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Artigos Educacionais

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PROJETO EDUCATIVO: PARCERIA ESCOLA-COMUNIDADE

Izabel  Sadalla  Grispino *

O papel da escola mudou, não se centraliza mais em si mesma. Abre-se cada vez mais ao diálogo e abandona conceitos cristalizados. Quanto mais se aproxima dos pais, quanto mais mantém com eles uma parceria afinada, mais alcança a identidade cultural do aluno, os aspectos sociológicos que o cercam e uma aprendizagem real, efetiva.

A desmotivação do aluno é conseqüência da distância entre a sala de aula e o seu cotidiano. A escola deve criar um ambiente que tenha a ver com seu mundo, evitar choque cultural, evitar que ele se sinta “um estranho no ninho”. Busca-se o homem e devolve-o a seu destino, com ampla autonomia.

Cada escola deve achar um canal de comunicação com a comunidade, deve estimular os pais a participarem da vida da escola, de sua gestão, transformando-os em aliados. Deve rediscutir suas propostas curriculares, montar projetos, projetos educativos que a referendam na sua comunidade, em termos de atuação social.

Projeto educativo é o projeto macro da escola. É um projeto político-pedagógico, uma linguagem que democratiza e amplia o conhecimento num entrelaçamento com a comunidade. Traduz-se em trabalhos coletivos, articulados, envolvendo escola, alunos, pais e comunidade, numa metodologia interativa e de cooperação. É a escola se inserindo em sua realidade, promovendo efetivo desenvolvimento social de sua comunidade mais próxima. Coloca o eixo na formação da cidadania e incentiva, por parte da comunidade, todas as formas de participação: consultas sobre a escolha de temas, entrevistas, palestras, visitas localizadas etc. Premia o aluno-cidadão frente aos problemas sociais, politizando-o, espalhando sementes politizadoras por toda a comunidade. Quanto mais consciência da situação social, quanto mais intervém nessa situação, quanto mais campanha cidadã, mais capaz o indivíduo vai se tornando e mais facilmente atingem-se os objetivos. O projeto educativo aproxima a comunidade da escola e vice-versa. A escola passa a ser o fermento de ações sociais educativas.

Esses projetos se utilizam da transversalidade – transposição dos conteúdos sociais para os escolares, quando os conteúdos se tecem como numa rede – e da interdisciplinaridade, da maneira de como trabalhar os conteúdos. Na interdisciplinaridade, as diversas disciplinas se complementam, se interligam, sem que, contudo, venham a perder sua linguagem própria, sua individualidade. A  partir das especificidades, constroem a integração.

A escola irradia-se por toda a comunidade, espalha o exercício da cidadania. O projeto educativo põe ênfase na criatividade individual, grupal, buscando soluções para situações de risco, para contenção da violência, da criminalidade e outros. Mobilizam-se escola e comunidade na busca de respostas à problemática social de diversas ordens.

Pode reportar-se aos mais diferentes assuntos, onde o amor a Deus, ao próximo, à Pátria estão sempre no alicerce das proposituras. Temas como “Minha cidade, minha responsabilidade”, “Vamos arrumar a casa social”, “Cuide bem de mim”, permitem amplitude de objetivos instrucionais e atitudinais. O tema “Ecologia” deve estar presente, obrigatoriamente, no currículo escolar. O estudo da educação ambiental, do ecossistema, da responsabilidade de todos pela preservação do meio-ambiente, pela exploração racional dos recursos naturais, evitando o esgotamento das fontes e impedindo a degradação ambiental. Alunos e professores entrosar-se-ão com pais, com representantes da área do meio-ambiente. Os alunos pesquisarão clima, atmosfera, energia, tecnologia, recursos hídricos, poluição, queimada, desmatamento, com seu efeito universal, envolvendo conceitos de biodiversidade, de efeito estufa, de desenvolvimento sustentável, de desertificação do solo e outros.

A união de propósitos, em torno de um objetivo comum, vai estreitar e fortalecer as relações interpessoais de amizade, de solidariedade, de respeito. Sendo um projeto de educação intencionada, tornar-se-á um capítulo de estudos interdisciplinares. A grande arma está numa metodologia criativa, diversificada.

O professor poderá garantir ocasiões para troca de informações, de idéias, de opiniões, em sala de aula, organizando-a para momentos coletivos, quando terá a oportunidade de contemplar a diversidade apresentada. Não deve reduzir as diferenças, antes, aproveitar a variedade de respostas, promovendo troca entre elas. Poderá garantir momentos individualizados, quando o professor conhecerá melhor cada aluno em sua idealização.

Nesses projetos, o pragmatismo deve estar presente. É importante ao aluno saber que o resultado de sua pesquisa poderá servir de utilidade pública. De nada adianta investir numa pesquisa que não serve para algum segmento da população ou para a vida prática do educando.

O projeto educativo deverá destacar aspectos que levem a um produto final, destinado ao uso da escola e da comunidade como um todo. “Não basta saber, é preciso aplicar; não basta querer, é preciso, também, agir”. (Goethe).

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2000)

LIBERADA A EXIGÊNCIA DO CURSO NORMAL SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

 

No ano 2000, o Ministério da Educação fixou que os professores, de todos os níveis da educação básica, depois de 2007, deveriam ter o diploma de graduação, para trabalhar na rede pública de ensino. O curso normal, o antigo magistério, por si só, não credenciaria mais o aluno a lecionar. Teria que ser complementado por um curso de formação de professores, o normal superior.

Desde então, os cursos de formação superior começaram a aumentar. Atualmente, há 668 cursos cadastrados no MEC, isto é, com autorização para funcionar. No ano 2000, havia apenas 110 cursos no País. O censo realizado pelo Ministério em 2001 mostrava a existência de 306 cursos, sendo 239 em instituições públicas e 67 em particulares.

A Universidade Estadual Paulista (Unesp), preocupada com a formação adequada dos professores, através do programa Pedagogia Cidadã, está formando 4.500 profissionais de redes de ensino municipais no Estado. Segundo Wilson Galhego Garcia, responsável pelo programa, cerca de 15 mil professores paulistas participam, atualmente, de cursos superiores, organizados em convênios de universidades e secretarias de educação.

Essa exigência do curso superior foi, sem dúvida, a mola que propulsionou a busca de melhor formação docente. Sabemos que a qualificação profissional tem estreita relação com o aproveitamento do aluno. O Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), realizado pelo Ministério da Educação, comprova a constatação acima. Alunos da rede pública ou particular, cujos professores cursaram ensino superior, têm nota 10% maior que a dos alunos cujos professores fizeram apenas o antigo magistério. É uma diferença significativa que mostra que a formação deficiente do professor repercute na formação deficiente do aluno. Comprovadamente, a formação docente define o desempenho do aluno.

Pelos resultados do Saeb, os alunos de professores que apenas cursaram o magistério tiveram notas médias de 154,3 da rede pública e 199,1, da rede particular. Os alunos com professores de melhor formação tiveram notas 168,2 da rede pública e 217,2, da particular. Os especialistas do Saeb consideram diferenças acima de 12 pontos importantes. A pontuação do Saeb varia de 125 a 425.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) informa que há no País 772.500 professores sem formação superior, atuando no ensino infantil ou nas 1.ªs séries do ensino fundamental (1.ª à 4.ª série), o que representa 72% do total de profissionais nesses níveis de ensino. O Conselho Nacional de Educação (CNE) menciona 86 mil professores que nem sequer cursaram o ensino médio e trabalham na educação infantil, em creches, educação de jovens e adultos e no ensino fundamental.

A exigência do curso normal superior para quem cursou ou cursará o normal até 2007 acaba de cair por terra por um parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE). Nesse parecer, o Conselho autoriza os professores do ensino infantil, que atende crianças de até 6 anos de idade, e das quatro 1.ªs séries do ensino fundamental, a lecionarem sem a formação superior. O Conselho Nacional de Educação apoia-se na interpretação dada à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996.

A Lei no artigo 62 prevê que deve ser exigido dos professores de educação infantil e de 1.ª à 4.ª série apenas o curso normal. Porém, nas Disposições Transitórias estabelece que “até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior”. A Década da Educação começou um ano depois da sanção da LDB.

Uma primeira interpretação, dada a esse instrumento legal, foi de que, a partir de 2007, apenas quem tivesse diploma de curso superior poderia continuar a exercer o magistério.

O atual Conselho Nacional de Educação interpreta a lei diferentemente e apoiando na expressão: “a ser admitido” do artigo 87 estipula que a formação mínima a ser exigida é a do curso normal para quem já exerce o magistério na educação infantil e nas 4 séries do ensino fundamental e para os que se formarem até 2007.

É evidente que para o nosso decadente ensino público a primeira interpretação, qual seja, a de exigir o normal superior até 2007, é bem mais apropriada. Difícil deixar a critério, sobre a freqüência ao curso superior, de um profissional mal remunerado, sem tempo e sem dinheiro para prosseguir os estudos.

Entendo essa última interpretação como recurso à ausência, já confirmada, de professores habilitados para o exercício do magistério. Seria um tapa buraco, principalmente, em regiões mais carentes desse profissional. Mas, é preciso que o professor se alerte porque, gradativamente, o normal superior avançando poderá acabar encampando os que só terminaram o curso normal, em nível de ensino médio. Certamente, os critérios não foram publicados, mas na classificação deverá levar vantagem aquele que apresentar diploma de curso superior.

