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Artigos Educacionais

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O SENTIMENTO PATRIÓTICO

Izabel Sadalla Grispino *

Valores que despertam para a espiritualidade, na direção da moral, da ética, do cooperativismo, que despontam para a valorização e o amor à pátria, na configuração de uma terra respeitada, altaneira, batem à porta da escola e pedem para entrar. Formar o aluno nessas duas vertentes contribui para uma sociedade assentada em bases humanísticas e cívicas.

O sentimento patriótico amplia e reforça a visão de família, de luta unida em favor do bem comum. Afinal, a pátria não é mais que uma agregação de famílias, sustentadas por um tronco comum a todos. Desenvolver a noção de pátria é meio caminho andado à formação política do aluno.

Politizar o educando é um objetivo que não pode ser postergado. Levá-lo à análise do comportamento político, do conhecimento dos regimes políticos, da ética democrática, diferenciando-a da cultura autoritária, na conquista da cidadania, do convívio social,  da reivindicação dos direitos do cidadão e respeito pelos deveres a serem cumpridos, no nascimento de um povo novo. De um povo que, pela participação política, renasce, a cada dia, para a batalha da vida, para a busca de soluções aos destinos de sua terra. Politizar o aluno é dar-lhe estrutura para atuar no campo político, com vistas a uma política responsável, a uma militância consciente. Levá-lo a refletir sobre o voto e sua importância para o País. Mecanismos pedagógicos devem ser acionados, como debates, discussões, trabalhos entre os alunos, ressaltando-se temas como “O País que quero morar”, “O País que quero ter”, “O País dos meus sonhos” etc.

Presenciamos com entusiasmo o retorno aos estímulos patrióticos, com a volta, às escolas, do hasteamento da bandeira e da execução do hino nacional. Há tempos atrás, uma vez por semana, antes do início da 1.ª aula de cada período, professores e alunos hasteavam a bandeira e cantavam o hino pátrio, tentando resgatar valores de nacionalidade, de amor e compromisso para com a pátria. No fim do dia, um aluno era destacado para arriar a bandeira, dobrá-la e, com orgulho, entregá-la a um professor.

O programa governamental, de junho de 2002, denominado Mutirão da Cidadania, teve o mérito de despertar para o retorno do movimento patriótico, instituindo a volta do ato cívico mencionado.

A Secretaria da Educação, abraçando a idéia, remete à escola, em sua autonomia, a decisão de avaliar a pertinência dessa realização, que reforça a cidadania. O Secretário da Educação, Gabriel Chalita, considerou que o hino pode ser usado, também, como base para o ensino das disciplinas do programa curricular, em trabalhos interdisciplinares. Ensinar português, história, geografia e até matemática, utilizando-se do hino.

Embora a execução do hino nacional não esteja sendo obrigatório, o Ministério da Educação (MEC) lembra que pela lei 5.700, de 1.º de setembro de 1971, promulgada pelo governo Médici e mantida na Constituição de 1988, as escolas do ensino fundamental e médio são obrigadas a hastear a bandeira e a cantar o hino uma vez por semana, durante o ano letivo. Essa determinação, infelizmente, caiu no esquecimento.

À argumentação de alguns de que a instituição do hino é uma volta ao passado, ao governo militar, à lembrança desse regime, o secretário Chalita rebate, dizendo: “Para alguns pode lembrar a ditadura, mas, também, lembra as diretas-já e Ayrton Senna”.

Acima de qualquer consideração, o hino é um sentimento suprapartidário, supra-regimental, encerra em si mesmo o amor à pátria, encontra nesse amor o seu maior significado.

Somos responsáveis pelos homens públicos que colocamos no poder e acertamos bem mais quando acompanhamos suas ações, seus desempenhos, quando aprendemos a manusear as armas poderosas que as eleições nos oferecem, filtrando, peneirando o universo indesejável. A escola conseguirá formar um aluno compromissado com a pátria, se despertar o amor à terra natal desde a tenra idade, porque os bons princípios, os sentimentos, crescendo com a criança, se  desenvolvendo com ela, se firmarão e dificilmente serão abalados.

Ao mestre, reforço as reflexões, nos meus versos abaixo:

AMOR  À  PÁTRIA

Quando criança, meu coração batia
Ao ouvir o hino nacional,
As cores da bandeira eu coloria,
Sentia minha esta terra natal!

Cresci orgulhosa da terra-mãe,
Na sua grandeza me espelhava,
Queria lutar, ser-lhe filha, irmã,
O ardor patriótico me falava!

Freqüentando a escola, mais tarde,
Aprendi os três poderes constituídos,
O respeito, praticado sem alarde,
O civismo em passos instituídos.

Hoje, olho a criança, sua apatia,
Não aprende a pátria enaltecer,
É barco perdido em travessia,
Nave sem lume no alvorecer!

Tradição e valores esquecidos
Tornam pobre toda e qualquer nação,
Navio de pilares enfraquecidos
Não leva longe a tripulação.

A pátria é dos filhos a identidade,
Termômetro das condições de vida,
Querê-la pujante, em notoriedade,
Lealdade se elege, esforço se envida.

Orgulho da pátria, orgulho do lar,
Patente timbrada em nobre brasão,
Laço materno que nos clama a amar,
A nos dar as mãos, chamarmos de irmão.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2002)

EDUCAÇÃO FÍSICA NO 1.º CICLO

Izabel Sadalla Grispino *

A ciência tem revolucionado os entendimentos, os comportamentos referentes aos primeiros anos de vida do indivíduo.

A partir de descobertas comprovadas, desvendou-se o véu das reações cerebrais dessa faixa etária e percebeu-se o quanto é importante cuidar bem do desenvolvimento mental, físico, emocional da criança. Descobriu-se que há momentos propícios à estimulação do cérebro, que, uma vez perdidos, dificilmente serão recuperados. Percebeu-se o quanto o aperfeiçoamento futuro da criança depende de como ela foi cuidada, protegida, orientada nessa sua fase de vida, o quanto a transformação social está calcada por valores transmitidos e vivenciados pelas novas gerações.

É a criança que, interiorizando os ensinamentos, será o grande alicerce de uma sociedade sadia ou doentia, de uma civilização melhor ou pior. A experiência vivida pela criança na sua infância, os afagos ou o abandono, a esperança ou a falta de perspectivas, torná-la-á um adulto ajustado às normas sociais, equilibrado, produtivo ou um marginalizado, um rebelde sem conseqüência. Não há verdadeiro progresso social sem o desenvolvimento intelectual e o aperfeiçoamento moral, objetos da educação infantil. Repetirei, aqui, as palavras de Machado de Assis: “A criança é o pai do homem”.

Quanto à educação física, assunto deste artigo, entendeu-se, finalmente, a sua importância não só para o bom desenvolvimento físico da criança, para o seu condicionamento às atividades físicas salutares à saúde, como a um elemento a mais para elevar sua auto-estima, fazendo o que gosta, para descobrir potencialidades, identificar aptidões.

Parece estar chegando ao fim o desencontro do currículo escolar com a disciplina Educação Física. No 1.º Fórum de Educação Física Escolar, realizado em 27 de setembro do corrente ano, na presença de cerca de 700 professores, a Secretaria de Estado da Educação entusiasma os professores com sua nova orientação sobre as aulas de educação física.

Hoje, essas aulas que na 1.ª até a 4.ª série são ministradas pelo professor polivalente de matemática, português, ciências e das demais disciplinas, podem, a partir do ano de 2003, ser exercidas por docentes formados na área. Deverão seguir o exemplo das turmas que se iniciam na 5.ª série e vão até o último ano do ensino médio. Da 1.ª à 4.ª série do ensino fundamental – o 1.º ciclo – todas as matérias são dadas pelo mesmo professor. No horário destinado à educação física, geralmente os professores, sem formação específica, limitam-se a atividades livres nas quadras e nos pátios  das escolas, vistas como meramente esportivas ou recreativas. Subtraem dos alunos os amplos benefícios da correta aplicação dessa educação.

Não há uma legislação que exija a presença de professores formados em Educação Física, no 1.º ciclo do ensino fundamental, mas a Secretaria de Educação pretende colocar especialistas também para os alunos desse período, apontando vantagens da mudança. Ela vem desenvolvendo um modelo de aula, onde, desde a infância, os alunos começam a aprender a importância da educação física, a ter contato com o básico sobre fisiologia, incluindo, também, aulas teóricas.

