Payday loans uk
  1. Skip to Menu
  2. Skip to Content
  3. Skip to Footer>

Artigos Educacionais

  • Previous
  • Next
  • Stop
  • Play

FACULDADES NA MIRA DE EMPREGOS AOS FORMANDOS

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino superior, assim como a educação básica, abraça a metodologia da cooperação, aproximando-se do aluno, envolvendo-se no futuro profissional dos formandos.

É interessante ao universitário saber das novas ajudas dadas às suas carreiras pelas faculdades. Faculdades e universidades criam departamentos para identificar competências dos alunos, ressaltar talentos, divulgar currículos e fazer parcerias com grandes empresas para colocar seus estudantes.

As instituições vão além da colocação de cartazes, de anúncios de estágio, pregados nos corredores, como costumeiramente fez. Surgem os departamentos que funcionam como Recursos Humanos, que ajudam no desenvolvimento de carreiras. Em algumas faculdades, como a Ibmec, o estudante, se quiser, poderá se submeter a testes desenvolvidos por uma empresa de consultoria para traçar o seu perfil.

O teste identifica, entre outras características, liderança, ansiedade e criatividade. O aluno amplia sua visão de dinâmica de grupo, da importância do desempenho no conjunto das equipes. Revela a capacidade de criatividade, apresentada frente às dificuldades do dia-a-dia. Os testes revelam em que áreas tem mais talento e o que ainda lhe falta. Por exemplo, ressalta-se que alguns engenheiros têm aptidão para as vendas, outros para projetos, outros para chão de fábrica.

Esse procedimento vai dando ao estudante mais confiança, mais esperança de emprego. O fator emprego vem sendo abordado pelo ensino superior como um diferencial nas concorrências entre as faculdades. O aluno procura inteirar-se se nelas há o departamento de carreiras. Muitas faculdades revisam e aprimoram os currículos dos alunos e colocam em sites da própria instituição. Outras realizam pré-seleções para vagas, a pedido de empresas, que acreditam que “os mais dedicados no ambiente acadêmico serão também os mais dedicados no ambiente profissional”.

As empresas firmam parcerias com faculdades e universidades em busca de talentos e empregam alunos e formandos. Valorizam a aproximação com a instituição, porque assim podem conhecer melhor, escolher melhor quem trazer para a empresa. O programa o Banco do Futuro do Unibanco promove estágios em que o aluno desenvolve projetos para o Unibanco sem sair da instituição onde estuda. Uma sala foi montada dentro do Ibmec, onde trabalham os estagiários.

O IBTA, que dá cursos na área de tecnologia, possui 170 empresas credenciadas para ter acesso ao banco de currículos. No IBTA, disciplinas como gestão de carreira, ética e mercado também fazem parte do currículo, trabalhado em sala de aula.

As instituições de ensino superior modificaram seu comportamento diante da possibilidade de se indicar um emprego. Antes apenas indicavam as vagas para seus alunos. Hoje, chegam a ceder salas para o processo de recrutamento de uma empresa, trazendo a empresa para dentro da escola. A faculdade conjuga-se à empresa, mostra o seu perfil e o perfil de seus alunos. O procedimento de examinar e identificar as competências dos estudantes no início e no fim do curso traz reais proveitos, porque além de aferir suas características naturais pode perceber que avanços a instituição deu a ele no final.

Os departamentos de Recursos Humanos dessas faculdades fornecem um grande suporte aos seus alunos que aprendem, ao lado do desenvolvimento de suas competências, da correção de suas dificuldades, a comercializá-las, a vendê-las. O aluno já sai da faculdade com um projeto de carreira.

Essas faculdades estão sendo um pólo de atração aos estudantes universitários. Elas acompanham o atual interesse das empresas pelas pessoas intuitivas, criativas. Ainda há pouco tempo, as empresas procuravam pessoas com Q.I. (inteligência), mas foram percebendo que mais importante que Q.I. era Q.E, isto é, pessoas com controle de emoções, chegando no momento atual a valorizar prioritariamente as pessoas intuitivas, criativas. As empresas, na verdade, aliam Q.I., Q.E. e priorizam a criatividade e a intuição vistas como capacidade de perceber possibilidades futuras. Em termos de intuição, acredita-se na força do inconsciente mais que na do consciente. A idéia é soltar a imaginação, ouvir o que vem de dentro.

A universidade acompanha os passos da empresa, ressaltando, no estudo, suas prioridades. Visando a empregabilidade, a universidade aprimora-se na formação profissional, ultrapassando a hegemonia da teoria, partindo para questões práticas, educando o cérebro nessa direção. Põe o aluno diante dos fatos e encorajá-o a atravessar as barreiras da dúvida, da vacilação, levando-o a agir, a tomar iniciativa. O conhecimento dos fatos é importante, a teoria é importante, mas não se deve perder muito tempo com a teoria e partir direto para o fazer, para a prática. O Senac, em seus cursos, coloca o papel da prática na formação profissional numa dimensão relevante. Pergunta: Quem educa quem: é o cérebro que ensina as mãos a trabalharem ou são elas, por meio da repetição, que ensinam a cabeça a aprender uma nova habilidade?

Assim, junto à teoria, avança-se na aprendizagem prática, vivencia-se a função a que se prepara.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2004)

ESCOLA E FORMAÇÃO DE VALORES, POR SUA EDUCAÇÃO INTEGRAL

Izabel  Sadalla Grispino *

Tem-se hoje que a evolução humana é basicamente cultural. O fator genético permite posturas biológicas iguais, mas só é possível alterar o futuro de uma criança investindo em sua educação. Segundo estudos do Genoma, tudo o que somos tem razão genética, porém, costumes, características de vida são incorporados a partir de uma herança cultural local.

Educação é um processo constante de renovação. Educador é a pessoa compromissada com o outro. Para se achegar ao outro e ajudá-lo, deve inserir-se num mundo que exige atualização constante, revisão sucessiva de métodos e técnicas. Ele tem a função da pesquisa, da reflexão contínua sobre sua prática pedagógica do dia-a-dia, colocando-a a serviço da exigência atual.

O ensino escolar não pode estar desvinculado do que acontece no mundo. O mundo ficou muito complexo e tem, com razão, intimidado o professor. Transformar a escola é uma grande revolução. O professor, em geral, tem deficiência de formação, tem dificuldade para adequar o programa à realidade vivida pelos alunos, e fica, assim, preso ao livro didático. Ele é um profissional gravemente injustiçado, desvalorizado. Aviltantes salários forçam-no a uma sobrecarga de trabalho, roubando-lhe tempo precioso à sua reciclagem. O próprio MEC revela que baixos salários, falta de infra-estrutura das escolas e baixa qualidade de vida constroem o quadro de fracasso escolar que se vê hoje.

Johan H. Pestalozzi (1740-1827), um clássico da Pedagogia e considerado o pai da educação integral, dizia: “O amor é o instrumento da educação”. É esse amor que inspira o professor, que o leva a sublimar sua função, caminhando em correspondência ao pensamento: “Mesmo correndo entre pedras, as águas cumprem sua missão. As árvores plantadas são testemunhas disso”.

Recentes pesquisas têm mostrado que a grande maioria das escolas vem-se negligenciando da parte formativa do aluno, com reflexos negativos no comportamento social. A escola tornou-se uma entidade repetitiva de informação, sem priorizar a educação integral, nos aspectos: cognitivo, afetivo, psicomotor. A educação integral engloba comportamento e conhecimento. A construção do conhecimento, o desenvolvimento das habilidades, devem processar-se paralelamente à formação do educando. Formação das capacidades cognitivas de caráter geral e formação de valores, de ordem ética, moral e religiosa.

A abordagem holística do homem é hoje prioritária em todos os setores. No diagnóstico da doença, examinam-se componentes genéticos, emocionais e ambientais. Saber ler, escrever, contar, raciocinar, é pouco, tem que haver a cultura mais profunda da alma, do sonho, da criatividade.

A escola precisa repensar sua atuação e, num processo de reeducação, tornar-se uma unidade formadora de caráter, de cidadania.

Cidadania não é ensinada como uma disciplina, ela se aprende na vivência, na convivência. É um exercício que se conquista na exigência da ética, da justiça. É o respeito que se tem pelo outro, por sua identidade, pelos bens alheios, pelo patrimônio coletivo, pelo sentido de igualdade de condições. Implica em comportamento responsável, em noção de limite, dentro do preceito de que o direito de cada um termina onde começa o do outro. Já dizia Rui Barbosa: “Educa-se muito mais pelo exemplo que pela doutrina”.

Estamos vivendo uma sociedade violenta, individualista, arbitrária. Formam-se grupos oportunistas, que não têm outra finalidade senão a de se promover e a de tirar proveito do outro. O outro só existe como elemento de conveniência. Uma sociedade onde os fins justificam meios ilícitos, desumanos, onde Deus é uma presença vaga, indefinida, distante. Uma sociedade sem luz, sem fé.

É, principalmente, neste quadro social que se pensou na volta do ensino religioso como obrigatório, não mais como facultativo, conforme reza a Constituição.Por tudo isso, começa haver uma preocupação de educadores de que valores sociais, como amizade, amor, solidariedade, cooperação, lealdade... devam fazer parte dos currículos escolares. Montam projetos que vêm de encontro à proposta do MEC, quando fala em currículos transversais. Permeiam a educação com temas transversais, como política, sociedade, sexualidade, droga, ética, cidadania e outros.

São temas tratados não como disciplina específica, mas como um espaço a ser discutido em sala de aula, por um componente ou por vários. Dependendo da abrangência do tema, projetam atividades interdisciplinares, como um leque de assuntos ofertados. Cada disciplina encontrará um conteúdo correspondente.

É a escola exercendo sua função social na orientação dos jovens, na formação de uma sociedade mais humana, mais ordeira, criando vínculos de inter-relações humanas.

