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Artigos Educacionais

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PROBLEMAS DE SAÚDE INTERFERINDO NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Um assunto importante tanto para os pais quanto para a escola são os problemas de saúde das crianças. Um deles é a visão. A medicina, na área de oftalmologia, vem ao nosso encontro e nos dá preciosa orientação.

Problemas de visão podem aparecer em crianças muito pequenas. É preciso estar atento aos sintomas e consultar um oftalmologista, para que se faça o tratamento adequado e não deixar a visão ficar comprometida para o resto da vida. A criança pode estar precisando de óculos ou outras terapias alternativas. Os sintomas são variados, como quando, ao falar com a criança, parece que ela olha em outra direção ou quando ela se senta muito perto para assistir à televisão, quando os olhos lacrimejam constantemente, quando surge o aparecimento de um reflexo branco nas pupilas e outros.

Mesmo sem problemas aparentes, recomenda-se consultar o médico entre os 3 e os 4 anos. Em caso de problemas, é fundamental que receba tratamento adequado, porque a criança que enxerga mal tende a ser distraída e pode vir a ter dificuldades na escola.

As doenças mais comuns na infância são:

Hipermetropia: A criança vê mal os objetos que estão perto e também poderá ver mal os que estão longe. Até um certo grau, a hipermetropia pode ser considerada normal. Sintomas: a hipermetropia costuma ter os mesmos sintomas do que chamamos, popularmente, de vista cansada. A criança pode ter dor de cabeça, cansaço e vermelhidão nos olhos. Geralmente, desvia um olho para dentro, quando foca objetos próximos (estrabismo).

Astigmatismo: A superfície da córnea não é esférica, provocando visão distorcida. O astigmatismo é, em geral, uma doença de nascença e que pode não piorar. De qualquer maneira, a criança necessitará usar óculos para corrigir a fadiga visual, provocada pelo esforço contínuo dos olhos para focalizar objetos ou para lhe facilitar um completo desenvolvimento visual. Sintomas: dor de cabeça crônica, irritação dos olhos, fadiga, dificuldade de leitura, confunde algumas letras e números.

Miopia: A criança vê bem os objetos que estão próximos, mas vê mal os que estão distantes. Acredita-se que a miopia pode ser encontrada nos pais ou parentes mais próximos. Caso um dos pais seja míope, há 40% de chance de a criança também vir a ser. Se ambos os pais forem míopes, o risco sobe para 60%. A miopia pode ser progressiva. Já existe cirurgia capaz de corrigir a visão desfocada, mas só é recomendada na idade adulta. Sintomas: a criança tem dificuldade para enxergar ao longe. Senta-se muito perto da televisão, enxerga pior à noite, podendo semicerrar os olhos na tentativa de enxergar os objetos distantes. Por vezes, a miopia pode estar associada ao estrabismo.

Estrabismo: Os olhos não focalizam o mesmo ponto, o que leva o cérebro a receber duas imagens diferentes. O estrabismo pode ser resolvido com cirurgia, óculos ou tratamento oclusivo (lente ou olho tapado). Sintomas: A criança pode sentir mal-estar com o excesso de claridade, fechando sempre um olho quando se encontra em uma situação de grande luminosidade, como o sol. Outro mal é adquirir uma posição anômala da cabeça para obter melhor qualidade visual ou o desvio evidente de um dos olhos para dentro, para fora ou para cima.

Um outro aspecto importante a ser considerado na saúde é a obesidade infantil, que cresce no mundo todo. Segundo pesquisas, nos Estados Unidos, as complicações associadas à obesidade representam a segunda causa de morte.

A criança obesa, geralmente, apresenta alterações no comportamento que costumam passar desapercebidas ou não são valorizadas pelos pais e professores. Alterações no humor, revertendo em mau rendimento escolar. O excesso de peso, além de problemas físicos, afeta o aspecto psicológico. Torna a criança triste, com baixa auto-estima e com tendência à depressão. Os gordinhos acabam sendo marginalizados e afastam-se dos colegas. Geralmente, têm humor inconstante, ora aceitam o apelido de boa-praça, aquele que faz rir, ora tornam-se violentos e chantagistas, especialmente em casa.

Para se evitar o excesso de peso na infância, a prevenção deve começar cedo, desde o aleitamento materno. Deve-se utilizar de uma educação voltada para bons hábitos alimentares, uma vida saudável, com a participação dos pais. A medicina ensina-nos que o leite materno deve ser o único alimento pelo menos até o 6.º mês de vida ou como suplemento durante o máximo de tempo possível. Posteriormente, deve-se incutir na criança o gosto por alimentos dos vários grupos.

Os pais não devem esquecer que as crianças aprendem mais com os exemplos do que com as palavras. Na alimentação, como nos valores que devem ser ensinados aos filhos, os pais precisam dar o exemplo. As regras de uma alimentação saudável devem ser seguidas por todos da família. As refeições devem incluir alimentos de todos os grupos. Quando a mãe começar a introduzir ao bebê alimentos sólidos, sua alimentação deve ser rica e variada, com muita cor, sabores e texturas diferentes.

A criança gordinha pode requerer acompanhamento especializado e os pais têm papel relevante no processo. A quantidade de alimentos consumidos ao longo do dia deve ser repartida, estabelecendo-se o número de refeições e os intervalos sobre elas. É importante controlar as quantidades de gorduras, carnes, açúcares. As guloseimas devem ser reservadas para os dias especiais. Quanto mais precocemente se intervém no excesso de peso, mais fácil será reverter o processo. Alimentos comumente contra-indicados: frituras, carnes gordurosas, defumados, embutidos, chocolates, amendoim, amêndoas, cacau. Comer, de preferência, pão escuro ou integral, cereais, vegetais, leite, iogurte, queijo fresco, tudo dosado pelo nutricionista.

Além dos cuidados com a alimentação, a criança deve, de acordo com o seu médico, aumentar sua atividade física.

Os pais, em benefício dos filhos, não devem fechar os olhos para a obesidade infantil. Ela poderá trazer sérios problemas de saúde e de aproveitamento escolar a seus filhos. É fundamental que fiquem atentos ao peso das crianças e as ajudem no momento certo.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2005)

EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Izabel Sadalla Grispino *

Lutar para elevar o nível de ensino das escolas brasileiras, em especial das escolas públicas, é lutar pelo de-senvolvimento do País, lutar pela desigualdade social.  A diferença educacional do pobre e do rico só faz aumentar a concentração de renda. Não há ascensão social sem educação de qualidade, inexistindo a possibilidade de empregos bem remunerados.

Quanto à economia, nosso decadente ensino nega os recursos humanos necessitados pelas empresas em mão-de-obra qualificada. A produtividade fica inibida diante do fraco treinamento dos professores para encarar tecnologias mais avançadas no campo da produtividade. O baixo nível de escolaridade interfere, também, na competitividade internacional, quando países como o Brasil disputam a mesma parcela do mercado globalizado.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um indicador que passou a ser usado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a partir dos anos 90. Pelo IDH, divulgado em julho corrente, o Brasil teve uma queda acentuada no ranking que mede o desenvolvimento humano no mundo. Na comparação com 175 países e 2 territórios, entre os anos 2001 e 2002, o Brasil caiu da 65.ª posição para a 72.ª, ficando abaixo da colocação que se encontrava no começo dos anos 90.

A queda brasileira no ranking deu-se pela piora nos dados de educação, principalmente pelo percentual de analfabetos entre pessoas com mais de 15 anos. A posição brasileira no ranking mundial mostra um retrocesso lamentável na educação.

O IDH mostra que a riqueza do País continua concentrada nas mãos de uma minoria da população. Mostra, no Índice, quantas vezes a renda dos 10% mais ricos no País é maior do que a dos 10% mais pobres, e o Brasil atinge 85 vezes. Vemos, então, como somos um País desigual e quanto devemos batalhar por uma educação de qualidade para as classes menos favorecidas.

O grande caminho para enfrentar a marginalidade educacional, social e econômica é assistir melhor à escola. Investir mais no ensino, melhorar e muito o salário dos professores, para que, estimulados, assumam maior compromisso com a educação. Para que se dediquem à reciclagem de conhecimentos, educando-se convenientemente, contribuindo qualitativamente com a escola que a época vem pedindo. Ao capacitar-se melhor, o professor, com mais possibilidades, entenderá que o maior objetivo da escola é fazer o aluno aprender; dar-lhe uma boa formação e não apenas fazê-lo passar de ano, muitas vezes, sem o mínimo necessário de conhecimento.

Bons professores resultam em bons alunos. Os próprios professores da rede pública, quando se trata de colocar os filhos na escola, colocam-nos em escolas privadas. Uma pesquisa realizada pela Unesco, feita com educadores brasileiros, “O Perfil dos Professores Brasileiros”, divulgada em maio de 2004, mostrou que os professores brasileiros, ganhando mal, preferem se sacrificar e pagar escolas particulares para seus filhos que deixá-los em escolas públicas. Mostrou que 54% dos 5 mil entrevistados escolheram pagar pela educação dos filhos. Querem garantir, segundo a pesquisa, uma “mobilidade social” para eles, um futuro melhor daquele  que tiveram. Ponderou Jorge Werthein, representante da Unesco no Brasil, de que “esses professores são a prova de que o investimento na educação tem altíssimo retorno”. Esses professores buscam qualidade de ensino, garantia de evolução social, que não encontram nas escolas públicas.

Um fato auspicioso que vem surgindo é o projeto de política integrada para os jovens. É um projeto que, segundo o ministro da Secretaria Geral da República, Luiz Dulci, vai integrar as políticas para a juventude, desenvolvido por várias áreas do governo, pelo Congresso e pela sociedade civil. Entre as ações que se programam está a reativação do Projeto Rondon. Luiz Dulci diz ser “um projeto totalmente novo, diferente do que era realizado no período autoritário”.

