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Artigos Educacionais

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A ESCOLA EM SEU NOVO DIRECIONAMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

Penetrando no mundo de valores diferenciados, na tentativa de alcançar as diversidades culturais, a escola expande seus horizontes, ultrapassa fronteiras e, num comportamento menos elitista, chega às camadas mais necessitadas da população.

A tendência atual é educar para a coletividade. A diversidade cultural hoje é mais acentuada que ontem e as crianças, desde cedo, entram em contato com ela. Como se situar nessa diversidade? Como se ajustar a ela sem confrontos desgastantes?

A educação direcionada ao coletivo leva ao enfraquecimento da competitividade. Educa para o entendimento da realidade circundante, do entorno, para conhecer a história do outro, suas tradições, seus costumes, seus anseios e limitações. Esse conhecimento aproxima uns dos outros, relaxa as rivalidades, convida às mãos estendidas.

Vivemos um outro momento, em que se faz necessário uma educação de valores abrangentes, uma compreensão de padrões de comportamento, de normas subjacentes aos diferentes grupos de convivência social. Uma educação que alcance a formação de uma consciência moral.

Crianças de origens diferentes, agindo de forma coordenada, colaboram para o equilíbrio, para uma convivência mais pacífica, desarmando intenções. A escola passa a educar para a responsabilidade social, ensinando a criança a participar da construção de uma sociedade cidadã, onde se trabalha o respeito aos direitos do outro e a consciência dos próprios deveres.

A escola passa a educar par a construção de uma sociedade comunitária, onde um sente a necessidade do outro, onde se aprende a não mais ignorar o outro, num aproveitamento de mente, de alma e de braços, no reerguimento da paz e da própria economia da Nação.

Já é tempo de se olhar, como aprendizes, às comunidades pobres. Saber ver o seu potencial, o imenso capital de conhecimento que essa comunidade herdou de pais, de avós, ver os valores socialmente criativos que expressam.

Nesse aspecto, a escola passa a ser uma instituição da coletividade, seguindo o relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI (Unesco), que estabeleceu quatro pilares, como eixos estruturais da Educação na sociedade contemporânea: Aprender a Aprender – buscar o saber, alcançar os seus objetivos;  Aprender a Fazer – relacionando o ensino à prática; Aprender a Viver e Conviver – desenvolver o conhecimento do outro, formar uma nova mentalidade, que vai gerar mais união e diminuição da competitividade, vai gerar o desejo de criar, de elaborar projetos conjuntos, de viver juntos; e Aprender a Ser – desenvolver a capacidade de autonomia e julgamento, fortalecendo a responsabilidade pessoal pelo destino coletivo.

Hoje, a escola reforça a visão de que a educação deve se dirigir ao convívio coletivo, ao desenvolvimento humano, no encontro das diferentes culturas, aproximando os povos e os segmentos da sociedade.

Transformar o meio em que se vive passa, necessariamente, pela sala de aula. Já passou a época da alienação aos menos favorecidos. Terá que haver um esforço para conciliar a destinação com a esperança. Um esforço para anular o sintoma da desigualdade e acreditar na capacidade de recuperação.

 

* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em dezembro/2006)

FORMAÇÃO GLOBALIZADA

Izabel Sadalla Grispino *

Não há desenvolvimento econômico sem uma poderosa estrutura científico-tecnológica, representada, em nosso País, pelas universidades públicas. Necessário se faz fortificar essas universidades para não comprometer a pesquisa, o desenvolvimento baseado no conhecimento. Necessário se faz investir num sistema educacional que nos tire da condição de País de terceiro mundo. Investir numa política efetiva de inclusão pela melhoria do ensino básico, pelo reforço do preparo dos estudantes pobres à universidade e não por facilitadores mecanismos de acesso à universidade, comprometendo a qualidade do ensino superior. Um país sem universidades de excelência e centros de pesquisa de alto padrão não tem como alavancar o conhecimento e tornar-se nação de primeira grandeza.

O futuro será do país que souber reunir conhecimento e indústria. O conhecimento científico, em seu progresso, tem que caminhar juntamente com a aplicação prática, traduzir-se em tecnologia aplicada. A distância entre teoria e prática provoca desajustes consideráveis no produto resultante dessa combinação. Na indústria farmacêutica, por exemplo, mediante as descobertas científicas, parte-se para a produção de medicamentos; pesquisas transformam-se em vacinas.

A prática do conhecimento transitado decide o papel da indústria e seu impulso ao desenvolvimento econômico. A indústria impulsiona a universidade e é por ela impulsionada, criando importantes ações comerciais. O que se quer é que a ciência produzida pela universidade não fique só na ciência, que haja uma comercialização do conhecimento por ela adquirido, da pesquisa por ela desenvolvida. Esse é, sem dúvida, um caminho da recuperação da atividade econômica do país.

Aliado a esse aspecto da transformação do conhecimento em produtos comercializados, um outro ponto interessante a abordar é a criação de um projeto educacional que permita ao jovem estudante ser um cidadão do mundo globalizado. As grandes potências buscam fortalecer as dimensões internacionais de sua educação superior, atraindo investimentos e formas de intercâmbio.

Olhos voltados para o enriquecimento cultural, técnico das universidades, ajudam o mercado, hoje inserido na globalização. Projetos ambiciosos, em determinadas áreas, buscam capacitar o formando na visão internacional, tendo em vista a expansão da economia, o enfoque internacional do nosso comércio. Observadores da área econômica constatam que “todos os negócios estão num ambiente globalizado e mesmo que uma empresa não exporte nada, certamente compra produtos importados ou negocia aquisição de tecnologia”.

A preocupação na formação do estudante vai além do enfoque nacional. A expansão do comércio mundial exige uma crescente necessidade de relações com o exterior. Experiência internacional, no avançar dos anos de estudo, propicia maior visão de mundo, de mercado, conhecimento de tecnologias diferentes e de outras culturas. Essas características ajudarão e muito na colocação de empregos e no desenvolvimento de negócios. A vivência no exterior traz como maior benefício o aprendizado cultural e é isso que faz a diferença numa carreira. A vivência ajuda no crescimento pessoal e profissional.

Felizmente, as escolas despertam para a amplitude das relações internacionais e vem oferecendo, com mais freqüência, oportunidades de aprendizado fora do País. As olimpíadas vem aumentado, tanto na esfera nacional como internacional. Escolas públicas brasileiras participaram recentemente, dezembro de 2004, entre 39 países, da 1.ª Olimpíada Internacional Júnior de Ciência, estimulando a busca do conhecimento. Nas nossas escolas, em geral, o ensino de ciência é ainda muito teórico, com poucas aulas em laboratórios, poucas possibilidades para o aluno criar.

A disputa foi na Indonésia e 6 alunos brasileiros – 4 meninas e 2 meninos de até 15 anos – participaram de 3 dias de provas. Fizeram provas práticas, além de testes e de questões dissertativas sobre química, física e biologia. Atualmente, cerca de 500 mil adolescentes brasileiros participam de disputas em várias áreas do conhecimento. Os medalhistas, freqüentemente, recebem bolsas de iniciação científica ou são convidados a participar de cursos especiais em universidades, uma forma de aproveitamento de talentos e de incentivo ao estudo.

A classe social mais abastada coloca os filhos em escolas internacionais renomadas, onde os filhos falam, desde pequenos, mais de um idioma. São escolas bilíngües, a criança é alfabetizada em português e de acordo com a opção da família em uma outra língua. Apresentam um currículo internacional que assegura a continuidade dos estudos em qualquer país, sem, contudo, descuidar do currículo adaptado à realidade brasileira e às orientações do Ministério da Educação (MEC).