O que se pretende é que a criança, desde as séries iniciais, passe a conhecer conceitos sobre os efeitos benéficos da atividade física, possibilitando-lhe tornar-se um adulto ativo, não sedentário. Os especialistas concluíram, a partir de observações, de que a fase mais importante, para a formação do indivíduo em educação física, é justamente a compreendida entre a 1.ª e a 4.ª série.

A Secretaria da Educação planeja capacitar professores especializados da rede, que hoje atuam com alunos mais velhos, de acordo com o novo modelo. Os professores interessados deverão se inscrever no novo programa.

Em relação às crianças menores, as escolas de um modo geral, são desatentas à educação física, não oferecem material, nem boas condições para o seu exercício. Os meninos costumam ficar nas quadras e as meninas pulando cordas ou brincando de bambolê. O ideal para essa idade é uma mistura de modalidades esportivas e atividades lúdicas: montar, por exemplo, circuitos de exercícios, jogos de futebol, vôlei e atividades livres, fazendo a educação física ser levada a sério, dando, inclusive, noções de fisiologia.

Os professores devem tornar as aulas cada vez mais interessantes e estimulantes para as crianças, com a inserção de jogos e outros mecanismos que aproximem a teoria da prática.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2002)

EDUCAÇÃO: ARMA CONTRA A CORRUPÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

A educação é arma poderosa contra a corrupção. Só ela tem força de mudança, força de renovação. É indispensável haver investimentos sociais, mudar a realidade educacional existente, se queremos, de verdade, construir um País sério. Educação tem que ser prioridade; ela é a mola propulsora da cidadania. É um valor inestimável, que engrandece o homem como ser humano, como ser empreendedor da  economia, como ser beneficiário e benfeitor da sociedade.

Empobrecida como anda, mais caminha para a morte do cisne! A defasagem educacional gera, no curso do tempo, insegurança, exclusão social e marginalização. Descamba para o oportunismo, para a esperteza viciada e daí para a corrupção é só um passo. E o pior é que ela vem em cascata, contamina todos os níveis.

É inimaginável os rumos que toma a corrupção, as situações por onde se infiltra! Ela chegou num grau extremo de aceitação, transvestindo-se das mais variadas faces. Hoje, constatamos a compra de trabalhos acadêmicos, denegrindo a ética universitária. Alunos compram resenhas de livros, monografias e até teses de doutorado, feitas por profissionais especializados! Corruptos e corruptores!

Se a educação, no seu bojo, deteriora-se, o que aguardar do futuro da humanidade? Onde procurar a ética, os princípios humanos e morais? Vejamos um exemplo: os cursos supletivos particulares a distância revelaram-se pontos de corrupção. A cortina descerrada, desses cursos, mostrou um quadro desalentador, revoltante, dessa área educacional. Esses cursos tornaram-se uma farsa, verdadeiros antros de venda de certificados!

Alunos despreparados ou acorrentados por horários, em decorrência do trabalho, quando continuam os estudos, geralmente o fazem através dos cursos supletivos. Hoje, esses cursos têm um enorme contingente de alunos que recebem o certificado sem aprender nada. Os supletivos a distância ou com presença flexível proliferaram-se nos últimos anos.

Pelo Censo 2000 do Ministério da Educação, em São Paulo, existem mais de 515 mil alunos em cursos supletivos de escolas estaduais, onde há presença mínima de aula. Na rede privada, são quase 116 mil, entre cursos presenciais e a distância.

O descrédito dos supletivos particulares a distância chegou a tal ponto que o Conselho Estadual de Educação (CEE) achou por bem cercear a emissão dos certificados, acabando com o sistema atual. “É preciso dar um basta à farra dos cursos supletivos particulares a distância; moralizar o sistema”, expressou o seu presidente.

O Conselho publicou no Diário Oficial do Estado, dia 25 de abril p. p., decisão proibindo os cursos supletivos particulares a distância de realizarem provas para emitir certificados de conclusão do ensino médio. Se quiser ter um diploma, o aluno precisará prestar uma prova autorizada.

Todas as pessoas que se matricularem, a partir desta data, deverão ser submetidas a exames em instituição autorizada pelo Conselho. Quem já iniciou o curso está isento da determinação. O presidente do CEE, Artur Fonseca Filho, disse que o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, é um dos mais cotados para ser uma das avaliações necessárias para obtenção do diploma. “O modelo ideal é este em que a prova é feita por uma entidade diferente da que deu o curso”, arremata Artur  Fonseca.

O que se quer são cursos que ofereçam competência e não certificados. É  uma tentativa para melhorar a qualidade de ensino desses cursos, acabar com o esquema de facilitação de diplomas. As instituições sérias não temerão o novo processo, ou seja, o resultado do exame autorizado. Mas, para a maioria desses cursos a distância, a perda da autonomia trará, sem dúvida, um desaquecimento de sua freqüência. Nesses cursos supletivos a jato, o aluno acima de 15 anos podia, num tempo mínimo, obter um certificado de 1.º e 2.º graus em 90 dias. Quanto aos exames, esses eram marcados em horários flexíveis, feitos separadamente para cada matéria e os prazos eram determinados pelas escolas.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma das provas a fornecer certificados aos supletivos, ocorre, apenas, uma vez por ano. Além dele, serão indicadas, pelo Conselho, as instituições, privadas ou públicas, autorizadas a realizar as provas. Terá que haver uma adequação, por parte do aluno, a essas exigências e uma reestruturação dos cursos.

A perda de autonomia, de os cursos supletivos particulares a distância realizarem as provas, põe ordem nesse universo adulterado, afasta a bandalheira e com esta ausência acaba afastando, infelizmente, também os candidatos. Esses cursos tinham, na facilitação ou, praticamente, na venda dos certificados, a sua maior atração.

A educação deformando ao invés de formar, corrompendo ao invés de moralizar, contribuindo para uma sociedade trapaceira, injusta, corrupta. Estaremos vivendo o caos? Os cursos supletivos, que poderiam ser o grande alvo na educação de jovens e de adultos, perdem, no desvirtuamento das funções,  a grande finalidade a que deveria se propor. É a sombra sinistra da corrupção infiltrando-se em todos os setores da vida nacional! Proteja-nos, Deus!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

EMPRESAS INVESTEM NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Izabel Sadalla Grispino*

As empresas, ressentindo-se da ausência de determinadas profissões requeridas por elas, organizam cursos de formação na própria instituição. Tentam suprir lacunas deixadas pelo sistema escolar.

Com a reativação de produção de máquinas e equipamentos pesados, antigas profissões, como de maquinistas de trem, de soldadores, de caldeireiros, de ferramenteiros e outros, vêm faltando ao mercado de trabalho. A escassez desses trabalhadores dificulta a reposição dos velhos profissionais, que se aposentaram pela estagnação do setor.

A indústria pesada deixou por algum tempo de investir em infra-estrutura. A função de metalúrgico, por exemplo, diminuiu e aumentou o setor de serviços, onde as chances de emprego eram maiores. A indústria passou a produzir equipamentos mais modernos e essas antigas profissões tiveram, com o avanço da tecnologia, uma função mais moderna, distante daquela em que o maquinista jogava carvão na locomotiva.

O Brasil Ferrovias vem dando cursos de auxiliar de maquinista, com 184 horas de aulas teóricas e 220 horas de aulas práticas, ministradas pelos técnicos da própria companhia. A razão dos cursos é preencher as vagas em aberto. Neste último ano, o Brasil Ferrovias ampliou sua frota em 56 locomotivas e 2,3 mil vagões, na linha férrea entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. No ano de 2004 foram dados 12 cursos de auxiliar de maquinista e de janeiro a setembro a companhia contratou 376 pessoas, a maioria para a função de auxiliar de maquinista. Destes, os melhores serão treinados para a função de maquinista, em dois anos, com salário superior.

O mesmo procedimento ocorre com a Jaraguá, em Sorocaba/SP, que produz máquinas e equipamentos para indústrias siderúrgicas, petrolíferas, e de infra-estrutura. Para as aulas teóricas, a empresa contratou o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e as aulas práticas ficam por conta dos funcionários da empresa.

O Senai vem prestando serviço para várias empresas da região de Sorocaba. A oferta de ferramenteiros – trabalhadores especializados na confecção de moldes mais refinados – está em falta. Também, em falta, profissionais da área mecânica e elétrica e o Senai, a partir de 2005, vai iniciar cursos para essas profissões. Segundo pesquisas, a procura por trabalhadores do setor metalomecânico cresceu cerca de 30% na região.