Fazer um curso superior será sempre um diferencial.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2003)

ENSINO SUPERIOR PARA O ÍNDIO

Izabel Sadalla Grispino *

Uma outra minoria que desponta em direção à afirmação, ao enfrentamento do preconceito, é a do índio. O índio começa a entender o valor da educação e sai à procura de escolas. Desperta-se para uma nova realidade, valorizando a formação profissional. Quer ter acesso ao ensino superior, melhorar o conhecimento, aperfeiçoar-se.

A sociedade também começa a dar mais atenção aos grupos étnicos discriminados. Já se manifesta, em pontos localizados, exortando medidas governamentais, que garantam escolas, de todos os níveis, à população indígena.

A exclusão é sempre lastimável, tanto para os grupos marginalizados, como para o desenvolvimento do País, que se vê limitado no avanço das competições, no mercado internacional. Embora haja toda uma legislação favorável, a política educacional de apoio às minorias é lenta e desestimulada. No Brasil, surgiu, neste segundo semestre, a primeira universidade estadual, localizada em Mato Grosso (Unemat). É uma iniciativa pioneira, onde serão oferecidos cursos de licenciatura, exclusivos para formar professores índios em nível superior. É um passo que se dá em direção à criação de uma universidade abrangente do gênero no País. Matricularam-se na Unemat 300 alunos de 35 etnias.

Os cursos serão dados no campus de Barra do Bugres, a 160 quilômetros da capital Cuiabá. O que antes parecia um sonho distante,  hoje, a idéia de reunir só universitários indígenas em sala de aula torna-se realidade. Levantamento estatístico mostrou existir, entre nós, 207 povos indígenas, com mais de 62 mil alunos freqüentando o ensino fundamental de 1.ª a 8.ª série. Temos 3.041 professores índios, espalhados em 1.666 escolas e que cursaram, com dificuldade, o 1.º e o 2.º graus. São considerados professores leigos porque lecionam sem diploma universitário.

Os ingressantes à Unemat são, na maioria, professores em suas aldeias. Dos aprovados, 167 são homens e as idades variam de 18 a 56 anos. As aulas serão sempre em julho, janeiro e fevereiro, meses de férias escolares. Depois de cinco anos serão formatos em Matemática, Ciências Sociais e Português. Professores de outras universidades, como USP, Unicamp, Puccamp, UFRJ e UFPR, darão, para os índios, aulas em português.

Na passagem dos conteúdos, a universidade vai dialogar com os índios, relacioná-los à cultura indígena, na caracterização da pluralidade cultural e na contextualização do currículo. A metodologia privilegia o debate intercultural. Na redação do vestibular, os candidatos dissertaram sobre a vida dos índios, realidade vivida por eles.

No País, menos de 100 alunos têm acesso ao ensino superior. O Estado de São Paulo, ainda fica no magistério. Pela estatística, há 700 crianças índias, de 7 a 14 anos, tendo aulas com instrutores leigos e em salas de aula em precárias condições. No Amazonas, há 649 escolas, a maioria de madeira, em situação lastimável. É a imagem de um Brasil pequeno, vôo de tico-tico, longe do condor!

Muitos Estados ainda não se acordaram para a educação indígena, em todos os níveis.  O  Estado  do Paraná,

através da Assembléia Legislativa, aprovou, em abril p. passado, uma lei que destina 15 vagas nas universidades estaduais para índios paranaenses. Mas, eles estudarão com os brancos.

Universidades indígenas, que ofereçam cursos como de medicina, enfermagem, agronomia e direito, levarão, ainda, um bom tempo para existir, de oito a dez anos, calcula-se.

Desde 1991, a responsabilidade pelo ensino das tribos passou para o Ministério da Educação. Era da Fundação Nacional do Índio. A legislação prevê que o ensino deve ser feito, preferencialmente, por índios e que até 2007 todos os professores, dos ensinos fundamental e médio, incluindo os professores indígenas, devem ter diploma universitário. O curso universitário para os índios acaba de ser criado, o que faz concluir que para eles essa é uma realidade que se posiciona longe.

O estímulo a uma política educacional para o povo indígena teve um bom suporte, com a elaboração do Parâmetro Curricular Nacional das Escolas Indígenas, pelo Ministério da Educação (MEC), lançado em 21 de maio de 1998. Com esse referencial, as escolas das aldeias passaram a ter, desde 1999, currículos próprios, valorizando sua cultura. Até então, buscava-se apenas civilizar, integrar os índios à sociedade, deixando de preservar e valorizar as suas diferentes culturas.

O parâmetro curricular alia o ensino das matérias tradicionais à discussão de temas de interesse das comunidades, como a organização e direitos das nações indígenas no Brasil. Pela proposta do MEC, o ensino da língua portuguesa deverá ser simultâneo ao da língua indígena local. Na Matemática, além do tradicional estudo de números e operações, o aluno lidará com os sistemas numéricos usados pelos diferentes povos indígenas e pela sociedade em geral, para facilitar sua comunicação. Na geografia, a proposta é partir do espaço geográfico onde vive o aluno para ajudá-lo a entender sua localização no Brasil e no mundo. Na educação física, o aluno deverá conhecer desde os jogos e brincadeiras tradicionais de sua tribo, até as práticas esportivas brasileiras e internacionais.

O índio necessita preservar sua auto-estima, orgulhar-se de sua descendência, não negar sua condição de índio, reabilitar-se perante a sociedade. Ele não pode perder o seu arraigado sentido de grupo, devendo a escola saber conciliar tradição e modernidade.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2001)

FRATERNIDADE E EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Relendo o texto “Fraternidade e Educação”, lançado pela Igreja católica, na Campanha da Fraternidade, há três anos, voltei à riqueza da informação, sua atualidade e interação. Comento-o, parcialmente, aos prezados leitores, que podem tomar conhecimento do texto-base, através das livrarias Paulinas, Vozes ou Loyola.

Há 38 anos, a Igreja católica, no seu ideal de fraternidade, criou, a cada quaresma, a Campanha da Fraternidade. Desde então, todo ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) oferece, no período da quaresma, uma questão problemática da atualidade à reflexão e à ação dos católicos.

No período da quaresma de 1998, a Igreja selecionou, para a Campanha da Fraternidade,  o tema “Fraternidade e Educação”. O desgastado diagnóstico da falência do ensino público, as revelações estatísticas da miséria e seu aliado, o analfabetismo, inspiraram o lema da campanha, cujo enunciado traduz, por si só, o conteúdo nele contido: “Educação a serviço da vida e da esperança”.

O então presidente da CNBB, cardeal-arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Lucas Moreira Neves, disse: “Nossos legisladores e governantes, no âmbito nacional, estadual e municipal, são os primeiros a reconhecer que o item educação constitui uma inveterada e, até agora, incurável ferida no flanco desta nação”.

Essa campanha move-nos pela visão abrangente, realista que traz da educação, pelos aspectos complementares que situa para a educação escolar. Seguindo a linha humanitária do educador, que honra sobremaneira nossa terra, Paulo Freire, a Igreja clama por uma educação alicerçada no amor, na consciência social, na justiça, na verdade. Clama por uma educação que espalhe a sementeira pródiga das virtudes essenciais do Homem, as únicas capazes de levá-lo à plenitude de suas realizações. Promove um verdadeiro processo de construção coletiva na área humana e social. Chama a atenção para os oprimidos, para os marginalizados e para o grande número de analfabetos.

Alerta-nos para o fato de estarmos juntos, buscarmos juntos respostas amenizadoras da desigualdade social. A situação presente e as perspectivas para o futuro devem merecer a preocupação de todos. Preocupação que deve viger pelo tempo que perdurar a dolorosa “via crucis” que percorre o analfabeto brasileiro.

A Campanha da Fraternidade coloca-nos num questionar filosófico, no qual as respostas nunca são fechadas, acabadas, mas respostas que abrem alternativas de soluções. Respostas a questões, por exemplo, de como auxiliar crianças e jovens a encontrar significado na educação, na família, no mundo, de como podemos contribuir para a formação de uma cidadania ética e responsável no contexto em que se vive?

A doutrina social da Igreja sempre se baseou na filosofia da solidariedade, a serviço do agir. Não quer se limitar a “uma atitude de simples observadora ou fiscal da realidade nacional”. Quer uma filosofia em função do agir: “O agir requer o engajamento pessoal e organização de forças coletivas”. Essa filosofia prioriza o ser humano, toma o termo educar no seu sentido etimológico: o verbo e-ducere, que quer dizer tirar do indivíduo a pessoa humana que está dentro de si, em latência. O educador deve trabalhar a criança não apenas de fora para dentro, quando, pelo conhecimento, ele vai polir uma pedra bruta, mas, especialmente, de dentro para fora, quando, pelo desenvolvimento do senso religioso, ele vai sedimentar a cultura da alma.

A filosofia da educação, abraçada pela Igreja, quer a educação formal, sistemática, ministrada na escola em seus diversos graus, caminhando lado a lado com a educação informal, recebida, de maneira assistemática, na família, na Igreja, no convívio social. A Igreja, em sua metodologia avançada, vê na educação informal o grande veículo do desenvolvimento das faculdades formadoras do caráter, da virtude. Essas características, por sua vez, irão formar a consciência, moral e religiosa, do indivíduo.