Até recentemente, o grande objetivo da escola era preparar o aluno para o futuro. Hoje, o grande intento é prepará-lo para o presente, para a resolução de seus problemas imediatos, de suas necessidades atuais. Preocupa-se com sua inserção em uma sociedade produtiva, ética, solidária, capaz de ajudá-lo, de maneira saudável, a se realizar. A escola faz uma ponte, ligando a percepção do aluno entre o que aprendeu e a vida. Ele se apodera do saber e aplica-o à sua vida do dia-a-dia, vivencia na escola comportamentos salutares e os desenvolve na comunidade, na sua vida social. A  aprendizagem vai se processando a partir de sue próprio interesse e das condições ambientais que o cercam.

A escola trabalha o presente, ousa, alça vôos, para alcançar o futuro. Busca integrar-se no conceito apregoado pelo consultor americano Michael Hammer: “O segredo do sucesso não é prever o futuro. É preparar-se para um futuro que não pode ser previsto”.

Para tanto, diferentemente do passado, o aluno não consome, mas produz o conhecimento e, assim, como o professor, torna-se um pesquisador permanente, um observador zeloso das relações interpessoais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2000)

JOVENS NA ROTA DA REALIZAÇÃO PROFISSIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

As universidades não se ajustam ao mercado de trabalho, pouco se atualizam, estão presas a métodos de ensino superados, à tradicional escola do passado. Os jovens questionam a eficácia e a influência que a universidade exerce na sua vida profissional. Essas conclusões são relatadas no estudo realizado pelo II Fórum de Jovens, com 320 participantes de diferentes universidades. Esse estudo é parte dos trabalhos preparativos para o Congresso Nacional de Gestão de Pessoas. O relatório diz que a maioria dos jovens acha que “a escola em que estuda e as escolas em que estudou os estão preparando para trabalhar num mundo bem diferente daquele que se vive hoje”. As universidades preparam para um mercado irreal, dizem os estudantes.

A escola, assim como a família, continua paternalista, protetora, dando poucas armas ao jovem, na hora de decidir sobre a escolha profissional. Dizem os especialistas que estamos “criando sujeitos reativos e não proativos. Os jovens, hoje, têm muito claro que a vida não é só trabalho e se identificam com o cooperativismo, sabendo, contudo, que ele precisa enfrentar o triunfalismo”.

Uma outra conclusão é de que as universidades são castradoras e só perdem para a estrutura familiar que continua educando os filhos para o modelo de emprego convencional, um emprego, de preferência, numa multinacional, que lhes dê segurança, status, um salário garantido no final do mês. Concluem os especialista de que “a família valoriza uma psedo-segurança em detrimento de realização pessoal e profissional”.

O jovem começa a se ajustar à época presente, toma consciência do valor da aprendizagem, da prática que ensina através do estágio, dando prioridade à formação. Ele sabe que o mundo de hoje exige competência, conhecimento.

Uma pesquisa do setor de Orientação, Informação Profissional e Pesquisa da CIEE mostra que o jovem não despreza o salário, mas o aprendizado surge como o maior valor. O seu resultado surpreendeu ao revelar que o estudante vem dando mais peso ao conhecimento adquirido que ao dinheiro que possa ganhar por conta própria. A pesquisa foi montada para saber de que forma os jovens estudantes consideram a remuneração que recebem pelo estágio, chamada de bolsa-auxílio. Mostrou que eles encaram os estágios, principalmente, como uma oportunidade de enriquecer o aprendizado e a maioria não confunde estágio com emprego. Foram entrevistados 1.822 estudantes de 13 Estados, para saber como os jovens entendem o estágio. Na pergunta: “O que é mais importante para você”, 57,8% responderam que é fazer um estágio que contribuísse para sua formação, 36,2%, fazer um estágio com chance de efetivação e 6%, um estágio com uma bolsa-auxílio que cubra todos os gastos. O que chamou a atenção na pesquisa, para o fator preponderante da aprendizagem, foi o fato de 46% dos entrevistados pertencerem a famílias com renda de 1 a 3 salários mínimos, e outros 28,7%, a famílias na faixa de 4 a 6 salários.

Dos 1.822 estudantes, 391 estão estagiando. A estes foi perguntado como gastam a remuneração e 44,3% responderam que queriam “estagiar e estudar sem grandes problemas financeiros”, isto é, valorizar o seu aprendizado. A pesquisa concluiu que os jovens vêm adquirindo consciência de que o maior benefício do estágio não é o quanto recebem, mas o quanto aprendem, bem dentro de uma visão educacional. Os jovens, no estágio, consideram valiosa a importância da bolsa-auxílio, mas ressaltam a importância da aprendizagem, do relacionamento no ambiente profissional, do saber trabalhar em grupo, do aprimoramento dos conhecimentos, do avançar nas informações. Eles dão valor ao estágio e recomendam-no a outros estudantes.

Uma outra vertente educacional referente aos jovens é a criação de empresas juniores, incentivando o desenvolvimento do empreendedorismo nas universidades. O aluno vira empreendedor. A idéia de empresa júnior vem amadurecendo e, hoje, há no Brasil “cem vezes mais empresas juniores do que havia a 15 anos, quando a primeira delas surgiu”. Grandes empresas e multinacionais passaram a optar por consultorias,  pesquisas e projetos de empresários juniores. São jovens que aprendem a negociar, que não ganham nada pelo trabalho e representam menos de 1% dos estudantes de graduação do País.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é a instituição que apresenta o maior número de empresas juniores, como os empreendedores das áreas de química, computação e elétrica. O grande crescimento dessas empresas levou o Brasil a ser escolhido para a Primeira Conferência Mundial de Empresas do corrente ano, em Fortaleza, quando se discutiu regulamentação para o setor, propondo que o empreendedorismo faça parte do currículo no ensino superior, com planejamento estratégico e disciplinas específicas.

Os jovens pensam em maneiras diferenciadas para buscar clientes, tornando-se empreendedores. O grande objetivo dessas empresas é desenvolver o estudante para o lado prático das profissões, com noções de gestão e execução de projetos, atividades que dificilmente teriam como estagiários.

As empresas juniores são fundadas por estudantes, têm CNPJ próprio e usam um espaço cedido pela universidade. Diretores, presidente e outros membros da administração das empresas trabalham de graça. Os professores apenas supervisionam, elevando o nível das atividades.

Ex-membros de juniores conseguem trabalho em grandes empresas, porém o foco das empresas juniores está nas micro e pequenas empresas, principalmente pelo valor das consultorias e projetos que ficam cerca de 50% inferior ao que é cobrado por empresas convencionais que oferecem os mesmos serviços.

Novidades vêm aparecendo e é preciso que os jovens tomem conhecimento delas, como a importância do empreendedorismo no mercado atual. As empresas juniores representam, inclusive, uma forma de detectar talentos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2004)

ACERTANDO OS PASSOS COM A MODERNIDADE

Izabel Sadalla Grispino *

As atividades humanas apresentam, desde os primórdios da civilização, com variações de intervalos cíclicos, comportamentos mais ou menos padronizados, que refletem seu “modus vivendi”.

Cada nova ordem social, promotora de mudanças, impulsiona a novos procedimentos, imprime seu cunho, a sua marca conceitual e metodológica de realização.

Já vai longe o tempo em que era possível desenvolver trabalho artesanal, unitário. Hoje, ainda, existe, sobretudo como idealismo, “hobby” ou lazer, ou como produto de civilizações mais primitivas ou de pequenas corporações.

Na contemporaneidade não há, praticamente, lugar para o trabalho individual. O grau de complexidade a que chegou o fazer humano passou a exigir, num mesmo segmento, diferentes formas do saber, incluindo, aí, o aproveitamento das vocações despertadas.

Presentemente, constatamos, nos mais diversos setores da sociedade, a incorporação de atitudes na linha da “parceria” “co-gestão”, “co-autoria”, “interação”, envolvendo “relações interpessoais”, “trabalho em equipe”.

O setor escolar, também, redefine posições. O trabalho individual cedeu espaço ao trabalho conjugado, cada vez mais explorado. Cooperam-se mutuamente: direção, professor, aluno e comunidade. O professor mantém com seu colega uma interligação horizontal – troca de experiências, conteúdos afins, adoção de critérios e linguagens comuns – e vertical – graduação seqüencial do conteúdo, no entendimento de que “o hoje não existe sem o ontem, o amanhã é o resultado do hoje”.

É uma realidade no cenário educacional a interdisciplinaridade, a contextualização, o construtivismo, a formação integral do aluno, através de uma educação democrática, libertadora, essencialmente crítica – a crítica da ciência faz parte da ciência. Ontem, falávamos em “transmissão do conhecimento”, supondo um aluno passivo, depositário. Hoje, falamos em “construção do conhecimento”, supondo um aluno ativo, criativo. Fazemos um corte no modelo tradicional, onde tudo vem pronto.

O planejamento maior do ensino converge para o binômio professor-aluno; o objetivo maior do ensino é o aluno. Para atingi-lo, a escola precisa estar em consonância com a realidade que a cerca. Entrosar-se com esta realidade e trazê-la para o interior da escola são passos importantes para desenvolver, com êxito, seu projeto educacional. Entra num sistema de parceria com a comunidade, mantendo com ela uma troca permanente. A comunidade participa da vida da escola e a escola, da vida da comunidade, procurando ajustar-se uma à outra. A comunidade empresta o seu saber e a sua língua populares e a escola os absorve e os transforma em saber erudito e em língua culta. A escola procura interpretar os valores, os anseios da comunidade e dar-lhe respostas favoráveis.

Cria-se um intercâmbio, onde a organização da escola, as normas educacionais resultam da parceria de regras, estabelecendo-se uma co-gestão.

Várias são as possibilidades de participação. A escola, ao lado da participação intrínseca – características de vida, de conduta, condições socioeconômicas – há a extrínseca: as comemorações cívicas ou sociais, eventos preestabelecidos, apresentações em acontecimentos de importância – e da comunidade para a escola, em datas oficiais – plano escolar, reuniões de pais e mestres, reuniões do Conselho de série/classe, eventual formação de colegiado. Participa, ainda, de exposições, encontros literários, artísticos, campanhas, das já tradicionais festas juninas, mutirões... numa conceituação bem diferente daquela em que, praticamente, só se chamava o pai para reclamar do filho, por alguma falta cometida.

