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RESSALVA AOS CURSOS SEQÜENCIAIS

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Izabel Sadalla Grispino *

Os cursos seqüenciais, com sua formação rápida de 3.º grau, começam a atrair os estudantes, e a chegar ao mercado de trabalho. São cursos, em franca expansão, oficialmente chamados de cursos superiores de formação específica. Duram dois anos e dão um certificado inferior ao de uma graduação. Oferecem, aos pretendentes, um extenso leque de escolhas de profissões.

Esses cursos não têm, contudo, nenhum instrumento de avaliação oficial, como o Provão – sistema de avaliação do ensino superior – diferenciando os bons dos maus cursos. Entidades, preocupadas com a formação de profissionais oriundos dos cursos seqüenciais, fazem restrições a eles, como a dos advogados, dos engenheiros, arquitetos e agrônomos. Os conselhos de saúde proibiram o credenciamento desses estudantes. O Conselho Regional de Enfermagem proíbe o registro dos alunos do curso de Enfermagem. Argumenta já possuir as profissões de auxiliar de enfermagem, de técnico e de enfermeira, não havendo mais lugar para outras situações. O mesmo ocorre com o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, que também vetou o registro desses alunos. Temem que os formandos exerçam a profissão em locais distantes dos olhos da fiscalização.

Os seqüenciais exigem uma carga horária de 1.600 horas de aula e segundo os conselhos de saúde é impossível formar um bom profissional com apenas essa carga horária. São cursos insuficientes, dizem eles, que apenas certificam o aluno, mas não têm a propriedade de capacitá-lo para bem exercer a profissão. O Conselho Regional de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de São Paulo (Crea-SP) pronunciou-se dizendo não saber como enquadrar esses profissionais. A idéia é dar-lhes uma denominação como, por exemplo, “arquitetos com formação seqüencial”. Preocupa ao conselho o fato de o curso dar uma formação muito específica, não instrumentar o estudante de versatilidade. O mercado de trabalho muda constantemente e pode ocorrer de o formando ficar perdido, sem saber o que fazer.

O mercado de trabalho ainda não assimilou bem os seqüenciais. Questiona-se o fato de o aluno ter um 3.º grau e não ser um graduado. O aluno recebe um certificado, não um diploma. Esses cursos são mantidos pelas instituições particulares e não pelas públicas, fazendo-se necessário estabelecer um controle de qualidade. Segundo a empresa de recursos humanos, a Conselt, eles padecem de credibilidade, afirmou Mauro Hollo, seu sócio-diretor.

É comum ouvir, entre educadores, a opinião de que esses cursos são superficiais, aligeirados. Roberto Leher, do sindicato dos proprietários universitários, diz que eles “não poderiam se chamar de nível superior. Assim, como houve uma expansão do ensino fundamental sem a respectiva correspondência de qualidade, os seqüenciais podem servir apenas para edulcorar as estatísticas do ensino”.

A expansão dos cursos seqüenciais é cada vez maior. Pelo último censo do ensino superior, existem 178 cursos no País. O próximo, o que tudo mostra, deverá indicar uma explosão de ofertas, com reserva na procura.

Esses cursos oscilam entre opiniões de adeptos e de contrários. É importante aos interessados tomarem conhecimento das reservas que a eles se impõem. Para uma pessoa já formada, que queira se atualizar na sua área, pode render dividendos, mas, para quem acabou o ensino médio, essa modalidade pode frustrar, deixando o estudante um pouco distante do que é ensinado.

Os cursos seqüenciais têm limitações, que devem ser esclarecidas à população estudantil, e não apenas divulgadas pelas instituições de ensino sem um aparato explicativo. A idéia fundamental dos seqüenciais é permitir, a quem já tem uma formação, uma educação continuada. Porém, sempre há cursos seqüenciais com boa inserção no mercado de trabalho e eles podem, também, ampliar ao aluno o acesso ao ensino superior, tendo em vista que muitos não podem arcar com as mensalidades cobradas por quatro ou cinco anos. O que precisa a esses cursos é vigilância sobre a qualidade e a busca de correspondência entre eles e o trabalho, num ajuste de oferta e de procura. Os seqüenciais oferecem um diploma menos conceituado que o de graduação,  mas,  pela situação socioeconômica do País, eles podem, sem dúvida, quando bem gerenciados, ter um proveito real, democratizando a freqüência ao ensino superior. O formando, ao arrumar emprego, pode prosseguir os estudos, pagando, com seu trabalho, uma graduação, e buscar uma formação mais completa.

A preocupação maior que se coloca, com a proliferação dos cursos seqüenciais, é a ocorrência de desvirtuamento, sucateando o ensino superior, como já aconteceu com o ensino fundamental e médio.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2002)