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Artigos Educacionais

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CURRÍCULO EMPOBRECIDO POR FALTA DE PROFESSOR

Izabel Sadalla Grispino *

Um novo projeto do Ministério da Educação (MEC) quer tornar obrigatórias as disciplinas de filosofia e sociologia no ensino médio de todo País. O maior obstáculo para viabilizar a iniciativa é a falta de professores.

Essa falta de professores, que, tudo indica, vem se agravando, não é recente. Já em 2001, o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, vetou um projeto de lei que pedia a volta dessas duas disciplinas, alegando falta de professores para cumprir a futura demanda.

Essa questão de falta de professores estende-se a outras disciplinas,  principalmente física, química e biologia, no ensino médio.

Embora a escola não represente mais o mesmo peso histórico do passado, ela é imprescindível aos nossos jovens estudantes. No início da escolarização é ela quem cria as condições para que se inicie a separação entre a criança e sua família, desenvolvendo sua autonomia. Na escola, a criança desenvolve a socialização e aprende a viver no sentido comunitário. Aprende na relação professor-aluno, aluno-aluno, limites, o respeito de um com o outro, a fazer amizades, em um ambiente diferente do lar.

Na escola, o estudante busca o conhecimento, ajusta-se ao mundo, expande seu universo. É na inserção do ambiente escolar que ele se forma, e se volta para o mercado de trabalho.

Como pensar escola sem professor? O professor é a alma, o fio condutor, o sustentáculo de todo processo da educação. O mundo moderno, com seus novos desafios, tem na educação sua prioridade, na qualidade de ensino seu alvo. A transformação por que passa o mundo, as mudanças radicais que se processam, só podem ser enfrentadas pelo conhecimento.

Investir no professor é investir no desenvolvimento do País. Manter a vanguarda do conhecimento requer professores motivados, valorizados, atuando com prestígio e consciência do papel que exercem na conjuntura de toda uma nação.

Consciência desse papel deve impregnar a área governamental. A contínua desvalorização do professor no Brasil desestimula a carreira do magistério. Segundo pesquisas, os cursos de formação de professores estão esvaziando-se. Uma pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), de 2003, que entrevistou 4.656 professores de 10 Estados, revelou que cerca de 2,5 milhões de educadores estão perto da aposentadoria e na faixa de 40 anos ou mais estão 55,1% dos docentes.

Por ser bastante atual e reproduzir o agravo da situação, transcrevo parte de um artigo que escrevi no início de 2004, para, quem sabe, reforçar o entendimento de quanto vale investir na valorização do professor.

“Segundo levantamento feito em 2003, faltam cerca de 250 mil professores, com formação superior, no ensino fundamental de 5.ª a 8.ª séries e no ensino médio. O País precisa de 55 mil professores de química e igual proporção em física e nos últimos anos só se formaram 7.266 professores em física e 13.559 em química. Déficit considerável ocorre, também, nas disciplinas de matemática, biologia e geografia. Ciência é uma disciplina que vem, praticamente, zerando o conhecimento dos alunos da educação básica, constatam as avaliações. A falta de professores continua tanto nas ciências humanas com em línguas, onde se verifica fraca formação de professores de português, história ou inglês. A pesquisa mostra que os melhores diplomados, oriundos das melhores universidades, não lecionam na rede pública, com resultado pesaroso para os alunos que não se sentem estimulados a aprender.

Como conseqüência da desvalorização do professor, o que vemos é o País sendo campeão de últimos lugares, mantendo as piores colocações em testes internacionais. Num dos últimos artigos relatei a conclusão da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) sobre a educação do mundo, divulgada em novembro p. passado, que coloca o Brasil na triste posição de 72.º lugar, entre 127 países, com a observação de que falta conteúdo de qualidade ao ensino brasileiro.

Mais recentemente, divulgou-se a classificação do Brasil no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). O estudo aplicado em 2003 mostra que o País ficou em último lugar na avaliação do conhecimento de matemática de estudantes de 15 anos, numa lista com 41 países. O Brasil ficou atrás de nações como Tunísia e Indonésia.

Parece um hábito os alunos brasileiros ficarem em péssima classificação nos encontros internacionais. Grave quadro, revelador da falta de empenho de governos das últimas décadas, ausência de políticas sociais, políticas educacionais sérias, incidindo na deterioração da qualidade de ensino das escolas públicas brasileiras.

Não se pode colher o que não foi semeado”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2006)

CICLO BÁSICO NOS CURSOS SUPERIORES

Izabel Sadalla Grispino *

Como parte da reforma universitária, o Ministério da Educação (MEC) propõe a criação do ciclo básico de 2 anos para os cursos superiores. Um ciclo comum, freqüentado pelos alunos, com um grupo de disciplinas mais genérico, antes da oferta dos conteúdos específicos de cada curso. O aluno terá uma melhor formação geral, um tempo maior para definir com mais segurança a carreira a seguir. Irá exercitar melhor suas aptidões, informar-se com mais tempo sobre o mundo do trabalho e fazer a escolha de sua profissão com mais maturidade.

A idéia do ciclo básico vem sendo bem recebida pelos educadores que entendem ser a medida portadora de uma formação mais ampla aos estudantes, permite uma maior flexibilidade na troca de cursos e evita a especialização excessiva, que limita a formação.

A nova LDB da Educação substitui, no currículo, padronização por flexibilização. A reforma do ensino adota currículos que se norteiam pela interdisciplinaridade -- interligando as diversas áreas do saber – e pela contextualização. A interdisciplinaridade promoverá ao aluno uma formação mais ampla, um conhecimento globalizado do assunto. Na universidade, corrige distorções do ensino superior e da especialização prematura dos cursos de graduação, realizados em departamentos, e cursos desintegrados dos demais. A interdisciplinaridade, aliada às diretrizes curriculares básicas comuns a todos os cursos, levará a especialização para os últimos anos, favorecendo ao aluno uma escolha posterior, com mais convicção.

O ciclo básico retoma noções de universidade, afirmam os educadores. O foco deixa de estar no curso e passa à universidade. Os primeiros anos de graduação agruparão estudantes de cursos com demandas diferentes em atividades inter e multidisciplinares. Os cursos serão interligados e as disciplinas básicas oferecidas conjuntamente.

Essa iniciativa do ciclo básico já existe em algumas universidades brasileiras, como a Universidade de São Paulo (USP), que, já há algum tempo, mudou o currículo da Escola Politécnica e do curso de Letras. Para que o ciclo básico seja bem aplicado é preciso que conte com professores bem formados, treinados, com visão global das disciplinas. O que se espera é que não venham a se tornar uma forma de economia, especialmente para as instituições privadas de ensino. Que ele represente o alargamento das fronteiras do conhecimento, hoje tão necessário.

O ciclo básico exige, para tal, um currículo bem entrosado e professores qualificados. Esse processo reforça a idéia de reforma na estrutura administrativa do ensino superior, da divisão das universidades em departamentos. O que se pretende é acabar com as antigas cátedras, agrupar os professores em órgãos colegiados por afinidade de conteúdo de suas disciplinas. Essa medida começou a ser implantada há pouco mais de três décadas pelo regime militar, mas por razões oportunistas e burocráticas não foi levada adiante.

