Payday loans uk
  1. Skip to Menu
  2. Skip to Content
  3. Skip to Footer>

Artigos Educacionais

  • Previous
  • Next
  • Stop
  • Play

APOSENTADO, SER À MARGEM DA SOCIEDADE

Izabel Sadalla Grispino *

A grande proposta do momento, tanto da esfera federal quanto da estadual, é a escola trabalhar com metas, acompanhando e controlando os resultados. Metas e resultados não são procedimentos usuais nas escolas públicas e o propósito é alcançar a qualidade de ensino.

Apoiando-se no esforço gerencial, pretende-se estimular o desempenho dos professores. As melhorias obtidas, no processo de metas do governo do Estado de São Paulo, reverter-se-ão em bônus aos professores. São bonificações por desempenho, continuando, desde a era Mário Covas, a política de bonificação e não de reajuste salarial.

O bônus, além de não se incorporar ao salário, não é extensivo ao aposentado. Não vivemos mais a Pátria de todos, da igualdade, da fraternidade. Vivemos a Pátria dos privilegiados. A Pátria que renega, que deixa no ostracismo os filhos do passado, os filhos que por ela lutaram, que a dignificaram, a sustentaram e possibilitaram a construção do dia de hoje.

Insensatos, governantes, imbuídos de poder, deixam, anos a fio, o aposentado ao relento, com seu salário, a cada ano mais defasado, perante o aumento do custo de vida. Tudo é conduzido sem alma, na mais pura objetividade. Não se alimenta, o ambiente escolar, do sentimento de patriotismo, de valorização dos combatentes do passado. Hoje, esse combatente, se perdeu as forças, joga-se fora, como um retirante sem glórias.

Esse é o exemplo que se passa aos jovens, à sociedade. Passa-se uma visão negativa do idoso, considerado um encosto, necessitando de amparo familiar e institucional. Abandonado pela cúpula governamental, o aposentado é tratado em m´9iseros sentimentos cívicos, deixado no ostracismo, apoiando-se na bengala da misericórdia.

A bonificação é injusta, parcial e provoca rivalidade, porque os professores da ativa, sufocados pelas  premências, volta às costas ao aposentado e procura agarrar o seu. Com esse procedimento, eles não atinam que estão cavando a própria cova, porque eles serão no futuro os debilitados aposentados de hoje. Educa-se bem mais pelo exemplo que pela palavra, já nos ensinava Rui Barbosa e eu me pergunto: como a escola vai educar as crianças, os jovens, para o respeito, para a valorização da força produtiva do passado e que ergueu o arcabouço do mundo atual? A imagem que se passa é de que só tem valor quem faz hoje, quem fez, joga-se fora.

Como conseguir que os jovens busquem na cultura dos anciãos sabedoria e aprendizagem? Eles são vistos como ultrapassados, marginalizados e, como tal, só podem postular o recolhimento e o abandono. O aposentado, pessoa de alma e de mente calosas, é pedra que atrapalha e que precisa ser retirada do cominho. Por isso, deixam-no à mingua, à própria sorte.

Belos discursos políticos, triste e dolorosa prática política! O aposentado é o réu de toda essa negra engrenagem, perniciosa política demagógica.

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em setembro/2007)

CONTROVÉRSIAS QUANTO AO USO DO COMPUTADOR

Izabel Sadalla Grispino *

Aprender a viver na sociedade hoje é aprender a compreender a necessidade de uma educação de qualidade. A boa escola leva o jovem a recuperar a confiança na estrutura educacional. Essa escola sabe, pedagogicamente, como lutar pelas dificuldades de aprendizagem dos alunos e como fazê-los galgar os degraus do saber. Coloca como prioridade o desafio da qualidade de ensino e acompanha as mudanças requeridas por um mundo em acelerada mutação.

O aluno, nessa escola, passa a confiar mais no futuro, nas suas possibilidade de realização. Essa escola sabe que o crescimento econômico do País é indispensável ao seu desenvolvimento, mas sabe que desenvolvimento com distribuição de renda tem seu maior peso na educação.

A boa escola tem que definir sua linha pedagógica e a época se caracteriza por uma gama considerável dela e muito voltada ao uso do computador. Utiliza precocemente o uso da informática alegando exigência da época, adaptação à sociedade.

Curiosamente, contrária ao uso do computador por crianças, há uma linha que vem sendo considerada, discutida, e recebendo adeptos. Essa pedagogia combate o uso da tecnologia na rotina das crianças, como se faz comumente nas grandes escolas. O prof. Valdemar Setzer, da Universidade de São Paulo (USP), titular do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística, preconiza que o computador seja utilizado somente a partir dos 17 anos de idade: “Deixe as crianças serem infantis, não lhes permita o acesso à TV, joguinhos eletrônicos e computadores”.

No seu artigo “Contra o uso de computadores por crianças e jovens” relata conclusões a que chegou, como “ser o pensamento abstrato, forçado pelo computador, prejudicial aos menores de 16 ou 17 anos. Força-os ao uso de uma linguagem e um tipo de pensamento totalmente inadequado a essa faixa etária. Eles ainda não possuem uma maturidade intelectual adequada”.

Essa metodologia é compartilhada pelas escolas que abraçam a pedagogia Waldorf, introduzida pelo austríaco Rudolf Steiner, em 1919, na Alemanha. A base é deixar que a criança brinque por si, com o mínimo de estímulo externo. A escola programa-se para que não haja interferência no desenvolvimento, com a criança criando recursos próprios. Limites, contudo, são colocados suavemente pelo professor.

A criança na pedagogia Waldorf está sempre ativa. Os dias são preenchidos com atividades artísticas e artesanais. Brincam com bonecas confeccionadas por elas, sobem em árvores plantadas na escola, ouvem, em roda, histórias, contos do folclore, fazem teatro de marionetes, com cirandas e poesias.

A escola considera que os brinquedos manufaturados limitam a fantasia. Não adere à tendência, de hoje, de deixar a criança passiva diante da TV ou do computador. Prima pela individualidade de cada um, fazendo a criança desabrochar no seu potencial. Quanto ao computador, é contra ao seu uso precoce, por exigir muita concentração e mesmo abstração, num período em que a criança e o jovem não estão bem desenvolvidos intelectualmente e, conforme já está comprovado, a aceleração da intelectualidade é altamente prejudicial à criança e ao adolescente.

O prof. Setzer diz “não existir pesquisa científica que mostre os benefícios do uso do computador como ferramenta didática ou de lazer na infância. Você pensa que usa o computador, mas freqüentemente é ele quem usa você. Em qualquer uso, o computador força um raciocínio matemático restrito, lógico-simbólico e o jovem tem de ter uma maturidade muito grande para se controlar”. Para comprovar sua tese, diz não ter deixado seus 4 filhos terem acesso a computadores na infância. Hoje, um deles, de 32 anos, é diretor da Oracle, um dos principais fabricantes de software do mundo.

Além de acelerar a intelectualidade, o computador não dá margem à interação e a escola deve priorizar atividades em conjunto. Aprender sozinho limita o indivíduo, não o ajuda na socialização, na troca. O computador é um instrumento mecânico de aprendizagem, afasta o elemento humano, indispensável na educação. O trabalho coletivo traz maior prazer, um brincar mais produtivo, mais criativo. O contato com o humano faz a criança tornar-se mais tranqüila. A TV é igualmente barrada nessa pedagogia.

Além das escolas que adotam o método Waldorf, onde as crianças se desenvolvem em atividades naturais, outras vêm aderindo, senão total, mas parcialmente, às orientações de preencher os espaços da criança em atividades que as afastem do computador e da TV. Escolas particulares programam atividades para receber alunos no período de férias, em janeiro. Atividades como pintura, plantação, cavalgadas, culinária e até relaxamento para crianças de zero a 7 anos. Há preparação de horta para plantar cenouras, rabanetes, confecção de fantasias e banhos de boneca.

Quanto ao processo de afastar a criança e o jovem do uso do computador, surgem grandes celeumas entre os educadores. Atualmente, a grande maioria das escolas coloca crianças de 3 anos diante do computador. Adota desde cedo o seu uso atraindo clientela com esse sistema. As crianças, desde o jardim, vão se familiarizando com as máquinas e seu uso se prolonga no ensino fundamental, com aulas formais de informática.

A filosofia dominante dessas escolas é o ajuste da educação à sociedade reinante. Acreditam que se ficar fora da informática estarão prejudicando a juventude atual, deixando-a fora de seu tempo.

Qual o melhor caminho a seguir? Barrar totalmente a tecnologia à criança e ao jovem até a idade proposta por Setzer ou introduzi-los cedo ao seu uso? Setzer não está contra o uso do computador, mas eliminando o seu uso precoce, em obediência às fases do desenvolvimento cognitivo da criança e do jovem e utilizando-o no momento certo.

