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Artigos Educacionais

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

MATÉRIAS HUMANÍSTICAS PARA O ENSINO MÉDIO

Izabel Sadalla Grispino *

O currículo do ensino médio passa por reformulação. Em novembro de 2002, a Secretaria da Educação estipulou um acréscimo na grade curricular do 2.º e do 3.º ano, das escolas da rede pública estadual, incluindo as disciplinas: filosofia, sociologia e psicologia. As escolas incluirão pelo menos uma dessas três disciplinas. A decisão sobre as matérias a acrescentar cabe à própria escola.

O aumento do número de disciplinas, de 9 para 12, não é, contudo, acompanhado do aumento da carga horária, que continuará sendo de 5 horas no período diurno e 4 horas no noturno. As escolas passarão a ter menos aulas das disciplinas tradicionais, como língua portuguesa, matemática, história, geografia ou inglês.

A inclusão das novas disciplinas contempla uma reivindicação da classe do magistério, que defende o enriquecimento do currículo, em matérias que ajudam a formar consciência de cidadania e a desenvolver  criticidade. Louva a inclusão, mas lamenta a diminuição da carga de outras disciplinas. Esperava que ela fosse acompanhada de uma hora a mais na carga diária. Considera as matérias filosofia, sociologia e psicologia importantes para a formação integral dos alunos, mas não concorda com a proposta de diminuir a carga das outras disciplinas. Entende que essa redução vai afetar o montante da aprendizagem. Sugere a volta da grade curricular de 1997, quando os alunos tinham 6 aulas de 50 minutos no diurno e 5 no noturno.

O secretário de Estado da Educação, Gabriel Chalita, contra-argumenta, dizendo que a redução no número de aulas das outras disciplinas, de 5 para 4, é muito pequena e em nada interferirá na qualidade do ensino.

A Secretaria ainda define uma cota mínima de horas-aula para 2003 das matérias tradicionais, um valor que seja suficiente para não prejudicar os alunos, diz ela. Para o Ministério da Educação, a mudança não vai atrapalhar as outras matérias, podendo, inclusive, ajudar na compreensão geral. “Os alunos poderão melhorar o seu desempenho em outras matérias porque passarão a ter uma compreensão melhor dos assuntos”, diz a diretora do Ensino Médio, Maria Beatriz Gomes da Silva.

As escolas, pela legislação, têm autonomia para definir como incluir novas disciplinas. A lei exige, apenas, que sejam dadas no mínimo 800 horas anuais e 200 dias letivos.

A concepção atual de currículo é formulá-lo, não por disciplinas estanques, mas englobadas, atadas em áreas de conhecimento, favorecendo o método interdisciplinar. Para abraçar a reforma, precisam-se derrubar as paredes do individualismo das escolas. Formar uma comunidade de professores que discuta o entrelaçamento de suas disciplinas, evitando a compartimentalização. Hoje, a idéia é do profissionalismo interativo, o de atuar em conjunto, melhorando o ensino, não por partes, mas no todo, como uma comunidade. O conteúdo de uma disciplina completa o da outra, liga-se um no outro, numa amplitude de conhecimentos. Os professores precisam aprender a trabalhar mais unidos, tanto no aspecto conceitual, como no atitudinal e no comportamental. Portanto, o número de aulas não é o grande fator preponderante, mas, sim, como essas aulas são dadas, como se entrosam, se complementam, enriquecendo-se mutuamente. A qualidade não provém apenas da quantidade de aulas, mas da capacitação do professor, do compromisso com o ensino, dos investimentos empregados.

Na tentativa de melhorar a atuação do professor, criam-se movimentos paralelos que venham contribuir com a escola. Foi lançada em 26 de novembro de 2002, no encontro “A Escola dos Nossos Sonhos”, a idéia da criação de um espaço permanente de debates e sugestões para a melhoria da escola pública. Espaço que teria o caráter de fórum permanente da educação, com a participação de sindicalistas, empresários, pais de alunos, jornalistas, organizações não-governamentais entre outros setores da sociedade.

A partir de fevereiro, a cada 2 meses, um grupo de convidados se reúne na capital e apresenta suas idéias. Simultaneamente, a Secretaria deseja estimular encontros semelhantes, de pais, associações de amigos de bairros e líderes comunitários, nas 89 diretorias de ensino do Estado. A proposta é de que os encontros reunam, de preferência, pessoas de fora da escola, para tratar de assuntos referentes a ela.

Segundo o pensamento da Secretaria, os educadores já são ouvidos em outras instâncias. Quer, a cada 2 meses, 20 pessoas, que não sejam da rede pública, atuando como um conselho, cujo peso de suas opiniões será de alto alcance.

Será um peso ao lado do grande peso que é o Conselho Estadual de Educação. Um Conselho que forme canais de discussões sociais, levante questões, proponha soluções em aspectos relevantes, esquecidos ou desconsiderados pela Secretaria da Educação.

Arregimentam-se forças  a fim de tornar a escola uma alavanca da nacionalidade. Espera-se que se leve a sério tal iniciativa, que lhe dê consistência e a estimule à continuidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2003)

A ESCOLA REVOLUCIONÁRIA

Izabel Sadalla Grispino *

Escolas “sui generis” começam a despontar no cenário educacional, acentuando processos revolucionários do ensino-aprendizagem, algo como reinventar a escola da educação básica. Escolas que voltam a se inspirar na Sommerhill, escola dos anos 20 da Inglaterra, que se multiplicou pelo mundo, preconizando a liberdade de escolha do aluno e sua participação nas decisões de sua aprendizagem.

Surge em São Paulo a Lumiar, uma escola inovadora, modelo democrático, baseada, sobretudo, no interesse natural que a criança tem de aprender. Uma escola que elimina as salas de aula, o recreio, as provas, as disciplinas, os horários rígidos e até os professores. Quem ensina são profissionais de diversas áreas: médico, jornalista, arqueólogo, músico, marceneiro etc. São profissionais pré-selecionados, que freqüentam a escola, com a função de atrair a atenção das crianças para diversos projetos, como montar um minizoológico, fazer uma horta, um jornalzinho...

As crianças participam ou não dos projetos, de acordo com seus interesses. A escola considera que o modelo tradicional barra a criatividade do aluno. Por meio de atividades atraentes, as crianças, na faixa etária de 2 a 6 anos, vão assimilar as disciplinas tradicionais do currículo, português, matemática, história, geografia... A alfabetização vai sendo facilitada pelo estímulo para ler e escrever durante os projetos. Como a escola é bilingüe, alguns profissionais, em contato com as crianças, falam em inglês. São os pais ou os próprios alunos que fazem seus horários, escolhendo as atividades em que se interessam.

A base da aprendizagem está centrada no interesse da criança. O entendimento é de que se a criança não estiver interessada, não vai aprender nada. Educadores acompanharão de perto as crianças durante os projetos. Ficam atentos às suas escolhas para saber qual conhecimento estão adquirindo e como orientá-las para o que está faltando. Observam como está sendo feito o seu desenvolvimento e mantêm com as crianças conversas diárias.

A Escola Lumiar, como a Sommerhill, apresenta característica democrática, prega a liberdade e a participação dos alunos nas decisões da escola. A criança tem autonomia para decidir se quer ou não assistir às aulas, comportamento – acreditam seus seguidores – que passa noções de limite e cidadania. Especialistas elaboram currículos variados, projetos práticos, com aprendizagem mais efetiva. Partem do pressuposto de que tudo o que se aprendeu na escola tradicional, muito pouco ficou retido. Ao dar tudo pronto, essa escola barrava a criatividade, mola-chave da educação do presente.

A Escola Lumiar não se preocupa apenas em cumprir o currículo, mas formar o aluno para ser independente, a saber tomar decisões, a ser criativo, a sentir prazer no que faz. Porém, as matérias tradicionais serão sempre observadas. É um formato de escola que atrai e que diversifica os padrões de ensino. Como encarar sua linha de trabalho?

A Lumiar trabalha com campos de conhecimento e não apenas com disciplinas, conforme orienta a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). É uma escola que revoluciona métodos de aprendizagem, que oferece maneiras diferentes de aprender, utilizando-se da prática do ensino, baseadas nas escolhas dos alunos. Vale a pena acompanhar seu processo, sua metodologia, inteirar-se de sua validade, de seus resultados. Oferece um ensino para uma clientela selecionada, elitista, requer um alto investimento, profissionais qualificados – tem um coordenador para cada grupo de 10 crianças!

Tem um requinte que, certamente, não abrangerá escolas em grande escala, sem possibilidade de se pensar em escolas oficiais. A escola parte de pressupostos válidos para a educação: “Eu ouço e esqueço. Eu vejo e lembro. Eu faço e entendo”. Acredita no potencial e na inteligência do aluno. Acredita na liberdade de escolha, conduzindo à auto-afirmação.

