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QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

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Izabel Sadalla Grispino *

Um grande objetivo hoje é educar com a paz. Trabalhar o sentimento de paz, tê-la como companheira, como conselheira. Um conceito toma conta dos meios educacionais: “Educar é acreditar na vida e ter esperança no futuro; é semear com sabedoria e olhar com paciência”. Esse olhar leva à paz.

Educação envolve a árdua tarefa de penetrar nos domínios da inteligência e da emoção. É caminhar com cautela nesses territórios. Hoje, a ciência fala em inteligência como fator genético, cujo desenvolvimento se favorece com o contexto cultural. Genética e ambiente devem andar de mãos dadas com conhecimento e incentivo. Cada vez mais, temos elementos para nos colocar, com mais precisão, frente ao aluno.

Entre as práticas pedagógicas ressalta-se o diálogo; em sala de aula a disposição em U ou semicírculo. Ressalta-se o pensamento de que educar é criar idéias, é cativar e não repetir palavras. Não é um manual de regras, é aproximação, é abraço, é liberdade e encorajamento à construção da própria história.

Educar é compreender o momento do estudante, compreender o momento social, o crescimento da violência e da alienação. A velocidade do pensamento do jovem e do adulto há um século era bem menor que a atual. Surge daí a necessidade de criar um novo modelo de educação. No passado, o conhecimento duplicava a cada dois séculos. Hoje, duplica a cada cinco anos, constatam as pesquisas. O excesso de conhecimento, associado aos estímulos da TV, à competição acirrada, forçou de maneira assustadora a produção de pensamentos, podendo levar ao estresse.

Para tanto, é preciso educar a emoção, educá-la com inteligência, ensinando os alunos a pensar antes de reagir. Ensinar os alunos a serem pensadores e não reprodutores de informação. Educá-lo a pensar e a acreditar na sua transformação, na sua capacidade cognitiva.

Hoje, consideramos que, para a educação ter qualidade, talvez, o principal seja propiciar aos alunos autonomia intelectual e espírito inquiridor. Desenvolver uma cidadania consciente, em que a obtenção de respostas, às perguntas, seja feita de forma independente de professores e na possibilidade de o aluno ser capaz de estar permanentemente fazendo perguntas.

O hábito de leitura, por prazer, é outro caminho importante a ser contemplado numa educação de qualidade. A leitura ajuda os jovens a formularem seus próprios julgamentos, a alcançar melhor as atividades que a escola apresente e depois o mercado de trabalho. É preciso que a leitura se constitua num lazer saudável e não só na busca do saber acumulado pela humanidade. A construção do prazer na leitura é, contudo, dificultada pelo próprio contexto escolar, onde 60% dos professores no Brasil não têm o hábito da leitura, conforme dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Estimular a criação de bibliotecas municipais, atualizadas, introduzir na grade curricular semanal uma hora de leitura por prazer, podem ajudar. Porém, o mais importante é capacitar os professores para um trabalho mais competente com a leitura, tornando-os leitores. É voz corrente de que se os mestres gostarem de ler, freqüentarem bibliotecas públicas e fizerem dos livros companheiros de viagem, a grande probabilidade é que seus alunos também o farão.

Essa  é uma cruzada que não pode ser relegada, nem postergada, se quisermos uma educação de qualidade. Índice demonstrado em avaliações do Ministério da Educação (MEC) é de que 30% das crianças chegam à 4.ª série sem saber ler.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ministério da Educação (MEC), desde 1997,  passam orientação do que deve ser enfatizado em cada segmento de ensino, mas a forma e a complementação são de competência da escola, que deve ajustar o seu ensino às características do momento social. A escola precisa, acompanhando o movimento atual, envolver-se em discussões sobre como desenvolver nos jovens coração e mente, emoção e objetividade, para que venha acontecer melhoria sustentável na educação. A escola, desenvolvendo competências e habilidades,  aspectos cognitivos de caráter geral, garante que os avanços obtidos não sejam perdidos no tempo.

A educação precisa entrar na agenda do País; os países desenvolvidos cresceram educando a população. A única idéia-força capaz de levar o País a um avanço histórico é a revolução da qualidade da educação. Essa colheita, infelizmente, o Brasil não está colhendo, porque não está semeando acertadamente.

O social que muda uma sociedade é a escola nota 10. A grande libertação do povo faz-se com lápis e caneta, não com assistencialismo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2006)