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Artigos Educacionais

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AO JORNAL “A CIDADE”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “A Cidade”, deste valioso instrumento de comunicação que Ribeirão Preto aprendeu a admirar pelo alto profissionalismo, há, exatamente, um ano, venho publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporcionou-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade ribeirão-pretana, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Neste ano que se finda, propus-me a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional das escolas oficiais.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Inúmeros conceitos nele passei, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “A Cidade” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e ilumine a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Ribeirão Preto, já é tradicional, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “A Cidade”, que beira um século de existência, nas pessoas da família Camargo, de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com brilho e persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população. O jornal “A Cidade” cresce com Ribeirão e com ele se faz pioneiro na região. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, competente de que é marca  consagrada.

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Ribeirão Preto. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos. A todos, meus versos sobre o Terceiro Milênio.


TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2000)

A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

CURRICULUM VITAE

CURRICULUM VITAE

DE

IZABEL SADALLA GRISPINO

PRINCIPAIS ASPECTOS DO CURRÍCULO

  • Licenciada em Letras Neolatinas pela Universidade de São Paulo, ano de 1954;
  • Curso de pós-graduação em Língua e Literatura Francesa, a nível de mestrado, quando defendeu a tese: “O Simbolismo Francês e a poesia de Paul Verlaine e Arthur Rimbaud”;
  • Pós-graduação em Língua e Literatura Espanhola, em Filologia Portuguesa e Literatura Brasileira;
  • Licenciada no Curso de Pedagogia, com especializações em Administração, Supervisão, Orientação Educacional e Coordenação Pedagógica;
  • Ocupou, por concurso, na educação básica, as cadeiras de Português e de Francês e no ensino superior de Língua e Literatura Francesa;
  • Na área de administração e supervisão, exerceu, por concurso, os cargos de diretor de escola e de supervisor de ensino;
  • Foi membro integrante da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP) da Secretaria da Educação, onde monitorou e coordenou cursos de atualização, de aperfeiçoamento e de especialização em língua portuguesa, de 125 horas, para professores e especialistas da educação do ensino fundamental e médio, então, 1.º e 2.º graus;
  • Preparou, treinou, pela CENP, monitores, dos cursos montados, para todo o Estado de São Paulo;
  • Foi membro da equipe designada pelo Departamento de Recursos Humanos, da Secretaria da Educação, no Projeto “Capacitação de Recursos Humanos para o Ensino de 1.º e 2.º graus”, para proceder à análise crítica do texto-base, elaborado por insignes professores da Unesp, Araraquara: Cacilda de Oliveira Camargo, Maria Helena de Moura Neves, Najla Lauand e Sebastião Expedito Ignácio, designados que foram pelo MEC. Análise crítica no sentido da adequação do texto ao nível pretendido. A equipe foi, também, responsável pelo treinamento dado aos professores da rede.
  • Foi colaboradora do livro de Instrução Programada “Língua Portuguesa” – 5.ª à 8.ª série – 1.º grau – Secretaria de Estado da Educação;
  • Orientadora, pela USP-São Paulo, de estágios supervisionados do Curso Normal e de Letras;
  • Ao longo da carreira, participou de uma gama considerável de cursos de atualização, de aperfeiçoamento e de especialização, na perspectiva da educação continuada;
  • Autora de crônicas, de centenas de artigos educacionais, comportamentais, sociais, religiosos, publicados em jornais e revistas. Atualmente, está se propondo a registrar uma fase histórica da educação brasileira, ou seja, os principais passos da implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), n.º 9394/96, em seus diversos e amplos aspectos e a realidade do ensino no momento dessa implantação.
  • Poetisa, que reflete em seus versos as grandes questões humanas, os estados de alma, a problematização do ser. Retrata a alma em suas características universais, em suas inquietações diante dos enigmas da existência. Há momentos de muito lirismo, da exaltação do amor, da dor da saudade, das ilusões e desilusões, das amarguras e dos encantos da vida e há momentos de muita reflexão, de observação imparcial da realidade social e política, quando passa, então, sua visão de mundo, sua interpretação dos fatos, numa análise objetiva e subjetiva, porém, sempre crítica. No fundo, freqüentemente, é a poesia didática, é a mestra preocupada em ajudar, em orientar, em alertar, buscando suavizar o sofrimento da humanidade e contribuir para um mundo melhor. Há poesias de versos livres, mas, a sua formação clássica fala mais alto, quando observa com rigor, na grande maioria dos versos, a métrica e a rima;
  • Compositora musical – letra e música – de dezenas de obras sacras e populares;
  • Dentre as valiosas experiências, exercidas no magistério, ao longo da carreira, destaca os cursos ministrados, em larga escala, para professores e especialistas da educação, regando e adubando o terreno para melhor fazer brotar a semente educacional.

(Publicado em novembro/2000)

A ESCOLA REVOLUCIONÁRIA

Izabel Sadalla Grispino *

Escolas “sui generis” começam a despontar no cenário educacional, acentuando processos revolucionários do ensino-aprendizagem, algo como reinventar a escola da educação básica. Escolas que voltam a se inspirar na Sommerhill, escola dos anos 20 da Inglaterra, que se multiplicou pelo mundo, preconizando a liberdade de escolha do aluno e sua participação nas decisões de sua aprendizagem.

Surge em São Paulo a Lumiar, uma escola inovadora, modelo democrático, baseada, sobretudo, no interesse natural que a criança tem de aprender. Uma escola que elimina as salas de aula, o recreio, as provas, as disciplinas, os horários rígidos e até os professores. Quem ensina são profissionais de diversas áreas: médico, jornalista, arqueólogo, músico, marceneiro etc. São profissionais pré-selecionados, que freqüentam a escola, com a função de atrair a atenção das crianças para diversos projetos, como montar um minizoológico, fazer uma horta, um jornalzinho...

As crianças participam ou não dos projetos, de acordo com seus interesses. A escola considera que o modelo tradicional barra a criatividade do aluno. Por meio de atividades atraentes, as crianças, na faixa etária de 2 a 6 anos, vão assimilar as disciplinas tradicionais do currículo, português, matemática, história, geografia... A alfabetização vai sendo facilitada pelo estímulo para ler e escrever durante os projetos. Como a escola é bilingüe, alguns profissionais, em contato com as crianças, falam em inglês. São os pais ou os próprios alunos que fazem seus horários, escolhendo as atividades em que se interessam.

A base da aprendizagem está centrada no interesse da criança. O entendimento é de que se a criança não estiver interessada, não vai aprender nada. Educadores acompanharão de perto as crianças durante os projetos. Ficam atentos às suas escolhas para saber qual conhecimento estão adquirindo e como orientá-las para o que está faltando. Observam como está sendo feito o seu desenvolvimento e mantêm com as crianças conversas diárias.

A Escola Lumiar, como a Sommerhill, apresenta característica democrática, prega a liberdade e a participação dos alunos nas decisões da escola. A criança tem autonomia para decidir se quer ou não assistir às aulas, comportamento – acreditam seus seguidores – que passa noções de limite e cidadania. Especialistas elaboram currículos variados, projetos práticos, com aprendizagem mais efetiva. Partem do pressuposto de que tudo o que se aprendeu na escola tradicional, muito pouco ficou retido. Ao dar tudo pronto, essa escola barrava a criatividade, mola-chave da educação do presente.

A Escola Lumiar não se preocupa apenas em cumprir o currículo, mas formar o aluno para ser independente, a saber tomar decisões, a ser criativo, a sentir prazer no que faz. Porém, as matérias tradicionais serão sempre observadas. É um formato de escola que atrai e que diversifica os padrões de ensino. Como encarar sua linha de trabalho?

A Lumiar trabalha com campos de conhecimento e não apenas com disciplinas, conforme orienta a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). É uma escola que revoluciona métodos de aprendizagem, que oferece maneiras diferentes de aprender, utilizando-se da prática do ensino, baseadas nas escolhas dos alunos. Vale a pena acompanhar seu processo, sua metodologia, inteirar-se de sua validade, de seus resultados. Oferece um ensino para uma clientela selecionada, elitista, requer um alto investimento, profissionais qualificados – tem um coordenador para cada grupo de 10 crianças!

Tem um requinte que, certamente, não abrangerá escolas em grande escala, sem possibilidade de se pensar em escolas oficiais. A escola parte de pressupostos válidos para a educação: “Eu ouço e esqueço. Eu vejo e lembro. Eu faço e entendo”. Acredita no potencial e na inteligência do aluno. Acredita na liberdade de escolha, conduzindo à auto-afirmação.