Contudo, o objetivo do novo Projeto Rondon “continuará sendo o de permitir uma integração maior dos estudantes com a realidade das regiões menos favorecidas do Brasil”. É, na verdade, um intercâmbio, onde os jovens levam seus conhecimentos e suas aptidões a outras regiões do País e, de retorno, assimilam novas culturas, ganham novas experiências.

A volta do Projeto Rondon foi proposta pela União Nacional dos Estudantes (UNE), como uma ação voltada para a área da juventude. O primeiro projeto foi criado em 1967, durante o regime militar, e durou até 1989. O propósito era levar estudantes universitários e professores para as regiões carentes do País, visando a realização de trabalhos sociais. Durou 22 anos e dele participaram mais de 350 mil alunos e 13 mil professores. O projeto atual pensa em ampliar a participação; além de universitários, incluir alunos do ensino médio.

O projeto de integração para a juventude quer priorizar ações na área do lazer, tentando combater a criminalidade. Atualmente, 18 áreas do governo têm ações voltadas para a juventude e o número de programas nessa ala chega a 48.

Integrar ações entre os jovens propicia avançar em direção à cidadania, à comunicação social. O projeto Rondon foi no passado uma iniciativa bem sucedida, em que a juventude se sentia útil na prática de ações sociais, desenvolvia a sociabilidade, o senso humanitário do viver, a responsabilidade perante a sociedade, vivenciando as desigualdades regionais. Vale a pena repetir a experiência.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2004)

O QUE QUER DIZER VAGAS ESTATIZADAS?

Izabel Sadalla Grispino *

O Ministério da Educação (MEC) quer, através do programa Universidade para Todos, estender benefícios fiscais a todas as universidades particulares em troca de 25% das vagas. Estas vagas ficariam estatizadas, isto é, disponíveis ao governo para atender estudantes de baixa renda. A adesão seria voluntária. O MEC quer oferecer isenções fiscais que hoje beneficiam exclusivamente as instituições filantrópicas e sem fins lucrativos.

A proposta, segundo o ministro Genro Tarso, é oferecer mais de 100 mil vagas, mas só parte delas gratuitas. As demais seriam pagas pelos estudantes durante o curso – cada aluno receberia uma bolsa e complementaria o restante – ou na forma de crédito educativo, a ser quitado após a formatura. Esse projeto deverá ficar pronto em até 60 dias, mas, já se transcorreu mais de um mês.

Segundo o ministro, critérios serão adotados para impedir a adesão ao programa de instituições de baixa qualidade. Para serem aceitas, as instituições deverão oferecer padrão de qualidade e estarem de acordo com a lei. O programa dar-se-á por adesão e cada instituição deverá informar quantas são as vagas disponíveis a serem estatizadas.

Essas vagas estatizadas deverão ser destinadas a professores do ensino fundamental e ensino médio da rede pública, principalmente os de 1.ª à 4.ª série. Alunos de escolas públicas, com certa faixa de renda, também terão prioridade. A opção pelos professores deveu-se ao fato de, dos 809.125 docentes de 1.ª à 4.ª série de escolas públicas, menos de 250 mil terem diploma universitário. Entre os 800.753 que dão aulas da 5.ª à 8.ª série, 200 mil não têm formação superior. No ensino médio, dos 468.310, 50 mil não têm curso superior.

Genro Tarso, ao ser questionado sobre o porquê da estatização de vagas, por instituições de ensino superior particulares, e não a abertura de vagas em universidades públicas, lançou mão do fator econômico. “Para criarmos um número de vagas nas universidades públicas igual ao que vamos criar com a nossa proposta, precisamos de 5 ou 6 vezes mais recursos”.

A racionalidade econômica parece estar norteando o projeto. Fica mais barato para o governo comprar vagas em instituições privadas que criar o mesmo número de vagas nas universidades federais, mas, contudo, vem provocando reações de reitores, professores e funcionários das universidades federais que acham que o governo deve priorizar o investimento nas universidades públicas.

Já no segundo semestre, o governo quer oferecer cerca de 60 mil vagas de graduação para estudantes de baixa renda. A seleção será feita tanto pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) quanto pelos vestibulares das universidades federais. A idéia é atender egressos de escola pública, professores de educação básica sem diploma de ensino superior, negros, deficientes físicos, índios e presidiários. As instituições filantrópicas que desejarem perder o título e funcionar como empresas com fins lucrativos, mas mantendo as isenções, poderão fazê-lo desde que cedam 20% de suas vagas.

A estatização de vagas das universidades privadas vai privilegiar as regiões mais ricas do País. Em Estados do Norte e Nordeste, com maior carência, há poucas instituições particulares e conseqüentemente menos vagas. No Pará, por exemplo, só existe uma universidade privada. Nessas regiões a saída é aumentar o número de vagas nas públicas. No Nordeste, segundo dados do MEC, mais de 450 mil alunos formaram-se no ensino médio em 2002. Enquanto as instituições particulares ofereciam apenas 150 mil vagas, as públicas, 90 mil. No Sudeste, o contrário. Havia mais vagas em faculdades e universidades privadas que formandos. O crescimento das particulares está relacionado ao poder aquisitivo da população de cada região. Em São Paulo, há vagas excedentes. São 510 mil formandos e 512 mil vagas só nas particulares.

O MEC deverá fornecer bolsas integrais e parciais (de 50%) aos alunos beneficiados, além de expandir o financiamento estudantil (Fies). Atualmente, o principal mecanismo de financiamento do estudo em instituições privadas é o chamado Financiamento Estudantil (Fies), que consumiu R$ 1,7 bilhão entre 1999 e 2003 e dispõe de R$ 900 milhões neste ano.

Este projeto ampliará o acesso ao ensino superior e atenderá estudantes de baixa renda. Vale-se do processo de expansão do ensino superior privado ocorrido nos últimos anos. O que se espera é que as universidades privadas ofereçam ensino qualificado, beneficiando, realmente, o estudante pobre, preparando-o condignamente para o mercado de trabalho.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2004)

RESPONSABILIDADE SOCIAL

Izabel Sadalla Grispino *

A época atual tem sua atenção voltada para a sociedade. A desordem social, o alarmante desnível econômico, estão hoje, mais do que nunca, exigindo a necessidade de formar cidadãos conscientes. Uma comunidade consciente de seus direitos passa a agir na sociedade que, articulada, se mobiliza em direção à participação, à solidariedade, à inclusão. O indivíduo começa a entender que sua responsabilidade vai além do pessoal, do familiar, a ter consciência de que a sociedade não é compromisso só do governo e que todo cidadão é governo. A ter consciência de que sociedade é um organismo vivo, mutável, de desejo de realização, de auto-afirmação. A ter consciência da ajuda que necessita para se auto-realizar, criando recursos, meios, condições para isso e não, apenas, estender-lhe a mão, no sentido de filantropia, de paternalismo.

O indivíduo entende que a responsabilidade social deve se traduzir em crescimento para a cidade, em comunidades de sucesso. Entende que pode e deve agir na sociedade, dentro de seu universo, desenvolvendo o sentido de cidadania. Passa a viver no entendimento de que todos têm direitos, assim como têm deveres, igualdade de oportunidades, condenando regalias e privilégios.

O cidadão se forma desde que nasce. A criança, sentindo-se respeitada pelo adulto, tendo suas necessidades atendidas, vai adquirindo a noção de respeito e o respeito vai fazer parte de sua vida. Uma criança que vive, por exemplo, o drama de ter que se afastar da escola para trabalhar e poder comer, como vai entender democracia ou cidadania? Se gritar, apelar, não será ouvida e, não sendo ouvida, não ouvirá também, transgredirá. Essa criança que se vê anulada em seus direitos, em suas necessidades básicas, não entenderá de respeito.

Conceituar cidadania e não praticá-la é perder, para o aprendiz, o seu significado. São pelas atitudes dos adultos que as crianças passam a entender o conceito de justiça. Quando ouvidas, atendidas, vão se colocar na sociedade democraticamente, desenvolver a sociabilidade. É a experiência de vida quem vai lhe ditar a idéia de cidadania e, como reflexo dessa idéia, ela repetirá as atitudes, passando-as avante. O exemplo do adulto é fundamental. Se o adulto é respeitoso, solidário, a criança o terá como referência.

A chave da responsabilidade social está nos atos praticados pelos adultos; se esses atos passarem uma imagem favorável à prática do bem comum, do compromisso com o outro, essa imagem propagar-se-á, do mesmo modo o seu contrário. Além da ação consciente, o adulto deve aprender a ouvir, principalmente em contato com os jovens. Conversar, dialogar, formular normas conjuntamente, não impondo, mas conscientizando, para que esses jovens se sintam responsáveis por suas atitudes. O contato com o adulto determinará sua visão de mundo, seu relacionamento com a sociedade.

A escola contribui com a responsabilidade social, desenvolvendo a consciência crítica da realidade, a compreensão de que o interesse social é mais importante que o individual, a fazer o aluno ver a realização como fruto do esforço comum. Ela deve se tornar um espaço de realização, criar formas de intervenção social, despertando interesse por atividades sociais.

A adolescência é uma fase em que o jovem é idealista, tem necessidade de acreditar em alguma coisa, a fase em que quer mudar o mundo, quando abraça os ideais de liberdade e de igualdade em profundidade. É o momento de a escola canalizar essa energia para ações produtivas no seio da comunidade, montando projetos que o envolva nessas ações. O jovem na adolescência, como diz a psicologia, deixa de ser filho do casal para ser ele próprio e as instituições de ensino devem ser catalisadoras desse potencial juvenil.

