Payday loans uk
  1. Skip to Menu
  2. Skip to Content
  3. Skip to Footer>

Artigos Educacionais

  • Previous
  • Next
  • Stop
  • Play

CONTROVÉRSIAS QUANTO AO USO DO COMPUTADOR

Izabel Sadalla Grispino *

Aprender a viver na sociedade hoje é aprender a compreender a necessidade de uma educação de qualidade. A boa escola leva o jovem a recuperar a confiança na estrutura educacional. Essa escola sabe, pedagogicamente, como lutar pelas dificuldades de aprendizagem dos alunos e como fazê-los galgar os degraus do saber. Coloca como prioridade o desafio da qualidade de ensino e acompanha as mudanças requeridas por um mundo em acelerada mutação.

O aluno, nessa escola, passa a confiar mais no futuro, nas suas possibilidade de realização. Essa escola sabe que o crescimento econômico do País é indispensável ao seu desenvolvimento, mas sabe que desenvolvimento com distribuição de renda tem seu maior peso na educação.

A boa escola tem que definir sua linha pedagógica e a época se caracteriza por uma gama considerável dela e muito voltada ao uso do computador. Utiliza precocemente o uso da informática alegando exigência da época, adaptação à sociedade.

Curiosamente, contrária ao uso do computador por crianças, há uma linha que vem sendo considerada, discutida, e recebendo adeptos. Essa pedagogia combate o uso da tecnologia na rotina das crianças, como se faz comumente nas grandes escolas. O prof. Valdemar Setzer, da Universidade de São Paulo (USP), titular do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística, preconiza que o computador seja utilizado somente a partir dos 17 anos de idade: “Deixe as crianças serem infantis, não lhes permita o acesso à TV, joguinhos eletrônicos e computadores”.

No seu artigo “Contra o uso de computadores por crianças e jovens” relata conclusões a que chegou, como “ser o pensamento abstrato, forçado pelo computador, prejudicial aos menores de 16 ou 17 anos. Força-os ao uso de uma linguagem e um tipo de pensamento totalmente inadequado a essa faixa etária. Eles ainda não possuem uma maturidade intelectual adequada”.

Essa metodologia é compartilhada pelas escolas que abraçam a pedagogia Waldorf, introduzida pelo austríaco Rudolf Steiner, em 1919, na Alemanha. A base é deixar que a criança brinque por si, com o mínimo de estímulo externo. A escola programa-se para que não haja interferência no desenvolvimento, com a criança criando recursos próprios. Limites, contudo, são colocados suavemente pelo professor.

A criança na pedagogia Waldorf está sempre ativa. Os dias são preenchidos com atividades artísticas e artesanais. Brincam com bonecas confeccionadas por elas, sobem em árvores plantadas na escola, ouvem, em roda, histórias, contos do folclore, fazem teatro de marionetes, com cirandas e poesias.

A escola considera que os brinquedos manufaturados limitam a fantasia. Não adere à tendência, de hoje, de deixar a criança passiva diante da TV ou do computador. Prima pela individualidade de cada um, fazendo a criança desabrochar no seu potencial. Quanto ao computador, é contra ao seu uso precoce, por exigir muita concentração e mesmo abstração, num período em que a criança e o jovem não estão bem desenvolvidos intelectualmente e, conforme já está comprovado, a aceleração da intelectualidade é altamente prejudicial à criança e ao adolescente.

O prof. Setzer diz “não existir pesquisa científica que mostre os benefícios do uso do computador como ferramenta didática ou de lazer na infância. Você pensa que usa o computador, mas freqüentemente é ele quem usa você. Em qualquer uso, o computador força um raciocínio matemático restrito, lógico-simbólico e o jovem tem de ter uma maturidade muito grande para se controlar”. Para comprovar sua tese, diz não ter deixado seus 4 filhos terem acesso a computadores na infância. Hoje, um deles, de 32 anos, é diretor da Oracle, um dos principais fabricantes de software do mundo.

Além de acelerar a intelectualidade, o computador não dá margem à interação e a escola deve priorizar atividades em conjunto. Aprender sozinho limita o indivíduo, não o ajuda na socialização, na troca. O computador é um instrumento mecânico de aprendizagem, afasta o elemento humano, indispensável na educação. O trabalho coletivo traz maior prazer, um brincar mais produtivo, mais criativo. O contato com o humano faz a criança tornar-se mais tranqüila. A TV é igualmente barrada nessa pedagogia.

Além das escolas que adotam o método Waldorf, onde as crianças se desenvolvem em atividades naturais, outras vêm aderindo, senão total, mas parcialmente, às orientações de preencher os espaços da criança em atividades que as afastem do computador e da TV. Escolas particulares programam atividades para receber alunos no período de férias, em janeiro. Atividades como pintura, plantação, cavalgadas, culinária e até relaxamento para crianças de zero a 7 anos. Há preparação de horta para plantar cenouras, rabanetes, confecção de fantasias e banhos de boneca.

Quanto ao processo de afastar a criança e o jovem do uso do computador, surgem grandes celeumas entre os educadores. Atualmente, a grande maioria das escolas coloca crianças de 3 anos diante do computador. Adota desde cedo o seu uso atraindo clientela com esse sistema. As crianças, desde o jardim, vão se familiarizando com as máquinas e seu uso se prolonga no ensino fundamental, com aulas formais de informática.

A filosofia dominante dessas escolas é o ajuste da educação à sociedade reinante. Acreditam que se ficar fora da informática estarão prejudicando a juventude atual, deixando-a fora de seu tempo.

Qual o melhor caminho a seguir? Barrar totalmente a tecnologia à criança e ao jovem até a idade proposta por Setzer ou introduzi-los cedo ao seu uso? Setzer não está contra o uso do computador, mas eliminando o seu uso precoce, em obediência às fases do desenvolvimento cognitivo da criança e do jovem e utilizando-o no momento certo.

A informática é a coqueluche do momento, uma forte alavanca do futuro. Quanto ao seu uso precoce, exigindo, de acordo com especialistas, uma maturidade intelectual que a criança não tem, não haveria necessidade de mais estudo, mais observação, para uma mais ajustada conclusão? Até lá, não seria viável a adoção de um meio termo, de uma adequação aos níveis de abstração, uma graduação no raciocínio formal, hipotético-dedutivo?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2005)

A JUVENTUDE BUSCANDO DEFINIÇÕES

Izabel Sadalla Grispino *

Diante das contradições e incertezas do mundo atual, em especial no campo profissional, das indefinições das políticas sociais, das mazelas que se arrastam pela sociedade, o jovem, perplexo, busca, ansioso, saídas para as suas indagações. Muitos não conseguem perceber o futuro como trajeto confiável, antes o vêem como algo ameaçador. Resta-lhes o presente e, nele, grande parte se entrega na transgressividade comportamental, no consumismo, no prazer imediato e intenso, quando não, pela fuga, nas drogas. Encontram no desfrute dos bens materiais a razão do existir.

A esses aspectos, acresce-se uma constatada revolução mundial, nos modos de captar os valores morais, influenciados pelos meios de comunicação. A mídia, com seu forte poder, introduz e reflete novas atitudes, novos estilos de vida.

Uma pesquisa feita pelo Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC), com o intuito de decifrar, para os próximos anos, a construção do juízo moral de jovens pertencentes a sociedades emergentes, lançou a pergunta: “Qual é o valor mais importante: ter bom caráter ou muito dinheiro?”. Dos, aproximadamente, 400 alunos arrolados, apenas um respondeu: “É ter bom caráter, sem dúvida alguma”. Os demais votaram no dinheiro, sem pestanejar.

