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Artigos Educacionais

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CONTROVÉRSIAS QUANTO AO USO DO COMPUTADOR

Izabel Sadalla Grispino *

Aprender a viver na sociedade hoje é aprender a compreender a necessidade de uma educação de qualidade. A boa escola leva o jovem a recuperar a confiança na estrutura educacional. Essa escola sabe, pedagogicamente, como lutar pelas dificuldades de aprendizagem dos alunos e como fazê-los galgar os degraus do saber. Coloca como prioridade o desafio da qualidade de ensino e acompanha as mudanças requeridas por um mundo em acelerada mutação.

O aluno, nessa escola, passa a confiar mais no futuro, nas suas possibilidade de realização. Essa escola sabe que o crescimento econômico do País é indispensável ao seu desenvolvimento, mas sabe que desenvolvimento com distribuição de renda tem seu maior peso na educação.

A boa escola tem que definir sua linha pedagógica e a época se caracteriza por uma gama considerável dela e muito voltada ao uso do computador. Utiliza precocemente o uso da informática alegando exigência da época, adaptação à sociedade.

Curiosamente, contrária ao uso do computador por crianças, há uma linha que vem sendo considerada, discutida, e recebendo adeptos. Essa pedagogia combate o uso da tecnologia na rotina das crianças, como se faz comumente nas grandes escolas. O prof. Valdemar Setzer, da Universidade de São Paulo (USP), titular do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística, preconiza que o computador seja utilizado somente a partir dos 17 anos de idade: “Deixe as crianças serem infantis, não lhes permita o acesso à TV, joguinhos eletrônicos e computadores”.

No seu artigo “Contra o uso de computadores por crianças e jovens” relata conclusões a que chegou, como “ser o pensamento abstrato, forçado pelo computador, prejudicial aos menores de 16 ou 17 anos. Força-os ao uso de uma linguagem e um tipo de pensamento totalmente inadequado a essa faixa etária. Eles ainda não possuem uma maturidade intelectual adequada”.

Essa metodologia é compartilhada pelas escolas que abraçam a pedagogia Waldorf, introduzida pelo austríaco Rudolf Steiner, em 1919, na Alemanha. A base é deixar que a criança brinque por si, com o mínimo de estímulo externo. A escola programa-se para que não haja interferência no desenvolvimento, com a criança criando recursos próprios. Limites, contudo, são colocados suavemente pelo professor.

A criança na pedagogia Waldorf está sempre ativa. Os dias são preenchidos com atividades artísticas e artesanais. Brincam com bonecas confeccionadas por elas, sobem em árvores plantadas na escola, ouvem, em roda, histórias, contos do folclore, fazem teatro de marionetes, com cirandas e poesias.

A escola considera que os brinquedos manufaturados limitam a fantasia. Não adere à tendência, de hoje, de deixar a criança passiva diante da TV ou do computador. Prima pela individualidade de cada um, fazendo a criança desabrochar no seu potencial. Quanto ao computador, é contra ao seu uso precoce, por exigir muita concentração e mesmo abstração, num período em que a criança e o jovem não estão bem desenvolvidos intelectualmente e, conforme já está comprovado, a aceleração da intelectualidade é altamente prejudicial à criança e ao adolescente.

O prof. Setzer diz “não existir pesquisa científica que mostre os benefícios do uso do computador como ferramenta didática ou de lazer na infância. Você pensa que usa o computador, mas freqüentemente é ele quem usa você. Em qualquer uso, o computador força um raciocínio matemático restrito, lógico-simbólico e o jovem tem de ter uma maturidade muito grande para se controlar”. Para comprovar sua tese, diz não ter deixado seus 4 filhos terem acesso a computadores na infância. Hoje, um deles, de 32 anos, é diretor da Oracle, um dos principais fabricantes de software do mundo.

Além de acelerar a intelectualidade, o computador não dá margem à interação e a escola deve priorizar atividades em conjunto. Aprender sozinho limita o indivíduo, não o ajuda na socialização, na troca. O computador é um instrumento mecânico de aprendizagem, afasta o elemento humano, indispensável na educação. O trabalho coletivo traz maior prazer, um brincar mais produtivo, mais criativo. O contato com o humano faz a criança tornar-se mais tranqüila. A TV é igualmente barrada nessa pedagogia.

Além das escolas que adotam o método Waldorf, onde as crianças se desenvolvem em atividades naturais, outras vêm aderindo, senão total, mas parcialmente, às orientações de preencher os espaços da criança em atividades que as afastem do computador e da TV. Escolas particulares programam atividades para receber alunos no período de férias, em janeiro. Atividades como pintura, plantação, cavalgadas, culinária e até relaxamento para crianças de zero a 7 anos. Há preparação de horta para plantar cenouras, rabanetes, confecção de fantasias e banhos de boneca.

Quanto ao processo de afastar a criança e o jovem do uso do computador, surgem grandes celeumas entre os educadores. Atualmente, a grande maioria das escolas coloca crianças de 3 anos diante do computador. Adota desde cedo o seu uso atraindo clientela com esse sistema. As crianças, desde o jardim, vão se familiarizando com as máquinas e seu uso se prolonga no ensino fundamental, com aulas formais de informática.

A filosofia dominante dessas escolas é o ajuste da educação à sociedade reinante. Acreditam que se ficar fora da informática estarão prejudicando a juventude atual, deixando-a fora de seu tempo.

Qual o melhor caminho a seguir? Barrar totalmente a tecnologia à criança e ao jovem até a idade proposta por Setzer ou introduzi-los cedo ao seu uso? Setzer não está contra o uso do computador, mas eliminando o seu uso precoce, em obediência às fases do desenvolvimento cognitivo da criança e do jovem e utilizando-o no momento certo.

A informática é a coqueluche do momento, uma forte alavanca do futuro. Quanto ao seu uso precoce, exigindo, de acordo com especialistas, uma maturidade intelectual que a criança não tem, não haveria necessidade de mais estudo, mais observação, para uma mais ajustada conclusão? Até lá, não seria viável a adoção de um meio termo, de uma adequação aos níveis de abstração, uma graduação no raciocínio formal, hipotético-dedutivo?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2005)

A FORMAÇÃO DE CICLOS NAS ESCOLAS DA REDE ESTADUAL

Izabel  Sadalla  Grispino*

O Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb) realizado, em sua 1.ª fase no ano de 1997, a alunos de 3.ª e 7.ª séries do 1.º grau, em escolas oficiais e particulares – as que quiseram aderir ao programa – permitiu chegar, segundo o MEC, a conclusões fundamentais.

As provas foram feitas com base no programa curricular do ciclo básico – união de 1.ª e 2.ª séries – e da 6.ª série, respectivamente. O melhor resultado foi observado nas 3.ªs séries, provenientes do ciclo básico. Os alunos das escolas públicas, afirma o MEC, nessas séries, apresentaram rendimento muito semelhante ao das escolas particulares.

A 2.ª fase da avaliação abrangeu alunos de 4.ª e de 8.ª séries, sempre com base no currículo da série anterior. Essa avaliação e mais a que incluiu alunos do ensino médio demonstraram que o ensino decresce em qualidade à medida que a série avança, que a qualidade de conhecimento, absorvido pelo aluno de 1.ª à 4.ª série, é grande, de 5.ª à 8.ª  série cai um pouco e, no 2.º grau, é muito pequena.

De acordo com o MEC, as avaliações revelaram vantagens – em relação às demais séries do 1.º grau – nos agrupamentos das 1.ªs e 2.ªs séries do ensino fundamental, o ciclo básico, tanto referente à aprendizagem, quanto à repetência. Constatou-se que de cada 100 alunos matriculados, apenas 60 terminam os 8 anos do ensino fundamental.

