Payday loans uk
  1. Skip to Menu
  2. Skip to Content
  3. Skip to Footer>

Artigos Educacionais

  • Previous
  • Next
  • Stop
  • Play

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Izabel Sadalla Grispino *

O grande problema da frustração, que acompanha o ser humano a vida toda, tem sua origem, quase sempre, na infância: uma criança comparada com outra, tendo que se sair tão bem ou melhor que a outra!

As crianças entram numa competitividade desigual, fortemente desgastante e sem sentido. Elas são potencialmente diferentes e vão se aflorar em direções diferentes. Ninguém é igual a ninguém; difícil na educação é conduzir as individualidades, as especificidades.

O grande slogan das escolas atuais é o atendimento individual, o desenvolvimento das potencialidades. O avanço do método científico vem se apoiando, cada vez mais, no ensino diferenciado, personalizado, fundamentado nas diferentes habilidades de cada indivíduo. As mentes são diferentes e não há uma única inteligência capaz de comparar as crianças, diz a ciência. É preciso, pois, respeitar as diferenças.

A moderna pedagogia escolar apóia-se na teoria das inteligências múltiplas, estudadas, entre outros, pelo psicólogo e professor americano Howard Gardner, da Escola de Educação de Haward. Sua teoria diz que as pessoas são potencialmente múltiplas e possuem oito habilidades cada uma, ou seja, oito inteligências. São elas: inteligência musical, lógica – matemática, lingüística, corporal cinestésica, naturalista, intrapessoal, interpessoal e espacial.

A escola deve desenvolver a potencialidade de seus alunos, estimulá-los em todas essas inteligências, respeitar, porém, suas preferências, seus interesses.

Um outro aspecto importante da aprendizagem é a evolução natural dos processos psíquicos do educando. Professores e pais devem acompanhar, passo a passo, os avanços adquiridos e exigir das crianças apenas aquilo que elas podem conseguir fazer por si mesmas.

Um trabalho apresentado por uma criança que não corresponda ao seu nível de entendimento, ao seu nível de ensino, deve ser questionado sobe a real procedência. Teria tido o trabalho a participação de uma outra pessoa? Muitas vezes, os próprios pais, no afã de o filho vencer uma competição, de impressionar o professor ou visando a obtenção de notas altas, encarrega uma terceira pessoa  para “melhorar” o trabalho do filho.

Isso caracteriza um desvirtuamento da aprendizagem. A criança se refugia na ajuda, se encosta e se acomoda. Não evolui e se torna incapaz de avançar com autonomia e condições próprias, incapaz de transpor barreiras e enfrentar desafios, utilizando-se das próprias armas. Reforço na aprendizagem é de grande valia, contudo a elaboração dos textos é de exclusiva competência do aluno.

Pedir ou permitir que se façam exercícios, redações, resumos de livros, críticas literárias, para os filhos, é prejudicá-los, torna-los inseguros ao enfrentar, por si, algo a cumprir.

Ademais, esses pais estão ensinando os filhos a camuflar, a serem desonestos, perdendo, aos poucos, a sua autenticidade. Não os ensinam a crescer com responsabilidade, a fazer aquilo do que são capazes, a trilhar e desenvolver os próprios caminhos, a perceber a sua vocação, o seu limite, a sua tendência profissional. Essa criança não recebe estrutura mental compatível com as dificuldades da vida.

Um professor atento, zeloso do atendimento individual, perceberá, facilmente, as fraudes projetadas. Deverá conversar com os pais e elucidar a questão.

Educar é processo complexo, de estudo e reflexão. É um colocar frente ao espelho e definir, para o seu educando, linhas honestas, coerentes, de atuação.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em novembro/2006)

AO PROFESSOR E AO MÉDICO

Izabel Sadalla Grispino *

Reverenciamos o 15 e o 18 de Outubro, louvando o dia do Professor e o dia do Médico.

O professor é a estrela-guia da humanidade, o suporte da sociedade, a esperança de um mundo de luz. A desigualdade social tem nele o seu grande ponto de equilíbrio.

Nosso desejo é que o professor volte ao seu posto de respeito e consideração usufruído no passado. Nossa prece é que ele nunca abdique de sua função, nunca desanime da árdua luta no intrincado caminho do ensinar. Que o mundo não o perca de vista, que lhe dê chances de continuar semeando o saber, espalhando, com seus ensinamentos, a dádiva do trabalho realizador!

Do mesmo modo, queremos nos confraternizar, prestar nossa homenagem à valorosa classe médica.

O médico, em sua missão de curar, de aliviar o sofrimento, é um profissional insubstituível. Ele alcança as raias divinas, quando alia ciência e sentimento de humanidade, quando tem o dom de olhar o doente, antes de chegar à doença, curando-a mais profundamente.

Que Deus nunca lhe falte, lhe dê forças para enfrentar os duros embates do exercício da medicina.

Ao professor e ao médico, estandartes da vida humana, minha poesia abaixo:

MAGISTÉRIO E MEDICINA

Todas as profissões têm no magistério
Seu ponto de articulação,
Após os 1.ºs passos, segue os próprios critérios,
Cada uma cumprindo sua nobre missão.

Magistério é tronco em ramificações,
Sua estrada tem começo, mas não tem fim,
Sustenta a linha divisória das profissões,
É vibração que circula em anéis de marfim.

Magistério é educação, é saúde,
É astro que irradia com convicção,
Ensinamento, que vai do berço ao ataúde.

A educação tem no magistério a força, o caminho,
A saúde tem na medicina o sol, a lua,
Não haveria o amanhã, sem a união das duas!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2006)

A ESCOLA TRABALHANDO A VIOLÊNCIA

Izabel Sadalla Grispino *

A escola vem se preocupando cada vez mais com o problema da violência. Violência na sociedade que acaba na escola. Investe em atividades esportivas e culturais, cria projetos alternativos que envolvem os alunos e os afastam da violência. Vai além, estimula a participação dos pais e da comunidade nos programas desenvolvidos por ela, ampliando o sentido de escola, escola da família. Ela se transforma em espaço de atividades também para a comunidade.

Da prática de esportes em quadras, a escola programa formação de grupos de dança, teatro, formação de líderes, grupos de axé, hip hop, aulas de violão, discussões sobre a realidade vivida pelo estudante. O propósito é manter o aluno na escola, estimulá-lo à vida escolar e afastá-lo da criminalidade.

A escola diversifica para combater a violência, especialmente quando localizada em periferias de cidades com índices relevantes de criminalidade. As atividades variam de acordo com a realidade encontrada.

Uma boa estratégia é advertir os alunos que se não houver correspondência, se houver briga, os projetos serão cancelados. E o que se nota, nas escolas envolvidas nos projetos, é uma grande adesão dos alunos às atividades, principalmente, se são os próprios alunos quem define as oficinas, os cursos, ou os projetos a serem executados. Todos se integram e não criam confusão. Eles sentem que o espaço é deles e passa a valorizá-lo. Trabalha-se em parceria com os alunos e também com a comunidade.

Um procedimento que quase sempre atinge o alvo é trabalhar na formação de líderes. Cada sala elege o seu representante que será o porta-voz da turma. Ao despertar o interesse dos alunos, esse interesse os move, eles participam e vão deixando a criminalidade, reduzindo a agressividade. Afastam-se das ruas, preferindo ficar na escola, envolvidos com atividades esportivas, culturais e musicais. Há escolas que organizam belos corais com os alunos, que se apresentam, no período de Natal, em outras escolas da comunidade, em shoppings ou mesmo em empresas da cidade.

Pelo resultado de avaliações, as escolas, que assim se programam, que apostam num ensino diversificado, em atividades prazerosas para os alunos, têm conseguido freqüência participativa dos alunos em grau estimulador, assim como um envolvimento cada vez decrescente no crime.

Sob um outro ângulo, agora mais restrito ao recinto escolar, há um fator de violência, surgindo de relacionamentos interpessoais, entre alunos, relacionamentos conflitados, que não podem deixar de ser seriamente considerados pela escola.