Restrições a ela são colocadas por alguns educadores que acham preocupante a excessiva liberdade, tanto mais por se tratar de crianças da educação infantil, faixa de idade em que não têm estrutura, não estão prontas para escolhas decisivas e tão variadas. “A quantidade de informações, de atividades propostas pelos profissionais, provocam muitos estímulos e a criança pode sentir-se perdida”, diz a educadora da USP, Marina C. Moraes Dias. Ela compara à situação em que se colocam diversos brinquedos na frente da criança e ela fica sem saber o que fazer com eles. “O que pode ser maravilhoso para os de 7 e 8 anos não funciona necessariamente com os menores”.

Outra restrição é a ausência da figura do professor para organizar as atividades a serem propostas ao aluno e executadas de acordo com a idade da criança. A mediação do professor dá à criança mais segurança, mais suporte emocional. Contudo, o método da Escola Lumiar é extremamente sugestivo, inovador, com projetos que atraem o interesse dos alunos e possibilitam trabalhos originais. Dá ênfase à auto-estima do aluno. É uma escola diferente, sem salas de aulas, mexe com a imaginação pedagógica,  com o prazer de conhecer, na prática, seus resultados, para tê-la ou não como alternativa à educação básica.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2004)

CRÉDITO EDUCATIVO PARA O UNIVERSITÁRIO

Izabel Sadalla Grispino *

Como o estudante deve orientar-se na busca do crédito educativo? Surgiu recentemente, cerca de um ano e meio, o financiamento privado do ensino superior. São créditos educativos oferecidos por empresas particulares, por intermédio da própria universidade. A pesquisa feita pela CM Consultoria, realizada em junho p.passado, com 86 universidades privadas revelou que os financiamentos privados estão previstos em 18% das instituições.

Os alunos cursam a faculdade e começam a pagar a dívida um ano após terem se formado, dividindo a prestação em muitos anos. A adesão a esse crédito educativo explica o aumento do número de vagas em faculdades particulares na última década, atraindo alunos com baixo poder aquisitivo. Ele tem combatido a inadimplência que, segundo o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino (Semesp), gira em torno de 25%.

Uma outra modalidade é o Financiamento Estudantil (Fies) do governo federal, que cobre até 70% das mensalidades de alunos carentes.

Cada financiamento tem suas regras, mas todos cobram juros mais altos do que os do Fies e mais baixos do que os bancários. O financiamento do governo cobra 9% ao ano, os privados trabalham com taxas que vão de 1,5 a 3,5% ao mês, e os bancos chegam a cobrar 2% ao mês, dependendo do tipo de crédito e da instituição. Todos exigem um fiador, além de bom rendimento escolar.

Se o aluno estiver com a documentação em dia, o financiamento é rápido, em duas semanas o contrato é assinado. Pelo Financiamento Estudantil (Fies) é preciso esperar abrir a concorrência para as vagas, provar a falta de recursos e aguardar o resultado da seleção.

Conhecer as opções de financiamento ajuda a esclarecer a situação. O aluno deve analisar a proposta, os valores, antes da contratação. Há a Ideal Invest, que cobre até 35% da mensalidade, com juros de 1,5% ao mês. Exige fiador e bom desempenho escolar.  A  dívida  pode  ser paga em até 8 anos. Para maiores informações sobre a Ideal Invest acessar: www.idealinvest.com.br

A Finvest, do grupo Unibanco, também oferece uma linha de crédito educativo para 10.000 clientes. O empréstimo pode ser usado para todos os níveis de ensino, do fundamental à pós-graduação. A dívida pode ser paga em até 3 anos, os juros vão de 2% a 3,9%. Acessar: www.finvest.com.br

O Siemesp criou o Centro Brasileiro de Desenvolvimento do Ensino Superior (Cebrade), cuja principal função é administrar bolsas de estudo restituíveis. Administra bolsas de 1% a 100% em diversas universidades cadastradas. Depois de um ano de formado, o beneficiado devolve esse dinheiro para a instituição, pelo preço da mensalidade na época em que ele for pagar.

O Financiamento Estudantil (Fies) é um programa do governo federal. Financia até 70% da mensalidade, com juros fixos de 9% ao ano ou 0,75% ao mês. Exige bom desempenho escolar. A dívida pode ser paga em até uma vez e meia o tempo do financiamento. Para conseguir o financiamento do Fies, o estudante deve se inscrever e passar por seleção. O Fies exigia fiador, mas uma liminar da justiça suspendeu a obrigatoriedade. Segundo o coordenador do Fies, Leonel Cunha, o pagamento das fases de amortização é fundamental para que o Fies abra novas vagas a cada semestre. “O Fies depende do retorno dos financiamentos para poder financiar novos estudantes. Se cada estudante beneficiado tomar consciência de que o pagamento é que permite a entrada de outro jovem num curso superior e que, se cumprir pontualmente as fases de amortização, será mais fácil manter o Fies em bom funcionamento, com um risco menor de inadimplência”.

Para os estudantes que não podem pagar de forma alguma, o governo está propondo a criação do Programa Universidade para Todos (ProUni), que tem como objetivo a concessão de bolsas de estudo aos mais pobres sem a necessidade de reembolso. Mais informação sobre o ProUni está na pagina do MEC (www.mec.gov.br http://www.mec.gov.br/)

Antes de pegar um financiamento, aconselha-se o estudante a pedir uma simulação das parcelas que vai pagar e do total da dívida. Assim ficará sabendo se poderá arcar com o compromisso.

É grande o número de estudantes precisando de algum tipo de auxílio para cursar o ensino superior. Dar a este estudante a chance de freqüentar uma faculdade, de se auto-afirmar, eleva consideravelmente sua auto-estima. A má distribuição de renda, gerando contrastes sociais, é o que mais afeta a auto-estima de nossa população. Um estudo do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, com base no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), analisou o desempenho de estudantes ricos e pobres, mostrando significativas vantagens ao estudante rico. O aluno rico que usa computador, internet, TV por assinatura alcançou média de 63 pontos numa escala de 0 a 100, enquanto o jovem pobre chegou apenas a 41 pontos. Bens culturais, uma boa situação socioeconômica, fortalecem e propiciam o desenvolvimento das potencialidades do educando.

A pior das constatações é de que a distância entre os alunos de famílias de alta renda e os de baixa renda tende a crescer. Os alunos pobres, necessitados de melhores condições de ensino, são os que menos recebem em termos de qualidade de escola.

Alertemo-nos, dando-nos as mãos – governo, empresas, associações e sociedade agindo juntos – para garantir um futuro mais promissor à classe menos favorecida.

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em outubro/2004)

SISTEMA DE CICLOS E PROCESSO DE AVALIAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Tem-se, hoje, que o fracasso do aluno decorre da ausência de um equacionamento entre identidade cultural e itinerário educativo. A escola tradicional não se preocupava com a origem do aluno, com o seu meio de vida e mantinha uma relação de conteúdo autoritário, um critério de avaliação rígido, limitado. Agora, o professor tem que apostar na capacidade de ousadia, de invenção do aluno, apoiar-se em seu potencial, tornando a avaliação um ponto que não pode ser fechado.

Como na pedagogia do educador francês Freinet, a concepção é de que o aluno não vai à escola para tirar notas, vai para aprender, para crescer, para se desenvolver. A avaliação do aluno deve ser individual, apoiada em suas aptidões. Anísio Teixeira já pregava, nos anos idos de 50, o ensino individualizado e conseqüente avaliação individualizada; o aluno sendo avaliado de acordo com sua capacidade, ajudando a afastar a repetência.

No sistema de ciclos, adotado no Estado de São Paulo e em outros Estados, no ensino fundamental, o aluno não tem seu aproveitamento avaliado através de provas periódicas, com notas, que, totalizadas no final de cada ano letivo, determinariam sua promoção ou sua retenção. Não há mais o calendário oficial de provas, mas ele não exclui a avaliação do aproveitamento do aluno.

Segundo o que dispõe a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a avaliação deve ser feita no dia-a-dia da aprendizagem, utilizando-se das mais variadas formas: participação em aula, atitude do aluno frente a aprendizagem, freqüentes verificações e anotações da assimilação dos conteúdos... A avaliação deve incorporar, à educação formal, a experiência de vida trazida pelo aluno de seu universo familiar, social e de trabalho. As disciplinas devem estar integradas, ajustadas a um currículo flexível.

Avaliar é diagnosticar o desenvolvimento do aluno ao invés de julgar. A principal função do processo de avaliação não é dar uma nota, mas aperfeiçoar as situações da aprendizagem e do currículo como um todo. É verificar se o aluno está aprendendo, se a proposta pedagógica está dando resultado, se a aprendizagem está no caminho certo.

Conhecer as medidas educativas ajuda a entender o processo de avaliação e o melhor meio de contemplá-lo. Vejamos, sucintamente, sua evolução através dos tempos.

No passado, não tão distante, os professores tentavam julgar o desempenho do aluno em função do que eles próprios sabiam e do que julgavam ter transmitido. Se o aluno assimilasse tudo que fora ensinado, tiraria a nota máxima. As notas variavam de zero a 10 e se regulavam pelos acertos. Esse era o chamado método autocrático de avaliação e dava ao professor ampla margem de arbítrio. Na evolução do processo, passou-se a reagir contra a adoção de padrões apriorísticos de avaliações, especialmente pelo teor de subjetividade. Não competia ao professor estabelecer de antemão o que o aluno devia saber. Pelo arbítrio, um professor benevolente podia aprovar a todos e um professor rigoroso reprovar em massa. Contam-se casos de professores que só atribuíam nota máxima a quem soubesse tanto quanto ou até mais que ele. São os representantes de avaliação centrada no professor.

