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FORMAÇÃO DE QUALIDADE

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Izabel Sadalla Grispino *

Já há consenso da necessidade de uma formação de qualidade a ser dada ao professor. È bem clara a percepção de que é o professor o grande responsável pela aprendizagem do aluno. Está grandemente em suas mãos o resultado do rendimento escolar.

Aumentar o salário do professor é ponto significativo, mas só ele não resultará em melhoria da educação. Estudos mostram que o valor do salário isoladamente não tem nenhum impacto na aprendizagem dos alunos. Por si só, o salário do professor não melhora a qualidade da educação. A qualidade advém da qualidade dos docentes, do seu grau de conhecimento pedagógico e do domínio do conteúdo específico da área, em que atua.

Se tivéssemos parâmetros de formação de qualidade para as escolas de Pedagogia, não estaríamos assistindo a resultados desastrosos das avaliações sobre o nível de aprendizagem dos alunos. A qualidade da formação dos professores está, hoje, longe do desejável. Muitos docentes têm carência até dos conhecimentos básicos de suas próprias disciplinas.

As instituições de ensino superior, para os cursos de formação de professores, não podem, junto ao conhecimento pedagógico, deixar de reforçar o ensino do conteúdo das disciplinas específicas, que serão ministradas pelo professor. O aperfeiçoamento e atualização de conhecimentos devem ser continuados, tanto na área pedagógica, quanto na do conteúdo das disciplinas. Sem essa base de sustentação não há como exigir um ensino de qualidade.

Assim, nos avanços pedagógicos e nos avanços do conteúdo pode-se esperar um equilíbrio entre benefícios profissionais e rendimento escolar do aluno. Podemos presenciar um ensino conectado com o mercado de trabalho, com os movimentos sociais, criando projetos de desenvolvimento, em que a modernização de métodos atinja a evolução tecnológica.

O carro chefe de toda essa revolução está na competência profissional, assessorada pelas condições de trabalho. Em todos os ângulos, em que se avalia a qualidade de ensino, o eixo recai sobre o professor. Professores bem preparados e compromissados com a educação são os diferenciais.

Instituições acima da linha de qualidade aprimoram seus sistemas de avaliação. Nas melhores escolas há uma preferência por provas discursivas, em que o aluno precisa fazer uma análise do conteúdo e desenvolver um raciocínio, isso desde o ensino fundamental.

As escolas ruins, mal equipadas e com professores fracos, fazem muito pouco por seus alunos, acarretando-lhes a defasagem. Nos anos mais avançados da escolaridade, os alunos apegam-se à internet, como a maior fonte de informações para trabalhos escolares e num procedimento que não traduz passos pedagógicos consistentes, agravado pela ausência de acompanhamento docente, com resultados distorcidos.

A educação é um dos mais graves problemas do País. O professor precisa ser preparado para a sala de aula, preparado para utilizar práticas pedagógicas capazes de, por exemplo, transversalizar as disciplinas,  para contextualizar notícias recentes, ou aspectos importantes da vida do aluno, com o conteúdo das disciplinas e assim motivar melhor o aluno, incentivando-o ao estudo.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2007)