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Artigos Educacionais

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ALERTA UNIVERSAL SOBRE A EDUCAÇÃO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

O mundo, como um todo, desperta para a educação infantil. Pesquisas mostram  a importância do maternal e da pré-escola. A conclusão, hoje, é  de que a educação infantil é um dos mais poderosos instrumentos para combater a pobreza e a desigualdade.

O poder da educação das crianças pobres nos primeiros anos de vida – as ricas já possuem –  norteia a opinião universal. Crianças pobres de 3 a 4 anos, numa sala de aula rica em palavras, são munidas de condições básicas para aprender, para aprimorar as potencialidades, para resolver problemas. Um ambiente instrutivo cria situações em que crianças pobres e ricas passam a ter as mesmas chances, não só no jardim da infância, mas na vida inteira.

Constatam os estudiosos de que o principal fator da pobreza são as diferenças familiares acarretando influências no desempenho escolar. Constatam que essas influências se manifestam não apenas nos primeiros meses de vida, como são mais poderosas nessa fase.

James Heckman, Prêmio Nobel de Economia, presente, no Rio de Janeiro, no seminário sobre educação, organizado, em novembro de 2005, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentou números mostrando que a maior parte das defasagens entre o desempenho de ricos e pobres, em testes, por exemplo, de matemática, já existe aos 6 anos, antes da 1.ª série do ensino fundamental. Pesquisas divulgadas no seminário, pela Fundação Getúlio Vargas, a freqüência a creches também se concentra na classe mais rica, atingindo, de 0 a 3 anos, 21,64% das crianças entre os 20% mais ricos, e apenas 5,2%, entre os 20% mais pobres.

A Educação Infantil constrói melhores cidadãos, concluem as pesquisas. O histórico estudo do Projeto Pré-Escolar Perry acompanhou as vidas de crianças pobres que freqüentaram escolas-modelo na infância (nos EUA, pré-escola corresponde ao maternal e ao jardim de infância daqui). Este projeto acompanhou um grupo de crianças afro-americanas pobres desde o maternal, no início dos anos 60, até a meia-idade. As conclusões foram consideradas assombrosas: um retorno de US$ 17 para o indivíduo e à sociedade, para cada dólar gasto, nesta etapa.

As crianças que estudaram no Programa Perry mostraram possibilidade de se formar no ensino médio e se casar bem maior que entre as crianças que não freqüentaram a pré-escola. A probabilidade de serem presas e dependerem de assistência pública mostrou-se significativamente menor. Ganham em média 25% a mais que as crianças que não passaram pela pré-escola. Uma diferença que permitiu que elas superassem a linha da pobreza.

O Ensino Infantil, além de melhorar o desempenho futuro no mercado de trabalho, melhora e muito o desempenho acadêmico posterior. Um outro estudo, de uma organização americana, divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas em Educação Infantil, examinou os efeitos de uma boa experiência em pré-escola. Em testes de vocabulário, as crianças, que freqüentaram maternais estaduais tiveram notas 31% mais altas que as de um grupo similar de crianças que não freqüentaram o equivalente a 3 meses de aprendizado. Em testes de habilidades matemáticas, as que freqüentaram o maternal estadual tiveram notas 41% mais altas.

As iniciativas estaduais nos EUA vêm valorizando cada vez mais a freqüência de crianças na pré-escola, ressaltando no ensino as habilidades em leitura, interpretação e aritmética.

O Brasil precisa aparelhar-se para investir com força na pré-escola. Aqui, a matrícula de crianças de 4 a 6 anos, em famílias com renda superior a 20 salários mínimos, é de quase 90%, cai para menos de 30% nas que ganham menos de 1 salário mínimo (dados do MEC).

Um ponto alentador encontra-se no Nordeste, região com maior penetração da pré-escola. Dos 10 primeiros municípios brasileiros com maior proporção de crianças de 4 a 6 anos sendo escolarizadas, 8 são nordestinos. O governo espera a aprovação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que substituirá o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), para ampliar a abrangência do programa para pré-escola, a partir dos 4 anos. A necessidade de ampliar o atendimento à educação infantil é ponto pacífico, porém, é indispensável pensar em preparar o professor para o correto atendimento à faixa etária correspondente a esse período.

Desenvolver instrumentos pedagógicos para auxiliar os professores a ensinar práticas corretas, que alcancem o desenvolvimento das habilidades cognitivas, psicomotoras das crianças, não pode representar ao governo um objetivo menor. Diplomar sem qualificar é jogar no mercado de trabalho pessoas despreparadas, que, mais cedo ou mais tarde, causarão graves prejuízos para si mesmas e para a sociedade.

Um país justo não deve ter uma educação de primeira para os ricos e uma de segunda para os pobres.

UMA LIÇÃO DE PEDAGOGIA

Izabel Sadalla Grispino *

É preciso acordar para a importância da educação infantil. A proposta do prof. Giannetti, relatada por mim no artigo anterior, deve vir acompanhada de processos de melhorias de ensino.

Antes de chegar ao ensino fundamental, o aluno deverá ter percorrido as etapas da educação infantil, ter sido, devidamente, estimulado e respeitado nas diferentes fases do desenvolvimento infantil.

Hoje, a conclusão é de que a educação infantil é estratégica par o futuro do País. A educação de zero aos 6 anos constitui a grande lacuna do nosso sistema escolar. A primeira infância é o período mais importante na formação do indivíduo. Nessa fase se formam valiosas sinapses neurológicas e se constroem os fundamentos da nossa representação simbólica do mundo.

O cérebro desenvolve-se nos primeiros anos de vida. É na faixa etária de zero a 3 anos que se formam 90% das conexões cerebrais. As pesquisas científicas, há tempo, destacam a importância da educação infantil no desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e social das crianças. Quanto mais cedo a criança ingressa na educação infantil maior é o seu aproveitamento escolar e melhor sua conduta social.

Há estudos comprovando que as crianças que freqüentaram creches e pré-escola tendem a obter maior sucesso profissional em comparação com as que foram matriculadas no ensino fundamental sem passar pelo ensino infantil.

Além do ensino fundamental, é preciso enfatizar a importância da educação infantil, ensino que eleva o aproveitamento dos alunos no ensino fundamental, principalmente os de famílias de baixa renda.

O Brasil tem muito que avançar no ciclo da educação infantil. Este ciclo e o ciclo fundamental são ciclos decisivos para preparar as novas gerações para enfrentar o competitivo mercado de trabalho.

O relatório da Unesco sobre educação infantil, lançado recentemente – novembro de 2006 – em Nova York, coloca o Brasil entre os piores na área de educação infantil, em todo o mundo.

Elevar o nível de ensino é conhecer os pontos de estrangulamento do sistema e enfrentar as dificuldades. Na passagem do conhecimento temos a macroabordagem, que envolve a filosofia da escola, sua linha pedagógica e todo o contexto educacional vigente, e temos a microabordagem, que se resume, especificamente, na relação professor-aluno. É quando o conhecimento vai acontecer. Aqui o maior peso recai para a vocação docente. Quando se ama o que se faz, quando se sente compromissado com a causa, esta se realiza.

O grande educador, o educador de todos os tempos, Renato Alberto T. Di Dio, dizia: “Os docentes equilibrados e estudiosos tomam decisões com a propriedade que emana do bom senso”. Acrescentava: “Com equilíbrio e bom senso, qualquer teoria, qualquer método funciona”.

Numa palestra, realizada para os formandos do Magistério, elucidei um aspecto afetivo do ensino-aprendizagem, com minha poesia: “Uma lição de pedagogia”. Meu filho, sério, me perguntou, / Por que a senhora sempre grita? / Ontem me deu ordem, não conversou, / Hoje, mais parece acesa pipa! // Papai é diferente, mais amigo, / Vive alegre, me compreende, / Dialoga, papeia comigo, / Me estimula, me apóia sorridente. // Foi ducha fria na minha cabeça: / Ando vazia de amor, rancorosa, / Espalhando ira, sempre chorosa. // Ao invés de proferir fria sentença, / Cultive a rosa, aqueça a complacência, / Educar é fruto de amor, de paciência.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2006)

ANALFABETISMO E DESNUTRIÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Em dezembro de 2002, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou as Estatísticas do Registro Civil, mostrando que entre 1990 e 2001 a taxa de mortalidade infantil diminuiu. Em 1991, os óbitos de crianças menores de 1 ano correspondiam a 11,2% do total de falecimentos registrados. Em 2000, caiu para 6,02%.

Pelo último Censo do IBGE, em 1991, para cada mil crianças nascidas vivas, 45,3 morriam antes de completar 1 ano de vida. Em 2000, esse índice, segundo o Censo, era de 29,6 óbitos para cada mil nascimentos.

Esse decréscimo poderia ter sido bem mais significativo. Quase 30 óbitos para cada mil nascimentos é um índice muito alto, quando comparado, nas mesmas condições, com os de países latino-americanos, como, por exemplo, o Chile, com 10,3.