Em Ourinhos/SP, um grupo formado pela associação das indústrias locais organizou, com a colaboração da prefeitura e do Senai, um curso para a formação de soldador. Entre soldadores e caldeireiros existem perto de 200 vagas na região, com salários variando de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil. O crescimento das exportações é o responsável pelo aumento da demanda desses profissionais. Uma grande parte da indústria fabrica equipamentos de extração de óleo vegetal.

Na Suco faltam caldeireiros e soldadores. O caldeireiro é o profissional que transforma chapas de aço em peças e seu salário está em torno de R$ 1,5 mil.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) revela que no prazo de um ano, encerrado em agosto, foram criadas 23,4 mil vagas na indústria de máquinas. Os segmentos mais procurados são mecânica pesada, máquinas-ferramentas, gráfica e agrícola.

Para se ter idéia do avanço das profissões citadas, relata o diretor regional do Senai, de São Paulo, Luiz Carlos de Souza Vieira, que no primeiro semestre de 2004, nos cursos do Senai, havia 6 candidatos por vaga. Antes dessa data, o Senai não tinha nenhum candidato. Hoje, para dar conta da demanda, o Senai ampliou o número de escolas móveis, que funcionam dentro de carretas. Há 13 escolas móveis em atividade, revelando como essas profissões estão em alta no mercado de trabalho.

Na situação de desemprego em que o País se encontra, tomar conhecimento de novas alternativas favorece a possibilidade de encontro. Tem-se que caminhar com os olhos voltados para a época, para as crescentes renovações do mercado de trabalho.

O ano de 2005 bate à nossa porta. Que em cada coração, em cada lar, a presença de Deus se faça viva, com a prática de seus ensinamentos. Que a paz reine entre os povos e que a caridade seja a semente que, em 2005, frutificará. Saúde, prosperidade, a todos os meus prezados leitores. Com amor, minha poesia a seguir:

 

ANO  DE  2005

O ano novo se avizinha,

Ano vai, ano vem,

A vida, tal lebre rapidinha,

Vai levando o homem pro além.

O tempo é uma roda-gigante,

Oscila sem parar, pra baixo e pra cima,

É um traiçoeiro amante,

Pela fugacidade prima.

Ano-novo só é mais um dia novo,

É apenas um símbolo do tempo,

É a soma da existência do povo,

Marca a passagem de nossos momentos.

Fé na vida, fé no amor,

Que os dias desse novo ano

Espalhem canteiros de flor,

Paz no campo e no centro urbano.

O importante é se dar as mãos,

Formar a roda da solidariedade,

O mundo está sedento de oração,

De corações carregados de humanidade!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2004)

UM PANORAMA DO ENSINO RURAL

Izabel Sadalla Grispino *

O Brasil começa a despertar para o ensino rural. Estudos vêm mostrando claras diferenças educacionais entre o campo e a cidade, mostrando que a área rural ainda é um mundo muito diferente da cidade.

Embora a população rural vem decrescendo nos últimos 30 anos, reduzida em mais de um terço, a escolaridade no campo dobrou. O número de crianças matriculadas no ensino fundamental cresceu 21%, mostrando que a escolaridade dos jovens no campo avança, mas representa apenas a metade da população escolar urbana.

O Instituto Nacional de Estatísticas (Inep) revelou dados, em setembro de 2004, que mostraram que 28% dos jovens, acima de 15 anos no campo, ainda são analfabetos – dois terços a mais do que o índice registrado nas cidades. Na cidade, em média, a população tem 7 anos de estudo. No campo, 3,4 anos. A distorção idade-série chega, no campo, a 65% das crianças matriculadas. Na cidade, é de 50%.

Um estudo feito no mesmo ano pelo grupo permanente de educação do campo do Ministério da Educação (MEC) revela o quanto o ensino rural necessita de assistência por parte governamental. Uma grande parte das escolas rurais funciona em precárias condições, com um mínimo de qualidade e sem meios de atender a toda população, embora concentre mais da metade das escolas brasileiras, 97 mil de 169 mil existentes.

Mais da metade das escolas possui apenas uma sala de aula e 64% são multi-seriadas, nas quais se concentram alunos de várias séries numa mesma sala, com apenas uma professora. Para completar a deficiência do ensino, o estudo constata que boa parte dos professores, que ensina no campo, tem formação inadequada. Permanecem nas escolas até completarem sua formação, quando então pedem transferência para a cidade, onde ganham mais. Apenas 9% dos professores têm ensino superior completo.

A oferta de vagas para as crianças de 4 a 6 anos é apenas de 25% da sua necessidade. O atendimento na pré-escola e no ensino médio é bem pior, está muito abaixo do necessitado, apenas 4,5% dos estudantes encontram vagas.

O censo escolar de 2002 mostrou que 94% dos estudantes do ensino médio, que moram na área rural, estudam nas cidades e se valem de um transporte escolar. Muitos alunos acabam evadindo-se da escola ou migrando para a cidade. O censo do IBGE de 2000 encontrou 690 mil adolescentes entre 15 e 24 anos, vindos do campo, morando em cidades.

Em agosto de 2004, no 2.º Encontro sobre Educação no Campo, realizado em Brasília, a migração para a cidade foi um dos problemas apontados. O relatório do evento apontou a necessidade de adaptação do currículo para as necessidades do campo, respeitando os períodos mais sobrecarregados, como, por exemplo, o da safra, o do plantio, incluindo conhecimentos típicos das atividades rurais.

Além da adaptação do currículo às atividades rurais, seria interessante levar ao cotidiano das populações rurais, através da escola, ciência e tecnologia ao alcance dessa população. Exemplos desse tipo de tecnologia são os elencados no programa que cria a rede de tecnologias sociais, como: soro caseiro, que já salva a vida de milhares de crianças por todo o País. A construção de cisternas e de unidades de tratamento de água, articulada à higiene e à produção de hortaliças e legumes. As famosas barraquinhas de captação de água das chuvas, evitando erosão, enchentes e assoreamento. As águas captadas alimentam o lençol freático e tornam perenes rios e córregos temporários.

A escola, voltada às necessidades e aos interesses dos habitantes do campo, conquista essa população e atua com mais propriedade. O Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep) nos forneceu o seguinte quadro comparativo entre ensino rural e ensino urbano:

Anos de estudo – população com 15 anos ou mais:

Área urbana, 1971 = 4,1; 2001 = 7,0;

Área rural, 1971 = 1,2; 2001= 3,4.

Analfabetos – população com 15 anos ou mais (%):

Área urbana, 1971 = 22,1; 2001 = 9,5;

Área rural, 1971 = 55,6; 2001 = 28,7.

Matrículas no ensino fundamental (milhões):

1971 – área rural = 5,1; população rural = 41,1;

2001 – área rural = 6,2; população rural = 27,2.

Escolas com uma sala (%)

Área urbana, 1971 = 28,9; 2001 = 0,8; 2003 = 0,9;

Área rural, 1971 = 80,7; 2001 = 53,9; 2003 = 49,9.

O entendimento sobre a necessidade de escolaridade nos dias de hoje alastra-se para os quatro cantos do mundo. Felizmente, esse entendimento chegou à população rural, onde os pais começam a perceber que se os filhos não estudarem vão ter uma vida igual ou pior que a deles. Pouco a pouco, caminha-se para a redenção!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2005)

FUNDO DE DESENVOLVIMENTO DO ENSINO BÁSICO

Izabel Sadalla Grispino *

O Ministério da Educação elaborou um projeto de emenda constitucional, que institui um novo fundo para a educação no País, o Fundeb, que deverá substituir o atual Fundef. Quer garantir que toda a verba para a educação dos Estados e dos municípios seja aplicada no ensino básico e não só no fundamental, englobando, dessa maneira, a creche, a educação infantil, o ensino fundamental, o médio e incluindo o supletivo.

O Fundeb, que se chamará Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico, será enviado ao Congresso Nacional para discussão.

O Fundef, Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério, com início de funcionamento em 1.º de janeiro de 1998, teve forte contribuição no aumento de número de alunos, dos 7 aos 14 anos, no ensino fundamental.

O que se quer, agora com o Fundeb, é ampliar as matrículas para todo o ensino básico, fazendo crescer, com o aumento do número de alunos, a quantidade de recursos para o fundo. Segundo Francisco Chagas, responsável pelo recém-criado Departamento de Financiamento da Educação do MEC, o Fundeb terá 25% da receita dos Estados e municípios (não mais 15% do Fundef), que pela Constituição, devem ser vinculados à educação. A idéia é, também, diminuir as diferenças regionais, que permaneceram com o Fundef. A lei que criou o Fundef dizia que o valor anual mínimo por aluno, determinado pela União, deveria ser reajustado periodicamente, para que nunca fosse inferior à razão entre a receita do fundo e a quantidade total de alunos e isso, segundo consta, nunca foi respeitado. O projeto, de acordo com Chagas, vai propor um piso salarial nacional para professores. Hoje, 60% dos recursos do Fundef são direcionados para os salários dos professores e o restante para o custeio.

