Payday loans uk
  1. Skip to Menu
  2. Skip to Content
  3. Skip to Footer>

Artigos Educacionais

  • Previous
  • Next
  • Stop
  • Play

PROBLEMAS DE SAÚDE INTERFERINDO NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Um assunto importante tanto para os pais quanto para a escola são os problemas de saúde das crianças. Um deles é a visão. A medicina, na área de oftalmologia, vem ao nosso encontro e nos dá preciosa orientação.

Problemas de visão podem aparecer em crianças muito pequenas. É preciso estar atento aos sintomas e consultar um oftalmologista, para que se faça o tratamento adequado e não deixar a visão ficar comprometida para o resto da vida. A criança pode estar precisando de óculos ou outras terapias alternativas. Os sintomas são variados, como quando, ao falar com a criança, parece que ela olha em outra direção ou quando ela se senta muito perto para assistir à televisão, quando os olhos lacrimejam constantemente, quando surge o aparecimento de um reflexo branco nas pupilas e outros.

Mesmo sem problemas aparentes, recomenda-se consultar o médico entre os 3 e os 4 anos. Em caso de problemas, é fundamental que receba tratamento adequado, porque a criança que enxerga mal tende a ser distraída e pode vir a ter dificuldades na escola.

As doenças mais comuns na infância são:

Hipermetropia: A criança vê mal os objetos que estão perto e também poderá ver mal os que estão longe. Até um certo grau, a hipermetropia pode ser considerada normal. Sintomas: a hipermetropia costuma ter os mesmos sintomas do que chamamos, popularmente, de vista cansada. A criança pode ter dor de cabeça, cansaço e vermelhidão nos olhos. Geralmente, desvia um olho para dentro, quando foca objetos próximos (estrabismo).

Astigmatismo: A superfície da córnea não é esférica, provocando visão distorcida. O astigmatismo é, em geral, uma doença de nascença e que pode não piorar. De qualquer maneira, a criança necessitará usar óculos para corrigir a fadiga visual, provocada pelo esforço contínuo dos olhos para focalizar objetos ou para lhe facilitar um completo desenvolvimento visual. Sintomas: dor de cabeça crônica, irritação dos olhos, fadiga, dificuldade de leitura, confunde algumas letras e números.

Miopia: A criança vê bem os objetos que estão próximos, mas vê mal os que estão distantes. Acredita-se que a miopia pode ser encontrada nos pais ou parentes mais próximos. Caso um dos pais seja míope, há 40% de chance de a criança também vir a ser. Se ambos os pais forem míopes, o risco sobe para 60%. A miopia pode ser progressiva. Já existe cirurgia capaz de corrigir a visão desfocada, mas só é recomendada na idade adulta. Sintomas: a criança tem dificuldade para enxergar ao longe. Senta-se muito perto da televisão, enxerga pior à noite, podendo semicerrar os olhos na tentativa de enxergar os objetos distantes. Por vezes, a miopia pode estar associada ao estrabismo.

Estrabismo: Os olhos não focalizam o mesmo ponto, o que leva o cérebro a receber duas imagens diferentes. O estrabismo pode ser resolvido com cirurgia, óculos ou tratamento oclusivo (lente ou olho tapado). Sintomas: A criança pode sentir mal-estar com o excesso de claridade, fechando sempre um olho quando se encontra em uma situação de grande luminosidade, como o sol. Outro mal é adquirir uma posição anômala da cabeça para obter melhor qualidade visual ou o desvio evidente de um dos olhos para dentro, para fora ou para cima.

Um outro aspecto importante a ser considerado na saúde é a obesidade infantil, que cresce no mundo todo. Segundo pesquisas, nos Estados Unidos, as complicações associadas à obesidade representam a segunda causa de morte.

A criança obesa, geralmente, apresenta alterações no comportamento que costumam passar desapercebidas ou não são valorizadas pelos pais e professores. Alterações no humor, revertendo em mau rendimento escolar. O excesso de peso, além de problemas físicos, afeta o aspecto psicológico. Torna a criança triste, com baixa auto-estima e com tendência à depressão. Os gordinhos acabam sendo marginalizados e afastam-se dos colegas. Geralmente, têm humor inconstante, ora aceitam o apelido de boa-praça, aquele que faz rir, ora tornam-se violentos e chantagistas, especialmente em casa.

Para se evitar o excesso de peso na infância, a prevenção deve começar cedo, desde o aleitamento materno. Deve-se utilizar de uma educação voltada para bons hábitos alimentares, uma vida saudável, com a participação dos pais. A medicina ensina-nos que o leite materno deve ser o único alimento pelo menos até o 6.º mês de vida ou como suplemento durante o máximo de tempo possível. Posteriormente, deve-se incutir na criança o gosto por alimentos dos vários grupos.

Os pais não devem esquecer que as crianças aprendem mais com os exemplos do que com as palavras. Na alimentação, como nos valores que devem ser ensinados aos filhos, os pais precisam dar o exemplo. As regras de uma alimentação saudável devem ser seguidas por todos da família. As refeições devem incluir alimentos de todos os grupos. Quando a mãe começar a introduzir ao bebê alimentos sólidos, sua alimentação deve ser rica e variada, com muita cor, sabores e texturas diferentes.

A criança gordinha pode requerer acompanhamento especializado e os pais têm papel relevante no processo. A quantidade de alimentos consumidos ao longo do dia deve ser repartida, estabelecendo-se o número de refeições e os intervalos sobre elas. É importante controlar as quantidades de gorduras, carnes, açúcares. As guloseimas devem ser reservadas para os dias especiais. Quanto mais precocemente se intervém no excesso de peso, mais fácil será reverter o processo. Alimentos comumente contra-indicados: frituras, carnes gordurosas, defumados, embutidos, chocolates, amendoim, amêndoas, cacau. Comer, de preferência, pão escuro ou integral, cereais, vegetais, leite, iogurte, queijo fresco, tudo dosado pelo nutricionista.

Além dos cuidados com a alimentação, a criança deve, de acordo com o seu médico, aumentar sua atividade física.

Os pais, em benefício dos filhos, não devem fechar os olhos para a obesidade infantil. Ela poderá trazer sérios problemas de saúde e de aproveitamento escolar a seus filhos. É fundamental que fiquem atentos ao peso das crianças e as ajudem no momento certo.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2005)

ENSINO RELIGIOSO

Izabel Sadalla Grispino *

Os caminhos conturbados, que cercam a juventude atual, levam as escolas a pensarem seriamente na abordagem do ensino religioso. Não é o ensino da religião em si, mas do sentido de religiosidade, de educar para o bem, para o amor, no caminho da solidariedade.

Dentro do respeito à diversidade religiosa, sem ferir os princípios constitucionais de liberdade de credo, colocar a presença de Deus na vida da criança é importante.

O ensino religioso já existe na rede estadual do Estado de São Paulo, apenas na 8.ª série, desde 2002. Não tem caráter obrigatório, os alunos, com seus pais, decidem se vão ou não participar das aulas. O conteúdo das aulas não é confessional e trata da história das religiões, dos pontos em comum entre elas e do sentido de tolerância. Segundo a Secretaria Estadual da Educação, os professores de história, filosofia e ciências sociais estão habilitados para dar a disciplina.

O ensino religioso é previsto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996. O conteúdo da disciplina deve ser oferecido de acordo com as preferências dos alunos ou de seus responsáveis. A LDB permite que as aulas sejam confessionais ou  interconfessionais.

No Estado do Rio de Janeiro, os alunos, desde 2004, no governo de Rosinha Matheus, são separados por credo, para receber ensino religioso. Contratam-se professores para ensinar as doutrinas católica, evangélica, espírita, umbandista e messiânica.