Hoje, procura-se conscientizá-lo de todo procedimento utilizado, buscando-se uma mútua interação. Profissionais credenciados da comunidade são convidados a participar diretamente do ensino, em sala de aula, dando noções de culinária, de carpintaria, de dança, de balé...

O ensino nas escolas, visando uma aprendizagem efetiva, uma diminuição da repetência e da evasão, não pode criar uma cultura própria, transformando a sala de aula numa estrutura dissociada da vida comunitária, por conseguinte, da vida do aluno.

Estamos voltando às origens, à famosa barganha do início da humanidade, perpetuando a sabedoria da solidariedade, da cooperação, para a sobrevivência das instituições e do próprio indivíduo.

A parceria propicia o exercício da cidadania, abre a escola para a crítica, permitindo participação consciente, tomada de decisão co-responsável, maior engajamento de todos. Culmina com uma participação ativa e não meramente simbólica, como, por exemplo, dos pais. A tendência atual é canalizar a sociedade civil para uma grande participação na educação.

Entre os professores, a parceria manifesta-se por uma co-autoria no levantamento de prioridades, de objetivos educacionais, de conteúdos afins, de metodologias, de estratégias, do sistema de avaliação e tantos outros itens correlatos, pertinentes ao planejamento de ensino. Trocam experiências e idéias que repercutem na identidade profissional do ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em agosto/2005)

PLANO PILOTO DA SECRETARIA ESTADUAL DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Entre as medidas tomadas pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo para combater a evasão e a repetência estão, sobretudo, a reorganização do ensino fundamental, as classes de recuperação, as classes de aceleração da aprendizagem e a aprovação automática, conseguida através da formação de ciclos do ensino fundamental. O fim da reprovação limita-se ao 1.º grau, mas ao aluno do ensino médio propõe-se que possa ser reprovado em até 3 disciplinas e cursá-las no ano seguinte, em sistema de dependência.

A REORGANIZAÇÃO DAS ESCOLAS DO ENSINO FUNDAMENTAL – A Secretaria da Educação considera que a redução das taxas de reprovação e evasão confirmadas, segundo ela, pelas últimas pesquisas, é “fruto principalmente das classes de aceleração e da reorganização, a qual foi feita em cerca de 80% das escolas, no ano de 1997”.

Desmembrou o ensino fundamental em dois blocos: de 1.ª à 4.ª série e de 5.ª à 8.ª série, colocando-os a funcionar em prédios distintos. Ao agrupar alunos do primeiro bloco num mesmo estabelecimento de ensino e os do segundo em outro, a Secretaria da Educação organizou o material pedagógico para essas séries, o que possibilitou a instalação de equipamento de acordo com a necessidade do currículo. A ambientação das escolas contribuiu, acredita ela, para melhorar o desempenho dos alunos.

CLASSES DE RECUPERAÇÃO – As classes de recuperação são usadas como estratégia para evitar a repetência. Elas foram tornadas obrigatórias pela Secretaria da Educação a partir de 1997 como meio de recuperar alunos do ensino fundamental e médio.

As escolas adotaram três tipos de recuperação: recuperação paralela, reforço no período de aula e complementação nas férias. Alunos que foram reprovados nas escolas da rede estadual no ensino fundamental passam as férias de janeiro nas salas de aula, com o objetivo de dar-lhes nova chance para recuperar-se. Elas valem como oportunidade para o aluno passar de ano.

Estabeleceu a Secretaria da Educação que os critérios para a avaliação dos alunos, incluídos nesse programa especial de férias, serão definidos por escola.

ACELERAÇÃO DA APRENDIZAGEM – Esta é outra prática pedagógica que visa combater a repetência. O levantamento estatístico constatou, conforme o MEC, o grande descompasso existente entre a idade do aluno e a série cursada. As oito séries do 1.º grau são alcançadas pelas pessoas em média com 18 anos de idade; deveria ser aos 14 anos, o que mostra que a questão da defasagem escolar é significativa no país. Aos 10 anos, os alunos estão, em média, na 2.ª série, quando deveriam estar na 4.ª. Aos 7 anos, cerca de 14% das crianças ainda estão em pré-escolas.

O Censo Educacional de 1996 revelou que, dos 5,7 milhões de estudantes matriculados na rede pública e privada, 54% estão acima da faixa etária ideal; revelou também que no ensino fundamental, para cada 100 alunos que entram na 1.ª série, 44 repetem algum ano. No ensino médio, a repetência atinge 34% dos alunos na 1.ª série.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) permite que um aluno mais interessado possa avançar rapidamente e “queimar etapas” de ensino. Permite que se faça a trajetória com mais rapidez, aproveitando a aprendizagem feita fora da escola. A forma de “queimar etapas” será definida pelos Estados.

O programa de classes de aceleração foi instalado em 1997 pela Secretaria de Estado da Educação e é hoje adotado em outros Estados do País. Essas classes tentam evitar as muitas repetências e destinam-se a alunos com idade avançada para a série cursada.

As classes de aceleração iniciaram-se em dois ciclos, integrando o aceleração 1 com crianças de mais de 10 anos e ciclo básico (1.ª e 2.ª séries) e o aceleração 2 para alunos de 3.ª e 4.ª séries com mais de 11 anos. As classes devem ter no máximo 25 alunos. A jornada diária é de 5 horas.

Os alunos recebem – ou deveriam receber – aulas com metodologia especial, material específico e, de acordo com o MEC, professores treinados. Depois de um ano de estudos, os alunos do acelerado 1 devem estar aptos para ir para a 4.ª série ou acelerado 2. Os do acelerado 2, para a 5.ª série. O currículo é o mesmo que nas demais classes, a diferença está na forma do ensino.

As classes de aceleração estendem-se às demais séries do ensino fundamental e a tendência é de que projetos de aceleração ocorram principalmente nos cursos noturnos regulares. A partir de março de 1999, foram implantadas, nas escolas estaduais, classes de aceleração para alunos de 5.ª à 8.ª série do ensino fundamental. O objetivo é o mesmo das de 1.ª à 4.ª série, ou seja, corrigir as distorções idade/série. No ensino médio, por ser só três séries, não haverá aceleração.

Os professores dão aula a partir de projetos temáticos, escolhidos pelos alunos e exploram o senso crítico e a experiência de vida desses alunos. Segundo Ruy Berger Filho, integrante do MEC, as escolas poderão optar por colocar esses alunos, com distorção idade/série, em uma mesma turma e aplicar o ensino modular, pelo qual se estipula um conjunto pequeno de disciplinas em um bloco de estudo, trabalhando em prazo menor do que o normal. O aluno cumpre o currículo de dois anos em um, passa a freqüentar, no final do ano letivo, uma série mais adequada à sua idade.

O MEC vem auxiliando as escolas, oferecendo material didático específico para as classes de aceleração da aprendizagem. Os livros do programa são desenvolvidos em uma linguagem mais próxima do aluno com idade avançada.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2000)

A APRENDIZAGEM EM BASES CIENTÍFICAS

Izabel Sadalla Grispino *

A Educação Infantil é uma preocupação mundial. Educar a criança é o ponto de partida para a transformação social, para se construir um mundo de valores, os quais se diluem diante de nossos olhos. Se a criança é o adulto de amanhã, como será esse adulto sem uma base de sustentação montada na infância? Base sem consistência, edifício desmoronado!

Por essa razão, cerca-se o estudo do desenvolvimento infantil de todas as áreas: pedagógica, psicológica e científica. A escola não pode parar no conhecimento, tem que avançar, caminhar par a par com as descobertas que vêm surgindo e, com elas, reformular-se.

Até ontem, acreditava-se que os alunos lentos na aprendizagem, com certa dificuldade de adquirir o conhecimento, eram somente produtos de uma situação de pobreza, de problemas familiares, de falta de prontidão. Hoje, com as descobertas da ciência, certifica-se que a causa pode ser genética e como tal pode e deve ser tratada. Esta foi a declaração dada à TV britânica, em março de 2003, por James Watson, um dos dois cientistas que descobriram a estrutura do DNA, há 50 anos, conquista que lhe valeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1962. Nessa declaração, o cientista afirma que “a burrice é uma doença genética que deveria ser tratada”. “As pessoas burras, continua ele, ou com coeficiente intelectual baixo, que não têm um transtorno mental diagnosticado, sofrem de uma desordem transmitida de forma hereditária pelos genes, como ocorre com doenças como a fibrose cística ou a hemofilia”. “Se alguém é realmente burro, chamaria isso doença”, reforça esse renomado professor, grande  impulsionador  do Projeto Genoma Humano, a iniciativa internacional para decifrar o chamado mapa da vida.

James Watson conclama ao uso da engenharia genética para melhorar a raça humana. Pede aos cientistas que desenvolvam tratamentos genéticos, que façam exames pré-natais para prevenir o nascimento de crianças burras. “É injusto que as pessoas não tenham as mesmas oportunidades (de ser inteligentes). Uma vez que se dispõe de métodos para melhorar nossas crianças, ninguém pode evitar sua aplicação. Seria “burro” não usá-los”, defendeu Watson.

Um outro aspecto, agora vindo da psicologia infantil, a ser observado pelos educadores e de fundamental importância para o desenvolvimento da personalidade, é a solidão na infância. A dificuldade de socialização, quando a criança não faz amizades e se acostuma ao isolamento, significa que algo está errado; é o momento de se buscar ajuda.

A dificuldade de se relacionar com outras crianças é mais evidente na escola, onde se aprende a arte da convivência. Esse comportamento, revela-nos a psicologia, pode ser sintoma de que ela está passando por algum problema, como, por exemplo, a separação dos pais, a falta de atenção, de carinho, a baixa auto-estima.

