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Artigos Educacionais

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O COMPUTADOR E A EDUCAÇÃO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

O computador é um excelente auxiliar na construção do conhecimento, em todas as fases da aprendizagem. Ele é útil desde a educação infantil, quando crianças são alfabetizadas através dele, e com vantagens.

A criança vai, aos poucos, manuseando o computador, explorando-o, conseguindo demonstrar que sabem e que são capazes de produzir. Diante do computador, a criança tem liberdade para criar, inventar palavras, histórias, desenhos, emocionar-se, estimular-se. Por isso, as crianças gostam muito de trabalhar com ele.

O computador dispõe as informações de maneira clara, objetiva, lógica, favorece a exploração espontânea e a autonomia na aprendizagem. Ele pede reflexão, atenção, definição do que se quer fazer. A criança aprende a se organizar e passar informações ordenadas, digitando corretamente.

O computador favorece a auto-aprendizagem, a autocorreção, porque dá um retorno imediato do processo de construção. Ele trabalha numa disposição espacial das informações que pode ser controlada, seqüencialmente, pela criança, desenvolvendo o seu campo perceptível visual e seu raciocínio lógico. As possibilidades enriquecem-se e trazem oportunidades variadas. Ao trabalhar imagens e textos de forma combinada, o computador ativa os dois hemisférios cerebrais.

No processo da aprendizagem, ele vem sendo apontado, por educadores, como um facilitador do desenvolvimento natural da expressão simbólica da criança no uso de caracteres gráficos. Esse fator é importante tanto na fase da alfabetização como no desenvolvimento posterior da leitura e da escrita. Vale a pena conferir.

Os projetos pedagógicos devem fazer com que o aluno use a tecnologia para pesquisa, trabalhos em equipe, para raciocinar e dialogar em um mundo interativo. O computador é uma ferramenta a mais na aprendizagem, de precioso alcance, mas não absoluto. Ele precisa estar conjugado a outros métodos pedagógicos, fazendo da educação um processo abrangente e reflexivo, como, por exemplo, a formação do hábito da leitura, seguido do debate, dotando as crianças de capacidade expressiva, de interpretação.

A leitura freqüente leva a uma melhor escrita, a um raciocínio mais apurado, a um mais alto nível de inteligência, a uma habilidade expressiva consistente. A psicologia vem demonstrando que existe uma correspondência estreita, uma forte correlação entre o nível de vocabulário e o quociente de inteligência, isto é, entre o domínio da linguagem e a inteligência. Quanto maior o número de palavras, quanto mais elaboradas as comunicações (por exemplo, entre crianças e pessoas adultas) mais potencializado fica o desenvolvimento da inteligência da criança.

Nas histórias, lidas ou contadas, deve-se ater à expressividade; ler ou falar com entonação, com ênfase, em determinados momentos, respeitando as pontuações, as exclamações, as interrogações, as reticências, despertando emoções, provocando reflexões, criando verdadeiros recitais. Esse ambiente de representação recupera a arte, que foi deixada para trás, da récita.

Um outro aspecto da função da escola é a passagem dos valores morais. A pedagogia nos ensina que justiça, solidariedade, tolerância, obediência às regras, respeito ao limite, são valores que se aprendem, como também se aprendem os antivalores: injustiça, crueldade, preconceito, egoísmo, desrespeito ou desprezo pelas normas.

A escola de educação infantil deve primar-se por formar moralmente as crianças, porque é nessa faixa de idade que se constrói o alicerce. Sabemos hoje que, ultrapassada a fronteira da infância, em torno dos 13 ou 14 anos, fase da adolescência, a mudança de personalidade torna-se muito difícil. “É de pequeno que se torce o pepino”.

É responsabilidade, pois, da escola infantil educar para os valores morais, assim como para a leitura, a escrita, a comunicação, habilidades que devem ser iniciadas desde cedo, durante a infância. Entre seus métodos de ensino, a inserção do computador não é mais escolha e, sim, necessidade. A criança fica em dia com as inovações da época. Enquanto brinca, enquanto aprende a lidar com o computador, alfabetizando-se, se conduzida com carinho, com diálogo, com a devida orientação pedagógica, ela vai se modulando, pouco a pouco, tornando-se um adulto responsável, altruísta, solidário com os demais seres humanos.

A escola infantil, por contribuir com esses atributos na formação da criança, é hoje, considerada o grande baluarte da transformação social, especialmente em termos de mudança comportamental. Ela é o alicerce da aprendizagem global, a que deixa a criança pronta para aprender. Alicerce do desenvolvimento cognitivo, afetivo, psicomotor.

Acordou-se para o importante papel da educação infantil. Na “Reunião das Américas para Avaliação da Educação para Todos”, realizada em São Domingos, capital da República Dominicana, em fevereiro de 2000, com a presença de ministros da educação da América Latina, Caribe, Estados Unidos e Canadá, colocou-se como prioridade, nas Américas, o investimento na pré-escola. O documento conclui: “A insuficiente atenção ao desenvolvimento integral das crianças na primeira infância é o principal responsável pelas altas taxas de evasão e repetência na escolaridade básica. A prioridade de investimentos na pré-escola deve ser a primeira, dentre as outras, por garantir o direito universal de uma educação de qualidade desde o nascimento”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2001)

A ESCOLA E O MUNDO DE PAZ

Izabel Sadalla Grispino *

É sempre com emoção que participo de momentos representativos da vida da escola. Fui convidada a presenciar uma atividade extracurricular, no final do ano letivo, uma representação teatral, de uma renomada escola. Ela contou com a presença de pais, de familiares e representantes da comunidade. Foi uma atividade que agradou pela organização, pela esmerada apresentação e pelas significativas mensagens passadas. Deixou transparecer a escola que representa. Houve um congraçamento enaltecedor das relações humanas, com saldo positivo para a escola. Um envolvimento caloroso entre professores e alunos, entre escola e comunidade, em cumprimentos efusivos.

Os alunos representaram no palco, em seis atos, não muito longos, com trajes típicos, cuidadosamente confeccionados, algumas das nacionalidades que despontam no cenário político mundial, em termos de riqueza e em termos de pobreza. Ao lado da beleza do espetáculo, a representação passou imagens significativas em valores humanos, uma auspiciosa sugestão de integração entre os povos, um ensinamento no "formar a roda", no sentido da solidariedade.

Presenciamos a escola exercendo, criativamente, de modo prazeroso, a função social de educar para a paz, para o amor. A escola abrangendo a visão pluralista da educação e da vida, preparando o aluno para entender o momento atual de guerra e de terrorismo, para entender o lado humano que deve nortear o conceito de globalização. É como dizia o educador Antonio Severino: “O professor deve ser fundamentalmente particular e fundamentalmente universal. Pensar globalmente, agir localmente”.

O mundo de amanhã pertence aos jovens. Se quisermos, para eles, um mundo de paz, temos que levá-los a refletir sobre as relações de poder. O paradigma do mercado é a polpuda conta bancária e não a dignidade pessoal. A concentração de renda gira forte entre os poderosos e não permite a entrada dos excluídos. É, pois, a mudança de valores, e não mecanismos econômicos, que vai permitir a reversão do sistema.

A escola está passando da hora de parar de reproduzir informação e começar a formar, a trabalhar caráter, afetividade, preconceito, diferenças, desníveis sociais, apontando para uma convivência pacífica.

Escola é um espaço educacional. Deve saber oportunizar os momentos da educação. Ela não molda, mas interfere na formação da personalidade. Considerei a escolha, da representação teatral, feliz, porque abre a mente e o coração para o acolhimento universal, para a compreensão das opulências e das carências que se contradizem na vida dos povos.

A pobreza, a miséria, que são os pivôs da exclusão social, geram revolta e violência. A violência vem sendo tratada, nos meios educacionais, como um item prioritário, tanto assim que a Pontifícia Universidade Católica (PUC), de Campinas, criou, para o corrente ano, um curso, inédito no País, de pós-graduação de prevenção à violência. O curso será ministrado por especialistas contratados especificamente para ele, terá duração de um ano e será voltado para profissionais de áreas que lidam, diretamente, com vítimas, autores ou situação de violência.