A Igreja não subestima a educação institucionalmente organizada; valoriza-a, sabe ser ela importante para a humanidade, para se chegar a um estágio superior do conhecimento, ultrapassando as barreiras do nefasto analfabetismo. Essa educação é, sem dúvida, a grande coadjuvante da eliminação da pobreza e o grande suporte à realização profissional. Nesse sentido, a Igreja católica luta por uma educação democrática, universal, gratuita, de boa qualidade, conforme reza a Constituição. Luta por uma democracia que venha de encontro à cidadania; uma democracia capaz de cumprir as finalidades para as quais foi instituída, porque, por vezes, sentimos como se existisse democracia para ser servida e não o contrário.

O homem se completa na junção da instrução e da formação. A instrução é de responsabilidade da escola; a formação é, especificamente, responsabilidade da família: “A educação vem do berço”. Porém, em ambas, há uma inter-relação de comunicação e de responsabilidade: a escola, na sua função social, reforça e complementa a formação do educando e a família fornece-lhe, na prática diária, os conhecimentos necessários e úteis à sua ação rotineira.

Um dos pilares de sua conceituação é de que a educação não se restringe à escola; é papel, também da família. Assistir a família, dar-lhe condições de sobrevivência digna, esperançosa de dias melhores é o grande apostolado. Os bispos, conscientes da problemática social, perguntam-se: “Como é possível neste contexto crescente de miséria, insegurança, instabilidade, ausência de pai ou de mãe, garantir aos filhos e às filhas as bases de uma personalidade equilibrada e segura, de uma educação adequada e os horizontes de uma vida digna, participativa e de esperança?”

DA NECESSIDADE DE UNIÃO DE FORÇAS – A doutrina da Igreja incentiva o diálogo permanente com a sociedade, promove o encontro dos diversos setores de atuação que têm, até, acepções diferentes, mas, enriquecedoras de uma mesma realidade. “Igrejas, comunidades, movimentos sociais, ONGs, associações, sindicatos, partidos políticos, exercem uma ação educativa na medida que (...) as pessoas têm voz, aprendem a participar, a relacionar-se com os outros, a valorizar o trabalho em comum, a procurar a cidadania...”

O documento da Campanha da Fraternidade apresenta um trabalho primoroso de levantamento estatístico: nível de escolaridade de crianças e jovens, analfabetismo, com uma descrição singular sobre o novo perfil dos analfabetos funcionais, investimentos na educação, salário dos professores e outros.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2000)

O EXAME VESTIBULAR

Izabel  Sadalla  Grispino *

O exame vestibular continua sendo o grande processo de seleção ao ensino superior, o que responde, ainda, pela formação de calouros nas universidades públicas. É um processo que acaba por discriminar as classes populares, revelando o desnível existente entre a boa e a má educação.

O vestibular já se firmou como a oportunidade dos bem-nascidos, como o trampolim da elite para o melhor do ensino superior. Ele se constitui na última etapa de uma seleção que começou bem antes, na aprendizagem das primeiras letras. Seu afunilamento é preenchido por alunos que receberam a melhor educação, que freqüentaram a melhor escola. Ele é um termostato de todo o conhecimento adquirido anteriormente. Não é, pois, o 3.º ano do ensino médio, ou o próprio ensino médio que aprova ou reprova o candidato no vestibular. Ele, também, não é uma tentativa tão aleatória, como querem alguns, chegando a classificá-lo como um jogo de sorte ou de azar. A um professor do 3.º ano do ensino médio não é difícil prever quem passará na 1.ª tentativa, quem conseguirá na 2.ª e quem nunca chegará lá.

A “Folha de S. Paulo”, em 1999, denunciava o fracasso dos estudantes da rede pública no vestibular da Fuvest. Nesse vestibular, a rede pública teve o pior desempenho da USP. O perfil socioeconômico, traçado pela FUVEST, que faz levantamento de dados desde 1977, mostra que a grande maioria dos alunos freqüentou escola particular e pertence à classe média/alta e que os alunos da rede pública estão desaparecendo da Universidade de São Paulo. Em 1977, 57,3% dos novos alunos vinham da rede pública e 29,3% das escolas particulares. No ano de 1999, 62,4% dos calouros cursaram o 2.º grau em colégios privados e apenas 20,7% não pagaram pela educação secundária.

A queda tem sido gradual e contínua. Os resultados dos últimos 5 anos são preocupantes, em termos de probabilidade de extinção desse alunado na USP – tal o grau de decadência do ensino público. Entre 1993 e 1998, houve uma queda de 12 pontos percentuais; alunos vindos de escolas públicas passaram de 32,5% do total de novos alunos para 20,7%. Presentemente, o alunado que sai da escola particular entra na universidade pública; o que sai da escola pública só consegue entrar na universidade particular. Um contra-senso. Uma distorção da realidade socioeconômica da população, provocada pela desigualdade cultural. Nessa conjuntura, escola particular tornou-se, praticamente, “pré-requisito” para entrar em uma universidade pública e esta – a melhor do País, a que oferece melhores empregos do mercado de trabalho – fica reservada aos ricos.

Há, ainda, um outro ponto a considerar nesta desigualdade. Investe-se no ensino fundamental, o que é muito louvável e caracteriza um avanço, mas deixa-se no vazio a educação infantil, denominada de pré-escola. É, aí, nesta fase inicial de estimulação às primeiras aprendizagens que se inicia a grande defasagem cultural das classes menos favorecidas. É aí, nesta faixa etária, que as crianças de famílias de baixa renda ficam, costumeiramente, de fora.

A pré-escola sociabiliza, desenvolve mais habilidades, melhora o desempenho escolar futuro, propiciando à criança resultados superiores ao chegar ao ensino fundamental. A educação infantil é o verdadeiro alicerce da aprendizagem, aquela que deixa a criança pronta para aprender. A ausência desse ensino, pelas crianças pobres, completa o ciclo da desigualdade escolar dessas crianças, futuros adultos, futuros concorrentes à marginalização profissional.

Felizmente, a preocupação com a pré-escola começa a ganhar força na área governamental. Em São Domingos, capital da República Dominicana, de 10 a 12 de fevereiro do ano 2000, realizou-se, com a participação de representantes dos ministérios da Educação da América Latina e do Caribe, além dos Estados Unidos e Canadá, a “Reunião das Américas para Avaliação da Educação para Todos”. O documento “Marco de Ação Regional”, elaborado por técnicos da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e do Banco Mundial, sintetizou as decisões, nas quais foi ressaltado o investimento na pré-escola, considerado como a nova prioridade em todas as ações educacionais nas Américas. O documento concluiu que a “insuficiente atenção ao desenvolvimento integral das crianças na 1.ª infância era o principal responsável pelas “altas taxas de evasão e repetência” na escolaridade básica. A prioridade de investimentos na pré-escola deve ser a 1.ª, dentre as outras, por garantir o direito universal de uma “educação de qualidade desde o nascimento”.

Considerou-se que os investimentos   devem contar com ampla participação social que assegure a transparência e devem ser descentralizados. Os governos aceitaram, também, o compromisso de que “os docentes têm lugar insubstituível na transformação da educação”. O uso dos novos recursos didáticos e tecnológicos na Educação não substitui o professor. A Unesco mostrou preocupações com a melhoria da formação docente, considerando que a valorização da profissão docente está associada à “melhoria das condições de vida e trabalho” do educador. Ainda, pelo documento, os governos assumiram o compromisso de “converter políticas assistencialistas em políticas de promoção de capacidades das pessoas”. O que seria extremamente louvável, pois deslocaria da escola o foco assistencialista, passando para o da competência.

Enquanto persistirem, em grau significativo, as desigualdades educacionais, acarretando desigualdades sociais, permanecerá, com raras exceções, a elite no comando do País. Perpetua-se no poder, desde a época imperial, apesar da propalada democracia, a classe abastada, dominando pelo dinheiro e pela cultura.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2001)

DESPERTANDO-SE PARA A CAUSA DO DEFICIENTE

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade começa a despertar-se para o diferente. Uma nova postura, um novo olhar se descortina para os grupos minoritários, mesmo porque não se pode penalizar as pessoas por suas deficiências, pela cor de sua pele ou por sua origem étnica. Tem que haver a “discriminação positiva”, isto é, a criação de normas favoráveis às minorias.

Os diferentes galgam, aos poucos, conquistas significativas, como o maior acesso ao trabalho e à educação especializada. Pessoas cegas, mudas, surdas, deficientes mentais ou físicos, conquistam a cidadania, incluindo-se favoravelmente na sociedade. Avanços são notados, como a criação de cursos de informática dirigidos aos deficientes, o aumento, segundo levantamento de dados em 16 cidades, de 475% no número de deficientes empregados, a construção em São Paulo de 108 rampas de acesso e o aplaudido bicampeonato mundial de futebol para cegos, atividade comprovando que habilidades independem da visão.

A informática tem se revelado um instrumento valioso na inclusão social, por facilitar a comunicação e o aprendizado. Há um curso oferecido pela organização não-governamental Transformar Associação para o Desenvolvimento do Portador de Deficiência, com o apoio da empresa Convergys e Metodologia do Comitê para Democratização da Informática (CDI), onde 15 crianças e adolescentes com disfunções neuromotoras participam da Escola Especial de Informática, que se formou pela parceria instituída com a organização. O número de participantes vem crescendo e para o ano de 2003 serão 30, conforme afirma a presidente da Transformar.