O ciclo básico envolvendo disciplinas comuns torna-se refratário à segmentação do ensino em cursos, departamentos e faculdades que não se comunicam entre si. A sua aplicação talvez comece por áreas afins. Com sua adoção, o estudante poderia fazer o vestibular para um conjunto de áreas, sem escolher antecipadamente uma. Essa escolha ocorreria a partir do 3.º ano.

A idéia do ciclo básico no ensino superior injeta princípios inovadores na universidade. Na licenciatura, poderá melhor preparar o professor para encarar as mudanças implementadas pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), melhor entender o ciclo básico na progressão continuada do ensino fundamental. O que precisamos é de avanço na educação. É lamentável abrir o jornal e deparar com o resultado de uma avaliação do ensino médio, revelando que “a escola brasileira ensina menos que o mínimo”.

O Sistema de Avaliação do Ensino Médio (Saeb) divulgou, em 16 de junho corrente, um resultado demonstrando que, depois de três anos em queda progressiva, o ensino não avançou praticamente nada. Revelou, segundo o MEC, uma pequena tendência de melhora, que se pode dizer ser meramente estatística. Na realidade, não se percebe nenhuma mudança na qualidade de ensino, ensino que não consegue ir além do mínimo. Metade dos alunos não sabe nem português, nem matemática. Mostrou uma situação muito grave na 3.ª série do ensino médio, onde de cada 10 alunos 7 apresentam um nível de conhecimento considerado “muito crítico”. Na 4.ª série do ensino fundamental, 5 entre 10 alunos não dominam as quatro operações aritméticas e não conseguem ler e compreender textos simples e curtos. São crianças consideradas alfabetizadas, mas que não passam de analfabetas funcionais.

Revelou, também, que nem os alunos de colégios particulares chegam, na maior parte dos Estados, a atingir a média considerada adequada para as séries avaliadas. Constatou-se que o ensino público está ruim e que o ensino privado, salvo exceções, está longe do ideal. Os alunos terminam o curso sabendo bem  menos  do que deveriam. Embora as condições de ensino, na escola particular, sejam melhores, com recursos disponíveis superiores, o ensino fica a desejar. Esses alunos demonstraram um desempenho medíocre.

O presidente do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep) – Eliezer Pacheco – considerou que “a causa principal do nível insatisfatório dessas escolas está na formação dos professores, que não é adequada, o que acaba influenciando, também, no ensino privado”.

O Saeb mostrou a importância da formação dos professores. Quando o profissional tem apenas o ensino médio, a pontuação média dos alunos fica em 157 pontos. Se a formação é superior, a média dos alunos chega a 172 pontos. Mas, no geral, o que se constata é uma formação insuficiente, necessitada de reforço em conteúdo acadêmico e em metodologia.

Espera-se que, com a criação do ciclo básico de 2 anos, o ensino superior traga renovações, conteúdo abrangente e ensine o professor a trabalhar com métodos atualizados, interdisciplinares, revertendo a tendência tradicional que ainda persiste.

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em junho/2004)

MUNICIPALIZAÇÃO DO ENSINO

Izabel  Sadalla  Grispino *

É época de eleição. Educação é, sem dúvida, o grande alvo, o grande discurso. Num recente debate entre candidatos, abordou-se o tema municipalização do ensino. Abriu-se espaço para interpelações, espectadores querendo se esclarecer sobre o ensino municipalizado. Achei oportuno escrever a respeito, esclarecer o prezado leitor, inteirá-lo melhor sobre o assunto.

O que é a municipalização do ensino? Quais suas bases de sustentação? Por que municipalizar, também, o ensino fundamental?

A educação pública é dever compartilhado entre as entidades políticas: federais, estaduais e municipais. A Constituição da República diz: “A educação é direito de todos e dever do Estado”. Estabelece que o “acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo”.

A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), definindo responsabilidades, diz que “os municípios deverão oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas e, com prioridade, o ensino fundamental”; os Estados encarregar-se-ão de “assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o ensino médio”. Portanto, é obrigação cumulativa dos municípios e dos Estados pelo ensino fundamental, devendo haver, entre eles, coordenação, compromisso político, ajuda financeira e assessoria técnica dos Estados aos municípios.

EMENDA CONSTITUCIONAL N.° 14 – A ajuda financeira ficou definida com a aprovação pelo legislativo da Emenda Constitucional n.° l4, em setembro de 1996, a qual passou a ter efeito em janeiro de 1998. Essa emenda reafirma a necessidade de Estados e municípios cumprirem os dispositivos da Constituição de 1988, ou seja, de aplicar 25% de suas receitas de impostos na manutenção e desenvolvimento do ensino e obriga ambas as instâncias a colocarem 15% desses recursos no ensino fundamental, onde se encontram 80% dos alunos. O restante devendo ser empregado na educação infantil, em creche e pré-escola.

A Emenda Constitucional n.° 14 obriga, assim, o poder público a dar prioridade à educação obrigatória de 8 anos. Essa legislação disciplina gastos e impede que as administrações apliquem parte dos recursos educacionais nos níveis que desejarem.

FUNDO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL E VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIOEm cada Estado, a Emenda Constitucional n.° 14 cria um fundo, aprovado em dezembro de 1996 , “Fundo de Desenvolvimento da Educação Fundamental e Valorização do Magistério” (Fundef), denominado “fundão”, que vai viger por 10 anos. O “fundão” possibilita solucionar desequilíbrios entre localidades, permitindo que os recursos caminhem direto para quem realmente investe na educação fundamental. Por exemplo: uma cidade rica, com muitos alunos em escolas estaduais e poucos em estabelecimentos municipais, tem seu excedente transferido para cidades sem recurso tributário suficiente para manter as escolas do próprio município. A partir de 1.° de janeiro de 1998, Estados e municípios passaram a receber dinheiro de acordo com o número de alunos matriculados no ensino fundamental. O fundo privilegia Estados e municípios que têm escolas de ensino fundamental. Estes receberão a maior parcela em detrimento dos que não oferecem este nível de ensino.

O “fundão” é um fundo de natureza contábil, instituído em cada Estado e no Distrito Federal, através do qual passarão a ser distribuídos os recursos para o ensino fundamental. É constituído de 15% das receitas do ICMS, dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios e do IPI-Exportação. O dinheiro irá para o fundo estadual e será distribuído em cada Estado e para seus municípios proporcionalmente ao número de alunos matriculados na rede de ensino fundamental. A Emenda Constitucional n.° 14 define, também, que 60% dos recursos do fundo deverão ser destinados exclusivamente ao salário dos professores que estejam trabalhando em sala de aula, daí o nome “Valorização do Magistério”.

O governo federal vai participar apenas nas localidades onde a união de recursos estaduais e municipais não for suficiente para garantir a aplicação mínima por aluno estabelecida anualmente. Neste caso, o governo federal complementará o fundo para que seja atingido o investimento mínimo.

ENCAMINHAMENTO DA MUNICIPALIZAÇÃO – a municipalização iniciou-se lenta, muito questionada. O censo preliminar de matrículas, realizado na 2.ª quinzena de novembro de 1998, mostrou que menos de 20 cidades do Estado de São Paulo receberam verbas do fundão. A maioria dos municípios teve de repassar dinheiro ao Estado, por não manter rede de ensino fundamental. Segundo números do Ministério da Educação (MEC), poucos municípios paulistas, além da capital, receberam dinheiro transferido do Estado para investir no ensino fundamental no ano de 1999. O governo estadual ficou com a maior parte do dinheiro do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, por assumir mais de 80% dos alunos do ensino fundamental. A maioria dos municípios, por não possuir esse ensino, teve de transferir receita aos cofres estaduais.

