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Artigos Educacionais

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LUZES NA TRAVESSIA DO TÚNEL

Izabel Sadalla Grispino *

Lançando-se um olhar, interessado e criterioso, sobre o nosso imenso e desigual País, toca-nos as disparidades regionais, a frisante desigualdade social – alguns ricos, outros tantos muito ricos e uma imensa camada de pobres, muito pobres, resvalando na miséria. As almas sensíveis, solidárias, responsáveis, acabam comovendo-se e, seguindo os ditames do coração e da razão, buscam minorar o sofrimento dos excluídos. Envolvem-se, de modo altruísta, sob a forma de trabalho voluntário, às causas sociais, sem pensar em remuneração.

O trabalho voluntário sempre existiu. Pessoas que reservam parte de seu tempo para o próximo. Esse trabalho não deve ser encarado como simples caridade. Ele quebra paradigmas da sociedade capitalista, que vê na remuneração, no lucro, as únicas razões de luta. O trabalho voluntário anula interesses pessoais, incentiva a articulação entre sociedade e compromisso social. É uma busca alternativa para alcançar os desníveis sociais, o abrandamento da fome, do desemprego, da ignorância alfabética. Ultimamente, o trabalho voluntário vem se firmando e até se institucionalizando. Em muitas escolas, já faz parte do currículo escolar.

A cooperação, a aproximação, o entrelaçamento solidário entre as classes sociais, são o melhor caminho na quebra da insensibilidade e do preconceito, especialmente em relação à pobreza. Hoje, o pensamento dominante é de que, se se quer paz, tem-se que enfrentar a pobreza, formar uma convivência amistosa, um envolvimento coletivo, visando criar oportunidades de vida melhor aos necessitados.

O triunfo da indiferença que impera em boa parte da sociedade é superado por outra parte de ação benemérita, que merece ser aplaudida, com entusiasmo e admiração. Em Ribeirão Preto, o trabalho voluntário floresce a cada dia. Uma plêiade de voluntários, mais especificamente, de voluntárias, que junto às tarefas do lar ou de uma profissão remunerada, não se furta ao dever do seu papel social.

Sexta-feira, dia 21 de março, tive a grata satisfação de participar da inauguração da nova sede da “Associação Beneficente Pró-Família”, fundada, dirigida e mantida por voluntárias. Essa associação, aberta ao convívio social, iniciou-se há uma década, com uma jovem, imbuída de ideais humanitários, de crença no potencial do ser humano: Cláudia Jábali Biagi. Essa jovem sentia na alma a certeza de que educando a criança estaria formando o adulto realizado de amanhã. Ao visitar a favela das Mangueiras, na Vila Virgínia, Cláudia condoeu-se das crianças mal vestidas, perambulando pelas ruas, sem destino. Um lampejo de consciência e de piedade tocou-lhe o coração. Organizou-se, criou uma sala de aula improvisada, acolheu as crianças, de 3 a 6 anos, iniciando-as na escolarização. Cada vez mais, Cláudia ia percebendo o quanto era importante o trabalho que devotava a essas crianças. A cada ano, o número de alunos crescia e era preciso criar novas salas para atendê-los.

Uniu-se a outra voluntária, tal como ela, abnegada, disposta a se entregar à causa da criança carente: Andrea Cicciarelli Pereira Lima. Alugaram uma casa, transferindo a “escolinha” para lá.

Um sonho começava a habitar suas almas, o sonho do prédio próprio, da escola idealizada. Assim, com garra e determinação, engajaram-se nessa direção e essa vontade se concretizou! Dia 21 de março foi o marco da vitória e elas puderam, com a alegria do dever cumprido, da satisfação do acolhimento, inaugurar a escola sonhada. Um moderno prédio, construído em moldes educacionais, com toda a infra-estrutura necessária a uma escola de educação infantil, não se esquecendo da sala do dentista, uma sala odontológica plenamente aparelhada.

Cumpre-nos externar louvores a essas duas mosqueteiras, que passam à sociedade fé e esperança em dias melhores. O homem forja o caráter malhando em ferro. Colocando pedra sobre pedra, tijolo sobre tijolo, conseguindo a adesão de outras dedicadas voluntárias, elas ergueram, na Vila Virgínia, um monumento de solidariedade à humanidade sofrida. Formaram trincheira, no apoio, no suporte cognitivo, afetivo, no suporte alimentar, de saúde, a crianças que corriam o perigo das ruas, de mãos estrangeiras, das drogas, da violência. Que Deus as proteja e lhes dê força na caminhada. São de exemplos como esses que precisamos para ilustrar nossos filhos, nossos netos, nossos jovens.

Contudo, é preciso que se diga, que elas nunca estiveram sozinhas. Desde o início, até hoje, sempre esteve na retaguarda, assessorando, capitaneando, uma mulher de extraordinário valor: Dea Spadoni Biagi. Uma guerreira versátil, de exuberante vitalidade, uma educadora da vida, que lhes serviu de infra-estrutura emocional, intelectual, criativa. Dea é a gangorra que promove o equilíbrio, gangorra que quando desce é para subir mais alto, porque traz, com a descida, a visão de amplitude, clareando o caminho. Dea é, no seu próprio dizer, “o bombeiro que ateia fogo e que apaga o fogo”, não deixando o elã se esfriar, nem se empolgar demais, respeitando limites e possibilidades.

Nos meus versos abaixo, a imagem que Dea me passa:

À  DEA  SPADONI BIAGI
De Izabel Sadalla Grispino

Há seres que conseguem se sobrepujar,
Pairam na vida acima do bem e do mal,
Atravessam a enxurrada sem se sujar,
Força moral, construção de amor por igual,
São lutas que se impõem em tempo integral;
Tambores que rufam acordando o ideal.

Há seres que vêm ao mundo iluminados,
Para a grandeza convergem os olhares,
A solidariedade são seus passos ritmados,
Se no alto da montanha constroem os seus lares,
Na superfície enfincam os pilares,
Na ajuda aos carentes, convocam os seus pares!

Há seres de luz irradiante,
Formam clareira na senda da pobreza,
Encontram nas favelas minas de diamante,
Lapidam as pedras brutas em profundeza,
Ensinando a extrair riquezas da natureza,
Ensinando a ver o mundo em seu raiar de beleza!

Caminham olhando o céu, pisando a terra,
Sublime virtude, suada construção!
Vales de sol, onde não se cultiva guerra,
Onde a inteligência se une à oração,
Onde o amor ao próximo é vocação;
Vales, onde o trabalho é religião!

Assim é nossa Dea Spadoni Biagi,
Espírito de gigante, coração de “menino”,
Baluarte da coragem, revolução que age,
Prepara o adulto, modelando o “bambino”,
Missionária da formação do pequenino,
Engenheira da construção do belo destino.

Dea, Deus lhe mostrou a estrela matutina,
Na aurora, fez resplandecer sua alma divina!


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2003)

AO JORNAL “TRIBUNA IMPRESSA”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “Tribuna Impressa”, deste valioso instrumento de comunicação que Araraquara aprendeu a admirar pelo alto profissionalismo, venho, há cerca de dois meses, publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporciona-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade araraquarense, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Estou me propondo, entre outros, a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional do ensino vigente.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Já tive a oportunidade de passar alguns conceitos, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida, a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “Tribuna Impressa” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e clareie a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Araraquara, já vem se tornando habitual, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “Tribuna Impressa”, nas pessoas de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com brilho e persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população.  O jornal “Tribuna Impressa” cresce com Araraquara, coloca-se na vanguarda jornalística. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, competente, que vem se tornando marca consagrada. Pessoas que lutam por ideais salvaguardam a humanidade. Onde há uma vontade, há um caminho. Parabéns!

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Araraquara. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos.

A todos vocês, queridos leitores,/ Que esse dois mil e um lhes seja risonho,/ Caminhos abertos, muitos amores,/ Que se realize seu mais lindo sonho.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em dezembro/2000)

PROGRESSÃO CONTINUADA E PROMOÇÃO AUTOMÁTICA

Izabel Sadalla Grispino *

O sistema de “regime de progressão continuada” consiste na ampliação do ciclo básico que, desde 1984, era formado só de 1.ª e 2.ª séries. Passou em 1998, no Estado de São Paulo, para dois grandes ciclos no ensino fundamental: o de 1.ª à 4.ª série e o de 5.ª à 8.ª série.

O termo progressão continuada, num sentido amplo, aplica-se a toda educação, pois o ensino-aprendizagem precisa estar inserido numa progressão continuada de estudo. Sob o prisma da legislação, refere-se à formação de ciclos, num processo de conscientização de que o aluno não pode estacionar, tem que progredir continuadamente dentro de sua fase de desenvolvimento, de seu nível de conhecimento, de seu ritmo de aprendizagem, num processo de promoção automática, ou seja, a reprovação é substituída pela progressão continuada, em que os alunos são avaliados passo a passo, reportando-se a recuperações paralelas, reforço de estudos e, se necessário, à recuperação final, no período de férias.

