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Artigos Educacionais

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COOPERATIVA EDUCACIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

Diferentes organizações de ensino surgem no cenário educacional do País. Uma modalidade de escola em expansão são as chamadas cooperativas educacionais, formadas pelos próprios pais. Elas despontam em razão do descontentamento com o ensino público, com o particular, no aumento das suas mensalidades, e nos últimos cinco anos cresceram cerca de 80%.

As escolas cooperativas, no Brasil, iniciaram-se na década de 90. Há, atualmente, no País 625 escolas que são cooperativas filiadas à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). No Estado de São Paulo, são 55, a maioria funcionando no interior. Em 1992, existiam apenas quatro cooperativas educacionais no Estado de São Paulo, mas o sucesso dessa organização tem ensejado a sua evolução.

São os pais dos alunos os fundadores da cooperativa e também seus financiadores. Para a abertura, cada pai contribui com cerca de R$ 300,00, acrescidos, por mês, do rateio das despesas. A mensalidade é substituída pelo rateio, que varia de escola para escola e é controlado pelos seus membros. Quando os filhos saem da escola, os pais deixam a cooperativa e levam o que restou de sua parte no capital. Novos alunos significam novos pais cooperados. Os pais cuidam da escola com dedicação e interesse, como uma construção deles. Em média, é 40% mais barato que as mensalidades das escolas particulares.

A escola é administrada pelos pais, por meio de conselhos eleitos e a responsabilidade pela execução da linha pedagógica, escolhida pelos pais, cabe ao professor e aos profissionais da área da educação contratados pela cooperativa. Tem tido prioridade a adoção do modelo de ensino que se apoia no método socioconstrutivista. O cooperativismo é ressaltado como uma construção de valores.

Nem todos os pais trabalham na administração da escola, mas todos estão por perto, com direito a esclarecimentos e a opinar. Os pais que não fizeram parte da fundação das cooperativas usufruem igualmente da participação direta da gestão e abraçam a causa com o mesmo sentido de sucesso educacional.

Estas escolas não visam lucro, têm como principal objetivo a boa formação do aluno. A sobra de dinheiro vai para melhorar a infra-estrutura, quer dos recursos humanos, na capacitação docente, quer dos recursos materiais, na compra de equipamentos, de material didático-pedagógico. Nas escolas particulares, o pai paga a mensalidade, praticamente se retrai e aguarda o resultado. Nas cooperativas, eles crescem com a participação, quer da esfera administrativa, quer da pedagógica. Isso resulta em um triplo incentivo: da escola, dos pais e dos alunos.

A escola cooperativa é um trabalho interativo entre família e escola. Há um envolvimento produtivo. É uma escola que precisa mostrar serviço, comprovar um bom rendimento escolar, manter bom conceito. Revelam as estatísticas que as cooperativas educacionais têm demonstrado um padrão muito bom de ensino. Elas criam condições para ter qualidade.

Há escolas cooperativas que se tornaram famosas pelo sucesso de seus alunos, como a escola de Goiatuba, no interior de Goiás, fundada em 1992, tendo hoje cerca de 400 alunos. Nestes últimos vestibulares da Fuvest, Unicamp e Fundação Getúlio Vargas, um seu aluno, Lucas Mendes, foi o 1.º colocado. Outras cooperativas educacionais aprovam, segundo dados de pesquisa, alunos do ensino médio, em vestibulares concorridos, sem necessidade de freqüentar cursinhos.

Não se tem notícia de cooperativas educacionais mal organizadas, mal sucedidas. O empenho dos pais contamina professores e alunos e no conjunto há um esforço, uma vontade de todos, para colocá-las em um bom termo, em um bom desenvolvimento.

As escolas cooperativas são regidas pela Lei Federal n.º 2.764/71. As pessoas, os pais, interessados em formar uma cooperativa educacional, devem valer-se dos seguintes requisitos: constituir, pelo menos, 20 pessoas que pagam a cota-parte, formando o capital da cooperativa. Essas pessoas farão parte da assembléia, que elegerá o conselho administrativo e o conselho fiscal da cooperativa, ambos com mandato de dois anos. Cria-se o estatuto da cooperativa, registra-o na Junta Comercial e na Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp) ou do Estado correspondente. Uma equipe de educadores, que também pode ser outra cooperativa, é contratada para executar a linha pedagógica, já escolhida pelos pais.

As cooperativas educacionais são uma excelente oportunidade para não se onerar as despesas da família, com a vantagem de ver os filhos freqüentando uma escola que prima, acima de tudo, por seu bom nome, oferecendo um ensino de qualidade, um ambiente regido pelos próprios pais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2002)

ANALFABETISMO E DESNUTRIÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Em dezembro de 2002, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou as Estatísticas do Registro Civil, mostrando que entre 1990 e 2001 a taxa de mortalidade infantil diminuiu. Em 1991, os óbitos de crianças menores de 1 ano correspondiam a 11,2% do total de falecimentos registrados. Em 2000, caiu para 6,02%.

Pelo último Censo do IBGE, em 1991, para cada mil crianças nascidas vivas, 45,3 morriam antes de completar 1 ano de vida. Em 2000, esse índice, segundo o Censo, era de 29,6 óbitos para cada mil nascimentos.

Esse decréscimo poderia ter sido bem mais significativo. Quase 30 óbitos para cada mil nascimentos é um índice muito alto, quando comparado, nas mesmas condições, com os de países latino-americanos, como, por exemplo, o Chile, com 10,3.

Um fator positivo a ser considerado é a queda da mortalidade infantil ocorrida em regiões pobres do Nordeste. Em 1991, a proporção de menores de 1 ano no total de óbitos da região era de 14%. Em 2000, esse índice recuou para 6%.

Investir na melhoria das condições de vida das crianças, dos pais, criar planos de assistência básica, de incentivos à educação, são caminhos para a desnutrição. Uma pesquisa feita pela Pastoral da Criança da Igreja Católica, divulgada em 10 de dezembro de 2002, aponta como uma das principais causas da desnutrição infantil no País o analfabetismo das mães.

Estudo do IBGE – “Evolução e Perspectiva da Mortalidade Infantil no Brasil” – mostra que a maior escolaridade, entre as mulheres, é fator preponderante na saúde das crianças. Cada ano a mais de escolaridade média, entre elas, reduz em 15% o índice de mortalidade infantil. Esse estudo veio comprovar a correlação entre analfabetismo e falta de obediência às prescrições dadas pelos médicos às mães, também durante a gravidez.

A pesquisa da Pastoral da Criança – Saúde e Nutrição Infantil em Áreas Pobres do Norte e Nordeste do Brasil – abrangeu 1.528 crianças de zero a 5 anos, em três mil domicílios de 18 áreas rurais e urbanas. Foi feita em nove municípios tirados de uma lista de 32 com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Brasil.

Dentre as crianças pesquisadas, 8% apresentaram grau de desnutrição de moderado a grave, por estar abaixo do peso, e 16% eram portadoras de desnutrição crônica. Os pesquisadores encontraram 37,2% das mães e 45,9% dos pais analfabetos, sendo que apenas 35,6% das mães freqüentaram a escola de um a três anos.

A maioria das mães respondeu corretamente que o leite materno é um inibidor de doenças infecciosas em crianças de até 6 meses de vida, mas a maior parte confirmou que deu água (81,6%), chás (73,2%), sucos (73,2%) e leite em pó (50,2%) no primeiro mês de vida. Foi alto o índice de crianças alcançado pelo esquema de vacinação de massa (85%). A falta de alfabetização da mãe é fator forte para desnutrição, conclui o estudo.

Há uma opinião generalizada de que educação é a primeira necessidade do homem, depois do pão. Porém, como vimos, a educação vem junto ao pão, caminham paralelamente, concepção fortemente referendada por pesquisas científicas.

Sentimos a importância da educação na solução dos sérios problemas brasileiros. As políticas sociais têm relação com a educação. A educação é o elo que integra todos os programas, quer sociais, quer governamentais, não importando em que área.

Os dados do IBGE apontam o analfabetismo como entrave à reversão da mortalidade infantil. A Pastoral da Criança propõe ao governo Lula combate reforçado ao analfabetismo.

