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EDUCAR PARA A ARTE

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Izabel Sadalla Grispino *

Reclama-se da escola um projeto sério sobre arte, arte vista em sua multifacetada manifestação. Um projeto que dê ao aluno uma cultura abrangente, que reforce e difunda os valores artísticos de nossa terra. Que ensine a história de nossa música, nossa pintura, nossa poesia, nossa dramaturgia, nossa dança através dos tipos.

Tendo em vista as comemorações que, durante todo este ano de 2002, celebrarão os 80 anos da Semana da Arte Moderna, e o centenário de Carlos Drummond de Andrade, a arte vem a se tornar um tema oportuno,  oportuno levantar e debater sobre a educação artística. O que se nota, hoje, é uma educação artística ineficaz, incapacitada de despertar um interesse maior pela arte, nos alunos, vista, de preferência, como mera recreação.

A importância da Semana da Arte Moderna, ocorrida em São Paulo, no Teatro Municipal, de 11 a 18 de fevereiro de l922, com o objetivo de difundir o novo ideário estético. Constou de três espetáculos em que se exibiram a prosa, o verso, a música, a dança de vanguarda e uma exposição de artes plásticas que expressava as modernas tendências da pintura, escultura e arquitetura. Ela foi um marco fundamental do movimento modernista, esperava renovar a mentalidade nacional, criar a autonomia artística e literária do Brasil, descortinando, para nós, o século XX, colocar o País na atualidade do mundo. Que a escola faça os jovens conhecerem os seus grandes expoentes, como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, a poesia de Cassiano Ricardo, Carlos Drummond  de Andrade,  Cecília  Meirelles, a escultura de Victor Brecheret, a expressão artística de Anita Malfatti, a pintura de Tarsila do Amaral, entre outros.

Que a escola faça os jovens conhecerem a nossa música, clássica e popular, passando por Vila Lobos, Ernesto Nazaré, Chiquinha Gonzaga, Zequinha de Abreu. Conhecerem a eclosão da bossa nova, com Vinícius de Morais, Tom Jobim, João Gilberto, a revolução tropicalista, com Caetano Veloso e Gilberto Gil, suas causas, seus efeitos. Que leve os jovens a conhecerem a importância dos Beatles para a juventude dos anos 60, seu legado, a ruptura causada nos valores e nos padrões estéticos da época.

A arte está ligada à história. Arte e história refletem-se, explicam-se. A boa formação do professor, nessa área, é essencial para que ele seja capaz de dominar conceitos e técnicas das diferentes manifestações artísticas, ampliando os horizontes culturais do aluno. A arte é uma forma de abrandar a alma, de aplacar a revolta, de conduzir o indivíduo para o culto do belo, do sublime, do humano, da solidariedade.

Da maneira como está sendo enfocada, a educação artística torna-se uma matéria inexpressiva, sem conexão com as demais disciplinas do currículo. O MEC e o Instituto Itaú Cultural uniram-se para divulgar a arte brasileira nas escolas, mostrando o passado, analisando o presente, revelando a caminhada que permitiu chegar onde chegou, dando aos jovens armas para distinguir o bom do ruim, valorizar o bom. A arte ajuda o professor a incentivar entre os alunos cooperação e não competição. Ajuda-os a desenvolver habilidades específicas, a descobrir o potencial do aluno para a arte. As características individuais sendo incentivadas formarão um ser humano mais realizado, com personalidade mais ajustada, mais confiante. Hoje, a escola prima pela individualidade, inclusive pela individualização do currículo.

O programa prevê a distribuição de cartilhas, orientando sobre o uso interdisciplinar da arte e instalação de museus em 1.500 escolas do ensino médio, que receberão exposições itinerantes. É o momento de a escola interessar-se pelo programa e buscar maiores informações.

O que se quer com a parceria MEC e Itaú Cultural são impulsionar a arte em todas as suas modalidades e de forma consistente. Só o conhecimento produz a verdadeira transformação, seja na arte, seja na ciência, seja na vida.

A psicologia cognitiva mostrou que os seres humanos possuem diferentes modos de representar os significados e de compreender a natureza. Estudos recentes sobre a inteligência e habilidades humanas tendem a concluir que possuímos várias formas de inteligência. Desde o começo do último século, os psicólogos acreditavam que havia uma única forma de inteligência que podia ser diretamente mensurada pelos tradicionais testes de QI (Quociente Intelectual). Atualmente, há inúmeras pesquisas sugerindo a existência de vários e diferentes tipos de inteligência. A teoria das inteligências múltiplas supõe a existência de 8 ou 9 formas de inteligência: lingüística,  lógico-matemática,  espacial musical, corporal cinestésica, interpessoal, intrapessoal, naturalística e, ainda, a inteligência existencial. Segundo a teoria, nós possuímos todas estas formas de inteligência, mas nenhum de nós, mesmos os gêmeos idênticos, possuem o mesmo conjunto de inteligências num mesmo momento.

A maioria das escolas focaliza quase que exclusivamente só duas formas de inteligência: a lingüística e a lógico-matemática. Os sistemas de educação formal têm, de um modo geral, ignorado as outras formas de representação mental e de compreensão da natureza, tais como as formas artísticas (musical), atlética (corporal-cinestésica), pessoal (conhecimento de outros e de si próprio) que estão presentes e que devem ser ativadas.

Assim como para formamos leitores precisamos viver o livro na sala de aula, do mesmo modo para formarmos artistas, temos que viver a arte na sala de aula.

Desse modo, a música, a arte em geral, que é uma expressão, uma  face da inteligência, não pode ser esquecida, relegada, porque ela é um caminho cultural, caminho de solidariedade e de descoberta de vocação.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2002)