A escola, preparando-se para educar na direção das diferenças sociais, estará dando acentuada contribuição ao combate da violência. Para se ter uma idéia das discrepâncias sociais, vejamos o que nos expõe o Banco Mundial, quando fala que dois terços da população mundial vivem abaixo da linha da pobreza: “Habitam o nosso planeta, hoje, 6,1 bilhões de pessoas. Só 2,1 bilhões desfrutam de condições dignas de vida. Os outros 4 bilhões padecem: 2,8 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, o que significa que não dispõem de renda mensal equivalente a mais de US$ 60. E 1 bilhão e 200 milhões vivem abaixo da linha da miséria, porque possuem renda mensal inferior ao equivalente a US$ 30”.

Os alunos, nessa atividade extracurricular, ao viver no palco sentimentos  de  patriotismo,  peculiaridades cultu-

rais, sociais e econômicas dos diferentes povos, tornam-se mais sensíveis à questão da desigualdade. O interessante é que participaram da representação também atores mirins, correspondentes à faixa etária do período escolar referente à educação infantil, fase da vida em que se deve dar ênfase à formação da personalidade.

Hoje, nós sabemos que a pré-escola é a detentora do troféu das transformações sociais. Quando dizemos que as crianças são o futuro do País, não estamos nos valendo de expressão feita, mas de um profundo sentido real. O provérbio popular, que diz: “É de menino que se torce o pepino”, é rico em sabedoria. “Nós somos o que a criança que fomos fez de nós”. Machado de Assis dizia: “O menino é o pai do homem”.

Podemos perceber o quanto o adulto está na criança, o quanto sai da criança, o quanto é filho da criança. Só a educação das primeiras letras é capaz de modificar o quadro reinante, quadro de sociedades profundamente marcadas por desigualdades de acesso aos bens essenciais.

Para se chegar à mudança social, a escola deve valer-se de projetos alternativos, que conscientizem, estimulem e restaurem os valores humanos, os compromissos morais e éticos. Parabenizo a escola pela estratégia montada a favor da formação do educando, pela idealização da mensagem de paz, pelo despertar de consciências.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(*Publicado em janeiro/2002)

A EDUCAÇÃO DO RICO VERSUS A EDUCAÇÃO DO POBRE

Izabel  Sadalla  Grispino *

A realidade educacional no Brasil é tema inquietante, a ser refletido por toda a sociedade brasileira. Realidade de duas faces: a boa educação para os ricos e a má educação para os pobres. Há décadas, Demerval Saviani, em seus livros, já denunciava a equivocada escola assistencialista, merendeira. São freqüentes e periódicas as citações de especialistas da educação sobre o decadente ensino das classes menos favorecidas.

O objetivo de toda escola deve ser o de tornar o aluno competente. A escola deve lutar, buscar os meios para realizar este objetivo, para dar aos alunos as ferramentas mentais de ação, a fim de que possam enfrentar o mercado de trabalho, hoje tão exigente. Nunca o livro didático foi tão necessário ao professor. A escolha de um bom livro poderá amenizar a situação do ensino público. Um livro que traga ao professor  instruções detalhadas, que propicie experiências abertas, exercícios práticos, onde se possa praticar o construtivismo. A criança precisa freqüentar a boa escola, desde os primeiros anos de alfabetização, porque a aprendizagem é um processo em que uma etapa influi e explica a outra. A construção do conhecimento exige tempo, é preparação sistemática, gradual, encadeada, ligando os diferentes graus de ensino. Não é um simples “depósito bancário”, usando a expressão do educador Paulo Freire. Não adianta avançar etapas, se a aprendizagem não se concretizou. Hoje, temos bem clara a noção de que o importante não é a quantidade do que se ensina ao aluno, mas a qualidade do que ele aprende.

O desinteresse oficial por uma escola pública de qualidade se constitui em mecanismo de reprodução das desigualdades. Concursos de ingresso ao magistério público há, em que Secretarias de Estado observam com rigor a porcentagem de acertos e erros, aprovando os realmente capazes – como o recente concurso, realizado no Rio Grande do Sul, onde 70% dos candidatos foram reprovados, ou o concurso de ingresso na Bahia, em 97/98, que reprovou cerca de 90% dos candidatos. Secretarias há em que, desconsiderando a má formação, rebaixam o nível de conhecimento, aceitam uma porcentagem de acertos inferior ou bem inferior ao que seria a média das questões, facilitando o acesso  para abarcar o maior número de candidatos, mas não garantem, depois, a qualificação necessária ao padrão requerido pela época. Nessa acomodação política, o aluno pobre é o maior prejudicado, pois que tem aula com professores mal preparados, cuja efetividade não foi fruto de competência. O ensino fica, assim, nivelado por baixo.

Em recente publicação do texto: “Duas experiências de ensino estruturado”, Cláudio de Moura Castro, assessor da Divisão de Programas Sociais do Banco Interamericano do Desenvolvimento, faz uma análise sociológica, cultural do Brasil, das últimas décadas e compara-o aos Estados Unidos. Ambos, diz ele, encontram dificuldades em “criar escolas capazes de oferecer um ensino de boa qualidade aos mais pobres e mais vulneráveis... têm escolas péssimas servindo a essa população”. Ambos têm grande desigualdade na distribuição de renda. Sendo que nos Estados Unidos “a maioria esmagadora é imensamente rica, embora tenha muitos bolsões de pobreza, sobretudo, nos centros urbanos”. No Brasil, ao contrário, temos “uma minoria muito rica e uma grande camada de pobreza, incompatível com nossa renda per capita”. O contraste entre Brasil e Estados Unidos está na grande diferença entre população rica e pobre. Se aqui poucos têm boa escola, lá a grande maioria a tem.

Cada povo tem  a educação que o espelha e a nossa pouco nos engrandece.

O magistério é  vocação sublime,  abre caminhos de esperança, de sonhos, de realizações. O professor é pedra angular, a fundamental na construção do ser humano. Batalhar a educação é batalhar a vida no seu grau supremo da promoção humana e social. Ela é essência, ultrapassa a dimensão circundante do Homem, alcança a dimensão cósmica, quando então, entra em comunhão com a obra do Criador e se torna a grande responsável pelo desenvolvimento sustentável do planeta, pela continuidade de nossa mãe-Terra, em sua missão de gerar novas vidas. “O que acontece à terra, acontece aos filhos da terra” – Seattle, chefe das tribos indígenas Duwarnish – Canadá.

Vimos, em seqüência, espalhando sementinhas, que a seu tempo – esperamos – se revertam no nascimento de árvores frondosas. Outras sementes, juntando-se a estas, romper-se-ão em outras árvores, que, no seu conjunto, formarão o cerne, a frente robustecida de combate, com núcleos de influência, semeando permanentemente. Se cada um fizer a sua parte, o grande encontro virá e coroado da salvadora redenção. Completo essas considerações com meus versos “O sono da combalida educação”.

O SONO DA COMBALIDA EDUCAÇÃO

A educação dorme no leito do atraso,
Sono do descaso, da assistência falida,
Da oscilante ideologia do acaso,
Brotando uma atuação didática abolida.

Quantos caminhos perdidos em sua dormência!
Enquanto dorme, o mau ensino perdura,
A criança se embrenha na estrada da falência,
Os pais choram a perda da visão futura!

Educação é luz, terra em maternidade,
Gera o alimento para o corpo e para a alma,
Sacia o sonho, a desigualdade acalma.

Desperte “Consciência”, alce a vontade política,
Faça da sociedade uma análise crítica,
Distribua o saber em social eqüidade.!

 

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

O mundo todo desperta-se para a importância da educação infantil. Até pouco tempo atrás esse ensino era tido como de menor importância.

Hoje, sabemos que a estimulação precoce das crianças contribui e muito para o seu aprendizado futuro. Desenvolve suas capacidades motoras, afetivas e de relacionamento social. O contato das crianças com os educadores transforma-se em relações de aprendizado.