O fundo, criado pelo MEC, redistribui parte das receitas de Estados e municípios pelo número de matrículas em cada uma das redes de ensino. Pela matemática do fundo, perderão mais aqueles municípios com arrecadação alta que não mantiverem rede de ensino fundamental, como aconteceu com São Bernardo do Campo. Mesmo cidades com escolas municipais podem ser obrigadas a transferir recursos se o número de matrículas for muito pequeno em relação à arrecadação de impostos.

Ainda, hoje, sob esse aspecto, há resistências. Todavia, a municipalização do ensino fundamental, se bem conduzida, se bem assistida, pedagógica e financeiramente, só poderá trazer benefícios. Representa uma descentralização na gestão e enseja gestão colegiada na administração do processo educacional. A administração mais próxima da escola favorece a comunicação e a pressão por uma melhor escolaridade. Cria maior intercâmbio entre prefeitura, comunidade e escola, facilitando a participação dos pais e da comunidade em tarefas de cooperação e de fiscalização. A municipalização pode harmonizar o atendimento técnico e o atendimento humano, sem prejuízo um do outro.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2000)

AULA INAUGURAL DA REDE PÚBLICA GUARIBENSE

Izabel Sadalla Grispino *

Dia 10 de fevereiro p. passado, ministrei, com sobeja satisfação, a aula inaugural das escolas da rede pública de Guariba. Senti-me honrada com o convite da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Educação para falar aos representantes do magistério de minha terra, logo no início do ano letivo.

Ao cumprimentar os professores e parabenizá-los pela escolha da nobre profissão de ensinar, ao cumprimentar a digníssima secretária de Educação, Profa. Vera Eliana Ambrósio Politi, e sua digníssima assessora pedagógica, Profa. Marlene Toniatti Garavelo, não pude deixar de lembrar Dr. Hermínio de Laurentiz Neto, pela admirável administração exercida, tendo sido considerada um marco na história política de Guariba. Lembrei o prefeito atual, Mário Sérgio Cazeri, desejando-lhe, com igual empenho e zelo, uma gestão tão avantajada como a de seu antecessor. Pedi a Deus que o provenha de força e coragem para dar continuidade aos avanços da cidade.

Cazeri, já no seu primeiro mês de mandato, dá sinais a que veio, deixando transparecer, na solução dos problemas da cidade, uma administração embuída de humanidade. Vem demonstrando um alto apreço pelo ser humano, mesclando agilidade administrativa e coração. No primeiro dia do ano letivo recebeu o professorado com um grande abraço e muita consideração. Presenteou a todos com um lauto café da manhã e um almoço, reunindo professores e palestrante. Sua ausência foi sentida, mas trazia a justa justificativa de sua ida à cidade de São Paulo, a serviço da Prefeitura.

Esse almoço de confraternização simbolizou a esperança por uma educação de qualidade, que Guariba merece. Traduziu a afetividade que deve reger o comportamento humano. É como se Cazeri dissesse: “Professor, a vida é luta. Viver é lutar. Mas, lutem com fé. Tragam alento e esperança ao coração do estudante. Tragam alento e esperança ao coração dos pais, que sonham aos filhos um futuro promissor. Tragam alento e esperança ao povo guaribense, que pela educação esperam encontrar a paz, a prosperidade, e a grandeza desta terra”.

A essa exortação, juntei uma outra, quando desejei aos professores um feliz retorno às aulas. Quando lhes falei da importância de sua função. Ser professor é decidir o rumo da humanidade. Ser professor é ser condutor de almas, revigorador da sociedade, semeador do saber, de idéias, de religiosidade. Que os professores iniciem o ano letivo com entusiasmo, porque dele vai depender o entusiasmo do aluno, o seu interesse pela aprendizagem.

Este ano, os professores têm, em suas mãos, um recurso a mais, uma ajuda a mais, para o seu trabalho do dia-a-dia em sala de aula. Graças ao entendimento do Dr. Hermínio e da Profa. Vera, o meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola) foi adotado na rede municipal de ensino. Durante o ano letivo, novos encontros com os professores surgirão, no debate de questões pedagógicas, abordadas pelo livro.

Na oportunidade, lembrei aos professores que a Campanha da Fraternidade, desta quaresma, lançada pela Igreja Católica, traz o tema “Solidariedade e Paz”. A maior solidariedade do professor está na dedicação que devota à causa da educação, na sua compreensão pela aprendizagem, especialmente aos alunos carentes, aos mais necessitados de atenções, pela dificuldade em aprender, pela vida familiar desestruturada, conflitada, em que vivem. Lembrei-lhes que nossa missão é atuar com alma, sabedoria e conhecimento. O aluno que alcança o saber será um elemento atuante na sociedade. O aluno que abandona a escola, que não consegue aprender, será um marginalizado, um comparsa da violência, desgraça que toma conta do mundo.

Não façamos de nossos alunos tristes vítimas da desinformação. Quanto mais inculto o povo, mais fácil ele será elemento de manipulação.

Ao lado das conceituações de ser professor, falei, com adequação ao momento, sobre as novas tendências do ensino. Abordei metodologias renovadas. Fiz uma análise sucinta do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), com paradas para reflexões. Em breve, retornarei às escolas para assessorá-las no processo de ensino-aprendizagem, colaborar com a formação do professor, um dos fatores que me levaram a escrever o livro.

Meus irmãos do magistério, juntemo-nos, unamo-nos. Do nosso devotamento, da nossa bandeira de luta, dependerá a grandeza da nação. O universo tem no saber seu maior patrimônio e nós fazemos parte desse patrimônio. Se cada um de nós fizer a sua parte, pequena que seja, o mundo , tenham a certeza, será grandioso, com Deus regendo as mentes e os corações. Teremos o mundo que idealizamos, abençoado por Nosso Senhor!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2005)

NOVAS EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Atualização constante, reciclagem de conhecimentos, experiências educacionais em sintonia com as mudanças mundiais, são pré-requisitos para uma segura atuação docente.

A educação básica tem se preocupado cada vez mais com a educação integral. Na educação infantil, fase da formação do caráter, o ambiente escolar é focado na educação. Garantem-se todos os direitos da criança, especialmente o de brincar. Brincando, ela vai aprendendo regras, noções de ordem, espaço. Torna-se mais independente, sabe escolher e é mais sociável.

Escolas há que vêm adotando novas propostas educacionais. Nelas só se ouve, praticamente, a voz dos alunos. Entendem que o professor não precisa levantar o tom de voz para falar a uma criança. Ela compreende o que se quer dizer quando se fala olhando diretamente nos olhos. Nessas escolas, apesar de bem pequenas, as crianças não andam em filas, não sentam em carteiras enfileiradas e não são obrigadas a desenvolver nenhuma atividade que não queiram. Primam pela individualidade e independência. Contudo, observa-se que as crianças respondem prontamente aos chamados, o que, geralmente, são convites para atividades agradáveis, programadas.

Os estímulos para a aprendizagem estão por toda a parte, desde as pinturas no chão, até as cestas de lixo. A criança vai adquirindo visão das coisas, de modo mais saudável, mais ordeira. Elas se encarregam de transmitir à família, aos pais, conceitos adquiridos na escola, como, por exemplo, costumam chamar atenção quando alguém joga papel na rua ou quando alguém fala palavrão. A criança é um grande veículo de educação na comunidade.