No ambiente microssocial que é a escola, é muito importante o professor não se limitar à sala de aula. Observar o aluno no recreio, nas horas de lazer, se ele se afasta, se não se achega aos coleguinhas e comunicar-se com os pais. Manter com os pais cumplicidade, facilitando o diagnóstico do problema e a busca de solução. As crianças que se isolam na hora do recreio, que têm dificuldades de fazer amiguinhos, mostram sério sintoma.

O professor deve incentivar o relacionamento dessa criança com seus coleguinhas e os pais devem brincar mais com esse filho, convidar outras crianças para brincar  com ele  em casa.  Os pais devem buscar espaços onde haja mais crianças e estimular atividades coletivas. Não resolve, por exemplo, levar a criança ao shopping, onde há muita criança, mas sem interação entre elas. Os psicólogos chamam a atenção para a terapia infantil, chamada ludoterapia, considerada importante no caso de crianças com dificuldade de relacionamento.

Os psicólogos dão uma relação de motivos do isolamento infantil:

  • Muito convívio com adultos ou dedicação a atividades solitárias, como videogame, TV, computador. O que fazer? Os pais devem incentivar o convívio com outras crianças e as escolas programar atividades em conjunto.
  • Quando a criança tem gostos e características diferentes da maioria, quando tem maior sensibilidade, ou preferência pela leitura, deve-se ajudar essa criança a encontrar amigos que compartilhem dos mesmos prazeres.
  • Uma séria causa de isolamento e de outros comportamentos anti-sociais é quando a criança está enfrentando problemas familiares, discórdia entre seus membros. Ocasião em que toda a família deve procurar terapia, parar para reflexão, porque o que se constata é que a violência sai das ruas e invade os lares das mais variadas formas.

A sociedade passa por transformações num ritmo intenso, mudando valores morais, sociais, religiosos e a família se ressente da mudança, gerando conflitos. Um mundo novo se descortina e as pessoas não estão sabendo bem como agir. Antes, contava-se com fórmulas mais exatas, com respostas que se programavam, com modelos que se seguiam. Agora, passa-se por alternâncias de desconstrução/reconstrução, sem um guia seguro. Tem-se que enfrentar novos desafios, fazer escolhas num terreno em que não se está preparado. Os parâmetros fixos que orientavam as pessoas não existem mais.

O aprender a conviver com o novo repercute na  família,  de  modo a provocar instabilidade, insegurança. A criança absorve o ambiente conturbado e passa a ter problemas emocionais, viés de comportamento. Os problemas familiares são abrangentes e as causas da desestabilização da criança estão embutidas nas atitudes dos adultos.

O professor alcança a aprendizagem de todos os seus alunos quando se torna um profissional interessado, participativo de suas vidas, não se contentando com a posição de mero espectador. Ele não pode, inclusive, prescindir da educação continuada. Novas descobertas, novas pesquisas, novas avaliações surgem e é preciso acompanhá-las, para introduzi-las em seus métodos de trabalho, colocando-os dentro da modernidade, ajudando o aluno.

* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em setembro/2003)

COMPUTADOR E APRENDIZAGEM CRIATIVA

Izabel Sadalla Grispino *

A metodologia moderna alia criatividade e aprendizagem. Na educação infantil, as crianças constroem brinquedos, instrumentos criativos, que lhes possibilitam pensar, testar e aprender. Também, no ensino fundamental e médio, o caminho do aprender não deveria ser diferente. Estudantes não são ouvintes passivos, permanecendo inativos em sala de aula, quando o professor os sobrecarrega de dados e teorias.

O educador norte-americano Mitchel Reswick, que realiza pesquisas sobre aprendizagem, fala em “jardim da infância para toda a vida”. “As ciências da computação devem desenvolver materiais para que as crianças possam crescer, construir soluções criativas que envolvam as várias áreas do conhecimento”. Brinquedos vão adquirindo formas mais complexas, como pequenos robôs e engenhocas a serem montados e programados pelas crianças. O computador torna-se um grande aliado, uma nova ferramenta para este aprendizado criativo.

O propósito é aprender por toda a vida, pesquisando, movimentando-se, deixando de lado as atividades estanques. Criam-se atividades que se integram às diversas áreas do currículo, para se chegar a uma maior compreensão do assunto em questão. As crianças vão evoluindo no processo e descobrem soluções para problemas do dia-a-dia. O autor do estudo cita o caso de uma garota que criou um sistema para impedir o irmãozinho de mexer no seu diário, com uma câmara fotográfica acoplada à capa para flagrar o irmão toda vez que ele a abrisse.

A tecnologia tem de ser dada às crianças e jovens de modo que faça sentido para eles. O mais importante é que eles podem mudar os sistemas que criam. Eles devem criar de acordo com seus próprios interesses e necessidades e usar as novas tecnologias na busca de soluções de seus problemas. O aprendizado, através de projetos e experiências, deve levar em conta a sociedade reinante, que ultrapassa o sentido de sociedade de informação, evoluindo para o conceito de sociedade do conhecimento. No momento, busca-se evoluir para “sociedade criativa”. É preciso saber dar uso à informação. “As pessoas precisam continuar aprendendo a vida toda e dando soluções criativas para seus problemas e necessidades”, conclui o pesquisador.

A tecnologia, ao permitir simulações e construções simples, ajuda no processo de aprendizado. Porém, as escolas resistem às mudanças, pondo barreiras ao desenvolvimento de novas dinâmicas, criadas para o espaço escolar. Difundir novas idéias, fazer as escolas conhecê-las, é importante para que possam vingar. O trabalho de Mitchel Reswick fala em dificuldade em atingir as escolas, prevê que as mudanças serão lentas, mas que devem ocorrer com maior facilidade ao longo das próximas gerações. “As crianças de hoje é que estarão melhor preparadas para as mudanças sistêmicas”.

Vivemos o momento da inclusão digital maciça, de onde saem, entre outros, estudos da aplicação de novas tecnologias na educação. Através delas, pode-se melhorar e ampliar o aprendizado, usando-se músicas, esportes, laboratórios de ciências ou mesmo observando a natureza. Constata-se, em avaliações, que a aplicação de novas tecnologias faz a diferença na aprendizagem. Com o computador amplia-se a extensão do que se pode fazer e o mais importante, no uso de computadores para a aprendizagem, é a elaboração de projetos pelos alunos, a criação, processo pelo qual os alunos aprendem melhor. É preciso ajudar os alunos a usar as tecnologias de forma criativa e produtiva. Jogar games, tudo bem, mas não exagerar; promover, antes, experiências criativas, mudanças reais na educação.

Em plena era de alta tecnologia, muitas escolas, fazendo vistas grossas, simplesmente tentam ignorar essa tão indispensável forma de aprendizagem e comunicação. É surpreendente constatar que nossas crianças freqüentam ainda escolas nos moldes de nossos avós. Ainda não conhecem o professor virtual, não participam de experiências interativas, não conhecem o computador como ferramenta de ensino. O computador e a internet não abriram portas para essas crianças, às novas e infinitas possibilidades de aprender.

A internet pode, inclusive, servir de sistema de apoio para a continuação dos estudos, como os cursos a distância. A escola americana Calvert School, com tradição de ensino a distância, é popular entre crianças que vivem em barcos, circos, atletas olímpicos, esquimós e filhos de missionários. Envia todo o material de uma só vez, como apostilas, lápis e até cola, pois sabe da dificuldade de o aluno sair para comprar esses materiais. A metodologia é prática, ensina de uma forma empírica e estimula a criatividade dos alunos nos trabalhos. As crianças têm uma redação por dia para escrever e fazem as provas finais em países diferentes, onde quer que estejam no momento.

As novas tecnologias não só abrem melhores possibilidades de aprendizagem, tornam-se indispensáveis ao desenvolvimento criativo, reflexivo, participativo, como desembocam numa sociedade que marginaliza quem não tem o domínio da informática.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em abril/2004)

UNIVERSALIZAÇÃO DO ENSINO MÉDIO

Izabel Sadalla Grispino *

O secretário da Educação Média e Tecnologia do Ministério da Educação anunciou a intenção do MEC de tornar a matrícula obrigatória, a partir de 2004, para o 1.º ano do ensino médio. Em 2005, tornaria obrigatória a matrícula no 2.º ano e, em 2006, no 3.º ano desse nível de ensino.

Desse modo, gradativamente, o ensino médio seria universalizado como foi o ensino fundamental. Todos os alunos que terminarem a 8.ª série do ensino fundamental terão vagas garantidas no ensino médio. Os alunos receberiam, no 1.º ano, livro didático e merenda escolar, englobaria, inclusive, bolsa-escola.

Após consolidada esta etapa, é intenção do governo expandir para 4 anos o tempo de duração do ensino médio, mudança que ocorreria apenas em 2007. A legislação não pede matrícula obrigatória no ensino médio como faz no ensino fundamental. O MEC estima que 65 milhões de jovens e adultos não tiveram acesso ao ensino médio, embora a sua expansão de matrículas seja alta e crescente. Segundo o Censo Escolar 2002, nos últimos 6 anos, o número de matrículas aumentou 53%. Só no ano 2002 foram feitas mais de 400 mil novas matrículas. O Censo Escolar revelou uma grande diversidade em termos de faixas etárias: apenas 3,8 milhões dos matriculados – entre  os 8,4 milhões de alunos no final de 2001 – estão na relação idade/série, entre 15 e 17 anos; mais de 2 milhões de alunos têm mais de 20 anos e 1,2 milhão tem mais de 25 anos, sem contar uma considerável parcela de alunos que tem mais de 29 anos de idade. Contudo, o último censo do IBGE mostrou que menos de um terço dos jovens brasileiros entre 15 e 24 anos está ou esteve matriculado no ensino médio.