Uma outra concepção é o desenvolvimento da autonomia, considerando, no processo de aprendizagem, que a criança tem interesses e desejos próprios e que é um ser capaz de interferir no meio em que vive. Entender a função de brincar no processo educativo é conduzir a criança, ludicamente, para suas descobertas cognitivas, afetivas, de relação interpessoal, de inserção social. A brincadeira leva a criança ao conhecimento da língua oral, escrita, e da matemática.

Acompanhando a implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o Ministério da Educação (MEC), com o objetivo de assessorar as escolas, elaborou referenciais para um ensino de qualidade da educação básica, os chamados Parâmetros Curriculares Nacionais.

Os Parâmetros não têm caráter obrigatório e servem de orientação às escolas públicas e particulares. Os Parâmetros, assessorando a competência profissional, contribuem para a elaboração de currículos de melhor nível, mais ajustados à realidade do ensino.

Os “Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Infantil” propõem critérios curriculares para o aprendizado em creche e pré-escola. Buscam a uniformização da qualidade desse atendimento. Os Parâmetros indicam as capacidades a serem desenvolvidas pelas crianças: de ordem física, cognitiva, ética, estética, afetiva, de relação interpessoal, de inserção social e fornecem os campos de ação. Nesses campos são especificados o conhecimento de si e do outro, o brincar, o movimento, a língua oral e escrita, a matemática, as artes visuais, a música e o conhecimento do mundo, ressaltando a construção da cidadania.

O então ministro da Educação, Paulo Renato Souza, ao se referir aos Parâmetros Curriculares do Ensino Fundamental, ponderou: “Passamos a oferecer a perspectiva de que as creches passem a ter um conteúdo educacional e deixem de ser meros depósitos de crianças. Em todo o mundo está havendo a preocupação de desenvolver a criança desde o seu nascimento”.

Dados de 1998, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 25% da população de zero a 6 anos freqüentam creche ou pré-escola. São 5,5 milhões de crianças de um total de 21,3 milhões.

A educação infantil é definida na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) como parte da educação básica, mas não da educação obrigatória. A lei define, também, nas disposições transitórias, a passagem das creches para o sistema educacional. O Ministério da Educação (MEC) determinou que, a partir de janeiro de 1999, todas as creches do País deveriam estar credenciadas nos sistemas educacionais.

Conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, cabe aos sistemas municipais a responsabilidade maior por esses atendimento. A Constituição da República diz que “A educação é direito de todos e dever do Estado”. A emenda constitucional n.º 14/96 alterou dispositivos relativos à educação e estabeleceu que a educação infantil é atribuição prioritária dos municípios.

A educação infantil tem-se revelado primordial para uma aprendizagem efetiva. Ela socializa, desenvolve habilidades, melhora o desempenho escolar futuro, propiciando à criança resultados superiores ao chegar ao ensino fundamental.

A educação infantil é o verdadeiro alicerce da aprendizagem,  aquela  que deixa a criança pronta para aprender.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2006)

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO FAVORECENDO A INCLUSÃO

Izabel Sadalla Grispino *

A novela “América” abordou com propriedade e sensibilidade o tema do deficiente. Colocou como um dos protagonistas um deficiente visual, o “Jatobá”, um ser inteligente, que se supera a cada passo, servindo de exemplo e encorajamento na luta pela realização pessoal. Traz constantes inserções do programa do Dudu Braga, “É Preciso Saber Viver”, onde derruba preconceitos, entrevistando deficientes das diferentes áreas, pessoas dotadas de rico potencial e que encontraram ambiente de compreensão e ajuda no desenvolvimento de seus talentos.

A novela vem abrindo a mente, a aceitação, modificando a visão sobre os deficientes. Visitando escolas, conversando com professores, percebi um novo entusiasmo pelo ensino da educação especial.

Já escrevi vários artigos sobre a inclusão do deficiente no ensino regular. Contudo, esse novo olhar me leva a reforçar e a delinear os benefícios já adquiridos pelos portadores de deficiência, que devem nortear consciências e ser estendidos a mais pessoas.

O Brasil vem avançando quanto ao direito da escolaridade das crianças deficientes. A política oficial, já há algum tempo, desde 1996, prevê a inclusão dos portadores de deficiência, na rede regular de ensino. Em agosto de 2001, o então ministro da Educação Paulo Renato Souza, regulamentando a Lei de Diretrizes para a Educação Especial, assinou resolução pela qual as escolas públicas do País deveriam atender estudantes com necessidades especiais.

Essa foi, contudo, mais uma mudança, na estrutura do ensino, imposta a uma rede pública desaparelhada, despreparada para recebê-la. Não se pode esquecer que para se obter sucesso é preciso dar estrutura de aprendizagem, fazer uma inclusão responsável, para não comprometer o avanço dos alunos portadores de deficiência. É muito importante treinar os professores, capacita-los, produzir material de apoio, assim como adaptações de títulos didáticos para o sistema braile. As escolas devem possuir as chamadas salas de recurso equipadas, para facilitar a aprendizagem e possuir professor de braile.

No cumprimento das normas legais, é importante conhecer os seguintes procedimentos:

– A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, no seu art. 4.º, inciso III, definiu como dever do Estado a garantia de atendimento especializado gratuito aos educandos “com necessidades especiais, preferencialmente, na rede regular de ensino”. Sendo na rede regular de ensino, o educador deve receber a capacitação necessária para esse atendimento, lembrando que a política de inclusão exige um professor treinado, capacitado.

– A Lei 7.853, de 1989, obrigou o Estado a apoiar os portadores de deficiência em sua integração social. Leis e decretos definiram normas gerais e critérios básicos para o atendimento às pessoas deficientes. Criou-se, no Ministério da Justiça, o Conselho Nacional de Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência.

– Através do Decreto 3.956, de 2001, foi ratificada a Convenção Interamericana para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas portadoras de deficiências.

– A Câmara do Ensino Básico do Conselho Nacional de Educação (Parecer 2/01) definiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Especial e o Parecer 17/01 estendeu essas diretrizes para toda a Educação Básica.

– A Lei de n.º 8.213/91 prevê a obrigação de contratar deficientes e abrange empresas com mais de 100 empregados. As cotas variam de 1 a 5% do quadro de funcionários, de acordo com o tamanho das mesmas. Essa obrigação já tem mais de 10 anos, mas sua regulamentação só veio em 1999. Uma ação articulada, em 2004, da Delegacia Regional do Trabalho (DRT/SP) e do Ministério Público do Trabalho (MPT), trouxe resultados consideráveis quanto ao aumento da contratação.

– Uma resolução de 2003, aprovada pela Assembléia Parlamentar do Conselho Europeu, que agrupa 44 países do continente, determinou que a linguagem dos sinais utilizada pelas pessoas surdas seja reconhecida oficialmente como idioma. O reconhecimento, feito através da inclusão dessa linguagem na Carta das Línguas Regionais e Minoritárias, dá-lhe status de “idioma sem nacionalidade”

O exemplo avança e no resto da Europa há a preocupação de introduzir a língua de gestos nas escolas. Na Irlanda, Reino Unido, França, Espanha, Grécia e Portugal, as autoridades de ensino adotaram programas para estimular professores a aprender a língua dos sinais e a promover a formação de intérpretes.

Esse comportamento deveria se estender a todos os continentes do planeta. As escolas deveriam abraçar, com entusiasmo, a aprendizagem da língua dos gestos, repassá-la aos seus alunos, introduzindo solidariedade e humanização no ambiente escolar.

Deve-se ter conhecimento dos procedimentos para poder aplicá-los. É preciso cumprir na prática o que essas leis determinam; caso contrário, fica no papel e não na realidade.

Que o entusiasmo do momento se fortifique, forme consciência conclusiva e que a escola inclusiva se torne portadora de esperança, de realizações, de concretizações de vida útil aos estudantes portadores de deficiência. Os Jogos Paraolímpicos reforçam o conceito de valorização ao aluno com necessidades especiais. Esses jogos têm demonstrado o quanto esses jovens são capazes, em termos de concentração, de raciocínio, de superação de si mesmo.