A escola deve trabalhar os efeitos negativos que interferem na personalidade. No caso da violência acima citada, atacar as causas, às vezes aparentemente sem conseqüência, mas que vão, pela repetição, pela persistência, gerar atos de extrema violência, chegando à morte. Estuda-se, hoje, o reflexo de um fenômeno mundial, conhecido como bullying. Bully, em inglês, quer dizer valentão, brigão.

Bullying refere-se a humilhações constantes sofridas, por um estudante, na escola onde freqüenta. Refere-se à prática de atos agressivos e humilhantes de um grupo de estudantes contra um colega, sem motivo aparente. Essa atitude de humilhação provoca revoltas marcantes no adolescente, que, em momento de crise, chega a cometer assassinatos em série. Vários casos são assinalados, como por exemplo, de um garoto de 13 anos, sofrendo por mais de 2 anos na escola repetidas humilhações, por parte de colegas. Num repente de muita revolta, comprou, com o dinheiro da mãe, um revólver e saiu atirando.

Pesquisa, com 5.482 alunos de 5.ª à 8.ª série de 9 escolas públicas e 2 particulares, mostra que 40,5% dos entrevistados admitiram ter envolvimento direto com episódios de humilhação na escola. Cerca de 27,8%, foi vítima de bullying. Eles contaram que receberam apelidos (54,2%), ameaçados (8,5%) e tiveram objetos roubados ou destruídos (4,7%). Em 60,2% dos casos, os episódios ocorreram em sala de aula. Dos alunos ouvidos, 23,7% confessaram que humilhavam colegas; uns achavam a prática engraçada, outros que os colegas mereciam ser castigados. Apenas 19,5% foram repreendidos na escola.

Isso mostra que não se trata de uma porcentagem a ser desprezada. Mostra que a escola deve dar importância ao fato e desenvolver trabalhos com os alunos para conscientizá-los contra o bullying. Mostra que apelidos agressivos podem trazer efeitos muito danosos. Apelidos que acompanham o indivíduo a vida toda, e mesmo anos mais tarde, acabam levando-o à prática do bullying. Dizem os especialistas que “o que está por trás desse comportamento é a intolerância pelo diferente. A sociedade, a escola não podem pensar que isso é coisa de criança ou adolescente, uma fase que vai se resolver com o tempo”.

Para clarear o efeito bullying, o relatório cita o caso de um aluno de 18 anos, aluno de uma escola da cidade de Taiúva/SP, que fora chamado de “vinagre”, por anos, pelos colegas, após ter feito uma severa dieta. Os colegas diziam que ele havia emagrecido de tanto beber o tempero. Acumulando revolta, num ato de destempero, feriu 6 pessoas na escola e se suicidou. Fato ocorrido em janeiro de 2003.

Monteiro Filho, presidente da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia), explana o assunto no seu livro “Diga não para o bullying”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2004)

ESCLAREÇA-SE SOBRE UMA NOVA MODALIDADE DE CURSOS SUPERIORES, OS CURSOS SEQÜENCIAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Uma nova modalidade de ensino superior foi introduzida na legislação da educação brasileira pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). São os cursos seqüenciais, que oferecem uma formação mais rápida e específica que a da graduação. São inovações que atendem a demanda por cursos de menor duração pós-ensino médio. Não há neles um delineamento específico e são criados com dupla finalidade: favorecer a diversificação, indispensável ao ensino superior e atender ao mercado de trabalho. São cursos alternativos ou complementares aos cursos de graduação e foram idealizados pelo educador Paulo Freire na elaboração da LDB.

Os cursos seqüenciais foram regulamentados em janeiro de 1999 e vêm-se tornando uma alternativa aos vestibulandos. Por se tratarem de cursos recentemente criados e, ainda, pouco divulgados, são, praticamente desconhecidos por parte da população.

Pela legislação, as universidades têm autonomia para criar ou fechar os cursos, dependendo das novidades tecnológicas. Para funcionar precisam de autorização do Ministério da Educação e deverão passar por avaliações periódicas. Devem ser oferecidos por instituições de ensino superior credenciadas, que possuam cursos de graduação reconhecidos e ter denominações diferentes dos cursos regulares de graduação. Devem abranger os campos do saber circunscritos às áreas do conhecimento dos cursos de graduação reconhecidos e oferecidos nos mesmos locais dos cursos de graduação.

Os cursos seqüenciais caracterizam-se como de nível superior, mas não se identificam com os cursos de graduação Não são cursos abreviadores da graduação, mas uma alternativa de formação superior para quem quer ingressar mais rapidamente no mercado de trabalho. Eles têm duração menor que os de graduação e estrutura diferente. Intitulam-se como de nível superior, mas não se identificam com os cursos de graduação.

Os cursos superiores seqüenciais podem ter destinação coletiva e individual. No caso da destinação individual, o curso será organizado pelo próprio aluno, que escolherá, com aval da instituição, disciplinas entre as oferecidas em cursos de graduação regulares e reconhecidos. Estes cursos podem ser de dois tipos: Cursos Superiores de Formação Específica, com destinação coletiva, carga horária mínima de 1.600 horas (dois anos), com direito a diploma; Cursos Superiores Seqüenciais de Complementação de Estudos, com destinação coletiva ou individual, com duração de até dois anos, com direito a certificado.

Os Cursos de Formação Específica são destinados a concluintes do ensino médio e superior e os de Complementação de Estudos são destinados, exclusivamente, a egressos ou matriculados em cursos de graduação.

Alguns cursos regulares de graduação permitem ao aluno freqüentar cursos seqüenciais nas próprias instituições. O estudante poderá, com vantagem, pedir mais tarde a equivalência da disciplina e concluir o curso superior tradicional em menos tempo. Por serem cursos de menor duração, têm, contudo, a desvantagem da carga horária mínima e, por isso, fornecer a formação prática da área com pouca teoria.

Os diplomas ou certificados atestarão  conhecimento acadêmico em determinado campo do saber, onde estarão relacionados os nomes das disciplinas, as cargas horárias e as datas em que foram cursados.

As faculdades estão oferecendo, em cursos superiores seqüenciais, carreiras bastante novas, como hotelaria, gastronomia, administração de empreendimentos desportivos, desenvolvimento e gestão de ambientes da Internet, administração de comércio eletrônico, ciências atuariais, tecnologia em açúcar e álcool etc. A tônica dos cursos é estar em sintonia com as novidades e oferecer qualificações específicas para o indivíduo exercer esses novos postos de trabalho.

Os cursos seqüenciais não são montados em torno das tradicionais áreas do conhecimento – ciências, matemática, ciências humanas, geociências – mas concebidos por campos, que podem incluir desde assuntos específicos das áreas técnico-profissionais até a articulação de elementos de mais de uma delas, desde que haja coerência e lógica.

Na sua concepção, esses cursos, flexíveis e abertos, conforme estabelece o Parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), atenderão os mais diversos segmentos sociais. São uma versão mais livre do ensino superior, na qual o aluno define seus interesses com base no que a instituição lhe oferece. É uma boa opção para quem, ao terminar o ensino médio, busca ampliar ou atualizar seu conhecimento, em variado grau de extensão ou profundidade, freqüentando o ensino superior, sem, necessariamente, ingressar num curso de graduação. Traz vantagem, também, para as instituições que registram altas taxas de evasão nos cursos de graduação.


*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2001)

ATITUDE DISCRIMINATÓRIA DO TESTE

Izabel Sadalla Grispino *

Recentemente, os jornais trouxeram à tona a questão dos vestibulinhos para crianças pequenas. Especialistas da educação questionam a eficiência dos vestibulinhos para uma faixa de idade em que não se tem nenhuma bagagem acadêmica.

Já há algum tempo, escolas particulares da capital, onde o número de candidatos excede ao das vagas disponíveis, usam a prática dos vestibulinhos. Ao querer, para as escolas, um padrão elevado de ensino, selecionam, através de testes, os melhores candidatos. Porém, ao que tudo indica, a partir de então, terão de aplicar outros critérios na seleção dos seus candidatos.