Essas avaliações, a nível nacional, forneceram dados que permitiram uma radiografia geral da educação, diagnósticos globais, detectando os grandes problemas. Mas, cada região pode torná-las mais eficientes, mantendo seus próprios sistemas de avaliação. Algumas secretarias estaduais e municipais já têm seus processos de avaliação. Entre as estaduais, estão: Minas Gerais, São Paulo, Ceará, Paraná, Pernambuco, Rio Grade do Norte, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Entre as municipais: Curitiba (PR), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ).

São Paulo montou, no ano de 1997, o Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado (Saresp), planejando fazer uma prova por ano, série a série.

ENSINO FUNDAMENTAL EM CICLOS – No Estado de São Paulo, o Conselho Estadual de Educação, apoiando-se nos resultados das avaliações e na nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que diz ser “facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos”, autorizou a organização do ensino fundamental, na rede do Estado, em ciclos, ou seja, o reagrupamento das séries em ciclos de maior duração, nos quais não haverá reprovação anual.

A LDB diz ainda: “Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, observadas as normas do respectivo sistema de ensino”.

A filosofia adotada pela nova Lei trocou a uniformidade e a rigidez do sistema de ensino pela diversificação, flexibilidade e até regionalização. Recomenda que não se leve em conta apenas os resultados das provas bimestrais na avaliação dos alunos e, sim, seu desempenho global, ao longo do ano.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo estabeleceu, para as escolas de sua rede, dois ciclos para o ensino fundamental – para alunos da faixa etária dos 7 aos 14 anos – o primeiro da 1.ª à 4.ª série e o segundo, da 5.ª à 8.ª série, em vigor a partir de 1998. As escolas municipais do ensino fundamental terão liberdade para organizar o seu ensino, seguindo o modelo das estaduais ou permanecendo com um ciclo só.

O sistema chamado de “regime de progressão continuada” é a ampliação do ciclo básico da 1.ª à 2.ª série, existente na rede estadual desde 1984. O objetivo maior é combater a repetência, utilizando-se da adoção de avaliações permanentes, paralelas ao ensino-aprendizagem, com grupos de reforço, grupos de recuperação para o aluno, que, ao longo do processo, apresentou dificuldades na aquisição dos conceitos básicos.

O ciclo de 1.ª à 4.ª série terá sua avaliação conclusiva na 4.ª série, o de 5.ª à 8.ª série, a avaliação conclusiva será na 8.ª série.

PRESSUPOSTOS DO REGIME DE PROGESSÃO CONTINUADA – O ensino na progressão continuada parte do princípio de que todo aluno é capaz de aprender e de que a escola deve ser capaz de atender à diversidade, oferecendo um currículo adequado ao progresso do aluno. A metodologia deve privilegiar o aluno como sujeito de sua aprendizagem, abandonar o sistema tradicional da transmissão dos conhecimentos prontos e acabados. Os conteúdos são dados continuadamente e não por série.

A atual conduta pedagógica adotada pela Secretaria Estadual da Educação estabelece que a solução para o baixo rendimento do aluno está na escola. É ela que tem de oferecer os recursos para o estudante recuperar-se. Deve assumir a responsabilidade pela aprendizagem. “Não adianta dizer que se o aluno não aprendeu o problema é dele”, diz a Secretaria da Educação e acrescenta: “Não há alunos com barreiras intransponíveis de conhecimento; o que varia é o ritmo do aprendizado de cada um”.

Para evitar o fracasso do aluno, a escola deve verificar como se equaciona identidade cultural e itinerário educativo. Ela é condutora da potencialidade do aluno. Deve recriar a cultura, transformar a informação em conhecimento.

Na próxima semana, abordarei o processo de avaliação desse ensino-aprendizagem.

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2001)

PALAVRAS QUE FAZEM IR AVANTE

Izabel Sadalla Grispino *

Continuo recebendo, comovida, congratulações pelo lançamento do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola). Uma me é muito representativa, vem de uma admiração de longa data, dos fins dos anos 60, de uma pessoa a quem credito fé.

Nessa época, dirigia a Delegacia de Ensino – hoje, Diretoria Regional – de Araraquara, o supervisor de ensino Prof. José Guilherme De Nardi, revelando uma capacidade administrativa considerável. Eu, então, diretora  do Colégio Estadual “José Pacífico”, de Guariba,  tinha minha escola subordinada à sua egrégia Delegacia. Tive a sorte de contar com a atuação firme, coerente, serena do Prof. De Nardi – era assim que o chamávamos.

Prof. De Nardi era um misto de conhecimento, sabedoria e humanidade, modelo que os diretores tentavam repassar às suas escolas. Ele era o orientador, o amigo, o conselheiro, sempre com uma palavra de encorajamento, de ir em frente. Foi-me um período de valiosas experiências, valiosas aprendizagens.

Os anos passaram-se, mas, o nosso De Nardi continuou o mesmo, devotado ao trabalho, apaixonado pela educação, alma iluminada, iluminando. Cada carta sua, que recebo, é um aconchego, calor que fortalece, que passa entusiasmo, despertando a vontade de crescer. Sua atuação como Delegado de Ensino foi altamente meritória, aplaudida, tanto que o reconduziu à mesma função por outras vezes.

A carta recebida – vinda de quem veio – fez-me bem. Reiterou forças, envaideceu-me. Ela é tão particular e tão geral que quero compartilhá-la com meus prezados leitores. Vou publicá-la porque um exemplo de incentivo profissional, tal educador estimulando a atuação do seu educando, fazendo-o sentir-se útil à sua seara.

Como diz o russo Lev S. Vigotsky, “sempre aprendemos através do outro. Aprendemos com as diferenças, com a colaboração de cada um no processo de aprender, aprendemos com a troca... Para ele, o processo do pensamento é despertado pela vida social e pela constante comunicação entre as pessoas, permitindo a assimilação de experiências de muitas gerações. Vigotsky valoriza o papel da interação social. A sala de aula é um espaço de interação social. Espaço de muitas vozes, a do professor e a dos alunos. É zona de desenvolvimento proximal, de interação e diálogo... Deve-se criar uma relação de ajuda de quem sabe mais, atingir um aprendizado resultante de interação social. Essa interação, que se cria na sala de aula, passa para a sociedade”. (do meu livro “Prática Pedagógica”, págs. 332 e 333).

A carta do Prof. José Guilherme De Nardi mostra essa interação, um dos objetivos do meu livro e dos meus artigos. Foi para mim significativo feed-back. Certamente, ao publicá-la, terei sua aquiescência.

“Araraquara, 9 de setembro de 2004.

Prezada Professora Izabel.

Duas situações relevantes levam-me a escrever-lhe. A primeira, menos significativa por ser corriqueira na vida da admirável mestra, mas que certifica a importância de sua contribuição à educação e ao ensino. A segunda, magistral e auspiciosa, qual seja, o lançamento recente do livro “Prática Pedagógica” – (Estruturando Pedagogicamente a Escola).

Relato o fato referente à primeira situação. Na avaliação do planejamento da escola onde trabalho, no final de julho, a equipe técnica deliberou insistir junto aos colegas professores sobre o maior uso da Internet no desenvolvimento dos projetos de ensino. A escola disponibiliza excelente laboratório de informática, disponibiliza seus assessores e, entretanto, raros têm se valido deste recurso para construção do saber do aluno. Fui encarregado de coordenar uma oficina (ainda eu,... velho professor da reserva) na qual o texto que me serviu de base para conscientização do grupo foi o artigo “A Inclusão digital”, de sua autoria, publicado na Tribuna Impressa, de 16/6/2004, que se revelou instrumento valioso na chegada aos objetivos pretendidos. Fico feliz ao relatar-lhe o fato, para evidenciar a propagação de seu trabalho gerador de reflexão, de tomada de consciência, de novos rumos no fazer pedagógico.

A “Prática Pedagógica” enfeixa suas idéias brilhantes sobre a escola desejada nos tempos atuais, oferecendo linhas de ação e luzes norteadoras para os educadores. Sua linguagem fácil, segura e objetiva mostra ao professor claramente os caminhos a seguir, como contribuição de alto valor, neste instante difícil em que a escola precisa redefinir sua atuação em busca de novas estratégias que a recoloquem no patamar que precisa ocupar como agência especializada na elaboração do desenvolvimento do aluno, agente transformador da sociedade.