A religião abre um vasto caminho em direção à espiritualidade. Ela alcança a educação da alma, da formação do caráter, dá ao homem a dimensão superior da existência. Embora sejamos dotados de fé católica, não importa a que religião pertencemos, a que Deus nos referimos, o que importa é o senso religioso, que vem carregado de mensagens de amor, de justiça, de humanidade. Esse sentido, em seus atributos, prepara o ser para as virtudes essenciais do viver, estrutura a alma para os embates da vida.

Já aprendíamos com os filósofos gregos de que “a alma de toda cultura é a cultura da própria alma”. É essa cultura que vai engrandecer o ser humano, tornando-o autêntico filho de Deus, Aquele que nos ensina a olhar nossos semelhantes como irmãos. É a cultura da alma que aprofunda e humaniza o olhar da ciência, da literatura, das artes. Ela nos ensina a sermos solidários, a dividir, a somar, nunca subtrair.

É muito importante passar esses conceitos às crianças. Guardamos, no percurso da existência, o fervor religioso adquirido na infância. Nessa fase, uma vez plantadas as raízes dos bons sentimentos, da devoção a Deus, elas crescem com o organismo, se firmam e dificilmente serão abaladas.

A religião conforta-nos nos momentos de dor e nos momentos alegres, dá-nos a tranqüilidade do bom caminho. Enriquecemo-nos com seus ensinamentos, ganhamos em aceitação, em encaixe real da existência: As rosas é que são belas / Os espinhos é que picam / Mas, são as rosas que caem / São os espinhos que ficam.

Independentemente das teorias religiosas ou anti-religiosas existentes, são as luzes da alma que conduzem o ser às realizações positivas e essas luzes, seguramente, não são fruto da matéria. Essas luzes são dos nossos sentimentos, do nosso espírito, da parte inatingível do nosso ser, do nosso psiquismo, da nossa conduta e não carece de método experimental, de comprovação científica, para assegurar a sua existência.

A conscientização da educação religiosa deve partir da escola e chegar à sociedade.  O  ser  sem fé é um ser amargo, ressequido, árvore que não floresce, que se quebranta, aos poucos, antes de morrer. A própria razão nos conduz à fé, nos ensina que precisamos dela para viver melhor.

O sentimento de religiosidade é sustentação, é conforto na estrada íngreme da existência. Ele é a certeza do bom caminho que trilhará o indivíduo.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2006)

MEMÓRIA E PROCESSO PEDAGÓGICO

Izabel Sadalla Grispino *

Os avanços da ciência sobre o funcionamento do cérebro continuam clareando o procedimento pedagógico. No cérebro humano, dizem os cientistas, a memória vem em primeiro lugar.

A memória retém informações, arquiva-as e elas surgirão quando as apelamos. Divide-se em memória declarativa e memória processual. Declarativa, quando nos lembramos de algo, de algum acontecimento, de um número de telefone, de um nome..., e processual, quando ligada à habilidade de se fazer alguma coisa, por exemplo, andar de bicicleta.

Na memória declarativa, gravamos informações com mais facilidade, mas, também, com o tempo, esquecemos mais depressa. Na memória processual, a dificuldade para gravar é maior, mas, depois que aprendemos como se faz, como a coisa se processa, dificilmente esqueceremos. São exemplos: dirigir, ler, escrever, contar...

Inteirando-me das características e funcionamento da memória, passei a relacioná-los ao processo pedagógico, visto ter aí encontrado forte sustentação da metodologia renovada apregoada para o ensino-aprendizagem.

A escola utiliza-se bem mais da memória processual, que é onde se realiza, onde se constrói o conhecimento. Essa memória vai, aos poucos, gravando os passos adquiridos, em direção ao conhecer. Ela vem referendar o método construtivista, quando a criança, para chegar ao conhecimento, observa, manuseia, experimenta, analisa, formando conceito do assunto visado. É ela quem vai propiciar a interiorização, a formação das habilidades, quem desenvolve as faculdades de pensar, criar, inventar, agir...

A memória processual, em sua função, confirma a característica imprimida à aprendizagem, em termos de praticidade. Precisa ser prática, dar ao aluno a oportunidade de elaborar, de criar, ele próprio, o conhecimento. Hoje, a metodologia privilegia a autonomia na aprendizagem, a auto-educação, o caminho da ida e o caminho da volta, num processo de reversibilidade do conhecimento, enfatizado por Jean Piaget.

A memória processual consolida o preceito educacional de fazer do aluno o agente de sua aprendizagem. É o esforço próprio, a persistência que vai levar à fixação do conhecimento. É como diz Pedro Demo: “Tem que ralar, tem que maiar”.

Um outro prisma da memória é que ela pode ter curta ou longa duração. Curta, quando guardamos na lembrança por pouco tempo, havendo, nesse caso, um limite em reter as informações. Para uma memória longa, melhor, para que retenha algo por mais tempo, é preciso treinar muito e repetir bastante.

Essa é uma outra confirmação do que a escola já fazia empiricamente, ou seja, a importância, na aprendizagem, da repetição, dos exercícios continuados na seqüência do currículo, da utilização do processo de retorno ao assunto, de tempos em tempos, para que haja uma boa fixação da matéria.

Um fato interessante da memória é que ela não é um tipo de órgão, glândula ou coisa parecida e nem está localizada em local determinado no cérebro. A memória, confirma a ciência, é uma reação biológica e psicológica que acontece dentro da cabeça. Daí a importância de aliar a pedagogia à psicologia. De se ressaltar, no ensino-aprendizagem, os estímulos, o interesse, de despertar a confiança, trabalhar a auto-estima, considerar, em cada aluno, o seu limite, o seu potencial, as suas virtualidades e o seu ritmo. Estes são os fatores que garantem a ausência do fracasso. Todo professor sabe que, ganhando a afetividade e a confiança do aluno, ele já está ganhando uma porcentagem alta na aprendizagem. Esta surge em decorrência.

Há, contudo, o chamado lobo temporal – um pouco acima das orelhas – caracterizado pelos cientistas como um importante reservatório de acontecimentos passados. Esse lobo temporal costuma ser muito ativado na idade adulta, razão pela qual os idosos lembram de coisas muito antigas. Há, também, o neocórtex temporal, que se acredita ser a região envolvida com a memória longa e memória declarativa.

O que surpreende é a extensão da memória, que chega até a amígdala, região da garganta, que tem, inclusive, importante função.

A cada passo vamos percebendo os fundamentos científicos dos métodos ativos, consagrados pela nova escola. Eles  não  trazem  apenas  o resultado  de uma observação contínua, de uma comprovação prática de seu uso no dia-a-dia, mas o resultado de pesquisas científicas, da lógica racional.

Ao abordar o tópico “Métodos ativos para a aprendizagem”, no meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), na pág. 243, eu digo: “A escola não se sustenta mais como transmissora, ela deve ser construtora do saber. A disciplina não é mais imposta, mas discutida e estabelecida juntamente com os alunos.

Os métodos ativos são uma necessidade da nossa época. Não são novos na literatura pedagógica. Ao longo dos tempos, eles vêm sendo citados, mas pouco usados. Não havia uma conscientização geral de sua aplicabilidade. Hoje, porém, são indispensáveis, consagrados. Eles começaram a se despontar, com mais vigor, no final do século XVIII”.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em setembro/2005)

Caixa de texto: Clique para voltar ao sumário* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em setembro/2005)

LIÇÃO DE MATURIDADE CÍVICA

Izabel Sadalla Grispino *

O que leva uma pessoa a se debruçar, horas a fio, meses e meses, numa transpiração, às vezes, dolorosa, para fazer ressuscitar as imagens do passado, a História de um povo, que caminha para sua realização? Indubitavelmente, o amor, mas muito também a consciência do valor desse passado, na manutenção da luta e dos ideais de toda uma população. Interessar-se pelas coisas da terra, da Pátria, é um ato de responsabilidade cidadã.