Um fator positivo a ser considerado é a queda da mortalidade infantil ocorrida em regiões pobres do Nordeste. Em 1991, a proporção de menores de 1 ano no total de óbitos da região era de 14%. Em 2000, esse índice recuou para 6%.

Investir na melhoria das condições de vida das crianças, dos pais, criar planos de assistência básica, de incentivos à educação, são caminhos para a desnutrição. Uma pesquisa feita pela Pastoral da Criança da Igreja Católica, divulgada em 10 de dezembro de 2002, aponta como uma das principais causas da desnutrição infantil no País o analfabetismo das mães.

Estudo do IBGE – “Evolução e Perspectiva da Mortalidade Infantil no Brasil” – mostra que a maior escolaridade, entre as mulheres, é fator preponderante na saúde das crianças. Cada ano a mais de escolaridade média, entre elas, reduz em 15% o índice de mortalidade infantil. Esse estudo veio comprovar a correlação entre analfabetismo e falta de obediência às prescrições dadas pelos médicos às mães, também durante a gravidez.

A pesquisa da Pastoral da Criança – Saúde e Nutrição Infantil em Áreas Pobres do Norte e Nordeste do Brasil – abrangeu 1.528 crianças de zero a 5 anos, em três mil domicílios de 18 áreas rurais e urbanas. Foi feita em nove municípios tirados de uma lista de 32 com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Brasil.

Dentre as crianças pesquisadas, 8% apresentaram grau de desnutrição de moderado a grave, por estar abaixo do peso, e 16% eram portadoras de desnutrição crônica. Os pesquisadores encontraram 37,2% das mães e 45,9% dos pais analfabetos, sendo que apenas 35,6% das mães freqüentaram a escola de um a três anos.

A maioria das mães respondeu corretamente que o leite materno é um inibidor de doenças infecciosas em crianças de até 6 meses de vida, mas a maior parte confirmou que deu água (81,6%), chás (73,2%), sucos (73,2%) e leite em pó (50,2%) no primeiro mês de vida. Foi alto o índice de crianças alcançado pelo esquema de vacinação de massa (85%). A falta de alfabetização da mãe é fator forte para desnutrição, conclui o estudo.

Há uma opinião generalizada de que educação é a primeira necessidade do homem, depois do pão. Porém, como vimos, a educação vem junto ao pão, caminham paralelamente, concepção fortemente referendada por pesquisas científicas.

Sentimos a importância da educação na solução dos sérios problemas brasileiros. As políticas sociais têm relação com a educação. A educação é o elo que integra todos os programas, quer sociais, quer governamentais, não importando em que área.

Os dados do IBGE apontam o analfabetismo como entrave à reversão da mortalidade infantil. A Pastoral da Criança propõe ao governo Lula combate reforçado ao analfabetismo.

O combate ao analfabetismo deve ser uma séria prioridade governamental. Estudo divulgado pelo Inep – Mapa do Analfabetismo no Brasil – apresenta um panorama da educação de todos os municípios brasileiros. Esse estudo reúne indicadores produzidos em 2000 pelo IBGE, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Paud) e pelo Inep. Revela que o Brasil possui cerca de 16 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais e 30 milhões de analfabetos funcionais, pessoas que têm menos de 4 anos de estudo. O mapa do analfabetismo fornece informações para reflexão, subsidiando a formulação de políticas públicas e privadas na área da educação.

Para tentar erradicar o analfabetismo, no período de 4 anos, o Brasil precisaria de cerca de 200 mil alfabetizadores. Os analistas do sistema educacional consideram um número, que embora alto, não é inviável, principalmente pelo fato de as matrículas de 1.ª à 4.ª série no ensino fundamental estarem em queda, vagando salas e professores.

Um fator que merece preocupação é a capacitação do alfabetizador e a formulação de programas de qualidade. Como lembra Paulo Freire, alfabetizar não é apenas ensinar o b, a, bá, é dar ao alfabetizando uma visão de mundo, fazê-lo alcançar uma interpretação crítica dos fatos, desenvolver uma consciência pessoal e social.

A improvisação, em educação, só gera fracasso. O que se nota, no Brasil como um todo, é um baixo desempenho do sistema escolar, especialmente das camadas pobres da população, onde o analfabetismo chega a ser 20 vezes maior. Em apenas 19 municípios brasileiros, a população possui mais de 8 anos de estudo, um índice que corresponde às 8 séries do ensino fundamental. Em outros 1.796 municípios do País, a escolarização média da população é inferior a 4 séries concluídas. Quadro realmente preocupante!

* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em junho/2003)

POR QUE PROFESSORAS E NÃO “TIAS”?

Izabel Sadalla Grispino *

A escola caminha pelos olhares intrínsecos da pedagogia, pelos avanços científicos. A “tia” da escola infantil, forma de se dirigir à professora, teve seus dias contados, abolida pela linha socioconstrutivista.

Os pedagogos afirmam que o resgate do termo professora não é uma simples questão semântica. As escolas, que adotaram métodos das modernas práticas pedagógicas, ponderaram que a professora representa um novo modelo na vida da criança – ela não é, realmente, uma extensão familiar – e como tal deve ser preservada.

Paulo Freire, em seu livro “Professora sim, tia não”, escreve: “Ser professora implica assumir uma profissão, enquanto ser tia é viver uma relação de parentesco. Chamar a professora de tia é no fundo uma ideologia que trabalha contra o rigor da profissionalização da educadora, como se para ser boa professora fosse necessário ser pura afetividade”.

O professor é uma imagem importante para o aluno; ele não substitui afetos familiares. O componente afetivo deve existir, mas nunca como ideologia. A criança precisa de alguém que a oriente com firmeza, que lhe transmita os valores de vida, e o professor é o mentor desse processo de criação.

O costume de chamar a professora de “tia” vem da década de 60. As mulheres, ao buscar afirmação profissional, recorriam às escolas para cuidar de seus filhos e, de certa forma, segundo relato de mães, entregar os filhos à tia e não à professora lhes aliviava a culpa. Contudo, esse tratamento dissimula a relação de autoridade. A criança precisa diferenciar universos e perceber que cada espaço tem seus próprios valores, concluíram os pedagogos. Assim, as então chamadas escolas alternativas, hoje socioconstrutivistas, começaram a rever o tratamento nos anos 70.

A relação de aprendizado é uma nova aquisição na vida da criança. A professora é portadora de um conhecimento, abre as portas de um novo mundo, não estando, portanto, em situação de igualdade com as crianças. O psiquiatra infantil Haim Grunspun completa a análise: “Como “tia” a profissional acaba não considerando o seu próprio processo, do qual é proprietária. Existe uma ideologia de desprofissionalização do educador. A afirmação profissional emerge da conquista dos direitos do exercício pleno da função. O aluno aprende a respeitar a partir do próprio respeito. Pergunta: “Como as crianças podem entender 10 mil “tias” em greve?”

As crianças acabam percebendo por si que professora é a pessoa que educa, ensina brincadeiras, criar, inventar; tia é a irmão da mãe ou do pai. Hoje, se a dúvida persiste, ela está entre aqueles que escolhem a escola de acordo com suas convicções. Voltando a Paulo Freire, ele disse (1993): “Uma das características básicas do construtivismo é não estar demasiado certo da certeza. Se você absolutiza não tem oportunidade de crescer. Tenho 72 anos e estou aberto. Tenho este gesto da incerteza do certo”.

Porém, no caso da denominação professora ou “tia”, fica evidente que a primeira é um procedimento bem mais saudável e real.

No processo de ensino-aprendizagem, o importante é a escolha, por parte dos pais, de uma instituição idônea, capaz de oferecer aos seus alunos o que de melhor a época exige. Como escolher uma boa escola infantil?

A escolha deve partir primeiramente de sua situação legal, isto é, deve ser regularizada, com autorização do município para funcionar. A escola tem de estar dentro da lei. Ela deve aproveitar o potencial enorme que a criança tem em aprender, estimulá-la corretamente e oferecer-lhe espaços para que possa brincar. Há muitas especificidades na educação de crianças de 0 a 6 anos e professores não capacitados e ausência de um projeto pedagógico podem impedir esse processo. As crianças precisam brincar e se movimentar, os espaços não podem ser pequenos e pouco arejados. O imóvel precisa ser adequado para receber crianças: mesas com cantos arredondados não deve ter  escadas e tomadas de luz aparentes.

Só depois da Constituição de 1998 a educação passou a ser direito das crianças com menos de 7 anos. Até então, a criança brasileira não tinha direito a educação. A Constituição de 1998 reconheceu a Educação Infantil como direito da criança e dever do Estado. Assim, deixou de ser vinculada à assistência social. A exigência do registro no município por parte do estabelecimento de ensino infantil veio apenas em 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Esta lei definiu o município como responsável pelo ensino infantil e exigiu formação mínima de nível médio para os professores. Porém, até 2007 este professor deve possuir licenciatura de nível superior. O Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2001, dá prazo até 2006 para que os estabelecimentos de ensino infantil cumpram padrões de infra-estrutura para funcionamento.