O uso do vestibulinho para crianças que buscam uma vaga na 1.ª série do ensino fundamental é condenado por princípios pedagógicos e legais. O exame de seleção pode levar a criança a se considerar vitoriosa ou derrotada. No caso de derrotada, sentir-se perdedora, poderá ficar marcada por toda sua vida escolar. O teste, quando mal sucedido, frustra, discrimina, rebaixa a auto-estima, afeta o desenvolvimento educacional. Uma criança, tendo que enfrentar um teste, fica em estado de tensão, ansiosa, o que é ruim para tão pouca idade. Isso poderá torná-la refratária a situações de avaliação.

Algumas escolas particulares, interrogadas a respeito, disseram não apreciar tal comportamento, mas julgavam difícil mudar a situação. Suavizaram o processo de seleção, dizendo que a criança passa por um teste  lúdico, em que não há pressão, nem tem formato de prova. Só os pais sabem da finalidade, para a criança não passa de uma brincadeira.

O Conselho Nacional de Educação (CNE), após consulta feita pelo Ministério Público de São Paulo ao MEC, sobre a aplicação de testes, adotada por escolas particulares da capital, na admissão de crianças, proibiu a realização dos chamados vestibulinhos para seleção de crianças de 1.ª série, no ensino fundamental, e na educação infantil. O ministério público levantou a questão de os vestibulinhos ferirem o Estatuto da Criança e do Adolescente e são, em muitos casos, uma tentativa de barrar a inclusão de alunos com deficiência mental, nas escolas de ensino regular.

A Câmara de Educação Básica, em 29 de setembro p. passado, recomendou, por unanimidade, a realização de sorteios ou obediência à ordem cronológica de matrícula, sempre que a procura for maior que a oferta. O presidente da Câmara, Francisco Aparecido Cordão, sugere, entre outros critérios, que sejam privilegiados estudantes que já tenham irmãos matriculados na escola. O parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) deverá ser homologado pelo ministro da Educação, Cristovam Buarque, para poder entrar em vigor.

Além da influência negativa no campo afetivo, psicológico do aluno, a escola, ao aplicar teste às crianças, não está propriamente avaliando. O teste não é senão um momento da avaliação. Avaliar é um processo bem mais amplo que medir, requer observação contínua dos aspectos conceituais, atitudinais e procedimentais. O teste é insuficiente para revelar potencialidades, fulcro do processo educativo. Santo Agostinho, já no século V, dizia que o professor é apenas o despertador das virtualidades do aluno, seu orientador na aprendizagem.

A escola deve conscientizar-se de que educação é muito mais que ensino, que aprendizagem não é igual a desempenho e que formação é algo bem mais complexo que mera capacitação técnica para o mercado ou mero treinamento para o vestibular. Esses conceitos nos levam à precariedade em que se vem entendendo o processo ensino-aprendizagem. A educação empobrece-se em nome de um ensino restrito, oportunista, enfocado numa direção única. A educação integral do aluno pede um envolvimento sério, afetivo, do corpo docente à instituição a que pertence.

O professor pode ser talentoso, capaz, mas se individualista, o seu ensino não produz ramificações, não emite raios de complementariedade, fortificando o estudo de outras disciplinas. Limitando-se ao seu conteúdo, ao não se entrosar com os demais colegas, esse professor não alcança o aluno na sua integralidade. Procedimentos interativos facilitam a participação ativa do aluno no processo global da aprendizagem. O engajamento escolar do professor repercute no engajamento escolar do aluno, que passa a se sentir parte integrante da escola. A freqüência às aulas é motivada por um sentimento de aceitação e amizade.

Escolas renomadas pedem ao corpo docente que passe mais tempo com os alunos, dentro e fora da sala de aula, que se torne seus amigos, que se envolva com colegas de visões divergentes de especialidade. Propõem  a passagem do “eu, eu mesmo”, para a participação, formando uma comunidade de profissionais estudiosos. Métodos e processos variados, adotados pela escola, culminam em resultados que jamais o teste revelaria. Transmitir conhecimento é ponto culminante para a escola, desde que não se descuide da formação integral e que se utilize de outros recursos de avaliação, que não só medida. Nos primeiros anos de escolaridade, na educação básica, a formação do educando é prioridade, podendo, dependendo da situação, dar um espaço maior ao treinamento, na série final do ensino médio.

A diferença no estudo está numa escola alegre, afetiva, de métodos atualizados, com um corpo docente engajado, no qual predominam disciplina, seriedade e sensibilidade.

Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em novembro/2003)

CULTURA E FÉ

Izabel Sadalla Grispino *

Após a encíclica “Fides et Ratio”, do papa João Paulo II, o tema da razão e da fé tem suscitado as mais diversas discussões, nem sempre com a imparcialidade desejada. Por isso, o arcebispo Dom Cláudio Hummes achou por bem criar, na Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), um núcleo de estudos que denominou “Cultura e Fé”.

Já na reunião inaugural, eminentes professores da área, como Paulo Nogueira Neto e Ana Lydia Sawaya, mostraram que os primeiros habitantes da Judéia, que há milhares de anos receberam a mensagem revelada do gênese, apesar do nível de seu analfabetismo científico, sabiam que o universo fora criado pelo “Big Bang” (“Fiat lux”). Conheciam, também, todos os fenômenos que deram conformação ao nosso planeta, ao longo dos 5 bilhões de anos, anteriores ao aparecimento do homem (águas, terras, plantas, peixes, animais) na incrível ordem que a ciência veio a revelar posteriormente e tal como estão descritos na Bíblia (nos 6 dias da Criação). Só após centenas e centenas de anos, veio a ciência confirmar o que os primitivos povos, sem noção de ciência, já sabiam por revelações. Foi ainda, mostrado, nesse núcleo de estudos, a previsão de São Pedro sobre o fim dos tempos. São Pedro, que não era especialista em astronáutica ou nas ciências siderais, em sua segunda carta, declarara que nos fins dos tempos a Terra será abrasada e consumida pelo Sol (elementa vero calore solventur), antecipando a tese de Carl Sagan, em seu livro “Cosmos”, que dá essa previsão como a mais provável, no momento em que o Sol explodir, daqui a uns 5 bilhões de anos, atingindo os planetas mais próximos (Mercúrio, Vênus e Terra), até se transformar numa estrela anã de densidade incomensurável. Tudo confirma não haver choque entre fé e ciência, antes, a ciência, por vir sempre atrás da fé, acaba por confirmar as verdades por ela reveladas.

Toynbee, em “Mãe Terra”, lamentava não poder dizer aos aficionados da razão, aos que querem crer que a razão pode tudo explicar, que Deus não existe. Quanto mais o homem evolui, mais percebe que suas verdades absolutas, em matéria de ciência, são relativas e, em grande parte, desmentidas posteriormente com novas descobertas, porque uma verdade científica só é valida até o momento em que se demonstra o contrário, por novos fatos supervenientes. A própria teoria da evolução de Darwin está hoje em pleno reexame científico, com as novas teorias fundamentadas na conformação do DNA, principalmente a partir do mapeamento genético.

Ainda para confirmar as verdades da fé, refletiremos um pouco sobre a vida de Jesus. Há, por exemplo, evidencias na vida de Jesus que não se podem contestar: Jesus era pobre, uma pessoa sem posses. Não era político, não tinha cargo público, não era um chefe de Estado, como Maomé. Comunicava-se em essênio, um idioma pouco conhecido; não deixou livros, nem sequer uma doutrina sistematizada, um texto básico, para o qual os apóstolos pudessem se servir a fim de propagar as suas mensagens. Três apóstolos, Lucas, Marcos e Mateus, se propuseram a registrar tudo o que testemunharam e através de seus relatos reconstitui-se a vida de Jesus. Ainda, os Evangelhos foram escritos de 40 a 80 anos após sua morte.

Porém, quem mais contribuiu para disseminar as idéias de Cristo, o cristianismo, foi um judeu de cidadania romana, que nem sequer conheceu Cristo pessoalmente. Chamava-se Saulo, era da cidade de Tarso. Numa viagem a Damasco, no ano 35, teve uma visão, na qual Jesus o chamava para reunir-se aos seus. Isolou-se por três anos, mudou o seu nome para Paulo, foi a Jerusalém e conheceu dois apóstolos, Pedro e Tiago. Fez quatro longas viagens evangelizadoras pelo mundo antigo e foi o principal pregador da fé cristã, a principal figura do cristianismo. Ele tomou os ensinamentos de Jesus compreensíveis por todos os povos.