Dar apoio que necessita, observar o ritmo, as características de cada aluno, incentivá-lo à participação, são conceitos-chave para o desenvolvimento do potencial do aluno deficiente.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2005)

O PERFIL DA ADOLESCÊNCIA BRASILEIRA

Izabel Sadalla Grispino *

O relatório divulgado em 11 de dezembro de 2002 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra mais de um terço de adolescentes brasileiros comprometido por seus níveis de escolaridade e renda. Num total de 21,2 milhões, cerca de 8 milhões de jovens entre 12 e 19 anos incompletos pertencem a famílias com renda per capita menor que meio salário mínimo e têm, pelo menos, 3 anos de defasagem em relação à escolaridade correspondente à sua faixa etária.

A redução, nos últimos anos, da mortalidade infantil perde sua expressividade perante as altas taxas de mortalidade entre adolescentes. As crianças que se salvam ao nascer correm o risco de morrer ao entrar na adolescência ou de se tornar um adulto excluído do mundo de trabalho ou um candidato a bolsas de assistência social do governo.

A baixa escolaridade e a falta de políticas públicas integradas para a juventude têm provocado um quadro social deplorável. A marginalização desses jovens, analisa o Fundo, provém de diferentes fatores. Em ordem decrescente de valores, surge primeiro o analfabetismo, que atinge 1,3 milhão de jovens, seguido do abandono escolar – 3,3 milhões não freqüentam a escola – e do trabalho infantil – 1,9 milhão entre 10 e 14 anos trabalham e, na faixa dos 15 aos 17 anos, 3,2 milhões. Segundo o relatório da Unicef, a maioria realiza trabalhos precários, mal remunerados e cumpre jornada excessiva, o que dificulta sua ida à escola.

Aliadas a esses fatores, há ainda a considerar a baixa qualidade de ensino recebida, as diferenças regionais e diferenças de raças. Esses jovens, sem uma direção a seguir, acabam descambando para a violência, para o uso das drogas. O alto índice de gravidez precoce, revelado no relatório, reproduz o ciclo de exclusão: baixa renda, escolaridade precária e inserção precoce no mercado de trabalho.

Para a Unicef, nosso País, que tem a marca de tantas desigualdades, enfrenta o grande desafio da criação de um plano nacional e articulado para o adolescente. “Não existem só desigualdades regionais. Também dentro dos municípios há diferenças nas regiões periféricas e entre zona rural e urbana. Por isso, defendemos a necessidade de uma política nacional e não de políticas setoriais ou localizadas”, diz o oficial da Unicef Sílvio Kaloustian.

O analfabetismo de adolescentes foi o principal índice usado para classificar os Estados e municípios, no relatório da Unicef. A razão está em que se um adolescente não sabe ler ou escrever não tem lugar no mundo do trabalho. Em Alagoas, o índice é de 18%, em Santa Cataria, de 1,3%. Essa disparidade reflete tanto a situação econômica quanto a educacional e de atitude. “O desafio, então, não é olhar para a cidade ou para o campo, centro ou periferia, Sul ou Norte, mas verificar se todas as crianças estão tendo oportunidades”.

Por causa da diversidade, o relatório fala em adolescências brasileiras. “Por um lado, encontramos no Brasil o fenômeno da adolescência prolongada, comum nas classes média e alta, em que a condição do adolescente tende a se prolongar em função das expectativas de uma formação cada vez mais especializada e exigente. Temos, igualmente, um significativo contingente de adolescentes que, pela pobreza de suas famílias, fica impedido de viver essa etapa preparatória, sendo obrigado a uma inserção precoce no mercado de trabalho, formal ou informalmente”, explica o documento.

O Censo 2000 do IBGE, publicado em 20/12/2002, mostra que, embora o País tenha alcançado a universalização do ensino fundamental, com 94,5% de crianças de 7 a 14 anos freqüentando a escola, não conseguiu acabar com a defasagem escolar. Os dados do Censo revelam que, de cada 10 alunos na faixa dos 13 anos, 6 não cursaram a série que deveriam; aos 14 anos, já eram 7.

No grupo de pessoas entre 10 e 14 anos, 1 milhão não sabe ler, nem escrever. A defasagem varia de acordo com o tamanho da cidade. É maior nos pequenos municípios. Um adolescente de 14 anos que mora em uma cidade com até 20 mil habitantes tem mais chance de não estar no ano correto do que o que mora em uma cidade grande. Nas pequenas, 78,8% das crianças  nessa faixa estão atrasadas, ante 63% nos grandes centros. A diferença entre rede pública e privada é grande. Nas escolas públicas, 74% dos alunos de 14 anos não freqüentavam a série que deveriam em 2000. Nas particulares, a porcentagem é de 43%.

O atraso na escola é um sério problema na educação, na vida pessoal e na sociedade. Desajusta-se a personalidade, trazendo desencontro nas realizações. Nessas condições, o normal é o aluno desanimar-se e desistir dos estudos, candidatando-se à marginalidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2003)

NO VESTIBULAR, SÓ PORTUGUÊS E MATEMÁTICA!

Izabel Sadalla Grispino *

Continuando a abordar as propostas de mudanças, uma outra recente inovação do ministro Cristovam Buarque é mudar o processo seletivo nas universidades e faculdades brasileiras. Pela proposta, não importa o curso, o vestibular teria somente as disciplinas português e matemática. “Quem souber matemática e português aprende qualquer coisa. Para cursar a universidade, o aluno não precisa saber tudo de biologia, química ou geografia. Isso ele aprende lá dentro. Dependendo do curso, a pontuação seria diferente nas provas de português e matemática. Para quem vai fazer Jornalismo, é mais importante português, para quem vai fazer Física, matemática”, expôs o ministro. Cristovam Buarque apresentará a proposta aos reitores, mas as universidades têm autonomia para escolher seu processo seletivo.

Esse sistema de avaliação caminharia em consonância ao Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), realizada pelo Ministério, que só testa os conhecimentos em português e matemática dos alunos. Atualmente, os vestibulares das maiores universidades do País exigem o conhecimento geral do aluno, abordando questões de todas as disciplinas do ensino médio. A prova de redação é obrigatória.

Críticas a essa proposta vêm surgindo no sentido de argumentar, como foi feito na proposta de mudança do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ser a educação básica um ingrediente da formação integral do aluno, onde todas as disciplinas são importantes, cada uma com sua contribuição peculiar. A multidisciplinaridade alcança mais facilmente a potencialidade do aluno, desenvolve melhor suas faculdades mentais, além de fornecer uma visão globalizada do assunto tratado. Reduzir o vestibular a duas disciplinas, português e matemática, significa esvaziar as demais, reduzir a quantidade de informações, prejudicando, sobremaneira, a formação básica geral.

O estudante do ensino médio tem no vestibular um guia que regula sua dedicação às disciplinas. Vai, certamente, deixar de dar atenção maior a biologia e a química, por exemplo. E, como fica cursar uma faculdade de Medicina ou de Farmácia sem uma boa base, uma boa formação nessas disciplinas? O mesmo ocorre na defasagem de física, química ou desenho para a faculdade de Engenharia, ou história e geografia, nos cursos correspondentes.

Uma outra inovação seria ampliar o ensino médio de 3 para 4 anos. A proposta do MEC é oferecer um 4.º ano em que as matérias, dependendo da escolha da profissão, seriam dadas em função da opção do aluno. Cursar ou não essa 4.ª série, também uma opção do aluno. As escolas ficariam com a obrigação de oferecer a complementação a todos os que quisessem cursá-la.

Este projeto, igualmente, vem recebendo críticas. Nas condições em que se encontra o ensino público, um ano a mais não resolveria o problema, só o arrastaria para mais um ano. Levar para um 4.º ano o mesmo padrão de ensino dos anos anteriores significa, dizia eu no artigo “Mais um ano para o ensino médio”, simplesmente, repetir a façanha da decadência do ensino-aprendizagem. Educadores reforçam essa posição, na constatação de que o despreparo do aluno é resultado da qualidade e não da quantidade, tanto que Antonio Ibãnez Ruiz, secretário da Educação Média e Tecnológica, pronunciou-se dizendo que a oferta do 4.º ano deve ser obrigatória nas escolas públicas, as escolas particulares podem ficar isentas porque “o bom nível de ensino oferecido por elas faz com que o aluno não sinta a necessidade de uma série a mais”.