As escolas trabalham muito integradas com os pais. A pintura dos desenhos do chão é, por exemplo, mudada periodicamente e os pais oferecem-se para fazer retoques, assim como participam diretamente de outras atividades.

Ultimamente, vem-se notando que os pais estão ficando cada vez mais dependentes da escola. Eles delegam à escola parte da responsabilidade que são deles e o reflexo dessa transferência é o aumento da procura pelo ensino em período integral. O que parece é que eles dão excesso de liberdade aos filhos, necessitando, depois, de freios externos. Outros não sabem como lidar com certos problemas, como o das drogas e necessitam da ajuda da escola.

É preciso que os pais se conscientizem de que a escola tem um papel complementar na educação de seus filhos, embora faça parte de seu papel discutir sexo, drogas, cidadania, valores morais, respeito ao meio ambiente...

Uma pesquisa realizada pelo Sistema Anglo de Ensino, no fim de agosto do corrente ano, com pais de alunos matriculados em escolas de educação infantil, até em cursinhos do País todo, revela que os pais querem uma escola disciplinadora, que discuta todo tipo de assunto com seus filhos, em especial as drogas. O estudo foi realizado com 16 mil famílias de classes A e B que têm filhos em escolas particulares e mostra essa dependência dos pais às escolas, fato que os educadores e psicólogos já haviam constatado na prática.

Quando questionados, em três itens principais, sobre o que os levariam a mudar o filho da escola, a resposta, em ordem decrescente, foi: a) problemas com drogas (68,9%), b) o aumento das mensalidades (43,8%) e c) o pouco rigor na disciplina (32,4%). Sobre as características mais importantes que os levariam a escolher uma escola, os pais colocaram, em primeiro lugar, o bom ensino e os bons professores (74,1% das respostas), em segundo, um “método moderno” (50,4%) e, em seguida, a mensalidade adequada ao orçamento (35%). Segundo o Sieesp, a mensalidade média, na rede particular em São Paulo, gira em torno de R$ 500,00.

Os pais ao serem consultados sobre o que esperam da escola com relação às drogas, deram as seguintes respostas: 71,6%, orientação e campanhas de combate ao uso; 64,5%, fazer parcerias para programas de prevenção; 27,9%, repelir duramente e 3,4%, não deve tratar do assunto.

Uma outra séria questão diz respeito à orientação de prevenção, para crianças de 4 a 6 anos, à aids e a doenças sexualmente transmissíveis. Até pouco tempo, discutia-se a viabilidade de tal precocidade, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) já aplica este novo modelo no Canadá, na Holanda, na Dinamarca e em Cuba, como medida de proteção à saúde, desde a educação infantil.

No Brasil, há uma proposta nesse sentido, quando, pela primeira vez, ela está sendo discutida pelos Ministérios da Saúde e da Educação, com o objetivo de criar uma política nacional de promoção à saúde nas escolas, que iria da educação infantil ao ensino médio. Entende-se que prevenção envolve o desenvolvimento, desde a infância, de competências para a vida, o que a OMS chama de life skills, como assertividade, auto-estima, capacidade de negociação, relações de gênero. Entende-se que prevenção a DSTs, aids e uso abusivo de álcool e outras drogas não pode se limitar à adolescência e deve ir além da abordagem específica desses assuntos.

As crianças que interiorizam esses conceitos desde cedo têm, segundo os especialistas, mais chances de chegar à adolescência menos vulneráveis. Para a consultora do Ministério da Saúde, Marina M. Valadão, “só se deve falar diretamente em camisinha, droga e aids para crianças de 4 anos se elas perguntarem. E elas perguntam e muito; estão sendo bombardeadas com mensagens erotizadas na TV e nos outdoors”. Como os pais não falam com facilidade de drogas e sexualidade, sobra para a escola abordar esses assuntos.

Para transmitir essas orientações, o Ministério da Saúde fornecerá aos professores, que lecionam desde a educação infantil, a partir de janeiro, amplo material de apoio, onde “aparecem sugestões de atividades específicas para estimular nos alunos formas de pensar que, no futuro, poderão se traduzir em prevenção”. O Ministério da Saúde vem buscando integrar-se ao MEC, para ilustrar conjuntamente os professores.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2003)

ENSINO INFANTIL E RENDA

Izabel Sadalla Grispino *

A época, através de organizações como a ONU, de Fundações, como a Abrinq, vem, constantemente, demonstrando as vantagens de se cursar o ensino infantil. Vem apelando, aos órgãos governamentais, a implementação de uma educação infantil universal, a mesma prioridade dada aos demais graus de ensino.

Buscando conscientizar sobre os benefícios dessa educação e sobre os problemas que sua ausência acarreta, a Fundação Abrinq, pelos Direitos da Criança, passa a lançar uma campanha nacional, pela valorização da educação infantil.

Ampliar o acesso e receber atendimento de qualidade são preocupações que atingem crianças de zero a 6 anos. É na fase dos 3 anos que a criança começa aprender a aprender o mundo ao seu redor. 90% das conexões cerebrais se formam até os 3 anos, significando o desenvolvimento do pensamento simbólico, a memória, a racionalidade e controle dos impulsos mais primitivos.

Essas conexões não são resultantes apenas da genética, mas, também, da interação com o ambiente, com a família, com os educadores. Aos 6 ou 7 anos, a criança já passou por esse período, sumamente importante à sua formação.

Segundo dados do Inep, órgão do Ministério da Educação, atualmente, maio de 2007, 7,2 milhões de crianças de até 6 anos estão matriculadas em escolas particulares e públicas no País. Desse total, 5,2 milhões estão na educação infantil, que engloba a fase de 4 a 6 anos e deve começar a preparar a criança para a alfabetização. Isso significa, pelos dados do IBGE, que só 13% das crianças brasileiras têm acesso à creche. Na faixa de 4 a 6 anos, o índice fica em torno de 70%;

Os ganhos adquiridos pela criança, que freqüentou a pré-escola, vão garantir uma seqüência de estudos com mais facilidade, mais proveito. Estudos mostram a real influência da educação infantil no desempenho do aluno.

Uma pesquisa inédita, realizada em maio de 2007, feita pelo Ibemec São Paulo e pela Tendências Consultoria, mostra que esses alunos têm notas mais altas nos exames nacionais, maior probabilidade de concluir o ensino médio e entrar numa faculdade. A pesquisa revela que as pessoas, com idade entre 21 e 65 anos, que freqüentaram a pré-escola, têm maior escolaridade do que aquelas que começaram a estudar somente a partir da 1.ª série do ensino fundamental.

A freqüência à pré-escola permite um aumento de 4% na conclusão da 4.ª série, 18%, na 8.ª série, 23%, no ensino médio e 5%, na faculdade, totalizando 1,5 ano no estudo a mais do que quem ingressou na escola na 1.ª série. O impacto da creche, com alunos até 3 anos de idade, é maior na conclusão do nível superior, mas faz pouca diferença no nível profissional.

Essa pesquisa é inédita no sentido de revelar a renda maior que o ensino infantil gera. Quem fez o ensino infantil, ou começou a estudar entre os 4 e 6 anos de idade, tem, em média, renda 27% maior do que quem entrou, na escola, apenas aos 7 anos. A pesquisa consegue mostrar, numericamente, a importância e influência futura do ingresso no ensino infantil.