Professora Izabel, nós que palmilhamos nossas vidas de educadores ao longo das sofridas reformas do ensino de 1961 e 1971, enfrentando todos os percalços de suas respectivas implantações, vemos, na atual reforma, dificuldades muito mais amplas, porque sua implantação implica numa mudança de mentalidade em todos os níveis, sem perder de vista o professor de hoje, formado para uma escola que ficou para trás e que precisa se ajustar aos novos padrões reclamados.

Assim, seu livro analisa o momento por que passa a educação, refletindo sobre problemas de seus vários aspectos e indicando o fazer para os novos rumos, sendo, por certo, uma contribuição de enorme valia, orientação a todos que militam na educação.

Congratulo-me com seu lançamento e, à vista das situações colocadas no início, quero saudá-la na qualidade de grande mestra, que tanto fez pela educação e continua, pelas luzes de seu conhecimento, a enriquecê-la com primorosas contribuições, que se espargem, como sementes fecundas, que, por certo, cairão em solos que se revigorarão com sua acolhida.

Aceite meus calorosos cumprimentos. Parabéns pela obra admirável.

Do amigo de sempre

De Nardi”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2004)

QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Um grande objetivo hoje é educar com a paz. Trabalhar o sentimento de paz, tê-la como companheira, como conselheira. Um conceito toma conta dos meios educacionais: “Educar é acreditar na vida e ter esperança no futuro; é semear com sabedoria e olhar com paciência”. Esse olhar leva à paz.

Educação envolve a árdua tarefa de penetrar nos domínios da inteligência e da emoção. É caminhar com cautela nesses territórios. Hoje, a ciência fala em inteligência como fator genético, cujo desenvolvimento se favorece com o contexto cultural. Genética e ambiente devem andar de mãos dadas com conhecimento e incentivo. Cada vez mais, temos elementos para nos colocar, com mais precisão, frente ao aluno.

Entre as práticas pedagógicas ressalta-se o diálogo; em sala de aula a disposição em U ou semicírculo. Ressalta-se o pensamento de que educar é criar idéias, é cativar e não repetir palavras. Não é um manual de regras, é aproximação, é abraço, é liberdade e encorajamento à construção da própria história.

Educar é compreender o momento do estudante, compreender o momento social, o crescimento da violência e da alienação. A velocidade do pensamento do jovem e do adulto há um século era bem menor que a atual. Surge daí a necessidade de criar um novo modelo de educação. No passado, o conhecimento duplicava a cada dois séculos. Hoje, duplica a cada cinco anos, constatam as pesquisas. O excesso de conhecimento, associado aos estímulos da TV, à competição acirrada, forçou de maneira assustadora a produção de pensamentos, podendo levar ao estresse.

Para tanto, é preciso educar a emoção, educá-la com inteligência, ensinando os alunos a pensar antes de reagir. Ensinar os alunos a serem pensadores e não reprodutores de informação. Educá-lo a pensar e a acreditar na sua transformação, na sua capacidade cognitiva.

Hoje, consideramos que, para a educação ter qualidade, talvez, o principal seja propiciar aos alunos autonomia intelectual e espírito inquiridor. Desenvolver uma cidadania consciente, em que a obtenção de respostas, às perguntas, seja feita de forma independente de professores e na possibilidade de o aluno ser capaz de estar permanentemente fazendo perguntas.

O hábito de leitura, por prazer, é outro caminho importante a ser contemplado numa educação de qualidade. A leitura ajuda os jovens a formularem seus próprios julgamentos, a alcançar melhor as atividades que a escola apresente e depois o mercado de trabalho. É preciso que a leitura se constitua num lazer saudável e não só na busca do saber acumulado pela humanidade. A construção do prazer na leitura é, contudo, dificultada pelo próprio contexto escolar, onde 60% dos professores no Brasil não têm o hábito da leitura, conforme dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Estimular a criação de bibliotecas municipais, atualizadas, introduzir na grade curricular semanal uma hora de leitura por prazer, podem ajudar. Porém, o mais importante é capacitar os professores para um trabalho mais competente com a leitura, tornando-os leitores. É voz corrente de que se os mestres gostarem de ler, freqüentarem bibliotecas públicas e fizerem dos livros companheiros de viagem, a grande probabilidade é que seus alunos também o farão.

Essa  é uma cruzada que não pode ser relegada, nem postergada, se quisermos uma educação de qualidade. Índice demonstrado em avaliações do Ministério da Educação (MEC) é de que 30% das crianças chegam à 4.ª série sem saber ler.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ministério da Educação (MEC), desde 1997,  passam orientação do que deve ser enfatizado em cada segmento de ensino, mas a forma e a complementação são de competência da escola, que deve ajustar o seu ensino às características do momento social. A escola precisa, acompanhando o movimento atual, envolver-se em discussões sobre como desenvolver nos jovens coração e mente, emoção e objetividade, para que venha acontecer melhoria sustentável na educação. A escola, desenvolvendo competências e habilidades,  aspectos cognitivos de caráter geral, garante que os avanços obtidos não sejam perdidos no tempo.

A educação precisa entrar na agenda do País; os países desenvolvidos cresceram educando a população. A única idéia-força capaz de levar o País a um avanço histórico é a revolução da qualidade da educação. Essa colheita, infelizmente, o Brasil não está colhendo, porque não está semeando acertadamente.

O social que muda uma sociedade é a escola nota 10. A grande libertação do povo faz-se com lápis e caneta, não com assistencialismo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2006)

CAMINHOS CONSTRUTIVISTAS NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

As escolas partem para semear transformações na educação. Os alunos trabalham em projetos que eles criam  e desenvolvem, nos quais empregam conhecimentos adquiridos não só na escola como no seu dia-a-dia.

O computador, por exemplo, não se torna apenas uma fonte de dados, mas um instrumento de comunicação entre eles. Os alunos caminham com autonomia na aprendizagem. Discutem determinadas questões e eles próprios decidem o que fazer. Montam um projeto, pesquisam, fazem o acompanhamento e analisam os resultados, sempre sob a orientação dos professores.

Os professores são treinados para utilizar atividades de ensino construtivistas, que levam o aluno a construir o conhecimento. O filósofo e psicólogo suíço Jean Piaget descobriu que as crianças não pensam como os adultos, têm sua própria ordem e sua própria lógica. A pedagogia tradicional as tornava “recipientes” a serem preenchidos com conhecimento. Elas são, contudo, ativos construtores do conhecimento, tal como fazem os cientistas que criam e testam suas próprias teorias.

O aluno não é um ser passivo e o conhecimento é o resultado da interação entre ele e o mundo. O conhecimento não é cópia, mas resultado de uma construção/elaboração do mundo ou, como dizia Jean Piaget, “assimilação da realidade”.

Construir o conhecimento é aprender, numa estrutura em construção, algo que se quer conhecer. Para haver aprendizagem, não basta a transmissão da informação, por mais competente que ela seja. É o sujeito que, fazendo relações, associando o novo ao já conhecido, vai construindo o conhecimento, segundo a sua estrutura em formação. Novos sentidos serão construídos em cada sujeito, de acordo com os esquemas de compreensão que já adquiriu. Ao longo da vida, o sujeito terá oportunidades diversas de ressignificar o conteúdo de acordo com sua experiência.

No construtivismo dizemos que ser educador é possuir a sabedoria de fazer brotar a sabedoria do outro, fazendo-o tomar posse do verdadeiro saber, saber compreendido, assimilado de dentro para fora. Por isso, educar é ter o poder de ensinar a aprender, é trocar experiências vividas, fazendo surgir novas luzes. O método de ensino adotado pela escola e aplicado pelo professor tem efeito considerável sobre a aprendizagem. Um método distorcido, distanciado da realidade da sala de aula, sem o aprimoramento de seus passos, pode levar o aluno ao fracasso.

