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PALAVRAS QUE FAZEM IR AVANTE

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Izabel Sadalla Grispino *

Continuo recebendo, comovida, congratulações pelo lançamento do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola). Uma me é muito representativa, vem de uma admiração de longa data, dos fins dos anos 60, de uma pessoa a quem credito fé.

Nessa época, dirigia a Delegacia de Ensino – hoje, Diretoria Regional – de Araraquara, o supervisor de ensino Prof. José Guilherme De Nardi, revelando uma capacidade administrativa considerável. Eu, então, diretora  do Colégio Estadual “José Pacífico”, de Guariba,  tinha minha escola subordinada à sua egrégia Delegacia. Tive a sorte de contar com a atuação firme, coerente, serena do Prof. De Nardi – era assim que o chamávamos.

Prof. De Nardi era um misto de conhecimento, sabedoria e humanidade, modelo que os diretores tentavam repassar às suas escolas. Ele era o orientador, o amigo, o conselheiro, sempre com uma palavra de encorajamento, de ir em frente. Foi-me um período de valiosas experiências, valiosas aprendizagens.

Os anos passaram-se, mas, o nosso De Nardi continuou o mesmo, devotado ao trabalho, apaixonado pela educação, alma iluminada, iluminando. Cada carta sua, que recebo, é um aconchego, calor que fortalece, que passa entusiasmo, despertando a vontade de crescer. Sua atuação como Delegado de Ensino foi altamente meritória, aplaudida, tanto que o reconduziu à mesma função por outras vezes.

A carta recebida – vinda de quem veio – fez-me bem. Reiterou forças, envaideceu-me. Ela é tão particular e tão geral que quero compartilhá-la com meus prezados leitores. Vou publicá-la porque um exemplo de incentivo profissional, tal educador estimulando a atuação do seu educando, fazendo-o sentir-se útil à sua seara.

Como diz o russo Lev S. Vigotsky, “sempre aprendemos através do outro. Aprendemos com as diferenças, com a colaboração de cada um no processo de aprender, aprendemos com a troca... Para ele, o processo do pensamento é despertado pela vida social e pela constante comunicação entre as pessoas, permitindo a assimilação de experiências de muitas gerações. Vigotsky valoriza o papel da interação social. A sala de aula é um espaço de interação social. Espaço de muitas vozes, a do professor e a dos alunos. É zona de desenvolvimento proximal, de interação e diálogo... Deve-se criar uma relação de ajuda de quem sabe mais, atingir um aprendizado resultante de interação social. Essa interação, que se cria na sala de aula, passa para a sociedade”. (do meu livro “Prática Pedagógica”, págs. 332 e 333).

A carta do Prof. José Guilherme De Nardi mostra essa interação, um dos objetivos do meu livro e dos meus artigos. Foi para mim significativo feed-back. Certamente, ao publicá-la, terei sua aquiescência.

“Araraquara, 9 de setembro de 2004.

Prezada Professora Izabel.

Duas situações relevantes levam-me a escrever-lhe. A primeira, menos significativa por ser corriqueira na vida da admirável mestra, mas que certifica a importância de sua contribuição à educação e ao ensino. A segunda, magistral e auspiciosa, qual seja, o lançamento recente do livro “Prática Pedagógica” – (Estruturando Pedagogicamente a Escola).

Relato o fato referente à primeira situação. Na avaliação do planejamento da escola onde trabalho, no final de julho, a equipe técnica deliberou insistir junto aos colegas professores sobre o maior uso da Internet no desenvolvimento dos projetos de ensino. A escola disponibiliza excelente laboratório de informática, disponibiliza seus assessores e, entretanto, raros têm se valido deste recurso para construção do saber do aluno. Fui encarregado de coordenar uma oficina (ainda eu,... velho professor da reserva) na qual o texto que me serviu de base para conscientização do grupo foi o artigo “A Inclusão digital”, de sua autoria, publicado na Tribuna Impressa, de 16/6/2004, que se revelou instrumento valioso na chegada aos objetivos pretendidos. Fico feliz ao relatar-lhe o fato, para evidenciar a propagação de seu trabalho gerador de reflexão, de tomada de consciência, de novos rumos no fazer pedagógico.

A “Prática Pedagógica” enfeixa suas idéias brilhantes sobre a escola desejada nos tempos atuais, oferecendo linhas de ação e luzes norteadoras para os educadores. Sua linguagem fácil, segura e objetiva mostra ao professor claramente os caminhos a seguir, como contribuição de alto valor, neste instante difícil em que a escola precisa redefinir sua atuação em busca de novas estratégias que a recoloquem no patamar que precisa ocupar como agência especializada na elaboração do desenvolvimento do aluno, agente transformador da sociedade.

Professora Izabel, nós que palmilhamos nossas vidas de educadores ao longo das sofridas reformas do ensino de 1961 e 1971, enfrentando todos os percalços de suas respectivas implantações, vemos, na atual reforma, dificuldades muito mais amplas, porque sua implantação implica numa mudança de mentalidade em todos os níveis, sem perder de vista o professor de hoje, formado para uma escola que ficou para trás e que precisa se ajustar aos novos padrões reclamados.

Assim, seu livro analisa o momento por que passa a educação, refletindo sobre problemas de seus vários aspectos e indicando o fazer para os novos rumos, sendo, por certo, uma contribuição de enorme valia, orientação a todos que militam na educação.

Congratulo-me com seu lançamento e, à vista das situações colocadas no início, quero saudá-la na qualidade de grande mestra, que tanto fez pela educação e continua, pelas luzes de seu conhecimento, a enriquecê-la com primorosas contribuições, que se espargem, como sementes fecundas, que, por certo, cairão em solos que se revigorarão com sua acolhida.

Aceite meus calorosos cumprimentos. Parabéns pela obra admirável.

Do amigo de sempre

De Nardi”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2004)