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HABILIDADES DO ALUNO SUPERDOTADO

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Izabel Sadalla Grispino *

O artigo “Alunos de desempenho excepcional” provocou interesse de algumas escolas. Queriam um detalhamento de como reconhecer o superdotado, pelo comportamento e pelas habilidades demonstradas. Pesquisando mais sobre o assunto, surgiu uma sistematização esclarecedora.

Esse interesse das escolas é sumamente inteligente e salutar. Para exemplificar, citarei os Estados Unidos, onde a prática de investir em jovens talentos tornou-se uma política de governo, já no século passado. Os dados revelados são de que, em 1957, quando os russos deram a largada à corrida espacial, ao lançar na órbita terrestre o Sputinik, o primeiro satélite criado pelo homem, colocaram em xeque a supremacia científica americana. Como reação, os Estados Unidos empreenderam uma política feroz de caça a seus melhores cérebros, que perdura até hoje.

Isso reverteu em conhecimento avantajado. Um estudo feito em 80 países por economistas da Universidade de Chicago (EUA) concluiu que as políticas de formação de talentos empreendidas pelas nações mais ricas do planeta foram, em muitos casos, a chave para sua prosperidade econômica.

Investir em alunos de altas habilidades significa enriquecer a sociedade, dando-lhe meios para entrar na concorrência altamente proveitosa. Traz vantagens imediatas aos estudantes superdotados e a longo prazo beneficia o país.

A escola deve se preparar para receber esses alunos. Deve haver, por parte dela, receptividade a eles, alternativas pedagógicas criativas e orientação aos professores. Os professores têm necessidade de cursos, estar preparados para esse atendimento. Não vai acontecer a inclusão do superdotado se o professor não receber uma capacitação, um apoio técnico-didático competente. Muitos se sentem despreparados e se valem da ajuda de parcerias com faculdades, secretarias de Educação, também, de professores itinerantes, que trabalham com alunos de altas habilidades.

O professor não deve supervalorizar o aluno superdotado perante a classe, colocá-lo num pedestal, criando situações de rivalidade, de discórdia. Deve tirar de todos os alunos o que eles têm para oferecer. Desenvolver o superdotado sem desprezar os demais, afinal todos têm talento, a diferença está nos níveis, como diz Vigotsky. Criar um ambiente amigável, porque o superdotado tem que conviver com seus pares e deve haver uma adequação, um entrosamento, que afastem o preconceito.

Essa é uma das preocupações da gestão inclusiva, em como atender as peculiaridades do superdotado sem discriminar os demais.

Os professores, geralmente, têm dificuldades de identificar alunos como superdotados, mas apontam os que aprendem mais rápido, são mais curiosos, perguntam demais, características que levam ao superdotado. Os especialistas costumam apontar 6 habilidades:

• Intelectual geral: curiosidade intelectual, poder excepcional de observação, capacidade de abstração mais desenvolvida e atitude de questionamento;

• Talento acadêmico: desempenho excepcional na escola, ótima performance em testes de conhecimento e alta habilidade para tarefas acadêmicas;

• Pensamento criativo: idéias originais e divergentes, habilidade para elaborar e desenvolver suas idéias, capacidade de perceber de muitas formas diferentes um determinado tópico;

• Liderança: líderes sociais ou acadêmicos de um grupo e que se destacam pelo uso do poder, autocontrole e habilidade em desenvolver uma interação produtiva com os demais;

• Artes visuais e cênicas: habilidades superiores para pintura, escultura, desenho, filmagem, dança, canto, teatro e instrumentos musicais;

• Psicomotora: proezas atléticas e também o uso superior de habilidades motoras e refinadas e habilidades mecânicas.

Para identificar uma criança superdotada, os especialistas no assunto indicam as seguintes características:

• Aprende mais rapidamente que seus colegas da mesma idade;

• Faz muitas perguntas, demonstrando uma grande variedade de interesses e curiosidades;

• Tem um vocabulário inusitadamente avançado para sua idade ou série, riqueza de expressão, elaboração e fluência;

• Tem um senso de humor altamente desenvolvido;

• É persistente no empenho em satisfazer seus interesses;

• É crítica de si mesma e dos outros;

• É sensível a injustiças, tanto em nível pessoal quanto em nível social;

• Não é propensa a aceitar afirmações, respostas ou avaliações superficiais;

• Apresenta desempenho acima da média em testes de inteligência.

Trabalhar esses alunos não é fácil, mas necessário. Confirmam os especialistas de que se esse potencial não é desenvolvido, muitas vezes, ele pode se perder na fase adulta, por falta de incentivo. O superdotado é um grande desafio para o professor, que se torna pólo de referência do desenvolvimento desse aluno. Deve ser treinado para identificar as crianças com habilidades especiais, reconhecer e responder à diversidade, acolher as diferentes potencialidades, características, ritmos de aprendizagem. As cobranças não devem ser acima do normal e, principalmente, não se pode perder de vista de que, acima de tudo, se trata de crianças.

Enquanto que no Brasil o Ministério da Educação (MEC) não incentiva a existência de escolas especiais para superdotados, apenas estipula a convivência deles em escolas regulares, nos países avançados, a busca de cérebros é preceito fundamental. Esses alunos têm acompanhamento intensivo de uma equipe de pedagogos e de professores treinados, capacitados para lidar com o superdotado. A atualização do professor, sua competência e seu devotamento são requisitos obrigatórios.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2005)