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DESESTÍMULO À CARREIRA DE PROFESSOR

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Izabel Sadalla Grispino *

O número de candidatos ao ingresso ao ensino superior, na formação de professores do 1.º e 2.º graus, vem paulatinamente decrescendo. Já há falta de professores, desse nível, em diversas localidades do Brasil e, ao que tudo indica, a tendência é aumentar. A desvalorização da carreira do magistério, nos últimos anos, tem sido uma constante, suscitando, em relação a ele, um sentimento de descrédito.

Se não se injetar recursos, tentar reverter a imagem desfavorável que hoje se tem da escola e do professor, a situação, com o passar dos anos, pode tornar-se insustentável, analisam os especialistas em educação. O desânimo parece ter tomado conta do professor, diante de seu baixo salário, de classes superlotadas, em média de 40 alunos no ensino médio, e ainda o pior, sem expectativa de melhora na carreira.

O professor tem sua auto-estima em baixa, sente-se desprestigiado pela sociedade que o vê como um profissional despreparado, incapaz de acompanhar as inovações, os avanços tecnológicos da época e, conseqüentemente, incapaz de elevar o nível de ensino, de trazer a qualidade tão necessária aos dias atuais. Esse professor precisa de ajuda, de suporte, de educação continuada, de melhores condições de trabalho, de uma melhor qualidade de vida, para encarar as mudanças e dar respostas que o reabilite perante seus alunos e perante a sociedade como um todo. Se essa visão falhar, se a vontade política não se acentuar, os jovens buscarão, certamente, outras profissões mais compensadoras, mesmo sabendo que, como professor, ele não ficará desempregado.

Segundo o novo secretário do Ensino Médio do Ministério da Educação (MEC), Antonio Ibãnez, faltam 200 mil professores nesse ensino, com déficit maior nas áreas de ciência: física, química, biologia e matemática. Nos últimos anos, o número de alunos no ensino fundamental cresceu de 92 para 97% do total das crianças em idade escolar. São atualmente 35 milhões de estudantes com índice de conclusão também cada vez maior. O aumento considerável de alunos no ensino médio foi uma decorrência inevitável. Hoje, tem quase 9 milhões de adolescentes e, para atendê-los, o País possui apenas 468 mil professores divididos entre os três anos do ensino médio.

Um estudo da Unesco, divulgado em fins de 2002, apoiado em dados de 1999, obtidos em 38 países, revela que os professores brasileiros da educação básica cumprem até tripla jornada e seu salário médio em início de carreira está entre os mais baixos dos países em desenvolvimento. O salário médio inicial do professor brasileiro só está um pouco acima apenas do Peru e da paupérrima Indonésia. A defasagem ressalta-se quando se compara com a Argentina, com o Uruguai e, principalmente, com a Suíça, que lidera os  países desenvolvidos. Ainda, entre 43 países, o Brasil tem a sexta maior média de aluno/professor (28,9) no ensino fundamental e a maior no ensino médio (38,6). O máximo recomendado pela Unesco e Organização Internacional do Trabalho está entre 20 e 30 alunos/professor. O número excessivo de alunos leva o professor a um estresse, prejudicando o seu rendimento e o rendimento do aluno.

O desestímulo ao magistério abarga, de maneira degradante, diversos ângulos, trazendo imagens de penúria, de desconsideração ao ser humano. Valendo-se da prerrogativa de atender, com emergência a demanda de matrículas, Estado e Prefeitura construíram escolas de aço pré-moldado, modelo semelhante a contêineres. São as chamadas escolas de lata, condenadas como medida antipedagógica. No verão passam um calor sufocante que atrapalha alunos e professores. O rendimento de ambos cai bastante e é preciso tirar as crianças das salas de aula com mais freqüência para tomarem ar. Vão várias vezes para o recreio, suando e com mal-estar. Quando chove forte, o barulho é tanto que atrapalha as aulas. Mal se ouve o que o outro está falando e, segundo relato de professores, as crianças se assustam e começam a chorar.

Quadro desolador do magistério público! Se a educação é tratada nesse nível, como esperar incentivo à carreira do professor? Como esperar que os jovens se entusiasmem e se enveredem nessa direção? Se quisermos professores e bons professores tratemos de nos preocupar, sem subterfúgios, à causa da educação. Investirmos mais na qualidade das licenciaturas e cursos de formação de professores, elevarmos os salários progressivamente, para que consigamos dar um salto para o futuro.

Valendo-me deste valioso veículo de comunicação, lembro de que já estão à disposição das escolas públicas e particulares de ensino médio do País os resultados do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) de 2002. O boletim mostra a nota média do conjunto dos estudantes da escola e a média brasileira.

O documento é gratuito para as escolas públicas. As particulares devem pagar uma taxa de R$ 5,00 por aluno. As instituições podem solicitar os resultados pelo e-mail do Inep – enem@inep.gov.br. O Inep é o órgão do Ministério da Educação responsável pelo teste.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em julho/2003)