A escola deve ajustar-se ao perfil do aluno, às suas características de personalidade, ao seu ritmo de aprendizagem, ajudá-lo em suas buscas. Não deve lhe apresentar um conhecimento pronto, acabado, mas construir com ele o conhecimento, recriar conjuntamente a cultura. Hoje, a escola se distancia da visão culturalista, enciclopedista. Ela aborda a cultura do dia-a-dia, questões de relevância social, de interesse dos alunos, trazendo um conteúdo significativo, um conteúdo contextualizado.

A alfabetização é ponto-chave no processo de aprendizagem. Ela, também, deve partir do estudo da cultura da comunidade do aluno, em que nível lingüístico e cultural ele se encontra, quando chega no 1.º ano do ensino fundamental, e em que nível se quer fazê-lo chegar. A escola, reconhecendo e respeitando o universo de onde veio o aluno, adaptando-se a ele, fará uma adequação do universo cultural que ele trouxe com o universo oferecido por ela, evitando que ele se sinta um estranho no ninho. Dessa maneira, a escola provocará uma ruptura bem menor desses universos. O aluno, aceito em sua maneira de ser, vai percebendo que é possível articular a sua linguagem com a da escola.

Reivindica-se à escola que, a partir de uma cultura popular, ela crie uma consciência de sua necessidade de formar um elo, uma relação de articulação serena, entre o seu universo e o da criança. No momento em que essa articulação se concretizar, a aprendizagem estará garantida. A criança não se sentirá frustrada, olhada como alguém que fala um discurso estranho. Perceberá que não há discurso distinto entre o dela e o da escola. Vai evoluir com naturalidade, não vai decorar ou repetir aquilo que lhe mandam. A passagem entre o seu mundo e o das letras processou-se de modo tranqüilo, com respeito e valorização (trecho extraído da aba da contracapa do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola).

Esse é um grande passo para integrar o aluno no recinto da escola e motivá-lo a ela.

Um outro grande passo é respeitar o seu momento diante da aprendizagem, visto que o desenvolvimento infantil ocorre por fases. Esta foi uma das razões que se pensou em organizar as escolas da rede em ciclos, que coincidem com as fases do desenvolvimento, aumentando as possibilidades de aprendizagem, pois o ritmo das crianças é respeitado. Além disso, nesse processo são levados em conta os conhecimentos que as crianças trazem de casa e da convivência social.



* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em março/2006)

SOCIEDADE DO CONHECIMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

A educação, a boa educação, é o elemento primordial para se viver e se atuar na atual sociedade. O conhecimento tornou-se a mola-mestra do progresso, condição sine qua non para uma boa colocação profissional.

Essa sociedade exige que a criança seja não apenas educada, mas bem educada, o aluno capaz de pensar, de analisar, de criticar, de interferir na realidade circundante.

O desenvolvimento das habilidades e das capacidades intelectuais passou a ser o foco da educação, sendo o ensino ministrado através de projetos, onde o aluno, elemento ativo do processo de construção do conhecimento, é o centro de todas as atenções, de todas as atividades desenvolvidas.

A era do conhecimento chegou e a escola precisa ensinar esse aluno a buscar o saber, a aprender a aprender, a ter iniciativa, a desbravar a floresta. Para tanto, é preciso que ele tenha autonomia na aprendizagem, armas psicológicas, embasamento científico-cultural e que avance no terreno educacional e social com critério e lucidez. A função educativa da escola se fortaleceu, fortalecendo o conhecimento do aluno.

Um outro fator, que chama atenção da época atual é o domínio de línguas, da língua nacional e de línguas estrangeiras. Para se colocar na sociedade globalizada, o indivíduo precisa dominar, no mínimo, duas línguas. Se antigamente o francês foi o alvo, hoje é o inglês.

Com a chegada do Mercosul, bloco comercial da união dos países da América Latina, a esperança de trabalho, de empregos, suscitou a importância do estudo do espanhol. Hoje, embora o Mercosul não tenha alcançado o vôo que se sonhava é ainda esperança, se não tanto de trabalho, mas de encontro de idéias de nossos irmãos patrícios, de sua rica cultura, seus costumes e tradições que se colocam ao nosso alcance e nos fazem entender melhor a nossa realidade, a nossa terra.

O entusiasmo pelo estudo da língua espanhola tomou conta da nação brasileira. Muitas escolas já ensinam o espanhol e o que se pretende é torná-lo obrigatório em todo território nacional. O espanhol é, talvez, depois do inglês, a língua mais estudada no mundo todo.

Tenho em minhas mãos um livro de histórias, “Vagalumes da Infância”, de Ledercy Gigante de Oliveira, trazendo, em si, a idéia original de escrever as histórias em português e, na segunda metade do livro, colocá-las em espanhol. São histórias curtas, ligeiras, conforme recomenda a boa didática, que mexem com a imaginação, com o devaneio.

Pelo título, aliás sugestivo, supõe-se que são lembranças suas do passado, reminiscências da infância, se bem que em alguns contos o passado traz lances do presente.

O pensamento voa solto. Alguns contos apresentam um fino humor e certos detalhes, que permitem visualizar a cena descrita. São textos bem montados, bem escritos, com propriedade de linguagem, com a surpresa da apresentação, de uma obra bilíngüe. Seu estilo leve convida à leitura continuada.

Personalidade vibrante, alma irrequieta, Ledercy passeia pela vasta área pedagógica, deixando heranças diversificadas, lições de aprendizagem. Foi minha colega de supervisão e quem trabalhou com ela sabe da seriedade com que enfrenta tudo que faz.

Além de despertar o gosto pela leitura, “Vagalumes da Infância” tem o mérito de incentivar, de atrair o aluno para o estudo da língua espanhola. Passa-se de uma língua a outra, com a facilidade do suporte da língua-mãe.

Ledercy tem faro profissional, traço que faz o diferencial nas realizações de sucesso. Esse traço, apresentando contos bilíngües, trará ressonância, no momento atual da educação.

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2007)

JOGOS PARAOLÍMPICOS

Izabel Sadalla Grispino *

O mundo desperta com mais vigor para a educação do deficiente, dos portadores de necessidades especiais (PND). Descobre-se que suas potencialidades, quando bem trabalhadas, levam-no a realizações inesperadas.

Terminaram recentemente os Jogos Paraolímpicos, organizados logo depois dos Olímpicos, na mesma cidade e instalações, em Atenas, Grécia. No período de 17 a 28 de setembro competiram 3.857 atletas paraolímpicos, representando 145 países. São atletas portadores de deficiência mental e física. A competição tem uma tradição de 44 anos. O Brasil paraolímpico é bem superior ao olímpico. Possui uma das melhores equipes, tem 9 recordes mundiais. Em Sydney conquistou 22 medalhas, seis delas  de ouro. Para esses últimos Jogos Paraolímpicos, o Brasil enviou a maior delegação de sua história: 98 atletas de 13 modalidades. Teve a melhor participação do País, com 34 medalhas, sendo 14 de ouro, 12 de prata e 8 de bronze. O destaque foi o nadador brasileiro Clodoaldo Silva, que conquistou 6 medalhas de ouro e 1 de prata. Fechou sua participação no ponto mais alto do pódio.

Alguns esportes praticados são bem conhecidos, como o basquete de cadeira de rodas e a natação. Outros são novidades, como o futebol de 5, que aparece na Paraolimpíada pela primeira vez. Em dois tempos de 25 minutos cada um, jogadores cegos ou de pouca visão – que  usam tampões nos olhos para não ter vantagem – orientam-se pelo som. Há ainda o vôlei, goalball, hipismo, tênis, futebol de 5 para cegos – mencionado acima --, futebol de 7 para paralisados cerebrais, halterofilismo, judô, tênis de mesa, ciclismo e atletismo.