Todos esses aspectos legais, estruturais, para o bom funcionamento de uma escola, são importantes, mas a tudo sobreleva, a atuação do professor. Um bom método de trabalho, consciência profissional, competência e afetividade são ingredientes indispensáveis à educação. O professor que trabalhar mais como um facilitador da aprendizagem será insubstituível e inesquecível como é, para qualquer um de nós, a figura da primeira professora.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2003)

ALCA DO ENSINO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

Os avanços tecnológicos ocorrem de maneira vertiginosa. É praticamente impossível prever-se as próximas evoluções. Não se pode mais trabalhar isoladamente e a integração de forças, em busca do novo, do conhecimento atualizado é pensado e desejado indistintamente, não importa em que setor da atividade humana.

Cogita-se de que num futuro breve, 10 ou 15 anos, as universidades serão “uma só”, interligadas pela internet. Pode-se, por exemplo, estando no Brasil fazer um curso na Universidade do México ou de Portugal e, estando lá, fazer disciplinas aqui. Apoiado nessa visão, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, propôs a embaixadores da América Latina, de Portugal e da Espanha, durante um encontro realizado em junho de 2003, criar a “Alca do Ensino Superior”. Ele defende um projeto comum de universidade na América Latina.

O ministro lança a idéia de que, em vez de integração só por meio do comércio, os parceiros do Mercosul e da Alca desenvolvam meios para integrar as universidades. “Fala-se na Alca do comércio, mas não se fala da Alca do ensino superior”, frisou o ministro, e marcou um novo encontro, para discutir o assunto. O seu grande desejo é que se construa, ao lado do Mercosul da economia, a “Universidade Sul”, analisando ser mais fácil a criação dessa universidade que a unificação comercial, porque as contradições são menores.

Uma universidade em conjunto não tiraria as especificidades locais, só ampliaria a visão de mundo, daria amplitude ao conhecimento, aumentando possibilidades de aperfeiçoamento e intercâmbio cultura e profissional.

Hoje, estamos aqui, mas presos ao mundo, antenados numa rede mundial de conhecimento e acontecimento, que nos mostra que é preciso avançar, alargar as perspectivas, para se situar no mundo globalizado.

2004 bate à nossa porta. Que haja um pacto para a evolução do conhecimento científico, mas que 2004 consiga, também, um pacto para a cultura humanística. Só esta, abraçando a espiritualidade, educando a mente e a alma para o amor, poderá conseguir o que a ciência até hoje não conseguiu, reverter os caminhos sombrios da violência, da guerra, os caminhos mortíferos das drogas, aniquilando nossos jovens, anulando a revolução tecnológica, zerando a esperança de vida. A decadência do sentido moral na sociedade, acarretando perdas de valores, evidencia-se mais e mais, numa conseqüência desastrosa para a vida humana. Os lares brasileiros hospedam, hoje, o desassossego, a inquietação, o medo. Já diziam os antigos filósofos gregos: “A alma de toda cultura é a cultura da própria alma”. Cultura que faz chegar a Deus e modificar o interior do homem.

Na luz da alma, a paz universal; na luz do amor, a semente e a preservação da vida. Um feliz Ano Novo a todos vocês, prezados leitores, com votos de saúde, paz e prosperidade. Minhas reflexões, na poesia abaixo:

ANO  DE  2004

Fim de ano, balanço de atividades,
Para uns, 2003 foi auspicioso, um ano de realizações,
Para outros, transcorreu na normalidade,
E para outros, ainda, foi marcado de dor, de desolação,
Na minha família, aconteceu uma perda muito sentida,
Apagou-se a luz da vida de uma pessoa querida.

2004 inicia-se sem o Jorge, um amado irmão,
Inicia-se triste, por essa sua ausência,
Sua vida produtiva, porém, não foi em vão,
Deixou um legado de ensinamentos, de experiências,
Que englobamos em nossa caminhada,
E nos ajudam a transpor os percalços da jornada.

Neste raiar de ano, nos exaltamos e choramos,
Exaltamos, pedindo a Deus uma era de paz à humanidade,
Que haja mais amor entre os homens, suplicamos,
Que façam profissão de fé na luta pela desigualdade,
A luz do sol é farta, nasce para todos,
Por que não dividi-la, afastando caminhos rotos?

Choramos pela ausência dos nossos saudosos entes,
Só as lágrimas lavam a alma da dor,
A herança recebida engrossa a corrente,
A vida segue em frente, avança sem retrovisor,
Que 2004 injete a vacina da caridade,
Caminho por onde transita a felicidade.

A flor carrega, em suas pétalas coloridas,
O gérmen da semente que lhe deu origem,
Assim, o homem leva, dentro de si, por toda a vida,
Um pouco de sua infância, sua fase virgem;
Somos os grãos humanos reprodutores da existência,
Somente dentro de nós, a ética da vida, sua consciência!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2003)

JOVENS NA ROTA DA REALIZAÇÃO PROFISSIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

As universidades não se ajustam ao mercado de trabalho, pouco se atualizam, estão presas a métodos de ensino superados, à tradicional escola do passado. Os jovens questionam a eficácia e a influência que a universidade exerce na sua vida profissional. Essas conclusões são relatadas no estudo realizado pelo II Fórum de Jovens, com 320 participantes de diferentes universidades. Esse estudo é parte dos trabalhos preparativos para o Congresso Nacional de Gestão de Pessoas. O relatório diz que a maioria dos jovens acha que “a escola em que estuda e as escolas em que estudou os estão preparando para trabalhar num mundo bem diferente daquele que se vive hoje”. As universidades preparam para um mercado irreal, dizem os estudantes.

A escola, assim como a família, continua paternalista, protetora, dando poucas armas ao jovem, na hora de decidir sobre a escolha profissional. Dizem os especialistas que estamos “criando sujeitos reativos e não proativos. Os jovens, hoje, têm muito claro que a vida não é só trabalho e se identificam com o cooperativismo, sabendo, contudo, que ele precisa enfrentar o triunfalismo”.

Uma outra conclusão é de que as universidades são castradoras e só perdem para a estrutura familiar que continua educando os filhos para o modelo de emprego convencional, um emprego, de preferência, numa multinacional, que lhes dê segurança, status, um salário garantido no final do mês. Concluem os especialista de que “a família valoriza uma psedo-segurança em detrimento de realização pessoal e profissional”.

O jovem começa a se ajustar à época presente, toma consciência do valor da aprendizagem, da prática que ensina através do estágio, dando prioridade à formação. Ele sabe que o mundo de hoje exige competência, conhecimento.

Uma pesquisa do setor de Orientação, Informação Profissional e Pesquisa da CIEE mostra que o jovem não despreza o salário, mas o aprendizado surge como o maior valor. O seu resultado surpreendeu ao revelar que o estudante vem dando mais peso ao conhecimento adquirido que ao dinheiro que possa ganhar por conta própria. A pesquisa foi montada para saber de que forma os jovens estudantes consideram a remuneração que recebem pelo estágio, chamada de bolsa-auxílio. Mostrou que eles encaram os estágios, principalmente, como uma oportunidade de enriquecer o aprendizado e a maioria não confunde estágio com emprego. Foram entrevistados 1.822 estudantes de 13 Estados, para saber como os jovens entendem o estágio. Na pergunta: “O que é mais importante para você”, 57,8% responderam que é fazer um estágio que contribuísse para sua formação, 36,2%, fazer um estágio com chance de efetivação e 6%, um estágio com uma bolsa-auxílio que cubra todos os gastos. O que chamou a atenção na pesquisa, para o fator preponderante da aprendizagem, foi o fato de 46% dos entrevistados pertencerem a famílias com renda de 1 a 3 salários mínimos, e outros 28,7%, a famílias na faixa de 4 a 6 salários.

Dos 1.822 estudantes, 391 estão estagiando. A estes foi perguntado como gastam a remuneração e 44,3% responderam que queriam “estagiar e estudar sem grandes problemas financeiros”, isto é, valorizar o seu aprendizado. A pesquisa concluiu que os jovens vêm adquirindo consciência de que o maior benefício do estágio não é o quanto recebem, mas o quanto aprendem, bem dentro de uma visão educacional. Os jovens, no estágio, consideram valiosa a importância da bolsa-auxílio, mas ressaltam a importância da aprendizagem, do relacionamento no ambiente profissional, do saber trabalhar em grupo, do aprimoramento dos conhecimentos, do avançar nas informações. Eles dão valor ao estágio e recomendam-no a outros estudantes.

