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Artigos Educacionais

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FORÇA JOVEM NO MERCADO DE TRABALHO

Izabel Sadalla Grispino *

O mercado investe na contratação de jovens. Busca uma linguagem atualizada, um revigoramento nas vendas, sustentados pelo entusiasmo juvenil.

Os jovens passam a ocupar cargos importantes nas empresas, dividindo o poder com executivos mais velhos, mais experientes. São jovens profissionais com curso superior e a maioria tem MBA, sigla que, em inglês, significa mestre em administração de negócios. Aprendem um comportamento adequado em liderança, gestão e processo de tomada de decisão. Têm boa formação em desenvolvimento de planos de marketing, em projetos de lançamento de produtos, estudo de mercados nacionais e internacionais e em estratégias de vendas.

A escolha pelos jovens passa muito pelo espírito de liderança, pelo dinamismo que emprestam à empresa, que, hoje, quer um profissional mais ágil, capaz de acompanhar a intensa competitividade da época. Eles vêm conquistando postos de comando, principalmente, em países em desenvolvimento, fortalecendo a imagem da empresa onde trabalham.

As grandes empresas julgam ideal contar com a parte jovem e a parte de mais idade. A primeira, preparada para ser empreendedora e pro ativa; a segunda, para dar mais estabilidade, pela experiência acumulada. Aliam a energia, a vibração da juventude, com a experiência, a visão ampliada dos mais velhos, pessoas capazes de prever melhor os riscos do negócio. Formam, assim, um conjunto proveitoso na abertura de mercado. As pessoas de mais idade representam, também, maior qualidade do serviço em foco. O que vem ocorrendo são pessoas experientes fazendo parte do Conselho Deliberativo das empresas e pessoas mais jovens, ficando na execução das atividades em questão.

Hoje, tem-se uma atenção voltada ao trabalho dos jovens, especialmente, no setor das empresas juniores (EJ), um tipo de instituição que está crescendo nas universidades brasileiras. Os alunos dessas empresas realizam projetos, apresentam-nos em auditórios, que passam a ser julgados por convidados não universitários, como aconteceu no início de dezembro de 2004, no VIII Prêmio de Qualidade Fejesp (Federação das Empresas Juniores do Estado de São Paulo).

Esses projetos disputaram prêmios em quatro categorias. Alunos da Unicamp ganharam em três e os da Unesp de Franca, em um. Nos projetos comerciais, o primeiro lugar ficou com a Agrológica, EJ da Engenharia Agrícola da Unicamp, de Campinas. Nos projetos sociais, a Empresa Júnior Jurídica (Ejur), da Unesp de Franca, venceu com o trabalho Observatório Social, executado por estudantes de Direito. Na categoria eventos, venceu a Automática 2004, a VI Semana de Engenharia Mecatrônica, promovida pela EJ da Engenharia de Controle e Automação da Unicamp. No melhor projeto interno, venceu um trabalho da Unicamp, Grupo de Estudos e Pesquisas da Engenharia de Alimentos (GEPEA).

Na apresentação dos projetos, cada equipe tinha apenas 5 minutos para dar seu recado e a Fejesp foi rigorosa no controle desse tempo. Foi medida a competência de comercialização da equipe, incluindo aí sua capacidade de comunicação e clareza. Avaliou-se também o conteúdo dos trabalhos, desde o planejamento até a execução.

A diferença de desenvoltura e performance entre as pessoas que passam por uma EJ é bem maior das que ficam de fora, porque é um tempo que conta como experiência. A Fejesp completará 15 anos de existência em 2005. Entre as 10 federações estaduais de empresas juniores do País, ela é a mais antiga. Conta, também, desde 2003, com uma confederação, a Brasil Júnior. Para saber mais sobre o assunto, veja www.fejesp.org.br.

Empresas e escolas investem na correta profissionalização, formando capital humano especializado para o sistema produtivo. Querem reformular os padrões educacionais, modernizar a competitividade da economia.

Com a chegada do Natal, quero expressar, aos prezados leitores, meus sentimentos de amor, desejar a todos um dia de alegria, de paz, de confraternização. Que cada um, dentro de si, trabalhe esses sentimentos, tornando-os representativos da vida de todos os dias.

Com votos de muita cor, muita luz, publico minhas meditações, na poesia abaixo, sobre o Natal de 2004.

NATAL  DE  2004

Izabel Sadalla Grispino

Novamente é Natal,

O tempo passa depressa demais!

Mas, para viver outro Natal vale passar,

Natal é encantamento, sem jamais,

Magia, que faz a alma sonhar,

Alegria, que o espírito faz renovar.

Natal é sentimento de paz que aflora,

São entes queridos que se reúnem,

Entes que estão presentes, entes que já foram embora,

Que, na maior festa cristã, no nosso amor se unem,

Imagens do sol poente, imagens da aurora,

Entrelaçando prazer e saudade nessa santa hora!

Meio a tanta alegria,

Lugares a menos na mesa...

Cadeiras que ficam vazias...

Uma saudade pulsando ilesa,

Lágrimas quentes brotam da alma fria,

No Natal convivem a esperança e a nostalgia!

O Natal penetra fundo no sonho da imortalidade,

Reflete um céu colorido do distante infinito,

Natal é mais que espelho de caridade,

É barco que navega em mar sem conflito,

Que faz a alma esbarrar na divindade,

Faz o homem conjugar amor e lealdade.

Natal, fantasia ou realidade?

Presença real do menino Deus?

Passaporte de felicidade ou simples aspirina?

Renovação de vida, que Jesus prometeu?

– Natal só pode ter essência divina,

Faz, para a alma, o que não consegue a medicina.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2004)

AS NOVAS NORMAS REGIMENTAIS DAS ESCOLAS ESTADUAIS DE SÃO PAULO

Izabel Sadalla Grispino *

Uma outra característica desse momento histórico da educação, em que se vem processando a implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) n.º 9.394, de 20/12/96, é a elaboração, pela própria escola, de seu regimento interno. O Diário Oficial do Estado publicou em 21/03/98, na íntegra, o texto relativo às novas normas regimentais aprovadas pelo Conselho Estadual de Educação. Elas tornam as escolas da rede pública mais autônomas e responsáveis pelo seu regimento.

O caminho da modernidade passa pela descentralização de gestões, desinchando a máquina administrativa central, pela maior autonomia das instituições oficiais de qualquer nível, buscando racionalizar o sistema, adequá-lo, ajustá-lo às condições peculiares de cada instituição.

Até 1998, existiam regimentos unificados para as escolas oficiais. A partir de 1999, as escolas iniciaram o estabelecimento de normas, desde a relação das disciplinas do currículo até a proposta e linha pedagógica, passando pelos critérios de avaliação.

Na elaboração do novo regimento, há um envolvimento conjunto, uma participação ética, reflexiva da escola, dos pais e dos alunos. Pelo novo regimento, os alunos ganharão o direito de participar dos conselhos de classe, conselhos estes responsáveis pela avaliação e pela definição de quem será retido ou aprovado.

Os pais participarão dos conselhos da escola e esses conselhos serão os responsáveis pela elaboração do regimento. Através dos conselhos de escola, eles passarão a ter mais influência na determinação das diretrizes da escola. Os conselhos são compostos por representantes da direção, dos professores, dos funcionários, dos pais e dos alunos. É um órgão deliberativo e através das novas normas regimentais ele ganha mais poder e importância.

As normas regimentais propostas têm por objetivo adaptar as escolas da rede estadual à nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que prevê, em linhas gerais, a flexibilidade das estruturas e práticas educativas. Ela dá autonomia para as escolas resolverem a sua organização. Isso significa liberdade para escolher os livros didáticos, as disciplinas do currículo que oferece, a carga horária e o sistema de notas.

Os regimentos anteriores tinham o foco no caráter disciplinar da escola. “As novas normas pretendem ser orientações gerais, a partir das quais cada escola vai definir sua maneira de atuar”, diz Neide Cruz, então assessora da Secretaria da Educação.

AS NOVAS NORMAS REGIMENTAIS – Cada escola terá de elaborar seu próprio regimento, estabelecendo regras e normas de funcionamento. Os pais têm direito de receber uma cópia do regimento no ato da matrícula.

Plano de gestão – Cada escola terá de elaborar um plano de gestão válido por quatro anos. No plano serão definidos objetivos e metas a serem atingidos, planos de trabalho e critérios de acompanhamento, controle e avaliação do trabalho executado.

Progressão continuada – O ensino fundamental (1.ª à 8.ª série) ficou dividido, a partir do ano letivo de 1998, em dois ciclos (1.ª à 4.ª e 5.ª à 8.ª séries). Dentro de cada ciclo não há reprovação. Os alunos são avaliados constantemente e, dependendo do desempenho, encaminhados para atividades de recuperação oferecidas ao longo do ano. Os sistemas de avaliação e de recuperação serão definidos pela escola.

