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Artigos Educacionais

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ALUNOS EM DESAJUSTE DE IDADE E SÉRIE

Izabel Sadalla Grispino *

Em 23 de maio de 2002, o Ministério da Educação (MEC) divulgou dados do Censo Escolar de 2001, onde demonstrou que uma parcela significativa de alunos está atrasada em relação à série ideal. Demonstrou um aumento do número de estudantes que concluem o ensino fundamental e médio com desajuste entre idade/série. A idade ideal para terminar a 8.ª série é 14 anos. Dos 35,3 milhões de alunos matriculados no ensino fundamental 22% têm mais de 14 anos, mas 31%, dos 2,6 milhões de alunos que chegaram ao fim do ensino fundamental em 2000, têm mais de 18 anos. A situação piora no ensino médio: dos 8,4 milhões de jovens matriculados, 54% têm mais de 17 anos e entre os concluintes, em 2000, 49% tinham mais de 20 anos.

O atraso escolar é um problema para a continuidade dos estudos. O aluno ou acaba evadindo-se da escola, abandonando os estudos, ou vai para o ensino supletivo. O crescimento de matrículas, na educação de jovens e adultos, é um indicador da passagem da escola regular para o ensino supletivo. O censo mostra outra parte das distorções quando registra 240,7 mil alunos com mais de 29 anos matriculados na 1.ª à 4.ª série. Esses alunos não deveriam estar freqüentando um curso como o ensino fundamental, mas recebendo um tratamento educacional mais adequado às suas condições.

O censo de 2000 registrou 3,4 milhões de estudantes, o censo de 2001, 3,8 milhões, com um aumento de 11%. Somando-se todos os níveis da educação básica, há mais de 54 milhões de alunos, em 2002, matriculados. Esses dados vêm demonstrar uma explosão de matrículas, uma ênfase na quantidade e não na qualidade.

O número de matrículas no ensino fundamental é bem maior do que a população de 7 a 14 anos, o que mostra o desencontro entre idade e série, ocasionando distúrbios na aprendizagem. São 26 milhões de crianças nessa faixa etária ante 35,3 milhões de matriculados. Essa distorção deve servir de alerta às autoridades da educação, na proposição da criação de modalidades de ensino que equacionem a situação.

Em contrapartida, há uma outra discrepância que deve ser revista: a maior parte dos alunos que fazem o supletivo tem entre 18 e 24 anos. Dos 3,8 milhões, 1,2 milhão estão nessa faixa etária. Mas, o censo mostrou que há crianças em idade para freqüentar a escola regular fazendo supletivo. São 79 mil alunos de até 14 anos matriculados nos supletivos e 530,7 mil de 15 a 17 anos.

O censo constatou, o que já se sabia, que a pobreza é um fator que influi na evasão e na repetência escolar. Comprova o número de ingressantes e concluintes do ensino fundamental. No Nordeste, região mais pobre do País, apenas 38% dos 2,3 milhões de alunos que ingressam na 1.ª série chegam ao fim do ensino fundamental. No Sudeste, região mais rica, 76% chegam ao fim do ensino fundamental.

Abriu-se vaga para todos nesse grau de ensino e a camada mais pobre da população começou a adentrar a sala de aula. Alunos que, provenientes de lares de renda mínima, de pais de baixa ou de nenhuma escolaridade, sem a freqüência à pré-escola, sem estimulação familiar aos estudos, vivendo num ambiente de pobreza financeira e cultural, se esbarram no caminho do aprender e acabam por desistir da escola.

A escola, por sua vez, atua com professores de precária formação, incapazes de uma metodologia que entre no mundo desmotivado desses alunos e os conduzam ao universo do saber. Embora o censo tenha demonstrado um aumento de professores, sobretudo na pré-escola, com curso superior completo – aumento de 40% -- ainda prevalecem os docentes com ensino médio completo: são 169,6 mil de um total de 248,6 mil. Em 2001, 61,3 mil professores de pré-escola tinham cursado uma faculdade.

A mesma situação repete-se com os professores das creches, em que prevalece a formação de nível médio. Dos 63 mil professores de creche, 68% têm diploma de 2.º grau. Na 1.ª à 4.ª série, nível em que 67% dos 809,2 mil professores têm magistério, houve um aumento de 47 mil professores lecionando com  diploma de grau superior.

O aumento de professores cursando o ensino superior é, sem dúvida, fator positivo, a redução de professores leigos, que não concluíram o ensino médio – a qualificação mínima para se dar aulas – foi significativa, de mais de 50%, mas não o suficiente para se reverter a situação da má qualidade do ensino. Em 1998, havia 95 mil docentes leigos, ante 46 mil constatados em 2001.

Duas grandes lições podemos tirar do censo 2001. A necessidade de se programar ações efetivas para a aprendizagem de jovens e adultos, colocando-os frente a uma metodologia que dê conta dessa faixa etária, considerando seus perfis, seus ritmos, e a de investir-se na formação dos professores, criando condições a uma formação continuada e em serviço.

Assistir a pobreza, criar boas condições de trabalho, diminuir o número de alunos por classe, cuidar melhor da escola, são combinações que trarão melhorias na qualidade de ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.           
(Publicado em novembro/2002)

* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em novembro/2002)

A CRESCENTE ONDA DE VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL

Izabel  Sadalla Grispino *

Como pode a escola, nessa linha, exercer seu papel de coadjuvante da transformação social? Sabemos que escola e sociedade se integram, se interagem. São interfaces que se refletem, que se completam: uma recebe o produto da outra. O projeto pedagógico da escola deve contemplar a realidade vivida pelo aluno, seu cotidiano; contemplar o contexto socioeconômico-cultural, no qual se insere. A contextualização é matéria-prima do currículo. A análise reflexiva do comportamento social é vital para a performance da escola. Os alunos que a freqüentam saem da sociedade, é dela parte integrante. De que características se reveste a sociedade de hoje?

No cotidiano social vivenciamos a violência, a fome, a corrupção, o desemprego, tudo banalizado pela alta freqüência. Estamos nos tornando uma comunidade anestesiada pela repetida violência, que vai minando o organismo social. Presenciamos uma juventude desajustada, psicologicamente envelhecida, renunciando, no uso da droga, a própria capacidade de sonhar. O número de delinqüência juvenil vem aumentando em progressão geométrica. A miséria moral é a mola crescente desse pejo social.

As causas da violência, apontadas por especialistas, ajudam no entendimento e na colaboração que cada instituição – família, escola, igreja, justiça, polícia... – pode dar. Pesquisas realizadas nessa área mostram várias causas, todas girando em torno da família. A ênfase é dada à desestruturação da família. A destruição do casamento vem trazendo uma amarga fatura. A ruptura familiar produz na criança, no jovem, o “rasgão afetivo”, responsável por um desajuste precoce. É como se diz: “A pobreza material castiga o corpo, mas a carência afetiva corrói a alma”. A ausência de vínculos afetivos gera introspecção, frieza, revolta. Sem carinho, a criança cresce sem referenciais.

Quem não aprendeu amor em casa, dificilmente levará amor para a rua. O numero de casas sem pais vem crescendo assustadoramente. Pais ausentes, filhos delinqüentes. Pais fora de casa, filhos entregues à “babá eletrônica”, com suas nefastas conseqüências.

Família sadia é ainda a melhor receita para uma sociedade sadia. Família que reza unida, permanece unida, nos ensina a Bíblia Sagrada. Coelho Neto já nos dizia: “A família é a célula-mater da sociedade” e a sabedoria popular nos adverte: “Colheremos o amargo fruto que a nossa omissão ajudar a semear”.

O resgate da juventude passa, sem dúvida, pela recuperação da família. O jovem precisa buscar sentido na família.

Preconiza-se, como medida salvadora, a volta da família nos moldes tradicionais, fortificando-se os laços familiares. Não adianta o brilho do intelecto se não houver o brilho de sentimento.

Violência e droga são aspectos afins,  ambas se prendendo à crise familiar. Uma pesquisa do Ibope, realizada em fins do ano passado, em cinco capitais brasileiras, concluiu que os conflitos familiares, o declínio da família, são a principal causa da entrada dos jovens no mundo da droga. De cada 100 adolescentes entrevistados, 35 alegaram que se drogavam para fugir dos problemas familiares. O segundo motivo, a necessidade de ser aceito pelo grupo, vem bem atrás, 15% dos jovens visitados. Um estudo do Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas  (Cebrid), em setembro de 1999, mostrou que 26% dos jovens brasileiros usaram algum tipo de droga, legal ou não. Hoje, esse número, estima-se ser maior. Nas famílias problemáticas, esse índice era bastante superior.

Uma segunda causa apontada pra o crescimento da violência infanto-juvenil são os jogos eletrônicos. Uma pesquisa realizada, durante 5 anos, pela psicóloga Paula Gomide, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, com 500 crianças e adolescentes, relata: “Cumulativamente, os efeitos da exposição contínua à violência podem causar sérios danos psicológicos”. Especialistas endossam essa afirmativa, demonstrando forte conexão entre a violência transmitida via entretenimento e sua dramática transposição para a vida real. Um dos videogames de maior sucesso, o Carmageddon, revelou-se um autêntico laboratório de crime e perversão. Um garoto de 12 anos assim se manifestou: “Eu acho dez o Carmageddon. É engraçado ver todo mundo se despedaçando. Eu adoraria poder jogar o carro em cima dos pedestres, principalmente idosos. É legal ver o velhinho sair correndo e a gente atrás”. É uma apologia ao comportamento destrutivo, indiferente ao sofrimento humano, antes, estimulador.