Comprovadamente, a pré-escola traz benefícios significativos às pessoas, quer sobre o crescimento intelectual, quer sobre o impacto do salário. Estes fatores são fortes indicadores da prioridade a ser dada ao ensino infantil, tornando-o universal.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2007)

A BIBLIOTECA

Izabel Sadalla Grispino *

A biblioteca é da comunidade o seu mestre-sala abrindo alas para a entrada do caminho do sol, descortinando um horizonte de estrelas. Ela é a sua fada-madrinha, presenteando a população com a mais cara jóia da humanidade, o livro. Nela moram os gênios da humanidade, os grandes das ciências, das artes, da filosofia, nela está armazenada a nata da intelectualidade mundial, as obras dos maiores artistas, dos maiores pensadores de todas as civilizações. Ela nos põe em contato com séculos de sabedoria e “só depende de você, de sua vontade de crescer como ser humano, na companhia deles”.

É a biblioteca quem fornece a matéria-prima da cultura, do reforço escolar, quem propicia e fortalece na criança e no jovem o hábito da imperiosa leitura, o hábito de ler. Ela é um recurso didático imprescindível ao ensino-aprendizagem. Com a adoção, pela escola, do método construtivista, coloca-se a pesquisa na vanguarda da metodologia.

A familiaridade com os livros deve acontecer desde a mais tenra idade. Várias são as estratégias utilizadas, lembrando a já consagrada “hora do conto”. Deve-se valer do imaginário mágico da criança e estimular a curiosidade, passar imagens, conceitos, como de que em cada livro há um tesouro escondido e que os mais valiosos tesouros do mundo estão guardados na biblioteca. Extrair das histórias o conteúdo moral, educacional, relacionando-o ao tesouro escondido.

Se quisermos formar leitores temos que nos valer de procedimentos que convirjam para esse fim. Montar uma biblioteca, com atrativos visuais, em local amplo, espaçoso, arejado, mantendo-o sempre limpo, com livros, revistas e jornais que atendam as diferentes faixas etárias, dispostos de maneira atraente, de fácil alcance e manuseio, de retirada facilitada, inclusive estimulada, porque o mais comum é dificultar, desestimulando o seu uso.

A biblioteca deve se constituir num ambiente acolhedor, convidativo, o usuário ou o aluno orientados, reiteradas vezes, para colaborar com a ordem, serem responsáveis, ajudando a manter o livro em bom estado de conservação. É indispensável uma pessoa treinada, encarregada da organização, da manutenção, do atendimento à população como um todo.

Frases estimuladoras, incentivadoras, slogans, devem ser espalhados em volta e dentro da biblioteca. No final do artigo, passo aos interessados, em meus versos, considerações e imagens sobre biblioteca, que podem ser colocados nas portas ou nas paredes da biblioteca, como estímulo e reflexão.

Sem a educação de nada adiantaria o avanço social; ele perderia sua base de sustentação, de conservação. São os livros que fortificam e dão forma à educação. Uma biblioteca pública coloca, em seu regaço hospitaleiro, também o menino pobre, estendendo-lhe as mãos, ajudando-o a desbravar sua inóspita floresta, fazendo-o alcançar a clareira e com ela encontrar o seu vale do sol.

Já se disse que “os livros constroem as grandes pátrias”. Os povos ignorantes abdicam de si nos outros e voltam-se à servidão e ao desaparecimento. A biblioteca, por seus livros, é a saída honrosa para se erguer o nosso Brasil, é a saída honrosa para fazer seu povo ascender, com dignidade e sabedoria, na escala social. Ela é o salvo-conduto para o mundo do conhecimento, mundo este encarregado de trazer a compreensão e a paz, de equilibrar o desnível social.

Quanto mais livros à disposição da população, mais a certeza de que ela saberá como achar seu tesouro escondido, como encontrar o verdadeiro caminho da felicidade.

 

BIBLIOTECA

Quanto encanto numa biblioteca!

Nos livros, quanta sabedoria!

As histórias da criança sapeca

Acordam do sono a alegoria!

Guardemos, pelo livro, respeito,

Tenhamos, por ele, o maior conceito!

Há vida intensa na biblioteca,

Nela moram o poeta e o escritor,

É da língua escrita a discoteca,

A ousadia do grande inventor!

O livro é um caminho de luz,

Como a Bíblia, ensina ver Jesus!

Biblioteca é desenvolvimento,

Sinônimo de educação,

Representa, ao homem, crescimento,

Força pra mente e pro coração!

O livro ensina a viver em paz,

Ele guarda as jóias que o mundo faz.

 

*Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em março/2001)

A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

A CONCESSÃO DE BOLSAS DE ESTUDO PARA O 3.º GRAU

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade do conhecimento, ao exigir uma educação de qualidade, está conduzindo os pais, com poder aquisitivo, a procurar a melhor escola para seus filhos., mesmo porque já se começa a questionar a qualidade de muitas escolas particulares. É uma busca criteriosa, ressaltando princípios, programas, metodologias, funcionamento, capazes de produzir uma aprendizagem atualizada, prática e eficaz.

AO JORNAL “A GAZETA”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “A Gazeta”, deste valioso instrumento de comunicação que Jaboticabal aprendeu a admirar pelo profissionalismo, venho, há vários meses, publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporciona-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade jaboticabalense, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Estou me propondo, entre outros, a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional do ensino vigente.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Já tive a oportunidade de passar alguns conceitos, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida, a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “A Gazeta” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e clareie a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Jaboticabal, já vem se tornando habitual, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “Primeira Página”, nas pessoas de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população.  O jornal “A Gazeta” cresce com Jaboticabal, coloca-se na vanguarda jornalística. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, que  vem se tornando marca consagrada. Pessoas que lutam por ideais salvaguardam a humanidade. Onde há uma vontade, há um caminho. Parabéns!

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Jaboticabal. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos.

A todos, meus versos sobre o Terceiro Milênio.

TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em dezembro/2000)

Caixa de texto: Clique para voltar ao sumário* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em dezembro/2000)

ALTERNATIVAS PARA O ENSINO PÚBLICO

Izabel Sadalla Grispino *

Escolas de cidades do interior, na busca da qualidade do ensino, começam a empregar metodologia e material didático de escola particular, na rede municipal, dotando-as de sistema didático do ensino privado. Em vez dos livros enviados pela Secretaria de Estado da Educação, essas escolas usam apostilas do sistema adotado.

Pela pesquisa, mais de 30 prefeituras paulistas, que municipalizaram o ensino fundamental, substituem os livros, comprados com os recursos do Ministério da Educação (MEC) pelas apostilas. O MEC envia às prefeituras, que administram a rede de ensino fundamental, livros didáticos e de literatura. São livros avaliados pelo Ministério e títulos escolhidos pelas próprias escolas. No Estado de São Paulo, especificamente, o MEC remete os recursos à Secretaria Estadual, que compra e envia o material.

Nas prefeituras conveniadas a sistema particular de educação as escolas recebem apenas os livros paradidáticos, servindo de apoio às apostilas.