O foco do problema reside na melhoria da qualidade do ensino, não só do médio, mas da educação básica, como um todo.

Está havendo, por parte do sindicato dos professores da rede estadual de ensino, manifestação contra a municipalização do ensino, que, desde 1996, transfere escolas do Estado para as prefeituras. O repasse se dá apenas no ensino fundamental (1.ª à 8.ª série). O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), instituído em 1998, facilitou o processo de municipalização do ensino, com a transferência de recursos.

A municipalização do ensino está respaldada pelo parágrafo 2.º do artigo 211 da Constituição Federal, que determina: “Os municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e pré-escola”. A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), definindo responsabilidades, diz que “os municípios deverão oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas e, com prioridade, o ensino fundamental”, os Estados encarregar-se-ão de assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o ensino médio”.

A reivindicação do sindicato baseia-se, conforme expressão de seus representantes, no fato de “os municípios arrecadarem menos e não ter condições de manter o ensino fundamental”. Contudo, a municipalização já se encontra bem estruturada, adotada em mais de 80% dos municípios. É um sistema aceito pela sociedade, que traz reais vantagens ao ensino, especialmente pela aproximação da escola com a comunidade. A escola estando mais próxima da administração favorece a comunicação entre elas, enseja a participação dos pais e da comunidade em tarefas de cooperação e fiscalização.

É importante discutir as políticas de mudanças anunciadas para uma definição mais precisa, mais contundente das mesmas. São elas apenas modismos desnecessários, sem peso funcional, ou procedimentos capazes de resgatar processos desarticulados, superados ou inadequados?

É preciso investir, com acerto, sem gastos desnecessários, na educação pública brasileira, mantendo estratégias que atinjam a má qualidade de ensino e que evitem reproduzir, dentro das salas de aula, formandos analfabetos funcionais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2003)

JOGOS PARAOLÍMPICOS

Izabel Sadalla Grispino *

O mundo desperta com mais vigor para a educação do deficiente, dos portadores de necessidades especiais (PND). Descobre-se que suas potencialidades, quando bem trabalhadas, levam-no a realizações inesperadas.

Terminaram recentemente os Jogos Paraolímpicos, organizados logo depois dos Olímpicos, na mesma cidade e instalações, em Atenas, Grécia. No período de 17 a 28 de setembro competiram 3.857 atletas paraolímpicos, representando 145 países. São atletas portadores de deficiência mental e física. A competição tem uma tradição de 44 anos. O Brasil paraolímpico é bem superior ao olímpico. Possui uma das melhores equipes, tem 9 recordes mundiais. Em Sydney conquistou 22 medalhas, seis delas  de ouro. Para esses últimos Jogos Paraolímpicos, o Brasil enviou a maior delegação de sua história: 98 atletas de 13 modalidades. Teve a melhor participação do País, com 34 medalhas, sendo 14 de ouro, 12 de prata e 8 de bronze. O destaque foi o nadador brasileiro Clodoaldo Silva, que conquistou 6 medalhas de ouro e 1 de prata. Fechou sua participação no ponto mais alto do pódio.

Alguns esportes praticados são bem conhecidos, como o basquete de cadeira de rodas e a natação. Outros são novidades, como o futebol de 5, que aparece na Paraolimpíada pela primeira vez. Em dois tempos de 25 minutos cada um, jogadores cegos ou de pouca visão – que  usam tampões nos olhos para não ter vantagem – orientam-se pelo som. Há ainda o vôlei, goalball, hipismo, tênis, futebol de 5 para cegos – mencionado acima --, futebol de 7 para paralisados cerebrais, halterofilismo, judô, tênis de mesa, ciclismo e atletismo.

É emocionante notar como os deficientes fazem de tudo, hoje em dia. A Paraolimpíada dá a oportunidade de o deficiente mostrar o quanto é capaz, em termos de concentração, de raciocínio, de superação de si mesmo.

Os jogos Paraolímpicos reforçam o conceito de valorização da educação do aluno deficiente. No estudo de um novo idioma, por exemplo, ultrapassam a barreira da língua materna. Muitos deficientes visuais e auditivos freqüentam aulas regulares, com sucesso, em inglês, espanhol, italiano e outros idiomas. Usam material em braile, fazem leitura dos lábios, contam com programas avançados de computador. Mostram-se animados, com vontade de aprender. Os que têm deficiência auditiva se valem, também, do aparelho para audição.

O importante na aprendizagem do deficiente é observar o ritmo e as características de cada um, dar-lhe o apoio que necessita e usar material didático adequado. Introduzi-lo na sala de aula comum, com os outros alunos e incentivá-lo a participar. Segundo os fonoaudiólogos, apenas deficientes auditivos oralizados, isto é, que conseguem ler lábios e reproduzir os sons, podem participar das aulas normais de idiomas. Os que têm perda profunda de audição precisam de um professor que saiba a língua dos sinais.

Segundo o relatório “Monitoramento Internacional dos Direitos dos Deficientes”, elaborado pela Rede Internacional de Deficientes e pelo Centro para a Reabilitação Internacional, divulgado no início de setembro p. passado, o Brasil, entre 24 países pesquisados, é o País das Américas que assegura a melhor proteção e tratamento aos deficientes físicos. O que influenciou esse resultado foi a legislação que, entre outros fatores, assegura cotas de contratação nas empresas, garantias constitucionais de apoio financeiro e proibição da discriminação no trabalho.

Mas, em termos de realidade, pouco se faz no cumprimento dessas vantagens, para que o País seja realmente inclusivo no trato do deficiente. A reserva de mercado aos deficientes, com cotas obrigatórias, estabelecidas pela legislação, em empresas com mais de 100 funcionários, nem sempre é cumprida. Há ainda o obstáculo da locomoção que impede a chegada e a permanência do deficiente no emprego. Do mesmo modo, a reserva de 5% das vagas para os concursos públicos tem seu privilégio esbarrado pelas condições de acesso à educação. O deficiente não consegue trabalho ou estudar porque não tem acesso ao local do emprego e à escola. A lei da reserva de vagas para os concursos públicos, regulamentada em 1988, em que pese a boa intenção, deveria adequar a escola, o sistema de saúde, o transporte público, para atender a demanda dos interessados, garantir a sua participação efetiva na sociedade.

Um outro contra-senso, outro desencontro entre legislação e realidade, é a garantia do direito de voto, que deveria ser acompanhada do direito de acesso ao local de votação. No segundo semestre deste ano – 2004 – o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, incongruentemente, que os deficientes que não possam chegar aos locais de votação estão dispensados. Somente 20% dos postos de votação do País estão equipados para receber portadores de deficiências. Diante desse parecer, haverá interesse em equipar os demais?

Segundo o Censo do IBGE, realizado em 2000, o Brasil possui uma população de mais de 24,5 milhões de brasileiros portadores de algum tipo de deficiência. Dentre os deficientes visuais, 159.824 responderam que são incapazes de enxergar. Dos brasileiros com deficiência auditiva, 176.067 disseram que são incapazes de ouvir. Em cada 100 brasileiros, no mínimo 14 apresentaram alguma limitação física ou sensorial. O número é elevado e merece toda nossa atenção, toda atenção governamental.

Percebemos que ainda há muito que fazer pelos deficientes, ultrapassar os limites da legislação, legislação que colocou o Brasil como o melhor País das Américas no tratamento do deficiente. Quantos anos ainda levaremos para dar condições apropriadas para que o deficiente possa exercer, com dignidade, sua cidadania?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro de 2004)

A POBREZA E O ENSINO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

A realidade brasileira é marcada por forte desigualdade social e um caminho a trilhar, nessa direção, é a educação. O acesso ao 3.º grau é uma das formas mais seguras de ascensão social no Brasil. A população carente começa a entender o processo, a necessidade de se cursar uma universidade para se afirmar socialmente.

