentar recuperar a dignidade acadêmica, através de uma mudança estrutural, embasada em novos conceitos, em novos valores sobre a formação do profissional-cidadão. Precisamos criar uma nova escola, modernizando a velha, enfrentando os desafios tecnológicos.

Sabemos que há algumas boas experiências educacionais espalhadas pelo Brasil, em escolas oficiais de educação básica, principalmente nos Estados do centro-sul. Contudo, levando-se em conta nossa extensão territorial, podemos dizer que são irrelevantes. Estamos longe de atingir um padrão ideal de uma escola pública de qualidade.

Segundo dados do IBGE, referentes a 1999, 13,3% da população brasileira com 15 anos ou mais são analfabetos absolutos. São 15,1 milhões de brasileiros que nunca freqüentaram escola ou têm menos de um ano de escolaridade. Em documento internacional,  o Brasil havia se comprometido em reduzir o número de analfabetos de 20 para 10% da população entre 1990 e 2000, mas não atingiu as metas. Os técnicos do MEC apontaram, ainda, um outro grave problema, que são as taxas de analfabetismo funcional, em todas as faixas etárias da população brasileira. Pesquisa realizada no Estado de São Paulo – a situação nacional seria, ainda, mais grave – mostrou que nossas taxas de analfabeto funcional são maiores que as de 6 outros países latino-americanos, incluindo a Venezuela e o Paraguai. Não deixam de ser uma realidade preocupante; são “alfabetizados”, que não compreendem, por exemplo, o sentido de um pequeno texto, fazendo só o reconhecimento silábico das palavras.

Ainda, constata-se que, tanto no sistema de ensino de séries como no de ciclos, a maioria dos alunos que concluem o ensino fundamental é apenas semi-alfabetizada, incluindo-se no rol dos analfabetos funcionais. Que tipo de emprego pode aspirar o analfabeto funcional, quando se exige muito mais do que habilidades manuais?

Conforme nos ensinava Paulo Freire, não podemos perder a capacidade de sonhar, de esperar. Precisamos olhar o futuro pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e com o agora. E esse é o quadro real que, hoje, se nos apresenta. Que “consciência” tomará providências a respeito? Até quando faremos o jogo da cabra-cega? Os infortúnios dos desníveis sociais despertarão, um dia, a vontade política? Complemento essa análise com meus versos: “Panorama Político”.

PANORAMA POLÍTICO

Deus, guarde esta assustada humanidade,               O honesto cede a arena para os leões,
Que implora, de joelhos, proteção,                               Que se degladiam, tramam por vintém,
Necessita de homens de boa vontade,                        No picadeiro, agem como patrões,
Pra não levar o povo à exaustão.                                  Moral é tida conforme convém.

Homens que tenham o dom de amar,                          Lobos famintos comendo cordeiros,
De enxergar ao seu redor a pobreza,                          No ringue, só nocaute ou vitória.
Que queiram, com fé, o povo ajudar,                           Se mascaram de heróis, de homens ordeiros,
Se tocar, diante de tanta tristeza!                                 Visando dinheiro e entrar para a história.

Sem educação, só temos excluídos,                          Estamos cansados do faz-de-conta,
Marginais perambulando na rua,                                 De ouvir políticos na pracinha,
Sem saúde, só temos enfraquecidos,                        Falsas promessas, rosários de conta,
Incapazes de vôo, de ir para a lua.                              As mesmas histórias da carochinha.

A doutrina é sempre a mesma,                                    Não se pode, eu sei, generalizar,
Política vai, política vem,                                                Há os que lutam por sincero ideal,
Para os sem-teto, um caminhar de lesma,               Os que querem as dores minorar,        
Para os sem-pão, um jogo de vaivém.                       Têm força de deuses, ar pastoral!

O mundo é vazio de nobres ideais,                             Mas, infelizmente, são minoria,
Importa a aparência, as obras de vulto,                    Bloqueada, tem chances bem limitadas,
As benfeitorias são bem parciais,                              E, mesmo cercada pela maioria,
Sem prestígio, se encaminham pro luto.                  As boas leis são, por ela, editadas.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2000)