A história conta que na cidade de Atenas teve uma grande desilusão. Pregando para um povo culto, adepto da racionalidade e da lógica, Paulo procurou adaptar o seu discurso pregando a existência de Deus e de Cristo, com métodos racionais. Os gregos não aceitaram e o vaiaram. Esse não era o caminho. Após muito refletir, sentiu a revelação da verdadeira mensagem cristã: Deus não precisava de uma doutrina lógica, seus desígnios não penetravam os humanos pelo corpo, mas, sim, pela alma. Explicações eram desnecessárias. Ele fazia revelações. Assim, para a crença cristã não há necessidade de comprovação científica, ela se apoia em uma revelação, em uma fé, que vai além da dimensão racional.

As limitações da ciência mostram a harmonia que deve existir entre ciência e religião. Essas constatações de fé e razão nos confortam, fortalecem a convicção. Imaginem o quanto é importante levar essas conclusões aos jovens, aos que estão com a alma em formação! No dia em que os jovens conhecerem realmente essas premissas básicas, certamente, se voltarão bem mais a Deus e, isso acontecendo, a possibilidade de uma reversão do comportamento social é bem mais promissora. A escola, os pais, a comunidade precisam investir nesse caminho.

Minha fé levou-me a fazer estes versos:

 

DEUS, ESSÊNCIA DA VIDA

A vida só tem sentido voltada a Deus,

Toda obra só se completa no Ser Sagrado,

Quanta agrura se inscreve até o último adeus!

Quanta esperança naufraga em barco furado!

No decurso da vida só há uma saída:

Alimentar os dias com a força do amor,

Acreditar no Encontro após a partida,

Deus é, desse turbilhão, a luz do esplendor.

O homem se empolga e se encaminha pela ciência,

Mas, mesmo a ciência sem fé é vazia,

Ilustra, mas não traz vital sabedoria.

Só as coisas do espírito têm consistência,

Podem não ser inteiramente racionais,

Mas, pra realização do homem, são essenciais.


* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2001)

 

 

AO JORNAL “A CIDADE”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “A Cidade”, deste valioso instrumento de comunicação que Ribeirão Preto aprendeu a admirar pelo alto profissionalismo, há, exatamente, um ano, venho publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporcionou-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade ribeirão-pretana, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Neste ano que se finda, propus-me a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional das escolas oficiais.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Inúmeros conceitos nele passei, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “A Cidade” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e ilumine a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Ribeirão Preto, já é tradicional, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “A Cidade”, que beira um século de existência, nas pessoas da família Camargo, de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com brilho e persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população. O jornal “A Cidade” cresce com Ribeirão e com ele se faz pioneiro na região. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, competente de que é marca  consagrada.

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Ribeirão Preto. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos. A todos, meus versos sobre o Terceiro Milênio.


TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2000)

AVALIAÇÃO ESCOLAR EM SUA MICROVISÃO

Izabel Sadalla Grispino *

O Ministério da Educação (MEC), em sua macrovisão do sistema de ensino, parece ter acordado para a análise, in loco, da base da pirâmide educacional. Quer ir às origens e levar às escolas uma visão específica, a cada uma delas, dos resultados das avaliações, pelo sistema processados, na mensuração do aproveitamento escolar dos alunos.

O MEC percebeu que avaliações à distância pouco efeito produzem a quem está defronte aos alunos, ministrando o saber. Percebeu que a avaliação só tem real sentido quando examinada e acompanhada por parâmetros que definem os resultados próximos do aluno, próximos de quem ensina, mediante a realidade da sala de aula.

Sabemos que a frente de batalha fica na sala de aula. É aí que as transformações se processam. As avaliações facilitam as comparações, facilitam as cobranças dos resultados negativos. Chegando à escola, elas indicam sua posição colocada em um ranking. Elas devem vir acompanhadas de um relatório pedagógico, expondo as reais dificuldades de aprendizagem dos alunos, dando ao professor condições de identificar claramente os critérios pelos quais seus alunos estão sendo avaliados.

O professor, o elemento primordial de todo processo educativo, precisa, ele também, se identificar com a avaliação, para refletir melhor sobre sua prática pedagógica e ter condições de estabelecer metas de desempenho dos alunos.

A avaliação e seus resultados, enviados à escola, na forma de um relatório pedagógico, indicará os pontos em que a escola deve se concentrar para melhorar o ensino. Ela terá em mãos matrizes para serem discutidas e aperfeiçoadas por seus professores, sujeitando sempre a sua autonomia na construção de seu próprio projeto pedagógico.

A partir de então, o Ministério vai começar utilizar os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) para fazer um índice nacional por município e Estado e atacar o problema escola a escola. Vai levar em conta os resultados da avaliação da Prova Brasil e utilizar-se dos dados de repetência e evasão escolar.

Apoiado nesses índices, o MEC quer ver onde estão os pontos fracos e, usando as notas da Prova Brasil, traçar metas para prefeituras e governos. Quer ter metas regionais e uma nacional. Cada meta, para a 4.ª série, 8.ª série e 3.º ano, vai significar o que os alunos daquele nível deveriam saber de português e matemática.

As notas do Saeb ou Prova Brasil vão de 100 – o mínimo que o aluno de 4.ª série deve saber – a 500, o máximo que um estudante aprenderia até o fim do ensino médio. O MEC, porém, não define o que seria ideal para cada série. Só irá apresentar as metas no momento em que puder apresentar as ações para que sejam atingidas.

Desse modo, os municípios irão assumir responsabilidades pela melhoria na qualidade de ensino. A vigilância pelo MEC será, assim, maior, mesmo porque com a aprovação do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) o governo federal deve repassar verbas para Estados e municípios.

Creio que será um caminho se vier acompanhado de uma assessoria ao professor, em termos de educação continuada.

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2007)

AS TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS E OS PROCESSOS DE PRODUÇÃO

Izabel  Sadalla Grispino *

As atividades humanas apresentam, desde os primórdios da civilização, com variações de intervalos cíclicos, comportamentos mais ou menos padronizados, que refletem seu “modus vivendi”.

Cada nova ordem social, promotora de mudanças, impulsiona novos procedimentos, imprime seu cunho, a sua marca conceitual e metodológica de realização.

Já vai longe o tempo em que era possível desenvolver trabalho artesanal, unitário. Hoje, ainda, existe, sobretudo como idealismo, “hobby” ou lazer, ou como produto de civilizações mais primitivas ou de pequenas corporações.

Na contemporaneidade não há, praticamente, lugar para o trabalho individual. O grau de complexidade a que chegou o fazer humano passou a exigir, num mesmo segmento, diferentes formas do saber, trabalhado de modo complementar. Presentemente, constatamos, nos mais diversos setores da produção, da educação, da economia, a incorporação de atitudes na linha da “troca”, “parceria”, “co-gestão”, “co-autoria”, “trabalho em equipe”, “interação”, envolvendo “relações interpessoais”.

O setor escolar, também, redefine posições. O trabalho individual cedeu espaço ao trabalho conjugado, cada vez mais explorado. Cooperam-se mutuamente: direção, professor, aluno e comunidade. O professor mantém com seu colega uma interligação horizontal – troca de experiência, planejamento conjunto,  conteúdo interdisciplinar, adoção de critérios e linguagens comuns – e vertical – graduação seqüencial do conteúdo, no entendimento de que “o hoje não existe sem o ontem, o amanhã é o resultado do hoje”.

É uma realidade no cenário educacional a interdisciplinaridade, a contextualização, o construtivismo, a formação integral do aluno, a autonomia na aprendizagem, através de uma educação democrática, libertadora, essencialmente crítica – a crítica da ciência faz parte da ciência. Ontem, falávamos em transmissão do conhecimento, supondo um aluno passivo, depositário. Hoje, falamos em construção do conhecimento, supondo um aluno ativo, criativo. Fazemos um corte no modelo tradicional, onde tudo vem pronto.