É emocionante notar como os deficientes fazem de tudo, hoje em dia. A Paraolimpíada dá a oportunidade de o deficiente mostrar o quanto é capaz, em termos de concentração, de raciocínio, de superação de si mesmo.

Os jogos Paraolímpicos reforçam o conceito de valorização da educação do aluno deficiente. No estudo de um novo idioma, por exemplo, ultrapassam a barreira da língua materna. Muitos deficientes visuais e auditivos freqüentam aulas regulares, com sucesso, em inglês, espanhol, italiano e outros idiomas. Usam material em braile, fazem leitura dos lábios, contam com programas avançados de computador. Mostram-se animados, com vontade de aprender. Os que têm deficiência auditiva se valem, também, do aparelho para audição.

O importante na aprendizagem do deficiente é observar o ritmo e as características de cada um, dar-lhe o apoio que necessita e usar material didático adequado. Introduzi-lo na sala de aula comum, com os outros alunos e incentivá-lo a participar. Segundo os fonoaudiólogos, apenas deficientes auditivos oralizados, isto é, que conseguem ler lábios e reproduzir os sons, podem participar das aulas normais de idiomas. Os que têm perda profunda de audição precisam de um professor que saiba a língua dos sinais.

Segundo o relatório “Monitoramento Internacional dos Direitos dos Deficientes”, elaborado pela Rede Internacional de Deficientes e pelo Centro para a Reabilitação Internacional, divulgado no início de setembro p. passado, o Brasil, entre 24 países pesquisados, é o País das Américas que assegura a melhor proteção e tratamento aos deficientes físicos. O que influenciou esse resultado foi a legislação que, entre outros fatores, assegura cotas de contratação nas empresas, garantias constitucionais de apoio financeiro e proibição da discriminação no trabalho.

Mas, em termos de realidade, pouco se faz no cumprimento dessas vantagens, para que o País seja realmente inclusivo no trato do deficiente. A reserva de mercado aos deficientes, com cotas obrigatórias, estabelecidas pela legislação, em empresas com mais de 100 funcionários, nem sempre é cumprida. Há ainda o obstáculo da locomoção que impede a chegada e a permanência do deficiente no emprego. Do mesmo modo, a reserva de 5% das vagas para os concursos públicos tem seu privilégio esbarrado pelas condições de acesso à educação. O deficiente não consegue trabalho ou estudar porque não tem acesso ao local do emprego e à escola. A lei da reserva de vagas para os concursos públicos, regulamentada em 1988, em que pese a boa intenção, deveria adequar a escola, o sistema de saúde, o transporte público, para atender a demanda dos interessados, garantir a sua participação efetiva na sociedade.

Um outro contra-senso, outro desencontro entre legislação e realidade, é a garantia do direito de voto, que deveria ser acompanhada do direito de acesso ao local de votação. No segundo semestre deste ano – 2004 – o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, incongruentemente, que os deficientes que não possam chegar aos locais de votação estão dispensados. Somente 20% dos postos de votação do País estão equipados para receber portadores de deficiências. Diante desse parecer, haverá interesse em equipar os demais?

Segundo o Censo do IBGE, realizado em 2000, o Brasil possui uma população de mais de 24,5 milhões de brasileiros portadores de algum tipo de deficiência. Dentre os deficientes visuais, 159.824 responderam que são incapazes de enxergar. Dos brasileiros com deficiência auditiva, 176.067 disseram que são incapazes de ouvir. Em cada 100 brasileiros, no mínimo 14 apresentaram alguma limitação física ou sensorial. O número é elevado e merece toda nossa atenção, toda atenção governamental.

Percebemos que ainda há muito que fazer pelos deficientes, ultrapassar os limites da legislação, legislação que colocou o Brasil como o melhor País das Américas no tratamento do deficiente. Quantos anos ainda levaremos para dar condições apropriadas para que o deficiente possa exercer, com dignidade, sua cidadania?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro de 2004)

AÇÃO MULTIDISCIPLINAR NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Além de o sistema público de ensino oferecer um desempenho muito inferior ao necessário, para uma sociedade cada vez mais centrada no conhecimento e na avançada tecnologia, marca preocupante presença no mundo da violência.

Escolas situadas em bairros pobres de periferia ou nos grandes centros conturbados pela desordem precisam de ajuda multidisciplinar para conseguir um ambiente tranqüilizador ao ensino da aprendizagem.

Muitas escolas trabalham com as famílias dos alunos, buscam o envolvimento da comunidade em suas iniciativas e desenvolvem práticas ligadas à sua realidade socioeconômica. Contam com forte apoio dos pais, principalmente, na fiscalização da freqüência e no controle das lições de casa. A escola sabe que a família é a base e incentiva-a a freqüentá-la, ajudando-a tornar seus alunos mais responsáveis, mais ordeiros.

Dentre as múltiplas causas que concorrem para a decadência do ensino uma é a violência, manifestada sob os mais variados aspectos. Alunos baderneiros, indisciplinados, frutos ................ da omissão de pais por uma educação regulada em normas, princípios e limites e frutos de uma sociedade violenta, permissiva, aliciadora. Toda essa conturbada situação explode na escola.

Há situações em que a escola se sente impotente para harmonizar o seu ambiente conturbado. Professores chegam a ser ameaçados, física e moralmente, por gangues e alunos. Conscientizar alunos e pais vai além do que se faz necessário. Em casos mais agressivos, a escola vem recorrendo à justiça, à promotoria responsável pela vara da Infância e a Adolescência, na busca de ajuda às graves situações.

O que se consta é que quando a escola encontra respaldo na autoridade judicial ela consegue aplainar a violência, avançar na ordem e na disciplina. Temos notícia, pela mídia, de uma atuação devotada e competente de um promotor público, que não hesita em formar fileiras às escolas necessitadas de ajuda.

Alunos-problema que tentam desorganizar a escola, queimando cortinas, quebrando carteiras e cadeiras, pichando muros e lousas, envolvendo-se em brigas com desordeiros são, pelo promotor, obrigados a cumprir penas disciplinares, a consertar o que destruíram ou prestar serviços comunitários.

Verifica-se que a grande maioria se recupera e o vandalismo na escola, praticamente, desaparece. Os mais violentos, que reincidem nos atos de violência, têm seus pais chamados pela justiça e forçados a pagar os prejuízos.

Também, no caso de alunos faltosos, em escolas com alto índice de evasão, os pais são chamados para conversar, para se conscientizar da necessidade da permanência dos filhos menores na escola. Se a ausência persiste, os pais recebem ordem de prisão, apoiada no Código Penal, sobre o crime de abandono intelectual. No município, onde tal ato ocorreu, a evasão caiu de 20% para zero.

Esses fatos comprovam a necessidade de rigor, de autoridade, de força conjugada, para o bom desfecho da agressividade. Em muitas localidades, a escola não se supre mais. Reforço da comunidade, dos pais, da Igreja, da justiça são-lhe imprescindíveis. A desestruturação da instituição escolar, por problemas de violência, afeta toda uma sociedade, que não pode fechar os olhos para esse sério quadro.

A conscientização de se juntar as mãos para reabilitar o ensino precisa avançar. Esse é o ponto em que chegamos e se cruzarmos os braços onde chegaremos?

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em fevereiro/2007)

JÁ FOI

Letra e música

Izabel Sadalla Grispino


Já foi,  já foi,  já foi,                                      Já foi, já foi, já foi,

A  história  contará,                                     A história contará,

Já foi,  já foi,  já foi,                                      Já foi, já foi, já foi,

Nada  mais posso  arriscar.                      Nada mais posso arriscar.

Secar  as  lágrimas,                                    Secar as lágrimas,

Deixar  tempo  rolar,                                   Deixar tempo rolar,

Não  mais  se lamentar,                             Não mais se lamentar,

Olhar o sol  raiar.                                         Olhar o sol raiar.