O combate ao analfabetismo deve ser uma séria prioridade governamental. Estudo divulgado pelo Inep – Mapa do Analfabetismo no Brasil – apresenta um panorama da educação de todos os municípios brasileiros. Esse estudo reúne indicadores produzidos em 2000 pelo IBGE, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Paud) e pelo Inep. Revela que o Brasil possui cerca de 16 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais e 30 milhões de analfabetos funcionais, pessoas que têm menos de 4 anos de estudo. O mapa do analfabetismo fornece informações para reflexão, subsidiando a formulação de políticas públicas e privadas na área da educação.

Para tentar erradicar o analfabetismo, no período de 4 anos, o Brasil precisaria de cerca de 200 mil alfabetizadores. Os analistas do sistema educacional consideram um número, que embora alto, não é inviável, principalmente pelo fato de as matrículas de 1.ª à 4.ª série no ensino fundamental estarem em queda, vagando salas e professores.

Um fator que merece preocupação é a capacitação do alfabetizador e a formulação de programas de qualidade. Como lembra Paulo Freire, alfabetizar não é apenas ensinar o b, a, bá, é dar ao alfabetizando uma visão de mundo, fazê-lo alcançar uma interpretação crítica dos fatos, desenvolver uma consciência pessoal e social.

A improvisação, em educação, só gera fracasso. O que se nota, no Brasil como um todo, é um baixo desempenho do sistema escolar, especialmente das camadas pobres da população, onde o analfabetismo chega a ser 20 vezes maior. Em apenas 19 municípios brasileiros, a população possui mais de 8 anos de estudo, um índice que corresponde às 8 séries do ensino fundamental. Em outros 1.796 municípios do País, a escolarização média da população é inferior a 4 séries concluídas. Quadro realmente preocupante!

* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em junho/2003)

A ESCOLA REFLETINDO OS PROBLEMAS SOCIAIS

Izabel  Sadalla  Grispino *

No artigo anterior abordamos a problemática da violência infanto-juvenil disseminada em nossa sociedade. Fizemos reflexão sobre o importante papel da família, concluindo ser ela o foco da agregação ou desagregação do sentimento de amor, de vida esperançosa, produtiva. Ponderamos, também sobre os malefícios produzidos na criança e no jovem pela constante exposição aos jogos eletrônicos, os videogames.

Dando seqüência ao assunto ressaltaremos uma outra face negra da sociedade, que vem se acentuando,  a prostituição infantil, a iniciação sexual precoce. O sociólogo Neil Postman, em seu livro “O desaparecimento da infância”, fala da perda da inocência infantil, do ocaso da inocência. “Descaracteriza-se a infância e ela começa a ser, aos poucos, abolida como fase da vida humana. A fronteira entre a infância e a juventude vem se diluindo, apressando a passagem para a vida adulta”.

A degeneração dos costumes, a cultura da promiscuidade, a decomposição ética da sociedade, os apelos eróticos de uma TV preocupada com audiência, arrastam a criança à curiosidade prematura, a atos sexuais precoces. Histórias infantis, desenhos animados, vêm sendo substituídos pelos apelos eróticos de personagens televisivos, por novelas ou filmes que exploram a face exagerada, quando não desvirtuada, da sexualidade, repercutindo em agressões à alma infantil, provocando nociva influência moral e psicológica.

Avançando um pouco mais na idade cronológica, um estudo encomendado pelo Ministério do Emprego e Solidariedade, juntamente com a Secretaria de Saúde da França, ao Alto Comitê de Saúde Pública, mostrou que os jovens sofrem muito neste mundo pervertido, liberado, onde a puberdade se antecipou dos 17 para os 13 anos. Eles se tornam adultos antes do tempo e, o pior é, os que almejam uma vida promissora dificilmente conseguem emprego. Uma falta de perspectiva os leva à depressão, à explosão de agressividade. Na falta do emprego, ficam, em média, até os 25 anos na casa dos pais. Constatou-se uma tendência assustadora de suicídios entre os jovens, tendência que outros países de primeiro mundo confirmam. Na França, dos jovens, entre 15 e 19 anos, 3,7% tentam o suicídio; 10% revelaram necessidade de ajuda para não sucumbir e 17% admitiram que, alguma vez, pensaram nisso. Tabagismo, alcoolismo e toxicomanias  aumentam consideravelmente.

O mundo vem se mostrando cruel aos jovens, também pelo aspecto profissão. Hoje, o modelo de comportamento é valorizar o presente. Pais e educadores sonham em tornar os filhos, os educandos, ultracompetentes no ramo da informática. O susto aparece quando uma organização especializada – a Learning in the Real World, da Califórnia – divulga que os computadores não estão ajudando os jovens a aprender mais, ao contrário, o nível vem decaindo, eles estão aprendendo menos. Diante desse quadro, faz-se necessário conjeturar posturas mais reflexivas diante do computador.

A todas essas causas acrescente-se o saldo que restou de uma educação permissiva, criando uma geração crescida sob a orientação da educação não traumatizante. Educação de total liberdade que se contrapôs à anterior, na qual os filhos não podiam dizer não aos pais. O não era domínio dos pais. Aos pais competia ordenar e aos filhos obedecer, sem questionar. Não havia diálogo. Porém, a passagem da educação proibitiva para a permissiva deu-se de modo brusco, sem meio termo. Agora, eram os pais que não podiam dizer não aos filhos: o não os reprimia, os traumatizava. Assim, passaram ao outro extremo, o da total liberdade. Essa liberação provocou perda de limites, perda de valores e produziu uma juventude desfibrada, insatisfeita, sempre em busca de mais emoção, correndo atrás de prazeres desenfreados. A educação não traumatizante criou uma geração de desajustados, onde a violência surge como um jogo alucinado, um divertido passatempo.

Hoje, felizmente, volta-se ao entendimento de que, para um crescimento saudável, tem que haver disciplina, tem que haver regras de comportamento, senso de limite. Evolui-se para uma educação voltada ao diálogo, à autodisciplina, à auto-organização, conscientizando-se filhos e educandos de que a vida em sociedade só funciona com regras e limites. A rebeldia, que perambula por aí, é, nessa linha de considerações, resultante da omissão, da pedagogia da concessão, da psicologia da irresponsabilidade, da crise da autoridade. É preciso que se reflita entre o medo de punir e os seus efeitos anti-sociais.

Temos aí denso material para se pensar, para se posicionar. Que parcela de contribuição estamos dando na erradicação ou na diminuição da violência infiltrada no meio social, permitindo ao cidadão recuperar o direito de sair às ruas, de viver em paz em sua própria casa? O silêncio é um forte aliado da violência. A escola, por seus temas transversais, pode inserir o assunto através da matérias tradicionais do currículo, conforme recomendam os “Parâmetros Curriculares Nacionais” e promover debates, discussões, tornando-se conscientes do seu contexto social e passando a conscientização avante. Reduzir a violência, hoje, é prioridade educacional, política, social e econômica, se não como imaginar a sociedade dos próximos anos? Que mundo aguardam nossos filhos, nossos netos? Que filhos e que netos estaremos colocando nesse mundo? Que futuro os aguarda? Haverá futuro para eles?

As instituições ainda se omitem pela distância em que se envolvem com os problemas sociais. Precisamos ser capazes de repensar e atuar na crise provocada pela violência generalizada, se não quisermos ter em breve momentos ainda mais difíceis de suportar. É preciso ir à raiz do problema e lutar para formação de uma nova ordem social.

A estas considerações acrescento o pensamento do educador Paulo Freire: “A escola precisa conscientizar os jovens da importância do investimento em si próprio, em sua cidadania. Conscientizá-los a fazer frente à realidade, colocá-los por dentro dos problemas que os envolvem na atualidade e subsidiá-los para atuar preventivamente”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2000)

A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

UMA PARADA PARA MEDITAR

Izabel Sadalla Grispino *

A situação precária em que o Brasil se encontra no terreno educacional vem de décadas e se acentuando com o passar do tempo. Não é falta de alerta, não são vozes isoladas que se manifestam, mas a seriedade norteadora de ações governamentais, fortes e abrangentes, continua diminuta.