Restrições a ela são colocadas por alguns educadores que acham preocupante a excessiva liberdade, tanto mais por se tratar de crianças da educação infantil, faixa de idade em que não têm estrutura, não estão prontas para escolhas decisivas e tão variadas. “A quantidade de informações, de atividades propostas pelos profissionais, provocam muitos estímulos e a criança pode sentir-se perdida”, diz a educadora da USP, Marina C. Moraes Dias. Ela compara à situação em que se colocam diversos brinquedos na frente da criança e ela fica sem saber o que fazer com eles. “O que pode ser maravilhoso para os de 7 e 8 anos não funciona necessariamente com os menores”.

Outra restrição é a ausência da figura do professor para organizar as atividades a serem propostas ao aluno e executadas de acordo com a idade da criança. A mediação do professor dá à criança mais segurança, mais suporte emocional. Contudo, o método da Escola Lumiar é extremamente sugestivo, inovador, com projetos que atraem o interesse dos alunos e possibilitam trabalhos originais. Dá ênfase à auto-estima do aluno. É uma escola diferente, sem salas de aulas, mexe com a imaginação pedagógica,  com o prazer de conhecer, na prática, seus resultados, para tê-la ou não como alternativa à educação básica.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2004)

CURSINHOS COMUNITÁRIOS

Izabel Sadalla Grispino *

Continuando o assunto do artigo anterior, constatamos que escolas há que orientam os alunos para a participação voluntária. Muitas já incluem, em seus projetos pedagógicos, atividades de trabalho voluntário. Os exemplos começam a se multiplicar.

Alunos de escolas particulares de alto padrão estão se predispondo, com orientação, a oferecer ajuda, em diversas disciplinas, a alunos de escolas da rede oficial, com dificuldade de aprendizagem, ajudando a tirar dúvidas e a elevar o nível de conhecimento desses alunos. Eles integram a programação da escola contemplada, uma ou duas vezes por semana, em determinado período, participam de atividades extraclasses ou, então, a escola monta um horário especial para esse atendimento.

O entusiasmo atinge o emissor e o receptor: os alunos, com deficiência de aprendizagem, evoluem e os que ensinam fixam o conhecimento, adquirindo uma visão mais ampla do assunto.

Outras escolas incentivam os alunos à assistência hospitalar, às crianças doentes, internadas em hospitais. É o caso de adolescentes, de 16, 17 anos, geralmente do 3.º ano do ensino médio, que se dedicam, como voluntárias, a brincar com crianças – na maior parte carentes – internadas em hospitais, exercitando o amor ao próximo.

Utilizam-se de livros infantis, tintas, lápis de cor, teatrinhos de fantoches e outros. Contam histórias, pintam, desenham, encenam peças infantis, organizam jogos, sempre com a supervisão de um técnico em recreação. Trabalham atividades educativas e recreativas.

As crianças doentes sentem-se animadas com o ganho dessas parceiras para brincar. O ganho das adolescentes é de outra natureza: tornam-se pessoas mais solidárias, com sentimentos mais elevados, com um olhar voltado ao infortúnio humano. A presença delas, no hospital, contribui para a humanização do atendimento, diminuindo o impacto da internação da criança.

Os resultados, segundo consta, são surpreendentes. As crianças aceitam melhor o tratamento, curam-se mais depressa. Muitas choram quando recebem alta, por não querer se afastar das novas amiguinhas mais velhas.

Um outro grupo dedica-se ao atendimento de idosos. Os adolescentes buscam sentido nesse trabalho, ganham experiência, avançam para a maturidade emocional e engrossam a ação solidária da sociedade.

Na abrangência do trabalho voluntário, outras luzes vêm surgindo na educação, quais sejam, os cursinhos comunitários. Alunos da classe pobre, oriundos de escolas públicas de má qualidade, poucas chances têm de ingressar numa boa universidade. Ainda recentemente, esse dado foi comprovado, quando as universidades públicas de São Paulo anunciaram isenção da taxa do vestibular para alunos carentes, alunos que cursaram o ensino básico em escolas públicas e que pertencem a famílias de baixa renda.

As universidades decidiram sobre a isenção, “apesar de terem tido uma experiência considerada insatisfatória em 2000, quando nem todas as isenções foram utilizadas”. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) aumentou o número de candidatos isentos de 4 mil para 5.528, embora, no ano passado, apenas 329 dos beneficiados passaram no seu vestibular. A USP também divulgou que os isentos não tiveram bom desempenho.

As barreiras desses alunos para atingir um nível razoável de conhecimento são grandes. Trazem defasagem de longa data, que vai, no tempo, se acumulando, e ainda não só não podem pagar um bom cursinho preparatório para o ingresso a uma boa universidade, como não têm base suficiente para absorver o conteúdo por ele ministrado.

Atuações inusitadas, criativas, altruístas, surgem na área educacional e vêm criando oportunidades de um ensino complementar de bom nível aos alunos. São os chamados cursinhos comunitários, uma rede alternativa de ensino, mantida por voluntários, que investe, especialmente, na auto-estima dos alunos. O Educafro, por exemplo, é uma rede que agrupa 64 cursinhos comunitários dirigida pelo frei David dos Santos, um fervoroso defensor do aluno necessitado.

Os cursinhos comunitários tentam equilibrar os desníveis educacionais das diferentes classes sociais, diminuir o abismo entre a educação do pobre e a do rico que concorrem ao vestibular. São uma nova opção à população estudantil de baixa renda. Em geral, surgem da própria comunidade, que se organiza e monta um núcleo, ou de grêmios estudantis, onde todos os funcionários são pagos.

Abrir um cursinho comunitário exige muita vontade e trabalho, pois todos os seus integrante são voluntários. A mensalidade equivale a 10% do salário mínimo, valor simbólico comparado aos grandes cursinhos. Esses cursinhos têm se revelado de grande utilidade e têm trazido resultados animadores, em termos de melhora da qualidade de ensino. Muitos alunos, hoje estudando em universidades, passaram por cursinhos comunitários. Torcemos para que o exemplo se prolifere.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em agosto/2001)

LEITURA, INTERPRETAÇÃO E REDAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino*

Os recentes dados do MEC mostram que uma boa parte dos jovens, cursando o fim do ensino médio, é incapaz de entender o que lê. Esses jovens aspiram, geralmente, entrar numa faculdade e a interpretação do texto é a habilidade mais cobrada nos vestibulares, não apenas em português, mas em todas as matérias.

As questões exigem cada vez menos memória e em seu lugar utiliza-se de trechos extraídos de livros, jornais, revistas, tiras de quadrinhos e mesmo de propaganda. Esse processo vem ganhando as escolas em seus sistemas de construção do conhecimento, quando se prepara o aluno para desenvolver a capacidade de resolver problemas, de raciocinar, de ligar o conhecimento formal aos fatos de sua vida diária.

Para desenvolver a interpretação, o melhor caminho é a leitura. Uma leitura diversificada, de gêneros literários diferentes, jornalísticos, publicitários, poesias etc. Uma leitura atenta ao conteúdo, à forma de escrever, às regras gramaticais, tentando captar o que está nas linhas e, também, nas entrelinhas, isto é, o que está implícito no texto. Para tanto, o aluno deve ser orientado a uma leitura cuidadosa, instigado a ver além do que está simplesmente escrito.

O vestibular tem proposto questões contextualizadas, o que significa que o estudante deve analisar a situação, o contexto em que aparecem, para depois respondê-las. Deve ler jornais para se atualizar, para tomar conhecimento do que se passa ao redor, ao País, ao mundo. Aluno que lê acaba tendo um bom entendimento de texto e desenvolve a capacidade de se expressar bem. A leitura é a chave de uma boa redação, de um bom aproveitamento intelectual. Quanto mais o aluno lê, maior será a sua desenvoltura diante do saber. Infelizmente, o aluno brasileiro lê muito pouco e cada vez menos.

A escola, conhecedora dessa grave distorção no ensino da língua, deve atacar de frente o problema, criando projetos integrados a todas as áreas, não se restringindo ao português. Projetos isolados não trazem o reforço e a amplitude desejável. O que se observa, largamente, nas escolas, são experiências desarticuladas, em recursos que não se aproveitam entre si, em conteúdos que não se interligam, compartimentando o conhecimento.