As prefeituras, através de parcerias, firmam contratos com sistemas particulares de educação. Três sistemas da iniciativa privada vêm firmando convênio com as secretarias municipais: o sistema COC, o maior deles, o Positivo e o Objetivo. Além do material, esses sistemas montam o projeto de ensino, encarregam-se de capacitar os professores para o uso do material e fazem o acompanhamento pedagógico das escolas públicas. Os três sistemas fornecem as apostilas às escolas e esse material não passa por avaliações do MEC, nem da Secretaria Estadual da Educação, antes de chegar à sala de aula.

As prefeituras, para as parcerias com o sistema privado, pagam os serviços prestados com uma parcela do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (Fundef). Pela Lei 9.424, que instituiu o Fundef em 1998, 60% dos recursos são destinados à remuneração dos docentes. Os 40% restantes podem ser aplicados na construção, ampliação, reforma de escolas, capacitação de pessoal e compra de material.

Ao que tudo indica, os convênios das prefeituras com os sistemas privados de ensino vêm tendo uma repercussão positiva no conceito da população. Os alunos aprendem mais, os pais sentem-se reconfortados ao saber que o filho usa o mesmo material, recebe o mesmo ensino das boas escolas particulares. O ensino se mostra mais estruturado, mais qualificado e a auto-estima do aluno mais elevada. O método é mais dinâmico e professor e aluno devem se adaptar ao novo ritmo. O ensino médio continua a seguir a metodologia curricular do Estado. A inovação vem sendo processada apenas nos graus inferiores do ensino.

Contudo, o MEC vê esses convênios com alguma reserva. Sugere que se analisem bem as apostilas adotadas para se certificar da qualidade. Também contesta o fato de o treinamento, pelos sistemas, estar ligado ao uso de um material didático. "Preferia uma capacitação na qual os professores aprendessem a alfabetizar e não simplesmente sobre como usar o material”. “Hoje, os prefeitos podem contratar capacitação de universidades públicas que não relacionam seu trabalho com qualquer material específico”, diz o presidente do Conselho Estadual de Educação, Francisco José Carbonari.

A presidente da União dos Dirigentes Municipais, Vera Lúcia Hilst, alerta que o assédio às prefeituras que municipalizaram o ensino fundamental vem sendo constante por parte dos sistemas privados e aconselha: “Há coisas boas e outras nem tanto. Recomendamos que as prefeituras avaliem o conteúdo pedagógico do projeto e vejam se haverá ganhos qualitativos”.

Há prefeituras que rejeitam a parceria por entenderem que os sistemas particulares enfocam muito o trabalho do vestibular, e mais a área de exatas, e deixam a formação do educando mais de lado, como cidadania e educação para a vida. Mas, o que se constata, de um modo geral, é a validade desses convênios, com apurada melhoria da qualidade do ensino. Segundo resultado de pesquisas, eles conseguem elevar o nível técnico e profissional dos professores e obter um resultado mais qualificado do ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em dezembro/2002)

ALCA DO ENSINO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

Os avanços tecnológicos ocorrem de maneira vertiginosa. É praticamente impossível prever-se as próximas evoluções. Não se pode mais trabalhar isoladamente e a integração de forças, em busca do novo, do conhecimento atualizado é pensado e desejado indistintamente, não importa em que setor da atividade humana.

Cogita-se de que num futuro breve, 10 ou 15 anos, as universidades serão “uma só”, interligadas pela internet. Pode-se, por exemplo, estando no Brasil fazer um curso na Universidade do México ou de Portugal e, estando lá, fazer disciplinas aqui. Apoiado nessa visão, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, propôs a embaixadores da América Latina, de Portugal e da Espanha, durante um encontro realizado em junho de 2003, criar a “Alca do Ensino Superior”. Ele defende um projeto comum de universidade na América Latina.

O ministro lança a idéia de que, em vez de integração só por meio do comércio, os parceiros do Mercosul e da Alca desenvolvam meios para integrar as universidades. “Fala-se na Alca do comércio, mas não se fala da Alca do ensino superior”, frisou o ministro, e marcou um novo encontro, para discutir o assunto. O seu grande desejo é que se construa, ao lado do Mercosul da economia, a “Universidade Sul”, analisando ser mais fácil a criação dessa universidade que a unificação comercial, porque as contradições são menores.

Uma universidade em conjunto não tiraria as especificidades locais, só ampliaria a visão de mundo, daria amplitude ao conhecimento, aumentando possibilidades de aperfeiçoamento e intercâmbio cultura e profissional.

Hoje, estamos aqui, mas presos ao mundo, antenados numa rede mundial de conhecimento e acontecimento, que nos mostra que é preciso avançar, alargar as perspectivas, para se situar no mundo globalizado.

2004 bate à nossa porta. Que haja um pacto para a evolução do conhecimento científico, mas que 2004 consiga, também, um pacto para a cultura humanística. Só esta, abraçando a espiritualidade, educando a mente e a alma para o amor, poderá conseguir o que a ciência até hoje não conseguiu, reverter os caminhos sombrios da violência, da guerra, os caminhos mortíferos das drogas, aniquilando nossos jovens, anulando a revolução tecnológica, zerando a esperança de vida. A decadência do sentido moral na sociedade, acarretando perdas de valores, evidencia-se mais e mais, numa conseqüência desastrosa para a vida humana. Os lares brasileiros hospedam, hoje, o desassossego, a inquietação, o medo. Já diziam os antigos filósofos gregos: “A alma de toda cultura é a cultura da própria alma”. Cultura que faz chegar a Deus e modificar o interior do homem.

Na luz da alma, a paz universal; na luz do amor, a semente e a preservação da vida. Um feliz Ano Novo a todos vocês, prezados leitores, com votos de saúde, paz e prosperidade. Minhas reflexões, na poesia abaixo:

ANO  DE  2004

Fim de ano, balanço de atividades,
Para uns, 2003 foi auspicioso, um ano de realizações,
Para outros, transcorreu na normalidade,
E para outros, ainda, foi marcado de dor, de desolação,
Na minha família, aconteceu uma perda muito sentida,
Apagou-se a luz da vida de uma pessoa querida.

2004 inicia-se sem o Jorge, um amado irmão,
Inicia-se triste, por essa sua ausência,
Sua vida produtiva, porém, não foi em vão,
Deixou um legado de ensinamentos, de experiências,
Que englobamos em nossa caminhada,
E nos ajudam a transpor os percalços da jornada.

Neste raiar de ano, nos exaltamos e choramos,
Exaltamos, pedindo a Deus uma era de paz à humanidade,
Que haja mais amor entre os homens, suplicamos,
Que façam profissão de fé na luta pela desigualdade,
A luz do sol é farta, nasce para todos,
Por que não dividi-la, afastando caminhos rotos?

Choramos pela ausência dos nossos saudosos entes,
Só as lágrimas lavam a alma da dor,
A herança recebida engrossa a corrente,
A vida segue em frente, avança sem retrovisor,
Que 2004 injete a vacina da caridade,
Caminho por onde transita a felicidade.

A flor carrega, em suas pétalas coloridas,
O gérmen da semente que lhe deu origem,
Assim, o homem leva, dentro de si, por toda a vida,
Um pouco de sua infância, sua fase virgem;
Somos os grãos humanos reprodutores da existência,
Somente dentro de nós, a ética da vida, sua consciência!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2003)

O ATENDIMENTO À CRIANÇA AUTISTA

Izabel Sadalla Grispino *

A abrangência da problemática educacional é ampla em todos os aspectos, seja nos graus de ensino, nas ofertas de suas modalidades, das metodologias empregadas, atendendo ao perfil do aluno, às suas características socioeconômicas.