Durante a pesquisa, questionários foram entregues aos mais de 10 mil alunos da universidade, durante a matrícula. Numa folha, à parte, os pesquisadores pediram aos estudantes que apresentassem os três principais valores da juventude de hoje. Pouco mais de 1.000 alunos, apenas, devolveram a folha. Em suas respostas, dinheiro apareceu em primeiro lugar, seguido de ter emprego, por 186 votos. A ênfase ficou nos valores materiais. Os alunos próximos de se formar revelaram medo de não conquistar um espaço no mercado de trabalho. O medo chegava a turvar-lhes a esperança. A pesquisa revela que família, amizade, felicidade também foram votadas, mas em escala menor.

Uma outra pesquisa, mais recente, feita pelo Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), vem mostrar uma faceta mais animadora da juventude. Foram entrevistados 900 jovens, entre 14 e 20 anos, de diferentes classes sociais de Curitiba. Desses jovens, 397 (44,1%) apontaram a família como instituição de maior ascendência em suas decisões. Em seguida, vem a escola, com 37%, e a TV, com 13,7% das respostas. Na seqüência da pesquisa, os estudantes deveriam dar uma nota sobre suas avaliações políticas, ponto em que revelaram forte decepção, forte rejeição. A média do governo ficou em 3,96; dos partidos políticos, 3,07; do Congresso Nacional, 4,49; e do Judiciário, 4,99. Valorizaram a família, 9,02, a escola, 7,74, e a Igreja, 7,56.

Essa pesquisa surgiu como um oásis no meio do deserto. Mostrou que uma parte dos jovens está buscando valores, como respeito, amor, fidelidade. A vida em família foi considerada fundamental, mesmo havendo conflito. Eles acharam melhor ter uma família danificada que não ter nenhuma. Isso se explica pelo fato de esses jovens serem filhos da permissividade e que hoje sentem necessidade de limites, de valores consistentes. Não querem mais a concessão impensada, mas a orientação, a palavra segura. Os anos da revolução sexual produziram muito sexo e pouco amor; produziram a relação descartável, com sua insegurança, seu vazio.

Há uma outra vertente, a do aspecto religioso, que devemos considerar. Estamos vivendo uma época  de dupla face: de febre racionalista e de febre espiritualista. Os defensores de uma cultura agnóstica acreditam que a humanidade seria mais civilizada e feliz se se libertasse das “amarras” espirituais. Acreditam que a religião, sutilmente, empurra o Homem a um sentimento místico, desfavorável à sua libertação total. O conhecimento desse aspecto é importante porque esse ardor racionalista se encontra subentendido em textos comemorativos do cinqüentenário da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, veiculados na imprensa internacional. Neles, nota-se, segundo a crítica especializada, a apologia da razão, do sonho da libertação pela razão, contrapondo-se à corrente espiritualista, que preconiza o sonho da libertação pela religião.

É marca freqüente da humanidade esta dualidade. Em uma célebre pintura de Goya, encontra-se cunhada a frase: “Deus e o sonho da liberdade” e o grande escritor Dostoiewski expressa sua convicção através de um personagem: “Se Deus não existe, então tudo é permitido”.

Um fato extraordinário, no campo da espiritualidade, que chamou a atenção da imprensa mundial, especialmente européia, aconteceu em 20 de agosto de 2003, no “Dia Mundial da Juventude”. O Papa João Paulo II celebrou uma missa, no campus de Tor Vergata, nos arredores de Roma, onde compareceram nada menos que cerca de dois milhões de jovens católicos do mundo todo. Eram jovens procedentes dos cinco continentes, de 160 países, participando da “15.ª Jornada Mundial da Juventude”. Atendendo a um chamado do Santo Padre, foram a Roma aclamar, orar, cantar em louvor a Cristo. Lá estavam de coração aberto, prontos para receber mensagens, ouvir, como discípulos, a palavra do maior guia católico da época, o Papa João Paulo II.

Qual o significado dessa ida dos jovens para professar sua fé em Jesus Cristo? Como interpretar essa mensagem? Estaremos, por acaso, presenciando uma reviravolta, um contrapeso da balança, em direção aos valores espirituais perenes? Certamente, os jovens não estão encontrando, no materialismo exacerbado, sentido real para suas vidas. Estão buscando caminhos novos para seu futuro, estão em busca de algo maior, de um significado maior para a vida.

Esse acontecimento não deve ser esquecido. Deve ser reavivado, com reflexões para os jovens e para o mundo. Essa tão significativa participação da juventude, nos apelos da Igreja, provocou ao Papa a expressão: “Olho com fé o futuro da humanidade”.

Esse encontro, classificado como o Woodstock da Igreja, foi também chamado de “Parada Católica do Amor” e nos manda o recado de que nem tudo está perdido, que há esperanças e luzes despontando na edificação de um novo mundo, mundo voltado a Deus.

Que assim seja, Senhor!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2005)

CONTEXTUALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Um dos aspectos que vem se tornando ponto pacífico na metodologia educacional é a contextualização do currículo. A educação contextualizada vem sendo observada em todos os graus de ensino e em todas as regiões do País: o ensino aproximando-se da cultura, da região, de quem aprende. É o ensino se revestindo da identidade de seu aluno.

O currículo apresenta termos locais, como costumes, moradias, famílias, artesanatos, comércio, agricultura, literatura e outros. Os livros didáticos passam a levar em consideração características regionais, bem mais que universais.

Os educadores sabem que não se explica, por exemplo, a maré para uma comunidade de pescadores da mesma maneira que se ensina para crianças de uma região afastada de rios e de pesca. Assim, as crianças recebem material para diferentes realidades, diferentes situações.

Os livros didáticos de hoje observam região, cultura e etnias. Observam a realidade concreta do aluno, estimulando a aprendizagem. A educação contextualizada dá sentido às áreas do conhecimento. O aluno acaba entendendo o motivo de estar aprendendo determinado assunto e passa a se interessar por ele, a tomar gosto pelo estudo. A escola dessa maneira passa a usar uma boa estratégia de inclusão, aborda o preceito “conhecer para valorizar”.

Vários são os exemplos de contextualização da educação, de escolas que buscam na sua realidade idealização de projetos, que englobam aspectos sociais vividos por seus alunos. Uma escola municipal da cidade de Curitiba acolheu idéias de alunos e adotou o hip-hop, integrando-o à rotina escolar.

Alunos que apresentavam dificuldade no aprendizado, alunos que engrossavam a lista da evasão e da repetência, passaram a ser objeto de atenção por parte da escola. Eram grupos de alunos que se interessavam pela dança, eram dançarinos de rua, fugiam da escola para dançar com os colegas, nas praças do bairro. Na escola eram indisciplinados, impacientes, desinteressados, porém, na dança se revelavam exatamente o contrário. A escola, mudando de estratégia, passou a apoiar os alunos dançarinos, entender a sua dança, descobrindo belezas nesse dançar, nos movimentos de cabeça, nos contorcionismos e nas letras de seus raps, que eram uma forma de crítica social. Percebeu uma música sincronizada com os movimentos corporais. A escola deu a esse grupo o direito de ensaiar as coreografias no pátio. Eles mesmos realizaram os grafites que ilustram a escola e as camisetas do grupo.

Esses alunos ao se sentirem compreendidos em seus ideais, valorizados no seu potencial, desenvolveram auto-estima e passaram a estudar mais. Entusiasmaram-se porque sabiam que tinham um espaço e hora para dançar. Coordenar a dança com os estudos foi a grande motivação para que não abandonassem a escola e se tornassem bons alunos. Uma das cláusulas do projeto era de que só permanecia no grupo quem freqüentasse as aulas e tirasse boas notas. A música e a dança os encaminhavam para a realização também nos estudos.

A direção da escola entendeu, inteligentemente, que deveria trazer para dentro dela o que mais gostavam de fazer fora dela. A escola colocou-se com competência, utilizando-se das músicas, que privilegiam temas sociais, que combatem a discriminação, que passam ensinamento sobre sexualidade, drogas e educação, para orientar, para ensinar valores, comportamentos sociais saudáveis. O movimento hip-hop passou a ser um escudo contra o mal, contra o mundo das drogas e do vandalismo.