O MEC ao tornar a matrícula obrigatória nesse nível de ensino teria que atender grande demanda, com investimentos consideráveis e considerável contratação de professores. Há, ainda, a particularidade da trajetória escolar, enquanto que, no ensino fundamental, 59% dos alunos concluem o ciclo, no ensino médio temos 74% dos que completam o ciclo. Esses dados nos mostram o cuidado que se deve ter na implantação da universalização do ensino médio. Seriam necessários recursos vultosos para o cumprimento do projeto. Além da falta de estrutura, ainda recentemente o MEC anunciou um déficit de 250 mil professores nesse ensino e nas últimas séries do ensino fundamental  e essa falta de professores licenciados acarretaria, sem dúvida, prejuízo à qualidade do ensino.

Uma boa iniciativa foi o anúncio, por parte do então secretário da Educação Média e Tecnologia, Antonio Ibañez, hoje, substituído por Luiz Araújo, da criação de 60 a 80 mil bolsas de estudo para alunos do curso noturno, que têm dificuldades em permanecer na escola e correm o risco de se evadir. Os critérios de seleção das bolsas recaem sobre renda e desempenho na escola e o valor gira em torno de R$ 250,00.

Pela matrícula obrigatória, os Estados ficariam obrigados a criar estrutura condizente e arrebanhar professores licenciados para poder oferecer vaga a todos que terminarem o ensino fundamental e, de antemão, afirmam não ter como arcar com as despesas. São Paulo, o Estado mais rico da União, segundo Sônia Maria Silva, da  Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas da Secretaria da Educação, as verbas para o ensino médio destinam-se apenas para projetos de capacitação de professores, para melhora de laboratórios e bibliotecas. “Para tornar a matrícula obrigatória no ensino médio é preciso um repasse bem maior de recursos”.

Sem dúvida, é um projeto louvável, respaldado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, que fala ser a educação básica direito de todos. Deve, entretanto, ser lançado em bases reais, em estrutura e condições plausíveis se não quiser continuar  resvalando na decadência desse ensino. Continuaríamos com a expansão quantitativa em detrimento da expansão qualitativa. É a qualidade do ensino o nosso grande desafio de hoje.

Paralelamente à obrigatoriedade da freqüência ao ensino médio, visando atender pessoas de mais idade, com 30, 40 anos ou mais, com dificuldade de freqüentar um curso regulamentar, Antonio Ibañez propôs um ensino médio aliado ao profissionalizante e defendeu a criação de um Fundo Nacional de Educação Profissional. O Ministério da Educação vai propor aumento de recursos do Fundo de Amparo para o Trabalhador (FAT) a fim de investir no ensino profissionalizante.

Criar uma nova escola é o que o País está precisando. A realidade educacional brasileira mostra-se decepcionante. Uma pesquisa sobre alfabetização que a Unesco e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgaram, em julho do corrente ano, onde, numa escala sobre níveis de compreensão de leitura, englobando 41 países, o Brasil está, praticamente, no fim da fila em alfabetização, em 37.º, pouco à frente apenas da Macedônia, Albânia, Indonésia e Peru, países de economia bem mais fraca que a nossa.

Cerca de 50% dos alunos brasileiros, macedônios e albaneses, na faixa etária de 15 anos, estão abaixo ou no nível 1 de alfabetização, uma marca estabelecida pela Unesco que classifica os estudantes que conseguem apenas lidar com tarefas muito básicas de leitura. O Brasil em relação aos países da América do Sul, mais pobres, está em pior situação. Segundo consta, o Brasil tem uma economia 175 vezes maior que a da Macedônia e 160 maior que da Albânia, mas, em educação, vergonhosamente, assemelha-se a elas. Comprovação incontestável de que no Brasil a educação, nas últimas décadas, não se constituiu em prioridade nacional, de que não se investiu, como se devia, na educação do povo.

Educação é polo gerador de riqueza e de renda no País. Conhecimento interfere no setor econômico, no aumento da renda, no aumento de empregos, melhorando a qualidade de vida da população e refletindo no respeito internacional. “Investir, hoje, eficazmente, na educação custaria muito menos do que o que será preciso gastar daqui a 20 ou 30 anos para corrigir os desastres decorrentes da falta de educação”, considerou Cristovam Buarque.

O ministro apela por uma coalizão suprapartidária, no sentido de colocar a educação como prioridade nacional e afirma que, caso isso ocorra, “o Brasil poderá se tornar um líder mundial em educação”.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em agosto/2003)

UNIVERSITÁRIOS EM EXEMPLO DE AMOR AO PRÓXIMO

Izabel Sadalla Grispino *

Nunca é demais repetir que educação é mola-mestra do desenvolvimento humano e social, embrião que se ramifica por todas as atividades do saber. Por isso, a escola mais que um centro de estudo deve transformar-se num centro educativo de formação, de diálogo, de orientação, de convivência comunitária. É preciso resgatar a importância da escola na abrangência de ações que envolvem todo o comportamento humano.

A Síntese de Indicadores Sociais de 2003, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicada em abril de 2004, assinala que educação influi no índice de morte na infância. O IBGE encontrou em 2000, entre mulheres com nível de instrução superior a 8 anos, uma taxa de 20 óbitos por mil nascidos vivos; no grupo com até 3 anos de estudo, a mortalidade foi muito maior: 49,3 por mil.

O Nordeste apresentou quadro mais revelador: a taxa, entre os filhos de mulheres de baixa escolaridade, chegou a 70,3 mortes por mil, uma diferença de 151% em relação às crianças de mães com mais de 8 anos de instrução. Mostra o relatório que no Brasil as taxas de mortalidade infantil – menores de 1 ano – e  na infância estão muito acima do nível considerado “civilizado”, ou seja, 5 óbitos por mil nascidos vivos. Em 2002, o índice entre crianças de 1 a 364 dias foi de 27,8 por mil. Já entre os menores de 5 anos, o indicador foi ainda mais elevado: 34 por mil.

Conclui o estudo do IBGE que o caminho para a redução de mortes na infância – menores de 5 anos – passa pela educação da mãe. O nível educacional influencia a atitude da mulher em relação ao acompanhamento da gravidez, à higiene e à saúde da criança.

A consciência do valor da educação toma vulto. Parece que estamos conseguindo despertar os estudantes para a realidade social. A reativação do Projeto Rondon, abordado por mim no último artigo, partiu da União Nacional dos Estudantes (UNE). A visão de mundo está se alargando, as necessidades sociais se visualizando e os estudantes começam a chegar às comunidades carentes. Ao querer ser-lhes útil, idealizam projetos, no sentido de colaborar com elas, desenvolvendo ações educativas, preventivas de áreas, como da saúde.

Tomamos conhecimento, através da mídia, de jovens universitários, alunos da Faculdade de Farmácia de Araraquara (Unesp), que se embrenham pelas sendas das comunidades carentes. Sentem que a faculdade propicia pouco contato com a realidade e elaboraram, eles mesmos, programação de intervenção social. Receberam treinamento no Centro de Referência do Jovem e do Adolescente, da Prefeitura, e entenderam que esse projeto não poderia ser confundido com os programas assistencialistas, como, por exemplo, doação de alimentos. Interessam-se pela saúde da população e, num grande gesto de humanidade, colocam, com dificuldade no projeto, recursos próprios. Visitam as famílias no último domingo de cada mês, utilizando-se do ônibus da Unesp. Orientam sobre remédios, saúde, higiene e medem a pressão arterial. Na faculdade, promovem exibição de filmes, debates para jovens, abordando temas como drogas, sexualidade e cidadania.

Essas ações sociais são voluntárias e praticadas com entusiasmo e dedicação, tanto que não existe problema de continuidade. Os alunos do 1.º ano aderem maciçamente, substituindo os que vão se formando, criando uma corrente ininterrupta.

O projeto surgiu em 2001, através do Centro Acadêmico, com o nome de Atenção Farmacêutica Estudantil Permanente (Afep), fez parceria com a Associação Amigos da Vida, que trabalha com dependentes químicos.

Aguardamos que estudantes de outras faculdades se mirem no exemplo desses beneméritos universitários e partam para novas ações de utilidade pública, dando sua parcela de contribuição na construção de um mundo  mais igual, mais justo.

A esperança de um mundo melhor no amanhã surge, hoje, com as crianças da educação infantil, dando a elas não só um bom alicerce cognitivo, mas formando-as para a solidariedade, para a compreensão, no enfraquecimento da competição, para o exercício da cidadania. Essas crianças, abrigando valores, serão jovens mais participativos, mais solidários ao sofrimento humano, e estenderão, sem dúvida, seu olhar à comunidade necessitada. São esses jovens que, preparados para o sentido de humanidade, abraçam também, com vontade, o trabalho. Alegra-nos tomar conhecimento de jovens, na idade entre 15 e 24, que cursaram pelo menos o ensino médio,  estarem entrando no mercado de trabalho com carteira assinada. É o que mostra um levantamento feito pela Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo, com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Esse levantamento considera as 827 mil vagas formais criadas nos cinco  primeiros meses de 2004 em todo o País, tidas como recorde, desde 1992. Mostra que 60% dos novos empregos são ocupados por jovens de 15 a 24 anos, com, pelo menos, 8 anos de escolaridade.

Esses jovens fazem parte de uma juventude que nos passa novo alento, na crença de um futuro melhor para a humanidade. É preciso crer para ver. Continuemos implantando na criança e no jovem valores éticos, morais, humanos, comportamento solidário, participativo e, assim, poderemos esperar um mundo mais produtivo, de mais paz, de mais justiça social.

As crianças de hoje serão os comandantes serenos ou atropelados do amanhã. Elas são as sementes do futuro.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2004)

UM NOVO EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO

Izabel Sadalla Grispino *

Iniciei o artigo anterior abordando mudanças sugeridas, pelo atual governo, para a reforma do ensino. Terminei o artigo falando da proposta do ministro Cristovam Buarque de tornar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) uma avaliação de final de cada ano desse ensino e não só no seu término, como é hoje. Quer estender para os Estados a linha adotada, por ele, em Brasília, o Programa de Avaliação Seriada (PAS).