Quem ama preserva. A visão amadurecida sobre o desenrolar da vida nos faz retornar ao passado e preservá-lo para a posteridade, não deixando morrer as lições e o alicerce de que é portador. A clara noção da marcha do tempo, de sua inabalável destruição, reforça a intenção. O tempo marca a passagem do homem no curso da existência. No seu caminhar a vida passa. Triste ver o tempo esvair-se e não se atrever a registrar seus grandes momentos, seus personagens históricos, os valores vividos por uma época.

Estudar a História, a vida de um povo, seus costumes e tradições, são lições de civismo, de patriotismo, de amor à terra. Precisamos fazer memória de nossa terra, de nossa gente. A Pátria exige memória, é nela que estão os seus valores. Um povo que não sabe de onde vem, não sabe para onde vai. Um povo sem memória, sem tradições, divorciado de seu passado, abdica de si e se integra a uma outra civilização. Cultuar o passado é iluminar o presente e o futuro. Por isso, o grande escritor Guimarães Rosa dizia: “O passado também é urgente”.

Imbuída desses conceitos e do amor que tenho à minha gente, à minha terra, recentemente, lancei o livro: “Uma Viagem no Tempo: Guariba, em Minhas Lembranças”.

Terra natal é coisa séria! São silêncios, inspirações, alegrias e muito envolvimento. Quis guardar o seu passado, o seu legado histórico, refletindo a vida cotidiana da cidade, com sua movimentação, seu comércio, a era cafeeira e a canavieira, sua educação, o papel da Igreja Católica em sua cultura, as amizades, os momentos de lazer, as pessoas que nela circulavam, transmitindo um realismo palpável.

A cidade carrega a história das gerações. Ela é um organismo vivo, não pára, caminha, se modifica. O livro retrata uma sociedade que, praticamente, não está mais aqui, faz chegar às mãos das novas gerações a forma primitiva de Guariba. Leva-as a conhecer a Guariba-menina, conhecê-la pequenina, com os encantos que possuía. Relembro, com admiração, as famílias que edificaram a cidade, com seus ideais, seus sonhos, sua chama, sua determinação. Recordo, com emoção, a imagem dos valorosos imigrantes, força que foram de alavanca da cidade.

Passo a passo com a História, com minhas lembranças e participações na vida da cidade, ele vai formando conceitos de amor e de responsabilidade à terra onde se vive, à Pátria,  educando para o patriotismo e senso de pertencimento. É um livro valioso às escolas, à formação integral do adolescente, à sua politização, ao entendimento da relação do homem com seu meio. Busca sensibilizar, conquistar o jovem para a prática da cidadania, tendo como base o amor à sua terra.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2007)

REALIDADE CONFLITANTE

Izabel Sadalla Grispino *

Constata-se em nosso País o estabelecimento de conexões do crime aqui praticado com o crime organizado internacional, deixando a sociedade nas mãos de bandidos de alta periculosidade.

Os descuidos políticos na área da segurança estão sendo dolorosos para o País. Poderes advindos do crime vão se firmando no mundo todo, com forte representatividade no Brasil. São as sombras do mal rondando a terra. Prendem-se à alça da ganância, do terror, da destruição, transformam-se num mercado sumamente lucrativo.

Vive-se no preceito de que vale mais quem tem mais, criando nessa inversão de valores estímulos a contravenção. O gérmen do crime está muito nesses valores invertidos, subvertidos, antiéticos e, sob esse prisma, o seqüestro atua numa sociedade onde os poderes se encontram.

Há, segundo consta, vários esquemas no País visando criar uma grade de proteção contra o crime. Porém, ao que tudo indica, as causas mais profundas, mais reveladoras da violência são de caráter social, como a miséria, o desemprego, a concentração de renda, cada vez maior e sem condições de fomentar o crescimento dessa renda em favor da população mais pobre.

O capitalismo selvagem, o mundo do grosso dinheiro, vêm trazendo comportamentos agregados, com um capital girando em torno de si mesmo e produzindo um consumismo exagerado. Paralelo a esse regime, surge o estabelecimento de poderosas organizações, possuidoras de um portentoso aparelho criminal, enfrentando com grande desigualdade e grande vantagem o desestruturado e arcaico aparelho policial do País.

A descrença é geral, a proteção, praticamente, inexistente ao cidadão. A epidemia de violência demonstra, claramente, que os bandidos estão soltos, dão pouca importância aos encarregados de manter as leis. O que tudo indica é que o crime organizado tem muito dinheiro para alimentar essa negra situação.

Diante de tanto desalento, a imagem da educação surge como o grande lenitivo, o grande socorro. A passagem, dos jovens, dos valores morais, éticos, a formação humanística, a visão de felicidade que advém de uma vida simples, solidária, o apego à religiosidade, são conceitos que, em seqüência, trarão a esperança da reversão.

Elevar o nível de ensino das escolas públicas, aparelhando-as condignamente, ministrando um ensino de qualidade, resgatam compromissos com a sociedade, no sentido da exclusão dos despossuídos Criar frentes de trabalho, dar condições de vida digna aos necessitados, são saídas que, sem dúvida, trarão o equilíbrio social tão necessário. Creio serem esses os melhores caminhos a trilhar, começando já, sem perda de tempo, para que, a médio e a longo prazo, possamos sair dessa assustadora realidade social.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2006)

CAMINHOS CONSTRUTIVISTAS NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

As escolas partem para semear transformações na educação. Os alunos trabalham em projetos que eles criam  e desenvolvem, nos quais empregam conhecimentos adquiridos não só na escola como no seu dia-a-dia.

O computador, por exemplo, não se torna apenas uma fonte de dados, mas um instrumento de comunicação entre eles. Os alunos caminham com autonomia na aprendizagem. Discutem determinadas questões e eles próprios decidem o que fazer. Montam um projeto, pesquisam, fazem o acompanhamento e analisam os resultados, sempre sob a orientação dos professores.

Os professores são treinados para utilizar atividades de ensino construtivistas, que levam o aluno a construir o conhecimento. O filósofo e psicólogo suíço Jean Piaget descobriu que as crianças não pensam como os adultos, têm sua própria ordem e sua própria lógica. A pedagogia tradicional as tornava “recipientes” a serem preenchidos com conhecimento. Elas são, contudo, ativos construtores do conhecimento, tal como fazem os cientistas que criam e testam suas próprias teorias.

O aluno não é um ser passivo e o conhecimento é o resultado da interação entre ele e o mundo. O conhecimento não é cópia, mas resultado de uma construção/elaboração do mundo ou, como dizia Jean Piaget, “assimilação da realidade”.

Construir o conhecimento é aprender, numa estrutura em construção, algo que se quer conhecer. Para haver aprendizagem, não basta a transmissão da informação, por mais competente que ela seja. É o sujeito que, fazendo relações, associando o novo ao já conhecido, vai construindo o conhecimento, segundo a sua estrutura em formação. Novos sentidos serão construídos em cada sujeito, de acordo com os esquemas de compreensão que já adquiriu. Ao longo da vida, o sujeito terá oportunidades diversas de ressignificar o conteúdo de acordo com sua experiência.

No construtivismo dizemos que ser educador é possuir a sabedoria de fazer brotar a sabedoria do outro, fazendo-o tomar posse do verdadeiro saber, saber compreendido, assimilado de dentro para fora. Por isso, educar é ter o poder de ensinar a aprender, é trocar experiências vividas, fazendo surgir novas luzes. O método de ensino adotado pela escola e aplicado pelo professor tem efeito considerável sobre a aprendizagem. Um método distorcido, distanciado da realidade da sala de aula, sem o aprimoramento de seus passos, pode levar o aluno ao fracasso.

A escola deve ajustar-se ao perfil do aluno, às suas características de personalidade, ao seu ritmo de aprendizagem, ajudá-lo em suas buscas. Não deve lhe apresentar um conhecimento pronto, acabado, mas construir com ele o conhecimento, recriar conjuntamente a cultura. Hoje, a escola se distancia da visão culturalista, enciclopedista. Ela aborda a cultura do dia-a-dia, questões de relevância social, de interesse dos alunos, trazendo um conteúdo significativo, um conteúdo contextualizado.