Conselhos de classe – Os alunos poderão participar dos conselhos de classe e série, independentemente de sua idade.

Instituições escolares – Toda escola terá de ter um grêmio estudantil.

 

 

 

 

 

Avaliação institucional – As escolas serão submetidas a avaliações externa e interna. A externa será feita pelos órgãos locais e centrais da administração por meio de avaliações e supervisões feitas pelas diretorias de ensino. A avaliação interna será realizada segundo critérios definidos pelo conselho de escola.

Progressão parcial – Os alunos de ensino médio (1.ª à 3.ª série do segundo grau) que tiverem rendimento insuficiente em até três disciplinas podem ser classificados na série subseqüente, mas ficam obrigados a cursar estas disciplinas. O sistema é semelhante ao de dependências, usado na rede particular. Ele vale para os cursos regulares, supletivos e pode ser adotado nos cursos profissionalizantes. A progressão parcial poderá ser adotada para alunos da 8.ª série do ensino fundamental, desde que fiquem asseguradas as condições para conclusão do ensino fundamental.

Freqüência – As faltas não podem mais ser usadas como critério de avaliação. Os alunos podem se ausentar, no máximo, 20% do total de aulas no mês. Se este limite for superado, a escola tem de adotar medidas para que os alunos possam compensar as ausências. A freqüência mínima anual para promoção é de 75%.

Reclassificação – Um aluno pode ser reclassificado em uma série mais avançada. A referência será a relação idade/série (se ele tem idade para cursar a série pretendida) e a competência do aluno (se ele domina o conteúdo, mesmo que não tenha freqüentado escola).

Mudança de um ciclo para outro – Um aluno que tiver rendimento insuficiente no primeiro ciclo do ensino fundamental (1.ª à 4.ª série) poderá cursar atividades intensivas de recuperação e ser promovido para o segundo ciclo (5.ª à 8.ª série) durante o ano letivo.

As escolas ganham, com a nova lei, mais liberdade, quer na elaboração de seu currículo, quer na do seu regimento interno. Ela passa a ter mais poder e o poder está vinculado à responsabilidade, à competência.  Muitas escolas encolhem-se na preocupação que essa autonomia vem lhes proporcionar. Outras argumentam que a flexibilização é limitada, uma vez que a organização do tempo e dos dias letivos já estão definidos por lei. Questionam a autonomia, no ponto proposto pela Secretaria da Educação, quando fala da formação de parcerias com a iniciativa privada.

Em linhas gerais, essa autonomia dada à escola é um avanço. A escola deve encará-la como uma conquista, como um objetivo a mais a ser alcançado, capacitando seus recursos humanos, a fim de dar respostas que venham de encontro aos anseios da sociedade, às exigências da atualidade.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em novembro de 2000)

AUSÊNCIA DE ESTÍMULO À CARREIRA DE PROFESSOR

Izabel Sadalla Grispino *

O mundo moderno, com seus novos desafios, coloca a educação como prioridade para qualquer país, exige uma escola de qualidade para todos. O mundo se transforma, traz mudanças radicais, revoluções marcantes em vários setores, e só se pode enfrentá-lo apoiado no conhecimento.

O Brasil precisa de muito esforço para atingir um nível educacional que possa inseri-lo no plano da competitividade internacional. Possui déficits educacionais cumulativos de décadas, comprometendo a trajetória de estudantes que, muitas vezes, deixam a escola, tiram seus diplomas, tidos como semi-alfabetizados, longe de possuir as competências e as habilidades requeridas pela época globalizada. O que se vem constatando é que no ensino médio o aluno fica sem condições de acompanhar aulas que exigem um pouco que seja de abstração e sistematização. Tem uma redação empobrecida, pouca capacidade de argumentação e sofrível domínio das normas cultas da língua. Esse aluno tem dificuldade de relacionar informações, de interpretar textos, de resolver seus problemas do dia-a-dia.

As nações que acompanharam o avanço da educação, que perceberam no passado a sua importância, estão hoje num estágio privilegiado de desenvolvimento. No meu artigo da semana retrasada “Unesco constata baixa qualidade de ensino no Brasil”, tomamos conhecimento do relatório da Unesco relatando que a universalização do ensino foi atingida pela Coréia do Sul em 1959, no Brasil no fim da década de 90, quase meio século depois! A Irlanda atingiu o objetivo da educação secundária generalizada no início dos anos 60 e a partir de então abraçou, firmemente, a educação superior!

Países como a França e a Inglaterra foram mais longe. A França, em 1883, criou escolas elementares na maioria das cidades e, em 1882, a educação primária tornou-se gratuita e obrigatória. A Inglaterra, em 1870, criou as primeiras escolas estaduais e, anos depois, determinou a freqüência escolar obrigatória.

Entre nossos vizinhos, a Argentina e o Uruguai organizaram-se criando sistemas públicos de educação bem antes de nós. A Argentina empreendeu importante reforma educacional, na presidência do Professor Domingos Faustino Sarmiento, fundador da primeira escola normal na América do Sul, em 1842. No Uruguai, a Lei Orgânica do Ensino, de 1877, possibilitou avanços consideráveis na educação do país. No Brasil, tivemos a Lei da Assembléia Geral, de 15 de outubro de 1827, logo após a Independência, que determinou a criação de escolas de primeiras letras em todas as localidades, mas o Ato Adicional de 1834, erroneamente, delegou às províncias essa responsabilidade, tirando do poder central essa competência, deixando a educação primária à sua própria sorte. Nosso educador Lauro de Oliveira Lima diz que a lei de 1827 teria sido a Lei Áurea da Educação Brasileira se tivesse sido consolidada.

Como recuperar o tempo perdido sem um grande esforço da Nação?  Por que não se tentar organizar um pacto suprapartidário? Esse quadro desolador agrava-se pela contínua desvalorização do professor, desmotivando os jovens a seguir a carreira do magistério. É preocupante a previsão de uma carência de professores nas áreas básicas, fundamentais, como em matemática, ciência, física, química e biologia.

Os cursos de formação de professores estão esvaziando-se. Se não se der condições que estimulem a freqüência ao magistério, a rede pública poderá ter dificuldade em preencher seus quadros. Corre o risco de ficar sem professores nas próximas décadas em, praticamente, todas as áreas, conforme aponta a pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que ouviu, no início de 2003, 4.656 professores de dez Estados. Pela pesquisa, cerca de 2,5 milhões de educadores estão perto da aposentadoria e na faixa de 40 anos ou mais estão 55,1% dos docentes.

Segundo levantamento feito em 2003, faltam cerca de 250 mil professores, com formação superior, no ensino fundamental de 5.ª a 8.ª séries e no ensino médio. O País precisa de 55 mil professores de química e igual proporção em física e nos últimos anos só se formaram 7.266 professores em física e 13.559 em química. Déficit considerável ocorre, também, nas disciplinas de matemática, biologia e geografia. Ciência é uma disciplina que vem, praticamente, zerando o conhecimento dos alunos da educação básica, constatam as avaliações. A falta de professores continua tanto nas ciências humanas com em línguas, onde se verifica fraca formação de professores de português, história ou inglês. A pesquisa mostra que os melhores diplomados, oriundos das melhores universidades, não lecionam na rede pública, com resultado pesaroso para os alunos que não se sentem estimulados a aprender.

Como conseqüência da desvalorização do professor, o que vemos é o País sendo campeão de últimos lugares, mantendo as piores colocações em testes internacionais. Num dos últimos artigos relatei a conclusão da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) sobre a educação do mundo, divulgada em novembro p. passado, que coloca o Brasil na triste posição de 72.º lugar, entre 127 países, com a observação de que falta conteúdo de qualidade ao ensino brasileiro.

Mais recentemente, divulgou-se a classificação do Brasil no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). O estudo aplicado em 2003 mostra que o País ficou em último lugar na avaliação do conhecimento de matemática de estudantes de 15 anos, numa lista com 41 países. O Brasil ficou atrás de nações como Tunísia e Indonésia.

Parece um hábito os alunos brasileiros ficarem em péssima classificação nos encontros internacionais. Grave quadro, revelador da falta de empenho de governos das últimas décadas, ausência de políticas sociais, políticas educacionais sérias, incidindo na deterioração da qualidade de ensino das escolas públicas brasileiras.

Não se pode colher o que não foi semeado.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em dezembro/2004)

A ESCOLA FRENTE AO “EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO” (ENEM)

Izabel Sadalla Grispino *

Para dar boas respostas ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a escola precisa aprender a desenvolver nos alunos habilidades e competências, no seu processo de ensino-aprendizagem. Aprender a colocar a formação acima da informação, fazer do aluno um cidadão participante consciente. Desenvolver-lhe a capacidade de raciocinar, de interpretar, de interferir na realidade, de resolver os problemas do dia-a-dia.

O aluno, ao construir o próprio conhecimento, ao partir da observação, da manipulação, da pesquisa, da análise, vai vivenciar o conceito ao invés de recebê-lo pronto. Vai internalizar, chegando com mais profundidade ao conhecimento.