Avançando no processo, contra a avaliação autocrática, surgiu a avaliação normativa – baseada no grupo de alunos. A referência não era mais a sapiência do professor, mas o aproveitamento médio da classe. Se todos os alunos apresentassem rendimento baixo, não seria  justo reprovar a todos. Ter-se-ia que indagar as causas desse resultado. Passou-se a questionar o potencial dos educandos, as condições ambientais, condições de vida, deficiências das aulas, falta de confiabilidade das provas e outros, o que já era um grande avanço. A avaliação normativa permite saber em que posto de percentil se encontra determinado estudante, ou seja, a sua classificação no grupo.

A teoria clássica da medida surgiu do interesse em medir aptidões dos indivíduos. Buscaram-se medidas capazes de discriminar entre indivíduos dotados de maior aptidão. O grau de aptidão de cada um era estabelecido em função do grupo, através das provas de desempenho. Mas, em determinadas situações, o interesse do avaliador consistia em estabelecer se cada indivíduo alcançou um conjunto específico de objetivos. Neste caso, ele não seria comparado com seu grupo, mas referido a um critério (um padrão de desempenho previamente especificado).

Da medida centrada no professor, evolui-se para a medida normativa concebida como discriminatória dos diferentes indivíduos, chegando-se à medida baseada em critérios. Esta preocupa-se com a seqüência e individualização da instrução que surgem das unidades e módulos progressivos. Concluiu-se que a norma incentiva a rivalidade e compromete o autoconceito de alunos de baixo desempenho e passou-se a se preocupar com o rendimento mínimo.

Para a medida baseada em critério, uma vez estabelecidos os objetivos essenciais, em termos de comportamento, cumpre verificar se o  aluno  atingiu  as  metas prefixadas. Sua posição relativa ao grupo seria questão secundária. O aluno é avaliado por um conjunto específico de objetivos. Seus princípios são  usados em programas de instrução individualizada, instrução programada.

A avaliação baseada em critério é importante porque ressalta a necessidade de um rendimento mínimo. Exigência que requer o desenvolvimento das habilidades básicas essenciais, adquiridas antes das habilidades hierárquicas superiores.

Todas essas medidas educacionais são de importância e cada uma terá valor maior, dependendo do momento da aprendizagem e do objetivo a que se propõe. As várias abordagens não se excluem, antes se completam. Contudo, o professor, seja qual for a medida a tomar, não pode esquecer que a parte mais importante, em determinadas circunstâncias, é o potencial do aluno. O professor, conforme o momento, avalia o desempenho, as diferenças individuais, a classificação hierárquica e o potencial do aluno. Acima da norma ou do critério, o foco central da avaliação é o aluno em sua originalidade e unicidade. Propõe-se que na educação fundamental a aferição do conhecimento deve ser feita em função das aptidões da criança. Nesse grau de ensino, a posição do aluno em seu grupo, o grau de desempenho que atingiu não é tão importante. O fato de ter ele transformado em ato o seu potencial é que deve ser considerado. A visão pedagógica, em relação aos ciclos, é de que “se as virtualidades do aluno foram realizadas, deve ele ser promovido; seria inútil reprová-lo, tanto mais quando é certo que a educação é obrigatória até os 14 anos”

A norma, o critério e o potencial são componentes da avaliação, conforme as circunstâncias, um dos componentes reveste-se de maior relevância. A finalidade a que a aprendizagem se destina é que vai dizer, em cada caso, qual dessas medidas deve ter maior peso.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2001)

O RETRATO DO DESCASO EDUCACIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

Pesquisas na área educacional divulgam a escassez de professores para o exercício do magistério. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) constatou um grande desequilíbrio entre a demanda por professores e o número existente de habilitados. O Ministério da Educação (MEC) informou, em maio deste ano, que no ensino médio e no 2.º ciclo do ensino básico, de 5.ª à 8.ª série, há uma carência de 250 mil professores com nível superior.

As pesquisas mostraram, também, que a falta de professores qualificados é mais grave nas áreas de ciências exatas. O Brasil, pelo levantamento do Inep, precisaria hoje de 55 mil professores de Física e de Química. Entre 1990 e 2001, formaram-se em cursos de licenciatura em Física 7.216 professores e em Química 13.559, um número maior, mas ainda distante das necessidades das escolas. Não havendo professores com a formação específica, atribuem-se as aulas, em caráter excepcional, a formandos em Pedagogia. Na disciplina Matemática, a situação de precariedade é grande. A Secretaria da Educação informou que, em 2001, apenas 12.600 professores, dos 36 mil, eram habilitados, tinham bacharelado e licenciatura em Matemática.

A falta de professores licenciados em ciências exatas, especialmente no ensino médio, tem trazido, como resultado, o que se denomina de “analfabetos tecnológicos”. Trabalhos têm mostrado que o estudo da ciência leva a um raciocínio mais desenvolvido, a um melhor desenvolvimento cognitivo, à curiosidade científica, ao gosto pela pesquisa nessa área. A distorção provocada por essa ausência dificulta o desenvolvimento do aluno, trazendo um menor desenvolvimento para o País. As vocações para a ciência são pouco despertadas. A deficiência em Matemática agrava-se pela enorme quantidade de ocupações que dependem de conhecimentos de informática, conhecimentos que se desenvolvem mais facilmente quando as bases do raciocínio matemático estão alicerçadas.

Constata-se uma evasão de professores de Física e Matemática para o mercado financeiro, de Química e Biologia para áreas de proteção ambiental das empresas e mesmo nas ONGs, por causa dos melhores salários e melhores condições de trabalho.

Na rede pública, a maioria dos professores de ciências exatas não domina os conceitos básicos de sua matéria. Essa situação vem de longa data, piorando a cada ano. Estudos realizados pelo Instituto de Química da USP, no ano de 1997, ao analisar laboratórios de 3.740 escolas estaduais, concluíram pela inutilidade de sua existência, constatando ser ilusório incentivar aulas de laboratório na grande maioria das escolas estaduais. “Com raríssimas exceções, as salas não têm condições físicas para acolher os alunos e, o mais importante, faltam professores especializados para organizar os laboratórios”.

A professora Reiko Isuyama, que coordenou a avaliação, afirmou que há casos de extrema periculosidade. “Foram encontrados ácidos concentrados, solventes cancerígenos e frascos de sódio metálico, substância que pode explodir em contato com a água e atingir, por exemplo, um funcionário durante a limpeza da sala”. O relatório revela que do jeito que está é melhor fechar os laboratórios, “é inútil fornecer reagentes e vidrarias se os professores não sabem utilizá-los”.

Não se pode deixar a educação básica à mercê de si mesma. São constantes os apelos para que haja uma integração real entre as universidades e o ensino médio, de um modo especial. Apelos para que se criem mecanismos de vínculos entre as universidades e o ensino público, assessorando, estimulando o conhecimento, ajudando na formação docente, fator preponderante no desempenho positivo do aluno.

Aristóteles, 400 anos Antes de Cristo, já alertava a humanidade: “Todos que têm militado na arte de governar o gênero humano acabam por se convencer que a sorte dos impérios depende da educação da mocidade”.

Alertas não têm faltado à prática da boa educação, mas a escola, há muito, não é tida como prioridade nacional, tanto que hoje presenciamos um grande processo de incorporação ao magistério  de  novos  segmentos  sociais. Se antes a classe média e a média alta mandavam seus filhos, de preferência suas filhas, para abraçar a carreira de professor, hoje, o que temos, segundo pesquisas do Censo, são profissionais advindos de lares de baixa renda, de pais de baixa escolaridade, com uma baixa estrutura cultural. A isso acresce-se o deficiente ensino público, recebido por este novo segmento.

Os baixos salários, as condições precárias de ensino desestimulam a busca do magistério. Procuram-no, geralmente, quem não tem outra opção. Fazer a educação pública brasileira avançar é um exercício de liderança governamental, de vontade política, capaz de revolucionar e modernizar o sistema educacional, quebrar a corrente do faz-de-conta, assistindo-a técnica e financeiramente de modo eficaz.

A falta de professores constatada não é senão conseqüência do abandono, do discurso da prática vazia, da democracia no solar da demagogia. Há anos que vimos escrevendo sobre o descuido intelectual e institucional voltado à educação; há anos que vimos reclamando melhores condições de trabalho, melhores salários aos professores. Essa longa situação de penúria, em relação ao magistério, redundou em desânimo para essa carreira, acompanhado da má qualidade de todo o ensino público da educação básica. Revelou o frisante desprezo crônico de décadas a fio, refletindo a falta de compromisso, de responsabilidade governamental de levar educação de qualidade às classes menos favorecidas da população brasileira. Nesse abandono da escola e dos professores, o que ocorreu, realmente, foi uma discriminação de direitos às camadas de menor poder aquisitivo, às diferentes etnias brasileiras.