São análises internas que se encontram e se completam nas análises de organismos externos. O quadro que se apresenta da educação brasileira é desolador, deprimente, revelam-nos recentes pesquisas do Pnad e da Unesco. A que ponto chegou o tão conceituado magistério do passado! E pensar que se fala em desenvolvimento, em crescimento da economia, como se o Brasil tivesse se pautando por princípios sustentadores dessa evolução!

O ponto forte de todo desenvolvimento, ninguém hoje ignora, é um povo qualificado, portador de ferramentas educacionais consistentes; é a formação escolar das novas gerações, gerações estas, que, no País, não estão sendo educadas para enfrentar o mercado de trabalho do amanhã.

A pesquisa que o IBGE acaba de divulgar, abril de 2006, sobre dados relativos a 2004 do Plano Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad), mostra a ineficiência do nosso sistema educacional. Ineficiência que recai sobre a população brasileira, apresentando uma larga margem de analfabetos e analfabetos funcionais.

De acordo com a pesquisa, um quarto da população com idade igual ou superior a 15 anos tinha menos de 4 anos completos de estudo, em 2004. São pessoas que só sabem escrever o nome e têm dificuldade em operações matemáticas, em ler manuais de instrução. São os chamados analfabetos funcionais.

Revela a pesquisa que jovens na faixa etária entre 18 e 24 anos, idade em que deveriam cursar uma faculdade, 58,5% continuam no ensino fundamental ou no ensino médio. Com relação à população adulta, pessoas com 25 anos ou mais, a situação piora. Em 2004, 27,9% tinham, no máximo, 3 anos de estudo e só 7,8% haviam concluído 15 anos ou mais de escolaridade.

O Norte e o Nordeste apresentam maiores ineficiências que o Sudeste. No Norte, os analfabetos funcionais correspondiam a 29,1% da população com mais de 15 anos, em 2004. No Nordeste, a proporção era de 37,6%, contra 18,1% do Sudeste e 13,6% na região metropolitana de São Paulo, a mais industrializada do País.

No País, o tempo médio para a conclusão do ensino fundamental é de 9,9 anos, porém, em 6 dos 9 Estados do Nordeste, ele é de 11 anos ou mais, contra 8,7 anos em São Paulo. Constata-se, ainda, que no Nordeste 73,2% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos ainda cursavam o ensino fundamental ou médio, em 2004, e só 16,4% estavam matriculados no ensino superior. No Sudeste, a proporção chegava a 43,7%.

Como pensar num País gigante com uma geração de jovens tão despreparada? Com esse penoso cenário da educação brasileira e sua má qualidade de ensino, fica evidente o tamanho do desafio que o País enfrenta, quer na inclusão, em termos de escolaridade, quer no avanço profissional.

Para reforçar e comprovar a nossa ineficiência educacional, o relatório “Educação para Todos 2006 – Professores  e Educação de Qualidade”, lançado em 25 de abril de 2006 pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, mostra que o Brasil é, na América Latina, um dos países com menor grau de formação de seus professores.

Segundo o relatório, os professores de 1.ª à 4.ª série (92%) têm apenas o magistério, definido pela Unesco como ensino médio completo, mais 1 ou 2 anos de estudo. Apenas Nicarágua e Panamá, entre os países da América Latina, estão na mesma situação que o Brasil. A Argentina tem 67% dos seus professores do primário com ensino superior; o Chile, 92%.

Embora a qualificação dos professores vem crescendo, a pesquisa coloca o País junto com a Indonésia e Egito, países que precisam de um grande esforço para garantir que os professores primários tenham ensino superior.

O Brasil continua entre os países com maiores taxas de repetência do mundo, 21%, igual à da Eritréia e Moçambique, maior que a de Ruanda e Lesoto. “A repetência reflete más condições de ensino e aprendizagem e aumenta a pressão sobre os professores e sobre os recursos nacionais”, diz o relatório.

Dar uma boa formação aos professores para melhorar o nível de ensino continua sendo uma batalha nacional. O Brasil vai precisar de mais 396 mil professores até 2015 para manter o atendimento no ensino básico, para assegurar a universalização. O que se constata é que o número de alunos no ensino básico vem diminuindo, assim como a quantidade de crianças em idade escolar, por causa da queda da mortalidade.

Quanto ao salário dos professores, encontramos problemas, embora, quando comparado com outros 11 países da América Latina e Caribe, que têm dados nacionais, o Brasil não está mal, mas perde de longe para o México, país que tem economia semelhante à nossa.

O relatório da Unesco conclui que os professores são poucos, ganham pouco e sabem pouco. Esse relatório é um estudo comparativo sobre a qualidade de ensino e as necessidades globais, que se enfrentarão até 2015. Dos 142 países avaliados, o Brasil está entre os que apresentam os piores resultados, abaixo do Haiti, tido como a nação mais atrasada das Américas.

A distância do preparo que necessitam as novas gerações, para colocar o País em condições de vencer, é muito grande, tornando-se, a cada passo, mais complexas!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2006)

UM PANORAMA DO ENSINO RURAL

Izabel Sadalla Grispino *

O Brasil começa a despertar para o ensino rural. Estudos vêm mostrando claras diferenças educacionais entre o campo e a cidade, mostrando que a área rural ainda é um mundo muito diferente da cidade.

Embora a população rural vem decrescendo nos últimos 30 anos, reduzida em mais de um terço, a escolaridade no campo dobrou. O número de crianças matriculadas no ensino fundamental cresceu 21%, mostrando que a escolaridade dos jovens no campo avança, mas representa apenas a metade da população escolar urbana.

O Instituto Nacional de Estatísticas (Inep) revelou dados, em setembro de 2004, que mostraram que 28% dos jovens, acima de 15 anos no campo, ainda são analfabetos – dois terços a mais do que o índice registrado nas cidades. Na cidade, em média, a população tem 7 anos de estudo. No campo, 3,4 anos. A distorção idade-série chega, no campo, a 65% das crianças matriculadas. Na cidade, é de 50%.

Um estudo feito no mesmo ano pelo grupo permanente de educação do campo do Ministério da Educação (MEC) revela o quanto o ensino rural necessita de assistência por parte governamental. Uma grande parte das escolas rurais funciona em precárias condições, com um mínimo de qualidade e sem meios de atender a toda população, embora concentre mais da metade das escolas brasileiras, 97 mil de 169 mil existentes.

Mais da metade das escolas possui apenas uma sala de aula e 64% são multi-seriadas, nas quais se concentram alunos de várias séries numa mesma sala, com apenas uma professora. Para completar a deficiência do ensino, o estudo constata que boa parte dos professores, que ensina no campo, tem formação inadequada. Permanecem nas escolas até completarem sua formação, quando então pedem transferência para a cidade, onde ganham mais. Apenas 9% dos professores têm ensino superior completo.

A oferta de vagas para as crianças de 4 a 6 anos é apenas de 25% da sua necessidade. O atendimento na pré-escola e no ensino médio é bem pior, está muito abaixo do necessitado, apenas 4,5% dos estudantes encontram vagas.

O censo escolar de 2002 mostrou que 94% dos estudantes do ensino médio, que moram na área rural, estudam nas cidades e se valem de um transporte escolar. Muitos alunos acabam evadindo-se da escola ou migrando para a cidade. O censo do IBGE de 2000 encontrou 690 mil adolescentes entre 15 e 24 anos, vindos do campo, morando em cidades.

Em agosto de 2004, no 2.º Encontro sobre Educação no Campo, realizado em Brasília, a migração para a cidade foi um dos problemas apontados. O relatório do evento apontou a necessidade de adaptação do currículo para as necessidades do campo, respeitando os períodos mais sobrecarregados, como, por exemplo, o da safra, o do plantio, incluindo conhecimentos típicos das atividades rurais.