O planejamento maior do ensino converge para o binômio professor--aluno, o objetivo maior do ensino é o aluno. Para atingi-lo, a escola precisa estar em consonância com a realidade que a cerca. Entrosar-se com esta realidade e trazê-la para o interior da escola são passos importantes para desenvolver, com êxito, seu projeto educacional. Entra num sistema de parceria com a comunidade, mantendo com ela uma troca permanente. A comunidade participa da vida da escola e a escola, da vida da comunidade, procurando ajustar-se uma à outra. A comunidade empresta o seu saber e a sua língua populares e a escola os absorve e os transforma em saber aperfeiçoado, em língua culta. A escola procura interpretar os valores, os anseios da comunidade e dar-lhe respostas favoráveis. Cria-se um intercâmbio, onde a organização da escola, as normas educacionais resultam da parceria de regras, estabelecendo-se uma co-gestão. O pai participa da escola numa conceituação bem diferente daquela em que, praticamente, só era chamado para ouvir reclamação do filho, por alguma falta cometida. Hoje, procura-se conscientizá-lo de todo procedimento utilizado pela escola, buscando-se uma mútua interação. Profissionais credenciados da comunidade são convidados a participar diretamente do ensino, em sala de aula, dando noções de culinária, de carpintaria, de dança, de balé etc. Busca-se uma participação ativa e não meramente simbólica, como, por exemplo, a dos pais. A tendência atual é canalizar a sociedade civil para uma grande participação na educação.

O ensino nas escolas, visando uma aprendizagem efetiva, uma diminuição da repetência e da evasão, não pode criar uma cultura própria, transformando a sala de aula numa estrutura dissociada da vida comunitária, por conseguinte, da vida do aluno. Estamos voltando às origens, à famosa barganha do início da humanidade, perpetuando a sabedoria da solidariedade, da cooperação, para a sobrevivência das instituições e do próprio indivíduo.

Entre os professores, a parceria manifesta-se por uma co-autoria no levantamento de prioridades, de objetivos educacionais, de conteúdos afins, de metodologias, de estratégias, do sistema de avaliação e tantos outros itens correlatos, pertinentes ao planejamento de ensino. Trocam-se experiência e idéias que repercutem na identidade profissional do ensino.

A parceria do professor com o aluno cria, na sala de aula, um clima interativo, um conhecimento articulado, facilitadores da comunicação e da abordagem da educação democrática e libertadora. Ao trabalhar o aluno, sua matéria-prima, o professor marca sua presença na sociedade, quando lhe entrega o resultado de sua obra maior, um cidadão capaz, consciente que de seu desenvolvimento resulta o desenvolvimento do País.

Para chegar a esse bom termo, o professor precisa adequar o seu ensino ao tipo de aluno que recebe, precisa falar, como emissor, a língua do aluno, o receptor. Conhecê-lo bem, conhecer seu universo cultural, deve ser o ponto de partida, centrando a aprendizagem em bases no real, no concreto, e evitar, assim, uma possível inadaptação do aluno aos métodos da escola.

Escola é vida, é experiência de vida. Investigar o cotidiano do aluno, trazer sua vida à escola, relacioná-la, estrategicamente, aos conteúdos do currículo, vão tornar a aula mais atraente, mais condizente com esse aluno.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2000)

LUZES NO PALCO DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Não têm sido pouco insistentes as vozes que, de tempos em tempos, apregoam a luta por uma educação de qualidade, nas escolas da nossa rede oficial. Se nos propusermos a uma análise detalhada, veremos que os pontos culminantes das reivindicações se colidem. São argumentações que brotam de observações reais,  desfantasiosas, da atuação das escolas e seus desfavoráveis resultados.

Recentemente, revistas e jornais têm publicado um retrato surpreendente da educação que se desenvolve na Coréia do Sul. Os altos índices do nível educacional, que o povo sul-coreano vem alcançando, encontram respaldo nas condições em que o país colocou a educação fundamental – educação de base – da população como um todo.

A Coréia do Sul promoveu uma revolução educacional que fez dela modelo de referência mundial. As enérgicas medidas tomadas desmistificam o populismo com que a educação é tratada em países pouco afeitos à educação popular. São medidas palpáveis, convincentes, objetivas, altamente qualificadas, sem invólucro de chamariscos para impressionar. E, se assim não for, não haverá resultado consistente, apenas melhoras paliativas, intermitentes, desconexas, como o que acontece no Brasil.

Educação não é um faz-de-conta, é algo muito sério e como tal deve ser tratado. Vontade política e um debruçar-se são trilhos exigidos. Tomando a Coréia do Sul como exemplo, poderemos facilmente delinear os trâmites do sucesso, entender por que em Seul a obsessão por leitura tem caráter nacional.

A Coréia do Sul concentrou seus recursos públicos no ensino fundamental. Compreendeu que ele é a alavanca do ensino superior. Era preciso fortificar esse grau de ensino para levar a fortificação aos graus mais avançados. As salas de aula são equipadas com os mais modernos recursos didáticos, os laboratórios de computação têm máquinas de última geração ligadas à internet e as bibliotecas, ricamente montadas, com acervos os mais variados, atraem famílias inteiras nos fins-de-semana.

Estímulos não faltam nem a professores, nem a alunos. Um sistema de mérito implantado premia os bons estudantes desde a escola até a vida adulta. Premia os melhores alunos com bolsas e aulas extras, para que desenvolvam seu talento.

Os professores são vistos como luzes no cenário educacional, chaves do processo de aprendizagem. São alvos de respeito pelo governo e pela sociedade. Têm excelentes condições de trabalho, dedicação exclusiva a uma só escola e direito a 4 horas diárias para preparar as aulas e atender os alunos. São proibidos a ter mais de um emprego. Exige-se do professor, desde o jardim-de-infância, diploma de ensino superior e a maioria conta com pós-graduação.

O preparo e a dedicação do professor encarregado das aulas são vistos com muita seriedade. Quanto ao salário, os professores sul-coreanos são os mais bem pagos do mundo. Um professor experiente ganha na Coréia do Sul, segundo dados divulgados, um salário mensal médio de 6 mil dólares, seis vezes mais do que ganha um professor brasileiro do mesmo nível!

Um outro aspecto importante a ser ressaltado é a participação maciça, sistemática, vigilante, da família na educação dos filhos. As famílias são orientadas para essa direção. Os pais observam de perto a vida escolar dos filhos, o que contribui e muito para o alto padrão acadêmico.

Uma forte conseqüência desse avanço  educacional é a sua economia triplicando de tamanho a cada década. Tudo que fazem tem como objetivo virar produto no mercado, promovendo vantajoso casamento entre o ambiente acadêmico e a indústria. Produzem pesquisa de ponta e patentes. Investem cada vez mais em capital humano, em formação de cérebros.

Repetidamente, dissemos que era necessário melhorar as condições de trabalho do professor da rede pública, equipar melhor as escolas, diminuir o número de alunos por classe, aumentar consideravelmente o seu salário, dar-lhe status social e um competente suporte técnico. Só assim haveria estímulo e corrida para o aperfeiçoamento profissional.

Entre nós, louvor seja dado às escolas particulares, umas mais, outras menos. São as que estão segurando as pontas, colocando traves nas barrancas dos rios, não deixando o barco navegar à deriva. Cito um exemplo de caráter pessoal. Recentemente, lancei o livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola). Foi um livro pensado para a educação em seus diferentes graus de ensino da educação básica, abordando também aspectos da educação superior. Foi, inclusive, um livro direcionado, em determinados pontos, à escola pública, preocupado em assistir o aluno pobre, em assessorar a escola na programação de ações, currículos, capazes de, efetivamente, alcançar esses alunos, retê-los no recinto escolar e dar-lhes uma educação de qualidade.

Paradoxalmente, a receptividade, a acolhida do livro, foi bem maior entre as escolas particulares (seja de grande, médio ou pequeno porte) que as da rede oficial. O que isso significa? Evidentemente, o desestímulo ao estudo, o desencorajamento ao enfrentamento da problemática da rede oficial, a sobrecarga de trabalho e da responsabilidade individual que essa rede imprime ao professor. O professor da rede particular, além de melhor salário, sente-se apoiado, trabalha num ambiente afim, que dá ensejo ao aperfeiçoamento profissional.