Ou se promove uma reviravolta vigorosa ou a educação zera de vez.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2003)

ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO DO PAÍS

Izabel Sadalla Grispino *

Vários setores da economia começam a preocupar-se com o baixo nível de ensino dos estudantes da escola pública. Sentem o impacto desse baixo nível na economia e partem para diferentes iniciativas. Empresários programam-se para melhorar o ensino, unem esforços para elevar o Índice de Desenvolvimento Humano do País.

Grandes empresas decidiram investir juntas no problema da má qualidade da educação pública. Em vez de projetos isolados de responsabilidade social, o grupo Empresários pelo Desenvolvimento Humano (EDH), em programas conjuntos, investe na educação. “Percebemos que soluções de varejo não funcionam mais; precisamos de ações de atacado”, diz o presidente da Philips, Marcos Magalhães.

O grupo Empresários pelo Desenvolvimento Humano é formado por cerca de 50 empresas multinacionais, como Credicard, Nokia, Nestlé, Oracle, e nacionais, como Itaú Seguros, Unibanco e Estrela. O grupo, ao arrebanhar forças para melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano do País, percebeu que o objetivo só seria alcançado por meio da educação de qualidade e colocou, como alvo de atuação, o ensino fundamental, de 1.ª a 8.ª séries. Seus projetos atuais envolvem a alfabetização de crianças que cursam o ensino fundamental em séries mais avançadas e a aceleração do processo de aprendizagem para alunos em defasagem idade/série. Utilizam a metodologia e a tecnologia do Instituto Ayrton Senna.

O Instituto Ayrton Senna desenvolveu o primeiro projeto de Empresários pelo Desenvolvimento Humano (EDH), combatendo igualmente o problema do analfabetismo. Capacitou cinco mil professores da própria rede de ensino do Estado e formou salas especiais em 48 municípios para alfabetização.

Os empresários preocupam-se, também, em garantir que haja mudanças estruturais no sistema. Não têm a intenção de montar projetos permanentes. A intenção do EDH é, ao capacitar professores, mudar a maneira de ensinar e melhorar a qualidade da educação. Tem, ainda, a intenção de que os programas se transformem em políticas públicas.

O Índice de Desenvolvimento Humano é baseado no cálculo de três indicadores: educação (taxas de alfabetização e matrícula), renda (PIB per capita) e longevidade. O Brasil é o 73.º no ranking mundial.

Um outro movimento em prol da educação, digno de louvor, é a preocupação da USP em ensinar professores de periferia. É uma medida que virá melhorar o acesso de alunos da rede pública à instituição pública. A maior parte dos alunos, oriundos do ensino médio de escolas públicas, consegue vagas apenas nos cursos menos concorridos, como letras, geografia, história ou matemática. A USP, comprometendo-se com o ensino médio público, querendo melhorar sua interação, montou um projeto para qualificar os professores das escolas estaduais. Assim, em vez de facilitar a prova do vestibular, melhora o ensino dos alunos que estão sendo barrados pelo vestibular.

A USP prepara para os professores cursos de especialização nas diversas áreas, de línguas a ciências. O foco do programa é a utilização de mídias interativas, como vídeo e teleconferências, que permitem capacitar o maior número de profissionais. Os professores inscritos não precisarão se deslocar da periferia da capital ou de sua localidade até a cidade universitária. Estúdios montados na Faculdade de Educação da USP geram vídeos para os centros onde estarão os professores.

Não será, contudo, um curso de educação a distância, porque professores e alunos de pós-graduação da USP acompanharão o trabalho nas escolas. O currículo dos cursos incluirá atividades culturais para toda especialização. O entendimento geral é de que não adianta ser um bom professor no abstrato. Ele precisa entender as características de sua escola, de seus alunos, de sua região, para ser um bom professor. Para tanto, a capacitação será centrada na própria escola e, preferencialmente, serão atendidos os locais onde os professores são considerados menos preparados.

As dificuldades dos docentes podem ser notadas nas avaliações aplicadas aos alunos pela Secretaria do Estado, o Saresp. Os dados mostram que as maiores dificuldades dos alunos estão nas áreas de matemática, ciências e língua portuguesa.

A USP tem os olhos voltados para a área social, cumprindo um papel de transformadora da sociedade, de ajuda aos carentes. Seu projeto é de capacitação de professores, que, fortalecendo o conhecimento, numa ação afirmativa, poderá enfraquecer o sistema de cotas, para dar oportunidades de igualdade a todos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2004)

FORMAÇÃO DEFICIENTE DIFICULTA A REFORMA DO ENSINO

Izabel  Sadalla  Grispino *

Os preceitos contidos na reforma do ensino, louváveis, imprescindíveis à época, esbarram na qualidade dos recursos humanos, os responsáveis por sua aplicação.

Sabemos que o ensino ministrado nas escolas é muito mais o ensino organizado pelos professores, por sua forma de pensar, agir, por seu nível intelectual, do que aquele sistematizado pelos organismos centrais. O papel do professor é decisivo frente ao ensino efetivo, sem ele não há ensino, a melhoria desse ensino depende basicamente dele e não raro seu trabalho fica longe do declarado desejável.

Jean Piaget, em seu livro “Psicologia e Pedagogia”, diz: “ As mais perfeitas reformas ficam sem conclusão, se não há professores disponíveis, em qualidade e número suficientes. A psicologia infantil pode multiplicar os dados de fatos, multiplicar nossos conhecimentos sobre o mecanismo do desenvolvimento, esses fatos ou essas idéias não atingirão jamais a escola se os professores não os incorporarem até traduzi-los em realizações originais”.

É ilusão pensar que se atingirá tal domínio nas condições atuais. A deficiente formação dos professores é um grande obstáculo à reforma dos currículos. A posse do diploma de nível superior não representa garantia de uma formação de boa qualidade do profissional a quem cabe definir e colocar em prática o currículo real das escolas brasileiras. “Não adianta mudar o currículo no papel se a cabeça do professor também não mudar”, diz Elba de Sá Barreto, coordenadora da análise que a fundação Carlos Chagas faz das propostas curriculares. Demerval Saviani, um dos mais respeitados filósofos da educação do País, titular em História da Educação da Unicamp, diz: “É uma utopia discutir as mudanças das diretrizes curriculares, quando as escolas operam em condições precárias, com professores mal preparados”.

Nem cabe culpar o professor, ele também é resultado do debilitado e falho sistema educacional. Estaremos devotando a devida atenção ao docente? Estaremos valorizando suas atividades, melhorando seu salário, propiciando-lhe uma melhor qualidade de vida, criando condições de um real engajamento, um real compromisso com a educação pública? Num recente pronunciamento, Rose Neubauer, secretária da Educação do Estado de São Paulo, disse haver, ainda hoje, cerca de 6 mil professores não habilitado para o ensino médio. “O Estado perde professores de matemática e física para o mercado financeiro e de informática, e os de geografia, biologia e química para novas áreas do meio-ambiente, das indústrias e das ONGs”. Os professores evadem-se em busca de melhores salários. É histórico o sucateamento do nosso sistema educacional.

Quanto à qualificação, os cursos de reciclagem, oferecidos pelo sistema, não resolvem, são muito rápidos – duração em média de uma semana. O máximo que podem atingir é o objetivo da sensibilização, mas não o de formar conceitos. “Os cursos ligeiros de capacitação de professores podem titular as pessoas e não necessariamente qualificá-las. É preciso programação consistente para que eles sejam bem utilizados. A mudança de mentalidade de um professor é processo lento e difícil, como esperar que uma capacitação tão rápida seja eficiente?”, disse Antônio Joaquim Severino, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

O melhor seriam cursos mais extensivos com um ou dois representantes por escola, que os repassariam, como agentes multiplicadores, em suas unidades escolares, formando nelas um núcleo de apoio, atuando permanentemente. As reformas foram propostas como se a semente estivesse caindo em terreno fértil, preparado, pronto para o plantio. Foram lançadas numa rede escolar despreparada, sem condições de adubar o solo para conseguir a boa colheita. Aplica-se à estrutura do ensino a parábola evangélica, quando diz: “O destino das sementes depende do terreno”.

Não deveriam os órgãos centrais ter primeiro reciclado o professor, tê-lo posto frente aos novos conceitos, tê-lo estruturado, para depois implantar as novas proposições? Não estaríamos, agora, colhendo um resultado mais promissor, mais consistente? Do modo como o ensino se processa, não há como esperar um trabalho por inteiro, mas, sim, diluído, permeado por remendos, por colchas de retalhos.

Educação é um processo a  médio e longo prazos. Os primeiros passos são, como se sabe, os mais difíceis, mas, também, os mais importantes. São os que dão segurança para os passos subseqüentes. Pular etapas provoca desequilíbrio tanto para quem aplica como para quem recebe a aprendizagem. Lançar fórmulas, sem antes elucidá-las, é cair em desestruturação, em discordância à necessária mudança de comportamento de futuros profissionais, que ficarão desajustados, perdidos entre o que lhes ensinaram e o que deveriam ter aprendido. A escola, nessas condições, não tem como cumprir a função de processar as profundas transformações das relações sociais e de trabalho.