A Secretaria Estadual da Educação, interpretando o artigo 24, em seu inciso II, alíneas a, b e c, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que criou a “reclassificação e a classificação”, resolveu dar chance de aprovação, tanto para alunos que obtiveram notas baixas o ano todo, quanto para os que não atingiram 75% de presença.

O inciso II diz: “A classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira do ensino fundamental, pode ser feita:

  1. por promoção, para alunos que cursaram, com aproveitamento, a série ou fase anterior, na própria escola;
    1. por transferência, para candidatos procedentes de outra escola;
    2. Independentemente de escolarização anterior, mediante avaliação feita pela escola, que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada, conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino”.

A reclassificação permite à escola avaliar e determinar a série de alunos oriundos de outras instituições e, mesmo, de outros países, sem levar em conta documentos escolares. A classificação permite a promoção avaliando conhecimentos, sem considerar a série cursada.

É uma visão avançada em educação, essencialmente democrática, mas é preciso cuidadoso critério, senso de propriedade para não resvalar no comum. Uma coisa é avaliar, ocasionalmente, um candidato que, por circunstâncias especiais de estudo, de trabalho ou de doença, se afastou da escola e com base no conhecimento apresentado, determinar-lhe a série; outra coisa é adotar critérios facilitadores de promoção a alunos que podem freqüentar regularmente uma classe e por displicência ou irresponsabilidade não cumprem o que cumprem os demais colegas. Achamos, sim, que o professor deva ser orientado no sentido de dar ao aluno as chances de recuperação, de acordo com o programado. Dar-lhe oportunidades diversas à sua aprendizagem, mas fazê-lo com limite e comedimento, reforçando, no caso, o aspecto formativo da conduta responsável.

Estamos na era do conhecimento, dele não podemos nos furtar. Como fica a formação do aluno nessa velocidade de aprovação? Que conseqüências histórico-culturais teremos dessa filosofia de aprovação? Será possível criar um trabalhador rápido, eficiente, adaptado à vida competitiva do mercado, através dessa filosofia?

PROMOÇÃO AUTOMÁTICA E QUALIDADE DE ENSINO – Hubert Alqueres, referendando a Secretaria da Educação de São Paulo, considera que “a performance do sistema pode ser aferida pelas taxas de reprovação e de evasão”, concluindo que as taxas estão caindo. Considera que as mudanças do sistema de aprovação, que as classes de recuperação, a reorganização do ensino – pela qual as escolas foram desmembradas, ficando as 1.ªs até as 4.ªs séries num estabelecimento, e as 5.ªs até as 8.ªs séries em outro – e a melhoria da infra-estrutura, criaram condições para que o aluno permanecesse na escola, não se evadisse.

Acreditamos na força dessas medidas, porém, não de maneira absoluta. Ademais, a diminuição da repetência não pode estar vinculada, simplesmente, ao processo de promoção automática, mesmo estando calcado em cuidadoso esquema de observação pedagógica contínua, ao longo do ano. Esta deve ser um primeiro estágio, uma medida paliativa, para que o aluno se recupere e adquira os conhecimentos mínimos necessários ao seu progresso.

Mas após um determinado tempo, a médio prazo, a escola precisa alcançar o objetivo de elevar o padrão de conhecimento, com vistas a um ensino de qualidade, a um ensino que garanta a aprendizagem num nível mais elevado.

Os alunos, realmente, precisam assimilar conhecimentos, ser trabalhados em suas capacidades mentais, precisam avançar, aprender e, ao chegar no final de um ciclo, devem estar embasados do conteúdo correspondente a este ciclo, não importando qual o processo utilizado, se recuperação, se promoção automática ou se, necessário, a repetência. É preciso que os próprios alunos estejam conscientes de que a qualidade de ensino é uma necessidade e que sem ela pouca ou nenhuma opção terão de se realizar.

Se a época exige qualificação, aumentar anos de escolaridade do povo brasileiro, na base de uma aprovação facilitada, é continuar desqualificando-o para a competição profissional. Costumam-se citar países de primeiro mundo, como dos Estados Unidos, da Europa, como Inglaterra, Alemanha e França, ou do Japão, onde não há reprovação nos primeiros oito anos de escolaridade, com sua formação de ciclos. Não se pode, entretanto, comparar a infra-estrutura educacional desses países, com sua cultura tradicional densa, com a do Brasil.

A TEORIA E A PRÁTICA EDUCATIVA – As normas adotadas oficialmente, os passos propostos pela reforma do ensino, devem passar pelo crivo do bom senso, da consciência que a prática educativa confere ao professor. É ele, o professor, o elemento abalizador da problemática educacional. Somente o professor é capaz de assinalar os eventuais descompassos entre o discurso e a realidade, entre as ações implementadas e suas reais condições de trabalho.

Se não aprimorarmos a formação do professor, se não melhorarmos suas condições de trabalho – classes superlotadas de 40 a 50 alunos – se não melhorarmos a qualidade de vida do professor, não nos iludamos, não sejamos mais realistas que o rei, vamos continuar trabalhando a favor das estatísticas e contra o próprio aluno, contra a própria sociedade tecnológica.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2000)

COOPERATIVA EDUCACIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

Diferentes organizações de ensino surgem no cenário educacional do País. Uma modalidade de escola em expansão são as chamadas cooperativas educacionais, formadas pelos próprios pais. Elas despontam em razão do descontentamento com o ensino público, com o particular, no aumento das suas mensalidades, e nos últimos cinco anos cresceram cerca de 80%.

As escolas cooperativas, no Brasil, iniciaram-se na década de 90. Há, atualmente, no País 625 escolas que são cooperativas filiadas à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). No Estado de São Paulo, são 55, a maioria funcionando no interior. Em 1992, existiam apenas quatro cooperativas educacionais no Estado de São Paulo, mas o sucesso dessa organização tem ensejado a sua evolução.

São os pais dos alunos os fundadores da cooperativa e também seus financiadores. Para a abertura, cada pai contribui com cerca de R$ 300,00, acrescidos, por mês, do rateio das despesas. A mensalidade é substituída pelo rateio, que varia de escola para escola e é controlado pelos seus membros. Quando os filhos saem da escola, os pais deixam a cooperativa e levam o que restou de sua parte no capital. Novos alunos significam novos pais cooperados. Os pais cuidam da escola com dedicação e interesse, como uma construção deles. Em média, é 40% mais barato que as mensalidades das escolas particulares.

A escola é administrada pelos pais, por meio de conselhos eleitos e a responsabilidade pela execução da linha pedagógica, escolhida pelos pais, cabe ao professor e aos profissionais da área da educação contratados pela cooperativa. Tem tido prioridade a adoção do modelo de ensino que se apoia no método socioconstrutivista. O cooperativismo é ressaltado como uma construção de valores.

Nem todos os pais trabalham na administração da escola, mas todos estão por perto, com direito a esclarecimentos e a opinar. Os pais que não fizeram parte da fundação das cooperativas usufruem igualmente da participação direta da gestão e abraçam a causa com o mesmo sentido de sucesso educacional.

Estas escolas não visam lucro, têm como principal objetivo a boa formação do aluno. A sobra de dinheiro vai para melhorar a infra-estrutura, quer dos recursos humanos, na capacitação docente, quer dos recursos materiais, na compra de equipamentos, de material didático-pedagógico. Nas escolas particulares, o pai paga a mensalidade, praticamente se retrai e aguarda o resultado. Nas cooperativas, eles crescem com a participação, quer da esfera administrativa, quer da pedagógica. Isso resulta em um triplo incentivo: da escola, dos pais e dos alunos.

A escola cooperativa é um trabalho interativo entre família e escola. Há um envolvimento produtivo. É uma escola que precisa mostrar serviço, comprovar um bom rendimento escolar, manter bom conceito. Revelam as estatísticas que as cooperativas educacionais têm demonstrado um padrão muito bom de ensino. Elas criam condições para ter qualidade.

Há escolas cooperativas que se tornaram famosas pelo sucesso de seus alunos, como a escola de Goiatuba, no interior de Goiás, fundada em 1992, tendo hoje cerca de 400 alunos. Nestes últimos vestibulares da Fuvest, Unicamp e Fundação Getúlio Vargas, um seu aluno, Lucas Mendes, foi o 1.º colocado. Outras cooperativas educacionais aprovam, segundo dados de pesquisa, alunos do ensino médio, em vestibulares concorridos, sem necessidade de freqüentar cursinhos.

Não se tem notícia de cooperativas educacionais mal organizadas, mal sucedidas. O empenho dos pais contamina professores e alunos e no conjunto há um esforço, uma vontade de todos, para colocá-las em um bom termo, em um bom desenvolvimento.