Outros comportamentos, a favor do deficiente, vêm surgindo na esfera social. A legislação determina às empresas, com mais de 100 funcionários, a contratação de 2% de deficientes. Em Osasco, a fiscalização para a aplicação da lei registrou em 16 cidades da região de Osasco, através da Subdelegacia Regional do Trabalho, um número recorde de 1.710 trabalhadores portadores de deficiência no mercado regional. Em empresas com mais de mil empregados, o percentual é de 5%.

Mas, o que se depara, conforme confirma o coordenador do Centro de Cidadania, Carlos Aparício Clemente, é que os números escondem uma falsa realidade: “A lei não define o nível de deficiência, as empresas contratam pessoas com deficiência auditiva leve como se fossem surdas”.

Também merecem ser citados um curso de pesca amadora, dedicado a pessoas surdas, e um novo site da Associação de Desporto para Deficientes (ADD), o www.add.org.br, que é uma grande fonte de informação sobre deficientes brasileiros. Um outro fato, são as condições de acessibilidade às lojas da maior rede de varejo do País. O grupo Pão de Açúcar lançou, em suas 505 lojas, o selo de acessibilidade, símbolo universal de acessibilidade, que garante autonomia e comodidade para a circulação de pessoas com deficiência.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), com professores traduzindo a linguagem de sinais, ofereceu à Escola de Educação Especial Hellen Keller um curso para 80 garotos surdos, de 4 a 16 anos, de pescadores amadores. Esse curso iniciou um programa que vai se estender por todo o País. Ensina-se a pescar e a não provocar danos ao meio ambiente, como, por exemplo, não jogar lixo na rua, porque esse lixo acaba chegando aos rios, poluindo suas águas e deteriorando a carne do peixe.

Apesar das conquistas obtidas, há ainda muito o que fazer para que o grupo de deficientes, 14,5% da população – cerca de 24,5 milhões de pessoas – conquiste uma melhor cidadania. Quebrar as barreiras do preconceito é a grande caminhada. Os empregadores os vêem como alguém de baixa capacidade de resolução de problemas, mas, por avaliação, os deficientes, quando bem orientados, desenvolvem um trabalho de forma capaz. Rendem como qualquer outra pessoa. Falta-lhes igualdade de oportunidades e condições apropriadas, como as construções arquitetônicas representadas por prédios sem rampas, a dificuldade de transporte, principalmente em ônibus, e a falta de  clareza na legislação, são os grandes obstáculos das pessoas com deficiência.

O que se espera é que as leis definam os critérios de deficiência, para adequá-los convenientemente à realidade. Há conquistas por parte dos deficientes, que nos orgulham e nos animam à contribuição. Conquistas que confirmam o seu potencial, a excelente performance em atividades de várias naturezas. No futebol, por exemplo, a seleção brasileira de cegos destaca-se com dois títulos mundiais e disputou, invicta em 2002, o III Campeonato Mundial.

Mizael Conrado, de 25 anos, cego desde os 13, foi considerado o melhor jogador de futebol de 2001. O futebol para cegos é jogado com guizos na bola e os atletas usam vendas para evitar a vantagem dos que ainda têm um pouco de visão.

É salutar envolvermos com a causa do deficiente, formando fileiras, núcleos de ajuda, para o desenvolvimento de sua auto-estima, advinda, principalmente, da realização de suas potencialidades.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em janeiro/2003)

A GESTÃO ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

A gestão escolar vem, cada vez mais, se ressaltando dentro da organização da escola. A qualidade da gestão tem respondido pelo bom desempenho dos alunos.

Economistas de renome, como Naércio Menezes Filho, da USP e do Ibmec, cruzando os dados dos resultados do último exame do Sistema Nacional da Avaliação da Educação Básica (Saeb) e da Prova Brasil, constataram que alunos tiveram o mesmo desempenho, apesar da expressiva diferença na quantidade de recursos destinados ao setor educacional entre os municípios analisados.

Muitos municípios, por terem uma gestão eficiente, mesmo gastando pouco, obtiveram mais retorno no investimento dado à educação que municípios que gastaram mais, tendo, porém, escolas mal geridas. Conclui-se, assim, que o desempenho escolar não é determinado apenas pelo orçamento, mas, principalmente, pela eficiência na administração das escolas. Conclui-se da necessidade de uma profissionalização da gestão, com cobranças de resultados. De um gerenciamento, que acompanhe e monitore o processo educacional, levando à elaboração, pela unidade escolar, de projetos que definam o que os alunos devem aprender.

Pesquisadores educacionais pronunciam-se por uma definitiva profissionalização na gestão escolar para se chegar a uma necessária revolução da educação Querem passar, entre os educadores, a idéia de que a educação é um serviço e que seus representantes devem prestar contas de seus resultados.

Reforçam o conceito de que um dos graves problemas da educação é a falta de gestão. Com isso, chamam a atenção da gestão escolar obtida na base da meritocracia e nunca pela indicação de partidos políticos, de lideranças comunitárias, ou de sindicatos, como acontece em muitos municípios.

A função de gestar deve recair, necessariamente, em profissionais capacitados. A qualidade da gestão escolar tem sido responsável pela melhora na apresentação de projetos escolares, na elaboração de plano de metas.

Uma gestão compartilhada entre escolas e secretarias de educação é capaz de refletir mudanças significativas no resultado da educação. Cada escola, dentro de sua autonomia, elabora seu projeto, definindo o que os alunos devem aprender. Não se trata mais de conduzir o ensino, seguindo apenas o livro didático e ensinar o que o professor acha que deve ser ensinado. É apoiar-se na necessidade do grupo-classe e conduzir a aprendizagem estabelecendo metas e ações.

Toda mudança na escola deve vir acompanhada de opiniões dos pais dos alunos, deve, com eles, ser discutida e concluída. A importância da participação da comunidade, na definição dos rumos da escola, é um aspecto bastante considerado na moderna gestão escolar. Outros aspectos, como o uso racional dos recursos e a melhora no desempenho do aluno, fazem parte de um plano, onde entram conselhos gestores das escolas.

Tenta-se, por diversos caminhos, desvendar o fracasso do sistema educacional, na mira de mudanças.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2007)

PROFESSOR , UM AMIGO

Izabel Sadalla Grispino *

Sentado em sua mesa de trabalho, atolada em papéis, os olhos cansados do mestre não conseguiam  enxergar para  além do prédio escolar. A montanha de papéis impedia a visão da flor por ele plantada.

Parou, por um instante, de trabalhar e passou a cismar. No seu imaginar, ele via um bosque florido, com águas cristalinas, pássaros revoando e lindas crianças brincando. Eram crianças loiras, morenas, olhos azuis ou castanhos, de trajes elegantes, engomados. Era o vale do sol das crianças bem nascidas e que, no amanhã, se tornariam os adultos bem posicionados na sociedade. O bosque lhes pertencia, não por herança de família, mas, por herança cultural e econômica. Eram elas quem iriam, no futuro, comandá-lo.

Essas crianças, filhos da classe dominante, estavam sendo preparadas para perpetuar, na sociedade, o “status quo” reinante. Os portões do bosque ficavam trancafiados, só se abrindo para os privilegiados.

Passaram-se longos e longos anos e a situação permanecia a mesma. Um dia, veio a redenção e timidamente os portões foram se abrindo para os mais necessitados. As crianças pobres, brancas e negras, carentes e maltrapilhas, foram pedindo licença e tentando entrar. Com passos lentos, incertos, buscavam a luz do vale. Mas, essa luz demorava a chegar e mesmo estando no bosque se deparavam com a escuridão, com o abandono.

A diferença cultural as afugentava, as eliminava do bosque, que, em obediência à tradição, continuava a cuidar dos mais abastados. Depauperadas, desnutridas, não conseguiam alcançar a agilidade e o conhecimento dos colegas ricos e do bosque se evadiam, continuando sua peregrinação de excludentes sociais.

Contudo, com o entrelaçamento das classes sociais, o bosque adquiriu uma outra identidade e, com isso, as crianças ricas foram se deslocando, indo para outras paragens, formando novos bosques iluminados, novos vales do sol.

O bosque tornou-se reduto da maioria pobre; porém, o bosque, fiel a seus hábitos seculares, continuava preso ao passado, programando-se para uma elite, agora, inexistente. Continuava a manter um perfil de atendimento caracterizado por uma alta seletividade. Abrindo-se para as classes populares, o bosque não se reformulou para atender a uma população diferente da que estava acostumada a receber. Não ponderou sobre a mudança da clientela, ficando, assim, desajustado, desajustando as pobres crianças.

Nessa altura, o professor saiu do seu sonho, voltou à razão. Levantou-se da cadeira e passou a caminhar desolado. Foi, então, interpelado por uma criança pobre que lhe estendeu a mão e esperou a sua. Olhava o professor com olhos interrogativos, interpretados assim pelo professor: “Ajude-me, mestre, a transpor o imenso obstáculo que advém de minha pobreza, da dificuldade que  sinto diante do aprender, da imensa dificuldade que têm meus pais em me mandar à escola. Ajude-me a participar da vida do vale, não como pária, como marginalizado, mas como um cidadão ativo, responsável e capaz.