Essas observações vêm confirmar a preocupação, hoje, do Ministério da Educação e Cultura (MEC) em melhorar a formação dos professores do ensino médio para que possam acolher com mais propriedade a reforma pretendida desse ensino. A crescente procura pelo ensino médio “aumentou a preocupação do governo com a capacitação dos professores que vão atender a demanda”, disse Rui Berger, secretário de Educação Média e Tecnológica do MEC. Idealizam-se projetos para a capacitação de professores em exercício, por meio de ensino a distância, “destinado a dar condições aos educadores de elaborar um programa ou dominar itens do currículo”, complementou Rui Berger.

A reforma do ensino exige qualificação, competência profissional. Tem-se que investir na formação continuada do professor. Tem-se que melhorar o ensino universitário, lugar que se situa a fonte, onde o professor beberá a água que regará a semente fertilizadora do terreno educacional.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2000)

LIÇÃO DE MATURIDADE CÍVICA

Izabel Sadalla Grispino *

O que leva uma pessoa a se debruçar, horas a fio, meses e meses, numa transpiração, às vezes, dolorosa, para fazer ressuscitar as imagens do passado, a História de um povo, que caminha para sua realização? Indubitavelmente, o amor, mas muito também a consciência do valor desse passado, na manutenção da luta e dos ideais de toda uma população. Interessar-se pelas coisas da terra, da Pátria, é um ato de responsabilidade cidadã.

Quem ama preserva. A visão amadurecida sobre o desenrolar da vida nos faz retornar ao passado e preservá-lo para a posteridade, não deixando morrer as lições e o alicerce de que é portador. A clara noção da marcha do tempo, de sua inabalável destruição, reforça a intenção. O tempo marca a passagem do homem no curso da existência. No seu caminhar a vida passa. Triste ver o tempo esvair-se e não se atrever a registrar seus grandes momentos, seus personagens históricos, os valores vividos por uma época.

Estudar a História, a vida de um povo, seus costumes e tradições, são lições de civismo, de patriotismo, de amor à terra. Precisamos fazer memória de nossa terra, de nossa gente. A Pátria exige memória, é nela que estão os seus valores. Um povo que não sabe de onde vem, não sabe para onde vai. Um povo sem memória, sem tradições, divorciado de seu passado, abdica de si e se integra a uma outra civilização. Cultuar o passado é iluminar o presente e o futuro. Por isso, o grande escritor Guimarães Rosa dizia: “O passado também é urgente”.

Imbuída desses conceitos e do amor que tenho à minha gente, à minha terra, recentemente, lancei o livro: “Uma Viagem no Tempo: Guariba, em Minhas Lembranças”.

Terra natal é coisa séria! São silêncios, inspirações, alegrias e muito envolvimento. Quis guardar o seu passado, o seu legado histórico, refletindo a vida cotidiana da cidade, com sua movimentação, seu comércio, a era cafeeira e a canavieira, sua educação, o papel da Igreja Católica em sua cultura, as amizades, os momentos de lazer, as pessoas que nela circulavam, transmitindo um realismo palpável.

A cidade carrega a história das gerações. Ela é um organismo vivo, não pára, caminha, se modifica. O livro retrata uma sociedade que, praticamente, não está mais aqui, faz chegar às mãos das novas gerações a forma primitiva de Guariba. Leva-as a conhecer a Guariba-menina, conhecê-la pequenina, com os encantos que possuía. Relembro, com admiração, as famílias que edificaram a cidade, com seus ideais, seus sonhos, sua chama, sua determinação. Recordo, com emoção, a imagem dos valorosos imigrantes, força que foram de alavanca da cidade.

Passo a passo com a História, com minhas lembranças e participações na vida da cidade, ele vai formando conceitos de amor e de responsabilidade à terra onde se vive, à Pátria,  educando para o patriotismo e senso de pertencimento. É um livro valioso às escolas, à formação integral do adolescente, à sua politização, ao entendimento da relação do homem com seu meio. Busca sensibilizar, conquistar o jovem para a prática da cidadania, tendo como base o amor à sua terra.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2007)

ALTERNATIVAS PARA O ENSINO PÚBLICO

Izabel Sadalla Grispino *

Escolas de cidades do interior, na busca da qualidade do ensino, começam a empregar metodologia e material didático de escola particular, na rede municipal, dotando-as de sistema didático do ensino privado. Em vez dos livros enviados pela Secretaria de Estado da Educação, essas escolas usam apostilas do sistema adotado.

Pela pesquisa, mais de 30 prefeituras paulistas, que municipalizaram o ensino fundamental, substituem os livros, comprados com os recursos do Ministério da Educação (MEC) pelas apostilas. O MEC envia às prefeituras, que administram a rede de ensino fundamental, livros didáticos e de literatura. São livros avaliados pelo Ministério e títulos escolhidos pelas próprias escolas. No Estado de São Paulo, especificamente, o MEC remete os recursos à Secretaria Estadual, que compra e envia o material.

Nas prefeituras conveniadas a sistema particular de educação as escolas recebem apenas os livros paradidáticos, servindo de apoio às apostilas.

As prefeituras, através de parcerias, firmam contratos com sistemas particulares de educação. Três sistemas da iniciativa privada vêm firmando convênio com as secretarias municipais: o sistema COC, o maior deles, o Positivo e o Objetivo. Além do material, esses sistemas montam o projeto de ensino, encarregam-se de capacitar os professores para o uso do material e fazem o acompanhamento pedagógico das escolas públicas. Os três sistemas fornecem as apostilas às escolas e esse material não passa por avaliações do MEC, nem da Secretaria Estadual da Educação, antes de chegar à sala de aula.

As prefeituras, para as parcerias com o sistema privado, pagam os serviços prestados com uma parcela do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (Fundef). Pela Lei 9.424, que instituiu o Fundef em 1998, 60% dos recursos são destinados à remuneração dos docentes. Os 40% restantes podem ser aplicados na construção, ampliação, reforma de escolas, capacitação de pessoal e compra de material.

Ao que tudo indica, os convênios das prefeituras com os sistemas privados de ensino vêm tendo uma repercussão positiva no conceito da população. Os alunos aprendem mais, os pais sentem-se reconfortados ao saber que o filho usa o mesmo material, recebe o mesmo ensino das boas escolas particulares. O ensino se mostra mais estruturado, mais qualificado e a auto-estima do aluno mais elevada. O método é mais dinâmico e professor e aluno devem se adaptar ao novo ritmo. O ensino médio continua a seguir a metodologia curricular do Estado. A inovação vem sendo processada apenas nos graus inferiores do ensino.

Contudo, o MEC vê esses convênios com alguma reserva. Sugere que se analisem bem as apostilas adotadas para se certificar da qualidade. Também contesta o fato de o treinamento, pelos sistemas, estar ligado ao uso de um material didático. "Preferia uma capacitação na qual os professores aprendessem a alfabetizar e não simplesmente sobre como usar o material”. “Hoje, os prefeitos podem contratar capacitação de universidades públicas que não relacionam seu trabalho com qualquer material específico”, diz o presidente do Conselho Estadual de Educação, Francisco José Carbonari.

A presidente da União dos Dirigentes Municipais, Vera Lúcia Hilst, alerta que o assédio às prefeituras que municipalizaram o ensino fundamental vem sendo constante por parte dos sistemas privados e aconselha: “Há coisas boas e outras nem tanto. Recomendamos que as prefeituras avaliem o conteúdo pedagógico do projeto e vejam se haverá ganhos qualitativos”.

Há prefeituras que rejeitam a parceria por entenderem que os sistemas particulares enfocam muito o trabalho do vestibular, e mais a área de exatas, e deixam a formação do educando mais de lado, como cidadania e educação para a vida. Mas, o que se constata, de um modo geral, é a validade desses convênios, com apurada melhoria da qualidade do ensino. Segundo resultado de pesquisas, eles conseguem elevar o nível técnico e profissional dos professores e obter um resultado mais qualificado do ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em dezembro/2002)

POR QUE PROFESSORAS E NÃO “TIAS”?

Izabel Sadalla Grispino *

A escola caminha pelos olhares intrínsecos da pedagogia, pelos avanços científicos. A “tia” da escola infantil, forma de se dirigir à professora, teve seus dias contados, abolida pela linha socioconstrutivista.

Os pedagogos afirmam que o resgate do termo professora não é uma simples questão semântica. As escolas, que adotaram métodos das modernas práticas pedagógicas, ponderaram que a professora representa um novo modelo na vida da criança – ela não é, realmente, uma extensão familiar – e como tal deve ser preservada.

Paulo Freire, em seu livro “Professora sim, tia não”, escreve: “Ser professora implica assumir uma profissão, enquanto ser tia é viver uma relação de parentesco. Chamar a professora de tia é no fundo uma ideologia que trabalha contra o rigor da profissionalização da educadora, como se para ser boa professora fosse necessário ser pura afetividade”.