Manter  viva a ilusão,                                 Manter viva a ilusão,

Que a  sorte sorrirá,                                  Que a sorte sorrirá,

Deus, em  seu grande saber,                  Deus, em seu grande saber,

Dirá o que fazer.                                         Dirá o que fazer.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2000)


CICLO BÁSICO NOS CURSOS SUPERIORES

Izabel Sadalla Grispino *

Como parte da reforma universitária, o Ministério da Educação (MEC) propõe a criação do ciclo básico de 2 anos para os cursos superiores. Um ciclo comum, freqüentado pelos alunos, com um grupo de disciplinas mais genérico, antes da oferta dos conteúdos específicos de cada curso. O aluno terá uma melhor formação geral, um tempo maior para definir com mais segurança a carreira a seguir. Irá exercitar melhor suas aptidões, informar-se com mais tempo sobre o mundo do trabalho e fazer a escolha de sua profissão com mais maturidade.

A idéia do ciclo básico vem sendo bem recebida pelos educadores que entendem ser a medida portadora de uma formação mais ampla aos estudantes, permite uma maior flexibilidade na troca de cursos e evita a especialização excessiva, que limita a formação.

A nova LDB da Educação substitui, no currículo, padronização por flexibilização. A reforma do ensino adota currículos que se norteiam pela interdisciplinaridade -- interligando as diversas áreas do saber – e pela contextualização. A interdisciplinaridade promoverá ao aluno uma formação mais ampla, um conhecimento globalizado do assunto. Na universidade, corrige distorções do ensino superior e da especialização prematura dos cursos de graduação, realizados em departamentos, e cursos desintegrados dos demais. A interdisciplinaridade, aliada às diretrizes curriculares básicas comuns a todos os cursos, levará a especialização para os últimos anos, favorecendo ao aluno uma escolha posterior, com mais convicção.

O ciclo básico retoma noções de universidade, afirmam os educadores. O foco deixa de estar no curso e passa à universidade. Os primeiros anos de graduação agruparão estudantes de cursos com demandas diferentes em atividades inter e multidisciplinares. Os cursos serão interligados e as disciplinas básicas oferecidas conjuntamente.

Essa iniciativa do ciclo básico já existe em algumas universidades brasileiras, como a Universidade de São Paulo (USP), que, já há algum tempo, mudou o currículo da Escola Politécnica e do curso de Letras. Para que o ciclo básico seja bem aplicado é preciso que conte com professores bem formados, treinados, com visão global das disciplinas. O que se espera é que não venham a se tornar uma forma de economia, especialmente para as instituições privadas de ensino. Que ele represente o alargamento das fronteiras do conhecimento, hoje tão necessário.

O ciclo básico exige, para tal, um currículo bem entrosado e professores qualificados. Esse processo reforça a idéia de reforma na estrutura administrativa do ensino superior, da divisão das universidades em departamentos. O que se pretende é acabar com as antigas cátedras, agrupar os professores em órgãos colegiados por afinidade de conteúdo de suas disciplinas. Essa medida começou a ser implantada há pouco mais de três décadas pelo regime militar, mas por razões oportunistas e burocráticas não foi levada adiante.

O ciclo básico envolvendo disciplinas comuns torna-se refratário à segmentação do ensino em cursos, departamentos e faculdades que não se comunicam entre si. A sua aplicação talvez comece por áreas afins. Com sua adoção, o estudante poderia fazer o vestibular para um conjunto de áreas, sem escolher antecipadamente uma. Essa escolha ocorreria a partir do 3.º ano.

A idéia do ciclo básico no ensino superior injeta princípios inovadores na universidade. Na licenciatura, poderá melhor preparar o professor para encarar as mudanças implementadas pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), melhor entender o ciclo básico na progressão continuada do ensino fundamental. O que precisamos é de avanço na educação. É lamentável abrir o jornal e deparar com o resultado de uma avaliação do ensino médio, revelando que “a escola brasileira ensina menos que o mínimo”.

O Sistema de Avaliação do Ensino Médio (Saeb) divulgou, em 16 de junho corrente, um resultado demonstrando que, depois de três anos em queda progressiva, o ensino não avançou praticamente nada. Revelou, segundo o MEC, uma pequena tendência de melhora, que se pode dizer ser meramente estatística. Na realidade, não se percebe nenhuma mudança na qualidade de ensino, ensino que não consegue ir além do mínimo. Metade dos alunos não sabe nem português, nem matemática. Mostrou uma situação muito grave na 3.ª série do ensino médio, onde de cada 10 alunos 7 apresentam um nível de conhecimento considerado “muito crítico”. Na 4.ª série do ensino fundamental, 5 entre 10 alunos não dominam as quatro operações aritméticas e não conseguem ler e compreender textos simples e curtos. São crianças consideradas alfabetizadas, mas que não passam de analfabetas funcionais.

Revelou, também, que nem os alunos de colégios particulares chegam, na maior parte dos Estados, a atingir a média considerada adequada para as séries avaliadas. Constatou-se que o ensino público está ruim e que o ensino privado, salvo exceções, está longe do ideal. Os alunos terminam o curso sabendo bem  menos  do que deveriam. Embora as condições de ensino, na escola particular, sejam melhores, com recursos disponíveis superiores, o ensino fica a desejar. Esses alunos demonstraram um desempenho medíocre.

O presidente do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep) – Eliezer Pacheco – considerou que “a causa principal do nível insatisfatório dessas escolas está na formação dos professores, que não é adequada, o que acaba influenciando, também, no ensino privado”.

O Saeb mostrou a importância da formação dos professores. Quando o profissional tem apenas o ensino médio, a pontuação média dos alunos fica em 157 pontos. Se a formação é superior, a média dos alunos chega a 172 pontos. Mas, no geral, o que se constata é uma formação insuficiente, necessitada de reforço em conteúdo acadêmico e em metodologia.

Espera-se que, com a criação do ciclo básico de 2 anos, o ensino superior traga renovações, conteúdo abrangente e ensine o professor a trabalhar com métodos atualizados, interdisciplinares, revertendo a tendência tradicional que ainda persiste.

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em junho/2004)

TECNOLOGIA AVANÇADA NA PROTEÇÃO DAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

Ainda, sob o prisma da delinqüência juvenil, abordada nos dois artigos anteriores, há um outro aspecto revelador do comportamento atual da juventude: o aumento do número de jovens de classe média, resvalando, inclusive, para a classe média alta, que pratica infração, principalmente, contra o patrimônio. Esse dado foi evidenciado pelo estudo “O Adolescente na Criminalidade Urbana de São Paulo”, feito pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV), da Universidade de São Paulo, realizado em fins de julho do ano 2000.

O promotor da Infância e da Juventude, Wilson Tafner, constatou que as causas do comportamento desses jovens são o uso de drogas, o consumismo e a desestruturação familiar. São jovens com escolaridade média – ensino fundamental ou médio – financeiramente bem situados e que se infiltram na delinqüência praticando crimes graves. “Antes eles apareciam por dirigir sem habilitação e, agora, como autores de agressão”, disse o coordenador do estudo realizado pelo NEV, Sérgio Adorno.

O estudo apurou, ainda, que é cada vez maior o número de adolescentes que atua em bandos, dificilmente isolados e o pior é que são recrutados por adultos para atividades criminosas. O estudo do NEV ajuda a derrubar a tese de que o menor infrator é de rua. A maioria tem família e boa parte mora em casa própria, diz o procurador Antonio José Leite

O estudo do NEV levantou dados sobre menores infratores com idades entre 12 e 18 anos e mostrou que vem diminuindo, entre eles, o número de analfabetos e aumentando o número com escolaridade média. Essa pesquisa traz à tona a reflexão sobre a necessidade de se concretizar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

Sobre o aspecto violência, vejamos uma experiência específica, relacionada à escola. Em meados de 1998, houve no Anhembi, em São Paulo, o “Congresso Educador 98”. Dele participou, como palestrante, o professor Peter Lucas, PhD em Educação, da Universidade de Nova York. É autor de uma pesquisa sobre “Segurança e Redução da Violência Escolar” em uma das mais conturbadas instituições de Nova York – a Bushaack – no bairro do Brooklyn, onde estudam exclusivamente afro e hispano-americanos. É, também, coordenador de pesquisa similar em outras dez escolas.