Um estalo de consciência lampejou a mente do mestre e tocou seu coração. Entendeu o sentido de uma educação ministrada com solidariedade e eqüidade social. Entendeu a pedagogia do oprimido de Paulo Freire. Conseguiu compreender a função social da escola, o grande Destino que sua missão lhe confere, na transformação do mundo, na formação de uma sociedade mais igualitária, mais humana, menos injusta.

Abraçando a redenção, rendeu compromisso com a pobreza. Sua convicção contagiou seu colega, e esse a outro e juntos decidiram escalar a montanha de papéis e permitir que todas as crianças cheguem ao vale do sol.

O professor é um eleito, um escolhido, um ser especial. Só ele tem em suas mãos a força de lançar a semente e fazê-la germinar tanto em crianças pobres como em ricas, promovendo o progresso social, estruturado não no autoritarismo, não na luta desigual, mas na igualdade, na caridade e na fraternidade cristãs.

Não podemos anular pedagogicamente o direito social à educação. “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda” – Paulo Freire.

O professor  precisa assumir sua função de agente da transformação social, diminuindo a distância entre o que diz e o que faz. Se a escola é determinada socialmente, é também, ao mesmo tempo, determinante social e será tanto mais transformadora quanto mais competente e mais solidária for sua atuação. Ao tornar o ensino acessível à maioria da população, a escola contribui efetivamente para a democratização da sociedade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2002)

VÍNCULOS ENTRE EDUCAÇÃO E POBREZA

Izabel Sadalla Grispino *

O estudante brasileiro de baixa renda tem no estudo seu passaporte para o mercado de trabalho, o qual consegue somente através de bolsas de estudo. Financiar os estudos dos estudantes carentes é lutar pelo desenvolvimento social da nação.

O jovem pobre, hoje, é consciente da necessidade de se freqüentar um curso superior para melhorar de vida. O Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ), divulgado em março de 2004, revela, surpreendentemente, que, ao contrario do que se fala, o jovem brasileiro gosta de trabalhar, quer estudar e luta para conseguir trabalho e conciliá-lo com os estudos.

Políticas afirmativas vêm surgindo, cada vez mais, nos meios educacionais. A educação começa a criar vínculos com a pobreza. A Universidade de São Paulo (USP), como alternativa à política de cotas para ingresso ao ensino superior, vai implantar um cursinho pré-vestibular gratuito. Deverá ser inaugurado em 1.º de julho do corrente ano, na zona leste da capital, uma das áreas mais carentes de São Paulo. Serão oferecidas 5 mil vagas para alunos da escola pública da região. As aulas do cursinho pré-vestibular e as apostilas serão supervisionadas por professores da USP, dadas por alunos da USP, que receberão capacitação e bolsa em dinheiro. O cursinho irá reforçar as 9 disciplinas do ensino médio e as aulas devem ser dadas em salas ociosas da rede estadual de ensino. A Secretaria Estadual de Educação entrou como parceira da USP, financiando o projeto.

Outra medida de ajuda da USP será a concessão, ainda para este ano, de 60 mil inscrições da taxa de vestibular da Fuvest para estudantes de baixa renda. No ano passado foram oferecidas 20 mil.

O cursinho pré-vestibular será de grande valia, porque irá socorrer alunos oriundos da rede pública, de um sistema de ensino decaído; alunos sem condições de pagar cursinhos particulares. Cinco mil vagas é um número insuficiente, o Educafro atende 9 mil alunos carentes, mas é, sem dúvida, uma iniciativa, um primeiro passo que será, certamente, seguido de outros. A tendência é crescer.

A formação de um cursinho pré-vestibular comunitário foi a alternativa que a USP encontrou, diante da política de cotas que o Ministério da Educação tenta implantar. A USP prefere ajudar na formação dos alunos do ensino médio, nas deficiências curriculares desse ensino, que aceitar aluno sem qualificação para os seus cursos, o que iria desestabilizar o seu padrão de ensino. Essa convicção foi reforçada após a primeira lei de cotas destinadas aos alunos da rede pública, aprovada pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, em 2000. Na ocasião, os professores das universidades estaduais exigiram que se implantasse um Sistema de Acompanhamento do Desempenho dos Estudantes do Ensino Médio paralelo. Instituiu-se uma prova e os alunos que obtivessem conceitos D e E não poderiam pleitear a inclusão nas cotas. Em outubro de 2002, foi feita a primeira avaliação e 42,2% tiveram conceito E – menos  de 20% de acertos na prova – e 34%,  conceito D – menos de um terço de acertos na prova.

A avaliação preliminar às cotas mostrou uma precária formação, incapacitada à freqüência de uma universidade pública. Entendeu a USP que a desigualdade social não se corrigirá através de cotas e, sim, por melhorias no ensino público.

Ainda sobre o debate de cotas, o reitor Adolpho José Melfi revelou números do vestibular da USP de 2003, que mostram não ser apenas a origem racial ou pobreza os impedidores do ingresso à universidade. Entra aí, com peso considerável, a escolaridade dos pais. 34% dos inscritos no vestibular eram alunos do ensino médio público. Entre os aprovados, o índice foi de 18%. O que chamou a atenção foi o fato de, nesse montante, apenas 2% dos aprovados ter renda familiar mensal per capita inferior a R$ 500,00. Candidatos que conseguiram ingressar nas melhores universidades, tanto estaduais com federais, geralmente, têm pai e mãe com curso superior completo. Em alguns cursos, a porcentagem chega a 80% dos aprovados.

Esses dados vêm comprovar como o ambiente cultural interfere diretamente na aprendizagem do aluno. Analistas sociais citam a baixa escolaridade dos pais como forte fator de exclusão social, sobrepujando a faixa de renda familiar.

Quando se fala em baixo nível de escolaridade, a qualidade de vida surge como espelho refletor da realidade. Fatores culturais empobrecidos geram nível de ensino empobrecido. O ambiente cultural nativo tem peso considerável no desequilíbrio social. Que se arregimentem forças na ajuda ao aluno carente, seja por financiamentos, por bolsas de estudo, vagas estatizadas, vagas oficiais, cursinhos pré-vestibulares, isenção de taxas de inscrições ao exame vestibular, ou por outros mecanismos que venham facilitar o aluno pobre a estudar.

Que esses estudantes não sejam eles os pais, sem curso superior, a interferir negativamente na boa aprendizagem de seus futuros filhos. Que a médio prazo possamos reverter esse quadro, substituindo-o por um mais iluminado panorama educacional. Uma forte corrente de motivação deve percorrer os estratos mais pobres da população, provocar um renascimento, não deixando que o aluno pobre, ao concluir o ensino médio, pratique um ato de renúncia, de auto-exclusão. Esse aluno eleva sua autoconfiança quando percebe viabilizado economicamente o seu ingresso ao ensino superior.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2004)

NOVAS EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Atualização constante, reciclagem de conhecimentos, experiências educacionais em sintonia com as mudanças mundiais, são pré-requisitos para uma segura atuação docente.

A educação básica tem se preocupado cada vez mais com a educação integral. Na educação infantil, fase da formação do caráter, o ambiente escolar é focado na educação. Garantem-se todos os direitos da criança, especialmente o de brincar. Brincando, ela vai aprendendo regras, noções de ordem, espaço. Torna-se mais independente, sabe escolher e é mais sociável.

Escolas há que vêm adotando novas propostas educacionais. Nelas só se ouve, praticamente, a voz dos alunos. Entendem que o professor não precisa levantar o tom de voz para falar a uma criança. Ela compreende o que se quer dizer quando se fala olhando diretamente nos olhos. Nessas escolas, apesar de bem pequenas, as crianças não andam em filas, não sentam em carteiras enfileiradas e não são obrigadas a desenvolver nenhuma atividade que não queiram. Primam pela individualidade e independência. Contudo, observa-se que as crianças respondem prontamente aos chamados, o que, geralmente, são convites para atividades agradáveis, programadas.

Os estímulos para a aprendizagem estão por toda a parte, desde as pinturas no chão, até as cestas de lixo. A criança vai adquirindo visão das coisas, de modo mais saudável, mais ordeira. Elas se encarregam de transmitir à família, aos pais, conceitos adquiridos na escola, como, por exemplo, costumam chamar atenção quando alguém joga papel na rua ou quando alguém fala palavrão. A criança é um grande veículo de educação na comunidade.

As escolas trabalham muito integradas com os pais. A pintura dos desenhos do chão é, por exemplo, mudada periodicamente e os pais oferecem-se para fazer retoques, assim como participam diretamente de outras atividades.

Ultimamente, vem-se notando que os pais estão ficando cada vez mais dependentes da escola. Eles delegam à escola parte da responsabilidade que são deles e o reflexo dessa transferência é o aumento da procura pelo ensino em período integral. O que parece é que eles dão excesso de liberdade aos filhos, necessitando, depois, de freios externos. Outros não sabem como lidar com certos problemas, como o das drogas e necessitam da ajuda da escola.

É preciso que os pais se conscientizem de que a escola tem um papel complementar na educação de seus filhos, embora faça parte de seu papel discutir sexo, drogas, cidadania, valores morais, respeito ao meio ambiente...

