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Artigos Educacionais

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SUPREMACIA DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Já há algum tempo, escrevendo sobre educação e sociedade, eu comentava a costumeira expressão que diz ser a educação a primeira necessidade do homem, depois do pão. Disse eu na ocasião: educação e pão são necessidades concomitantes, educa-se à medida que se dá o pão. Sem educação, o pão perde qualidades, perde valores nutricionais.

Recentes pesquisas, divulgadas em fevereiro de 2003, feitas para o programa Fome Zero, do presidente Lula, aliás, muito bem recebido pela sociedade, mostraram que a desnutrição infantil é maior entre mães analfabetas. Segundo pronunciamento de José Graziano, ministro da Segurança Alimentar, o Fome Zero estabeleceu como objetivo, além de combater a desnutrição no País, alfabetizar as mães de famílias carentes. As pesquisas acentuaram a correlação entre desnutrição, fome e analfabetismo.

Combater o analfabetismo é uma das mais relevantes metas do programa Fome Zero. O Brasil tem, de acordo com o IBGE, 16,3 milhões de analfabetos, com idade igual ou superior a 15 anos. Erradicar o analfabetismo, para o desenvolvimento equilibrado das nações, vem sendo prioridade universal. Em janeiro de 2003, seu combate ganhou apoio da Organização das Nações  Unidas (ONU), que determinou, a partir deste ano, a década da alfabetização. O lançamento foi feito em fevereiro, em Nova York. A Unesco, braço da ONU para a educação, promove a idéia por meio de parcerias.

Se a educação é primordial ao pão, em contrapartida o pão é primordial para o desenvolvimento mental e físico. No meu artigo “Brasil e condições de pobreza”, eu relatava as seguintes situações:  O geógrafo Josué de Castro, natural de Pernambuco, há décadas, chamou a atenção para o surgimento de um novo biótipo humano, o homem gabiru. Um homem raquítico, pouco mais que um anão, com altura de, no máximo, um metro e meio. Esse homem gabiru, segundo seus estudos, é resultado de anos e anos de miséria e desnutrição.

Como alfabetizar, perguntava eu, o homem gabiru e seus descendentes? Uma vez perdidas as vitaminas na primeira infância, jamais serão repostas, afirma a ciência. O médico Deodécio Campos Júnior, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, reforça esta idéia: “Está cientificamente provado que, em crianças desnutridas, o número de células é menor. Elas já entram na vida inferiorizadas... Carências na infância afetam da função cognitiva à função motora”.

Esta comprovação, mais o resultado das pesquisas Fome Zero, nos certificam da necessidade de compatibilizar educação e pão. A educação sozinha não salva, mas sem educação não há salvação. A educação irradia-se por todos os campos do saber. É mola-mestra de todas as atividades humanas. Constata-se, por exemplo, que o grau de instrução das mães exerce papel fundamental na formação escolar do filho.

Todos nós, assim como a escola, temos um papel social a cumprir. Quando a ONU fala em parcerias, estende o olhar para a sociedade civil, pensando em uma educação ministrada com eqüidade social. Só a conscientização de todos rasgará o véu da exclusão, da marginalização das classes menos favorecidas.

Para que a grande massa alcance a educação, a escola precisa combater a seletividade, não barrar o direito à educação, em nome de uma falsa pedagogia. É preciso que ela crie condições, mecanismos pedagógicos para que todas as crianças saibam ler e escrever, tenham acesso ao patrimônio científico e cultural da humanidade e venham a participar do enriquecimento desse patrimônio. É preciso que crie projetos de ensino que correspondam às necessidades concretas do aluno carente, perfil do aluno da escola pública.

Temos que tornar o ensino acessível à grande maioria da população para torná-lo efetivamente democrático  e democratizar a sociedade brasileira.

José M. Pires Azanha, em “Democratização do ensino”, diz: “... Não se democratiza o ensino reservando-o para uns poucos sob pretextos pedagógicos. A democratização da educação é irrealizável intramuros, na cidadela pedagógica; ela é um processo exterior à escola, que torna a educação como uma variável social e não como simples variável pedagógica”.

Democratizar o ensino, não apenas no sentido de universalizá-lo, mas ministrá-lo com qualidade para todos, formando cidadãos do mundo globalizado. A qualidade provém de vários fatores: condições de trabalho docente, melhor remuneração, levando à melhor qualidade de vida, número de alunos por classe, infra-estrutura escolar, culminando na formação dos profissionais da educação. Também tem peso considerável, no âmbito interno da escola, entre outros fatores, o apoio ao que os professores fazem, sua valorização, ajuda para que trabalhem unidos e se envolvam com suas escolas. É importante criar uma comunidade de professores que discuta, de modo a criar um senso comum da missão a cumprir em suas escolas. Precisamos derrubar as paredes do individualismo das escolas, caso queiramos a ocorrência de mudanças.

O pensamento de grupo, a formação de colegiados e a colaboração entre professores são indispensáveis. A sala de aula é um microcosmo de problemas sociais e o entrosamento entre professores clareia e reforça atitudes na resolução dos problemas. O professor experimenta o desafio do profissionalismo interativo. O de atuar em conjunto, um aprendendo com o outro, melhorando sua qualificação como uma comunidade. Porém, não se deve desconsiderar o trabalho individual, a atitude pessoal quanto ao aperfeiçoamento. A reação pessoal é tão importante quanto a reação coletiva. Ensinar é uma profissão, ao mesmo tempo, intelectual, envolvendo conhecimento, e afetiva, envolvendo relações e atitudes.

Monteiro Lobato dizia: “Um país se faz com homens e livros”. É preciso, pois, mobilizar governo e sociedade, investir num sistema educacional que nos tire da condição de País da pobreza.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2003)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

AVANÇAR NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Uma inscrição esculpida no mármore da arquitrave da biblioteca pública de Boston diz: “A comunidade exige educação do povo como salvaguarda da ordem e da liberdade”.

Não parece ter sido fácil, aos nossos governantes, atingir esse pensamento, tendo em vista o nosso sistema educacional decadente. Educação está na base de qualquer alteração social. Nosso atraso educacional salta aos olhos. Um trabalho de conscientização da necessária elevação do padrão de ensino, atingindo, em massa, a formação continuada do professor, viria como um colírio para suavizar a deficitária e falha estrutura educacional.

O professor ainda veste a camisa da escola tradicional, transmitindo o conhecimento mais na base de lousa e giz. De um modo geral, resiste ao computador, deixa de usar este recurso e de estimular o aluno a aprender. Assim procedendo, não se enquadra, devidamente, à época vivida pelo aluno. Nessa era digital da sociedade cibernética, o raciocínio do aluno tem uma velocidade muito maior que há 20 anos. O professor, utilizando-se de métodos arcaicos, não se modernizando, impede o aluno de avançar e de encontrar um sentido maior na escola.

A escola precisa ser mais assistida, para melhor assistir, mais ajudada, no nível técnico e no nível financeiro. É preciso fazer dela prioridade nacional, lugar que nunca deveria ter deixado de ocupar. Como fazer o aluno avançar nos conhecimentos da informática, na evolução do raciocínio, da observação, da análise, da crítica, se quem o conduz é um profissional pouco aprimorado no assunto?

Hoje, sabemos, por exemplo, que os games de ação ajudam o cérebro. Jogos podem melhorar as habilidades visuais e os tempos de reação dos praticantes. Segundo uma nova pesquisa feita nos Estados Unidos, pessoas que brincam regularmente com jogos de ação de computador processam mais rápido informações visuais e com mais precisão que aquelas que não jogam. As conclusões sugerem que os jogos, anteriormente criticados, podem ter efeitos positivos e ser úteis para o ensino e o desenvolvimento de habilidades, desde que usados com moderação. Parece que a ação rápida que se desenrola na tela do computador pode treinar o cérebro para responder com mais eficiência a estímulos particulares, concluem os especialistas de ciências do cérebro.