Uma outra vertente educacional referente aos jovens é a criação de empresas juniores, incentivando o desenvolvimento do empreendedorismo nas universidades. O aluno vira empreendedor. A idéia de empresa júnior vem amadurecendo e, hoje, há no Brasil “cem vezes mais empresas juniores do que havia a 15 anos, quando a primeira delas surgiu”. Grandes empresas e multinacionais passaram a optar por consultorias,  pesquisas e projetos de empresários juniores. São jovens que aprendem a negociar, que não ganham nada pelo trabalho e representam menos de 1% dos estudantes de graduação do País.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é a instituição que apresenta o maior número de empresas juniores, como os empreendedores das áreas de química, computação e elétrica. O grande crescimento dessas empresas levou o Brasil a ser escolhido para a Primeira Conferência Mundial de Empresas do corrente ano, em Fortaleza, quando se discutiu regulamentação para o setor, propondo que o empreendedorismo faça parte do currículo no ensino superior, com planejamento estratégico e disciplinas específicas.

Os jovens pensam em maneiras diferenciadas para buscar clientes, tornando-se empreendedores. O grande objetivo dessas empresas é desenvolver o estudante para o lado prático das profissões, com noções de gestão e execução de projetos, atividades que dificilmente teriam como estagiários.

As empresas juniores são fundadas por estudantes, têm CNPJ próprio e usam um espaço cedido pela universidade. Diretores, presidente e outros membros da administração das empresas trabalham de graça. Os professores apenas supervisionam, elevando o nível das atividades.

Ex-membros de juniores conseguem trabalho em grandes empresas, porém o foco das empresas juniores está nas micro e pequenas empresas, principalmente pelo valor das consultorias e projetos que ficam cerca de 50% inferior ao que é cobrado por empresas convencionais que oferecem os mesmos serviços.

Novidades vêm aparecendo e é preciso que os jovens tomem conhecimento delas, como a importância do empreendedorismo no mercado atual. As empresas juniores representam, inclusive, uma forma de detectar talentos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2004)

AO JORNAL “A CIDADE”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “A Cidade”, deste valioso instrumento de comunicação que Ribeirão Preto aprendeu a admirar pelo alto profissionalismo, há, exatamente, um ano, venho publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporcionou-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade ribeirão-pretana, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Neste ano que se finda, propus-me a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional das escolas oficiais.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Inúmeros conceitos nele passei, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “A Cidade” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e ilumine a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Ribeirão Preto, já é tradicional, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “A Cidade”, que beira um século de existência, nas pessoas da família Camargo, de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com brilho e persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população. O jornal “A Cidade” cresce com Ribeirão e com ele se faz pioneiro na região. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, competente de que é marca  consagrada.

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Ribeirão Preto. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos. A todos, meus versos sobre o Terceiro Milênio.


TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2000)

A ESCOLA INCLUSIVA

Izabel Sadalla Grispino *

A política oficial, já há algum tempo, desde 1996, prevê a inclusão dos portadores de deficiência, na rede regular de ensino. Contudo, em agosto de 2001, o ministro Paulo Renato Souza, regulamentando a Lei de Diretrizes para a Educação Especial, assinou resolução, pela qual as escolas públicas do País deverão atender estudantes com necessidades especiais.

Infelizmente, essa é mais uma mudança, na estrutura de ensino, imposta a uma rede pública desaparelhada, despreparada para recebê-la. É um “Deus nos acuda”, uma perspectiva nada animadora, conforme já se constata em avaliações. A falta de informações ou o despreparo para lidar com a educação inclusiva faz com que os próprios professores, inconscientemente, discriminem os alunos. Isolam-nos, não os motivam, acabando por marginalizá-los, no processo de ensino. Professores que deixam os alunos com deficiência visual acentuada, ou cegos, sentados ou bem na frente da classe ou bem no fundo, na intenção de protegê-los, e acabam por excluí-los do convívio social da classe. Professores que, inadvertidamente, citam, conforme relato de pesquisas, o aluno deficiente como exemplo e que acaba por diminuí-lo perante os colegas, dizendo: “Se até ele consegue, vocês podem conseguir também”.

Para que essa educação venha obter sucesso, é preciso dar estrutura de aprendizagem. É preciso que seja uma inclusão responsável para não comprometer o avanço dos alunos portadores de deficiência. É importante treinar os professores, produzir material de apoio, principalmente para portadores de deficiências visuais e auditivas, assim como adaptações de títulos didáticos para o sistema braile. As escolas devem possuir as chamadas  salas de recursos, equipadas, para facilitar a aprendizagem. Possuir professor de braile, acontecendo, por vezes, ter a sala, mas não o professor.

O que se nota, na maioria das escolas da rede pública, é ausência de infra-estrutura. Ausência de instalações especializadas, de rampas, carteiras anatômicas e, principalmente, faltam professores capacitados para lidar com o aluno deficiente.

Uma outra barreira a se vencer, em relação aos alunos portadores de deficiência, é o preconceito. Preconceito da sociedade, da escola, dos pais e até mesmo dos professores. Quando o processo de ensino da educação inclusiva é bem conduzido, administrado por professores competentes, habilitados para a área, ele consegue resultados animadores. Consegue formar indivíduos ajustados, produtivos, capacitados para exercerem tarefas que vão desde as mais simples às mais complexas. A sua inserção, em salas regulares, ajuda-os a vencer, a se integrar melhor na sociedade.

O que mais se necessita, para o sucesso da educação inclusiva, é o apoio a ser dado ao professor, à sua capacitação. Permanecendo, apenas, em instituições especializadas, os alunos deficientes acabam perdendo o convívio social, sem saber como lidar com as pessoas em sociedade. Instituições que só atendem alunos deficientes, adotam, costumeiramente, métodos “mecanicistas”, que tendem a nivelar as crianças. Na inclusão, adota-se uma linha alternativa e mais democrática de ensino. Falta, sobretudo, à rede pública aprender a desenvolver projetos que abram oportunidades educacionais adequadas a essas crianças.

A Educação Inclusiva surgiu na Europa na década de 1950 e, hoje, já é uma realidade. Segundo dados estatísticos, a rede estadual paulista atendeu, no ano de 2001, 19.215 alunos com necessidades especiais em salas regulares, de um total de 6,1 milhões de estudantes. Das 5.580 escolas, apenas 695 praticam a inclusão. Mais de 15.000 alunos são assistidos por instituições especializadas, por causa do alto grau de deficiência.

Neste particular, ressalta-se a atuação das “Associações dos Pais e Amigos dos Excepcionais” (Apaes),com seu atendimento primoroso. Fui supervisora de ensino de algumas Apaes e todas elas primavam pela competência, pelo devotamento aos alunos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, apenas, 2,2% dos brasileiros com deficiências físicas e mentais recebem atendimento educacional. Dentre os 17 milhões, só 374 mil são atendidos pela rede pública ou por instituições privadas, em parceria com o governo federal.

Algumas escolas particulares de ensino regular têm projetos bem sucedidos de inclusão de estudantes especiais. Promovem orientação pedagógica específica, resultando em trabalho diferenciado. São escolas que, em atenção às diferenças e às necessidades dos  alunos, mantêm em classe, no máximo, 15 alunos, permitindo ao professor atendimento individual, acompanhar de perto as dificuldades de cada um, colocando somente um ou dois alunos especiais por classe. Escolas há que adotam, como método estimulador da afetividade dos alunos, a presença de animais na escola: pôneis, cabritos, ovelhas, coelhos, tartarugas, patos e outros. Os animais favorecem a integração entre os alunos.

Há escolas que oferecem atividades de inclusão social. Dão cursos de Preparação e Qualificação Profissional, em que os alunos são encaminhados para o mercado de trabalho. Ensinam o ofício de padeiro, confeiteiro, de atendimento ao público, de auxiliar de escritório, de ajudante de cozinha, entre outros. Para a inserção da mão-de-obra dos portadores de deficiência, no mercado de trabalho, há muito preconceito e desinformação. O preconceito é, ainda, a maior barreira, na colocação de pessoas especiais, no trabalho.

Empresas que empregam portadores de deficiência dizem dar a eles tratamento igual e as responsabilidades são cobradas como de qualquer outro empregado, sem paternalismo e que a correspondência é muito boa. Eles são aproveitados em livrarias, supermercados, lanchonetes, videolocadoras, doceiras, escritórios, especialmente, de advocacia.

A escola de ensino regular, ao receber o aluno portador de deficiência, ao trabalhar o preconceito, ela está difundindo o sentido de igualdade de oportunidades a esse aluno; está desenvolvendo, entre os alunos, a formação humanística e, sob esse prisma, a integração virá bem mais forte e mais consistente.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2002)

SENTIMENTOS DE FAMÍLIA

Izabel Sadalla Grispino *

No dia 27 de abril p. passado, numa bonita festa de confraternização, que reuniu os membros de minha família, parentes e amigos, lancei o livro “Sentimentos de Família, Família Feres Sadalla”, minha família, Júlia, minha mãe, Feres, meu pai.

