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ESCOLAS, PEQUENAS ILHAS DE EXCELÊNCIA

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Izabel Sadalla Grispino *

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) leva em consideração dois fatores que interferem na qualidade de ensino: o rendimento escolar, por meio das taxas de aprovação, reprovação e abandono, e as médias de desempenho dos alunos nas avaliações nacionais – Saeb e Prova Brasil. A combinação entre o fluxo e a aprendizagem resulta em uma média para cada Estado, município, escola e País, que varia numa escala de 0 a 10.

Países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), para qualidade de ensino, consideram como índice médio o igual ou maior que 6,0. De um total de mais de 55 mil escolas, apenas 160, de acordo com a classificação do Ministério da Educação (MEC), ou seja, apenas 0,2% das escolas públicas brasileiras chega a este índice.

A comparação com nações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é possível, levando em conta a participação em avaliações internacionais, como o Pisa – que mede conhecimentos de leitura, matemática e ciências, e a criação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que considera o desempenho dos alunos na Prova Brasil, exame realizado por todas as crianças de 4.ª à 8.ª série do País, e o Sistema de Avaliação Básica (Saeb), feito por amostragem.

A média dos países da OCDE é de 6,0 (a Holanda ficou com Ideb 7,0 e o Reino Unido, com 6,5), valor que também foi considerado como meta a ser atingida pelo Brasil até 2021. Hoje, o Ideb médio nacional é de 3,8 nas séries iniciais do ensino fundamental.

Contudo, nem todas as escolas ou municípios, segundo o MEC, precisam de ter esse valor de índice. Cada escola tem uma meta diferente para 2021, de acordo com seu desenvolvimento. Mesmo escolas que tenham passado da média 6,0, hoje, terão de melhorar. O Ideb vai de 0 a 10.

Como sói acontecer, pouquíssimas escolas brasileiras atingiram a média 6,0 e, excepcionalmente, uma escola chegou a suplantar países com educação de excelência, como a Coréia do Sul e a Finlândia. A escola Professora Guiomar Gonçalves Neves, em Trajanos de Morais, no Estado do Rio de Janeiro, teve Ideb 8,5, o melhor índice do País.

Uma outra escola, municipal, Helena Borsetti, na cidade de Matão, interior do Estado de São Paulo, teve Ideb superior ao projetado para a Holanda, 7,8. Ficou classificada como a 3.ª do ranking das melhores do Brasil e a mis bem colocada de São Paulo. Uma escola que reflete a comunidade e o ambiente locais.

É na verdade muito pouco, mas é algo a se considerar, a se ir buscar como fonte, como elixir da boa aprendizagem. São escolas que vivem a sua realidade, que criam, da relação dos alunos com seu meio, estímulos para o aprender.

A escola de Matão está situada na zona rural e tem seu currículo adaptado às crianças desse meio, incorporando noções de agricultura e pesquisas da realidade vivida pelos alunos.

Firma-se, cada vez mais, o conceito de escola inserida em seu meio. Os rankings mostram que as escolas do interior do Brasil são as mais bem colocadas, quando se fala das séries iniciais do ensino fundamental. São escolas que têm um trabalho mais próximo da comunidade, comunidade que valoriza a atuação do professor, a sua atitude em sala de aula

Dentre as 55.967 escolas que fazem parte do índice, apenas, 0,01%, ou seja, 9 delas, tem Ideb, como a de Matão. Outras 33 unidades de ensino, o que representa 0,05% do total, chegam a 6,5 e se equiparam ao Reino Unido.

É ponto significativo, mas é ponto mínimo. Daria para dizer: “Vá em frente, sacode a poeira e dá a volta por cima”?

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2007)