Praticar o game, porém, não se tornar um jogador compulsivo, porque pode desenvolver também um nível de atenção muito pouco seletivo, além de a criança ficar mais impaciente e agitada. No dia a dia, o que se nota é que os games estão dando respostas mais rápidas e novos modos de comportamento. Um professor analfabeto em informática não acompanhará a agilidade dos alunos pós-modernos. Em muitas escolas oficiais não existem computador, em outras, os computadores ficam trancafiados numa sala, porque os professores não sabem como utilizá-los.

Hoje, o professor não tem como ignorar essa ferramenta de trabalho, não tem como não introduzi-la na sala de aula. O computador beneficia não só o ensino-aprendizagem como a vida do aluno, da comunidade, em geral, que acaba se beneficiando também. Na Índia, por exemplo, o governo priorizou o envio de computadores para as escolas situadas em áreas pobres do país e treinou os professores. Os resultados dessa política atraíram a atenção de técnicos da ONU e da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que registraram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. A informática vem se revelando como fator primordial para atenuar as desigualdades locais e regionais.

Percebe-se que a resistência da escola às novas tecnologias afeta a qualidade do ensino, desestimulando o aluno. É um retrocesso, inclusive, ao progresso da região onde ela se localiza. O computador abre caminho para um aprendizado que faz mais sentido para o aluno, porque permite executar projetos e pesquisas sobre situações reais da comunidade, quando força o aluno a procurar na matemática, na língua portuguesa e nas outras disciplinas os recursos na busca de soluções. A escola insere-se mais na comunidade, que ganha com essa inserção. A presença do computador é também indicador de qualidade de vida. Ele traz conseqüências benéficas e duradouras na vida dos beneficiados. Há pesquisas que mostram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. Escola e professor precisam mudar, aceitar seus novos papéis. A transmissão do conhecimento pelas vias tradicionais já está obsoleta. Construindo o conhecimento, professores e alunos passam, ambos, por uma experiência colaborativa de aprendizagem.

O desafio é fazer com que os professores mais tradicionais deixem de ter resistência ao computador e passem a usar este recurso para estimular o aluno a aprender e colocá-lo na modernidade.

CLASSES HOSPITALARES

Izabel Sadalla Grispino *

A educação é um direito de todos. A obrigatoriedade faz parte da nossa legislação. A Constituição do Brasil, de 1988, diz que o ensino fundamental é obrigatório no País e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, determina que o poder público criará alternativas para o acesso ao ensino.

O direito à educação cria classes hospitalares, atendendo aos doentes. É uma modalidade de ensino especial, que começa a crescer no País. As crianças doentes têm direito à educação como qualquer outro aluno, inclusive as que ainda não estão matriculadas em escolas.

Uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) mencionou pela primeira vez as classes hospitalares em 2001. Pela resolução, os sistemas de ensino deveriam integrar-se aos de saúde para organizar o atendimento educacional especializado a crianças que não podem freqüentar a escola por problemas de saúde.

Em dezembro de 2002, o governo federal lançou um documento denominado Classe Hospitalar e Atendimento Pedagógico Domiciliar. Esse documento dá as diretrizes sobre como devem ser o funcionamento e a organização das escolas em hospitais. O único impedimento para que a criança não estude nos hospitais é a opinião médica, desaconselhando para o momento.

Nos últimos anos tem crescido o interesse de educadores e médicos pelo assunto. O envolvimento da criança pelo estudo acaba, também, sendo útil à sua recuperação. A criança se cura mais rapidamente.

Como numa escola, existem compromissos que devem ser cumpridos pelos educadores e pelas crianças. No lugar do exercício para casa, há o exercício para a cama. Também o momento de brincar, que seria a hora do recreio. Há a preocupação de adaptar o conteúdo ao contexto da criança internada e o acompanhamento é praticamente individual.

Os professores precisam preparar-se para a educação especial voltada para crianças com problemas de saúde, freqüentar cursos de capacitação. Dificuldades existem e vão desde a condição psicológica e física do aluno até a necessidade de um trabalho interdisciplinar, já que não há professores de todas as áreas.

Os educadores são ligados às secretarias municipal e estadual de Educação, mas planejam internamente as atividades. Os trabalhos levam em conta o desenvolvimento de cada criança e informações obtidas nas escolas em que estão matriculadas. Lições, provas e outros relatórios de desempenho são enviados ao hospital e voltam à escola de origem depois de prontos. As tarefas e as provas são assim elaboradas em conjunto com as escolas de origem. Notas ou avaliações são sempre consideradas pelas instituições, o que impede que a criança perca o ano.

A medicina moderna segue essa interdisciplinaridade, unindo profissionais de saúde e educação. Referenda que o contato escolar aproxima a criança internada de seu cotidiano. Dá a ela a sensação de cura, esperança de sair do hospital, o que ajuda na sua recuperação.

Brincar e estudar humanizam o tratamento, despertam entusiasmo e vontade de curar.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em dezembro/2006)

EXEMPLO DE AMOR AO PRÓXIMO

Izabel Sadalla Grispino *

Nunca é demais repetir que educação é mola-mestra do desenvolvimento humano e social, o embrião que se ramifica por todas as atividades do viver.

Por isso, a escola mais que um centro de estudo, deve transformar-se num centro educativo de formação de diálogo, de orientação, de convivência comunitária. É preciso resgatar a importância da escola na abrangência de ações que envolvem todo o comportamento humano.

A Síntese de Indicadores Sociais de 2003, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicada em abril de 2004, assinala que educação influi no índice de morte na infância. O IBGE encontrou em 2000, entre mulheres com nível de instrução superior a 8 anos, uma taxa de 20 óbitos por mil nascidos vivos; no grupo com até 3 anos de estudo, a mortalidade foi muito maior: 49,3 por mil.

O Nordeste apresentou quadro mais desanimador: a taxa, entre os filhos de mulheres de baixa escolaridade, chegou a 70,3 mortes por mil, uma diferença de 151% em relação às crianças de mães com mais de 8 anos de instrução. Mostra o relatório que no Brasil as taxas de mortalidade infantil – menores de 1 ano – e  na infância estão muito acima do nível considerado “civilizado”, ou seja, 5 óbitos por mil nascidos vivos. Em 2002, o índice entre crianças de 1 a 364 dias foi de 27,8 mil. Já entre os menores de 5 anos, o indicador foi ainda mais elevado: 34 por mil.

Conclui o estudo do IBGE que o caminho para a redução de mortes na infância – menores de 5 anos – passa pela educação da mãe. O nível educacional influencia a atitude da mulher em relação ao acompanhamento da gravidez, à higiene e à saúde da criança.

A consciência do valor da educação toma vulto. Parece que estamos conseguindo despertar os estudantes para a realidade social. A reativação do Projeto Rondon, abordado por mim no último artigo, partiu da União Nacional dos Estudantes (UNE). A visão de mundo está se alargando, as necessidades sociais se visualizando e os estudantes começam a chegar à comunidade carente e, ao querer ser-lhe útil, idealizam projetos, no sentido de colaborar com ela, desenvolvendo ações educativas, preventivas de saúde.

Tomamos conhecimento, através da mídia, de jovens universitários, alunos da Faculdade de Farmácia de Araraquara (Unesp), que se embrenham pelas sendas das comunidades carentes. Sentem que a faculdade propicia pouco contato com a realidade e elaboraram, eles mesmos, programação de intervenção social. Receberam treinamento no Centro de Referência do  Jovem e do Adolescente, da Prefeitura, e entenderam que esse projeto não poderia ser confundido com os programas assistencialistas, como, por exemplo, doação de comida. Interessam-se pela saúde da população. Visitam as famílias no último domingo de cada mês, no ônibus da Unesp, orientam sobre remédios, saúde, higiene e medem a pressão arterial. Na faculdade, promovem exibição de filmes, debates para jovens, abordando temas como drogas, sexualidade e cidadania.