A escola encontrou uma forma de ajudar e de mostrar uma realidade que caminha junto com a cultura popular, extraindo dela ensinamentos gerais. O grupo de dançarinos passou a ser convidado a se apresentar em eventos da cidade, elevando o nome da escola.

Competência e motivação dos professores são fundamentais para o sucesso de suas programações, de seus projetos normais ou alternativos. O modelo de educação hoje é aquele que se aproxima do contexto escolar, modelo moderno, condizente com a realidade das cidades, onde não se pode desconsiderar os altos índices de criminalidade da infância e da adolescência, os altos índices de envolvimento dos jovens com a droga, com a violência. O aluno, na escola, aprendendo, divertindo-se e desenvolvendo suas tendências, ficará preso a ela, afastando-se das más influências da rua.

A escola contextualiza quando retrata sua comunidade, observa aptidões, torna-se solidária, participando dos problemas mundiais. Leva para o currículo assuntos de relevância social. A didática para a modernidade aborda a teoria construtivista, a teoria sócio-interacionista, que vê o indivíduo como resultante de um processo sócio-histórico, resultante do meio em que vive. Deixá-lo se desenvolver no seu meio, de acordo com seu potencial, é um de seus grandes primados.

O currículo contextualizado passa a imagem da própria vida, a aprendizagem é extraída das situações encontradas. A escola cria projetos que vão de encontro ao perfil do aluno, de suas características, despertando assim seu interesse, atraindo-o ao ensino. Ela está sempre aberta a novas táticas de abordagem. É uma escola que atua de forma integrada e responde aos anseios dos alunos, desenvolvendo suas competências e habilidades, responde aos anseios da comunidade; integra-se e ajusta-se à sua clientela.

A escola é uma instituição receptiva, não uma ilha isolada. Compartilha da vida de seus alunos, da vida social. A contextualização leva à resolução dos problemas do dia-a-dia e coloca os objetivos do ensino próximos da sala de aula.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em julho/2005)

MUNICIPALIZAÇÃO DO ENSINO

Izabel  Sadalla  Grispino *

É época de eleição. Educação é, sem dúvida, o grande alvo, o grande discurso. Num recente debate entre candidatos, abordou-se o tema municipalização do ensino. Abriu-se espaço para interpelações, espectadores querendo se esclarecer sobre o ensino municipalizado. Achei oportuno escrever a respeito, esclarecer o prezado leitor, inteirá-lo melhor sobre o assunto.

O que é a municipalização do ensino? Quais suas bases de sustentação? Por que municipalizar, também, o ensino fundamental?

A educação pública é dever compartilhado entre as entidades políticas: federais, estaduais e municipais. A Constituição da República diz: “A educação é direito de todos e dever do Estado”. Estabelece que o “acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo”.

A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), definindo responsabilidades, diz que “os municípios deverão oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas e, com prioridade, o ensino fundamental”; os Estados encarregar-se-ão de “assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o ensino médio”. Portanto, é obrigação cumulativa dos municípios e dos Estados pelo ensino fundamental, devendo haver, entre eles, coordenação, compromisso político, ajuda financeira e assessoria técnica dos Estados aos municípios.

EMENDA CONSTITUCIONAL N.° 14 – A ajuda financeira ficou definida com a aprovação pelo legislativo da Emenda Constitucional n.° l4, em setembro de 1996, a qual passou a ter efeito em janeiro de 1998. Essa emenda reafirma a necessidade de Estados e municípios cumprirem os dispositivos da Constituição de 1988, ou seja, de aplicar 25% de suas receitas de impostos na manutenção e desenvolvimento do ensino e obriga ambas as instâncias a colocarem 15% desses recursos no ensino fundamental, onde se encontram 80% dos alunos. O restante devendo ser empregado na educação infantil, em creche e pré-escola.

A Emenda Constitucional n.° 14 obriga, assim, o poder público a dar prioridade à educação obrigatória de 8 anos. Essa legislação disciplina gastos e impede que as administrações apliquem parte dos recursos educacionais nos níveis que desejarem.

FUNDO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL E VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIOEm cada Estado, a Emenda Constitucional n.° 14 cria um fundo, aprovado em dezembro de 1996 , “Fundo de Desenvolvimento da Educação Fundamental e Valorização do Magistério” (Fundef), denominado “fundão”, que vai viger por 10 anos. O “fundão” possibilita solucionar desequilíbrios entre localidades, permitindo que os recursos caminhem direto para quem realmente investe na educação fundamental. Por exemplo: uma cidade rica, com muitos alunos em escolas estaduais e poucos em estabelecimentos municipais, tem seu excedente transferido para cidades sem recurso tributário suficiente para manter as escolas do próprio município. A partir de 1.° de janeiro de 1998, Estados e municípios passaram a receber dinheiro de acordo com o número de alunos matriculados no ensino fundamental. O fundo privilegia Estados e municípios que têm escolas de ensino fundamental. Estes receberão a maior parcela em detrimento dos que não oferecem este nível de ensino.

O “fundão” é um fundo de natureza contábil, instituído em cada Estado e no Distrito Federal, através do qual passarão a ser distribuídos os recursos para o ensino fundamental. É constituído de 15% das receitas do ICMS, dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios e do IPI-Exportação. O dinheiro irá para o fundo estadual e será distribuído em cada Estado e para seus municípios proporcionalmente ao número de alunos matriculados na rede de ensino fundamental. A Emenda Constitucional n.° 14 define, também, que 60% dos recursos do fundo deverão ser destinados exclusivamente ao salário dos professores que estejam trabalhando em sala de aula, daí o nome “Valorização do Magistério”.

O governo federal vai participar apenas nas localidades onde a união de recursos estaduais e municipais não for suficiente para garantir a aplicação mínima por aluno estabelecida anualmente. Neste caso, o governo federal complementará o fundo para que seja atingido o investimento mínimo.

ENCAMINHAMENTO DA MUNICIPALIZAÇÃO – a municipalização iniciou-se lenta, muito questionada. O censo preliminar de matrículas, realizado na 2.ª quinzena de novembro de 1998, mostrou que menos de 20 cidades do Estado de São Paulo receberam verbas do fundão. A maioria dos municípios teve de repassar dinheiro ao Estado, por não manter rede de ensino fundamental. Segundo números do Ministério da Educação (MEC), poucos municípios paulistas, além da capital, receberam dinheiro transferido do Estado para investir no ensino fundamental no ano de 1999. O governo estadual ficou com a maior parte do dinheiro do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, por assumir mais de 80% dos alunos do ensino fundamental. A maioria dos municípios, por não possuir esse ensino, teve de transferir receita aos cofres estaduais.

O fundo, criado pelo MEC, redistribui parte das receitas de Estados e municípios pelo número de matrículas em cada uma das redes de ensino. Pela matemática do fundo, perderão mais aqueles municípios com arrecadação alta que não mantiverem rede de ensino fundamental, como aconteceu com São Bernardo do Campo. Mesmo cidades com escolas municipais podem ser obrigadas a transferir recursos se o número de matrículas for muito pequeno em relação à arrecadação de impostos.