Essa precoce carga de perversidade pode estar na origem de comportamentos patológicos, excessivamente agressivos. No próximo artigo, continuaremos abordando o assunto, refletindo sobre novas causas da violência.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2000)

CORRELAÇÃO ENTRE SISTEMA E APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

O sistema de ensino interfere no resultado da aprendizagem? Determina o rendimento escolar?

O Estado de São Paulo, por sua Secretaria da Educação, realiza mudança na avaliação da progressão continuada do ensino fundamental. A progressão continuada, implementada no Estado em 1998, dispunha que as avaliações para efeito de promoção ou retenção deveriam ocorrer de 4 em 4 anos, na 4.ª e na 8.ª série. Agora, em 11 de maio, entrou em vigor um novo sistema de avaliação para os alunos da rede pública estadual. Todas as escolas vão adotar um mesmo padrão de médias bimestrais, com notas em números inteiros que vão de zero a 10. Os valores decimais devem ser arredondados para cima. 4,2, por exemplo, na média anual do aluno será arredondada para 5, sendo esse aluno aprovado. Esse arredondamento para cima, praticamente, nada significa em termos de aprendizagem, é, antes, visto como um estímulo ao aluno.

A medida visa mudar a avaliação da progressão continuada, que passa a ser de cada dois anos e não mais de quatro. Avalia nas 2.ª, 4.ª, 6.ª e 8.ª séries, para efeito de promoção ou retenção. Esse novo sistema vai unificar os tipos de avaliação das escolas da rede.

Acredito na viabilidade dessa mudança. Um espaço menor de tempo para uma avaliação conclusiva, aproxima o professor do resultado da aprendizagem de modo mais concreto, mais real. Ele não se perderá pela extensão do ciclo. Ciclos com duração maiores pedem mais do professor, em termos de organização, de controle, de acompanhamento, com elaboração de fichas minuciosas de registros das observações realizadas.

O sistema de ciclos, pedagogicamente, é visto como ideal para a aprendizagem. Sua metodologia observa as fases do desenvolvimento infantil, o processo de construção do conhecimento, o ritmo das crianças, conforme estipula Jean Piaget. Traz como base de sustentação o atendimento individual, requerendo um número menor de alunos por classe.

Este sistema vem acompanhado de uma estrutura – observação constante, avaliação contínua, recuperação paralela, aulas de reforço e recuperação no período de férias – que deve permitir a recuperação das defasagens. Contudo, é preciso que a escola se conscientize de que esses passos da aprendizagem, adotados pelo sistema de ciclos, fazem parte de não importa qual outro sistema. O importante não é, propriamente, o sistema, mas a forma como o professor ensina.

Sob esse aspecto, o meu livro “Prática Pedagógica” traz um estudo detalhado sobre a formação do sistema de ciclos, no ensino fundamental. Entre outras considerações, eu digo, na pág. 181: “Percebemos o quanto o ponto capital, para o sucesso do ensino, está visivelmente calcado na formação do professor, seguido de suas condições de trabalho. Podemos, ainda, perceber que não haverá mudanças se a cabeça do professor também não mudar, como argumentou Elba de Sá Barreto. Tem que haver mudança de mentalidade. Demerval Saviani acrescenta: “Enquanto as escolas operarem em condições precárias e com professores mal preparados, não há como esperar um resultado alentador”.

No tópico do livro “Formação deficiente dificulta a reforma do ensino” (pág. 43) ressalto: “O ensino ministrado nas escolas é muito mais o ensino organizado pelos professores, por sua forma de pensar, agir, por seu nível intelectual, do que aquele sistematizado pelos órgãos centrais”.

Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em junho/2007)

DIFICULDADE DE APRENDER

Izabel Sadalla Grispino *

Como encarar a dificuldade de aprender do aluno? Restringe-se à sala de aula, à incompatibilidade com o professor ou com o curso?

As dificuldades do aluno podem estar fora da sala de aula. A prática pedagógica chama a atenção para dois fatores: falta de prontidão e imaturidade.

Na falta de prontidão, o rendimento é prejudicado pelo fato de o aluno não ter o conteúdo necessário para acompanhar as aulas. É problema de formação deficiente que ele traz dos anos anteriores. O estudante pode até ser esforçado, prestar atenção às aulas, ser disciplinado, fazer as atividades, mas não alcança a aprendizagem no nível desejado. A falta de prontidão manifesta-se, também, pela dificuldade de concentração. Os psicólogos passam a seguinte imagem: “O aluno parece uma parabólica, capta tudo que aparece, se liga em tudo ao mesmo tempo, mas não consegue organizar o raciocínio”.

Outro fator, a imaturidade, leva, freqüentemente, à repetência, pela dificuldade de aprender. A imaturidade manifesta-se em três situações. A primeira pelo que chamamos de complexo de onipotência, assim descrito pela psicologia: “O aluno acha que nada de ruim acontece a ele, se acha o bom, julga-se capaz de fazer tudo ao mesmo tempo e vai adiando a recuperação das perdas. Acha que na hora “h” estala o dedo e consegue tudo”.

A outra situação de imaturidade é a desmotivação, que pode ter o mesmo efeito da anteriormente citada. Em geral, vem de uma família que sempre faz as coisas por ele, mima-o demais, dá tudo de “mão beijada”. A criança acaba acomodando-se, habituando-se a transferir responsabilidades. Conclui que nas situações adversas a mãe vai à escola, conversa e resolve o problema.

Um terceiro fator é a agressividade. O aluno assim descrito, quando contrariado, torna-se agressivo. Age com rebeldia, fica alterado, não consegue enfrentar uma situação problemática.

A criança quando conduzida com equilíbrio e ponderação, quando colocada devidamente no nível de seu alcance educacional, vai criando percepção, reagindo com mais maturidade. Nos casos de baixo rendimento do aluno, a conversa com os pais é importante. É importante haver um bom entrosamento entre pais e mestres para que as causas sejam evidenciadas e tratadas conjuntamente. O que se percebe é que muitos pais reagem desfavoravelmente à explicação da escola. Contestam e pedem reconsideração. Quando a reprovação é inevitável, a opção, geralmente, é por mudar o filho de escola.

Quanto a mudar de escola, há posições diferentes: uns consideram que mudar de escola não é o caminho adequado; outros, como o Colégio Bandeirantes, de São Paulo, acham a mudança um procedimento salutar. O aluno entrará em contato com outra filosofia de ensino e voltará, depois, se quiser. No Bandeirantes, o aluno que ficar em mais de três disciplinas não pode se matricular novamente.

No caso da alfabetização, métodos inadequados podem gerar dificuldades na aprendizagem. Escolas mais avançadas, que ensinam outros idiomas, além do materno, mostram que a impropriedade metodológica pode criar confusão na criança.

Parece haver consenso de que a alfabetização não deve ser bilíngüe. Se a fala em outro idioma deve ser estimulada desde o nascimento, o mesmo não ocorre com a escrita. Especialistas concordam que a alfabetização deve ser feita em uma língua primeiro e só mais tarde em outra.

A Escola Graduada de São Paulo (americana) segue esta orientação. As crianças fixam bem um idioma antes de investir no outro, evitando confundi-las. Nessa escola, a alfabetização ocorre em inglês e, só no 2.º ano, que corresponde ao 1.º no currículo brasileiro, o português é ensinado. O que se verifica é que as crianças aprendem os dois idiomas tranqüilamente.

Para a fala, quanto antes o aprendizado começar melhor. Evita crescer com sotaques. Deve-se incentivar a conversação em língua estrangeira, porém, na escrita, iniciar com só um idioma. Há escolas que, quando a criança está próxima de iniciar a educação formal, conversam com os pais para saber onde os filhos vão continuar os estudos. Se for numa escola em português, a pré-alfabetização será feita em português.

Há casos de crianças que só ouvem, por exemplo, espanhol em casa com os pais, falam português com amigos e inglês na escola. Os professores comprovam que essas crianças passam de uma língua para a outra naturalmente porque a aprendizagem começou antes que os sons da língua materna estivessem arraigados, o que ocorre com os adultos.

Na dificuldade de aprender não se pode generalizar; é preciso que se busquem as causas: desencontro profissional? Problemas de relacionamento? Falta de prontidão da criança? De concentração? Imaturidade? Em relação ao professor, falta de formação? Métodos inadequados de ensino? Outras?

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em março/2003)

COM QUE IDADE ALFABETIZAR?

Izabel Sadalla Grispino *

A criação do ensino fundamental de 9 anos, colocando na escola crianças a partir dos 6 anos, tem levado pais e professores a questionarem sobre a melhor idade para se alfabetizar.

Estudos, baseados em experiências educacionais, têm trazido luzes nessa área. Na alfabetização, cada criança tem o seu próprio ritmo, leitura e escrita podem começar tanto aos 4 quanto aos 7 anos. Entra nessa variável o estímulo recebido pelos pais.

Os neuropediatras dizem que o período para se alfabetizar não é fixo, vai dos 4 aos 7 anos, dependendo do desenvolvimento cerebral da criança. Antes da alfabetização, o cérebro deve passar por diversas fases, como a aquisição das noções de espaço e tempo e pela fase da coordenação motora fina.

Um fator que muito contribui para a alfabetização é o incentivo que recebe em casa, dos pais. O ambiente influencia e desperta o interesse para a leitura e à escrita. Pais que dão, desde cedo, livros infantis aos filhos, lápis e papel para rabiscarem ou lêem histórias antes da criança dormir. Os pais devem ler e não apenas contar histórias. Ler é diferente de contar. Quando se lê a história com um livro, desperta a curiosidade da criança para saber o que aqueles riscos, no livro, significam.

Porém, a criança pobre vem de um ambiente de baixa escolaridade e geralmente os pais não se interessam pela leitura, não encorajando, assim, os filhos. Despertar o gosto pela leitura, sensibilizar para os livros, desde cedo, farão a diferença em toda a vida escolar.

