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O DUPLO DIPLOMA

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Izabel Sadalla Grispino *

A visão de mundo vai se unificando. Os horizontes encontram-se numa grande movimentação universal. Hoje, universidades públicas e poucas particulares aderiram à tendência européia de internacionalização na educação, dando um salto de qualidade na formação do universitário.

A Universidade de São Paulo (USP) – a Politécnica foi a primeira na internacionalização – a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), algumas universidades federais, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Pontifícia Universidade Católica (PUC) e proximamente a Universidade Anhembi Morumbi, passaram a oferecer o chamado duplo-diploma. Uma parte dos estudos de graduação é feita no Brasil e outra no exterior, principalmente na França, e recebe o diploma pelas duas instituições, que vale igualmente para os dois países. O certificado é assinado pelas duas instituições, de países diferentes, para um mesmo curso. Os alunos participam dos estudos em cada uma delas.

A internacionalização firma-se cada vez mais. Há menos de 5 anos era uma exceção no ensino superior, hoje passa a ser uma exigência do mundo globalizado. Expande a visão de mundo e favorece as oportunidades do mercado de trabalho. A internacionalização das faculdades começou com programas de intercâmbio. Por meio de convênios, os alunos podiam passar de 6 meses a um ano em universidades fora e os créditos descontados do currículo aqui. Os intercâmbios continuam mesmo depois da adoção do duplo-diploma.

Os duplos-diplomas podem ser oferecidos livremente pelas universidades brasileiras, sem autorização prévia do Ministério da Educação. Uma outra opção de internacionalização é o licenciamento da marca, o que significa abrir uma espécie de filial da universidade estrangeira no País. Pode-se oferecer aqui exatamente o mesmo curso que um outro país oferece em uma determinada localidade.

A compra de universidade foi o primeiro grande negócio de investimento estrangeiro na educação superior no Brasil. Não há limites legais para compras, mas o Ministério da Educação (MEC) quer mudar essa situação com a Reforma Universitária. Se o projeto for aprovado, será limitado em 30% o controle estrangeiro de instituições no País.

A internacionalização na educação começou na Europa em 1999, com a assinatura do Acordo de Bolonha. As universidades passaram a unificar seus currículos e facilitar o intercâmbio dos alunos.

Há instituições que oferecem, em determinadas áreas, o que se chama de quádruplo diploma, quando os alunos, com 5 anos de curso, sairão com diploma de graduação e de mestrado. São áreas em que o bacharelado, na Europa, não serve mais para nada.

A harmonização do sistema, na Europa, não se limita ao reconhecimento do diploma, mas também de créditos cursados em uma universidade em outro país. Milhares de europeus já se beneficiaram todos os anos dos acordos entre os países, sendo raro um universitário que não tenha passado alguns meses em outro país da região.

Uma nova geração de europeus vem se firmando, acostumados a viajar e fluentes em mais de um idioma. O Brasil começa a acompanhar essa tendência de internacionalização na educação, que mostra ser um caminho sem volta, e de muito futuro.

A Europa vem criando o maior campus universitário do mundo, buscando harmonizar o sistema universitário de 45 países até 2010. Nessas condições, estudantes e professores podem mudar de país com quase a mesma facilidade que trocam de salas de aula em uma faculdade. Estabelece-se um acordo para tornar semelhantes os programas, os sistemas de créditos e os diplomas de todo o continente europeu, até o fim da década.

A iniciativa inclui países que não fazem parte da União Européia, como Suíça, Rússia e Albânia. A internacionalização na educação se tornou prioridade na Europa, por causa da concorrência, nos últimos anos, de universidades americanas e asiáticas e tem como grande objetivo fazer com que cada país se beneficie do que seus vizinhos produzem.

No Brasil, a estrutura do ensino superior dificulta o intercâmbio entre estudantes. “Nossos currículos são engessados em uma formação muito profissional, o que não ocorre em muitos países”, diz o presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, Edson Nunes. Explica que o nosso modelo é parecido com o de Portugal e o da França, país que tem o maior número de convênios, com o Brasil. São hoje, 10 duplos diplomas franco-brasileiros, a maioria em Engenharia e Administração.

Para o aluno participar é preciso haver convênio entre as instituições. As vagas são para alunos a partir do 2.º ano. Haverá  uma seleção em que entram: notas altas, domínio de línguas estrangeiras e plano de estudos no exterior. O diploma é reconhecido nos dois países, sem necessidade de revalidação. Pode-se trabalhar nos dois países, também.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2006)