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O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DO BEBÊ

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Izabel Sadalla Grispino *

Hoje, há comprovação científica dos benefícios advindos dos carinhos espontâneos feitos pelas mães, ao cuidarem de seus bebês. Através de balbucios, caretas, brincadeirinhas, ruídos com chocalhos, as mães estimulam sensações com toques, ajudam a criança a explorar o espaço. Tudo feito de maneira lúdica, de mera distração.

A medicina neurológica, por instrumentos sofisticados, consegue detectar movimentos cerebrais mínimos e vem demonstrando que esses gestos maternos trazem efeitos, que vão muito além do lúdico. Na fase dos 0 a 3 anos, são considerados fundamentais e influenciam a vida toda do bebê. É nesse período que o cérebro desenvolve os sentidos, a linguagem, os movimentos, as emoções.

Essas descobertas científicas vêm reforçar comportamentos praticados naturalmente. As creches mais evoluídas mudaram, a partir de então, seus métodos de atendimento, transformando-os em atividades mais científicas que intuitivas. É uma nova visão que não diz respeito à escolarização precoce, mas à estimulação do cérebro. Desde o útero materno, os neurônios do bebê fazem contatos, transmitem informações entre eles, nas chamadas sinapses. Ao nascer, a maioria das conexões fica à espera de estímulos que darão continuidade a essas sinapses. É como um instrumento musical, pronto para produzir som, esperando que alguém o toque, surgindo a música.

Sem esses estímulos, muitas das conexões se perdem e dificilmente são recuperadas. As pesquisas revelaram que animais, privados de receber luz nos primeiros meses de vida, podem perder a visão para sempre. Considera-se que com os bebês haja o mesmo risco.

Os neurologistas explicam que, nos primeiros 3 anos de vida, quanto mais estímulo, mais e melhores conexões serão escolhidas. As que não são usadas sofrem um processo de regressão.

É preciso que fique claro ao educador que essa atitude não significa encher a criança de atividades, ensinar matemática, música, línguas, antes de completar 3 anos. Esse tipo de conhecimento não desperta nenhum interesse na criança pequena e não favorece seu desenvolvimento.

A professora Marieta Nicolau, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), orienta: “Não tem nada mais saudável para a criança do que brincar. É assim que ela aprende as palavras, faz comparações. Os cuidados rotineiros, como trocar a fralda ou dar banho, não podem ser automáticos. É importante conversar sempre com o bebê, mesmo que ele não entenda o que está sendo dito. Ele capta a sonoridade e se sente querido, porque tem a atenção do outro.”

Em escolas de educação infantil que adotam esse processo renovado, bebês convivem com crianças de 5 anos, ouvem música, histórias, brincam juntos. Ficam no berço só enquanto dormem. Aquários, salas temáticas, fantasias, ajudam nas atividades. As crianças de 0 a 3 anos divertem-se com as estimulações e aprendem limites, cuidam de si próprias, convivem socialmente, em um ambiente que nada se parece com a sala de aula. A criança fica mais ativa, mais comunicativa na convivência com outras crianças. As creches perdem, gradativamente, seu caráter assistencialista, colocando ao lado da necessária assistência, como trocar fralda, dar banho, comida, levar o bebê para dormir, a preocupação com a correta estimulação, propiciando a esta criança, amanhã, uma melhor escolaridade, uma melhor aprendizagem.

Quanto mais estímulo receber a criança, melhor. A ciência nos mostra que o cérebro humano, em seu desenvolvimento, passa por etapas. Antes do nascimento, os cerca de 100 bilhões de neurônios fazem a maioria das conexões, chamadas sinapses. Depois do nascimento, os estímulos recebidos  levam  o  cérebro  a  selecionar  as conexões que vão permanecer. Depois dos 3 anos de idade, o sistema nervoso entra no processo de maturação. Em um cérebro já amadurecido, novas conexões são muito mais difíceis.

O processo de valorização das atitudes, em relação à criança, ainda é muito recente. O desenvolvimento do bebê ainda é desconhecido por grande parte dos educadores. Foi só na metade do século XX que a pedagogia começou a voltar-se mais para a educação da criança pequena. Até pouco tempo, acreditava-se que qualquer pessoa podia cuidar da criança, havendo, inclusive, uma desvalorização da profissão e não se exigia do professor a formação correta. A exigência atual é de que os professores tenham, pelo menos, o ensino médio. Mas, a partir de 2007, segundo reza a LDB, todos devem ter concluído o ensino superior para serem admitidos em creches.

O professor de educação infantil precisa conhecer bem o desenvolvimento da criança e ter uma boa formação geral, porque o bebê aprende, também, pelo processo imitativo, o que quer dizer: se o adulto, que está com ele, fala errado, a criança vai falar errado também. A boa formação profissional influi diretamente na boa formação da criança.

No ano de 2003, as creches públicas de São Paulo sairão da responsabilidade da Secretaria de Assistência Social para integrar a Secretaria da Educação, conforme exige a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) desde 1997.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2002)