 

FORMAÇÃO DE QUALIDADE

Izabel Sadalla Grispino *

Já há consenso da necessidade de uma formação de qualidade a ser dada ao professor. È bem clara a percepção de que é o professor o grande responsável pela aprendizagem do aluno. Está grandemente em suas mãos o resultado do rendimento escolar.

Aumentar o salário do professor é ponto significativo, mas só ele não resultará em melhoria da educação. Estudos mostram que o valor do salário isoladamente não tem nenhum impacto na aprendizagem dos alunos. Por si só, o salário do professor não melhora a qualidade da educação. A qualidade advém da qualidade dos docentes, do seu grau de conhecimento pedagógico e do domínio do conteúdo específico da área, em que atua.

Se tivéssemos parâmetros de formação de qualidade para as escolas de Pedagogia, não estaríamos assistindo a resultados desastrosos das avaliações sobre o nível de aprendizagem dos alunos. A qualidade da formação dos professores está, hoje, longe do desejável. Muitos docentes têm carência até dos conhecimentos básicos de suas próprias disciplinas.

As instituições de ensino superior, para os cursos de formação de professores, não podem, junto ao conhecimento pedagógico, deixar de reforçar o ensino do conteúdo das disciplinas específicas, que serão ministradas pelo professor. O aperfeiçoamento e atualização de conhecimentos devem ser continuados, tanto na área pedagógica, quanto na do conteúdo das disciplinas. Sem essa base de sustentação não há como exigir um ensino de qualidade.

Assim, nos avanços pedagógicos e nos avanços do conteúdo pode-se esperar um equilíbrio entre benefícios profissionais e rendimento escolar do aluno. Podemos presenciar um ensino conectado com o mercado de trabalho, com os movimentos sociais, criando projetos de desenvolvimento, em que a modernização de métodos atinja a evolução tecnológica.

O carro chefe de toda essa revolução está na competência profissional, assessorada pelas condições de trabalho. Em todos os ângulos, em que se avalia a qualidade de ensino, o eixo recai sobre o professor. Professores bem preparados e compromissados com a educação são os diferenciais.

Instituições acima da linha de qualidade aprimoram seus sistemas de avaliação. Nas melhores escolas há uma preferência por provas discursivas, em que o aluno precisa fazer uma análise do conteúdo e desenvolver um raciocínio, isso desde o ensino fundamental.

As escolas ruins, mal equipadas e com professores fracos, fazem muito pouco por seus alunos, acarretando-lhes a defasagem. Nos anos mais avançados da escolaridade, os alunos apegam-se à internet, como a maior fonte de informações para trabalhos escolares e num procedimento que não traduz passos pedagógicos consistentes, agravado pela ausência de acompanhamento docente, com resultados distorcidos.

A educação é um dos mais graves problemas do País. O professor precisa ser preparado para a sala de aula, preparado para utilizar práticas pedagógicas capazes de, por exemplo, transversalizar as disciplinas,  para contextualizar notícias recentes, ou aspectos importantes da vida do aluno, com o conteúdo das disciplinas e assim motivar melhor o aluno, incentivando-o ao estudo.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2007)

ESTAREMOS ASSISTINDO A UM PRENÚNCIO DE DECADÊNCIA DO ENSINO PÚBLICO SUPERIOR?

Izabel Sadalla Grispino *

Já começam a pipocar, espaçadamente, observações preocupantes referentes à estrutura de sustentação do bom ensino público universitário. Nesse último qüinqüênio, a universidade pública vem perdendo, gradativamente, professores do mais alto gabarito para o setor privado. Salários estacionados, precários, desestímulo à carreira, condições de trabalho a desejar, motivam a passagem. Perdas, também, pelo fator aposentadoria, quando os professores, receando alterações desfavoráveis na legislação previdenciária, se apressaram no pedido da aposentadoria.

Já há algum tempo vem-se denunciando a instável situação das universidades públicas. Em fins de 1997, quando o MEC, por seu Programa de Modernização e Qualificação do Ensino Superior, aplicou recursos na compra de equipamentos de laboratórios e de hospitais universitários, em projetos  de  melhoria  da graduação, o prof. Odilon Marcuzzo de Castro, da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais do Ensino Superior (Andifes), questionou este investimento em infra-estrutura. Disse que a capacidade de as universidades poderem usufruir dessas melhorias ficava inibida, porque não tinham condições de investir em pessoal qualificado. “Não há dúvida de que os incentivos em laboratórios, em infra-estrutura... sinalizam políticas de melhoria do sistema, mas para ter qualidade é preciso ter profissionais preparados e, hoje, os professores têm sido atraídos por salários do setor privado.

Ainda mais recentemente, em abril passado, quando da reivindicação dos funcionários, da área científica, por melhores salários, o presidente da Associação de Funcionários da Fiocruz (Asfoc), Álvaro Nascimento, disse que “o montante destinado à ciência e tecnologia, anunciado pelo presidente, é ridículo. A maioria dos países investe entre 2 a 3% do PIB em pesquisa científica. O investimento no Brasil fica abaixo de 0,5%. Há um esvaziamento de cérebros das instituições porque os cientistas trocam o salário de R$ 2.500,00 pelo de US$ 7 mil na iniciativa privada”.

São fatos de se lamentar, visto terem as nossas universidades públicas, tanto no ensino quanto na pesquisa, conseguido manter, ao longo dos anos, um padrão de alto nível. Todos os países desenvolvidos preservam seu padrão de excelência, pois dele advém as grandes cabeças pensantes, os grandes avanços, capazes de colocar o país em patamar superior, em situação de supremacia.

Estaremos nos arriscando a perder esse padrão tão desejável, tão imprescindível ao conceito de uma nação? Cairão as nossas universidades públicas em descaso crônico dos governos, como aconteceu com o ensino fundamental e médio? A situação atual da USP, em relação à falta de professores, é preocupante. Para contornar a situação, as universidades têm contratado educadores em regimes alternativos – não por concurso, como seria normal, mas apenas para dar aulas. São professores que não têm vínculo com a instituição, ganham por aula – 12 horas de aula ao mês, recebem R$ 260,00 – não desenvolvem pesquisa, como vem acontecendo com a Escola de Comunicação e Artes (ECA) e outras mais. Quem explica é Jair Borin, Chefe do Depto. de Jornalismo e Editoração da ECA/USP.

A falta de professores começa a causar sérios danos. Alunos de graduação de História e Geografia da Universidade de São Paulo (USP) correm o risco de não se formar no prazo previsto para os referidos cursos. Não há professores em número suficiente para cobrir todas as disciplinas do currículo, por isso, os departamentos deixam de oferecer matérias optativas. Sem estas matérias, o aluno não obtém créditos suficientes para concluir seus estudos no prazo determinado. Isso ocorre no fim do curso, que é quando as optativas se concentram. Em Geografia, das 46 disciplinas previstas no currículo, 21 estão sem professores; em História – pasmem! – o déficit de professores levou a direção do curso a suspender a oferta de optativas no semestre! Para operar com um mínimo de condições didático-pedagógicas, a faculdade precisaria contratar, de imediato, cerca de 30 profissionais.

“Temos a pior relação professor/aluno de toda a história da USP, perto de 33 estudantes para cada professor; enquanto a média da universidade é por volta de 13 para 1”, diz Francis Henrik Aubert, diretor da FFLCH/USP.

A falta de recursos é a principal dificuldade da USP para substituir os professores aposentados. Essa situação vem se estendendo sem que, politicamente, se encontre uma saída para ela.