As escolas cooperativas são regidas pela Lei Federal n.º 2.764/71. As pessoas, os pais, interessados em formar uma cooperativa educacional, devem valer-se dos seguintes requisitos: constituir, pelo menos, 20 pessoas que pagam a cota-parte, formando o capital da cooperativa. Essas pessoas farão parte da assembléia, que elegerá o conselho administrativo e o conselho fiscal da cooperativa, ambos com mandato de dois anos. Cria-se o estatuto da cooperativa, registra-o na Junta Comercial e na Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp) ou do Estado correspondente. Uma equipe de educadores, que também pode ser outra cooperativa, é contratada para executar a linha pedagógica, já escolhida pelos pais.

As cooperativas educacionais são uma excelente oportunidade para não se onerar as despesas da família, com a vantagem de ver os filhos freqüentando uma escola que prima, acima de tudo, por seu bom nome, oferecendo um ensino de qualidade, um ambiente regido pelos próprios pais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2002)

A TECNOLOGIA IRRADIANDO-SE EM TODOS OS GRAUS DE ENSINO

Izabel Sadalla Grispino *

O desenvolvimento tecnológico revoluciona a educação. Professores e alunos dispõem de amplas fontes de informação, têm acesso às mais importantes bibliotecas do mundo e podem, em qualquer lugar que estejam, conversar, trocar experiências entre si, pela internet. A avançada tecnologia utiliza uma série de ferramentas virtuais de última geração, como videoconferências e comunicação por voz, via internet.

No âmbito da sala de aula, a escola elabora uma pedagogia própria para o computador e a internet, que leva à auto-aprendizagem, à pesquisa, abre novos horizontes, desperta a inquietação intelectual.

A tecnologia aplicada como metodologia ativa traz resultados auspiciosos, em todos os graus de ensino. Ganha a aprendizagem. Na alfabetização de adultos analfabetos ou semi-alfabetizados conquista cada vez mais adeptos, colocando-se na sala de aula computadores e internet. Deixa-se de lado a cartilha, a lousa, o bê-á-bá, cria estímulos, via digital, para que o aluno, cansado do trabalho, não desista de estudar.

O uso de computadores e softwares especiais, divertidos, em aulas de recuperação, encarregam-se de prender o aluno e de levá-lo a estudar. Eles abrem espaço para a aprendizagem; o aluno torna-se mais participativo, mais criativo, com mais iniciativa.

Contudo, a tecnologia não produz efeito se o professor não souber usá-la. O bom preparo do professor para essas aulas é o segredo do sucesso. A tecnologia aliada a uma nova postura do professor atrai  o aluno, compete com a TV e os games. Com os softwares, a relação professor-aluno melhora muito, porque o professor deixa de ser um transmissor da matéria, passando a ser um mediador, um estimulador do aluno, valorizando o conhecimento que ele já tem.

O ideal seria que esse mesmo sistema atingisse, também, as aulas regulares, o que já ocorre em muitas escolas particulares, tornando-as mais interessantes. Os resultados das pesquisas parecem indicar que esse é um caminho que a escola deve seguir.

No ensino superior, várias universidades, valendo-se do recurso da tecnologia, criam o ensino a distância, colocam em prática uma modalidade de ensino, autorizada pelo Ministério da Educação (MEC), em que, por meio de aulas a distância, ministram até 20% da carga horária dos cursos regulares de graduação. Até 20% da carga horária, o aluno não precisa estar na sala de aula.

Adotam o método da inserção da tecnologia em cursos em que, até então, o computador era apenas um apoio para atividades extracurriculares e oferecem infra-estrutura de acesso para os alunos.

O ensino a distância deve ser um processo dinâmico, criativo, ficando bem além da simples digitalização do conteúdo dos livros e apostilas usados em classe. Usam-se links, animações e espaços para interação, como e-mail e fóruns de debate.

O ritmo da navegação fica por conta do aluno. Porém, tudo o que faz, assim que entra no site, é monitorado pelos professores, que verificam a freqüência, o tempo que ele passou em cada texto ou tempo que levou em cada exercício.

A tecnologia deve exercitar as habilidades do aluno, só repetir o conteúdo dado em classe não tem sentido. No início, muitos alunos se ressentem, acham falta do modelo presencial, estranham e encontram alguma dificuldade de adaptação, mas, aos poucos, aprendem a usar o programa, acostumam e passam a gostar desse tipo de ensino que vai alcançando bons resultados e ganhando credibilidade.

A tecnologia irradia sua ação para a área de segurança das escolas, como pátios, corredores, entrada ou saída, inclusive com câmeras que chegam às salas de aula. Muitas escolas do Rio e de São Paulo colocam câmeras de vídeo nas classes para monitorar os alunos, visando disciplina, comportamento, afastando pequenos atos ilícitos, como furtos de objetos, que ocorrem, às vezes, até por diversão.

Em classes mais numerosas, fica difícil controlar a desordem, as conversas, as brincadeiras, que tanto atrapalham as aulas. A vigilância das câmeras ajuda a identificar alunos rebeldes, que riscam carteiras, paredes, que furtam celulares, walkmans, estojos, cadernos... e outras travessuras. As imagens são vistas apenas por funcionários e no caso de algum problema os pais são chamados e conjuntamente resolvem a questão vexatória, como a de um aluno que roubou uma bicicleta de um colega, no pátio da escola. As áreas externas têm acompanhamento em tempo integral, nas salas de aula as cenas são gravadas e vistas depois.

A respeito do monitoramento por vídeo, todo educador sabe que o processo de educação deve ocorrer de dentro para fora e não simplesmente ser imposto. Nessas circunstâncias, pode ocorrer uma  noção falsa de ética, de moral, ensinando o aluno a camuflar. Sabendo vigiado, disfarça e longe das câmeras transforma-se, praticando o ilícito em outro lugar. As câmeras podem também criar um relacionamento construído, afastando a espontaneidade entre alunos e professores.

Monitorar por monitorar não resolve, porém, se esse controle vier acompanhado das discussões das causas emocionais que levaram ao comportamento reprovado, creio que ajudará. A observação de perto deve igualmente levar ao diálogo, à conscientização da falta, acompanhadas do trabalho educacional de orientação e de assistência.

Para que o monitoramento surta efeito prolongado ou definitivo, necessário se faz a aproximação, a confiança, o afeto entre educadores e educandos, ou entre pais e filhos.

Uma escola, com grande número de alunos, muitas vezes, vê-se obrigada a um controle mais rígido, para coibir indisciplinas, mas, nunca esse controle, por si só, resolverá um problema que é de cunho educacional. Ele apenas posterga, deixando para o entendimento das razões dos atos de delito sua elucidação, sua possível eliminação.

* Supervisora de ensino aposentada.           
(Publicado em novembro/2005)

EDUCAÇÃO: ARMA CONTRA A CORRUPÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

A educação é arma poderosa contra a corrupção. Só ela tem força de mudança, força de renovação. É indispensável haver investimentos sociais, mudar a realidade educacional existente, se queremos, de verdade, construir um País sério. Educação tem que ser prioridade; ela é a mola propulsora da cidadania. É um valor inestimável, que engrandece o homem como ser humano, como ser empreendedor da  economia, como ser beneficiário e benfeitor da sociedade.

Empobrecida como anda, mais caminha para a morte do cisne! A defasagem educacional gera, no curso do tempo, insegurança, exclusão social e marginalização. Descamba para o oportunismo, para a esperteza viciada e daí para a corrupção é só um passo. E o pior é que ela vem em cascata, contamina todos os níveis.

É inimaginável os rumos que toma a corrupção, as situações por onde se infiltra! Ela chegou num grau extremo de aceitação, transvestindo-se das mais variadas faces. Hoje, constatamos a compra de trabalhos acadêmicos, denegrindo a ética universitária. Alunos compram resenhas de livros, monografias e até teses de doutorado, feitas por profissionais especializados! Corruptos e corruptores!

Se a educação, no seu bojo, deteriora-se, o que aguardar do futuro da humanidade? Onde procurar a ética, os princípios humanos e morais? Vejamos um exemplo: os cursos supletivos particulares a distância revelaram-se pontos de corrupção. A cortina descerrada, desses cursos, mostrou um quadro desalentador, revoltante, dessa área educacional. Esses cursos tornaram-se uma farsa, verdadeiros antros de venda de certificados!

Alunos despreparados ou acorrentados por horários, em decorrência do trabalho, quando continuam os estudos, geralmente o fazem através dos cursos supletivos. Hoje, esses cursos têm um enorme contingente de alunos que recebem o certificado sem aprender nada. Os supletivos a distância ou com presença flexível proliferaram-se nos últimos anos.

Pelo Censo 2000 do Ministério da Educação, em São Paulo, existem mais de 515 mil alunos em cursos supletivos de escolas estaduais, onde há presença mínima de aula. Na rede privada, são quase 116 mil, entre cursos presenciais e a distância.