O que se procura é a valorização do contato com outras culturas, formação globalizada, portas abertas para o futuro. Os alunos das escolas internacionais, no convívio com pessoas de outras nacionalidades, no convívio, desde cedo, com outros idiomas, ajustam-se com mais facilidade, com mais abrangência, na realidade contemporânea.

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2005)

CRIANÇAS COM SOBRECARGA DE ATIVIDADES

Izabel Sadalla Grispino *

Recentemente, deparei-me, num jornal de língua espanhola, com um tema que julguei assaz interessante, oportuno, real e que, sob a minha ótica, comento com os meus prezados leitores.

Os jovens vivem num mundo que muda num ritmo acelerado, caracterizado por pressões sociais que os fazem crescer muito depressa. São pressionados a adaptar-se a padrões familiares instáveis, a assumir compromissos, a ingressar mais cedo nas universidades, a participar e a competir nos esportes, em destrezas especializadas. Enfrentam informações e programas  para adultos antes que tenham vencido os problemas próprios da idade.

Estas pressões impõem-lhes maiores responsabilidades, causam-lhes estresse, ao mesmo tempo que redefinem a essência mesma da infância, esclarece o psicólogo Joan Isemberg.

A criança e o adolescente, de hoje, participam de atividades extracurriculares cada vez mais numerosas e exigentes. São atividades tidas como armas para o futuro, as quais, se não dosadas, podem tornar-se estressantes. Elas dividem o seu tempo entre a escola, os esportes e um sem-fim de tarefas.

A escola de meio período pode não cobrir todas as necessidades de aprendizagem da criança, mas complementá-las com uma carga pesada de atividades pode resultar em fator negativo. Muitos pais consideram que as tentações, como a TV, o computador, devem ser enfrentadas com uma agenda completa. Consideram que é preferível ocupá-la a deixá-la permanecer frente à TV, sem controle.

Depois da escola, as crianças estudam idiomas, computação, música, praticam esportes, dança, balé, não se descuidando das artes, das coisas do espírito – uma expressão artística sempre é enriquecedora.

É uma tendência deste tempo histórico social, com suas aspirações culturais, suas necessidades de conhecimento, de preparação para a vida futura. Porém, é preciso ponderar, estabelecer um equilíbrio, entre o que a criança quer e necessita e o que pode fazer sem se esgotar. Corre-se o risco de se desvalorizar o tempo livre, favorável ao amadurecimento emocional, afetivo e ao desenvolvimento da criatividade. O ócio também é bom e é preciso respeitar as etapas do desenvolvimento infantil, alertam os especialistas.

Quando o jovem está muito preso a horários, passa a viver sob tensão, diante da qual não consegue responder de maneira positiva. Começa a faltar às aulas, a se desmotivar e a produzir baixo rendimento. O excesso de exigência, com vista a uma competência refinada, cada vez mais se instala em todos os aspectos da vida.

As atividades são pensadas, pelos pais, como uma preparação necessária para um futuro mercado de trabalho exigente e competitivo. Elas sempre existiram, mas, agora, são outros os níveis de exigências, outras expectativas. Antes eram complementares ou passatempos, hoje, surge o fator competitividade, encarado não só no plano individual, mas comparado a um outro. Quando isso ocorre, pode se tornar perigoso porque coloca a criança, muito cedo, em frente de batalha.

Por outro lado, as atividades extracurriculares são importantes instâncias de socialização, principalmente para crianças e jovens muito tímidos. Surgem, contudo, dilemas entre os pais de qual o melhor procedimento: crianças agendadas ou crianças livres? Para psicólogos da área infantil, como Aurora Isasmendi, o importante é atender as demandas pessoais, não se podendo, assim, falar em regra geral. Aos pais competem observar o andamento, o rendimento, se a criança não demonstra cansaço e se não começa a fracassar nos estudos.

Nestes tempos, em que o comum são os pais trabalharem o dia todo, as atividades extracurriculares podem ser a solução para que os filhos não dispersem seu tempo, adquiram competência, não se deixando consumir pela TV. Elas são, de um modo geral, consideradas boas e necessárias, mas devem ser acompanhadas com cuidado, para não produzirem efeito negativo, reações de estresse, traduzidas por enxaquecas, dores de estômago, problemas de conduta e insônia.

É preciso apegar-se aos centros de interesses e ao desenvolvimento evolutivo de cada criança e oferecer atividades adequadas à sua idade. Pergunta-se: até que ponto estamos respeitando os ritmos evolutivos e as motivações de nossa criança e até que ponto estamos desraizando-a demasiado cedo da família? Não estamos limitando sua felicidade lúdica? Qual a educação apropriada para o desenvolvimento do nosso filho? Tentar ajustá-la às suas necessidades físicas, sociais, emocionais e cognitivas, como, também, às características sociais e ao trabalho da família.

“Desejaria que cada pai pensasse com a cabeça e agisse com o coração, que conseguisse captar o que agrada ao filho e o que o contraria”. (Isasmendi).

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em março/2001)

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: MOMENTOS DA AVALIAÇÃO

Izabel  Sadalla  Grispino*

No artigo anterior, constatamos que aspectos amplos do desenvolvimento do aluno devem ser avaliados. O professor busca informações para obter a compreensão do comportamento demonstrado pelo aluno. Essas informações, para efeito de organização, foram classificadas em três aspectos: físico e motor, social e afetivo e intelectual.

Para se avaliar hábitos de trabalho, responsabilidade, participação, relacionamento com colegas etc., deve-se levar em conta que as provas onde o aluno utiliza lápis e papel não são suficientes para dar informações sobre os aspectos do desenvolvimento considerados. Para saber se estes comportamentos ocorrem ou não, é necessário observar e estudar o comportamento dos alunos quando eles reagem em matemática, português, artes etc.

O professor deve avaliar como um educador, não como um comunicador de informação, deve interessar-se pelos alunos enquanto pessoas, valorizar suas atitudes e responsabilidade. Ao levantar os objetivos dos Planos de Ensino, deve assinalar os essenciais e dar conhecimento aos alunos. Deve colocar os padrões de rendimento aceitável, tomando por base os objetivos essenciais, em todas as atividades que serão avaliadas.

Depois de se ter decidido o que avaliar, uma outra questão surge: quando deve ser feita a avaliação?

MOMENTOS  DA  AVALIAÇÃO

“Tenho a cada momento uma ação,                 Tem sutil função controladora,                                                        Antes de uma seqüência de ensino,                  Recupera o ensino regular,
A diagnóstica faz sua função,                             Tem finalidade formadora,
Evita trabalho sem destino.                                  Escolaridade salutar.

Diagnostique o nível do aprendiz,                       Recuperar a avaliação
Planeje de acordo à realidade,                            Nas ações formativo-diagnósticas,
O aluno aprende e avança feliz,                          É da escola séria atribuição,
Visto no potencial, na irmandade.                      Pra alçar vôo, atingir veias humanísticas.

Antes do programa, dê pré-teste,                      No final da seqüência de ensino,
Para auscultar possibilidade,                             Pra promover e classificar,
No final, aplique o pós-teste,                               A somativa indica o caminho,
No confronto, a confiabilidade.                           Que o intelecto deve conquistar.

Durante o processo-aprendizagem,                  Aqui os desempenhos cognitivos,
Corrigindo o desvio quando ocorre,                   Pelos objetivos essenciais,
A formativa traz sua mensagem,                       Em avaliações cumulativas,
E o estudo paralelo socorre.                               Ditam os resultados finais.