A qualidade de ensino das escolas particulares é o diferencial que faz com que os ricos cursem uma boa universidade e os pobres batam às portas da marginalização. Essa realidade, comprovada exaustivamente por pesquisas, não move a vontade política? Não a demove em busca de uma mudança radical, quebrando a perpetuação da desigualdade social?

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2005)

ANALFABETISMO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

São vários os aspectos a serem enfocados sobre o analfabetismo no País, em crianças na faixa de 10 anos. Ressaltaremos alguns. Segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadas em 29 de novembro de 2002, 11,4% da população infantil são analfabetos. As cidades de médio porte levam grande desvantagem no quesito educação. São 383 mil crianças, dos sexos masculino e feminino, de 10 anos, a maioria de municípios de médio porte.

Considera-se um dos melhores indicadores para medir o nível educacional a taxa de analfabetismo das crianças de 10 anos. O índice varia de 5,4% nas grandes cidades, percentual considerado aceitável pelas Nações Unidas, até 18,7% nas cidades que têm entre 20 mil e 50 mil habitantes. O IBGE demonstrou que os municípios pequenos têm taxas de alfabetização infantil melhores que os médios, porque as prefeituras conseguem controlar com mais facilidade seus moradores. As baixíssimas taxas de analfabetismo no Sul contribuem, segundo o IBGE, para diminuir a média nacional.

O analfabetismo infantil varia de taxas altas, como 33% em Alagoas, para baixíssimos, como 1,7% em Santa Catarina. Em nível de escolaridade, a média vai de 8,1 anos de estudos em Brasília, a apenas 1,8 ano nas cidades de até 5 mil habitantes no Piauí. Há diferença entre municípios de um mesmo Estado, como no Maranhão, onde na capital a média de escolaridade é de 7,5 anos de estudos e nas cidades com até 5 mil habitantes cai para apenas 2 anos de estudos.

Em termos de analfabetismo infantil, temos ainda muito que avançar, que quebrar barreiras. O analfabetismo condena milhares de pessoas a uma vida sem perspectivas, vivendo miseravelmente.

Além do analfabetismo, temos ainda que considerar a má qualidade do ensino. O exame do Ministério da Educação, o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), não mostra melhora significativa no desempenho médio dos alunos desde 1991, e piorou nos dois últimos anos. O Saeb mostrou que os alunos de 8.ª série dominam, na média, os conteúdos esperados dos da 4.ª série, e os da 4.ª série mal sabem decodificar as palavras que lêem.

Um teste aplicado pela Fundação Carlos Chagas em escolas de 52 municípios de 25 Estados demonstrou que os conhecimentos dos professores são próximos dos esperados dos alunos da 4.ª série.

Uma pesquisa que nos coloca na realidade brutal do nosso processo educacional é a intitulada “A Escola vista por dentro”, feita pelo ex-secretário do Ministério da Educação, João Batista Araújo e Oliveira, e pelo ex-presidente do IBGE, Simon Schwartzman. Estes autores sintetizaram, pelas respostas dadas a um questionário, o que é considerado “normal” entre professores, escolas e sistemas de ensino. Para os que não tomaram conhecimento da pesquisa, vale a pena conferir: “É normal não cumprir o ano letivo; é normal perder de 30 a 40% dos alunos sem que eles adquiram os conhecimentos para prosseguir os estudos; é normal enturmar alunos em classes onde eles não conseguem acompanhar o conteúdo e os ritmos dos trabalhos; é normal passar dever de casa que necessita de ajuda dos pais, mesmo sabendo que eles não podem ajudar; é normal começar o ano letivo sem professores designados para as turmas; é normal destacar professores sem habilitação para lecionar e sem conhecimentos elementares de português ou matemática; é normal operar escolas sem coordenação pedagógica, sem bibliotecas; é normal culpar os alunos e pais pelo fracasso dos filhos”.

O Brasil vem perdendo conceito geral e o trágico desempenho das escolas públicas ameaça o futuro do País, afirmam os especialistas. Não é redundante relembrar o vexame sofrido em 2000, quando os estudantes brasileiros, entre alunos de 15 anos de 32 países, ficaram em último lugar em capacidade de ler e escrever, na avaliação feita pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. O exame foi supervisionado por uma técnica brasileira, que observou que muito dos alunos brasileiros nem sequer conseguiam ler as perguntas.

Diante do quadro exposto, como promover justiça social dentro de tanta desigualdade educacional? Soluções para as deficiências das escolas não são simples e nem rápidas. Educação boa é cara, é preciso real investimento, acompanhado de real mobilização da vontade política. Melhorar o ensino público é ponto capital para promover a justiça social. A má qualidade de ensino atinge gerações de jovens, leva-os a uma vida de apagado horizonte.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em janeiro/2003)

A FORMAÇÃO DE CICLOS NAS ESCOLAS DA REDE ESTADUAL

Izabel  Sadalla  Grispino*

O Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb) realizado, em sua 1.ª fase no ano de 1997, a alunos de 3.ª e 7.ª séries do 1.º grau, em escolas oficiais e particulares – as que quiseram aderir ao programa – permitiu chegar, segundo o MEC, a conclusões fundamentais.

As provas foram feitas com base no programa curricular do ciclo básico – união de 1.ª e 2.ª séries – e da 6.ª série, respectivamente. O melhor resultado foi observado nas 3.ªs séries, provenientes do ciclo básico. Os alunos das escolas públicas, afirma o MEC, nessas séries, apresentaram rendimento muito semelhante ao das escolas particulares.

A 2.ª fase da avaliação abrangeu alunos de 4.ª e de 8.ª séries, sempre com base no currículo da série anterior. Essa avaliação e mais a que incluiu alunos do ensino médio demonstraram que o ensino decresce em qualidade à medida que a série avança, que a qualidade de conhecimento, absorvido pelo aluno de 1.ª à 4.ª série, é grande, de 5.ª à 8.ª  série cai um pouco e, no 2.º grau, é muito pequena.

De acordo com o MEC, as avaliações revelaram vantagens – em relação às demais séries do 1.º grau – nos agrupamentos das 1.ªs e 2.ªs séries do ensino fundamental, o ciclo básico, tanto referente à aprendizagem, quanto à repetência. Constatou-se que de cada 100 alunos matriculados, apenas 60 terminam os 8 anos do ensino fundamental.

Essas avaliações, a nível nacional, forneceram dados que permitiram uma radiografia geral da educação, diagnósticos globais, detectando os grandes problemas. Mas, cada região pode torná-las mais eficientes, mantendo seus próprios sistemas de avaliação. Algumas secretarias estaduais e municipais já têm seus processos de avaliação. Entre as estaduais, estão: Minas Gerais, São Paulo, Ceará, Paraná, Pernambuco, Rio Grade do Norte, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Entre as municipais: Curitiba (PR), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ).

São Paulo montou, no ano de 1997, o Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado (Saresp), planejando fazer uma prova por ano, série a série.

ENSINO FUNDAMENTAL EM CICLOS – No Estado de São Paulo, o Conselho Estadual de Educação, apoiando-se nos resultados das avaliações e na nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que diz ser “facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos”, autorizou a organização do ensino fundamental, na rede do Estado, em ciclos, ou seja, o reagrupamento das séries em ciclos de maior duração, nos quais não haverá reprovação anual.

A LDB diz ainda: “Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, observadas as normas do respectivo sistema de ensino”.

A filosofia adotada pela nova Lei trocou a uniformidade e a rigidez do sistema de ensino pela diversificação, flexibilidade e até regionalização. Recomenda que não se leve em conta apenas os resultados das provas bimestrais na avaliação dos alunos e, sim, seu desempenho global, ao longo do ano.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo estabeleceu, para as escolas de sua rede, dois ciclos para o ensino fundamental – para alunos da faixa etária dos 7 aos 14 anos – o primeiro da 1.ª à 4.ª série e o segundo, da 5.ª à 8.ª série, em vigor a partir de 1998. As escolas municipais do ensino fundamental terão liberdade para organizar o seu ensino, seguindo o modelo das estaduais ou permanecendo com um ciclo só.