A informática é a coqueluche do momento, uma forte alavanca do futuro. Quanto ao seu uso precoce, exigindo, de acordo com especialistas, uma maturidade intelectual que a criança não tem, não haveria necessidade de mais estudo, mais observação, para uma mais ajustada conclusão? Até lá, não seria viável a adoção de um meio termo, de uma adequação aos níveis de abstração, uma graduação no raciocínio formal, hipotético-dedutivo?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2005)

A ESCOLA FRENTE AO “EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO” (ENEM)

Izabel Sadalla Grispino *

Para dar boas respostas ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a escola precisa aprender a desenvolver nos alunos habilidades e competências, no seu processo de ensino-aprendizagem. Aprender a colocar a formação acima da informação, fazer do aluno um cidadão participante consciente. Desenvolver-lhe a capacidade de raciocinar, de interpretar, de interferir na realidade, de resolver os problemas do dia-a-dia.

O aluno, ao construir o próprio conhecimento, ao partir da observação, da manipulação, da pesquisa, da análise, vai vivenciar o conceito ao invés de recebê-lo pronto. Vai internalizar, chegando com mais profundidade ao conhecimento.

A escola deve realizar um currículo com conteúdos contextualizados, próximos da realidade do aluno, e trabalhados de maneira indisciplinar, em conteúdos interligados. Deve ter presente que o objetivo do Enem é medir habilidades e não conteúdo, é processar uma avaliação interdisciplinar.

A título de informação, o Enem do ano passado foi interdisciplinar, apoiou-se em interpretações de textos, aferiu mais compreensão que conhecimento específico. O exame exigiu conhecimentos usados no cotidiano. Não exigiu do candidato muitas contas, mas que ele fosse capaz de aplicar o raciocínio. Não pediu fórmulas. Trouxe questões do dia-a-dia que estão nos jornais: analfabetismo, clonagem, vacinação, cadeia alimentar, ecologia e reciclagem de materiais foram as bases das questões de biologia. A redação teve como tema: “Cidadania e participação social” (o engajamento e a participação social do jovem.

Quanto à inscrição dos candidatos, orientá-los de que a mesma deve ser feita em qualquer agência dos Correios, munidos de um documento original de identidade, com foto. Ele preencherá uma ficha de inscrição no próprio local e pagará uma taxa estipulada, no momento, pelo MEC (com exceção dos alunos carentes). A inscrição pode ser feita em uma cidade e a prova em outra, bastando indicar, no formulário, o código do município desejado. Pode ser feita, também, via procuração.

De acordo com Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), o Enem avalia cinco competências e 21 habilidades gerais desenvolvidas pelo aluno ao longo da Educação Básica. Cada habilidade é medida por meio de três questões e a nota da prova objetiva, numa escala de 0 a 100, é atribuída a partir da avaliação de cada uma das cinco competências, que são as seguintes:

-- Domínio de linguagens: demonstrar domínio básico da norma culta da Língua Portuguesa e das diferentes linguagens.

-- Compreensão de fenômenos: construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.

-- Enfrentamento de situações-problema: selecionar, organizar, relacionar e interpretar dados e informações para enfrentar situações-problema com vista a tomadas de decisão.

-- Construção de argumentações: organizar informações e conhecimentos disponíveis em situações concretas para desenvolver argumentações consistentes.

-- Elaboração de propostas de intervenção na realidade: recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas criativas, considerando a diversidade sociocultural como inerente à condição humana no tempo e no espaço.

Com esta propositura, o Enem afasta a decoreba, derruba o hábito da cola de que tanto a escola se ressente. Reforça a interdisciplinaridade e a contextualização. Esses dois conceitos, no ensino médio, levarão à confecção de livros didáticos orientados mais para a história do contexto, remetendo ao uso de jornais e revistas no dia-a-dia do ensino. “Dificilmente, um livro poderá ser destinado a uma série específica, porque os conteúdos estarão muito relacionados. A liberdade de a escola dividir os 3 anos do curso, em séries ou módulos, impedirá a edição de livros para cada uma das séries, como ocorre hoje. A tendência é que as editoras ofereçam livros para o ensino médio, nos quais estarão os conceitos básicos, que serão tratados em sala de aula de forma diferentemente, de acordo com o nível escolar”, esclarece Ruy Berger, secretário da Educação Média e Tecnológica do MEC.

O “Exame Nacional do Ensino Médio” (Enem) é  uma   indicação  de como será o processo educacional nos próximos anos. Ele segue a atual tendência de ensinar os alunos como usar todas as informações aprendidas no dia-a-dia, na interpretação de informações e na situação de problemas.

Os modelos educacionais vêm sofrendo mudanças. As escolas mudam o foco do ensino, que dava ênfase à memória para contemplar a autonomia dos alunos na aprendizagem, dar-lhes uma maior compreensão de seu cotidiano, fazê-los capazes de tomar decisões e tornar-se mais aptos ao convívio social. Essas são, hoje, as principais tendências do ensino que deverão consolidar-se na próxima década.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

MESTRADOS E DOUTORADOS, POR ESCOLAS ESTRANGEIRAS

Izabel Sadalla Grispino *

É preciso alertar os pós-graduados, de cursos a distância de escolas estrangeiras, sobre um sério problema que vem ocorrendo. Mestres e doutores brasileiros formados por universidades estrangeiras, professores que fizeram cursos a distância ou semipresenciais por instituições da Espanha, França, Portugal, Argentina, Estados Unidos e outros, estão tendo dificuldade em validar os seus títulos.

Uma grande parte dos cursos funcionou entre a metade dos anos 90 e o início da década e, muitos, em parceria com universidades brasileiras. Pelos dados do Ministério da Educação, de 800 diplomas analisados, somente no ano de 2003, apenas um teve seu valor reconhecido, o que vem demonstrar que os cursos não eram de boa qualidade. “Esses alunos perderam tempo e dinheiro”, disse o diretor de Avaliação de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes), Isaac Roitman. O nó da questão está na “propaganda enganosa”, reitera Carlos Roberto Jamil Cury, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes), órgão do ministério encarregado da pós-graduação.

Jamil Cury esclareceu que as instituições nacionais ou estrangeiras não são proibidas de oferecer os chamados cursos livres, lato sensu, em que os estudantes recebem diploma apenas como valor de mercado. É o caso dos cursos das MBAs, não só aceitos como disputados no meio empresarial. Contudo, o MEC constatou a existência de 147 instituições estrangeiras que, como faculdades, associações ou empresas brasileiras, estão enganando os alunos, ao anunciar que seus cursos já são ou serão reconhecidos. Só depois de concluídos é que os estudantes descobrem que o diploma não é aceito para fins de concursos públicos, progressão na carreira acadêmica, obtenção de bolsas ou continuidade dos estudos no Brasil.

Em 2001, o Conselho Nacional de Educação (CNE) proibiu, por meio de uma resolução, que as instituições estrangeiras abrissem novas matrículas e que continuassem a atuar no Brasil. Contam-se, atualmente, com 9 mil formados. Depois de 1995, o Brasil viveu um boom de oferta de cursos de universidades estrangeiras, com seu foco em mestrado e doutorado. O Conselho Nacional de Educação, após ter emitido a resolução em 2001, deu um prazo a essas instituições para que remetessem ao MEC os nomes de todos os 9 mil alunos que já haviam concluído a pós ou que ainda estavam se formando.

Esses formandos enfrentam dificuldades na revalidação dos cursos. Pela legislação brasileira, qualquer cidadão que obtenha um diploma de universidade estrangeira, seja num curso a distância feito daqui ou presencial, realizado no país de origem, precisa revalidá-lo no Brasil. A revalidação é feita por uma universidade brasileira, geralmente pública, após uma análise do conteúdo do curso.

Cerca de mil “mestres” e “doutores” apresentaram a documentação. Com base nessa documentação, que inclui a dissertação ou tese elaborada no curso irregular, é que a universidade credenciada e sob a intermediação da Capes, decidirá se valida o diploma. Jamil Cury aconselha os estudantes a acessar a página www.capes.gov.br para verificar a lista de instituições que oferecem mestrados e doutorados reconhecidos pelo MEC.

No ensino superior, ao lado dessa atitude enganosa, fato vexatório, surge uma notícia auspiciosa: o aproveitamento de vagas ociosas, nas instituições de ensino superior oficial, para alunos de faculdades particulares. Alunos inadimplentes em faculdades particulares poderão migrar para universidades públicas sem perder o curso, ou seja, o investimento nos anos de estudo. Nas transferências faz-se um aproveitamento curricular. Os alunos passarão por um exame de conteúdo das disciplinas correspondentes aos anos anteriores ao da vaga que disputam. Passarão por provas objetivas, discursivas e específicas. Se aprovados, os anos de estudo serão validados e eles prosseguirão normalmente o curso.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), do MEC, em média, para cada 100 alunos matriculados nas universidades públicas, apenas 64 saem com o diploma. Entre as causas da evasão estão a necessidade de o aluno trabalhar para ajudar no orçamento da família e a questão da vocação.

Professores e alunos devem se ilustrar, tomar conhecimento das inovações, dos fatos que ocorrem na área educacional, para não ocorrer em prejuízo ou para não deixar de se beneficiar com as oportunidades que se apresentam.