O professor é uma imagem importante para o aluno; ele não substitui afetos familiares. O componente afetivo deve existir, mas nunca como ideologia. A criança precisa de alguém que a oriente com firmeza, que lhe transmita os valores de vida, e o professor é o mentor desse processo de criação.

O costume de chamar a professora de “tia” vem da década de 60. As mulheres, ao buscar afirmação profissional, recorriam às escolas para cuidar de seus filhos e, de certa forma, segundo relato de mães, entregar os filhos à tia e não à professora lhes aliviava a culpa. Contudo, esse tratamento dissimula a relação de autoridade. A criança precisa diferenciar universos e perceber que cada espaço tem seus próprios valores, concluíram os pedagogos. Assim, as então chamadas escolas alternativas, hoje socioconstrutivistas, começaram a rever o tratamento nos anos 70.

A relação de aprendizado é uma nova aquisição na vida da criança. A professora é portadora de um conhecimento, abre as portas de um novo mundo, não estando, portanto, em situação de igualdade com as crianças. O psiquiatra infantil Haim Grunspun completa a análise: “Como “tia” a profissional acaba não considerando o seu próprio processo, do qual é proprietária. Existe uma ideologia de desprofissionalização do educador. A afirmação profissional emerge da conquista dos direitos do exercício pleno da função. O aluno aprende a respeitar a partir do próprio respeito. Pergunta: “Como as crianças podem entender 10 mil “tias” em greve?”

As crianças acabam percebendo por si que professora é a pessoa que educa, ensina brincadeiras, criar, inventar; tia é a irmão da mãe ou do pai. Hoje, se a dúvida persiste, ela está entre aqueles que escolhem a escola de acordo com suas convicções. Voltando a Paulo Freire, ele disse (1993): “Uma das características básicas do construtivismo é não estar demasiado certo da certeza. Se você absolutiza não tem oportunidade de crescer. Tenho 72 anos e estou aberto. Tenho este gesto da incerteza do certo”.

Porém, no caso da denominação professora ou “tia”, fica evidente que a primeira é um procedimento bem mais saudável e real.

No processo de ensino-aprendizagem, o importante é a escolha, por parte dos pais, de uma instituição idônea, capaz de oferecer aos seus alunos o que de melhor a época exige. Como escolher uma boa escola infantil?

A escolha deve partir primeiramente de sua situação legal, isto é, deve ser regularizada, com autorização do município para funcionar. A escola tem de estar dentro da lei. Ela deve aproveitar o potencial enorme que a criança tem em aprender, estimulá-la corretamente e oferecer-lhe espaços para que possa brincar. Há muitas especificidades na educação de crianças de 0 a 6 anos e professores não capacitados e ausência de um projeto pedagógico podem impedir esse processo. As crianças precisam brincar e se movimentar, os espaços não podem ser pequenos e pouco arejados. O imóvel precisa ser adequado para receber crianças: mesas com cantos arredondados não deve ter  escadas e tomadas de luz aparentes.

Só depois da Constituição de 1998 a educação passou a ser direito das crianças com menos de 7 anos. Até então, a criança brasileira não tinha direito a educação. A Constituição de 1998 reconheceu a Educação Infantil como direito da criança e dever do Estado. Assim, deixou de ser vinculada à assistência social. A exigência do registro no município por parte do estabelecimento de ensino infantil veio apenas em 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Esta lei definiu o município como responsável pelo ensino infantil e exigiu formação mínima de nível médio para os professores. Porém, até 2007 este professor deve possuir licenciatura de nível superior. O Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2001, dá prazo até 2006 para que os estabelecimentos de ensino infantil cumpram padrões de infra-estrutura para funcionamento.

Todos esses aspectos legais, estruturais, para o bom funcionamento de uma escola, são importantes, mas a tudo sobreleva, a atuação do professor. Um bom método de trabalho, consciência profissional, competência e afetividade são ingredientes indispensáveis à educação. O professor que trabalhar mais como um facilitador da aprendizagem será insubstituível e inesquecível como é, para qualquer um de nós, a figura da primeira professora.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2003)

A ESCOLA REFLETINDO OS PROBLEMAS SOCIAIS

Izabel  Sadalla  Grispino *

No artigo anterior abordamos a problemática da violência infanto-juvenil disseminada em nossa sociedade. Fizemos reflexão sobre o importante papel da família, concluindo ser ela o foco da agregação ou desagregação do sentimento de amor, de vida esperançosa, produtiva. Ponderamos, também sobre os malefícios produzidos na criança e no jovem pela constante exposição aos jogos eletrônicos, os videogames.

Dando seqüência ao assunto ressaltaremos uma outra face negra da sociedade, que vem se acentuando,  a prostituição infantil, a iniciação sexual precoce. O sociólogo Neil Postman, em seu livro “O desaparecimento da infância”, fala da perda da inocência infantil, do ocaso da inocência. “Descaracteriza-se a infância e ela começa a ser, aos poucos, abolida como fase da vida humana. A fronteira entre a infância e a juventude vem se diluindo, apressando a passagem para a vida adulta”.

A degeneração dos costumes, a cultura da promiscuidade, a decomposição ética da sociedade, os apelos eróticos de uma TV preocupada com audiência, arrastam a criança à curiosidade prematura, a atos sexuais precoces. Histórias infantis, desenhos animados, vêm sendo substituídos pelos apelos eróticos de personagens televisivos, por novelas ou filmes que exploram a face exagerada, quando não desvirtuada, da sexualidade, repercutindo em agressões à alma infantil, provocando nociva influência moral e psicológica.

Avançando um pouco mais na idade cronológica, um estudo encomendado pelo Ministério do Emprego e Solidariedade, juntamente com a Secretaria de Saúde da França, ao Alto Comitê de Saúde Pública, mostrou que os jovens sofrem muito neste mundo pervertido, liberado, onde a puberdade se antecipou dos 17 para os 13 anos. Eles se tornam adultos antes do tempo e, o pior é, os que almejam uma vida promissora dificilmente conseguem emprego. Uma falta de perspectiva os leva à depressão, à explosão de agressividade. Na falta do emprego, ficam, em média, até os 25 anos na casa dos pais. Constatou-se uma tendência assustadora de suicídios entre os jovens, tendência que outros países de primeiro mundo confirmam. Na França, dos jovens, entre 15 e 19 anos, 3,7% tentam o suicídio; 10% revelaram necessidade de ajuda para não sucumbir e 17% admitiram que, alguma vez, pensaram nisso. Tabagismo, alcoolismo e toxicomanias  aumentam consideravelmente.

O mundo vem se mostrando cruel aos jovens, também pelo aspecto profissão. Hoje, o modelo de comportamento é valorizar o presente. Pais e educadores sonham em tornar os filhos, os educandos, ultracompetentes no ramo da informática. O susto aparece quando uma organização especializada – a Learning in the Real World, da Califórnia – divulga que os computadores não estão ajudando os jovens a aprender mais, ao contrário, o nível vem decaindo, eles estão aprendendo menos. Diante desse quadro, faz-se necessário conjeturar posturas mais reflexivas diante do computador.

A todas essas causas acrescente-se o saldo que restou de uma educação permissiva, criando uma geração crescida sob a orientação da educação não traumatizante. Educação de total liberdade que se contrapôs à anterior, na qual os filhos não podiam dizer não aos pais. O não era domínio dos pais. Aos pais competia ordenar e aos filhos obedecer, sem questionar. Não havia diálogo. Porém, a passagem da educação proibitiva para a permissiva deu-se de modo brusco, sem meio termo. Agora, eram os pais que não podiam dizer não aos filhos: o não os reprimia, os traumatizava. Assim, passaram ao outro extremo, o da total liberdade. Essa liberação provocou perda de limites, perda de valores e produziu uma juventude desfibrada, insatisfeita, sempre em busca de mais emoção, correndo atrás de prazeres desenfreados. A educação não traumatizante criou uma geração de desajustados, onde a violência surge como um jogo alucinado, um divertido passatempo.

Hoje, felizmente, volta-se ao entendimento de que, para um crescimento saudável, tem que haver disciplina, tem que haver regras de comportamento, senso de limite. Evolui-se para uma educação voltada ao diálogo, à autodisciplina, à auto-organização, conscientizando-se filhos e educandos de que a vida em sociedade só funciona com regras e limites. A rebeldia, que perambula por aí, é, nessa linha de considerações, resultante da omissão, da pedagogia da concessão, da psicologia da irresponsabilidade, da crise da autoridade. É preciso que se reflita entre o medo de punir e os seus efeitos anti-sociais.

Temos aí denso material para se pensar, para se posicionar. Que parcela de contribuição estamos dando na erradicação ou na diminuição da violência infiltrada no meio social, permitindo ao cidadão recuperar o direito de sair às ruas, de viver em paz em sua própria casa? O silêncio é um forte aliado da violência. A escola, por seus temas transversais, pode inserir o assunto através da matérias tradicionais do currículo, conforme recomendam os “Parâmetros Curriculares Nacionais” e promover debates, discussões, tornando-se conscientes do seu contexto social e passando a conscientização avante. Reduzir a violência, hoje, é prioridade educacional, política, social e econômica, se não como imaginar a sociedade dos próximos anos? Que mundo aguardam nossos filhos, nossos netos? Que filhos e que netos estaremos colocando nesse mundo? Que futuro os aguarda? Haverá futuro para eles?