O sistema chamado de “regime de progressão continuada” é a ampliação do ciclo básico da 1.ª à 2.ª série, existente na rede estadual desde 1984. O objetivo maior é combater a repetência, utilizando-se da adoção de avaliações permanentes, paralelas ao ensino-aprendizagem, com grupos de reforço, grupos de recuperação para o aluno, que, ao longo do processo, apresentou dificuldades na aquisição dos conceitos básicos.

O ciclo de 1.ª à 4.ª série terá sua avaliação conclusiva na 4.ª série, o de 5.ª à 8.ª série, a avaliação conclusiva será na 8.ª série.

PRESSUPOSTOS DO REGIME DE PROGESSÃO CONTINUADA – O ensino na progressão continuada parte do princípio de que todo aluno é capaz de aprender e de que a escola deve ser capaz de atender à diversidade, oferecendo um currículo adequado ao progresso do aluno. A metodologia deve privilegiar o aluno como sujeito de sua aprendizagem, abandonar o sistema tradicional da transmissão dos conhecimentos prontos e acabados. Os conteúdos são dados continuadamente e não por série.

A atual conduta pedagógica adotada pela Secretaria Estadual da Educação estabelece que a solução para o baixo rendimento do aluno está na escola. É ela que tem de oferecer os recursos para o estudante recuperar-se. Deve assumir a responsabilidade pela aprendizagem. “Não adianta dizer que se o aluno não aprendeu o problema é dele”, diz a Secretaria da Educação e acrescenta: “Não há alunos com barreiras intransponíveis de conhecimento; o que varia é o ritmo do aprendizado de cada um”.

Para evitar o fracasso do aluno, a escola deve verificar como se equaciona identidade cultural e itinerário educativo. Ela é condutora da potencialidade do aluno. Deve recriar a cultura, transformar a informação em conhecimento.

Na próxima semana, abordarei o processo de avaliação desse ensino-aprendizagem.

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2001)

UMA LIÇÃO DE PEDAGOGIA

Izabel Sadalla Grispino *

É preciso acordar para a importância da educação infantil. A proposta do prof. Giannetti, relatada por mim no artigo anterior, deve vir acompanhada de processos de melhorias de ensino.

Antes de chegar ao ensino fundamental, o aluno deverá ter percorrido as etapas da educação infantil, ter sido, devidamente, estimulado e respeitado nas diferentes fases do desenvolvimento infantil.

Hoje, a conclusão é de que a educação infantil é estratégica par o futuro do País. A educação de zero aos 6 anos constitui a grande lacuna do nosso sistema escolar. A primeira infância é o período mais importante na formação do indivíduo. Nessa fase se formam valiosas sinapses neurológicas e se constroem os fundamentos da nossa representação simbólica do mundo.

O cérebro desenvolve-se nos primeiros anos de vida. É na faixa etária de zero a 3 anos que se formam 90% das conexões cerebrais. As pesquisas científicas, há tempo, destacam a importância da educação infantil no desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e social das crianças. Quanto mais cedo a criança ingressa na educação infantil maior é o seu aproveitamento escolar e melhor sua conduta social.

Há estudos comprovando que as crianças que freqüentaram creches e pré-escola tendem a obter maior sucesso profissional em comparação com as que foram matriculadas no ensino fundamental sem passar pelo ensino infantil.

Além do ensino fundamental, é preciso enfatizar a importância da educação infantil, ensino que eleva o aproveitamento dos alunos no ensino fundamental, principalmente os de famílias de baixa renda.

O Brasil tem muito que avançar no ciclo da educação infantil. Este ciclo e o ciclo fundamental são ciclos decisivos para preparar as novas gerações para enfrentar o competitivo mercado de trabalho.

O relatório da Unesco sobre educação infantil, lançado recentemente – novembro de 2006 – em Nova York, coloca o Brasil entre os piores na área de educação infantil, em todo o mundo.

Elevar o nível de ensino é conhecer os pontos de estrangulamento do sistema e enfrentar as dificuldades. Na passagem do conhecimento temos a macroabordagem, que envolve a filosofia da escola, sua linha pedagógica e todo o contexto educacional vigente, e temos a microabordagem, que se resume, especificamente, na relação professor-aluno. É quando o conhecimento vai acontecer. Aqui o maior peso recai para a vocação docente. Quando se ama o que se faz, quando se sente compromissado com a causa, esta se realiza.

O grande educador, o educador de todos os tempos, Renato Alberto T. Di Dio, dizia: “Os docentes equilibrados e estudiosos tomam decisões com a propriedade que emana do bom senso”. Acrescentava: “Com equilíbrio e bom senso, qualquer teoria, qualquer método funciona”.

Numa palestra, realizada para os formandos do Magistério, elucidei um aspecto afetivo do ensino-aprendizagem, com minha poesia: “Uma lição de pedagogia”. Meu filho, sério, me perguntou, / Por que a senhora sempre grita? / Ontem me deu ordem, não conversou, / Hoje, mais parece acesa pipa! // Papai é diferente, mais amigo, / Vive alegre, me compreende, / Dialoga, papeia comigo, / Me estimula, me apóia sorridente. // Foi ducha fria na minha cabeça: / Ando vazia de amor, rancorosa, / Espalhando ira, sempre chorosa. // Ao invés de proferir fria sentença, / Cultive a rosa, aqueça a complacência, / Educar é fruto de amor, de paciência.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2006)

PROIBIR É A SOLUÇÃO?

Izabel Sadalla Grispino *

Como a escola pode ajudar as crianças frente à TV? Como educar a leitura que elas fazem da TV?

O primeiro passo é, sem dúvida, conhecer os programas a que elas mais se apegam. Estudar-lhes as características e os aspectos que mais as impressionam.

Proibir, simplesmente, não é o caminho. A proibição só vai aguçar a curiosidade, a vontade de assistir-lhes. Ao proibir, é preciso explicar as razões. Manter com as crianças uma aprendizagem crítica, uma aprendizagem do pensamento divergente. Ensinar a criança a questionar, a duvidar, a encontrar outras saídas, diferentes das apresentadas no filme. Duvidar do que se vê é um bom exercício mental, dizem os psicólogos. A atitude reflexiva favorece a elaboração de exercícios mentais, que a criança pode exercitar ao assistir aos filmes, aos desenhos.

Passando esse comportamento para a prática, uma escola relatou sua experiência, que pode ser de valia a outras escolas. Os professores notaram que a brincadeira que mais se sobressaia, em crianças na faixa de 4 a 5 anos, era a “Pouver Rangers”. Foram conhecer este programa. Perceberam, entre outros fatores, que os heróis, no caso japoneses, conquistam tudo magicamente e apenas pelo prazer da luta e não em razão de um ideal. Não agem de modo inteligente ou com astúcia. São heróis que empobrecem a imaginação da criança, diferentes dos heróis de antigamente, que conquistavam pela busca de um ideal.

Os professores, após terem assistido e avaliado os programas, passaram, em dias alternados, a promover sessões de TV entre os alunos. Foram escolhidos o Sítio do Pica-pau Amarelo, o Castelo Rá-Tim-Bum e um filme dos Pouver Rangers. Embora as crianças apreciassem todos, mostravam preferência pelo Pouver Rangers. Porém, após tê-lo assistido, a meninada ficou muito excitada, mais agitada e mais agressiva na hora de brincar.

Uma das estratégias adotadas foi encaminhar a criança para uma esclarecida interpretação. Professor e aluno raciocinavam juntos, a criança era encaminhada à ponderação, ao abrandamento das lutas suicidas, a exaltar ações que conduzem ao amor, ao bem.

Uma outra preocupação dos pais e dos professores é com os jogos eletrônicos.  Até que ponto os videogames viciam e o que fazer? Especialistas da área de tecnologia dizem que a escolha dos jogos não pode ser aleatória. Eles devem ser relacionados segundo as características de cada criança, considerando, também, os aspectos socioculturais , educativos e psicológicos.

A criança, ao jogar, expressa seu juízo moral, através da livre escolha que faz do destino do personagem, da tomada de decisões e dos sentimentos manifestados. Isso dá a oportunidade, aos pais, aos educadores, discutirem, esclarecerem os aspectos necessários à condução de uma postura moral, compatível aos valores sociais. É preciso fazer a criança entender que o jogo é uma fantasia momentânea; fantasia, imaginação e não realidade.

