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ENSINO A DISTÂNCIA

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Izabel Sadalla Grispino *

A educação a distância caminha, no Brasil, lentamente. Esse ensino se faz há muito tempo, mas, a ausência do professor, em sala de aula, tem colocado empecilho à freqüência do curso. Todos querem um professor dando aula, por isso o modelo da aula virtual, em que o conteúdo exposto está à espera que os alunos se interajam, não funciona bem. Eles não dispensam a figura do professor. Há uma forte resistência por parte dos alunos à passagem da aula presencial para a aula a distância.

Porém, surge um novo sistema que vem reforçar a aula virtual, aliando TV, internet, telefone celular, estimulando as faculdades a evoluir, deixando de ser conservadoras. As novas tecnologias de ensino a distância, criadas pela Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP) com as empresas Ibir Inteligent Business Solutions, de Campinas (SP), e Sector Tecnologia, de Blumenau (SC), revolucionam as aulas via satélite.

Utilizam-se de computador básico, TV, webcom, mesa de edição simples e acesso à internet em banda larga e esses equipamentos fornecem várias possibilidades para montar cursos. O sistema permite ao aluno, junto à presença do professor, se ele estiver acompanhando a aula pela internet no momento em que está sendo ministrada, usar um ícone na tela e interpelar virtualmente e fazer perguntas ao professor. Há, ainda, a possibilidade de assistir a aulas gravadas.

O novo sistema quer conquistar o aluno, dando-lhe várias oportunidades de participar ativamente da aula. Com uma webcam simples, o estudante poderá, também, aparecer ao vivo para os colegas virtuais. Se estiver estudando por meio da TV a cabo, poderá usar o próprio controle remoto para interagir ou o telefone celular, por meio de mensagens de texto, tipo SMS. Os pesquisadores estão desenvolvendo uma nova ferramenta que vai possibilitar a participação do aluno por telefone, com voz e vez de mensagens de texto.

Nessa aula virtual, o professor pode lançar uma questão, por exemplo, de múltipla escolha. Quando os alunos responderem, ele terá em sua tela um gráfico que aponta os erros e os acertos da classe. Tem, assim, uma resposta imediata sobre o aproveitamento dos alunos e a partir, de então, decidir a seqüência do conteúdo.

O foco do projeto Escola do Futuro está, por todo País, em cerca de 90 canais universitários. Mas, a tecnologia pode ser usada por empresas que queiram treinar funcionários ou até mesmo pequenas comunidades que possuem um canal de transmissão. No caso de instituições de ensino privadas, o projeto é vantajoso, segundo os desenvolvedores do sistema. Uma instituição que decida criar duas mil vagas pode economizar até R$ 5,4 milhões em investimento em infra-estrutura. O ponto crucial fica revertido à qualidade do programa, fazendo inclusão social com uma educação eficiente.

A educação a distância atua em vários universos. O Telecurso 2000 tem 500 mil alunos. Temos, atualmente, cerca de 1,5 milhão de pessoas fazendo uso da educação a distância dentro de empresas, como a Petrobrás. Temos 3 milhões de pessoas fazendo algum tipo de curso a distância, no Brasil. O novo sistema ajuda a criar novos cursos em áreas que não eram exploradas.

Esses recursos virtuais, movimentando e estimulando a participação do aluno, têm a propriedade de atrair candidatos a essa modalidade de ensino a distância. As novas tecnologias propiciam uma nova mentalidade e trazem a esperança da sonhada democratização do conhecimento.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2007)