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Artigos Educacionais

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A CLÍNICA DA CONSCIÊNCIA SOCIAL

Izabel Sadalla Grispino *

“A alma de toda cultura é a cultura da própria alma”, já diziam os filósofos gregos.

Em meio a tanta desorganização, a tanta frustração na correspondência de atitudes humanas, presencio, comovida, uma clínica médica – Serviço de Nefrologia de Ribeirão Preto – de atendimento alentador, em termos de humanização e de qualidade de serviços prestados. É dirigida por médicos de alto gabarito, de indiscutível competência, fator, por si só, indicador de tranqüilidade, de confiança no tratamento ministrado.

A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

AO JORNAL “A CIDADE”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “A Cidade”, deste valioso instrumento de comunicação que Ribeirão Preto aprendeu a admirar pelo alto profissionalismo, há, exatamente, um ano, venho publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporcionou-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade ribeirão-pretana, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Neste ano que se finda, propus-me a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional das escolas oficiais.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Inúmeros conceitos nele passei, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “A Cidade” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e ilumine a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Ribeirão Preto, já é tradicional, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “A Cidade”, que beira um século de existência, nas pessoas da família Camargo, de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com brilho e persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população. O jornal “A Cidade” cresce com Ribeirão e com ele se faz pioneiro na região. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, competente de que é marca  consagrada.

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Ribeirão Preto. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos. A todos, meus versos sobre o Terceiro Milênio.


TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2000)

EXCLUSÃO E FATOR ECONÔMICO

Izabel Sadalla Grispino *

A destruição dos valores sociais vem criando o comportamento de que “tudo vale” para se alcançar o objetivo. Abraça-se o conceito de que “ninguém presta”, de que é preciso ser mais esperto que o outro, mais “competente”, para não ser passado para trás.

Nessa conjuntura, surge o que está sendo chamado de “terceira vertente da criminalidade”. Essa vertente se diferencia da criminalidade baseada, por esse modelo econômico, nos excluídos sociais. Abrange uma terceira categoria, daqueles que crêem que ninguém presta, de que, em tese, todos são bandidos. Gera-se um comportamento de malandragem, de desconfiança generalizada, onde ninguém acredita em ninguém. A moral vai se deformando, surgindo os “deformadores morais”, que julgam ter o direito de roubar, matar: “Seu eu não fizer primeiro, o outro fará por mim”.

O indivíduo assume a postura de bandido, é bandido declarado, “tem lado”, conforme sua expressão. O pior, segundo se constata, é que, agora, o jovem bandido não é mais recriminado pelos pais, como sempre foi. Os pais, também, foram convencidos de que ninguém presta. Essa característica confirma-se pela presença considerável de pais, de familiares, de amigos, em visita aos presidiários, que lá vão para hipotecar solidariedade e, certamente, levar-lhes informações. Quando interrogados por policiais, por repórteres, se viram alguma coisa, se sabem de alguma coisa, eles se calam, ninguém viu nada, ninguém sabe nada e isso não é apenas por medo, mas por aceitar o crime. O traço assustador é que, segundo pesquisas, eles se mostram convencidos de que estão certos e que não vão mudar. A personalidade deformou-se! O caráter contamina, o crime contamina!

O que espanta é a confusão mental em que os jovens se mergulham, a incapacidade de retornar a um rumo coerente, com força para enfrentar uma realidade social cada vez mais assustadora e fora de controle. Será que nesses casos a cadeia resolve? Resolve a aplicação integral da pena em regime fechado, como querem alguns? Os adeptos dessa solução citam como fulcro do problema as brechas da legislação penal, incluindo a Lei de Execuções Penais, que a consideram benevolente, e o falho sistema prisional.

Creio que se possa pensar nesses recursos como estratégia imediata ou coadjuvante. Sou mais adepta à universalização de uma educação aprimorada, voltada para o humanismo, para a face solidária da vida. Ensinar aos jovens o respeito ao outro, o respeito aos valores éticos, respeito aos direitos e deveres do cidadão, como fala a nossa Constituição.

As verdadeiras causas do comportamento anti-social estão na raiz de uma deformada educação ou de ausência de educação. Estão na própria estrutura social, na pirâmide educacional, que deixa em suas bases uma imensa população analfabeta ou semi-analfabeta, arrastando-se, em conseqüência, para a marginalidade. Estão no desemprego, na desigualdade social. É necessário criar escolas, frentes de trabalho, quebrar os cinturões de miséria das favelas, substituí-los por núcleos de empregos, melhorar a qualidade de vida, providenciar o saneamento básico.

Felizmente, vem surgindo uma nova mentalidade, em relação à massa ociosa e que muito pode contribuir para minorar a situação. Ela vai além da compaixão, reveste-se de uma concepção pragmática, onde o lucro é parte importante. Entendem as empresas que essa ociosidade é prejudicial ao comércio, à vida produtiva do País, que, financeiramente, é conveniente preparar, habilitar os excluídos, arrebanhá-los para o setor econômico. Eles podem significar dividendos e, sob esse prisma, aproveitados. A caridade sozinha não atinge o alvo, mesmo porque num mundo competitivo é difícil o exercício da solidariedade.

O capitalismo moderno luta contra a marginalização social, envolve-se nessa luta, que não é vista como caridade cristã, mas como lucro, que advém da eficiência, da competência. O capitalismo parece estar encontrando motivação racional para o aproveitamento dos excluídos, mirando-lhes lucro.

Por essa via, a ação social, de assistência aos marginalizados, torna-se viável e um caminho que promete. O que se quer é preparar o indivíduo para que tenha domínio de seu campo de trabalho, de suas habilidades.

Esse novo conceito leva o empreendedor a dar reforços ao seu empreendimento. A empresa aplica o termo lucro, não no sentido de obter vantagem, tirar proveito, mas no sentido de lucro pela proficiência. Por esta concepção, as empresas voltam os olhos para as necessidades da sociedade, prestam contas dos lucros sociais conquistados por elas. Lucros que a sociedade confere por conta de projetos empreendidos, como apoio à educação, à saúde, às artes, à cultura em geral, ao esporte, ao lazer, especialmente, para crianças e idosos.

Empresas há que ultrapassam o critério de vínculo empregatício, alargam o conceito de cidadania e estende-o ao tempo dedicado  à  coletividade.  São  as  empresas-cidadãs que investem no benefício coletivo, sem auferir lucros financeiros, entendendo que pagam, desse modo, a sua dívida social.

Do ponto de vista econômico, essa equação atenderá os excluídos, aumentará a produção, reduzindo, quem sabe, significativamente, a desigualdade. Sempre há uma luz no fim do túnel, basta não ignorá-la e ir buscá-la. Sonhar é preciso. Acreditar que virá a reviravolta, que o mundo retornará ao seu princípio de simplicidade, mais igual, mais humano e mais próximo de Deus.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em outubro 2005)

UM PARALELO ENTRE O ENSINO OFICIAL E O ENSINO PRIVADO

Izabel Sadalla Grispino *

Pesquisa da Unesco, sobre o ensino médio, em 13 capitais brasileiras, mostrou o desinteresse dos alunos pelo aprendizado da escola. Mostrou sonhos diferenciados ente alunos de classe abastada e de classe pobre. Alunos de escola particular estão preocupados com o vestibular e os da escola pública, em arrumar emprego ao terminar o ensino médio.

Os alunos da escola pública estão em desvantagem na aprendizagem, especialmente no que se refere ao acesso à informática, ao uso de laboratórios e às atividades extracurriculares. A grande maioria não tem computador em casa. Nas escolas públicas 76% não usam computador em classe, na particular apenas 14%.

O livro “Ensino Médio: Múltiplas Vozes”, lançado em abril de 2003, coordenado pelos pesquisadores da Unesco Miriam Abramovay e Mary Garcia Castro, traz um retrato do ensino médio. Foram entrevistados mais de 7 mil professores e 50.740 alunos de 673 escolas públicas e privadas em 2001. Um dado triste e que revela falta de auto-estima é o fato de os alunos mostrarem tendência a se culpar pelo fracasso na escola. Os professores, também, atribuem ao desinteresse do aluno os maus resultados obtidos. Em São Paulo, os professores disseram que 71% dos problemas da escola são o desinteresse dos alunos e a maioria dos alunos, 57%, concordou.