Avaliação de acompanhamento                         Não cobre apenas uma só vez,
Não visa promover, nem reter,                           Pratique revisões espaçadas,
Aspectos do desenvolvimento                           Conduza o educando à solidez,
São objetivos a recorrer.                                     Testando atuações reiteradas.

É pro mestre valioso recurso,                            Usando bom senso e equilíbrio,
De identificação de fatores,                                Desprezando padrão absoluto,
Que ajudam ou esbarram o percurso,             Qualquer método, em bom desígnio,
E a adequação dos fios condutores.                Desempenha um papel enxuto.”

 

*Supervisora de ensino aposentada          
(Publicado em agosto/2000)

UNIVERSITÁRIOS ANALFABETOS FUNCIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Trabalhar bem a linguagem é requisito primordial para um bom desempenho em língua portuguesa e em todas as disciplinas do currículo. As avaliações do Sistema Nacional da Educação Básica (Saeb), o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e tantas outras têm, sistematicamente, demonstrado o baixo rendimento escolar em português e em matemática.

Português é disciplina tronco, bifurca em todas as áreas do ensino. É indispensável para todas as demais disciplinas e o aluno do ensino médio, da escola pública, não raro, termina o curso com sérias dificuldades em concordância, em pontuação, coesão, falta de ligação entre as partes, tempos verbais. Dificuldade em colocar as idéias no papel, em usar um vocabulário apropriado ao texto, em entender o que lê. Esse aluno mostra incapacidade de concatenar idéias e de se expressar.

O nível de um grande número de alunos que chega à universidade particular é muito baixo, constatam as pesquisas. Diferentemente da universidade pública, a particular convive com vagas ociosas. A oferta é quase sempre maior que a procura e, assim, alunos bem mal preparados, que lêem e escrevem sofrivelmente, conseguem entrar.

Diante de tão baixo nível de ensino, algumas faculdades particulares oferecem aos alunos oficinas para melhorar a capacidade de ler e escrever. A má formação atinge, especialmente, os alunos da escola pública e é tão precária que constitui uma barreira à continuidade dos estudos. Os alunos não conseguem entender e interpretar os textos que precisam estudar, textos, aliás, que lêem muito mal.

As faculdades mantêm aulas obrigatórias de comunicação e expressão para melhorar as habilidades de leitura, interpretação e redação. Em algumas instituições, as aulas de reforço não se limitam ao português, embora as oficinas de texto sejam as mais procuradas. Todos colocam o eixo temático em português, com ênfase na leitura e entendimento de texto.

Essa mão estendida das faculdades é de ajuda mútua: para os alunos, que teriam grande dificuldade em continuar os estudos, e para as próprias instituições, que ficariam sem condições de elaborar com proveito o conhecimento e arriscadas a perder alunos, aumentando ainda mais suas vagas ociosas.

As faculdades oferecem um espaço gratuito, fora do horário de aulas, criado, unicamente, para possibilitar universitários a melhorar a capacidade de leitura e escrita e a não desanimar de estudar.

Não adianta universalizar o ensino se não se ensinar a criança a aprender. Essa iniciativa das universidades, de criar oficinas para as matérias do ensino básico, é louvável, mas uma ação paliativa, insuficiente à aquisição de um bom conhecimento, revelando uma política nacional falha no setor educacional. Política que não consegue articular diretrizes curriculares, resultados de avaliações, investimento e valorização de professores. Esses alunos são resultado de uma escola que não valoriza a leitura e constitui um problema que vem de longe. Educadores constatam que nos últimos 40 anos o desinteresse pela leitura tem crescido. Os jovens apegam-se à TV, ao computador e deixam a leitura de lado.

As dificuldades com a língua portuguesa, a falta de domínio revelada nos testes aplicados, nas diferentes avaliações oficiais,  são fruto da ausência de leitura. Quem lê desenvolve o raciocínio, amplia o vocabulário, o conhecimento, a visão de mundo, apropria-se de um modelo adequado para a escrita. A professora Neide L. de Rezende, da Universidade de São Paulo (USP), constatou que até os anos 60 a língua que se falava na escola era muito próxima da linguagem escrita. “Aprendia-se a gramática de uma língua que você conhecia e os jovens liam muito mais. Hoje, o aluno estuda a gramática de uma língua que ele praticamente desconhece”. Isso é reflexo da perda de qualidade do ensino, de suas condições adversas. O que ocorre é que muitos alunos terminam o ensino médio na condição de analfabetos funcionais e mesmo assim ingressam em uma universidade!

O atraso na educação é incompatível com a possibilidade de desenvolvimento econômico do País. Com esse atraso, o País terá dificuldades em sua força de trabalho, que será aumentada nos próximos anos. Faz-se necessário despertar a consciência nacional para o patrimônio político, econômico, social, que representa a língua portuguesa. Ela simboliza a identidade cultural do País. Fixa sua importância interna e externa.

No âmbito internacional, surge a idéia de o Brasil, com o apoio financeiro das Nações Unidas (ONU) e de empresas nacionais, ensinar português ao Timor Leste, a fim de resgatar a identidade dessa ilha asiática, conquistada pelos portugueses em 1701, ficando sob seu domínio até 1975. O Timor foi, na década de 70, invadido pela Indonésia, que o ocupou. Hoje, depois da independência, a maioria da população fala o dialeto tetum, apesar de o português ser, também, a língua oficial falada por apenas 20% da população. A ocupação da Indonésia durou até 1999 e fez surgir na ilha o indonésio e o dialeto chamado tetum

“A preservação da identidade do Timor passa pelo português e só Brasil e Portugal podem fazer isso”, disse o então representante do Itamaraty, Jadiel Ferreira de Oliveira. A intenção é levar estudantes da Universidade de São Paulo (USP) para ensinar português  no Timor Leste, estudantes dos últimos anos de cursos de Letras, Licenciatura ou Pedagogia.

Cito esse episódio para conscientizar os brasileiros da importância de se cuidar com esmero de sua língua, de preservá-la, dignificá-la. Sentir o quanto ela é representativa da identidade de uma nação, o quanto a define, a identifica, a caracteriza no âmbito nacional e internacional e o quanto ela é fator de promoção pessoal e profissional.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2004)

A CRESCENTE ONDA DE VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL

Izabel  Sadalla Grispino *

Como pode a escola, nessa linha, exercer seu papel de coadjuvante da transformação social? Sabemos que escola e sociedade se integram, se interagem. São interfaces que se refletem, que se completam: uma recebe o produto da outra. O projeto pedagógico da escola deve contemplar a realidade vivida pelo aluno, seu cotidiano; contemplar o contexto socioeconômico-cultural, no qual se insere. A contextualização é matéria-prima do currículo. A análise reflexiva do comportamento social é vital para a performance da escola. Os alunos que a freqüentam saem da sociedade, é dela parte integrante. De que características se reveste a sociedade de hoje?

No cotidiano social vivenciamos a violência, a fome, a corrupção, o desemprego, tudo banalizado pela alta freqüência. Estamos nos tornando uma comunidade anestesiada pela repetida violência, que vai minando o organismo social. Presenciamos uma juventude desajustada, psicologicamente envelhecida, renunciando, no uso da droga, a própria capacidade de sonhar. O número de delinqüência juvenil vem aumentando em progressão geométrica. A miséria moral é a mola crescente desse pejo social.

As causas da violência, apontadas por especialistas, ajudam no entendimento e na colaboração que cada instituição – família, escola, igreja, justiça, polícia... – pode dar. Pesquisas realizadas nessa área mostram várias causas, todas girando em torno da família. A ênfase é dada à desestruturação da família. A destruição do casamento vem trazendo uma amarga fatura. A ruptura familiar produz na criança, no jovem, o “rasgão afetivo”, responsável por um desajuste precoce. É como se diz: “A pobreza material castiga o corpo, mas a carência afetiva corrói a alma”. A ausência de vínculos afetivos gera introspecção, frieza, revolta. Sem carinho, a criança cresce sem referenciais.

