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JOVENS NA ROTA DA REALIZAÇÃO PROFISSIONAL

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Izabel Sadalla Grispino *

As universidades não se ajustam ao mercado de trabalho, pouco se atualizam, estão presas a métodos de ensino superados, à tradicional escola do passado. Os jovens questionam a eficácia e a influência que a universidade exerce na sua vida profissional. Essas conclusões são relatadas no estudo realizado pelo II Fórum de Jovens, com 320 participantes de diferentes universidades. Esse estudo é parte dos trabalhos preparativos para o Congresso Nacional de Gestão de Pessoas. O relatório diz que a maioria dos jovens acha que “a escola em que estuda e as escolas em que estudou os estão preparando para trabalhar num mundo bem diferente daquele que se vive hoje”. As universidades preparam para um mercado irreal, dizem os estudantes.

A escola, assim como a família, continua paternalista, protetora, dando poucas armas ao jovem, na hora de decidir sobre a escolha profissional. Dizem os especialistas que estamos “criando sujeitos reativos e não proativos. Os jovens, hoje, têm muito claro que a vida não é só trabalho e se identificam com o cooperativismo, sabendo, contudo, que ele precisa enfrentar o triunfalismo”.

Uma outra conclusão é de que as universidades são castradoras e só perdem para a estrutura familiar que continua educando os filhos para o modelo de emprego convencional, um emprego, de preferência, numa multinacional, que lhes dê segurança, status, um salário garantido no final do mês. Concluem os especialista de que “a família valoriza uma psedo-segurança em detrimento de realização pessoal e profissional”.

O jovem começa a se ajustar à época presente, toma consciência do valor da aprendizagem, da prática que ensina através do estágio, dando prioridade à formação. Ele sabe que o mundo de hoje exige competência, conhecimento.

Uma pesquisa do setor de Orientação, Informação Profissional e Pesquisa da CIEE mostra que o jovem não despreza o salário, mas o aprendizado surge como o maior valor. O seu resultado surpreendeu ao revelar que o estudante vem dando mais peso ao conhecimento adquirido que ao dinheiro que possa ganhar por conta própria. A pesquisa foi montada para saber de que forma os jovens estudantes consideram a remuneração que recebem pelo estágio, chamada de bolsa-auxílio. Mostrou que eles encaram os estágios, principalmente, como uma oportunidade de enriquecer o aprendizado e a maioria não confunde estágio com emprego. Foram entrevistados 1.822 estudantes de 13 Estados, para saber como os jovens entendem o estágio. Na pergunta: “O que é mais importante para você”, 57,8% responderam que é fazer um estágio que contribuísse para sua formação, 36,2%, fazer um estágio com chance de efetivação e 6%, um estágio com uma bolsa-auxílio que cubra todos os gastos. O que chamou a atenção na pesquisa, para o fator preponderante da aprendizagem, foi o fato de 46% dos entrevistados pertencerem a famílias com renda de 1 a 3 salários mínimos, e outros 28,7%, a famílias na faixa de 4 a 6 salários.

Dos 1.822 estudantes, 391 estão estagiando. A estes foi perguntado como gastam a remuneração e 44,3% responderam que queriam “estagiar e estudar sem grandes problemas financeiros”, isto é, valorizar o seu aprendizado. A pesquisa concluiu que os jovens vêm adquirindo consciência de que o maior benefício do estágio não é o quanto recebem, mas o quanto aprendem, bem dentro de uma visão educacional. Os jovens, no estágio, consideram valiosa a importância da bolsa-auxílio, mas ressaltam a importância da aprendizagem, do relacionamento no ambiente profissional, do saber trabalhar em grupo, do aprimoramento dos conhecimentos, do avançar nas informações. Eles dão valor ao estágio e recomendam-no a outros estudantes.

Uma outra vertente educacional referente aos jovens é a criação de empresas juniores, incentivando o desenvolvimento do empreendedorismo nas universidades. O aluno vira empreendedor. A idéia de empresa júnior vem amadurecendo e, hoje, há no Brasil “cem vezes mais empresas juniores do que havia a 15 anos, quando a primeira delas surgiu”. Grandes empresas e multinacionais passaram a optar por consultorias,  pesquisas e projetos de empresários juniores. São jovens que aprendem a negociar, que não ganham nada pelo trabalho e representam menos de 1% dos estudantes de graduação do País.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é a instituição que apresenta o maior número de empresas juniores, como os empreendedores das áreas de química, computação e elétrica. O grande crescimento dessas empresas levou o Brasil a ser escolhido para a Primeira Conferência Mundial de Empresas do corrente ano, em Fortaleza, quando se discutiu regulamentação para o setor, propondo que o empreendedorismo faça parte do currículo no ensino superior, com planejamento estratégico e disciplinas específicas.

Os jovens pensam em maneiras diferenciadas para buscar clientes, tornando-se empreendedores. O grande objetivo dessas empresas é desenvolver o estudante para o lado prático das profissões, com noções de gestão e execução de projetos, atividades que dificilmente teriam como estagiários.

As empresas juniores são fundadas por estudantes, têm CNPJ próprio e usam um espaço cedido pela universidade. Diretores, presidente e outros membros da administração das empresas trabalham de graça. Os professores apenas supervisionam, elevando o nível das atividades.

Ex-membros de juniores conseguem trabalho em grandes empresas, porém o foco das empresas juniores está nas micro e pequenas empresas, principalmente pelo valor das consultorias e projetos que ficam cerca de 50% inferior ao que é cobrado por empresas convencionais que oferecem os mesmos serviços.

Novidades vêm aparecendo e é preciso que os jovens tomem conhecimento delas, como a importância do empreendedorismo no mercado atual. As empresas juniores representam, inclusive, uma forma de detectar talentos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2004)