Cidadania é reflexo, é vivência, cabe aos pais, aos educadores dar o exemplo no entendimento de que só existe cidadania praticando-a. Começa em casa, na escola, com a educação recebida e vai para a rua com a prática do respeito. Educar para agir com consciência todos os dias; cobrando deveres das autoridades, cuidando da cidade, respeitando as regras sociais. Assim, a criança compreenderá que nasceu para viver e não sobreviver, tendo seus direitos respeitados.

Um aspecto que fere a consciência e imprime fortemente o traço da injustiça social é o trabalho infantil. Crianças e adolescentes que trabalham freqüentam menos a escola. No passado, esse número foi maior, mas, mesmo assim, hoje ainda é grande. Há trabalhadores infantis nas áreas urbanas e rurais. Pesquisas têm mostrado que cerca de metade das crianças e adolescentes que estão trabalhando utiliza produtos químicos, máquinas e ferramentas, com riscos constantes de sofrer acidentes. Esta parcela é maior entre os trabalhadores do campo, que somam 43% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que têm alguma atividade.

Também, serviço doméstico, distância e falta de vagas são outros motivos que afastam crianças e jovens da escola. Segundo O IBGE, o nível de escolaridade, entre pessoas de 5 a 17 anos, cresce de acordo com a faixa do rendimento familiar. Em famílias que ganham até ½ salário mínimo, esta faixa ficou em 83,1%. Já em famílias com rendimento até 10 salários mínimos ou mais, o nível de escolaridade sobe para 97,9%.

A má distribuição de renda responde pela sofrida desigualdade social. Crianças que deveriam estar na escola ou brincando arcam, prematuramente, com a responsabilidade de sustentar-se e ajudar no sustento da família.

O Estatuto da Criança e do Adolescente diz que é proibido qualquer trabalho a menores de 14 anos, a menos que seja na condição de aprendiz. São aprendizes os adolescentes que recebem formação técnico-profissional, que deve ser dada sem prejudicar o ensino regular. Os maiores de 14 anos que trabalham têm assegurado o seu estudo. Os aprendizes maiores de 14 anos devem receber direitos trabalhistas como os adultos. Nenhuma criança ou adolescente pode trabalhar à noite, nem realizar atividades perigosas ou em ambientes que sejam prejudiciais ao seu desenvolvimento. O Estatuto também garante o direito à educação: igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, o direito de ser respeitado pelos educadores, o acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência.

A realidade social é pesada, profundamente desigual. Entre nós, um terço da população vive na miséria. O pressuposto da cidadania é a igualdade de direitos e diante de tamanha desigualdade, para conquistá-la, haverá ainda muitas léguas a percorrer, muita estrada pela frente. Contudo, estaremos dando uma grande contribuição se educarmos a criança e o jovem dentro dos princípios de justiça, de ética, de solidariedade, se os ensinarmos a enfronhar-se nas causas sociais, aprendendo, na prática, o sentido de democracia e de cidadania.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2003)

ASSOCIAÇÃO DO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO

Izabel Sadalla Grispino *

Mensagens que ressoam. Comunicações que atingem os diferentes ângulos da alma humana e provocam reencontros afetivos. A vontade de contribuir, de abraçar, molham a terra e as sementinhas espalhadas começam a vicejar.

Após ter publicado, dias atrás, o artigo “O atendimento à criança autista”, recebi da cidade de Araraquara um telefonema do emérito educador Francisco da Silva Borba, ex-reitor da UNESP e atual professor de pós-graduação de lingüística da UNESP-Araraquara.

O ilustre professor externou um pronunciamento qualitativo sobre meus artigos, referendando plenamente os conceitos emitidos sobre o atendimento ao autista. Retratou sua vasta experiência profissional e pessoal sobre o assunto, sendo ele um dos fundadores da Associação de Atendimento Educacional Especializado (A.A.E.E.), em Araraquara, onde uma filha sua, autista, hoje com 30 anos de idade, recebe atendimento.A filha avançou muito no seu desenvolvimento, mas foi prejudicada, principalmente na fala, pelo atraso no atendimento inicial da síndrome.

Se hoje o atendimento ao autista é dificultado, pelo desconhecimento da síndrome e pela pouca disposição das instituições em oferecê-lo, imagine como não era há 30 anos atrás! No meu artigo eu dizia: “O importante é reconhecer o autista precocemente... A medicina mostra que o diagnóstico tardio é danoso. Quanto mais cedo se detectar o autismo melhor, de preferência no primeiro ano de vida, pelo menos, antes dos 3 anos, quando o tratamento produz resultados compensadores. A criança que começa a se tratar depois dos 5 anos tem um prognóstico diferente, aqueles que ainda não falam nessa idade, dificilmente desenvolverão a linguagem...”

Por essa e outras razões, foi deveras auspicioso tomar conhecimento de uma instituição de ensino de padrão, em Araraquara, facilitando e acolhendo, com rara competência, as crianças com necessidades especiais. Seu patrono, Francisco da Silva Borba, é uma grata referência sobre a qualidade da insigne Associação. “A A.A.E.E. é uma sociedade civil de caráter educativo e assistencial, fundada em 1992 por um grupo de pais de crianças e jovens excepcionais. Por não ter fins lucrativos, foi reconhecida como de utilidade pública, pelo decreto municipal n.º 6.713, de 21/10/1994. Seu objetivo básico é desenvolver programas de ajuda, adaptação, reabilitação, integração social, educacional e profissionalização de jovens excepcionais. Tais programas estarão a cargo de pessoal especializado, sendo tão completos e abrangentes quanto permitirem os recursos da Associação”.

Esses dados foram fornecidos pela entidade, que oferece programas de atendimento integrado: Psicopedagogia e Pedagogia; Fonoaudiologia; Fisioterapia e Educação Física Especial; Terapia Educacional.

Os que têm interesse sobre o assunto, os que necessitam de ajuda no atendimento aos filhos, a Associação atende igualmente crianças de toda classe social, seja abonada, seja carente, cada família paga de acordo com suas possibilidades. Visite-a e confira, você mesmo, a força educativa que os seus avantajados métodos produzem nas crianças portadoras de deficiência, crianças atendidas humanamente, por devotados e competentes profissionais.

Como em todo processo educacional, na educação especial o estímulo precoce faz a diferença. Sobre a síndrome de Down, por exemplo, o que se sabe é que não existem graus de Down. Há, contudo, portadores da síndrome que mal conseguem falar e outros que chegam à universidade, angariando um diploma do ensino superior. As diferenças nos seus desenvolvimentos foram motivadas pelos estímulos que receberam desde a infância. Cada um tem seu potencial próprio e a forma como esse potencial é trabalhado, desde o nascimento, é que vai dar significado ao seu desenvolvimento. O que essas crianças precisam é serem aceitas, principalmente pelos pais, pelos professores e depois pela sociedade. Se bem estimuladas, atendidas com carinho e entusiasmo, alcançam um progresso animador.

Recebi um cartão de boas-festas da Associação de Atendimento Educacional Especializado, que realmente me tocou: Natal 2005, Ano-Novo 2006. Fotografia de crianças deficientes, abaixo os dizeres: “Não queremos apenas existir, queremos viver!”.

Exalto de coração essa benfazeja Associação de Educação Especial. Que consiga ir avante, apensar das dificuldades e que hoje e sempre continue sendo reconhecida como valiosa entidade de utilidade pública.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em janeiro/2006)

ESCOLA VIRTUAL

Izabel Sadalla Grispino *

Quando se fala em escola do futuro, logo se pensa em escola via Internet. O mercado do ensino pela Internet, ao que tudo indica, é um negócio lucrativo e vem crescendo, permanentemente, em países do primeiro mundo.

Nos Estados Unidos, atualmente, o que existe são universidades virtuais, que dão cursos inteiros de graduação. Surge, agora, o projeto de uma nova escola se programando para atender estudantes durante os doze primeiros anos do ensino tradicional, dando aulas só pela Internet. Será, Segundo consta, um atendimento gradativo, iniciando-se com ingressantes do jardim da infância, indo até o segundo ano do ensino fundamental, até chegar aos doze anos de aprendizagem, sem que o aluno freqüente uma sala de aula, estudando apenas em casa.

No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) impõe limite ao ensino pela Internet. Estabelece que o ensino fundamental seja obrigatoriamente presencial. A escola virtual, com seu ensino a distância, é prevista em lei apenas como complementação da aprendizagem ou em situações de emergência.

Recentemente, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, anunciou um curso a distância para a formação de professores dos primeiros anos do ensino fundamental e um curso específico para professores alfabetizadores.

Há, entre nós, experiências de ensino a distância nos níveis da educação básica, em situações-limite, como no caso do sertão nordestino. Usamos o rádio e a TV e a Internet para vencer barreiras geográficas. Com o processo de universalização do ensino fundamental, em grau adiantado, já se considera a educação a distância não tão importante como elemento de inclusão; ganha, agora, status de inovação.

Há uma certa desinformação sobre formas alternativas de educação, nas quais se incluem a educação a distância. Há, também, um certo preconceito, no mercado de trabalho, sobre o profissional preparado em ensino a distância. O mercado não quer só garantia do certificado, quer garantia da avaliação, tanto do aluno, quanto do curso. Quer uma boa avaliação que resulte em profissionais competentes. A avaliação deve, pois, ser um ponto forte, aperfeiçoar sua forma, não só para o aluno, como para o próprio curso.