O que se constata é que nas escolas particulares comumente as crianças chegam à 1.ª série, aos 7 anos, já alfabetizadas, enquanto que na escola pública, geralmente, é com essa idade que vão começar a aprender a ler e a escrever. Essas crianças diferentemente daquelas, com raras exceções, não passaram pela pré-escola.

É preciso ater-se ao fator lúdico dos primeiros anos de alfabetização. O contato com as letras deve se processar de maneira prazerosa e um professor mau formado pode bloquear a vontade de aprender para o resto da vida.

A criança não deve ser forçada a aprender logo a ler e a escrever. O interesse pelas letras deve partir da própria criança. Deve ser natural. Às escolas, aos pais cabem apenas estimulá-la para a aprendizagem. Dizem os especialistas que se a criança for forçada, sentir-se-á muito cobrada e poderá ter problemas emocionais, de auto-estima, como ter medo da escola, ter horror aos estudos.

Costumam-se relacionar itens de como estimular as crianças para a leitura e para a  escrita:

a)  Biblioteca infantil: os pais devem, desde cedo, dar livros com textos e muitas ilustrações. Há livros especiais para crianças mais novas, alguns são de pano, outros, de plástico.

b) Estojo cheio: as crianças devem ter lápis de cor, de cera e muitos papéis para rabiscar. Habituando-se ao lápis, terão mais facilidade para aprender a escrever.

c) Exemplo: os pais devem ler livros, revistas e jornais na presença dos filhos. Levá-los a livrarias e bibliotecas, fazer isso como se fosse um passeio.

Pode ocorrer de algumas crianças ler ou escrever bem melhor que o restante da classe. Nesse caso, o que fazer? Continuar com a turma de sempre ou avançar na série? Referendam os especialistas de que saber ler e escrever não é motivo para pular de ano. A criança, nesse caso, para não se desinteressar, deve receber atividades especiais, mais complexas, durantes as aulas.

Essa criança não deve avançar na escolaridade, porque no jardim da infância não conta apenas o fator cognitivo. É preciso levar em conta o nível de desenvolvimento psicomotor, social e emocional da criança.

Uma criança, por exemplo, de 5 anos que lê e escreve bem como uma de 7 anos, não é aconselhável que deixe o grupo de sua faixa etária. Emocionalmente, ela reage melhor com crianças de sua idade, tem os mesmos interesses, gosta das mesmas brincadeiras, entrosa-se melhor. Com as mais velhas, ela pode se sentir desajustada, isolar-se. Na infância, 1 ou 2 anos fazem muita diferença.

Na aprendizagem, no curso dos anos de estudos, os psicólogos chamam atenção para a autodisciplina, como um indicador de sucessos acadêmicos, superior a um bom Q.I. (quociente de inteligência). Dizem que a autodisciplina pode ser mais importante do que um elevado Q.I. para se conseguir melhores desempenhos. Programas que constroem autodisciplina podem ser um caminho importante para conquistar realizações acadêmicas. Estudos mostraram que adolescentes altamente disciplinados superaram seus colegas mais impulsivos, mais desorganizados, em todas as variáveis de interpretação acadêmica, incluindo boletins, notas de provas, admissão em faculdades competitivas.

Apoiando-se nesses estudos, por que pais e professores não partem para a criação de situações que treinam, que preparam os estudantes para a autodisciplina?

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em abril/2006)

MARCAS DA DESIGUALDADE EDUCACIONAL

Izabel Sadalla Grispino*

A política de reserva de vagas, além de inconstitucional, não é o meio mais adequado para garantir acesso ao ensino superior, conforme argumentei no artigo anterior. Continuarei, neste, a abordar o assunto, trazendo maiores esclarecimentos.

Ampliando a visão a respeito, vejamos o que nos expõe o estatístico Adilson Simonis, do Instituto de Matemática e Estatística da USP, em seu “Estudo do desempenho dos candidatos da Fuvest/USP”. Diz ele que a reserva de vagas acarreta forte redução nas notas de corte do vestibular, nota que o candidato precisa alcançar para entrar na segunda fase do exame. Em conseqüência, alunos mais bem preparados perderiam o lugar para os despreparados, que viriam prejudicar o desempenho acadêmico.

O Estudo analisou o desempenho dos candidatos nos dois últimos vestibulares e concluiu que a política de quotas viria trazer um rebaixamento no nível do ensino, afetando sua qualidade. “Nas carreiras mais concorridas, um conjunto de alunos com média total de 661 (escala de 0 a 1000) seria excluído e substituído por outro grupo, com média 481, ou seja, seriam impedidos de entrar na USP alunos que tiveram um desempenho, no vestibular, de 37% superior”.

Explicou, ainda, que, em relação à nota de corte da primeira fase, haveria duas listas de convocados, uma para egressos das escolas públicas e outra para as privadas, com nota de corte diferente. “No caso do curso de engenharia, por exemplo, a nota de corte seria 81 para os primeiros e para os demais 131, isto é, uma diferença de 50 pontos numa prova. Assim, alunos de escolas privadas com 131 não seriam convocados, sendo substituídos por outros com nota 81”.

Na minha primeira abordagem, sobre este assunto, no artigo:  “Educação:  confusão  entre  ordem  direta  e inversa”, fiz as seguintes considerações: “Tenho, em meus artigos, reiteradas vezes, chamado a atenção para o baixo nível de ensino de nossas escolas oficiais. Tenho tentado mostrar a necessidade de se desenvolver nas escolas um ensino de qualidade, único fator capaz de nivelar, de dar oportunidade de igualdade a todos os cidadãos, independentemente de cor, raça ou classe econômica. O ensino de baixa qualidade das escolas oficiais vem se traduzindo, cada vez mais, em mecanismo de reprodução das desigualdades sociais existentes. A importância de uma educação de qualidade na vida pessoal e social já foi, exaustivamente, delineada em várias ocasiões”.

No Rio de Janeiro, com a aprovação do projeto de reserva de vagas, surgiu todo um processo de reparação aos possíveis males ao ensino. Visando garantir a qualidade do ingresso, previu-se, na regulamentação da lei, que trata da reserva na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), de que ela só terá validade para o aluno que se submeter a testes ao longo do ensino médio. O documento prevê, ainda, que a reserva seja adotada somente para o vestibular de 2003, oportunizando as condições preestabelecidas.

Serão programadas avaliações durante o ensino médio, avaliações continuadas que funcionarão como indicadores de qualidade. Os alunos serão submetidos a quatro provas durante o ensino médio (duas no último ano). “Somente alunos que obtiveram um coeficiente mínimo de aproveitamento nos testes terão direito à reserva de vagas”.

Será também instituída uma comissão de representantes das secretarias de Ciência e Tecnologia e da Educação e do movimento estudantil para acompanhar a aplicação das provas. Foi estabelecido, também, como critério de que o aluno deva cursar toda a vida escolar em instituições públicas.

Se o projeto vier a ser aprovado no Estado de São Paulo, seguramente, será, na sua regulamentação, acompanhado de critérios de rigidez. Se forem adotados procedimentos similares aos do Rio de Janeiro, o ensino médio, também, no Estado de São Paulo, caracterizar-se-á por uma seqüência de provas preparatórias para o ingresso ao ensino superior.

Contudo, esse processo de avaliação, montado durante todo o ensino médio, não obtém consenso entre os especialistas da educação. É a chamada “Avaliação Progressiva”, também, já formulada em projeto de lei e que chegou a tramitar no Conselho Nacional de Educação, mas que parece não ter chegado a um bom termo. É um processo de seleção ao ensino superior feito ao longo dos três anos do ensino médio. Seria um escalonamento do vestibular em três séries, transformando o ensino médio numa transição para o ensino superior.

Essa proposta tem suscitado controvérsias entre os educadores, assinaladas por mim, no artigo “Sistemas diferenciados de avaliação para o ingresso ao ensino superior”. Os educadores questionam o conceito maior da educação desse nível de ensino, ou seja, a formação básica da cultura geral e dizem que esse processo de seleção acarretaria a obstrução das etapas normais do desenvolvimento das faculdades intelectuais, das faculdades formativas de valores e atitudes. Sobre o aspecto amplo da formação do aluno, dir-se-ia que esse processo de avaliação periódica seria prejudicial ao ensino médio. “Roubaria do aluno o tempo destinado à leitura suplementar, à pesquisa, à atenção destinada às potencialidades, pré-requisitos essenciais à formação integral e à atuação do futuro profissional”.

Com essa política de reserva de vagas, cria-se um impasse na educação. É como diz a letra da música: “Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2001)

LANÇAMENTO DO LIVRO “PRÁTICA PEDAGÓGICA”

Izabel Sadalla Grispino *

O livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), de minha autoria, traz subsídios importantes para a formação do professor. Apresenta uma visão prática do ensino-aprendizagem.

Nas minhas freqüentes visitas às escolas, apoiada, também, por pesquisas e resultados de avaliação, notei que o ensino, com poucas exceções, continua preso à metodologia tradicional, na linha do “magister dixit”. O professor pode até ter uma razoável formação em sua disciplina específica, mas tem muito pouco treinamento prático em didática. O livro propõe-se, através de temas a serem desenvolvidos em sala de aula, a fazer o professor se ver em atuação.

“Prática Pedagógica” não é livro de tema único, visto em seus múltiplos aspectos, mas livro de temas variados, atuais, por vezes problemáticos, retirados do dia-a-dia da sala de aula. Passo a passo, ele vai formando opinião, provocando mudança de mentalidade, fornecendo à escola uma estruturação didático-pedagógica. Questões práticas são lançadas ao longo do livro, vistas sob uma ótica científica, apoiada em conceitos referendados pelos clássicos da literatura pedagógica.