Programas integrados, além do reforço, da visão ampla do assunto, fixam melhor o conteúdo e produzem, conseqüentemente, pela abrangência, melhores benefícios ao educando. Um estímulo geral, em relação à leitura, em exercícios de interpretação de textos e em redação, deve ser pensado em todas as disciplinas do currículo.

Um outro ponto importante na aprendizagem é ensinar o aluno aprender a aprender. A dedicação pode ser o grande método de estudo para quem deseja aprender. Ensinar ao aluno que ser dedicado significa trabalhar alguma coisa com determinação para atingir um objetivo; também é preciso haver motivação e essa motivação é grandemente ajudada pelo professor, pois nem todo aluno aprende de forma igual. Uns aprendem todo o conteúdo em sala de aula, outros necessitam revisar a matéria em casa ou voltar ao assunto novamente, com o professor. Cada um tem um ritmo, um estilo próprio.

O quadro atual da escolaridade brasileira é lamentável, não só em termos de qualificação, como em termos de abandono à escola. Vejamos o que nos expõe a Geografia da Educação Brasileira 2001, divulgada em março de 2003, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), do Ministério da Educação: a cada grupo de 100 alunos matriculados no ensino fundamental, 41 deixam a escola sem completá-lo. Os que conseguem se formar gastam, em média, 10,2 anos. Praticamente o tempo que levariam para cursar as 8 séries do ensino fundamental e as 3 do ensino médio, se não houvesse repetência.

A relação entre alunos que iniciam e terminam é melhor no ensino médio. De cada 100 alunos que ingressam nesse ensino, 74 chegam a concluí-lo e gastam, em média, 3,7 anos para cursar as 3 séries desse nível. Do total de alunos matriculados na 1.ª série do ensino fundamental, apenas 40% conseguem se formar no ensino médio. Ao repetir, o aluno acaba desanimando e saindo da escola. A repetência é uma das principais causas da perda da auto-estima do aluno e da exclusão escolar.

Junto ao atraso na escolaridade, à perda da qualidade do ensino, perde-se, também, o status social do professor. Perdem-se alunos, perde-se a boa formação acadêmica, não por se ter esgotado o papel do professor, mas pela decadência de todo um sistema de ensino. A escola, no seu âmbito, não consegue coordenar os projetos pedagógicos, que acabam ficando desarticulados, com projeções diferentes. Não consegue alcançar uma metodologia diferenciada, capaz de inclusão, não consegue entrar no mundo desmotivado do aluno carente ou exercitar estratégias que introduzam a qualidade do ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em fevereiro/2004)

Caixa de texto: Clique para voltar ao sumário* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em fevereiro/2004)

METODOLOGIA ESCOLAR, UM ORGANISMO VIVO

Izabel Sadalla Grispino *

A metodologia escolar é um processo dinâmico, que caminha, se amolda às características do conteúdo e do educando, evolui e se aperfeiçoa no tempo. Coloca o aluno no centro do processo educativo, fá-lo protagonista das atividades desenvolvidas.

Cada vez mais, o aluno deixa de ser um receptor passivo; é estimulado a participar, a fazer, a pôr a mão na massa. Adquire armas, avançando na aprendizagem com autonomia e responsabilidade. É estimulado a voar nas asas da criatividade, descortinando horizontes inimagináveis, acompanhando o pensamento descrito por Anísio Teixeira: “Quando monto na asa de um pensamento, de uma idéia, eu vôo nessa idéia, como se ela fosse minha ave”.

A cada passo, a escola conscientiza-se de que não é o lugar apenas de aprender matérias convencionais, como português, matemática, história, geografia, ciências, física, química ou biologia. Inclui no seu currículo a educação de valores, aulas de orientação religiosa, acolhendo alunos de diferentes credos, ensinando a respeitar as diferenças, a respeitar um ao outro. Os alunos estudam a história das diversas religiões, debatem o assunto em grupos, percebendo o quanto cada religião tem seus aspectos positivos, o quanto no conceito de fé, de sentimento religioso, as religiões se encontram, provocando encontro entre os alunos, também.

Um outro aspecto da escola é incluir no currículo atividades culturais, desenvolvendo talentos, despertando vocações, dentro de uma metodologia prática, interativa, essencialmente participativa. Criam atividades, jogos, aliando diversão e aprendizado.

Hoje, a noção de participação amplia-se, chegando a modificar, por exemplo, as relações entre aluno e museu, em visitas às exposições de obras de arte. A figura do guia é superada e no lugar do monitor, da observação passiva do visitante, surge o educador – os artes-educadores – desenvolvendo um trabalho de mediação entre público e obras de arte, na concepção de que não basta ir ao museu, tem de participar.

Os museus vêm incentivando a mediação de educadores, estimulando as pessoas a falar sobre a arte, a externar seu ponto de vista, no intuito de aproximar público e arte. Os museus, nos roteiros de visita, desenvolvem ações integradas às mostras que coloca em cartaz. Grupos de alunos são agendados à visita ao museu e, no meio da exposição, eles e as famílias são convidados a participar da oficina de monotipia. Nesse momento, tomam contato com técnicas usadas pelo artista, ouvem explanações dos educadores e passam a exercitar, como em um laboratório.

É ocasião oportuna para se travar diálogo, discussões, buscando entender e lidar com arte de modo prazeroso, estreitando as barreiras entre obra e visitante. Aproxima o visitante dos conceitos usados pelos artistas, numa interação incentivadora. O que se quer não é bem formar artistas, mas educar, sensibilizar para a arte, ajudar no encontro de vocações.

No Museu de Ciências e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), o aviso tradicional “não toque” é retirado. A ordem é o contrário: apalpar, clicar, interagir, para sentir e ver como funciona a vida do organismo humano ao movimento do universo. Para sentir e ver o que o homem fez e faz, da roda aos aviões, das cavernas às viagens interplanetárias.

O Museu de Ciências e Tecnologia diverte e ensina sobre o corpo humano, espaço e dinossauros. Mistura informação com diversão atraindo o público que, surpreso, retorna para desfrutar mais do museu.

Escolas há que mantêm uma linha pedagógica mais definida, construtivista, tradicional – hoje, um tanto superada – Montessori, Waldorf e outras, mas sempre há entre elas ramificações que se encontram, dando uma amplitude coerente e estimulante ao processo.

O construtivismo surgiu com o psicólogo e geneticista suíço Jean Piaget, que desenvolveu uma teoria em que a criança constrói o próprio conhecimento, segundo as fases do seu desenvolvimento mental. A criança é instigada a aprender a partir de seu próprio raciocínio. O trabalho em grupo, no construtivismo, é valorizado.

Na linha tradicional, os conteúdos são transmitidos  por meio de aulas expositivas. O professor é a fonte do conhecimento. A avaliação da aprendizagem é feita através de provas formais constantes. Essa linha vem perdendo força e incorporando elementos construtivistas, valorizando aspectos emocionais e psicológicos.

Montessori, criada pela italiana Maria Montessori. A ênfase está na concentração, individualidade e liberdade. Colocam-se nas salas de aula conjuntos de jogos, caixas, superfícies com texturas e sons diferentes. As crianças os manipulam, pesquisam e vão compreendendo conceitos de várias disciplinas.

Waldorf, criada pelo filósofo suíço Rudolf Steiner, parte do conceito holístico – considera o todo. As disciplinas são integradas a partir de temas de interesse dos alunos. Geralmente, é o mesmo professor que ministra todas as aulas. Os brinquedos devem ser de pano, em detrimento do plástico e materiais sintéticos. Evita-se o uso da televisão e oferece uma alimentação bem natural. Waldorf  é uma filosofia de vida, uma escola onde os valores morais, espirituais são muito valorizados. A família participa das atividades escolares.

A metodologia contempla o perfil do aluno, com atividades adequadas a cada um. Para o aluno agitado, que não pára um minuto, o ideal é gastar essa forte energia em práticas esportivas, dança, música ou circo. Para o aluno tímido, que não pergunta durante as aulas, fica no seu mundo, o importante é buscar atividades que combatam o medo e a insegurança, como teatro, artes plásticas, poesia. Para o aluno temperamental, que faz escândalo quando seus desejos não são atendidos, deve-se programar atividades que combatam a agressividade, como jogos de tabuleiro, argila, marcenaria e culinária. Para o avoado, que vive distraído, astronomia, dobradura, informática, cinema, malabarismo e modelagem podem ajudar.