O descrédito dos supletivos particulares a distância chegou a tal ponto que o Conselho Estadual de Educação (CEE) achou por bem cercear a emissão dos certificados, acabando com o sistema atual. “É preciso dar um basta à farra dos cursos supletivos particulares a distância; moralizar o sistema”, expressou o seu presidente.

O Conselho publicou no Diário Oficial do Estado, dia 25 de abril p. p., decisão proibindo os cursos supletivos particulares a distância de realizarem provas para emitir certificados de conclusão do ensino médio. Se quiser ter um diploma, o aluno precisará prestar uma prova autorizada.

Todas as pessoas que se matricularem, a partir desta data, deverão ser submetidas a exames em instituição autorizada pelo Conselho. Quem já iniciou o curso está isento da determinação. O presidente do CEE, Artur Fonseca Filho, disse que o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, é um dos mais cotados para ser uma das avaliações necessárias para obtenção do diploma. “O modelo ideal é este em que a prova é feita por uma entidade diferente da que deu o curso”, arremata Artur  Fonseca.

O que se quer são cursos que ofereçam competência e não certificados. É  uma tentativa para melhorar a qualidade de ensino desses cursos, acabar com o esquema de facilitação de diplomas. As instituições sérias não temerão o novo processo, ou seja, o resultado do exame autorizado. Mas, para a maioria desses cursos a distância, a perda da autonomia trará, sem dúvida, um desaquecimento de sua freqüência. Nesses cursos supletivos a jato, o aluno acima de 15 anos podia, num tempo mínimo, obter um certificado de 1.º e 2.º graus em 90 dias. Quanto aos exames, esses eram marcados em horários flexíveis, feitos separadamente para cada matéria e os prazos eram determinados pelas escolas.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma das provas a fornecer certificados aos supletivos, ocorre, apenas, uma vez por ano. Além dele, serão indicadas, pelo Conselho, as instituições, privadas ou públicas, autorizadas a realizar as provas. Terá que haver uma adequação, por parte do aluno, a essas exigências e uma reestruturação dos cursos.

A perda de autonomia, de os cursos supletivos particulares a distância realizarem as provas, põe ordem nesse universo adulterado, afasta a bandalheira e com esta ausência acaba afastando, infelizmente, também os candidatos. Esses cursos tinham, na facilitação ou, praticamente, na venda dos certificados, a sua maior atração.

A educação deformando ao invés de formar, corrompendo ao invés de moralizar, contribuindo para uma sociedade trapaceira, injusta, corrupta. Estaremos vivendo o caos? Os cursos supletivos, que poderiam ser o grande alvo na educação de jovens e de adultos, perdem, no desvirtuamento das funções,  a grande finalidade a que deveria se propor. É a sombra sinistra da corrupção infiltrando-se em todos os setores da vida nacional! Proteja-nos, Deus!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

DESCOMPASSO ENTRE A PROPOSTA DE CICLOS E O ENTENDIMENTO PREDOMINANTE

Izabel Sadalla Grispino *

Parece haver unanimidade sobre as vantagens do sistema de ciclos para a aprendizagem, visto como metodologia, que atrela ao ensino o desenvolvimento infantil. A sua proposta está embasada em Jean Piaget, na qual o desenvolvimento infantil ocorre por fases. Adapta-se o processo de construção do conhecimento a essas fases da criança. Os ciclos, coincidindo às fases do desenvolvimento, aumentam as possibilidades de aprendizado, pois o ritmo das crianças é respeitado. Traz a possibilidade de o aluno aprender de acordo com seu ritmo, no espaço de 2, 3 ou 4 anos. Também, nesse processo, levam-se em conta os conhecimentos que as crianças trazem de casa, da convivência social.

O aluno recebe um atendimento diferenciado; acompanham-se as deficiências individuais. É um processo que visa garantir a permanência e o aprendizado dos alunos com a propositura de poder haver reprovação ao fim de cada ciclo. Ele vem acompanhado de uma estrutura – recuperação paralela, aulas de reforço, recuperação no período de férias – que deve permitir a recuperação das defasagens. A coerção, a reprovação são substituídas por outros mecanismos, que se transformam em novos estímulos.

É uma proposta inovadora, mas que requer condições especiais para a sua aplicabilidade, principalmente mudança de mentalidade. Traz como uma de suas bases de sustentação o atendimento individual ao aluno.

Na prática, o que se constata é que os ciclos não foram assimilados pela grande maioria dos professores. O que poderia significar um salto para o futuro está criando confusão, desorganizando a escola. Também, não está havendo boas condições de trabalho, especialmente quando se fala em superlotação das classes. Como fica o atendimento individual, requerido pelo ciclo, nesse caso? Há um outro agravante, que deve ser revisto. A nova legislação garante a aprovação do aluno, caso freqüente 75% das aulas durante o ano. O cálculo é feito a partir da presença nas aulas de todas as disciplinas e não em cada uma individualmente. Desse modo, o aluno pode perder todas as aulas de uma disciplina e, mesmo assim, avançar para a série seguinte.

A mudança do sistema seriado para o de ciclos foi rápida, arrojada. Foi uma transição brusca, os professores não foram preparados para ela. A mudança não foi discutida pelos professores, que, em conseqüência, não incorporaram suas necessidades. Não foi feito um levantamento mais criterioso das condições de ensino, constatando-se falta de instalações, como bibliotecas, laboratório, salas disponíveis para aulas de reforço, quando, muitas vezes, o aluno é obrigado a fazer o reforço em outro prédio, outra localidade e nem sempre com o mesmo professor, o que descaracteriza a continuidade do processo.

Por um conjunto de fatores, o ciclo está sendo mal aplicado, mal entendido. O próprio professor admite seu despreparo para trabalhar conforme os novos parâmetros, surgindo, assim, um descompasso entre a proposta de ciclos, em sua progressão continuada, e a mentalidade predominante na rede escolar.

De acordo com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), a avaliação, realizada em sua 1.ª fase no ano de 1997, revelou vantagens em relação às demais séries do ensino fundamental, nos agrupamentos das 1.ªs e 2.ªs séries do ciclo básico. Acontece que em 1984, na fusão da 1.ª e 2.ª séries houve todo um aparato preparatório para os professores da rede estadual de ensino. Os professores foram treinados para entender e aplicar o processo ensino-aprendizagem do ciclo, o que não ocorreu em 1997, quando da ampliação desses ciclos. Aliás, o passo foi bem mais ousado. Poder-se-ia caminhar nessa direção, mas, mais calmamente, ampliando o 1.º ciclo, de 1.ª e 2.ª séries, para um segundo, que seria de 3.ª e 4.ª séries. Formar-se-iam dois ciclos de 1.ª à 4.ª série, com um prazo para apurar, em avaliações, o resultado obtido.

Não teria sido conveniente primeiro reciclar o professor, melhorar sua atuação, mudar-lhe a cabeça, para depois lançar, na prática, as propostas renovadoras? Não estaríamos, hoje, conseguindo melhores resultados, caminhando com mais segurança para o futuro?

Sabemos que a reprovação nem sempre significa garantia de melhor aprendizagem, especialmente se o aluno a encarar como um castigo. O aluno, com mais idade, sente-se deslocado no seu grupo, podendo regredir ainda mais. Nesse sentido,  a  progressão  continuada  é  melhor do que submeter o aluno a sucessivos fracassos.

Não queremos voltar à “cultura da repetência”, época em que era considerado o melhor professor aquele que mais reprovava, mas também não podemos criar a “cultura da aprovação”, quando a aprovação em massa poderá ser, em contrapartida, um desestímulo ao bom aluno, que não percebe critério, justiça, além de proporcionar, ao mau aluno, um desrespeito a si mesmo e à aprendizagem não ocorrida. Independentemente do sistema adotado, é preciso educar para a auto-estima. Compreender as raízes sociais do fracasso, como a desestruturação da família, a miséria... e ajustar-se a elas, lutando pelo êxito da criança, afastando-a do fracasso.

O governo argumentou, em 1998, que a política de acabar com a repetência, introduzida na rede pública, reduziu as perdas do sistema de R$ 700 milhões para R$ 350 milhões. Eu me pergunto: se esses milhões fossem empregados na formação do professor, na infra-estrutura da escola, não se conseguiria, a médio prazo, um resultado mais contundente, mais duradouro, em termos de repetência e de qualidade de ensino?

Ilustrando esta minha observação, citarei a conduta tomada pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, quando da implementação, no início da década de 70, dos Guias Curriculares referentes às matérias do núcleo comum, elaborados de acordo com as normas traçadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) n.º 5.692, promulgada no ano de 1971. A primeira preocupação da Secretaria foi a de capacitar os professores, fazê-los conhecer o conteúdo, a metodologia, a filosofia, da nova proposta; levá-los a discuti-la, a situar a teoria, em estudo, na sua prática diária, para somente depois, com os professores já treinados, lançar os “guias” na rede oficial, em caráter facultativo. Mesmo sendo facultativo, a acolhida foi geral. Avaliações posteriores revelaram um resultado positivo surpreendente.