Hoje, a escola se volta para o atendimento plural, visando às diversas camadas sociais, e para o atendimento individual, procurando dar condições apropriadas ao desenvolvimento de cada aluno. Ela abriga, em seu recinto, o aluno de aproveitamento insuficiente, o de aproveitamento regular, o que está acima da média – o aluno de altas habilidades e os portadores de deficiência: visual, física, mental, tipo síndrome de Down.

A luta para se adequar ao ensino do aluno deficiente, para lhe dar meios adequados a um atendimento eficaz foi, pouco a pouco, ganhando consciências e vencendo preconceitos. A maior luta do momento é sobre a educação da criança autista: o desconhecimento do assunto, as velhas concepções que ainda permanecem arraigadas.

Embora o autismo seja um problema que vai além das fronteiras da escola regular, é importante os profissionais da educação inteirar-se dessa síndrome, cultivando, pelo seu conhecimento, clareiras, visando possibilidades de acolhimento a essas crianças.

É preciso quebrar barreiras. A escola ainda continua seletiva, pronta para ensinar apenas alunos acostumados ao mundo das letras e de alcance, pelo menos, médio. Minorias, como no caso do autismo, são praticamente esquecidas pelo governo e pela sociedade. Existe uma política para criança especial com Down ou paralisia cerebral, mas nada ou quase nada para os autistas. Faltam instituições com programa integrado de atividades que estimulem o seu desenvolvimento. Pais de crianças autistas se desesperam, porque não encontram unidades especializadas próprias que ofereçam atendimento gratuito e integral aos filhos. O médico neurologista detecta o transtorno, mas não tem para onde encaminhar mãe e filho.

O tratamento é muito importante para o desenvolvimento da criança autista. Quanto mais cedo for diagnosticado o problema e quanto mais cedo o tratamento, mais fácil ao portador da síndrome levar uma vida beirando à normalidade. Os autistas, diferentemente dos portadores da síndrome de Down, são freqüentemente confundidos com portadores de outros transtornos, como a esquizofrenia. São crianças com dificuldade de comunicação, de respostas aos estímulos, afastadas da realidade que as cerca. A maior parte das escolas, mesmo as particulares, recusa-se a receber a matrícula do autista.

O direito constitucional à educação é barrado tanto pelas escolas privadas, quanto pelas escolas públicas. Pouco se propaga a respeito. No Rio de Janeiro, ao que se sabe, há escolas públicas que oferecem turmas especiais, com apenas 50 minutos diários de atividades, o que é muito pouco. Até para os pais mais abonados, há poucos centros de reabilitação para autistas, e cobra altas mensalidades. Poucas pessoas reconhecem o autismo e muito poucas dão importância ao seu desenvolvimento, dedicando-se a atividades que possam melhorar a vida dessas crianças.

A medicina mostra que o diagnóstico tardio é danoso. Quanto mais cedo se detectar o autismo melhor, de preferência no 1.º ano de vida ou,  pelo menos, antes dos 3 anos, quando o tratamento produz resultados compensadores. A criança que começa a se tratar depois dos 5 anos tem um prognóstico diferente, aquelas que ainda não falam, nessa idade, de um modo geral, dificilmente desenvolverão a linguagem, atestam os neurologistas.

O importante é reconhecer o autista precocemente, porém, esse diagnóstico é dificultado pela pouca familiaridade dos pediatras com o assunto. Há uma recente pesquisa que chegou ao eletroencefalograma. Por meio deste, mediu-se a atividade cerebral dos pacientes, mediante um determinado estímulo luminoso. As respostas foram comparadas com os resultados de crianças normais da mesma faixa etária submetidas ao exame, que não têm a mesma reação. As crianças autistas apresentam uma atividade menor no hemisfério direito do cérebro, uma disfunção nesse hemisfério, responsável pelas emoções e convívio social.

O autista vê as pessoas fazendo as coisas, mas não atinam com os gestos, com a linguagem, não são capazes de reconhecer a entonação de uma frase. Como o cérebro das crianças, diz a ciência, tem uma facilidade de se recuperar, o diagnóstico precoce, seguido de tratamento, pode fazer que elas conquistem uma vida quase normal.

Há necessidade de um programa integrado, de atividades que estimulem o seu desenvolvimento, necessidade de uma equipe multidisciplinar, formada, entre outros, por psicólogo, fonoaudiólogo, de um expert em instrução programada, como em matemática o método de ensino Kumon, aulas de natação, atividades que levem à concentração, que exercite a memória, como jogos de computador.

Os especialistas na área citam algumas condições que podem estar ligadas ao autismo: ausência de desenvolvimento da linguagem; desinteresse por brinquedos e objetos; não olha nos olhos das pessoas; indiferença e pouca sociabilidade; ansiedade; hiperatividade e situações de agressividade repentina; faz movimentos repetidos com as mãos e pernas; descontrole ocasional das necessidades biológicas; transtornos de alimentação.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2005)

A FACE DO ATUAL MAGISTÉRIO PÚBLICO

Izabel Sadalla Grispino *

O magistério, que há décadas atrás ainda atraía profissionais oriundos da classe média, da classe média-alta, com esmerada formação, hoje é representado, na grande maioria, especialmente nas escolas da rede oficial, por professores da classe pobre, com enfraquecida formação. São filhos de pais de baixa escolaridade, pais que nunca foram à escola ou não completaram os quatro primeiros anos do ensino fundamental. Foi o que demonstrou o questionário socioeconômico do provão 2001.

O questionário demonstrou que os formandos dos cursos para professores, como pedagogia, letras, matemática, biologia, física e química, têm perfil distinto dos formandos de cursos como medicina, engenharia ou mesmo os de oferta mais comum, como direito e administração. Em pedagogia, 9,8% dos pais nunca freqüentaram escola, contrapondo-se à medicina, onde apenas 0,9% dos pais estão na mesma situação. Em pedagogia, 54,7% não completaram a 4.ª série do ensino fundamental, em medicina, apenas 10,7%.

A renda mensal das famílias, em cursos de formação de professores, também destoa da média dos demais. Em letras, por exemplo, 23,1% e matemática 24,4% vivem em família com renda inferior a R$ 540,00, sendo que a média de todos os cursos gira em torno de 10,9%. Em algumas carreiras mais concorridas, como odontologia, essa proporção é de, apenas, 2,2%.

O magistério, hoje, é, com raras exceções, freqüentado por profissionais que conseguiram chegar até ele, com dificuldades financeiras e com deficiência de formação. A baixa escolaridade dos pais, o ambiente de pobreza, de falta de recursos, de boas condições de vida, não propiciam o desenvolvimento intelectual ou a apropriação de um saber mais elaborado. Também, os estímulos são reduzidos. Pesquisas demonstraram, por exemplo, ser a evasão e a repetência marcadas por alunos pobres, com pais de baixa ou nenhuma escolaridade.

Sem boa estrutura social, sem boa estrutura educacional, dificilmente os estudantes conseguirão freqüentar uma universidade de nível, arrastam-se por universidades privadas e freqüentemente de baixa qualificação. As universidades públicas não formam muitos professores, mostram as estatísticas. De acordo com o Exame Nacional de Cursos, o provão, comprovadamente, a qualidade das universidades privadas é inferior às universidades públicas. Rose Neubauer, em entrevista feita em dezembro de 2001, afirmou que 90% dos professores fizeram universidades particulares.