A pesquisa revela que para os professores a repetência está simplesmente ligada a causas externas à escola, como família e condições socioeconômicas. Não há, entre eles, um questionamento sobre as falhas do sistema, ou a ausência de um ensino de qualidade, capaz de atrair e motivar o aluno. A repetência é grande, metade dos alunos já foi reprovada pelo menos uma vez nas escolas públicas. Nas particulares, o percentual fica em 25%. A reprovação é maior entre os estudantes do período noturno, 65%, do diurno, 40%. Entre a escola pública e a particular, a pública registra uma porcentagem bem maior de repetência: 43% por 19%.

Quanto à infra-estrutura, a escola pública perde de longe das privadas. Os alunos da escola pública ressentem-se da falta de um centro de informática, de laboratórios e de mais computadores. Os alunos das escolas particulares pedem mais liberdade, mais atividades extraclasses e mais esporte, reivindicando mais espaço. Segundo o relatório da pesquisa, numa escala de 0 a 10, os alunos das escolas públicas deram notas entre 4,7 e 6,3 para as salas de aula e os das escolas particulares, entre 6,4 e 7,8.

Uma grande ausência das escolas públicas é o computador. Dados do Ministério de 2003 mostram que o número de computadores nas escolas públicas é bem inferior ao das escolas  particulares. Se essa distância for mantida, a informatização das escolas públicas pode demorar 40 anos para terminar. Segundo o MEC, para que todas as escolas tenham uma média de um computador para cada 50 estudantes, são necessárias 800 mil máquinas. A rede pública recebeu apenas 42 mil computadores.

Entre 1999 e 2002, a quantidade de micros no ensino público subiu de 111.986 para 226.986. O setor privado, com muito menos alunos, as máquinas passaram de 184.371 para 263.001. Temos 179.935 escolas públicas e 34.258 estabelecimentos particulares. Na rede pública, o percentual das escolas que contam com computadores subiu de 13% (25.705) para apenas 23% (42.488) nos últimos três anos. Nas escolas particulares, a relação cresceu de 60% (17.735) para 70% (24.008) no mesmo período.

As escolas públicas estão ainda em defasagem bem maior no que se refere à disponibilidade de acesso à Internet. O número de escolas públicas, onde se pode usar a rede, em 1999, era de 1,3% (2.528) e em 2002, 8,2% (14.773). No ensino particular, os estabelecimentos com conexão à Internet subiram de 17% (5.157) em 1999 para 32% (13.320) em 2002. Essa defasagem será de difícil correção, estampando na rede oficial um ensino de baixa qualidade e uma fraca formação em informática. Como concorrer em igualdade de condições no mercado de trabalho, no ingresso ao ensino superior de uma boa faculdade?

Enquanto o setor privado forma cidadãos aptos a enfrentar os desafios que lhes vêm pela frente, o setor público vem formando não-cidadãos, fracassados por falta de conhecimento. O setor privado está bem próximo, segundo a pesquisa, de conseguir dar acesso à informática a todos os seus alunos; o ensino público coloca-se à margem, bem distante desse objetivo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2004)

UMA PARADA PARA MEDITAR

Izabel Sadalla Grispino *

A situação precária em que o Brasil se encontra no terreno educacional vem de décadas e se acentuando com o passar do tempo. Não é falta de alerta, não são vozes isoladas que se manifestam, mas a seriedade norteadora de ações governamentais, fortes e abrangentes, continua diminuta.

São análises internas que se encontram e se completam nas análises de organismos externos. O quadro que se apresenta da educação brasileira é desolador, deprimente, revelam-nos recentes pesquisas do Pnad e da Unesco. A que ponto chegou o tão conceituado magistério do passado! E pensar que se fala em desenvolvimento, em crescimento da economia, como se o Brasil tivesse se pautando por princípios sustentadores dessa evolução!

O ponto forte de todo desenvolvimento, ninguém hoje ignora, é um povo qualificado, portador de ferramentas educacionais consistentes; é a formação escolar das novas gerações, gerações estas, que, no País, não estão sendo educadas para enfrentar o mercado de trabalho do amanhã.

A pesquisa que o IBGE acaba de divulgar, abril de 2006, sobre dados relativos a 2004 do Plano Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad), mostra a ineficiência do nosso sistema educacional. Ineficiência que recai sobre a população brasileira, apresentando uma larga margem de analfabetos e analfabetos funcionais.

De acordo com a pesquisa, um quarto da população com idade igual ou superior a 15 anos tinha menos de 4 anos completos de estudo, em 2004. São pessoas que só sabem escrever o nome e têm dificuldade em operações matemáticas, em ler manuais de instrução. São os chamados analfabetos funcionais.

Revela a pesquisa que jovens na faixa etária entre 18 e 24 anos, idade em que deveriam cursar uma faculdade, 58,5% continuam no ensino fundamental ou no ensino médio. Com relação à população adulta, pessoas com 25 anos ou mais, a situação piora. Em 2004, 27,9% tinham, no máximo, 3 anos de estudo e só 7,8% haviam concluído 15 anos ou mais de escolaridade.

O Norte e o Nordeste apresentam maiores ineficiências que o Sudeste. No Norte, os analfabetos funcionais correspondiam a 29,1% da população com mais de 15 anos, em 2004. No Nordeste, a proporção era de 37,6%, contra 18,1% do Sudeste e 13,6% na região metropolitana de São Paulo, a mais industrializada do País.

No País, o tempo médio para a conclusão do ensino fundamental é de 9,9 anos, porém, em 6 dos 9 Estados do Nordeste, ele é de 11 anos ou mais, contra 8,7 anos em São Paulo. Constata-se, ainda, que no Nordeste 73,2% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos ainda cursavam o ensino fundamental ou médio, em 2004, e só 16,4% estavam matriculados no ensino superior. No Sudeste, a proporção chegava a 43,7%.

Como pensar num País gigante com uma geração de jovens tão despreparada? Com esse penoso cenário da educação brasileira e sua má qualidade de ensino, fica evidente o tamanho do desafio que o País enfrenta, quer na inclusão, em termos de escolaridade, quer no avanço profissional.

Para reforçar e comprovar a nossa ineficiência educacional, o relatório “Educação para Todos 2006 – Professores  e Educação de Qualidade”, lançado em 25 de abril de 2006 pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, mostra que o Brasil é, na América Latina, um dos países com menor grau de formação de seus professores.

Segundo o relatório, os professores de 1.ª à 4.ª série (92%) têm apenas o magistério, definido pela Unesco como ensino médio completo, mais 1 ou 2 anos de estudo. Apenas Nicarágua e Panamá, entre os países da América Latina, estão na mesma situação que o Brasil. A Argentina tem 67% dos seus professores do primário com ensino superior; o Chile, 92%.

Embora a qualificação dos professores vem crescendo, a pesquisa coloca o País junto com a Indonésia e Egito, países que precisam de um grande esforço para garantir que os professores primários tenham ensino superior.

O Brasil continua entre os países com maiores taxas de repetência do mundo, 21%, igual à da Eritréia e Moçambique, maior que a de Ruanda e Lesoto. “A repetência reflete más condições de ensino e aprendizagem e aumenta a pressão sobre os professores e sobre os recursos nacionais”, diz o relatório.

Dar uma boa formação aos professores para melhorar o nível de ensino continua sendo uma batalha nacional. O Brasil vai precisar de mais 396 mil professores até 2015 para manter o atendimento no ensino básico, para assegurar a universalização. O que se constata é que o número de alunos no ensino básico vem diminuindo, assim como a quantidade de crianças em idade escolar, por causa da queda da mortalidade.

Quanto ao salário dos professores, encontramos problemas, embora, quando comparado com outros 11 países da América Latina e Caribe, que têm dados nacionais, o Brasil não está mal, mas perde de longe para o México, país que tem economia semelhante à nossa.

O relatório da Unesco conclui que os professores são poucos, ganham pouco e sabem pouco. Esse relatório é um estudo comparativo sobre a qualidade de ensino e as necessidades globais, que se enfrentarão até 2015. Dos 142 países avaliados, o Brasil está entre os que apresentam os piores resultados, abaixo do Haiti, tido como a nação mais atrasada das Américas.