Ainda, hoje, sob esse aspecto, há resistências. Todavia, a municipalização do ensino fundamental, se bem conduzida, se bem assistida, pedagógica e financeiramente, só poderá trazer benefícios. Representa uma descentralização na gestão e enseja gestão colegiada na administração do processo educacional. A administração mais próxima da escola favorece a comunicação e a pressão por uma melhor escolaridade. Cria maior intercâmbio entre prefeitura, comunidade e escola, facilitando a participação dos pais e da comunidade em tarefas de cooperação e de fiscalização. A municipalização pode harmonizar o atendimento técnico e o atendimento humano, sem prejuízo um do outro.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2000)

SÉRIOS ENTRAVES À QUALIDADE DE ENSINO

Izabel Sadalla Grispino*

Em um dos meus artigos anteriores, vimos que a qualificação docente é fator preponderante para uma boa aprendizagem. Há, contudo, sérios problemas dentro da escola, independentes da atuação do professor e que interferem, pesadamente, na sua organização e na sua qualidade de ensino.

Um fator agravante do ensino-aprendizagem, e que vem crescendo a cada dia, é a desordem endêmica da escola, seguida de violência.

O ambiente de ordem e de trabalho é muito importante para o desenvolvimento do ensino. Volta-se ao palco das discussões o abandono da educação pública, em nossa sociedade. Segurança escolar, praticamente, não existe e a desordem, a baderna, o completo desrespeito às normas disciplinares, impedem os avanços da boa aprendizagem.

Sob o prisma da reforma do ensino, que se supõe melhorar a qualidade da educação, um estudo do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial em São Paulo mostra que a rotina de violência e desordem nas escolas públicas interfere bruscamente nas condições da escola, esbarrando a caminhada pedagógica.

O estudo mostra que o maior perigo para a qualidade da educação é a desordem endêmica, ou seja, a desordem que vai se tornando crônica, avançando paulatinamente. Essa desordem, conclui o estudo, é tão nociva para a educação quanto a violência.

Controlar o crime e a violência nas escolas está se transformando em ponto de honra. Este estado perturbador aniquila o ensino e provoca debandada de professores e diretores que trabalham apavorados. Muitos já foram vítimas de ataques violentos por parte de alunos, chegando, alguns, à morte.

Este é um desafio, complexo, assustador, que a escola não pode deixar de enfrentar. Quando menos se espera, irrupções de violência e desordem tomam conta da escola e ela, contudo, não tem condições de enfrentar tamanho problema sozinha. Maior mobilização de recursos sobre segurança escolar, especialmente, em escolas mais necessitadas, precisa ser acionada e com urgência.

Professores e diretores não podem se sentir isolados e sem respaldo em situações que chegam a ser de risco. Uma grande reclamação é de que professores e diretores não recebem apoio institucional quando são ameaçados de morte ou quando seus carros sofrem vandalismos do lado de fora da escola.

O pior é que os desvios de comportamento não sofrem conseqüências e isso encoraja os desordeiros a continuar em suas atitudes criminosas ou anti-sociais.

Os alunos devem ser mantidos em suas escolas, por mais perturbadores ou agressores que sejam. Mostra o estudo do Instituto Braudel que os direitos humanos de estudantes desordeiros têm mais peso que os direitos humanos de professores que querem ensinar e de alunos que querem aprender.

As soluções encontradas nem sempre trazem os efeitos esperados. Utilizam-se  práticas esportivas, teatro, coral, dança ou a criação de ambientes diferenciados, dentro da escola, salas de aulas separadas com alunos estudando sob supervisão.

Quadro desolador! E saber que a riqueza do País está na escola, na boa escola, nos anos de escolaridade, cursados no respaldo do ensino de qualidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2007)

PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino*

Em fins de abril p.p. o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). É um plano que surge bem concatenado, um aspecto levando a outro e conta com 47 medidas. Estipula que até 2010 todas as escolas públicas do ensino básico do País estarão dotadas de computadores.

É um plano abrangente, com metas, avaliações, preocupações docentes, alcançando todo o ensino básico, a educação profissional, a alfabetização e o ensino superior. Busca melhorar a infra-estrutura das escolas e seu funcionamento. Traz, conforme se depreende, melhorias nas condições materiais, administrativas e pedagógicas, num programa de reciclagem. Quer corrigir falhas do passado, equipando as escolas, na mira de uma educação de qualidade.

O Plano adotará exames de avaliação do rendimento escolar para os diversos graus de ensino. Apoiando-se nos resultados das avaliações, distribuirá recursos à escola e corrigirá erros cometidos. Deixa expresso que os recursos materiais de cada escola dependerão do esforço dos professores, quanto ao rendimento dos alunos.

Um dias após ao lançamento desse Plano, o Ministério da Educação (MEC) divulgou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), considerado um indicador de qualidade do ensino. Os municípios que forem subindo no ranking desse Índice, definindo metas e adotando as ações e recomendações propostas pelo MEC, receberão apoio técnico e recursos extras, por parte da União. Um bilhão de reais está sendo reservado para destinar aos mil municípios com rede escolar de pior qualidade no País.

Através de um aperfeiçoado sistema de avaliação escolar, o MEC disporá de um diagnóstico fiel do novo sistema educacional. Na luta por uma educação de qualidade no ensino básico, os municípios e a Nação têm no Idec um órgão importante da correção do sistema.

Ao que tudo indica, surgirá maior claridade no horizonte das mudanças educacionais. Há, ainda, uma grande distância a percorrer para o resgate de um ensino de qualidade, de um ensino que, hoje, pouco ensina a sua clientela e que a deixa à margem da boa aprendizagem.

Conseguiremos alcançar, através desse Plano, a escola da inteligência, da beleza e do prazer, como falava Darcy Ribeiro? Os grandes passos estão sendo lançados e se complementados, como a omissão notada do período integral, se bem conduzidos, poderão chegar a um bom nível de ensino, suprindo as necessidades sociais e colocando o País em outra dimensão histórica.

Analisar o Plano, estudá-lo e pô-lo em prática são os primeiros momentos de um longo processo em direção à revolução educacional.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2007)

AS TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS E OS PROCESSOS DE PRODUÇÃO

Izabel  Sadalla Grispino *

As atividades humanas apresentam, desde os primórdios da civilização, com variações de intervalos cíclicos, comportamentos mais ou menos padronizados, que refletem seu “modus vivendi”.

Cada nova ordem social, promotora de mudanças, impulsiona novos procedimentos, imprime seu cunho, a sua marca conceitual e metodológica de realização.

Já vai longe o tempo em que era possível desenvolver trabalho artesanal, unitário. Hoje, ainda, existe, sobretudo como idealismo, “hobby” ou lazer, ou como produto de civilizações mais primitivas ou de pequenas corporações.

Na contemporaneidade não há, praticamente, lugar para o trabalho individual. O grau de complexidade a que chegou o fazer humano passou a exigir, num mesmo segmento, diferentes formas do saber, trabalhado de modo complementar. Presentemente, constatamos, nos mais diversos setores da produção, da educação, da economia, a incorporação de atitudes na linha da “troca”, “parceria”, “co-gestão”, “co-autoria”, “trabalho em equipe”, “interação”, envolvendo “relações interpessoais”.

O setor escolar, também, redefine posições. O trabalho individual cedeu espaço ao trabalho conjugado, cada vez mais explorado. Cooperam-se mutuamente: direção, professor, aluno e comunidade. O professor mantém com seu colega uma interligação horizontal – troca de experiência, planejamento conjunto,  conteúdo interdisciplinar, adoção de critérios e linguagens comuns – e vertical – graduação seqüencial do conteúdo, no entendimento de que “o hoje não existe sem o ontem, o amanhã é o resultado do hoje”.

É uma realidade no cenário educacional a interdisciplinaridade, a contextualização, o construtivismo, a formação integral do aluno, a autonomia na aprendizagem, através de uma educação democrática, libertadora, essencialmente crítica – a crítica da ciência faz parte da ciência. Ontem, falávamos em transmissão do conhecimento, supondo um aluno passivo, depositário. Hoje, falamos em construção do conhecimento, supondo um aluno ativo, criativo. Fazemos um corte no modelo tradicional, onde tudo vem pronto.

