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LONGO DESCASO À EDUCAÇÃO

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Izabel Sadalla Grispino *

Em nosso País, economistas encontram no prolongado descaso à educação a explicação para a desigualdade de renda brasileira. Descaso secular, em que a cada década os problemas se agravam, se avolumam e arrastam o País para um futuro incerto, desordenado. A baixa escolaridade levou à baixa produtividade da mão-de-obra, aos baixos salários, à favelização, à criminalidade.

Diferenciais de salário estão diretamente relacionados a diferenciais educacionais. Em meados dos anos 90, o ensino fundamental universalizou-se e com ele se agravou a qualidade. O IBGE mostra que, praticamente, 3 de cada 5 jovens lêem e escrevem mal.

Confirmam os economistas que cada ano a mais na escola  representa  um  investimento  para a sociedade equivalente a uma aplicação financeira que rende 15% de juros reais ao ano. O nosso atraso educacional é responsável, reforçam eles, por no mínimo 1/3 da diferença de produtividade do trabalho que há entre o Brasil e os Estados Unidos.

Os resultados recentes, em economia da educação, apontam o ambiente doméstico como um dos determinantes do mau desempenho dos alunos, da queda de qualidade da educação pública.  Esse fator é facilmente comprovado observando os alunos que freqüentam escolas particulares. Essa conclusão tem empurrado a escola a olhar para o meio onde está inserida, no preceito de educação não só para dentro dela, mas para o seu entorno. Ao contribuir para que os pais, os lares, sejam melhores, a escola estará contribuindo para melhorar a escola de amanhã e para melhorar a renda familiar.

A atenção voltada às famílias é uma maneira de compensar, em parte, as carências do ambiente familiar. Ao criar programas de orientação, a escola eleva a qualidade dos pais, elevando a dos filhos. A universalização do ensino fundamental, embora tenha agravado a qualidade do ensino, trará, contudo, para as futuras gerações de alunos, pais em melhores condições culturais para educar os seus filhos, revertendo em qualidade de ensino.

Países no estágio de desenvolvimento como o Brasil precisam se voltar à pobreza, ao ambiente desestruturado, de pais separados, analfabetos ou semi-analfabetos em que vivem uma boa parte das crianças que vão à escola pública.

Acordaremos, um dia, para a realidade educacional em que vivem os brasileiros? O descaso prolongado à educação, de décadas e décadas, é muito presente, de triste resultado, precisando de outras tantas décadas de políticas públicas consistentes para se conseguir uma solução plausível para a educação, em sua qualidade de ensino.

Poucas são as regiões do Brasil que apresentam um maior avanço na educação. Uma cidade destacada pela qualidade e apontada como exemplo é Águas de São Pedro, no interior de São Paulo, próxima a Campinas. A persistência de anos de políticas públicas  caracterizou o diferencial da educação de qualidade.

Águas de São Pedro possui os maiores índices de crianças matriculadas do País. Não possui escolas particulares e as escolas públicas garantem o nível elevado do ensino.

Teremos, em Águas de São Pedro, uma luz capaz de irradiar seu modelo para o resto do País?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro de 2007)