A alfabetização é ponto-chave no processo de aprendizagem. Ela, também, deve partir do estudo da cultura da comunidade do aluno, em que nível lingüístico e cultural ele se encontra, quando chega no 1.º ano do ensino fundamental, e em que nível se quer fazê-lo chegar. A escola, reconhecendo e respeitando o universo de onde veio o aluno, adaptando-se a ele, fará uma adequação do universo cultural que ele trouxe com o universo oferecido por ela, evitando que ele se sinta um estranho no ninho. Dessa maneira, a escola provocará uma ruptura bem menor desses universos. O aluno, aceito em sua maneira de ser, vai percebendo que é possível articular a sua linguagem com a da escola.

Reivindica-se à escola que, a partir de uma cultura popular, ela crie uma consciência de sua necessidade de formar um elo, uma relação de articulação serena, entre o seu universo e o da criança. No momento em que essa articulação se concretizar, a aprendizagem estará garantida. A criança não se sentirá frustrada, olhada como alguém que fala um discurso estranho. Perceberá que não há discurso distinto entre o dela e o da escola. Vai evoluir com naturalidade, não vai decorar ou repetir aquilo que lhe mandam. A passagem entre o seu mundo e o das letras processou-se de modo tranqüilo, com respeito e valorização (trecho extraído da aba da contracapa do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola).

Esse é um grande passo para integrar o aluno no recinto da escola e motivá-lo a ela.

Um outro grande passo é respeitar o seu momento diante da aprendizagem, visto que o desenvolvimento infantil ocorre por fases. Esta foi uma das razões que se pensou em organizar as escolas da rede em ciclos, que coincidem com as fases do desenvolvimento, aumentando as possibilidades de aprendizagem, pois o ritmo das crianças é respeitado. Além disso, nesse processo são levados em conta os conhecimentos que as crianças trazem de casa e da convivência social.



* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em março/2006)

NOVAS EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Atualização constante, reciclagem de conhecimentos, experiências educacionais em sintonia com as mudanças mundiais, são pré-requisitos para uma segura atuação docente.

A educação básica tem se preocupado cada vez mais com a educação integral. Na educação infantil, fase da formação do caráter, o ambiente escolar é focado na educação. Garantem-se todos os direitos da criança, especialmente o de brincar. Brincando, ela vai aprendendo regras, noções de ordem, espaço. Torna-se mais independente, sabe escolher e é mais sociável.

Escolas há que vêm adotando novas propostas educacionais. Nelas só se ouve, praticamente, a voz dos alunos. Entendem que o professor não precisa levantar o tom de voz para falar a uma criança. Ela compreende o que se quer dizer quando se fala olhando diretamente nos olhos. Nessas escolas, apesar de bem pequenas, as crianças não andam em filas, não sentam em carteiras enfileiradas e não são obrigadas a desenvolver nenhuma atividade que não queiram. Primam pela individualidade e independência. Contudo, observa-se que as crianças respondem prontamente aos chamados, o que, geralmente, são convites para atividades agradáveis, programadas.

Os estímulos para a aprendizagem estão por toda a parte, desde as pinturas no chão, até as cestas de lixo. A criança vai adquirindo visão das coisas, de modo mais saudável, mais ordeira. Elas se encarregam de transmitir à família, aos pais, conceitos adquiridos na escola, como, por exemplo, costumam chamar atenção quando alguém joga papel na rua ou quando alguém fala palavrão. A criança é um grande veículo de educação na comunidade.

As escolas trabalham muito integradas com os pais. A pintura dos desenhos do chão é, por exemplo, mudada periodicamente e os pais oferecem-se para fazer retoques, assim como participam diretamente de outras atividades.

Ultimamente, vem-se notando que os pais estão ficando cada vez mais dependentes da escola. Eles delegam à escola parte da responsabilidade que são deles e o reflexo dessa transferência é o aumento da procura pelo ensino em período integral. O que parece é que eles dão excesso de liberdade aos filhos, necessitando, depois, de freios externos. Outros não sabem como lidar com certos problemas, como o das drogas e necessitam da ajuda da escola.

É preciso que os pais se conscientizem de que a escola tem um papel complementar na educação de seus filhos, embora faça parte de seu papel discutir sexo, drogas, cidadania, valores morais, respeito ao meio ambiente...

Uma pesquisa realizada pelo Sistema Anglo de Ensino, no fim de agosto do corrente ano, com pais de alunos matriculados em escolas de educação infantil, até em cursinhos do País todo, revela que os pais querem uma escola disciplinadora, que discuta todo tipo de assunto com seus filhos, em especial as drogas. O estudo foi realizado com 16 mil famílias de classes A e B que têm filhos em escolas particulares e mostra essa dependência dos pais às escolas, fato que os educadores e psicólogos já haviam constatado na prática.

Quando questionados, em três itens principais, sobre o que os levariam a mudar o filho da escola, a resposta, em ordem decrescente, foi: a) problemas com drogas (68,9%), b) o aumento das mensalidades (43,8%) e c) o pouco rigor na disciplina (32,4%). Sobre as características mais importantes que os levariam a escolher uma escola, os pais colocaram, em primeiro lugar, o bom ensino e os bons professores (74,1% das respostas), em segundo, um “método moderno” (50,4%) e, em seguida, a mensalidade adequada ao orçamento (35%). Segundo o Sieesp, a mensalidade média, na rede particular em São Paulo, gira em torno de R$ 500,00.

Os pais ao serem consultados sobre o que esperam da escola com relação às drogas, deram as seguintes respostas: 71,6%, orientação e campanhas de combate ao uso; 64,5%, fazer parcerias para programas de prevenção; 27,9%, repelir duramente e 3,4%, não deve tratar do assunto.

Uma outra séria questão diz respeito à orientação de prevenção, para crianças de 4 a 6 anos, à aids e a doenças sexualmente transmissíveis. Até pouco tempo, discutia-se a viabilidade de tal precocidade, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) já aplica este novo modelo no Canadá, na Holanda, na Dinamarca e em Cuba, como medida de proteção à saúde, desde a educação infantil.

No Brasil, há uma proposta nesse sentido, quando, pela primeira vez, ela está sendo discutida pelos Ministérios da Saúde e da Educação, com o objetivo de criar uma política nacional de promoção à saúde nas escolas, que iria da educação infantil ao ensino médio. Entende-se que prevenção envolve o desenvolvimento, desde a infância, de competências para a vida, o que a OMS chama de life skills, como assertividade, auto-estima, capacidade de negociação, relações de gênero. Entende-se que prevenção a DSTs, aids e uso abusivo de álcool e outras drogas não pode se limitar à adolescência e deve ir além da abordagem específica desses assuntos.

As crianças que interiorizam esses conceitos desde cedo têm, segundo os especialistas, mais chances de chegar à adolescência menos vulneráveis. Para a consultora do Ministério da Saúde, Marina M. Valadão, “só se deve falar diretamente em camisinha, droga e aids para crianças de 4 anos se elas perguntarem. E elas perguntam e muito; estão sendo bombardeadas com mensagens erotizadas na TV e nos outdoors”. Como os pais não falam com facilidade de drogas e sexualidade, sobra para a escola abordar esses assuntos.

Para transmitir essas orientações, o Ministério da Saúde fornecerá aos professores, que lecionam desde a educação infantil, a partir de janeiro, amplo material de apoio, onde “aparecem sugestões de atividades específicas para estimular nos alunos formas de pensar que, no futuro, poderão se traduzir em prevenção”. O Ministério da Saúde vem buscando integrar-se ao MEC, para ilustrar conjuntamente os professores.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2003)

O ENTENDIMENTO QUE DEVE SER ALCANÇADO

Izabel Sadalla Grispino *

O nosso sistema de ensino, no grau debilitado em que se encontra, vem minando a estabilidade e o desenvolvimento futuro do País. A falta de conhecimento da população está diretamente ligada à desordem social.