Uma pesquisa realizada pelo Sistema Anglo de Ensino, no fim de agosto do corrente ano, com pais de alunos matriculados em escolas de educação infantil, até em cursinhos do País todo, revela que os pais querem uma escola disciplinadora, que discuta todo tipo de assunto com seus filhos, em especial as drogas. O estudo foi realizado com 16 mil famílias de classes A e B que têm filhos em escolas particulares e mostra essa dependência dos pais às escolas, fato que os educadores e psicólogos já haviam constatado na prática.

Quando questionados, em três itens principais, sobre o que os levariam a mudar o filho da escola, a resposta, em ordem decrescente, foi: a) problemas com drogas (68,9%), b) o aumento das mensalidades (43,8%) e c) o pouco rigor na disciplina (32,4%). Sobre as características mais importantes que os levariam a escolher uma escola, os pais colocaram, em primeiro lugar, o bom ensino e os bons professores (74,1% das respostas), em segundo, um “método moderno” (50,4%) e, em seguida, a mensalidade adequada ao orçamento (35%). Segundo o Sieesp, a mensalidade média, na rede particular em São Paulo, gira em torno de R$ 500,00.

Os pais ao serem consultados sobre o que esperam da escola com relação às drogas, deram as seguintes respostas: 71,6%, orientação e campanhas de combate ao uso; 64,5%, fazer parcerias para programas de prevenção; 27,9%, repelir duramente e 3,4%, não deve tratar do assunto.

Uma outra séria questão diz respeito à orientação de prevenção, para crianças de 4 a 6 anos, à aids e a doenças sexualmente transmissíveis. Até pouco tempo, discutia-se a viabilidade de tal precocidade, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) já aplica este novo modelo no Canadá, na Holanda, na Dinamarca e em Cuba, como medida de proteção à saúde, desde a educação infantil.

No Brasil, há uma proposta nesse sentido, quando, pela primeira vez, ela está sendo discutida pelos Ministérios da Saúde e da Educação, com o objetivo de criar uma política nacional de promoção à saúde nas escolas, que iria da educação infantil ao ensino médio. Entende-se que prevenção envolve o desenvolvimento, desde a infância, de competências para a vida, o que a OMS chama de life skills, como assertividade, auto-estima, capacidade de negociação, relações de gênero. Entende-se que prevenção a DSTs, aids e uso abusivo de álcool e outras drogas não pode se limitar à adolescência e deve ir além da abordagem específica desses assuntos.

As crianças que interiorizam esses conceitos desde cedo têm, segundo os especialistas, mais chances de chegar à adolescência menos vulneráveis. Para a consultora do Ministério da Saúde, Marina M. Valadão, “só se deve falar diretamente em camisinha, droga e aids para crianças de 4 anos se elas perguntarem. E elas perguntam e muito; estão sendo bombardeadas com mensagens erotizadas na TV e nos outdoors”. Como os pais não falam com facilidade de drogas e sexualidade, sobra para a escola abordar esses assuntos.

Para transmitir essas orientações, o Ministério da Saúde fornecerá aos professores, que lecionam desde a educação infantil, a partir de janeiro, amplo material de apoio, onde “aparecem sugestões de atividades específicas para estimular nos alunos formas de pensar que, no futuro, poderão se traduzir em prevenção”. O Ministério da Saúde vem buscando integrar-se ao MEC, para ilustrar conjuntamente os professores.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2003)

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

O mundo todo desperta-se para a importância da educação infantil. Até pouco tempo atrás esse ensino era tido como de menor importância.

Hoje, sabemos que a estimulação precoce das crianças contribui e muito para o seu aprendizado futuro. Desenvolve suas capacidades motoras, afetivas e de relacionamento social. O contato das crianças com os educadores transforma-se em relações de aprendizado.

Uma outra concepção é o desenvolvimento da autonomia, considerando, no processo de aprendizagem, que a criança tem interesses e desejos próprios e que é um ser capaz de interferir no meio em que vive. Entender a função de brincar no processo educativo é conduzir a criança, ludicamente, para suas descobertas cognitivas, afetivas, de relação interpessoal, de inserção social. A brincadeira leva a criança ao conhecimento da língua oral, escrita, e da matemática.

Acompanhando a implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o Ministério da Educação (MEC), com o objetivo de assessorar as escolas, elaborou referenciais para um ensino de qualidade da educação básica, os chamados Parâmetros Curriculares Nacionais.

Os Parâmetros não têm caráter obrigatório e servem de orientação às escolas públicas e particulares. Os Parâmetros, assessorando a competência profissional, contribuem para a elaboração de currículos de melhor nível, mais ajustados à realidade do ensino.

Os “Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Infantil” propõem critérios curriculares para o aprendizado em creche e pré-escola. Buscam a uniformização da qualidade desse atendimento. Os Parâmetros indicam as capacidades a serem desenvolvidas pelas crianças: de ordem física, cognitiva, ética, estética, afetiva, de relação interpessoal, de inserção social e fornecem os campos de ação. Nesses campos são especificados o conhecimento de si e do outro, o brincar, o movimento, a língua oral e escrita, a matemática, as artes visuais, a música e o conhecimento do mundo, ressaltando a construção da cidadania.

O então ministro da Educação, Paulo Renato Souza, ao se referir aos Parâmetros Curriculares do Ensino Fundamental, ponderou: “Passamos a oferecer a perspectiva de que as creches passem a ter um conteúdo educacional e deixem de ser meros depósitos de crianças. Em todo o mundo está havendo a preocupação de desenvolver a criança desde o seu nascimento”.

Dados de 1998, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 25% da população de zero a 6 anos freqüentam creche ou pré-escola. São 5,5 milhões de crianças de um total de 21,3 milhões.

A educação infantil é definida na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) como parte da educação básica, mas não da educação obrigatória. A lei define, também, nas disposições transitórias, a passagem das creches para o sistema educacional. O Ministério da Educação (MEC) determinou que, a partir de janeiro de 1999, todas as creches do País deveriam estar credenciadas nos sistemas educacionais.

Conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, cabe aos sistemas municipais a responsabilidade maior por esses atendimento. A Constituição da República diz que “A educação é direito de todos e dever do Estado”. A emenda constitucional n.º 14/96 alterou dispositivos relativos à educação e estabeleceu que a educação infantil é atribuição prioritária dos municípios.

A educação infantil tem-se revelado primordial para uma aprendizagem efetiva. Ela socializa, desenvolve habilidades, melhora o desempenho escolar futuro, propiciando à criança resultados superiores ao chegar ao ensino fundamental.

A educação infantil é o verdadeiro alicerce da aprendizagem,  aquela  que deixa a criança pronta para aprender.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2006)

O SÉCULO XXI REENCONTRANDO DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A volta calorosa do confronto entre racionalidade e crença, comentada no artigo anterior, despertou-me curiosidade. Pesquisas a respeito trouxeram-me ajuda e apraz-me dividi-la com vocês, prezados leitores.

No passado, cada descoberta da ciência parecia constituir-se em derrota para a Igreja, em suas teorias fundamentais, que sempre colocou Deus na origem de todas as coisas, do universo. Era o confronto do método experimental da razão com a fé. As leis da evolução tornariam a gênese, o bigue-bangue, a história de Adão e Eva ficções. Parecia que o Iluminismo triunfaria sobre a Revelação, contida na Bíblia. O fulcro da questão ficava entre fé e razão.

Em 1991, surge o livro “Dieu et la Science”, escrito pelo filósofo cristão Jean Guitton, em parceria com os irmãos Bogdanov, que contém toda uma tradição cientificista. Neste livro, eles mostram que a fé não é inimiga da razão e que os resultados das pesquisas mais atuais sobre a história do universo e da vida não são contrários aos ensinamentos das grandes religiões.

Os avanços da ciência, nas descobertas sobre a origem das coisas ou da vida, esbarram-se com significativos limites. Quanto mais se esclarecem alguns mistérios, outros vão ganhando forças. Já se repete a frase: “Nos avanços da ciência, a sombra de Deus”. Constata-se que a razão não consegue esclarecer tudo. Num determinado ponto, a sombra de Deus começa a pairar. Telescópio, microscópio, longe de derrotar a presença de um Deus, parece ainda mais fortificá-lo.

Albert Einstein, que chegara a reduzir os fenômenos do cosmo a uma equação, assombrou o mundo ao admitir que “algo existe atrás da matéria”. O grande cientista Louis Pasteur (século XIX) lançou uma interrogação instigante: “Podemos ainda dizer que se um pouco de ciência nos afasta de Deus, muita ciência nos reconduz a Ele?”.

Nos Estados Unidos, uma organização composta por inúmeros cientistas, que se utiliza da sigla IDEA – Intelligence Design and Evolution Awareness – abraça, fortemente, a questão. Mesmo não pondo em dúvida a evolução, considerando os estudos sobre os fósseis, mostra-se convicta de que atrás dela está a mão transcendente de um Criador.

Em Michigan, parlamentares pedem que se ensine nas escolas, ao lado da teoria da evolução, a teoria dos neocriacionistas. Estes dizem concordarem com a tese evolucionista, quando diz que o mundo não foi criado há apenas 6 mil anos, mas defendem, convictamente, a idéia de que o processo evolutivo foi criado por Deus, há bilhões de anos.

