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Artigos Educacionais

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AS TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS E OS PROCESSOS DE PRODUÇÃO

Izabel  Sadalla Grispino *

As atividades humanas apresentam, desde os primórdios da civilização, com variações de intervalos cíclicos, comportamentos mais ou menos padronizados, que refletem seu “modus vivendi”.

Cada nova ordem social, promotora de mudanças, impulsiona novos procedimentos, imprime seu cunho, a sua marca conceitual e metodológica de realização.

Já vai longe o tempo em que era possível desenvolver trabalho artesanal, unitário. Hoje, ainda, existe, sobretudo como idealismo, “hobby” ou lazer, ou como produto de civilizações mais primitivas ou de pequenas corporações.

Na contemporaneidade não há, praticamente, lugar para o trabalho individual. O grau de complexidade a que chegou o fazer humano passou a exigir, num mesmo segmento, diferentes formas do saber, trabalhado de modo complementar. Presentemente, constatamos, nos mais diversos setores da produção, da educação, da economia, a incorporação de atitudes na linha da “troca”, “parceria”, “co-gestão”, “co-autoria”, “trabalho em equipe”, “interação”, envolvendo “relações interpessoais”.

O setor escolar, também, redefine posições. O trabalho individual cedeu espaço ao trabalho conjugado, cada vez mais explorado. Cooperam-se mutuamente: direção, professor, aluno e comunidade. O professor mantém com seu colega uma interligação horizontal – troca de experiência, planejamento conjunto,  conteúdo interdisciplinar, adoção de critérios e linguagens comuns – e vertical – graduação seqüencial do conteúdo, no entendimento de que “o hoje não existe sem o ontem, o amanhã é o resultado do hoje”.

É uma realidade no cenário educacional a interdisciplinaridade, a contextualização, o construtivismo, a formação integral do aluno, a autonomia na aprendizagem, através de uma educação democrática, libertadora, essencialmente crítica – a crítica da ciência faz parte da ciência. Ontem, falávamos em transmissão do conhecimento, supondo um aluno passivo, depositário. Hoje, falamos em construção do conhecimento, supondo um aluno ativo, criativo. Fazemos um corte no modelo tradicional, onde tudo vem pronto.

O planejamento maior do ensino converge para o binômio professor--aluno, o objetivo maior do ensino é o aluno. Para atingi-lo, a escola precisa estar em consonância com a realidade que a cerca. Entrosar-se com esta realidade e trazê-la para o interior da escola são passos importantes para desenvolver, com êxito, seu projeto educacional. Entra num sistema de parceria com a comunidade, mantendo com ela uma troca permanente. A comunidade participa da vida da escola e a escola, da vida da comunidade, procurando ajustar-se uma à outra. A comunidade empresta o seu saber e a sua língua populares e a escola os absorve e os transforma em saber aperfeiçoado, em língua culta. A escola procura interpretar os valores, os anseios da comunidade e dar-lhe respostas favoráveis. Cria-se um intercâmbio, onde a organização da escola, as normas educacionais resultam da parceria de regras, estabelecendo-se uma co-gestão. O pai participa da escola numa conceituação bem diferente daquela em que, praticamente, só era chamado para ouvir reclamação do filho, por alguma falta cometida. Hoje, procura-se conscientizá-lo de todo procedimento utilizado pela escola, buscando-se uma mútua interação. Profissionais credenciados da comunidade são convidados a participar diretamente do ensino, em sala de aula, dando noções de culinária, de carpintaria, de dança, de balé etc. Busca-se uma participação ativa e não meramente simbólica, como, por exemplo, a dos pais. A tendência atual é canalizar a sociedade civil para uma grande participação na educação.

O ensino nas escolas, visando uma aprendizagem efetiva, uma diminuição da repetência e da evasão, não pode criar uma cultura própria, transformando a sala de aula numa estrutura dissociada da vida comunitária, por conseguinte, da vida do aluno. Estamos voltando às origens, à famosa barganha do início da humanidade, perpetuando a sabedoria da solidariedade, da cooperação, para a sobrevivência das instituições e do próprio indivíduo.

Entre os professores, a parceria manifesta-se por uma co-autoria no levantamento de prioridades, de objetivos educacionais, de conteúdos afins, de metodologias, de estratégias, do sistema de avaliação e tantos outros itens correlatos, pertinentes ao planejamento de ensino. Trocam-se experiência e idéias que repercutem na identidade profissional do ensino.

A parceria do professor com o aluno cria, na sala de aula, um clima interativo, um conhecimento articulado, facilitadores da comunicação e da abordagem da educação democrática e libertadora. Ao trabalhar o aluno, sua matéria-prima, o professor marca sua presença na sociedade, quando lhe entrega o resultado de sua obra maior, um cidadão capaz, consciente que de seu desenvolvimento resulta o desenvolvimento do País.

Para chegar a esse bom termo, o professor precisa adequar o seu ensino ao tipo de aluno que recebe, precisa falar, como emissor, a língua do aluno, o receptor. Conhecê-lo bem, conhecer seu universo cultural, deve ser o ponto de partida, centrando a aprendizagem em bases no real, no concreto, e evitar, assim, uma possível inadaptação do aluno aos métodos da escola.