Quem não aprendeu amor em casa, dificilmente levará amor para a rua. O numero de casas sem pais vem crescendo assustadoramente. Pais ausentes, filhos delinqüentes. Pais fora de casa, filhos entregues à “babá eletrônica”, com suas nefastas conseqüências.

Família sadia é ainda a melhor receita para uma sociedade sadia. Família que reza unida, permanece unida, nos ensina a Bíblia Sagrada. Coelho Neto já nos dizia: “A família é a célula-mater da sociedade” e a sabedoria popular nos adverte: “Colheremos o amargo fruto que a nossa omissão ajudar a semear”.

O resgate da juventude passa, sem dúvida, pela recuperação da família. O jovem precisa buscar sentido na família.

Preconiza-se, como medida salvadora, a volta da família nos moldes tradicionais, fortificando-se os laços familiares. Não adianta o brilho do intelecto se não houver o brilho de sentimento.

Violência e droga são aspectos afins,  ambas se prendendo à crise familiar. Uma pesquisa do Ibope, realizada em fins do ano passado, em cinco capitais brasileiras, concluiu que os conflitos familiares, o declínio da família, são a principal causa da entrada dos jovens no mundo da droga. De cada 100 adolescentes entrevistados, 35 alegaram que se drogavam para fugir dos problemas familiares. O segundo motivo, a necessidade de ser aceito pelo grupo, vem bem atrás, 15% dos jovens visitados. Um estudo do Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas  (Cebrid), em setembro de 1999, mostrou que 26% dos jovens brasileiros usaram algum tipo de droga, legal ou não. Hoje, esse número, estima-se ser maior. Nas famílias problemáticas, esse índice era bastante superior.

Uma segunda causa apontada pra o crescimento da violência infanto-juvenil são os jogos eletrônicos. Uma pesquisa realizada, durante 5 anos, pela psicóloga Paula Gomide, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, com 500 crianças e adolescentes, relata: “Cumulativamente, os efeitos da exposição contínua à violência podem causar sérios danos psicológicos”. Especialistas endossam essa afirmativa, demonstrando forte conexão entre a violência transmitida via entretenimento e sua dramática transposição para a vida real. Um dos videogames de maior sucesso, o Carmageddon, revelou-se um autêntico laboratório de crime e perversão. Um garoto de 12 anos assim se manifestou: “Eu acho dez o Carmageddon. É engraçado ver todo mundo se despedaçando. Eu adoraria poder jogar o carro em cima dos pedestres, principalmente idosos. É legal ver o velhinho sair correndo e a gente atrás”. É uma apologia ao comportamento destrutivo, indiferente ao sofrimento humano, antes, estimulador.

Essa precoce carga de perversidade pode estar na origem de comportamentos patológicos, excessivamente agressivos. No próximo artigo, continuaremos abordando o assunto, refletindo sobre novas causas da violência.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2000)

FUNDO DE DESENVOLVIMENTO DO ENSINO BÁSICO

Izabel Sadalla Grispino *

O Ministério da Educação elaborou um projeto de emenda constitucional, que institui um novo fundo para a educação no País, o Fundeb, que deverá substituir o atual Fundef. Quer garantir que toda a verba para a educação dos Estados e dos municípios seja aplicada no ensino básico e não só no fundamental, englobando, dessa maneira, a creche, a educação infantil, o ensino fundamental, o médio e incluindo o supletivo.

O Fundeb, que se chamará Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico, será enviado ao Congresso Nacional para discussão.

O Fundef, Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério, com início de funcionamento em 1.º de janeiro de 1998, teve forte contribuição no aumento de número de alunos, dos 7 aos 14 anos, no ensino fundamental.

O que se quer, agora com o Fundeb, é ampliar as matrículas para todo o ensino básico, fazendo crescer, com o aumento do número de alunos, a quantidade de recursos para o fundo. Segundo Francisco Chagas, responsável pelo recém-criado Departamento de Financiamento da Educação do MEC, o Fundeb terá 25% da receita dos Estados e municípios (não mais 15% do Fundef), que pela Constituição, devem ser vinculados à educação. A idéia é, também, diminuir as diferenças regionais, que permaneceram com o Fundef. A lei que criou o Fundef dizia que o valor anual mínimo por aluno, determinado pela União, deveria ser reajustado periodicamente, para que nunca fosse inferior à razão entre a receita do fundo e a quantidade total de alunos e isso, segundo consta, nunca foi respeitado. O projeto, de acordo com Chagas, vai propor um piso salarial nacional para professores. Hoje, 60% dos recursos do Fundef são direcionados para os salários dos professores e o restante para o custeio.

A aprovação do Fundeb  vai depender da  discussão com governadores e com prefeitos. Há, ainda, o problema com o financiamento do ensino superior, que, em alguns Estados, é incluído na verba da educação.

O Fundeb e o Fundef têm estrutura semelhante. As diferenças fundamentais consistem em que: O Fundef atende apenas alunos do ensino fundamental e 15% da arrecadação dos quatro principais impostos dos Estados e municípios são destinados ao fundo. O Fundeb atenderá alunos desde a creche até o ensino médio e inclui a educação de jovens e adultos, via supletivo. Todo o dinheiro vinculado à Educação, 25% da arrecadação dos Estados e municípios, vai para o Fundo. Em ambos, a partilha dos recursos é feita em cada Estado e todos os municípios recebem um mesmo valor por aluno. Quando o Estado não atinge um valor mínimo estipulado por aluno, o MEC repassa o restante.

O Fundeb se bem formulado e bem aplicado será, sem dúvida, uma iniciativa de relevância. Poderá contribuir para colocar mais crianças e mais adolescentes em salas de aula, aumentando, em todos os níveis da educação básica, o número de vagas a serem preenchidas. A movimentação financeira, segundo consta, será a mesma do Fundef, ou seja, a divisão do dinheiro ocorreria dentro de cada Estado. Os recursos depositados no Fundo seriam distribuídos para todos os municípios, de acordo com o número de alunos matriculados no ensino básico das redes estadual ou municipal. Essa divisão contaria, também, com o valor anual mínimo por aluno, estipulado pela União.

O Fundef criou, com propriedade, o chamado controle social e acompanhamento das verbas a ele destinadas. É um conselho formado por representantes de pais de alunos, professores, servidores, prefeitura e conselhos de educação. Mas, o que ocorre é que, em muitos municípios, ele não vem funcionando a contento. Em fins de julho, encerrou-se o prazo para que os municípios enviassem os dados sobre os conselheiros, como nomes, telefones e outras credenciais. Das 5.561 cidades brasileiras, 4.717 atenderam a solicitação.

Francisco Chagas, por informações recebidas, conclui que “muitos conselhos não funcionam por vinculações com a prefeitura, mas, também, por serem formados por pessoas que não foram indicadas pelos seus pares – pais ou professores – ou porque a prefeitura não libera a documentação necessária para o acompanhamento efetivo”.

O conselho é um importante canal de fiscalização e de controle das verbas destinadas, por lei, à educação. Deve ser respeitado, estimulado a um bom desempenho em todos os municípios e por todos envolvidos no projeto em questão. São constantes as denúncias de desvio de verbas ou de repasse de verbas a outras instâncias, que não a educacional.

O Fundeb é o amadurecimento do processo desenvolvido no Fundef. Como serão distribuídas as verbas, pelos graus de ensino, ainda não foi divulgado.