A escola deve realizar um currículo com conteúdos contextualizados, próximos da realidade do aluno, e trabalhados de maneira indisciplinar, em conteúdos interligados. Deve ter presente que o objetivo do Enem é medir habilidades e não conteúdo, é processar uma avaliação interdisciplinar.

A título de informação, o Enem do ano passado foi interdisciplinar, apoiou-se em interpretações de textos, aferiu mais compreensão que conhecimento específico. O exame exigiu conhecimentos usados no cotidiano. Não exigiu do candidato muitas contas, mas que ele fosse capaz de aplicar o raciocínio. Não pediu fórmulas. Trouxe questões do dia-a-dia que estão nos jornais: analfabetismo, clonagem, vacinação, cadeia alimentar, ecologia e reciclagem de materiais foram as bases das questões de biologia. A redação teve como tema: “Cidadania e participação social” (o engajamento e a participação social do jovem.

Quanto à inscrição dos candidatos, orientá-los de que a mesma deve ser feita em qualquer agência dos Correios, munidos de um documento original de identidade, com foto. Ele preencherá uma ficha de inscrição no próprio local e pagará uma taxa estipulada, no momento, pelo MEC (com exceção dos alunos carentes). A inscrição pode ser feita em uma cidade e a prova em outra, bastando indicar, no formulário, o código do município desejado. Pode ser feita, também, via procuração.

De acordo com Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), o Enem avalia cinco competências e 21 habilidades gerais desenvolvidas pelo aluno ao longo da Educação Básica. Cada habilidade é medida por meio de três questões e a nota da prova objetiva, numa escala de 0 a 100, é atribuída a partir da avaliação de cada uma das cinco competências, que são as seguintes:

-- Domínio de linguagens: demonstrar domínio básico da norma culta da Língua Portuguesa e das diferentes linguagens.

-- Compreensão de fenômenos: construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.

-- Enfrentamento de situações-problema: selecionar, organizar, relacionar e interpretar dados e informações para enfrentar situações-problema com vista a tomadas de decisão.

-- Construção de argumentações: organizar informações e conhecimentos disponíveis em situações concretas para desenvolver argumentações consistentes.

-- Elaboração de propostas de intervenção na realidade: recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas criativas, considerando a diversidade sociocultural como inerente à condição humana no tempo e no espaço.

Com esta propositura, o Enem afasta a decoreba, derruba o hábito da cola de que tanto a escola se ressente. Reforça a interdisciplinaridade e a contextualização. Esses dois conceitos, no ensino médio, levarão à confecção de livros didáticos orientados mais para a história do contexto, remetendo ao uso de jornais e revistas no dia-a-dia do ensino. “Dificilmente, um livro poderá ser destinado a uma série específica, porque os conteúdos estarão muito relacionados. A liberdade de a escola dividir os 3 anos do curso, em séries ou módulos, impedirá a edição de livros para cada uma das séries, como ocorre hoje. A tendência é que as editoras ofereçam livros para o ensino médio, nos quais estarão os conceitos básicos, que serão tratados em sala de aula de forma diferentemente, de acordo com o nível escolar”, esclarece Ruy Berger, secretário da Educação Média e Tecnológica do MEC.

O “Exame Nacional do Ensino Médio” (Enem) é  uma   indicação  de como será o processo educacional nos próximos anos. Ele segue a atual tendência de ensinar os alunos como usar todas as informações aprendidas no dia-a-dia, na interpretação de informações e na situação de problemas.

Os modelos educacionais vêm sofrendo mudanças. As escolas mudam o foco do ensino, que dava ênfase à memória para contemplar a autonomia dos alunos na aprendizagem, dar-lhes uma maior compreensão de seu cotidiano, fazê-los capazes de tomar decisões e tornar-se mais aptos ao convívio social. Essas são, hoje, as principais tendências do ensino que deverão consolidar-se na próxima década.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS -- (2)

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino fundamental de 9 anos de duração é assunto que ronda a preocupação dos pais. Como vai ser? Meu filho vai ter que estudar mais 1 ano para completar esse ensino?

Na verdade, sim, só que será um acréscimo inicial. Ao invés de o aluno ingressar aos 7 anos de idade, vai fazê-lo aos 6. O ensino fundamental será, então, não mais dos 7 aos 14 anos, mas dos 6 aos 14, continuando o aluno a sair do ensino básico – infantil, fundamental e médio – com os mesmos 17 anos.

É um enriquecimento inicial que virá fortalecer as etapas posteriores da alfabetização. Ao invés da 1.ª à 8.ª série, a criança cursará do 1.º ao 9.º ano mudando, apenas, a nomenclatura. Começará o novo 1.º ano aos 6 anos. Todos “pulam” uma série, mas só na nomenclatura. Os conteúdos do 2.º ao 9.º ano devem continuar os mesmos que eram dados de 1.ª à 8.ª série. Quem estará, por exemplo, na 3.ª série cursará o 4.º ano com o mesmo conteúdo do 3.º ano.

A mudança será na estrutura da escola, preparando-se para atender crianças mais novas, na faixa etária dos 6 anos. O importante não é apenas a obrigatoriedade em oferecer vagas, mas como essas crianças serão atendidas. Um novo projeto pedagógico deverá cobrir a mudança. Não é só transferir o conteúdo que era dado aos 7 anos para os 6 anos.

O novo 1.º ano terá de incorporar características do ensino infantil, passando a funcionar com o mesmo conteúdo que já era dado na pré-escola. A alfabetização não será adiantada, começa na idade adotada pelo ensino infantil.

A instituição terá que adaptar salas de aula e parte da escola para receber crianças menores. Atividades lúdicas, de arte e recreação, precisam continuar para essas crianças, assim como experiências já iniciadas de ler e escrever, como ouvir histórias, nos cantinhos de leitura, escrever cartinhas, bilhetes. Inclui-se, aí, brinquedoteca e também a preocupação com a motricidade da criança. Os banheiros são um outro ponto a se considerar, a se ajustar.

Esses preparativos levam a rede pública a mudar só em 2008. A rede particular, a maioria – 90% -- já funcionando com educação infantil, tem condições apropriadas para fazer funcionar o ensino fundamental de 9 anos em 2007. Algumas redes já haviam mudado, por critério próprio, antes da lei.

A ampliação do ensino fundamental de 8 para 9 anos, prevista pela lei 11.274 e sancionada em fevereiro de 2006, pelo presidente Lula, torna obrigatório o início desse ensino aos 6 anos de idade e dá um prazo até 2010 para que todas as escolas de ensino fundamental se adaptem ao novo formato de ensino.

O ensino fundamental, sendo o único considerado obrigatório pela Constituição, vai obrigar, agora, crianças de 6 aos 14 anos, incluindo crianças pobres de 6 anos que estão fora da escola e que nela passarão um ano a mais. Este aspecto foi o principal objetivo da lei, favorecendo, especialmente a rede pública, os alunos carentes, porque os mais abonados já têm a seu dispor a educação infantil de 6 anos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2007)

ENSINO MÉDIO EM FINS-DE-SEMANA

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino médio passa por um processo alternativo. Agora, o aluno desse ensino poderá cursá-lo em fins-de-semana, em São Paulo. Jovens e adultos – de 18 a 29 anos – poderão, pelo projeto Escola da Juventude, lançado em fevereiro do corrente ano, cursar o ensino médio em até um ano e meio. Segundo informes da Secretaria da Educação, o curso terá uma dinâmica diferente dos cursos tradicionais de educação de jovens e adultos. Pretende-se usar novas tecnologias para acelerar o processo de aprendizagem, laboratórios de informática, salas de vídeos e um portal na internet.

Para participar, o aluno deve ter concluído o ensino fundamental e efetuar matrícula diretamente nas escolas participantes do projeto. Inicialmente, a Escola da Juventude atenderá 300 escolas estaduais da capital e alguns municípios da grande São Paulo e do interior do Estado, num total de 30 mil vagas, sendo 100 por unidade.

O curso de ensino médio da Escola da Juventude está dividido em três tipos de atividades: curriculares presenciais, organizados em 4 módulos, sendo um optativo no sábado pela manhã e um obrigatório à tarde. No domingo, a situação inverte-se. Haverá no mínimo uma hora e meia por final de semana de atividades de inclusão digital, e atividades individuais durante a semana, sugeridas em classe e constantes dos materiais impressos.

Na sala de aula, o aluno contará com um orientador de estudos e na sala ambiente de informática, com um monitor para auxiliá-lo a tirar suas dúvidas. O curso desenvolver-se-á em módulos e o aluno terá flexibilidade para freqüentá-lo segundo sua disponibilidade de tempo. A avaliação será contínua, havendo provas freqüentes e, ao final do semestre, exame para a conclusão do módulo. A certificação será dada após a aprovação em todos os módulos, depois de 18 meses de atividades.