As diferenças individuais encontram-se nas variações metodológicas, pontos de apoio e caminhos alternativos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2005)

EDUCAÇÃO: ARMA CONTRA A CORRUPÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

A educação é arma poderosa contra a corrupção. Só ela tem força de mudança, força de renovação. É indispensável haver investimentos sociais, mudar a realidade educacional existente, se queremos, de verdade, construir um País sério. Educação tem que ser prioridade; ela é a mola propulsora da cidadania. É um valor inestimável, que engrandece o homem como ser humano, como ser empreendedor da  economia, como ser beneficiário e benfeitor da sociedade.

Empobrecida como anda, mais caminha para a morte do cisne! A defasagem educacional gera, no curso do tempo, insegurança, exclusão social e marginalização. Descamba para o oportunismo, para a esperteza viciada e daí para a corrupção é só um passo. E o pior é que ela vem em cascata, contamina todos os níveis.

É inimaginável os rumos que toma a corrupção, as situações por onde se infiltra! Ela chegou num grau extremo de aceitação, transvestindo-se das mais variadas faces. Hoje, constatamos a compra de trabalhos acadêmicos, denegrindo a ética universitária. Alunos compram resenhas de livros, monografias e até teses de doutorado, feitas por profissionais especializados! Corruptos e corruptores!

Se a educação, no seu bojo, deteriora-se, o que aguardar do futuro da humanidade? Onde procurar a ética, os princípios humanos e morais? Vejamos um exemplo: os cursos supletivos particulares a distância revelaram-se pontos de corrupção. A cortina descerrada, desses cursos, mostrou um quadro desalentador, revoltante, dessa área educacional. Esses cursos tornaram-se uma farsa, verdadeiros antros de venda de certificados!

Alunos despreparados ou acorrentados por horários, em decorrência do trabalho, quando continuam os estudos, geralmente o fazem através dos cursos supletivos. Hoje, esses cursos têm um enorme contingente de alunos que recebem o certificado sem aprender nada. Os supletivos a distância ou com presença flexível proliferaram-se nos últimos anos.

Pelo Censo 2000 do Ministério da Educação, em São Paulo, existem mais de 515 mil alunos em cursos supletivos de escolas estaduais, onde há presença mínima de aula. Na rede privada, são quase 116 mil, entre cursos presenciais e a distância.

O descrédito dos supletivos particulares a distância chegou a tal ponto que o Conselho Estadual de Educação (CEE) achou por bem cercear a emissão dos certificados, acabando com o sistema atual. “É preciso dar um basta à farra dos cursos supletivos particulares a distância; moralizar o sistema”, expressou o seu presidente.

O Conselho publicou no Diário Oficial do Estado, dia 25 de abril p. p., decisão proibindo os cursos supletivos particulares a distância de realizarem provas para emitir certificados de conclusão do ensino médio. Se quiser ter um diploma, o aluno precisará prestar uma prova autorizada.

Todas as pessoas que se matricularem, a partir desta data, deverão ser submetidas a exames em instituição autorizada pelo Conselho. Quem já iniciou o curso está isento da determinação. O presidente do CEE, Artur Fonseca Filho, disse que o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, é um dos mais cotados para ser uma das avaliações necessárias para obtenção do diploma. “O modelo ideal é este em que a prova é feita por uma entidade diferente da que deu o curso”, arremata Artur  Fonseca.

O que se quer são cursos que ofereçam competência e não certificados. É  uma tentativa para melhorar a qualidade de ensino desses cursos, acabar com o esquema de facilitação de diplomas. As instituições sérias não temerão o novo processo, ou seja, o resultado do exame autorizado. Mas, para a maioria desses cursos a distância, a perda da autonomia trará, sem dúvida, um desaquecimento de sua freqüência. Nesses cursos supletivos a jato, o aluno acima de 15 anos podia, num tempo mínimo, obter um certificado de 1.º e 2.º graus em 90 dias. Quanto aos exames, esses eram marcados em horários flexíveis, feitos separadamente para cada matéria e os prazos eram determinados pelas escolas.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma das provas a fornecer certificados aos supletivos, ocorre, apenas, uma vez por ano. Além dele, serão indicadas, pelo Conselho, as instituições, privadas ou públicas, autorizadas a realizar as provas. Terá que haver uma adequação, por parte do aluno, a essas exigências e uma reestruturação dos cursos.

A perda de autonomia, de os cursos supletivos particulares a distância realizarem as provas, põe ordem nesse universo adulterado, afasta a bandalheira e com esta ausência acaba afastando, infelizmente, também os candidatos. Esses cursos tinham, na facilitação ou, praticamente, na venda dos certificados, a sua maior atração.

A educação deformando ao invés de formar, corrompendo ao invés de moralizar, contribuindo para uma sociedade trapaceira, injusta, corrupta. Estaremos vivendo o caos? Os cursos supletivos, que poderiam ser o grande alvo na educação de jovens e de adultos, perdem, no desvirtuamento das funções,  a grande finalidade a que deveria se propor. É a sombra sinistra da corrupção infiltrando-se em todos os setores da vida nacional! Proteja-nos, Deus!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

RETROSPECTIVA HISTÓRICA: “A ESCOLA PÚBLICA NA DÉCADA DE 60”

Izabel  Sadalla Grispino *

Surge nos anos 60, precisamente em sua 2ª metade, manifestação explícita, até, então, a maior, por parte da Secretaria da Educação pela democratização do ensino. Expandiu-se a construção de prédios escolares e novas metodologias, em função da nova clientela, novas abordagens pedagógicas, começaram a ser divulgadas e implementadas nas escolas da rede estadual.

Em 1962, criava-se, sob a orientação da Profa. Maria Nilde Mascellani, o Serviço de Ensino Vocacional (SEV), com a instalação de 5 ginásios vocacionais no estado de São Paulo. Paralelamente, foram instituídos, na gestão do secretário da Educação Prof. Paulo Nathanael, os chamados ginásios pluricurriculares, polivalentes.

Nesse período eu era diretora de uma escola estadual que mantinha os cursos: colegial, normal e ginasial. Por volta de 69/70, esse ginásio passou a ser pluricurricular.

Como o próprio nome o definia, ele oferecia aos alunos um leque de opções curriculares, permitindo-lhes descobrir tendências vocacionais e encaminhá-los, quando fosse o caso, a uma profissionalização de nível médio. Seria como um desmembramento do ginásio vocacional. Uma de suas bases de sustentação era a criação da oficina de artes e ofícios.

Era uma nova proposta de escola com um embasamento teórico e experimental de longo alcance. Para ser melhor compreendida e ajustada à sua aplicabilidade, necessitava de um profissional que se dedicasse exclusivamente à coordenação pedagógica. Foi, praticamente,  o início dessa função nas escolas públicas.

Contudo, o seu maior desafio consistia na capacidade de seus integrantes alcançarem a metodologia emergente, com sua pedagogia da cooperação e sua valorização das individualidades. Revolucionavam-se a abordagem do conteúdo e toda uma estrutura comportamental vigente.

O ensino começava a se distanciar da linha cartesiana que ostentava bandeiras com lemas da eletizada escola da disciplina, austeridade, honra e excelência. Escola que, contudo, respondia, favoravelmente, à sua clientela, seleta, oriunda de classes abastadas, dominantes, aspirantes ao ingresso nas universidades.

O advento da era industrial, gerando um grande contigente populacional urbano, pedia mudanças estruturais na sua conceituação. A visão cartesiana, inspirada, por longas décadas, na filosofia da racionalidade do francês René Descartes, século XVII, era tida, para a situação, como linear, maciçamente repressora, passando sobre a individualidade das pessoas.

A Escola precisava diversificar as ofertas  educacionais,  adequar-se  ao  trabalho industrial  e às características desse aluno proveniente, neste momento, das  mais  diferentes  classes  sociais. Surgiram mais escolas estaduais industriais com profissionalização de nível médio, passando, depois, a chamar-se “Escolas Técnicas Estaduais”, agora, ligadas à Fundação Paula Souza.

Nessa evolução, entendeu-se como fundamental olhar para dentro do aluno, valorizar suas aspirações, o seu modo peculiar de ser. A pedagogia se aparelhava da psicologia. Despontava a visão dialética, holística do homem. O aluno passava a ser visto no seu todo, compreendido e ajudado nos aspectos cognitivo, afetivo e psicomotor.

Surgiam frases de efeito, representativas da nova mentalidade: “o trabalho dignifica”, “liberdade com responsabilidade”, “educar é libertar”, “educar é um ato de amor”, “respeito às individualidades”, “só é mestre quem sabe aprender”...

