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INDICADORES DE UMA BOA ESCOLA

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Izabel Sadalla Grispino *

Algumas características se ressaltam na constituição de uma escola e deixam aspectos que a representam.

Se ao entrarmos numa escola de Educação Infantil depararmos com paredes pintadas e decoradas, trabalhos de crianças expostos em murais, alguma desordem ordenada, muita conversa, risos, temos bons indicadores da vida escolar. Se nos depararmos, afixadas em quadro, datas marcadas de reuniões de estudo, de projetos programados, de avaliação da aprendizagem, passamos a confiar mais no seu processo pedagógico, na sua metodologia, na formação de seus docentes.

Se a escola é grande, sabemos que o número de amizades é maior, mas a criança corre o risco de ser apenas mais uma dentre as demais. Uma escola menor, geralmente, propicia uma identidade maior com os alunos, uma aproximação maior entre professor e aluno, um acompanhamento maior da evolução do aluno. Se bem que isso pode ser controlado pelo número de alunos que a escola põe em sala de aula, pelo número de aulas que se atribui ao professor.

Um outro indicador da postura da escola é a maneira como ela se relaciona com os jovens, no ensino fundamental e médio. Hoje, os jovens, em determinados aspectos, são mais revolucionários, mais articulados, querem se infiltrar no seu tempo, envolver-se com o mundo globalizado, manifestar-se, expressar sua participação. A expressão da cultura jovem tem aflorado a preocupação das escolas, que vêm oferecendo oportunidades a que talentos apareçam e esta abertura de espaços para os jovens tem chamado a atenção dos pais.

A escola na individualidade valoriza a diversidade, valorizando, acima de tudo, a potencialidade. Uma escola de ensino fundamental e médio que deixa espaço para os jovens desenvolverem suas aptidões artísticas, para criar projetos juvenis, mostra sua face atualizada.

Não se pode ver os jovens como sendo todos iguais. Diferenciam-se em gostos, em atitudes, em modos de vestir, pentear-se. São várias identidades, mas que se entendem, se comunicam, numa linguagem universal. Brasil, Estados Unidos, França, Alemanha têm culturas diferentes, mas, dentro das suas especificidades, há o encontro global do entendimento jovem.

Esse espaço cultural, criado pela escola, serve não só para a criação de trabalhos, de projetos, de atividades, mas, também, para que os jovens se aproximem, se dialoguem, desenvolvam a capacidade de convivência humana, de troca, na meditação da realidade em que vivem. Desenvolvem meios de participar mais dessa realidade, participar mais da comunidade.

Um outro aspecto indicador de modernidade são as práticas esportivas, os exercícios físicos, Hoje, as crianças são muito apegadas à tecnologia, não se desgrudam da TV, computador, videogame. A violência barra os jovens das saudáveis brincadeiras de rua. A escola, colaborando com esses jovens, oferece espaço de lazer, de variedade de jogos à escolha dos alunos. Estes escolhem os que lhes dão mais prazer. Dizem os fisiologistas que as habilidades e as aptidões surgem espontaneamente, que não se deve pressionar.

Praticando esporte, os alunos melhoram a auto-estima, o humor e a autoconfiança, a socialização, alicerçando a personalidade. As perdas e os ganhos nos jogos ajudam o indivíduo a lidar melhor com as frustrações. Incentivar as crianças e os jovens a praticar esportes é salutar, mas querer que sejam um campeão é prejudicial. Nesse caso, a criança ou o jovem sente-se investido de uma responsabilidade negativa.

As aulas de educação física têm papel importante na formação de valores. Trabalha conceitos sobre regras, disciplina, espírito de equipe e competitividade amigável. A escola mostra indicadores esportivos quando, desde o jardim da infância, lança a sementinha durante as brincadeiras e atividades lúdicas. As crianças aprendem a respeitar o colega, a desenvolver o senso crítico, a conviver com as regras e ampliam suas experiências. De acordo com a idade, a escola vai colocando desafios progressivos para a criança e à medida que os supera vai ganhando autoconfiança. Na prática esportiva há a preocupação com a formação integral das crianças e dos adolescentes, tendo em mira a receita de dosar as atividades.

A escola, ao desenvolver aptidões, ao descobrir potencialidades juvenis, abrindo espaços entre os períodos regulares de aula, absorve o jovem em comportamentos prazerosos e saudáveis. Afasta-o da ociosidade e de más companhias. Recente pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas, em 2005, mostrou que os jovens vêm consumindo, cada vez mais, drogas ilícitas. Revela que aos 12 anos de idade, quase 13% dos estudantes brasileiros já usaram algum tipo de droga, sendo o álcool a mais usada.

Indo atrás da potencialidade do aluno, criando espaço de realização de suas aptidões, a escola está trabalhando a droga em sua prevenção, colaborando com os pais, na boa formação dos filhos, e com a sociedade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2006)