Essas ações sociais são voluntárias e praticadas com entusiasmo e dedicação, tanto que não existe problema de continuidade. Os alunos do 1.º ano aderem maciçamente, substituindo os que vão se formando, ............... uma corrente ininterrupta.

O projeto surgiu em 2001, através do Centro Acadêmico, com o nome de Atenção Farmacêutica Estudantil Permanente (Afep), que fez parceria com a Associação Amigos da Vida, que trabalha com dependentes químicos.

Aguardamos que estudantes de outras faculdades se mirem no exemplo desses beneméritos universitários e partam para novas ações de utilidade social, dando também sua parcela na construção de um mundo melhor, mais igual.

A esperança de um mundo melhor no amanhã surge, hoje, com a educação infantil, dando à criança não só um bom alicerce cognitivo, mas formando-a para a solidariedade, para a compreensão, para a compaixão, no enfraquecimento da competição para o exercício da cidadania. Essas crianças, abrigando valores, serão jovens mais participativos, mais solidários ao sofrimento humano, aos mais necessitados e estenderão, sem dúvida, seu olhar à comunidade carente.

Esses jovens foram preparados para desenvolver o sentido de humanidade e de trabalho. Alegra-nos tomar conhecimento de jovens, na idade entre 15 e 24, que cursaram pelo menos o ensino médio,  estarem entrando no mercado de trabalho com carteira assinada. É o que mostra um levantamento feito pelo secretário do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo, com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

Esse levantamento considera as 827 mil vagas formais criadas nos cinco

primeiros meses de 2004 em todo o País, consideradas um recorde desde 1992. Mostra que 60% dos novos empregos são ocupados por jovens de 15 a 24 anos, com, pelo menos, 8 anos de escolaridade.

Esses jovens fazem parte de uma juventude que passa um novo alento, na crença de um futuro melhor para a humanidade.

É preciso crer para ver. Continuemos implantando na criança e no jovem valores éticos, morais, humanos, comportamento solidário, participativo e, assim, podemos esperar um mundo mais produtivo, de mais paz, de mais justiça social.

As crianças de hoje serão os comandantes serenos ou atropelados de amanhã.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2004)

CONCLUSÕES SOBRE O RESULTADO DO ÚLTIMO ENEM

Izabel Sadalla Grispino *

Precisamos incentivar, reconhecer as boas escolas, não desanimar o ensino público.  Mas,  como  fechar os olhos diante de uma imensa rede de escolas públicas despreparadas, dotadas de fraca infra-estrutura, sem laboratórios de ciências, de informática, sem bibliotecas atualizadas, com jornais e revistas, com segurança ao deus-dará e com professores, na grande maioria, mal formados?

É preciso investir, de verdade, na classe popular, não apenas lançar discursos inflamados, em épocas de eleições. Na prática, usa-se a estratégia do tapa-buraco, dos arranjos e remendos provisórios.

Pesquisas têm mostrado que os professores da rede pública chegam a ser tão carentes quanto os seus alunos. Ganham mal, trabalham muito, não têm estímulo, nem dinheiro para investir na sua atualização, no seu aperfeiçoamento profissional. Os alunos, por sua vez, estão longe de conviver com um ambiente familiar que propicie a cultura, nem têm com quem falar sobre as coisas que acontecem ao seu redor e no mundo.

Essa falta de contacto do estudante com o conhecimento acaba por dificultar o pleno desenvolvimento de suas potencialidades, dificultar o desenvolvimento das competências e das habilidades. O mais comum é ele freqüentar a escola sem motivação por parte de sua família. É um quadro desolador que reforça a inferioridade educacional do estudante pobre e que acentua as desigualdades sociais.

Não nos causou surpresa o resultado do último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), noticiando que alunos das grandes escolas particulares do País são os detentores das melhores notas. No ensino público, a média mais alta chega a 41%, no limite de que o Enem considera ruim (40%). No privado, quase atinge a excelência, com 68%, com algumas escolas conseguindo nota acima de 70%.

Os jornais estampavam a receita das escolas campeãs: bons professores e boa infra-estrutura. São professores bem informados, bem preparados, atualizados, utilizando-se de uma metodologia avançada, que leva o aluno a produzir. Os alunos dessas escolas vão às aulas motivados pelas famílias, que pensam em deixar para os filhos a educação como herança.

O Enem revelou não apenas a disparidade entre escola particular e escola pública, mas, desigualdade entre escolas públicas do País e desigualdade entre as escolas particulares. Em São Paulo, o resultado de 10 escolas públicas assemelha-se ao das escolas particulares. São escolas tidas como grupos de excelência, ligadas a universidades, centros tecnológicos ou a militares, escolas existentes também em outros Estados do País e que apresentam muito bons resultados. No ensino público, os alunos que obtiveram melhor desempenho são oriundos de escolas técnicas.

Outras conclusões do Enem são possíveis assinalar:

a) Na rede particular, a avaliação revela que vários colégios particulares, com mensalidades caras, oferecem ensino precário, tendo seus alunos obtido resultados semelhantes aos de escolas públicas, fator que revoltou muito os pais, que não viram resultado de seus sacrifícios!

b) As escolas públicas com pior desempenho são as situadas nas zonas rurais e as que oferecem ensino do antigo supletivo: alunos da Educação de Jovens e Adultos (Eja). Alunos do Eja não revelam perfil de quem quer cursar o ensino superior.

Os resultados do Enem também mostram as desigualdades entre as regiões do País. As 6 piores capitais, segundo as médias de seus alunos, estão na região Norte, das 7 melhores capitais, 6 estão nas regiões Sul e Sudeste, mostrando as disparidades regionais.

O Enem é um exame realizado pelo MEC para concluintes do ensino médio. Ele não é obrigatório e sua nota é aproveitada em vestibulares e no programa de bolsas do governo federal, o ProUni.

O Enem é elaborado segundo as novas diretrizes curriculares do ensino médio, não é dividido em disciplinas e afere habilidades e competências dos alunos. Não mede conteúdo; pede interpretação de textos, relações e leitura de gráficos.

Os resultados do Enem apresentaram uma radiografia desfavorável ao conhecimento dos alunos que terminaram o ensino médio. Fala-se em investir no ensino médio, mas de que valerá investir num ensino médio com alunos egressos de um ensino fundamental fragilizado da rede pública? Uma boa educação depende de um percurso bem feito ao longo de todo processo. Precisa de um bom alicerce e o nosso não é bom.

A má qualidade do ensino público fecha a principal via de ascensão social para estudantes de lares pobres! A nossa desigualdade educacional cria um sistema de ensino de, pelo menos, dois níveis, um beneficiando pessoas bem nascidas, projetando-as socialmente, e outro, das pessoas carentes, deixando-as no anonimato, na marginalização social.

* Supervisora de ensino aposentada.             
(Publicado em março/2006)

LEITURA, INTERPRETAÇÃO E REDAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino*

Os recentes dados do MEC mostram que uma boa parte dos jovens, cursando o fim do ensino médio, é incapaz de entender o que lê. Esses jovens aspiram, geralmente, entrar numa faculdade e a interpretação do texto é a habilidade mais cobrada nos vestibulares, não apenas em português, mas em todas as matérias.

As questões exigem cada vez menos memória e em seu lugar utiliza-se de trechos extraídos de livros, jornais, revistas, tiras de quadrinhos e mesmo de propaganda. Esse processo vem ganhando as escolas em seus sistemas de construção do conhecimento, quando se prepara o aluno para desenvolver a capacidade de resolver problemas, de raciocinar, de ligar o conhecimento formal aos fatos de sua vida diária.