Além da adaptação do currículo às atividades rurais, seria interessante levar ao cotidiano das populações rurais, através da escola, ciência e tecnologia ao alcance dessa população. Exemplos desse tipo de tecnologia são os elencados no programa que cria a rede de tecnologias sociais, como: soro caseiro, que já salva a vida de milhares de crianças por todo o País. A construção de cisternas e de unidades de tratamento de água, articulada à higiene e à produção de hortaliças e legumes. As famosas barraquinhas de captação de água das chuvas, evitando erosão, enchentes e assoreamento. As águas captadas alimentam o lençol freático e tornam perenes rios e córregos temporários.

A escola, voltada às necessidades e aos interesses dos habitantes do campo, conquista essa população e atua com mais propriedade. O Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep) nos forneceu o seguinte quadro comparativo entre ensino rural e ensino urbano:

Anos de estudo – população com 15 anos ou mais:

Área urbana, 1971 = 4,1; 2001 = 7,0;

Área rural, 1971 = 1,2; 2001= 3,4.

Analfabetos – população com 15 anos ou mais (%):

Área urbana, 1971 = 22,1; 2001 = 9,5;

Área rural, 1971 = 55,6; 2001 = 28,7.

Matrículas no ensino fundamental (milhões):

1971 – área rural = 5,1; população rural = 41,1;

2001 – área rural = 6,2; população rural = 27,2.

Escolas com uma sala (%)

Área urbana, 1971 = 28,9; 2001 = 0,8; 2003 = 0,9;

Área rural, 1971 = 80,7; 2001 = 53,9; 2003 = 49,9.

O entendimento sobre a necessidade de escolaridade nos dias de hoje alastra-se para os quatro cantos do mundo. Felizmente, esse entendimento chegou à população rural, onde os pais começam a perceber que se os filhos não estudarem vão ter uma vida igual ou pior que a deles. Pouco a pouco, caminha-se para a redenção!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2005)

CONTROVÉRSIAS SOBRE A MUNICIPALIZAÇÃO DO ENSINO

Izabel Sadalla Grispino *

A municipalização do ensino foi bastante contestada, e ainda continua, pelas entidades de classe de professores e por setores da oposição. Consideram-na como um viável caminho à privatização do ensino público. Partidos de esquerda, como PT, PDT e PC do B, entraram no Supremo Tribunal Federal, no início de sua implantação – 1998 – com uma ação direta de inconstitucionalidade, tentando impedir sua aplicação. Alegavam não caber ao governo federal determinar como estados e municípios devam aplicar suas cotas dos fundos de participação.

Outra contestação surgiu por parte de professores da rede pública do ensino superior, que rejeitavam o modelo educacional adotado pelo MEC. Criticavam e denunciavam o sistema de parcerias com o setor privado adotado pelo governo para mudar o ensino. No ensino municipalizado, diziam, a reforma inclui a integração entre estado, iniciativa privada e comunidade, em modelos de parceria para criar novas fontes de financiamento. Essa relação deve ser intermediada pelas organizações não-governamentais (ONGs).

As entidades de docentes são contra a municipalização e afirmam que o projeto de políticas sociais serve de suporte para a municipalização do ensino fundamental. Com a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef), criticado pelas entidades, o governo quer abrir caminho para que haja um aumento da participação da sociedade no processo. Seguindo as regras do Banco Mundial (Bird), o governo aposta na municipalização do ensino de crianças de 7 a 14 anos, como ponto de partida para a reforma. Segundo essas entidades, o governo repassa, aos poucos, o controle da educação brasileira ao Banco Mundial, dando sinal verde para a privatização do ensino no Brasil.

Em documento-denúncia, professores da rede pública do ensino superior alertavam, em 1998, que “havia em andamento um amplo programa de reformulação da educação no país, com a transferência do controle da estrutura do ensino público para fundações e organizações de direito. O novo sistema deverá ser instituído de forma gradativa e segue um programa que o Banco Mundial (Bird) recomenda para países pobres, prevendo uma redução da participação do poder público no ensino e parcerias com o setor privado (...). O processo de transferência de controle da estrutura educacional, para fundações e organizações de direito privado, deverá ser gradativo (...). O ensino brasileiro caminha para um sistema no qual, cada vez mais, haverá a participação do setor privado e menos do estado (...). O novo sistema misto que deve surgir no país, com a reforma do ensino, tem apoio do Bird, que vê o reforço à municipalização do ensino como uma estratégia (...).

Dois dos esteios da reformulação administrativa do ministro Bresser Pereira, em vigor, são a redução dos gastos da folha de pagamento e o incentivo ao repasse do comando de setores públicos para organizações sociais de direito privado.

O governo alega que o setor educacional comporta uma integração entre os níveis de administração pública – união, estados e municípios – iniciativa privada e ONGs. Essa tendência ocorre hoje no setor ambiental, referendam os professores. É com esse sistema que funciona o Instituto Brasileiro do Meio-Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), cada dia mais operando com convênios e parcerias para criação de fontes de financiamento, que dão suporte às ações do órgão. O setor educacional, ao que tudo indica, deve passar por um processo que o governo chama de “flexibilização” e as entidades de classe de professores classificam de privatização, reafirma o documento-denúncia.

Só o desenrolar do processo trará clareza a essas questões. O ministro Paulo Renato Souza tem passado imagem de credibilidade, de atuação coerente entre os diversos graus do ensino. Contudo, a saúde da educação não vai bem, os rumos políticos da educação não são tão animadores, sempre conflitados em suas irrisórias verbas.

O desolador é contestar que o Brasil, com seu enorme potencial de riqueza, nunca está em condições de se apoiar nas “próprias pernas”, tendo sempre que ser ajudado por “muletas”. Ainda estamos inseridos entre os países do terceiro mundo, países em desenvolvimento. Passam-se os anos e assim, como nos tempos de nossos pais e avós, somos o permanente país do futuro.

Precisamos não só de escolas para todos, mas de escolas de boa qualidade para todos, sejam ricos, sejam pobres, se querermos realmente uma pátria forte, menos injusta socialmente. Educação funciona com vontade política. Somos responsáveis pelos homens públicos que colocamos no poder. Necessário se faz formar consciência, despertar amor à terra natal, desde a tenra idade, porque os bons sentimentos, os bons propósitos, se desenvolvendo com a criança, consolidarão o caráter, o civismo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2000)

UNIVERSIDADES CORPORATIVAS: REALIDADE QUE SE IMPÕE

Izabel Sadalla Grispino *

Um novo segmento na área educacional vem surgindo e se impondo: as universidades corporativas. As universidades tradicionais têm dificuldade em se afinar ao mercado, aos avanços tecnológicos, em acompanhar a evolução científica em sua diversidade, principalmente as particulares. Preocupam-se, de preferência, em dar uma formação geral ao aluno. Com isso vão criando lacunas, deixando espaços, aprendizagens a serem complementadas. Nessas brechas inserem-se as universidades corporativas.

As universidades corporativas vêm obtendo êxito, porque, num espaço menor de tempo, formam um profissional com novos parâmetros, preparado para enfrentar, hoje, o exigente mercado de trabalho, além de fornecer modalidades de treinamento empresarial. Dão cursos especializados,  com visão geral e ampliada do mercado, com visão abrangente das necessidades de uma empresa.

A filosofia implícita dessas universidades consiste em dar, junto ao treinamento que prioriza procedimentos repetitivos, programas que desenvolvam competências importantes para a empresa. Desenvolvam as faculdades de raciocínio, de liderança, de criatividade, formando um profissional autônomo. Têm como grande objetivo desenvolver a competência crítica, a eficiência, a competitividade. Montam cursos especializados, com funcionários ajustados aos seus produtos.

O mercado de trabalho vem requerendo profissionais dinâmicos, atualizados, com capacidade de iniciativa, de inventividade, com capacidade de tomar decisões. Nesse novo comércio, a indústria não pode prescindir de pessoal qualificado, ativo e em constante reciclagem; perderia em competitividade, portanto, em ganho. Ela quer um profissional diferenciado, entrosado aos seus objetivos, perfil dificilmente conseguido pelas universidades tradicionais.

Às universidades corporativas interessam formar um profissional mais rapidamente, contrapondo-se ao antigo modelo, quando a empresa levava de quatro a cinco anos para fazê-lo, após o aluno ter saído da universidade. As corporativas constatam que o propósito das instituições tradicionais, em formar o profissional generalista, estabelece um distanciamento entre o que o aluno aprende na escola e o que exige o mercado de trabalho.