Escola é vida, é experiência de vida. Investigar o cotidiano do aluno, trazer sua vida à escola, relacioná-la, estrategicamente, aos conteúdos do currículo, vão tornar a aula mais atraente, mais condizente com esse aluno.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2000)

LIBERADA A EXIGÊNCIA DO CURSO NORMAL SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

 

No ano 2000, o Ministério da Educação fixou que os professores, de todos os níveis da educação básica, depois de 2007, deveriam ter o diploma de graduação, para trabalhar na rede pública de ensino. O curso normal, o antigo magistério, por si só, não credenciaria mais o aluno a lecionar. Teria que ser complementado por um curso de formação de professores, o normal superior.

Desde então, os cursos de formação superior começaram a aumentar. Atualmente, há 668 cursos cadastrados no MEC, isto é, com autorização para funcionar. No ano 2000, havia apenas 110 cursos no País. O censo realizado pelo Ministério em 2001 mostrava a existência de 306 cursos, sendo 239 em instituições públicas e 67 em particulares.

A Universidade Estadual Paulista (Unesp), preocupada com a formação adequada dos professores, através do programa Pedagogia Cidadã, está formando 4.500 profissionais de redes de ensino municipais no Estado. Segundo Wilson Galhego Garcia, responsável pelo programa, cerca de 15 mil professores paulistas participam, atualmente, de cursos superiores, organizados em convênios de universidades e secretarias de educação.

Essa exigência do curso superior foi, sem dúvida, a mola que propulsionou a busca de melhor formação docente. Sabemos que a qualificação profissional tem estreita relação com o aproveitamento do aluno. O Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), realizado pelo Ministério da Educação, comprova a constatação acima. Alunos da rede pública ou particular, cujos professores cursaram ensino superior, têm nota 10% maior que a dos alunos cujos professores fizeram apenas o antigo magistério. É uma diferença significativa que mostra que a formação deficiente do professor repercute na formação deficiente do aluno. Comprovadamente, a formação docente define o desempenho do aluno.

Pelos resultados do Saeb, os alunos de professores que apenas cursaram o magistério tiveram notas médias de 154,3 da rede pública e 199,1, da rede particular. Os alunos com professores de melhor formação tiveram notas 168,2 da rede pública e 217,2, da particular. Os especialistas do Saeb consideram diferenças acima de 12 pontos importantes. A pontuação do Saeb varia de 125 a 425.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) informa que há no País 772.500 professores sem formação superior, atuando no ensino infantil ou nas 1.ªs séries do ensino fundamental (1.ª à 4.ª série), o que representa 72% do total de profissionais nesses níveis de ensino. O Conselho Nacional de Educação (CNE) menciona 86 mil professores que nem sequer cursaram o ensino médio e trabalham na educação infantil, em creches, educação de jovens e adultos e no ensino fundamental.

A exigência do curso normal superior para quem cursou ou cursará o normal até 2007 acaba de cair por terra por um parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE). Nesse parecer, o Conselho autoriza os professores do ensino infantil, que atende crianças de até 6 anos de idade, e das quatro 1.ªs séries do ensino fundamental, a lecionarem sem a formação superior. O Conselho Nacional de Educação apoia-se na interpretação dada à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996.

A Lei no artigo 62 prevê que deve ser exigido dos professores de educação infantil e de 1.ª à 4.ª série apenas o curso normal. Porém, nas Disposições Transitórias estabelece que “até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior”. A Década da Educação começou um ano depois da sanção da LDB.

Uma primeira interpretação, dada a esse instrumento legal, foi de que, a partir de 2007, apenas quem tivesse diploma de curso superior poderia continuar a exercer o magistério.

O atual Conselho Nacional de Educação interpreta a lei diferentemente e apoiando na expressão: “a ser admitido” do artigo 87 estipula que a formação mínima a ser exigida é a do curso normal para quem já exerce o magistério na educação infantil e nas 4 séries do ensino fundamental e para os que se formarem até 2007.

É evidente que para o nosso decadente ensino público a primeira interpretação, qual seja, a de exigir o normal superior até 2007, é bem mais apropriada. Difícil deixar a critério, sobre a freqüência ao curso superior, de um profissional mal remunerado, sem tempo e sem dinheiro para prosseguir os estudos.

Entendo essa última interpretação como recurso à ausência, já confirmada, de professores habilitados para o exercício do magistério. Seria um tapa buraco, principalmente, em regiões mais carentes desse profissional. Mas, é preciso que o professor se alerte porque, gradativamente, o normal superior avançando poderá acabar encampando os que só terminaram o curso normal, em nível de ensino médio. Certamente, os critérios não foram publicados, mas na classificação deverá levar vantagem aquele que apresentar diploma de curso superior.

Fazer um curso superior será sempre um diferencial.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2003)

A EDUCAÇÃO ESPECIAL NA INCLUSÃO DO DEFICIENTE

Izabel Sadalla Grispino *

Recentemente, publiquei um artigo que revelava o resultado de uma pesquisa internacional, encomendada pelas Olimpíadas Especiais, mostrando resistência à integração de deficientes mentais, um forte apego ao preconceito.

No Brasil, as análises têm sido mais estimuladoras. As conquistas, na área da educação especial, são lentas, mas continuadas. O Censo Escolar 2003, divulgado pelo Ministério da Educação, mostrou um aumento do número de crianças, com necessidades especiais, em classes regulares, nas redes oficiais de ensino. Mostrou um acréscimo de 30,6% da chamada educação inclusiva, em relação ao Censo 2002. De cada 100 estudantes com deficiências, 29 assistem às aulas em classes comuns. Em 1998, avaliou-se pela primeira vez essa inclusão e somente 15% dos alunos com necessidades especiais freqüentavam classes regulares.