Para desenvolver a interpretação, o melhor caminho é a leitura. Uma leitura diversificada, de gêneros literários diferentes, jornalísticos, publicitários, poesias etc. Uma leitura atenta ao conteúdo, à forma de escrever, às regras gramaticais, tentando captar o que está nas linhas e, também, nas entrelinhas, isto é, o que está implícito no texto. Para tanto, o aluno deve ser orientado a uma leitura cuidadosa, instigado a ver além do que está simplesmente escrito.

O vestibular tem proposto questões contextualizadas, o que significa que o estudante deve analisar a situação, o contexto em que aparecem, para depois respondê-las. Deve ler jornais para se atualizar, para tomar conhecimento do que se passa ao redor, ao País, ao mundo. Aluno que lê acaba tendo um bom entendimento de texto e desenvolve a capacidade de se expressar bem. A leitura é a chave de uma boa redação, de um bom aproveitamento intelectual. Quanto mais o aluno lê, maior será a sua desenvoltura diante do saber. Infelizmente, o aluno brasileiro lê muito pouco e cada vez menos.

A escola, conhecedora dessa grave distorção no ensino da língua, deve atacar de frente o problema, criando projetos integrados a todas as áreas, não se restringindo ao português. Projetos isolados não trazem o reforço e a amplitude desejável. O que se observa, largamente, nas escolas, são experiências desarticuladas, em recursos que não se aproveitam entre si, em conteúdos que não se interligam, compartimentando o conhecimento.

Programas integrados, além do reforço, da visão ampla do assunto, fixam melhor o conteúdo e produzem, conseqüentemente, pela abrangência, melhores benefícios ao educando. Um estímulo geral, em relação à leitura, em exercícios de interpretação de textos e em redação, deve ser pensado em todas as disciplinas do currículo.

Um outro ponto importante na aprendizagem é ensinar o aluno aprender a aprender. A dedicação pode ser o grande método de estudo para quem deseja aprender. Ensinar ao aluno que ser dedicado significa trabalhar alguma coisa com determinação para atingir um objetivo; também é preciso haver motivação e essa motivação é grandemente ajudada pelo professor, pois nem todo aluno aprende de forma igual. Uns aprendem todo o conteúdo em sala de aula, outros necessitam revisar a matéria em casa ou voltar ao assunto novamente, com o professor. Cada um tem um ritmo, um estilo próprio.

O quadro atual da escolaridade brasileira é lamentável, não só em termos de qualificação, como em termos de abandono à escola. Vejamos o que nos expõe a Geografia da Educação Brasileira 2001, divulgada em março de 2003, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), do Ministério da Educação: a cada grupo de 100 alunos matriculados no ensino fundamental, 41 deixam a escola sem completá-lo. Os que conseguem se formar gastam, em média, 10,2 anos. Praticamente o tempo que levariam para cursar as 8 séries do ensino fundamental e as 3 do ensino médio, se não houvesse repetência.

A relação entre alunos que iniciam e terminam é melhor no ensino médio. De cada 100 alunos que ingressam nesse ensino, 74 chegam a concluí-lo e gastam, em média, 3,7 anos para cursar as 3 séries desse nível. Do total de alunos matriculados na 1.ª série do ensino fundamental, apenas 40% conseguem se formar no ensino médio. Ao repetir, o aluno acaba desanimando e saindo da escola. A repetência é uma das principais causas da perda da auto-estima do aluno e da exclusão escolar.

Junto ao atraso na escolaridade, à perda da qualidade do ensino, perde-se, também, o status social do professor. Perdem-se alunos, perde-se a boa formação acadêmica, não por se ter esgotado o papel do professor, mas pela decadência de todo um sistema de ensino. A escola, no seu âmbito, não consegue coordenar os projetos pedagógicos, que acabam ficando desarticulados, com projeções diferentes. Não consegue alcançar uma metodologia diferenciada, capaz de inclusão, não consegue entrar no mundo desmotivado do aluno carente ou exercitar estratégias que introduzam a qualidade do ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em fevereiro/2004)

Caixa de texto: Clique para voltar ao sumário* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em fevereiro/2004)

FORMAS DIFERENCIADAS DE ORGANIZAÇÃO ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

O nosso sistema escolar enseja uma variedade de formas de ensino. Além das escolas públicas, que seguem normas oficiais, há escolas particulares com diferentes formatos, diferentes modalidades, em projetos de permanente construção e reconstrução.

Surgiram na década de 90 as chamadas cooperativas educacionais, uma atividade empresarial dirigida por um conselho de pais-cooperados, eleitos em períodos regulares. A gestão administrativa, incluindo contratação de pessoal, e a gestão  educacional são feitas por profissionais de cada uma das áreas, escolhidos por competência, por mérito, afastando o protecionismo. Essas escolas vêm mostrando alto desempenho, muito boa organização e se multiplicando no Estado de São Paulo. Atestam que escola não é só um espaço físico, mas, sobretudo, resultado de um projeto educacional.

O IBGE, num levantamento feito em 2004, mostrou queda na renda das famílias, com influência negativa na procura por educação diferenciada. As escolas particulares, como outras atividades do setor de serviços, estão enfrentando dificuldades. A crise enfrentada pelas escolas mostra caminhos diferentes em sua solução. Algumas passaram a se preocupar menos com a qualidade do ensino, evitando maiores gastos e se concentrando no fluxo de caixa. Outras não se descuidaram da atividade-fim, tentando resguardar a credibilidade adquirida ao longo dos anos, na tarefa de educar. A inadimplência foi contornada, buscou-se proteger e conservar o seu patrimônio pedagógico, seus professores competentes, comprometidos com a boa educação.

Há grupos de escolas partindo para soluções mais imediatas para resolver o problema de evasão de alunos e a inadimplência. Estão se reunindo em uma “holding” que oferece mensalidades reduzidas, porque os professores são terceirizados. Desse modo, livram-se dos encargos da legislação trabalhista, como a remuneração do descanso semanal e as férias. O professor ganha pelo número de alunos que tem em sala de aula. O proprietário da escola apenas aluga espaço e instalações para uma cooperativa de docentes. A escola vende serviço educacional aos interessados.

A holding, chamada Colégio Brasil Novo, que em 2004 contava com adesão de 49 escolas, definiu o critério de remuneração: 25% da receita fica para os professores locatários e o restante para o locador. A holding propõe que os professores se empenhem e sejam fatores determinantes na atração e manutenção de alunos para evitar sua evasão.

Manter os filhos numa escola mantida por uma holding é uma opção dos pais, que preferem educar os filhos de forma diferenciada, preferindo o ensino privado ao público. A questão que se coloca, em relação a professores itinerantes, locatários de salas de aula, remunerados conforme o número de alunos que possuem, é a validade dessa organização escolar, da atuação docente, em termos educacionais e pedagógicos.

Escola é uma organização formal, necessita de um dirigente que responda por ela, que é responsável perante os alunos, os pais, a comunidade. Não é só um lugar que recebe alunos, mas representa uma filosofia educacional, uma linha pedagógica abrangente a toda instituição, capaz de responder pela execução de seu currículo, mantendo programas de educação compartilhada com toda comunidade escolar. É necessária uma coordenação das atividades docentes, planos pedagógicos interligados, correlacionados, integrados e jamais se colocar em projetos individualizados, representativos de cada professor. O ensino, há muito, deixou de ser  compartimentado.  As fronteiras do conhecimento se diluem cada vez mais na comunicação entre as disciplinas do currículo.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), no seu parágrafo único do artigo 25, define responsabilidade das autoridades educacionais. “Com essa Lei surgiu uma nova concepção de currículo e com ele uma nova concepção de escola. Nova em seu formato, em seu funcionamento, em sua organização, requerendo uma profunda revisão das metodologias de ensino... Revoluciona-se o conceito de currículo, que tem, agora, sua maior característica na flexibilização. A Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) prevê  a flexibilização na organização de cursos e carreiras e por isso torna possível a mudança que vale tanto para as escolas públicas como para as privadas. A idéia central é substituir a estrutura curricular, baseada em disciplinas e carga horária fixa, por outros modos de organização. Na educação básica por: séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios e formas diversas de organização, como módulos, reclassificações de alunos, aceleração da aprendizagem”. (do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), págs. 39 e40).