A programação parece bem pensada, bem organizada, agora é torcer para que esse curso abreviado de ensino médio, dado em fins-de-semana, não venha frustrar quanto à qualidade, fazendo o ensino decair ainda mais. As escolas devem passar avante a informação, deixando os alunos a par dessa recente inovação.

Um ensino médio com carga horária assim reduzida é prato de balança que oscila entre duas perspectivas. Permite ao aluno avançar em anos de escolaridade, ultrapassando os graus de ensino, engrossando as estatísticas, mas pode pôr em cheque a meta qualitativa. O ensino médio de um ano e meio favorece, é verdade, o aluno continuar na escola, afastando-o da rua, da ociosidade. Ajuda-o a não interromper o processo de estudo e a se afastar da violência.

Segundo a Unicef, o aumento da violência é proporcional à queda da escolaridade do adolescente, considerando que a sua cidadania depende da conciliação da educação formal com cursos profissionalizantes. Aponta que apenas 33% de jovens brasileiros, com idade entre 15 e 17 anos, freqüentam o ensino médio. Dentre as crianças que trabalham, a taxa de analfabetismo é de 20,1%, contra 7,6% entre as que não trabalham. Conclui que o problema da violência requer ação efetiva de toda sociedade e que sua solução passa necessariamente pela melhoria da escolaridade e profissionalização dos jovens, dentre outras medidas coerentes com aplicações socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Estatísticas comprovam que no Brasil o número de adolescentes que morrem violentamente supera o número de mortes nos países em guerra, como no Iraque, onde se calcula que 150 mil civis morreram na invasão movida pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha. Entre nós, mais de 24 mil jovens de 15 a 19 anos tiveram morte violenta em 2004, marcando um sangrento recorde mundial. Revelam as pesquisas que os adolescentes são, em geral, mais vítimas que autores da violência que os destrói.

Cerca de 68% das mortes de adolescentes no Brasil, com idade entre 15 e 19 anos, são provocadas por causas externas, como homicídios, acidentes de trânsito e suicídios. Perto de 10% de todos os crimes e delitos praticados no País são cometidos por adolescentes, o que causa séria preocupação.

A juventude está morrendo e está matando, e há fortes convicções de que esse quadro se modificaria se mais jovens estivessem na escola. Sob esse prisma, o ensino médio em fins-de-semana, conjugando estudo e trabalho, poderá ajudar, se conduzido por professores habilitados e interessados no processo, porque o mercado de trabalho considera prioritariamente a qualidade e não a quantidade de anos passados pelo aluno na escola.

Exigências do mercado levam as empresas de pequeno e médio porte a contratar pessoal qualificado na mira da adoção do selo de boas práticas trabalhistas, acompanhando as grandes empresas. Atuar com qualidade favorece o diferencial competitivo da empresa como foco na responsabilidade social. As pequenas empresas são as que têm até 99 empregados, no caso da indústria, e até 49, no caso de comércio e serviços. As de médio porte têm até 499 trabalhadores na indústria e 99 no comércio e serviços. O selo SA 8000 se tornou um termômetro da importância que as práticas internas empresariais têm em uma economia competitiva. Sua importância é tal que será como avalista para o futuro. Vai excluir empresas do mercado. O selo SA 8000 cria um ambiente ético que vai além da empresa e chega à sociedade, vai além das exigências trabalhistas, dando condições dignas de trabalho a seus empregados.

A SA 8000 é um conjunto de padrões que asseguram melhorias nas condições de trabalho nas empresas, com base nos preceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Para obter a certificação, que tem a validade de 3 anos, a empresa deve estar em dia com a legislação trabalhista, banir os trabalhos escravo e infantil e assegurar o direito à associação sindical e salários justos.

Para fazer parte de uma empresa bem organizada, de porte e sucesso, para receber os benefícios da SA 8000, o pretendente deve ter freqüentado uma escola de qualidade, adquirido uma boa formação acadêmica e profissional. Caso contrário, não passará nos testes de avaliação.

Um ensino médio de bom nível é porta aberta para uma boa colocação no mercado de trabalho.  Os relatos acima são questões para se pensar.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2005)

A TECNOLOGIA IRRADIANDO-SE EM TODOS OS GRAUS DE ENSINO

Izabel Sadalla Grispino *

O desenvolvimento tecnológico revoluciona a educação. Professores e alunos dispõem de amplas fontes de informação, têm acesso às mais importantes bibliotecas do mundo e podem, em qualquer lugar que estejam, conversar, trocar experiências entre si, pela internet. A avançada tecnologia utiliza uma série de ferramentas virtuais de última geração, como videoconferências e comunicação por voz, via internet.

No âmbito da sala de aula, a escola elabora uma pedagogia própria para o computador e a internet, que leva à auto-aprendizagem, à pesquisa, abre novos horizontes, desperta a inquietação intelectual.

A tecnologia aplicada como metodologia ativa traz resultados auspiciosos, em todos os graus de ensino. Ganha a aprendizagem. Na alfabetização de adultos analfabetos ou semi-alfabetizados conquista cada vez mais adeptos, colocando-se na sala de aula computadores e internet. Deixa-se de lado a cartilha, a lousa, o bê-á-bá, cria estímulos, via digital, para que o aluno, cansado do trabalho, não desista de estudar.

O uso de computadores e softwares especiais, divertidos, em aulas de recuperação, encarregam-se de prender o aluno e de levá-lo a estudar. Eles abrem espaço para a aprendizagem; o aluno torna-se mais participativo, mais criativo, com mais iniciativa.

Contudo, a tecnologia não produz efeito se o professor não souber usá-la. O bom preparo do professor para essas aulas é o segredo do sucesso. A tecnologia aliada a uma nova postura do professor atrai  o aluno, compete com a TV e os games. Com os softwares, a relação professor-aluno melhora muito, porque o professor deixa de ser um transmissor da matéria, passando a ser um mediador, um estimulador do aluno, valorizando o conhecimento que ele já tem.

O ideal seria que esse mesmo sistema atingisse, também, as aulas regulares, o que já ocorre em muitas escolas particulares, tornando-as mais interessantes. Os resultados das pesquisas parecem indicar que esse é um caminho que a escola deve seguir.

No ensino superior, várias universidades, valendo-se do recurso da tecnologia, criam o ensino a distância, colocam em prática uma modalidade de ensino, autorizada pelo Ministério da Educação (MEC), em que, por meio de aulas a distância, ministram até 20% da carga horária dos cursos regulares de graduação. Até 20% da carga horária, o aluno não precisa estar na sala de aula.

Adotam o método da inserção da tecnologia em cursos em que, até então, o computador era apenas um apoio para atividades extracurriculares e oferecem infra-estrutura de acesso para os alunos.

O ensino a distância deve ser um processo dinâmico, criativo, ficando bem além da simples digitalização do conteúdo dos livros e apostilas usados em classe. Usam-se links, animações e espaços para interação, como e-mail e fóruns de debate.

O ritmo da navegação fica por conta do aluno. Porém, tudo o que faz, assim que entra no site, é monitorado pelos professores, que verificam a freqüência, o tempo que ele passou em cada texto ou tempo que levou em cada exercício.

A tecnologia deve exercitar as habilidades do aluno, só repetir o conteúdo dado em classe não tem sentido. No início, muitos alunos se ressentem, acham falta do modelo presencial, estranham e encontram alguma dificuldade de adaptação, mas, aos poucos, aprendem a usar o programa, acostumam e passam a gostar desse tipo de ensino que vai alcançando bons resultados e ganhando credibilidade.

A tecnologia irradia sua ação para a área de segurança das escolas, como pátios, corredores, entrada ou saída, inclusive com câmeras que chegam às salas de aula. Muitas escolas do Rio e de São Paulo colocam câmeras de vídeo nas classes para monitorar os alunos, visando disciplina, comportamento, afastando pequenos atos ilícitos, como furtos de objetos, que ocorrem, às vezes, até por diversão.

Em classes mais numerosas, fica difícil controlar a desordem, as conversas, as brincadeiras, que tanto atrapalham as aulas. A vigilância das câmeras ajuda a identificar alunos rebeldes, que riscam carteiras, paredes, que furtam celulares, walkmans, estojos, cadernos... e outras travessuras. As imagens são vistas apenas por funcionários e no caso de algum problema os pais são chamados e conjuntamente resolvem a questão vexatória, como a de um aluno que roubou uma bicicleta de um colega, no pátio da escola. As áreas externas têm acompanhamento em tempo integral, nas salas de aula as cenas são gravadas e vistas depois.

A respeito do monitoramento por vídeo, todo educador sabe que o processo de educação deve ocorrer de dentro para fora e não simplesmente ser imposto. Nessas circunstâncias, pode ocorrer uma  noção falsa de ética, de moral, ensinando o aluno a camuflar. Sabendo vigiado, disfarça e longe das câmeras transforma-se, praticando o ilícito em outro lugar. As câmeras podem também criar um relacionamento construído, afastando a espontaneidade entre alunos e professores.

