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JOGOS NA APRENDIZAGEM

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Izabel Sadalla Grispino *

No mundo moderno, na velocidade em que se processa a informação global on line, o conhecimento, mais do que nunca, tornou-se o protagonista da evolução de todo avanço social. O progresso é filho do aprendizado, de um saber, cada vez mais apurado, sofisticado.

A evolução traz aperfeiçoamento, reforça ou enfraquece convicções. Em todas as áreas da educação, os avanços são enormes. Ganha fôlego o estudo da criança, a pedagogia referente à educação infantil. Desenvolve-se uma maior consciência sobre a importância de bem conduzir a criança nesse período.

Brincar, para a criança, é essencial para o seu desenvolvimento, para o seu aprendizado. Brincando ela vai se preparando para vivenciar a realidade, para transformá-la, desenvolvendo habilidades sensoriais e cognitivas. Vai aprendendo a lidar com valores simbólicos e sociais. Na área da brinquedoteca, têm surgido brinquedos educativos cada vez mais atraentes, aperfeiçoados, destinados a cada fase do desenvolvimento infantil e que transformam a hora de brincar em hora de aprender. São brinquedos que dão espaço para a imaginação, que estimulam a criança no brincar. Levar a criança a fazer muitas experiências, apoiadas em instrumentos facilitadores como são os jogos, torna sua aprendizagem prazerosa, convidativa. Experiências com o corpo, o tato, o olfato, os movimentos, o raciocínio...

Não se deve, contudo, entregar unicamente o brinquedo à criança. Para que ela desenvolva suas potencialidades e para que o brinquedo venha a ser realmente educativo, faz-se necessária a participação dos pais ou dos professores. O brinquedo não é auto-educativo; ele é caminho para a educação. Ao adquiri-lo, o professor deve inteirar-se bem de seu funcionamento, da finalidade a que se propõe. Deve haver afinidade entre o brinquedo e a criança. Ele deve proporcionar interação, provocar reação, estimular a observação; caso contrário, não vai cumprir sua função educativa. A criança, por sua vez, não deve se sentir pressionada, cobrada, com obrigação de corresponder à expectativa.

O brinquedo, quando bem situado, auxilia o professor em suas múltiplas tarefas, alfabetiza a criança lentamente, ensina paulatinamente conceitos matemáticos, desenvolve sua autonomia no ato de aprender. O jogo vem sendo reconhecido e utilizado no mundo inteiro como uma ferramenta educativa de largo alcance. O jogo nos faz lembrar Anísio Teixeira, ao dizer: “Quando monto na asa de um pensamento, de uma idéia, eu vôo nessa idéia como se ela fosse minha ave”. Um bom jogo, faz voar nas asas da criatividade, descortinando horizontes inimagináveis. Ele faz cumprir seus objetivos, a finalidade a que se propõe, tornando-se realmente educativo.

O mercado de brinquedos educativos aumenta a cada ano, mediante um público exigente, professores, escolas que selecionam pelo visual brinquedos atraentes, coloridos, variados e pelo caráter científico. A Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos Educativos e Afins (Abrine) estima que os fabricantes, de pequeno, médio e grande porte, de brinquedos no País ocupam de 15 a 20% do mercado, enquanto há 5 anos essa porcentagem era cerca de 5 a 8%.

Os fabricantes mais idôneos têm a seu serviço psicólogos e pedagogos especializados, capazes de oferecer um produto à altura da demanda exigida. Para cada faixa etária, para cada fase do desenvolvimento infantil, oferecem brinquedos apropriados. Até os 15 primeiros meses, criam objetos macios e sonoros, que estimulam o tato, a audição, o olfato. Até 5 meses, a criança precisa de estimulações basicamente sensoriais, para estimular o tato, o paladar, o olfato e a audição. Do zero aos 8 meses, são indicados chocalhos com sons suaves e diversificados, móbiles, que podem ser manipulados pela criança, bolas e dados de espuma, com diferentes texturas. Objetos moles, com reentrâncias para morder, por causa do início da dentição. Após os 9 meses, usar brinquedos com encaixes, pinos cilíndricos e coloridos de vários tamanhos. A criança, nesse período, começa a executar diversos movimentos com as mãos, ter noções de direção e relações de causa e efeito.

No período dos 15 meses a 2 anos, inicia-se a estimulação da coordenação motora. São recomendados brinquedos com figuras grandes, coloridas, comunicativas e de encaixar. Auxilia na coordenação e na descarga de agressividade da criança e também no desenvolvimento da linguagem e expressão. Para esse período são aconselhados, ainda, instrumentos de percussão, de sopro simples, como tambores, cornetinhas e gaitas.

Dos 2 aos 3 anos, a criança começa ordenar, classificar, aprender as cores e os tamanhos. Brinquedos com caixas grandes, com peças de montar e ordenar, ensinam cores e tamanhos. Blocos inteiros para manipular, empilhar e armar, como um quebra-cabeça simples, ajudam a exercitar noções de equilíbrio, de ordem, estimular a criatividade e ter a percepção de tamanho e alteridade, período de criação e descoberta.

Dos 3 aos 5 anos, a criança associa números, quantidades e formas geométricas com mais facilidade. É o momento para brincar em grupos, é quando desenvolve comportamentos de grupos e consegue compreender regras simples. Conjuntos desmontáveis e coleções mostrando animais domésticos e selvagens são aconselháveis.

Dos 5 aos 7 anos, usam-se brinquedos com seqüências para lógica, matemática e universo lúdico. Fazem parte os jogos de memória e atenção, jogos que exigem ordenação e raciocínio. Recomendam-se, nessa fase, brincadeiras com teatros de fantoche, fantasias representando animais e personagens do mundo infantil.

Dos 7 aos 10 anos, para estimular a habilidade motora, o desenvolvimento da linguagem escrita e cálculos matemáticos, pensamento abstrato, usam-se livros, CDs e jogos. As brincadeiras ficam mais complexas, aumenta a capacidade de fantasiar. Para tanto, usam-se o jogo de xadrez, com peças diferentes, no lugar de figuras tradicionais, histórias de montagem, microscópios, lentes de aumento, kits científicos de iniciação à química, física e biologia e outros.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2005)