Após a promulgação da nova LDB, inovações vêm surgindo a cada passo. Contudo, necessário se faz avaliar bem as condições das inovações, o contexto do trabalho desenvolvido, a metodologia aplicada e os resultados obtidos, em termos acadêmicos e educacionais. As mudanças precisam ser bem pensadas, bem regidas, bem estruturadas pedagogicamente.

Uma das principais características da moderna administração escolar é a de avaliar continuamente os resultados, mantendo ou redefinindo seus planos de ação. Estamos vivendo a época do diálogo, tempos de parcerias, especialmente da escola com os pais de alunos, onde as decisões são, em parte, compartilhadas com responsabilidade. Nas mudanças, os pais devem ser esclarecidos e ouvidos em suas reivindicações.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2005)

INFORMATIZAÇÃO NAS ESCOLAS PÚBLICAS E PRIVADAS

Izabel Sadalla Grispino *

O cenário cibernético da informática com a internet toma conta das escolas. Computadores já não são mais exceções, mas regras nas escolas de São Paulo.

Segundo consta, 100% das escolas da rede municipal têm laboratórios de informática; na rede pública estadual, o número é de 50,4%. Nas escolas particulares, a inclusão digital é bem mais aprimorada, só se ressalvando escolas que não adotam o uso de computadores, porque vêem na tecnologia uma ameaça ao desenvolvimento da criança e do adolescente.

A crença generalizada é de que a tecnologia acelera o processo de aprendizagem, diversifica as ferramentas do ensino e amplia a visão do educando. O professor, bem treinado, consegue explicar em uma aula o que levaria três ou quatro e o aproveitamento do aluno é bem maior. As escolas vêm aderindo à lousa digital, que pode ser ligada a microscópios, projetores e também à internet. A lousa digital, ao lado do quadro-negro e do giz, é instalada nas salas multimídias e usada quando o professor quer dar uma aula mais dinâmica. Essa aula é um estímulo para o aluno, que a assiste com mais entusiasmo. A escola mescla aula a distância e aula presencial. As lousas eletrônicas abrem novas perspectivas, novas possibilidades de interatividade entre professor e aluno. Uma criação automática de provas é programada, impedindo a cola. Ainda, o aluno, com um simples comando no computador, pode ter, em mãos, impressa a aula que o professor acabou de dar.

Contudo, um estudo comparativo sobre o uso da informática, entre as escolas particulares e a pública, mostra o quanto o aluno pobre se distancia da evolução tecnológica exigida pela época. Fica à deriva dessa aprendizagem, aprende, apenas, o básico.

As grandes escolas particulares adquirem equipamentos caros, supersofisticados, atraindo cada vez mais alunos, criando um desnível colossal com as escolas públicas, no uso da tecnologia. O estudo cita, por exemplo, o Colégio Bandeirantes de São Paulo, com DVD player, projetor e computador em quase todas as salas de aula. Tem lousas digitais, um laboratório com PC e outro com notebooks interligados por rede sem fio. O grande destaque é o Classroom Performance System, uma sistema para o aluno responder questões de múltipla escolha exibidas no telão por um controle remoto, que permite ao professor saber quem respondeu o que. É utilizado, também, em aulas de revisão e para treinar os alunos para o vestibular. Entre outras utilidades, o sistema, surpreendentemente, faz um relatório e o professor fica sabendo qual a dificuldade específica de cada aluno.

Um outro aspecto muito interessante são os programas para a organização e distribuição de provas. O professor informa para quantos alunos a prova será aplicada e quantas questões devem ser respondidas por cada um. O sistema sorteia as perguntas e as distribui aleatoriamente pela classe, não permitindo que nenhuma prova fique igual à outra. Facilitando o trabalho, o próprio programa corrige o teste, seguindo as orientações passadas pelo professor ao software.

Os alunos da escola estão acostumados aos PCs desde pequenos em suas casas e acompanham com a maior desenvoltura todo o processo aplicado. Por sua vez, os professores têm que ser mestres em informática, dominar os conhecimentos de informática e, assim, conseguem facilmente manejar essa tecnologia, utilizada como ferramenta pedagógica. A linguagem da tecnologia é, por eles, introduzida naturalmente, sem entraves na comunicação. Professores e alunos estão familiarizados com o uso dos equipamentos eletrônicos.

Como o Colégio Bandeirantes, outras escolas privadas, de alto padrão, mantêm um ensino avançado em informática e usufruem de toda sua inovação. Mesmo escolas particulares menos equipadas oferecem ainda melhores condições para o ensino e uso da tecnologia que as escolas públicas, sempre em defasagem nos amplos aspectos do conhecimento. Os seus laboratórios de informática, quando existem, são mais tradicionais. Chegam a ter máquinas novas, usadas para trabalhos escolares e pesquisas na internet. Também, são usadas para ensinar rudimentos de informática e comumente seus alunos nunca tiveram, antes, a oportunidade de manusear um computador.

Ademais, o seu uso limitado do computador revela, em parte, a limitação do professor da rede pública, que não conhece métodos alternativos para essa tecnologia. Os alunos, segundo pesquisa, apenas complementam o que aprendem em sala de aula e acompanham outras experiências como o uso de câmaras e filmadoras digitais. A utilização dos computadores é feita de modo a que professores e alunos tenham os mesmos direitos. Quando se quer usá-los para um projeto ou para um trabalho, tem que marcar hora.

As escolas públicas, em geral, vêem os projetos propostos como algo sem muita utilidade. Não envolvem seus alunos em propostas de criação de conteúdo ou troca de conhecimento com crianças de outras escolas. A metodologia é rudimentar, bem diferente da utilizada por boa parte das escolas privadas. Dificilmente, chegam a ter programas educativos de matemática, história, ciências ou geografia.

Entretanto, o uso da tecnologia deve seguir critérios rígidos, em qualquer situação, seja das escolas privadas ou das escolas públicas, advertem os educadores. O uso indiscriminado e prolongado do computador acentua regressos em muitos aspectos do saber. Constata-se uma formação crescente de analfabetos funcionais. O aluno, apegado ao computador, ao videogame, à internet, à TV, não adquire o hábito da leitura. Lê mal e por conseguinte escreve mal, não tem uma imaginação trabalhada. Geralmente, copia os textos pesquisados da internet, mas não os lê, não os interpreta. Não desenvolve a análise crítica, a capacidade de interpretação.

Aprender informática, saber se valer dos aparelhos tecnológicos, são regras para a sociedade hodierna. Porém, o computador não pode, de modo algum, competir com a leitura. Ele não pode ser visto como um substituto da leitura. É preciso que ambos caminhem par a par. Que o aluno seja estimulado para o hábito de ler e que o uso do computador seja adequado, dosado, usado com criatividade e raciocínio. Se é usado de maneira tradicional, de maneira automática, não acrescenta nada ao saber do aluno.