Para maiores informações, pela internet, acessar a página www.nc.ufpr.br.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2004)

UM ENFOQUE DA EDUCAÇÃO DE RIBEIRÃO PRETO NO PERCURSO DE SEUS 150 ANOS

Izabel Sadalla Grispino *

A escola pública em Ribeirão Preto teve em seus primórdios, como em todo o País, um início lento, desarticulado. Contudo, no início do século XX, surgiam escolas estaduais, como a E.E. Dr. Guimarães Júnior, em 1905, e, em 1907, a conceituada E.E. Otoniel Motta, seguida da E.E. Dr. Fábio Barreto. Essas escolas, desde o seu início, primavam por uma educação de qualidade. Otoniel Motta foi celeiro de professores de alta categoria.

Escolas particulares, renomadas até hoje, complementavam a educação dos jovens da época, como o Instituto Santa Úrsula, Nossa Senhora Auxiliadora, Metodista, Marista e outras.

Todas adotavam um ensino baseado na linha cartesiana, que ostentava bandeiras com lemas da elitizada escola da disciplina, austeridade, honra e excelência. Eram escolas que respondiam favoravelmente à sua clientela, seleta, oriunda de classes abastadas, dominantes, que aspiravam ao ingresso nas universidades, quer do País, quer da Europa.

Até a década de 70, Ribeirão irradiava conhecimento, era modelo de ensino público para toda a região, uma ilha de excelência. Depois, gradativamente, essa educação pública de qualidade foi cedendo lugar a uma educação ineficiente, Hoje, Ribeirão se faz representar, em termos de boa educação, por escolas particulares, tendo algumas, as mais consagradas, angariado o posto da vanguarda do saber, exercido no passado, pelas escolas públicas.

Atualmente, seguindo a tendência nacional, Ribeirão apresenta um ensino de dois níveis: um bom ou muito bom, destinado aos ricos, e um bastante sofrível, destinado aos pobres, jogando na sociedade uma leva de analfabetos funcionais. Precisa, como todo País, investir em uma educação com eqüidade social.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em junho/2006)

ANALFABETISMO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

São vários os aspectos a serem enfocados sobre o analfabetismo no País, em crianças na faixa de 10 anos. Ressaltaremos alguns. Segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadas em 29 de novembro de 2002, 11,4% da população infantil são analfabetos. As cidades de médio porte levam grande desvantagem no quesito educação. São 383 mil crianças, dos sexos masculino e feminino, de 10 anos, a maioria de municípios de médio porte.

Considera-se um dos melhores indicadores para medir o nível educacional a taxa de analfabetismo das crianças de 10 anos. O índice varia de 5,4% nas grandes cidades, percentual considerado aceitável pelas Nações Unidas, até 18,7% nas cidades que têm entre 20 mil e 50 mil habitantes. O IBGE demonstrou que os municípios pequenos têm taxas de alfabetização infantil melhores que os médios, porque as prefeituras conseguem controlar com mais facilidade seus moradores. As baixíssimas taxas de analfabetismo no Sul contribuem, segundo o IBGE, para diminuir a média nacional.

O analfabetismo infantil varia de taxas altas, como 33% em Alagoas, para baixíssimos, como 1,7% em Santa Catarina. Em nível de escolaridade, a média vai de 8,1 anos de estudos em Brasília, a apenas 1,8 ano nas cidades de até 5 mil habitantes no Piauí. Há diferença entre municípios de um mesmo Estado, como no Maranhão, onde na capital a média de escolaridade é de 7,5 anos de estudos e nas cidades com até 5 mil habitantes cai para apenas 2 anos de estudos.

Em termos de analfabetismo infantil, temos ainda muito que avançar, que quebrar barreiras. O analfabetismo condena milhares de pessoas a uma vida sem perspectivas, vivendo miseravelmente.

Além do analfabetismo, temos ainda que considerar a má qualidade do ensino. O exame do Ministério da Educação, o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), não mostra melhora significativa no desempenho médio dos alunos desde 1991, e piorou nos dois últimos anos. O Saeb mostrou que os alunos de 8.ª série dominam, na média, os conteúdos esperados dos da 4.ª série, e os da 4.ª série mal sabem decodificar as palavras que lêem.

Um teste aplicado pela Fundação Carlos Chagas em escolas de 52 municípios de 25 Estados demonstrou que os conhecimentos dos professores são próximos dos esperados dos alunos da 4.ª série.

Uma pesquisa que nos coloca na realidade brutal do nosso processo educacional é a intitulada “A Escola vista por dentro”, feita pelo ex-secretário do Ministério da Educação, João Batista Araújo e Oliveira, e pelo ex-presidente do IBGE, Simon Schwartzman. Estes autores sintetizaram, pelas respostas dadas a um questionário, o que é considerado “normal” entre professores, escolas e sistemas de ensino. Para os que não tomaram conhecimento da pesquisa, vale a pena conferir: “É normal não cumprir o ano letivo; é normal perder de 30 a 40% dos alunos sem que eles adquiram os conhecimentos para prosseguir os estudos; é normal enturmar alunos em classes onde eles não conseguem acompanhar o conteúdo e os ritmos dos trabalhos; é normal passar dever de casa que necessita de ajuda dos pais, mesmo sabendo que eles não podem ajudar; é normal começar o ano letivo sem professores designados para as turmas; é normal destacar professores sem habilitação para lecionar e sem conhecimentos elementares de português ou matemática; é normal operar escolas sem coordenação pedagógica, sem bibliotecas; é normal culpar os alunos e pais pelo fracasso dos filhos”.

O Brasil vem perdendo conceito geral e o trágico desempenho das escolas públicas ameaça o futuro do País, afirmam os especialistas. Não é redundante relembrar o vexame sofrido em 2000, quando os estudantes brasileiros, entre alunos de 15 anos de 32 países, ficaram em último lugar em capacidade de ler e escrever, na avaliação feita pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. O exame foi supervisionado por uma técnica brasileira, que observou que muito dos alunos brasileiros nem sequer conseguiam ler as perguntas.

Diante do quadro exposto, como promover justiça social dentro de tanta desigualdade educacional? Soluções para as deficiências das escolas não são simples e nem rápidas. Educação boa é cara, é preciso real investimento, acompanhado de real mobilização da vontade política. Melhorar o ensino público é ponto capital para promover a justiça social. A má qualidade de ensino atinge gerações de jovens, leva-os a uma vida de apagado horizonte.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em janeiro/2003)

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS DO ENSINO INFANTIL

Izabel  Sadalla  Grispino *

Acompanhando a implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o Ministério da Educação (MEC), com o objetivo de assessorar as escolas, elaborou referenciais para um ensino de qualidade da educação básica: os “Parâmetros Curriculares Nacionais”.

Os Parâmetros não têm caráter obrigatório e servem de orientação às escolas públicas e particulares. A liberdade dada à escola, na formulação do currículo, traduz, ao lado da conquista de uma mais ampla autonomia, uma responsabilidade maior do desempenho do professor. Os Parâmetros, assessorando a competência profissional, vão contribuir para a elaboração de currículos de melhor nível, mais ajustados à realidade do ensino. Eles dão sugestões de currículos, abordam conteúdos atualizados e diversificados, métodos de ensino renovados. A finalidade é melhorar a qualidade do ensino, trabalhar a educação plena e promover práticas pedagógicas que venham garantir a permanência dos alunos na escola, reduzindo as taxas de evasão e repetência.

Os “Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Infantil” propõem critérios curriculares para o aprendizado em creche e pré-escola. Buscam a uniformização da qualidade desse atendimento. Os parâmetros indicam as capacidades a serem desenvolvidas pelas crianças, de ordem física, cognitiva, ética, estética, afetiva, de relação interpessoal, de inserção social e fornecem os campos de ação. Nesses campos são especificados o conhecimento de si e do outro, o brincar, o movimento, a língua oral e escrita, a matemática, as artes visuais, a música e o conhecimento do mundo, ressaltando a construção da cidadania.

A base do parâmetro é transformar o contato das crianças com os educadores em relações de aprendizado. “Nessa relação, é possível desenvolver capacidades motoras, afetivas e de relacionamento social”. Uma outra concepção é o desenvolvimento da autonomia, considerando, no processo da aprendizagem, que a criança tem interesses e desejos próprios e que é um ser capaz de interferir no meio em que vive. Os Parâmetros abordam questões como relação entre cuidar e educar, conteúdos, necessários a essa faixa etária, e  a  função  de  brincar no processo educativo.

O ministro da Educação, ao se referir aos Parâmetros Curriculares do Ensino Fundamental, ponderou: “Passamos a oferecer a perspectiva de que as creches passem a ter um conteúdo educacional e deixem de ser meros depósitos de crianças. Em todo o mundo está havendo a preocupação de desenvolver a criança desde o seu nascimento”.

Dados de 1998, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  apenas 25% da população de zero a 6 anos freqüentam creche ou pré-escola. São 5,5 milhões de crianças de um total de 21,3 milhões.