As instituições ainda se omitem pela distância em que se envolvem com os problemas sociais. Precisamos ser capazes de repensar e atuar na crise provocada pela violência generalizada, se não quisermos ter em breve momentos ainda mais difíceis de suportar. É preciso ir à raiz do problema e lutar para formação de uma nova ordem social.

A estas considerações acrescento o pensamento do educador Paulo Freire: “A escola precisa conscientizar os jovens da importância do investimento em si próprio, em sua cidadania. Conscientizá-los a fazer frente à realidade, colocá-los por dentro dos problemas que os envolvem na atualidade e subsidiá-los para atuar preventivamente”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2000)

A ESCOLA FRENTE À ERA INFORMATIZADA

Izabel Sadalla Grispino *

Provocar reflexões sobre as mudanças que a época vem requerendo é um passo avante para a necessária mudança de mentalidade. As instituições devem promover debates, articulando interesses tradicionais e interesses inovadores. A transformação do mundo é matéria-prima do currículo. A escola precisa trabalhar com essa transformação. Precisa reconhecer a importância da contribuição interdisciplinar, multidisciplinar, trazendo uma globalização positiva. Precisa, nos países em desenvolvimento, como é considerado o nosso Brasil, ousar para diminuir a distância, cada vez maior, que separa os países ricos dos pobres. Os debates para produzirem o efeito desejado não podem acontecer aleatoriamente; precisam ser planejados e fundamentados nas teorias subjacentes. Conhecer os princípios filosóficos, que vêm norteando a reforma do ensino, consolida o entendimento.

Com as mudanças da reforma do ensino, propostas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), em atendimento à nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), surge um novo conceito de currículo, no qual o enciclopedismo é posto de lado e se prioriza a realidade vivida pelo aluno, seu cotidiano. Um currículo flexível, que se ajuste à era informatizada, onde a escola, no processo ensino-aprendizagem, busque a relação entre conhecimento e vida, a articulação entre teoria e prática. Uma escola que ofereça experiências sintonizadas com a família, com a comunidade, que se adapte  para receber o aluno. Não é mais o aluno se adaptando à escola, mas esta ao aluno.

O educando não pode mais esperar sair da escola para pôr em prática o que aprendeu, tem que relacionar o seu aprendizado com o momento de seu estudo, porque a cada 6 meses, um ano, temos renovações drásticas no conhecimento humano. Diferentemente do passado, quando o grande objetivo da escola era preparar o aluno para o futuro, entende que o futuro não se faz amanhã, se faz hoje. Estabelece com o aluno uma relação dialógica e dinâmica, deixando o sistema tradicional da transmissão mecânica dos conhecimentos prontos e acabados. A escola do momento é da pesquisa, do raciocínio, da crítica, aliados à iniciativa, à criatividade, à improvisação, à intuição, onde a decoreba não tem mais lugar. É uma escola que prima pela qualidade. Não despreza a quantidade, mas trabalha a qualidade. Quanto mais qualidade mais fácil atingir a quantidade. A quantidade será o termômetro da qualidade.

No presente, com a facilidade do acesso às informações, disponíveis na mídia, na Internet, o papel do professor mudou. Sua função primordial, agora, é a de desafiar o aluno, orientá-lo a hierarquizar e organizar de forma crítica as informações às quais tem acesso. A escola tem que repensar a educação, repensar o conceito de aula, estimular a “imaginação pedagógica”, como queria Anísio Teixeira. O modelo atual está ameaçado. Quem ensina, hoje, precisa estimular a inteligência, não apenas a cognitiva, mas as inteligências múltiplas; não deve ser mais um mero provedor do conhecimento. Precisa reconhecer o conjunto das capacidades do aluno, considerar também o conhecimento informal. O enfoque do conteúdo mudou e a mudança precisa estar inscrita na ação pedagógica.

A escola precisa refletir o que a mídia faz na sala de aula, abrir-se para recebê-la, criar espaço para a conversa, para o diálogo, fortalecendo o espírito crítico. Deve enfrentar a mídia, não com a falsa ilusão de vencê-la, mas de entendê-la, de enriquecer-se com ela. É como se diz: “Se não vencê-los, junte-se a eles”.

Hoje, a leitura do conhecimento é uma rede. A escola é só mais um espaço, não é mais propriamente o lugar da informação, mas o lugar do que fazer da informação, que mediação o professor pode ter. Refletir, por exemplo, como é que se cria, como é que se relaciona, como é que se analisa. No fundo, o professor precisa ser capaz de gerenciar uma sociedade de conhecimento. Escola, cada vez mais, está tendo papel mais educativo que informativo.

A sociedade tecnológica força a mudança do papel da escola. As universidades não são mais vistas como locais de instrução definitiva. Na sociedade tradicional, a escola era o lugar privilegiado do saber, a instituição responsável pela

transmissão social e cultural.  O  professor  era  a  principal  fonte  de onde  emanava  todo  o  conhecimento  que as novas  gerações precisavam adquirir.  Ele  era considerado como um “capital profissional”, como um “capital de sabe-

res”. A passagem do saber do mestre aos discípulos dava-se num processo de comunicação unidirecional, o velho “magister dixit” ( o professor fala e os alunos escutam). A transmissão era basicamente oral e o que interessava era a reprodução fiel do texto. A memória humana era usada pedagogicamente para a repetição exata. Os próprios professores foram formados nesse tipo de ensino, tudo textual, sem imagens, sem cores, sem sons, sem movimentos, bem

diferente do que a TV, o videocassete, o videogame e outros, produzem no comportamento das crianças, dos jovens e dos adultos de hoje. Somos da geração alfabética, da aprendizagem por meio do texto escrito, da leitura do livro. Valorizamos apenas um segmento do conhecimento: a palavra oral ou escrita, deixamos de lado a leitura das imagens, dos sons, dos movimentos. Os alunos de hoje aprendem em variadas situações, o mundo deles é polifônico e policrônico. Suas formas de raciocínio não são mais lineares: introdução, desenvolvimento e conclusão, mas envolvem aspectos globais, o físico, o afetivo, o cognitivo, o intuitivo. Comportamentos de aprendizagem mais abrangentes, diferente da lógica racional que prevalece, ainda, na aprendizagem escolar. A escola continua a mesma, não está fácil a ela abraçar essa fase de transição entre a concretude do texto impresso e a pluralidade do texto eletrônico.

A escola precisa aproveitar a riqueza dos recursos externos, não para reproduzi-los em sala de aula, mas para orientar as discussões, preencher as lacunas. A proposta é de que, ao lado dos aspectos de memorização, verbalização e reprodução, que continuam existindo na docência, sejam abertos espaços para o envolvimento integral do aluno, que a aprendizagem envolva o racional e o emocional, a análise lógica ao lado do imaginário, da inventividade, da imagem e do som. Que professor e aluno reflitam juntos sobre a criação, sobre como enfrentar os desafios.

A escola deve levar a TV para a sala de aula e junto com os alunos fazer uma leitura crítica da programação. Esta pode ser uma das principais armas para enfrentar esse poderoso meio de comunicação.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2000)

CONFLITOS ENTRE ESCOLARES

Izabel Sadalla Grispino *

A presença dos pais na vida escolar tem significativo valor para os estudos dos filhos e para a vitalidade das instituições. Crianças e jovens que freqüentam a escola têm, como é natural, temperamentos diferentes, o que provocam constantes conflitos. Muitas vezes eles mesmos conseguem administrar o problema, sem interferência externa, mas há os que apelam para os pais.

Desentendimentos entre alunos são comuns e variam de intensidade de acordo com a faixa etária. Entre os pequenos, na faixa de 1 a 6 anos, o que mais surge são apelidos maldosos, puxões de cabelo ou brinquedos quebrados.

O período mais crítico fica por volta dos 12 aos 17 anos e, entre estes, dos 13 aos 16 anos, quando a sexualidade dos meninos está em ebulição. O jovem, para ser aceito no grupo, tem que se sujeitar às suas regras, ao seu modo de falar, de vestir. O grupo coloca à prova valores familiares e próprios e quem não se enquadrar na “tribo”, quem ousar ser diferente, é massacrado sem consideração.

Quando a intimidação, por parte de um colega ou do grupo, é sistemática, quando caminha para a violência física, pressão psicológica, ameaças freqüentes, ela provoca danos emocionais, baixa auto-estima, baixa autovalia, que é a capacidade de se avaliar em relação ao grupo, levando a problemas de rendimento escolar.

As agressões por causa de garotas são comuns e se restringem comumente ao próprio grupo. Mas, brigas também existem fora da escola, quando a convivência cria rixas. A intimidação é comum mesmo entre meninas. Cria-se competição no âmbito da aparência. Quem não estiver com a roupa da moda ou com o corpo esbelto pode ser excluída do grupo e vira alvo de gozação.