A festa foi uma homenagem, que os filhos, os genros, as noras, os netos, os bisnetos, fizeram em memória dos genitores. Na festa falou alto o sentimento de família, o valor da instituição família, sua estruturação. A festa passou o sentido de união, de fortalecimentos das atitudes de compreensão do dia-a-dia. Nos dias subseqüentes, recebia solicitações para que escrevesse sobre o propósito do livro, na esperança de que outras famílias abraçassem a idéia.

O que me motivou a escrever o livro foi, sem dúvida, o amor que tenho à minha família, aos meus amados irmãos, pela devoção, respeito e admiração à vida bonita, traçada pelos meus pais. Disse eu, no momento do lançamento do livro: “Felizes os filhos que, como nós, podem exaltar, com louvor, a vida dos pais, render-lhes tributo de amor, de reconhecimento pela luta honrosa travada, pelo brilho das vitórias, pelo exemplo dignificante deixado”.

O exemplo dos meus pais, legado aos filhos, determinava a sua trajetória. “Ensina-se bem mais pelo exemplo que pelas palavras”, alertava-nos Rui Barbosa. Hoje, temos a graça de sermos uma irmandade unida, confraternizada por laços de amor, de consideração. Somos amigos, cúmplices, parceiros. Juntos choramos, juntos sorrimos.

No momento da festa, meio à alegria do convívio amigável de todos, lágrimas, na alma, rolavam por uma ausência muito doída, ausência de um irmão querido, do médico José Sadalla, que partiu cedo, deixando um vazio nos nossos corações. José, à semelhança do pai, deixou uma imagem consagrada nos corações de todos que o conheceram, de todos que partilharam de sua amizade, de sua competente medicina. Era um grande estudioso, punha na ciência o prumo de seu barco, mas não se descuidava de Deus. Dr. José Sadalla não deixou que o sonho se apagasse de sua alma. Ele foi, inclusive, um grande orador, tinha a alma de poeta, declamava com enlevo, com sentimento. Se vivo estivesse, estaria, na festa, dividindo comigo o palco das saudações, dos agradecimentos.

Aliados a esses sentimentos peculiares, tocou-me como seria salutar motivar, incentivar o amor à família, através de sua história, ilustrada por fotografias, do seu uso, costumes e crenças. O homem, ao preservar a sua história, a história de seus  pais, está preservando a linhagem, dando-lhe estrutura. Família é a coisa mais séria e a mais bela a se conservar; é o maior patrimônio do homem, sua maior riqueza. Família estruturada é o melhor plano pedagógico, a mais significativa estratégia para se educar bem os filhos. Ela se encarrega de dar o suporte emocional, moral, de passar valores, que vão formar o caráter, a personalidade.

Acredito na força da família. Dizia-nos Coelho Neto: “A família é o núcleo, o gérmen da sociedade. Nela é que se formam todas as virtudes e se amolda o caráter... As pátrias são agregações de famílias e, quanto mais virtuosos os lares, que são elos, mais forte será a cadeia da nacionalidade”. O homem feliz no seio da família expande essa felicidade para o mundo. O homem infeliz na família não encontrará felicidade em parte alguma.

Um livro de família encontra ressonância no seio dessa família. É sentimento para sentimento. Ele é feito para as gerações presentes e para as gerações futuras, que nele se encontrarão com suas raízes, conhecerão suas origens, na caracterização de sua árvore genealógica. Pertencer é tão importante quanto comer ou respirar, nos fala a psicanálise. A família é nossa identidade, nossa estrela-guia nos caminhos da vida.

No livro que lancei, a professora se fez presente. Fiz uma divisão didática, dividi-o, em capítulos, por assunto. No 1.º capítulo está a Apresentação, o Prefácio e a biografia de meus pais, com o título: “Espelho da alma, Júlia e Feres”;

no 2.º capítulo: “A vida religiosa da família”; no 3.º capítulo, “O médico José Sadalla”; no 4.º capítulo, “Aspectos da vida em família”; no 5.º capítulo, “A Irmandade”, ou seja, a 1.ª geração; no 6.º capítulo, “A 2.ª geração, os netos de Júlia e de Feres” e as minhas considerações finais.

Que outras famílias, a exemplo da minha, reunam suas lembranças, suas fotos, leguem às suas gerações as histórias dos antepassados, dando sentido à vida familiar, formando a sua estrutura. Que propiciem aos descendentes se unirem e se fortalecerem em torno do tronco comum, do cerne formado.

Transcrevo, a seguir, uma das minhas poesias contidas no livro:

FAMÍLIA  UNIDA

Família de fé é família unida,
Divide o pão, abraça compreensão,
Percorre com amor a longa jornada,
Programa coletiva construção.

Um só graveto se quebra num chute,
Um feixe resiste a contramão,
Força dupla afugenta o embuste,
Torna-se trave na corporação.

Uma casa construída em várias mãos
Tem a solidez do barro do João,
Deixa longe o frio dos esquimós.

O sonho só se torna realidade,
E ganha auspiciosa veracidade,
Quando junto ao eu se encontra o nós.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2002)

VAGAS ESTATIZADAS OU VAGAS EM UNIVERSIDADES PÚBLICAS?

Izabel Sadalla Grispino *

Críticas às vagas estatizadas, às isenções fiscais a instituições particulares em troca de parte de vagas ociosas, foram feitas por reitores, professores e funcionários das universidades federais. Entendem eles que a expansão do 3.º grau deve ocorrer pelo ensino público.

A Associação dos Reitores das Universidades Federais (Andifes) divulgou, em março p. passado, nota contrária ao Universidade para Todos, por considerar que o programa não passa de “compra de vagas” na rede privada e opinou que o governo invista na expansão das instituições públicas. O indicativo é de que o governo fortalece as instituições privadas e enfraquece as públicas.

O ministro Tarso Genro defende-se dizendo que o programa representa, apenas, a criação de um espaço público na rede privada. Ponderou, contudo que, se o programa tiver adesão, poderá haver uma reordenação de recursos do Financiamento Estudantil (Fies) para as universidades federais. Haverá uma passagem gradativa de recursos para as instituições públicas.

O Fies é um programa de crédito educativo que financia alunos da rede privada. Atualmente, o Fies financia as mensalidades de 178.124 estudantes. A previsão é de que repasse ao setor privado, este ano, R$ 739 milhões. Esse valor supera os 609 milhões previstos no orçamento para o custeio de 55 instituições federais do ensino superior. Pelos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), as universidades federais atenderam 532 mil estudantes, revelando o grau de privatização do ensino superior.

O dinheiro do Fies sai das loterias federais, do pagamento do empréstimo pelos alunos já formados e do orçamento da União. O governo não paga as instituições em dinheiro, mas com títulos usados para quitar dívidas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em modelo semelhante ao idealizado para a Universidade para Todos.

A explicação do ministro, por ter optado pelas universidades privadas, é de que o programa permite o uso público de vagas privadas por um preço menor do que o pago pelo Financiamento Estudantil (Fies). “O Fies é compra de vagas. Na Universidade para Todos, o aluno não paga pelas vagas, porque é pobre. Estamos iniciando uma verdadeira publicização de espaços privados, sem prejuízo para o setor e com baixo custo para o Estado”, complementou Tarso Genro.

Atender o jovem carente é uma necessidade que não pode ser postergada. Quanto à credibilidade, é inegável a superioridade das faculdades oficiais, onde o melhor nível de ensino prevalece. A expansão do ensino superior, ocorrendo no sistema público, terá, sem dúvida, um novo significado. Ele já tem tradição de qualidade e, assumindo a liderança na oferta de vagas, estará acolhendo o aluno pobre com mais propriedade, principalmente em força de trabalho.

A verdade é que o jovem quer estudar, entende a exigência da época que pede competência profissional. Não quer ficar à margem da sociedade, quer emergir, poder se afirmar, vencer. Hoje, não é só a elite que busca o 3.º grau. O aluno pobre termina o ensino médio e anseia entrar para uma universidade, mas é barrado por suas condições econômicas. Socorrendo esse jovem, o governo estará desenvolvendo uma grande ajuda às famílias de baixa renda, minorando a desigualdade social, disseminando uma política de distribuição de renda.

Pelos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), somente 9% dos jovens, entre 18 e 24 anos, estão matriculados no ensino superior. Comparando-se com países da América Latina, como a Bolívia, por exemplo, que tem uma economia 61 vezes menor que a brasileira, o índice é de 20%; na Argentina, quase 40%.

Neste quadro, surge a Universidade para Todos, com suas estatizações, querendo acelerar a inclusão, mesmo porque a pressão por vagas no ensino superior cresce de modo acelerado. Em 1991, 666.367 jovens formaram-se no ensino médio. Em 2002, foram 2.065.722, jovens advindos sobretudo das classes C, D e E.

No Brasil, cerca de 70% das vagas são oferecidas pelas faculdades particulares, com mensalidades variando, no Estado de São Paulo, entre R$ 400,00 e R$ 600,00.