Monitorar por monitorar não resolve, porém, se esse controle vier acompanhado das discussões das causas emocionais que levaram ao comportamento reprovado, creio que ajudará. A observação de perto deve igualmente levar ao diálogo, à conscientização da falta, acompanhadas do trabalho educacional de orientação e de assistência.

Para que o monitoramento surta efeito prolongado ou definitivo, necessário se faz a aproximação, a confiança, o afeto entre educadores e educandos, ou entre pais e filhos.

Uma escola, com grande número de alunos, muitas vezes, vê-se obrigada a um controle mais rígido, para coibir indisciplinas, mas, nunca esse controle, por si só, resolverá um problema que é de cunho educacional. Ele apenas posterga, deixando para o entendimento das razões dos atos de delito sua elucidação, sua possível eliminação.

* Supervisora de ensino aposentada.           
(Publicado em novembro/2005)

VINTE E TRÊS DE MAIO – DIA DO SOLDADO CONSTITUCIONALISTA

Izabel Sadalla Grispino *

A escola não pode deixar de reviver, nesta época, os episódios da Revolução Constitucionalista. Reverenciar os heróis da Pátria é despertar no educando o sentimento patriótico, é resgatar os valores humanos de nossa terra e preparar as novas gerações para o amor e para as responsabilidades sociais, que a Pátria impõe.

Através dos grandes vultos de sua História, ensina-se a exortar o lugar onde nasceu ou onde vive, ensina-se a enaltecê-lo, a defendê-lo e, acima de tudo, a amá-lo. Ensina-se a respeitar os seus princípios, crenças e tradições, ensina-se a valorizar os atos de bravura devotados à Pátria, como o que aconteceu com a morte dos 4 estudantes: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, dando a própria vida pela redenção democrática do País – os seus despojos foram colocados, para orgulho do povo brasileiro, no Mausoléu do Ibirapuera. Ensina-se aos alunos o valor de uma Constituição, da Carta Magna de um país.

Como preâmbulo à poesia abaixo, lembro que em 1930 deveria haver eleição para presidente da República. Eram candidatos Júlio Prestes e Getúlio Vargas. Este, gaúcho, em 3 de novembro de 1930, sob o pretexto de que uma fraude eleitoral (antigo PRP) elegera Júlio Prestes, desencadeou no Sul a Revolução, conhecida como de 1930.

Tropas vieram do Sul e chegaram até o Rio de Janeiro, onde tomaram o poder. Getúlio Vargas tornou-se o chefe da Nação e nomeou interventores para governar os Estados, sendo em São Paulo interventor o embaixador Pedro de Toledo.

SOLDADO  CONSTITUCIONALISTA


Glorioso Soldado Constitucionalista,
Herói que lutou pela Revolução Paulista,
Bradou forte por uma nova Constituição,
Acirrada luta travou pela republicana redenção.

A rebelião teve origem na Revolução de 1930,
Tropas sulistas, sangrentas tintas derramaram sobre o País,
Se apossaram do poder, tendo à frente Getúlio Vargas,
Destituindo e prendendo o presidente Washington Luiz.

O governo provisório foi se tornando permanente,
O Estado de São Paulo não aceitava essa situação,
Em maio de 1932, por uma Constituição premente,
O povo saiu às ruas, contra a ditadura fez exortação.

Os estudantes aderiram bravamente ao movimento,
À democracia se prenderam em juramento,
No dia 23, na Praça da República,
Quatro jovens tombaram pela nobre causa pública.

Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo
Foram os primeiros mortos na luta pela Constituição,
Lavaram com seu sangue a afronta nacional,
Ídolos se tornaram no coração social!

Ergueu-se a sigla MMDC, como um estandarte,
Representa a data, traz as primeiras letras dos estudantes,
Cujo sacrifício pela Pátria não foi em vão,
O País teve, em 1934, a sua propalada Constituição!

Esta Constituição vigorou até 10 de novembro de 1937,
Quando Getúlio impôs nova ditadura ao povo,
Farsa que denominou “Estado Novo”,
Encomendando outra Constituição, a de 1937.

Em 9 de julho de 1932, em São Paulo,
Foi declarada a Revolução Constitucionalista,
Trazia o lema: “Tudo pela Constituição”,
O povo exaltado exigia a reparação.

Em homenagem aos quatro estudantes, de ardor nacionalista,
23 de maio foi consagrado ao Soldado Constitucionalista,
MMDC sintetiza para a Nação o gesto heróico,
A força que marcou o exemplo patriótico.

No Estado de São Paulo, por esse episódio,
O pendor de bravura ficou notório,
Pela Justiça, São Paulo revelou-se o primeiro,
Pela Democracia, impôs-se como pioneiro!

 

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em maio/2005)

A INTRANQUILIDADE DAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

Como gostaríamos de passar notícias boas sobre a educação pública brasileira, diferentes das que vêm sendo veiculadas pela imprensa. Porém, diante da realidade, revelada por pesquisas sérias, seria procedimento ingênuo, ilusório.

Pode até existir exceções, mas no final, a escola acaba sendo envolvida, arrastada, pelo meio social no qual se insere. Dificilmente, a escola hoje se sente segura. Tem medo do entorno, da violência das ruas que entra nela e da própria violência que existe dentro dela: brigas, furtos, rebeldia, alunos que não aceitam repreensão, seja por notas ou por comportamento e provocam estragos. Alunos que se espelham em traficantes e assaltantes, considerando-os heróis “porque eles andam de golf enquanto nós andamos a pé”.

A realidade das grandes cidades entrou nas escolas. Uma recente pesquisa, janeiro de 2006, coordenada pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), sobre a realidade das escolas, mostra que estudantes e professores vêem a escola pública como um local para se tomar cuidado.

A intranqüilidade toma conta da escola. Ela deixou de ser, de 10 anos para cá, um lugar seguro, como era no passado. Segundo a pesquisa, a percepção da violência começa nas pequenas coisas, como furtos. Os furtos são freqüentes nas escolas e o pior é que os estudantes já vêem a situação como natural: “Se pega é porque não tem, é só comprar outro”. O furto sendo visto com normalidade, fica difícil para os professores encararem essa situação. O ato permanece sem conseqüências, comumente a direção não toma providências, e leva a violência para além dos prejuízos materiais. A pesquisa assinala que quase 20% dos jovens dizem já ter batido em alguém, dentro da escola. Cinco por cento admitiram já ter apanhado.

Um outro aspecto da pesquisa foi notar a agressividade das meninas. Quase 10% delas dizem ter agredido alguém e 3% admitem ter apanhado. Geralmente, elas andam em grupos e agridem colegas que estão usando uma roupa diferente, um tênis da moda ou material escolar mais caro.

As meninas estão tendo reações típicas dos meninos, brigam por xingamentos ou por estar olhando feio uma para a outra. Nesse ambiente de confronto, a violência, às vezes, surge como uma maneira de aprender a se defender. A grande tarefa é melhorar o ambiente escolar.

Há, também, com muita freqüência, invasão, por pessoas de fora da escola. A pesquisa fala que em 55,8% das instituições pesquisadas houve invasões e em muitos casos o objetivo era bater em estudantes. O ambiente no entorno é pesado e colabora com a desordem. Há relatos de roubos, tiroteios e brigas perto das escolas.

Esse cenário de violência traz conseqüências de convivência, de relacionamento entre os alunos  e alunos e professores, dificultando a aprendizagem e até mesmo a permanência na escola. Alunos e professores sentem medo da criminalidade no ambiente escolar.

O clima de insegurança no pátio e na sala de aula arrefece o ensino-aprendizagem. A violência abala os fundamentos das práticas pedagógicas.

A conclusão da pesquisa é de triste situação. Diz a pesquisadora: “Vejo a escola profundamente infeliz, que não se consegue pensar, se relacionar com a juventude, que tem de ensinar. Sobre uma enorme frustração”.

Num ambiente como esse, marcado pela violência, pelo medo, como ressurgir para o desenvolvimento, ostentado pelas grandes nações? Como investir nessa direção? Como mudar as condições sociais que atingem educação e criminalidade?

Essas questões têm suscitado posicionamentos de educadores. Uma grande idéia vem surgindo, a do pertencimento. Levar o estudante a engajar-se em problemas sociais de sua comunidade, fazendo-o sentir um membro integrante dessa comunidade. Integrá-lo ao modo de vida do lugar onde vive, buscando melhorá-lo. Atrelando-se o estudante a compromissos sociais, é um valioso instrumento que vai refletir sua auto-estima, na sua identidade.

Esse é um dos encaminhamentos a que a escola deve postular. Incluir, ao conhecimento, o sentido de pertencimento, de abraçar os valores da comunidade, de melhorar o ambiente, o aluno enfincando raízes no seu passado. Não é educação só em escola, mas no meio em que vive o aluno.