Derrubava-se a muralha existente entre a escola e a comunidade. No lugar da rigidez, passou-se à flexibilização de atitudes e de conteúdo. O professor não mais impunha, ao aluno, seu planejamento --  agora elaborado de modo interdisciplinar --  ao contrário, planejava com a sua colaboração,  observando  o  nível  da  classe, respeitando o seu ritmo e sua potencialidade. Dialogava, construía o conhecimento juntamente com ele, considerando-o um ser capaz de criar, o agente da aprendizagem. Entre as técnicas de ensino, a  pesquisa, com  a  utilização estimulada  das  bibliotecas,  era  de primordial importância.A avaliação, antes centrada no aluno, passou a ser de mão dupla, centrada, também, no professor, com a conceituação não mais de medir, de reprimir, mas de verificar o crescimento do aluno. Uma avaliação que proporcionasse verificar a evolução da maturidade do aluno, num progresso gradual e constante.

A comunidade passou a ser chamada a participar do plano escolar, a esclarecer-se e acompanhar o desenrolar das atividades-meio e atividades-fim. A Escola tornou-se mais aberta, mais humanizadora, menos soberana.

Seus grandes princípios continuam bastante atuais, compreensivelmente, com ajustes aperfeiçoados ou complementados pelas exigências de adaptação aos avanços tecnológicos e conseqüente transformação social.

Foi, sem dúvida, a grande semente didático-pedagógica e democrática, lançada na rede do ensino oficial do estado de São Paulo. Com o tempo e seu amadurecimento, esses princípios culminaram no processo atual de ensino-aprendizagem, no qual ressaltamos: a formação de ciclos no ensino fundamental, a diversificação das maneiras de classificar e reclassificar os alunos  da educação básica e a reiterada afirmação do método construtivista.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em abril 2000)

AS NOVAS CONCLUSÕES DO ENADE

Izabel Sadalla Grispino *

O último Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) foi aplicado a 277.476 alunos, escolhidos por amostragem, que ingressaram na universidade e os que se formaram em 2005. Avaliou 5.511 cursos superiores em que 27% receberam os conceitos máximos, 20% foram reprovados e 53% ficaram na média.

O ponto destoante foi  mostrar que alunos de cursos, com conceito máximo no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), não acertaram nem metade das questões da prova! Mostrou que cursos de universidades públicas e conceituadas, como a Unesp, que tiveram médias em torno de 45, numa escala de 0 a 100, receberam conceito 5 no final, o mais alto.

O Enade, criado para substituir o Provão, que surgiu na gestão do ministro Paulo Renato Souza, não estabelece meta para o estudante, só compara instituições. Apenas ordena os melhores e os piores cursos a partir do desempenho do grupo, sem determinar previamente a que nível o estudante deveria chegar para receber o maior conceito. Nesse ponto, o Enade repete a falha do Provão.

O Ministério da Educação introduziu no Enade, na avaliação realizada em 2005, o Indicador de Diferença entre o Desempenho Objetivo e o Esperado (IDD), um dado que revela aspectos interessantes, que passavam desapercebidos pelo Provão.

O IDD mede o quanto uma universidade contribui para a formação do aluno, ampliando o seu nível de conhecimento e sua competência profissional. É um conceito de “valor agregado”, que permite maior clareza do ensino superior. O Enade reabilitou o ensino superior privado, tido normalmente como ruim.

Cada instituição pública ou privada tem uma clientela específica para atuar e deve se preparar para oferecer um espaço acadêmico próprio a ela. Na instituição privada, os alunos, na grande maioria, vêm da rede pública do ensino médio, com uma educação de baixa qualidade, com déficit, praticamente, em todas as competências. Necessitam de cursos mais curtos para ingressar logo no mercado de trabalho.

Os baixos resultados, em termos de conhecimento, obtidos pelo Enade, refletem a falta de qualidade de toda a educação básica brasileira. Mostraram que, no conjunto, os alunos das instituições públicas continuam tendo um desempenho melhor do que os das instituições privadas. Porém, o novo indicador do Enade apurou que 41,8% das universidades federais tiveram um Indicador de Diferença entre o Desempenho Objetivo e o Esperado negativo, significando que quase metade das universidades mantidas pela União não conseguiu agregar o valor que se esperava a seus alunos. Entre as universidades privadas, 58,5% das instituições apresentaram um IDD positivo, reabilitando, nesse aspecto, a imagem das instituições privadas. Quebra o enraizado conceito de que toda universidade pública é boa e a privada sempre ruim.

Um dado que surpreendeu foi o fato de os cursos das universidades de São Paulo perderem para os de instituições do Ceará, Bahia, Sergipe, Paraíba e Rondônia no conceito que mostra o valor agregado aos alunos nos cursos freqüentados. A comparação foi feita a partir da porcentagem de conceitos 5 (máximo) de cada Estado no Índice de Diferença do Desempenho (IDD). A maior quantidade de conceitos 5 foi do Estado de Sergipe, com 9,l5%.

De acordo com a clientela recebida, a instituição privada, em boa parte delas, vem conseguindo formar adequadamente seus alunos. A avaliação do ensino superior se aperfeiçoa e o Enade, pelo Índice de Diferença do Desempenho (IDD) é capaz de avaliar o quanto a universidade agregou de valor a seus alunos durante o curso.

Por esse índice, reabilitou boa parte do ensino privado, mostrando que, devido à diversidade, à heterogeneidade, existentes na sociedade, não pode haver modelo único de ensino, antes um multissistema de ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em setembro 2006)

ESCOLA E FORMAÇÃO DE VALORES, POR SUA EDUCAÇÃO INTEGRAL

Izabel  Sadalla Grispino *

Tem-se hoje que a evolução humana é basicamente cultural. O fator genético permite posturas biológicas iguais, mas só é possível alterar o futuro de uma criança investindo em sua educação. Segundo estudos do Genoma, tudo o que somos tem razão genética, porém, costumes, características de vida são incorporados a partir de uma herança cultural local.

Educação é um processo constante de renovação. Educador é a pessoa compromissada com o outro. Para se achegar ao outro e ajudá-lo, deve inserir-se num mundo que exige atualização constante, revisão sucessiva de métodos e técnicas. Ele tem a função da pesquisa, da reflexão contínua sobre sua prática pedagógica do dia-a-dia, colocando-a a serviço da exigência atual.

O ensino escolar não pode estar desvinculado do que acontece no mundo. O mundo ficou muito complexo e tem, com razão, intimidado o professor. Transformar a escola é uma grande revolução. O professor, em geral, tem deficiência de formação, tem dificuldade para adequar o programa à realidade vivida pelos alunos, e fica, assim, preso ao livro didático. Ele é um profissional gravemente injustiçado, desvalorizado. Aviltantes salários forçam-no a uma sobrecarga de trabalho, roubando-lhe tempo precioso à sua reciclagem. O próprio MEC revela que baixos salários, falta de infra-estrutura das escolas e baixa qualidade de vida constroem o quadro de fracasso escolar que se vê hoje.

Johan H. Pestalozzi (1740-1827), um clássico da Pedagogia e considerado o pai da educação integral, dizia: “O amor é o instrumento da educação”. É esse amor que inspira o professor, que o leva a sublimar sua função, caminhando em correspondência ao pensamento: “Mesmo correndo entre pedras, as águas cumprem sua missão. As árvores plantadas são testemunhas disso”.

Recentes pesquisas têm mostrado que a grande maioria das escolas vem-se negligenciando da parte formativa do aluno, com reflexos negativos no comportamento social. A escola tornou-se uma entidade repetitiva de informação, sem priorizar a educação integral, nos aspectos: cognitivo, afetivo, psicomotor. A educação integral engloba comportamento e conhecimento. A construção do conhecimento, o desenvolvimento das habilidades, devem processar-se paralelamente à formação do educando. Formação das capacidades cognitivas de caráter geral e formação de valores, de ordem ética, moral e religiosa.

A abordagem holística do homem é hoje prioritária em todos os setores. No diagnóstico da doença, examinam-se componentes genéticos, emocionais e ambientais. Saber ler, escrever, contar, raciocinar, é pouco, tem que haver a cultura mais profunda da alma, do sonho, da criatividade.

A escola precisa repensar sua atuação e, num processo de reeducação, tornar-se uma unidade formadora de caráter, de cidadania.