Mais recentemente, um renomado cientista, Michael J. Behe, pertencente a uma comunidade científica das mais respeitadas do mundo, após exaustivos programas de análise matemática à assombrosa complexidade da célula, chega a uma conclusão que difere da teoria de Darwin; “As estruturas celulares, com sua múltipla interdependência, não podem ser explicadas como resultantes do acaso, pelo menos com a matemática. Deve existir uma inteligência superior que dá forma e sentido à vida”.

Dr. Michael chega a uma conclusão parecida com a de Newton, na passagem dos séculos XVII e XVIII, quando formulou as leis da gravitação universal: “Os astros, de fato, se atraem com uma força proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que os separa”. Dizia ele: “Por trás dessa elegante relação matemática, existe um elemento capaz de tê-lo formulado”.

Assim, para Newton, a ciência, longe de negar Deus, O confirmava.

Sob um outro aspecto, do diálogo entre a fé e a cultura, está surgindo a perspectiva de um encontro universal, unificando o senso religioso, o sentido da presença de Deus em todas as culturas. A Igreja católica vem dando significativas demonstrações de aproximação com todas as religiões. Busca relacionar-se às demais culturas, sejam africanas, asiáticas ou indígenas, mesmo sem formação cristã e distante da modernidade ocidental.

A Igreja encara a globalização vantajosa em vários aspectos, mas, rejeita a uniformização cultural. Legitima as diferentes culturas humanas, defende a diversidade cultural. Faz um apelo ao diálogo entre essas culturas e, nesse diálogo, quer expor sua visão cristã do mundo, em testemunho de amor à vida social, em preocupação com os povos mais pobres, mais sofridos.

A Igreja quer uma comunhão que promova a unidade na diversidade, uma convivência humana mais pacífica, que ostente a bandeira do amor, do perdão, da solidariedade. No início de junho, do corrente ano, houve em Puebla, no México, promovido pelo Vaticano, por seu Pontifício Conselho de Cultura, um encontro continental americano, que teve como tema geral o diálogo entre fé e cultura.

A base de toda cultura se assenta na existência de um Deus, por que, então, não se unir nos propósitos, nos valores fundamentados por Ele? O confronto do diálogo entre fé e cultura, entre fé e razão, entre fé e ciência, é o caminho para se atingir a união e, através dela, a paz.

Nas próximas semanas, continuarei a trazer o resultado das pesquisas sobre ciência e fé.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2001)

METODOLOGIA ESCOLAR, UM ORGANISMO VIVO

Izabel Sadalla Grispino *

A metodologia escolar é um processo dinâmico, que caminha, se amolda às características do conteúdo e do educando, evolui e se aperfeiçoa no tempo. Coloca o aluno no centro do processo educativo, fá-lo protagonista das atividades desenvolvidas.

Cada vez mais, o aluno deixa de ser um receptor passivo; é estimulado a participar, a fazer, a pôr a mão na massa. Adquire armas, avançando na aprendizagem com autonomia e responsabilidade. É estimulado a voar nas asas da criatividade, descortinando horizontes inimagináveis, acompanhando o pensamento descrito por Anísio Teixeira: “Quando monto na asa de um pensamento, de uma idéia, eu vôo nessa idéia, como se ela fosse minha ave”.

A cada passo, a escola conscientiza-se de que não é o lugar apenas de aprender matérias convencionais, como português, matemática, história, geografia, ciências, física, química ou biologia. Inclui no seu currículo a educação de valores, aulas de orientação religiosa, acolhendo alunos de diferentes credos, ensinando a respeitar as diferenças, a respeitar um ao outro. Os alunos estudam a história das diversas religiões, debatem o assunto em grupos, percebendo o quanto cada religião tem seus aspectos positivos, o quanto no conceito de fé, de sentimento religioso, as religiões se encontram, provocando encontro entre os alunos, também.

Um outro aspecto da escola é incluir no currículo atividades culturais, desenvolvendo talentos, despertando vocações, dentro de uma metodologia prática, interativa, essencialmente participativa. Criam atividades, jogos, aliando diversão e aprendizado.

Hoje, a noção de participação amplia-se, chegando a modificar, por exemplo, as relações entre aluno e museu, em visitas às exposições de obras de arte. A figura do guia é superada e no lugar do monitor, da observação passiva do visitante, surge o educador – os artes-educadores – desenvolvendo um trabalho de mediação entre público e obras de arte, na concepção de que não basta ir ao museu, tem de participar.

Os museus vêm incentivando a mediação de educadores, estimulando as pessoas a falar sobre a arte, a externar seu ponto de vista, no intuito de aproximar público e arte. Os museus, nos roteiros de visita, desenvolvem ações integradas às mostras que coloca em cartaz. Grupos de alunos são agendados à visita ao museu e, no meio da exposição, eles e as famílias são convidados a participar da oficina de monotipia. Nesse momento, tomam contato com técnicas usadas pelo artista, ouvem explanações dos educadores e passam a exercitar, como em um laboratório.

É ocasião oportuna para se travar diálogo, discussões, buscando entender e lidar com arte de modo prazeroso, estreitando as barreiras entre obra e visitante. Aproxima o visitante dos conceitos usados pelos artistas, numa interação incentivadora. O que se quer não é bem formar artistas, mas educar, sensibilizar para a arte, ajudar no encontro de vocações.

No Museu de Ciências e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), o aviso tradicional “não toque” é retirado. A ordem é o contrário: apalpar, clicar, interagir, para sentir e ver como funciona a vida do organismo humano ao movimento do universo. Para sentir e ver o que o homem fez e faz, da roda aos aviões, das cavernas às viagens interplanetárias.

O Museu de Ciências e Tecnologia diverte e ensina sobre o corpo humano, espaço e dinossauros. Mistura informação com diversão atraindo o público que, surpreso, retorna para desfrutar mais do museu.

Escolas há que mantêm uma linha pedagógica mais definida, construtivista, tradicional – hoje, um tanto superada – Montessori, Waldorf e outras, mas sempre há entre elas ramificações que se encontram, dando uma amplitude coerente e estimulante ao processo.

O construtivismo surgiu com o psicólogo e geneticista suíço Jean Piaget, que desenvolveu uma teoria em que a criança constrói o próprio conhecimento, segundo as fases do seu desenvolvimento mental. A criança é instigada a aprender a partir de seu próprio raciocínio. O trabalho em grupo, no construtivismo, é valorizado.

Na linha tradicional, os conteúdos são transmitidos  por meio de aulas expositivas. O professor é a fonte do conhecimento. A avaliação da aprendizagem é feita através de provas formais constantes. Essa linha vem perdendo força e incorporando elementos construtivistas, valorizando aspectos emocionais e psicológicos.

Montessori, criada pela italiana Maria Montessori. A ênfase está na concentração, individualidade e liberdade. Colocam-se nas salas de aula conjuntos de jogos, caixas, superfícies com texturas e sons diferentes. As crianças os manipulam, pesquisam e vão compreendendo conceitos de várias disciplinas.

Waldorf, criada pelo filósofo suíço Rudolf Steiner, parte do conceito holístico – considera o todo. As disciplinas são integradas a partir de temas de interesse dos alunos. Geralmente, é o mesmo professor que ministra todas as aulas. Os brinquedos devem ser de pano, em detrimento do plástico e materiais sintéticos. Evita-se o uso da televisão e oferece uma alimentação bem natural. Waldorf  é uma filosofia de vida, uma escola onde os valores morais, espirituais são muito valorizados. A família participa das atividades escolares.

A metodologia contempla o perfil do aluno, com atividades adequadas a cada um. Para o aluno agitado, que não pára um minuto, o ideal é gastar essa forte energia em práticas esportivas, dança, música ou circo. Para o aluno tímido, que não pergunta durante as aulas, fica no seu mundo, o importante é buscar atividades que combatam o medo e a insegurança, como teatro, artes plásticas, poesia. Para o aluno temperamental, que faz escândalo quando seus desejos não são atendidos, deve-se programar atividades que combatam a agressividade, como jogos de tabuleiro, argila, marcenaria e culinária. Para o avoado, que vive distraído, astronomia, dobradura, informática, cinema, malabarismo e modelagem podem ajudar.

As diferenças individuais encontram-se nas variações metodológicas, pontos de apoio e caminhos alternativos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2005)

A ESCOLA TRABALHANDO A VIOLÊNCIA

Izabel Sadalla Grispino *

A escola vem se preocupando cada vez mais com o problema da violência. Violência na sociedade que acaba na escola. Investe em atividades esportivas e culturais, cria projetos alternativos que envolvem os alunos e os afastam da violência. Vai além, estimula a participação dos pais e da comunidade nos programas desenvolvidos por ela, ampliando o sentido de escola, escola da família. Ela se transforma em espaço de atividades também para a comunidade.

Da prática de esportes em quadras, a escola programa formação de grupos de dança, teatro, formação de líderes, grupos de axé, hip hop, aulas de violão, discussões sobre a realidade vivida pelo estudante. O propósito é manter o aluno na escola, estimulá-lo à vida escolar e afastá-lo da criminalidade.

A escola diversifica para combater a violência, especialmente quando localizada em periferias de cidades com índices relevantes de criminalidade. As atividades variam de acordo com a realidade encontrada.

