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SER PROFESSOR

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Izabel Sadalla Grispino *

O magistério despertou cedo em minha vida. De criança, brincava de professora. Queria saber para poder ensinar. Perguntava, tinha curiosidade, conversava com os mais velhos, sempre no sentido de aprender e repassar.

Ser professor é gostar do outro, gostar do encontro. É partilhar do destino do outro, condoer-se da dor, vibrar com a vitória. É crescer fazendo crescer, unir, dividir, somar. Ser professor é ter um olhar para dentro e um olhar para fora, um olhar local e um olhar universal. Ser professor é gostar de estudar, de aprender a aprender, ilustrar-se, avançar no conhecimento, expandir esse conhecimento ao redor, participar do desenvolvimento humano, social, científico da humanidade. Ser professor é estar antenado, é um inquietar-se, um desejo de dar sua parcela de contribuição no reforço aos direitos humanos, no restabelecimento da justiça e eqüidade social, no encaminhamento de uma sociedade de paz, de um mundo de luz, de amor.

Professor da escola, dos alunos, da comunidade, professor do mundo! Felizes os vocacionados, que sentem essas vibrações na alma. Elas saciam a sede, impulsionam as realizações. Felizes os que professam uma função por vocação. É a vocação que faz a diferença.

Nossos votos ao professor, em 15 de outubro, dia consagrado ao professor, é que ele seja reconhecido socialmente, que tenha sua auto-estima elevada, que governos lhe propiciem melhores condições de vida, melhores condições de trabalho.

“Homenageamos a todos que se dispõem a ensinar, não só o professor institucional, mas, também, o informal, a todos que passam o seu saber para as novas gerações, colaborando com o crescimento do outro, com a construção de um mundo melhor.

Embora o papel do professor, nessa nova sociedade tecnológica, tenha mudado, ele continua sendo o elemento indispensável para a promoção humana e social. Durante muito tempo, o professor mobilizou um saber disciplinar – apoiado nas disciplinas do currículo – era o transmissor do conhecimento científico. A escola era o lugar privilegiado do saber, a instituição responsável pela transmissão da memória social e cultural e o professor, a principal fonte do conhecimento. Esse conhecimento, centralizado na sua pessoa, colocava-o como um capital profissional, um capital de saberes. Hoje, ele perdeu a vanguarda do conhecimento – detêm-no a mídia, o computador, a internet. A escola não é mais o lugar propriamente da informação, mas o lugar do que fazer da informação. Associa-se, hoje, mais que ontem, à função de professor a do educador”. (Do meu livro “Prática Pedagógica”, págs. 353-354).

A vocês, irmãos do magistério, bravos correligionários, num grande abraço, transcrevo os meus versos, com os quais introduzo o livro “Prática Pedagógica”.

AO  PROFESSOR

Querido professor,
Não desanime, vá avante,
Da humanidade é luz do esplendor,
É sol que brilha em terra exuberante,
Estrada iluminada,
Luzeiro de escuras madrugadas!

Sem você, a sociedade esmorece,
A criança perde seu futuro,
Você é, de todos, a mais bela prece,
O sonho que surge prematuro,
A fé que a esperança carece,
O brilho que nunca desaparece.

Embora pouco reconhecido,
E, pouco prestígio alcança,
Com Jesus é parecido;
Seu devotamento, transpassado de lança,
Tem como maior recompensa,
A luta, para que seu aluno vença.

Assemelha-se ao pesado arado,
Que remove a terra, prepara o plantio,
Joga-se o grão adubado,
Que vencerá o inverno e o estio,
Com a chuva, a colheita é abundante,
A terra sorri em seu veludo verdejante!

Você, professor, vai além,
Prepara, aduba, planta, conquista,
Trata da semente como ninguém,
Da mente e da alma é um especialista;
Você é o amanhã de suave brisa,
O construtor, que a sociedade mobiliza ou paralisa!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2004)