A inclusão digital deve ser conduzida com cautela, para não atrapalhar a formação cognitiva, a formação moral do aluno. A internet é a porta da rua, que faz o aluno ir a qualquer lugar do mundo, a situações convenientes ou inconvenientes, que elevam a alma ou a degeneram. Deve ser conduzida e orientada pelos professores da escola.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2005)

LEI DO APRENDIZ

Izabel Sadalla Grispino *

Uma salutar iniciativa é a Lei do Aprendiz, quando adolescentes de 14 a 18 anos podem ganhar treinamento técnico em uma empresa, sem deixar de estudar. O aluno torna-se um aprendiz, adquire experiência em empresas, cujo trabalho é regulado por uma lei antiga, que foi reformulada em 2000 como Lei n.º 10.097. Essa lei foi abraçada pela Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente, no enfrentamento do desafio da exclusão de milhões de adolescentes. A fundação lançou em 12 de maio p.p. uma campanha publicitária para divulgar a lei e conscientizar empresas, sociedade civil, Sistema S, envolver entidades como Febraban e sindicatos, sensibilizá-los para a causa do adolescente carente.

A Lei de Aprendizagem obriga as empresas a reservarem no mínimo 5% das vagas, e no máximo 15%, para os adolescentes. Através de um contrato de trabalho, os empresários comprometem-se a matricular os aprendizes em cursos profissionalizantes do Sistema S, como Senai, Senac, Senar, Senat e Sescoop,  escolas técnicas ou ONGs registradas nos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente. Em contrapartida, os adolescentes assumem o compromisso de executar, “com zelo e diligência”, suas tarefas.

A estimativa é de que podem ser beneficiados entre 650 mil e 2 milhões de adolescentes. Segundo o Ministério do Trabalho e do Emprego, no ano passado, 41.445 adolescentes conseguiram ocupação.

A lei não tem nada a ver com trabalho infantil. A legislação proíbe o trabalho de menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz. Eles terão uma carga horária de 6 horas e o contrato não pode passar de dois anos, assegura direitos trabalhistas, como registro em carteira e salário mínimo/hora. Para o empregador, há redução de encargos: a alíquota do FGTS cai de 8% para 2%. As empresas que desrespeitarem a lei podem ser multadas.

Essa lei é um grande incentivo para os adolescentes que conseguem trabalhar, aprender, receber salário e, o mais importante, continuar estudando. O jovem que pára de estudar – para  trabalhar e ajudar a família – dificilmente voltará aos estudos. A lei  tem caráter educativo e proíbe o aluno de deixar de estudar.

Atualmente, há 3,2 milhões de adolescentes entre 15 e 17 anos que estão no mercado informal ou estão sem trabalho. Apesar de o Brasil proibir o trabalho de jovens antes dos 16 anos, a não ser como aprendizes, no ano de 2001, uma pesquisa do IBGE revelou que mais de 2 milhões de meninos e meninas de 5 a 14 anos estavam trabalhando, comprometendo os estudos e a saúde.

A divulgação e a conscientização da lei, por parte das empresas, da sociedade civil, dos governos, devem merecer a atenção de todos. É uma atitude de relevância social, de qualificação profissional. Os meios de comunicação têm abraçado a causa, divulgando inclusive a diferença entre aprendiz e estagiário.

Aprendiz

• Tem vínculo empregatício;

• Tem carteira de trabalho especial assinada para aprendizagem, com duração de, no máximo, 2 anos;

• Recebe salário mínimo/hora;

• A empresa contratante tem encargos trabalhistas e previdenciários com redução do recolhimento do FGTS de                                   8% para 2%;

• Recebe formação técnico-profissional metódica, com atividades teóricas e práticas e tarefas de complexidade                          progressiva;

• ter de 14 a 18 anos incompletos e estar cursando ou ter concluído o ensino fundamental.

Estagiário

• Não há vínculo empregatício;

• Assina termos de compromisso por período não inferior a um semestre letivo;

• Pode receber bolsa ou outra forma de remuneração a combinar;

• Tem seguro de acidentes pessoais;

• Complementa o ensino, é acompanhado e avaliado conforme currículos, programas e calendários escolares;

• É aluno do ensino superior, do ensino médio, da educação profissional de nível médio ou superior e de escolas de educação especial.

No Estado de São Paulo, 220 empresas buscam aprendizes na ONG Ensino Social Profissionalizante (Espro), que forma 1.200 por ano. A ONG Movimento Degrau, fundada em 2002 para inserir jovens no mercado, está presente em 78 cidades. Esta ONG propôs, em março deste ano, no 48.º Congresso Estadual de Municípios, um “Pacto pela Juventude”. Esse número de aprendizes pode ser aumentado e muito pelo trabalho de divulgação e conscientização. O estudante, após o período de aprendiz, após ter concluído o ensino fundamental e estar cursando o ensino médio ou, mais tarde, uma faculdade, pode retornar à empresa, agora como estagiário.

Professores, diretores de escola, devem inteirar-se sobre esse assunto de importância social e orientar seus alunos, suas famílias, falar à sociedade civil, aos empresários, fazendo valer a Lei do Aprendiz.

O adolescente, como aprendiz, sente que ali, na empresa, começa um mundo novo para ele. Ele recebe um preparo para entrar no mercado de trabalho e é um grande incentivo para que se dedique, se empenhe cada vez mais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2004)

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Izabel Sadalla Grispino *

A Educação de Jovens e Adultos (Eja), antigo supletivo, quer garantir que os recém-alfabetizados não voltem a ser analfabetos. São pessoas que, geralmente, fracassaram no sistema escolar, já com histórias de vida, com conhecimentos próprios e que têm pressa para aprender.

O professor não pode partir do pressuposto de que o aluno da Eja não sabe nada. Precisa ensinar a partir dos conhecimentos por ele já adquiridos. Trabalha-se a auto-estima, conquista-se o aluno, valorizando o seu saber. A Eja favorece adultos e jovens, visto estar comprovado que alunos de pais analfabetos ou de pouca escolaridade avançam pouco nos estudos.

Faltam políticas públicas voltadas a essa área. Ela deve ser tratada com a mesma atenção, o mesmo interesse dados a toda educação básica, para não se condenar a geração atual ou passada a não se escolarizar. Segundo constatações, pouco se investe nessa modalidade de ensino.

A Eja de qualidade pede professores capacitados especificamente para ensinar adultos. O professor bem preparado é chave para combater o maior problema da Eja: a evasão. O professor precisa ter sempre presente as características dos alunos desse nível de ensino. Se o professor não tem a técnica, a cumplicidade, o aluno deserta.

A Eja compreende os ensinos fundamental (1.ª a 8.ª séries) e médio, mas cursados em menos tempo. Estudos mostram que não adianta um programa pra baixar os índices de analfabetismo – hoje em 13% -- se os alunos não continuarem seus estudos.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, pede que todos os professores do País estejam formados em nível superior até 2007. Mas, o Brasil professores que sequer terminaram o ensino fundamental: são 282 entre os que trabalham em Eja. Outros 1947 não chegaram a completar o ensino médio. Faltam professores preparados para ativar no setor. O Brasil só tem 14 instituições de ensino superior com cursos que ensinam a atuar em Eja. (A Eja é também oferecida por escolas privadas ou pelo terceiro setor).

A Eja completa e piora o quadro ruim da educação no Brasil. Das avaliações em que a Eja participou revela, em todas, o pior desempenho. No Enem teve uma participação deprimente, teve notas tão ruins quanto os piores estudantes do ensino médio regular.

Segundo a divulgação do MEC em fevereiro de 2006, nota-se que as piores escolas públicas de capitais, como Florianópolis e Vitória, têm notas melhores que a média de Eja. Nota-se que não há grande diferença entre o aluno de Eja pública e de Eja particular, como ocorre no ensino médio comum.

O que se percebe é que a Eja privada muitas vezes acaba sendo um processo facilitado não desejado do ensino, com cursos de poucos meses ou de apenas um ano. No ensino público, há mais controle e exigência mínima de dois anos para cursar da 5.ª à 8.ª série e mais um ano e meio para as três séries do ensino médio.

Os alunos da Eja, além de refletir o perfil do aluno mais pobre, mais excluído, convivem com os problemas do curso noturno, onde há mais falta de professores e menos tempo de aula – a Eja só funciona no período noturno.