O planejamento maior do ensino converge para o binômio professor--aluno, o objetivo maior do ensino é o aluno. Para atingi-lo, a escola precisa estar em consonância com a realidade que a cerca. Entrosar-se com esta realidade e trazê-la para o interior da escola são passos importantes para desenvolver, com êxito, seu projeto educacional. Entra num sistema de parceria com a comunidade, mantendo com ela uma troca permanente. A comunidade participa da vida da escola e a escola, da vida da comunidade, procurando ajustar-se uma à outra. A comunidade empresta o seu saber e a sua língua populares e a escola os absorve e os transforma em saber aperfeiçoado, em língua culta. A escola procura interpretar os valores, os anseios da comunidade e dar-lhe respostas favoráveis. Cria-se um intercâmbio, onde a organização da escola, as normas educacionais resultam da parceria de regras, estabelecendo-se uma co-gestão. O pai participa da escola numa conceituação bem diferente daquela em que, praticamente, só era chamado para ouvir reclamação do filho, por alguma falta cometida. Hoje, procura-se conscientizá-lo de todo procedimento utilizado pela escola, buscando-se uma mútua interação. Profissionais credenciados da comunidade são convidados a participar diretamente do ensino, em sala de aula, dando noções de culinária, de carpintaria, de dança, de balé etc. Busca-se uma participação ativa e não meramente simbólica, como, por exemplo, a dos pais. A tendência atual é canalizar a sociedade civil para uma grande participação na educação.

O ensino nas escolas, visando uma aprendizagem efetiva, uma diminuição da repetência e da evasão, não pode criar uma cultura própria, transformando a sala de aula numa estrutura dissociada da vida comunitária, por conseguinte, da vida do aluno. Estamos voltando às origens, à famosa barganha do início da humanidade, perpetuando a sabedoria da solidariedade, da cooperação, para a sobrevivência das instituições e do próprio indivíduo.

Entre os professores, a parceria manifesta-se por uma co-autoria no levantamento de prioridades, de objetivos educacionais, de conteúdos afins, de metodologias, de estratégias, do sistema de avaliação e tantos outros itens correlatos, pertinentes ao planejamento de ensino. Trocam-se experiência e idéias que repercutem na identidade profissional do ensino.

A parceria do professor com o aluno cria, na sala de aula, um clima interativo, um conhecimento articulado, facilitadores da comunicação e da abordagem da educação democrática e libertadora. Ao trabalhar o aluno, sua matéria-prima, o professor marca sua presença na sociedade, quando lhe entrega o resultado de sua obra maior, um cidadão capaz, consciente que de seu desenvolvimento resulta o desenvolvimento do País.

Para chegar a esse bom termo, o professor precisa adequar o seu ensino ao tipo de aluno que recebe, precisa falar, como emissor, a língua do aluno, o receptor. Conhecê-lo bem, conhecer seu universo cultural, deve ser o ponto de partida, centrando a aprendizagem em bases no real, no concreto, e evitar, assim, uma possível inadaptação do aluno aos métodos da escola.

Escola é vida, é experiência de vida. Investigar o cotidiano do aluno, trazer sua vida à escola, relacioná-la, estrategicamente, aos conteúdos do currículo, vão tornar a aula mais atraente, mais condizente com esse aluno.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2000)

LUZES DESPONTAM PARA A EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Ultimamente, os resultados de pesquisas educacionais, quer nacionais, quer internacionais, não têm mostrado um quadro favorável ao ensino básico brasileiro. Ao contrário, relatam situações precárias e constrangedoras, um ensino de baixo nível.

As análises internas encontram-se e completam-se com as análises feitas por organismos externos. Recentemente, em abril de 2006, o IBGE divulgou dados relativos a 2004 do Plano Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad), mostrando a ineficiência de nosso sistema educacional, numa visão desoladora, deprimente para a nação. O debilitado sistema de ensino reincide sobre a população brasileira, apresentando uma larga margem de analfabetos e analfabetos funcionais.

A Prova Brasil, uma avaliação do ensino básico, revelou – julho de 2006 – que a grande maioria dos alunos não consegue aprender, mostrando um ensino de má qualidade. O Pisa, realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), colocou os estudantes brasileiros, em leitura e matemática, em último lugar.

Uma triste realidade se impõe. O mau ensino vai tomando conta da rede pública e pouco se faz, com competência, para reter seu avanço. O nível da nossa educação é dos piores, quando se mede em testes internacionais. O crescimento do País está atrelado à educação, por isso o nosso não consegue alçar vôo.

Segundo consta, há 40 anos, a nossa renda per capita era maior que a da Coréia do Sul e hoje a coreana é 2,5 vezes a nossa. A razão está no investimento maciço feito à educação. Na Coréia, a escolaridade média é de 13 anos, a nossa de 6. Saltou em disparada em relação ao indicador brasileiro.

Falar em educação como prioridade nacional é slogan antigo. Medidas desarticuladas, ineficientes, são o que mais imperam no nosso sistema de ensino. Presentemente, surge no País um movimento empresarial, “Todos pela Educação”, lançado em 6 de setembro de 2006. Um compromisso que reúne os maiores empresários do País e propõe metas a serem atingidas até 2022, no bicentenário da independência brasileira.

Um dos grandes objetivos do movimento é envolver a sociedade civil na luta por uma educação de qualidade levantar a discussão sobre a educação, sensibilizar o País para sua importância. Conscientizar a sociedade de que não há verdadeira independência sem educação, não há crescimento da economia sem educação, pois existe uma relação direta entre educação e renda. Um indivíduo com uma boa formação escolar consegue melhores empregos, passa a ter mais renda. O mercado de trabalho requer padrões mínimos de educação.

O movimento pretende criar uma mobilização social em favor da educação. Ensinar a sociedade cobrar educação e educação de qualidade, a se inserir no processo de educação. Mostrar à sociedade que o futuro se faz do hoje, do aqui e agora, e o nosso hoje está muito ruim.

O movimento não vai entrar no mérito das práticas educativas e define metas que serão por ele cobradas. Entre as metas, a obrigatoriedade de todas as crianças com 8 anos saber ler e escrever, de todos os alunos concluírem o ensino fundamental e médio e a garantia de uma boa gestão de recursos da educação, ressaltando a escola de qualidade.

O movimento é promissor porque vai acompanhar a evolução do processo e cobrar resultados. Torcer para que a educação se engrene e se levante começa a alcançar a consciência nacional, no entendimento de que educação e conhecimento são requisitos básicos para o desenvolvimento.

Dar à educação posição de política pública suprapartidária é o melhor caminho para o exercício pleno da democracia.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em setembro/2006)

SOCIEDADE DO CONHECIMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

A idade do conhecimento já chegou. É comum ouvirmos dizer que estamos na “sociedade do conhecimento”, impulsionada pela economia da informação. Para a nova economia, o término da escola superior significa ponto de partida, não de chegada.

Neste processo econômico, o capital humano ganha valor preponderante. Para cobrir o diferencial de nosso obsoleto sistema educacional, as empresas vêm desenvolvendo programas de educação continuada para os funcionários de todos os níveis. Avolumam-se os investimentos em qualificação permanente da mão-de-obra e elas funcionam como empresa-escola.

Os investimentos em formação de capital humano ultrapassam os investimentos em formação de capital físico. Propaga-se de que dois terços da atual produtividade surgem dos ganhos do capital humano e não do capital físico.

Para ser um bom profissional, além de freqüentar uma boa escola, de falar, com fluência, mais de dois idiomas, é preciso entender o mundo do trabalho e saber relacionar-se com ele. Hoje, tudo acontece com alta velocidade e a escola não tem acompanhado essa exigência das organizações. Por isso, formar profissionais tem sido, cada vez mais, papel das empresas, que vêm criando as universidades corporativas.