A educação infantil é definida na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) como parte da educação básica, mas não da educação obrigatória. A lei define, também, nas disposições transitórias, a passagem das creches para o sistema educacional. O Ministério da Educação (MEC) determinou que, a partir de janeiro de 1999, todas as creches do País deveriam estar credenciadas nos sistemas educacionais.

Conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, cabe aos sistemas municipais a responsabilidade maior por esse atendimento. A Constituição da República diz que “A educação é direito de todos e dever do Estado”. A emenda constitucional n.° 14/96 alterou dispositivos relativos à educação e estabeleceu que a educação infantil é atribuição prioritária dos municípios.

Dois entraves à implementação dos Parâmetros são colocados: no aspecto pedagógico, a formação do professor, e, no aspecto financeiro, a situação dos municípios, alegada, como precária, pelos prefeitos.

Existem no País, segundo dados de 1997 do MEC, 219,5 mil professores de pré-escola. Desses, 16,1 mil não têm o 1.° grau completo. Por lei, os municípios devem reservar 10% de sua arrecadação de impostos para o atendimento de creches e pré-escolas, todavia, essa porcentagem é questionada pelos municípios, que dizem ser ela absolutamente irrelevante à manutenção desse atendimento, quanto mais de sua expansão.

Contudo, espera-se que, com o despertar de consciência sobre a importância da educação infantil na vida do cidadão, os dirigentes municipais, estaduais e federais venham a se compatibilizar e a encontrar soluções, a fim de priorizar, igualmente, esse ensino na educação básica, trazendo igualdade de oportunidade à população de baixa renda, visto que as crianças de maior poder aquisitivo já são atendidas pelo setor privado.

A educação infantil tem-se revelado primordial para uma aprendizagem efetiva. Ela sociabiliza, desenvolve habilidades, melhora o desempenho escolar futuro, propiciando à criança resultados superiores ao chegar ao ensino fundamental. A educação infantil é o verdadeiro alicerce da aprendizagem, aquela que deixa a criança pronta para aprender.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2000)

MATÉRIAS HUMANÍSTICAS PARA O ENSINO MÉDIO

Izabel Sadalla Grispino *

O currículo do ensino médio passa por reformulação. Em novembro de 2002, a Secretaria da Educação estipulou um acréscimo na grade curricular do 2.º e do 3.º ano, das escolas da rede pública estadual, incluindo as disciplinas: filosofia, sociologia e psicologia. As escolas incluirão pelo menos uma dessas três disciplinas. A decisão sobre as matérias a acrescentar cabe à própria escola.

O aumento do número de disciplinas, de 9 para 12, não é, contudo, acompanhado do aumento da carga horária, que continuará sendo de 5 horas no período diurno e 4 horas no noturno. As escolas passarão a ter menos aulas das disciplinas tradicionais, como língua portuguesa, matemática, história, geografia ou inglês.

A inclusão das novas disciplinas contempla uma reivindicação da classe do magistério, que defende o enriquecimento do currículo, em matérias que ajudam a formar consciência de cidadania e a desenvolver  criticidade. Louva a inclusão, mas lamenta a diminuição da carga de outras disciplinas. Esperava que ela fosse acompanhada de uma hora a mais na carga diária. Considera as matérias filosofia, sociologia e psicologia importantes para a formação integral dos alunos, mas não concorda com a proposta de diminuir a carga das outras disciplinas. Entende que essa redução vai afetar o montante da aprendizagem. Sugere a volta da grade curricular de 1997, quando os alunos tinham 6 aulas de 50 minutos no diurno e 5 no noturno.

O secretário de Estado da Educação, Gabriel Chalita, contra-argumenta, dizendo que a redução no número de aulas das outras disciplinas, de 5 para 4, é muito pequena e em nada interferirá na qualidade do ensino.

A Secretaria ainda define uma cota mínima de horas-aula para 2003 das matérias tradicionais, um valor que seja suficiente para não prejudicar os alunos, diz ela. Para o Ministério da Educação, a mudança não vai atrapalhar as outras matérias, podendo, inclusive, ajudar na compreensão geral. “Os alunos poderão melhorar o seu desempenho em outras matérias porque passarão a ter uma compreensão melhor dos assuntos”, diz a diretora do Ensino Médio, Maria Beatriz Gomes da Silva.

As escolas, pela legislação, têm autonomia para definir como incluir novas disciplinas. A lei exige, apenas, que sejam dadas no mínimo 800 horas anuais e 200 dias letivos.

A concepção atual de currículo é formulá-lo, não por disciplinas estanques, mas englobadas, atadas em áreas de conhecimento, favorecendo o método interdisciplinar. Para abraçar a reforma, precisam-se derrubar as paredes do individualismo das escolas. Formar uma comunidade de professores que discuta o entrelaçamento de suas disciplinas, evitando a compartimentalização. Hoje, a idéia é do profissionalismo interativo, o de atuar em conjunto, melhorando o ensino, não por partes, mas no todo, como uma comunidade. O conteúdo de uma disciplina completa o da outra, liga-se um no outro, numa amplitude de conhecimentos. Os professores precisam aprender a trabalhar mais unidos, tanto no aspecto conceitual, como no atitudinal e no comportamental. Portanto, o número de aulas não é o grande fator preponderante, mas, sim, como essas aulas são dadas, como se entrosam, se complementam, enriquecendo-se mutuamente. A qualidade não provém apenas da quantidade de aulas, mas da capacitação do professor, do compromisso com o ensino, dos investimentos empregados.

Na tentativa de melhorar a atuação do professor, criam-se movimentos paralelos que venham contribuir com a escola. Foi lançada em 26 de novembro de 2002, no encontro “A Escola dos Nossos Sonhos”, a idéia da criação de um espaço permanente de debates e sugestões para a melhoria da escola pública. Espaço que teria o caráter de fórum permanente da educação, com a participação de sindicalistas, empresários, pais de alunos, jornalistas, organizações não-governamentais entre outros setores da sociedade.

A partir de fevereiro, a cada 2 meses, um grupo de convidados se reúne na capital e apresenta suas idéias. Simultaneamente, a Secretaria deseja estimular encontros semelhantes, de pais, associações de amigos de bairros e líderes comunitários, nas 89 diretorias de ensino do Estado. A proposta é de que os encontros reunam, de preferência, pessoas de fora da escola, para tratar de assuntos referentes a ela.

Segundo o pensamento da Secretaria, os educadores já são ouvidos em outras instâncias. Quer, a cada 2 meses, 20 pessoas, que não sejam da rede pública, atuando como um conselho, cujo peso de suas opiniões será de alto alcance.

Será um peso ao lado do grande peso que é o Conselho Estadual de Educação. Um Conselho que forme canais de discussões sociais, levante questões, proponha soluções em aspectos relevantes, esquecidos ou desconsiderados pela Secretaria da Educação.

Arregimentam-se forças  a fim de tornar a escola uma alavanca da nacionalidade. Espera-se que se leve a sério tal iniciativa, que lhe dê consistência e a estimule à continuidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2003)

ANALFABETISMO E DESNUTRIÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Em dezembro de 2002, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou as Estatísticas do Registro Civil, mostrando que entre 1990 e 2001 a taxa de mortalidade infantil diminuiu. Em 1991, os óbitos de crianças menores de 1 ano correspondiam a 11,2% do total de falecimentos registrados. Em 2000, caiu para 6,02%.

Pelo último Censo do IBGE, em 1991, para cada mil crianças nascidas vivas, 45,3 morriam antes de completar 1 ano de vida. Em 2000, esse índice, segundo o Censo, era de 29,6 óbitos para cada mil nascimentos.

Esse decréscimo poderia ter sido bem mais significativo. Quase 30 óbitos para cada mil nascimentos é um índice muito alto, quando comparado, nas mesmas condições, com os de países latino-americanos, como, por exemplo, o Chile, com 10,3.

Um fator positivo a ser considerado é a queda da mortalidade infantil ocorrida em regiões pobres do Nordeste. Em 1991, a proporção de menores de 1 ano no total de óbitos da região era de 14%. Em 2000, esse índice recuou para 6%.

Investir na melhoria das condições de vida das crianças, dos pais, criar planos de assistência básica, de incentivos à educação, são caminhos para a desnutrição. Uma pesquisa feita pela Pastoral da Criança da Igreja Católica, divulgada em 10 de dezembro de 2002, aponta como uma das principais causas da desnutrição infantil no País o analfabetismo das mães.

Estudo do IBGE – “Evolução e Perspectiva da Mortalidade Infantil no Brasil” – mostra que a maior escolaridade, entre as mulheres, é fator preponderante na saúde das crianças. Cada ano a mais de escolaridade média, entre elas, reduz em 15% o índice de mortalidade infantil. Esse estudo veio comprovar a correlação entre analfabetismo e falta de obediência às prescrições dadas pelos médicos às mães, também durante a gravidez.

A pesquisa da Pastoral da Criança – Saúde e Nutrição Infantil em Áreas Pobres do Norte e Nordeste do Brasil – abrangeu 1.528 crianças de zero a 5 anos, em três mil domicílios de 18 áreas rurais e urbanas. Foi feita em nove municípios tirados de uma lista de 32 com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Brasil.