* Supervisora de ensino aposentada.  
(Publicado em agosto/2003)

O SÉCULO XXI REENCONTRANDO DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A volta calorosa do confronto entre racionalidade e crença, comentada no artigo anterior, despertou-me curiosidade. Pesquisas a respeito trouxeram-me ajuda e apraz-me dividi-la com vocês, prezados leitores.

No passado, cada descoberta da ciência parecia constituir-se em derrota para a Igreja, em suas teorias fundamentais, que sempre colocou Deus na origem de todas as coisas, do universo. Era o confronto do método experimental da razão com a fé. As leis da evolução tornariam a gênese, o bigue-bangue, a história de Adão e Eva ficções. Parecia que o Iluminismo triunfaria sobre a Revelação, contida na Bíblia. O fulcro da questão ficava entre fé e razão.

Em 1991, surge o livro “Dieu et la Science”, escrito pelo filósofo cristão Jean Guitton, em parceria com os irmãos Bogdanov, que contém toda uma tradição cientificista. Neste livro, eles mostram que a fé não é inimiga da razão e que os resultados das pesquisas mais atuais sobre a história do universo e da vida não são contrários aos ensinamentos das grandes religiões.

Os avanços da ciência, nas descobertas sobre a origem das coisas ou da vida, esbarram-se com significativos limites. Quanto mais se esclarecem alguns mistérios, outros vão ganhando forças. Já se repete a frase: “Nos avanços da ciência, a sombra de Deus”. Constata-se que a razão não consegue esclarecer tudo. Num determinado ponto, a sombra de Deus começa a pairar. Telescópio, microscópio, longe de derrotar a presença de um Deus, parece ainda mais fortificá-lo.

Albert Einstein, que chegara a reduzir os fenômenos do cosmo a uma equação, assombrou o mundo ao admitir que “algo existe atrás da matéria”. O grande cientista Louis Pasteur (século XIX) lançou uma interrogação instigante: “Podemos ainda dizer que se um pouco de ciência nos afasta de Deus, muita ciência nos reconduz a Ele?”.

Nos Estados Unidos, uma organização composta por inúmeros cientistas, que se utiliza da sigla IDEA – Intelligence Design and Evolution Awareness – abraça, fortemente, a questão. Mesmo não pondo em dúvida a evolução, considerando os estudos sobre os fósseis, mostra-se convicta de que atrás dela está a mão transcendente de um Criador.

Em Michigan, parlamentares pedem que se ensine nas escolas, ao lado da teoria da evolução, a teoria dos neocriacionistas. Estes dizem concordarem com a tese evolucionista, quando diz que o mundo não foi criado há apenas 6 mil anos, mas defendem, convictamente, a idéia de que o processo evolutivo foi criado por Deus, há bilhões de anos.

Mais recentemente, um renomado cientista, Michael J. Behe, pertencente a uma comunidade científica das mais respeitadas do mundo, após exaustivos programas de análise matemática à assombrosa complexidade da célula, chega a uma conclusão que difere da teoria de Darwin; “As estruturas celulares, com sua múltipla interdependência, não podem ser explicadas como resultantes do acaso, pelo menos com a matemática. Deve existir uma inteligência superior que dá forma e sentido à vida”.

Dr. Michael chega a uma conclusão parecida com a de Newton, na passagem dos séculos XVII e XVIII, quando formulou as leis da gravitação universal: “Os astros, de fato, se atraem com uma força proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que os separa”. Dizia ele: “Por trás dessa elegante relação matemática, existe um elemento capaz de tê-lo formulado”.

Assim, para Newton, a ciência, longe de negar Deus, O confirmava.

Sob um outro aspecto, do diálogo entre a fé e a cultura, está surgindo a perspectiva de um encontro universal, unificando o senso religioso, o sentido da presença de Deus em todas as culturas. A Igreja católica vem dando significativas demonstrações de aproximação com todas as religiões. Busca relacionar-se às demais culturas, sejam africanas, asiáticas ou indígenas, mesmo sem formação cristã e distante da modernidade ocidental.

A Igreja encara a globalização vantajosa em vários aspectos, mas, rejeita a uniformização cultural. Legitima as diferentes culturas humanas, defende a diversidade cultural. Faz um apelo ao diálogo entre essas culturas e, nesse diálogo, quer expor sua visão cristã do mundo, em testemunho de amor à vida social, em preocupação com os povos mais pobres, mais sofridos.

A Igreja quer uma comunhão que promova a unidade na diversidade, uma convivência humana mais pacífica, que ostente a bandeira do amor, do perdão, da solidariedade. No início de junho, do corrente ano, houve em Puebla, no México, promovido pelo Vaticano, por seu Pontifício Conselho de Cultura, um encontro continental americano, que teve como tema geral o diálogo entre fé e cultura.

A base de toda cultura se assenta na existência de um Deus, por que, então, não se unir nos propósitos, nos valores fundamentados por Ele? O confronto do diálogo entre fé e cultura, entre fé e razão, entre fé e ciência, é o caminho para se atingir a união e, através dela, a paz.

Nas próximas semanas, continuarei a trazer o resultado das pesquisas sobre ciência e fé.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2001)

PROJETO EDUCATIVO: PARCERIA ESCOLA-COMUNIDADE

Izabel  Sadalla  Grispino *

O papel da escola mudou, não se centraliza mais em si mesma. Abre-se cada vez mais ao diálogo e abandona conceitos cristalizados. Quanto mais se aproxima dos pais, quanto mais mantém com eles uma parceria afinada, mais alcança a identidade cultural do aluno, os aspectos sociológicos que o cercam e uma aprendizagem real, efetiva.

A desmotivação do aluno é conseqüência da distância entre a sala de aula e o seu cotidiano. A escola deve criar um ambiente que tenha a ver com seu mundo, evitar choque cultural, evitar que ele se sinta “um estranho no ninho”. Busca-se o homem e devolve-o a seu destino, com ampla autonomia.

Cada escola deve achar um canal de comunicação com a comunidade, deve estimular os pais a participarem da vida da escola, de sua gestão, transformando-os em aliados. Deve rediscutir suas propostas curriculares, montar projetos, projetos educativos que a referendam na sua comunidade, em termos de atuação social.

Projeto educativo é o projeto macro da escola. É um projeto político-pedagógico, uma linguagem que democratiza e amplia o conhecimento num entrelaçamento com a comunidade. Traduz-se em trabalhos coletivos, articulados, envolvendo escola, alunos, pais e comunidade, numa metodologia interativa e de cooperação. É a escola se inserindo em sua realidade, promovendo efetivo desenvolvimento social de sua comunidade mais próxima. Coloca o eixo na formação da cidadania e incentiva, por parte da comunidade, todas as formas de participação: consultas sobre a escolha de temas, entrevistas, palestras, visitas localizadas etc. Premia o aluno-cidadão frente aos problemas sociais, politizando-o, espalhando sementes politizadoras por toda a comunidade. Quanto mais consciência da situação social, quanto mais intervém nessa situação, quanto mais campanha cidadã, mais capaz o indivíduo vai se tornando e mais facilmente atingem-se os objetivos. O projeto educativo aproxima a comunidade da escola e vice-versa. A escola passa a ser o fermento de ações sociais educativas.

Esses projetos se utilizam da transversalidade – transposição dos conteúdos sociais para os escolares, quando os conteúdos se tecem como numa rede – e da interdisciplinaridade, da maneira de como trabalhar os conteúdos. Na interdisciplinaridade, as diversas disciplinas se complementam, se interligam, sem que, contudo, venham a perder sua linguagem própria, sua individualidade. A  partir das especificidades, constroem a integração.