Diz Gilberto Dimenstein que uma pessoa que não tem o senso de pertencimento pode aproximar-se com muito mais facilidade das drogas e está muito mais predispostas à utilização da violência, porque não tem nada a perder. Reforça o seu pensamento, dizendo: “As universidades precisam inserir os jovens rapidamente em estágios, em trabalhos comunitários, para que o estudante comece a lidar com a realidade”.

Sabemos que esse é um processo a médio e a longo prazo, mas é também uma grande possibilidade de redimir a juventude, de fazê-la sentir que, por detrás dela, há uma estrutura de vida, de família que ela precisa preservar. Essa propositura deve vir acompanhada de um policiamento sério, de um sério combate à violência, ao crime.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2006)

A POBREZA E O ENSINO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

A realidade brasileira é marcada por forte desigualdade social e um caminho a trilhar, nessa direção, é a educação. O acesso ao 3.º grau é uma das formas mais seguras de ascensão social no Brasil. A população carente começa a entender o processo, a necessidade de se cursar uma universidade para se afirmar socialmente.

 

A ESCOLA E O MUNDO DE PAZ

Izabel Sadalla Grispino *

É sempre com emoção que participo de momentos representativos da vida da escola. Fui convidada a presenciar uma atividade extracurricular, no final do ano letivo, uma representação teatral, de uma renomada escola. Ela contou com a presença de pais, de familiares e representantes da comunidade. Foi uma atividade que agradou pela organização, pela esmerada apresentação e pelas significativas mensagens passadas. Deixou transparecer a escola que representa. Houve um congraçamento enaltecedor das relações humanas, com saldo positivo para a escola. Um envolvimento caloroso entre professores e alunos, entre escola e comunidade, em cumprimentos efusivos.

Os alunos representaram no palco, em seis atos, não muito longos, com trajes típicos, cuidadosamente confeccionados, algumas das nacionalidades que despontam no cenário político mundial, em termos de riqueza e em termos de pobreza. Ao lado da beleza do espetáculo, a representação passou imagens significativas em valores humanos, uma auspiciosa sugestão de integração entre os povos, um ensinamento no "formar a roda", no sentido da solidariedade.

Presenciamos a escola exercendo, criativamente, de modo prazeroso, a função social de educar para a paz, para o amor. A escola abrangendo a visão pluralista da educação e da vida, preparando o aluno para entender o momento atual de guerra e de terrorismo, para entender o lado humano que deve nortear o conceito de globalização. É como dizia o educador Antonio Severino: “O professor deve ser fundamentalmente particular e fundamentalmente universal. Pensar globalmente, agir localmente”.

O mundo de amanhã pertence aos jovens. Se quisermos, para eles, um mundo de paz, temos que levá-los a refletir sobre as relações de poder. O paradigma do mercado é a polpuda conta bancária e não a dignidade pessoal. A concentração de renda gira forte entre os poderosos e não permite a entrada dos excluídos. É, pois, a mudança de valores, e não mecanismos econômicos, que vai permitir a reversão do sistema.

A escola está passando da hora de parar de reproduzir informação e começar a formar, a trabalhar caráter, afetividade, preconceito, diferenças, desníveis sociais, apontando para uma convivência pacífica.

Escola é um espaço educacional. Deve saber oportunizar os momentos da educação. Ela não molda, mas interfere na formação da personalidade. Considerei a escolha, da representação teatral, feliz, porque abre a mente e o coração para o acolhimento universal, para a compreensão das opulências e das carências que se contradizem na vida dos povos.

A pobreza, a miséria, que são os pivôs da exclusão social, geram revolta e violência. A violência vem sendo tratada, nos meios educacionais, como um item prioritário, tanto assim que a Pontifícia Universidade Católica (PUC), de Campinas, criou, para o corrente ano, um curso, inédito no País, de pós-graduação de prevenção à violência. O curso será ministrado por especialistas contratados especificamente para ele, terá duração de um ano e será voltado para profissionais de áreas que lidam, diretamente, com vítimas, autores ou situação de violência.

A escola, preparando-se para educar na direção das diferenças sociais, estará dando acentuada contribuição ao combate da violência. Para se ter uma idéia das discrepâncias sociais, vejamos o que nos expõe o Banco Mundial, quando fala que dois terços da população mundial vivem abaixo da linha da pobreza: “Habitam o nosso planeta, hoje, 6,1 bilhões de pessoas. Só 2,1 bilhões desfrutam de condições dignas de vida. Os outros 4 bilhões padecem: 2,8 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, o que significa que não dispõem de renda mensal equivalente a mais de US$ 60. E 1 bilhão e 200 milhões vivem abaixo da linha da miséria, porque possuem renda mensal inferior ao equivalente a US$ 30”.

Os alunos, nessa atividade extracurricular, ao viver no palco sentimentos  de  patriotismo,  peculiaridades cultu-

rais, sociais e econômicas dos diferentes povos, tornam-se mais sensíveis à questão da desigualdade. O interessante é que participaram da representação também atores mirins, correspondentes à faixa etária do período escolar referente à educação infantil, fase da vida em que se deve dar ênfase à formação da personalidade.

Hoje, nós sabemos que a pré-escola é a detentora do troféu das transformações sociais. Quando dizemos que as crianças são o futuro do País, não estamos nos valendo de expressão feita, mas de um profundo sentido real. O provérbio popular, que diz: “É de menino que se torce o pepino”, é rico em sabedoria. “Nós somos o que a criança que fomos fez de nós”. Machado de Assis dizia: “O menino é o pai do homem”.

Podemos perceber o quanto o adulto está na criança, o quanto sai da criança, o quanto é filho da criança. Só a educação das primeiras letras é capaz de modificar o quadro reinante, quadro de sociedades profundamente marcadas por desigualdades de acesso aos bens essenciais.

Para se chegar à mudança social, a escola deve valer-se de projetos alternativos, que conscientizem, estimulem e restaurem os valores humanos, os compromissos morais e éticos. Parabenizo a escola pela estratégia montada a favor da formação do educando, pela idealização da mensagem de paz, pelo despertar de consciências.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(*Publicado em janeiro/2002)

EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO (ENEM)

Izabel  Sadalla  Grispino *

O Ministério da Educação e Cultura (MEC), ao iniciar seu processo de avaliação do ensino médio, deu início ao projeto do “Exame Nacional do Ensino Médio” (Enem), um exame nacional de final de ensino médio, criado em 1998, com o objetivo de avaliar as habilidades e as competências adquiridas pelos alunos no fim da educação básica. Expandiu, porém, o objetivo que passou a ter também o propósito de oferecer às universidades um outro critério de seleção ao seu ingresso. O Enem é, ao lado do vestibular, uma outra opção de ingresso ao ensino superior.

Universidades, sob a chancela do MEC, organizarão o Enem, que é financiado por uma taxa de inscrição e é voluntário, tanto para o aluno como para a universidade, que terá liberdade em adotar ou não o resultado do exame, como um dos critérios a seu ingresso. O aluno terá pontuação, aproveita a nota a universidade que quiser.

O MEC dará um limite de vagas para poder garantir outro tipo de ingresso, por exemplo, aos alunos do curso supletivo e para os que não fizeram o Enem. Não vai permitir que 100% das vagas sejam preenchidas com os alunos que venham a ter as melhores notas no exame. Aquele que perder o exame poderá fazê-lo em qualquer época e o que obteve nota insatisfatória poderá repetir o exame para melhorar a pontuação. O exame não será feito apenas pelo aluno que tenha concluído, no respectivo ano, o ensino médio, mas por todos os que já o completaram, não importando se há 10 anos ou mais. O “Exame Nacional do Ensino Médio” (Enem) é apenas uma referência, visa, essencialmente, a rede pública. A particular mantém seus próprios critérios, como já tem feito. Sobre a pontuação, tomando o exemplo dado pelo ministro Paulo Renato Souza, temos: sobre o máximo de 500, o aluno obteve 350 pontos. Uma determinada universidade poderá aceitar essa pontuação, e outra só aceitar acima disso. As pontuações regulares poderão ser submetidas a outros critérios.

O “Exame Nacional do Ensino Médio” (Enem) é totalmente diferente do Exame Nacional de Cursos (ENC), o provão. O provão não traz conseqüências individuais, é feito para avaliar o curso superior. No “Exame Nacional do Ensino Médio” (Enem) as conseqüências são individuais, embora não dê direito garantido de ingresso ao ensino superior, como dá, por exemplo, o vestibular. Vai depender do critério adotado pela universidade. O Enem abre apenas a possibilidade de ingresso.

O Enem põe em prática a metodologia implícita nos preceitos emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) para a reforma do ensino. Os exames têm sido elaborados com o propósito de testar a capacidade de o aluno aplicar conhecimentos na resolução dos problemas diários. Busca aferir a estruturação do raciocínio e a análise de problemas, cobrando conteúdo próximo à realidade do aluno.