Dentre as crianças pesquisadas, 8% apresentaram grau de desnutrição de moderado a grave, por estar abaixo do peso, e 16% eram portadoras de desnutrição crônica. Os pesquisadores encontraram 37,2% das mães e 45,9% dos pais analfabetos, sendo que apenas 35,6% das mães freqüentaram a escola de um a três anos.

A maioria das mães respondeu corretamente que o leite materno é um inibidor de doenças infecciosas em crianças de até 6 meses de vida, mas a maior parte confirmou que deu água (81,6%), chás (73,2%), sucos (73,2%) e leite em pó (50,2%) no primeiro mês de vida. Foi alto o índice de crianças alcançado pelo esquema de vacinação de massa (85%). A falta de alfabetização da mãe é fator forte para desnutrição, conclui o estudo.

Há uma opinião generalizada de que educação é a primeira necessidade do homem, depois do pão. Porém, como vimos, a educação vem junto ao pão, caminham paralelamente, concepção fortemente referendada por pesquisas científicas.

Sentimos a importância da educação na solução dos sérios problemas brasileiros. As políticas sociais têm relação com a educação. A educação é o elo que integra todos os programas, quer sociais, quer governamentais, não importando em que área.

Os dados do IBGE apontam o analfabetismo como entrave à reversão da mortalidade infantil. A Pastoral da Criança propõe ao governo Lula combate reforçado ao analfabetismo.

O combate ao analfabetismo deve ser uma séria prioridade governamental. Estudo divulgado pelo Inep – Mapa do Analfabetismo no Brasil – apresenta um panorama da educação de todos os municípios brasileiros. Esse estudo reúne indicadores produzidos em 2000 pelo IBGE, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Paud) e pelo Inep. Revela que o Brasil possui cerca de 16 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais e 30 milhões de analfabetos funcionais, pessoas que têm menos de 4 anos de estudo. O mapa do analfabetismo fornece informações para reflexão, subsidiando a formulação de políticas públicas e privadas na área da educação.

Para tentar erradicar o analfabetismo, no período de 4 anos, o Brasil precisaria de cerca de 200 mil alfabetizadores. Os analistas do sistema educacional consideram um número, que embora alto, não é inviável, principalmente pelo fato de as matrículas de 1.ª à 4.ª série no ensino fundamental estarem em queda, vagando salas e professores.

Um fator que merece preocupação é a capacitação do alfabetizador e a formulação de programas de qualidade. Como lembra Paulo Freire, alfabetizar não é apenas ensinar o b, a, bá, é dar ao alfabetizando uma visão de mundo, fazê-lo alcançar uma interpretação crítica dos fatos, desenvolver uma consciência pessoal e social.

A improvisação, em educação, só gera fracasso. O que se nota, no Brasil como um todo, é um baixo desempenho do sistema escolar, especialmente das camadas pobres da população, onde o analfabetismo chega a ser 20 vezes maior. Em apenas 19 municípios brasileiros, a população possui mais de 8 anos de estudo, um índice que corresponde às 8 séries do ensino fundamental. Em outros 1.796 municípios do País, a escolarização média da população é inferior a 4 séries concluídas. Quadro realmente preocupante!

* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em junho/2003)

A EDUCAÇÃO DO RICO VERSUS A EDUCAÇÃO DO POBRE

Izabel  Sadalla  Grispino *

A realidade educacional no Brasil é tema inquietante, a ser refletido por toda a sociedade brasileira. Realidade de duas faces: a boa educação para os ricos e a má educação para os pobres. Há décadas, Demerval Saviani, em seus livros, já denunciava a equivocada escola assistencialista, merendeira. São freqüentes e periódicas as citações de especialistas da educação sobre o decadente ensino das classes menos favorecidas.

O objetivo de toda escola deve ser o de tornar o aluno competente. A escola deve lutar, buscar os meios para realizar este objetivo, para dar aos alunos as ferramentas mentais de ação, a fim de que possam enfrentar o mercado de trabalho, hoje tão exigente. Nunca o livro didático foi tão necessário ao professor. A escolha de um bom livro poderá amenizar a situação do ensino público. Um livro que traga ao professor  instruções detalhadas, que propicie experiências abertas, exercícios práticos, onde se possa praticar o construtivismo. A criança precisa freqüentar a boa escola, desde os primeiros anos de alfabetização, porque a aprendizagem é um processo em que uma etapa influi e explica a outra. A construção do conhecimento exige tempo, é preparação sistemática, gradual, encadeada, ligando os diferentes graus de ensino. Não é um simples “depósito bancário”, usando a expressão do educador Paulo Freire. Não adianta avançar etapas, se a aprendizagem não se concretizou. Hoje, temos bem clara a noção de que o importante não é a quantidade do que se ensina ao aluno, mas a qualidade do que ele aprende.

O desinteresse oficial por uma escola pública de qualidade se constitui em mecanismo de reprodução das desigualdades. Concursos de ingresso ao magistério público há, em que Secretarias de Estado observam com rigor a porcentagem de acertos e erros, aprovando os realmente capazes – como o recente concurso, realizado no Rio Grande do Sul, onde 70% dos candidatos foram reprovados, ou o concurso de ingresso na Bahia, em 97/98, que reprovou cerca de 90% dos candidatos. Secretarias há em que, desconsiderando a má formação, rebaixam o nível de conhecimento, aceitam uma porcentagem de acertos inferior ou bem inferior ao que seria a média das questões, facilitando o acesso  para abarcar o maior número de candidatos, mas não garantem, depois, a qualificação necessária ao padrão requerido pela época. Nessa acomodação política, o aluno pobre é o maior prejudicado, pois que tem aula com professores mal preparados, cuja efetividade não foi fruto de competência. O ensino fica, assim, nivelado por baixo.

Em recente publicação do texto: “Duas experiências de ensino estruturado”, Cláudio de Moura Castro, assessor da Divisão de Programas Sociais do Banco Interamericano do Desenvolvimento, faz uma análise sociológica, cultural do Brasil, das últimas décadas e compara-o aos Estados Unidos. Ambos, diz ele, encontram dificuldades em “criar escolas capazes de oferecer um ensino de boa qualidade aos mais pobres e mais vulneráveis... têm escolas péssimas servindo a essa população”. Ambos têm grande desigualdade na distribuição de renda. Sendo que nos Estados Unidos “a maioria esmagadora é imensamente rica, embora tenha muitos bolsões de pobreza, sobretudo, nos centros urbanos”. No Brasil, ao contrário, temos “uma minoria muito rica e uma grande camada de pobreza, incompatível com nossa renda per capita”. O contraste entre Brasil e Estados Unidos está na grande diferença entre população rica e pobre. Se aqui poucos têm boa escola, lá a grande maioria a tem.

Cada povo tem  a educação que o espelha e a nossa pouco nos engrandece.

O magistério é  vocação sublime,  abre caminhos de esperança, de sonhos, de realizações. O professor é pedra angular, a fundamental na construção do ser humano. Batalhar a educação é batalhar a vida no seu grau supremo da promoção humana e social. Ela é essência, ultrapassa a dimensão circundante do Homem, alcança a dimensão cósmica, quando então, entra em comunhão com a obra do Criador e se torna a grande responsável pelo desenvolvimento sustentável do planeta, pela continuidade de nossa mãe-Terra, em sua missão de gerar novas vidas. “O que acontece à terra, acontece aos filhos da terra” – Seattle, chefe das tribos indígenas Duwarnish – Canadá.

Vimos, em seqüência, espalhando sementinhas, que a seu tempo – esperamos – se revertam no nascimento de árvores frondosas. Outras sementes, juntando-se a estas, romper-se-ão em outras árvores, que, no seu conjunto, formarão o cerne, a frente robustecida de combate, com núcleos de influência, semeando permanentemente. Se cada um fizer a sua parte, o grande encontro virá e coroado da salvadora redenção. Completo essas considerações com meus versos “O sono da combalida educação”.

O SONO DA COMBALIDA EDUCAÇÃO

A educação dorme no leito do atraso,
Sono do descaso, da assistência falida,
Da oscilante ideologia do acaso,
Brotando uma atuação didática abolida.

Quantos caminhos perdidos em sua dormência!
Enquanto dorme, o mau ensino perdura,
A criança se embrenha na estrada da falência,
Os pais choram a perda da visão futura!

Educação é luz, terra em maternidade,
Gera o alimento para o corpo e para a alma,
Sacia o sonho, a desigualdade acalma.

Desperte “Consciência”, alce a vontade política,
Faça da sociedade uma análise crítica,
Distribua o saber em social eqüidade.!

 

ESCOLAS DE LÍNGUAS

Izabel Sadalla Grispino *

Nota-se um aquecimento de escolas de línguas no mundo todo, influenciado pelo desenvolvimento de negócios. Pessoas que buscam aprender bem idiomas, distanciando-se do período em que a economia era fechada. Pessoas que descobrem novos negócios, que cuidam das relações internacionais de grandes empresas, aperfeiçoam-se no estudo de idiomas.