A distância do preparo que necessitam as novas gerações, para colocar o País em condições de vencer, é muito grande, tornando-se, a cada passo, mais complexas!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2006)

DESCOMPASSO ENTRE A PROPOSTA DE CICLOS E O ENTENDIMENTO PREDOMINANTE

Izabel Sadalla Grispino *

Parece haver unanimidade sobre as vantagens do sistema de ciclos para a aprendizagem, visto como metodologia, que atrela ao ensino o desenvolvimento infantil. A sua proposta está embasada em Jean Piaget, na qual o desenvolvimento infantil ocorre por fases. Adapta-se o processo de construção do conhecimento a essas fases da criança. Os ciclos, coincidindo às fases do desenvolvimento, aumentam as possibilidades de aprendizado, pois o ritmo das crianças é respeitado. Traz a possibilidade de o aluno aprender de acordo com seu ritmo, no espaço de 2, 3 ou 4 anos. Também, nesse processo, levam-se em conta os conhecimentos que as crianças trazem de casa, da convivência social.

O aluno recebe um atendimento diferenciado; acompanham-se as deficiências individuais. É um processo que visa garantir a permanência e o aprendizado dos alunos com a propositura de poder haver reprovação ao fim de cada ciclo. Ele vem acompanhado de uma estrutura – recuperação paralela, aulas de reforço, recuperação no período de férias – que deve permitir a recuperação das defasagens. A coerção, a reprovação são substituídas por outros mecanismos, que se transformam em novos estímulos.

É uma proposta inovadora, mas que requer condições especiais para a sua aplicabilidade, principalmente mudança de mentalidade. Traz como uma de suas bases de sustentação o atendimento individual ao aluno.

Na prática, o que se constata é que os ciclos não foram assimilados pela grande maioria dos professores. O que poderia significar um salto para o futuro está criando confusão, desorganizando a escola. Também, não está havendo boas condições de trabalho, especialmente quando se fala em superlotação das classes. Como fica o atendimento individual, requerido pelo ciclo, nesse caso? Há um outro agravante, que deve ser revisto. A nova legislação garante a aprovação do aluno, caso freqüente 75% das aulas durante o ano. O cálculo é feito a partir da presença nas aulas de todas as disciplinas e não em cada uma individualmente. Desse modo, o aluno pode perder todas as aulas de uma disciplina e, mesmo assim, avançar para a série seguinte.

A mudança do sistema seriado para o de ciclos foi rápida, arrojada. Foi uma transição brusca, os professores não foram preparados para ela. A mudança não foi discutida pelos professores, que, em conseqüência, não incorporaram suas necessidades. Não foi feito um levantamento mais criterioso das condições de ensino, constatando-se falta de instalações, como bibliotecas, laboratório, salas disponíveis para aulas de reforço, quando, muitas vezes, o aluno é obrigado a fazer o reforço em outro prédio, outra localidade e nem sempre com o mesmo professor, o que descaracteriza a continuidade do processo.

Por um conjunto de fatores, o ciclo está sendo mal aplicado, mal entendido. O próprio professor admite seu despreparo para trabalhar conforme os novos parâmetros, surgindo, assim, um descompasso entre a proposta de ciclos, em sua progressão continuada, e a mentalidade predominante na rede escolar.

De acordo com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), a avaliação, realizada em sua 1.ª fase no ano de 1997, revelou vantagens em relação às demais séries do ensino fundamental, nos agrupamentos das 1.ªs e 2.ªs séries do ciclo básico. Acontece que em 1984, na fusão da 1.ª e 2.ª séries houve todo um aparato preparatório para os professores da rede estadual de ensino. Os professores foram treinados para entender e aplicar o processo ensino-aprendizagem do ciclo, o que não ocorreu em 1997, quando da ampliação desses ciclos. Aliás, o passo foi bem mais ousado. Poder-se-ia caminhar nessa direção, mas, mais calmamente, ampliando o 1.º ciclo, de 1.ª e 2.ª séries, para um segundo, que seria de 3.ª e 4.ª séries. Formar-se-iam dois ciclos de 1.ª à 4.ª série, com um prazo para apurar, em avaliações, o resultado obtido.

Não teria sido conveniente primeiro reciclar o professor, melhorar sua atuação, mudar-lhe a cabeça, para depois lançar, na prática, as propostas renovadoras? Não estaríamos, hoje, conseguindo melhores resultados, caminhando com mais segurança para o futuro?

Sabemos que a reprovação nem sempre significa garantia de melhor aprendizagem, especialmente se o aluno a encarar como um castigo. O aluno, com mais idade, sente-se deslocado no seu grupo, podendo regredir ainda mais. Nesse sentido,  a  progressão  continuada  é  melhor do que submeter o aluno a sucessivos fracassos.

Não queremos voltar à “cultura da repetência”, época em que era considerado o melhor professor aquele que mais reprovava, mas também não podemos criar a “cultura da aprovação”, quando a aprovação em massa poderá ser, em contrapartida, um desestímulo ao bom aluno, que não percebe critério, justiça, além de proporcionar, ao mau aluno, um desrespeito a si mesmo e à aprendizagem não ocorrida. Independentemente do sistema adotado, é preciso educar para a auto-estima. Compreender as raízes sociais do fracasso, como a desestruturação da família, a miséria... e ajustar-se a elas, lutando pelo êxito da criança, afastando-a do fracasso.

O governo argumentou, em 1998, que a política de acabar com a repetência, introduzida na rede pública, reduziu as perdas do sistema de R$ 700 milhões para R$ 350 milhões. Eu me pergunto: se esses milhões fossem empregados na formação do professor, na infra-estrutura da escola, não se conseguiria, a médio prazo, um resultado mais contundente, mais duradouro, em termos de repetência e de qualidade de ensino?

Ilustrando esta minha observação, citarei a conduta tomada pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, quando da implementação, no início da década de 70, dos Guias Curriculares referentes às matérias do núcleo comum, elaborados de acordo com as normas traçadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) n.º 5.692, promulgada no ano de 1971. A primeira preocupação da Secretaria foi a de capacitar os professores, fazê-los conhecer o conteúdo, a metodologia, a filosofia, da nova proposta; levá-los a discuti-la, a situar a teoria, em estudo, na sua prática diária, para somente depois, com os professores já treinados, lançar os “guias” na rede oficial, em caráter facultativo. Mesmo sendo facultativo, a acolhida foi geral. Avaliações posteriores revelaram um resultado positivo surpreendente.

A proposta do ciclo básico é boa, pedagogicamente correta, mas, para que a progressão continuada venha a representar um avanço, é preciso investir maciçamente na formação do professor e em suas condições de trabalho. Do jeito que está sendo aplicada, mais parece uma tentativa de mascarar o problema da repetência no país.

Deve haver articulação entre as diversas instâncias dos poderes federal, estadual e municipal. O professor precisa ser ajudado, mas, na seqüência, também se ajudar, somar esforços para que o aluno aprenda. É ele, o professor, o responsável para que o bom ensino aconteça. É, pois, necessário dar condições a que ele garanta a aprendizagem, para não correr o risco de se despejar no mercado de trabalho, nas portas das universidades, levas de despreparados, de analfabetos funcionais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2000)

ASPECTOS DE UMA BOA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

A boa escola fala a língua de seus alunos. Na boa escola, cada aluno é respeitado por sua individualidade. As aptidões são respeitadas. Se o aluno gosta de esportes, de participar de competições esportivas, terá oportunidade de praticá-los; se gosta de arte, de música, se quer ser um artista, poderá desenvolver seu talento, encontrando campo apropriado; se tem tendência literária ou científica, encontrará, nessa linha, significativos desafios, condições para participar de olimpíadas culturais. Se for uma escola de ensino médio e quer se aprofundar nos estudos, além das possibilidades relacionadas acima, o aluno encontrará um currículo montado para prepará-lo, seriamente, para o exame vestibular.