A proposta do ciclo básico é boa, pedagogicamente correta, mas, para que a progressão continuada venha a representar um avanço, é preciso investir maciçamente na formação do professor e em suas condições de trabalho. Do jeito que está sendo aplicada, mais parece uma tentativa de mascarar o problema da repetência no país.

Deve haver articulação entre as diversas instâncias dos poderes federal, estadual e municipal. O professor precisa ser ajudado, mas, na seqüência, também se ajudar, somar esforços para que o aluno aprenda. É ele, o professor, o responsável para que o bom ensino aconteça. É, pois, necessário dar condições a que ele garanta a aprendizagem, para não correr o risco de se despejar no mercado de trabalho, nas portas das universidades, levas de despreparados, de analfabetos funcionais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2000)

UMA PARADA PARA MEDITAR

Izabel Sadalla Grispino *

A situação precária em que o Brasil se encontra no terreno educacional vem de décadas e se acentuando com o passar do tempo. Não é falta de alerta, não são vozes isoladas que se manifestam, mas a seriedade norteadora de ações governamentais, fortes e abrangentes, continua diminuta.

São análises internas que se encontram e se completam nas análises de organismos externos. O quadro que se apresenta da educação brasileira é desolador, deprimente, revelam-nos recentes pesquisas do Pnad e da Unesco. A que ponto chegou o tão conceituado magistério do passado! E pensar que se fala em desenvolvimento, em crescimento da economia, como se o Brasil tivesse se pautando por princípios sustentadores dessa evolução!

O ponto forte de todo desenvolvimento, ninguém hoje ignora, é um povo qualificado, portador de ferramentas educacionais consistentes; é a formação escolar das novas gerações, gerações estas, que, no País, não estão sendo educadas para enfrentar o mercado de trabalho do amanhã.

A pesquisa que o IBGE acaba de divulgar, abril de 2006, sobre dados relativos a 2004 do Plano Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad), mostra a ineficiência do nosso sistema educacional. Ineficiência que recai sobre a população brasileira, apresentando uma larga margem de analfabetos e analfabetos funcionais.

De acordo com a pesquisa, um quarto da população com idade igual ou superior a 15 anos tinha menos de 4 anos completos de estudo, em 2004. São pessoas que só sabem escrever o nome e têm dificuldade em operações matemáticas, em ler manuais de instrução. São os chamados analfabetos funcionais.

Revela a pesquisa que jovens na faixa etária entre 18 e 24 anos, idade em que deveriam cursar uma faculdade, 58,5% continuam no ensino fundamental ou no ensino médio. Com relação à população adulta, pessoas com 25 anos ou mais, a situação piora. Em 2004, 27,9% tinham, no máximo, 3 anos de estudo e só 7,8% haviam concluído 15 anos ou mais de escolaridade.

O Norte e o Nordeste apresentam maiores ineficiências que o Sudeste. No Norte, os analfabetos funcionais correspondiam a 29,1% da população com mais de 15 anos, em 2004. No Nordeste, a proporção era de 37,6%, contra 18,1% do Sudeste e 13,6% na região metropolitana de São Paulo, a mais industrializada do País.

No País, o tempo médio para a conclusão do ensino fundamental é de 9,9 anos, porém, em 6 dos 9 Estados do Nordeste, ele é de 11 anos ou mais, contra 8,7 anos em São Paulo. Constata-se, ainda, que no Nordeste 73,2% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos ainda cursavam o ensino fundamental ou médio, em 2004, e só 16,4% estavam matriculados no ensino superior. No Sudeste, a proporção chegava a 43,7%.

Como pensar num País gigante com uma geração de jovens tão despreparada? Com esse penoso cenário da educação brasileira e sua má qualidade de ensino, fica evidente o tamanho do desafio que o País enfrenta, quer na inclusão, em termos de escolaridade, quer no avanço profissional.

Para reforçar e comprovar a nossa ineficiência educacional, o relatório “Educação para Todos 2006 – Professores  e Educação de Qualidade”, lançado em 25 de abril de 2006 pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, mostra que o Brasil é, na América Latina, um dos países com menor grau de formação de seus professores.

Segundo o relatório, os professores de 1.ª à 4.ª série (92%) têm apenas o magistério, definido pela Unesco como ensino médio completo, mais 1 ou 2 anos de estudo. Apenas Nicarágua e Panamá, entre os países da América Latina, estão na mesma situação que o Brasil. A Argentina tem 67% dos seus professores do primário com ensino superior; o Chile, 92%.

Embora a qualificação dos professores vem crescendo, a pesquisa coloca o País junto com a Indonésia e Egito, países que precisam de um grande esforço para garantir que os professores primários tenham ensino superior.

O Brasil continua entre os países com maiores taxas de repetência do mundo, 21%, igual à da Eritréia e Moçambique, maior que a de Ruanda e Lesoto. “A repetência reflete más condições de ensino e aprendizagem e aumenta a pressão sobre os professores e sobre os recursos nacionais”, diz o relatório.

Dar uma boa formação aos professores para melhorar o nível de ensino continua sendo uma batalha nacional. O Brasil vai precisar de mais 396 mil professores até 2015 para manter o atendimento no ensino básico, para assegurar a universalização. O que se constata é que o número de alunos no ensino básico vem diminuindo, assim como a quantidade de crianças em idade escolar, por causa da queda da mortalidade.

Quanto ao salário dos professores, encontramos problemas, embora, quando comparado com outros 11 países da América Latina e Caribe, que têm dados nacionais, o Brasil não está mal, mas perde de longe para o México, país que tem economia semelhante à nossa.

O relatório da Unesco conclui que os professores são poucos, ganham pouco e sabem pouco. Esse relatório é um estudo comparativo sobre a qualidade de ensino e as necessidades globais, que se enfrentarão até 2015. Dos 142 países avaliados, o Brasil está entre os que apresentam os piores resultados, abaixo do Haiti, tido como a nação mais atrasada das Américas.

A distância do preparo que necessitam as novas gerações, para colocar o País em condições de vencer, é muito grande, tornando-se, a cada passo, mais complexas!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2006)

LIBERTAR A CRIANÇA PELA ARTE

Izabel Sadalla Grispino *

O professor Divo Marino, escritor eclético, versátil, de variada cultura, presenteou-me, recentemente, com dois livros de sua autoria. Um, da área educacional, cujo título fala por si, “Libertar a criança pela arte”, outro, de cunho bem diferente: “Orquídeas para Lincoln Gordon” (depoimento sobre o golpe de 64).

Neste livro, Divo, com comovida surpresa para mim, premiou-me com essa dedicatória: “Para a colega de Magistério e do jornal “A Cidade”, professora Izabel Sadalla Grispino, ofereço o “Orquídeas para Lincoln Gordon”, como homenagem pelo seu trabalho de educadora”. Uma homenagem vinda de Divo Marino é ponto acrescido na realização profissional!

Na obra “Libertar a criança pela arte”, Divo mostra-se um grande estudioso, um pesquisador penetrante, um especialista em arte. O livro traz um embasamento teórico e prático de alto alcance para educadores e para todos os que se interessam por arte. Preconiza a arte livre, espontânea, capaz de revelar a criança, a arte como meio de expressão, como meio para a criança exteriorizar suas idéias, seus sentimentos, suas percepções.

O livro foi lançado em 1960 e os conceitos sobre arte, sobre sua metodologia de trabalho, sobre a noção de criança, que transmite, são absolutamente atuais. Lendo o livro pude sentir o quanto a preocupação da escola, no encaminhamento do ensino da arte, encontra respostas no livro. Nessa época havia  já todo um movimento de educadores – não podendo esquecer Anísio Teixeira, um dos que se manifestaram com louvor ao livro – tentando implantar as idéias da escola nova, com seus princípios psicopedagógicos, que culminaram na escola de hoje. Contudo, a passagem da metodologia renovada, aos educadores, deu-se de maneira lenta e parcial. Mas, Divo absorveu-a em sua integralidade e com competência passou orientações às escolas.

Ao publicar o livro “Libertar a criança pela arte”, ele foi considerado, pela crítica especializada, um pioneiro no gênero, no País, um vanguardista, um criador de mentalidade nova na educação da arte da criança.

O livro trata da arte, em seus variados aspectos e conceitos, em riqueza de informação. Deixa claro a importância do desenho espontâneo, da importância de se cultivá-lo como forma de expressão da personalidade e como colaborador da socialização. Vivemos, presentemente, uma crise de expressão, as crianças, os jovens se expressando mal, tendo dificuldade de liberar os seus sentimentos e a arte, iniciada já na infância, o desenho infantil, são mecanismos eficazes para a criação de perspectivas, de formas novas e diferentes de expressão, de comunicação. O autor estuda a arte desde as suas origens, sua história, sua evolução através dos tempos, sempre no enfoque da arte infantil. Analisa-a sobe a ótica da psicologia, da metodologia libertadora, reveladora de aptidões, de potencialidades. No livro, quando Divo trata da escolha da cor, da busca da harmonia, ele assim se expressa: “As preferências para determinadas cores, tendo origem no subconsciente, nas associações psicológicas, nos temperamentos, não têm relação com o problema estético das cores”. Essas preferências revelam o indivíduo.