Casos mais graves, como brigas envolvendo drogas, roubos e discriminação, exigem intervenção imediata. Nessas circunstâncias, a escola atua com a família, junta pais e escolares envolvidos. Não é raro a escola perceber que o comportamento do estudante é reprodução do que aprendeu em casa. São os próprios pais que muitas vezes incentivam a intimidação, na filosofia do “bateu, levou”.

Um bom procedimento para a escola é professores e alunos elaborarem um texto em conjunto, propondo normas disciplinares. Escolas renomadas têm regras disciplinares bem definidas que constam na agenda dos alunos. Contudo, a escola pode intimidar o aluno ao ignorar sua cultura, sua bagagem social. Antes de punir, deve inteirar-se de sua origem, olhar a raiz. De onde vem esse aluno? Como é sua família? Daí a importância de uma gestão democrática, de uma participação efetiva dos pais na vida da escola.

É na fase em que a personalidade está se moldado que a escola precisa trabalhar na integração do grupo. Muitas escolas criam o “momento da roda”, quando toda a classe se reúne para conversar. Esse é um valioso momento para se educar: se um coleguinha é caçoado por causa de seus óculos, aparelho nos dentes ou jeito, aproveita-se para falar, por exemplo, da importância de respeitar o modo de ser das pessoas. Pais e professores devem fazer cada um a sua parte, ensinando a criança a respeitar o outro e acolher as diferenças.

No seio da família, também surgem conflitos, não acontece só no convívio escolar. As exigências do mundo moderno cresceram. A família tradicional vem passando por um processo de mudança. O papel dos pais começa a ser questionado. Pai e mãe trabalham fora e se sobrecarregam de atividades e, geralmente, não há tempo para criar um espaço comum, não há tempo para o diálogo. Uma convivência menor com a família reflete no rendimento escolar, no número de horas que a criança ou o adolescente passa em frente da televisão, criando ansiedade, deficiência de atenção, hiperatividade e atraso no desenvolvimento. Problemas emocionais, como depressão e estresse, acabam acontecendo e a grande receita é amor, carinho, atenção.

Os pais, num determinado período da existência, são as pessoas mais importantes na vida dos filhos. As crianças precisam de uma família, de relações afetivas. Isso traz segurança, fator fundamental ao bom desenvolvimento infanto-juvenil.

Tanto na escola quanto em casa, as crianças não podem ser tratadas todas da mesma maneira. Uma estratégia pode funcionar para uma e não para outra. A personalidade, a individualidade devem ser respeitadas. Por isso, nunca se deve fazer comparações. Deve-se dar meios para que as crianças desenvolvam o que têm de bom e para que sejam orientadas em relação aos defeitos. Perfeição não existe, portanto, dosar as exigências. As crianças precisam desenvolver experiências adequadas à sua idade. Olhar para elas em todas as suas dimensões: biológica, afetiva, emocional e moral de forma integrada para que todos os aspectos do desenvolvimento e comportamento infantil possam ser envolvidos.

As crianças precisam de disciplina, de limites que estruturem a sua vida e lhes tragam boas respostas às expectativas criadas. Educar não é bater, não é fazer prevalecer a vontade dos adultos. A criança precisa galgar experiência, ter segurança para fazer suas escolhas e ter responsabilidades sobre eles. Educar para a autonomia, não para a dependência.

Também é oportuno lembrar que não se deve sobrecarregar as crianças de atividades, para fazer uma série de cursos extracurriculares, como judô, balé, natação, inglês... Elas precisam ter tempo para ser crianças, brincar, aproveitar a infância, os melhores anos da vida.

São nos primeiros anos de vida que se constroem as bases do futuro e a criança precisa ter esperança no futuro. Pais e professores devem conviver com as crianças de modo a integrá-las no meio em que vivem, a criar com elas cumplicidade e fortalecer os laços afetivos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2003)


RESERVA DE VAGAS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS

Izabel Sadalla Grispino *

Já, há algum tempo, escrevi a respeito da reserva de 50% das vagas nas universidades públicas para alunos oriundos do ensino médio das escolas oficiais. Na ocasião, o projeto tramitava na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. Agora, é a vez do Estado de São Paulo passar pela mesma situação.

Tramita, na Assembléia Legislativa de São Paulo, um projeto apresentado pelo deputado Celso Tanaui, do PTB, que destina 50% das vagas das universidades do Estado a estudantes que tenham cursado o ensino médio em escola pública.

O ingresso à universidade não seria, pois, por mérito acadêmico, mas por destinação prévia de vagas, o que viria acarretar perda da qualidade de ensino da universidade. A argumentação do deputado é de que o acesso às universidades públicas é privilégio dos ricos e que os pobres, os que mais precisam, só conseguem entrar em universidades pagas. Realmente, é uma verdade e configura um contra-senso, um desequilíbrio da balança social. Acontece que os ricos freqüentam escolas particulares de boa qualidade, tornam-se melhores preparados, melhores capacitados e competem com vantagem, conseguindo melhores posições em tudo.

Mas, será a destinação pura e simples de vagas, sem o seu principal componente, a boa formação, o caminho para se consertar essa injustiça? As diferenças educacionais estariam resolvidas pela aprovação de um decreto? Convenhamos ser esse um pensamento equivocado, pois o processo é bem mais amplo, bem mais complexo, envolvendo mudanças estruturais de base, significativas.

A reversão do quadro acima descrito não é tão simples assim. É preciso, antes, melhorar o estudo do pobre, dar-lhe armas intelectuais para enfrentar, em par de igualdade, a concorrência com o rico. Investir maciçamente na escola pública é a saída correta para esse impasse. Aparelhá-la, instrumentalizá-la, reciclar os seus professores, dotá-los de competência, nivelando o ensino por cima.

A reserva de vagas é uma farsa, só camufla a situação e trabalha contra o próprio aluno pobre, que continuará defasado no conhecimento e marginalizado na sociedade, por falta de formação adequada. Essa reserva de vagas levará a um desnível do ensino superior, a um sucateamento, como já aconteceu com a educação básica pública, pois a tendência é baixar o nível, para não excluir os menos preparados.

Abriram-se vagas, no ensino fundamental, para todos, abargando alunos das mais diferentes camadas sociais, mas não foram dadas condições efetivas de um bom trabalho pedagógico. Não se preparou o professorado, que se vê meio perdido a tanta inovação, não se investiu num ensino de qualidade. Hoje, o aluno sai da escola, com algumas exceções, semi-analfabeto. A universalização da oferta de vagas não foi acompanhada da universalização da oferta de educação de qualidade para todos. Deixou-se inclusive de priorizar a educação infantil.

Garantir vagas, ao aluno pobre, nas universidades públicas,  de boa qualidade, requer estender essa boa qualidade a toda a educação básica. Requer que as metas quantitativas sejam juntadas às qualitativas. É um processo que demanda tempo, mas, quando chegar lá, será com consistência, com validade e sem discriminação. Esse é o trajeto a se percorrer para se garantir o acesso às universidades públicas a quem não tem recursos para pagar uma instituição particular.

Com a reserva de vagas, a USP abrigará dois segmentos de alunos, de formação e de capacitação, bem diferentes, o que comprometerá o bom ensino. Terá dois grupos de ingressantes, com perfis muito distintos um do outro. “Um deles não conseguirá acompanhar as disciplinas previstas para o 1.º ano do curso, já que poderá haver aprovados com nota zero em matérias fundamentais”, esclarece Adilson Simonis, do Instituto de Matemática e Estatística da USP, e acrescenta: “O preparo de um possível candidato beneficiado não estaria dentro dos padrões desejáveis para uma universidade de excelência como a USP”.

A médio prazo esse ensino sofrerá um forte impacto negativo, refletindo-se na graduação, com repercussão na pós-graduação e na pesquisa. Como ficará o conhecimento científico? Como acelerar nosso desenvolvimento tecnológico? Seremos os dependentes, cada vez mais acentuados, da tecnologia importada?

Pelo Índice de Avanço Tecnológico das Nações Unidas, o Brasil que ocupa o 43.º lugar, atrás da Tailândia, da Argentina, da Costa Rica e do México, ficará mais abaixo ainda!

É preciso olhar para mais longe, desapegar-se do aqui, agora. A tecnologia avançada surge do conhecimento das pessoas, dos profissionais em ação. O aluno pobre, defasado no conhecimento, não terá seu problema resolvido por uma reserva de vagas. Ele, marginalizado, marginalizará o conhecimento tecnológico, prejudicando o nível de excelência que as universidades públicas vêm mantendo. Por esse processo de facilitação, estaremos arrastando a pobreza científica e tecnológica do País.

O deputado Celso Tanaui, ao ser questionado sobre seu projeto, respondeu: “Inteligência não é atributo exclusivo dos ricos”. O desavisado deputado misturou alhos com bugalhos. Inteligência todos têm, a diferença está no encaminhamento dessa inteligência, na assistência, no trato psico-pedagógico de seu desenvolvimento, que é o que, justamente, falta ao aluno pobre na fase anterior ao ingresso do nível superior.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2001)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

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A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

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A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

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