A aprovação do Fundeb  vai depender da  discussão com governadores e com prefeitos. Há, ainda, o problema com o financiamento do ensino superior, que, em alguns Estados, é incluído na verba da educação.

O Fundeb e o Fundef têm estrutura semelhante. As diferenças fundamentais consistem em que: O Fundef atende apenas alunos do ensino fundamental e 15% da arrecadação dos quatro principais impostos dos Estados e municípios são destinados ao fundo. O Fundeb atenderá alunos desde a creche até o ensino médio e inclui a educação de jovens e adultos, via supletivo. Todo o dinheiro vinculado à Educação, 25% da arrecadação dos Estados e municípios, vai para o Fundo. Em ambos, a partilha dos recursos é feita em cada Estado e todos os municípios recebem um mesmo valor por aluno. Quando o Estado não atinge um valor mínimo estipulado por aluno, o MEC repassa o restante.

O Fundeb se bem formulado e bem aplicado será, sem dúvida, uma iniciativa de relevância. Poderá contribuir para colocar mais crianças e mais adolescentes em salas de aula, aumentando, em todos os níveis da educação básica, o número de vagas a serem preenchidas. A movimentação financeira, segundo consta, será a mesma do Fundef, ou seja, a divisão do dinheiro ocorreria dentro de cada Estado. Os recursos depositados no Fundo seriam distribuídos para todos os municípios, de acordo com o número de alunos matriculados no ensino básico das redes estadual ou municipal. Essa divisão contaria, também, com o valor anual mínimo por aluno, estipulado pela União.

O Fundef criou, com propriedade, o chamado controle social e acompanhamento das verbas a ele destinadas. É um conselho formado por representantes de pais de alunos, professores, servidores, prefeitura e conselhos de educação. Mas, o que ocorre é que, em muitos municípios, ele não vem funcionando a contento. Em fins de julho, encerrou-se o prazo para que os municípios enviassem os dados sobre os conselheiros, como nomes, telefones e outras credenciais. Das 5.561 cidades brasileiras, 4.717 atenderam a solicitação.

Francisco Chagas, por informações recebidas, conclui que “muitos conselhos não funcionam por vinculações com a prefeitura, mas, também, por serem formados por pessoas que não foram indicadas pelos seus pares – pais ou professores – ou porque a prefeitura não libera a documentação necessária para o acompanhamento efetivo”.

O conselho é um importante canal de fiscalização e de controle das verbas destinadas, por lei, à educação. Deve ser respeitado, estimulado a um bom desempenho em todos os municípios e por todos envolvidos no projeto em questão. São constantes as denúncias de desvio de verbas ou de repasse de verbas a outras instâncias, que não a educacional.

O Fundeb é o amadurecimento do processo desenvolvido no Fundef. Como serão distribuídas as verbas, pelos graus de ensino, ainda não foi divulgado.

* Supervisora de ensino aposentada.  
(Publicado em agosto/2003)

AS NOVAS CONCLUSÕES DO ENADE

Izabel Sadalla Grispino *

O último Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) foi aplicado a 277.476 alunos, escolhidos por amostragem, que ingressaram na universidade e os que se formaram em 2005. Avaliou 5.511 cursos superiores em que 27% receberam os conceitos máximos, 20% foram reprovados e 53% ficaram na média.

O ponto destoante foi  mostrar que alunos de cursos, com conceito máximo no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), não acertaram nem metade das questões da prova! Mostrou que cursos de universidades públicas e conceituadas, como a Unesp, que tiveram médias em torno de 45, numa escala de 0 a 100, receberam conceito 5 no final, o mais alto.

O Enade, criado para substituir o Provão, que surgiu na gestão do ministro Paulo Renato Souza, não estabelece meta para o estudante, só compara instituições. Apenas ordena os melhores e os piores cursos a partir do desempenho do grupo, sem determinar previamente a que nível o estudante deveria chegar para receber o maior conceito. Nesse ponto, o Enade repete a falha do Provão.

O Ministério da Educação introduziu no Enade, na avaliação realizada em 2005, o Indicador de Diferença entre o Desempenho Objetivo e o Esperado (IDD), um dado que revela aspectos interessantes, que passavam desapercebidos pelo Provão.

O IDD mede o quanto uma universidade contribui para a formação do aluno, ampliando o seu nível de conhecimento e sua competência profissional. É um conceito de “valor agregado”, que permite maior clareza do ensino superior. O Enade reabilitou o ensino superior privado, tido normalmente como ruim.

Cada instituição pública ou privada tem uma clientela específica para atuar e deve se preparar para oferecer um espaço acadêmico próprio a ela. Na instituição privada, os alunos, na grande maioria, vêm da rede pública do ensino médio, com uma educação de baixa qualidade, com déficit, praticamente, em todas as competências. Necessitam de cursos mais curtos para ingressar logo no mercado de trabalho.

Os baixos resultados, em termos de conhecimento, obtidos pelo Enade, refletem a falta de qualidade de toda a educação básica brasileira. Mostraram que, no conjunto, os alunos das instituições públicas continuam tendo um desempenho melhor do que os das instituições privadas. Porém, o novo indicador do Enade apurou que 41,8% das universidades federais tiveram um Indicador de Diferença entre o Desempenho Objetivo e o Esperado negativo, significando que quase metade das universidades mantidas pela União não conseguiu agregar o valor que se esperava a seus alunos. Entre as universidades privadas, 58,5% das instituições apresentaram um IDD positivo, reabilitando, nesse aspecto, a imagem das instituições privadas. Quebra o enraizado conceito de que toda universidade pública é boa e a privada sempre ruim.

Um dado que surpreendeu foi o fato de os cursos das universidades de São Paulo perderem para os de instituições do Ceará, Bahia, Sergipe, Paraíba e Rondônia no conceito que mostra o valor agregado aos alunos nos cursos freqüentados. A comparação foi feita a partir da porcentagem de conceitos 5 (máximo) de cada Estado no Índice de Diferença do Desempenho (IDD). A maior quantidade de conceitos 5 foi do Estado de Sergipe, com 9,l5%.

De acordo com a clientela recebida, a instituição privada, em boa parte delas, vem conseguindo formar adequadamente seus alunos. A avaliação do ensino superior se aperfeiçoa e o Enade, pelo Índice de Diferença do Desempenho (IDD) é capaz de avaliar o quanto a universidade agregou de valor a seus alunos durante o curso.

Por esse índice, reabilitou boa parte do ensino privado, mostrando que, devido à diversidade, à heterogeneidade, existentes na sociedade, não pode haver modelo único de ensino, antes um multissistema de ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em setembro 2006)

UNESCO CONSTATA BAIXA QUALIDADE DE ENSINO NO BRASIL

Izabel Sadalla Grispino *

Apontar, expor, frisar as deficiências do sistema de ensino público têm sido uma constante de educadores, na esperança de que sociedade, governos, responsáveis pela educação da nossa terra, se alertem, se toquem, se chacoalhem, na busca de soluções que venham reverter o quadro penoso que se apresenta. É uma situação que nos humilha, nos empobrece e que, lamentavelmente, persiste por décadas e décadas.

A educação é chave para o emprego e emprego é um dos fatores que mais pesa para se atingir o desenvolvimento sustentável de um país. No atual período de nossa recuperação econômica, a criação de empregos é ponto crucial e nela entra em jogo a educação O mercado pede qualificação, com forte exigência das empresas por mais e melhor escolaridade dos trabalhadores.

Infelizmente, em termos de qualidade de ensino, o Brasil está longe do ideal. O relatório divulgado em novembro p. passado, da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), sobre a educação no mundo, entre 127 países, o Brasil ocupa a triste posição de 72.º lugar. O documento, intitulado Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, diz que falta conteúdo de qualidade ao ensino brasileiro. O Índice de Desenvolvimento Educacional (IDE), criado pela Unesco, dá ao Brasil a nota de 0,899, colocando-o em uma posição considerada intermediária.

O indicador é formado por 4 itens: taxa de analfabetismo, matrículas no ensino fundamental, paridade de gêneros – meninos e meninas – e permanência na escola depois da 4.ª série do ensino fundamental. O item permanência na escola compromete a situação do Brasil. Na universalização do ensino fundamental, o Brasil ocupa a 32.ª posição, mas em permanência depois da 4.ª série ocupa um lugar nada honroso, 87.º lugar, assinalando uma repetência muito alta, dificultando a permanência do aluno na escola. A colocação brasileira no IDE é inferior à do Peru e do Equador.