Iniciou a palestra constatando que projetos para reduzir a violência nas escolas envolvem altas somas em dinheiro e são baseados em tecnologia: detectores de metais, alarmes, contratação de guardas de segurança e outros. “O investimento em segurança é uma bola de neve, faz-se necessário financiar a modernização dos equipamentos e a permanente capacitação dos seguranças. Hoje, existem mais guardas nas escolas de ensino médio (high school) nova-iorquinas do que em toda a cidade de Boston”.

Há uma cultura de violência que acaba interferindo no processo educacional. Sob tensão é difícil haver aprendizagem. A proposta de se avançar na prevenção à violência, com mecanismos de segurança, o que tudo indica, não tem volta, diz Peter Lucas. Contudo, a violência, especialmente nas escolas, precisa ser discutida, trabalhada com os alunos, conscientizada e não simplesmente combatida. O que se verifica é que a opção pela tecnologia, para combater a violência, afastou os professores do cotidiano dos alunos, especialmente das atividades feitas fora de classe, que passaram a se concentrar apenas no conteúdo pedagógico. O professor acabou por desvincular-se do aluno, não conhece sua família e não sabe como ele vive.

É muito importante, frisou ele, no combate à violência escolar, o estreitamento das relações professor-aluno e, no caso do Brasil, a formação de escolas pequenas. A escola precisa educar para a contra violência, aproximar-se da comunidade, caminhar na direção da conscientização, porque os índices de violência continuam crescendo, apesar dos modernos equipamentos instalados nas portas das escolas e, também, no seu interior. Faz-se necessária uma interação entre escola e família, entre escola e comunidade.

Esse postulado vem de encontro às orientações emanadas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), quando fala na elaboração de currículos flexíveis, diversificados, adaptados à comunidade; currículos que se aproximem da vida dos alunos, que trabalhem o seu cotidiano, que reflitam a sua realidade. Essa aproximação ajuda no entendimento do comportamento anti-social e na busca conjunta de soluções. É a escola exercendo seu papel de agente ativo de prevenção.

Meditem comigo, nesse meu soneto:

A TRANSFORMAÇÃO DA ESCOLA

A escola onipotente, soberana,
Distanciada da comunidade,
Com sua linha autoritária, espartana,
Deitou pra morrer, caiu em fragilidade.

A escola, hoje, abriu suas portas,
Conjugou saber culto e popular,
À sociedade emite respostas,
Ao cotidiano visa postular.

Desceu do seu régio pedestal,
Se aproximou do aluno, da família,
Vivendo a realidade social.

Papel transformador da sociedade,
Função de aperfeiçoar, ser solidária,
A escola aposta na criatividade.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2001)

PEDIDO DE UMA CRIANÇA A SEUS PAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Um grande problema na educação dos filhos e dos alunos é saber como colocar limites. A rebeldia, quando não freada ou corrigida, provoca comportamento anti-social. A criança, que não está acostumada a ser contrariada, diante de pais permissivos, torna-se exigente. Quando quer uma coisa e não recebe na hora, faz pirraça, grita, chora, joga-se no chão.

Quem educa precisa encontrar o meio-termo, o equilíbrio, não ser autoritário e nem permissivo. Ceder quando achar razoável e repreender sempre que se fizer necessário.

Contudo, é importante conhecer aspectos que influenciam na reação infantil. Os pais não devem sobrecarregar as crianças de atividades, permitindo-lhes uma infância tranqüila. Crianças até os 5 ou 6 anos devem, principalmente, se divertir. Quando não têm muito tempo para brincar, não desenvolvem a criatividade e nem têm chance de ter iniciativa. A natação, por exemplo, é uma atividade importante, faz bem à saúde e é fator de integração social. Criança que sabe nadar não fica deslocada nos ambientes que freqüenta. A natação desenvolve reflexos e coordenação motora favoráveis a ela. As outras atividades, como balé, música, tênis, futebol, são aconselhadas quando a criança demonstra interesse, o que ocorre por volta dos 6 anos.

Esses aspectos da natureza infantil ajudam os pais, os educadores a se integrarem melhor no comportamento da criança. O que importa, acima de tudo, é manter uma atitude coerente e firmeza no ato negativo. Quando o não é dito, deve ser mantido.

Os filhos precisam ouvir o não. Mesmo que na hora fiquem aborrecidos,  não ficarão com traumas e nem frustrados por isso.  O que pode causar problemas no futuro é uma educação sem limites. A criança precisa aprender a lidar com limites e frustrações, eles fazem parte do seu desenvolvimento e devem ser ensinados com amor e carinho.

Os filhos devem ser criados para o mundo, por isso devem receber uma educação que os tornem capazes de enfrentar as vitórias e as decepções que virão pela frente.

A revista Viver Psicologia publicou uma análise interessante do comportamento infantil, de autor desconhecido, que vale à pena conferir.

“Pedido de uma criança a seus pais”

 

Não tenham medo de serem firmes comigo. Prefiro assim. Isto faz com que me sinta mais segura.

Não me estraguem. Sei que não devo ter tudo que quero. Só estou experimentando vocês.

Não deixem que eu adquira maus hábitos.

Não me corrijam com raiva e nem na presença de estranhos. Aprenderei muito mais se falarem com mais calma e em particular.

Não me protejam da conseqüência de meus erros.

Não levem muito a sério minhas pequenas dores. Necessito delas para obter a atenção que desejo.

Não sejam irritantes ao me corrigirem. Se assim fizerem, poderei fazer o contrário do que me pedem.

Não me façam promessas que não poderão cumprir depois. Lembrem-se que isto me deixará profundamente desapontada.

Não ponham à prova minha honestidade. Sou facilmente tentado a dizer mentiras.

Não me mostrem um Deus carrancudo e vingativo. Isto me afastará dele.

Não desconversem quando faço pergunta, senão eu procurarei nas ruas as respostas que não obtiver em casa.

Não se mostrem para mim como pessoas perfeitas e infalíveis. Ficarei extremamente chocado quando descobrir algum erro de vocês.

Não digam que meus temores são bobos, mas, sim, ajudem-me a compreendê-los.

Não digam que não conseguem me controlar. Eu julgarei que sou mais forte que vocês.

Não me tratem como uma pessoa sem personalidade. Lembrem-se que tenho o meu próprio modo de ser.

Não vivam me apontando os defeitos das pessoas que me cercam. Isto criará em mim desde cedo um espírito intolerante.

Não se esqueçam que gosto de experimentar as coisas por mim mesma. Não queiram me ensinar tudo.

Não desistam de ensinar o bem, mesmo que eu pareça não estar aprendendo.

No futuro, vocês verão em mim o fruto que plantaram.

*      *      *

Este tópico inspirou-me a poesia que transcrevo abaixo:

CRIANÇA

Criança, aurora que desponta para a vida,
Gotas de orvalho que suavizam a existência,
Inocência, no tempo, perdida,
Filete de sol, ancorando-se na humana competência.

A criança é o mundo de amanhã,
Tratá-la com carinho e com firmeza,
Prepará-la para uma sociedade cidadã
É conferir, aos futuros dias, força de nobreza.

Ela representa a essência da vida,
Não corromper seus valores inatos,
De princípios morais ser enriquecida,
Para, na transformação social, exercer seu grande mandato.

De sua formação depende o mundo de paz,
O equilíbrio ou o desequilíbrio social,
Ela é a primitiva semente que traz
O trigo abundante ou a planta letal.


Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2003)

EDUCAÇÃO RURAL

Izabel Sadalla Grispino *

O Brasil, com suas políticas públicas para a educação voltadas às grandes cidades, começa a estender o olhar para a educação do campo.