Cidadania não é ensinada como uma disciplina, ela se aprende na vivência, na convivência. É um exercício que se conquista na exigência da ética, da justiça. É o respeito que se tem pelo outro, por sua identidade, pelos bens alheios, pelo patrimônio coletivo, pelo sentido de igualdade de condições. Implica em comportamento responsável, em noção de limite, dentro do preceito de que o direito de cada um termina onde começa o do outro. Já dizia Rui Barbosa: “Educa-se muito mais pelo exemplo que pela doutrina”.

Estamos vivendo uma sociedade violenta, individualista, arbitrária. Formam-se grupos oportunistas, que não têm outra finalidade senão a de se promover e a de tirar proveito do outro. O outro só existe como elemento de conveniência. Uma sociedade onde os fins justificam meios ilícitos, desumanos, onde Deus é uma presença vaga, indefinida, distante. Uma sociedade sem luz, sem fé.

É, principalmente, neste quadro social que se pensou na volta do ensino religioso como obrigatório, não mais como facultativo, conforme reza a Constituição.Por tudo isso, começa haver uma preocupação de educadores de que valores sociais, como amizade, amor, solidariedade, cooperação, lealdade... devam fazer parte dos currículos escolares. Montam projetos que vêm de encontro à proposta do MEC, quando fala em currículos transversais. Permeiam a educação com temas transversais, como política, sociedade, sexualidade, droga, ética, cidadania e outros.

São temas tratados não como disciplina específica, mas como um espaço a ser discutido em sala de aula, por um componente ou por vários. Dependendo da abrangência do tema, projetam atividades interdisciplinares, como um leque de assuntos ofertados. Cada disciplina encontrará um conteúdo correspondente.

É a escola exercendo sua função social na orientação dos jovens, na formação de uma sociedade mais humana, mais ordeira, criando vínculos de inter-relações humanas.

Até recentemente, o grande objetivo da escola era preparar o aluno para o futuro. Hoje, o grande intento é prepará-lo para o presente, para a resolução de seus problemas imediatos, de suas necessidades atuais. Preocupa-se com sua inserção em uma sociedade produtiva, ética, solidária, capaz de ajudá-lo, de maneira saudável, a se realizar. A escola faz uma ponte, ligando a percepção do aluno entre o que aprendeu e a vida. Ele se apodera do saber e aplica-o à sua vida do dia-a-dia, vivencia na escola comportamentos salutares e os desenvolve na comunidade, na sua vida social. A  aprendizagem vai se processando a partir de sue próprio interesse e das condições ambientais que o cercam.

A escola trabalha o presente, ousa, alça vôos, para alcançar o futuro. Busca integrar-se no conceito apregoado pelo consultor americano Michael Hammer: “O segredo do sucesso não é prever o futuro. É preparar-se para um futuro que não pode ser previsto”.

Para tanto, diferentemente do passado, o aluno não consome, mas produz o conhecimento e, assim, como o professor, torna-se um pesquisador permanente, um observador zeloso das relações interpessoais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2000)

TECNOLOGIA AVANÇADA NA PROTEÇÃO DAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

Ainda, sob o prisma da delinqüência juvenil, abordada nos dois artigos anteriores, há um outro aspecto revelador do comportamento atual da juventude: o aumento do número de jovens de classe média, resvalando, inclusive, para a classe média alta, que pratica infração, principalmente, contra o patrimônio. Esse dado foi evidenciado pelo estudo “O Adolescente na Criminalidade Urbana de São Paulo”, feito pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV), da Universidade de São Paulo, realizado em fins de julho do ano 2000.

O promotor da Infância e da Juventude, Wilson Tafner, constatou que as causas do comportamento desses jovens são o uso de drogas, o consumismo e a desestruturação familiar. São jovens com escolaridade média – ensino fundamental ou médio – financeiramente bem situados e que se infiltram na delinqüência praticando crimes graves. “Antes eles apareciam por dirigir sem habilitação e, agora, como autores de agressão”, disse o coordenador do estudo realizado pelo NEV, Sérgio Adorno.

O estudo apurou, ainda, que é cada vez maior o número de adolescentes que atua em bandos, dificilmente isolados e o pior é que são recrutados por adultos para atividades criminosas. O estudo do NEV ajuda a derrubar a tese de que o menor infrator é de rua. A maioria tem família e boa parte mora em casa própria, diz o procurador Antonio José Leite

O estudo do NEV levantou dados sobre menores infratores com idades entre 12 e 18 anos e mostrou que vem diminuindo, entre eles, o número de analfabetos e aumentando o número com escolaridade média. Essa pesquisa traz à tona a reflexão sobre a necessidade de se concretizar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

Sobre o aspecto violência, vejamos uma experiência específica, relacionada à escola. Em meados de 1998, houve no Anhembi, em São Paulo, o “Congresso Educador 98”. Dele participou, como palestrante, o professor Peter Lucas, PhD em Educação, da Universidade de Nova York. É autor de uma pesquisa sobre “Segurança e Redução da Violência Escolar” em uma das mais conturbadas instituições de Nova York – a Bushaack – no bairro do Brooklyn, onde estudam exclusivamente afro e hispano-americanos. É, também, coordenador de pesquisa similar em outras dez escolas.

Iniciou a palestra constatando que projetos para reduzir a violência nas escolas envolvem altas somas em dinheiro e são baseados em tecnologia: detectores de metais, alarmes, contratação de guardas de segurança e outros. “O investimento em segurança é uma bola de neve, faz-se necessário financiar a modernização dos equipamentos e a permanente capacitação dos seguranças. Hoje, existem mais guardas nas escolas de ensino médio (high school) nova-iorquinas do que em toda a cidade de Boston”.

Há uma cultura de violência que acaba interferindo no processo educacional. Sob tensão é difícil haver aprendizagem. A proposta de se avançar na prevenção à violência, com mecanismos de segurança, o que tudo indica, não tem volta, diz Peter Lucas. Contudo, a violência, especialmente nas escolas, precisa ser discutida, trabalhada com os alunos, conscientizada e não simplesmente combatida. O que se verifica é que a opção pela tecnologia, para combater a violência, afastou os professores do cotidiano dos alunos, especialmente das atividades feitas fora de classe, que passaram a se concentrar apenas no conteúdo pedagógico. O professor acabou por desvincular-se do aluno, não conhece sua família e não sabe como ele vive.

É muito importante, frisou ele, no combate à violência escolar, o estreitamento das relações professor-aluno e, no caso do Brasil, a formação de escolas pequenas. A escola precisa educar para a contra violência, aproximar-se da comunidade, caminhar na direção da conscientização, porque os índices de violência continuam crescendo, apesar dos modernos equipamentos instalados nas portas das escolas e, também, no seu interior. Faz-se necessária uma interação entre escola e família, entre escola e comunidade.

Esse postulado vem de encontro às orientações emanadas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), quando fala na elaboração de currículos flexíveis, diversificados, adaptados à comunidade; currículos que se aproximem da vida dos alunos, que trabalhem o seu cotidiano, que reflitam a sua realidade. Essa aproximação ajuda no entendimento do comportamento anti-social e na busca conjunta de soluções. É a escola exercendo seu papel de agente ativo de prevenção.

Meditem comigo, nesse meu soneto:

A TRANSFORMAÇÃO DA ESCOLA

A escola onipotente, soberana,
Distanciada da comunidade,
Com sua linha autoritária, espartana,
Deitou pra morrer, caiu em fragilidade.

A escola, hoje, abriu suas portas,
Conjugou saber culto e popular,
À sociedade emite respostas,
Ao cotidiano visa postular.

Desceu do seu régio pedestal,
Se aproximou do aluno, da família,
Vivendo a realidade social.

Papel transformador da sociedade,
Função de aperfeiçoar, ser solidária,
A escola aposta na criatividade.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2001)

EDUCAÇÃO E SAÚDE

Izabel Sadalla Grispino *

O artigo de hoje é uma homenagem ao dia 12 de outubro, Dia da Criança, a esse raio de sol que ilumina os corações dos homens e traz esperança de um futuro sorridente, mais acolhedor, mais próximo de Deus.

Presentemente, uma das grandes preocupações com a saúde é a obesidade infantil. Comprovam as estatísticas que a criança gorda será um adulto gordo.

A obesidade, além de roubar energias para a prática esportiva, traz, já na infância, problemas de colesterol, triglicérides e até complicações coronárias, agravando-se à medida que o tempo passa, afirmam os especialistas. É preciso haver exercícios diários e controle de peso.