O Brasil vem avançando em direção ao direito da escolaridade das crianças deficientes. Para um reforço no cumprimento das normas legais, é importante tomar conhecimento dos seguintes procedimentos:

– A  Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, no seu artigo 4.º, inciso III, definiu como dever do Estado a garantia de atendimento especializado gratuito aos educandos “com necessidades especiais, preferencialmente, na rede regular de ensino”. Assim, segundo a LDB, a inclusão deve ser preferencialmente na rede regular de ensino. Para tanto, o educador deve receber a capacitação necessária para esse atendimento, lembrando que a política de inclusão exige um professor treinado, capacitado.

– A Lei 7.853, de 1989, obrigou o Estado a apoiar os portadores de deficiência em sua integração social. Leis e decretos definiram normas gerais e critérios básicos para o atendimento às pessoas deficientes. Criou-se, no Ministério da Justiça, o Conselho Nacional de Direitos  da Pessoa Portadora de Deficiência.

– Através do Decreto 3.956, de 2001, foi ratificada a Convenção Interamericana para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas portadoras de deficiências.

– A Câmara de Ensino Básico do Conselho Nacional de Educação (Parecer 2/01) definiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para educação especial e o Parecer 17/01 estendeu essas diretrizes para toda a Educação Básica.

Era preciso que se cumprisse, na prática, o que essas leis determinavam. O Censo Escolar 2003 demonstrou que a aceitação do deficiente, em classes de escolaridade formal do ensino básico, avança favoravelmente. As instituições de ensino vêm, gradativamente, conscientizando-se e propagando a inclusão social, a promoção de acessibilidade das pessoas com mobilidade reduzida. O professores devem trabalhá-las tendo em vista suas potencialidades, na superação de suas dificuldades.

Hoje, já é consenso na educação de que a heterogeneidade, no ambiente escolar, só traz benefícios tanto para os deficientes como para os demais alunos, desde que ela seja acompanhada, assistida, por profissionais competentes e por condições necessárias ao seu bom desenvolvimento.

Uma outra pesquisa mostra que muitas empresas começam a criar programas de inclusão social, projetos que atendam às necessidades dos deficientes. Um estudo inédito da Fundação Banco do Brasil, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, divulgou, em outubro p. passado, resultados e apontou que o repasse de um salário mínimo a portadores de deficiência pelo governo, por meio do Benefício de Prestação Continuada (BPC), cresceu 350% entre 1996 e 2001. O estudo mostrou, ainda, que o número de deficientes no País varia de acordo com escolaridade, idade e renda. O relatório Diversidade – Retratos da Deficiência no Brasil – divulgado em 21/10/2003, considerou o grau de severidade das deficiências e revelou que 14,5% da população brasileira apresentam algum tipo de limitação. Que a metade da população com mais de 60 anos sofre de algum tipo de deficiência.

A média de renda das pessoas com limitações físicas é de R$ 529,00, enquanto a de quem não as tem fica em torno de R$ 628,00. Há, também, diferenças na escolaridade: 27,61% dos deficientes não são alfabetizados e há certa concentração de deficientes no Nordeste, justamente por ser a região mais pobre. A Paraíba lidera no número de deficientes: 18,76% da população.

O estudo feito pelas Fundações Banco do Brasil e Getúlio Vargas inova por apontar possibilidades de inclusão e de aplicação de políticas sociais, vindo de encontro aos anseios dos portadores de deficiência e de suas famílias. Abordando-se reiteradamente a problemática do deficiente, desvenda-se o véu da ignorância, retira o deficiente de seu isolamento, expande-se a humanidade, apontando para uma sociedade mais justa, menos preconceituosa.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2003)

RETROSPECTIVA HISTÓRICA: “A ESCOLA PÚBLICA NA DÉCADA DE 60”

Izabel  Sadalla Grispino *

Surge nos anos 60, precisamente em sua 2ª metade, manifestação explícita, até, então, a maior, por parte da Secretaria da Educação pela democratização do ensino. Expandiu-se a construção de prédios escolares e novas metodologias, em função da nova clientela, novas abordagens pedagógicas, começaram a ser divulgadas e implementadas nas escolas da rede estadual.

Em 1962, criava-se, sob a orientação da Profa. Maria Nilde Mascellani, o Serviço de Ensino Vocacional (SEV), com a instalação de 5 ginásios vocacionais no estado de São Paulo. Paralelamente, foram instituídos, na gestão do secretário da Educação Prof. Paulo Nathanael, os chamados ginásios pluricurriculares, polivalentes.

Nesse período eu era diretora de uma escola estadual que mantinha os cursos: colegial, normal e ginasial. Por volta de 69/70, esse ginásio passou a ser pluricurricular.

Como o próprio nome o definia, ele oferecia aos alunos um leque de opções curriculares, permitindo-lhes descobrir tendências vocacionais e encaminhá-los, quando fosse o caso, a uma profissionalização de nível médio. Seria como um desmembramento do ginásio vocacional. Uma de suas bases de sustentação era a criação da oficina de artes e ofícios.

Era uma nova proposta de escola com um embasamento teórico e experimental de longo alcance. Para ser melhor compreendida e ajustada à sua aplicabilidade, necessitava de um profissional que se dedicasse exclusivamente à coordenação pedagógica. Foi, praticamente,  o início dessa função nas escolas públicas.