À medida que a globalização quebra barreiras, o ensino de línguas se expande, afinal a língua está relacionada com o comércio. Li, a respeito, o pronunciamento do presidente mundial da Berlitz Centro de Idiomas, Mark W. Harris, rede presente em 63 países, com 450 unidades, e que ensina 42 idiomas, do inglês ao tagalo, das Filipinas. Harris diz que o ensino de idioma incomum cresce para negócios. Professores americanos têm ido a Hong Kong ensinar mandarim aos chineses! Esclarece que está cada vez mais comum os americanos, em missões especiais de trabalho, recorrerem, às pressas, ao aprendizado do Português, o idioma oficial do País, não mais visto somente como a nação do futebol e do carnaval.

Polônia, Eslovênia, República Tcheca, antes ex-satélites soviéticos e restritas ao idioma russo, abrem-se para novas culturas. O crescimento da Berlitz está bastante concentrado na Ásia. De 1965 para cá, foram abertas, só no Japão, 56 unidades. Estão previstas 22 novas unidades lá, mais duas na Coréia. Na Tailândia, a Berlitz inaugura, este ano, o 6.º centro, na China, o 5.º, e em Xangai o 1.º.

Na Inglaterra, o processo avança. O departamento de Inglês da Universidade de Warwick, localizado na área central da Inglaterra, conta com cursos diferenciados para grupos específicos. O departamento, ao invés de turmas fechadas e programas prontos, adapta os cursos às necessidades dos estudantes, necessidades ligadas ao aperfeiçoamento do inglês, por causa do trabalho. O Centro de Língua Inglesa promove, entre outros, cursos para grupos de executivos chineses, analistas de sistemas mexicanos, professores da Malásia e profissionais japoneses da área de saúde.

Vivemos num mundo cercado por interesses econômicos, alastrando-se a cada passo. A globalização, se por um lado oprime, sob certos ângulos, os países em desenvolvimento, por outro, oferece perspectivas amplas de trabalho e comércio. A área financeira é o grande tema deste novo século e o domínio do mundo é sua finalidade. Embora Lincoln dissesse que democracia é o governo do povo pelo povo e para o povo, ela caracteriza uma participação que acontece por meio de eleições, somente até a escolha de um governante. O poder determinante está mais acima, como fala o escritor português José Saramago, que são os poderes econômicos. São estes que  impulsionam e que determinam novas posturas, novos caminhos.

Representantes de escolas de idiomas reafirmam, no estudo das línguas, a tendência a áreas que dão vantagens internacionais, como hotelaria, seguido de ramos como telecomunicações e informática. Esses setores são os que mais oferecem oportunidades de carreira internacional.

É, principalmente, por meio da aprendizagem de idiomas que se galgam espaços para avançar nas carreiras internacionais. Para quem gosta de viajar, conhecer o mundo, conhecer o modo de viver de outras pessoas, a cultura do diferente, o primeiro passo é estudar bem idiomas. O desenvolvimento de negócios, a visão globalizada do mundo exigem fluência no uso das línguas. Um executivo do setor de hotelaria, relatando sua caminhada profissional, contou que morou em onze países, por conta do trabalho. Entre eles, Taiti, Polinésia, Kuwait, Egito, Estados Unidos e Nepal. “Conheci uns 50 países em viagem, a maior parte a trabalho”. Ele domina bem os idiomas inglês, francês e espanhol. Hotelaria é um ramo em expansão. O turismo é outra profissão em moda, uma área aberta do mundo, onde o domínio de idiomas é indispensável.

No Brasil, o estudo de idiomas cresce e atinge uma população jovem considerável. O interesse, a procura pelo estudo de línguas fazem as escolas de línguas incrementarem-se, tornando um mercado rendoso, também, por aqui. Nas faculdades, os cursos de letras não parecem manter essa concorrência, quando se focaliza o ingresso ao magistério. Os jovens buscam os cursos com vistas a uma maior exposição internacional, e menos a uma carreira docente.

Esse, como outros temas que possam alargar os horizontes profissionais do educando, deve fazer parte do compromisso informativo das escolas.  Os professores devem estar antenados à época, podendo demonstrar mais amplamente as várias ocupações que vêm surgindo, abrindo o leque das oportunidades atuais do mercado de trabalho.

Sob uma outra faceta, a escola deve inteirar-se de inovações, como a desestruturação de muitos cursos, para atender uma demanda de profissionais, ainda inexistente, principalmente na área de elaboração de negócios. A Fundação Getúlio Vargas (FGV), por exemplo, prepara, já para o ano que vem, seu vestibular para seu primeiro curso de graduação em Direito, que funcionará em 2005. Esse novo curso de graduação modifica o modelo tradicional de ensino hoje existente no Direito, uma sinergia entre Administração, Economia e Direito, sendo que Administração e Economia são cursos de graduação já existentes na FGV.

A falta de profissionais com uma formação mais ampla levou a Fundação a idealizar um currículo, no curso de Direito, onde se incluem as áreas de finanças, contabilidade, microeconomia, macroeconomia, meio ambiente e informática. A proposta é oferecer, já na graduação, toda a qualificação profissional existente, dando ao aluno as credenciais que geralmente ele busca, após a graduação, no exterior em cursos de mestrado.

Acompanhar essas inovações dá à escola um caráter institucional gabaritado, de considerável valia aos seus educandos.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em julho/2003)

ENSINO MÉDIO EM FINS-DE-SEMANA

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino médio passa por um processo alternativo. Agora, o aluno desse ensino poderá cursá-lo em fins-de-semana, em São Paulo. Jovens e adultos – de 18 a 29 anos – poderão, pelo projeto Escola da Juventude, lançado em fevereiro do corrente ano, cursar o ensino médio em até um ano e meio. Segundo informes da Secretaria da Educação, o curso terá uma dinâmica diferente dos cursos tradicionais de educação de jovens e adultos. Pretende-se usar novas tecnologias para acelerar o processo de aprendizagem, laboratórios de informática, salas de vídeos e um portal na internet.

Para participar, o aluno deve ter concluído o ensino fundamental e efetuar matrícula diretamente nas escolas participantes do projeto. Inicialmente, a Escola da Juventude atenderá 300 escolas estaduais da capital e alguns municípios da grande São Paulo e do interior do Estado, num total de 30 mil vagas, sendo 100 por unidade.

O curso de ensino médio da Escola da Juventude está dividido em três tipos de atividades: curriculares presenciais, organizados em 4 módulos, sendo um optativo no sábado pela manhã e um obrigatório à tarde. No domingo, a situação inverte-se. Haverá no mínimo uma hora e meia por final de semana de atividades de inclusão digital, e atividades individuais durante a semana, sugeridas em classe e constantes dos materiais impressos.

Na sala de aula, o aluno contará com um orientador de estudos e na sala ambiente de informática, com um monitor para auxiliá-lo a tirar suas dúvidas. O curso desenvolver-se-á em módulos e o aluno terá flexibilidade para freqüentá-lo segundo sua disponibilidade de tempo. A avaliação será contínua, havendo provas freqüentes e, ao final do semestre, exame para a conclusão do módulo. A certificação será dada após a aprovação em todos os módulos, depois de 18 meses de atividades.

A programação parece bem pensada, bem organizada, agora é torcer para que esse curso abreviado de ensino médio, dado em fins-de-semana, não venha frustrar quanto à qualidade, fazendo o ensino decair ainda mais. As escolas devem passar avante a informação, deixando os alunos a par dessa recente inovação.

Um ensino médio com carga horária assim reduzida é prato de balança que oscila entre duas perspectivas. Permite ao aluno avançar em anos de escolaridade, ultrapassando os graus de ensino, engrossando as estatísticas, mas pode pôr em cheque a meta qualitativa. O ensino médio de um ano e meio favorece, é verdade, o aluno continuar na escola, afastando-o da rua, da ociosidade. Ajuda-o a não interromper o processo de estudo e a se afastar da violência.

Segundo a Unicef, o aumento da violência é proporcional à queda da escolaridade do adolescente, considerando que a sua cidadania depende da conciliação da educação formal com cursos profissionalizantes. Aponta que apenas 33% de jovens brasileiros, com idade entre 15 e 17 anos, freqüentam o ensino médio. Dentre as crianças que trabalham, a taxa de analfabetismo é de 20,1%, contra 7,6% entre as que não trabalham. Conclui que o problema da violência requer ação efetiva de toda sociedade e que sua solução passa necessariamente pela melhoria da escolaridade e profissionalização dos jovens, dentre outras medidas coerentes com aplicações socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Estatísticas comprovam que no Brasil o número de adolescentes que morrem violentamente supera o número de mortes nos países em guerra, como no Iraque, onde se calcula que 150 mil civis morreram na invasão movida pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha. Entre nós, mais de 24 mil jovens de 15 a 19 anos tiveram morte violenta em 2004, marcando um sangrento recorde mundial. Revelam as pesquisas que os adolescentes são, em geral, mais vítimas que autores da violência que os destrói.