É a escola da individualização da interatividade, a escola da responsabilidade, aliada à escola do prazer, do desenvolvimento das potencialidades. Essas são as escolas que mais se aproximam do aluno e o colocam no mundo de hoje, estruturado em suas próprias bases, estruturado na escola do pensar.

O grande educador Matthew Lipiman diz: “O pensamento está se tornando o verdadeiro fundamento do processo educacional e a educação construída sobre qualquer outra fundação será superficial e estéril”. O pensamento desenvolvido leva à vocação, leva à realização interior. Antes de colocar a educação numa vala comum, é recomendável examinar cada indivíduo, cada anseio, cada desejo embutido na personalidade. Escola é um suporte pedagógico vital para o crescimento individual, crescimento de valores voltados ao ser singular.

A boa escola orienta os alunos em métodos de estudo, ensina aprender a aprender. A dedicação, por exemplo, é considerada o grande método para quem deseja aprender. Ensina que ser dedicado significa trabalhar alguma coisa com determinação para atingir o objetivo. A motivação é uma grande aliada da dedicação e ela vem de várias maneiras, visto que cada aluno capta melhor o conteúdo de forma diferente. Há alunos que aprendem todo o conteúdo em sala de aula, outros necessitam revisar a matéria em casa, outros precisam de reforço. Assim, a escola deve observar o ritmo, o perfil de cada aluno para um melhor aprendizado.

A escola não pode deixar de entender e trabalhar, também, os transtornos da aprendizagem, desde a educação infantil. A criança, ao se incorporar à sociedade, ao mundo da cultura, do saber, das emoções, deve desenvolver, conjuntamente, sua auto-estima, sentir-se verdadeiramente capaz. Um importante passo para desenvolver a auto-estima é a aceitação das diferenças entre as pessoas. Aceitação por parte de quem ensina e de quem aprende, respeitando as manifestações individuais, as características pessoais, criando, desse modo, um bem-estar geral.

A escola e a família não devem desencorajar a criança, a ponto de prejudicar-lhe o processo de desenvolvimento da auto-estima, quando, então, a criança se tornará um adulto incapaz de responder, adequadamente, ao convívio social, incapaz de encarar o insucesso, e partir para novas situações, novas experiências. Importante salientar que a criança é um ser biopsicossocial, cujas interações são de grande complexidade. Situações positivas de interação social favorecem, como explica a ciência, a produção de neurotransmissores cerebrais e a formação de sinapses indispensáveis à aprendizagem.

Uma criança com dificuldade na aquisição do conhecimento, na leitura, na escrita, na matemática, na linguagem ou outras disciplinas, deve ser avaliada por um conjunto de fatores, como por suas potencialidades, seus limites, mas dentro do enfoque contextualizado da sua família, da escola e da sociedade. Estes contextos, bem entendidos e bem trabalhados, ajudam na diminuição das alterações na aquisição do conhecimento, especialmente quando se observa a questão do desenvolvimento da auto-estima. Não se pode ignorar a influência do contexto sobre os transtornos de aprendizagem.

Nas dificuldades de aprendizagem deve haver uma preocupação com as ações preventivas e precoces, dentro de um enfoque global, abrangendo os diferentes meios em que a problemática se apresenta. Deve-se ir além da avaliação centrada unicamente nos transtornos de aprendizagem de seus alunos, trabalhando as relações mais amplas desse aluno em seu contexto familiar, social e educacional. Conhecer a realidade do aluno, seu modo de vida, sua família, seu círculo de convivência, são caminhos para a superação desses transtornos.

A boa escola não vira as costas para essa abrangência de situações, ampliando suas possibilidades de atuações, potencializando os resultados de sua intervenção. A boa escola prepara o aluno para responder às exigências do momento atual, tendo a preocupação de desenvolvê-lo dentro de suas características pessoais, de dar às novas gerações uma boa formação científica e humanística, respeitando os padrões de qualidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2004)

EDUCAÇÃO E SAÚDE

Izabel Sadalla Grispino *

O artigo de hoje é uma homenagem ao dia 12 de outubro, Dia da Criança, a esse raio de sol que ilumina os corações dos homens e traz esperança de um futuro sorridente, mais acolhedor, mais próximo de Deus.

Presentemente, uma das grandes preocupações com a saúde é a obesidade infantil. Comprovam as estatísticas que a criança gorda será um adulto gordo.

A obesidade, além de roubar energias para a prática esportiva, traz, já na infância, problemas de colesterol, triglicérides e até complicações coronárias, agravando-se à medida que o tempo passa, afirmam os especialistas. É preciso haver exercícios diários e controle de peso.

A ciência comprova a força dos alimentos naturais na promoção da saúde, na qualidade de vida. Surge a expressão alimentos funcionais, alicerces de uma dieta equilibrada.

Não é fácil a uma criança deixar de comer o que gosta, principalmente, chocolate, sorvete, batata frita, coxinha, croquete, pastel, frituras em geral. Tem que haver, por parte dos pais, uma intervenção sábia e cautelosa. Conversar, explicar, conscientizar, mas, para essa faixa de idade, o que parece plausível é uma substituição gradativa, na qual a criança não sinta corte pesado.

Dizem os nutricionistas que nada é proibido, desde que os itens saudáveis superem de longe o número dos não saudáveis. Não é preciso abrir mão das guloseimas, mas saber dosar, saber comer.

As pesquisas vêm mudando certos conceitos. O pão, por exemplo, já ocupou lugar privilegiado na pirâmide alimentar. Sustentava a sua base, mas, agora, sabemos que o pão de farinha branca, como o pão francês, tem um nível glicêmico alto e o açúcar é rapidamente absorvido como gordura subcutânea (sob a pele), não dá tempo para digerir. Ele tem, também, uma saciedade menor, logo se está com fome, de novo. Deve-se comer, de preferência, pão integral.

A quantidade aumenta de acordo com a idade. Quem tem mais de 8 anos, por exemplo, deve comer duas fatias de pão, em vez de uma. As cores dos alimentos, também, são importantes, sinal de alimentação equilibrada, de vitaminas variadas: cenoura, rabanete, alface, tomate, pepino..., cores diversificadas.

Quando o alimento for perecível, como queijo e derivados ou sucos, deve-se colocar nas lancheiras das crianças, mesmo nas térmicas, uma bolsinha de gelo.

Sugestões da nutricionista Maristela G. de Sá Francisco para o lanche:

  1. Fruta ou uma porção de carboidrato.

Exemplos:

● 1 fatia de pão, de preferência integral;

● 1 bisnaguinha (de soja ou integral);

● 4 bolachas (sem recheio);

● 1 fatia de bolo (35 g) do tipo formigueiro ou de cenoura (sem cobertura).

b) Uma fonte protéica.

Exemplos:

● 1 fatia de peito de peru;

● 1 fatia de presunto magro;

● 2 fatias de blanquet ou similar.

c) Um laticínio.

Exemplos:

● 1 queijinho do tipo polenguinho ou 1 fatia de queijo minas (30 g);

● 1 iogurte (190 ml).

Observação: 1 iogurte com cereais já soma os itens necessários, pois tem laticínio, proteína e carboidrato.

Quando o lanche tem requeijão ou queijo, deve-se incluir água-de-coco ou suco de caixinha.

Mediante esse modelo, os pais podem variar dentre os alimentos funcionais que compõem a pirâmide da boa alimentação, quais sejam (a partir da base para o topo da pirâmide):

● Alimentos integrais, na maioria das refeições;

● Azeite ou óleos vegetais;

● Verduras e legumes, à vontade;

● Frutas, 2 ou 3 vezes ao dia;

● Laticínios ou suplementos de cálcio, 1 ou 2 vezes ao dia;

● Peixe, frango e ovos, até 2 vezes ao dia;

● Castanhas, amendoim, feijão, ervilha, grão-de-bico, de 1 a 3 vezes ao dia;

● Carne vermelha e manteiga, consumidas moderadamente;

● Arroz branco, pão branco, batata, macarrão e doces, em consumo moderado.

Que os pais se alertem para a necessária alimentação saudável, desde a tenra idade da criança.

 

AO PROFESSOR E AO MÉDICO

Dois grandes sentidos, duas grandes datas, para a humanidade se aproximam: 15 de Outubro, “Dia do Professor”, e 18 de Outubro, “Dia do Médico”.