Para muitos estudantes, bolsas de estudo são a única saída. Estender o olhar para esse ângulo revela uma política social humana, necessária e urgente, em direção ao desequilíbrio social.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2004)

ASPECTOS DA METODOLOGIA ESCOLAR

Izabel  Sadalla  Grispino *

A escola precisa se tornar um espaço de prazer da produção intelectual. O ato pedagógico deve estar inserido nas condições psicossociais do aluno, dentro de sua faixa etária e ministrado de forma prazerosa e afetiva. Estes preceitos já aprendíamos, na metade do século, com o Prof. Anísio Teixeira, na proposta de sua escola-parque.

O professor deve encaminhar o seu ensino de modo a desenvolver habilidades paralelamente à aquisição do conhecimento. Deve basear seu currículo no cotidiano do aluno, em sua cultura, em sua realidade de vida. É consenso entre os pedagogos de que “pacote pronto” leva à repetência e de que a apropriação do conhecimento historicamente constituído leva ao desinteresse, à apatia. Todavia, a competência do professor está em superar essa realidade e dar ao aluno uma formação compatível com o mundo moderno, remetendo à escola o seu caráter formal. É evidente que a preparação do professor tem reflexo na aprendizagem. Ele precisa mostrar qualidade, atualizar-se.

A função do professor é um questionar contínuo, ele é um pesquisador permanente. Para melhor se aproximar do aluno, questiona-se: quem é esse elemento humano que recebo? Como é o seu modo de vida? Quais são as suas condições financeiras? Quais as marcas culturais que traz de sua família, de sua comunidade? Mediante respostas, ressalta as variantes que deve considerar no seu planejamento de ensino e os meios para interagir com elas.

Uma das maneiras de conhecer o aluno é trocar informações com ele. Nessa troca, o professor não pode considerar, apenas, o seu saber, mas, também, o saber do aluno. Não fecha o conhecimento, não se coloca como o  “detentor do saber”, ao contrário, abre-se para outras culturas, as pluriculturas, que, mesmo diferentes da sua, são igualmente válidas. É uma troca onde se transmitem e se recebem informações. Tem que “aprender a aprender” nas mais variadas situações, como enfatizou o nosso Paulo Freire, saber interpretar as múltiplas linguagens, as falas heterogêneas, na constatação de que o saber é uma viagem, não um porto. Escola não é apenas o lugar onde o aluno aprende, mas onde interaprende, num contexto intersubjetivo, no pensar, com os outros, em termos de relações humanas.

A troca é democrática, forma o aluno para o diálogo. Democracia é treino. A parceria, a troca, são canais, por vezes, difíceis, que demandam tempo, mas que precisam acontecer. Traçando o perfil do aluno, valorizando sua história de vida, obedecendo a estrutura do pensamento – as fases específicas do desenvolvimento delineadas por Jean Piaget – o professor terá um aluno interessado, participativo, com um desempenho que irá, indubitavelmente, do grau bom ao excelente.

Um outro aspecto a ser considerado nessa linha de atuação é não se utilizar do saber como fonte de poder: o professor detém o poder porque é aquele que sabe, o aluno aquele que não sabe. O saber, embora tenha o seu peso, não pode ser o determinante do poder. O poder não pode estar monopolizado, restrito a uma pessoa ou a um pequeno grupo, mas estender-se a todos os membros da parceria, um poder compartilhado, do aluno para o professor, do professor para o diretor, da comunidade para a escola e vice-versa, onde todos devem ter voz e vez. Um poder que ressurge do grupo, nunca imposto. Isso, desde a colocação de procedimentos disciplinares, dos limites, os quais deverão ser elaborados, analisados com os alunos, antes de serem adotados, até a escolha de cursos que serão ofertados pela escola. “A escola deve a todos ouvir, a todos servir”, repetindo Anísio Teixeira.

A opção, hoje, não é pela disciplina do silêncio, mas pela disciplina do diálogo, que conscientiza e, por isso mesmo, favorece o compromisso, a vontade de acertar. Desemboca na educação libertadora.

A educação libertadora contempla o construtivismo, faz do aluno o agente e o centro da aprendizagem. No desenrolar do processo, o aluno, ao ser encorajado e valorizado em sua fala, libera o seu eu, caminha para a criatividade, para o espírito crítico, atingindo autonomia de expressão. É a pedagogia de um saber que resulta da observação, da pesquisa, da experimentação, do fazer e que, através desses passos, chega, criticamente, ao saber acumulado pela humanidade. Não se quer um aluno acrítico, acomodado, mas um indivíduo participando da transformação do mundo. A educação libertadora prioriza o ser pensante, o ser capaz de ousar para, no amanhã, enfrentar, com coragem, os desafios inerentes à própria vida.

Ao se programar, o professor deve ater-se à flexibilidade do planejamento, para atender a eventuais alterações de situação. Contudo, uma vez definidas as metas para um determinado período, pulso firme, na condução das mesmas, é outro fator de sucesso. Já dizia Sêneca, filósofo romano: Não há vento favorável para aquele que não sabe para onde vai”.

Conhecer o mundo é conhecer-se. Ao se encontrar no conhecimento, o aluno passa a apropriar-se de sua imagem, a apropriar-se de si mesmo, resgatando sua individualidade. Auto-estima em alta permite aflorar potencialidades, forte indicador de aptidões, de vocação profissional.

Ensinar a ler e a escrever pode ser um processo a médio ou a curto prazo, todavia, a sistematização do ensino, a formação do cidadão crítico, competente – cerne da educação – são processos a longo prazo. Há um tempo de maturação para se chegar a um estilo, a uma mudança de comportamento.

Consideramos a alfabetização como um processo, no qual o indivíduo não só aprende a ler e a escrever, como aprende a interpretar o mundo, aprende a pensar.

Atuar profissionalmente, de modo a não sufocar a semente plantada, a regá-la, arejá-la e no seu desabrochar poder dizer: “eu fui, apenas o mediador, o jardineiro, a flor já estava lá”, é a grande realização do professor.

PLANO PILOTO DA SECRETARIA ESTADUAL DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Entre as medidas tomadas pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo para combater a evasão e a repetência estão, sobretudo, a reorganização do ensino fundamental, as classes de recuperação, as classes de aceleração da aprendizagem e a aprovação automática, conseguida através da formação de ciclos do ensino fundamental. O fim da reprovação limita-se ao 1.º grau, mas ao aluno do ensino médio propõe-se que possa ser reprovado em até 3 disciplinas e cursá-las no ano seguinte, em sistema de dependência.

A REORGANIZAÇÃO DAS ESCOLAS DO ENSINO FUNDAMENTAL – A Secretaria da Educação considera que a redução das taxas de reprovação e evasão confirmadas, segundo ela, pelas últimas pesquisas, é “fruto principalmente das classes de aceleração e da reorganização, a qual foi feita em cerca de 80% das escolas, no ano de 1997”.

Desmembrou o ensino fundamental em dois blocos: de 1.ª à 4.ª série e de 5.ª à 8.ª série, colocando-os a funcionar em prédios distintos. Ao agrupar alunos do primeiro bloco num mesmo estabelecimento de ensino e os do segundo em outro, a Secretaria da Educação organizou o material pedagógico para essas séries, o que possibilitou a instalação de equipamento de acordo com a necessidade do currículo. A ambientação das escolas contribuiu, acredita ela, para melhorar o desempenho dos alunos.

CLASSES DE RECUPERAÇÃO – As classes de recuperação são usadas como estratégia para evitar a repetência. Elas foram tornadas obrigatórias pela Secretaria da Educação a partir de 1997 como meio de recuperar alunos do ensino fundamental e médio.

As escolas adotaram três tipos de recuperação: recuperação paralela, reforço no período de aula e complementação nas férias. Alunos que foram reprovados nas escolas da rede estadual no ensino fundamental passam as férias de janeiro nas salas de aula, com o objetivo de dar-lhes nova chance para recuperar-se. Elas valem como oportunidade para o aluno passar de ano.

Estabeleceu a Secretaria da Educação que os critérios para a avaliação dos alunos, incluídos nesse programa especial de férias, serão definidos por escola.

ACELERAÇÃO DA APRENDIZAGEM – Esta é outra prática pedagógica que visa combater a repetência. O levantamento estatístico constatou, conforme o MEC, o grande descompasso existente entre a idade do aluno e a série cursada. As oito séries do 1.º grau são alcançadas pelas pessoas em média com 18 anos de idade; deveria ser aos 14 anos, o que mostra que a questão da defasagem escolar é significativa no país. Aos 10 anos, os alunos estão, em média, na 2.ª série, quando deveriam estar na 4.ª. Aos 7 anos, cerca de 14% das crianças ainda estão em pré-escolas.

O Censo Educacional de 1996 revelou que, dos 5,7 milhões de estudantes matriculados na rede pública e privada, 54% estão acima da faixa etária ideal; revelou também que no ensino fundamental, para cada 100 alunos que entram na 1.ª série, 44 repetem algum ano. No ensino médio, a repetência atinge 34% dos alunos na 1.ª série.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) permite que um aluno mais interessado possa avançar rapidamente e “queimar etapas” de ensino. Permite que se faça a trajetória com mais rapidez, aproveitando a aprendizagem feita fora da escola. A forma de “queimar etapas” será definida pelos Estados.