O livro traz mensagens reflexivas, desperta o professor para uma renovada prática de ensino e isso desde a sua capa, quando a imagem, a disposição das cadeiras, sugerem a prática do diálogo, do debate, da construção do conhecimento; na contracapa, a posição da minha imagem passa a importância do compromisso, da divulgação do conhecimento, da importância de se conhecer para se conscientizar. Através da poesia, chama atenção da transformação social promovida pela escola, de seu papel social. As “orelhas” do livro lançam proposições que colocam desafios ao processo de ensino-aprendizagem. O leitor, pelos temas abordados nas “orelhas”, sentir-se-á impelido a continuar a leitura.

A formação do professor é basicamente, ainda, calcada na teoria; as próprias faculdades fundamentam seu ensino numa passagem de conhecimento unilateral. Esse processo vai se tornando uma gangorra, um jogo de pingue-pongue. Da sala de aula da educação básica vai para a sala de aula da faculdade e desta, novamente, para a sala de aula da educação básica, numa corrente contínua.

A escola hoje não se mantém mais como transmissora do saber. O método moderno exige um aluno pensante, criativo, construtor do conhecimento e não simples receptor. O desinteresse do aluno pela escola provém, em grande parte, de seu isolamento na sala de aula. É necessário dar ao currículo uma visão prática, que se distancia da visão culturalista, enciclopedista. Um ensino que visa recriar a cultura com o aluno. O processo tradicional, que leva ao aluno o conteúdo pronto e acabado, não prende sua atenção e coloca a escola em defasagem com seu tempo. A escola atualizada trabalha com projetos e não aulas em que o professor fala, dita, escreve na lousa e o aluno copia. Os projetos precisam chamar a atenção do aluno, atrair seu interesse, engajá-lo em suas escolhas.

No método tradicional, conteudista, o aprendizado ocorre de fora para dentro, pela transmissão do conhecimento. Na pedagogia construtivista, ao contrário, o aprendizado ocorre de dentro para fora. No construtivismo, o aluno galga passos para chegar, ele mesmo, ao conhecimento. Esse método, ensina a pensar, a criar hipóteses, relacionar, interpretar para chegar ao conhecimento. Ele é uma exigência da época, que pede um ser crítico, reflexivo.

Um outro tópico importante na aprendizagem moderna diz respeito à contextualização do conhecimento e a interdisciplinaridade das disciplinas do currículo. A escola afasta-se dos conteúdos desvinculados da realidade do aluno. Busca assuntos que tenham ligação com sua vida  e de importância sociocultural. A interdisciplinaridade – interligando as diversas áreas do saber – promoverá ao aluno uma formação geral mais ampla e a contextualização buscará a solução dos problemas sociais no seu trato com o cotidiano. A escola colocará os objetivos do ensino próximos ao dia-a-dia da sala de aula.

Estamos vivendo uma nova etapa da educação. A escola toma novos rumos, ressalta a educação para o pensar. É uma nova escola, onde não basta a criança ser educada, mas precisa ser bem educada. Os modelos educacionais mudaram nas últimas décadas. Deixou-se de lado a importância da memorização e passou-se a adotar projetos pedagógicos destinados a dar mais autonomia aos alunos na aprendizagem. As principais tendências do ensino, que vão se consolidando, consistem em levar o aluno a pensar com mais compreensão de seu cotidiano, mais capaz de tomar decisões e mais apto ao convívio social.

Estamos passando por um processo de revolução tecnológica e industrial, que introduz mudanças rápidas e importantes nos métodos e na organização da produção. Nesse contexto, a escola precisa promover o exercício simultâneo entre a área do saber e a do fazer. Atualização constante, reciclagem de conhecimentos, experiências em sintonia com as mudanças mundiais são, portanto, requisitos para uma segura atuação docente. Os métodos de ensino renovam-se, há uma variedade deles, porém, entre todos, há princípios comuns que os norteiam, como a passagem gradativa do conteúdo, a observância do ritmo próprio de cada aluno, de seu nível de conhecimento, a observância das fases do desenvolvimento mental da criança, no período da alfabetização, a avaliação individual e contínua da aprendizagem. Caracterizam-se mais por competências cognitivas de caráter geral que por informações.

Estes e muitos outros assuntos de suma relevância ao processo educacional estão contidos no livro. É um livro de 364 páginas, de fácil manuseio, de fácil leitura, cujos tópicos se encontram elencados e numerados no sumário. Está dividido em capítulos e cada capítulo contém um conjunto considerável de assuntos específicos, correlatos.

O livro aborda os principais passos da reforma do ensino estabelecidos pelo Ministério da Educação (MEC), de conformidade com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), n.º 9.394/96. O capítulo “Aspectos da Escola Renovada” registra, com exemplos, os avanços metodológicos, apregoados por esta nova escola. O livro traz um estudo detalhado sobre o sistema de ciclos na progressão continuada. Aborda no capítulo “Avaliação da Aprendizagem” os amplos aspectos  da personalidade a serem avaliados, os aspectos cognitivos, afetivos,  psicomotor. Antes das Considerações Finais, há um extenso capítulo sobre educação infantil, sobre o comportamento infanto-juvenil, visto à luz da psicopedagogia.

Promover a qualidade do ensino, assessorar a formação do professor, fornecer subsídios à escola, estendendo o olhar à decadente escola pública, foram uma das minhas grandes preocupações. O grande objetivo do livro é ser útil à causa da educação.

O livro encontra-se à venda nas principais livrarias da cidade, por um preço bastante módico.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2004)

CULTURA E FÉ

Izabel Sadalla Grispino *

Após a encíclica “Fides et Ratio”, do papa João Paulo II, o tema da razão e da fé tem suscitado as mais diversas discussões, nem sempre com a imparcialidade desejada. Por isso, o arcebispo Dom Cláudio Hummes achou por bem criar, na Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), um núcleo de estudos que denominou “Cultura e Fé”.

Já na reunião inaugural, eminentes professores da área, como Paulo Nogueira Neto e Ana Lydia Sawaya, mostraram que os primeiros habitantes da Judéia, que há milhares de anos receberam a mensagem revelada do gênese, apesar do nível de seu analfabetismo científico, sabiam que o universo fora criado pelo “Big Bang” (“Fiat lux”). Conheciam, também, todos os fenômenos que deram conformação ao nosso planeta, ao longo dos 5 bilhões de anos, anteriores ao aparecimento do homem (águas, terras, plantas, peixes, animais) na incrível ordem que a ciência veio a revelar posteriormente e tal como estão descritos na Bíblia (nos 6 dias da Criação). Só após centenas e centenas de anos, veio a ciência confirmar o que os primitivos povos, sem noção de ciência, já sabiam por revelações. Foi ainda, mostrado, nesse núcleo de estudos, a previsão de São Pedro sobre o fim dos tempos. São Pedro, que não era especialista em astronáutica ou nas ciências siderais, em sua segunda carta, declarara que nos fins dos tempos a Terra será abrasada e consumida pelo Sol (elementa vero calore solventur), antecipando a tese de Carl Sagan, em seu livro “Cosmos”, que dá essa previsão como a mais provável, no momento em que o Sol explodir, daqui a uns 5 bilhões de anos, atingindo os planetas mais próximos (Mercúrio, Vênus e Terra), até se transformar numa estrela anã de densidade incomensurável. Tudo confirma não haver choque entre fé e ciência, antes, a ciência, por vir sempre atrás da fé, acaba por confirmar as verdades por ela reveladas.

Toynbee, em “Mãe Terra”, lamentava não poder dizer aos aficionados da razão, aos que querem crer que a razão pode tudo explicar, que Deus não existe. Quanto mais o homem evolui, mais percebe que suas verdades absolutas, em matéria de ciência, são relativas e, em grande parte, desmentidas posteriormente com novas descobertas, porque uma verdade científica só é valida até o momento em que se demonstra o contrário, por novos fatos supervenientes. A própria teoria da evolução de Darwin está hoje em pleno reexame científico, com as novas teorias fundamentadas na conformação do DNA, principalmente a partir do mapeamento genético.

Ainda para confirmar as verdades da fé, refletiremos um pouco sobre a vida de Jesus. Há, por exemplo, evidencias na vida de Jesus que não se podem contestar: Jesus era pobre, uma pessoa sem posses. Não era político, não tinha cargo público, não era um chefe de Estado, como Maomé. Comunicava-se em essênio, um idioma pouco conhecido; não deixou livros, nem sequer uma doutrina sistematizada, um texto básico, para o qual os apóstolos pudessem se servir a fim de propagar as suas mensagens. Três apóstolos, Lucas, Marcos e Mateus, se propuseram a registrar tudo o que testemunharam e através de seus relatos reconstitui-se a vida de Jesus. Ainda, os Evangelhos foram escritos de 40 a 80 anos após sua morte.

Porém, quem mais contribuiu para disseminar as idéias de Cristo, o cristianismo, foi um judeu de cidadania romana, que nem sequer conheceu Cristo pessoalmente. Chamava-se Saulo, era da cidade de Tarso. Numa viagem a Damasco, no ano 35, teve uma visão, na qual Jesus o chamava para reunir-se aos seus. Isolou-se por três anos, mudou o seu nome para Paulo, foi a Jerusalém e conheceu dois apóstolos, Pedro e Tiago. Fez quatro longas viagens evangelizadoras pelo mundo antigo e foi o principal pregador da fé cristã, a principal figura do cristianismo. Ele tomou os ensinamentos de Jesus compreensíveis por todos os povos.