A escola irradia-se por toda a comunidade, espalha o exercício da cidadania. O projeto educativo põe ênfase na criatividade individual, grupal, buscando soluções para situações de risco, para contenção da violência, da criminalidade e outros. Mobilizam-se escola e comunidade na busca de respostas à problemática social de diversas ordens.

Pode reportar-se aos mais diferentes assuntos, onde o amor a Deus, ao próximo, à Pátria estão sempre no alicerce das proposituras. Temas como “Minha cidade, minha responsabilidade”, “Vamos arrumar a casa social”, “Cuide bem de mim”, permitem amplitude de objetivos instrucionais e atitudinais. O tema “Ecologia” deve estar presente, obrigatoriamente, no currículo escolar. O estudo da educação ambiental, do ecossistema, da responsabilidade de todos pela preservação do meio-ambiente, pela exploração racional dos recursos naturais, evitando o esgotamento das fontes e impedindo a degradação ambiental. Alunos e professores entrosar-se-ão com pais, com representantes da área do meio-ambiente. Os alunos pesquisarão clima, atmosfera, energia, tecnologia, recursos hídricos, poluição, queimada, desmatamento, com seu efeito universal, envolvendo conceitos de biodiversidade, de efeito estufa, de desenvolvimento sustentável, de desertificação do solo e outros.

A união de propósitos, em torno de um objetivo comum, vai estreitar e fortalecer as relações interpessoais de amizade, de solidariedade, de respeito. Sendo um projeto de educação intencionada, tornar-se-á um capítulo de estudos interdisciplinares. A grande arma está numa metodologia criativa, diversificada.

O professor poderá garantir ocasiões para troca de informações, de idéias, de opiniões, em sala de aula, organizando-a para momentos coletivos, quando terá a oportunidade de contemplar a diversidade apresentada. Não deve reduzir as diferenças, antes, aproveitar a variedade de respostas, promovendo troca entre elas. Poderá garantir momentos individualizados, quando o professor conhecerá melhor cada aluno em sua idealização.

Nesses projetos, o pragmatismo deve estar presente. É importante ao aluno saber que o resultado de sua pesquisa poderá servir de utilidade pública. De nada adianta investir numa pesquisa que não serve para algum segmento da população ou para a vida prática do educando.

O projeto educativo deverá destacar aspectos que levem a um produto final, destinado ao uso da escola e da comunidade como um todo. “Não basta saber, é preciso aplicar; não basta querer, é preciso, também, agir”. (Goethe).

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2000)

EDUCAÇÃO FÍSICA NO 1.º CICLO

Izabel Sadalla Grispino *

A ciência tem revolucionado os entendimentos, os comportamentos referentes aos primeiros anos de vida do indivíduo.

A partir de descobertas comprovadas, desvendou-se o véu das reações cerebrais dessa faixa etária e percebeu-se o quanto é importante cuidar bem do desenvolvimento mental, físico, emocional da criança. Descobriu-se que há momentos propícios à estimulação do cérebro, que, uma vez perdidos, dificilmente serão recuperados. Percebeu-se o quanto o aperfeiçoamento futuro da criança depende de como ela foi cuidada, protegida, orientada nessa sua fase de vida, o quanto a transformação social está calcada por valores transmitidos e vivenciados pelas novas gerações.

É a criança que, interiorizando os ensinamentos, será o grande alicerce de uma sociedade sadia ou doentia, de uma civilização melhor ou pior. A experiência vivida pela criança na sua infância, os afagos ou o abandono, a esperança ou a falta de perspectivas, torná-la-á um adulto ajustado às normas sociais, equilibrado, produtivo ou um marginalizado, um rebelde sem conseqüência. Não há verdadeiro progresso social sem o desenvolvimento intelectual e o aperfeiçoamento moral, objetos da educação infantil. Repetirei, aqui, as palavras de Machado de Assis: “A criança é o pai do homem”.

Quanto à educação física, assunto deste artigo, entendeu-se, finalmente, a sua importância não só para o bom desenvolvimento físico da criança, para o seu condicionamento às atividades físicas salutares à saúde, como a um elemento a mais para elevar sua auto-estima, fazendo o que gosta, para descobrir potencialidades, identificar aptidões.

Parece estar chegando ao fim o desencontro do currículo escolar com a disciplina Educação Física. No 1.º Fórum de Educação Física Escolar, realizado em 27 de setembro do corrente ano, na presença de cerca de 700 professores, a Secretaria de Estado da Educação entusiasma os professores com sua nova orientação sobre as aulas de educação física.

Hoje, essas aulas que na 1.ª até a 4.ª série são ministradas pelo professor polivalente de matemática, português, ciências e das demais disciplinas, podem, a partir do ano de 2003, ser exercidas por docentes formados na área. Deverão seguir o exemplo das turmas que se iniciam na 5.ª série e vão até o último ano do ensino médio. Da 1.ª à 4.ª série do ensino fundamental – o 1.º ciclo – todas as matérias são dadas pelo mesmo professor. No horário destinado à educação física, geralmente os professores, sem formação específica, limitam-se a atividades livres nas quadras e nos pátios  das escolas, vistas como meramente esportivas ou recreativas. Subtraem dos alunos os amplos benefícios da correta aplicação dessa educação.

Não há uma legislação que exija a presença de professores formados em Educação Física, no 1.º ciclo do ensino fundamental, mas a Secretaria de Educação pretende colocar especialistas também para os alunos desse período, apontando vantagens da mudança. Ela vem desenvolvendo um modelo de aula, onde, desde a infância, os alunos começam a aprender a importância da educação física, a ter contato com o básico sobre fisiologia, incluindo, também, aulas teóricas.

O que se pretende é que a criança, desde as séries iniciais, passe a conhecer conceitos sobre os efeitos benéficos da atividade física, possibilitando-lhe tornar-se um adulto ativo, não sedentário. Os especialistas concluíram, a partir de observações, de que a fase mais importante, para a formação do indivíduo em educação física, é justamente a compreendida entre a 1.ª e a 4.ª série.

A Secretaria da Educação planeja capacitar professores especializados da rede, que hoje atuam com alunos mais velhos, de acordo com o novo modelo. Os professores interessados deverão se inscrever no novo programa.

Em relação às crianças menores, as escolas de um modo geral, são desatentas à educação física, não oferecem material, nem boas condições para o seu exercício. Os meninos costumam ficar nas quadras e as meninas pulando cordas ou brincando de bambolê. O ideal para essa idade é uma mistura de modalidades esportivas e atividades lúdicas: montar, por exemplo, circuitos de exercícios, jogos de futebol, vôlei e atividades livres, fazendo a educação física ser levada a sério, dando, inclusive, noções de fisiologia.

Os professores devem tornar as aulas cada vez mais interessantes e estimulantes para as crianças, com a inserção de jogos e outros mecanismos que aproximem a teoria da prática.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2002)

ENTENDENDO MELHOR A NOVA FEBEM

Izabel Sadalla Grispino *

Finalmente, a Febem envereda-se pelas sendas da educação. Ensaia um novo rumo em direção à compreensão dos desajustes sociais da personalidade, tendo em vista sua correção. A intenção é adotar uma linha pedagógica com nova abordagem socioeducativa.

A Febem parece ter se transformado em “escola de bandidagem”. Os internos são mantidos no confinamento, na ociosidade, em geral, não estudam, não trabalham, não têm atendimento psicológico e social. Por serem jovens infratores, voltados à prática da violência, necessitam de acompanhamento aprimorado, específico.

A Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), antes vinculada à Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer, foi transferida pelo governo do Estado, em janeiro de 2003, para a Secretaria de Estado da Educação.