Para superar deficiências, empresas fazem parcerias com instituições convencionais ou, então, montam suas próprias escolas, com prédio próprio, corpo docente e currículos próprios. Criam cursos para desenvolver determinadas técnicas ou para complementar a formação acadêmica. Têm estrutura curricular modular, tal como os cursos de graduação de uma universidade normal. Após cada módulo, o aluno passa por uma avaliação e, sendo aprovado, recebe um certificado.

A base das universidades corporativas reside na formação de projetos adaptados às necessidades da empresa, que querem garantir, aos seus funcionários, o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias ao atingimento de suas metas.

Universidades corporativas existem nos Estados Unidos desde a década de 80. Servem de modelo para o mundo todo, inclusive para nós. Estima-se haver no Brasil por volta de 40 universidades corporativas. As mais conhecidas são das empresas: Motorola, McDonald’s, Bank Boston, TAM e Visa. A FEA-USP e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) são instituições que mantêm parcerias com empresas, criando oportunidades de atualizar o currículo. Já despontam universidades públicas corporativas, como a Sabesp, com sua Universidade Empresarial, e a Metrô de São Paulo.

As necessidades empresariais já começam a influenciar os currículos das instituições convencionais, que se tornam mais sensíveis ao mercado de trabalho. Segundo observadores da área, se as universidades tradicionais não se reestruturarem, não mudarem de direção, aproximando seus currículos das necessidades empresariais, o prognóstico é de que, num futuro próximo, perderão terreno para as corporativas, o que vem comprovar a valorização, pelo mercado, dos certificados emitidos por essas universidades, embora sem valor oficial.

Contudo, a USP vem se preocupando com este aspecto. Na Faculdade de Economia e Administração, empresários bem sucedidos são freqüentemente convidados para relatar suas experiências. A USP tem um setor que atende indústrias necessitadas de resolverem problemas tecnológicos. A Escola Politécnica tem uma aproximação forte com a indústria paulista. Mas, a USP quer preservar a liberdade acadêmica, sua independência e não se colocar, apenas, a serviço da indústria. Talvez, uma articulação maior com o setor produtivo venha ocorrer gradativamente.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2001)

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Durante a gestão do ministro Paulo Renato Souza, foram elaborados Parâmetros Curriculares Nacionais para os diversos graus de ensino da educação básica. Esses Parâmetros, pelo que se consta, não estão sendo aproveitados, como se devia pelas Escolas. Eles não têm caráter obrigatório, mas são de utilidade fundamental ao processo pedagógico, voltado a uma metodologia renovadora, construtivista. São referenciais para um ensino de qualidade e contribuem para a elaboração de currículos mais ajustados à realidade da escola.

Os Parâmetros propõem critérios curriculares para os diferentes níveis, desde a creche e pré-escola ao ensino médio. No ensino infantil, os Parâmetros buscam a uniformização desse atendimento. Indicam as capacidades a serem desenvolvidas pelas crianças, de ordem física, ética, estética, afetiva, de relação interpessoal, de inserção social. A base do parâmetro é transformar o contato das crianças com os educadores em relação de aprendizado.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental se dividem em Parâmetros de 1.ª à 4.ª série e de 5.ª à 8.ª série. Propõem que os conteúdos das disciplinas se aproximem do dia-a-dia da vida dos alunos, que haja correspondência entre o que o professor fala em sala de aula e o que o aluno faz lá fora. O trabalho escolar não pode estar desvinculado da vida do aluno e deve ressaltar problemas cotidianos. A realidade vivida pelo aluno deve servir de ponte entre o dizer e o fazer, deve unir o currículo formal e o currículo oculto.

Os Parâmetros trabalham o aluno como um todo, em sua formação integral, de al modo que informação e formação caminhem em movimento circular. Dedicam amplo espaço para os chamados temas transversais – sexualidade, droga, saúde, meio ambiente, valores morais, sociais e outros – que devem permear as matérias do currículo e ser incorporadas à prática, em sala de aula, sempre que a dinâmica da classe comportar.

Os Parâmetros entrelaçam as matérias obrigatórias com educação, sociedade, escola e cidadania. Reforça a importância da ética – ética democrática que afasta a arraigada cultura autoritária, da formação moral, do convívio escolar na ação de um perante o outro – da participação e co-responsabilidade pela vida social. Há um extenso capítulo sobre convívio social e ética, cidadania e pluralidade cultural.

Os Parâmetros oferecem, dentro do processo de construção do conhecimento, forma de estimular e de avaliar os alunos. Propõem uma avaliação ampla, investigativa e final, onde se consideram os aspectos concentuais, procedimentais e atitudinais. Eles ampliam o papel do professor e reforçam a importância do trabalho coletivo, da interdisciplinaridade. O ensino-aprendizagem deve fazer do aluno um ser pensante, criativo, essencialmente crítico, deve proporcionar-lhe oportunidades de “aprender a aprender” e se tornar um cidadão.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais não podem ser esquecidos. Todas as escolas devem a eles voltar sistematicamente. Eles orientam para uma escola moderna, autônoma, sintonizada com a realidade que a circunda. Eles levam à escola do sucesso.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em agosto/2006)

CRECHE E PROBLEMAS DE SAÚDE

Izabel Sadalla Grispino *

Hoje, o alerta para as creches, na educação infantil, é para as questões de saúde. A área pedagógica, desde a promulgação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996, passou a ser observada mais de perto.

A qualidade de atendimento pedagógica vem a cada ano trazendo melhores resultados, crescendo, contudo, a preocupação com os aspectos básicos de saúde. Aumenta a consciência da necessidade de um profissional qualificado para o cuidado que uma criança pequena precisa.

A educação nos três primeiros anos de vida vai além do dar de comer, colocar para dormir ou passear com a criança. Nota-se em muitas creches um preparo incorreto de alimentos, quantidade incorreta, por exemplo, de leite, falta de preparo para medicar, limpar a criança e falta de higiene ao não higienizar mamadeiras. A criança corre o risco de contaminação, dizem os nutricionistas.

Em muitas creches, os profissionais não sabem fazer a limpeza na área genital do bebê, o que pode provocar infecções urinárias. As creches precisam preparar-se para oferecer aos bebês cuidados de saúde. Notam-se com freqüência, em bebês, problemas de diarréias e infecções.

Os educadores precisam passar por uma formação na área do atendimento básico à saúde dos bebês. A incidência de doenças, revelada por uma pesquisa feita pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), mostra o dobro de casos de morte por varicela em crianças de creche do que na média geral. Passou-se, então, a incluir a vacina contra a doença na rede do Estado.

Há creches que buscam sanar o problema contratando profissionais de saúde, equilibrando os benefícios pedagógicos com os de saúde. Um berçário necessita de enfermagem. As necessidades de uma criança na parte de saúde ultrapassam o atendimento educacional. O caráter pedagógico da educação infantil foi reforçado pelas normas definidas pela LDB, quando as creches entenderem que não são mais só um parquinho. Até os 3 anos, a criança vive um período riquíssimo, que precisa de estimulação, como música, movimentos, cores, brincadeiras e atividades de socialização. Em creches da rede particular, de escolas renomadas, no berçário, os bebês dispõem de psicomotricista, musicista, pediatra, em período integral, e nutricionista para elaborar um cardápio para cada criança.

É preciso estar atento aos problemas de saúde, à capacitação nessa área, para um correto atendimento. É preciso que os ganhos pedagógicos não sejam prejudicados pelas perdas no trato de saúde.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2006)

DIA DOS MORTOS

Izabel Sadalla Grispino *

Engana-se quem pensa que os mortos não existem mais, que não mais pertencem a esse mundo. Eles continuam dirigindo nossos passos, indicando luzes no caminho, convivendo de perto com cada um de nós. Eles são o grande monumento que estruturou nossas vidas, o alicerce desse cabedal de conhecimentos que faz parte da existência humana. A cultura, por eles implantada e desenvolvida, regra e amplia nossos horizontes.