A ciência comprova a força dos alimentos naturais na promoção da saúde, na qualidade de vida. Surge a expressão alimentos funcionais, alicerces de uma dieta equilibrada.

Não é fácil a uma criança deixar de comer o que gosta, principalmente, chocolate, sorvete, batata frita, coxinha, croquete, pastel, frituras em geral. Tem que haver, por parte dos pais, uma intervenção sábia e cautelosa. Conversar, explicar, conscientizar, mas, para essa faixa de idade, o que parece plausível é uma substituição gradativa, na qual a criança não sinta corte pesado.

Dizem os nutricionistas que nada é proibido, desde que os itens saudáveis superem de longe o número dos não saudáveis. Não é preciso abrir mão das guloseimas, mas saber dosar, saber comer.

As pesquisas vêm mudando certos conceitos. O pão, por exemplo, já ocupou lugar privilegiado na pirâmide alimentar. Sustentava a sua base, mas, agora, sabemos que o pão de farinha branca, como o pão francês, tem um nível glicêmico alto e o açúcar é rapidamente absorvido como gordura subcutânea (sob a pele), não dá tempo para digerir. Ele tem, também, uma saciedade menor, logo se está com fome, de novo. Deve-se comer, de preferência, pão integral.

A quantidade aumenta de acordo com a idade. Quem tem mais de 8 anos, por exemplo, deve comer duas fatias de pão, em vez de uma. As cores dos alimentos, também, são importantes, sinal de alimentação equilibrada, de vitaminas variadas: cenoura, rabanete, alface, tomate, pepino..., cores diversificadas.

Quando o alimento for perecível, como queijo e derivados ou sucos, deve-se colocar nas lancheiras das crianças, mesmo nas térmicas, uma bolsinha de gelo.

Sugestões da nutricionista Maristela G. de Sá Francisco para o lanche:

  1. Fruta ou uma porção de carboidrato.

Exemplos:

● 1 fatia de pão, de preferência integral;

● 1 bisnaguinha (de soja ou integral);

● 4 bolachas (sem recheio);

● 1 fatia de bolo (35 g) do tipo formigueiro ou de cenoura (sem cobertura).

b) Uma fonte protéica.

Exemplos:

● 1 fatia de peito de peru;

● 1 fatia de presunto magro;

● 2 fatias de blanquet ou similar.

c) Um laticínio.

Exemplos:

● 1 queijinho do tipo polenguinho ou 1 fatia de queijo minas (30 g);

● 1 iogurte (190 ml).

Observação: 1 iogurte com cereais já soma os itens necessários, pois tem laticínio, proteína e carboidrato.

Quando o lanche tem requeijão ou queijo, deve-se incluir água-de-coco ou suco de caixinha.

Mediante esse modelo, os pais podem variar dentre os alimentos funcionais que compõem a pirâmide da boa alimentação, quais sejam (a partir da base para o topo da pirâmide):

● Alimentos integrais, na maioria das refeições;

● Azeite ou óleos vegetais;

● Verduras e legumes, à vontade;

● Frutas, 2 ou 3 vezes ao dia;

● Laticínios ou suplementos de cálcio, 1 ou 2 vezes ao dia;

● Peixe, frango e ovos, até 2 vezes ao dia;

● Castanhas, amendoim, feijão, ervilha, grão-de-bico, de 1 a 3 vezes ao dia;

● Carne vermelha e manteiga, consumidas moderadamente;

● Arroz branco, pão branco, batata, macarrão e doces, em consumo moderado.

Que os pais se alertem para a necessária alimentação saudável, desde a tenra idade da criança.

 

AO PROFESSOR E AO MÉDICO

Dois grandes sentidos, duas grandes datas, para a humanidade se aproximam: 15 de Outubro, “Dia do Professor”, e 18 de Outubro, “Dia do Médico”.

Educação e Saúde são os dois baluartes da vida humana. Educação forma para o bem viver e Saúde prolonga e ampara esse viver. Sem esses dois ingredientes a vida se perderia num labirinto, caminharia por ruas sombrias, sem luz. Perderia sua estrutura definida, sem bases humanístico-científicas, enveredando-se para o caminho das paixões, para o desfecho das contradições, na perda do equilíbrio.

Exalto, em forma de versos, os dois expoentes da vida: o Magistério e a Medicina, nas pessoas do Professor e do Médico:

 

MAGISTÉRIO E MEDICINA

(Louvores ao 15 e ao 18 de Outubro)

Todas as profissões têm no magistério

Seu ponto de articulação,

Após os 1.ºs passos, segue os próprios critérios,

Cada uma cumprindo sua nobre missão.

Magistério é tronco em ramificações,

Sua estrada tem começo, mas não tem fim,

Sustenta a linha divisória das profissões,

É vibração que circula em anéis de marfim.

Magistério é educação, é saúde,

É astro que irradia com convicção,

Ensinamento, que vai do berço ao ataúde.

A educação tem no magistério a força, o caminho,

A saúde tem na medicina o sol, a lua,

Não haveria o amanhã, sem a união das duas!

 

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em outubro/2005)

JABOTICABAL DE ONTEM, DE HOJE E DE SEMPRE

Izabel Sadalla Grispino *

Tenho o privilégio de saudar a “Cidade das Rosas”, a querida Jaboticabal em seu 172.° aniversário. Cumprimentá-la pela pujança dos ideais de seu povo ordeiro, pela força de alavanca que faz dela a cidade princesa da região.

O clamor das festividades reacendeu-me a memória emocional. Recordar é viver, reconhecer é dignificar, chorar saudade é reverenciar! Voltei, na 2.ª metade da década dos anos 40, para o tão decantado Colégio Estadual de Jaboticabal, hoje “Aurélio Arrobas Martins”, para rever, na mente fotografada, meus venerandos mestres, minha “galera”, a turma de classe, os queridos colegas, a Alairce de Oliveira Delgado, os folguedos do recreio, as aulas de ginástica, as aulas de música, com o amado maestro Biagio Cimino, que ensinava as notas musicais, o compasso, juntamente com o canto, insistindo nos hinos pátrios. Cantávamos corretamente o Hino Nacional, o Hino da Independência, o Hino à Bandeira!

O passado explica o presente. Tive a felicidade de participar de um período áureo da história de Jaboticabal. Fiz as primeiras letras na cidade de Guariba, onde nasci, vindo, em seguida, juntamente com meu inesquecível irmão José, aqui continuar os estudos. Jaboticabal era o sonho do futuro, o centro cultural para onde convergiam estudantes de toda a região, na busca da escalada educacional. O então Colégio Estadual era o polo irradiador, o eixo que sustentava seu cognome de “Atenas Paulista”. Compunham seu corpo docente mestres de alta competência, que ministravam um saber à altura dos centros mais elevados do País. Era uma plêiade de iluminados!

O estabelecimento de ensino era dirigido pelo respeitado prof. Celino Pimentel, um administrador que, hoje, nada ficaria devendo aos mais apurados princípios da moderna educação escolar. Calmo, ponderado, tinha a doçura e a compreensão do diálogo espontâneo, a firmeza e a austeridade de quem não podia esmorecer nos momentos de decisão. Lembro-me de sua filha Lígia, um primor de beleza, que a todos encantava!

Caminhando para a sala de aula, deparávamos com verdadeiros baluartes da educação. Mestres precursores dos mais avançados métodos didáticos, com postura de orientadores da aprendizagem. Passam-se gerações e não é fácil encontrar um Mário de Campos, um Antônio Ruete!

Mário de Campos, o professor de Português, era o mais amado entre os amados, um intransigente defensor do vernáculo. Um professor que lecionava com o saber na mente e com o amor no coração. Numa época da escola soberana, onde se punha distância entre o professor e o aluno, entre escola e comunidade, ele era o amigo, dava ensejo a que os alunos se aproximassem. Mário de Campos seria hoje um desafio aos mais elevados conceitos da pedagogia atual. Usava da metodologia ativa, declamava-nos versos, punha-se emocionado, diante de uma classe paralisada, embevecida. Ele era a palmeira frondosa, a brisa suave que nos fazia sonhar, acreditar!

O filho Ayres de Campos também já lecionava. Era o jovem promissor, o herdeiro cultural do pai, a força nova que resplandecia. Era o filho ilustrando a imagem do pai, a garantia do texto elevado, apurado.