Deparamo-nos no livro com o conceito de criança concebido através dos tempos. A criança era tida como um adulto em miniatura: “É recente, na chamada civilização, a valorização da criança, como ser diferente do adulto”. “A criança tem necessidades suas, próprias e uma mentalidade relacionada a tais necessidades “ (Rousseau). Explana as fases específicas do desenvolvimento mental da criança.

A arte infantil demorou a ser entendida pelo adulto, que via nela uma atividade menor, uma atividade nula. O importante, na conceituação da época, era estudar apenas as matérias básicas do currículo, como geografia, história, matemática e letras. Nas escolas, os professores obrigavam as crianças a copiarem os desenhos, roubando-

lhes a criatividade, o estímulo à iniciativa, à livre expressão. Ainda hoje encontramos professores que se regem por este comportamento! “A arte, ensina-nos o livro, na idade da pedra, era exercício espontâneo de uma faculdade inata. A arte, na criança, também é prática livre, intuitiva, de uma disposição existente de maneira inata”. A arte

 

infantil é relacionada à arte dos primitivos. “As crianças não apresentam disposições para o desenho como cópia do natural. Não a reproduzem, criam a obra artística, baseadas na realidade mental, não no realismo visível, concreto, extraído da própria natureza”.

O livro mostra as influências que ocorrem sobre a arte e traça pontos de ligação entre sexualidade e desenho infantil.

A valorização estética e psicológica do desenho infantil veio bem mais tarde, no século XIX, com o professor Cizek, de Viena, relata-nos o autor. A partir de então, o educador passou a entender a relação existente entre  a linguagem e o desenho, a entender que a criança prefere o desenho da imaginação ao desenho natural. A escola passou a reconhecer a prática da arte infantil como um processo de libertação da estética, e da auto-expressão da criança.

Passeando pelo livro, encontramos citações interessantes, quando, por exemplo, no capítulo sobre a “Origem das artes”, ele cita Darwin, que condiciona seu aparecimento ao instinto sexual, “relacionando a fecundação dos vegetais ao belo colorido das flores”, embora, essa concepção seja refutada pelos biologistas, que dizem: “O que atrai o inseto não é a beleza da flor; é o açúcar da mesma. Entre os animais, a força física é mais importante que os ornamentos”.

O livro é repleto de curiosidades, um denso tratado sobre arte, espaço onde o professor, o especialista em arte, encontrarão rico subsídio à sua ilustração.

O trecho final do livro, escolhido por Divo, reproduz o espírito da obra: cita Cizek, quando pede ao professor que deixe as crianças aprenderem por si mesmas. “Eu suplico aos professores que livrem as escolas do clássico “mestre-escola” e que estas sejam jardins, onde cresçam as flores como o jardim de Deus. O professor deve cobrir com asas seus discípulos, como um espírito invisível, e terá de estar sempre disposto a dar ânimos, mas nunca a forçar ou exercer pressão”.

Cizek afirmava, fala-nos Divo, que os melhores trabalhos infantis foram, na maioria inconteste das vezes, encontrados nas “classes” dos professores não especializados em estética, mas que tinham na alma o amor intenso às crianças”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2002)

O ENCONTRO DA FÉ E DA RAZÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Com este artigo, finalizo a série que venho publicando sobre fé e razão. A velha rivalidade não se restringe à análise da origem das coisas e do universo; atinge, também, o comportamento humano. Registro, sucintamente, algumas passagens.

Sobre a evolução do comportamento humano, a sociobiologia, surgida por volta de 1976, estudando o substrato biológico do comportamento social, passou a idéia de que é possível analisar o comportamento dos animais pelos genes. Haveria uma seleção natural, onde as chances de reprodução seriam amplificadas de geração em geração; uma filtragem progressiva de mutações aleatórias que explicariam a evolução dos traços físicos do animais; mas explicaria o seu comportamento?

Discordando dessa teoria, um grupo de cientistas relutou em aceitar que um processo mecânico, e não um Deus, tivesse podido criar uma criatura tão perfeita, como o homem ou como o animal.

Quanto ao comportamento humano, apoiavam-se no padrão das ciências sociais, das ciências humanas, que diziam ser ele moldado em fatores culturais, arbitrários e suscetíveis de variar ao infinito, porque escapam às limitações biológicas que afetam os animais. Questionavam o eugenismo, sem contudo, anular os fundamentos genéticos do comportamento dos animais.

Mais recentemente, contudo, há cerca de uma década, numerosos antropólogos, psicólogos, sociólogos, voltam a analisar aspectos do comportamento humano à luz da teoria evolucionista de Darwin. Na Grã-Bretanha, a segunda revolução darwiniana atinge o grande público, transforma-se num fenômeno editorial, com a publicação da série intitulada “Deus, os genes e o destino”.

O escritor inglês William D. Hamilton abordou genética e antropologia, em correlação. Preocupou-se com o problema do altruísmo (na época, um problema para os darwinistas): quando alguns pássaros percebem um predador, emitem um grito de alerta a seus congêneres, correndo o risco, eles mesmos, de serem apanhados. Entre as formigas e as abelhas, as castas de operárias estéreis passam a vida inteira alimentando a raínha-fecunda.

Para Hamilton, somos geneticamente levados a ajudar nossos irmãos e irmãs que possuem, em média, a metade de nossos genes – teoria da relação parental. No interior de um mesmo organismo, a cooperação entre as células, portadoras dos mesmos genes, é total.

Nessa altura, assistimos novamente à dualidade razão e fé. Os genes explicam tudo? Ou o homem está submetido a dois tipos independentes de evolução: a cultural e a biológica, conforme querem, hoje, as ciências humanas? A seleção natural é aleatória? A perfeição do corpo humano é fruto do acaso ou é planejado e da ordem maravilhosa da vida, resultante de uma Consciência que presidiu sua elaboração? As mais altas faculdades do espírito humano são simplesmente derivadas da matéria?

O papa João Paulo II, a respeito, assim se expressou: “Existem leituras materialistas e reducionistas, como leituras espiritualistas da teoria da evolução de Darwin. O julgamento final, nesse ponto, é da competência própria da filosofia, além da teologia”.

Meditando sobre nós mesmos, sentimos que as fortes aspirações humanas de paz, de felicidade, ou o seu inverso, as apreensões, as angústias, os sofrimentos levam o homem a se evadir, a sair desse plano terrestre, sair da matéria,  a buscar a sublimação, uma transposição capaz de lançá-lo a uma dimensão superior, ao infinito, onde, seguramente, habita Deus.

Independentemente das teorias existentes, são as luzes da alma que conduzem o ser às realizações positivas e essa luz, seguramente, não é fruto da matéria. Essa luz sai dos nossos sentimentos, do nosso espírito, da parte inatingível de nosso ser, do nosso psiquismo, da nossa conduta e não carece de método experimental, de comprovação científica para assegurar sua existência.

O ser sem fé é um ser amargo, ressequido, árvore que não floresce, que se quebranta, aos poucos, antes de morrer. É a própria razão que nos conduz à fé, que nos ensina que precisamos dela para uma vida melhor. A fé, por sua vez, enriquece e enobrece a razão. Há uma inter-relação, uma reciprocidade autêntica entre elas.

Essas reflexões inspiraram-me a poesia “No além, a presença de Deus”. Respondam comigo, prezados leitores, as questões que nela formulo. Para mim, a resposta está na última estrofe e para você?

NO ALÉM, A PRESENÇA DE DEUS

Se nada, além da vida, existe,
O que é esse amor que se sente?
Esse anseio de continuidade,
O sonho da posteridade?

Se nada, além da vida, existe,
Por que essa raiz tão consistente?
Essa consciência profunda
Do dever, que o ser inunda?

Se nada existe além da vida,
Se tudo acaba na partida,
Qual sentido da ação ingente,
Que arrasta a alma da gente?

Se pro ateu só razão consiste,
Só pelo cérebro a alma existe,
Como explicar o dom de amar,
O impulso pra construir, gerar?

Quem pôs ao homem tais sentimentos?
Quem nos deu os altos alentos?
Acaso, são frutos do nada?
São restritos a essa jornada?

