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A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

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Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

As escolas, diante do quadro de desrespeito geral, sentem a necessidade de enfrentar o problema, na busca de um caminho na correção aos desmandos. Escolas há que, apoiadas pelos pais, partem para uma revolução cultural, onde até o chicote entra em cena. A condescendência é substituída pela imposição a normas e  limites. Antes de ser levada ao castigo, a criança é conduzida a meditar sobre seu mau comportamento.

O que se constata, como conseqüência da rebeldia infanto-juvenil, são crianças e jovens ditadores, autoritários e infelizes, porque sem controle.

A  China,  na  contingência de educar crianças que vêm de casa sem entender o significado de disciplina, criou uma escola que está se tornando famosa, comentada no mundo todo, a West Point, onde se utiliza inclusive do chicote e outros recursos, desaconselhados pela moderna pedagogia, para controlar meninos mimados.

Na China, a rígida política de planejamento familiar formou a geração de filhos únicos, onde o tão esperado herdeiro masculino tornou-se uma criatura supermimada. Em decorrência, escolas alternativas de linha dura surgiram por todo o país, buscando combater problemas sérios de disciplina, ensinando a refletir sobre as conseqüências da desobediência hostil.

O comportamento dos pais influencia o comportamento dos filhos. Suas práticas educativas interferem, positiva ou negativamente, na personalidade, atitude e saúde mental dos filhos.

Pesquisas do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná (UFPR) revelam que passar pouco tempo com o filho e não impor regras ou limites, evitar beijos e abraços, podem fazer com que as crianças tenham baixa auto-estima, estresse, dificuldade de se relacionar socialmente e até depressão.

A idéia corrente é de que os pais são permissivos demais, contra o autoritarismo de antigamente. Eles estão deixando de impor regras e de demonstrar afeto. A pesquisa revela que 67% das crianças, cujos pais impõem poucos limites ou regras, apresentam baixa auto-estima. A auto-eficácia – o quanto a criança acredita ser capaz de fazer – é também prejudicada em 43% das que recebem pouco elogio. Na outra ponta da pesquisa, quase 50% dos filhos que receberam excesso de punições inadequadas tiveram indícios de estresse.

O difícil nesse acerto de situações é que os pais sempre acham que estão certos e os filhos é que são problemáticos, não percebem a relação de causa e efeito. A pesquisa delimitou quatro perfis de pais: negligentes, participativos, permissivos e autoritários. O mais nocivo ao filho e também o mais freqüente é o negligente.

Negligência não quer dizer maus tratos, nem abandono. É o pai confuso, que não sabe como agir, que permite quase tudo e raramente dedica parte do dia para ficar com o filho. São, de acordo com a pesquisa, os pais negligentes que, geralmente, formam filhos-problema, estressados, com depressão.

De todos os perfis estudados, os pais participativos são os que conseguem, em termos positivos, ajudar os filhos. Estes têm, geralmente auto-eficácia, auto-estima elevada, boas habilidades sociais e otimismo.

Se os pais refletissem sobre as práticas educativas, buscando orientação, quando necessária, evitariam problemas e sofrimentos diários, tendendo aumentar no futuro. Nessas práticas, o que mais pesa são: a atenção, o brincar com o filho, passar amor e compreensão, tendo como suporte normas e limites estabelecidos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2006)