Professores, sem formação superior que já trabalham na zona rural, poderão, agora, freqüentar uma faculdade e receber diploma de professor rural. Universidades federais, como as de Minas Gerais (UFMG), da Bahia (UFBA), de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, de Sergipe (UFS) e a Universidade de Brasília (UnB) vão oferecer, a partir de junho do corrente ano, cursos de graduação, com 50 vagas em cada universidade, duração de 4 anos, para professores do campo.

Licenciatura com essa formulação é novidade no Brasil. O analfabetismo na zona rural atinge 29,8% dos adultos, enquanto na cidade o índice é de 8,7%. 41,4% dos alunos da zona rural estão fora da série adequada. De cada 5 professores só um tem diploma universitário, fator ainda mais lastimável quando, segundo o MEC, metade das escolas brasileiras está no campo, sendo a formação profissional fator preponderante à aprendizagem.

O curso abrange aspectos específicos da pedagogia da terra. A educação rural tem especificidades próprias, condizentes à lavoura e à situação do local, em que a escola está inserida. O número reduzido de alunos e de professores  leva à formação de salas multisseriadas, onde alunos de séries diferentes se agrupam na mesma sala e recebem aulas do mesmo professor.

Outra particularidade da escola do campo é a chamada pedagogia da alternância. Na época do plantio e da colheita, os alunos ficam sem aulas para ajudar nas tarefas do campo, evitando a evasão. As semanas sem aulas serão repostas após essa fase.

Os cursos têm a preocupação de elevar a auto-estima dos professores e, por tabela, dos alunos, ressaltando os valores do campo, atitudes e tradições de seus moradores. O aluno da roça tende a valorizar as coisas da cidade, colocando os costumes da roça em posição de inferioridade; preferem, por exemplo, o suco artificial, produto químico, que o natural das frutas por ele colhidas.

Pela orientação do MEC, os cursos não podem ser pré-moldados; devem se apoiar na realidade do campo, que é muito diversificada, muito heterogênea. Elabora-se uma nova pedagogia assentada na educação rural, porém, abriga a pedagogia geral, abrangente, de todas as escolas, urbanas ou rurais. Prepara o professor para desenvolver no aluno habilidades fundamentais à sua formação, incluindo a habilidade de aprender continuamente, com iniciativa e responsabilidade.

Escola da cidade ou do campo deve formar cidadãos críticos, criativos, capazes de atuar, como vencedores, no atual mercado de trabalho, seja urbano, seja rural.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro de 2007)

A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

O LIVRO “PRÁTICA PEDAGÓGICA” E A CRÍTICA ESPECIALIZADA

Izabel Sadalla Grispino *

É momento de agradecer. Tenho recebido manifestações de apreço e estímulo pela publicação do livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola). Na outra semana, vimos o artigo do emérito educador ribeirão-pretano Divo Marino. O apoio e o estímulo da insigne professora universitária de São Carlos Lederci Gigante de Oliveira. Esta semana, é a vez de agradecer a educadora araraquarense Fernanda Miranda, por suas pertinentes considerações, publicadas no jornal “Tribuna Impressa”, de Araraquara.

Faço uma ressalva no artigo da Fernanda, quando diz que sou de Araraquara. Na verdade, moro na cidade de Ribeirão Preto, mas tenho fortes ligações de afeto e amizade por Araraquara, onde, desde longa data, mantenho relações de trabalho. Relações que vêm desde fins de 1960, quando, como diretora de uma escola estadual, elaborei projetos educativos, pela Delegacia de Ensino, comandando-a o eminente prof. José Guilherme de Nardi, de quem guardo as melhores referências. Na segunda metade da década de 70, trabalhei ao lado das educadoras da UNESP de Araraquara – FFCLA – Cacilda de Oliveira Camargo, Maria Helena de Moura Neves, Najla Lauand e Sebastião Expedito Ignácio, na formulação e divulgação, para as escolas da rede estadual, do livro “Língua Portuguesa”, 5.ª a 8.ª série – 1.º grau – 1977, e no livro do mesmo nome, organizado sob a forma de Instrução Programada.

Escrevo, semanalmente, no jornal “Tribuna Impressa” há vários anos. Em Araraquara moram familiares e amigos queridos. Em todo caso, só me envaidece, é um orgulho alguém se dizer araraquarense.

Voltando ao artigo da Fernanda Miranda, diria que ela captou aspectos importantes contidos no livro. “Transformar os métodos de ensino, convocando os educadores para uma revisão de suas atividades, é o ponto de partida do livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), de Izabel Sadalla Grispino”. Conclusão aplaudível, visto que abraçar uma metodologia renovadora é indispensável para se alcançar a reforma do ensino.

A linha tradicional, com suas aulas expositivas, com sua transmissão do conhecimento, está superada. A escola de hoje trabalha com projetos, constrói o conhecimento junto com o aluno, faz dele um ser reflexivo, criativo, construtor e não um receptor do saber. O aluno é o agente central do processo de aprendizagem, é fazedor do processo e não paciente do aprendizado, como falava Paulo Freire. Ele é visto como sujeito de sua análise de mundo.

A escola renovada emprega o método construtivista. “Esse método é uma exigência da época, que quer um indivíduo pensante, reflexivo, apto à pesquisa, interferindo, criticando, criando, inventando. Quer um indivíduo capaz de construir, de recriar a cultura. O construtivismo afasta o ranço da escola tradicional, que levava o aluno a decorar, a memorizar, não a entender, a concluir” (pág. 180).

Fernanda fala do princípio contido no livro da contextualização do currículo, da busca dos conteúdos na realidade de vida do aluno, da sua importância sociocultural, o que reforça o método construtivista. Deve-se, inclusive na alfabetização, partir do universo de fala do aluno e não do universo de fala do professor. Dentro do construtivismo são respeitadas a identidade e as posições do educando, permitindo que ele se aproprie do processo de seu conhecimento. Esses conceitos são por mim expressos nas “orelhas” do livro.

Fernanda ressalta a abordagem que fiz sobre o sistema de ciclos na progressão continuada. “Para tratar do sistema de ciclos na progressão continuada e sua polêmica aceitação, Sadalla Grispino dedica um capítulo à implantação desse processo pedagógico...”

É muito importante ao professor entender o sistema de ciclos, na progressão continuada, para bem aplicá-lo. O sistema de ciclos é uma proposta inovadora que requer mudança de mentalidade. “Baseia-se no pressuposto de que o processo de aprendizagem se dá de maneira evolutiva, individualizada e não pode ser segmentado em séries. Nele o ritmo do aluno é respeitado e ele aprende de acordo com as fases específicas de seu desenvolvimento mental, conforme ensina Jean Piaget... O aluno é avaliado de acordo com sua capacidade e os conteúdos são dados continuadamente e não por série. A avaliação, em certo aspecto, mudou. As provas são substituídas por outros métodos, que não excluem a avaliação da aprendizagem. Os alunos não têm seu aproveitamento avaliado através de provas periódicas, com notas. Não há mais o “calendário oficial” das provas, mas há a observação contínua, individual, sucessivas avaliações do conteúdo assimilado, a recuperação paralela, as aulas de reforço e recuperação do período de férias. A avaliação, contudo, foi mal compreendida. O professor, ou por estar arraigado ao sistema de notas, ou por não saber aplicar essa pedagogia inovadora, não conseguiu levar a bom termo esse novo programa”. (pág. 191).

Ao ressaltar pontos relevantes do livro, Fernanda Miranda chama a atenção para aspectos importantes do processo de aprendizagem e que devem merecer atenção especial do professor. Conclui sua análise com estas alentadoras observações: “Do início ao fim, “Prática Pedagógica” é uma ferramenta de reconstrução das atividades de ensino e traz inserido em si mesmo todas as propostas que apresenta – não deixa escapar o diálogo com o leitor, as atividades artísticas e culturais (representadas por poemas escritos pela própria autora sobre o dia-a-dia de prática pedagógica), nem as atividades reflexivas”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2004)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

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A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

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A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

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