O programa de classes de aceleração foi instalado em 1997 pela Secretaria de Estado da Educação e é hoje adotado em outros Estados do País. Essas classes tentam evitar as muitas repetências e destinam-se a alunos com idade avançada para a série cursada.

As classes de aceleração iniciaram-se em dois ciclos, integrando o aceleração 1 com crianças de mais de 10 anos e ciclo básico (1.ª e 2.ª séries) e o aceleração 2 para alunos de 3.ª e 4.ª séries com mais de 11 anos. As classes devem ter no máximo 25 alunos. A jornada diária é de 5 horas.

Os alunos recebem – ou deveriam receber – aulas com metodologia especial, material específico e, de acordo com o MEC, professores treinados. Depois de um ano de estudos, os alunos do acelerado 1 devem estar aptos para ir para a 4.ª série ou acelerado 2. Os do acelerado 2, para a 5.ª série. O currículo é o mesmo que nas demais classes, a diferença está na forma do ensino.

As classes de aceleração estendem-se às demais séries do ensino fundamental e a tendência é de que projetos de aceleração ocorram principalmente nos cursos noturnos regulares. A partir de março de 1999, foram implantadas, nas escolas estaduais, classes de aceleração para alunos de 5.ª à 8.ª série do ensino fundamental. O objetivo é o mesmo das de 1.ª à 4.ª série, ou seja, corrigir as distorções idade/série. No ensino médio, por ser só três séries, não haverá aceleração.

Os professores dão aula a partir de projetos temáticos, escolhidos pelos alunos e exploram o senso crítico e a experiência de vida desses alunos. Segundo Ruy Berger Filho, integrante do MEC, as escolas poderão optar por colocar esses alunos, com distorção idade/série, em uma mesma turma e aplicar o ensino modular, pelo qual se estipula um conjunto pequeno de disciplinas em um bloco de estudo, trabalhando em prazo menor do que o normal. O aluno cumpre o currículo de dois anos em um, passa a freqüentar, no final do ano letivo, uma série mais adequada à sua idade.

O MEC vem auxiliando as escolas, oferecendo material didático específico para as classes de aceleração da aprendizagem. Os livros do programa são desenvolvidos em uma linguagem mais próxima do aluno com idade avançada.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2000)

O NÚMERO CRESCENTE DE ANALFABETOS FUNCIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A síntese do IBGE, do início do ano, chama a atenção para o elevado número de analfabetos funcionais. Refere-se a pessoas com mais de 15 anos, que estudaram menos de quatro anos e têm dificuldades para entender um simples texto, um manual de orientação. São incapazes de usar o que aprenderam na escola, de usar a leitura, a escrita, a matemática, em situações do cotidiano.

Os poucos anos de escolaridade não os tornaram capazes de assimilar e desenvolver habilidades práticas, desenvolver a capacidade de compreender e interpretar textos. Chegam, no total do País, a 29%, sendo que na região nordeste atinge 46%, no Estado do Piauí passa de 53% e, na região rural da Bahia,  chega a 73%, emperrando o desenvolvimento econômico desses Estados.

Até os anos 60, considerava-se alfabetizada a pessoa que sabia ler e escrever, ao nível necessário do seu convívio social. A partir dessa data, surge um novo conceito de alfabetização, no qual o conhecimento está atrelado ao desenvolvimento de habilidades práticas, úteis ao cotidiano. Hoje, considera-se que há diversos tipos de alfabetização relacionados às habilidades desenvolvidas pelo indivíduo, habilidades que se refletem em sua capacidade de trabalho.

Um estudo realizado pela Unesco, no ano passado, em sete países latino-americanos, revela que os brasileiros têm, em média, um nível inferior aos chilenos e argentinos, no tocante ao analfabetismo funcional. Essa pesquisa foi realizada no Estado de São Paulo e, se fosse levado em conta o País todo, o resultado seria muito pior, observa a educadora Vera Maragão Ribeiro.

Nos exercícios de prosa, como na compreensão de um simples aviso, os brasileiros tiveram o pior rendimento entre os sete países: Argentina, Chile, Colômbia, México, Venezuela e Paraguai, incluindo o Brasil. O rendimento dos brasileiros em matemática foi semelhante ao de prosa e tem um índice que gira em torno de 0,05, ou seja, abaixo da média.

A pesquisa mostra que o problema é mais complexo do que as campanhas e os programas de alfabetização, concluiu Vera. “O desafio que se impõe continua sendo a falta de um ensino de qualidade”. As reformas do ensino, propostas pelo MEC, não estão chegando adequadamente às escolas e assim não processam as transformações desejadas. Idealizam-se grandes mudanças, mas esquecem-se de sua preparação no tocante à prática de ensino, esquecem-se da necessidade de trabalhar a mentalidade educacional do professorado, que muda bem mais devagar que os princípios inovadores. É preciso cuidar dos professores  se realmente se quer inovação.

A escola passa por uma crise no processo pedagógico; tem dificuldade em encontrar uma resposta técnica para os novos problemas trazidos pelos alunos, em decorrência da nova transformação social. Os problemas sociais se alastram, o ensino fundamental vem se universalizando, colocando na escola alunos dos diferentes extratos sociais. As salas de aula vão se avolumando, com superlotação e com falta de métodos apropriados para lidar com as classes numerosas.

O maior indicador dessa crise é a evasão escolar ou a aprovação generalizada, sem qualificação, mediante baixa exigência, perpetuando o analfabetismo funcional. Saber ler e escrever é o grande fator da integração e da comunicação entre os diversos níveis sociais. Diminuir a concentração de renda, tão marcante no País, manter a perspectiva de uma sociedade mais justa, passam, impreterivelmente, pela sala de aula.

A baixa qualificação do professor é um dos fatores que dificulta a melhoria do ensino, assim como o elevado número de alunos por classe. Um estudo realizado pela Unesco e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), comparando os indicadores de 47 nações, mostra que a formação do docente brasileiro está entre as piores, melhor apenas que a da China e da Tunísia. Mostra que apenas 22% dos professores do ensino fundamental têm nível superior e, no ensino médio, a taxa sobe para 56%.

O estudo conclui que a deficiente qualificação do professor somada a problemas de organização das escolas, às classes superlotadas e à elevada carga horária dos docentes, respondem pelo decadente nível das escolas públicas. Conclui, também, que os professores mais qualificados são os mais velhos.

O desencanto à carreira do magistério começa a impregnar os jovens. Há um certo descrédito quanto às políticas educacionais que não vêm prevendo a demanda futura. Ao descuidar, no presente, das condições efetivas de um bom trabalho docente, só fazem prejudicar as perspectivas futuras. De acordo com o estudo, no ensino fundamental, cada professor tem, em média, 34 alunos e no ensino médio, 39, quase o dobro da média dos países pesquisados, que têm 21 alunos por professor. O número excessivo de alunos, avalia o estudo, prejudica o trabalho do professor e, conseqüentemente, a qualidade do ensino.

A crise da escola pública vem se alongando, criando, nos jovens, uma imagem negativa, que buscam descartar o magistério como profissão. Esse fato começa a preocupar os estudiosos da educação, que prevêem uma possível falta de pessoal para lecionar, no dia de amanhã.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2001)

ALFABETIZANDO COM A AJUDA DO COMPUTADOR

Izabel Sadalla Grispino *

O computador é um excelente auxiliar na construção do conhecimento, em todas as fases da aprendizagem. Ele é útil desde a educação infantil, quando crianças são alfabetizadas através dele, e com vantagens.

A criança vai, aos poucos, manuseando o computador, explorando-o, conseguindo demonstrar que sabem e que são capazes de produzir. Diante do computador, a criança tem liberdade para criar, inventar palavras, histórias, desenhos, emocionar-se, estimular-se. Por isso, as crianças gostam muito de trabalhar com ele.

O computador dispõe as informações de maneira clara, objetiva, lógica, favorece a exploração espontânea e a autonomia na aprendizagem. Ele pede reflexão, atenção, definição do que se quer fazer. A criança aprende a se organizar e passar informações ordenadas, digitando corretamente.

O computador favorece a auto-aprendizagem, a autocorreção, porque dá um retorno imediato do processo de construção. Ele trabalha numa disposição espacial das informações que pode ser controlada, seqüencialmente, pela criança, desenvolvendo o seu campo perceptível visual e seu raciocínio lógico. Ao utilizar o computador, o aluno amplia as noções de espaço, ângulo, lateralidade, cálculos, que são princípios importantes. As possibilidades enriquecem-se e trazem oportunidades variadas. Ao trabalhar imagens e textos de forma combinada, o computador ativa os dois hemisférios cerebrais.