Cursos a distância de pós-graduação, mestrado e doutorado, favorecidos pela faixa etária e pela formação anterior, têm-se revelado eficientes, proporcionando uma educação segura. Um curso de graduação a distância tem as mesmas exigências de um curso presencial: o aluno tem que comprovar o término do ensino médio, o curso tem que ser autorizado pelo Conselho Nacional da Educação e homologado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). É preciso que o aluno esteja atento, saber se está fazendo um curso autorizado.

O curso virtual para os graus de ensino mais avançados é visto como fator favorável, mas para crianças e adolescentes é encarado com reservas. Afinal, educar não significa apenas ministrar conhecimentos; significa abraçar um processo bem mais amplo, integral, onde entram atitudes e comportamentos. Surge, ainda, o fator motivação, a dificuldade de esse ensino manter o interesse das crianças e também ele não contribui para criar nos estudantes uma disciplina de aprendizado.

No  processo  educacional,  faz-se  necessário  garantir  uma  interação  professor-aluno, garantir a troca, o diálogo, transmitir valores e princípios. A escola tradicional incentiva e desenvolve a socialização – alunos convivendo com seus pares – favorece as relações interpessoais.

Mesmo que a escola on-line estabeleça mecanismos didáticos que permitam oferecer uma educação integral à criança, mesmo que crie ferramentas que garantam a interatividade, ainda fica faltando o elemento humano, como convivência, como reforço aos procedimentos, que é indispensável ao crescimento pessoal.

A escola na Internet, para alcançar objetivos, precisa oferecer um monitoramento constante, não ser confundida com auto-aprendizagem. Admitem os educadores de que a escola virtual para crianças e adolescentes não tem como substituir, em qualidade de formação, o ensino presencial, nos moldes da escola tradicional. Por mais que apresente excelentes currículos, é uma educação confinada ao campo da transmissão da informação, tendo dificuldade na abrangência integral da personalidade, na perspectiva de uma educação holística.

É preciso estar atento aos modismos. Hoje, por exemplo, a procura por escolas que ofereçam ensino em período integral vem crescendo e muito. São escolas que oferecem currículo escolar pela manhã e aulas de inglês, natação, balé e até esgrima à tarde. Essas escolas são procuradas por pais abonados, que trabalham fora e preferem não deixar os filhos em casa com empregados.

A prerrogativa pode ser válida, mas a escola em período integral traz vantagem à personalidade do educando? Pedagogos há que opinam desfavoravelmente à escola em período integral; consideram-na prejudicial à formação do aluno. “A criança precisa circular por vários espaços e conhecer novos amiguinhos para saber lidar com a diversidade”. É fundamental que ela fique, também, em casa, onde tem seus brinquedos e a rotina da família. Não é o período integral que vai garantir uma maior aprendizagem, porque a criança também aprende muito em contato com amigos fora do espaço escolar.

Na devida proporção, essas constatações valem para as escolas virtuais.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2001)

LUZES NA TRAVESSIA DO TÚNEL

Izabel Sadalla Grispino *

Lançando-se um olhar, interessado e criterioso, sobre o nosso imenso e desigual País, toca-nos as disparidades regionais, a frisante desigualdade social – alguns ricos, outros tantos muito ricos e uma imensa camada de pobres, muito pobres, resvalando na miséria. As almas sensíveis, solidárias, responsáveis, acabam comovendo-se e, seguindo os ditames do coração e da razão, buscam minorar o sofrimento dos excluídos. Envolvem-se, de modo altruísta, sob a forma de trabalho voluntário, às causas sociais, sem pensar em remuneração.

O trabalho voluntário sempre existiu. Pessoas que reservam parte de seu tempo para o próximo. Esse trabalho não deve ser encarado como simples caridade. Ele quebra paradigmas da sociedade capitalista, que vê na remuneração, no lucro, as únicas razões de luta. O trabalho voluntário anula interesses pessoais, incentiva a articulação entre sociedade e compromisso social. É uma busca alternativa para alcançar os desníveis sociais, o abrandamento da fome, do desemprego, da ignorância alfabética. Ultimamente, o trabalho voluntário vem se firmando e até se institucionalizando. Em muitas escolas, já faz parte do currículo escolar.

A cooperação, a aproximação, o entrelaçamento solidário entre as classes sociais, são o melhor caminho na quebra da insensibilidade e do preconceito, especialmente em relação à pobreza. Hoje, o pensamento dominante é de que, se se quer paz, tem-se que enfrentar a pobreza, formar uma convivência amistosa, um envolvimento coletivo, visando criar oportunidades de vida melhor aos necessitados.

O triunfo da indiferença que impera em boa parte da sociedade é superado por outra parte de ação benemérita, que merece ser aplaudida, com entusiasmo e admiração. Em Ribeirão Preto, o trabalho voluntário floresce a cada dia. Uma plêiade de voluntários, mais especificamente, de voluntárias, que junto às tarefas do lar ou de uma profissão remunerada, não se furta ao dever do seu papel social.

Sexta-feira, dia 21 de março, tive a grata satisfação de participar da inauguração da nova sede da “Associação Beneficente Pró-Família”, fundada, dirigida e mantida por voluntárias. Essa associação, aberta ao convívio social, iniciou-se há uma década, com uma jovem, imbuída de ideais humanitários, de crença no potencial do ser humano: Cláudia Jábali Biagi. Essa jovem sentia na alma a certeza de que educando a criança estaria formando o adulto realizado de amanhã. Ao visitar a favela das Mangueiras, na Vila Virgínia, Cláudia condoeu-se das crianças mal vestidas, perambulando pelas ruas, sem destino. Um lampejo de consciência e de piedade tocou-lhe o coração. Organizou-se, criou uma sala de aula improvisada, acolheu as crianças, de 3 a 6 anos, iniciando-as na escolarização. Cada vez mais, Cláudia ia percebendo o quanto era importante o trabalho que devotava a essas crianças. A cada ano, o número de alunos crescia e era preciso criar novas salas para atendê-los.

Uniu-se a outra voluntária, tal como ela, abnegada, disposta a se entregar à causa da criança carente: Andrea Cicciarelli Pereira Lima. Alugaram uma casa, transferindo a “escolinha” para lá.

Um sonho começava a habitar suas almas, o sonho do prédio próprio, da escola idealizada. Assim, com garra e determinação, engajaram-se nessa direção e essa vontade se concretizou! Dia 21 de março foi o marco da vitória e elas puderam, com a alegria do dever cumprido, da satisfação do acolhimento, inaugurar a escola sonhada. Um moderno prédio, construído em moldes educacionais, com toda a infra-estrutura necessária a uma escola de educação infantil, não se esquecendo da sala do dentista, uma sala odontológica plenamente aparelhada.

Cumpre-nos externar louvores a essas duas mosqueteiras, que passam à sociedade fé e esperança em dias melhores. O homem forja o caráter malhando em ferro. Colocando pedra sobre pedra, tijolo sobre tijolo, conseguindo a adesão de outras dedicadas voluntárias, elas ergueram, na Vila Virgínia, um monumento de solidariedade à humanidade sofrida. Formaram trincheira, no apoio, no suporte cognitivo, afetivo, no suporte alimentar, de saúde, a crianças que corriam o perigo das ruas, de mãos estrangeiras, das drogas, da violência. Que Deus as proteja e lhes dê força na caminhada. São de exemplos como esses que precisamos para ilustrar nossos filhos, nossos netos, nossos jovens.

Contudo, é preciso que se diga, que elas nunca estiveram sozinhas. Desde o início, até hoje, sempre esteve na retaguarda, assessorando, capitaneando, uma mulher de extraordinário valor: Dea Spadoni Biagi. Uma guerreira versátil, de exuberante vitalidade, uma educadora da vida, que lhes serviu de infra-estrutura emocional, intelectual, criativa. Dea é a gangorra que promove o equilíbrio, gangorra que quando desce é para subir mais alto, porque traz, com a descida, a visão de amplitude, clareando o caminho. Dea é, no seu próprio dizer, “o bombeiro que ateia fogo e que apaga o fogo”, não deixando o elã se esfriar, nem se empolgar demais, respeitando limites e possibilidades.

Nos meus versos abaixo, a imagem que Dea me passa:

À  DEA  SPADONI BIAGI
De Izabel Sadalla Grispino

Há seres que conseguem se sobrepujar,
Pairam na vida acima do bem e do mal,
Atravessam a enxurrada sem se sujar,
Força moral, construção de amor por igual,
São lutas que se impõem em tempo integral;
Tambores que rufam acordando o ideal.

Há seres que vêm ao mundo iluminados,
Para a grandeza convergem os olhares,
A solidariedade são seus passos ritmados,
Se no alto da montanha constroem os seus lares,
Na superfície enfincam os pilares,
Na ajuda aos carentes, convocam os seus pares!

Há seres de luz irradiante,
Formam clareira na senda da pobreza,
Encontram nas favelas minas de diamante,
Lapidam as pedras brutas em profundeza,
Ensinando a extrair riquezas da natureza,
Ensinando a ver o mundo em seu raiar de beleza!

Caminham olhando o céu, pisando a terra,
Sublime virtude, suada construção!
Vales de sol, onde não se cultiva guerra,
Onde a inteligência se une à oração,
Onde o amor ao próximo é vocação;
Vales, onde o trabalho é religião!

Assim é nossa Dea Spadoni Biagi,
Espírito de gigante, coração de “menino”,
Baluarte da coragem, revolução que age,
Prepara o adulto, modelando o “bambino”,
Missionária da formação do pequenino,
Engenheira da construção do belo destino.

Dea, Deus lhe mostrou a estrela matutina,
Na aurora, fez resplandecer sua alma divina!