Quantas vezes ouvimos dizer: “Minha mãe dizia que...”; “Meu pai falava que...”; “Minha avó me ensinou que...”. Aprendemos, por exemplo, com a poetisa Gabriela Mistral, que para a criança – um ser em formação, fonte da vida – existe o hoje, o agora, para que lhe venha existir o amanhã. Não podemos abandoná-la, ela é a Pátria em seu futuro! Aprendemos com o nosso Rui Barbosa, como professores, o que significa plantar a couve para o dia de hoje, para o próximo amanhã, e o que significa plantar o carvalho para a posteridade, para a glória da Pátria, para o agasalho da humanidade!

As pessoas que amamos e que partiram continuam povoando nosso universo interior, são porto seguro nas encruzilhadas da estrada. Buscamos conforto e refrigério em suas lembranças, valemo-nos das experiências vividas, acariciamo-nos no calor advindo de seu amor. A passagem que tiveram pelo mundo nos ensina mais do que supomos. Aprendemos com seus erros e com seus acertos. Eles são, na verdade, o prolongamento, a reafirmação de nosso aprendizado, de nossos ideais, nossos sonhos de vida.

Os grandes inventores, cientistas, pensadores, poetas, músicos, deixaram exemplo de devotamento e exaltação à vida. Facilitaram, amenizaram, ensinaram, encantaram e adocicaram a existência.

Nossos antepassados, nossos avós, pais, irmãos, na labuta do dia-a-dia, deixaram imagem de força, de coragem, de muita fé na constituição da família. Ensinaram-nos como é importante participar da vida com responsabilidade, também, com alegria e prazer. Basta lembrar, pensar e concluir.

Os mortos e os vivos fazem parte de uma corrente, de um elo profundo, de uma estrutura que se perpetuam no tempo e no espaço. “Eles foram o que somos hoje, nós seremos amanhã o que são hoje”. Eles merecem nossa reverência!

Dia 5 de novembro marcou de tristeza minha família. Partiu para a mansão do além nosso querido José, um médico que amou muito a humanidade, deixou eternas lembranças. Esse irmão mora no mais profundo do coração, de recordações amadas, de acordes sonoros, pontilhados de oração. José nasceu num dia 12 de setembro, abençoado pelo esplendor de tardes primaveris, de poentes dourados, vivendo sob um céu, passando, no seu colorido, a idéia de Deus, do infinito. Para além do céu estrelado, existe a fonte da vida e do amor eterno.

 

ESPÍRITO DE LUZ

Quando desse mundo eu partir,

Não pensem que estarei morta,

Numa nova luz que há de vir,

Voarei nas asas da gaivota.

Quero a Deus falar,

Pedir-Lhe uma nova missão,

Com a dor me compactuar,

Espalhar, entre os mortais, compreensão.

Modificarei a visão do ser,

Farei de fantasia sua veste,

Deixarei o sonho prevalecer,

Sementes que lançarei no norte, sul, leste, oeste.

Abrandando os conflitos nos corações,

Ajudarei o homem a ser mais feliz,

A se ver em outra dimensão,

À simplicidade da vida pedir bis.

No inconsciente do saber acumulado,

Retornarei para iluminar a humanidade,

Fazendo da terra um mundo melhorado,

Caminhando de mãos dadas com a religiosidade.

A experiência que a vida me deu

Minha alma aprimorou,

A fé no homem, que dentro de mim não morreu,

Meu retorno ao mundo mortal profetizou.

Voltarei, nos meus versos, para a paz reascender,

Para a esperança nunca faltar,

Para no calor da união, o humano viver,

No amor, a vida se perpetuar.

Piedade terei para este mundo sem jeito,

Sentimento de injustiça

É o que mais impera nesse leito,

A imaturidade humana, a vaidade atiça!


* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em outubro/2004)

FACULDADES NA MIRA DE EMPREGOS AOS FORMANDOS

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino superior, assim como a educação básica, abraça a metodologia da cooperação, aproximando-se do aluno, envolvendo-se no futuro profissional dos formandos.

É interessante ao universitário saber das novas ajudas dadas às suas carreiras pelas faculdades. Faculdades e universidades criam departamentos para identificar competências dos alunos, ressaltar talentos, divulgar currículos e fazer parcerias com grandes empresas para colocar seus estudantes.

As instituições vão além da colocação de cartazes, de anúncios de estágio, pregados nos corredores, como costumeiramente fez. Surgem os departamentos que funcionam como Recursos Humanos, que ajudam no desenvolvimento de carreiras. Em algumas faculdades, como a Ibmec, o estudante, se quiser, poderá se submeter a testes desenvolvidos por uma empresa de consultoria para traçar o seu perfil.

O teste identifica, entre outras características, liderança, ansiedade e criatividade. O aluno amplia sua visão de dinâmica de grupo, da importância do desempenho no conjunto das equipes. Revela a capacidade de criatividade, apresentada frente às dificuldades do dia-a-dia. Os testes revelam em que áreas tem mais talento e o que ainda lhe falta. Por exemplo, ressalta-se que alguns engenheiros têm aptidão para as vendas, outros para projetos, outros para chão de fábrica.

Esse procedimento vai dando ao estudante mais confiança, mais esperança de emprego. O fator emprego vem sendo abordado pelo ensino superior como um diferencial nas concorrências entre as faculdades. O aluno procura inteirar-se se nelas há o departamento de carreiras. Muitas faculdades revisam e aprimoram os currículos dos alunos e colocam em sites da própria instituição. Outras realizam pré-seleções para vagas, a pedido de empresas, que acreditam que “os mais dedicados no ambiente acadêmico serão também os mais dedicados no ambiente profissional”.

As empresas firmam parcerias com faculdades e universidades em busca de talentos e empregam alunos e formandos. Valorizam a aproximação com a instituição, porque assim podem conhecer melhor, escolher melhor quem trazer para a empresa. O programa o Banco do Futuro do Unibanco promove estágios em que o aluno desenvolve projetos para o Unibanco sem sair da instituição onde estuda. Uma sala foi montada dentro do Ibmec, onde trabalham os estagiários.

O IBTA, que dá cursos na área de tecnologia, possui 170 empresas credenciadas para ter acesso ao banco de currículos. No IBTA, disciplinas como gestão de carreira, ética e mercado também fazem parte do currículo, trabalhado em sala de aula.

As instituições de ensino superior modificaram seu comportamento diante da possibilidade de se indicar um emprego. Antes apenas indicavam as vagas para seus alunos. Hoje, chegam a ceder salas para o processo de recrutamento de uma empresa, trazendo a empresa para dentro da escola. A faculdade conjuga-se à empresa, mostra o seu perfil e o perfil de seus alunos. O procedimento de examinar e identificar as competências dos estudantes no início e no fim do curso traz reais proveitos, porque além de aferir suas características naturais pode perceber que avanços a instituição deu a ele no final.

Os departamentos de Recursos Humanos dessas faculdades fornecem um grande suporte aos seus alunos que aprendem, ao lado do desenvolvimento de suas competências, da correção de suas dificuldades, a comercializá-las, a vendê-las. O aluno já sai da faculdade com um projeto de carreira.

Essas faculdades estão sendo um pólo de atração aos estudantes universitários. Elas acompanham o atual interesse das empresas pelas pessoas intuitivas, criativas. Ainda há pouco tempo, as empresas procuravam pessoas com Q.I. (inteligência), mas foram percebendo que mais importante que Q.I. era Q.E, isto é, pessoas com controle de emoções, chegando no momento atual a valorizar prioritariamente as pessoas intuitivas, criativas. As empresas, na verdade, aliam Q.I., Q.E. e priorizam a criatividade e a intuição vistas como capacidade de perceber possibilidades futuras. Em termos de intuição, acredita-se na força do inconsciente mais que na do consciente. A idéia é soltar a imaginação, ouvir o que vem de dentro.