Que sociedade teremos, daqui a alguns anos, se nossas crianças não conseguem aprender? Enfrentar o fracasso de nossas escolas requer uma análise profunda das falhas de estrutura e incentivos ao sistema. Pensa-se, hoje, numa ação conjunta, integrada de todos os Estados e municípios.

As universidades e institutos de pedagogia preparam mal o professor para o exercício em sala de aula. Ainda, observa-se pouco interesse na solução de problemas sistêmicos do ensino público. O sistema tem negligenciado os resultados acadêmicos, voltando-se mais aos benefícios de infra-estrutura que do produto de seu ensino, levando os nossos jovens ao analfabetismo e a nação à pobreza.

Desenvolver capacidades institucionais, nos diversos domínios da educação escolar, vem alcançando o entendimento geral, a fim de viabilizar soluções de ordem pedagógica e da desordem crônica das escolas.

Uma consistente reforma educacional deve ser providenciada se quisermos salvar nossos jovens do analfabetismo e a não da pobreza. A coisa é mais preocupante do que se apresenta. Entram em jogo o desenvolvimento econômico, a desordem social, gerando violência e perturbações de toda ordem.

Na constatação de que a baixa escolaridade – o jovem, em média, tem 8,5 anos de estudo – é entrave ao desenvolvimento, o Banco Mundial (Bird) apresenta um trabalho em que demonstra o tamanho do estrago que ela traz ao social e ao sistema econômico. Apresenta um relatório “Jovem em situação de risco no Brasil”, divulgado em 25 de julho p.p., mostrando que os custos para o País são muito mais amplos: violência, aids, gravidez precoce, desemprego, abuso de drogas e álcool. Custos não só em despesas diretas do País, quanto no que esse jovem deixará de produzir para si e para o País.

O Banco Mundial conclui que o Produto Interno Bruto (PIB) deixa de crescer meio ponto percentual por ano, porque um grande contingente de jovens não consegue terminar a escola, não consegue aprender. Essa porcentagem, explica o Banco, significa que em uma geração (30 ou 40 anos, neste caso) o Brasil deixa de ganhar R$ 300 bilhões, o equivalente a 16% do Produto Interno Bruto.

O Banco conclui que “a baixa acumulação de capital humano permite antecipar uma futura geração que não será competitiva nem na região, nem no mundo”. Mostra que o número de jovens, que chega ao ensino superior no Brasil, é o menor da América Latina. A pobreza, aliada à incompetência escolar, faz com que todos os demais riscos aumentem.

Assim, uma nova escola deverá surgir, na conscientização da boa educação a ser dada aos jovens, a essa parcela da população mais importante do processo de desenvolvimento do País. Se se conseguir avançar nessa direção, os demais problemas decorrentes serão amenizados.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2007)

CONSCIÊNCIA DA REALIDADE

Izabel Sadalla Grispino *

Voltamos à análise do sistema educacional brasileiro. Análise de ângulos diferentes, por vezes repetitiva, porém necessária como alerta. A radiografia do ensino básico mostra um sistema ruim, pedindo socorro, com políticas direcionadas à educação.

O grande desafio é entender o que se passa com a qualidade do ensino brasileiro e dar prioridade absoluta à educação básica. Não se constrói  uma casa pelo teto. São as estacas enfincadas no chão que lhe dão estrutura, sustentação.

Todas as vezes que o Brasil participa de avaliações comparativas internacionais, nossos estudantes ocupam, sistematicamente, as últimas colocações, em língua, matemática e ciência, sem falar dos péssimos resultados obtidos em exames internos, feitos pelo Saeb, hoje Neb, pela Prova Brasil, pelo Enem e outros. “O ensino básico cresceu de modo espetacular no Brasil, mas a qualidade dele nos põe na rabeira do mundo”, diz o virtuoso Cláudio de Moura e Castro.

É preciso desenvolver a consciência nacional de que nosso sistema de ensino é ruim, olhar de frente, encarar a situação, tentar consertá-la. Enfrentar a diversidade cultural que toma conta da escola. Ensinar o que o aluno pode aprender e não o que o professor gostaria de ensinar. Abraçar uma pedagogia que alcance o aluno fraco e não descuide do aluno forte. Uma pedagogia concreta, real, distante do abstracionismo, aplicada à sala de aula. A tecnologia ajuda, mas não resolve, não substitui a boa aula.

A sala de aula não vai bem, o professor não aprendeu a ensinar. O aluno aprende pouco, perde muito tempo ou decorando ou copiando do quadro negro, em aula expositiva, ao invés de aprender a pensar, a pesquisar, a chegar às próprias conclusões.

A associação entre a capacidade do professor e a aprendizagem do aluno ainda não impregnou a classe docente. Classe, aliás, sofrida,  padecendo de baixa estima e, também, de severas lacunas na formação profissional. Como conseqüência, surge a falta de qualidade, incidindo sobre todos os graus de ensino. Essa falta prejudica a qualidade da mão-de-obra, ditando para o futuro uma queda mais lenta da desigualdade social.

É a escola que detém a manutenção ou a diminuição da desigualdade social. Um bom ensino repercute em emprego, em melhores condições de vida, sustentando a correlação entre educação e desenvolvimento. Um mal ensino só reproduz essas desigualdades no País.

Nesse quadro de valores, como pode o Brasil formar o capital humano necessário ao crescimento econômico, do qual dependem a redução de pobreza e a inclusão social das camadas menos favorecidas da população?

A qualidade de ensino advém de professores que dominam o conteúdo e aprenderam a dar aula. De currículos claros, explícitos, contextualizados. Do uso de bons livros didáticos, que acompanham o professor na sala de aula, da avaliação contínua, da recuperação paralela e da exigência de disciplina em aula.

O interesse dos pais pelo estudo dos filhos, um bom diretor, são fatores que corroboram com a qualidade de ensino. Costuma-se dizer que a escola tem a cara do diretor.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em novembro/2006)

AVANÇAR NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Uma inscrição esculpida no mármore da arquitrave da biblioteca pública de Boston diz: “A comunidade exige educação do povo como salvaguarda da ordem e da liberdade”.

Não parece ter sido fácil, aos nossos governantes, atingir esse pensamento, tendo em vista o nosso sistema educacional decadente. Educação está na base de qualquer alteração social. Nosso atraso educacional salta aos olhos. Um trabalho de conscientização da necessária elevação do padrão de ensino, atingindo, em massa, a formação continuada do professor, viria como um colírio para suavizar a deficitária e falha estrutura educacional.

O professor ainda veste a camisa da escola tradicional, transmitindo o conhecimento mais na base de lousa e giz. De um modo geral, resiste ao computador, deixa de usar este recurso e de estimular o aluno a aprender. Assim procedendo, não se enquadra, devidamente, à época vivida pelo aluno. Nessa era digital da sociedade cibernética, o raciocínio do aluno tem uma velocidade muito maior que há 20 anos. O professor, utilizando-se de métodos arcaicos, não se modernizando, impede o aluno de avançar e de encontrar um sentido maior na escola.

A escola precisa ser mais assistida, para melhor assistir, mais ajudada, no nível técnico e no nível financeiro. É preciso fazer dela prioridade nacional, lugar que nunca deveria ter deixado de ocupar. Como fazer o aluno avançar nos conhecimentos da informática, na evolução do raciocínio, da observação, da análise, da crítica, se quem o conduz é um profissional pouco aprimorado no assunto?