Essa instituição, criada com o propósito de recuperar menores em conflito com a lei, tem decepcionado quanto aos seus resultados. Falhou no apoio psicológico a ser dado ao infrator e à família, na aplicação de penas alternativas, na separação dos infratores por idade, tipo físico e crime cometido, na assistência social e médica, entre outros quesitos. A Febem não conseguiu atingir os níveis de atendimento programados.

A passagem da Febem para a Secretaria da Educação mostra a ênfase que se quer dar à educação no encaminhamento das ações, a importância de se reeducar os menores infratores, abandonando o conceito prisional. O secretario da Educação, professor Gabriel Chalita, salientou a importância dos projetos de formação moral, psicológica, lazer, esporte, trabalho, de acompanhamento aos pais, envolvendo religiosos, médicos, assistentes sociais e monitores. Quer valer-se do diálogo, da humanização.

O uso da força, dos maus tratos, da hostilidade, nunca foram saídas para se combater a violência. Violência gera violência, acirra os ânimos, fortalece a agressividade. A violência deve ser tratada com sabedoria, compreensão, objetividade e afeto. Ser tratada como um problema de educação mais que de segurança. Criar projetos de ressocialização, de liberdade assistida, reeducar a sociedade para que o preconceito não venha prejudicar essa liberdade, é uma linha que se impõe. São medidas mais de meio aberto que de internação e que esbarram no fator preconceito.

Por lei, a liberdade assistida prevê acompanhamento do jovem na escola, no trabalho e na família, visando impedir a reincidência, garantir sua proteção, sua reinserção, sua reabilitação. Sob o prisma da liberdade assistida, a municipalização é importante. O seu sucesso depende da interligação com serviços de saúde, de educação, da proximidade com a família e da reintegração à comunidade.

A passagem da Febem para a Secretaria da Educação estipula mudanças estruturais, mudança de modelo, passando de prisional, que reforça a centralização e a repressão, para um modelo de abertura, de transparência de diálogo com a sociedade. Um modelo que não a deixe isolada. As poucas entidades que tinham acesso à Febem e de maneira bem limitada eram a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de Direitos Humanos e Organizações Não-Governamentais.

A idéia da mudança, segundo Chalita, é fortalecer a fiscalização da sociedade civil, desenvolver um trabalho amplo com a família, ocupar os jovens com campeonatos, arte e outras atividades, capacitar continuadamente monitores e fazer parcerias com prefeituras, entidades e empresas. A idéia é atrair empresas para que desenvolvam projetos nas unidades, forneçam funcionários em caráter voluntário e contratem os adolescentes que participarem das oficinas, assim que eles saírem da Febem. Com as prefeituras e com o judiciário, fazer parcerias em programas de liberdade assistida, objetivando reduzir o número de jovens internados.

São projetos avançados no setor educacional, largamente empregados em países do primeiro mundo, afastando as dificuldades que os municípios têm de aceitar unidades da Febem. A liberdade assistida e a prestação de serviços comunitários são medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para os que cometeram delitos leves, como, por exemplo, os roubos, crime responsável pela internação de 72% dos jovens da Febem.

Chalita informou-nos de que a rede Pão de Açúcar, Banespa, Itaú, Faculdades Anhembi, Morumbi e os Colégios Pentágono e Bandeirantes já manifestaram interesse em “apadrinhar unidades”, contribuindo com voluntários e oportunidades de empregos para os jovens. Em Ribeirão Preto, as escolas COC darão contribuição em assistência interna e em liberdade assistida.

Um outro fator negativo da Febem é a superlotação das unidades e a pretensão da Secretaria da Educação é não manter ou criar nenhuma unidade de grande porte, desativar as grandes unidades como a de Franco da Rocha.

Educação é um processo gradual que demanda tempo e paciência. No caso da Febem é preciso contar com profissionais preparados para lidar com jovens-problema. Trabalhá-los amigavelmente, de modo multi e interdisciplinar, dentro de uma política educacional integrada aos diferentes setores da sociedade civil.


* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em fevereiro/2003)

ASSOCIAÇÃO DO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO

Izabel Sadalla Grispino *

Mensagens que ressoam. Comunicações que atingem os diferentes ângulos da alma humana e provocam reencontros afetivos. A vontade de contribuir, de abraçar, molham a terra e as sementinhas espalhadas começam a vicejar.

Após ter publicado, dias atrás, o artigo “O atendimento à criança autista”, recebi da cidade de Araraquara um telefonema do emérito educador Francisco da Silva Borba, ex-reitor da UNESP e atual professor de pós-graduação de lingüística da UNESP-Araraquara.

O ilustre professor externou um pronunciamento qualitativo sobre meus artigos, referendando plenamente os conceitos emitidos sobre o atendimento ao autista. Retratou sua vasta experiência profissional e pessoal sobre o assunto, sendo ele um dos fundadores da Associação de Atendimento Educacional Especializado (A.A.E.E.), em Araraquara, onde uma filha sua, autista, hoje com 30 anos de idade, recebe atendimento.A filha avançou muito no seu desenvolvimento, mas foi prejudicada, principalmente na fala, pelo atraso no atendimento inicial da síndrome.

Se hoje o atendimento ao autista é dificultado, pelo desconhecimento da síndrome e pela pouca disposição das instituições em oferecê-lo, imagine como não era há 30 anos atrás! No meu artigo eu dizia: “O importante é reconhecer o autista precocemente... A medicina mostra que o diagnóstico tardio é danoso. Quanto mais cedo se detectar o autismo melhor, de preferência no primeiro ano de vida, pelo menos, antes dos 3 anos, quando o tratamento produz resultados compensadores. A criança que começa a se tratar depois dos 5 anos tem um prognóstico diferente, aqueles que ainda não falam nessa idade, dificilmente desenvolverão a linguagem...”

Por essa e outras razões, foi deveras auspicioso tomar conhecimento de uma instituição de ensino de padrão, em Araraquara, facilitando e acolhendo, com rara competência, as crianças com necessidades especiais. Seu patrono, Francisco da Silva Borba, é uma grata referência sobre a qualidade da insigne Associação. “A A.A.E.E. é uma sociedade civil de caráter educativo e assistencial, fundada em 1992 por um grupo de pais de crianças e jovens excepcionais. Por não ter fins lucrativos, foi reconhecida como de utilidade pública, pelo decreto municipal n.º 6.713, de 21/10/1994. Seu objetivo básico é desenvolver programas de ajuda, adaptação, reabilitação, integração social, educacional e profissionalização de jovens excepcionais. Tais programas estarão a cargo de pessoal especializado, sendo tão completos e abrangentes quanto permitirem os recursos da Associação”.

Esses dados foram fornecidos pela entidade, que oferece programas de atendimento integrado: Psicopedagogia e Pedagogia; Fonoaudiologia; Fisioterapia e Educação Física Especial; Terapia Educacional.

Os que têm interesse sobre o assunto, os que necessitam de ajuda no atendimento aos filhos, a Associação atende igualmente crianças de toda classe social, seja abonada, seja carente, cada família paga de acordo com suas possibilidades. Visite-a e confira, você mesmo, a força educativa que os seus avantajados métodos produzem nas crianças portadoras de deficiência, crianças atendidas humanamente, por devotados e competentes profissionais.