Contudo, o seu maior desafio consistia na capacidade de seus integrantes alcançarem a metodologia emergente, com sua pedagogia da cooperação e sua valorização das individualidades. Revolucionavam-se a abordagem do conteúdo e toda uma estrutura comportamental vigente.

O ensino começava a se distanciar da linha cartesiana que ostentava bandeiras com lemas da eletizada escola da disciplina, austeridade, honra e excelência. Escola que, contudo, respondia, favoravelmente, à sua clientela, seleta, oriunda de classes abastadas, dominantes, aspirantes ao ingresso nas universidades.

O advento da era industrial, gerando um grande contigente populacional urbano, pedia mudanças estruturais na sua conceituação. A visão cartesiana, inspirada, por longas décadas, na filosofia da racionalidade do francês René Descartes, século XVII, era tida, para a situação, como linear, maciçamente repressora, passando sobre a individualidade das pessoas.

A Escola precisava diversificar as ofertas  educacionais,  adequar-se  ao  trabalho industrial  e às características desse aluno proveniente, neste momento, das  mais  diferentes  classes  sociais. Surgiram mais escolas estaduais industriais com profissionalização de nível médio, passando, depois, a chamar-se “Escolas Técnicas Estaduais”, agora, ligadas à Fundação Paula Souza.

Nessa evolução, entendeu-se como fundamental olhar para dentro do aluno, valorizar suas aspirações, o seu modo peculiar de ser. A pedagogia se aparelhava da psicologia. Despontava a visão dialética, holística do homem. O aluno passava a ser visto no seu todo, compreendido e ajudado nos aspectos cognitivo, afetivo e psicomotor.

Surgiam frases de efeito, representativas da nova mentalidade: “o trabalho dignifica”, “liberdade com responsabilidade”, “educar é libertar”, “educar é um ato de amor”, “respeito às individualidades”, “só é mestre quem sabe aprender”...

Derrubava-se a muralha existente entre a escola e a comunidade. No lugar da rigidez, passou-se à flexibilização de atitudes e de conteúdo. O professor não mais impunha, ao aluno, seu planejamento --  agora elaborado de modo interdisciplinar --  ao contrário, planejava com a sua colaboração,  observando  o  nível  da  classe, respeitando o seu ritmo e sua potencialidade. Dialogava, construía o conhecimento juntamente com ele, considerando-o um ser capaz de criar, o agente da aprendizagem. Entre as técnicas de ensino, a  pesquisa, com  a  utilização estimulada  das  bibliotecas,  era  de primordial importância.A avaliação, antes centrada no aluno, passou a ser de mão dupla, centrada, também, no professor, com a conceituação não mais de medir, de reprimir, mas de verificar o crescimento do aluno. Uma avaliação que proporcionasse verificar a evolução da maturidade do aluno, num progresso gradual e constante.

A comunidade passou a ser chamada a participar do plano escolar, a esclarecer-se e acompanhar o desenrolar das atividades-meio e atividades-fim. A Escola tornou-se mais aberta, mais humanizadora, menos soberana.

Seus grandes princípios continuam bastante atuais, compreensivelmente, com ajustes aperfeiçoados ou complementados pelas exigências de adaptação aos avanços tecnológicos e conseqüente transformação social.

Foi, sem dúvida, a grande semente didático-pedagógica e democrática, lançada na rede do ensino oficial do estado de São Paulo. Com o tempo e seu amadurecimento, esses princípios culminaram no processo atual de ensino-aprendizagem, no qual ressaltamos: a formação de ciclos no ensino fundamental, a diversificação das maneiras de classificar e reclassificar os alunos  da educação básica e a reiterada afirmação do método construtivista.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em abril 2000)

UNIVERSALIZAÇÃO DO ENSINO MÉDIO

Izabel Sadalla Grispino *

O secretário da Educação Média e Tecnologia do Ministério da Educação anunciou a intenção do MEC de tornar a matrícula obrigatória, a partir de 2004, para o 1.º ano do ensino médio. Em 2005, tornaria obrigatória a matrícula no 2.º ano e, em 2006, no 3.º ano desse nível de ensino.

Desse modo, gradativamente, o ensino médio seria universalizado como foi o ensino fundamental. Todos os alunos que terminarem a 8.ª série do ensino fundamental terão vagas garantidas no ensino médio. Os alunos receberiam, no 1.º ano, livro didático e merenda escolar, englobaria, inclusive, bolsa-escola.

Após consolidada esta etapa, é intenção do governo expandir para 4 anos o tempo de duração do ensino médio, mudança que ocorreria apenas em 2007. A legislação não pede matrícula obrigatória no ensino médio como faz no ensino fundamental. O MEC estima que 65 milhões de jovens e adultos não tiveram acesso ao ensino médio, embora a sua expansão de matrículas seja alta e crescente. Segundo o Censo Escolar 2002, nos últimos 6 anos, o número de matrículas aumentou 53%. Só no ano 2002 foram feitas mais de 400 mil novas matrículas. O Censo Escolar revelou uma grande diversidade em termos de faixas etárias: apenas 3,8 milhões dos matriculados – entre  os 8,4 milhões de alunos no final de 2001 – estão na relação idade/série, entre 15 e 17 anos; mais de 2 milhões de alunos têm mais de 20 anos e 1,2 milhão tem mais de 25 anos, sem contar uma considerável parcela de alunos que tem mais de 29 anos de idade. Contudo, o último censo do IBGE mostrou que menos de um terço dos jovens brasileiros entre 15 e 24 anos está ou esteve matriculado no ensino médio.