Hoje, sabemos, por exemplo, que os games de ação ajudam o cérebro. Jogos podem melhorar as habilidades visuais e os tempos de reação dos praticantes. Segundo uma nova pesquisa feita nos Estados Unidos, pessoas que brincam regularmente com jogos de ação de computador processam mais rápido informações visuais e com mais precisão que aquelas que não jogam. As conclusões sugerem que os jogos, anteriormente criticados, podem ter efeitos positivos e ser úteis para o ensino e o desenvolvimento de habilidades, desde que usados com moderação. Parece que a ação rápida que se desenrola na tela do computador pode treinar o cérebro para responder com mais eficiência a estímulos particulares, concluem os especialistas de ciências do cérebro.

Praticar o game, porém, não se tornar um jogador compulsivo, porque pode desenvolver também um nível de atenção muito pouco seletivo, além de a criança ficar mais impaciente e agitada. No dia a dia, o que se nota é que os games estão dando respostas mais rápidas e novos modos de comportamento. Um professor analfabeto em informática não acompanhará a agilidade dos alunos pós-modernos. Em muitas escolas oficiais não existem computador, em outras, os computadores ficam trancafiados numa sala, porque os professores não sabem como utilizá-los.

Hoje, o professor não tem como ignorar essa ferramenta de trabalho, não tem como não introduzi-la na sala de aula. O computador beneficia não só o ensino-aprendizagem como a vida do aluno, da comunidade, em geral, que acaba se beneficiando também. Na Índia, por exemplo, o governo priorizou o envio de computadores para as escolas situadas em áreas pobres do país e treinou os professores. Os resultados dessa política atraíram a atenção de técnicos da ONU e da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que registraram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. A informática vem se revelando como fator primordial para atenuar as desigualdades locais e regionais.

Percebe-se que a resistência da escola às novas tecnologias afeta a qualidade do ensino, desestimulando o aluno. É um retrocesso, inclusive, ao progresso da região onde ela se localiza. O computador abre caminho para um aprendizado que faz mais sentido para o aluno, porque permite executar projetos e pesquisas sobre situações reais da comunidade, quando força o aluno a procurar na matemática, na língua portuguesa e nas outras disciplinas os recursos na busca de soluções. A escola insere-se mais na comunidade, que ganha com essa inserção. A presença do computador é também indicador de qualidade de vida. Ele traz conseqüências benéficas e duradouras na vida dos beneficiados. Há pesquisas que mostram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. Escola e professor precisam mudar, aceitar seus novos papéis. A transmissão do conhecimento pelas vias tradicionais já está obsoleta. Construindo o conhecimento, professores e alunos passam, ambos, por uma experiência colaborativa de aprendizagem.

O desafio é fazer com que os professores mais tradicionais deixem de ter resistência ao computador e passem a usar este recurso para estimular o aluno a aprender e colocá-lo na modernidade.

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Izabel Sadalla Grispino *

O grande problema da frustração, que acompanha o ser humano a vida toda, tem sua origem, quase sempre, na infância: uma criança comparada com outra, tendo que se sair tão bem ou melhor que a outra!

As crianças entram numa competitividade desigual, fortemente desgastante e sem sentido. Elas são potencialmente diferentes e vão se aflorar em direções diferentes. Ninguém é igual a ninguém; difícil na educação é conduzir as individualidades, as especificidades.

O grande slogan das escolas atuais é o atendimento individual, o desenvolvimento das potencialidades. O avanço do método científico vem se apoiando, cada vez mais, no ensino diferenciado, personalizado, fundamentado nas diferentes habilidades de cada indivíduo. As mentes são diferentes e não há uma única inteligência capaz de comparar as crianças, diz a ciência. É preciso, pois, respeitar as diferenças.

A moderna pedagogia escolar apóia-se na teoria das inteligências múltiplas, estudadas, entre outros, pelo psicólogo e professor americano Howard Gardner, da Escola de Educação de Haward. Sua teoria diz que as pessoas são potencialmente múltiplas e possuem oito habilidades cada uma, ou seja, oito inteligências. São elas: inteligência musical, lógica – matemática, lingüística, corporal cinestésica, naturalista, intrapessoal, interpessoal e espacial.

A escola deve desenvolver a potencialidade de seus alunos, estimulá-los em todas essas inteligências, respeitar, porém, suas preferências, seus interesses.

Um outro aspecto importante da aprendizagem é a evolução natural dos processos psíquicos do educando. Professores e pais devem acompanhar, passo a passo, os avanços adquiridos e exigir das crianças apenas aquilo que elas podem conseguir fazer por si mesmas.

Um trabalho apresentado por uma criança que não corresponda ao seu nível de entendimento, ao seu nível de ensino, deve ser questionado sobe a real procedência. Teria tido o trabalho a participação de uma outra pessoa? Muitas vezes, os próprios pais, no afã de o filho vencer uma competição, de impressionar o professor ou visando a obtenção de notas altas, encarrega uma terceira pessoa  para “melhorar” o trabalho do filho.

Isso caracteriza um desvirtuamento da aprendizagem. A criança se refugia na ajuda, se encosta e se acomoda. Não evolui e se torna incapaz de avançar com autonomia e condições próprias, incapaz de transpor barreiras e enfrentar desafios, utilizando-se das próprias armas. Reforço na aprendizagem é de grande valia, contudo a elaboração dos textos é de exclusiva competência do aluno.

Pedir ou permitir que se façam exercícios, redações, resumos de livros, críticas literárias, para os filhos, é prejudicá-los, torna-los inseguros ao enfrentar, por si, algo a cumprir.

Ademais, esses pais estão ensinando os filhos a camuflar, a serem desonestos, perdendo, aos poucos, a sua autenticidade. Não os ensinam a crescer com responsabilidade, a fazer aquilo do que são capazes, a trilhar e desenvolver os próprios caminhos, a perceber a sua vocação, o seu limite, a sua tendência profissional. Essa criança não recebe estrutura mental compatível com as dificuldades da vida.

Um professor atento, zeloso do atendimento individual, perceberá, facilmente, as fraudes projetadas. Deverá conversar com os pais e elucidar a questão.

Educar é processo complexo, de estudo e reflexão. É um colocar frente ao espelho e definir, para o seu educando, linhas honestas, coerentes, de atuação.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em novembro/2006)

O COMPUTADOR E A EDUCAÇÃO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

O computador é um excelente auxiliar na construção do conhecimento, em todas as fases da aprendizagem. Ele é útil desde a educação infantil, quando crianças são alfabetizadas através dele, e com vantagens.

A criança vai, aos poucos, manuseando o computador, explorando-o, conseguindo demonstrar que sabem e que são capazes de produzir. Diante do computador, a criança tem liberdade para criar, inventar palavras, histórias, desenhos, emocionar-se, estimular-se. Por isso, as crianças gostam muito de trabalhar com ele.

O computador dispõe as informações de maneira clara, objetiva, lógica, favorece a exploração espontânea e a autonomia na aprendizagem. Ele pede reflexão, atenção, definição do que se quer fazer. A criança aprende a se organizar e passar informações ordenadas, digitando corretamente.

O computador favorece a auto-aprendizagem, a autocorreção, porque dá um retorno imediato do processo de construção. Ele trabalha numa disposição espacial das informações que pode ser controlada, seqüencialmente, pela criança, desenvolvendo o seu campo perceptível visual e seu raciocínio lógico. As possibilidades enriquecem-se e trazem oportunidades variadas. Ao trabalhar imagens e textos de forma combinada, o computador ativa os dois hemisférios cerebrais.

No processo da aprendizagem, ele vem sendo apontado, por educadores, como um facilitador do desenvolvimento natural da expressão simbólica da criança no uso de caracteres gráficos. Esse fator é importante tanto na fase da alfabetização como no desenvolvimento posterior da leitura e da escrita. Vale a pena conferir.