Cerca de 68% das mortes de adolescentes no Brasil, com idade entre 15 e 19 anos, são provocadas por causas externas, como homicídios, acidentes de trânsito e suicídios. Perto de 10% de todos os crimes e delitos praticados no País são cometidos por adolescentes, o que causa séria preocupação.

A juventude está morrendo e está matando, e há fortes convicções de que esse quadro se modificaria se mais jovens estivessem na escola. Sob esse prisma, o ensino médio em fins-de-semana, conjugando estudo e trabalho, poderá ajudar, se conduzido por professores habilitados e interessados no processo, porque o mercado de trabalho considera prioritariamente a qualidade e não a quantidade de anos passados pelo aluno na escola.

Exigências do mercado levam as empresas de pequeno e médio porte a contratar pessoal qualificado na mira da adoção do selo de boas práticas trabalhistas, acompanhando as grandes empresas. Atuar com qualidade favorece o diferencial competitivo da empresa como foco na responsabilidade social. As pequenas empresas são as que têm até 99 empregados, no caso da indústria, e até 49, no caso de comércio e serviços. As de médio porte têm até 499 trabalhadores na indústria e 99 no comércio e serviços. O selo SA 8000 se tornou um termômetro da importância que as práticas internas empresariais têm em uma economia competitiva. Sua importância é tal que será como avalista para o futuro. Vai excluir empresas do mercado. O selo SA 8000 cria um ambiente ético que vai além da empresa e chega à sociedade, vai além das exigências trabalhistas, dando condições dignas de trabalho a seus empregados.

A SA 8000 é um conjunto de padrões que asseguram melhorias nas condições de trabalho nas empresas, com base nos preceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Para obter a certificação, que tem a validade de 3 anos, a empresa deve estar em dia com a legislação trabalhista, banir os trabalhos escravo e infantil e assegurar o direito à associação sindical e salários justos.

Para fazer parte de uma empresa bem organizada, de porte e sucesso, para receber os benefícios da SA 8000, o pretendente deve ter freqüentado uma escola de qualidade, adquirido uma boa formação acadêmica e profissional. Caso contrário, não passará nos testes de avaliação.

Um ensino médio de bom nível é porta aberta para uma boa colocação no mercado de trabalho.  Os relatos acima são questões para se pensar.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2005)

SISTEMAS DIFERENCIADOS DE AVALIAÇÃO PARA O INGRESSO AO ENSINO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

Projetos de sistemas diferenciados de avaliação para o ingresso ao ensino superior continuam surgindo e se ajustando à identidade, às características das instituições, diversificando as oportunidades de acesso a esse grau de ensino.

O vestibular, a tradicional prova de ingresso às faculdades, que no Brasil remonta a 1911, deixou de ser obrigatório pela última Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n.° 394/96). As universidades, hoje, têm liberdade de escolher seu próprio sistema de avaliação, de decidir qual a melhor opção para sua estrutura educacional. Há, mesmo, os que defendem a eliminação do vestibular ou de qualquer outra forma de seleção. Apoiam-se em países cuja realidade é bem distante da nossa, como, por exemplo, na América Latina, o México e a Argentina.

Na verdade, processos de seleção são inevitáveis em sistemas de ensino, organizados em séries, como é o nosso. Quanto mais qualificada a escola superior, quanto mais alto o seu grau de ensino, maior rigor nas provas de seleção e mais seletivo o seu ingresso. Há casos de faculdades menos conceituadas, em que o exame de seleção não passa de um engodo. O que mais precisam é de alunos, pois, dependendo da área, há mais vagas que pretendentes.

Uma inovação foi o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) criado pelo MEC em 1998 para avaliar as habilidades e as competências adquiridas pelos estudantes no fim da educação básica, dando, também, às universidades a oportunidade de usar o resultado da avaliação como um dos critérios de seleção dos candidatos.

O Enem não deixa de ser uma boa opção e parece estar sendo bem recebido por educadores e alunos. Esse exame tem similar nos Estados Unidos, onde o processo de seleção inclui, além dos testes aplicados, a análise do histórico escolar do aluno, em que se verificam as notas obtidas durante o ensino médio, a carga horária das disciplinas e a escola em que o aluno estudou. O aluno deve apresentar, ainda, um projeto, uma espécie de ensaio sobre sua vida e o que pretende com a universidade.

Sobre o Enem já discorri, em artigo publicado recentemente por este jornal.

Há outro projeto, a “Avaliação Progressiva”, que chegou a tramitar no Conselho Nacional de Educação, mas houve pouca divulgação. Trata-se de um processo de seleção ao ensino superior, feito ao longo dos 3 anos do ensino médio. Seria um escalonamento do vestibular em 3 séries, transformando o ensino médio numa transição para o ensino superior. Há práticas, nessa linha, em algumas poucas universidades brasileiras, com a “Santa Maria”, no Rio Grande do Sul, e a Universidade de Brasília. Diferente do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que tem sua prova de seleção somente no final desse ensino, a “Avaliação Progressiva” se faz em todos os 3 anos do ensino médio. Se tomarmos o vestibular como referência, esta proposta de “Avaliação Progressiva” é, sem dúvida, mais flexível, menos estressante e oferece mais oportunidades ao aluno, eliminando, com suas avaliações periódicas, o temor da avaliação única. Além disso, a apuração dos conhecimentos limita-se ao conteúdo especificamente ministrado ao longo do ensino médio, não havendo necessidade de o aluno recorrer a estudos extras ou a cursinhos.

Em princípio, parece ser uma boa proposta de acesso ao ensino superior, porém tem suscitado controvérsias entre educadores que questionam o conceito maior da educação desse nível de ensino, ou seja, a formação básica da cultura geral. Esse processo de seleção acarretaria a obstrução das etapas normais do desenvolvimento das faculdades intelectuais, das faculdades formativas de valores e atitudes. Sobre o aspecto amplo da formação do aluno, dir-se-ia que este processo de avaliação periódica seria um aniquilador do ensino médio. Roubaria do aluno o tempo destinado à leitura suplementar, à pesquisa, pré-requisitos essenciais à formação integral e à atuação plena do futuro profissional. Sabe-se, hoje, que atrás do bom desempenho, de qualquer função, está, grandemente, o bom domínio do conhecimento geral.

Por exigência do mercado, é freqüente a extinção de uma função e o surgimento de outras, como, em nossos dias, a da informática, das relações internacionais, do comércio exterior, do turismo... e é justamente o conhecimento amplo e diversificado que vai ajudar o profissional a passar de uma ocupação para outra.

Com o sistema de “Avaliação Progressiva”, o ensino médio reduzir-se-ia a um curso preparatório para o ensino superior, com uma sucessão de provas e adestramento  para elas, o que provocaria ao aluno mais prejuízo que o tão decantado vestibular. A preocupação com a deformação da aprendizagem na sua utilização específica de preparar alunos para o ensino superior vem de longe. Francisco Campos, em 1931, escrevia, a respeito do então ensino secundário:  “O ensino secundário tem sido considerado  como um simples instrumento de candidatos ao ensino superior, desprezando-se, assim, a sua função eminentemente educativa, que consiste, precisamente, no desenvolvimento das faculdades de apreciação, de juízo e de critério, essenciais a todos os ramos da atividade humana (...) Assim, o ensino secundário (...) perdeu as suas características próprias e específicas (...) passando a ser de finalidade exclusivamente utilitária, despido de finalidade interna, fundamentalmente educativa. A última fase desse processo de degeneração do ensino secundário (...) o transformou em mera chancelaria de exames”.

VESTIBULAR – O exame vestibular continua sendo o grande processo de seleção ao ensino superior, o que responde, ainda, pela formação de calouros nas universidades públicas. Sobre ele falaremos na próxima semana.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2000)

CURIOSIDADES NA APRENDIZAGEM ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), das 43 nações que participaram do exame em 2003, revelou que os meninos se saem melhor em matemática que as meninas. Dentre os países analisados, a única exceção ficou com a Finlândia, onde as meninas tiveram um melhor desempenho. O Brasil, lastimavelmente, obteve o pior resultado de todos os países na disciplina matemática. As meninas fizeram 348 pontos e os meninos 365. A avaliação adotou uma escala que pode passar de 660 pontos. Leitura, embora não tenha sido o foco principal, também foi avaliada. Agora, inverteu-se a posição: em todos os países, as meninas foram melhores, ficaram à frente.

Esse resultado confere com as observações escolares, das instituições de ensino, comprovando a superioridade masculina na matemática e a feminina na leitura. A consultora para o Pisa, na área de matemática, acredita que brincadeiras e afazeres de meninos e meninas na infância podem contribuir para essas diferenças. As meninas, geralmente, ainda assumem tarefas domésticas, cuidam dos irmãos. Os meninos saem mais de casa, jogam futebol e têm uma relação maior com espaço e forma. A área em que as meninas se saem melhor é a chamada quantidade, em que estão mais presentes informações da vida cotidiana. O Pisa constatou que elas conseguem melhor resultado em soluções de problemas que não estão ligados diretamente à disciplina de matemática, como taxas de câmbio e preços.