Educação e Saúde são os dois baluartes da vida humana. Educação forma para o bem viver e Saúde prolonga e ampara esse viver. Sem esses dois ingredientes a vida se perderia num labirinto, caminharia por ruas sombrias, sem luz. Perderia sua estrutura definida, sem bases humanístico-científicas, enveredando-se para o caminho das paixões, para o desfecho das contradições, na perda do equilíbrio.

Exalto, em forma de versos, os dois expoentes da vida: o Magistério e a Medicina, nas pessoas do Professor e do Médico:

 

MAGISTÉRIO E MEDICINA

(Louvores ao 15 e ao 18 de Outubro)

Todas as profissões têm no magistério

Seu ponto de articulação,

Após os 1.ºs passos, segue os próprios critérios,

Cada uma cumprindo sua nobre missão.

Magistério é tronco em ramificações,

Sua estrada tem começo, mas não tem fim,

Sustenta a linha divisória das profissões,

É vibração que circula em anéis de marfim.

Magistério é educação, é saúde,

É astro que irradia com convicção,

Ensinamento, que vai do berço ao ataúde.

A educação tem no magistério a força, o caminho,

A saúde tem na medicina o sol, a lua,

Não haveria o amanhã, sem a união das duas!

 

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em outubro/2005)

QUEM SALVARÁ NOSSAS ESCOLAS PÚBLICAS?

Izabel Sadalla Grispino *

A cada período letivo aumenta o abismo existente entre a escola particular e a escola pública. As boas universidades, em seus bancos escolares, tornam evidentes a discrepância e a sociedade, com sua peneira, vai premiando os melhores formados.

A distância, entre o bom e o mau ensino, abrange todos os aspectos educacionais: dos conteúdos, das atitudes, dos comportamentos. O bom ensino dá uma visão ampliada e sedimentada dos assuntos e torna as faculdades  mentais  bem mais desenvolvidas.

Como se isso não bastasse, a escola particular ganha em disparada no ensino da informática, onde na pública o fosso é profundo. Enquanto a rede particular se aprimora, avança em tecnologia, a pública inicia os inseguros primeiros passos. As escolas oficiais começam a receber os primeiros computadores para a criação de suas salas de informática. As particulares montam projetos, envolvendo novas tecnologias na educação e já contam com laboratórios especializados, aulas em 3D e CD-ROMs para os alunos complementarem os estudos em casa. Incluem, em suas apostilas de matérias, um CD-ROM, que lhes permite fazer os trabalhos, com as animações, vídeos e exercícios do CD.

Os próprios alunos da rede particular, que já utilizam computadores e softwares em suas casas, exigem o uso da tecnologia na escola. As escolas buscam adaptar-se à realidade digital, vivida pelos alunos, utilizando recursos de informática e engenharia.

As grandes escolas vêm criando o Laboratório Veicular de Estudos de Aceleração e Dinâmica, uma espécie de sala de aula móvel, que vai permitir que alunos e professores vivenciem experiências do estudo da física concreta, prática e sensorial. A física deixa de ser só teoria, algo abstrato para o aluno. Durante a experiência, o professor vai relatando o que os alunos estão vivenciando.

Além do laboratório, já utilizam a Aula do Futuro, um misto de cinema, sala de aula e simulador da realidade virtual. Como se estivesse assistindo a um filme, o aluno navega, por exemplo, pelas células na aula de biologia, tendo a impressão de estar dentro dela.

Que atalhos tomar para redimir nossas escolas públicas? Experiências auspiciosas, em países avançados, vêm surgindo do mundo empresarial privado.

A concepção de organização e de administração escolar vem mudando, evoluindo para o modelo empresarial. Vêm-se firmando critérios e conceitos diferentes na área educacional. Formam-se companhias que vendem instrução de boa qualidade a preços competitivos, com ações bem cotadas na bolsa. Administram com critério empresarial privado, revertendo situações tidas como bastante precárias.

Essas empresas oferecem benefícios aos acionistas, vendendo um serviço, a educação, e entrando num mercado em que vai competir com as melhores escolas ou as melhores universidades do País. A maior arma utilizada é a qualidade de ensino. Compatibilizam os objetivos gerais da educação com as peculiaridades individuais dos alunos, mantendo forte correlação entre o que se aprende na escola e o que a sociedade quer e exige. O ensino é ministrado por um corpo docente de nível e com modernos métodos pedagógicos.

Os procedimentos administrativos são iguais a qualquer empresa sujeita à concorrência. O professor que não corresponder, que não conseguir obter o rendimento esperado, é despedido. O mesmo acontece com o reitor ou com os decanos e, também, com os alunos repetentes, indisciplinados ou agitadores.

A escola-empresa ou a universidade-empresa primam pela boa formação do aluno, pela entrega ao mercado de trabalho de um profissional preparado, competente. Vem tendo resultados animadores,  demonstrando  que, na superação do desastre educacional, os métodos de gerenciamento de mercado, separando o Estado da gestão direta das escolas, são vistos como salvadores.

A mídia tem divulgado experiências educacionais que colocam esperança no apagado horizonte da nossa educação pública. Exemplo é dado pela companhia Edison Schools, de Nova York, que organiza e administra escolas públicas ou particulares, desde o jardim da infância até o 2.º grau. A fim de manter e melhorar ainda mais os níveis de ensino, a companhia aprimora o processo pedagógico, treina continuadamente os professores, atualiza o currículo, impõe ordem, disciplina e aumenta a duração das aulas.

As escolas são mantidas com o mesmo orçamento então destinado, pelo governo, às escolas oficiais, quando eram administradas pelo setor público. O valor das verbas, o custo, não se alteraram. A diferença vem na eficiência da utilização dos recursos. A escola-empresa compete com as boas escolas particulares e ainda ganha dinheiro para dividir com os acionistas.

Os resultados conhecidos revelam que “os alunos das escolas Edison estão entre os mais preparados do país. Onde antes eram escolas consideradas como depósitos de alunos repetentes e professores desmoralizados, hoje se erguem instituições limpas, eficientes, obcecadas pela busca de excelência”. As escolas da companhia Edison firmam-se, já são uma realidade, não mais um projeto experimental, que em 1995 começou como uma escola-piloto. Hoje, controla 113 escolas públicas com 57 mil alunos.

Para um maior entendimento do assunto, leia-se o livro: “La Nueva Universidad”, de Luis Bustamante Belaunde, onde ele diz: “Se uma universidade quiser estar à altura e responder aos desafios de hoje, deve parecer-se mais com as organizações empresariais de amanhã do que com os velhos padrões de ontem”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2001)

O TRANSTORNO DA HIPERATIVIDADE NA CRIANÇA

Izabel Sadalla Grispino *

Na segunda década do século XX, houve um forte despertar sobre o estudo da criança. Sua forma de agir, sua evolução psíquica, aspectos fundamentais da personalidade. A cada dia, a ciência, a psicopedagogia, nos enviam recados. Registrei alguns aspectos que devem fazer parte do conhecimento da educação infantil, quer pela família, quer pela escola.

Vejamos o caso de crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), uma doença infantil, conhecida apenas como hiperatividade. É uma doença que causa uma agitação acima do normal, transtornos de aprendizagem, dificuldade de concentração e instabilidade emocional, entre outros sintomas. Os psicólogos a definem como doença neuropsiquiátrica, caracterizada, essencialmente, por distração, inquietação e baixa tolerância à frustração, que, geralmente, vem associada à impulsividade comportamental.

É comum essas crianças apresentarem dificuldades de atenção, percepção, planejamento e organização, além de falhas de comportamento. Essas dificuldades podem causar prejuízos na formulação de sentenças, tarefas que envolvem memória seqüencial, percepção viso-especial, síntese de idéias e coordenação motora.

O psiquiatra Ênio Roberto de Andrade diz que a criança se distrai com tudo, não consegue avaliar o que é mais importante, porque o cérebro trabalha mais lentamente. Ele é o fundador do Ambulatório para TDAH do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), primeiro ambulatório especializado no Brasil. Nesse serviço, a criança é encaminhada para tratamento, que, geralmente, envolve a administração de medicamentos estimulantes, para que o cérebro volte à atividade normal. “Dependendo do caso, também é indicada terapia individual, familiar ou acompanhamento de um fonoaudiólogo”.