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2003)

FORMAÇÃO DE QUALIDADE

Izabel Sadalla Grispino *

Já há consenso da necessidade de uma formação de qualidade a ser dada ao professor. È bem clara a percepção de que é o professor o grande responsável pela aprendizagem do aluno. Está grandemente em suas mãos o resultado do rendimento escolar.

Aumentar o salário do professor é ponto significativo, mas só ele não resultará em melhoria da educação. Estudos mostram que o valor do salário isoladamente não tem nenhum impacto na aprendizagem dos alunos. Por si só, o salário do professor não melhora a qualidade da educação. A qualidade advém da qualidade dos docentes, do seu grau de conhecimento pedagógico e do domínio do conteúdo específico da área, em que atua.

Se tivéssemos parâmetros de formação de qualidade para as escolas de Pedagogia, não estaríamos assistindo a resultados desastrosos das avaliações sobre o nível de aprendizagem dos alunos. A qualidade da formação dos professores está, hoje, longe do desejável. Muitos docentes têm carência até dos conhecimentos básicos de suas próprias disciplinas.

As instituições de ensino superior, para os cursos de formação de professores, não podem, junto ao conhecimento pedagógico, deixar de reforçar o ensino do conteúdo das disciplinas específicas, que serão ministradas pelo professor. O aperfeiçoamento e atualização de conhecimentos devem ser continuados, tanto na área pedagógica, quanto na do conteúdo das disciplinas. Sem essa base de sustentação não há como exigir um ensino de qualidade.

Assim, nos avanços pedagógicos e nos avanços do conteúdo pode-se esperar um equilíbrio entre benefícios profissionais e rendimento escolar do aluno. Podemos presenciar um ensino conectado com o mercado de trabalho, com os movimentos sociais, criando projetos de desenvolvimento, em que a modernização de métodos atinja a evolução tecnológica.

O carro chefe de toda essa revolução está na competência profissional, assessorada pelas condições de trabalho. Em todos os ângulos, em que se avalia a qualidade de ensino, o eixo recai sobre o professor. Professores bem preparados e compromissados com a educação são os diferenciais.

Instituições acima da linha de qualidade aprimoram seus sistemas de avaliação. Nas melhores escolas há uma preferência por provas discursivas, em que o aluno precisa fazer uma análise do conteúdo e desenvolver um raciocínio, isso desde o ensino fundamental.

As escolas ruins, mal equipadas e com professores fracos, fazem muito pouco por seus alunos, acarretando-lhes a defasagem. Nos anos mais avançados da escolaridade, os alunos apegam-se à internet, como a maior fonte de informações para trabalhos escolares e num procedimento que não traduz passos pedagógicos consistentes, agravado pela ausência de acompanhamento docente, com resultados distorcidos.

A educação é um dos mais graves problemas do País. O professor precisa ser preparado para a sala de aula, preparado para utilizar práticas pedagógicas capazes de, por exemplo, transversalizar as disciplinas,  para contextualizar notícias recentes, ou aspectos importantes da vida do aluno, com o conteúdo das disciplinas e assim motivar melhor o aluno, incentivando-o ao estudo.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2007)

NOMEAÇÃO DE DIRETOR DE ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino*

É comum ouvir-se dizer que a escola tem a cara do diretor. Estatísticas comprovam que escolas de diretores estáveis, de permanência prolongada, compromissados com a área pedagógica, envolvendo-se diretamente no processo de ensino-aprendizagem, elevam a qualidade de ensino dessa escola. Comumente, o diretor é voltado às ações administrativas, burocráticas, bem mais às atividades-meio que às atividades-fim.

A proposta atual do MEC é modificar essa situação. Pretende regulamentar a escolha de diretores de escolas públicas, a partir de seus currículos. A proposta é estabelecer critérios de mérito e desempenho aos profissionais que irão concorrer às eleições diretas, reduzindo a influência de políticos na vida da escola. Constata-se que os políticos influentes são responsáveis pela escolha de 70% do total de diretores.

A dificuldade da nomeação de diretor por capacidade técnica esbarra em uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que garante a exclusividade da escolha a Estados e municípios. Para contornar essas barreiras, o Ministério da Educação (MEC) quer estabelecer parcerias, com Estados e municípios, em assistência técnica e recursos financeiros, excetuando-se as verbas estabelecidas pela Constituição, como as do Fundeb.

Para os que assinarem o termo de compromisso, com a nova escolha de diretores, transferências voluntárias de recursos e assistência técnica poderão ser definidas para os sistemas. Poucos sistemas têm regras claras para nomeação e afastamento de diretor. A indicação política é ruim, mas, também, é ruim a eleição sem critério ou sem requisitos técnicos de seleção para este cargo.

Em alguns Estados, como o de São Paulo, os diretores são nomeados por concurso público. O princípio de meritocracia, que deveria ser contemplado em todas as instituições públicas, viria de encontro ao oferecimento do ensino de qualidade, traduzindo uma formação necessária ao aluno, para uma promissora inclusão na sociedade.

Um grande problema da educação é a falta de gestão. A nomeação de diretor por capacidade técnica levaria ao sentido de profissionalização, visto que a nomeação direta ou política para diretor é processo comum em muitos Estados do País. A profissionalização abraça a visão de que a educação é um serviço, do qual se deve prestar contas de seus resultados, mantendo uma gestão profissional.

Um outro lugar comum que se questiona é o resultado de avaliações, que demonstra que diretores de escolas que perseguem metas e monitoram cumprimento de aulas, o desempenho de alunos melhora consideravelmente. Isso leva à convicção de que boa gestão é central no avanço das condições de ensino, ensino que favorece alunos egressos dos setores mais desfavorecidos da sociedade, permitindo-lhes uma inclusão social digna e proveitosa.

Deve-se criar a promoção, entre comunidade e gestores públicos, de uma maior conscientização sobre a importância da boa educação.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em agosto/2007)

LOUVOR AO 15 DE OUTUBRO – DIA DO PROFESSOR

Izabel Sadalla Grispino *

Façamos, hoje, uma pausa para meditação. Pensemos, com carinho e consciência, na figura do professor, do “magister”, na força de alavanca social de que é portador. Deus é do universo o grande arquiteto e o professor é o seu grande aliado, aquele que ajuda a manter e a conservar a sua obra humana e cósmica. Não importa em que sociedade vivemos, em que cultura nos inserimos, em que época da vida nos reportamos, é ele, o professor, o insubstituível protagonista de todo o desenrolar das atividades humanas, a mola-mestra do desenvolvimento sustentável do planeta. É para ele, para a sua educação, que se volta a esperança de vida de nossa mãe-terra, a esperança da quebra do desnível social, da afirmação da ciência, em sua evolução.

Homenageamos, hoje, a todos que se dispõem a ensinar, não só o professor institucional, mas, também, o informal, a todos que passam o seu saber para as novas gerações, colaborando com o crescimento do outro, com a construção de um mundo melhor.

Embora o papel do professor, nessa nova sociedade tecnológica, tenha mudado, ele continua sendo o elemento indispensável para a promoção humana e social. Durante muito tempo, o professor mobilizou um saber disciplinar – apoiado nas disciplinas do currículo – era o transmissor do conhecimento científico. A escola era o lugar privilegiado do saber, a instituição responsável pela transmissão da memória social e cultural e o professor, a principal fonte do conhecimento. Esse conhecimento, centralizado na sua pessoa, colocava-o como um capital profissional, um capital de saberes. Hoje, ele perdeu a vanguarda do conhecimento – detêm-no a mídia, o computador, a internet.

A escola não é mais o lugar propriamente da informação, mas o lugar do que fazer da informação, e o professor, a pessoa capaz de gerenciar toda uma sociedade de conhecimento. A escola vem assumindo, progressivamente, um papel mais educativo que informativo. Associa-se, hoje, mais que ontem, à função do professor, a do educador. Se ele  não é mais um “capital de saberes”, é, contudo, um “capital de formação”, função tão importante quanto. Ele é o carro-chefe do avanço tecnológico.

A escola deve vir antes da tecnologia. Ela tem o encargo de formar o aluno, de dar-lhe as armas psicológicas, morais, intelectuais, necessárias para o recebimento das tecnologias. No contexto tecnológico, o que vale mesmo é a boa formação, o conjunto desenvolvido das capacidades do indivíduo, tanto nos aspectos cognitivos, como nos atitudinais e procedimentais. Formar o indivíduo para a criticidade é o grande alvo. Nesses aspectos, a pessoa do professor é imprescindível. Ele foi, é e sempre será o fulcro do processo educativo.

Nessa linha, avança-se para o conceito de capital humano, conforme a ciência da ergonomia, quando fala em investimentos, não só de equipamentos, de tecnologia, mas, também, e, sobretudo, da pessoa humana, da sua qualificação, melhorando sua atuação, suas condições de trabalho, sua qualidade de vida.

Que a ergonomia ganhe a educação, que nela faça valer seus princípios, que sociedade e governo encarem o professor como real capital humano que é e não um faz-de-conta. Só, então, poderemos alimentar a sonhada esperança de que a boa educação resplenderá, seguida do sentido de igualdade de que fala a nossa Constituição.

Ao sofrido professor, ao monumento que denominamos magistério, em meus versos, a expressão de reconhecimento e de amor.

MAGISTÉRIO

*Izabel Sadalla Grispino

Magistério, luz da civilização,                                       Magistério é reinado das profissões   
Deusa Minerva de alta sabedoria,                               Mestre, médico, engenheiro, padeiro,
Eu te proclamo em sentida profusão,                        Cada um, dele se vale com distinções,
Te reverencio em nome da maioria.                           Para formar, com luta, um mundo ordeiro.