No processo da aprendizagem, ele vem sendo apontado, por educadores, como um facilitador do desenvolvimento natural da expressão simbólica da criança no uso de caracteres gráficos. Esse fator é importante tanto na fase da alfabetização como no desenvolvimento posterior da leitura e da escrita.

A utilização do computador deve basear-se nas idéias do construtivismo: o aprendizado deve ser construído pelo aluno, que não pode ter, assim, uma posição passiva. É um aprender fazendo, que acaba por tornar-se uma atividade lúdica para ele.

Os projetos pedagógicos devem fazer com que o aluno use a tecnologia para pesquisa, trabalhos em equipe, para raciocinar e dialogar em um mundo interativo. O computador é uma ferramenta a mais na aprendizagem, de precioso alcance, mas não absoluto. Ele precisa estar conjugado a outros métodos pedagógicos, fazendo da educação um processo abrangente e reflexivo, como, por exemplo, a formação do hábito da leitura, seguido do debate, dotando as crianças da capacidade expressiva, de interpretação. Só colocá-lo na escola não resolve. Deve-se transformá-lo em alavanca para a mudança. Uma grande contribuição é uma escola integrar programas com outras escolas, com outras organizações, conectando experiências, inovações na área da educação. Um outro passo é formar redes de produção de conhecimento, conduzindo o aluno, não só ao conhecimento restrito às atividades da escola, mas ao conhecimento para a vida. Um considerado avanço das novas tecnologias é a constituição de comunidades de informações. Escolas podem integrar-se, comparar-se e evoluir. Podem produzir notícias on-line, preparando o estudante ao seu acesso, que será, sem dúvida, as marcas do leitor do futuro.

Em casa, o seu uso também é importante, tanto para o conhecimento, como para o entretenimento, o que permitirá à criança maior domínio da máquina. A internet é uma forte atração. Há sites para todas as idades, com jogos, histórias, brincadeiras, leitura que atraem as crianças e as educam. Quanto mais avançado o país, mais a criança acessa o computador. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos mostra que 95% dos pequenos internautas, de classes mais favorecidas, têm acesso ao computador.

Contudo, não deve ser usado com exagero.  Geralmente,  no  período  de  férias,  a criança abusa no tempo on-line e isso se torna prejudicial. Psicólogos e educadores consideram uma hora por dia, como o suficiente. Em crianças de 4 ou 5 anos, o ideal é que não passe de 40 minutos.

Assim como o computador traz novos conhecimentos, também pode prejudicar o desenvolvimento da criança, quando usado sem moderação. A criança precisa gastar energia com outras atividades, tanto físicas, quanto sociais. Ela pode ficar muito isolada e privada de outras ações importantes. Deve-se intercalar o uso do PC com outras atividades. Assim, a criança não será uma alienada do mundo moderno e terá, em contrapartida, uma boa formação integral.

As novas tecnologias, na área da educação, devem ser encaminhadas a uma utilização dentro dos objetivos pedagógicos. Continuará existindo o quadro-negro? O aluno, desde criança, tem acesso à tecnologia, formando, nesse contexto, estruturas mentais diferentes do aprendizado pela transmissão oral. É uma nova postura de aprendizagem, que precisa ser refletida, considerada pelo educador, para não afetar o processo educacional, mesmo porque o computador veio para ficar, assim como sua forte aliada, a globalização. Novas estruturas mundiais surgem, ignorando fronteiras, e as grandes culturas vão impondo padrões de comportamento a países menos avançados. Não se pode mais dissociar cultura e educação e, assim, refletir sobre os vínculos existentes entre elas, entre os saberes culturais e educação do futuro, que têm na tecnologia o grande suporte.

Nesta transição de séculos, a escola enfrenta, como um grande desafio, a discussão das características de uma educação mundial, atingida pelas transformações técnicas, econômicas, sociais, ecológicas e culturais e um outro, não menor, qual seja, o desafio de promover uma mudança na cultura do professor.

CAMINHOS CONSTRUTIVISTAS NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

As escolas partem para semear transformações na educação. Os alunos trabalham em projetos que eles criam  e desenvolvem, nos quais empregam conhecimentos adquiridos não só na escola como no seu dia-a-dia.

O computador, por exemplo, não se torna apenas uma fonte de dados, mas um instrumento de comunicação entre eles. Os alunos caminham com autonomia na aprendizagem. Discutem determinadas questões e eles próprios decidem o que fazer. Montam um projeto, pesquisam, fazem o acompanhamento e analisam os resultados, sempre sob a orientação dos professores.

Os professores são treinados para utilizar atividades de ensino construtivistas, que levam o aluno a construir o conhecimento. O filósofo e psicólogo suíço Jean Piaget descobriu que as crianças não pensam como os adultos, têm sua própria ordem e sua própria lógica. A pedagogia tradicional as tornava “recipientes” a serem preenchidos com conhecimento. Elas são, contudo, ativos construtores do conhecimento, tal como fazem os cientistas que criam e testam suas próprias teorias.

O aluno não é um ser passivo e o conhecimento é o resultado da interação entre ele e o mundo. O conhecimento não é cópia, mas resultado de uma construção/elaboração do mundo ou, como dizia Jean Piaget, “assimilação da realidade”.

Construir o conhecimento é aprender, numa estrutura em construção, algo que se quer conhecer. Para haver aprendizagem, não basta a transmissão da informação, por mais competente que ela seja. É o sujeito que, fazendo relações, associando o novo ao já conhecido, vai construindo o conhecimento, segundo a sua estrutura em formação. Novos sentidos serão construídos em cada sujeito, de acordo com os esquemas de compreensão que já adquiriu. Ao longo da vida, o sujeito terá oportunidades diversas de ressignificar o conteúdo de acordo com sua experiência.

No construtivismo dizemos que ser educador é possuir a sabedoria de fazer brotar a sabedoria do outro, fazendo-o tomar posse do verdadeiro saber, saber compreendido, assimilado de dentro para fora. Por isso, educar é ter o poder de ensinar a aprender, é trocar experiências vividas, fazendo surgir novas luzes. O método de ensino adotado pela escola e aplicado pelo professor tem efeito considerável sobre a aprendizagem. Um método distorcido, distanciado da realidade da sala de aula, sem o aprimoramento de seus passos, pode levar o aluno ao fracasso.

A escola deve ajustar-se ao perfil do aluno, às suas características de personalidade, ao seu ritmo de aprendizagem, ajudá-lo em suas buscas. Não deve lhe apresentar um conhecimento pronto, acabado, mas construir com ele o conhecimento, recriar conjuntamente a cultura. Hoje, a escola se distancia da visão culturalista, enciclopedista. Ela aborda a cultura do dia-a-dia, questões de relevância social, de interesse dos alunos, trazendo um conteúdo significativo, um conteúdo contextualizado.

A alfabetização é ponto-chave no processo de aprendizagem. Ela, também, deve partir do estudo da cultura da comunidade do aluno, em que nível lingüístico e cultural ele se encontra, quando chega no 1.º ano do ensino fundamental, e em que nível se quer fazê-lo chegar. A escola, reconhecendo e respeitando o universo de onde veio o aluno, adaptando-se a ele, fará uma adequação do universo cultural que ele trouxe com o universo oferecido por ela, evitando que ele se sinta um estranho no ninho. Dessa maneira, a escola provocará uma ruptura bem menor desses universos. O aluno, aceito em sua maneira de ser, vai percebendo que é possível articular a sua linguagem com a da escola.

Reivindica-se à escola que, a partir de uma cultura popular, ela crie uma consciência de sua necessidade de formar um elo, uma relação de articulação serena, entre o seu universo e o da criança. No momento em que essa articulação se concretizar, a aprendizagem estará garantida. A criança não se sentirá frustrada, olhada como alguém que fala um discurso estranho. Perceberá que não há discurso distinto entre o dela e o da escola. Vai evoluir com naturalidade, não vai decorar ou repetir aquilo que lhe mandam. A passagem entre o seu mundo e o das letras processou-se de modo tranqüilo, com respeito e valorização (trecho extraído da aba da contracapa do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola).

Esse é um grande passo para integrar o aluno no recinto da escola e motivá-lo a ela.

Um outro grande passo é respeitar o seu momento diante da aprendizagem, visto que o desenvolvimento infantil ocorre por fases. Esta foi uma das razões que se pensou em organizar as escolas da rede em ciclos, que coincidem com as fases do desenvolvimento, aumentando as possibilidades de aprendizagem, pois o ritmo das crianças é respeitado. Além disso, nesse processo são levados em conta os conhecimentos que as crianças trazem de casa e da convivência social.



* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em março/2006)

A BIBLIOTECA ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

A biblioteca é um recurso didático indispensável no processo de aprendizagem. A adoção, pela escola, do método construtivista coloca a pesquisa na vanguarda da metodologia. Além disso, como despertar o aluno para a imperiosa leitura, como criar o hábito de ler, sem a existência de sua matéria-prima?

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