Os vários aspectos do desenvolvimento social mostram que a escola de hoje é o emprego de amanhã. Faz-se, pois, necessário uma reflexão séria do ensino brasileiro, em relação ao aqui e ao mundo. O nível de escolarização está diretamente relacionado à possibilidade de empregos e de assimilação de habilidades profissionais. Só arruma emprego, em uma boa empresa, quem recebeu uma educação qualificada. É preciso tentar recuperar a dignidade acadêmica, através de uma mudança estrutural, embasada em novos conceitos, em novos valores sobre a formação do profissional-cidadão. Precisamos criar uma nova escola, modernizando a velha, enfrentando os desafios tecnológicos.

Sabemos que há algumas boas experiências educacionais espalhadas pelo Brasil, em escolas oficiais de educação básica, principalmente nos Estados do centro-sul. Contudo, levando-se em conta nossa extensão territorial, podemos dizer que são irrelevantes. Estamos longe de atingir um padrão ideal de uma escola pública de qualidade.

Segundo dados do IBGE, referentes a 1999, 13,3% da população brasileira com 15 anos ou mais são analfabetos absolutos. São 15,1 milhões de brasileiros que nunca freqüentaram escola ou têm menos de um ano de escolaridade. Em documento internacional,  o Brasil havia se comprometido em reduzir o número de analfabetos de 20 para 10% da população entre 1990 e 2000, mas não atingiu as metas. Os técnicos do MEC apontaram, ainda, um outro grave problema, que são as taxas de analfabetismo funcional, em todas as faixas etárias da população brasileira. Pesquisa realizada no Estado de São Paulo – a situação nacional seria, ainda, mais grave – mostrou que nossas taxas de analfabeto funcional são maiores que as de 6 outros países latino-americanos, incluindo a Venezuela e o Paraguai. Não deixam de ser uma realidade preocupante; são “alfabetizados”, que não compreendem, por exemplo, o sentido de um pequeno texto, fazendo só o reconhecimento silábico das palavras.

Ainda, constata-se que, tanto no sistema de ensino de séries como no de ciclos, a maioria dos alunos que concluem o ensino fundamental é apenas semi-alfabetizada, incluindo-se no rol dos analfabetos funcionais. Que tipo de emprego pode aspirar o analfabeto funcional, quando se exige muito mais do que habilidades manuais?

Conforme nos ensinava Paulo Freire, não podemos perder a capacidade de sonhar, de esperar. Precisamos olhar o futuro pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e com o agora. E esse é o quadro real que, hoje, se nos apresenta. Que “consciência” tomará providências a respeito? Até quando faremos o jogo da cabra-cega? Os infortúnios dos desníveis sociais despertarão, um dia, a vontade política? Complemento essa análise com meus versos: “Panorama Político”.

PANORAMA POLÍTICO

Deus, guarde esta assustada humanidade,               O honesto cede a arena para os leões,
Que implora, de joelhos, proteção,                               Que se degladiam, tramam por vintém,
Necessita de homens de boa vontade,                        No picadeiro, agem como patrões,
Pra não levar o povo à exaustão.                                  Moral é tida conforme convém.

Homens que tenham o dom de amar,                          Lobos famintos comendo cordeiros,
De enxergar ao seu redor a pobreza,                          No ringue, só nocaute ou vitória.
Que queiram, com fé, o povo ajudar,                           Se mascaram de heróis, de homens ordeiros,
Se tocar, diante de tanta tristeza!                                 Visando dinheiro e entrar para a história.

Sem educação, só temos excluídos,                          Estamos cansados do faz-de-conta,
Marginais perambulando na rua,                                 De ouvir políticos na pracinha,
Sem saúde, só temos enfraquecidos,                        Falsas promessas, rosários de conta,
Incapazes de vôo, de ir para a lua.                              As mesmas histórias da carochinha.

A doutrina é sempre a mesma,                                    Não se pode, eu sei, generalizar,
Política vai, política vem,                                                Há os que lutam por sincero ideal,
Para os sem-teto, um caminhar de lesma,               Os que querem as dores minorar,        
Para os sem-pão, um jogo de vaivém.                       Têm força de deuses, ar pastoral!

O mundo é vazio de nobres ideais,                             Mas, infelizmente, são minoria,
Importa a aparência, as obras de vulto,                    Bloqueada, tem chances bem limitadas,
As benfeitorias são bem parciais,                              E, mesmo cercada pela maioria,
Sem prestígio, se encaminham pro luto.                  As boas leis são, por ela, editadas.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2000)

EQUOTERAPIA

Izabel Sadalla Grispino *

Os avanços na metodologia educacional alcançam dimensões criativas e surpreendentes. Em casos de atendimento específico, como do aluno com deficiência, a natureza trouxe o cavalo como um auxiliar poderoso na reabilitação motora e neurológica.

A prática da equoterapia traz benefícios físicos, como a melhora do tônus muscular, maior equilíbrio para andar, maior equilíbrio espacial e benefícios psicológicos e afetivos. A criança e o jovem aprendem a relaxar e melhora o medo que têm de tudo.

Esta é a grande vantagem da equoterapia,  alia o tratamento físico ao psicológico. O trabalho é com o cavalo e sobre o cavalo, traçado a partir de um plano individualizado. A terapia é acompanhada por uma equipe multidisciplinar, o trabalho é gradual e acompanhado de perto pela equipe de profissionais.

Quem estipula as metas é a equipe, que inclui psicólogo, fisioterapeuta, instrutor de equitação, condutor de cavalo e um profissional de educação. Os alunos interagem com o animal em várias situações e começam a reter melhor as informações, ajudando-os até no processo de alfabetização e na melhora da fala.

A prática é recomendada para crianças a partir de 2 anos, especialmente para casos de paralisia cerebral, síndrome de down, acidente vascular cerebral (AVC), traumas, autismo, déficit de atenção, estresse, síndrome de pânico, esquizofrenia, entre outros.

Há restrições para quadros de luxação de quadril e instabilidade severa  de pressão, mas, mesmo nesses casos, é possível determinar um bom programa de equoterapia, respeitando-se os limites.

Depois da Segunda Guerra Mundial,  os  médicos  começaram  a notar que o cavalo podia ser um aliado da saúde do homem. Na Europa, os homens mutilados ou depressivos, que praticavam equitação, tinham uma melhora mais rápida e logo voltavam à vida social.

Com o estudo desses benefícios, foram surgindo centros de equoterapia na França, Itália e Inglaterra. No Brasil, a prática é mais recente, chegou há 18 anos, com a Associação Nacional de Equoterapia (Ande-Brasil), cuja sede fica na Granja do Torto, em Brasília.

O número de adeptos brasileiros começou a crescer consideravelmente. Segundo a Ande-Brasil, em 1989 havia 6 alunos e o último levantamento, de 2005, aponta 13.760, com crescimento contínuo. No Estado de São Paulo, há 65 centros filiados às atividades, com uma média de 1.400 atendimentos por mês. No Brasil, são 250 centros filiados.

Os centros credenciados seguem as regras estipuladas: necessidade de uma equipe interdisciplinar e todos os membros com curso feito de equoterapia na Ande-Brasil. Os cavalos são treinados para ter um modo específico de andar. Para cada caso, a fisioterapeuta determina o ritmo do animal – o único animal que reproduz a marcha humana.

A equipe traça em conjunto os objetivos, levando em conta aspectos físicos, psicológicos, educacionais. Reavaliam o projeto a cada semestre.