A decadência do ensino público está muito sustentada por essas características, que levam a uma base precária de formação de seus profissionais. A escola pública, a continuar com essa face empobrecida, sem os devidos cuidados por parte dos governos, que, em seus discursos, a colocam como prioridade, mas que, na prática, usam a tática do “deixa rolar”, muito dificilmente se erguerá. Essa nova leva de docentes necessita de assistência técnica reforçada para poder exercer bem a profissão.

Desassistida, a escola não se torna uma entidade convidativa e corre o risco de ter quebra em seus quadros docentes, o que, aliás, já vem ocorrendo Dificilmente,  um professor será um desempregado, nos próximos anos. Haverá vagas, mas, a manter esta situação, faltará formação.

Abandonada pelos cofres públicos, a escola ostenta baixos salários e condições deficientes de ensino. Uma pesquisa, intitulada “Retrato da Escola”, feita pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), com base nos dados do MEC, revelou que há carências de recursos pedagógicos, graves ou menos graves, em 65,3% das escolas públicas do ensino médio. Nas escolas de 8.ª série, as carências são de 53,2% e nas escolas de 4.ª série, de 46,2%. A pesquisa revelou, também, que em 73,5% das escolas públicas de 4.ª série, em 85,1% das de 8.ª série e em 87,2% das de ensino médio, havia problemas de insuficiência de recursos financeiros.

A escola pública vem se marcando por defasagens cada vez mais acentuadas. Os seus professores, que, no passado, representavam a elite cultural do País, hoje, têm a mesma origem social de seus alunos. Essa característica os leva a conhecer, a entender melhor a realidade social de seu aluno, fator que pode aproximá-los, mas que pouco pode ajudá-los, em termos de ascensão social, em termos de qualificação profissional.

Louva-se, contudo, o esforço desses pais que, com muita luta, muita garra, conseguem dar condições de estudo aos filhos e louva-se, também, o esforço dos filhos, que com dificuldade sobem a rampa, olhando para o alto, para um mundo melhor. Faltam a esses pais, a esses filhos uma melhor assistência por parte dos governos e da sociedade como um todo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2002)

ALUNOS EM DESAJUSTE DE IDADE E SÉRIE

Izabel Sadalla Grispino *

Em 23 de maio de 2002, o Ministério da Educação (MEC) divulgou dados do Censo Escolar de 2001, onde demonstrou que uma parcela significativa de alunos está atrasada em relação à série ideal. Demonstrou um aumento do número de estudantes que concluem o ensino fundamental e médio com desajuste entre idade/série. A idade ideal para terminar a 8.ª série é 14 anos. Dos 35,3 milhões de alunos matriculados no ensino fundamental 22% têm mais de 14 anos, mas 31%, dos 2,6 milhões de alunos que chegaram ao fim do ensino fundamental em 2000, têm mais de 18 anos. A situação piora no ensino médio: dos 8,4 milhões de jovens matriculados, 54% têm mais de 17 anos e entre os concluintes, em 2000, 49% tinham mais de 20 anos.

O atraso escolar é um problema para a continuidade dos estudos. O aluno ou acaba evadindo-se da escola, abandonando os estudos, ou vai para o ensino supletivo. O crescimento de matrículas, na educação de jovens e adultos, é um indicador da passagem da escola regular para o ensino supletivo. O censo mostra outra parte das distorções quando registra 240,7 mil alunos com mais de 29 anos matriculados na 1.ª à 4.ª série. Esses alunos não deveriam estar freqüentando um curso como o ensino fundamental, mas recebendo um tratamento educacional mais adequado às suas condições.

O censo de 2000 registrou 3,4 milhões de estudantes, o censo de 2001, 3,8 milhões, com um aumento de 11%. Somando-se todos os níveis da educação básica, há mais de 54 milhões de alunos, em 2002, matriculados. Esses dados vêm demonstrar uma explosão de matrículas, uma ênfase na quantidade e não na qualidade.

O número de matrículas no ensino fundamental é bem maior do que a população de 7 a 14 anos, o que mostra o desencontro entre idade e série, ocasionando distúrbios na aprendizagem. São 26 milhões de crianças nessa faixa etária ante 35,3 milhões de matriculados. Essa distorção deve servir de alerta às autoridades da educação, na proposição da criação de modalidades de ensino que equacionem a situação.

Em contrapartida, há uma outra discrepância que deve ser revista: a maior parte dos alunos que fazem o supletivo tem entre 18 e 24 anos. Dos 3,8 milhões, 1,2 milhão estão nessa faixa etária. Mas, o censo mostrou que há crianças em idade para freqüentar a escola regular fazendo supletivo. São 79 mil alunos de até 14 anos matriculados nos supletivos e 530,7 mil de 15 a 17 anos.

O censo constatou, o que já se sabia, que a pobreza é um fator que influi na evasão e na repetência escolar. Comprova o número de ingressantes e concluintes do ensino fundamental. No Nordeste, região mais pobre do País, apenas 38% dos 2,3 milhões de alunos que ingressam na 1.ª série chegam ao fim do ensino fundamental. No Sudeste, região mais rica, 76% chegam ao fim do ensino fundamental.

Abriu-se vaga para todos nesse grau de ensino e a camada mais pobre da população começou a adentrar a sala de aula. Alunos que, provenientes de lares de renda mínima, de pais de baixa ou de nenhuma escolaridade, sem a freqüência à pré-escola, sem estimulação familiar aos estudos, vivendo num ambiente de pobreza financeira e cultural, se esbarram no caminho do aprender e acabam por desistir da escola.

A escola, por sua vez, atua com professores de precária formação, incapazes de uma metodologia que entre no mundo desmotivado desses alunos e os conduzam ao universo do saber. Embora o censo tenha demonstrado um aumento de professores, sobretudo na pré-escola, com curso superior completo – aumento de 40% -- ainda prevalecem os docentes com ensino médio completo: são 169,6 mil de um total de 248,6 mil. Em 2001, 61,3 mil professores de pré-escola tinham cursado uma faculdade.

A mesma situação repete-se com os professores das creches, em que prevalece a formação de nível médio. Dos 63 mil professores de creche, 68% têm diploma de 2.º grau. Na 1.ª à 4.ª série, nível em que 67% dos 809,2 mil professores têm magistério, houve um aumento de 47 mil professores lecionando com  diploma de grau superior.

O aumento de professores cursando o ensino superior é, sem dúvida, fator positivo, a redução de professores leigos, que não concluíram o ensino médio – a qualificação mínima para se dar aulas – foi significativa, de mais de 50%, mas não o suficiente para se reverter a situação da má qualidade do ensino. Em 1998, havia 95 mil docentes leigos, ante 46 mil constatados em 2001.

Duas grandes lições podemos tirar do censo 2001. A necessidade de se programar ações efetivas para a aprendizagem de jovens e adultos, colocando-os frente a uma metodologia que dê conta dessa faixa etária, considerando seus perfis, seus ritmos, e a de investir-se na formação dos professores, criando condições a uma formação continuada e em serviço.

Assistir a pobreza, criar boas condições de trabalho, diminuir o número de alunos por classe, cuidar melhor da escola, são combinações que trarão melhorias na qualidade de ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.           
(Publicado em novembro/2002)

* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em novembro/2002)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

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A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

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Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

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