No além desta vida, eu lhe digo,
Há Deus que caminha consigo,
Que lhe cobre de amor bendito,
E dá-lhe a graça do infinito.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

BRASIL ALFABETIZADO

Izabel Sadalla Grispino *

O governo federal lançou em 8 de setembro do corrente ano, no Palácio do Planalto, o Programa Brasil Alfabetizado. Para se assegurar da viabilidade do programa, fechou convênios com prefeituras, organizações não-governamentais e universidades, que garantem a alfabetização de cerca de 1 milhão de jovens e adultos. O ministro da Educação, Cristovam Buarque, também assinou documentos com entidades representativas de universidades públicas e particulares para que elas se comprometam a estimular seus alunos a serem alfabetizadores, dando, inclusive, créditos em disciplinas para esses alunos. Segundo o ministro, o estudante que é um alfabetizador será um melhor profissional.

Não haverá uma metodologia única de ensino. O método será escolhido pelo educador, porém, o governo dará uma orientação para os cursos de alfabetização, 200 horas/aula, divididas em 10 horas semanais, ou 6 meses de cursos. Espera-se que os jovens e adultos, acima de 15 anos, sejam alfabetizados em cursos de 6 a 8 meses. Confederações nacionais da indústria, comércio e agricultura também se comprometeram a alfabetizar funcionários de seus filiados e adotar processos de seleção para a contratação e dar preferência a candidatos que tiverem o certificado de alfabetização do MEC.

É um movimento pioneiro, uma alfabetização em massa, de alcance educacional um tanto precário, onde surgirão inevitavelmente analfabetos funcionais, mas que não deixa de ser um primeiro passo para os que nunca freqüentaram uma escola. Alfabetizar uma criança é bem mais delicado, requer um professor bem formado, conhecedor de métodos de alfabetização, das etapas do desenvolvimento infantil, das especificidades que cada ano de idade da criança requer, quando então se parte do concreto caminhando para o abstrato. Alfabetizar a criança exige competência técnica aprimorada. Alfabetizar o adulto é processo mais simplificado. O adulto já atingiu a etapa final do seu desenvolvimento mental, sem ter tido, contudo, as estimulações precoces da educação infantil. Ao adulto, o importante é ajustar o conhecimento ao perfil e ao ritmo do aluno a ser alfabetizado. O objetivo é ensinar a ler e a escrever e não ministrar educação integral, pouco se envolvendo em atitudes e comportamentos.

Pesquisas têm demonstrado que apenas 29% da população brasileira possuem um bom nível de alfabetização. O déficit educacional do brasileiro é grande, cerca de 60% da população não teve 8 anos de estudo. As pesquisas mostram que em apenas 19 municípios brasileiros a população possui um índice que corresponde às 8 séries do ensino fundamental. Em outros 1.796 municípios do País a escolarização média da população é inferior a 4 séries concluídas, não atingindo o término do 1.º ciclo do ensino fundamental.

Os estudos revelam a existência de uma forte correlação entre o grau de instrução e a taxa de analfabetismo. Em Niterói (RJ), cuja população possui o maior número médio de séries concluídas do País, de 9,5 anos, a taxa de analfabetismo é de 3,6%. No outro extremo está a cidade de Guaribas (PI), na qual a população tem, em  média, apenas 1,1 série concluída. No município, a taxa de analfabetismo é de 59% e o analfabetismo funcional alcança quase 93% da população.

As diferenças regionais evidenciam-se quando se leva em conta o grau de instrução da população. Todos os 10 municípios com melhores indicadores estão nas regiões Sul e Sudeste e as 10 cidades com o menor número médio de séries concluídas estão nas regiões Norte e Nordeste. O País continua marcado pela desigualdade. Os índices de analfabetismo em famílias com renda acima de 10 salários mínimos chega a ser 20 vezes menor dos que ganham 1 salário mínimo.

Um outro agravante no País é o número cada vez maior de analfabetos funcionais. A pesquisa Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf), da Fundação Paulo Montenegro/Ibope e Ação Educativa, revela que 67% dos brasileiros são analfabetos funcionais. Temos, é verdade, avançado na alfabetização absoluta, com 97% das crianças na escola, mas o analfabetismo funcional continua crescendo. A escola vem oferecendo aos alunos um ensino de tão baixa qualidade que eles não sabem como usar na, vida real, o pouco que aprenderam. Isso indica dupla preocupação: com os 20 milhões de analfabetos absolutos, que nunca freqüentaram uma escola, e com os que, apesar de saberem ler e escrever, são analfabetos funcionais, incapazes de entender um texto simples. A leitura é truncada, lenta e cansativa. Não conseguem escrever sobre o que leram. Estão em total desvantagem na educação. Eles são reflexos de uma escola decadente, que reflete um atraso acumulado dos últimos 30 anos. Uma escola que alfabetiza, mas não se preocupou em estimular a leitura e para uma boa alfabetização a leitura é indispensável. A leitura fortalece o conhecimento, amplia a visão de mundo.

Pelo exposto, percebemos o quanto a sociedade deve ser mobilizada, conscientizada, para o nosso falido sistema educacional, que marca um forte retrocesso nas condições sociais do País. A lacuna entre trabalhadores e inclusão no mercado de trabalho se faz sentir fortemente. Como, por exemplo, a indústria poderá conviver com o funcionário analfabeto diante de um mecanismo robotizado?

* Supervisora de ensino aposentada.             
(Publicado em outubro/2003)

O SÉCULO XXI REENCONTRANDO DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A volta calorosa do confronto entre racionalidade e crença, comentada no artigo anterior, despertou-me curiosidade. Pesquisas a respeito trouxeram-me ajuda e apraz-me dividi-la com vocês, prezados leitores.

No passado, cada descoberta da ciência parecia constituir-se em derrota para a Igreja, em suas teorias fundamentais, que sempre colocou Deus na origem de todas as coisas, do universo. Era o confronto do método experimental da razão com a fé. As leis da evolução tornariam a gênese, o bigue-bangue, a história de Adão e Eva ficções. Parecia que o Iluminismo triunfaria sobre a Revelação, contida na Bíblia. O fulcro da questão ficava entre fé e razão.

Em 1991, surge o livro “Dieu et la Science”, escrito pelo filósofo cristão Jean Guitton, em parceria com os irmãos Bogdanov, que contém toda uma tradição cientificista. Neste livro, eles mostram que a fé não é inimiga da razão e que os resultados das pesquisas mais atuais sobre a história do universo e da vida não são contrários aos ensinamentos das grandes religiões.

Os avanços da ciência, nas descobertas sobre a origem das coisas ou da vida, esbarram-se com significativos limites. Quanto mais se esclarecem alguns mistérios, outros vão ganhando forças. Já se repete a frase: “Nos avanços da ciência, a sombra de Deus”. Constata-se que a razão não consegue esclarecer tudo. Num determinado ponto, a sombra de Deus começa a pairar. Telescópio, microscópio, longe de derrotar a presença de um Deus, parece ainda mais fortificá-lo.

Albert Einstein, que chegara a reduzir os fenômenos do cosmo a uma equação, assombrou o mundo ao admitir que “algo existe atrás da matéria”. O grande cientista Louis Pasteur (século XIX) lançou uma interrogação instigante: “Podemos ainda dizer que se um pouco de ciência nos afasta de Deus, muita ciência nos reconduz a Ele?”.

Nos Estados Unidos, uma organização composta por inúmeros cientistas, que se utiliza da sigla IDEA – Intelligence Design and Evolution Awareness – abraça, fortemente, a questão. Mesmo não pondo em dúvida a evolução, considerando os estudos sobre os fósseis, mostra-se convicta de que atrás dela está a mão transcendente de um Criador.

Em Michigan, parlamentares pedem que se ensine nas escolas, ao lado da teoria da evolução, a teoria dos neocriacionistas. Estes dizem concordarem com a tese evolucionista, quando diz que o mundo não foi criado há apenas 6 mil anos, mas defendem, convictamente, a idéia de que o processo evolutivo foi criado por Deus, há bilhões de anos.

Mais recentemente, um renomado cientista, Michael J. Behe, pertencente a uma comunidade científica das mais respeitadas do mundo, após exaustivos programas de análise matemática à assombrosa complexidade da célula, chega a uma conclusão que difere da teoria de Darwin; “As estruturas celulares, com sua múltipla interdependência, não podem ser explicadas como resultantes do acaso, pelo menos com a matemática. Deve existir uma inteligência superior que dá forma e sentido à vida”.

Dr. Michael chega a uma conclusão parecida com a de Newton, na passagem dos séculos XVII e XVIII, quando formulou as leis da gravitação universal: “Os astros, de fato, se atraem com uma força proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que os separa”. Dizia ele: “Por trás dessa elegante relação matemática, existe um elemento capaz de tê-lo formulado”.

Assim, para Newton, a ciência, longe de negar Deus, O confirmava.

Sob um outro aspecto, do diálogo entre a fé e a cultura, está surgindo a perspectiva de um encontro universal, unificando o senso religioso, o sentido da presença de Deus em todas as culturas. A Igreja católica vem dando significativas demonstrações de aproximação com todas as religiões. Busca relacionar-se às demais culturas, sejam africanas, asiáticas ou indígenas, mesmo sem formação cristã e distante da modernidade ocidental.