Uma boa estratégia é advertir os alunos que se não houver correspondência, se houver briga, os projetos serão cancelados. E o que se nota, nas escolas envolvidas nos projetos, é uma grande adesão dos alunos às atividades, principalmente, se são os próprios alunos quem define as oficinas, os cursos, ou os projetos a serem executados. Todos se integram e não criam confusão. Eles sentem que o espaço é deles e passa a valorizá-lo. Trabalha-se em parceria com os alunos e também com a comunidade.

Um procedimento que quase sempre atinge o alvo é trabalhar na formação de líderes. Cada sala elege o seu representante que será o porta-voz da turma. Ao despertar o interesse dos alunos, esse interesse os move, eles participam e vão deixando a criminalidade, reduzindo a agressividade. Afastam-se das ruas, preferindo ficar na escola, envolvidos com atividades esportivas, culturais e musicais. Há escolas que organizam belos corais com os alunos, que se apresentam, no período de Natal, em outras escolas da comunidade, em shoppings ou mesmo em empresas da cidade.

Pelo resultado de avaliações, as escolas, que assim se programam, que apostam num ensino diversificado, em atividades prazerosas para os alunos, têm conseguido freqüência participativa dos alunos em grau estimulador, assim como um envolvimento cada vez decrescente no crime.

Sob um outro ângulo, agora mais restrito ao recinto escolar, há um fator de violência, surgindo de relacionamentos interpessoais, entre alunos, relacionamentos conflitados, que não podem deixar de ser seriamente considerados pela escola.

A escola deve trabalhar os efeitos negativos que interferem na personalidade. No caso da violência acima citada, atacar as causas, às vezes aparentemente sem conseqüência, mas que vão, pela repetição, pela persistência, gerar atos de extrema violência, chegando à morte. Estuda-se, hoje, o reflexo de um fenômeno mundial, conhecido como bullying. Bully, em inglês, quer dizer valentão, brigão.

Bullying refere-se a humilhações constantes sofridas, por um estudante, na escola onde freqüenta. Refere-se à prática de atos agressivos e humilhantes de um grupo de estudantes contra um colega, sem motivo aparente. Essa atitude de humilhação provoca revoltas marcantes no adolescente, que, em momento de crise, chega a cometer assassinatos em série. Vários casos são assinalados, como por exemplo, de um garoto de 13 anos, sofrendo por mais de 2 anos na escola repetidas humilhações, por parte de colegas. Num repente de muita revolta, comprou, com o dinheiro da mãe, um revólver e saiu atirando.

Pesquisa, com 5.482 alunos de 5.ª à 8.ª série de 9 escolas públicas e 2 particulares, mostra que 40,5% dos entrevistados admitiram ter envolvimento direto com episódios de humilhação na escola. Cerca de 27,8%, foi vítima de bullying. Eles contaram que receberam apelidos (54,2%), ameaçados (8,5%) e tiveram objetos roubados ou destruídos (4,7%). Em 60,2% dos casos, os episódios ocorreram em sala de aula. Dos alunos ouvidos, 23,7% confessaram que humilhavam colegas; uns achavam a prática engraçada, outros que os colegas mereciam ser castigados. Apenas 19,5% foram repreendidos na escola.

Isso mostra que não se trata de uma porcentagem a ser desprezada. Mostra que a escola deve dar importância ao fato e desenvolver trabalhos com os alunos para conscientizá-los contra o bullying. Mostra que apelidos agressivos podem trazer efeitos muito danosos. Apelidos que acompanham o indivíduo a vida toda, e mesmo anos mais tarde, acabam levando-o à prática do bullying. Dizem os especialistas que “o que está por trás desse comportamento é a intolerância pelo diferente. A sociedade, a escola não podem pensar que isso é coisa de criança ou adolescente, uma fase que vai se resolver com o tempo”.

Para clarear o efeito bullying, o relatório cita o caso de um aluno de 18 anos, aluno de uma escola da cidade de Taiúva/SP, que fora chamado de “vinagre”, por anos, pelos colegas, após ter feito uma severa dieta. Os colegas diziam que ele havia emagrecido de tanto beber o tempero. Acumulando revolta, num ato de destempero, feriu 6 pessoas na escola e se suicidou. Fato ocorrido em janeiro de 2003.

Monteiro Filho, presidente da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia), explana o assunto no seu livro “Diga não para o bullying”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2004)

PAIS FRENTE À PEDAGOGIA AVANÇADA

Izabel Sadalla Grispino *

Nesse universo em mudança, os pais sentem-se inseguros quanto à educação dos filhos, ministrada nas escolas. Querem mudança, mas temem o rompimento dos padrões morais que sustentaram a sua geração. Querem inovação, mas atemorizam-se diante do novo. Por isso, a escola tem que tornar escola também dos pais, inteirando-os da pedagogia renovada. No passado, religião e tradição eram fortes ingredientes para a escolha da escola dos filhos.

Para responder a essa ambígua sociedade de transição, a pedagogia indica o caminho da compreensão, da tolerância. Impor não é solução. Autoritarismo não funciona nem para os pais, nem para os professores. Ele é fonte de problemas. O professor “exigente”, também, não tem mais vez. Seu papel de transmissor do conhecimento, a sua imagem de “sabe tudo”, acabaram. O conhecimento não é mais doado e sim construído. A velocidade das inovações tecnológicas e a Internet acabaram com o conceito de “aluno enciclopédia”.

Outra forma de autoritarismo é a aquiescência da repetência, por parte dos pais, aos alunos que vão mal na escola. Os pais, ansiosos por resultados, apegam-se à mensuração da produção escolar, em contradição ao método adotado pela escola, orientado pelo socioconstrutivismo, que trabalha as várias facetas da aprendizagem, as inteligências múltiplas.

A repetência não é mais que o reforço do ensino pela via da punição. A aprendizagem leva em conta o biorritmo do aluno, o interesse das diversas faixas etárias e a natureza do aprendiz. Quando há interesse, a aprendizagem é duradoura. Leva em conta o potencial, as virtualidades, direcionando o ensino para essas características.

Qualidade de escola forte, puxada, para os pais, revelada em pesquisas, está, em primeiro lugar, trabalhos escolares; em 2.º, horas de estudo e, em 3.º lugar, as lições de casa. Nos métodos renovados, o aluno passa a ter mais atividades extraclasses e menos tarefas em cadernos. As escolas, para ciência dos pais, anotam, nos cadernos dos alunos, os trabalhos realizados fora da sala de aula, substituindo a lição de casa.

A própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) inspirou-se no socioconstrutivismo ao permitir currículos mais flexíveis e regionalizados. O socioconstrutivismo vai buscar seus fundamentos nas teorias do desenvolvimento humano e do processo de alfabetização, requerendo, para sua aplicação, currículos mais flexíveis. É um método já consagrado mundialmente; o problema é que para funcionar exige dos professores sólidos conhecimentos e essa não tem sido a realidade constatada. É ainda precária a percepção da reforma de ensino pelos professores. Muitos afirmam desconhecer as profundas mudanças requeridas pela pedagogia aberta. Por sua vez, os pais, pressionados pela excessiva competição no universo profissional, pensam em uma instituição que dê muito conteúdo desde a pré-escola, trazendo reflexos visíveis para o mundo infantil. A concepção “preparar-se para a vida” faz com que os pais pressionem as escolas para realizar a transformação de seus filhos, ainda pequenos, em futuros profissionais competentes. Essa preocupação seria compreensível se se tratasse de alunos do ensino médio, mas eles deixam claro que a “hora de brincar” – alusão à educação infantil – já passou e que as “crianças de 7 anos devem cair na realidade”. Querem, agora, uma escola voltada ao conteúdo, propondo uma esquema rígido de ensino, desde a infância.

A criança estará, contudo, melhor preparada para a vida se educada de forma aberta, sendo olhada no sentido de suas necessidades, de seu desenvolvimento e de seus interesses. Criatividade é passaporte para o futuro. Hoje, o mercado pede dos profissionais iniciativa, inventividade, cooperativismo, bom relacionamento em trabalhos de grupo.


São principalmente para esses aspectos, para o desenvolvimento da autonomia na aprendizagem, que prepara o socioconstrutivismo, que coloca seus temas em relação ao mundo do estudante.

As escolas despertaram-se para o socioconstrutivismo influenciadas, também, pela LDB, que determina estar o trabalho docente centrado em três vertentes: conceitual (o que é ensinado ao aluno), atitudinal (o desenvolvimento de valores) e procedimental (o clássico, aprender a aprender). Para atender às exigências da Lei, a escola opta por três direções: o construtivismo, o sociointeracionismo e o socioconstrutivismo. Não são orientações que fornecem receita para todos os problemas educacionais, mas caminhos que ajudam a refletir sobre como se constrói o conhecimento. O professor não mais oferece o conhecimento, redefine o seu papel como o mediador entre o saber e o aluno, base do socioconstrutivismo.

Com a mudança, a sala de aula passou a ser o laboratório em que “se ensina a fazer”. Os pais vão perceber, com o tempo, que não é a quantidade, mas a qualidade do conhecimento que promoverá o futuro do filho.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2002)

A BIBLIOTECA ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

A biblioteca é um recurso didático indispensável no processo de aprendizagem. A adoção, pela escola, do método construtivista coloca a pesquisa na vanguarda da metodologia. Além disso, como despertar o aluno para a imperiosa leitura, como criar o hábito de ler, sem a existência de sua matéria-prima?

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