A história conta que na cidade de Atenas teve uma grande desilusão. Pregando para um povo culto, adepto da racionalidade e da lógica, Paulo procurou adaptar o seu discurso pregando a existência de Deus e de Cristo, com métodos racionais. Os gregos não aceitaram e o vaiaram. Esse não era o caminho. Após muito refletir, sentiu a revelação da verdadeira mensagem cristã: Deus não precisava de uma doutrina lógica, seus desígnios não penetravam os humanos pelo corpo, mas, sim, pela alma. Explicações eram desnecessárias. Ele fazia revelações. Assim, para a crença cristã não há necessidade de comprovação científica, ela se apoia em uma revelação, em uma fé, que vai além da dimensão racional.

As limitações da ciência mostram a harmonia que deve existir entre ciência e religião. Essas constatações de fé e razão nos confortam, fortalecem a convicção. Imaginem o quanto é importante levar essas conclusões aos jovens, aos que estão com a alma em formação! No dia em que os jovens conhecerem realmente essas premissas básicas, certamente, se voltarão bem mais a Deus e, isso acontecendo, a possibilidade de uma reversão do comportamento social é bem mais promissora. A escola, os pais, a comunidade precisam investir nesse caminho.

Minha fé levou-me a fazer estes versos:

 

DEUS, ESSÊNCIA DA VIDA

A vida só tem sentido voltada a Deus,

Toda obra só se completa no Ser Sagrado,

Quanta agrura se inscreve até o último adeus!

Quanta esperança naufraga em barco furado!

No decurso da vida só há uma saída:

Alimentar os dias com a força do amor,

Acreditar no Encontro após a partida,

Deus é, desse turbilhão, a luz do esplendor.

O homem se empolga e se encaminha pela ciência,

Mas, mesmo a ciência sem fé é vazia,

Ilustra, mas não traz vital sabedoria.

Só as coisas do espírito têm consistência,

Podem não ser inteiramente racionais,

Mas, pra realização do homem, são essenciais.


* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2001)

 

 

AS NOVAS NORMAS REGIMENTAIS DAS ESCOLAS ESTADUAIS DE SÃO PAULO

Izabel Sadalla Grispino *

Uma outra característica desse momento histórico da educação, em que se vem processando a implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) n.º 9.394, de 20/12/96, é a elaboração, pela própria escola, de seu regimento interno. O Diário Oficial do Estado publicou em 21/03/98, na íntegra, o texto relativo às novas normas regimentais aprovadas pelo Conselho Estadual de Educação. Elas tornam as escolas da rede pública mais autônomas e responsáveis pelo seu regimento.

O caminho da modernidade passa pela descentralização de gestões, desinchando a máquina administrativa central, pela maior autonomia das instituições oficiais de qualquer nível, buscando racionalizar o sistema, adequá-lo, ajustá-lo às condições peculiares de cada instituição.

Até 1998, existiam regimentos unificados para as escolas oficiais. A partir de 1999, as escolas iniciaram o estabelecimento de normas, desde a relação das disciplinas do currículo até a proposta e linha pedagógica, passando pelos critérios de avaliação.

Na elaboração do novo regimento, há um envolvimento conjunto, uma participação ética, reflexiva da escola, dos pais e dos alunos. Pelo novo regimento, os alunos ganharão o direito de participar dos conselhos de classe, conselhos estes responsáveis pela avaliação e pela definição de quem será retido ou aprovado.

Os pais participarão dos conselhos da escola e esses conselhos serão os responsáveis pela elaboração do regimento. Através dos conselhos de escola, eles passarão a ter mais influência na determinação das diretrizes da escola. Os conselhos são compostos por representantes da direção, dos professores, dos funcionários, dos pais e dos alunos. É um órgão deliberativo e através das novas normas regimentais ele ganha mais poder e importância.

As normas regimentais propostas têm por objetivo adaptar as escolas da rede estadual à nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que prevê, em linhas gerais, a flexibilidade das estruturas e práticas educativas. Ela dá autonomia para as escolas resolverem a sua organização. Isso significa liberdade para escolher os livros didáticos, as disciplinas do currículo que oferece, a carga horária e o sistema de notas.

Os regimentos anteriores tinham o foco no caráter disciplinar da escola. “As novas normas pretendem ser orientações gerais, a partir das quais cada escola vai definir sua maneira de atuar”, diz Neide Cruz, então assessora da Secretaria da Educação.

AS NOVAS NORMAS REGIMENTAIS – Cada escola terá de elaborar seu próprio regimento, estabelecendo regras e normas de funcionamento. Os pais têm direito de receber uma cópia do regimento no ato da matrícula.

Plano de gestão – Cada escola terá de elaborar um plano de gestão válido por quatro anos. No plano serão definidos objetivos e metas a serem atingidos, planos de trabalho e critérios de acompanhamento, controle e avaliação do trabalho executado.

Progressão continuada – O ensino fundamental (1.ª à 8.ª série) ficou dividido, a partir do ano letivo de 1998, em dois ciclos (1.ª à 4.ª e 5.ª à 8.ª séries). Dentro de cada ciclo não há reprovação. Os alunos são avaliados constantemente e, dependendo do desempenho, encaminhados para atividades de recuperação oferecidas ao longo do ano. Os sistemas de avaliação e de recuperação serão definidos pela escola.

Conselhos de classe – Os alunos poderão participar dos conselhos de classe e série, independentemente de sua idade.

Instituições escolares – Toda escola terá de ter um grêmio estudantil.

 

 

 

 

 

Avaliação institucional – As escolas serão submetidas a avaliações externa e interna. A externa será feita pelos órgãos locais e centrais da administração por meio de avaliações e supervisões feitas pelas diretorias de ensino. A avaliação interna será realizada segundo critérios definidos pelo conselho de escola.

Progressão parcial – Os alunos de ensino médio (1.ª à 3.ª série do segundo grau) que tiverem rendimento insuficiente em até três disciplinas podem ser classificados na série subseqüente, mas ficam obrigados a cursar estas disciplinas. O sistema é semelhante ao de dependências, usado na rede particular. Ele vale para os cursos regulares, supletivos e pode ser adotado nos cursos profissionalizantes. A progressão parcial poderá ser adotada para alunos da 8.ª série do ensino fundamental, desde que fiquem asseguradas as condições para conclusão do ensino fundamental.

Freqüência – As faltas não podem mais ser usadas como critério de avaliação. Os alunos podem se ausentar, no máximo, 20% do total de aulas no mês. Se este limite for superado, a escola tem de adotar medidas para que os alunos possam compensar as ausências. A freqüência mínima anual para promoção é de 75%.

Reclassificação – Um aluno pode ser reclassificado em uma série mais avançada. A referência será a relação idade/série (se ele tem idade para cursar a série pretendida) e a competência do aluno (se ele domina o conteúdo, mesmo que não tenha freqüentado escola).

Mudança de um ciclo para outro – Um aluno que tiver rendimento insuficiente no primeiro ciclo do ensino fundamental (1.ª à 4.ª série) poderá cursar atividades intensivas de recuperação e ser promovido para o segundo ciclo (5.ª à 8.ª série) durante o ano letivo.

As escolas ganham, com a nova lei, mais liberdade, quer na elaboração de seu currículo, quer na do seu regimento interno. Ela passa a ter mais poder e o poder está vinculado à responsabilidade, à competência.  Muitas escolas encolhem-se na preocupação que essa autonomia vem lhes proporcionar. Outras argumentam que a flexibilização é limitada, uma vez que a organização do tempo e dos dias letivos já estão definidos por lei. Questionam a autonomia, no ponto proposto pela Secretaria da Educação, quando fala da formação de parcerias com a iniciativa privada.

Em linhas gerais, essa autonomia dada à escola é um avanço. A escola deve encará-la como uma conquista, como um objetivo a mais a ser alcançado, capacitando seus recursos humanos, a fim de dar respostas que venham de encontro aos anseios da sociedade, às exigências da atualidade.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em novembro de 2000)

O ALUNO EMPREENDEDOR

Izabel Sadalla Grispino *

Mudanças no mercado de trabalho, no vínculo empregatício referente a empregos convencionais, têm chamado a atenção de educadores, trazendo inovações, novas ponderações às universidades.

O educando continua sendo influenciado por sua família ou pela escola, pela falsa idéia de segurança, de status que o vínculo empregatício possa lhe assegurar, com um bom salário no fim do mês. Esta influência pode vir carregada, inclusive, de insatisfação pessoal, principalmente, quando valoriza uma relativa segurança, em prejuízo da verdadeira tendência profissional.

A família persiste no modelo do emprego convencional e a escola se retrai na orientação da livre iniciativa, não estimula o desenvolvimento, no estudante, do espírito empreendedor. Esta realidade foi constatada numa pesquisa em que se perguntou a um grupo de alunos, egresso do curso de graduação de uma renomada escola de administração do País, quais eram seus planos, suas ambições. 90% responderam que era conseguir um bom emprego numa grande empresa. Poucos alunos responderam que seu interesse estava em criar seu próprio negócio, no curto ou médio prazo.

Na verdade, não há estímulo para o aluno se desenvolver em trabalho por conta própria.  O  que chama a atenção é o fato de o mercado de trabalho ter mudado e a escola não ter se alertado para o seu papel de criar alternativas, que vão em direção oposta do convencional. É preciso acordar o aluno para a iniciativa pessoal e não só prepará-lo para ser empregado. Prepará-lo para enfrentar os desafios das mudanças do trabalho, estimular o desenvolvimento do espírito empreendedor, especialmente nos cursos de administração de empresas. Estimular no educando o espírito independente, conforme a época vem pedindo.