O relatório da Unesco mostra que o Brasil, junto com Nicarágua e Suriname, é um dos únicos países da América Latina onde a educação obrigatória começa para os alunos apenas aos 7 anos de idade. Na maioria dos países, inicia-se aos 5 e em alguns aos 6. São 2 anos de atraso! A maior parte dos demais países da região leva a educação obrigatória, pelo menos, até os 15 anos. No Brasil ela termina aos 14 anos. Quanto ao número de horas diárias, segundo a Unesco, são necessárias entre 4h25 e 5 horas para as crianças realmente aprender. A média brasileira é de 4h15 e em muitos Estados não chega nem mesmo a 4 horas.

Todos os fatores elencados são de importância para um bom ensino, porém, os fatores essenciais são, sem dúvida, o grande número de alunos em classe, as condições insuficientes de trabalho, com escolas mal equipadas, a baixa qualidade de vida dos profissionais da educação, com seus baixos salários, que os afastam da educação permanente, os desencorajam, revertendo em professores mal qualificados e alunos pouco estimulados. Esse quadro, revelado pela Unesco, só vem comprovar que os nossos sucessivos governos não consideraram educação como essencial. Necessário se faz uma revalorização do professor, acompanhada de treinamento contínuo. Enfrentar o desestímulo à carreira, encorajar o professor de ensino fundamental a freqüentar o ensino superior, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde uma grande parte não possui formação universitária e onde a remuneração gira em torno do salário mínimo.

Se emprego depende de crescimento econômico, não depende menos de uma educação de qualidade, que tem no binômio emprego e renda seus subprodutos imediatos. Estamos vivendo a sociedade do conhecimento, onde o recrutamento se torna cada vez mais rigoroso e diante de nosso desastroso quadro educacional ficam penalizados os indivíduos e o País.

Os avanços em anos de escolaridade têm sido pouco significativos.  Entre 1993 e 2003, brasileiros de 10 anos ou mais tinham, em média, 5 anos de escola, hoje têm 6,4 anos e 6,4 anos é muito pouco para se colocar na sociedade tecnológica, que revoluciona a produção. A mesma deficiência acontece com o grupo de jovens que tem entre 20 e 24 anos e chega a 8,5 anos de estudo. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Rio de Janeiro, IBGE, 2003) mostra que a proporção dos brasileiros que têm 11 anos ou mais de estudos passou de 14,4%, em 1993, para 24,9% em 2003. É um avanço irrisório, visto que apenas um quarto dos brasileiros completa o ensino médio e chega ao ensino superior e três quartos ficam aquém dessa proporcionalidade.

No quesito emprego, em 2003, nas regiões metropolitanas, 98% das vagas oferecidas foram preenchidas por aqueles que cursaram 11 anos de estudos ou mais. Os que não se encontravam nessa situação ou ficaram desempregados ou conseguiram um precário trabalho. O mencionado relatório da Unesco relata que a universalização do ensino fundamental no Brasil, com matrícula de 96% das crianças nas escolas, foi atingida pela Coréia do Sul em 1959! Imaginem o atraso, quase meio século! A Irlanda atingiu o objetivo da educação secundária generalizada no início dos anos 60 e a partir de então abraçou, firmemente, a educação superior. O relatório mostra que essas duas nações são as que mais avançaram em educação, as que mais se projetam nos dias de hoje.

Após a oferta generalizada de vagas, após a ampliação das matrículas, esses países dedicaram-se, de imediato, à qualidade de ensino, bem diferente do que aconteceu no Brasil. Qualificação docente, salário, tamanho das classes, estrutura e equipamentos escolares, foram providências firmemente tomadas por esses países.

Se quisermos elevar nosso nível educacional, temos que remover as causas do baixo desempenho, tomando medidas enérgicas e constantes. Dar ao povo uma boa educação é elevar o padrão de vida desse povo, trazer bons empregos, bem-estar e estímulo coletivo. Dar ao povo uma boa educação é garantir cidadania a todo indivíduo, valorizando o pessoal e o coletivo. É construir, realmente, um País melhor para todos!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2004)

DESCOMPASSO ENTRE A PROPOSTA DE CICLOS E O ENTENDIMENTO PREDOMINANTE

Izabel Sadalla Grispino *

Parece haver unanimidade sobre as vantagens do sistema de ciclos para a aprendizagem, visto como metodologia, que atrela ao ensino o desenvolvimento infantil. A sua proposta está embasada em Jean Piaget, na qual o desenvolvimento infantil ocorre por fases. Adapta-se o processo de construção do conhecimento a essas fases da criança. Os ciclos, coincidindo às fases do desenvolvimento, aumentam as possibilidades de aprendizado, pois o ritmo das crianças é respeitado. Traz a possibilidade de o aluno aprender de acordo com seu ritmo, no espaço de 2, 3 ou 4 anos. Também, nesse processo, levam-se em conta os conhecimentos que as crianças trazem de casa, da convivência social.

O aluno recebe um atendimento diferenciado; acompanham-se as deficiências individuais. É um processo que visa garantir a permanência e o aprendizado dos alunos com a propositura de poder haver reprovação ao fim de cada ciclo. Ele vem acompanhado de uma estrutura – recuperação paralela, aulas de reforço, recuperação no período de férias – que deve permitir a recuperação das defasagens. A coerção, a reprovação são substituídas por outros mecanismos, que se transformam em novos estímulos.

É uma proposta inovadora, mas que requer condições especiais para a sua aplicabilidade, principalmente mudança de mentalidade. Traz como uma de suas bases de sustentação o atendimento individual ao aluno.

Na prática, o que se constata é que os ciclos não foram assimilados pela grande maioria dos professores. O que poderia significar um salto para o futuro está criando confusão, desorganizando a escola. Também, não está havendo boas condições de trabalho, especialmente quando se fala em superlotação das classes. Como fica o atendimento individual, requerido pelo ciclo, nesse caso? Há um outro agravante, que deve ser revisto. A nova legislação garante a aprovação do aluno, caso freqüente 75% das aulas durante o ano. O cálculo é feito a partir da presença nas aulas de todas as disciplinas e não em cada uma individualmente. Desse modo, o aluno pode perder todas as aulas de uma disciplina e, mesmo assim, avançar para a série seguinte.

A mudança do sistema seriado para o de ciclos foi rápida, arrojada. Foi uma transição brusca, os professores não foram preparados para ela. A mudança não foi discutida pelos professores, que, em conseqüência, não incorporaram suas necessidades. Não foi feito um levantamento mais criterioso das condições de ensino, constatando-se falta de instalações, como bibliotecas, laboratório, salas disponíveis para aulas de reforço, quando, muitas vezes, o aluno é obrigado a fazer o reforço em outro prédio, outra localidade e nem sempre com o mesmo professor, o que descaracteriza a continuidade do processo.

Por um conjunto de fatores, o ciclo está sendo mal aplicado, mal entendido. O próprio professor admite seu despreparo para trabalhar conforme os novos parâmetros, surgindo, assim, um descompasso entre a proposta de ciclos, em sua progressão continuada, e a mentalidade predominante na rede escolar.

De acordo com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), a avaliação, realizada em sua 1.ª fase no ano de 1997, revelou vantagens em relação às demais séries do ensino fundamental, nos agrupamentos das 1.ªs e 2.ªs séries do ciclo básico. Acontece que em 1984, na fusão da 1.ª e 2.ª séries houve todo um aparato preparatório para os professores da rede estadual de ensino. Os professores foram treinados para entender e aplicar o processo ensino-aprendizagem do ciclo, o que não ocorreu em 1997, quando da ampliação desses ciclos. Aliás, o passo foi bem mais ousado. Poder-se-ia caminhar nessa direção, mas, mais calmamente, ampliando o 1.º ciclo, de 1.ª e 2.ª séries, para um segundo, que seria de 3.ª e 4.ª séries. Formar-se-iam dois ciclos de 1.ª à 4.ª série, com um prazo para apurar, em avaliações, o resultado obtido.

Não teria sido conveniente primeiro reciclar o professor, melhorar sua atuação, mudar-lhe a cabeça, para depois lançar, na prática, as propostas renovadoras? Não estaríamos, hoje, conseguindo melhores resultados, caminhando com mais segurança para o futuro?