Os projetos pedagógicos devem fazer com que o aluno use a tecnologia para pesquisa, trabalhos em equipe, para raciocinar e dialogar em um mundo interativo. O computador é uma ferramenta a mais na aprendizagem, de precioso alcance, mas não absoluto. Ele precisa estar conjugado a outros métodos pedagógicos, fazendo da educação um processo abrangente e reflexivo, como, por exemplo, a formação do hábito da leitura, seguido do debate, dotando as crianças de capacidade expressiva, de interpretação.

A leitura freqüente leva a uma melhor escrita, a um raciocínio mais apurado, a um mais alto nível de inteligência, a uma habilidade expressiva consistente. A psicologia vem demonstrando que existe uma correspondência estreita, uma forte correlação entre o nível de vocabulário e o quociente de inteligência, isto é, entre o domínio da linguagem e a inteligência. Quanto maior o número de palavras, quanto mais elaboradas as comunicações (por exemplo, entre crianças e pessoas adultas) mais potencializado fica o desenvolvimento da inteligência da criança.

Nas histórias, lidas ou contadas, deve-se ater à expressividade; ler ou falar com entonação, com ênfase, em determinados momentos, respeitando as pontuações, as exclamações, as interrogações, as reticências, despertando emoções, provocando reflexões, criando verdadeiros recitais. Esse ambiente de representação recupera a arte, que foi deixada para trás, da récita.

Um outro aspecto da função da escola é a passagem dos valores morais. A pedagogia nos ensina que justiça, solidariedade, tolerância, obediência às regras, respeito ao limite, são valores que se aprendem, como também se aprendem os antivalores: injustiça, crueldade, preconceito, egoísmo, desrespeito ou desprezo pelas normas.

A escola de educação infantil deve primar-se por formar moralmente as crianças, porque é nessa faixa de idade que se constrói o alicerce. Sabemos hoje que, ultrapassada a fronteira da infância, em torno dos 13 ou 14 anos, fase da adolescência, a mudança de personalidade torna-se muito difícil. “É de pequeno que se torce o pepino”.

É responsabilidade, pois, da escola infantil educar para os valores morais, assim como para a leitura, a escrita, a comunicação, habilidades que devem ser iniciadas desde cedo, durante a infância. Entre seus métodos de ensino, a inserção do computador não é mais escolha e, sim, necessidade. A criança fica em dia com as inovações da época. Enquanto brinca, enquanto aprende a lidar com o computador, alfabetizando-se, se conduzida com carinho, com diálogo, com a devida orientação pedagógica, ela vai se modulando, pouco a pouco, tornando-se um adulto responsável, altruísta, solidário com os demais seres humanos.

A escola infantil, por contribuir com esses atributos na formação da criança, é hoje, considerada o grande baluarte da transformação social, especialmente em termos de mudança comportamental. Ela é o alicerce da aprendizagem global, a que deixa a criança pronta para aprender. Alicerce do desenvolvimento cognitivo, afetivo, psicomotor.

Acordou-se para o importante papel da educação infantil. Na “Reunião das Américas para Avaliação da Educação para Todos”, realizada em São Domingos, capital da República Dominicana, em fevereiro de 2000, com a presença de ministros da educação da América Latina, Caribe, Estados Unidos e Canadá, colocou-se como prioridade, nas Américas, o investimento na pré-escola. O documento conclui: “A insuficiente atenção ao desenvolvimento integral das crianças na primeira infância é o principal responsável pelas altas taxas de evasão e repetência na escolaridade básica. A prioridade de investimentos na pré-escola deve ser a primeira, dentre as outras, por garantir o direito universal de uma educação de qualidade desde o nascimento”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2001)

O NÍVEL SOCIOECONÔMICO E A APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Comprovadamente, o nível socioeconômico dos alunos repercute no seu desempenho escolar. A condição social e familiar são fatores que influenciam a aprendizagem.

O Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), de 2004, anexou à prova de leitura um questionário aos alunos da 3.ª série, sobre sua condição de vida, dedicação à escola e escolaridade dos pais.

O desempenho geral da série, sem levar em conta a condição dos estudantes, foi de 0,3% no nível ótimo de leitura, 5,8% no muito bom, 27,1% no bom, 37,7% no regular, 12,1% no insuficiente e 17,1% no abaixo do insuficiente. Os alunos da 3.ª série tiveram resultados semelhantes aos apresentados nas demais séries.

Um cruzamento de dados revelou que mais de 60% dos alunos que vivem em casas sem luz elétrica, por exemplo, ficaram em níveis de leitura insuficiente ou abaixo de insuficiente. As notas ruins se repetem entre os que moram em ruas sem calçamento ou casas que não têm água encanada.

A escolaridade dos pais também revelou conseqüência ao desempenho do aluno na prova. Mais de 54% das crianças cujas mães ou pais nunca estudaram estão nos piores níveis, significando que elas não são capazes de ler qualquer tipo de texto apresentado no exame, mesmo tendo, no mínimo, 9 anos de idade; a maioria tem mais.

Quando os pais cursaram o ensino superior ou mesmo o ensino médio, mais de 40% dos filhos estão nos níveis bom, muito bom e ótimo de leitura. Já compreendem trechos de reportagens, fábulas, propagandas em histórias em quadrinhos.

A tabulação mostrou, ainda, a influência negativa de defasagem entre idade e série. Mais de 67% das crianças que têm 13 anos ou mais e continuam na 3.ª série se encontram nos níveis insuficientes ou abaixo de insuficiente. Entre os que estão com 9 anos, 24,4% tiveram esse desempenho e 75,6% ficaram acima do nível regular, isto é, acertaram mais de 50% das questões.

Um grande princípio pedagógico é a escola aproximar-se da vida de seus alunos. Conhecer a realidade que os cerca e suprir, de alguma forma, as deficiências encontradas. Alunos marcados pela pobreza, pela ausência de bens culturais, devem encontrar na escola meios de suprir suas necessidades. Se moram em localidades onde não há eletricidade em casa, não têm, nessas condições, acesso à TV, ao vídeo, ao computador, sem falar das condições financeiras que não permitem tais comodidades.

A escola pública oferece a possibilidade de reposição desses recursos, que auxiliam a aprendizagem? O professor não pode se valer da idéia de que o aluno não vai aprender porque é pobre. Não pode se apoiar em suas condições de pobreza para justificar seu atraso. A escola tem que se preparar para desenvolver esses alunos, chegar até eles, reconhecer suas falhas, suas dificuldades e trabalhar as deficiências apresentadas.

No meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), no tópico “A inclusão do aluno à escola”  (pág. 55) eu digo: “Um dos objetivos prioritários da escola refere-se à inclusão do aluno no ambiente escolar. Em muitas localidades, especialmente nas periferias, é necessário incentivar o aluno a ir à escola, fazê-lo trocar o cotidiano das ruas pelo da escola. Nessas regiões, a escola compete com a rua... A escola precisa adotar projetos que resgatem a cultura popular da região. A construção da identidade, com base na educação que leva em conta as raízes, ajuda as novas gerações a manter o vínculo com a terra, sua gente, suas tradições.

O nível socioeconômico é um forte ponto a se considerar, tem séria influência, séria repercussão no andamento do projeto pedagógico e a ele deve ser ajustado...

O objetivo maior da educação é o aluno, ajustar-se a ele, conquistá-lo, ajudá-lo no desenvolvimento de sua personalidade, significa ganhar esse aluno para a escola... Tudo em educação gira em torno do aluno, em torno de sua boa formação... A escola não pula etapas, não tem como “fazer de conta”; a realidade é seu espelho, seu suporte, sua consistência. Ela parte do nível encontrado, seja do mais elementar e busca atingir um nível mais elevado, numa progressão continuada. Vale-se da conceituação de que a sala de aula é uma comunidade de investigação, um espaço de relações humanas, um lugar de interação social, zona de desenvolvimento proximal (Vigotsky). O grupo é sempre heterogêneo. O professor deve ficar atento às diferenças individuais, às diversidades e valorizá-las...