Conforme orientação do MEC, o que se quer é avaliar as habilidades e as competências desenvolvidas pelos alunos durante a educação básica. Ressaltando a necessidade de os exames abordarem o conteúdo de modo interdisciplinar, a coordenadora do Enem, Maria Inês Pini, diz que “a avaliação será interdisciplinar, não havendo questões específicas por matérias. Serão perguntas que irão misturar conceitos de física e matemática, por exemplo. Em todas as questões o aluno precisará ser capaz de estabelecer relações entre as diversas áreas do conhecimento. O objetivo maior do Enem é montar uma prova que não meça conteúdo e, sim, habilidades.”

O Enem é constituído por uma prova única, contendo 63 questões objetivas de múltipla escolha e uma redação. Todo participante receberá um boletim individual de resultados, que é sigiloso e fornece informações sobre o desempenho do aluno, comparando-0 com a média geral do País.

No 3.º ano de sua existência, o Enem traz mais uma característica: a avaliação, também, poderá se tornar fonte de informação para as empresas na contratação de pessoal e qualificação profissional. O exame pode ser utilizado pelo mercado de trabalho, na seleção de pessoal de nível médio, servindo como referência de qualidade, no currículo dos candidatos. Uma outra utilização do Enem no mercado de trabalho poderá se dar na preparação de cursos e treinamentos, considerando as necessidades específicas de cada clientela. “O Enem vai ao encontro das novas necessidades do mercado de trabalho, que busca cada vez mais um profissional capaz de intervir, de forma lógica e criativa na realidade”, reforça Maria Helena G. de Castro, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC).

O Enem, se aplicado com critério e bem dosado, terá o mérito de nos revelar os caminhos que o ensino médio vem tomando, assim como o grau de conhecimento demonstrado pelos alunos nesse nível de escolaridade. Despertará, para a escola, a aprendizagem prática, realista, contextualizada, reforçando seu  caráter  formativo,  no qual o ensino deve nortear-se mais pelo desenvolvimento das capacidades cognitivas de caráter geral  que  por  informações.  O  “Exame  Nacional do Ensino Médio” (Enem) pode vir a ser um grande referencial à metodologia da escola, uma alavanca na organização didático-pedagógica, que poderá conduzi-la à necessária renovação.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

O ENSINO TÉCNICO E SUAS OPORTUNIDADES EDUCACIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) n.º 9.394/96 separa o ensino técnico do ensino médio, até, então, funcionando de modo único, integrado. A Lei separa a parte acadêmica da parte profissional. O ensino técnico e o ensino médio passam a ser duas realidades distintas, pertencentes, contudo, a um mesmo sistema. Uma realidade é o ensino médio tradicional, que prepara para a universidade, e a outra, a educação profissionalizante, que prepara técnicos de nível pós-secundário, objetivando a formação de mão-de-obra especializada, requerida pelo mercado.

O aluno para receber o diploma de técnico terá de freqüentar as duas realidades: o ensino médio e a educação profissionalizante. Faz-se o curso normal do ensino médio e, se quiser ser técnico, complementa-o na área técnica. As matérias técnicas poderão ser lecionadas simultaneamente ao curso regular do ensino médio ou de forma complementar, depois de o aluno tê-lo terminado.

O técnico é um ensino paralelo, não interfere no ensino médio. O programa de habilitação técnica, segundo orientação, será dividido em módulos, cuja definição dependerá das necessidades do setor produtivo, e terá duração variável. Ao final de cada módulo, o aluno receberá um certificado, mas não será técnico. A formação de técnico estará condicionada à conclusão do conjunto de módulos referentes à habilitação escolhida. Só poderá candidatar-se quem estiver cursando o ensino médio ou já tiver concluído o curso. Esse programa modularizado poderá ser feito ininterruptamente ou ser interrompido e prosseguido depois – pode ir e vir. Serão módulos complementares que não precisarão ser feitos na própria escola do aluno, desde que a referida escola reconheça oficialmente a situação.

A nova Lei de Diretrizes e Bases prevê a flexibilização na organização de cursos e carreiras. Por isso, é possível substituir a atual estrutura curricular, baseada em disciplinas e em cargas horárias fixas, por outro modo de organização, como, por exemplo, o sistema de módulos.

As escolas técnicas públicas, particulares, Senai e Senac terão dois tipos de diplomas: o básico, que pede qualquer tipo de escolaridade anterior, e o técnico, para os que cursaram o ensino médio.

As dificuldades socioeconômicas da atualidade empurram uma faixa etária mais jovem para o trabalho e levantam o problema da profissionalização. Em 1971, quando foi promulgada a antiga Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei n.º 5.692/71, era possível discutir o conceito de “terminalidade” em relação ao exercício profissional. Por essa lei, o aluno, ao cursar o 2º grau, podia, de forma integrada, receber uma formação acadêmica – preparando-se para a universidade – e receber uma educação profissionalizante, obtendo o diploma de técnico. Constatou-se, posteriormente, que nessas condições, a preparação para o trabalho era um engano e uma lei posterior, de n.º 7.044/82, libertou o 2º grau da obrigatoriedade da profissionalização, mas não se definiu sobre o 2º grau como um todo.

Cerca de 100 mil dos 5 milhões de alunos do ensino médio, no Brasil, estão em escolas técnicas federais. Há uma centena delas em todo o País. Dois terços estão voltados para a formação de mão-de-obra especializada para a indústria e um terço para a agropecuária.

A parte acadêmica não ficará de fora da formação do técnico. O que se quer é um técnico com formação da área humana, considerando-se, para tanto, a parte acadêmica como importante na sua formação.

Na reformulação dos currículos dos cursos de graduação das universidades, o Conselho Nacional de Educação (CNE) recomenda uma formação geral sólida, para que o futuro profissional possa superar os desafios de renovadas condições de exercício profissional. Recomenda, ainda, nesse processo de mudança, a criação de currículos menos rígidos, afinados à características regionais, possibilitando formar  um  profissional  mais adequado ao mercado de trabalho regional. A partir do regional, o profissional acompanhando a evolução do conhecimento, alargando seu   campo de atividade, poderá atingir outras regiões, dentro e fora do País. Essa evolução do conhecimento far-se-á mediante uma aprendizagem contínua. O técnico, como qualquer outro profissional, tem que estudar permanentemente. O diploma não significa fim de jornada instrucional.

Vejamos o conceito que o jornal de RH da “Associação Paulista de Administração de Recursos Humanos” dá à aprendizagem contínua: “Muito se tem falado em aprendizagem contínua, mas nem todos sabem o que isso realmente significa e representa para a empresa e para a carreira de um profissional. Aprendizagem contínua é a necessidade que os profissionais têm de estar cada vez mais atualizados e informados, principalmente em um cenário no qual as empresas multinacionais procuram pessoas altamente preparadas e capacitadas”.

O jornal reforça a conceituação, através de pronunciamentos de competentes profissionais. O diretor de RH para a “América Latina da Novartis”, Mauro Ribeiro, diz: “Em um mundo de tantas mudanças é necessário manter-se atualizado constantemente. Atualmente é muito difícil alcançar o nível ideal de conhecimento e habilidade, por isso é extremamente necessário estar sempre buscando”.

A analista de RH da SKF do Brasil, Fabiana Ribeiro, completa: “O profissional, hoje, precisa saber de tudo. Temos que ter experiência de todo o universo da empresa. É preciso participar de todas as áreas e atividades. Precisamos estar à frente e por isso é preciso se informar, buscando sempre o que há de novo no mercado”.

O diretor comercial da “Integral Consultoria & Treinamento”, Fernando de Carvalho Cardoso, conclui: “O aprender contínuo é estar sempre bem informado, prestando atenção à mídia, sabendo o que está acontecendo a sua volta, principalmente, na sua área de atuação... Estudamos a vida inteira para entrarmos no mercado de trabalho, Mas, agora é preciso aprender de verdade para nos mantermos nesse mercado”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2000)

POLITIZANDO O EDUCANDO

Izabel Sadalla Grispino *

A politização é um aspecto muito importante do currículo.

“Politizar o educando é um objetivo que não pode ser postergado. Levá-lo à análise do comportamento político, do conhecimento dos regimes políticos, da ética democrática, diferenciando-a da cultura autoritária, na conquista da cidadania, do convívio social, da reivindicação dos direitos do cidadão e respeito pelos deveres a serem cumpridos, no nascimento de um novo povo. De um povo, que, pela participação política, renasce, a cada dia, para a batalha da vida, para a busca de soluções aos destinos de sua terra. Politizar o aluno é dar-lhe estrutura para atuar no campo político, com vistas a uma política responsável, a uma militância consciente. Levá-lo a refletir sobre o voto e sua importância para o País. Mecanismos pedagógicos devem ser acionados, como debates, discussões, trabalhos entre os alunos, ressaltando-se temas como “O País que quero morar”, “O País que quero ter”, “O País dos meus sonhos” etc.” (Do meu livro “Prática Pedagógica”, pág. 63 do item “O sentimento patriótico”).