Sabemos que a reprovação nem sempre significa garantia de melhor aprendizagem, especialmente se o aluno a encarar como um castigo. O aluno, com mais idade, sente-se deslocado no seu grupo, podendo regredir ainda mais. Nesse sentido,  a  progressão  continuada  é  melhor do que submeter o aluno a sucessivos fracassos.

Não queremos voltar à “cultura da repetência”, época em que era considerado o melhor professor aquele que mais reprovava, mas também não podemos criar a “cultura da aprovação”, quando a aprovação em massa poderá ser, em contrapartida, um desestímulo ao bom aluno, que não percebe critério, justiça, além de proporcionar, ao mau aluno, um desrespeito a si mesmo e à aprendizagem não ocorrida. Independentemente do sistema adotado, é preciso educar para a auto-estima. Compreender as raízes sociais do fracasso, como a desestruturação da família, a miséria... e ajustar-se a elas, lutando pelo êxito da criança, afastando-a do fracasso.

O governo argumentou, em 1998, que a política de acabar com a repetência, introduzida na rede pública, reduziu as perdas do sistema de R$ 700 milhões para R$ 350 milhões. Eu me pergunto: se esses milhões fossem empregados na formação do professor, na infra-estrutura da escola, não se conseguiria, a médio prazo, um resultado mais contundente, mais duradouro, em termos de repetência e de qualidade de ensino?

Ilustrando esta minha observação, citarei a conduta tomada pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, quando da implementação, no início da década de 70, dos Guias Curriculares referentes às matérias do núcleo comum, elaborados de acordo com as normas traçadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) n.º 5.692, promulgada no ano de 1971. A primeira preocupação da Secretaria foi a de capacitar os professores, fazê-los conhecer o conteúdo, a metodologia, a filosofia, da nova proposta; levá-los a discuti-la, a situar a teoria, em estudo, na sua prática diária, para somente depois, com os professores já treinados, lançar os “guias” na rede oficial, em caráter facultativo. Mesmo sendo facultativo, a acolhida foi geral. Avaliações posteriores revelaram um resultado positivo surpreendente.

A proposta do ciclo básico é boa, pedagogicamente correta, mas, para que a progressão continuada venha a representar um avanço, é preciso investir maciçamente na formação do professor e em suas condições de trabalho. Do jeito que está sendo aplicada, mais parece uma tentativa de mascarar o problema da repetência no país.

Deve haver articulação entre as diversas instâncias dos poderes federal, estadual e municipal. O professor precisa ser ajudado, mas, na seqüência, também se ajudar, somar esforços para que o aluno aprenda. É ele, o professor, o responsável para que o bom ensino aconteça. É, pois, necessário dar condições a que ele garanta a aprendizagem, para não correr o risco de se despejar no mercado de trabalho, nas portas das universidades, levas de despreparados, de analfabetos funcionais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2000)

CURRICULUM VITAE

CURRICULUM VITAE

DE

IZABEL SADALLA GRISPINO

PRINCIPAIS ASPECTOS DO CURRÍCULO

  • Licenciada em Letras Neolatinas pela Universidade de São Paulo, ano de 1954;
  • Curso de pós-graduação em Língua e Literatura Francesa, a nível de mestrado, quando defendeu a tese: “O Simbolismo Francês e a poesia de Paul Verlaine e Arthur Rimbaud”;
  • Pós-graduação em Língua e Literatura Espanhola, em Filologia Portuguesa e Literatura Brasileira;
  • Licenciada no Curso de Pedagogia, com especializações em Administração, Supervisão, Orientação Educacional e Coordenação Pedagógica;
  • Ocupou, por concurso, na educação básica, as cadeiras de Português e de Francês e no ensino superior de Língua e Literatura Francesa;
  • Na área de administração e supervisão, exerceu, por concurso, os cargos de diretor de escola e de supervisor de ensino;
  • Foi membro integrante da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP) da Secretaria da Educação, onde monitorou e coordenou cursos de atualização, de aperfeiçoamento e de especialização em língua portuguesa, de 125 horas, para professores e especialistas da educação do ensino fundamental e médio, então, 1.º e 2.º graus;
  • Preparou, treinou, pela CENP, monitores, dos cursos montados, para todo o Estado de São Paulo;
  • Foi membro da equipe designada pelo Departamento de Recursos Humanos, da Secretaria da Educação, no Projeto “Capacitação de Recursos Humanos para o Ensino de 1.º e 2.º graus”, para proceder à análise crítica do texto-base, elaborado por insignes professores da Unesp, Araraquara: Cacilda de Oliveira Camargo, Maria Helena de Moura Neves, Najla Lauand e Sebastião Expedito Ignácio, designados que foram pelo MEC. Análise crítica no sentido da adequação do texto ao nível pretendido. A equipe foi, também, responsável pelo treinamento dado aos professores da rede.
  • Foi colaboradora do livro de Instrução Programada “Língua Portuguesa” – 5.ª à 8.ª série – 1.º grau – Secretaria de Estado da Educação;
  • Orientadora, pela USP-São Paulo, de estágios supervisionados do Curso Normal e de Letras;
  • Ao longo da carreira, participou de uma gama considerável de cursos de atualização, de aperfeiçoamento e de especialização, na perspectiva da educação continuada;
  • Autora de crônicas, de centenas de artigos educacionais, comportamentais, sociais, religiosos, publicados em jornais e revistas. Atualmente, está se propondo a registrar uma fase histórica da educação brasileira, ou seja, os principais passos da implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), n.º 9394/96, em seus diversos e amplos aspectos e a realidade do ensino no momento dessa implantação.
  • Poetisa, que reflete em seus versos as grandes questões humanas, os estados de alma, a problematização do ser. Retrata a alma em suas características universais, em suas inquietações diante dos enigmas da existência. Há momentos de muito lirismo, da exaltação do amor, da dor da saudade, das ilusões e desilusões, das amarguras e dos encantos da vida e há momentos de muita reflexão, de observação imparcial da realidade social e política, quando passa, então, sua visão de mundo, sua interpretação dos fatos, numa análise objetiva e subjetiva, porém, sempre crítica. No fundo, freqüentemente, é a poesia didática, é a mestra preocupada em ajudar, em orientar, em alertar, buscando suavizar o sofrimento da humanidade e contribuir para um mundo melhor. Há poesias de versos livres, mas, a sua formação clássica fala mais alto, quando observa com rigor, na grande maioria dos versos, a métrica e a rima;
  • Compositora musical – letra e música – de dezenas de obras sacras e populares;
  • Dentre as valiosas experiências, exercidas no magistério, ao longo da carreira, destaca os cursos ministrados, em larga escala, para professores e especialistas da educação, regando e adubando o terreno para melhor fazer brotar a semente educacional.

(Publicado em novembro/2000)

CAMINHOS CONSTRUTIVISTAS NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

As escolas partem para semear transformações na educação. Os alunos trabalham em projetos que eles criam  e desenvolvem, nos quais empregam conhecimentos adquiridos não só na escola como no seu dia-a-dia.

O computador, por exemplo, não se torna apenas uma fonte de dados, mas um instrumento de comunicação entre eles. Os alunos caminham com autonomia na aprendizagem. Discutem determinadas questões e eles próprios decidem o que fazer. Montam um projeto, pesquisam, fazem o acompanhamento e analisam os resultados, sempre sob a orientação dos professores.

Os professores são treinados para utilizar atividades de ensino construtivistas, que levam o aluno a construir o conhecimento. O filósofo e psicólogo suíço Jean Piaget descobriu que as crianças não pensam como os adultos, têm sua própria ordem e sua própria lógica. A pedagogia tradicional as tornava “recipientes” a serem preenchidos com conhecimento. Elas são, contudo, ativos construtores do conhecimento, tal como fazem os cientistas que criam e testam suas próprias teorias.

O aluno não é um ser passivo e o conhecimento é o resultado da interação entre ele e o mundo. O conhecimento não é cópia, mas resultado de uma construção/elaboração do mundo ou, como dizia Jean Piaget, “assimilação da realidade”.

Construir o conhecimento é aprender, numa estrutura em construção, algo que se quer conhecer. Para haver aprendizagem, não basta a transmissão da informação, por mais competente que ela seja. É o sujeito que, fazendo relações, associando o novo ao já conhecido, vai construindo o conhecimento, segundo a sua estrutura em formação. Novos sentidos serão construídos em cada sujeito, de acordo com os esquemas de compreensão que já adquiriu. Ao longo da vida, o sujeito terá oportunidades diversas de ressignificar o conteúdo de acordo com sua experiência.