Um outro ícone do magistério foi o professor de latim Antônio Ruete. Um mestre de uma abrangência de conhecimentos invejável! Era a imagem da simpatia, muito querido pelos alunos. Na passagem do conteúdo, via-se, às vezes, interpelado pela alta erudição. Aprendemos muito com ele, sempre relacionando nossa língua com a língua mãe.

O professor Antônio Ruete deixou imensa saudade. Recordo com carinho de sua filha Cármen, uma colega alegre, empreendedora.

O professor de inglês, José França, risonho, extrovertido, mesclava suas aulas com música e poesia, procedimento didático muito apreciado pelos alunos. Quantos versinhos em inglês tenho, ainda, guardado de suas aulas!

Antônio Arrobas Martins, um fluente advogado, era nosso professor de ciências. Um mestre admirado pelos alunos, porém sem muito vínculo afetivo. Enérgico, um tanto eqüidistante, se colocava na docência com objetividade, porte severo.

Quantos outros deveriam entrar nesse quadro, como o competente e dedicado secretário sr. Túlio Rampazo. Mas, voltarei a novas lembranças em outra oportunidade. Porém, um nome que se prende a todos e que em todos deixou um pouco de sua marcante personalidade, não poderia, de modo algum, deixar de ser citado: professor Juvenal Passos Nogueira. Professor Juvenal é uma emoção à parte. Era o esteio do alunado, seu orientador, seu porto seguro. Respeitado e muito querido, espelhava-nos honestidade, inteligência, estudo, alguém que passava exemplo na própria conduta, alguém que com sacrifício e determinação subia a rampa do sucesso. Era, na época, inspetor de alunos e professor da maioria deles, preparava alunos para enfrentar o rigoroso exame de admissão ao ginásio. Professor Juvenal não parou de estudar, alcançando vôos profissionais de monta. Chegou, por sua competência, a diretor efetivo da escola que cresceu muito com ele e que, ainda, o representa, a EE “Aurélio Arrobas Martins”, casa de ensino, que tenho a certeza, nunca o esquecerá. Professor Juvenal é referência, é sólido pilar, é certeza de que quem se esforça chega lá. Juvenal Passos Nogueira é gente que faz, é exemplo de vida!

Jaboticabal sempre me impulsiona a retornos. Tenho a honra de saudar a Universidade São Luiz, que cresce e se firma como um dos orgulhos da cidade, universidade da qual participei dos seus primeiros passos, início da década de 70, quando fui convidada pelo seu fundador, o emérito professor Afonso Carregari, a engrossar as fileiras de seu corpo docente, e, então, nessa conceituada instituição de ensino superior, passei a dar aulas de francês, no curso de Letras.

Uma cidade se projeta no presente, com olhos no futuro, guardando a experiência do passado.

Nas pessoas dos valorosos mestres, aqui lembrados, rendo minha homenagem a Jaboticabal, que ela, a exemplo do passado, continue a caminhar a passos largos em direção à modernidade, que mire as alturas, mantendo a estrutura de sustentação presa ao solo, Que Deus continue abençoando a “Cidade das Rosas, que as rosas permaneçam desabrochadas, florindo e perfumando a terra, sinalizando portas abertas ao progresso, maturidade administrativa e farta colheita. Que os ventos lhe sejam favoráveis e que, junto a seu céu estrelado, aos seus mananciais, entoem, para Jaboticabal, o divino salmo da natureza!

*Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2000)

SÍNDROME DA DESISTÊNCIA SIMBÓLICA DO EDUCADOR

Izabel Sadalla Grispino *

Os resultados da avaliação da educação básica, nos últimos anos, registram sistematicamente um nível crítico de ensino. Os resultados do último Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), realizado em 2001, revelam que a grande maioria dos alunos, que termina a 3.ª série do ensino médio, sai sem saber Matemática e Língua Portuguesa. Em Português, apenas 5,34% revelam um nível satisfatório e em Matemática, 5,99%.

Essa situação agrava-se nas regiões pobres do País. Alunos classificados nos estágios crítico e muito crítico, no Nordeste, sobe para 76,4% e no Norte, 83,1%, enquanto a média nacional fica em 67%. Segundo o relatório, o nível dos alunos é mais compatível com o da 8.ª série do que com o da 3.ª série do ensino médio. Os alunos não conseguem assimilar conhecimentos novos e os baixos resultados da 3.ª série mostram a ineficiência de toda a educação básica. Do mesmo modo, a última edição do Saeb revelou que 59% da 4.ª série apresentaram desempenho crítico.

As provas do Saeb de 2003 foram feitas no início de novembro, em todo o País. Abrangeram as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática e foram aplicadas por amostragem a alunos de 4.ª e 8.ª séries do ensino fundamental e 3.ª série do ensino médio, tanto da rede pública quanto da particular. Os alunos responderam também um questionário sobre a situação socioeconômica de suas famílias. O Saeb incluiu outros questionários, enviados a professores e diretores das escolas envolvidas. Na edição deste ano, quer coletar dados sobre a exaustão emocional e o baixo comprometimento dos profissionais da educação com seu trabalho, problema batizado por Síndrome da Desistência Simbólica do Educador. O que se quer saber é a influência dessa síndrome no desempenho dos alunos.

A educação se vê cercada por “n” fatores impedidores de qualificação e um grave fator é o desestímulo que toma conta do corpo docente, a ponto de ser caracterizado, por pesquisadores, como “exaustão emocional”. Exaustão carregando consigo a baixa estima, o desânimo, a sensação de impotência. A cada resultado denegridor do ensino cogitam-se das causas. Pesquisas e avaliações sobre a fraca atuação da escola vão se avolumando.  Agora  é  a vez da Avaliação Nacional do Ensino Básico (Saeb) lançar questionário sobre o negativo envolvimento do professor com seu trabalho.

Nada é em vão. Avaliar e dar o resultado da avaliação ajudam a se conscientizar, a rever posição e tentar reformulação. Contudo, as causas do cansaço emocional do professor, seu desapego à instituição escolar, não são senão  resultado de anos de descuido ao magistério. A situação vem pesando mais e mais a cada ano. O professor tem que lutar com as próprias armas, diante de classes superlotadas, com a violência se infiltrando na sala de aula, com segurança mínima ou segurança zero. Lutar para sobreviver com os parcos salários, acumulando aulas em três períodos e enfrentando, nesses períodos, classes numerosas.

A Síndrome da Desistência Simbólica do Educador afeta o humor, a vontade de progredir tanto do educador quanto do educando. A gangorra se forma, emissor e receptor naufragando no mesmo barco. A síndrome constatada é, sem dúvida, uma forte causa da decadência do ensino. Se quisermos pensar na boa colheita, temos que, antes de cuidar dos frutos, cuidar da árvore, adubá-la, regá-la, instrumentá-la, para que a planta, revigorada, frutifique a contento.

Se não se melhorarem as condições de ensino, assistindo às escolas técnica e financeiramente, se não se elevar significativamente o salário dos professores, se não se diminuir o número de alunos por classe, nem o cogitado período integral da rede oficial, para alunos de 1.ª à 8.ª série do ensino fundamental, devolverá à sociedade o padrão de ensino desejável, porque ele será desenvolvido nos mesmo moldes precários atuais.

O período integral, merecedor de aplausos, se não vier acompanhado de pré-requisitos estruturais, será benéfico apenas para a sociabilidade, para o combate à violência infantil, com suas atividades extracurriculares, em que deixará o aluno ocupado, afastando-o do perigo das ruas, mas pouco efeito terá na melhoria da qualidade do ensino.

Aliado à falta de compromisso do corpo docente com o ensino, um outro fator extramuro, que concorre para o fracasso da escolaridade, é a pobreza. O último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) confirma o que há tempos já se sabia: o nível socioeconômico das famílias interfere diretamente no nível de ensino. Os alunos da rede particular, com baixa renda familiar mensal, alcançaram a média de 48,11. Já os que têm alta renda ficaram com 70,59. O Enem tem reiteradamente mostrado que os alunos das escolas particulares têm sempre desempenho superior aos da rede pública, mesmo quando o seu perfil é semelhante, como, por exemplo, brancos, que na escola pública têm nota média de 47,10, na particular, o número sobe para 65,78.

Essa análise vem comprovar que apenas o acesso à escola não garante igualdade de oportunidades, é insuficiente para alcançar a desigualdade. As condições sociais em que vivem os alunos têm forte influência no desempenho escolar. A questão salarial não deixa de ser crucial.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em novembro/2003)

Caixa de texto: Clique para voltar ao sumário* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em novembro/2003)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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