Surpreendente descoberta no meio animal: o cavalo é uma valiosa ferramenta educacional e medicinal. É ajuda e remédio para muitos males.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2007)

A BIBLIOTECA

Izabel Sadalla Grispino *

A biblioteca é da comunidade o seu mestre-sala abrindo alas para a entrada do caminho do sol, descortinando um horizonte de estrelas. Ela é a sua fada-madrinha, presenteando a população com a mais cara jóia da humanidade, o livro. Nela moram os gênios da humanidade, os grandes das ciências, das artes, da filosofia, nela está armazenada a nata da intelectualidade mundial, as obras dos maiores artistas, dos maiores pensadores de todas as civilizações. Ela nos põe em contato com séculos de sabedoria e “só depende de você, de sua vontade de crescer como ser humano, na companhia deles”.

É a biblioteca quem fornece a matéria-prima da cultura, do reforço escolar, quem propicia e fortalece na criança e no jovem o hábito da imperiosa leitura, o hábito de ler. Ela é um recurso didático imprescindível ao ensino-aprendizagem. Com a adoção, pela escola, do método construtivista, coloca-se a pesquisa na vanguarda da metodologia.

A familiaridade com os livros deve acontecer desde a mais tenra idade. Várias são as estratégias utilizadas, lembrando a já consagrada “hora do conto”. Deve-se valer do imaginário mágico da criança e estimular a curiosidade, passar imagens, conceitos, como de que em cada livro há um tesouro escondido e que os mais valiosos tesouros do mundo estão guardados na biblioteca. Extrair das histórias o conteúdo moral, educacional, relacionando-o ao tesouro escondido.

Se quisermos formar leitores temos que nos valer de procedimentos que convirjam para esse fim. Montar uma biblioteca, com atrativos visuais, em local amplo, espaçoso, arejado, mantendo-o sempre limpo, com livros, revistas e jornais que atendam as diferentes faixas etárias, dispostos de maneira atraente, de fácil alcance e manuseio, de retirada facilitada, inclusive estimulada, porque o mais comum é dificultar, desestimulando o seu uso.

A biblioteca deve se constituir num ambiente acolhedor, convidativo, o usuário ou o aluno orientados, reiteradas vezes, para colaborar com a ordem, serem responsáveis, ajudando a manter o livro em bom estado de conservação. É indispensável uma pessoa treinada, encarregada da organização, da manutenção, do atendimento à população como um todo.

Frases estimuladoras, incentivadoras, slogans, devem ser espalhados em volta e dentro da biblioteca. No final do artigo, passo aos interessados, em meus versos, considerações e imagens sobre biblioteca, que podem ser colocados nas portas ou nas paredes da biblioteca, como estímulo e reflexão.

Sem a educação de nada adiantaria o avanço social; ele perderia sua base de sustentação, de conservação. São os livros que fortificam e dão forma à educação. Uma biblioteca pública coloca, em seu regaço hospitaleiro, também o menino pobre, estendendo-lhe as mãos, ajudando-o a desbravar sua inóspita floresta, fazendo-o alcançar a clareira e com ela encontrar o seu vale do sol.

Já se disse que “os livros constroem as grandes pátrias”. Os povos ignorantes abdicam de si nos outros e voltam-se à servidão e ao desaparecimento. A biblioteca, por seus livros, é a saída honrosa para se erguer o nosso Brasil, é a saída honrosa para fazer seu povo ascender, com dignidade e sabedoria, na escala social. Ela é o salvo-conduto para o mundo do conhecimento, mundo este encarregado de trazer a compreensão e a paz, de equilibrar o desnível social.

Quanto mais livros à disposição da população, mais a certeza de que ela saberá como achar seu tesouro escondido, como encontrar o verdadeiro caminho da felicidade.

 

BIBLIOTECA

Quanto encanto numa biblioteca!

Nos livros, quanta sabedoria!

As histórias da criança sapeca

Acordam do sono a alegoria!

Guardemos, pelo livro, respeito,

Tenhamos, por ele, o maior conceito!

Há vida intensa na biblioteca,

Nela moram o poeta e o escritor,

É da língua escrita a discoteca,

A ousadia do grande inventor!

O livro é um caminho de luz,

Como a Bíblia, ensina ver Jesus!

Biblioteca é desenvolvimento,

Sinônimo de educação,

Representa, ao homem, crescimento,

Força pra mente e pro coração!

O livro ensina a viver em paz,

Ele guarda as jóias que o mundo faz.

 

*Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em março/2001)

EXCLUSÃO E FATOR ECONÔMICO

Izabel Sadalla Grispino *

A destruição dos valores sociais vem criando o comportamento de que “tudo vale” para se alcançar o objetivo. Abraça-se o conceito de que “ninguém presta”, de que é preciso ser mais esperto que o outro, mais “competente”, para não ser passado para trás.

Nessa conjuntura, surge o que está sendo chamado de “terceira vertente da criminalidade”. Essa vertente se diferencia da criminalidade baseada, por esse modelo econômico, nos excluídos sociais. Abrange uma terceira categoria, daqueles que crêem que ninguém presta, de que, em tese, todos são bandidos. Gera-se um comportamento de malandragem, de desconfiança generalizada, onde ninguém acredita em ninguém. A moral vai se deformando, surgindo os “deformadores morais”, que julgam ter o direito de roubar, matar: “Seu eu não fizer primeiro, o outro fará por mim”.

O indivíduo assume a postura de bandido, é bandido declarado, “tem lado”, conforme sua expressão. O pior, segundo se constata, é que, agora, o jovem bandido não é mais recriminado pelos pais, como sempre foi. Os pais, também, foram convencidos de que ninguém presta. Essa característica confirma-se pela presença considerável de pais, de familiares, de amigos, em visita aos presidiários, que lá vão para hipotecar solidariedade e, certamente, levar-lhes informações. Quando interrogados por policiais, por repórteres, se viram alguma coisa, se sabem de alguma coisa, eles se calam, ninguém viu nada, ninguém sabe nada e isso não é apenas por medo, mas por aceitar o crime. O traço assustador é que, segundo pesquisas, eles se mostram convencidos de que estão certos e que não vão mudar. A personalidade deformou-se! O caráter contamina, o crime contamina!

O que espanta é a confusão mental em que os jovens se mergulham, a incapacidade de retornar a um rumo coerente, com força para enfrentar uma realidade social cada vez mais assustadora e fora de controle. Será que nesses casos a cadeia resolve? Resolve a aplicação integral da pena em regime fechado, como querem alguns? Os adeptos dessa solução citam como fulcro do problema as brechas da legislação penal, incluindo a Lei de Execuções Penais, que a consideram benevolente, e o falho sistema prisional.

Creio que se possa pensar nesses recursos como estratégia imediata ou coadjuvante. Sou mais adepta à universalização de uma educação aprimorada, voltada para o humanismo, para a face solidária da vida. Ensinar aos jovens o respeito ao outro, o respeito aos valores éticos, respeito aos direitos e deveres do cidadão, como fala a nossa Constituição.

As verdadeiras causas do comportamento anti-social estão na raiz de uma deformada educação ou de ausência de educação. Estão na própria estrutura social, na pirâmide educacional, que deixa em suas bases uma imensa população analfabeta ou semi-analfabeta, arrastando-se, em conseqüência, para a marginalidade. Estão no desemprego, na desigualdade social. É necessário criar escolas, frentes de trabalho, quebrar os cinturões de miséria das favelas, substituí-los por núcleos de empregos, melhorar a qualidade de vida, providenciar o saneamento básico.

Felizmente, vem surgindo uma nova mentalidade, em relação à massa ociosa e que muito pode contribuir para minorar a situação. Ela vai além da compaixão, reveste-se de uma concepção pragmática, onde o lucro é parte importante. Entendem as empresas que essa ociosidade é prejudicial ao comércio, à vida produtiva do País, que, financeiramente, é conveniente preparar, habilitar os excluídos, arrebanhá-los para o setor econômico. Eles podem significar dividendos e, sob esse prisma, aproveitados. A caridade sozinha não atinge o alvo, mesmo porque num mundo competitivo é difícil o exercício da solidariedade.