A princípio, parece ser uma boa proposta quanto ao ingresso ao ensino superior. Tomando o vestibular como referência, este projeto é mais flexível, menos estressante e oferece mais oportunidades ao aluno, eliminando, com suas avaliações periódicas, o temor da avaliação única. Ademais, a apuração do conhecimento limitar-se-ia ao conteúdo, especificadamente, ministrado, ano a ano, no ensino médio. Não haveria necessidade de o aluno recorrer a estudos extras ou a cursinhos.

Todavia, quando se aprofunda na sua análise, depara-se com o conceito maior da educação desse nível de ensino, qual seja, a formação básica da cultura geral. A educação integral é bem mais importante que uma preparação técnica para o vestibular. É preciso formar o cidadão e não apenas o profissional e o Enem, sendo aplicado a cada final de ano, estaria prejudicando a formação em favor do treinamento. Ele viria a ser um escalonamento do vestibular em três séries, transformando o ensino médio numa transição para o ensino superior. Haveria um reforço nas matérias do vestibular e um afrouxamento das disciplinas complementares que integram a educação geral.

Esse processo de seleção obstruiria as etapas normais do desenvolvimento das faculdades intelectuais, das faculdades formativas de valores e atitudes. Sob o aspecto amplo da formação do aluno, este processo de avaliação periódica seria um aniquilador do ensino médio. Roubaria do aluno o tempo destinado à leitura suplementar, à pesquisa, ao desenvolvimento das potencialidades, pré-requisitos essenciais à formação integral e à atuação plena do futuro profissional.

Sabe-se, hoje, que atrás do bom desempenho de qualquer função está, grandemente, o bom domínio do conhecimento geral. Por exigência do mercado, é freqüente, em nossos dias, a extinção de uma função e o surgimento de outra e é justamente o conhecimento amplo e diversificado que vai ajudar o profissional passar de uma ocupação para outra.

Nessa linha de raciocínio, conclui-se que, com o sistema de avaliação seriada, o ensino médio reduzir-se-ia a um curso preparatório para o ensino superior, com uma sucessão de provas e adestramento para elas,  o que acarretaria, ao aluno, mais prejuízo que o tão decantado vestibular.

A preocupação com a deformação do ensino-aprendizagem vem de longe. Francisco Campos escrevia em 1931, a respeito do então ensino secundário: “O ensino secundário tem sido considerado como um simples instrumento de candidatos ao ensino superior, desprezando-se, assim, a sua função eminentemente educativa, que consiste, precisamente, no desenvolvimento das faculdades de apreciação, de juízo e de critério, essenciais a todos os ramos da atividade humana. (...) Assim, o ensino secundário (...) perdeu as suas características próprias e específicas (...) passando a ser de finalidade exclusivamente utilitária, despido de finalidade interna, fundamentalmente educativa. A última fase desse processo de degeneração do ensino secundário (...)  o transformou em mera chancelaria de exames”.

Se a avaliação progressiva vingar, o Enem perde a finalidade para a qual foi criado. O exame iniciou-se em 1998 pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) com o objetivo de avaliar as habilidades e competências adquiridas  pelo aluno no fim da educação básica. É uma indicação de como será o processo educacional nos próximos anos. Quer verificar se o aluno assimilou as informações repassadas na educação básica e se sabe utilizá-las no dia-a-dia. O Enem quer uma escola que vai dar formação ao aluno, não apenas informação. Vai desenvolver o raciocínio, o espírito crítico, o relacionar conceitos, transferir conhecimentos em situações concretas. Não quer medir conteúdo, mas a capacidade de resolver problemas dos fatos do cotidiano. Porém, há quem ache que o Enem peca por privilegiar processos de pensamento em vez do conhecimento e que ele deve se aproximar mais do vestibular. Mas, eu me pergunto: o aluno bem formado, com o seu raciocínio desenvolvido, não chega mais fácil ao conhecimento? São justamente os processos de pensamento que levam ao conhecimento, é só saber fazer uma adequação.

O Enem é um exame que se aproxima da realidade do aluno, mas ao que parece a prova deste ano, marcada para 31 de agosto, será a última a ser realizada nos moldes tradicionais. “Mudança seguramente vai ter”, garantiu a diretora-responsável pelo exame, Dirce Gomes, pertencente ao Ministério da Educação (MEC). Uma mudança é fazer do Enem uma avaliação obrigatória a todos os alunos e não facultativa como é hoje. O propósito do ministro é mudar o sistema de vestibular, adotando nos Estados o PAS, método de avaliação pelo qual os estudantes com os melhores desempenhos nos três anos do ensino médio têm vaga assegurada na Universidade de Brasília (UnB). Essa universidade faz avaliação ao fim de cada um dos três anos do ensino médio.

Essa inovação terá um gasto três vezes maior do aplicado no  Exame  Nacional  do Ensino Médio, do Enem atual. Valerá à pena?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2003)

CORRELAÇÃO ENTRE SISTEMA E APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

O sistema de ensino interfere no resultado da aprendizagem? Determina o rendimento escolar?

O Estado de São Paulo, por sua Secretaria da Educação, realiza mudança na avaliação da progressão continuada do ensino fundamental. A progressão continuada, implementada no Estado em 1998, dispunha que as avaliações para efeito de promoção ou retenção deveriam ocorrer de 4 em 4 anos, na 4.ª e na 8.ª série. Agora, em 11 de maio, entrou em vigor um novo sistema de avaliação para os alunos da rede pública estadual. Todas as escolas vão adotar um mesmo padrão de médias bimestrais, com notas em números inteiros que vão de zero a 10. Os valores decimais devem ser arredondados para cima. 4,2, por exemplo, na média anual do aluno será arredondada para 5, sendo esse aluno aprovado. Esse arredondamento para cima, praticamente, nada significa em termos de aprendizagem, é, antes, visto como um estímulo ao aluno.

A medida visa mudar a avaliação da progressão continuada, que passa a ser de cada dois anos e não mais de quatro. Avalia nas 2.ª, 4.ª, 6.ª e 8.ª séries, para efeito de promoção ou retenção. Esse novo sistema vai unificar os tipos de avaliação das escolas da rede.

Acredito na viabilidade dessa mudança. Um espaço menor de tempo para uma avaliação conclusiva, aproxima o professor do resultado da aprendizagem de modo mais concreto, mais real. Ele não se perderá pela extensão do ciclo. Ciclos com duração maiores pedem mais do professor, em termos de organização, de controle, de acompanhamento, com elaboração de fichas minuciosas de registros das observações realizadas.

O sistema de ciclos, pedagogicamente, é visto como ideal para a aprendizagem. Sua metodologia observa as fases do desenvolvimento infantil, o processo de construção do conhecimento, o ritmo das crianças, conforme estipula Jean Piaget. Traz como base de sustentação o atendimento individual, requerendo um número menor de alunos por classe.

Este sistema vem acompanhado de uma estrutura – observação constante, avaliação contínua, recuperação paralela, aulas de reforço e recuperação no período de férias – que deve permitir a recuperação das defasagens. Contudo, é preciso que a escola se conscientize de que esses passos da aprendizagem, adotados pelo sistema de ciclos, fazem parte de não importa qual outro sistema. O importante não é, propriamente, o sistema, mas a forma como o professor ensina.

Sob esse aspecto, o meu livro “Prática Pedagógica” traz um estudo detalhado sobre a formação do sistema de ciclos, no ensino fundamental. Entre outras considerações, eu digo, na pág. 181: “Percebemos o quanto o ponto capital, para o sucesso do ensino, está visivelmente calcado na formação do professor, seguido de suas condições de trabalho. Podemos, ainda, perceber que não haverá mudanças se a cabeça do professor também não mudar, como argumentou Elba de Sá Barreto. Tem que haver mudança de mentalidade. Demerval Saviani acrescenta: “Enquanto as escolas operarem em condições precárias e com professores mal preparados, não há como esperar um resultado alentador”.

No tópico do livro “Formação deficiente dificulta a reforma do ensino” (pág. 43) ressalto: “O ensino ministrado nas escolas é muito mais o ensino organizado pelos professores, por sua forma de pensar, agir, por seu nível intelectual, do que aquele sistematizado pelos órgãos centrais”.

Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em junho/2007)

DESPERTANDO-SE PARA A CAUSA DO DEFICIENTE

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade começa a despertar-se para o diferente. Uma nova postura, um novo olhar se descortina para os grupos minoritários, mesmo porque não se pode penalizar as pessoas por suas deficiências, pela cor de sua pele ou por sua origem étnica. Tem que haver a “discriminação positiva”, isto é, a criação de normas favoráveis às minorias.

Os diferentes galgam, aos poucos, conquistas significativas, como o maior acesso ao trabalho e à educação especializada. Pessoas cegas, mudas, surdas, deficientes mentais ou físicos, conquistam a cidadania, incluindo-se favoravelmente na sociedade. Avanços são notados, como a criação de cursos de informática dirigidos aos deficientes, o aumento, segundo levantamento de dados em 16 cidades, de 475% no número de deficientes empregados, a construção em São Paulo de 108 rampas de acesso e o aplaudido bicampeonato mundial de futebol para cegos, atividade comprovando que habilidades independem da visão.

A informática tem se revelado um instrumento valioso na inclusão social, por facilitar a comunicação e o aprendizado. Há um curso oferecido pela organização não-governamental Transformar Associação para o Desenvolvimento do Portador de Deficiência, com o apoio da empresa Convergys e Metodologia do Comitê para Democratização da Informática (CDI), onde 15 crianças e adolescentes com disfunções neuromotoras participam da Escola Especial de Informática, que se formou pela parceria instituída com a organização. O número de participantes vem crescendo e para o ano de 2003 serão 30, conforme afirma a presidente da Transformar.

Outros comportamentos, a favor do deficiente, vêm surgindo na esfera social. A legislação determina às empresas, com mais de 100 funcionários, a contratação de 2% de deficientes. Em Osasco, a fiscalização para a aplicação da lei registrou em 16 cidades da região de Osasco, através da Subdelegacia Regional do Trabalho, um número recorde de 1.710 trabalhadores portadores de deficiência no mercado regional. Em empresas com mais de mil empregados, o percentual é de 5%.