O MEC ao tornar a matrícula obrigatória nesse nível de ensino teria que atender grande demanda, com investimentos consideráveis e considerável contratação de professores. Há, ainda, a particularidade da trajetória escolar, enquanto que, no ensino fundamental, 59% dos alunos concluem o ciclo, no ensino médio temos 74% dos que completam o ciclo. Esses dados nos mostram o cuidado que se deve ter na implantação da universalização do ensino médio. Seriam necessários recursos vultosos para o cumprimento do projeto. Além da falta de estrutura, ainda recentemente o MEC anunciou um déficit de 250 mil professores nesse ensino e nas últimas séries do ensino fundamental  e essa falta de professores licenciados acarretaria, sem dúvida, prejuízo à qualidade do ensino.

Uma boa iniciativa foi o anúncio, por parte do então secretário da Educação Média e Tecnologia, Antonio Ibañez, hoje, substituído por Luiz Araújo, da criação de 60 a 80 mil bolsas de estudo para alunos do curso noturno, que têm dificuldades em permanecer na escola e correm o risco de se evadir. Os critérios de seleção das bolsas recaem sobre renda e desempenho na escola e o valor gira em torno de R$ 250,00.

Pela matrícula obrigatória, os Estados ficariam obrigados a criar estrutura condizente e arrebanhar professores licenciados para poder oferecer vaga a todos que terminarem o ensino fundamental e, de antemão, afirmam não ter como arcar com as despesas. São Paulo, o Estado mais rico da União, segundo Sônia Maria Silva, da  Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas da Secretaria da Educação, as verbas para o ensino médio destinam-se apenas para projetos de capacitação de professores, para melhora de laboratórios e bibliotecas. “Para tornar a matrícula obrigatória no ensino médio é preciso um repasse bem maior de recursos”.

Sem dúvida, é um projeto louvável, respaldado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, que fala ser a educação básica direito de todos. Deve, entretanto, ser lançado em bases reais, em estrutura e condições plausíveis se não quiser continuar  resvalando na decadência desse ensino. Continuaríamos com a expansão quantitativa em detrimento da expansão qualitativa. É a qualidade do ensino o nosso grande desafio de hoje.

Paralelamente à obrigatoriedade da freqüência ao ensino médio, visando atender pessoas de mais idade, com 30, 40 anos ou mais, com dificuldade de freqüentar um curso regulamentar, Antonio Ibañez propôs um ensino médio aliado ao profissionalizante e defendeu a criação de um Fundo Nacional de Educação Profissional. O Ministério da Educação vai propor aumento de recursos do Fundo de Amparo para o Trabalhador (FAT) a fim de investir no ensino profissionalizante.

Criar uma nova escola é o que o País está precisando. A realidade educacional brasileira mostra-se decepcionante. Uma pesquisa sobre alfabetização que a Unesco e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgaram, em julho do corrente ano, onde, numa escala sobre níveis de compreensão de leitura, englobando 41 países, o Brasil está, praticamente, no fim da fila em alfabetização, em 37.º, pouco à frente apenas da Macedônia, Albânia, Indonésia e Peru, países de economia bem mais fraca que a nossa.

Cerca de 50% dos alunos brasileiros, macedônios e albaneses, na faixa etária de 15 anos, estão abaixo ou no nível 1 de alfabetização, uma marca estabelecida pela Unesco que classifica os estudantes que conseguem apenas lidar com tarefas muito básicas de leitura. O Brasil em relação aos países da América do Sul, mais pobres, está em pior situação. Segundo consta, o Brasil tem uma economia 175 vezes maior que a da Macedônia e 160 maior que da Albânia, mas, em educação, vergonhosamente, assemelha-se a elas. Comprovação incontestável de que no Brasil a educação, nas últimas décadas, não se constituiu em prioridade nacional, de que não se investiu, como se devia, na educação do povo.

Educação é polo gerador de riqueza e de renda no País. Conhecimento interfere no setor econômico, no aumento da renda, no aumento de empregos, melhorando a qualidade de vida da população e refletindo no respeito internacional. “Investir, hoje, eficazmente, na educação custaria muito menos do que o que será preciso gastar daqui a 20 ou 30 anos para corrigir os desastres decorrentes da falta de educação”, considerou Cristovam Buarque.

O ministro apela por uma coalizão suprapartidária, no sentido de colocar a educação como prioridade nacional e afirma que, caso isso ocorra, “o Brasil poderá se tornar um líder mundial em educação”.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em agosto/2003)

A CORRUPÇÃO EMPOBRECE O PAÍS

Izabel Sadalla Grispino *

Até quando viveremos sob o impacto da corrupção? Até quando este nosso Brasil ficará emperrado, sem conseguir alçar vôos? O Brasil é um País empobrecido pela corrupção. Uma terra privilegiada como a nossa, com seus invejáveis recursos naturais, está sempre pendente, sempre pendurada, arcada em dívidas, ajoelhada ao FMI. O que se constata no País é uma corrupção impregnada nos hábitos da sociedade. Constata-se a existência de grupos que passam de um governo a outro e se firmam pela impunidade. A cultura da corrupção é histórica entre nós e só um trabalho prolongado de conscientização, de estímulo à ética, aos valores morais, e desde a fase da educação infantil, poderá trazer a esperança de enfraquecê-la.