A Igreja encara a globalização vantajosa em vários aspectos, mas, rejeita a uniformização cultural. Legitima as diferentes culturas humanas, defende a diversidade cultural. Faz um apelo ao diálogo entre essas culturas e, nesse diálogo, quer expor sua visão cristã do mundo, em testemunho de amor à vida social, em preocupação com os povos mais pobres, mais sofridos.

A Igreja quer uma comunhão que promova a unidade na diversidade, uma convivência humana mais pacífica, que ostente a bandeira do amor, do perdão, da solidariedade. No início de junho, do corrente ano, houve em Puebla, no México, promovido pelo Vaticano, por seu Pontifício Conselho de Cultura, um encontro continental americano, que teve como tema geral o diálogo entre fé e cultura.

A base de toda cultura se assenta na existência de um Deus, por que, então, não se unir nos propósitos, nos valores fundamentados por Ele? O confronto do diálogo entre fé e cultura, entre fé e razão, entre fé e ciência, é o caminho para se atingir a união e, através dela, a paz.

Nas próximas semanas, continuarei a trazer o resultado das pesquisas sobre ciência e fé.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2001)

AÇÃO MULTIDISCIPLINAR NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Além de o sistema público de ensino oferecer um desempenho muito inferior ao necessário, para uma sociedade cada vez mais centrada no conhecimento e na avançada tecnologia, marca preocupante presença no mundo da violência.

Escolas situadas em bairros pobres de periferia ou nos grandes centros conturbados pela desordem precisam de ajuda multidisciplinar para conseguir um ambiente tranqüilizador ao ensino da aprendizagem.

Muitas escolas trabalham com as famílias dos alunos, buscam o envolvimento da comunidade em suas iniciativas e desenvolvem práticas ligadas à sua realidade socioeconômica. Contam com forte apoio dos pais, principalmente, na fiscalização da freqüência e no controle das lições de casa. A escola sabe que a família é a base e incentiva-a a freqüentá-la, ajudando-a tornar seus alunos mais responsáveis, mais ordeiros.

Dentre as múltiplas causas que concorrem para a decadência do ensino uma é a violência, manifestada sob os mais variados aspectos. Alunos baderneiros, indisciplinados, frutos ................ da omissão de pais por uma educação regulada em normas, princípios e limites e frutos de uma sociedade violenta, permissiva, aliciadora. Toda essa conturbada situação explode na escola.

Há situações em que a escola se sente impotente para harmonizar o seu ambiente conturbado. Professores chegam a ser ameaçados, física e moralmente, por gangues e alunos. Conscientizar alunos e pais vai além do que se faz necessário. Em casos mais agressivos, a escola vem recorrendo à justiça, à promotoria responsável pela vara da Infância e a Adolescência, na busca de ajuda às graves situações.

O que se consta é que quando a escola encontra respaldo na autoridade judicial ela consegue aplainar a violência, avançar na ordem e na disciplina. Temos notícia, pela mídia, de uma atuação devotada e competente de um promotor público, que não hesita em formar fileiras às escolas necessitadas de ajuda.

Alunos-problema que tentam desorganizar a escola, queimando cortinas, quebrando carteiras e cadeiras, pichando muros e lousas, envolvendo-se em brigas com desordeiros são, pelo promotor, obrigados a cumprir penas disciplinares, a consertar o que destruíram ou prestar serviços comunitários.

Verifica-se que a grande maioria se recupera e o vandalismo na escola, praticamente, desaparece. Os mais violentos, que reincidem nos atos de violência, têm seus pais chamados pela justiça e forçados a pagar os prejuízos.

Também, no caso de alunos faltosos, em escolas com alto índice de evasão, os pais são chamados para conversar, para se conscientizar da necessidade da permanência dos filhos menores na escola. Se a ausência persiste, os pais recebem ordem de prisão, apoiada no Código Penal, sobre o crime de abandono intelectual. No município, onde tal ato ocorreu, a evasão caiu de 20% para zero.

Esses fatos comprovam a necessidade de rigor, de autoridade, de força conjugada, para o bom desfecho da agressividade. Em muitas localidades, a escola não se supre mais. Reforço da comunidade, dos pais, da Igreja, da justiça são-lhe imprescindíveis. A desestruturação da instituição escolar, por problemas de violência, afeta toda uma sociedade, que não pode fechar os olhos para esse sério quadro.

A conscientização de se juntar as mãos para reabilitar o ensino precisa avançar. Esse é o ponto em que chegamos e se cruzarmos os braços onde chegaremos?

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em fevereiro/2007)

A BIBLIOTECA ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

A biblioteca é um recurso didático indispensável no processo de aprendizagem. A adoção, pela escola, do método construtivista coloca a pesquisa na vanguarda da metodologia. Além disso, como despertar o aluno para a imperiosa leitura, como criar o hábito de ler, sem a existência de sua matéria-prima?

A ESCOLA FRENTE À MÍDIA

Izabel Sadalla Grispino *

O problema de ontem continua hoje. Vamos voltar à reflexão.

Como a escola pode ajudar as crianças frente à TV? Como educar a leitura que elas fazem da TV?

O primeiro passo é, sem dúvida, conhecer os programas a que elas mais se apegam. Estudar-lhes as características e os aspectos que mais as impressionam.

Proibir, simplesmente, não é o caminho. A proibição só vai aguçar a curiosidade, a vontade de assistir-lhes. Ao proibir, é preciso explicar as razões. Manter com as crianças uma aprendizagem crítica, uma aprendizagem do pensamento divergente. Ensinar a criança a questionar, a duvidar, a encontrar outras saídas, diferentes das apresentadas no filme. Duvidar do que se vê é um bom exercício mental, dizem os psicólogos. A atitude reflexiva favorece a elaboração de exercícios mentais, que a criança pode exercitar ao assistir aos filmes, aos desenhos.

Uma boa estratégia é encaminhar a criança para uma esclarecida interpretação. Professor e aluno raciocinando juntos, a criança sendo encaminhada à ponderação, a exaltar ações que conduzem ao amor, ao bem.

Uma outra preocupação dos pais e dos professores é com os jogos eletrônicos.  Até que ponto os videogames viciam e o que fazer? Especialistas da área de tecnologia dizem que a escolha dos jogos não pode ser aleatória. Eles devem ser relacionados segundo as características de cada criança, considerando, também, os aspectos socioculturais , educativos e psicológicos.

Os videogames têm seu lado positivo e negativo. É uma questão de regra e limites, que vale para o videogame, a TV, o computador, a Internet. Crianças que jogam de forma compulsiva sofrem os malefícios decorrentes, como sua exclusão do convívio social, o descumprimento de suas obrigações, dos efeitos colaterais orgânicos, como irritação dos olhos, excitação, insônia, principalmente quando os jogos são muito violentos.

Com horário e disciplina, os jogos podem trazer benefícios. Confirmam os especialistas que videogames e jogos para computador são excelentes para o desenvolvimento cognitivo. Desenvolvem a percepção, a memória visual e auditiva, a rapidez, o raciocínio, a capacidade de solucionar problemas e, até mesmo, a socialização, quando jogados via Internet.

Em tudo, não há modelo único de educação. Vai depender de cada criança. As regras e os limites devem ser passados dentro dos conceitos éticos, morais, culturais de cada sociedade, de cada família. O importante é conhecer a criança que se tem à frente para ser educada e agir de acordo com cada caso. Para impor limite aos videogames, ao computador, estuda-se a melhor forma, como programar atividades compartilhadas, passeios, esportes, diálogo... Disciplinar os horários, conscientizá-los da hora de estudar, de dormir e de brincar, é imprescindível. Videogame, por exemplo, só depois da lição de casa feita.

Com a finalidade de evitar a violência do jogo, a prática de atos sexuais e desvirtuamento de valores éticos e morais, o Ministério da Justiça definiu a norma de que todos os cartuchos e CDs, de games, tragam, em suas embalagens, um selo de classificação etária.

O Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento – CAD --, clínica formada por uma equipe multidisciplinar da capital, explicitou regras úteis para o aconselhamento e à aprendizagem de crianças e de jovens.

Dos 3 aos 7 anos: as regras são externas à criança, que espera que os adultos lhe dêem ordens. Aproveite a fase para fixar bem a rotina e estabelecer hábitos saudáveis;

Dos 7 aos 12 anos: a criança começa a internalizar as regras. Explique os porquês de suas exigências, sem abrir mão delas. Ela espera esse limite do adulto. É uma boa fase para trabalhar direitos e deveres, estabelecer horários das atividades escolares, de lazer e sono;

Dos 12 anos em diante: o jovem já deve ter adquirido autonomia e capacidade de pensar os valores por si mesmo.

Diálogo é essencial. O jovem deve participar da construção e/ou reformulação das regras para poder organizar sua própria vida. Vai exigir coerência dos pais e dos educadores e um compromisso recíproco de respeito às regras.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2006)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

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A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

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A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

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