No construtivismo dizemos que ser educador é possuir a sabedoria de fazer brotar a sabedoria do outro, fazendo-o tomar posse do verdadeiro saber, saber compreendido, assimilado de dentro para fora. Por isso, educar é ter o poder de ensinar a aprender, é trocar experiências vividas, fazendo surgir novas luzes. O método de ensino adotado pela escola e aplicado pelo professor tem efeito considerável sobre a aprendizagem. Um método distorcido, distanciado da realidade da sala de aula, sem o aprimoramento de seus passos, pode levar o aluno ao fracasso.

A escola deve ajustar-se ao perfil do aluno, às suas características de personalidade, ao seu ritmo de aprendizagem, ajudá-lo em suas buscas. Não deve lhe apresentar um conhecimento pronto, acabado, mas construir com ele o conhecimento, recriar conjuntamente a cultura. Hoje, a escola se distancia da visão culturalista, enciclopedista. Ela aborda a cultura do dia-a-dia, questões de relevância social, de interesse dos alunos, trazendo um conteúdo significativo, um conteúdo contextualizado.

A alfabetização é ponto-chave no processo de aprendizagem. Ela, também, deve partir do estudo da cultura da comunidade do aluno, em que nível lingüístico e cultural ele se encontra, quando chega no 1.º ano do ensino fundamental, e em que nível se quer fazê-lo chegar. A escola, reconhecendo e respeitando o universo de onde veio o aluno, adaptando-se a ele, fará uma adequação do universo cultural que ele trouxe com o universo oferecido por ela, evitando que ele se sinta um estranho no ninho. Dessa maneira, a escola provocará uma ruptura bem menor desses universos. O aluno, aceito em sua maneira de ser, vai percebendo que é possível articular a sua linguagem com a da escola.

Reivindica-se à escola que, a partir de uma cultura popular, ela crie uma consciência de sua necessidade de formar um elo, uma relação de articulação serena, entre o seu universo e o da criança. No momento em que essa articulação se concretizar, a aprendizagem estará garantida. A criança não se sentirá frustrada, olhada como alguém que fala um discurso estranho. Perceberá que não há discurso distinto entre o dela e o da escola. Vai evoluir com naturalidade, não vai decorar ou repetir aquilo que lhe mandam. A passagem entre o seu mundo e o das letras processou-se de modo tranqüilo, com respeito e valorização (trecho extraído da aba da contracapa do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola).

Esse é um grande passo para integrar o aluno no recinto da escola e motivá-lo a ela.

Um outro grande passo é respeitar o seu momento diante da aprendizagem, visto que o desenvolvimento infantil ocorre por fases. Esta foi uma das razões que se pensou em organizar as escolas da rede em ciclos, que coincidem com as fases do desenvolvimento, aumentando as possibilidades de aprendizagem, pois o ritmo das crianças é respeitado. Além disso, nesse processo são levados em conta os conhecimentos que as crianças trazem de casa e da convivência social.



* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em março/2006)

SAUDOSA LEMBRANÇA DE EX-COLEGAS DE JABOTICABAL

Izabel  Sadalla  Grispino*

Ao escrever o artigo “Retrospectiva Histórica: a escola pública na década de 60” era constantemente assaltada por lembranças de colegas, com os quais vivi uma fase ricamente produtiva, uma etapa relevante da educação em Guariba. Formávamos uma equipe valorosa de trabalho e idealismo; tínhamos o privilégio do estudo pedagógico, orientado diretamente pelo “Centro de Recursos Humanos e Pesquisas Educacionais Prof. Laerte Ramos de Carvalho” (CERHUP), um departamento da S.E., hoje com o nome de “Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas” (CENP).

Além dos dedicados professores de Guariba, contávamos com outros das cidades vizinhas, especialmente de Jaboticabal, onde, com saudade e apreço, recordo: Osny Silveira, Osnei Cardoso, Cecília Fráguas P. Farias, Ivan R. Gagliardi, Mirlei Polachini, Zélia M. Thomaz de Aquino. Reverencio-me a citar o nome do insigne mestre Carlos Nobre Rosa, muito respeitado pelo alto saber, pelo domínio do conteúdo em sua área de atuação: ciências.

Há, também, que se destacar o nome de Maria Carlota Niero Rocha, digníssima prefeita desta cidade, então, professora de geografia, a quem cumprimento pela bonita escalada política que vem realizando, formulando-lhe votos de sucessos contínuos, com amplitude de horizontes, galgando postos, cada vez mais elevados, no cenário político nacional.

Uma outra lembrança recai sobre o Prof. Rolando José Gonçalves Dias, que havia deixado, recentemente, a direção do colégio. Hoje, como é do conhecimento de todos, o Prof. Rolando dirige, com galhardia, a tradicional Escola Estadual “Aurélio Arrobas Martins” e marca sua presença com exemplo de devotamento profissional, lutando por uma educação capaz de dar respostas à sociedade tecnológica. Parabéns!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2000)

AO JORNAL “A GAZETA”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “A Gazeta”, deste valioso instrumento de comunicação que Jaboticabal aprendeu a admirar pelo profissionalismo, venho, há vários meses, publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporciona-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade jaboticabalense, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Estou me propondo, entre outros, a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional do ensino vigente.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Já tive a oportunidade de passar alguns conceitos, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida, a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “A Gazeta” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e clareie a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Jaboticabal, já vem se tornando habitual, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “Primeira Página”, nas pessoas de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população.  O jornal “A Gazeta” cresce com Jaboticabal, coloca-se na vanguarda jornalística. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, que  vem se tornando marca consagrada. Pessoas que lutam por ideais salvaguardam a humanidade. Onde há uma vontade, há um caminho. Parabéns!

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Jaboticabal. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos.

A todos, meus versos sobre o Terceiro Milênio.

TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em dezembro/2000)

Caixa de texto: Clique para voltar ao sumário* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em dezembro/2000)

UM OLHAR DIRETO PARA O CÉU

Izabel Sadalla Grispino *

Há, entre os humanos, um fascínio pelo céu que perpassa as gerações, que habita o imaginário da criança e do adulto. Um projeto inovador, estimulador da aprendizagem científica, que irá encantar os alunos, está sendo montado por astrônomos de vários institutos brasileiros. Em fase piloto, os elaboradores do projeto estão importando telescópios a favor da educação de crianças e adolescentes das escolas da rede pública.

O programa conta com a participação de seis universidades do País, cada uma delas com uma escola parceira. Pela internet, alunos e professores poderão monitorar os equipamentos e fazer observações do espaço em tempo real. Poderão observar a lua, acompanhar diferenças de brilho das estrelas dentro de salas de informática em escolas públicas. Os alunos vivenciarão um projeto científico de alto nível.

O projeto intitula-se Observatórios Virtuais e tem como coordenador Laerte Sodré Júnior, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAGUSP). Baseia-se em um programa americano semelhante, patrocinado pela Nasa, que usa um telescópio do Instituto Tecnológico da Califórnia.

O projeto Observatórios Virtuais é gratuito para as escolas que quiserem dele participar. A única exigência, para a observação do espaço, é o software, que permite monitorar os telescópios. O software está sendo desenvolvido pelo IAGUSP e ficará disponível no próprio site do projeto. A previsão é que o programa esteja aberto a todos, sem custos, em meados do ano que vem. Contudo,  já desperta curiosidade geral. Vai usar telescópios acoplados a redes de computadores e para participar dela as escolas precisarão apenas de computadores ligados à internet.

O pesquisador do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), André de Castro Milone, fala da observação espacial nas escolas como um processo simples. “Ninguém vai colocar o olho no telescópio. O aluno ou o professor digitará no computador a coordenada do objeto a ser observado e o aparelho se movimentará seguindo essas recomendações. É como se estivesse dizendo a ele: direcione para a lua ou para uma determinada estrela”.

O computador ajuda porque permite exposições mais prolongadas e coleta imagens melhores que o olho humano. Em São José dos Campos, o Inpe acaba de construir um miniobservatório para abrigar um dos telescópios que está sendo importado.

O projeto provoca forte interesse nos alunos, que vão, com entusiasmo, de madrugada, às aulas na escola. O Colégio Bandeirantes é um dos únicos no País que participa, há dois anos, do programa americano que inspirou o brasileiro. Por isso, nessa fase inicial os seus alunos vão aproveitar o telescópio de São Paulo que ficará no IAG. O professor do Bandeirantes Airton Borges, que participará da execução do projeto, diz que com “apenas os conhecimentos básicos de geografia, os estudantes conseguem fazer o reconhecimento do céu e trazer uma nova discussão para a escola”. Procuram por supernovas em galáxias que o telescópio pode visualizar. Aprendem astronomia de verdade, bem mais real do que está nos livros.