O nosso ensino não consegue avançar. Países do primeiro mundo mostram um nível educacional invejável, um avançado amadurecimento do povo sobre a importância da educação, visto como pilar do desenvolvimento humano. Uma inscrição esculpida em mármore na entrada da Biblioteca Pública de Boston, nos Estados Unidos, diz: “A comunidade exige educação como salvaguarda da ordem e da liberdade”.

O povo exigindo educação! Aqui no Brasil, precisamos ainda trabalhar muito, anos e anos, para que o povo chegue a esse entendimento, à importância da educação na vida da nação. Quando isso acontecer, o Brasil deixará de ser País de terceiro mundo, nível de País em desenvolvimento, para se tornar País de primeiro mundo, País desenvolvido. Educação está na base de toda transformação social.

Um grande escritor brasileiro, Monteiro Lobato, segundo minha memória, disse: “Um país se faz de livros e de homens”. Observemos a ordem das palavras na frase: primeiro, livros; depois, homens. Primeiro o conhecimento, a cultura, estruturando o homem, ilustrando-o para o exercício da função. Ainda nessa linha de pensamento, lembro o grande estadista norte americano Abraham Lincoln, que dizia: “Ninguém salva o povo, o povo salva a si mesmo através da educação” e a educação foi a grande prioridade de seu governo.

No nosso Brasil, a educação continua num marasmo. A pesquisa da Unesco, Ensino Médio: Múltiplas Vozes, realizada em 13 capitais, entrevistando 7 mil professores e mais de 50 mil alunos da rede pública e particular, revelou o alto grau de insatisfação dos estudantes com que aprendem nas escolas.

Nossas escolas têm condições de melhorar aquilo que ensina? Têm condições de oferecer aulas com qualidade, para aumentar o interesse dos alunos? Professores desmotivados, destreinados, pouco capacitados para o exercício do magistério, vão arrastando a situação do mau ensino. O despreparo docente chega ao nível absurdo de levar o MEC a mudar, ainda este ano, o sistema de classificação de livros didáticos. Desde 1985, início do programa governamental de distribuição de material didático, o Ministério fazia recomendações sobre a qualidade dos títulos a serem escolhidos pelos professores das escolas. O critério para classificar o livro didático ia de uma a três estrelas. No ano passado, o MEC passou a usar os conceitos “pouco recomendado”, “recomendado” e “muito recomendado”. Agora, não faz mais avaliações, apenas uma descrição de cada livro. E isso ocorreu devido ao fato de os professores, ultimamente, estarem optando por livros de uma estrela ou os pouco recomendados. Escolhem os piores entre os pré-avaliados pelo MEC.

O presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Henrique Paim Fernandes, considera a fraca escolha dos professores, a razão de estes livros conterem conteúdos mais fáceis; “Assim, os professores não correriam o risco de não entender ou não saber como lidar com livros supostamente mais sofisticados. Geralmente, escolhem os livros que já conhecem ou que crêem ser mais próximos de sua realidade”.

Se contássemos com professores bem treinados didaticamente, recebendo salários condizentes com sua função, não estaríamos nessa situação. Teríamos um magistério valorizado. Mas, o que ocorre é o contrário, a falta de estímulo leva o professor a se acomodar, a se desinteressar, trazendo desinteresse aos alunos.

Como elevar o padrão de ensino sem um devotamento político leal à causa da educação? O mais freqüente é ver, na mídia, os constantes relatos de graves corrupções. As verbas destinadas ao ensino perdem-se no caminho de sua destinação, conduzidas para fins ilícitos. Em abril p. passado, lemos nos jornais, em letras garrafais, o desvio dos recursos destinados ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Médio e de Valorização do Magistério (Fundef)! O Ministério Público estima que de cada R$ 4,00 só R$ 1,00 é aplicado corretamente! Detectou quadrilhas com ramificações nacionais, especializadas em falsificar planilhas de gastos e forjar prestações de contas. A Controladoria Geral da União deparou com um verdadeiro esquema de fraude documental e irregularidade freqüente no registro de estudantes fantasmas. No ano passado, auditoria do MEC constatou a existência de 280 mil matrículas irregulares de 1.ª a 8.ª  séries.

Antes do Fundef, as reclamações de compras eram freqüentes. Surgiu o Fundef justamente para corrigir os casos de corrupção. 60% do Fundef estão vinculados ao pagamento de professores; o restante vem sofrendo desvios abomináveis. O dinheiro do Fundef é depositado em uma conta do Banco do Brasil e seu extrato pode ser acessado por vereadores e membros do conselho de fiscalização dos municípios.

Deputados da Comissão de Educação da Câmara querem mudar a forma de escolha e a composição dos conselhos municipais de acompanhamento do Fundef. Defendem projeto que impede que familiares dos prefeitos e secretários municipais integrem os conselhos, além de estabelecer eleições para a definição dos membros e a inclusão de um representante dos alunos. O representante dos pais também não poderá ser servidor municipal, nem prestador de serviços da prefeitura.

Hoje, fala-se em mobilização dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário --, reforçando a luta do Estado contra a corrupção, tentando fazer com que o Estado, que tem o leme nas mãos, possa dirigir esse barco, encharcado de corrupção, com mais firmeza.