Como em todo processo educacional, na educação especial o estímulo precoce faz a diferença. Sobre a síndrome de Down, por exemplo, o que se sabe é que não existem graus de Down. Há, contudo, portadores da síndrome que mal conseguem falar e outros que chegam à universidade, angariando um diploma do ensino superior. As diferenças nos seus desenvolvimentos foram motivadas pelos estímulos que receberam desde a infância. Cada um tem seu potencial próprio e a forma como esse potencial é trabalhado, desde o nascimento, é que vai dar significado ao seu desenvolvimento. O que essas crianças precisam é serem aceitas, principalmente pelos pais, pelos professores e depois pela sociedade. Se bem estimuladas, atendidas com carinho e entusiasmo, alcançam um progresso animador.

Recebi um cartão de boas-festas da Associação de Atendimento Educacional Especializado, que realmente me tocou: Natal 2005, Ano-Novo 2006. Fotografia de crianças deficientes, abaixo os dizeres: “Não queremos apenas existir, queremos viver!”.

Exalto de coração essa benfazeja Associação de Educação Especial. Que consiga ir avante, apensar das dificuldades e que hoje e sempre continue sendo reconhecida como valiosa entidade de utilidade pública.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em janeiro/2006)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

LONGO DESCASO À EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Em nosso País, economistas encontram no prolongado descaso à educação a explicação para a desigualdade de renda brasileira. Descaso secular, em que a cada década os problemas se agravam, se avolumam e arrastam o País para um futuro incerto, desordenado. A baixa escolaridade levou à baixa produtividade da mão-de-obra, aos baixos salários, à favelização, à criminalidade.

Diferenciais de salário estão diretamente relacionados a diferenciais educacionais. Em meados dos anos 90, o ensino fundamental universalizou-se e com ele se agravou a qualidade. O IBGE mostra que, praticamente, 3 de cada 5 jovens lêem e escrevem mal.

Confirmam os economistas que cada ano a mais na escola  representa  um  investimento  para a sociedade equivalente a uma aplicação financeira que rende 15% de juros reais ao ano. O nosso atraso educacional é responsável, reforçam eles, por no mínimo 1/3 da diferença de produtividade do trabalho que há entre o Brasil e os Estados Unidos.

Os resultados recentes, em economia da educação, apontam o ambiente doméstico como um dos determinantes do mau desempenho dos alunos, da queda de qualidade da educação pública.  Esse fator é facilmente comprovado observando os alunos que freqüentam escolas particulares. Essa conclusão tem empurrado a escola a olhar para o meio onde está inserida, no preceito de educação não só para dentro dela, mas para o seu entorno. Ao contribuir para que os pais, os lares, sejam melhores, a escola estará contribuindo para melhorar a escola de amanhã e para melhorar a renda familiar.

A atenção voltada às famílias é uma maneira de compensar, em parte, as carências do ambiente familiar. Ao criar programas de orientação, a escola eleva a qualidade dos pais, elevando a dos filhos. A universalização do ensino fundamental, embora tenha agravado a qualidade do ensino, trará, contudo, para as futuras gerações de alunos, pais em melhores condições culturais para educar os seus filhos, revertendo em qualidade de ensino.

Países no estágio de desenvolvimento como o Brasil precisam se voltar à pobreza, ao ambiente desestruturado, de pais separados, analfabetos ou semi-analfabetos em que vivem uma boa parte das crianças que vão à escola pública.

Acordaremos, um dia, para a realidade educacional em que vivem os brasileiros? O descaso prolongado à educação, de décadas e décadas, é muito presente, de triste resultado, precisando de outras tantas décadas de políticas públicas consistentes para se conseguir uma solução plausível para a educação, em sua qualidade de ensino.

Poucas são as regiões do Brasil que apresentam um maior avanço na educação. Uma cidade destacada pela qualidade e apontada como exemplo é Águas de São Pedro, no interior de São Paulo, próxima a Campinas. A persistência de anos de políticas públicas  caracterizou o diferencial da educação de qualidade.

Águas de São Pedro possui os maiores índices de crianças matriculadas do País. Não possui escolas particulares e as escolas públicas garantem o nível elevado do ensino.

Teremos, em Águas de São Pedro, uma luz capaz de irradiar seu modelo para o resto do País?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro de 2007)

BIOTECNOLOGIA, CIÊNCIA PARA A VIDA

Izabel Sadalla Grispino *

O grande surto do progresso, do desenvolvimento econômico do País, de hoje, está centrado na atualização tecnológica dos professores e da sociedade como um todo. Um assunto que vem chamando a atenção é o da biotecnologia moderna, com constantes desafios à sua compreensão.

Freqüentemente, ouvimos falar em clonagem, células-tronco, biossegurança, transgênicos, nanotecnologia e outros. Sabemos que são procedimentos científicos, capazes de aperfeiçoar e trazer grandes avanços para a humanidade, mas, geralmente, estamos por fora de sua real compreensão. Ainda recentemente, escrevi sobre o ensino de ciência, a preocupação mundial com a decadência desse ensino e sua relevante importância à educação para a vida.

Nunca se fez tão necessária a adoção da educação continuada. A ciência e a tecnologia avançam rapidamente, tornando obsoleta boa parte do conhecimento anteriormente adquirido. É imprescindível conhecer as novas tecnologias, os novos conceitos, adquirir uma opinião sólida e fundamentada cientificamente e só assim seremos capazes de aderir convictamente aos novos avanços da economia, enquadrando-nos à competitividade global.

O analfabetismo científico emperra o desenvolvimento da ciência e o conseqüente desenvolvimento do País. O mundo moderno considera a biotecnologia um instrumento necessário para o crescimento econômico, para o atendimento de problemas de saúde, meio ambiente e agricultura.

Uma população de educação científica empobrecida prejudica as pesquisas por resistência e incompreensão sobre as vantagens da aplicação das tecnologias. Criam-se tabus, preconceitos como acontece com os produtos transgênicos, por exemplo. Projetos são cortados por desinformação.

Isso tem levado muitos países a investirem na socialização do conhecimento científico, na atualização de professores e da sociedade. Elaboram instrumentos que permitam a popularização das tecnologias, como uma revista, por exemplo de cunho científico, escrita numa linguagem acessível, mostrando que os avanços das ciências modernas não são absolutamente prejudiciais ao meio ambiente e que a biotecnologia traz grandes benefícios ao homem.

Ao se divulgar as vantagens da biotecnologia,  colocando  ao alcance  da sociedade a compreensão dos avanços científicos, torna-se possível formar um país competitivo, com chances de crescimento

No Brasil, há dois anos, foram realizadas as Olimpíadas de Biologia, buscando promover a atualização dos professores sobre as ciências da vida, porém, o alcance foi restrito. Muitos países formulam sua Lei de Biotecnologia pensando sobretudo na educação da população, esclarecendo-a sobre as vantagens da aplicação da biotecnologia.

Percebem o quanto a ignorância científica é trave para os avanços da economia. Criam situações práticas que permitem a popularização da biotecnologia. Os Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia se esmeram nessa direção.

Como exemplo, citaremos a Embrapa, que deixou de produzir um mamão resistente a vírus, a cana-de-açúcar resistente à herbicida e que requer menos defensivos, poluindo menos o ambiente.

A Índia avançou em sua fabricação de tecidos feitos com algodão transgênico, enquanto a nossa safra foi totalmente queimada.

Quando se avança no conhecimento, avança-se na vida como um todo. É só olhar para a China, com suas atuais vantagens econômicas e sociais, adquiridas na introdução dos novos produtos biotecnológicos.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em outubro de 2006)

A BIBLIOTECA ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

A biblioteca é um recurso didático indispensável no processo de aprendizagem. A adoção, pela escola, do método construtivista coloca a pesquisa na vanguarda da metodologia. Além disso, como despertar o aluno para a imperiosa leitura, como criar o hábito de ler, sem a existência de sua matéria-prima?

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