Essas observações, de cunho cultural e social, podem ajudar a escola a melhorar o contexto da disciplina e desenvolver o interesse e a confiança das meninas em matemática.

Há especialistas em neuropediatria, como o Dr. Luiz C. Vilanova, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que fala haver diferença no mecanismo de dominância cerebral de homens e mulheres. O predomínio do hemisfério esquerdo do cérebro – ligado à lógica, aos códigos – é maior no sexo masculino, que passa a ter mais noções espaciais. Pode ocorrer também no sexo feminino, mas em freqüência menor. Nesse sexo, há uma significativa influência no hemisfério direito, que é o da intuição, razão pela qual, na área da linguagem, as meninas levam vantagem.

Há predominância, não exclusividade, havendo mulheres que se dão bem em matemática e homens, em linguagem. O Pisa 2003 mostrou que os meninos fizeram 11 pontos a mais que as meninas nas provas de matemática, em todos os países; e fizeram 34 pontos a menos que as meninas, na área de leitura.

Em matemática, 16,9% estão nos níveis 5 e 6 de proficiência, os 2 mais altos. Eles somam 12,4% nesses níveis. O exame de matemática do Pisa é dividido em 4 áreas. A que é chamada de espaço e forma e com questões de geometria, raciocínio espacial e modelos bi e tridimensionais  registra as maiores diferenças a favor dos meninos.

A pontuação geral dos jovens brasileiros foi de 356, o que deixou o País abaixo do nível 1 de proficiência, o mais baixo. Isso quer dizer que eles não são capazes de compreender conceitos básicos ou calcular resultados combinatórios em uma situação limitada e bem definida. Para o MEC, a defasagem idade/série prejudicou os brasileiros. No Brasil, muitos alunos de 15 anos não estão no 1.º ano do ensino médio, como seria o correto, e sim na 7.ª ou 8.ª série, não  tendo, dessa forma, aprendido muitos conceitos pedidos nos exames. Os mais bem posicionados do ranking foram Finlândia e Hong Kong, que ficaram no nível 4, com cerca de 500 pontos.

Do ponto de vista social, o menino é canalizado para a individualização, baseado no afastamento. As meninas para o apego e verbalização, por isso têm mais facilidade nas comunicações. A sugestão de especialistas é de que melhores práticas educativas, principalmente das famílias, podem mudar essa situação. As diferenças inatas ente os gêneros, conforme fala a ciência, devem despertar na metodologia escolar caminhos criativos, situações de aprendizagem que incentivem a superação de dificuldades.

Do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) participam países-membros e convidados. São avaliados meninos e meninas de 15 anos de escolas públicas e particulares. A avaliação é feita a cada 3 anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE). A cada ano, o Pisa dá ênfase a uma área do conhecimento. Em 2000, foi leitura, em 2003, matemática, em 2006, será ciências e, em 2009, leitura novamente. As questões abordam resolução de problemas. A maior parte delas – 72% – é dissertativa e o restante de múltipla escolha. Os resultados se prendem à pontuação do total de alunos de cada país, classificado em níveis de proficiência, que vão de 1 (mais baixo) ao 6.

*Supervisora de ensino aposentada
(Publicado em dezembro/2005)

O RETRATO DO DESCASO EDUCACIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

Pesquisas na área educacional divulgam a escassez de professores para o exercício do magistério. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) constatou um grande desequilíbrio entre a demanda por professores e o número existente de habilitados. O Ministério da Educação (MEC) informou, em maio deste ano, que no ensino médio e no 2.º ciclo do ensino básico, de 5.ª à 8.ª série, há uma carência de 250 mil professores com nível superior.

As pesquisas mostraram, também, que a falta de professores qualificados é mais grave nas áreas de ciências exatas. O Brasil, pelo levantamento do Inep, precisaria hoje de 55 mil professores de Física e de Química. Entre 1990 e 2001, formaram-se em cursos de licenciatura em Física 7.216 professores e em Química 13.559, um número maior, mas ainda distante das necessidades das escolas. Não havendo professores com a formação específica, atribuem-se as aulas, em caráter excepcional, a formandos em Pedagogia. Na disciplina Matemática, a situação de precariedade é grande. A Secretaria da Educação informou que, em 2001, apenas 12.600 professores, dos 36 mil, eram habilitados, tinham bacharelado e licenciatura em Matemática.

A falta de professores licenciados em ciências exatas, especialmente no ensino médio, tem trazido, como resultado, o que se denomina de “analfabetos tecnológicos”. Trabalhos têm mostrado que o estudo da ciência leva a um raciocínio mais desenvolvido, a um melhor desenvolvimento cognitivo, à curiosidade científica, ao gosto pela pesquisa nessa área. A distorção provocada por essa ausência dificulta o desenvolvimento do aluno, trazendo um menor desenvolvimento para o País. As vocações para a ciência são pouco despertadas. A deficiência em Matemática agrava-se pela enorme quantidade de ocupações que dependem de conhecimentos de informática, conhecimentos que se desenvolvem mais facilmente quando as bases do raciocínio matemático estão alicerçadas.

Constata-se uma evasão de professores de Física e Matemática para o mercado financeiro, de Química e Biologia para áreas de proteção ambiental das empresas e mesmo nas ONGs, por causa dos melhores salários e melhores condições de trabalho.

Na rede pública, a maioria dos professores de ciências exatas não domina os conceitos básicos de sua matéria. Essa situação vem de longa data, piorando a cada ano. Estudos realizados pelo Instituto de Química da USP, no ano de 1997, ao analisar laboratórios de 3.740 escolas estaduais, concluíram pela inutilidade de sua existência, constatando ser ilusório incentivar aulas de laboratório na grande maioria das escolas estaduais. “Com raríssimas exceções, as salas não têm condições físicas para acolher os alunos e, o mais importante, faltam professores especializados para organizar os laboratórios”.

A professora Reiko Isuyama, que coordenou a avaliação, afirmou que há casos de extrema periculosidade. “Foram encontrados ácidos concentrados, solventes cancerígenos e frascos de sódio metálico, substância que pode explodir em contato com a água e atingir, por exemplo, um funcionário durante a limpeza da sala”. O relatório revela que do jeito que está é melhor fechar os laboratórios, “é inútil fornecer reagentes e vidrarias se os professores não sabem utilizá-los”.

Não se pode deixar a educação básica à mercê de si mesma. São constantes os apelos para que haja uma integração real entre as universidades e o ensino médio, de um modo especial. Apelos para que se criem mecanismos de vínculos entre as universidades e o ensino público, assessorando, estimulando o conhecimento, ajudando na formação docente, fator preponderante no desempenho positivo do aluno.

Aristóteles, 400 anos Antes de Cristo, já alertava a humanidade: “Todos que têm militado na arte de governar o gênero humano acabam por se convencer que a sorte dos impérios depende da educação da mocidade”.

Alertas não têm faltado à prática da boa educação, mas a escola, há muito, não é tida como prioridade nacional, tanto que hoje presenciamos um grande processo de incorporação ao magistério  de  novos  segmentos  sociais. Se antes a classe média e a média alta mandavam seus filhos, de preferência suas filhas, para abraçar a carreira de professor, hoje, o que temos, segundo pesquisas do Censo, são profissionais advindos de lares de baixa renda, de pais de baixa escolaridade, com uma baixa estrutura cultural. A isso acresce-se o deficiente ensino público, recebido por este novo segmento.

Os baixos salários, as condições precárias de ensino desestimulam a busca do magistério. Procuram-no, geralmente, quem não tem outra opção. Fazer a educação pública brasileira avançar é um exercício de liderança governamental, de vontade política, capaz de revolucionar e modernizar o sistema educacional, quebrar a corrente do faz-de-conta, assistindo-a técnica e financeiramente de modo eficaz.

A falta de professores constatada não é senão conseqüência do abandono, do discurso da prática vazia, da democracia no solar da demagogia. Há anos que vimos escrevendo sobre o descuido intelectual e institucional voltado à educação; há anos que vimos reclamando melhores condições de trabalho, melhores salários aos professores. Essa longa situação de penúria, em relação ao magistério, redundou em desânimo para essa carreira, acompanhado da má qualidade de todo o ensino público da educação básica. Revelou o frisante desprezo crônico de décadas a fio, refletindo a falta de compromisso, de responsabilidade governamental de levar educação de qualidade às classes menos favorecidas da população brasileira. Nesse abandono da escola e dos professores, o que ocorreu, realmente, foi uma discriminação de direitos às camadas de menor poder aquisitivo, às diferentes etnias brasileiras.

Ou se promove uma reviravolta vigorosa ou a educação zera de vez.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2003)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

Leia Mais

A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

Leia Mais

A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

Leia Mais


Reconhecimento

Premiado pelo Buscaki

buscaki

I.S.G

izabel1

Colaboração

Slideshow Image 1

Novos Jogos

eduespc

Vídeos

videos

Visitante Número