Universidades estrangeiras têm substituído o curso de administração geral pelo curso de administração empresarial, como a Universidade de Harward, dos Estados Unidos. A universidade processou a mudança depois de verificar que, em 1999, mais de 25% das matérias facultativas escolhidas pelos alunos eram do departamento de empreendimentos, que há 20 anos mantinha duas classes. A universidade não deixou de preparar executivos para a IBM, General Motors, Ford e outras grandes corporações, mas passou a preparar um número crescente de alunos, interessados em trabalhar em médias e pequenas empresas, onde as habilidades e conhecimentos necessários são diferentes. Ela encara o aluno como um produto que oferece ao mercado, a um mercado que não pede o mesmo produto de décadas atrás.

A escola precisa trabalhar e preparar para a diversidade, numa busca permanente de perguntas e respostas, ajustadas ao trabalho. No mundo todo, como em nosso País, as médias e pequenas empresas, os empreendedores, aumentam a cada ano, de modo considerável, e pedem um profissional mais ágil, mais ajustado à rapidez do mercado, menos preso às receitas e manuais de administração tradicional.

Os empresários estão apostando nessa nova tendência do mercado e praticamente anulando escolas tradicionais, que continuam na base da administração geral, baseada em fluxogramas, organogramas O&M. Escolas pouco antenadas ao comércio e que não se deram conta que cliente e mercado estão mudando a cada dia.

Especialistas do assunto destacam pontos importantes para serem considerados pela escola, quais sejam:

– “Educação e desenvolvimento são processos permanentes.

– Eles não terminam com o diploma ou formatura no final do período letivo. Também não se limitam às ativi-

dades em sala de aula ou presença de um professor.

– É preciso que se entenda que ninguém desenvolve ninguém. O processo é interior e o aprendizado decor-

re das disposições das pessoas em aprender. E se aprende tanto através da observação, da leitura,  dia-

logo, reflexão e tantas outras formas que aguçam nossos sentidos...”

Esses conceitos representam consciência de situação. Escolas e famílias devem se libertar da falsa idéia de segurança e status do vínculo empregatício. Devem encarar a modernidade, que vem pedindo uma nova linha de trabalho, desembocando no empreendedorismo, na necessidade de se formar um aluno empreendedor. Um aluno hábil em tomar iniciativas, em encontrar soluções práticas e rápidas para os problemas que possam surgir.

O desenvolvimento social muda a face da escola. As mudanças que ocorrem no seio da sociedade, no mercado de trabalho penetram o recinto escolar, força uma atualização na correspondência de respostas às necessidades do momento. Traz, entre outros, o desafio de inclusão social de jovens no trabalho, dentro do modelo de desenvolvimento econômico do País. A ascensão social está muito ligada à predisposição do indivíduo, ao seu potencial criador. A escola precisa agir como um leque, formar recursos humanos, mão-de-obra qualificada, tendo em vista as necessidades amplas do mercado, das empresas, da sua produtividade e das tendências profissionais do educando. Acionar metodologias diferenciadas para encarar a renovação, a mobilidade social requerida pela época.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2004)

A LUTA DE UMA MINORIA PELA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Um ponto agravante na educação do brasileiro é o problema do índio. O preconceito, a pobreza, a má qualidade da educação básica pública esbarram na formação do povo indígena.

Segundo dados da Fundação Nacional do Índio (Funai), há no Brasil 400 mil indígenas, de 215 etnias, que falam 180 línguas. Dentre todos, apenas 1.300, ou seja, 0,32%, conseguiram ingressar num curso superior e o número dos que conseguiram ir avante é irrisório. Menos de 20 chegaram ao mestrado e tão-somente dois alcançaram o doutorado.

O Acre é um dos Estados brasileiros que vem se destacando no esforço para melhorar a educação de seu povo. Possui 560 mil habitantes, dentre eles, 17 mil índios, divididos em 14 etnias, com um número bem maior de línguas e dialetos.

O Acre investe no firme propósito de incluir os índios na educação. Ampliou o trabalho que vinha sendo desenvolvido desde 1983 pela organização não-governamental (ONG), que formou os primeiros 35 indígenas do Acre. Em 2000 havia apenas 67 escolas e 170 professores índios e, destes, só 25 tinham a formação intercultural, diferenciada e bilíngüe, equivalente ao 2.º grau, conforme o que prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996.

Hoje, o número de escolas aumentou para 130 e o de professores para 217. A partir de 2004, segundo dados vindos do Acre, todos os professores estarão formados, ou em processo de formação, equivalente ao 2.º grau completo, atendendo 100% da demanda. Em 2004, formaram-se 20 professores e a meta do governo é, a partir de então, formar 10 por ano. Discute-se a implantação de um curso superior indígena, proporcionando continuidade de estudos aos já formados.

A educação indígena no Acre avança, mas ainda há muito por fazer. Embora seja uma educação diferenciada e bilíngüe, a maior parte dos professores só leciona de 1.ª à 4.ª série. Há um grupo menor ensinando de 5.ª à 8.ª série, onde crianças, de nível equivalente a diferentes séries, têm aulas em conjunto. Um mesmo professor dá conta de diferentes disciplinas, como a língua indígena, língua portuguesa, matemática, arte, história, geografia e educação física.

O enfoque da educação indígena, depois da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), mudou. Anteriormente a ela, educava-se o índio para integrá-lo à nossa cultura; agora, a preocupação maior é conservar a sua identidade, preservar a sua cultura, suas tradições, seus mitos. A escola indígena amplia a visão de mundo do índio, mas não tira a sua condição de índio. O índio aprende o português para se entrosar no ambiente onde vive, negociar, reivindicar melhores condições de vida, aperfeiçoando o conhecimento de sua língua, reforçando sua identidade. A educação bilíngüe ajuda no diálogo, na troca de experiência com os não-índios. É um instrumento de aproximação e de desenvolvimento de auto-estima.

Para fundamentar a reforma de ensino, após a promulgação da Lei Darcy Ribeiro, “o Ministério da Educação (MEC) elaborou, dentre os demais Parâmetros Curriculares Nacionais da Educação Básica, o das Escolas Indígenas, possibilitando a criação de uma política educacional para o povo indígena.

Em 21 de maio de 1998, o Ministério lançou o referencial curricular nacional para as escolas das aldeias, que passaram a ter, desde 1999, currículos próprios, valorizando suas culturas. Até então, buscava-se apenas integrar os índios à sociedade, deixando de preservar e valorizar as suas diferentes culturas.

Levantamento estatístico mostrou que existem no Brasil 207 povos indígenas. Temos 1.591 escolas indígenas com mais de 62 mil alunos freqüentando o ensino fundamental, de 1.ª à 8.ª série.

O parâmetro curricular alia o ensino de matérias tradicionais à discussão de temas de interesse das comunidades, como a organização e direitos das nações indígenas no Brasil.

Pela proposta do MEC, o ensino da língua portuguesa deverá ser simultâneo ao da língua indígena local. Na matemática, além do tradicional estudo de números e operações, o aluno lidará com os sistemas numéricos usados pelos diferentes povos indígenas e pela sociedade em geral, para facilitar sua comunicação. Na geografia, a proposta é partir do espaço geográfico onde vive o aluno para ajudá-lo a entender sua localização no Brasil e no mundo. Na educação física, o aluno deverá conhecer desde os jogos e brincadeiras tradicionais de sua tribo até as práticas esportivas brasileiras e internacionais.

O “Parâmetro Curricular Nacional das Escolas Indígenas” não é um referencial obrigatório, mas, certamente, as escolas indígenas, ao se encontrar com a proposta, usá-la-ão, desde que tenham meios para aplicá-la”. (trecho extraído do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), págs. 127 e 128.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2005)

CAMINHOS DE REFLEXÃO À ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Não podemos nos furtar a um debate sobre problemas do ensino público, sobre a crise da aprendizagem, do desamparo institucional, deixado pelos últimos governos, repercutindo na falta de segurança das escolas, na perversa violência nela infiltrada. Está sendo difícil, à escola, enfrentar ameaças de morte nas próprias salas de aula, nos corredores, nas entradas ou nas saídas, principalmente em escolas que funcionam em regiões violentas.

Há experiências, trabalhos desenvolvidos em algumas localidades, que devem ser conhecidas, na busca de soluções. Em todas as escolas, sempre há um grupo, um número pequeno de alunos, que costuma influenciar os demais, perturbando a vida escolar. Antigamente, esses alunos eram expulsos, mas, hoje, o critério oficial é mantê-los, pois, a expulsão iria ferir os seus “direitos humanos”.

Consultado, a respeito dessa situação, o diretor executivo do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, Norman Gael, passou a seguinte idéia: propôs, como medida saneadora, criar escolas especiais para alunos agressivos, que não cometeram crimes mais graves, mas que roubam a tranqüilidade da escola, dificultando a aprendizagem geral. Essas escolas especiais funcionariam em regime fechado, com segurança, em horário integral. Receberiam a atenção de que necessitam, atividades de recuperação da aprendizagem, atividades esportivas e outras, consumindo parte de suas energias, orientados por professores selecionados e treinados, com remuneração condizente à qualidade de seu trabalho.

Esses alunos poderiam retornar às escolas regulares, à medida que progredissem no conhecimento e se ajustassem no comportamento. Seriam, sem dúvida, investimentos adicionais, mas, afirma Norman, “compensados pela tranqüilidade e conseqüente produtividade das escolas regulares e pela recuperação de jovens infratores, que, sem um atendimento apropriado, se tornam adultos delinqüentes, incorrendo em custos ainda mais altos para a comunidade e para o Estado”.

