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“PRÁTICA PEDAGÓGICA”: UMA PEDAGOGIA COM POEMA

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Izabel Sadalla Grispino *

O livro “Prática Pedagógica” tem merecido o olhar da crítica especializada com saldo bastante positivo. Dentre as manifestações por escrito, cito trechos de um artigo, um tanto extenso para ser transcrito na íntegra, do emérito educador ribeirão-pretano Divo Marino, que também já morou em São Carlos e foi no passado professor titular de arte da Escola Estadual “Álvaro Guião”.

Sob o título sugestivo de “Uma pedagogia com poesia”, Divo faz considerações sobre o livro, registra passagens, com comentários auspiciosos, animadores. Inicia o artigo dizendo: Professora que, semanalmente, publica artigo especializado de educação, no matutino “A Cidade”, histórico órgão de imprensa de Ribeirão Preto, Izabel Sadalla Grispino lançou seu novo livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola). Escrever sobre um livro, continua ele, que propõe estruturar pedagogicamente a escola, pede um resumo do processo histórico da educação brasileira, centralizada em políticas públicas do período republicano do Estado de São Paulo.

Inicialmente, a influência da cultura francesa e do Positivismo dos primeiros líderes republicanos...  A realidade do antigo curso ginasial até 1942 era retratada no diploma que coroava o seu término: “Bacharel em Ciências e Letras”. Durante o clima de renovação que emoldurou a Revolução de 1930, a educação modernizou-se, seguindo as diretrizes de histórico “Manifesto dos Educadores”... Criou-se, então, em 1934, a Universidade de São Paulo (USP), “Faculdade de Filosofia Ciências e Letras”, a primeira do País com a função geradora de mestres para o ensino secundário e normal.

Este lembrete histórico demonstra que Izabel Sadalla Grispino, cuja biografia atravessa os anos da decadência da educação pública, acertou em escrever um livro que busca dar estrutura à escola, com um receituário científico e bem de acordo com a sua visão idealista de Educação, tida como fenômeno social. A autora divide seu livro em capítulos, aqui ilustrados com citações endereçadas ao debate. No Prefácio, pág. 17: “Até décadas atrás, a nossa escola pública tinha como clientela a população das camadas altas e médias mais escolarizadas. Assim, boa parte do estímulo ao ensino vinha mais da própria família e dos círculos de convivência social que do ambiente escolar. A realidade modificou-se. A escola pública, de agora, é freqüentada pela classe pobre e muito pouco faz para retê-la, com aproveitamento, no recinto escolar”. No item “A Escola que educa para o pensar”, sobre o enciclopedismo do currículo, a autora diz, na pág. 27: “Queremos formar a escola do cotidiano, da resolução dos problemas enfrentados pelos alunos, uma escola que sirva para o dia-a-dia. Não é bem o diário, mas a ligação do conhecimento com sua aplicação diária. A mudança pretendida é afastar-se de conteúdos desvinculados da realidade... No capítulo: “Principais Passos da Reforma do Ensino”, no item “A Reforma do Ensino”, pág. 75: “Para que a reforma do ensino venha a ocorrer, para se alcançar a sonhada educação de qualidade é essencial investir na qualificação docente, assistir o professor nas mudanças que venham a ocorrer”. (Perfeito, acrescenta Divo). No capítulo “Educação Infantil”, no item de igual nome, sobre a descoberta da ciência de que o cérebro é muito mais elástico do que se imaginava e tem sua capacidade definida nos primeiros anos de vida, encontramos, na pág. 227, “Descobriu-se que o melhor período para desenvolver o potencial da criança é de zero a 3 anos; o melhor período de aprendizagem ocorre dos 2  aos 10 anos. Ao entrar na pré-escola, metade do processo de desenvolvimento do cérebro da criança já está concluído”.

Estas e tantas outras citações provocam profundas reflexões. O livro em si conduz a mudanças de mentalidade, mudança no atuar.

Divo termina seu artigo, com as seguintes considerações: Consciente em conhecer, já em 1950, a preciosidade que é a educação do pré-escolar, quando pesquisei milhares e milhares de desenhos espontâneos escrevi um livro editado nacionalmente sobre a arte infantil e criei as primeiras escolinhas de arte criadora infantil do Estado de São Paulo, na Escola Norma do I. E. Otoniel Mota. Depois de muitos anos, quando secretário municipal da Educação, em 1983-84, criei as primeiras “EMEIS” (Escolas Municipais de Educação Infantil), fato que demonstra quanto é lenta a evolução da Pedagogia  e  da  Prática  de  Ensino em “nuestra América”.

O livro “Prática Pedagógica” provoca indagações e debates sobre temas educacionais e é muito útil como guia teórico-prático para o professorado. Está adornado pelas poesias da autora sobre diferentes temas educacionais, valorizando, pela Arte, a mensagem contida na obra.

Medidas pontuais, experimentais, demagógicas, de exposição em vitrines ou em estatísticas da ONU, como biombos, escondem milhões de analfabetos sem escolaridade e milhões de analfabetos “funcionais” em um País que reserva as suas mais preciosas verbas para o pagamento da dívida. Quando teremos uma escola para todos?  Por isso mesmo, sempre é louvável um livro sobre educação que defende o real interesse do sofrido povo brasileiro, como é o caso de “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), de Izabel Sadalla Grispino”.

Voltando à minha pessoa, tenho recebido cumprimentos de louvor pelo livro de vários educadores de São Carlos e de Araraquara. Um me foi particularmente expressivo, o de Lederci Gigante de Oliveira, uma ex-colega de supervisão de ensino, mestra em Pedagogia, professora universitária. Lederci é referência. Ao me parabenizar pelo livro, disse-me: “Izabel, gostei muito do livro, vou aproveitá-lo para minhas aulas na faculdade”.

Agradeço aos manifestantes. Recebo as congratulações como força e estímulo para o prosseguimento.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2004)