O que se recomenda para adultos é uma educação centralizada em competência da vida, incentivo à pesquisa, à leitura e ao uso do raciocínio. Exigir menos conteúdo e desenvolver mais as habilidades e competências dos alunos.

A Eja antes era marginalizada, hoje, preparam-se professores para um trabalho específico para seu público, levando em conta suas experiências.

A melhor escola de Eja do País é de Natal. Na lista das 10 mais conceituadas, há 5 no Rio, uma de Minas, 1 de Santa Catarina, 1 da Bahia e 1 de São Paulo. A escola paulista, a única pública entre as melhores, fica em Campinas, mas sua classe de Eja deixou de funcionar este ano – 2006 – por falta de demanda.

Um grande trabalho de assistência, atualização de divulgação, precisa ser feito no Brasil, sobre a Educação de Jovens e Adultos.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em janeiro/2007)

O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DO BEBÊ

Izabel Sadalla Grispino *

Hoje, há comprovação científica dos benefícios advindos dos carinhos espontâneos feitos pelas mães, ao cuidarem de seus bebês. Através de balbucios, caretas, brincadeirinhas, ruídos com chocalhos, as mães estimulam sensações com toques, ajudam a criança a explorar o espaço. Tudo feito de maneira lúdica, de mera distração.

A medicina neurológica, por instrumentos sofisticados, consegue detectar movimentos cerebrais mínimos e vem demonstrando que esses gestos maternos trazem efeitos, que vão muito além do lúdico. Na fase dos 0 a 3 anos, são considerados fundamentais e influenciam a vida toda do bebê. É nesse período que o cérebro desenvolve os sentidos, a linguagem, os movimentos, as emoções.

Essas descobertas científicas vêm reforçar comportamentos praticados naturalmente. As creches mais evoluídas mudaram, a partir de então, seus métodos de atendimento, transformando-os em atividades mais científicas que intuitivas. É uma nova visão que não diz respeito à escolarização precoce, mas à estimulação do cérebro. Desde o útero materno, os neurônios do bebê fazem contatos, transmitem informações entre eles, nas chamadas sinapses. Ao nascer, a maioria das conexões fica à espera de estímulos que darão continuidade a essas sinapses. É como um instrumento musical, pronto para produzir som, esperando que alguém o toque, surgindo a música.

Sem esses estímulos, muitas das conexões se perdem e dificilmente são recuperadas. As pesquisas revelaram que animais, privados de receber luz nos primeiros meses de vida, podem perder a visão para sempre. Considera-se que com os bebês haja o mesmo risco.

Os neurologistas explicam que, nos primeiros 3 anos de vida, quanto mais estímulo, mais e melhores conexões serão escolhidas. As que não são usadas sofrem um processo de regressão.

É preciso que fique claro ao educador que essa atitude não significa encher a criança de atividades, ensinar matemática, música, línguas, antes de completar 3 anos. Esse tipo de conhecimento não desperta nenhum interesse na criança pequena e não favorece seu desenvolvimento.

A professora Marieta Nicolau, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), orienta: “Não tem nada mais saudável para a criança do que brincar. É assim que ela aprende as palavras, faz comparações. Os cuidados rotineiros, como trocar a fralda ou dar banho, não podem ser automáticos. É importante conversar sempre com o bebê, mesmo que ele não entenda o que está sendo dito. Ele capta a sonoridade e se sente querido, porque tem a atenção do outro.”

Em escolas de educação infantil que adotam esse processo renovado, bebês convivem com crianças de 5 anos, ouvem música, histórias, brincam juntos. Ficam no berço só enquanto dormem. Aquários, salas temáticas, fantasias, ajudam nas atividades. As crianças de 0 a 3 anos divertem-se com as estimulações e aprendem limites, cuidam de si próprias, convivem socialmente, em um ambiente que nada se parece com a sala de aula. A criança fica mais ativa, mais comunicativa na convivência com outras crianças. As creches perdem, gradativamente, seu caráter assistencialista, colocando ao lado da necessária assistência, como trocar fralda, dar banho, comida, levar o bebê para dormir, a preocupação com a correta estimulação, propiciando a esta criança, amanhã, uma melhor escolaridade, uma melhor aprendizagem.

Quanto mais estímulo receber a criança, melhor. A ciência nos mostra que o cérebro humano, em seu desenvolvimento, passa por etapas. Antes do nascimento, os cerca de 100 bilhões de neurônios fazem a maioria das conexões, chamadas sinapses. Depois do nascimento, os estímulos recebidos  levam  o  cérebro  a  selecionar  as conexões que vão permanecer. Depois dos 3 anos de idade, o sistema nervoso entra no processo de maturação. Em um cérebro já amadurecido, novas conexões são muito mais difíceis.

O processo de valorização das atitudes, em relação à criança, ainda é muito recente. O desenvolvimento do bebê ainda é desconhecido por grande parte dos educadores. Foi só na metade do século XX que a pedagogia começou a voltar-se mais para a educação da criança pequena. Até pouco tempo, acreditava-se que qualquer pessoa podia cuidar da criança, havendo, inclusive, uma desvalorização da profissão e não se exigia do professor a formação correta. A exigência atual é de que os professores tenham, pelo menos, o ensino médio. Mas, a partir de 2007, segundo reza a LDB, todos devem ter concluído o ensino superior para serem admitidos em creches.

O professor de educação infantil precisa conhecer bem o desenvolvimento da criança e ter uma boa formação geral, porque o bebê aprende, também, pelo processo imitativo, o que quer dizer: se o adulto, que está com ele, fala errado, a criança vai falar errado também. A boa formação profissional influi diretamente na boa formação da criança.

No ano de 2003, as creches públicas de São Paulo sairão da responsabilidade da Secretaria de Assistência Social para integrar a Secretaria da Educação, conforme exige a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) desde 1997.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2002)

O ENSINO RELIGIOSO

Izabel Sadalla Grispino *

O momento conturbado, desencontrado, violento em que vive a sociedade, está referendando o retorno ao ensino religioso nas escolas, compreendido como reflexão sobre o mal, sobre a ética, valores e princípios de cidadania, sobre a relação do homem com Deus, sobre a valorização da vida.

O Conselho Estadual de Educação, pela deliberação CEE-16, de 27 de julho de 2001, regulamentou as aulas de religião, no ensino fundamental, das escolas estaduais de São Paulo, com seu início a partir de 2002. É um ensino religioso não confessional. Contudo, prevê aulas extracurriculares de religião confessional, dadas por voluntários das diferentes entidades religiosas, a partir da opção da família do aluno.

Segundo a Secretaria Estadual da Educação, professores de 1.ª a 4.ª série e docentes de história, filosofia e ciências sociais serão capacitados para essas aulas. Nas 1.ªs séries do ensino fundamental, a religião fará parte do conteúdo geral. Só na 7.ª e 8.ª séries, haverá uma aula específica por semana. Contudo, seu ensino iniciou-se com as 8.ªs séries.

Este ensino abrangerá a história das religiões, sua importância nas culturas dos povos, respeitando o pluralismo cultural e religioso, estimulando a prática do diálogo, levando a uma convivência de tolerância e de compreensão.

A Constituição brasileira de 1988, reconhecendo a importância de religião na vida das pessoas, estabelece, no parágrafo 1.º do artigo 210, a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas: “O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”.

A Lei n.º 9.475, de 1997, acrescentou: “O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurando o respeito à diversidade cultural, religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo”.

Todos só têm a ganhar com a inclusão do ensino religioso no currículo escolar. Ganha o aluno, a família, a sociedade, o mundo, porque esse ensino é aquele que alcança a alma, que orienta à prática dos valores morais e espirituais, que expande o amor, com vistas à solidariedade, ao compromisso ético, à compreensão do homem e ao autoconhecimento.

