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EDUCAR PARA O TRABALHO VOLUNTÁRIO

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Izabel Sadalla Grispino *

Uma face do assistencialismo social que vem surgindo e se aprimorando é o trabalho voluntário. Hoje, educa-se para ele, ressalta-se a sua importância humana, o seu alcance social.

Esse trabalho, em seu assistencialismo, ajuda a melhorar as condições de vida de quem precisa, colaborando com o desenvolvimento geral da sociedade. Já se forma conceito sobre o papel que o voluntariado exerce na formação do caráter do jovem, na sua formação humana. Ele traz benefício para os dois lados, de quem recebe e de quem pratica. Quem pratica, desenvolve uma personalidade altruísta, ganha um encaixe real à existência, deixando reflexos durante o resto de sua vida.

Hoje, o voluntariado se faz presente em todas as instituições. Nas organizações religiosas, grupos formados por diferentes religiões discutem a melhor forma de o voluntariado atuar nas diversas religiões, assim como trabalhar com pessoas de religiões diferentes das suas.

Há instituições que fazem uma espécie de capacitação de voluntários, tornando sua atuação mais eficiente, alcançando melhor os objetivos visados. Selecionam os candidatos de acordo com o perfil mais afinado às atividades – se bem que o trabalho voluntário não implica em nenhum tipo de remuneração, nem vínculo contratual. Treinam e orientam o voluntário para que sua atuação ocorra de acordo com as necessidades e filosofia da entidade. Do mesmo modo, os funcionários são preparados para trabalhar, em conjunto, com os voluntários.

A Pontifícia Universidade Católica (PUC) realizou o 1.º Congresso Brasileiro de Voluntariado, com a presença de Douglas Evangelista, coordenador do programa das Nações Unidas de Voluntariado para a América Latina, Caribe e países árabes.

Nesse congresso, surgiram como principais propostas a formação de uma rede mundial de entidades voluntárias e a criação de uma resolução que liga assistencialismo ao desenvolvimento social. Foi pedido aos delegados brasileiros que, na Organização das Nações Unidas, fizessem pressão para a aprovação dessa resolução.

A rede, pela Internet, colocada entre as diferentes comunidades, servirá para a troca de experiências, ajudando as entidades que trabalham com voluntários. “A rede servirá para criar vínculos e trocar experiências entre as organizações de diversos países”, disse Evangelista, acrescentando que o Canadá mede, em termos econômicos, a participação dos voluntários na sociedade, sendo o campeão mundial de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), instituição que afere a qualidade de vida das nações. “Lá, o voluntariado chega a 8% do Produto Interno Bruto (PIB), entre doações a entidades e tempo despendido pelos voluntários no atendimento”, arrematou.

Em assembléia-geral, a Comissão de Desenvolvimento Social da ONU apoiou a resolução, para incentivar esse trabalho nos países-membros. Desse modo, as nações terão a obrigação de oferecer apoio ao trabalho voluntário.

Trabalho voluntário é ato de doação, de conscientização da parcela, pequena que seja, de contribuição de cada um, no ressurgimento de um mundo mais igualitário, menos doloroso e, por conseguinte, menos conturbado. A sociedade precisa educar-se para a ajuda mútua, aprender a dar evasão aos bons sentimentos, a acolher os necessitados, se quiser ter um amanhã sorrindo para a paz.

A situação social, todos nós sabemos, é caótica, violenta, com tendência a piorar, caso não caminhemos em direção à cura de seus males, ao alívio de suas dores. E nesse caminho, não há fórmula mágica ou fórmula inovadora, ela é a mesma máxima milenar pregada por Nosso Senhor Jesus Cristo ao querer redimir o mundo da maldade, a das mãos estendidas, do pão repartido.

Vemos com entusiasmo escolas orientando os alunos para a participação comunitária. Muitas já incluem, em seus projetos pedagógicos, atividades de trabalho voluntário. Os exemplos começam a se proliferar.

Alunos de escolas particulares de alto padrão estão se predispondo, com orientação, a oferecer ajuda, em diversas disciplinas, a alunos de escolas da rede oficial, com dificuldades de aprendizagem, ajudando a tirar dúvidas e a elevar o nível de conhecimento desses alunos. Eles integram a programação da escola contemplada, uma ou duas vezes por semana, em determinado período, participam de atividades extraclasses ou, então, a escola monta um horário especial para esse atendimento.

O entusiasmo atinge o emissor e o receptor: os alunos, com deficiência de aprendizagem, evoluem e os que ensinam fixam o conhecimento, adquirindo uma visão mais ampla do assunto.

Não há mais que retardar, tem-se que começar a espalhar largamente a semente do amor, para não se arcar com o pesado e doloroso ônus da omissão, do desinteresse e do culto ao individualismo. É preciso expandir a consciência da participação comunitária, orientando, educando para a formação ética e humanitária da sociedade. É preciso trabalhar a solidariedade, a comiseração, sentimentos não tão fáceis de se conseguir no mundo competitivo em que vivemos.

Diz o adágio popular: “Solidariedade não tem preço, mas ninguém dá um centavo por ela”. Vamos educar na direção oposta!

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2005)