Nos Estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Santa Catarina, o projeto piloto será realizado com estudantes de escolas públicas. No Rio Grande do Sul, será em um colégio militar. Os professores dessas escolas e mais os dos colégios que vierem a aderir ao projeto receberão um treinamento especial para orientar os alunos a fazer as observações e as pesquisas.

O projeto Observatórios Virtuais está sendo financiado pela Fundação Vital. Cada telescópio custa em média 6 mil dólares. Aos poucos o aluno vai entendendo e manuseando melhor o telescópio, com uma análise sobre os assuntos, cada vez mais objetivo, mais lógico.

Este é um projeto ousado, de longo alcance, que tem a propriedade de se abrir à escola pública, tão necessitada de avanços tecnológicos.

Há, atualmente, um crescente interesse pela astronomia. Este ano, realizou-se na Rússia, na cidade de Bukova, a 7.ª Olimpíada Internacional de Astronomia e um aluno brasileiro do 2.º ano do ensino médio do Colégio Objetivo, Felipe Augusto Cardoso Pedreira, ganhou a medalha de bronze. Apenas o Brasil representou o continente americano e Felipe concorreu com 50 estudantes de 21 países. Ele participou de exames teóricos, práticos e de observação. Antes da etapa internacional, disputou com outros 60 mil alunos brasileiros. Ele já está classificado para a Olimpíada de 2003.

Neste Natal, envio meu abraço a todo morador desta querida cidade, pedindo a Jesus que derrame, em seu coração, esperança de uma  vida  harmoniosa e feliz. Que neste Natal, o mundo coloque paz no lugar da violência e que os homens se reconheçam como irmãos em Cristo. Levo aos prezados leitores a inspiração que, este ano, o Natal me passou.

N A T A L

O colorido na terra ressurge,
Magia inexplicável,
A vaquinha novamente muge,
Natal é emoção renovável.

A cada ano vem mais exuberante,
Vem, como se fosse a primeira vez,
Põe os homens na ala dos amantes,
Provoca na alma uma certa embriaguez.

Assim, são todos os Natais,
Cumprimentos, alegrias e abraços,
O grande afago dos mortais,
Perene, varre os tempos, os espaços.

Seria o Natal fruto da imaginação?
Da necessidade do sonho, da esperança?
A verdade é que ele habita cada coração,
E Jesus renasce no sorriso da criança.

A cada idade, um voto especial,
A cada nação, uma prece que apraz,
Mas, em todos, um desejo universal:
Que o Natal reuna os povos na santa paz.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2002)

ENSINO MÉDIO EM FINS-DE-SEMANA

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino médio passa por um processo alternativo. Agora, o aluno desse ensino poderá cursá-lo em fins-de-semana, em São Paulo. Jovens e adultos – de 18 a 29 anos – poderão, pelo projeto Escola da Juventude, lançado em fevereiro do corrente ano, cursar o ensino médio em até um ano e meio. Segundo informes da Secretaria da Educação, o curso terá uma dinâmica diferente dos cursos tradicionais de educação de jovens e adultos. Pretende-se usar novas tecnologias para acelerar o processo de aprendizagem, laboratórios de informática, salas de vídeos e um portal na internet.

Para participar, o aluno deve ter concluído o ensino fundamental e efetuar matrícula diretamente nas escolas participantes do projeto. Inicialmente, a Escola da Juventude atenderá 300 escolas estaduais da capital e alguns municípios da grande São Paulo e do interior do Estado, num total de 30 mil vagas, sendo 100 por unidade.

O curso de ensino médio da Escola da Juventude está dividido em três tipos de atividades: curriculares presenciais, organizados em 4 módulos, sendo um optativo no sábado pela manhã e um obrigatório à tarde. No domingo, a situação inverte-se. Haverá no mínimo uma hora e meia por final de semana de atividades de inclusão digital, e atividades individuais durante a semana, sugeridas em classe e constantes dos materiais impressos.

Na sala de aula, o aluno contará com um orientador de estudos e na sala ambiente de informática, com um monitor para auxiliá-lo a tirar suas dúvidas. O curso desenvolver-se-á em módulos e o aluno terá flexibilidade para freqüentá-lo segundo sua disponibilidade de tempo. A avaliação será contínua, havendo provas freqüentes e, ao final do semestre, exame para a conclusão do módulo. A certificação será dada após a aprovação em todos os módulos, depois de 18 meses de atividades.

A programação parece bem pensada, bem organizada, agora é torcer para que esse curso abreviado de ensino médio, dado em fins-de-semana, não venha frustrar quanto à qualidade, fazendo o ensino decair ainda mais. As escolas devem passar avante a informação, deixando os alunos a par dessa recente inovação.

Um ensino médio com carga horária assim reduzida é prato de balança que oscila entre duas perspectivas. Permite ao aluno avançar em anos de escolaridade, ultrapassando os graus de ensino, engrossando as estatísticas, mas pode pôr em cheque a meta qualitativa. O ensino médio de um ano e meio favorece, é verdade, o aluno continuar na escola, afastando-o da rua, da ociosidade. Ajuda-o a não interromper o processo de estudo e a se afastar da violência.

Segundo a Unicef, o aumento da violência é proporcional à queda da escolaridade do adolescente, considerando que a sua cidadania depende da conciliação da educação formal com cursos profissionalizantes. Aponta que apenas 33% de jovens brasileiros, com idade entre 15 e 17 anos, freqüentam o ensino médio. Dentre as crianças que trabalham, a taxa de analfabetismo é de 20,1%, contra 7,6% entre as que não trabalham. Conclui que o problema da violência requer ação efetiva de toda sociedade e que sua solução passa necessariamente pela melhoria da escolaridade e profissionalização dos jovens, dentre outras medidas coerentes com aplicações socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Estatísticas comprovam que no Brasil o número de adolescentes que morrem violentamente supera o número de mortes nos países em guerra, como no Iraque, onde se calcula que 150 mil civis morreram na invasão movida pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha. Entre nós, mais de 24 mil jovens de 15 a 19 anos tiveram morte violenta em 2004, marcando um sangrento recorde mundial. Revelam as pesquisas que os adolescentes são, em geral, mais vítimas que autores da violência que os destrói.

Cerca de 68% das mortes de adolescentes no Brasil, com idade entre 15 e 19 anos, são provocadas por causas externas, como homicídios, acidentes de trânsito e suicídios. Perto de 10% de todos os crimes e delitos praticados no País são cometidos por adolescentes, o que causa séria preocupação.

A juventude está morrendo e está matando, e há fortes convicções de que esse quadro se modificaria se mais jovens estivessem na escola. Sob esse prisma, o ensino médio em fins-de-semana, conjugando estudo e trabalho, poderá ajudar, se conduzido por professores habilitados e interessados no processo, porque o mercado de trabalho considera prioritariamente a qualidade e não a quantidade de anos passados pelo aluno na escola.

Exigências do mercado levam as empresas de pequeno e médio porte a contratar pessoal qualificado na mira da adoção do selo de boas práticas trabalhistas, acompanhando as grandes empresas. Atuar com qualidade favorece o diferencial competitivo da empresa como foco na responsabilidade social. As pequenas empresas são as que têm até 99 empregados, no caso da indústria, e até 49, no caso de comércio e serviços. As de médio porte têm até 499 trabalhadores na indústria e 99 no comércio e serviços. O selo SA 8000 se tornou um termômetro da importância que as práticas internas empresariais têm em uma economia competitiva. Sua importância é tal que será como avalista para o futuro. Vai excluir empresas do mercado. O selo SA 8000 cria um ambiente ético que vai além da empresa e chega à sociedade, vai além das exigências trabalhistas, dando condições dignas de trabalho a seus empregados.

A SA 8000 é um conjunto de padrões que asseguram melhorias nas condições de trabalho nas empresas, com base nos preceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Para obter a certificação, que tem a validade de 3 anos, a empresa deve estar em dia com a legislação trabalhista, banir os trabalhos escravo e infantil e assegurar o direito à associação sindical e salários justos.

Para fazer parte de uma empresa bem organizada, de porte e sucesso, para receber os benefícios da SA 8000, o pretendente deve ter freqüentado uma escola de qualidade, adquirido uma boa formação acadêmica e profissional. Caso contrário, não passará nos testes de avaliação.

Um ensino médio de bom nível é porta aberta para uma boa colocação no mercado de trabalho.  Os relatos acima são questões para se pensar.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2005)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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