A formação do futuro profissional está sendo comprometida. As universidades trabalham com classes superlotadas, apresentando uma estrutura prejudicial à qualidade do ensino. Por falta de professores, os alunos acabam escolhendo uma disciplina que não tem nada a ver com seu curso, só para conseguirem os créditos e terminar o curso mais rápido. Alunos de História, por exemplo, se inscrevem em disciplinas de Letras, porque em História não está sendo oferecida nenhuma optativa. Ainda, oferecem-se menos turmas de cada disciplina e assim nem todos conseguem se matricular, a concorrência aumentando leva à seleção, com criação de pré-requisitos. Há sobrecarga para o professor, que fica com excesso de alunos na sala de aula, acarretando prejuízo pedagógico. Cursos há, como de trabalho de campo, em Geografia, que em geral são 40 alunos por turma, por falta de professor, chega a quase 90. Também em outros cursos, como Letras, Ciências Sociais e História, as salas ficam repletas com 100 e 120 alunos. “Mal dá para discutir. Está tudo precário”, avalia o aluno Pedro Falco, segundanista de Letras.

Nota-se uma lastimável inadequação da universidade às suas necessidades. Ela vem sendo usurpada de sua competência, arcada com problemas produzidos por políticas educacionais desencontradas. Ao poder público compete equipar humana e materialmente a instituição, a criar condições de infra-estrutura para que ela não perca sua eficiência, seu comprometimento com as transformações e as conseqüentes necessidades sociais.

Se abandonada pelos cofres públicos, como esperar que se mantenha no padrão de excelência que sempre a caracterizou? Estará havendo porta aberta para a privatização do melhor ensino superior do Brasil, do ensino que nos honra e nos orgulha? Será esse o caminho desejado pela sociedade brasileira?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2000)

SAUDAÇÕES AO ANO LETIVO

Izabel Sadalla Grispino *

Convidada a proferir a aula inaugural de uma escola normal, teci considerações que, hoje, trago a você professor, num gesto de atenção, desejando, num grande abraço, abranger todo o magistério desta cidade.

Março é o mês em que a escola, já organizada, dá a sua largada ritmada, rumo ao cumprimento do dever que o ano letivo lhe impõe. Fevereiro é o mês dos preâmbulos, dos planejamentos, dos acertos, dos ajustes. Então, neste momento, quero dar aos professores, ao diretor da escola e a todos os seus funcionários as boas-vindas, desejar-lhes um trabalho auspicioso, produtivo, que tenham, ao longo do ano, força renovada, alento e apoio nas sinceras e procedentes reivindicações.

Em cada grau da pirâmide educacional, o professor correspondente tem uma importância capital, formando no conjunto a gleba florida. O professor das primeiras letras, o nosso querido professor primário, é marco nessa escalada da aprendizagem. Sua importância é grande e com os avanços da psicologia genética a educação infantil firma-se e se mantém como a grande fase formadora do alicerce educacional do indivíduo.

A educação infantil está sendo cada vez mais valorizada; sua ausência repercutirá desfavoravelmente em todo o percurso escolar posterior. Cabe ao professor primário a séria responsabilidade de, ao introduzir a criança no mundo da leitura e da escrita, torná-la um estudante animado, encorajado, confiante. A postura do professor, diante da criança, é bem mais representativa que o seu próprio saber. São a atenção, o cuidado, o carinho que levam essas crianças ao bom termo final. É o amor o maior ingrediente da educação, ou como dizia Pestalozzi, seu maior instrumento.

O início da atividade intelectual tanto pode fazer do aluno um continuador incentivado ou um ser desanimado, inculcado, com vícios de aprendizagem. Esse professor será ou a escada rolante, que o conduzirá ao topo, ou o chicote, a cortar-lhe durante todo o trajeto, e a escolinha primária ou uma colméia em que se fabricam as primeiras  gotas de mel, ou um vespeiro agitando a caminhada.

Escola é um organismo vivo, acompanha a evolução dos tempos e se modifica com ela. Não é uma entidade estática; cabe a nós, professores, atualizá-la, torná-la competente para responder à altura ao mundo tecnológico dos nossos dias.

A educação moderna vem exigindo competência e dedicação crescentes por parte do professor. Manda que se atenda à realidade do aluno, da comunidade em que se insere e que, ao lado da instrução, ministre a educação. Na instrução, o aluno abrange o saber; na educação, torna-se um ser consciente de suas responsabilidades morais, sociais, religiosas, torna-se um estudante que se desenvolve nas capacidades cognitivas de caráter geral.

A orientação pedagógica pede, hoje, bem mais ao professor. Ele não pode se descuidar da educação integral, porque só ela vai ajudar o aluno a vencer as barreiras do avanço científico-cultural. O aluno bem formado nos aspectos conceituais, atitudinais e comportamentais chega por si só à informação.

Dizemos que a atuação do professor é complexa, singular, contextualizada. Complexa, porque envolve vários fatores: exigências sociais, experiências de vida dos alunos, apropriação do conhecimento, desenvolvimento de habilidades e de atitudes; singular, porque não há duas classes, dois professores ou dois alunos iguais; e contextualizada, porque tem que abordar um currículo adequado ao contexto sócio-cultural.

Vimos que escola não é só “razão instrumental”, ela está comprometida com o pensar, com as relações humanas, o pensar com os outros dentro de um contexto intersubjetivo que proporciona a autonomia dos educandos.

O que é feito com amor, com entusiasmo, produz o melhor resultado. A decadência do ensino público afeta a todos nós, a todos diz respeito. Nenhum educador fica indiferente a esse quadro empobrecido do ensino público e o que mais queremos é vê-lo prosperar, abraçar patamares que dignifiquem o magistério de nossa terra. O que mais queremos é que ele seja coroado, porque nenhuma coroa pesa mais, nenhuma significa mais que a coroa do saber. Somos conscientes de que educação não é variável isolada. Com o aumento da marginalidade, do desemprego, da exclusão social, não se pode esperar milagres da educação. Contudo, com criatividade, com espírito de solidariedade, a escola pode muito colaborar.

O professor é uma necessidade social e ele deve tomar consciência desse seu papel. Ele é, no dizer poético, “o guieiro dos filhos da Pátria”. Quanto mais elevado o grau de instrução, de educação, mais forte será a cadeia da nacionalidade. A escola, juntamente com a família, é o núcleo da sociedade. Nelas aprimoram-se as virtudes, amolda-se o caráter, que é a expressão da alma. A escola continua o lar e ambas, unidas, lutam pela formação de homens honrados, idealistas, úteis à família, à sociedade, à Pátria e a Deus.

Professor caminhe firme em direção ao saber, mas não despreze as boas normas de conduta. Cultive a alma, atue com sabedoria e eqüidade social,  influenciando toda a comunidade escolar e, em especial, seu aluno. Ninguém é grande ou pequeno pela vida pomposa que ostenta ou pela vida simples que leva. A categoria em que temos de classificar a importância dos homens deduz-se do valor dos atos que eles praticam, das idéias que difundem e dos sentimentos que comunicam aos seus semelhantes.

Que Deus e a Pátria os protejam!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março de 2001)

AS NOVAS CONCLUSÕES DO ENADE

Izabel Sadalla Grispino *

O último Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) foi aplicado a 277.476 alunos, escolhidos por amostragem, que ingressaram na universidade e os que se formaram em 2005. Avaliou 5.511 cursos superiores em que 27% receberam os conceitos máximos, 20% foram reprovados e 53% ficaram na média.

O ponto destoante foi  mostrar que alunos de cursos, com conceito máximo no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), não acertaram nem metade das questões da prova! Mostrou que cursos de universidades públicas e conceituadas, como a Unesp, que tiveram médias em torno de 45, numa escala de 0 a 100, receberam conceito 5 no final, o mais alto.

O Enade, criado para substituir o Provão, que surgiu na gestão do ministro Paulo Renato Souza, não estabelece meta para o estudante, só compara instituições. Apenas ordena os melhores e os piores cursos a partir do desempenho do grupo, sem determinar previamente a que nível o estudante deveria chegar para receber o maior conceito. Nesse ponto, o Enade repete a falha do Provão.

O Ministério da Educação introduziu no Enade, na avaliação realizada em 2005, o Indicador de Diferença entre o Desempenho Objetivo e o Esperado (IDD), um dado que revela aspectos interessantes, que passavam desapercebidos pelo Provão.

O IDD mede o quanto uma universidade contribui para a formação do aluno, ampliando o seu nível de conhecimento e sua competência profissional. É um conceito de “valor agregado”, que permite maior clareza do ensino superior. O Enade reabilitou o ensino superior privado, tido normalmente como ruim.