Ao afastar os alunos mais rebeldes, a escola alcançaria mais facilmente a qualidade de ensino, que requer disciplina, ordem e competência profissional. Requer um professor capaz de estimular os alunos, especialmente das populações mais carentes, chegando até eles com afetividade, descobrindo suas aptidões, desenvolvendo suas potencialidades, utilizando-se de currículos mais próximos deles, com assuntos de seus interesses, de sua vivência cotidiana. Um professor que incentive o bom desempenho acadêmico, criando prêmios, sob critérios objetivos, que poderiam estender-se a outras escolas, municipais ou estaduais, numa saudável concorrência.

Em muitas localidades, especialmente nas mais violentas, a rotatividade de diretores e professores afasta a necessária estabilidade das ações programadas. A seqüência fica prejudicada e o ambiente conturbado. Nesse sentido, sugere-se, às Secretarias de Educação, pôr em prática uma outra forma de contratação do diretor da escola, como acontece no Estado de Minas Gerais e em outros do País. Em Minas Gerais, já há 8 anos, a comunidade elege o diretor por 2 anos, renováveis, de uma lista de 3 professores da escola com melhor resultado no concurso público. O diretor, não sendo mais um líder imposto, mas eleito pela comunidade escolar, exercerá melhor as suas responsabilidades, porque encontra apoio, respaldo nessa comunidade. A escola torna-se mais compacta, mais interessada e os resultados, certamente, serão bem mais concretos.

Um outro aspecto a meditar-se, nas dificuldades pelas quais passam as escolas, é sobre a sua difícil administração. Num sistema escolar gigantesco, como, por exemplo, do nosso Estado, os problemas vão se acumulando, as diretorias regionais incapacitadas de um controle geral mais apurado e a escola se desorganiza a cada passo. É principalmente sob esse prisma que hoje se vê a municipalização do ensino como um bem a considerar. Reduzindo a escala de gestão, a municipalização ajudaria, permitindo avanços no controle local dos problemas.

Um outro aspecto diz respeito à liderança cívica. Hoje, fala-se em responsabilidade social da empresa, mas pouco se faz. Consta-se  que o crescimento do ensino popular em todo o mundo sempre foi produto da interface do setor público com o privado. Seria de muita ajuda se empresas criassem, em regiões mais pobres, escolas privadas de ensino médio, observando com rigor a qualidade. Cobrariam dos alunos mensalidades módicas, na medida de suas possibilidades. Isso viria criar perspectivas de melhores condições de vida para os alunos e suas famílias. Há uma valiosa experiência desse tipo, em São José dos Campos. Estabelecendo padrões de qualidade para o ensino público, a Embraer criou uma escola de ensino médio, administrada pela empresa de ensino Pitágoras, cuja sede fica em Belo Horizonte.

É importante estimular debates sobre a situação lastimável da maioria das escolas públicas, na busca de soluções.


* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em agosto/2002)

FUNDEF REAJUSTADO EM 20,5%

Izabel Sadalla Grispino *

A decadência do ensino das escolas oficiais é registrada a cada passo das avaliações efetuadas, quer do Vestibular, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), do Sistema Nacional de Avaliação Básica (Saeb) e de outras modalidades.

No Vestibular, a freqüência à escola privada torna-se pré-requisito para o seu sucesso. No Enem do ano passado foi feito um estudo comparativo das notas obtidas por alunos da escola pública e alunos da rede privada. Estes tiveram significativa vantagem sobre aqueles. Os resultados do último Saeb, realizado em 2001, revelaram que a grande maioria dos alunos, que termina a 3.ª série do ensino médio, sai sem saber matemática e língua portuguesa. Na edição do Saeb de 2003 (resultado ainda não divulgado), a avaliação coletou dados sobre a exaustão emocional e o baixo comprometimento dos professores da educação básica, com seu trabalho, problema batizado por Síndrome da Desistência Simbólica do Educador. O que se quer saber é a influência dessa síndrome no desempenho dos alunos.

Essa introdução é para situar uma questão que chamou a atenção de educadores – fui solicitada a me pronunciar a respeito – sobre uma nota do Informativo MEC – julho – n.º 1 – do reajuste de 20,5% efetuado pelo Fundef. Diz a nota: “Com um reajuste de 20,5% dos valores do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), em janeiro de 2004, o Governo Federal cumpriu, pelo segundo ano consecutivo, o compromisso de elevar as verbas da educação. Essa decisão é um diferencial em relação ao que aconteceu até o final de 2002, quando os recursos do fundo eram reajustados apenas para cobrir a inflação do período. O reajuste obrigou estados e municípios a investir, no mínimo, R$ 537,71 por aluno matriculado em suas redes da 1.ª a 4.ª série e R$ 564,60 para os alunos da 5.ª a 8.ª série. A previsão do Governo Federal é de que o Fundef movimente, em 2004, cerca de R$ 28,2 bilhões, contra R$ 25,2 bilhões em 2003”.

“O Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef), denominado Fundão, é um fundo de natureza contábil, instituído em cada Estado e no Distrito Federal, através do qual passarão a ser distribuídos os recursos para o ensino fundamental. É constituído de 15% das receitas do ICMS, dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios e do IPI-Exportação. O dinheiro irá para o fundo estadual e será distribuído em cada Estado e para seus municípios proporcionalmente ao número de alunos matriculados na rede de ensino fundamental... O governo federal vai participar apenas nas localidades onde a união de recursos estaduais e municipais não for suficiente para garantir a aplicação mínima por aluno estabelecida anualmente. Neste caso, o governo federal complementará o fundo para que seja atingido o investimento mínimo”. (do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), págs. 106 e 107).

Quando se fala em baixo nível de ensino, a questão da verba se ressalta. Esse percentual de valor monetário irá proporcionar um relaxamento maior das escolas. Se não houver desvios, se vier acompanhado de eficiência administrativa, há relativa esperança no fortalecimento da infra-estrutura, da segurança, das melhorias de condições de trabalho docente. Contudo, são “n” os fatores impedidores de uma educação de qualidade. Muitas escolas particulares, de um bom padrão, não lidam, também, com cifras vantajosas. É preciso haver, entre outros fatores, capacidade administrativa, organizacional, compromisso que se assume com a escola, com o ensino, com a comunidade. Um ponto crucial é a formação do professor e, conforme relatamos acima, pesquisa mostra que o professor da rede pública se encontra em “exaustão emocional”. Essa exaustão leva ao desânimo, à baixa auto-estima, ao desestímulo ao aperfeiçoamento profissional, ao desapego à instituição escolar. Cansaço resultante de classes superlotadas, da violência que vem se infiltrando nas escolas, com pouca ou nenhuma segurança e o professor lutando com suas próprias armas para se defender. A isso acrescem-se os baixos salários, arrastando o docente a trabalhar em 3 períodos, em 2 ou mais escolas. Distante está a chamada dedicação exclusiva.

Cuida-se da árvore para se cuidar dos frutos. A Síndrome da Desistência Simbólica afeta o humor, a predisposição do educador, que, por sua vez, reflete na predisposição do educando. Educador e educando naufragando no mesmo barco. Essa lastimável constatação não é senão resultado de anos e anos de descuido ao magistério oficial, de problemas que foram se acumulando, formando, no conjunto, uma difícil reversibilidade.

Num paralelo entre escola particular e oficial, as condições de ensino, nas particulares, são visivelmente superiores: infra-estrutura, professores capacitados, utilizando centros de informática, laboratórios, computadores, internet, colocando o aluno na modernidade. São escolas que oferecem atividades extracurriculares e, sobretudo, têm uma clientela de nível socioeconômico mais elevado. Estudo feito no último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) confirma o que, de há muito, já sabíamos: o nível socioeconômico das famílias, o acesso a bem culturais, a escolaridade dos pais, interferem diretamente na aprendizagem, têm forte influência no desempenho escolar.

A escola particular tem a seu favor a garra, a vontade de crescer, detém a vanguarda do conhecimento, recicla seus profissionais, exige atualização, métodos de ensino renovados, que, ao invés de transmitir conhecimento, cria possibilidades para a sua produção, sua construção, métodos ajustados ao momento da época. São escolas que superam as falhas do sistema público e que, com determinação, enfrentando a concorrência, conseguem manter-se num bom padrão de ensino, atrair e motivar o aluno, garantindo a evolução social.

*  Supervisora de ensino aposentada.   
(Publicado em setembro/2004)

A EDUCAÇÃO DO RICO VERSUS A EDUCAÇÃO DO POBRE

Izabel  Sadalla  Grispino *

A realidade educacional no Brasil é tema inquietante, a ser refletido por toda a sociedade brasileira. Realidade de duas faces: a boa educação para os ricos e a má educação para os pobres. Há décadas, Demerval Saviani, em seus livros, já denunciava a equivocada escola assistencialista, merendeira. São freqüentes e periódicas as citações de especialistas da educação sobre o decadente ensino das classes menos favorecidas.

O objetivo de toda escola deve ser o de tornar o aluno competente. A escola deve lutar, buscar os meios para realizar este objetivo, para dar aos alunos as ferramentas mentais de ação, a fim de que possam enfrentar o mercado de trabalho, hoje tão exigente. Nunca o livro didático foi tão necessário ao professor. A escolha de um bom livro poderá amenizar a situação do ensino público. Um livro que traga ao professor  instruções detalhadas, que propicie experiências abertas, exercícios práticos, onde se possa praticar o construtivismo. A criança precisa freqüentar a boa escola, desde os primeiros anos de alfabetização, porque a aprendizagem é um processo em que uma etapa influi e explica a outra. A construção do conhecimento exige tempo, é preparação sistemática, gradual, encadeada, ligando os diferentes graus de ensino. Não é um simples “depósito bancário”, usando a expressão do educador Paulo Freire. Não adianta avançar etapas, se a aprendizagem não se concretizou. Hoje, temos bem clara a noção de que o importante não é a quantidade do que se ensina ao aluno, mas a qualidade do que ele aprende.