És a esperança da vida igualitária,                            Ele é o grande aliado do Criador,
A niveladora da desigualdade,                                    Ultrapassa a nossa dimensão humana,
A força que agrega, nunca solitária,                         Beira as raias do divino Inventor,
Sustento da ciência em sua prosperidade.             Guarda o ambiente, impede ação desumana.

Espalhas na terra o senso humanitário,                  Só ele nos livra do mundo escuro,
Carregas, no ventre, o ideal da humanidade,         Só ele é capaz do homem libertar,
Exaltas o viver do homem solidário,                         Só ele nos arremessa pro futuro,
Não te descuidas da religiosidade.                           Só ele é capaz do universo salvar.

Arrancas o ser das trevas da ignorância,               Magistério é resplendor do horizonte,
Erradicas do solo o analfabetismo,                          Sabedoria da fé e da razão,
Educas o adulto, o jovem e a criança,                      Edifício e pilar da saga gigante,
Propiciando ao aprendiz sendas do ecletismo.     Estrada do sol, nobre constituição!

Desces da grandiosidade do teu trono,                  O professor é o seu grande apóstolo,
Freqüentas palacetes, tristes cabanas,                 Tem no ensino o seu evangelho,
Embora sendo nosso grande patrono,                   Magistério é ação, não é rótulo,
Humildemente puxas as caravanas.                       É o sacerdote do jovem, do velho

Gloriemos o mestre, hoje tão esquecido,
Já viveu tempos áureos, lindo troféu,
Agora, com seu salário empobrecido,
Tem o amor de quem lhe tira o chapéu!


* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em outubro/2000)

 

MAGISTÉRIO

Izabel Sadalla Grispino

Magistério, luz da civilização,                                      Magistério é reinado das profissões          

Deusa Minerva de alta sabedoria,                              Mestre, médico, engenheiro, padeiro,

Eu te proclamo em sentida profusão,                         Cada um, dele se vale com distinções,

Te reverencio em nome da maioria.                           Para formar, com luta, um mundo ordeiro.

És a esperança da vida igualitária,                             Ele é o grande aliado do Criador,

A niveladora da desigualdade,                                    Ultrapassa a nossa dimensão humana,

A força que agrega, nunca solitária,                          Beira as raias do divino Inventor,

Sustento da ciência em sua prosperidade.                  Guarda o ambiente, impede ação desumana.

Espalhas na terra o senso humanitário,                     Só ele nos livra do mundo escuro,

Carregas, no ventre, o ideal da humanidade,            Só ele é capaz do homem libertar,

Exaltas o viver do homem solidário,                           Só ele nos arremessa pro futuro,

Não te descuidas da religiosidade.                              Só ele é capaz do universo salvar.

Arrancas o ser das trevas da ignorância,                   Magistério é resplendor do horizonte,

Erradicas do solo o analfabetismo,                             Sabedoria da fé e da razão,

Educas o adulto, o jovem e a criança,                        Edifício e pilar da saga gigante,

Propiciando ao aprendiz sendas do ecletismo.           Estrada do sol, nobre constituição!

Desces da grandiosidade do teu trono,                       O professor é o seu grande apóstolo,

Freqüentas palacetes, tristes cabanas,                        Tem no ensino o seu evangelho,

Embora sendo nosso grande patrono,                                   Magistério é ação, não é rótulo,

Humildemente puxas as caravanas. É o sacerdote do jovem, do velho

Gloriemos o mestre, hoje tão esquecido,

Já viveu tempos áureos, lindo troféu,

Agora, com seu salário empobrecido,

Tem o amor de quem lhe tira o chapéu!

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, ZONA LESTE DA CAPITAL

Izabel Sadalla Grispino *

A zona leste da capital terá a sua Universidade de São Paulo, USP. As obras do futuro campus da USP Leste estão bem adiantadas, com o primeiro vestibular previsto para 2005.

A USP Leste, segundo o que se depreende do noticiário divulgado, decidiu por novos cursos, em número de 12, sem se ater a pesquisas de opinião dos maiores interessados, os alunos. Entendeu a USP que era momento de inovar, formar profissionais para as demandas do mercado, criar novas demandas e não aumentar vagas nos cursos conhecidos, como Medicina, Engenharia ou Direito, embora estes tenham sido os cursos mais citados e solicitados pelos alunos.

Dos 12 cursos sugeridos pelo campus Zona Leste 10 foram aprovados: Lazer e Turismo; Tecnologia Têxtil; Gestão Ambiental; Licenciatura em Ciências da Natureza; Sistemas da Informação; Gestão em Políticas Públicas; Ciências da Atividade Física; Marketing; Gerontologia e Obstetrícia. Foi aprovado um 1.º ano de ciclo básico para os 1.020 alunos previstos.

Uma pesquisa realizada pela própria USP, concluída em junho de 2003, com os alunos que estão terminando o ensino médio, mostra um descompasso entre o que está sendo oferecido e o que foi solicitado por eles. A pesquisa ouviu mais de 5 mil alunos das escolas públicas e privadas e cursinhos. Foram ouvidas 5.697 pessoas, com 5.280 questionários, em 49 escolas de ensino médio e 15 cursinhos, distribuídos por todas estas regiões da cidade de São Paulo.

A pesquisa foi realizada entre fevereiro  e abril de 2003, sendo a Fuvest a responsável pela conferência e tabulação dos dados. 69% dos questionários foram aplicados a alunos da última série do ensino médio da rede pública e 31% aos alunos das escolas privadas e cursinhos. 48% eram alunos dos cursos diurnos e 52% do noturno. Também foi levantado o perfil socioeconômico desses estudantes. Quanto ao grau de instrução do pai, 36% das respostas revelaram um ensino fundamental incompleto; 19%, fundamental completo e apenas 14%, universitário. Os números são semelhantes quanto à escolaridade da mãe.

O questionário foi aplicado em duas etapas. Na primeira, o entrevistado recebia um pequeno texto, com explicações do currículo de 22 cursos superiores escolhidos pela USP. Na segunda etapa, transcorrida no dia seguinte, o entrevistado preenchia um questionário quanto à opção demonstrada pela instituição e respondia à questão: “Você gostaria de fazer algum curso que não consta desse questionário? Explique suas razões”.

As respostas revelaram grande distância entre as escolhas dos estudantes, sobre os cursos universitários, e os que serão oferecidos no novo campus da USP. Contudo, mostraram, também, que 53% dos jovens “não têm consciência da razão da escolha”; 33% falaram em interesse pessoal e apenas 5,1% mencionaram “oportunidades de trabalho”. Perguntas sobre as razões pelas quais desejavam cursar uma faculdade, 35,2% responderam “melhoria das condições financeiras” e 37,9% afirmaram “realização pessoal” e somente 5,3 ficaram com a opção “reconhecimento social”.

A USP tinha, portanto, dados reais, pesquisados, para formular e assentar novos cursos no campus da zona leste. Até que ponto é válido ignorar as demandas solicitadas e apoiar-se apenas na criação de novas demandas? Não seria justo fazer uma adequação entre os cursos mais pedidos, que referendam vocação, revelam potencialidades, com a introdução de novos cursos? Afinal, a zona leste é uma região carente, onde o aluno não tem condições de se locomover, ir em busca de suas aspirações, acabando por sucumbir, relegar seus ideais de realizações, tendo que freqüentar os cursos ofertados.

As respostas à pesquisa mostraram possibilidades de um equacionamento na oferta dos cursos. Aos 35,2% que disseram querer apenas “melhorar suas condições financeiras” fariam os cursos idealizados pela USP, mas os 37,9% que opinaram por “realização pessoal” deveriam poder atender aos seus estímulos internos, os que levam à verdadeira realização profissional.

A USP, após a leitura da pesquisa, deu uma explicação razoável, porém não convincente. Iria abrir cursos de humanidades na zona leste da cidade porque encontraria, assim, “maior simetria interna”, visto ser o campus de Ribeirão Preto mais orientado para as habilidades na área da saúde e o de São Carlos para as ciências exatas. “O campus da zona leste encontra sua vocação principalmente no campo das humanidades”, disse a comissão de professores indicada pela reitoria. Mas, a USP não atinou com a distância em quilômetros entre estes campi, obrigando o aluno carente a sufocar sua vocação, deixar o sonho pela pesada realidade.

A USP deixou de aproveitar a diversidade de interesses pessoais, acadêmicos e conciliá-los à diversidade de possibilidades de emprego da região. Mesmo que quisesse se prender ao item controle social, favorecendo o equilíbrio em regiões carentes de determinados profissionais, poderia equilibrar anseios individuais e mercado de trabalho, equacionar vocação institucional, vocação educacional da região e vocação discente.

Pensar só em mercado de trabalho, ricas aptidões se perdem e ganham-se medíocres profissionais. Quando se trata de USP, a primeira idéia que surge é a expansão de ensino com padrão de qualidade. Difícil encontrar esse padrão em aluno desmotivado pela escolha da carreira, desencontrado em suas aspirações. Hoje, a formação universitária prima por transformar o aluno superficial em aluno profundo. Como chegar à profundidade sem vocação, quando o que está impulsionando o aluno é simplesmente o atendimento a demandas externas?

A USP Zona Leste, ignorando o resultado da pesquisa, decidiu, por si só, a criação de cursos que objetiva simplesmente ativar o mercado da localidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2004)

CULTURA AFRO-BRASILEIRA

Izabel Sadalla

Fala-se muito em discriminação racial – realmente ela parece existir – e quer-se, por força de lei, bani-la. Porém, discriminação não é coisa que se acabe por determinação. Discriminação é fator cultural, enfoque educacional, conquista de méritos próprios. Educa-se, orienta-se, reflete-se sobre as causas que levam à discriminação e busca-se debatê-las, eliminando preconceitos, que são frutos do desconhecimento.