Será esse o caminho? Poderá até ajudar, mas a corrupção está tão enraizada no seio do povo que ela sempre encontrará um jeito de burlar as determinações legais.

Só um trabalho sério de educação poderá tentar reverter tal situação.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2004)

SISTEMAS DIFERENCIADOS DE AVALIAÇÃO PARA O INGRESSO AO ENSINO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

Projetos de sistemas diferenciados de avaliação para o ingresso ao ensino superior continuam surgindo e se ajustando à identidade, às características das instituições, diversificando as oportunidades de acesso a esse grau de ensino.

O vestibular, a tradicional prova de ingresso às faculdades, que no Brasil remonta a 1911, deixou de ser obrigatório pela última Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n.° 394/96). As universidades, hoje, têm liberdade de escolher seu próprio sistema de avaliação, de decidir qual a melhor opção para sua estrutura educacional. Há, mesmo, os que defendem a eliminação do vestibular ou de qualquer outra forma de seleção. Apoiam-se em países cuja realidade é bem distante da nossa, como, por exemplo, na América Latina, o México e a Argentina.

Na verdade, processos de seleção são inevitáveis em sistemas de ensino, organizados em séries, como é o nosso. Quanto mais qualificada a escola superior, quanto mais alto o seu grau de ensino, maior rigor nas provas de seleção e mais seletivo o seu ingresso. Há casos de faculdades menos conceituadas, em que o exame de seleção não passa de um engodo. O que mais precisam é de alunos, pois, dependendo da área, há mais vagas que pretendentes.

Uma inovação foi o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) criado pelo MEC em 1998 para avaliar as habilidades e as competências adquiridas pelos estudantes no fim da educação básica, dando, também, às universidades a oportunidade de usar o resultado da avaliação como um dos critérios de seleção dos candidatos.

O Enem não deixa de ser uma boa opção e parece estar sendo bem recebido por educadores e alunos. Esse exame tem similar nos Estados Unidos, onde o processo de seleção inclui, além dos testes aplicados, a análise do histórico escolar do aluno, em que se verificam as notas obtidas durante o ensino médio, a carga horária das disciplinas e a escola em que o aluno estudou. O aluno deve apresentar, ainda, um projeto, uma espécie de ensaio sobre sua vida e o que pretende com a universidade.

Sobre o Enem já discorri, em artigo publicado recentemente por este jornal.

Há outro projeto, a “Avaliação Progressiva”, que chegou a tramitar no Conselho Nacional de Educação, mas houve pouca divulgação. Trata-se de um processo de seleção ao ensino superior, feito ao longo dos 3 anos do ensino médio. Seria um escalonamento do vestibular em 3 séries, transformando o ensino médio numa transição para o ensino superior. Há práticas, nessa linha, em algumas poucas universidades brasileiras, com a “Santa Maria”, no Rio Grande do Sul, e a Universidade de Brasília. Diferente do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que tem sua prova de seleção somente no final desse ensino, a “Avaliação Progressiva” se faz em todos os 3 anos do ensino médio. Se tomarmos o vestibular como referência, esta proposta de “Avaliação Progressiva” é, sem dúvida, mais flexível, menos estressante e oferece mais oportunidades ao aluno, eliminando, com suas avaliações periódicas, o temor da avaliação única. Além disso, a apuração dos conhecimentos limita-se ao conteúdo especificamente ministrado ao longo do ensino médio, não havendo necessidade de o aluno recorrer a estudos extras ou a cursinhos.

Em princípio, parece ser uma boa proposta de acesso ao ensino superior, porém tem suscitado controvérsias entre educadores que questionam o conceito maior da educação desse nível de ensino, ou seja, a formação básica da cultura geral. Esse processo de seleção acarretaria a obstrução das etapas normais do desenvolvimento das faculdades intelectuais, das faculdades formativas de valores e atitudes. Sobre o aspecto amplo da formação do aluno, dir-se-ia que este processo de avaliação periódica seria um aniquilador do ensino médio. Roubaria do aluno o tempo destinado à leitura suplementar, à pesquisa, pré-requisitos essenciais à formação integral e à atuação plena do futuro profissional. Sabe-se, hoje, que atrás do bom desempenho, de qualquer função, está, grandemente, o bom domínio do conhecimento geral.

Por exigência do mercado, é freqüente a extinção de uma função e o surgimento de outras, como, em nossos dias, a da informática, das relações internacionais, do comércio exterior, do turismo... e é justamente o conhecimento amplo e diversificado que vai ajudar o profissional a passar de uma ocupação para outra.

Com o sistema de “Avaliação Progressiva”, o ensino médio reduzir-se-ia a um curso preparatório para o ensino superior, com uma sucessão de provas e adestramento  para elas, o que provocaria ao aluno mais prejuízo que o tão decantado vestibular. A preocupação com a deformação da aprendizagem na sua utilização específica de preparar alunos para o ensino superior vem de longe. Francisco Campos, em 1931, escrevia, a respeito do então ensino secundário:  “O ensino secundário tem sido considerado  como um simples instrumento de candidatos ao ensino superior, desprezando-se, assim, a sua função eminentemente educativa, que consiste, precisamente, no desenvolvimento das faculdades de apreciação, de juízo e de critério, essenciais a todos os ramos da atividade humana (...) Assim, o ensino secundário (...) perdeu as suas características próprias e específicas (...) passando a ser de finalidade exclusivamente utilitária, despido de finalidade interna, fundamentalmente educativa. A última fase desse processo de degeneração do ensino secundário (...) o transformou em mera chancelaria de exames”.