A universidade acompanha os passos da empresa, ressaltando, no estudo, suas prioridades. Visando a empregabilidade, a universidade aprimora-se na formação profissional, ultrapassando a hegemonia da teoria, partindo para questões práticas, educando o cérebro nessa direção. Põe o aluno diante dos fatos e encorajá-o a atravessar as barreiras da dúvida, da vacilação, levando-o a agir, a tomar iniciativa. O conhecimento dos fatos é importante, a teoria é importante, mas não se deve perder muito tempo com a teoria e partir direto para o fazer, para a prática. O Senac, em seus cursos, coloca o papel da prática na formação profissional numa dimensão relevante. Pergunta: Quem educa quem: é o cérebro que ensina as mãos a trabalharem ou são elas, por meio da repetição, que ensinam a cabeça a aprender uma nova habilidade?

Assim, junto à teoria, avança-se na aprendizagem prática, vivencia-se a função a que se prepara.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2004)

NO VESTIBULAR, SÓ PORTUGUÊS E MATEMÁTICA!

Izabel Sadalla Grispino *

Continuando a abordar as propostas de mudanças, uma outra recente inovação do ministro Cristovam Buarque é mudar o processo seletivo nas universidades e faculdades brasileiras. Pela proposta, não importa o curso, o vestibular teria somente as disciplinas português e matemática. “Quem souber matemática e português aprende qualquer coisa. Para cursar a universidade, o aluno não precisa saber tudo de biologia, química ou geografia. Isso ele aprende lá dentro. Dependendo do curso, a pontuação seria diferente nas provas de português e matemática. Para quem vai fazer Jornalismo, é mais importante português, para quem vai fazer Física, matemática”, expôs o ministro. Cristovam Buarque apresentará a proposta aos reitores, mas as universidades têm autonomia para escolher seu processo seletivo.

Esse sistema de avaliação caminharia em consonância ao Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), realizada pelo Ministério, que só testa os conhecimentos em português e matemática dos alunos. Atualmente, os vestibulares das maiores universidades do País exigem o conhecimento geral do aluno, abordando questões de todas as disciplinas do ensino médio. A prova de redação é obrigatória.

Críticas a essa proposta vêm surgindo no sentido de argumentar, como foi feito na proposta de mudança do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ser a educação básica um ingrediente da formação integral do aluno, onde todas as disciplinas são importantes, cada uma com sua contribuição peculiar. A multidisciplinaridade alcança mais facilmente a potencialidade do aluno, desenvolve melhor suas faculdades mentais, além de fornecer uma visão globalizada do assunto tratado. Reduzir o vestibular a duas disciplinas, português e matemática, significa esvaziar as demais, reduzir a quantidade de informações, prejudicando, sobremaneira, a formação básica geral.

O estudante do ensino médio tem no vestibular um guia que regula sua dedicação às disciplinas. Vai, certamente, deixar de dar atenção maior a biologia e a química, por exemplo. E, como fica cursar uma faculdade de Medicina ou de Farmácia sem uma boa base, uma boa formação nessas disciplinas? O mesmo ocorre na defasagem de física, química ou desenho para a faculdade de Engenharia, ou história e geografia, nos cursos correspondentes.

Uma outra inovação seria ampliar o ensino médio de 3 para 4 anos. A proposta do MEC é oferecer um 4.º ano em que as matérias, dependendo da escolha da profissão, seriam dadas em função da opção do aluno. Cursar ou não essa 4.ª série, também uma opção do aluno. As escolas ficariam com a obrigação de oferecer a complementação a todos os que quisessem cursá-la.

Este projeto, igualmente, vem recebendo críticas. Nas condições em que se encontra o ensino público, um ano a mais não resolveria o problema, só o arrastaria para mais um ano. Levar para um 4.º ano o mesmo padrão de ensino dos anos anteriores significa, dizia eu no artigo “Mais um ano para o ensino médio”, simplesmente, repetir a façanha da decadência do ensino-aprendizagem. Educadores reforçam essa posição, na constatação de que o despreparo do aluno é resultado da qualidade e não da quantidade, tanto que Antonio Ibãnez Ruiz, secretário da Educação Média e Tecnológica, pronunciou-se dizendo que a oferta do 4.º ano deve ser obrigatória nas escolas públicas, as escolas particulares podem ficar isentas porque “o bom nível de ensino oferecido por elas faz com que o aluno não sinta a necessidade de uma série a mais”.

O foco do problema reside na melhoria da qualidade do ensino, não só do médio, mas da educação básica, como um todo.

Está havendo, por parte do sindicato dos professores da rede estadual de ensino, manifestação contra a municipalização do ensino, que, desde 1996, transfere escolas do Estado para as prefeituras. O repasse se dá apenas no ensino fundamental (1.ª à 8.ª série). O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), instituído em 1998, facilitou o processo de municipalização do ensino, com a transferência de recursos.

A municipalização do ensino está respaldada pelo parágrafo 2.º do artigo 211 da Constituição Federal, que determina: “Os municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e pré-escola”. A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), definindo responsabilidades, diz que “os municípios deverão oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas e, com prioridade, o ensino fundamental”, os Estados encarregar-se-ão de assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o ensino médio”.

A reivindicação do sindicato baseia-se, conforme expressão de seus representantes, no fato de “os municípios arrecadarem menos e não ter condições de manter o ensino fundamental”. Contudo, a municipalização já se encontra bem estruturada, adotada em mais de 80% dos municípios. É um sistema aceito pela sociedade, que traz reais vantagens ao ensino, especialmente pela aproximação da escola com a comunidade. A escola estando mais próxima da administração favorece a comunicação entre elas, enseja a participação dos pais e da comunidade em tarefas de cooperação e fiscalização.

É importante discutir as políticas de mudanças anunciadas para uma definição mais precisa, mais contundente das mesmas. São elas apenas modismos desnecessários, sem peso funcional, ou procedimentos capazes de resgatar processos desarticulados, superados ou inadequados?

É preciso investir, com acerto, sem gastos desnecessários, na educação pública brasileira, mantendo estratégias que atinjam a má qualidade de ensino e que evitem reproduzir, dentro das salas de aula, formandos analfabetos funcionais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2003)

CONFLITOS ENTRE ESCOLARES

Izabel Sadalla Grispino *

A presença dos pais na vida escolar tem significativo valor para os estudos dos filhos e para a vitalidade das instituições. Crianças e jovens que freqüentam a escola têm, como é natural, temperamentos diferentes, o que provocam constantes conflitos. Muitas vezes eles mesmos conseguem administrar o problema, sem interferência externa, mas há os que apelam para os pais.

Desentendimentos entre alunos são comuns e variam de intensidade de acordo com a faixa etária. Entre os pequenos, na faixa de 1 a 6 anos, o que mais surge são apelidos maldosos, puxões de cabelo ou brinquedos quebrados.

O período mais crítico fica por volta dos 12 aos 17 anos e, entre estes, dos 13 aos 16 anos, quando a sexualidade dos meninos está em ebulição. O jovem, para ser aceito no grupo, tem que se sujeitar às suas regras, ao seu modo de falar, de vestir. O grupo coloca à prova valores familiares e próprios e quem não se enquadrar na “tribo”, quem ousar ser diferente, é massacrado sem consideração.

Quando a intimidação, por parte de um colega ou do grupo, é sistemática, quando caminha para a violência física, pressão psicológica, ameaças freqüentes, ela provoca danos emocionais, baixa auto-estima, baixa autovalia, que é a capacidade de se avaliar em relação ao grupo, levando a problemas de rendimento escolar.

As agressões por causa de garotas são comuns e se restringem comumente ao próprio grupo. Mas, brigas também existem fora da escola, quando a convivência cria rixas. A intimidação é comum mesmo entre meninas. Cria-se competição no âmbito da aparência. Quem não estiver com a roupa da moda ou com o corpo esbelto pode ser excluída do grupo e vira alvo de gozação.

Casos mais graves, como brigas envolvendo drogas, roubos e discriminação, exigem intervenção imediata. Nessas circunstâncias, a escola atua com a família, junta pais e escolares envolvidos. Não é raro a escola perceber que o comportamento do estudante é reprodução do que aprendeu em casa. São os próprios pais que muitas vezes incentivam a intimidação, na filosofia do “bateu, levou”.