O capitalismo moderno luta contra a marginalização social, envolve-se nessa luta, que não é vista como caridade cristã, mas como lucro, que advém da eficiência, da competência. O capitalismo parece estar encontrando motivação racional para o aproveitamento dos excluídos, mirando-lhes lucro.

Por essa via, a ação social, de assistência aos marginalizados, torna-se viável e um caminho que promete. O que se quer é preparar o indivíduo para que tenha domínio de seu campo de trabalho, de suas habilidades.

Esse novo conceito leva o empreendedor a dar reforços ao seu empreendimento. A empresa aplica o termo lucro, não no sentido de obter vantagem, tirar proveito, mas no sentido de lucro pela proficiência. Por esta concepção, as empresas voltam os olhos para as necessidades da sociedade, prestam contas dos lucros sociais conquistados por elas. Lucros que a sociedade confere por conta de projetos empreendidos, como apoio à educação, à saúde, às artes, à cultura em geral, ao esporte, ao lazer, especialmente, para crianças e idosos.

Empresas há que ultrapassam o critério de vínculo empregatício, alargam o conceito de cidadania e estende-o ao tempo dedicado  à  coletividade.  São  as  empresas-cidadãs que investem no benefício coletivo, sem auferir lucros financeiros, entendendo que pagam, desse modo, a sua dívida social.

Do ponto de vista econômico, essa equação atenderá os excluídos, aumentará a produção, reduzindo, quem sabe, significativamente, a desigualdade. Sempre há uma luz no fim do túnel, basta não ignorá-la e ir buscá-la. Sonhar é preciso. Acreditar que virá a reviravolta, que o mundo retornará ao seu princípio de simplicidade, mais igual, mais humano e mais próximo de Deus.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em outubro 2005)

A BUSCA PELA BOA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade do conhecimento, ao exigir uma educação de qualidade, está conduzindo os pais, com poder aquisitivo, a procurar a melhor escola para seus filhos., mesmo porque já se começa a questionar a qualidade de muitas escolas particulares. É uma busca criteriosa, ressaltando princípios, programas, metodologias, funcionamento, capazes de produzir uma aprendizagem atualizada, prática e eficaz.

Vem se notando uma concorrência salutar entre as escolas particulares. As melhores encaminham-se para o aprimoramento de atitudes, conceitos e infra-estrutura. Selecionam seu corpo docente, com professores titulados, experientes e uma equipe pedagógica interdisciplinar: pedagogos, psicólogos e outros.

As boas escolas apresentam um projeto pedagógico consistente, com uma concepção clara de educação, um aprendizado feito através de projetos de ensino. Apresentam um currículo plural, atualizado, contemplando as várias áreas do saber, com inclusão dos temas transversais.

A linha pedagógica não é exclusiva, seja a tradicional, montessoriana, waldorf ou construtivista, acaba mesclando-se, para atender os diversos momentos da aprendizagem. O importante é respeitar a individualidade de cada aluno e desenvolver a sua potencialidade, respeitar as diferenças individuais, as habilidades, interesses e preferência de cada um. O aluno, ao ter sua individualidade respeitada, sente-se um vencedor.

Os novos tempos exigem da escola uma adaptação às mudanças da sociedade, como um todo. Seu projeto pedagógico aborda as transformações sociais,  através das linguagens,  das ciências e da compreensão  das inter-relações existentes entre os fenômenos sociais. Seu projeto, através  do professor, é um mediador da aquisição do conhecimento e estimula o aprendizado para a vida.

O aluno é sempre parte ativa no processo de aquisição do conhecimento – é ele quem dará as respostas aos fenômenos que o cercam – onde convivência social é estimulada e onde a abordagem humanista coloca o ser humano no centro de toda atividade.

A escola precisa estar em permanente diálogo com o que está acontecendo no mundo, sem perder os seus alicerces, suas funções primeiras, como a educação formal, a disciplina no trabalho, a formação intelectual e cultural de seus alunos. Deve oferecer um ambiente prazeroso, alegre, possuir o perfil da família, mantendo um bom relacionamento com os pais e com a comunidade. Inserir a escola na comunidade, em projetos sociais.

O processo educativo se inicia a partir da vivência e da realidade da criança e do adolescente. Deve estimular a potencialidade do aluno, desenvolver o espírito crítico, possibilitando ao aluno autonomia para transpor barreiras e enfrentar desafios. As aulas de educação infantil devem ser específicas para cada fase do desenvolvimento.

Essa nova escola deve alimentar nos jovens a curiosidade, a vontade trabalhada de dar respostas às questões formuladas.

Esses aspectos de uma boa escola, aqui mencionados, produto de observações e pesquisas, são capazes de formar um educando apto ao sucesso, na exigente sociedade do conhecimento.

 

* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em março/2007)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

CLASSES HOSPITALARES

Izabel Sadalla Grispino *

A educação é um direito de todos. A obrigatoriedade faz parte da nossa legislação. A Constituição do Brasil, de 1988, diz que o ensino fundamental é obrigatório no País e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, determina que o poder público criará alternativas para o acesso ao ensino.

O direito à educação cria classes hospitalares, atendendo aos doentes. É uma modalidade de ensino especial, que começa a crescer no País. As crianças doentes têm direito à educação como qualquer outro aluno, inclusive as que ainda não estão matriculadas em escolas.

Uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) mencionou pela primeira vez as classes hospitalares em 2001. Pela resolução, os sistemas de ensino deveriam integrar-se aos de saúde para organizar o atendimento educacional especializado a crianças que não podem freqüentar a escola por problemas de saúde.

Em dezembro de 2002, o governo federal lançou um documento denominado Classe Hospitalar e Atendimento Pedagógico Domiciliar. Esse documento dá as diretrizes sobre como devem ser o funcionamento e a organização das escolas em hospitais. O único impedimento para que a criança não estude nos hospitais é a opinião médica, desaconselhando para o momento.

Nos últimos anos tem crescido o interesse de educadores e médicos pelo assunto. O envolvimento da criança pelo estudo acaba, também, sendo útil à sua recuperação. A criança se cura mais rapidamente.

Como numa escola, existem compromissos que devem ser cumpridos pelos educadores e pelas crianças. No lugar do exercício para casa, há o exercício para a cama. Também o momento de brincar, que seria a hora do recreio. Há a preocupação de adaptar o conteúdo ao contexto da criança internada e o acompanhamento é praticamente individual.

Os professores precisam preparar-se para a educação especial voltada para crianças com problemas de saúde, freqüentar cursos de capacitação. Dificuldades existem e vão desde a condição psicológica e física do aluno até a necessidade de um trabalho interdisciplinar, já que não há professores de todas as áreas.

Os educadores são ligados às secretarias municipal e estadual de Educação, mas planejam internamente as atividades. Os trabalhos levam em conta o desenvolvimento de cada criança e informações obtidas nas escolas em que estão matriculadas. Lições, provas e outros relatórios de desempenho são enviados ao hospital e voltam à escola de origem depois de prontos. As tarefas e as provas são assim elaboradas em conjunto com as escolas de origem. Notas ou avaliações são sempre consideradas pelas instituições, o que impede que a criança perca o ano.

A medicina moderna segue essa interdisciplinaridade, unindo profissionais de saúde e educação. Referenda que o contato escolar aproxima a criança internada de seu cotidiano. Dá a ela a sensação de cura, esperança de sair do hospital, o que ajuda na sua recuperação.

Brincar e estudar humanizam o tratamento, despertam entusiasmo e vontade de curar.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em dezembro/2006)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

Leia Mais

A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

Leia Mais

A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

Leia Mais


Reconhecimento

Premiado pelo Buscaki

buscaki

I.S.G

izabel1

Colaboração

Slideshow Image 1

Novos Jogos

eduespc

Vídeos

videos

Visitante Número