No caso em questão, sobre o povo negro, devem-se passar esclarecimentos, já nos bancos escolares, sobre o valor desse povo, o sofrimento e o isolamento por que passaram, a chaga social que foi a escravatura, a dívida social que o povo brasileiro tem para com o negro. Recuperar a sua dignidade é ponto que se impõe, valorizando a sua cultura, historiando o seu povo, mostrando, aos alunos, a importância que a raça negra teve na história nacional.

Sob esse prisma, considero louvável a lei 10.639, sancionada em 10 de janeiro de 2003, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que determina às escolas do ensino fundamental e médio a inclusão, a partir deste ano, do ensino da história e cultura afro-brasileira. Os currículos deverão abordar a história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra e sua contribuição nas áreas social, econômica e política.

A cultura afro será assunto de todas as disciplinas, mais especificamente nas aulas de história e educação artística. A nova lei institui, também, no calendário escolar, o 20 de novembro como “Dia da Consciência Negra”. A nova Lei de Diretrizes de Bases da Educação (LDB) já faz menção sobre a contribuição cultural dos negros.

Apraz-me tomar conhecimento da adoção de medidas governamentais ou da sociedade civil que vêm de encontro ao favorecimento da diversidade racial. Estímulos na área social, no mercado de trabalho, visando à ascensão profissional do negro, estão sendo pensados e postos em prática. São empresas que oportunizam a contratação de afro-descendentes, que se dispõem a reservar um percentual de vagas para trabalhadores negros em seus cursos de treinamento, atualização e aperfeiçoamento. Dessa forma, estudando, reciclando-se, este trabalhador prepara-se para obter sucesso, podendo exercer, condignamente, a sua função.

É isso que precisa acontecer, dar condições para que o candidato à universidade ou ao mercado de trabalho se qualifique, se posicione em pé de igualdade aos demais concorrentes. Estabelecer, simplesmente, uma cota, sem qualificar o pretendente, é contribuir para a discriminação, é dar, gratuitamente, um privilégio que não resulta em conquista própria, e que, portanto, não leva à auto-afirmação. Afinal, os negros só carecem de oportunidades para crescer. São iguais a todos os que vivem comunitariamente no País, iguais em inteligência, em devotamento, não necessitando de favores que podem, inclusive, voltar contra si mesmo.

A criação de cotas enfraquece o critério de mérito, desvaloriza o conhecimento, influi mal sobre a motivação pessoal. Estamos na era do conhecimento, dele não podemos nos furtar. O mercado de treinamento e educação de profissionais vem se aquecendo como tendência mundial. Em tempos de alta tecnologia, de redução de postos de trabalho e competitividade acirrada, vence quem melhor preparado está. Nesse contexto, condescendência não resulta em benefício, atrapalha, humilha.

A força moral e a inteligência rechaçam a idéia de superioridade de uns sobre outros, de uma cor sobre outra. O País precisa acordar para a responsabilidade de levar educação de qualidade às camadas de menor poder aquisitivo, independentemente de etnias. A integração racial das minorias se faz baseada no respeito que a atuação pessoal e profissional vier a conquistar. Privilegiar e não capacitar é reforçar o preconceito, é manter a exclusão social.

Só transformaremos a realidade em que vivemos quando soubermos estender a todos as mesmas formas de tratamento. Comenta-se que somos um País de negros e que só temos brancos na universidade, mas, afianço-lhes não serão as cotas que promoverão a justiça social reclamada e sim um ensino que capacite, que promova qualidade a todos indistintamente.

A segregação racial surge em vários setores da atividade humana no Brasil. No magistério, por exemplo, 66,2% dos professores são brancos, mas com variações por níveis. Brancos são 74,8% no ensino médio e 83,1% no superior; da 5.ª à 8.ª série são 65,4%; da 1.ª à 4.ª série e na educação infantil os negros somam 40%. No 1.º ciclo, onde se encontram quase 40% dos professores, 47,5% são negros e 35,5%, brancos. Ou seja, os negros se concentraram em níveis que exigiam menor qualificação.

Se quisermos uma transformação social, compatível com a exigência educacional da época, temos que “lavar os olhos”, como dizia Darcy Ribeiro, atuar com honestidade, com democracia sem demagogia.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em abril/2003)

AVANÇAR NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Uma inscrição esculpida no mármore da arquitrave da biblioteca pública de Boston diz: “A comunidade exige educação do povo como salvaguarda da ordem e da liberdade”.

Não parece ter sido fácil, aos nossos governantes, atingir esse pensamento, tendo em vista o nosso sistema educacional decadente. Educação está na base de qualquer alteração social. Nosso atraso educacional salta aos olhos. Um trabalho de conscientização da necessária elevação do padrão de ensino, atingindo, em massa, a formação continuada do professor, viria como um colírio para suavizar a deficitária e falha estrutura educacional.

O professor ainda veste a camisa da escola tradicional, transmitindo o conhecimento mais na base de lousa e giz. De um modo geral, resiste ao computador, deixa de usar este recurso e de estimular o aluno a aprender. Assim procedendo, não se enquadra, devidamente, à época vivida pelo aluno. Nessa era digital da sociedade cibernética, o raciocínio do aluno tem uma velocidade muito maior que há 20 anos. O professor, utilizando-se de métodos arcaicos, não se modernizando, impede o aluno de avançar e de encontrar um sentido maior na escola.

A escola precisa ser mais assistida, para melhor assistir, mais ajudada, no nível técnico e no nível financeiro. É preciso fazer dela prioridade nacional, lugar que nunca deveria ter deixado de ocupar. Como fazer o aluno avançar nos conhecimentos da informática, na evolução do raciocínio, da observação, da análise, da crítica, se quem o conduz é um profissional pouco aprimorado no assunto?

Hoje, sabemos, por exemplo, que os games de ação ajudam o cérebro. Jogos podem melhorar as habilidades visuais e os tempos de reação dos praticantes. Segundo uma nova pesquisa feita nos Estados Unidos, pessoas que brincam regularmente com jogos de ação de computador processam mais rápido informações visuais e com mais precisão que aquelas que não jogam. As conclusões sugerem que os jogos, anteriormente criticados, podem ter efeitos positivos e ser úteis para o ensino e o desenvolvimento de habilidades, desde que usados com moderação. Parece que a ação rápida que se desenrola na tela do computador pode treinar o cérebro para responder com mais eficiência a estímulos particulares, concluem os especialistas de ciências do cérebro.

Praticar o game, porém, não se tornar um jogador compulsivo, porque pode desenvolver também um nível de atenção muito pouco seletivo, além de a criança ficar mais impaciente e agitada. No dia a dia, o que se nota é que os games estão dando respostas mais rápidas e novos modos de comportamento. Um professor analfabeto em informática não acompanhará a agilidade dos alunos pós-modernos. Em muitas escolas oficiais não existem computador, em outras, os computadores ficam trancafiados numa sala, porque os professores não sabem como utilizá-los.

Hoje, o professor não tem como ignorar essa ferramenta de trabalho, não tem como não introduzi-la na sala de aula. O computador beneficia não só o ensino-aprendizagem como a vida do aluno, da comunidade, em geral, que acaba se beneficiando também. Na Índia, por exemplo, o governo priorizou o envio de computadores para as escolas situadas em áreas pobres do país e treinou os professores. Os resultados dessa política atraíram a atenção de técnicos da ONU e da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que registraram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. A informática vem se revelando como fator primordial para atenuar as desigualdades locais e regionais.

Percebe-se que a resistência da escola às novas tecnologias afeta a qualidade do ensino, desestimulando o aluno. É um retrocesso, inclusive, ao progresso da região onde ela se localiza. O computador abre caminho para um aprendizado que faz mais sentido para o aluno, porque permite executar projetos e pesquisas sobre situações reais da comunidade, quando força o aluno a procurar na matemática, na língua portuguesa e nas outras disciplinas os recursos na busca de soluções. A escola insere-se mais na comunidade, que ganha com essa inserção. A presença do computador é também indicador de qualidade de vida. Ele traz conseqüências benéficas e duradouras na vida dos beneficiados. Há pesquisas que mostram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. Escola e professor precisam mudar, aceitar seus novos papéis. A transmissão do conhecimento pelas vias tradicionais já está obsoleta. Construindo o conhecimento, professores e alunos passam, ambos, por uma experiência colaborativa de aprendizagem.

O desafio é fazer com que os professores mais tradicionais deixem de ter resistência ao computador e passem a usar este recurso para estimular o aluno a aprender e colocá-lo na modernidade.

METODOLOGIA ESCOLAR, UM ORGANISMO VIVO

Izabel Sadalla Grispino *

A metodologia escolar é um processo dinâmico, que caminha, se amolda às características do conteúdo e do educando, evolui e se aperfeiçoa no tempo. Coloca o aluno no centro do processo educativo, fá-lo protagonista das atividades desenvolvidas.

Cada vez mais, o aluno deixa de ser um receptor passivo; é estimulado a participar, a fazer, a pôr a mão na massa. Adquire armas, avançando na aprendizagem com autonomia e responsabilidade. É estimulado a voar nas asas da criatividade, descortinando horizontes inimagináveis, acompanhando o pensamento descrito por Anísio Teixeira: “Quando monto na asa de um pensamento, de uma idéia, eu vôo nessa idéia, como se ela fosse minha ave”.

A cada passo, a escola conscientiza-se de que não é o lugar apenas de aprender matérias convencionais, como português, matemática, história, geografia, ciências, física, química ou biologia. Inclui no seu currículo a educação de valores, aulas de orientação religiosa, acolhendo alunos de diferentes credos, ensinando a respeitar as diferenças, a respeitar um ao outro. Os alunos estudam a história das diversas religiões, debatem o assunto em grupos, percebendo o quanto cada religião tem seus aspectos positivos, o quanto no conceito de fé, de sentimento religioso, as religiões se encontram, provocando encontro entre os alunos, também.

