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INTERATIVIDADE ESCOLA-COMUNIDADE, ESCOLA-ALUNO

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Izabel Sadalla Grispino *

A escola, em sua visão humana, não considera o aluno como uma carreira em desenvolvimento, mas um ser em formação. Prioriza a educação integral nos aspectos cognitivos, afetivos e psicomotores. Diferentemente do passado, de um mundo mais lento, de uma educação mais devagar, com seu conteúdo mais sedimentado e com mais tempo para o estudante se aprofundar nas matérias, vivemos hoje um mundo onde tudo é muito rápido. Hoje, muita coisa é descartável e muitas necessidades foram criadas.

A escola, no contexto atual, oferece oportunidades para que o aluno faça suas descobertas e coloca o professor como mediador na construção do conhecimento. Nesse processo, o professor vai descobrindo como o aluno aprende, vai criando condições para que ele desenvolva todo seu potencial.

O ensino não pode ser padronizado, porque cada aluno é uma pessoa única, com seu tempo, ritmo e tendências próprias. Ele não é um sistema fechado, mas abrangente, como é a formação das pessoas e a construção da sociedade do futuro.

Professor e aluno trabalham num sistema de parceria. A parceria cria, na sala de aula, um clima interativo, um conhecimento articulado, facilitadores da comunicação e da abordagem democrática, libertadora. O professor vai adequar o seu ensino ao tipo de aluno que recebe, vai falar, como emissor, a língua do aluno, o receptor. Conhecê-lo bem, conhecer seu universo cultural, deve ser o ponto de partida, a fim de centrar a aprendizagem em bases no real, no concreto, preferentemente nas séries iniciais, evitando, dessa maneira, uma possível inadaptação do aluno aos métodos da escola.

Escola é vida, é experiência de vida. Investigar o cotidiano do aluno, trazer sua vida à escola, relacioná-lo, estrategicamente, aos conteúdos do currículo, vão tornar a aula mais atraente, mais condizente com esse aluno.

Ajustar-se às condições de vida do aluno, à sua realidade, é para a escola ponto central, tanto para a sua organização, para a montagem de seu currículo, de seu calendário, como para a sua didática. Tomemos como exemplo as escolas do campo, não mais chamadas de rurais. Essas escolas incorporam o modo de vida das pessoas do campo e valorizam a idéia do pertencimento.

As escolas do campo têm programas específicos, diferentes das escolas da cidade, buscando preservar a cultura dos pequenos agricultores, num processo de revalorização do trabalho do campo. A escola inclui na carga horária o tempo em que o aluno trabalha com a família, sob sua orientação.

A escola não se fecha mais em si mesma. Ela se abre e reflete a vida da comunidade onde se insere. Em 2002, com o apoio do Ministério da Educação (MEC), foram aprovadas as primeiras diretrizes pedagógicas para a organização de escolas no campo. No mês de fevereiro do corrente ano (2006), o Conselho Nacional de Educação (CNE) reconheceu como dias letivos o período em que alunos ficam em casa, desenvolvendo projetos agrícolas com suas famílias, monitorados pelas escolas. É a chamada Pedagogia da Alternância, que leva em conta o fato de os jovens da zona rural não poderem cumprir o calendário escolar convencional, porque trabalham nas suas propriedades. As escolas incluem atividades extraclasses, como ensinar a subir em árvores e colher frutas.

É a escola ensinando o aluno a se desenvolver no ambiente em que vive, a aprender a gostar do lugar onde mora.

O ato pedagógico deve estar inserido nas condições de vida do aluno e nas suas condições psicossociais, dentro de sua faixa etária e ministrado de forma prazerosa, afetiva. O professor encaminha seu ensino de modo a desenvolver habilidades paralelamente à aquisição do conhecimento. Esses preceitos não são recentes, já aprendíamos com Anísio Teixeira, nas décadas de 50 e 60, com sua proposta de escola-parque.

Ajustar o conteúdo escolar à vida da comunidade, à vida do aluno, é fator de sucesso, visto que a apropriação do conhecimento historicamente constituído leva o aluno ao desinteresse, à apatia. Contudo, a competência do professor está em superar, gradativamente, essa realidade e dar ao aluno uma formação compatível com o mundo moderno, remetendo à escola seu caráter formal. É evidente que a preparação do professor tem reflexo na aprendizagem. Ele precisa mostrar qualidade, atualizar-se.

Deve existir entre professor e aluno a troca, onde se transmitem e se recebem informações. É preciso “aprender a aprender”, como enfatizou Paulo Freire, saber interpretar as múltiplas linguagens, as falas heterogêneas, na constatação de que o saber é uma viagem, não um porto. A troca é democrática, forma o aluno para o diálogo. Democracia é treino. A parceria, a troca, são canais, por vezes, difíceis, que demandam tempo,  mas que precisam acontecer.

Traçando o perfil do aluno, valorizando sua história, obedecendo a estrutura do pensamento, o professor terá um aluno interessado, participativo, com um desempenho compensador.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2006)