Segundo Dr. Ênio, o TDAH atinge de 3 a 5% da população mundial, de acordo com os estudos internacionais. Acomete, porém, mais em meninos que em meninas. No ambulatório do HC, são nove casos em meninos, contra uma ocorrência no sexo feminino (out. de 2004). Por definição, esse distúrbio aparece por volta dos 7 anos e afeta pelo menos duas outras áreas da vida infantil escolar, como o convívio social e familiar.

Hiperatividade não é uma doença associada à deficiência na inteligência. Há casos de hiperativos com inteligência bem desenvolvida. A principal causa apontada por especialistas é o fator genético. Geralmente, o pai da criança hiperativa também já apresentou a doença. Raramente, o TDAH pode estar relacionado a traumas no sistema nervoso, devido a algum acidente em que a criança tenha sofrido um choque na cabeça. Tabagismo e álcool durante a gravidez aumentam o risco, de duas ou três vezes, de a criança, já propensa, adquirir a doença, diz o Dr. Ênio.

A necessidade de medicamentos deve ser avaliada individualmente por profissionais credenciados, para não produzir efeitos negativos, quando o humor da criança pode vacilar da euforia alegre para um estado de muita tristeza, beirando à depressão. A gravidade também se acentua em escolas despreparadas para lidar com o problema. Escolas que, por desconhecer a doença e a melhor forma de educar essa criança, através de broncas e constantes observações pejorativas, acabam por provocar queda na sua auto-estima.

A escola com atendimento às crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) deve ter uma metodologia especial, professores preparados para lidar com o quadro hiperativo.

Há casos de descontrole emocional da criança, que embora, às vezes, beira ao patológico, geralmente não têm nada a ver com anomalias de comportamento. É o caso da birra, crianças que se jogam no chão aos berros por querer algo que a mãe está negando, seja em casa, numa loja de brinquedos ou na rua. Provoca constrangimentos aos pais, quando a criança grita cada vez mais alto, chora, soluça.

Em muitas situações, a birra é comum e inevitável. Logicamente que há motivações, graus e dimensões diferentes, mas, normalmente, faz parte do processo de desenvolvimento da criança. Dizem os psicólogos que é errado seguir para o lado da avaliação moral, acusando a criança de ser mal-educada. Estamos no domínio do sofrimento psicológico. Não mimar muito a criança, ponderar, dialogar em diversas situações são aconselháveis. A birra expressa o sentimento de impotência perante o adulto, é conseqüência da intolerância. Através da birra é possível avaliar a capacidade da criança para tolerar a contrariedade, até que ponto ela sabe lidar com as frustrações. Quando ajudada a resolver o sentimento frustrante, a birra passa.

A psicologia fala nos primeiros desafios à autoridade, aos 18 meses. Nesse período, a criança é totalmente egocêntrica, não sabe dividir seus pertences, nem seu espaço com ninguém. Não deve ser forçada a dividir, porque ainda ela não entende. É momento para se começar a apresentar alternativas, como trocar um brinquedo por outro, fazer um desenho, ao invés de jogar, mas de uma maneira que não pareça uma substituição. Com um ano e meio, a capacidade de concentração da criança é muito pequena. Diante da birra, não adianta forçar ou colocá-la de castigo, porque ela não entende. O melhor a fazer é explicar o que se faz, o que não se faz e dar o porquê.

Aos dois anos, a criança já entende o que o adulto lhe diz e aos três anos já sabe distinguir o certo do errado. Mas, se a birra continuar, dos três aos cinco anos as estratégias das crianças, para enfrentar os adultos, são intensificadas. Diante da contrariedade, crianças explodem e chegam a bater nos adultos. Tornam-se temperamentais e descontrolam os pais.

Os pais ao ceder fortalecem, na criança, a capacidade da manipulação, afastando-a da capacidade de aceitação, de equilíbrio. A birra pode traduzir situações delicadas que devem ser encaradas com naturalidade e ponderação, ensinando a criança a lidar com o sentimento de frustração.

A hiperatividade e a birra são dois aspectos importantes a serem considerados no desenvolvimento da criança pela Educação Infantil.

MEMÓRIA E PROCESSO PEDAGÓGICO

Izabel Sadalla Grispino *

Os avanços da ciência sobre o funcionamento do cérebro continuam clareando o procedimento pedagógico. No cérebro humano, dizem os cientistas, a memória vem em primeiro lugar.

A memória retém informações, arquiva-as e elas surgirão quando as apelamos. Divide-se em memória declarativa e memória processual. Declarativa, quando nos lembramos de algo, de algum acontecimento, de um número de telefone, de um nome..., e processual, quando ligada à habilidade de se fazer alguma coisa, por exemplo, andar de bicicleta.

Na memória declarativa, gravamos informações com mais facilidade, mas, também, com o tempo, esquecemos mais depressa. Na memória processual, a dificuldade para gravar é maior, mas, depois que aprendemos como se faz, como a coisa se processa, dificilmente esqueceremos. São exemplos: dirigir, ler, escrever, contar...

Inteirando-me das características e funcionamento da memória, passei a relacioná-los ao processo pedagógico, visto ter aí encontrado forte sustentação da metodologia renovada apregoada para o ensino-aprendizagem.

A escola utiliza-se bem mais da memória processual, que é onde se realiza, onde se constrói o conhecimento. Essa memória vai, aos poucos, gravando os passos adquiridos, em direção ao conhecer. Ela vem referendar o método construtivista, quando a criança, para chegar ao conhecimento, observa, manuseia, experimenta, analisa, formando conceito do assunto visado. É ela quem vai propiciar a interiorização, a formação das habilidades, quem desenvolve as faculdades de pensar, criar, inventar, agir...

A memória processual, em sua função, confirma a característica imprimida à aprendizagem, em termos de praticidade. Precisa ser prática, dar ao aluno a oportunidade de elaborar, de criar, ele próprio, o conhecimento. Hoje, a metodologia privilegia a autonomia na aprendizagem, a auto-educação, o caminho da ida e o caminho da volta, num processo de reversibilidade do conhecimento, enfatizado por Jean Piaget.

A memória processual consolida o preceito educacional de fazer do aluno o agente de sua aprendizagem. É o esforço próprio, a persistência que vai levar à fixação do conhecimento. É como diz Pedro Demo: “Tem que ralar, tem que maiar”.

Um outro prisma da memória é que ela pode ter curta ou longa duração. Curta, quando guardamos na lembrança por pouco tempo, havendo, nesse caso, um limite em reter as informações. Para uma memória longa, melhor, para que retenha algo por mais tempo, é preciso treinar muito e repetir bastante.

Essa é uma outra confirmação do que a escola já fazia empiricamente, ou seja, a importância, na aprendizagem, da repetição, dos exercícios continuados na seqüência do currículo, da utilização do processo de retorno ao assunto, de tempos em tempos, para que haja uma boa fixação da matéria.

Um fato interessante da memória é que ela não é um tipo de órgão, glândula ou coisa parecida e nem está localizada em local determinado no cérebro. A memória, confirma a ciência, é uma reação biológica e psicológica que acontece dentro da cabeça. Daí a importância de aliar a pedagogia à psicologia. De se ressaltar, no ensino-aprendizagem, os estímulos, o interesse, de despertar a confiança, trabalhar a auto-estima, considerar, em cada aluno, o seu limite, o seu potencial, as suas virtualidades e o seu ritmo. Estes são os fatores que garantem a ausência do fracasso. Todo professor sabe que, ganhando a afetividade e a confiança do aluno, ele já está ganhando uma porcentagem alta na aprendizagem. Esta surge em decorrência.

Há, contudo, o chamado lobo temporal – um pouco acima das orelhas – caracterizado pelos cientistas como um importante reservatório de acontecimentos passados. Esse lobo temporal costuma ser muito ativado na idade adulta, razão pela qual os idosos lembram de coisas muito antigas. Há, também, o neocórtex temporal, que se acredita ser a região envolvida com a memória longa e memória declarativa.