A sociedade, marcada por desigualdades de condições referentes a bens essenciais, a juventude desassistida, buscando sentido para a própria vida, encontrarão, nos projetos educacionais, que visam o bem comum, que visam a conscientização da responsabilidade pessoal e social, amparo e vôos de esperança.

O ensino religioso passará a ter orientação de especialistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Para o ano de 2003, as escolas contarão com livros didáticos e vídeos para serem usados em salas de aula, elaborados por professores e pesquisadores da Unicamp. A Unicamp programa, também, realizar cursos de capacitação e acompanhamento pedagógico aos professores, promovendo encontros com assistentes técnicos, pedagógicos e supervisores de ensino.

As orientações apoiam-se na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) que estabelece um ensino supraconfessional, quando trata todas as religiões da mesma forma, distanciando-se do campo doutrinário. A visão pessoal do professor não deve contar e sim a visão multirreligiosa. Em muitos Estados, criam-se conselhos ecumênicos para reger o ensino, evitando doutrinas religiosas, das várias denominações.

O objetivo maior desse ensino é abordar valores universais. O artigo 33 da LDB, alterado em 1997, diz que o ensino religioso deve ter um conteúdo de caráter universal, sem privilegiar nenhuma religião. Os conteúdos das disciplinas devem promover o entendimento e a vivência dos valores universais, éticos, morais, religiosos e de cidadania.

Segundo informes, o projeto da Unicamp é fiel a esta orientação, não se resvalando para “chavões moralistas ou formação doutrinária”. Esse ensino deve passar as histórias das religiões, deixar entrever elementos semelhantes entre elas, numa análise enriquecedora, porém, imparcial. Os alunos vão percebendo as diversas convicções, as diferenças entre elas, alargando a compreensão da própria crença. Aprendem a respeitar e a valorizar as outras religiões, entendendo que, pela convicção, para cada pessoa a sua religião é a correta. O importante é fortalecer a alma, melhorar a formação do ser humano e ensinar a convivência pacífica. O importante é o aperfeiçoamento pessoal levando ao aperfeiçoamento social. É compreender que os novos tempos não surgem na virada dos séculos, dos milênios, mas no coração que se converte, que muda de rumo e descobre que ele e o próximo têm destino comum, morada comum, vivendo num mundo divino. A procura incessante do homem por Deus sinaliza a busca de um sentido maior para a existência.

A dimensão religiosa, no ser humano, é surpreendente, percorre todos os ângulos da alma, forma unidade no bem, juntando a moral, a justiça, o amor. O brasileiro, de índole religiosa, baterá às portas do reino da paz e espalhará, entre os homens, a virtuosa espiritualidade, com vistas à reversão dessa sociedade violenta.

Que a escola saiba como assentar esse ensino, no respeito à liberdade religiosa de cada estudante, extraindo das religiões sua essência maior, seu traço de união, que é Deus, e os seus ensinamentos. Ensinamentos que virão a ser, assim o esperamos, o alicerce de toda sociedade, eticamente constituída.

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2002)

CAMINHADA TRANSCENDENTAL DA CIÊNCIA E DA FÉ

Izabel Sadalla Grispino *

Ao longo da existência, foram constantes os confrontos entre fé e razão. A dualidade sempre existiu, entretanto, durante um bom período, o mundo ocidental permaneceu como que mergulhado num ambiente ditado pelo materialismo dialético, pregado pelos marxistas, e as teorias, sobre a origem e a natureza das coisas e do universo, ficaram, por assim dizer, submersas, especialmente se abordassem perspectivas transcendentais, com a idéia de Deus.

A Bíblia era deixada de lado, com sua teoria “criacionista”, que põe Deus na origem das coisas, do universo, em que tudo teria sido criado por Deus. Parecia que a tese defendida por Charles Darwin, sobre a evolução, se permanecia como definitiva, na qual a vida seria o resultado de uma combinação casual em que coincidem o instinto de perpetuação e reprodução das espécies, as suas características peculiares e as mutações genéticas, criando, ao longo dos anos, o perfil de todos os seres viventes. Mas, não se conhece, contudo, uma palavra de Darwin, que negasse a existência de Deus. Hoje, a antiga discussão volta a circular, fortemente, nos meios acadêmicos. De um lado, a convicção da existência de Deus ou a sua admissão; de outro, a dúvida de que exista uma inteligência superior governando o universo.

Mais cedo ou mais tarde, o homem acaba sentindo a necessidade de abrir diálogo com o infinito, de questionar o significado maior da vida, de refletir sobre as questões transcendentais que emergem de nossa finitude, de indivíduos destinados à morte. Quem somos nós? Como nos originamos? Por que nascemos? Para que vivemos? Para onde iremos? São questões que inquietam a ciência e que encontram respostas nas verdades da fé, reveladas por Cristo, há mais de 2.000 anos.

Estas reflexões são constantes entre cientistas e filósofos e sempre trazem alguma luz às nossas especulações. Ressaltamos entre elas, dois pensamentos: há os que dizem sermos nós entes binários: entes físicos (fisiológicos) inseridos na natureza e entes morais, de cunho ético e espiritual. Dupla estrutura desenvolvendo-se ora separadas, ora de maneira complementar. “Somos aquele que está aí, num determinado momento, para sentir, pensar e agir, durante um espaço de tempo... Somos lançados para viver os conflitos existenciais, viver a inevitável angústia, a inquietação, que são características inseparáveis do nosso existir" (do filósofo alemão Martin Heidegger).

O ser fisiológico ou natural não é um ser incondicionado, mas resultante de seu condicionamento genético, de seu próprio e inconfundível DNA. Essa concepção binária passa pelo domínio  da  crença.  Seus  adeptos  reconhecem ser  difícil  a  sua  comprovação,  em  relação  às  verdades  positivas  da  ciência,  e  se  enveredam  pelo  plano afetivo-transcendental, para encontrar o sentido de estarmos no mundo. Karl Popper nos fala em condições biológicas e condições axiológicas, as responsáveis pelas “predisposições éticas ou valorativas” que correspondem à vocação de cada ser espiritual.

Outro pensamento reduz o existir a um único pressuposto físico ou biológico. Encontram na fisiologia e na física resposta à sua concepção “naturalista” da vida. A parte ético-espiritual seria uma mera conseqüência ou reflexo do corpo físico. As formações do cérebro pressupõem a existência da consciência da vida interior, como quer o neurólogo John Ecclis. Esse grupo faz parte da ala racionalista, adeptos do racionalismo científico, que acham que a razão explica tudo.

Em nossos dias, ao que parece, ciência e fé caminham para um encontro, desmistificando o passado, que as separava, dizendo que ciência e fé não se entendiam. Há, ainda, hoje, os que assim acreditam, mas, o seu contrário ganha espaço e fortes convicções.

Em termos de fé, entramos no terreno da crença e da criatividade; em termos de tecnologia dos fatos e da física no terreno da razão, onde não valem visões proféticas, paixões. Mas, eis que surge uma forte corrente científica afirmando que só a fé capacita o homem a dar um salto avante e cria uma ponte entre ciência e fé. Diz que a fé está no centro de todo processo de inovação.

A ciência evolui e muda seu processo investigatório: imaginação, intuição e hipótese são os primeiros passos da criação técnica. Uma lei básica da criatividade intelectual estabelece que a crença precede o conhecimento. É preciso confiar na intuição e agir com fé, antes de poder saber realmente.

A fé religiosa assume várias formas, mas todas se vinculam à entrega, a idéias ou conceitos, que são, a princípio, improváveis, incalculáveis impiricamente. Podemos não nos caracterizarmos como religiosos, mas o ato de criação é um ato religioso, de fé, de crença, de intuição. Assim, a ciência muda de metodologia e a fé se abre para entender e se completar na ciência, que é, em última instância, uma iluminação vinda do Criador.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2001)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

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A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

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A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

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