O desinteresse oficial por uma escola pública de qualidade se constitui em mecanismo de reprodução das desigualdades. Concursos de ingresso ao magistério público há, em que Secretarias de Estado observam com rigor a porcentagem de acertos e erros, aprovando os realmente capazes – como o recente concurso, realizado no Rio Grande do Sul, onde 70% dos candidatos foram reprovados, ou o concurso de ingresso na Bahia, em 97/98, que reprovou cerca de 90% dos candidatos. Secretarias há em que, desconsiderando a má formação, rebaixam o nível de conhecimento, aceitam uma porcentagem de acertos inferior ou bem inferior ao que seria a média das questões, facilitando o acesso  para abarcar o maior número de candidatos, mas não garantem, depois, a qualificação necessária ao padrão requerido pela época. Nessa acomodação política, o aluno pobre é o maior prejudicado, pois que tem aula com professores mal preparados, cuja efetividade não foi fruto de competência. O ensino fica, assim, nivelado por baixo.

Em recente publicação do texto: “Duas experiências de ensino estruturado”, Cláudio de Moura Castro, assessor da Divisão de Programas Sociais do Banco Interamericano do Desenvolvimento, faz uma análise sociológica, cultural do Brasil, das últimas décadas e compara-o aos Estados Unidos. Ambos, diz ele, encontram dificuldades em “criar escolas capazes de oferecer um ensino de boa qualidade aos mais pobres e mais vulneráveis... têm escolas péssimas servindo a essa população”. Ambos têm grande desigualdade na distribuição de renda. Sendo que nos Estados Unidos “a maioria esmagadora é imensamente rica, embora tenha muitos bolsões de pobreza, sobretudo, nos centros urbanos”. No Brasil, ao contrário, temos “uma minoria muito rica e uma grande camada de pobreza, incompatível com nossa renda per capita”. O contraste entre Brasil e Estados Unidos está na grande diferença entre população rica e pobre. Se aqui poucos têm boa escola, lá a grande maioria a tem.

Cada povo tem  a educação que o espelha e a nossa pouco nos engrandece.

O magistério é  vocação sublime,  abre caminhos de esperança, de sonhos, de realizações. O professor é pedra angular, a fundamental na construção do ser humano. Batalhar a educação é batalhar a vida no seu grau supremo da promoção humana e social. Ela é essência, ultrapassa a dimensão circundante do Homem, alcança a dimensão cósmica, quando então, entra em comunhão com a obra do Criador e se torna a grande responsável pelo desenvolvimento sustentável do planeta, pela continuidade de nossa mãe-Terra, em sua missão de gerar novas vidas. “O que acontece à terra, acontece aos filhos da terra” – Seattle, chefe das tribos indígenas Duwarnish – Canadá.

Vimos, em seqüência, espalhando sementinhas, que a seu tempo – esperamos – se revertam no nascimento de árvores frondosas. Outras sementes, juntando-se a estas, romper-se-ão em outras árvores, que, no seu conjunto, formarão o cerne, a frente robustecida de combate, com núcleos de influência, semeando permanentemente. Se cada um fizer a sua parte, o grande encontro virá e coroado da salvadora redenção. Completo essas considerações com meus versos “O sono da combalida educação”.

O SONO DA COMBALIDA EDUCAÇÃO

A educação dorme no leito do atraso,
Sono do descaso, da assistência falida,
Da oscilante ideologia do acaso,
Brotando uma atuação didática abolida.

Quantos caminhos perdidos em sua dormência!
Enquanto dorme, o mau ensino perdura,
A criança se embrenha na estrada da falência,
Os pais choram a perda da visão futura!

Educação é luz, terra em maternidade,
Gera o alimento para o corpo e para a alma,
Sacia o sonho, a desigualdade acalma.

Desperte “Consciência”, alce a vontade política,
Faça da sociedade uma análise crítica,
Distribua o saber em social eqüidade.!

 

PROIBIR É A SOLUÇÃO?

Izabel Sadalla Grispino *

Como a escola pode ajudar as crianças frente à TV? Como educar a leitura que elas fazem da TV?

O primeiro passo é, sem dúvida, conhecer os programas a que elas mais se apegam. Estudar-lhes as características e os aspectos que mais as impressionam.

Proibir, simplesmente, não é o caminho. A proibição só vai aguçar a curiosidade, a vontade de assistir-lhes. Ao proibir, é preciso explicar as razões. Manter com as crianças uma aprendizagem crítica, uma aprendizagem do pensamento divergente. Ensinar a criança a questionar, a duvidar, a encontrar outras saídas, diferentes das apresentadas no filme. Duvidar do que se vê é um bom exercício mental, dizem os psicólogos. A atitude reflexiva favorece a elaboração de exercícios mentais, que a criança pode exercitar ao assistir aos filmes, aos desenhos.

Passando esse comportamento para a prática, uma escola relatou sua experiência, que pode ser de valia a outras escolas. Os professores notaram que a brincadeira que mais se sobressaia, em crianças na faixa de 4 a 5 anos, era a “Pouver Rangers”. Foram conhecer este programa. Perceberam, entre outros fatores, que os heróis, no caso japoneses, conquistam tudo magicamente e apenas pelo prazer da luta e não em razão de um ideal. Não agem de modo inteligente ou com astúcia. São heróis que empobrecem a imaginação da criança, diferentes dos heróis de antigamente, que conquistavam pela busca de um ideal.

Os professores, após terem assistido e avaliado os programas, passaram, em dias alternados, a promover sessões de TV entre os alunos. Foram escolhidos o Sítio do Pica-pau Amarelo, o Castelo Rá-Tim-Bum e um filme dos Pouver Rangers. Embora as crianças apreciassem todos, mostravam preferência pelo Pouver Rangers. Porém, após tê-lo assistido, a meninada ficou muito excitada, mais agitada e mais agressiva na hora de brincar.

Uma das estratégias adotadas foi encaminhar a criança para uma esclarecida interpretação. Professor e aluno raciocinavam juntos, a criança era encaminhada à ponderação, ao abrandamento das lutas suicidas, a exaltar ações que conduzem ao amor, ao bem.

Uma outra preocupação dos pais e dos professores é com os jogos eletrônicos.  Até que ponto os videogames viciam e o que fazer? Especialistas da área de tecnologia dizem que a escolha dos jogos não pode ser aleatória. Eles devem ser relacionados segundo as características de cada criança, considerando, também, os aspectos socioculturais , educativos e psicológicos.

A criança, ao jogar, expressa seu juízo moral, através da livre escolha que faz do destino do personagem, da tomada de decisões e dos sentimentos manifestados. Isso dá a oportunidade, aos pais, aos educadores, discutirem, esclarecerem os aspectos necessários à condução de uma postura moral, compatível aos valores sociais. É preciso fazer a criança entender que o jogo é uma fantasia momentânea; fantasia, imaginação e não realidade.

Os videogames têm seu lado positivo e negativo. É uma questão de regra e limites, que vale para o videogame, a TV, o computador, a Internet. Crianças que jogam de forma compulsiva sofrem os malefícios decorrentes, como sua exclusão do convívio social, o descumprimento de suas obrigações, dos efeitos colaterais orgânicos, como irritação dos olhos, excitação, insônia, principalmente quando os jogos são muito violentos.

Com horário e disciplina, os jogos podem trazer benefícios. Confirmam os especialistas que videogames e jogos para computador são excelentes para o desenvolvimento cognitivo. Desenvolvem a percepção, a memória visual e auditiva, a rapidez, o raciocínio, a capacidade de solucionar problemas e, até mesmo, a socialização, quando jogados via Internet.

Em trabalhos psicopedagógicos, os softwares são bastante utilizados. Nas salas de aula, compete ao professor explicitar os conceitos envolvidos, a fim de que o jogo se converta em instrumento de aprendizagem. É importante que se discutam as questões morais, éticas e de relações humanas, implícitas nos jogos, praticados na sociedade, na escola, em casa.

Em tudo, não há modelo único de educação. Vai depender de cada criança. As regras e os limites devem ser passados dentro dos conceitos éticos, morais, culturais de cada sociedade, de cada família. O importante é conhecer a criança que se tem à frente para ser educada e agir de acordo com cada caso. Para impor limite aos videogames, ao computador, estuda-se a melhor forma, como programar atividades compartilhadas, passeios, esportes, diálogo... Disciplinar os horários, conscientizá-los da hora de estudar, de dormir e de brincar, é imprescindível. Videogame, por exemplo, só depois da lição de casa feita.

Com a finalidade de evitar a violência do jogo, a prática de atos sexuais e desvirtuamento de valores éticos e morais, o Ministério da Justiça definiu a norma de que todos os cartuchos e CDs, de games, tragam, em suas embalagens, um selo de classificação etária.

O Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento – CAD --, clínica formada por uma equipe multidisciplinar da capital, explicitou regras úteis para o aconselhamento e à aprendizagem de crianças e de jovens.

Dos 3 aos 7 anos: as regras são externas à criança, que espera que os adultos lhe dêem ordens. Aproveite a fase para fixar bem a rotina e estabelecer hábitos saudáveis;

Dos 7 aos 12 anos: a criança começa a internalizar as regras. Explique os porquês de suas exigências, sem abrir mão delas. Ela espera esse limite do adulto. É uma boa fase para trabalhar direitos e deveres, estabelecer horários das atividades escolares, de lazer e sono;

Dos 12 anos em diante: o jovem já deve ter adquirido autonomia e capacidade de pensar os valores por si mesmo. Diálogo é essencial. Ele deve participar da construção e/ou reformulação das regras para poder organizar sua própria vida. Vai exigir coerência dos pais e dos educadores e um compromisso recíproco de respeito às regras.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2002)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

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A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

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A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

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