O que surpreende é a extensão da memória, que chega até a amígdala, região da garganta, que tem, inclusive, importante função.

A cada passo vamos percebendo os fundamentos científicos dos métodos ativos, consagrados pela nova escola. Eles  não  trazem  apenas  o resultado  de uma observação contínua, de uma comprovação prática de seu uso no dia-a-dia, mas o resultado de pesquisas científicas, da lógica racional.

Ao abordar o tópico “Métodos ativos para a aprendizagem”, no meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), na pág. 243, eu digo: “A escola não se sustenta mais como transmissora, ela deve ser construtora do saber. A disciplina não é mais imposta, mas discutida e estabelecida juntamente com os alunos.

Os métodos ativos são uma necessidade da nossa época. Não são novos na literatura pedagógica. Ao longo dos tempos, eles vêm sendo citados, mas pouco usados. Não havia uma conscientização geral de sua aplicabilidade. Hoje, porém, são indispensáveis, consagrados. Eles começaram a se despontar, com mais vigor, no final do século XVIII”.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em setembro/2005)

Caixa de texto: Clique para voltar ao sumário* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em setembro/2005)

QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Um grande objetivo hoje é educar com a paz. Trabalhar o sentimento de paz, tê-la como companheira, como conselheira. Um conceito toma conta dos meios educacionais: “Educar é acreditar na vida e ter esperança no futuro; é semear com sabedoria e olhar com paciência”. Esse olhar leva à paz.

Educação envolve a árdua tarefa de penetrar nos domínios da inteligência e da emoção. É caminhar com cautela nesses territórios. Hoje, a ciência fala em inteligência como fator genético, cujo desenvolvimento se favorece com o contexto cultural. Genética e ambiente devem andar de mãos dadas com conhecimento e incentivo. Cada vez mais, temos elementos para nos colocar, com mais precisão, frente ao aluno.

Entre as práticas pedagógicas ressalta-se o diálogo; em sala de aula a disposição em U ou semicírculo. Ressalta-se o pensamento de que educar é criar idéias, é cativar e não repetir palavras. Não é um manual de regras, é aproximação, é abraço, é liberdade e encorajamento à construção da própria história.

Educar é compreender o momento do estudante, compreender o momento social, o crescimento da violência e da alienação. A velocidade do pensamento do jovem e do adulto há um século era bem menor que a atual. Surge daí a necessidade de criar um novo modelo de educação. No passado, o conhecimento duplicava a cada dois séculos. Hoje, duplica a cada cinco anos, constatam as pesquisas. O excesso de conhecimento, associado aos estímulos da TV, à competição acirrada, forçou de maneira assustadora a produção de pensamentos, podendo levar ao estresse.

Para tanto, é preciso educar a emoção, educá-la com inteligência, ensinando os alunos a pensar antes de reagir. Ensinar os alunos a serem pensadores e não reprodutores de informação. Educá-lo a pensar e a acreditar na sua transformação, na sua capacidade cognitiva.

Hoje, consideramos que, para a educação ter qualidade, talvez, o principal seja propiciar aos alunos autonomia intelectual e espírito inquiridor. Desenvolver uma cidadania consciente, em que a obtenção de respostas, às perguntas, seja feita de forma independente de professores e na possibilidade de o aluno ser capaz de estar permanentemente fazendo perguntas.

O hábito de leitura, por prazer, é outro caminho importante a ser contemplado numa educação de qualidade. A leitura ajuda os jovens a formularem seus próprios julgamentos, a alcançar melhor as atividades que a escola apresente e depois o mercado de trabalho. É preciso que a leitura se constitua num lazer saudável e não só na busca do saber acumulado pela humanidade. A construção do prazer na leitura é, contudo, dificultada pelo próprio contexto escolar, onde 60% dos professores no Brasil não têm o hábito da leitura, conforme dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Estimular a criação de bibliotecas municipais, atualizadas, introduzir na grade curricular semanal uma hora de leitura por prazer, podem ajudar. Porém, o mais importante é capacitar os professores para um trabalho mais competente com a leitura, tornando-os leitores. É voz corrente de que se os mestres gostarem de ler, freqüentarem bibliotecas públicas e fizerem dos livros companheiros de viagem, a grande probabilidade é que seus alunos também o farão.

Essa  é uma cruzada que não pode ser relegada, nem postergada, se quisermos uma educação de qualidade. Índice demonstrado em avaliações do Ministério da Educação (MEC) é de que 30% das crianças chegam à 4.ª série sem saber ler.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ministério da Educação (MEC), desde 1997,  passam orientação do que deve ser enfatizado em cada segmento de ensino, mas a forma e a complementação são de competência da escola, que deve ajustar o seu ensino às características do momento social. A escola precisa, acompanhando o movimento atual, envolver-se em discussões sobre como desenvolver nos jovens coração e mente, emoção e objetividade, para que venha acontecer melhoria sustentável na educação. A escola, desenvolvendo competências e habilidades,  aspectos cognitivos de caráter geral, garante que os avanços obtidos não sejam perdidos no tempo.

A educação precisa entrar na agenda do País; os países desenvolvidos cresceram educando a população. A única idéia-força capaz de levar o País a um avanço histórico é a revolução da qualidade da educação. Essa colheita, infelizmente, o Brasil não está colhendo, porque não está semeando acertadamente.

O social que muda uma sociedade é a escola nota 10. A grande libertação do povo faz-se com lápis e caneta, não com assistencialismo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2006)

CONFLITOS ENTRE ESCOLARES

Izabel Sadalla Grispino *

A presença dos pais na vida escolar tem significativo valor para os estudos dos filhos e para a vitalidade das instituições. Crianças e jovens que freqüentam a escola têm, como é natural, temperamentos diferentes, o que provocam constantes conflitos. Muitas vezes eles mesmos conseguem administrar o problema, sem interferência externa, mas há os que apelam para os pais.

Desentendimentos entre alunos são comuns e variam de intensidade de acordo com a faixa etária. Entre os pequenos, na faixa de 1 a 6 anos, o que mais surge são apelidos maldosos, puxões de cabelo ou brinquedos quebrados.

O período mais crítico fica por volta dos 12 aos 17 anos e, entre estes, dos 13 aos 16 anos, quando a sexualidade dos meninos está em ebulição. O jovem, para ser aceito no grupo, tem que se sujeitar às suas regras, ao seu modo de falar, de vestir. O grupo coloca à prova valores familiares e próprios e quem não se enquadrar na “tribo”, quem ousar ser diferente, é massacrado sem consideração.

Quando a intimidação, por parte de um colega ou do grupo, é sistemática, quando caminha para a violência física, pressão psicológica, ameaças freqüentes, ela provoca danos emocionais, baixa auto-estima, baixa autovalia, que é a capacidade de se avaliar em relação ao grupo, levando a problemas de rendimento escolar.

As agressões por causa de garotas são comuns e se restringem comumente ao próprio grupo. Mas, brigas também existem fora da escola, quando a convivência cria rixas. A intimidação é comum mesmo entre meninas. Cria-se competição no âmbito da aparência. Quem não estiver com a roupa da moda ou com o corpo esbelto pode ser excluída do grupo e vira alvo de gozação.

Casos mais graves, como brigas envolvendo drogas, roubos e discriminação, exigem intervenção imediata. Nessas circunstâncias, a escola atua com a família, junta pais e escolares envolvidos. Não é raro a escola perceber que o comportamento do estudante é reprodução do que aprendeu em casa. São os próprios pais que muitas vezes incentivam a intimidação, na filosofia do “bateu, levou”.

Um bom procedimento para a escola é professores e alunos elaborarem um texto em conjunto, propondo normas disciplinares. Escolas renomadas têm regras disciplinares bem definidas que constam na agenda dos alunos. Contudo, a escola pode intimidar o aluno ao ignorar sua cultura, sua bagagem social. Antes de punir, deve inteirar-se de sua origem, olhar a raiz. De onde vem esse aluno? Como é sua família? Daí a importância de uma gestão democrática, de uma participação efetiva dos pais na vida da escola.

