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O ENSINO DE CIÊNCIAS

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Izabel Sadalla Grispino *

Constata-se uma crise mundial do ensino de ciência. Especialistas da área começam a discutir, mais freqüentemente, como melhorar o aprendizado dessa disciplina.

Na revisão, a ciência sai da abstração das salas de aula e parte para um processo mais ativo, mais especulativo, desenvolvendo na criança a curiosidade pela informação.

O ensino de ciências cria condições para estabelecer critérios de riscos e benefícios, no trato da realidade das coisas, preparando o indivíduo a não acreditar demais e também a não desacreditar. É o enfoque da ciência real. É um ensino que leva ao exercício da reflexão pelo domínio do conhecimento científico, intrinsição relacionado aos riscos enfrentados pela sociedade, como aids, vaca louca, buraco na camada de ozônio, destruição nuclear...

Estudos têm mostrado que a diminuição da habilidade em ciências leva à perda, no ensino médio, de ganhos acadêmicos obtidos no fundamental.

Assinalam os especialistas que a ciência, às vezes, se torna difícil de ensinar, porque os resultados são exatos, sem interpretações. A ênfase fica em passar informações, sem anular a discussão das idéias. Deve levar os alunos a formular hipóteses, fazer pesquisas e registrar suas conclusões. Um ponto que  vem sendo ressaltado é não fazer ciência só no laboratório, mas fora dele, para que a criança perceba que ela faz parte da vida do dia-a-dia.

O ensino de ciências agrava-se pela falta de professores bem formados e interessados na disciplina. Em decorrência, o que se verifica é o número de cientistas cada vez menor. Ademais, pessoas que têm bons conhecimentos em física, química ou biologia enveredam-se por outras oportunidades de emprego, bem mais vantajosas economicamente.

Surge no momento uma grande expectativa com a avaliação internacional de educação o Pisa, previsto para agosto, em 57 países, incluindo o Brasil.

O Pisa, realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é feito a cada três anos, por vários países. Avalia habilidades de leitura, matemática e ciência. Cada ano o foco é uma delas. Este ano será ciência. A prova é feita por alunos de 15 anos, que estejam pelo menos na 7.ª série.

No Brasil serão 633 escolas de todos os Estados, escolhidos por sorteio. Nossas escolas não são bem equipadas em materiais e os professores não foram bem formados e não incentivam o ensino na rede pública. Levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), só 5,4% das escolas públicas de ensino fundamental e 37% das do ensino médio têm laboratório de ciências. No setor privado, os índices são de 31% e 66%, respectivamente.

O resultado do Pisa, que já preocupa o mundo todo, sairá em 2007. Este ano, os alunos responderão questões sobre assuntos, como a razão da escuridão e da claridade na Terra e sobre clonagem. Nos exames anteriores, o Brasil foi o último colocado em leitura e matemática.

Esse resultado nos fere sobremaneira, especialmente por sabermos que há uma estreita relação entre escolaridade, nível de conhecimento e taxa de desenvolvimento de um país. É preciso pensar em educação também como desenvolvimento. Hoje, de acordo com o IBGE, a escolaridade dos trabalhadores brasileiros é de menos 5,4%.

Lembrando a Coréia do Sul, país assolado por uma longa guerra civil, há 30 anos, registrava a mesma média brasileira de escolarização formal dos trabalhadores, 4,7 anos. Nessas três décadas, a Coréia do Sul investiu fortemente na educação, elevando esse índice para 12 anos, saltando em disparada ao indicador brasileiro.

Um outro agravante fator da baixa escolaridade é a violência, rondando, sobretudo, as periferias das grandes cidades.

No processo da educação, é indispensável acompanhar as novas descobertas de ensino, avaliar as informações, sempre na mira de uma pedagogia transformadora, a serviço do social.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em setembro/2006)