Mas, o que se depara, conforme confirma o coordenador do Centro de Cidadania, Carlos Aparício Clemente, é que os números escondem uma falsa realidade: “A lei não define o nível de deficiência, as empresas contratam pessoas com deficiência auditiva leve como se fossem surdas”.

Também merecem ser citados um curso de pesca amadora, dedicado a pessoas surdas, e um novo site da Associação de Desporto para Deficientes (ADD), o www.add.org.br, que é uma grande fonte de informação sobre deficientes brasileiros. Um outro fato, são as condições de acessibilidade às lojas da maior rede de varejo do País. O grupo Pão de Açúcar lançou, em suas 505 lojas, o selo de acessibilidade, símbolo universal de acessibilidade, que garante autonomia e comodidade para a circulação de pessoas com deficiência.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), com professores traduzindo a linguagem de sinais, ofereceu à Escola de Educação Especial Hellen Keller um curso para 80 garotos surdos, de 4 a 16 anos, de pescadores amadores. Esse curso iniciou um programa que vai se estender por todo o País. Ensina-se a pescar e a não provocar danos ao meio ambiente, como, por exemplo, não jogar lixo na rua, porque esse lixo acaba chegando aos rios, poluindo suas águas e deteriorando a carne do peixe.

Apesar das conquistas obtidas, há ainda muito o que fazer para que o grupo de deficientes, 14,5% da população – cerca de 24,5 milhões de pessoas – conquiste uma melhor cidadania. Quebrar as barreiras do preconceito é a grande caminhada. Os empregadores os vêem como alguém de baixa capacidade de resolução de problemas, mas, por avaliação, os deficientes, quando bem orientados, desenvolvem um trabalho de forma capaz. Rendem como qualquer outra pessoa. Falta-lhes igualdade de oportunidades e condições apropriadas, como as construções arquitetônicas representadas por prédios sem rampas, a dificuldade de transporte, principalmente em ônibus, e a falta de  clareza na legislação, são os grandes obstáculos das pessoas com deficiência.

O que se espera é que as leis definam os critérios de deficiência, para adequá-los convenientemente à realidade. Há conquistas por parte dos deficientes, que nos orgulham e nos animam à contribuição. Conquistas que confirmam o seu potencial, a excelente performance em atividades de várias naturezas. No futebol, por exemplo, a seleção brasileira de cegos destaca-se com dois títulos mundiais e disputou, invicta em 2002, o III Campeonato Mundial.

Mizael Conrado, de 25 anos, cego desde os 13, foi considerado o melhor jogador de futebol de 2001. O futebol para cegos é jogado com guizos na bola e os atletas usam vendas para evitar a vantagem dos que ainda têm um pouco de visão.

É salutar envolvermos com a causa do deficiente, formando fileiras, núcleos de ajuda, para o desenvolvimento de sua auto-estima, advinda, principalmente, da realização de suas potencialidades.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em janeiro/2003)

JOGOS PARAOLÍMPICOS

Izabel Sadalla Grispino *

O mundo desperta com mais vigor para a educação do deficiente, dos portadores de necessidades especiais (PND). Descobre-se que suas potencialidades, quando bem trabalhadas, levam-no a realizações inesperadas.

Terminaram recentemente os Jogos Paraolímpicos, organizados logo depois dos Olímpicos, na mesma cidade e instalações, em Atenas, Grécia. No período de 17 a 28 de setembro competiram 3.857 atletas paraolímpicos, representando 145 países. São atletas portadores de deficiência mental e física. A competição tem uma tradição de 44 anos. O Brasil paraolímpico é bem superior ao olímpico. Possui uma das melhores equipes, tem 9 recordes mundiais. Em Sydney conquistou 22 medalhas, seis delas  de ouro. Para esses últimos Jogos Paraolímpicos, o Brasil enviou a maior delegação de sua história: 98 atletas de 13 modalidades. Teve a melhor participação do País, com 34 medalhas, sendo 14 de ouro, 12 de prata e 8 de bronze. O destaque foi o nadador brasileiro Clodoaldo Silva, que conquistou 6 medalhas de ouro e 1 de prata. Fechou sua participação no ponto mais alto do pódio.

Alguns esportes praticados são bem conhecidos, como o basquete de cadeira de rodas e a natação. Outros são novidades, como o futebol de 5, que aparece na Paraolimpíada pela primeira vez. Em dois tempos de 25 minutos cada um, jogadores cegos ou de pouca visão – que  usam tampões nos olhos para não ter vantagem – orientam-se pelo som. Há ainda o vôlei, goalball, hipismo, tênis, futebol de 5 para cegos – mencionado acima --, futebol de 7 para paralisados cerebrais, halterofilismo, judô, tênis de mesa, ciclismo e atletismo.

É emocionante notar como os deficientes fazem de tudo, hoje em dia. A Paraolimpíada dá a oportunidade de o deficiente mostrar o quanto é capaz, em termos de concentração, de raciocínio, de superação de si mesmo.

Os jogos Paraolímpicos reforçam o conceito de valorização da educação do aluno deficiente. No estudo de um novo idioma, por exemplo, ultrapassam a barreira da língua materna. Muitos deficientes visuais e auditivos freqüentam aulas regulares, com sucesso, em inglês, espanhol, italiano e outros idiomas. Usam material em braile, fazem leitura dos lábios, contam com programas avançados de computador. Mostram-se animados, com vontade de aprender. Os que têm deficiência auditiva se valem, também, do aparelho para audição.

O importante na aprendizagem do deficiente é observar o ritmo e as características de cada um, dar-lhe o apoio que necessita e usar material didático adequado. Introduzi-lo na sala de aula comum, com os outros alunos e incentivá-lo a participar. Segundo os fonoaudiólogos, apenas deficientes auditivos oralizados, isto é, que conseguem ler lábios e reproduzir os sons, podem participar das aulas normais de idiomas. Os que têm perda profunda de audição precisam de um professor que saiba a língua dos sinais.

Segundo o relatório “Monitoramento Internacional dos Direitos dos Deficientes”, elaborado pela Rede Internacional de Deficientes e pelo Centro para a Reabilitação Internacional, divulgado no início de setembro p. passado, o Brasil, entre 24 países pesquisados, é o País das Américas que assegura a melhor proteção e tratamento aos deficientes físicos. O que influenciou esse resultado foi a legislação que, entre outros fatores, assegura cotas de contratação nas empresas, garantias constitucionais de apoio financeiro e proibição da discriminação no trabalho.

Mas, em termos de realidade, pouco se faz no cumprimento dessas vantagens, para que o País seja realmente inclusivo no trato do deficiente. A reserva de mercado aos deficientes, com cotas obrigatórias, estabelecidas pela legislação, em empresas com mais de 100 funcionários, nem sempre é cumprida. Há ainda o obstáculo da locomoção que impede a chegada e a permanência do deficiente no emprego. Do mesmo modo, a reserva de 5% das vagas para os concursos públicos tem seu privilégio esbarrado pelas condições de acesso à educação. O deficiente não consegue trabalho ou estudar porque não tem acesso ao local do emprego e à escola. A lei da reserva de vagas para os concursos públicos, regulamentada em 1988, em que pese a boa intenção, deveria adequar a escola, o sistema de saúde, o transporte público, para atender a demanda dos interessados, garantir a sua participação efetiva na sociedade.

Um outro contra-senso, outro desencontro entre legislação e realidade, é a garantia do direito de voto, que deveria ser acompanhada do direito de acesso ao local de votação. No segundo semestre deste ano – 2004 – o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, incongruentemente, que os deficientes que não possam chegar aos locais de votação estão dispensados. Somente 20% dos postos de votação do País estão equipados para receber portadores de deficiências. Diante desse parecer, haverá interesse em equipar os demais?

Segundo o Censo do IBGE, realizado em 2000, o Brasil possui uma população de mais de 24,5 milhões de brasileiros portadores de algum tipo de deficiência. Dentre os deficientes visuais, 159.824 responderam que são incapazes de enxergar. Dos brasileiros com deficiência auditiva, 176.067 disseram que são incapazes de ouvir. Em cada 100 brasileiros, no mínimo 14 apresentaram alguma limitação física ou sensorial. O número é elevado e merece toda nossa atenção, toda atenção governamental.

Percebemos que ainda há muito que fazer pelos deficientes, ultrapassar os limites da legislação, legislação que colocou o Brasil como o melhor País das Américas no tratamento do deficiente. Quantos anos ainda levaremos para dar condições apropriadas para que o deficiente possa exercer, com dignidade, sua cidadania?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro de 2004)

NOVO ENTENDIMENTO DAS TECNOLOGIAS DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

A época competitiva, globalizada, imprevisível que vivemos, leva a escola a procurar novas metodologias de aprendizagem, através da tecnologia. Hoje, o computador é usado de várias maneiras, seja em casa, seja na escola. Afastar a criança do micro é torná-la uma analfabeta virtual, em descompasso com o mundo moderno, como o nosso.

Atualmente, avança-se no conceito do uso das novas tecnologias da educação. Elas são vistas como meios de construção do conhecimento, não mais apenas como instrumentos de ensinar ou de transmitir informações. Já vai o tempo em que o professor colocava o conteúdo no computador para que as crianças encontrassem, lá, tudo pronto. Experiências inovadoras na área da educação criam ambientes de aprendizagem, onde as crianças participam ativamente, escolhem o que querem fazer e conduzem os próprios projetos.

O professor pode apresentar um tema abrangente, como, por exemplo, a comunidade em que a escola está inserida, sugerir reflexões aos alunos e deixá-los que encaminhem e resolvam os problemas. À medida em que as crianças inventam soluções para os problemas levantados, elas vão formando opinião, desenvolvendo a criatividade, a capacidade de pensar, de raciocinar, de atuar.