É na fase em que a personalidade está se moldado que a escola precisa trabalhar na integração do grupo. Muitas escolas criam o “momento da roda”, quando toda a classe se reúne para conversar. Esse é um valioso momento para se educar: se um coleguinha é caçoado por causa de seus óculos, aparelho nos dentes ou jeito, aproveita-se para falar, por exemplo, da importância de respeitar o modo de ser das pessoas. Pais e professores devem fazer cada um a sua parte, ensinando a criança a respeitar o outro e acolher as diferenças.

No seio da família, também surgem conflitos, não acontece só no convívio escolar. As exigências do mundo moderno cresceram. A família tradicional vem passando por um processo de mudança. O papel dos pais começa a ser questionado. Pai e mãe trabalham fora e se sobrecarregam de atividades e, geralmente, não há tempo para criar um espaço comum, não há tempo para o diálogo. Uma convivência menor com a família reflete no rendimento escolar, no número de horas que a criança ou o adolescente passa em frente da televisão, criando ansiedade, deficiência de atenção, hiperatividade e atraso no desenvolvimento. Problemas emocionais, como depressão e estresse, acabam acontecendo e a grande receita é amor, carinho, atenção.

Os pais, num determinado período da existência, são as pessoas mais importantes na vida dos filhos. As crianças precisam de uma família, de relações afetivas. Isso traz segurança, fator fundamental ao bom desenvolvimento infanto-juvenil.

Tanto na escola quanto em casa, as crianças não podem ser tratadas todas da mesma maneira. Uma estratégia pode funcionar para uma e não para outra. A personalidade, a individualidade devem ser respeitadas. Por isso, nunca se deve fazer comparações. Deve-se dar meios para que as crianças desenvolvam o que têm de bom e para que sejam orientadas em relação aos defeitos. Perfeição não existe, portanto, dosar as exigências. As crianças precisam desenvolver experiências adequadas à sua idade. Olhar para elas em todas as suas dimensões: biológica, afetiva, emocional e moral de forma integrada para que todos os aspectos do desenvolvimento e comportamento infantil possam ser envolvidos.

As crianças precisam de disciplina, de limites que estruturem a sua vida e lhes tragam boas respostas às expectativas criadas. Educar não é bater, não é fazer prevalecer a vontade dos adultos. A criança precisa galgar experiência, ter segurança para fazer suas escolhas e ter responsabilidades sobre eles. Educar para a autonomia, não para a dependência.

Também é oportuno lembrar que não se deve sobrecarregar as crianças de atividades, para fazer uma série de cursos extracurriculares, como judô, balé, natação, inglês... Elas precisam ter tempo para ser crianças, brincar, aproveitar a infância, os melhores anos da vida.

São nos primeiros anos de vida que se constroem as bases do futuro e a criança precisa ter esperança no futuro. Pais e professores devem conviver com as crianças de modo a integrá-las no meio em que vivem, a criar com elas cumplicidade e fortalecer os laços afetivos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2003)


HABILIDADES DO ALUNO SUPERDOTADO

Izabel Sadalla Grispino *

O artigo “Alunos de desempenho excepcional” provocou interesse de algumas escolas. Queriam um detalhamento de como reconhecer o superdotado, pelo comportamento e pelas habilidades demonstradas. Pesquisando mais sobre o assunto, surgiu uma sistematização esclarecedora.

Esse interesse das escolas é sumamente inteligente e salutar. Para exemplificar, citarei os Estados Unidos, onde a prática de investir em jovens talentos tornou-se uma política de governo, já no século passado. Os dados revelados são de que, em 1957, quando os russos deram a largada à corrida espacial, ao lançar na órbita terrestre o Sputinik, o primeiro satélite criado pelo homem, colocaram em xeque a supremacia científica americana. Como reação, os Estados Unidos empreenderam uma política feroz de caça a seus melhores cérebros, que perdura até hoje.

Isso reverteu em conhecimento avantajado. Um estudo feito em 80 países por economistas da Universidade de Chicago (EUA) concluiu que as políticas de formação de talentos empreendidas pelas nações mais ricas do planeta foram, em muitos casos, a chave para sua prosperidade econômica.

Investir em alunos de altas habilidades significa enriquecer a sociedade, dando-lhe meios para entrar na concorrência altamente proveitosa. Traz vantagens imediatas aos estudantes superdotados e a longo prazo beneficia o país.

A escola deve se preparar para receber esses alunos. Deve haver, por parte dela, receptividade a eles, alternativas pedagógicas criativas e orientação aos professores. Os professores têm necessidade de cursos, estar preparados para esse atendimento. Não vai acontecer a inclusão do superdotado se o professor não receber uma capacitação, um apoio técnico-didático competente. Muitos se sentem despreparados e se valem da ajuda de parcerias com faculdades, secretarias de Educação, também, de professores itinerantes, que trabalham com alunos de altas habilidades.

O professor não deve supervalorizar o aluno superdotado perante a classe, colocá-lo num pedestal, criando situações de rivalidade, de discórdia. Deve tirar de todos os alunos o que eles têm para oferecer. Desenvolver o superdotado sem desprezar os demais, afinal todos têm talento, a diferença está nos níveis, como diz Vigotsky. Criar um ambiente amigável, porque o superdotado tem que conviver com seus pares e deve haver uma adequação, um entrosamento, que afastem o preconceito.

Essa é uma das preocupações da gestão inclusiva, em como atender as peculiaridades do superdotado sem discriminar os demais.

Os professores, geralmente, têm dificuldades de identificar alunos como superdotados, mas apontam os que aprendem mais rápido, são mais curiosos, perguntam demais, características que levam ao superdotado. Os especialistas costumam apontar 6 habilidades:

• Intelectual geral: curiosidade intelectual, poder excepcional de observação, capacidade de abstração mais desenvolvida e atitude de questionamento;

• Talento acadêmico: desempenho excepcional na escola, ótima performance em testes de conhecimento e alta habilidade para tarefas acadêmicas;

• Pensamento criativo: idéias originais e divergentes, habilidade para elaborar e desenvolver suas idéias, capacidade de perceber de muitas formas diferentes um determinado tópico;

• Liderança: líderes sociais ou acadêmicos de um grupo e que se destacam pelo uso do poder, autocontrole e habilidade em desenvolver uma interação produtiva com os demais;

• Artes visuais e cênicas: habilidades superiores para pintura, escultura, desenho, filmagem, dança, canto, teatro e instrumentos musicais;

• Psicomotora: proezas atléticas e também o uso superior de habilidades motoras e refinadas e habilidades mecânicas.

Para identificar uma criança superdotada, os especialistas no assunto indicam as seguintes características:

• Aprende mais rapidamente que seus colegas da mesma idade;

• Faz muitas perguntas, demonstrando uma grande variedade de interesses e curiosidades;

• Tem um vocabulário inusitadamente avançado para sua idade ou série, riqueza de expressão, elaboração e fluência;

• Tem um senso de humor altamente desenvolvido;

• É persistente no empenho em satisfazer seus interesses;

• É crítica de si mesma e dos outros;

• É sensível a injustiças, tanto em nível pessoal quanto em nível social;

• Não é propensa a aceitar afirmações, respostas ou avaliações superficiais;

• Apresenta desempenho acima da média em testes de inteligência.

Trabalhar esses alunos não é fácil, mas necessário. Confirmam os especialistas de que se esse potencial não é desenvolvido, muitas vezes, ele pode se perder na fase adulta, por falta de incentivo. O superdotado é um grande desafio para o professor, que se torna pólo de referência do desenvolvimento desse aluno. Deve ser treinado para identificar as crianças com habilidades especiais, reconhecer e responder à diversidade, acolher as diferentes potencialidades, características, ritmos de aprendizagem. As cobranças não devem ser acima do normal e, principalmente, não se pode perder de vista de que, acima de tudo, se trata de crianças.

Enquanto que no Brasil o Ministério da Educação (MEC) não incentiva a existência de escolas especiais para superdotados, apenas estipula a convivência deles em escolas regulares, nos países avançados, a busca de cérebros é preceito fundamental. Esses alunos têm acompanhamento intensivo de uma equipe de pedagogos e de professores treinados, capacitados para lidar com o superdotado. A atualização do professor, sua competência e seu devotamento são requisitos obrigatórios.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2005)

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