A escola vale-se da alternativa de que a escolaridade é a variável capaz de eliminar as diferenças sociais. “Educação é um ato de amor, de conexão, um ato de responsabilidade, de compromisso, de consciência social”.

A escola, imbuída desses conceitos, saberá encontrar o caminho da realização do aluno carente. Saberá programar ações, currículos, capazes de alcançar esse aluno. Saberá prever-lhe em seus projetos pedagógicos um lugar de tratamento adequado, definindo instrumentos que cheguem até ele. A escola abraçará o desafio de vencer a crise de aprendizagem, descobrindo o potencial do aluno, indo a ele não pelas deficiências, mas pelo que ele pode oferecer.

Esse comportamento da escola é inevitável. Com pesar vemos a divulgação da avaliação do Saresp, em que o maior contingente  dos alunos das escolas estaduais de São Paulo tem nível regular de leitura. Isso significa que muitos deles, dependendo da série, não são capazes de interpretar um texto, se os conteúdos não forem explícitos, identificar a seqüência dos fatos em uma reportagem ou perceber a ironia na literatura, informa o resultado do Sistema de Avaliação do Estado de São Paulo (Saresp).

O Saresp assinalou que a maioria das crianças que não freqüentou pré-escola se saiu pior e isso reforça a importância da educação infantil.

Quando uma boa parte dos alunos não aprende a falha é da escola. É ela quem precisa mudar, rever seus métodos de trabalho e atuar de maneira mais eficiente.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2005)

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: MOMENTOS DA AVALIAÇÃO

Izabel  Sadalla  Grispino*

No artigo anterior, constatamos que aspectos amplos do desenvolvimento do aluno devem ser avaliados. O professor busca informações para obter a compreensão do comportamento demonstrado pelo aluno. Essas informações, para efeito de organização, foram classificadas em três aspectos: físico e motor, social e afetivo e intelectual.

Para se avaliar hábitos de trabalho, responsabilidade, participação, relacionamento com colegas etc., deve-se levar em conta que as provas onde o aluno utiliza lápis e papel não são suficientes para dar informações sobre os aspectos do desenvolvimento considerados. Para saber se estes comportamentos ocorrem ou não, é necessário observar e estudar o comportamento dos alunos quando eles reagem em matemática, português, artes etc.

O professor deve avaliar como um educador, não como um comunicador de informação, deve interessar-se pelos alunos enquanto pessoas, valorizar suas atitudes e responsabilidade. Ao levantar os objetivos dos Planos de Ensino, deve assinalar os essenciais e dar conhecimento aos alunos. Deve colocar os padrões de rendimento aceitável, tomando por base os objetivos essenciais, em todas as atividades que serão avaliadas.

Depois de se ter decidido o que avaliar, uma outra questão surge: quando deve ser feita a avaliação?

MOMENTOS  DA  AVALIAÇÃO

“Tenho a cada momento uma ação,                 Tem sutil função controladora,                                                        Antes de uma seqüência de ensino,                  Recupera o ensino regular,
A diagnóstica faz sua função,                             Tem finalidade formadora,
Evita trabalho sem destino.                                  Escolaridade salutar.

Diagnostique o nível do aprendiz,                       Recuperar a avaliação
Planeje de acordo à realidade,                            Nas ações formativo-diagnósticas,
O aluno aprende e avança feliz,                          É da escola séria atribuição,
Visto no potencial, na irmandade.                      Pra alçar vôo, atingir veias humanísticas.

Antes do programa, dê pré-teste,                      No final da seqüência de ensino,
Para auscultar possibilidade,                             Pra promover e classificar,
No final, aplique o pós-teste,                               A somativa indica o caminho,
No confronto, a confiabilidade.                           Que o intelecto deve conquistar.

Durante o processo-aprendizagem,                  Aqui os desempenhos cognitivos,
Corrigindo o desvio quando ocorre,                   Pelos objetivos essenciais,
A formativa traz sua mensagem,                       Em avaliações cumulativas,
E o estudo paralelo socorre.                               Ditam os resultados finais.

Avaliação de acompanhamento                         Não cobre apenas uma só vez,
Não visa promover, nem reter,                           Pratique revisões espaçadas,
Aspectos do desenvolvimento                           Conduza o educando à solidez,
São objetivos a recorrer.                                     Testando atuações reiteradas.

É pro mestre valioso recurso,                            Usando bom senso e equilíbrio,
De identificação de fatores,                                Desprezando padrão absoluto,
Que ajudam ou esbarram o percurso,             Qualquer método, em bom desígnio,
E a adequação dos fios condutores.                Desempenha um papel enxuto.”

 

*Supervisora de ensino aposentada          
(Publicado em agosto/2000)

UMA PROPOSTA DE MUDANÇA

Izabel Sadalla Grispino *

Num debate sobre educação e capital humano, após análise e conclusão da inoperante educação básica brasileira, surgiu por parte do emérito prof. Eduardo Giannetti da Fonseca, economista PhD, pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, professor titular e coordenador do Ibmec, em São Paulo, uma proposta de mudança, de valorização do ensino fundamental, que vale a pena divulgá-la, levar os educadores a tomar conhecimento e a refletir sobre ela.

Constata-se que no Brasil chega ao limiar do ensino superior uma camada de alunos que mal conseguiu atingir o nível de competência necessário para passar de ano e se formar no ensino médio. Esses alunos não adquiriram, em sua formação, as qualificações necessárias ao grau de educação básica e vão freqüentar o ensino superior carregando uma defasagem significativa.

O Pisa, uma avaliação internacional, comparativa entre países, mostrou que não apenas o Brasil ficou em último lugar, como apontou algo incrível: “As crianças que vêm da elite brasileira entendem menos o que está escrito no papel do que os filhos de operários em países da Europa”. Isso torna evidente que a questão da escolaridade, em nosso País, está mal resolvida.

A sociedade brasileira desperta lentamente para a importância da educação. É preciso, pois, avançar nesse terreno e aperfeiçoar a visão docente sobre a necessidade de mudança. Apoiado nesse pressuposto, Giannetti propõe um exame nacional unificado, no final do ensino fundamental. Propõe uma avaliação que mostre que quem passou por esse processo educacional demonstre que adquiriu habilidades e capacidades associadas a este grau de ensino.

O estudante não terá o ensino fundamental completo, simplesmente por ter cumprido os anos determinados por esse ensino. Ele o terá se passar num exame nacional, que vai testar se adquiriu as competências educacionais próprias desse grau.

É um processo semelhante ao exame da Ordem dos Advogados do Brasil. O formando não se torna advogado se não for aprovado no exame da Ordem. Assim, não terá ensino fundamental completo o aluno que não passar no exame.

Pondera Giannetti que o exame vai dar uma indicação da qualidade do ensino, mostrar onde estão as deficiências e por onde começar sua correção. Será um termômetro, fornecendo informações, incentivando as escolas a cumprirem bem o seu papel de ensinar e os alunos a se dedicarem ao estudo, visando sua aprovação no exame.

O exame será um credencial para os concluintes do ensino fundamental na hora de se conseguir um bom emprego. Comprova o grau acadêmico correspondente ao curso. A sociedade terá informações para saber se o aluno, em sua formação, adquiriu as qualificações próprias desse grau escolar.

Os estudantes que não passarem no exame deverão ter toda oportunidade de voltar a estudar, deverá ser criado algum tipo de curso extra, uma reforçada preparação e novas chances de participar dos próximos exames.

Para que não haja esfacelamento de provas, Giannetti propõe acabar com todos os demais exames oficiais – Neb, Prova Brasil –,  ficando apenas esse, de final de curso.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2006)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

Leia Mais

A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

Leia Mais

A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

Leia Mais


Reconhecimento

Premiado pelo Buscaki

buscaki

I.S.G

izabel1

Colaboração

Slideshow Image 1

Novos Jogos

eduespc

Vídeos

videos

Visitante Número