Os videogames têm seu lado positivo e negativo. É uma questão de regra e limites, que vale para o videogame, a TV, o computador, a Internet. Crianças que jogam de forma compulsiva sofrem os malefícios decorrentes, como sua exclusão do convívio social, o descumprimento de suas obrigações, dos efeitos colaterais orgânicos, como irritação dos olhos, excitação, insônia, principalmente quando os jogos são muito violentos.

Com horário e disciplina, os jogos podem trazer benefícios. Confirmam os especialistas que videogames e jogos para computador são excelentes para o desenvolvimento cognitivo. Desenvolvem a percepção, a memória visual e auditiva, a rapidez, o raciocínio, a capacidade de solucionar problemas e, até mesmo, a socialização, quando jogados via Internet.

Em trabalhos psicopedagógicos, os softwares são bastante utilizados. Nas salas de aula, compete ao professor explicitar os conceitos envolvidos, a fim de que o jogo se converta em instrumento de aprendizagem. É importante que se discutam as questões morais, éticas e de relações humanas, implícitas nos jogos, praticados na sociedade, na escola, em casa.

Em tudo, não há modelo único de educação. Vai depender de cada criança. As regras e os limites devem ser passados dentro dos conceitos éticos, morais, culturais de cada sociedade, de cada família. O importante é conhecer a criança que se tem à frente para ser educada e agir de acordo com cada caso. Para impor limite aos videogames, ao computador, estuda-se a melhor forma, como programar atividades compartilhadas, passeios, esportes, diálogo... Disciplinar os horários, conscientizá-los da hora de estudar, de dormir e de brincar, é imprescindível. Videogame, por exemplo, só depois da lição de casa feita.

Com a finalidade de evitar a violência do jogo, a prática de atos sexuais e desvirtuamento de valores éticos e morais, o Ministério da Justiça definiu a norma de que todos os cartuchos e CDs, de games, tragam, em suas embalagens, um selo de classificação etária.

O Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento – CAD --, clínica formada por uma equipe multidisciplinar da capital, explicitou regras úteis para o aconselhamento e à aprendizagem de crianças e de jovens.

Dos 3 aos 7 anos: as regras são externas à criança, que espera que os adultos lhe dêem ordens. Aproveite a fase para fixar bem a rotina e estabelecer hábitos saudáveis;

Dos 7 aos 12 anos: a criança começa a internalizar as regras. Explique os porquês de suas exigências, sem abrir mão delas. Ela espera esse limite do adulto. É uma boa fase para trabalhar direitos e deveres, estabelecer horários das atividades escolares, de lazer e sono;

Dos 12 anos em diante: o jovem já deve ter adquirido autonomia e capacidade de pensar os valores por si mesmo. Diálogo é essencial. Ele deve participar da construção e/ou reformulação das regras para poder organizar sua própria vida. Vai exigir coerência dos pais e dos educadores e um compromisso recíproco de respeito às regras.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2002)

MEMÓRIA E PROCESSO PEDAGÓGICO

Izabel Sadalla Grispino *

Os avanços da ciência sobre o funcionamento do cérebro continuam clareando o procedimento pedagógico. No cérebro humano, dizem os cientistas, a memória vem em primeiro lugar.

A memória retém informações, arquiva-as e elas surgirão quando as apelamos. Divide-se em memória declarativa e memória processual. Declarativa, quando nos lembramos de algo, de algum acontecimento, de um número de telefone, de um nome..., e processual, quando ligada à habilidade de se fazer alguma coisa, por exemplo, andar de bicicleta.

Na memória declarativa, gravamos informações com mais facilidade, mas, também, com o tempo, esquecemos mais depressa. Na memória processual, a dificuldade para gravar é maior, mas, depois que aprendemos como se faz, como a coisa se processa, dificilmente esqueceremos. São exemplos: dirigir, ler, escrever, contar...

Inteirando-me das características e funcionamento da memória, passei a relacioná-los ao processo pedagógico, visto ter aí encontrado forte sustentação da metodologia renovada apregoada para o ensino-aprendizagem.

A escola utiliza-se bem mais da memória processual, que é onde se realiza, onde se constrói o conhecimento. Essa memória vai, aos poucos, gravando os passos adquiridos, em direção ao conhecer. Ela vem referendar o método construtivista, quando a criança, para chegar ao conhecimento, observa, manuseia, experimenta, analisa, formando conceito do assunto visado. É ela quem vai propiciar a interiorização, a formação das habilidades, quem desenvolve as faculdades de pensar, criar, inventar, agir...

A memória processual, em sua função, confirma a característica imprimida à aprendizagem, em termos de praticidade. Precisa ser prática, dar ao aluno a oportunidade de elaborar, de criar, ele próprio, o conhecimento. Hoje, a metodologia privilegia a autonomia na aprendizagem, a auto-educação, o caminho da ida e o caminho da volta, num processo de reversibilidade do conhecimento, enfatizado por Jean Piaget.

A memória processual consolida o preceito educacional de fazer do aluno o agente de sua aprendizagem. É o esforço próprio, a persistência que vai levar à fixação do conhecimento. É como diz Pedro Demo: “Tem que ralar, tem que maiar”.

Um outro prisma da memória é que ela pode ter curta ou longa duração. Curta, quando guardamos na lembrança por pouco tempo, havendo, nesse caso, um limite em reter as informações. Para uma memória longa, melhor, para que retenha algo por mais tempo, é preciso treinar muito e repetir bastante.

Essa é uma outra confirmação do que a escola já fazia empiricamente, ou seja, a importância, na aprendizagem, da repetição, dos exercícios continuados na seqüência do currículo, da utilização do processo de retorno ao assunto, de tempos em tempos, para que haja uma boa fixação da matéria.

Um fato interessante da memória é que ela não é um tipo de órgão, glândula ou coisa parecida e nem está localizada em local determinado no cérebro. A memória, confirma a ciência, é uma reação biológica e psicológica que acontece dentro da cabeça. Daí a importância de aliar a pedagogia à psicologia. De se ressaltar, no ensino-aprendizagem, os estímulos, o interesse, de despertar a confiança, trabalhar a auto-estima, considerar, em cada aluno, o seu limite, o seu potencial, as suas virtualidades e o seu ritmo. Estes são os fatores que garantem a ausência do fracasso. Todo professor sabe que, ganhando a afetividade e a confiança do aluno, ele já está ganhando uma porcentagem alta na aprendizagem. Esta surge em decorrência.

Há, contudo, o chamado lobo temporal – um pouco acima das orelhas – caracterizado pelos cientistas como um importante reservatório de acontecimentos passados. Esse lobo temporal costuma ser muito ativado na idade adulta, razão pela qual os idosos lembram de coisas muito antigas. Há, também, o neocórtex temporal, que se acredita ser a região envolvida com a memória longa e memória declarativa.

O que surpreende é a extensão da memória, que chega até a amígdala, região da garganta, que tem, inclusive, importante função.

A cada passo vamos percebendo os fundamentos científicos dos métodos ativos, consagrados pela nova escola. Eles  não  trazem  apenas  o resultado  de uma observação contínua, de uma comprovação prática de seu uso no dia-a-dia, mas o resultado de pesquisas científicas, da lógica racional.

Ao abordar o tópico “Métodos ativos para a aprendizagem”, no meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), na pág. 243, eu digo: “A escola não se sustenta mais como transmissora, ela deve ser construtora do saber. A disciplina não é mais imposta, mas discutida e estabelecida juntamente com os alunos.

Os métodos ativos são uma necessidade da nossa época. Não são novos na literatura pedagógica. Ao longo dos tempos, eles vêm sendo citados, mas pouco usados. Não havia uma conscientização geral de sua aplicabilidade. Hoje, porém, são indispensáveis, consagrados. Eles começaram a se despontar, com mais vigor, no final do século XVIII”.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em setembro/2005)

Caixa de texto: Clique para voltar ao sumário* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em setembro/2005)

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

Leia Mais

A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

Leia Mais

A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

Leia Mais


Reconhecimento

Premiado pelo Buscaki

buscaki

I.S.G

izabel1

Colaboração

Slideshow Image 1

Novos Jogos

eduespc

Vídeos

videos

Visitante Número