Cada instituição pública ou privada tem uma clientela específica para atuar e deve se preparar para oferecer um espaço acadêmico próprio a ela. Na instituição privada, os alunos, na grande maioria, vêm da rede pública do ensino médio, com uma educação de baixa qualidade, com déficit, praticamente, em todas as competências. Necessitam de cursos mais curtos para ingressar logo no mercado de trabalho.

Os baixos resultados, em termos de conhecimento, obtidos pelo Enade, refletem a falta de qualidade de toda a educação básica brasileira. Mostraram que, no conjunto, os alunos das instituições públicas continuam tendo um desempenho melhor do que os das instituições privadas. Porém, o novo indicador do Enade apurou que 41,8% das universidades federais tiveram um Indicador de Diferença entre o Desempenho Objetivo e o Esperado negativo, significando que quase metade das universidades mantidas pela União não conseguiu agregar o valor que se esperava a seus alunos. Entre as universidades privadas, 58,5% das instituições apresentaram um IDD positivo, reabilitando, nesse aspecto, a imagem das instituições privadas. Quebra o enraizado conceito de que toda universidade pública é boa e a privada sempre ruim.

Um dado que surpreendeu foi o fato de os cursos das universidades de São Paulo perderem para os de instituições do Ceará, Bahia, Sergipe, Paraíba e Rondônia no conceito que mostra o valor agregado aos alunos nos cursos freqüentados. A comparação foi feita a partir da porcentagem de conceitos 5 (máximo) de cada Estado no Índice de Diferença do Desempenho (IDD). A maior quantidade de conceitos 5 foi do Estado de Sergipe, com 9,l5%.

De acordo com a clientela recebida, a instituição privada, em boa parte delas, vem conseguindo formar adequadamente seus alunos. A avaliação do ensino superior se aperfeiçoa e o Enade, pelo Índice de Diferença do Desempenho (IDD) é capaz de avaliar o quanto a universidade agregou de valor a seus alunos durante o curso.

Por esse índice, reabilitou boa parte do ensino privado, mostrando que, devido à diversidade, à heterogeneidade, existentes na sociedade, não pode haver modelo único de ensino, antes um multissistema de ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em setembro 2006)

A TECNOLOGIA IRRADIANDO-SE EM TODOS OS GRAUS DE ENSINO

Izabel Sadalla Grispino *

O desenvolvimento tecnológico revoluciona a educação. Professores e alunos dispõem de amplas fontes de informação, têm acesso às mais importantes bibliotecas do mundo e podem, em qualquer lugar que estejam, conversar, trocar experiências entre si, pela internet. A avançada tecnologia utiliza uma série de ferramentas virtuais de última geração, como videoconferências e comunicação por voz, via internet.

No âmbito da sala de aula, a escola elabora uma pedagogia própria para o computador e a internet, que leva à auto-aprendizagem, à pesquisa, abre novos horizontes, desperta a inquietação intelectual.

A tecnologia aplicada como metodologia ativa traz resultados auspiciosos, em todos os graus de ensino. Ganha a aprendizagem. Na alfabetização de adultos analfabetos ou semi-alfabetizados conquista cada vez mais adeptos, colocando-se na sala de aula computadores e internet. Deixa-se de lado a cartilha, a lousa, o bê-á-bá, cria estímulos, via digital, para que o aluno, cansado do trabalho, não desista de estudar.

O uso de computadores e softwares especiais, divertidos, em aulas de recuperação, encarregam-se de prender o aluno e de levá-lo a estudar. Eles abrem espaço para a aprendizagem; o aluno torna-se mais participativo, mais criativo, com mais iniciativa.

Contudo, a tecnologia não produz efeito se o professor não souber usá-la. O bom preparo do professor para essas aulas é o segredo do sucesso. A tecnologia aliada a uma nova postura do professor atrai  o aluno, compete com a TV e os games. Com os softwares, a relação professor-aluno melhora muito, porque o professor deixa de ser um transmissor da matéria, passando a ser um mediador, um estimulador do aluno, valorizando o conhecimento que ele já tem.

O ideal seria que esse mesmo sistema atingisse, também, as aulas regulares, o que já ocorre em muitas escolas particulares, tornando-as mais interessantes. Os resultados das pesquisas parecem indicar que esse é um caminho que a escola deve seguir.

No ensino superior, várias universidades, valendo-se do recurso da tecnologia, criam o ensino a distância, colocam em prática uma modalidade de ensino, autorizada pelo Ministério da Educação (MEC), em que, por meio de aulas a distância, ministram até 20% da carga horária dos cursos regulares de graduação. Até 20% da carga horária, o aluno não precisa estar na sala de aula.

Adotam o método da inserção da tecnologia em cursos em que, até então, o computador era apenas um apoio para atividades extracurriculares e oferecem infra-estrutura de acesso para os alunos.

O ensino a distância deve ser um processo dinâmico, criativo, ficando bem além da simples digitalização do conteúdo dos livros e apostilas usados em classe. Usam-se links, animações e espaços para interação, como e-mail e fóruns de debate.

O ritmo da navegação fica por conta do aluno. Porém, tudo o que faz, assim que entra no site, é monitorado pelos professores, que verificam a freqüência, o tempo que ele passou em cada texto ou tempo que levou em cada exercício.

A tecnologia deve exercitar as habilidades do aluno, só repetir o conteúdo dado em classe não tem sentido. No início, muitos alunos se ressentem, acham falta do modelo presencial, estranham e encontram alguma dificuldade de adaptação, mas, aos poucos, aprendem a usar o programa, acostumam e passam a gostar desse tipo de ensino que vai alcançando bons resultados e ganhando credibilidade.

A tecnologia irradia sua ação para a área de segurança das escolas, como pátios, corredores, entrada ou saída, inclusive com câmeras que chegam às salas de aula. Muitas escolas do Rio e de São Paulo colocam câmeras de vídeo nas classes para monitorar os alunos, visando disciplina, comportamento, afastando pequenos atos ilícitos, como furtos de objetos, que ocorrem, às vezes, até por diversão.

Em classes mais numerosas, fica difícil controlar a desordem, as conversas, as brincadeiras, que tanto atrapalham as aulas. A vigilância das câmeras ajuda a identificar alunos rebeldes, que riscam carteiras, paredes, que furtam celulares, walkmans, estojos, cadernos... e outras travessuras. As imagens são vistas apenas por funcionários e no caso de algum problema os pais são chamados e conjuntamente resolvem a questão vexatória, como a de um aluno que roubou uma bicicleta de um colega, no pátio da escola. As áreas externas têm acompanhamento em tempo integral, nas salas de aula as cenas são gravadas e vistas depois.

A respeito do monitoramento por vídeo, todo educador sabe que o processo de educação deve ocorrer de dentro para fora e não simplesmente ser imposto. Nessas circunstâncias, pode ocorrer uma  noção falsa de ética, de moral, ensinando o aluno a camuflar. Sabendo vigiado, disfarça e longe das câmeras transforma-se, praticando o ilícito em outro lugar. As câmeras podem também criar um relacionamento construído, afastando a espontaneidade entre alunos e professores.

Monitorar por monitorar não resolve, porém, se esse controle vier acompanhado das discussões das causas emocionais que levaram ao comportamento reprovado, creio que ajudará. A observação de perto deve igualmente levar ao diálogo, à conscientização da falta, acompanhadas do trabalho educacional de orientação e de assistência.

Para que o monitoramento surta efeito prolongado ou definitivo, necessário se faz a aproximação, a confiança, o afeto entre educadores e educandos, ou entre pais e filhos.

Uma escola, com grande número de alunos, muitas vezes, vê-se obrigada a um controle mais rígido, para coibir indisciplinas, mas, nunca esse controle, por si só, resolverá um problema que é de cunho educacional. Ele apenas posterga, deixando para o entendimento das razões dos atos de delito sua elucidação, sua possível eliminação.

* Supervisora de ensino aposentada.           
(Publicado em novembro/2005)

A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

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A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

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A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

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