A proposta da utilização das novas tecnologias, como fotografia digital, vídeo digital e robótica, é levar a criança a inventar equipamentos e construir pensamentos, idéias, úteis às suas vidas. A utilidade da invenção deve estar sempre presente. Assim, através da robótica, cria carrinhos de brinquedos que auxiliam a repassar o lixo das caçambas, através de um software, elabora um jornal eletrônico, onde se aprimora na produção de textos e no trabalho jornalístico e outros. Aprende programação de computador, física, mecânica, matemática... e, conhecendo as técnicas, vai escolher quais usar.

Ter todo o aparato tecnológico numa escola é importante, porém, o mais importante é torná-lo disponível ao aluno, dar-lhe liberdade de escolher o que quer fazer. O aluno ganha mais independência na aprendizagem. Se receber ordem, se o professor diz o que ele tem de fazer, perde-se o sentido do encaminhamento dessa aprendizagem. O aluno deve aprender a tomar iniciativas e assumir as responsabilidades de suas escolhas. A criança, simplesmente, não se interessa, quando percebe que está sendo mandada. Ao escolher ela mesma, se engaja e cumpre a tarefa com prazer, com satisfação. A criança escolhe, mas os objetivos para o professor devem estar bem definidos.

Temas comunitários são interessantes porque levam a criança a uma maior integração com sua comunidade. Ela vai em busca de soluções para as questões surgidas. A partir da comunidade, amplia-se a sua integração com toda a cidade, com crianças de outras cidades, de outros Estados, outros países. Nesse elo, cria-se uma rede de cooperação local, nacional e internacional, conectando experiências de aprendizagem para os dias presentes e futuros.

Esses são passos que mudarão o rumo da educação nos próximos anos. Não se quer mais um currículo fixo, com visão temporal, ou uma aprendizagem imposta pelo professor. Dá-se ao aluno liberdade de construir, de aprender fazendo, como queria John Dewey, abrindo caminho para a iniciativa, para inventividade, o inusitado, o imprevisível, que vêm caracterizando nossa época.

Ao lado desse aspecto, deixa-se o aluno penetrar o conhecimento pela linha do prazer, da intuição, da aptidão.

Nessa metodologia renovadora, a escola deve criar projetos de vários modelos, preparando-se para o aprendizado do futuro, na proposição de formar um aluno  autônomo, ajustado   à  sua   personalidade,  à  sua  potenciali-

dade. Um aluno capaz de construir, de inovar, de criar, de relacionar, de pesquisar, de interpretar, de interferir na realidade, abrindo, para si mesmo, oportunidades de aprendizado. Em todo esse processo, o computador é um instrumento que precisa estar presente.

O aluno sentindo-se capaz de construir o seu aprendizado, capaz de descobrir formas de ultrapassar as dificuldades, utilizando-se da tecnologia, ganha confiança e caminha com mais segurança. O resultado é a elevação da auto-estima e esta encarregar-se-á de levá-lo ao sucesso.

Habilitar o aluno em informática é condição primordial para o seu ajustamento, colocação e progresso no mundo atual. Hoje, ela é indispensável a todos os ramos da atividade humana. Sua aplicabilidade atinge as raias do inimaginável. Torna-se ferramenta indispensável. Vai desde o diagnóstico de doenças até reparos de veículos. A telemedicina permite fazer uma cirurgia a distância. As oficinas mecânicas já fazem diagnósticos eletrônicos, de veículos conectados ao micro e já fazem consertos pelo computador, caso o problema seja de origem eletrônica. Hoje, mesmos os carros populares têm muitos dispositivos eletrônicos e fica impossível consertá-los com as ferramentas tradicionais.

Esses são apenas alguns exemplos que mostram ser a informática um caminho que a escola não pode deixar de trilhar e nele se aperfeiçoar.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2002)

PROIBIR É A SOLUÇÃO?

Izabel Sadalla Grispino *

Como a escola pode ajudar as crianças frente à TV? Como educar a leitura que elas fazem da TV?

O primeiro passo é, sem dúvida, conhecer os programas a que elas mais se apegam. Estudar-lhes as características e os aspectos que mais as impressionam.

Proibir, simplesmente, não é o caminho. A proibição só vai aguçar a curiosidade, a vontade de assistir-lhes. Ao proibir, é preciso explicar as razões. Manter com as crianças uma aprendizagem crítica, uma aprendizagem do pensamento divergente. Ensinar a criança a questionar, a duvidar, a encontrar outras saídas, diferentes das apresentadas no filme. Duvidar do que se vê é um bom exercício mental, dizem os psicólogos. A atitude reflexiva favorece a elaboração de exercícios mentais, que a criança pode exercitar ao assistir aos filmes, aos desenhos.

Passando esse comportamento para a prática, uma escola relatou sua experiência, que pode ser de valia a outras escolas. Os professores notaram que a brincadeira que mais se sobressaia, em crianças na faixa de 4 a 5 anos, era a “Pouver Rangers”. Foram conhecer este programa. Perceberam, entre outros fatores, que os heróis, no caso japoneses, conquistam tudo magicamente e apenas pelo prazer da luta e não em razão de um ideal. Não agem de modo inteligente ou com astúcia. São heróis que empobrecem a imaginação da criança, diferentes dos heróis de antigamente, que conquistavam pela busca de um ideal.

Os professores, após terem assistido e avaliado os programas, passaram, em dias alternados, a promover sessões de TV entre os alunos. Foram escolhidos o Sítio do Pica-pau Amarelo, o Castelo Rá-Tim-Bum e um filme dos Pouver Rangers. Embora as crianças apreciassem todos, mostravam preferência pelo Pouver Rangers. Porém, após tê-lo assistido, a meninada ficou muito excitada, mais agitada e mais agressiva na hora de brincar.

Uma das estratégias adotadas foi encaminhar a criança para uma esclarecida interpretação. Professor e aluno raciocinavam juntos, a criança era encaminhada à ponderação, ao abrandamento das lutas suicidas, a exaltar ações que conduzem ao amor, ao bem.

Uma outra preocupação dos pais e dos professores é com os jogos eletrônicos.  Até que ponto os videogames viciam e o que fazer? Especialistas da área de tecnologia dizem que a escolha dos jogos não pode ser aleatória. Eles devem ser relacionados segundo as características de cada criança, considerando, também, os aspectos socioculturais , educativos e psicológicos.

A criança, ao jogar, expressa seu juízo moral, através da livre escolha que faz do destino do personagem, da tomada de decisões e dos sentimentos manifestados. Isso dá a oportunidade, aos pais, aos educadores, discutirem, esclarecerem os aspectos necessários à condução de uma postura moral, compatível aos valores sociais. É preciso fazer a criança entender que o jogo é uma fantasia momentânea; fantasia, imaginação e não realidade.

Os videogames têm seu lado positivo e negativo. É uma questão de regra e limites, que vale para o videogame, a TV, o computador, a Internet. Crianças que jogam de forma compulsiva sofrem os malefícios decorrentes, como sua exclusão do convívio social, o descumprimento de suas obrigações, dos efeitos colaterais orgânicos, como irritação dos olhos, excitação, insônia, principalmente quando os jogos são muito violentos.

Com horário e disciplina, os jogos podem trazer benefícios. Confirmam os especialistas que videogames e jogos para computador são excelentes para o desenvolvimento cognitivo. Desenvolvem a percepção, a memória visual e auditiva, a rapidez, o raciocínio, a capacidade de solucionar problemas e, até mesmo, a socialização, quando jogados via Internet.

Em trabalhos psicopedagógicos, os softwares são bastante utilizados. Nas salas de aula, compete ao professor explicitar os conceitos envolvidos, a fim de que o jogo se converta em instrumento de aprendizagem. É importante que se discutam as questões morais, éticas e de relações humanas, implícitas nos jogos, praticados na sociedade, na escola, em casa.

Em tudo, não há modelo único de educação. Vai depender de cada criança. As regras e os limites devem ser passados dentro dos conceitos éticos, morais, culturais de cada sociedade, de cada família. O importante é conhecer a criança que se tem à frente para ser educada e agir de acordo com cada caso. Para impor limite aos videogames, ao computador, estuda-se a melhor forma, como programar atividades compartilhadas, passeios, esportes, diálogo... Disciplinar os horários, conscientizá-los da hora de estudar, de dormir e de brincar, é imprescindível. Videogame, por exemplo, só depois da lição de casa feita.

Com a finalidade de evitar a violência do jogo, a prática de atos sexuais e desvirtuamento de valores éticos e morais, o Ministério da Justiça definiu a norma de que todos os cartuchos e CDs, de games, tragam, em suas embalagens, um selo de classificação etária.

O Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento – CAD --, clínica formada por uma equipe multidisciplinar da capital, explicitou regras úteis para o aconselhamento e à aprendizagem de crianças e de jovens.

Dos 3 aos 7 anos: as regras são externas à criança, que espera que os adultos lhe dêem ordens. Aproveite a fase para fixar bem a rotina e estabelecer hábitos saudáveis;

Dos 7 aos 12 anos: a criança começa a internalizar as regras. Explique os porquês de suas exigências, sem abrir mão delas. Ela espera esse limite do adulto. É uma boa fase para trabalhar direitos e deveres, estabelecer horários das atividades escolares, de lazer e sono;

Dos 12 anos em diante: o jovem já deve ter adquirido autonomia e capacidade de pensar os valores por si mesmo. Diálogo é essencial. Ele deve participar da construção e/ou reformulação das regras para poder organizar sua própria vida. Vai exigir coerência dos pais e dos educadores e um compromisso recíproco de respeito às regras.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2002)

A BIBLIOTECA ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

A biblioteca é um recurso didático indispensável no processo de aprendizagem. A adoção, pela escola, do método construtivista coloca a pesquisa na vanguarda da metodologia. Além disso, como despertar o aluno para a imperiosa leitura, como criar o hábito de ler, sem a existência de sua matéria-prima?

Leia Mais

  • Banner

Reconhecimento

Premiado pelo Buscaki

buscaki

I.S.G

izabel1

Colaboração

Slideshow Image 1

Novos Jogos

eduespc

Vídeos

videos

Visitante Número