Um outro aspecto da escola é incluir no currículo atividades culturais, desenvolvendo talentos, despertando vocações, dentro de uma metodologia prática, interativa, essencialmente participativa. Criam atividades, jogos, aliando diversão e aprendizado.

Hoje, a noção de participação amplia-se, chegando a modificar, por exemplo, as relações entre aluno e museu, em visitas às exposições de obras de arte. A figura do guia é superada e no lugar do monitor, da observação passiva do visitante, surge o educador – os artes-educadores – desenvolvendo um trabalho de mediação entre público e obras de arte, na concepção de que não basta ir ao museu, tem de participar.

Os museus vêm incentivando a mediação de educadores, estimulando as pessoas a falar sobre a arte, a externar seu ponto de vista, no intuito de aproximar público e arte. Os museus, nos roteiros de visita, desenvolvem ações integradas às mostras que coloca em cartaz. Grupos de alunos são agendados à visita ao museu e, no meio da exposição, eles e as famílias são convidados a participar da oficina de monotipia. Nesse momento, tomam contato com técnicas usadas pelo artista, ouvem explanações dos educadores e passam a exercitar, como em um laboratório.

É ocasião oportuna para se travar diálogo, discussões, buscando entender e lidar com arte de modo prazeroso, estreitando as barreiras entre obra e visitante. Aproxima o visitante dos conceitos usados pelos artistas, numa interação incentivadora. O que se quer não é bem formar artistas, mas educar, sensibilizar para a arte, ajudar no encontro de vocações.

No Museu de Ciências e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), o aviso tradicional “não toque” é retirado. A ordem é o contrário: apalpar, clicar, interagir, para sentir e ver como funciona a vida do organismo humano ao movimento do universo. Para sentir e ver o que o homem fez e faz, da roda aos aviões, das cavernas às viagens interplanetárias.

O Museu de Ciências e Tecnologia diverte e ensina sobre o corpo humano, espaço e dinossauros. Mistura informação com diversão atraindo o público que, surpreso, retorna para desfrutar mais do museu.

Escolas há que mantêm uma linha pedagógica mais definida, construtivista, tradicional – hoje, um tanto superada – Montessori, Waldorf e outras, mas sempre há entre elas ramificações que se encontram, dando uma amplitude coerente e estimulante ao processo.

O construtivismo surgiu com o psicólogo e geneticista suíço Jean Piaget, que desenvolveu uma teoria em que a criança constrói o próprio conhecimento, segundo as fases do seu desenvolvimento mental. A criança é instigada a aprender a partir de seu próprio raciocínio. O trabalho em grupo, no construtivismo, é valorizado.

Na linha tradicional, os conteúdos são transmitidos  por meio de aulas expositivas. O professor é a fonte do conhecimento. A avaliação da aprendizagem é feita através de provas formais constantes. Essa linha vem perdendo força e incorporando elementos construtivistas, valorizando aspectos emocionais e psicológicos.

Montessori, criada pela italiana Maria Montessori. A ênfase está na concentração, individualidade e liberdade. Colocam-se nas salas de aula conjuntos de jogos, caixas, superfícies com texturas e sons diferentes. As crianças os manipulam, pesquisam e vão compreendendo conceitos de várias disciplinas.

Waldorf, criada pelo filósofo suíço Rudolf Steiner, parte do conceito holístico – considera o todo. As disciplinas são integradas a partir de temas de interesse dos alunos. Geralmente, é o mesmo professor que ministra todas as aulas. Os brinquedos devem ser de pano, em detrimento do plástico e materiais sintéticos. Evita-se o uso da televisão e oferece uma alimentação bem natural. Waldorf  é uma filosofia de vida, uma escola onde os valores morais, espirituais são muito valorizados. A família participa das atividades escolares.

A metodologia contempla o perfil do aluno, com atividades adequadas a cada um. Para o aluno agitado, que não pára um minuto, o ideal é gastar essa forte energia em práticas esportivas, dança, música ou circo. Para o aluno tímido, que não pergunta durante as aulas, fica no seu mundo, o importante é buscar atividades que combatam o medo e a insegurança, como teatro, artes plásticas, poesia. Para o aluno temperamental, que faz escândalo quando seus desejos não são atendidos, deve-se programar atividades que combatam a agressividade, como jogos de tabuleiro, argila, marcenaria e culinária. Para o avoado, que vive distraído, astronomia, dobradura, informática, cinema, malabarismo e modelagem podem ajudar.

As diferenças individuais encontram-se nas variações metodológicas, pontos de apoio e caminhos alternativos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2005)

O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DO BEBÊ

Izabel Sadalla Grispino *

Hoje, há comprovação científica dos benefícios advindos dos carinhos espontâneos feitos pelas mães, ao cuidarem de seus bebês. Através de balbucios, caretas, brincadeirinhas, ruídos com chocalhos, as mães estimulam sensações com toques, ajudam a criança a explorar o espaço. Tudo feito de maneira lúdica, de mera distração.

A medicina neurológica, por instrumentos sofisticados, consegue detectar movimentos cerebrais mínimos e vem demonstrando que esses gestos maternos trazem efeitos, que vão muito além do lúdico. Na fase dos 0 a 3 anos, são considerados fundamentais e influenciam a vida toda do bebê. É nesse período que o cérebro desenvolve os sentidos, a linguagem, os movimentos, as emoções.

Essas descobertas científicas vêm reforçar comportamentos praticados naturalmente. As creches mais evoluídas mudaram, a partir de então, seus métodos de atendimento, transformando-os em atividades mais científicas que intuitivas. É uma nova visão que não diz respeito à escolarização precoce, mas à estimulação do cérebro. Desde o útero materno, os neurônios do bebê fazem contatos, transmitem informações entre eles, nas chamadas sinapses. Ao nascer, a maioria das conexões fica à espera de estímulos que darão continuidade a essas sinapses. É como um instrumento musical, pronto para produzir som, esperando que alguém o toque, surgindo a música.

Sem esses estímulos, muitas das conexões se perdem e dificilmente são recuperadas. As pesquisas revelaram que animais, privados de receber luz nos primeiros meses de vida, podem perder a visão para sempre. Considera-se que com os bebês haja o mesmo risco.

Os neurologistas explicam que, nos primeiros 3 anos de vida, quanto mais estímulo, mais e melhores conexões serão escolhidas. As que não são usadas sofrem um processo de regressão.

É preciso que fique claro ao educador que essa atitude não significa encher a criança de atividades, ensinar matemática, música, línguas, antes de completar 3 anos. Esse tipo de conhecimento não desperta nenhum interesse na criança pequena e não favorece seu desenvolvimento.

A professora Marieta Nicolau, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), orienta: “Não tem nada mais saudável para a criança do que brincar. É assim que ela aprende as palavras, faz comparações. Os cuidados rotineiros, como trocar a fralda ou dar banho, não podem ser automáticos. É importante conversar sempre com o bebê, mesmo que ele não entenda o que está sendo dito. Ele capta a sonoridade e se sente querido, porque tem a atenção do outro.”

Em escolas de educação infantil que adotam esse processo renovado, bebês convivem com crianças de 5 anos, ouvem música, histórias, brincam juntos. Ficam no berço só enquanto dormem. Aquários, salas temáticas, fantasias, ajudam nas atividades. As crianças de 0 a 3 anos divertem-se com as estimulações e aprendem limites, cuidam de si próprias, convivem socialmente, em um ambiente que nada se parece com a sala de aula. A criança fica mais ativa, mais comunicativa na convivência com outras crianças. As creches perdem, gradativamente, seu caráter assistencialista, colocando ao lado da necessária assistência, como trocar fralda, dar banho, comida, levar o bebê para dormir, a preocupação com a correta estimulação, propiciando a esta criança, amanhã, uma melhor escolaridade, uma melhor aprendizagem.

Quanto mais estímulo receber a criança, melhor. A ciência nos mostra que o cérebro humano, em seu desenvolvimento, passa por etapas. Antes do nascimento, os cerca de 100 bilhões de neurônios fazem a maioria das conexões, chamadas sinapses. Depois do nascimento, os estímulos recebidos  levam  o  cérebro  a  selecionar  as conexões que vão permanecer. Depois dos 3 anos de idade, o sistema nervoso entra no processo de maturação. Em um cérebro já amadurecido, novas conexões são muito mais difíceis.

O processo de valorização das atitudes, em relação à criança, ainda é muito recente. O desenvolvimento do bebê ainda é desconhecido por grande parte dos educadores. Foi só na metade do século XX que a pedagogia começou a voltar-se mais para a educação da criança pequena. Até pouco tempo, acreditava-se que qualquer pessoa podia cuidar da criança, havendo, inclusive, uma desvalorização da profissão e não se exigia do professor a formação correta. A exigência atual é de que os professores tenham, pelo menos, o ensino médio. Mas, a partir de 2007, segundo reza a LDB, todos devem ter concluído o ensino superior para serem admitidos em creches.

O professor de educação infantil precisa conhecer bem o desenvolvimento da criança e ter uma boa formação geral, porque o bebê aprende, também, pelo processo imitativo, o que quer dizer: se o adulto, que está com ele, fala errado, a criança vai falar errado também. A boa formação profissional influi diretamente na boa formação da criança.

No ano de 2003, as creches públicas de São Paulo sairão da responsabilidade da Secretaria de Assistência Social para integrar a Secretaria da Educação, conforme exige a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) desde 1997.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2002)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

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A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

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A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

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