Esse período de eleições é próprio para se abordar o assunto, para se motivar o aluno. Nós que labutamos na área da educação, devemos fazer, junto com os alunos, um levantamento dos candidatos da cidade, que se apresentam com a bandeira da educação. Pesquisar sua vida pregressa, seu currículo, os trabalhos desenvolvidos na área, a honestidade, a seriedade de sua atuação, o nível de suas contribuições, a transparência, o caráter, lisura de comportamento, ausência de demagogia, de atos corruptos.

Essa análise é importante para se bem votar, para não se errar e correr o risco de entregar o posto a alguém que não o merece, alguém que vai ocupar o lugar de um outro que poderia exercê-lo com mais dignidade, mais competência. Nessa eleição, a escola deve falar ao aluno sobre o papel do vereador, o que significa legislar, o que significa legislativo; falar sobre o papel do prefeito, da função executiva, administrativa. Colocar o aluno a par do sentido político de governar, do sentido de democracia que possibilita a formação de partidos e de eleições. A escola deve manter uma atitude de neutralidade, não demonstrar preferência partidária, não entrar no mérito doutrinário ou em ideologia.

“Somos responsáveis pelos homens públicos que colocamos no poder e acertamos bem mais quando acompanhamos suas ações, seus desempenhos, quando aprendemos a manusear as armas poderosas que as eleições nos oferecem, filtrando, peneirando o universo indesejável. A escola conseguirá formar um aluno compromissado com a Pátria, se despertar o amor à terra natal desde a tenra idade, porque os bons princípios, os sentimentos, crescendo com a criança, se desenvolvendo com ela, se firmarão e dificilmente serão abalados”. (Do meu livro “Prática Pedagógica”, pág. 65).

Completo meus pensamentos na poesia que segue e que gostaria que os professores fizessem chegar até os alunos, com uma leitura seguida de interpretação.

VOTO  CONSCIENTE

Caro eleitor, dê a sua cota,                    Votar não pode ser paixão,
Está chegando a eleição,                       Tem que ser ato racional,
Vote como patriota,                                 Utilize-se, pois, da razão,
Pondere bem a situação                        Deixe de lado o emocional.

Vote com plena consciência,               Votar é delegar poder
Não se iluda com promessa,               A alguém que decide por nós,
É época de reverência,                          É momento de rever,
Sorriso fácil, fé confessa.                    De ajustar os dominós.

Ao votar, pense no futuro,                    Aja com imparcialidade,
No dia do próximo amanhã,                 Sempre há honestos e vilões,
Seu voto trará mundo obscuro,          Não pense em si, mas na cidade,
Ou pomar de muita maçã.                    Livre a pátria das corrupções!

Se já existe procedência,                     Fique atento à demagogia,
Fica mais fácil decidir,                           Lute forte por seriedade,
O passado é referência,                       Seu exemplo arrastará maioria,        
Para não se deixar iludir.                      Levará a cidade à prosperidade.                    
Também, analise as propostas,         A cidade, onde vive, aprimore,
Que sejam viáveis, pés no chão,        Cuide bem de sua terra natal,
Após, confirme as respostas,             Nos princípios éticos se escore,
Cobre firme, faça pressão.                  Cante, com orgulho, o Hino Nacional!

 

* Supervisora de ensino aposentada.                 
(Publicado em setembro/2004)

OS DESMANDOS DA CORRUPÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Os caminhos abertos, a que proporciona a democracia, vêm conduzindo o povo a manifestações explícitas, a favor da moralização do nosso sistema nacional carcomido. A mídia esclarecida vem alertando a população para os desmandos da corrupção, para os prejuízos que ela causa ao País, empobrecendo-o.  As denúncias de corrupção, veiculadas pelos meios de comunicação, encontram forte ressonância junto à população, que começa a exigir transparência de atos e de fatos.

A conjuntura nacional vem se transformando, realinhando-se com vistas à moralização. Caminhando nessa direção, será ela, a corrupção, quem, em breve, entrará em crise, com estreitamento das possibilidades de sua ocorrência e com exigência de sua punição.

Sob forma clara ou velada, a corrupção se instala na educação, na saúde, na segurança, marca presença maciça no comércio. Ela chegou num grau extremo de aceitação e, conforme nos ensina a própria vida, os extremos tendem a chocar-se, trazendo o verso da moeda. Nesse preceito reside a grande esperança.

Ao penetrar no interior das instituições, poucas são as que se mantêm impolutas. No artigo da semana passada, abordei a desmoralização reinante nos cursos supletivos particulares a distância e os passos enérgicos tomados pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) de São Paulo, a respeito. Nem mal a decisão do Conselho saiu publicada no Diário Oficial, já se iniciavam tentativas de driblá-la.

Uma escola foi flagrada cobrando R$ 4 mil para cada nível de ensino, com certificado pronto em sete dias. Para os 1.º e 2.º graus juntos, o preço subiria para R$ 5 mil. A atendente insistia que se fechasse o negócio o mais rápido possível, porque com o passar dos dias, devido à nova regra, a coisa ficaria mais difícil. Ela, ainda, se oferecia para responder à prova. “Você só precisa assinar”.

Inteirando-se dessa situação, Arthur Fonseca Filho, presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), desabafou: “Foge até da esfera da educação, passa para a policial”. Acrescentou: “Os vendedores de diploma devem estar adulterando documentos e cadastrando os novos alunos como se tivessem sido matriculados há 90 dias”. Uma fiscalização rigorosa faz-se necessária para identificar os alunos que se matricularam antes da nova regra.

Um outro segmento educacional que começa a preocupar são os recém-criados cursos de pós-graduação, por inúmeras faculdades. Está havendo grande procura por esses cursos. Apenas o diploma de graduação não é mais suficiente para se ter, hoje, uma carreira de sucesso. No mercado competitivo, o grau de exigência vem crescendo e coloca nos cursos de pós-graduação o diferencial. A especialização abre caminho no trabalho.

Até uns anos atrás, fazer uma pós-graduação requeria passar por uma seleção em uma universidade pública ou em uma grande instituição particular. A realidade mudou. As faculdades, percebendo a correlação, passaram a manter estruturas de pós-graduação, oferecendo cursos em várias modalidades.

Está havendo uma verdadeira proliferação e já começa a suscitar dúvidas sobre a honestidade e a qualidade de ensino dos cursos. O Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão responsável por esse nível educacional, defende uma ampla avaliação do segmento: “A expansão precisa ser acompanhada de qualidade. Está na hora de fazer um mapeamento para ver onde e como a expansão está ocorrendo para evitar um crescimento desordenado”, arrematou Arthur Roquete de Macedo, presidente da Câmara de Ensino Superior do Conselho.

A cada dia nos deparamos com diferentes denúncias de corrupção, nos mais diferentes setores. Presentemente, confrontamo-nos com uma produção e um comércio ilícito de cópias piratas de softwares, discos, livros e fitas de áudio e vídeo, em todo o País. O mercado de fitas de áudio estima-se ser, praticamente, pirata. O desrespeito aos direitos autorais chega a um patamar absurdo e vem prejudicando as relações comerciais do Brasil com outros países, especialmente com os Estados Unidos.

O mercado de produtos pirateados impõe barreiras comerciais, causando perdas consideráveis. As campanhas antipirataria, feitas por indústrias, têm trazido algum resultado. Mas, infelizmente, está sendo de muito difícil reprimenda; burlam-se os regulamentos, em variadas estratégias.

A desonestidade reinante nos alerta para a necessidade de uma contínua vigilância, nos mostra que postergar problemas é aumentar  a dificuldade em corrigi-los.

Para conseguirmos vencer situações lastimáveis como essas, é preciso investir-se, e muito, na educação, as escolas abordando educação politizada, educando para a cidadania, para a participação consciente dos problemas político-sociais, no engajamento do sentimento patriótico.

Foi com pesar que escrevi os versos abaixo: “Corrupção viciada”.

CORRUPÇÃO  VICIADA

Que lástima, esse nosso amado País!
Só CPIs cavando a podre raiz,
Gritante aberração e deformação
Do ideal de um povo em busca de afirmação.

Se lá em cima há muita roubalheira,
Que freio botar no batedor de carteira?
Que exemplo passar a fim de educar
E conseguir intento em moralizar?

Essa terra fértil, rica em mil produtos,
Na pilhagem embarga variados frutos,
Nunca se tem dinheiro para o social,
Saúde e educação sempre em baixo astral.

O povo indignado se revolta,
Apavorado anseia proteção, escolta,
CPI não salva, não marca confiança,
Deixa, contudo, laivos de esperança.

Sistema viciado em gatunagem
Arrasta a plebe pra triste engrenagem,
Cria cultura propícia à vil esperteza,
E sintoniza formas de safadeza.

Como sair dessa aviltante emboscada?
Como trocar sufoco por gargalhada?
-- A educação, a mudança cultural,
São saídas pra essa vergonha nacional!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

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A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

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A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

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