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INFORMATIZAÇÃO NAS ESCOLAS PÚBLICAS E PRIVADAS

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Izabel Sadalla Grispino *

O cenário cibernético da informática com a internet toma conta das escolas. Computadores já não são mais exceções, mas regras nas escolas de São Paulo.

Segundo consta, 100% das escolas da rede municipal têm laboratórios de informática; na rede pública estadual, o número é de 50,4%. Nas escolas particulares, a inclusão digital é bem mais aprimorada, só se ressalvando escolas que não adotam o uso de computadores, porque vêem na tecnologia uma ameaça ao desenvolvimento da criança e do adolescente.

A crença generalizada é de que a tecnologia acelera o processo de aprendizagem, diversifica as ferramentas do ensino e amplia a visão do educando. O professor, bem treinado, consegue explicar em uma aula o que levaria três ou quatro e o aproveitamento do aluno é bem maior. As escolas vêm aderindo à lousa digital, que pode ser ligada a microscópios, projetores e também à internet. A lousa digital, ao lado do quadro-negro e do giz, é instalada nas salas multimídias e usada quando o professor quer dar uma aula mais dinâmica. Essa aula é um estímulo para o aluno, que a assiste com mais entusiasmo. A escola mescla aula a distância e aula presencial. As lousas eletrônicas abrem novas perspectivas, novas possibilidades de interatividade entre professor e aluno. Uma criação automática de provas é programada, impedindo a cola. Ainda, o aluno, com um simples comando no computador, pode ter, em mãos, impressa a aula que o professor acabou de dar.

Contudo, um estudo comparativo sobre o uso da informática, entre as escolas particulares e a pública, mostra o quanto o aluno pobre se distancia da evolução tecnológica exigida pela época. Fica à deriva dessa aprendizagem, aprende, apenas, o básico.

As grandes escolas particulares adquirem equipamentos caros, supersofisticados, atraindo cada vez mais alunos, criando um desnível colossal com as escolas públicas, no uso da tecnologia. O estudo cita, por exemplo, o Colégio Bandeirantes de São Paulo, com DVD player, projetor e computador em quase todas as salas de aula. Tem lousas digitais, um laboratório com PC e outro com notebooks interligados por rede sem fio. O grande destaque é o Classroom Performance System, uma sistema para o aluno responder questões de múltipla escolha exibidas no telão por um controle remoto, que permite ao professor saber quem respondeu o que. É utilizado, também, em aulas de revisão e para treinar os alunos para o vestibular. Entre outras utilidades, o sistema, surpreendentemente, faz um relatório e o professor fica sabendo qual a dificuldade específica de cada aluno.

Um outro aspecto muito interessante são os programas para a organização e distribuição de provas. O professor informa para quantos alunos a prova será aplicada e quantas questões devem ser respondidas por cada um. O sistema sorteia as perguntas e as distribui aleatoriamente pela classe, não permitindo que nenhuma prova fique igual à outra. Facilitando o trabalho, o próprio programa corrige o teste, seguindo as orientações passadas pelo professor ao software.

Os alunos da escola estão acostumados aos PCs desde pequenos em suas casas e acompanham com a maior desenvoltura todo o processo aplicado. Por sua vez, os professores têm que ser mestres em informática, dominar os conhecimentos de informática e, assim, conseguem facilmente manejar essa tecnologia, utilizada como ferramenta pedagógica. A linguagem da tecnologia é, por eles, introduzida naturalmente, sem entraves na comunicação. Professores e alunos estão familiarizados com o uso dos equipamentos eletrônicos.

Como o Colégio Bandeirantes, outras escolas privadas, de alto padrão, mantêm um ensino avançado em informática e usufruem de toda sua inovação. Mesmo escolas particulares menos equipadas oferecem ainda melhores condições para o ensino e uso da tecnologia que as escolas públicas, sempre em defasagem nos amplos aspectos do conhecimento. Os seus laboratórios de informática, quando existem, são mais tradicionais. Chegam a ter máquinas novas, usadas para trabalhos escolares e pesquisas na internet. Também, são usadas para ensinar rudimentos de informática e comumente seus alunos nunca tiveram, antes, a oportunidade de manusear um computador.

Ademais, o seu uso limitado do computador revela, em parte, a limitação do professor da rede pública, que não conhece métodos alternativos para essa tecnologia. Os alunos, segundo pesquisa, apenas complementam o que aprendem em sala de aula e acompanham outras experiências como o uso de câmaras e filmadoras digitais. A utilização dos computadores é feita de modo a que professores e alunos tenham os mesmos direitos. Quando se quer usá-los para um projeto ou para um trabalho, tem que marcar hora.

As escolas públicas, em geral, vêem os projetos propostos como algo sem muita utilidade. Não envolvem seus alunos em propostas de criação de conteúdo ou troca de conhecimento com crianças de outras escolas. A metodologia é rudimentar, bem diferente da utilizada por boa parte das escolas privadas. Dificilmente, chegam a ter programas educativos de matemática, história, ciências ou geografia.

Entretanto, o uso da tecnologia deve seguir critérios rígidos, em qualquer situação, seja das escolas privadas ou das escolas públicas, advertem os educadores. O uso indiscriminado e prolongado do computador acentua regressos em muitos aspectos do saber. Constata-se uma formação crescente de analfabetos funcionais. O aluno, apegado ao computador, ao videogame, à internet, à TV, não adquire o hábito da leitura. Lê mal e por conseguinte escreve mal, não tem uma imaginação trabalhada. Geralmente, copia os textos pesquisados da internet, mas não os lê, não os interpreta. Não desenvolve a análise crítica, a capacidade de interpretação.

Aprender informática, saber se valer dos aparelhos tecnológicos, são regras para a sociedade hodierna. Porém, o computador não pode, de modo algum, competir com a leitura. Ele não pode ser visto como um substituto da leitura. É preciso que ambos caminhem par a par. Que o aluno seja estimulado para o hábito de ler e que o uso do computador seja adequado, dosado, usado com criatividade e raciocínio. Se é usado de maneira tradicional, de maneira automática, não acrescenta nada ao saber do aluno.

A inclusão digital deve ser conduzida com cautela, para não atrapalhar a formação cognitiva, a formação moral do aluno. A internet é a porta da rua, que faz o aluno ir a qualquer lugar do mundo, a situações convenientes ou inconvenientes, que elevam a alma ou a degeneram. Deve ser conduzida e orientada pelos professores da escola.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2005)