Um bom procedimento para a escola é professores e alunos elaborarem um texto em conjunto, propondo normas disciplinares. Escolas renomadas têm regras disciplinares bem definidas que constam na agenda dos alunos. Contudo, a escola pode intimidar o aluno ao ignorar sua cultura, sua bagagem social. Antes de punir, deve inteirar-se de sua origem, olhar a raiz. De onde vem esse aluno? Como é sua família? Daí a importância de uma gestão democrática, de uma participação efetiva dos pais na vida da escola.

É na fase em que a personalidade está se moldado que a escola precisa trabalhar na integração do grupo. Muitas escolas criam o “momento da roda”, quando toda a classe se reúne para conversar. Esse é um valioso momento para se educar: se um coleguinha é caçoado por causa de seus óculos, aparelho nos dentes ou jeito, aproveita-se para falar, por exemplo, da importância de respeitar o modo de ser das pessoas. Pais e professores devem fazer cada um a sua parte, ensinando a criança a respeitar o outro e acolher as diferenças.

No seio da família, também surgem conflitos, não acontece só no convívio escolar. As exigências do mundo moderno cresceram. A família tradicional vem passando por um processo de mudança. O papel dos pais começa a ser questionado. Pai e mãe trabalham fora e se sobrecarregam de atividades e, geralmente, não há tempo para criar um espaço comum, não há tempo para o diálogo. Uma convivência menor com a família reflete no rendimento escolar, no número de horas que a criança ou o adolescente passa em frente da televisão, criando ansiedade, deficiência de atenção, hiperatividade e atraso no desenvolvimento. Problemas emocionais, como depressão e estresse, acabam acontecendo e a grande receita é amor, carinho, atenção.

Os pais, num determinado período da existência, são as pessoas mais importantes na vida dos filhos. As crianças precisam de uma família, de relações afetivas. Isso traz segurança, fator fundamental ao bom desenvolvimento infanto-juvenil.

Tanto na escola quanto em casa, as crianças não podem ser tratadas todas da mesma maneira. Uma estratégia pode funcionar para uma e não para outra. A personalidade, a individualidade devem ser respeitadas. Por isso, nunca se deve fazer comparações. Deve-se dar meios para que as crianças desenvolvam o que têm de bom e para que sejam orientadas em relação aos defeitos. Perfeição não existe, portanto, dosar as exigências. As crianças precisam desenvolver experiências adequadas à sua idade. Olhar para elas em todas as suas dimensões: biológica, afetiva, emocional e moral de forma integrada para que todos os aspectos do desenvolvimento e comportamento infantil possam ser envolvidos.

As crianças precisam de disciplina, de limites que estruturem a sua vida e lhes tragam boas respostas às expectativas criadas. Educar não é bater, não é fazer prevalecer a vontade dos adultos. A criança precisa galgar experiência, ter segurança para fazer suas escolhas e ter responsabilidades sobre eles. Educar para a autonomia, não para a dependência.

Também é oportuno lembrar que não se deve sobrecarregar as crianças de atividades, para fazer uma série de cursos extracurriculares, como judô, balé, natação, inglês... Elas precisam ter tempo para ser crianças, brincar, aproveitar a infância, os melhores anos da vida.

São nos primeiros anos de vida que se constroem as bases do futuro e a criança precisa ter esperança no futuro. Pais e professores devem conviver com as crianças de modo a integrá-las no meio em que vivem, a criar com elas cumplicidade e fortalecer os laços afetivos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2003)


DIFERENÇAS NO SISTEMA DE COTAS RACIAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Parece estar surgindo um novo raiar quanto à consciência da questão de cotas raciais. Começa-se a entender a interferência negativa que elas provocariam na qualidade do ensino, atrapalhando o processo da igualdade social. “A educação é o grande fator de desigualdade na sociedade brasileira”. (Simon Schwartzman)

Tem, sim, que haver políticas afirmativas em direção às minorias, aos pobres, aos negros, aos índios. Mas, políticas que vão de encontro à qualificação profissional e não a um remendo instrucional. As cotas têm, sem dúvida, chamado a atenção sobre as camadas mais carentes da população, sobre a necessidade de estas camadas  ascenderem-se socialmente.

Elas não são, porém, caminho revitalizador. Dissemos, no artigo anterior, do reforço educacional que se deve dar à educação básica do aluno pobre, capacitá-lo para o exercício da função escolhida, do fator mérito que se impõe para o ingresso ao ensino superior. Boa escola é o que está faltando aos pobres.

As convicções a respeito das cotas não se firmam. As universidades divergem quanto à sua aplicação. Não há uma regularidade no sistema de cotas. Cada instituição dá a sua versão. No fundo, falta credibilidade ao processo.

A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira universidade federal do País a adotar  o  sistema  de  cotas raciais, antes mesmo de o Ministério da Educação (MEC) definir como seria sua aplicação. Desse modo, terminou por adotar critérios diferentes do que pretende o MEC. Um desses critérios é não levar em conta a renda do candidato ou o fato de ter ele estudado ou não em escolas públicas. Entendeu a Universidade de Brasília (UnB) que os negros estão principalmente entre a camada mais pobre da população. Por essa razão, as cotas raciais automaticamente beneficiam quem mais precisa. Outro item, estabelecido pela UnB, é de que o seu sistema não é para afrodescendentes, mas para brasileiros que tenham o genótipo dos negros, isto é, aparentem fisicamente ser negros.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) elaborou o Programa de Ação Afirmativa para Inclusão Social. Pelo Programa, os candidatos que cursaram o ensino médio em escola pública terão um bônus de 30 pontos no vestibular da Unicamp. Eles serão somados à média da prova da 2.ª fase. O propósito é aumentar, em pelo menos 27%, o ingresso dos estudantes da rede pública nos cursos de graduação. Negros, pardos e indígenas autodeclarados ganharão mais 10 pontos, somando 40.

O reitor da Universidade diz que “não é cota, trata-se de uma ação afirmativa para incentivar e facilitar que estudantes de escolas públicas entrem na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)”. Estima-se que o número de aprovados vindos de escolas públicas aumente dos 30,3% registrados no corrente ano para 38% em 2005. O projeto prevê, também, que seja ampliado o número de bolsas para estudantes carentes.

O governo federal, contudo, insiste na adoção de cotas raciais para negros e índios. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai enviar ao Congresso projeto de lei para garantir a reserva de metade das vagas das universidades federais a alunos que concluíram o ensino médio em escolas públicas.

Os reitores das universidades mostram-se cautelosos. O reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ulysses Fagundes Neto, considerou que 50% de reservas de vagas na universidade constituem uma tragédia. A instituição tem cerca de 300 vagas a cada vestibular e já aprovou projeto de cotas para negros e estudantes de escolas públicas, mas com percentual de 10%.

São poucas as universidades públicas no País que adotam o sistema. Estatísticas falam que em 2003 só três estabelecimentos tinham uma política de cotas. Este ano, surgiram mais dois. O Ministério da Educação revela que, atualmente, 41,8% dos estudantes que se formam em universidades federais cursaram o ensino médio em escola pública. Nesse percentual, entretanto, existem grandes diferenças regionais. Nos Estados do Norte e Nordeste, onde há poucas universidades privadas, esta taxa passa dos 50%, enquanto que na Universidade de Brasília (UnB) apenas 30%, dos 25 mil alunos, vieram de escolas públicas. Há ainda a registrar que a concentração de estudantes carentes está em cursos de licenciatura; estudantes que vêm de escolas particulares conseguem vencer as concorridas vagas de Medicina, Engenharia, Administração, Direito, entre outras.

As universidades, preocupadas, estão se revestindo de cautela para que a inclusão não venha piorar a qualidade de seu ensino, a qualidade de ensino voltada à parcela da população de renda mais baixa. O melhor instrumento de inclusão seria expandir o número de vagas, principalmente dos cursos noturnos, e valorizar a escola pública, investindo no ensino médio e na educação básica como um todo.

Milagres no terreno educacional não existem. Ou se tem uma boa estrutura para se avançar ou se fica à margem da sociedade. Um diploma que não qualifica leva igualmente à exclusão social.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2004)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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