VESTIBULAR – O exame vestibular continua sendo o grande processo de seleção ao ensino superior, o que responde, ainda, pela formação de calouros nas universidades públicas. Sobre ele falaremos na próxima semana.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2000)

AVALIAÇÕES EXTERNAS À ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

As avaliações oficiais, que abrangem também escolas particulares, vêm revelando um arrebaixamento no aproveitamento dos alunos dessas escolas. Preocupadas, escolas de renome passam a optar por um sistema de avaliação da aprendizagem externo à escola.

As escolas da rede oficial navegam num mar de turbulência e a rede particular, que começa a dar sinais de decadência, alerta-se para se prevenir. Essa rede vem constatando um decréscimo do número de alunos e busca um aperfeiçoamento em seus métodos. Apóia-se em uma observação imparcial, externa à escola, num processo de mudança e aprimoramento.

Escolas particulares de ensino fundamental e médio vêm recorrendo a consultorias e institutos de educação para encomendar avaliações externas do desempenho do aluno. Desde 2004, dois grandes institutos avaliaram cerca de 200 escolas espalhadas pelo País, sendo metade do Estado de São Paulo. Embora cada instituto tenha suas características peculiares, as avaliações incluem verificações do conteúdo acadêmico, provas de conhecimento lingüístico, raciocínio lógico-matemático e ciências, para os alunos. Para os professores, estratégias pedagógicas, como os professores transmitem o conteúdo em sala de aula e avalia as condições de infra-estrutura da escola. Há um questionário  enviado aos pais, outro, aos funcionários e um outro aos alunos, com perguntas sobre tolerância, violência, educação sexual e uso de drogas.

Essas escolas criam uma espécie de Sistema de Avaliação da Educação Básica, nos moldes do Saeb, aplicado pelo Ministério da Educação em uma amostra de escolas do País, só que mais completo, mais complexo, mais global. Os institutos de educação propõem que o processo seja repetido a cada dois anos, tempo necessário para entender os resultados e implementar medidas para modificar as falhas encontradas.

Esse processo de avaliação externa surge como um parâmetro para as escolas particulares, identificando os pontos fortes e fracos de seu desempenho. Facilita a correção e o planejamento a ser seguido, com as mudanças necessárias.

Essas avaliações são um forte aliado para os professores se situarem e se guiarem com mais segurança, no processo de ensino-aprendizagem.É mais uma avaliação alternativa que a rede particular de ensino vem encontrando para melhorar sua performance e conseguir atrair alunos.

Tudo que se puder agregar para se alcançar o bom ensino, o bom aproveitamento discente, deve ser abraçado com entusiasmo. A rede particular está tentando um caminho de sucesso. Oxalá consigamos, também,  para a rede oficial de ensino!

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em abril/2007)

METODOLOGIA ESCOLAR, UM ORGANISMO VIVO

Izabel Sadalla Grispino *

A metodologia escolar é um processo dinâmico, que caminha, se amolda às características do conteúdo e do educando, evolui e se aperfeiçoa no tempo. Coloca o aluno no centro do processo educativo, fá-lo protagonista das atividades desenvolvidas.

Cada vez mais, o aluno deixa de ser um receptor passivo; é estimulado a participar, a fazer, a pôr a mão na massa. Adquire armas, avançando na aprendizagem com autonomia e responsabilidade. É estimulado a voar nas asas da criatividade, descortinando horizontes inimagináveis, acompanhando o pensamento descrito por Anísio Teixeira: “Quando monto na asa de um pensamento, de uma idéia, eu vôo nessa idéia, como se ela fosse minha ave”.

A cada passo, a escola conscientiza-se de que não é o lugar apenas de aprender matérias convencionais, como português, matemática, história, geografia, ciências, física, química ou biologia. Inclui no seu currículo a educação de valores, aulas de orientação religiosa, acolhendo alunos de diferentes credos, ensinando a respeitar as diferenças, a respeitar um ao outro. Os alunos estudam a história das diversas religiões, debatem o assunto em grupos, percebendo o quanto cada religião tem seus aspectos positivos, o quanto no conceito de fé, de sentimento religioso, as religiões se encontram, provocando encontro entre os alunos, também.

Um outro aspecto da escola é incluir no currículo atividades culturais, desenvolvendo talentos, despertando vocações, dentro de uma metodologia prática, interativa, essencialmente participativa. Criam atividades, jogos, aliando diversão e aprendizado.

Hoje, a noção de participação amplia-se, chegando a modificar, por exemplo, as relações entre aluno e museu, em visitas às exposições de obras de arte. A figura do guia é superada e no lugar do monitor, da observação passiva do visitante, surge o educador – os artes-educadores – desenvolvendo um trabalho de mediação entre público e obras de arte, na concepção de que não basta ir ao museu, tem de participar.

Os museus vêm incentivando a mediação de educadores, estimulando as pessoas a falar sobre a arte, a externar seu ponto de vista, no intuito de aproximar público e arte. Os museus, nos roteiros de visita, desenvolvem ações integradas às mostras que coloca em cartaz. Grupos de alunos são agendados à visita ao museu e, no meio da exposição, eles e as famílias são convidados a participar da oficina de monotipia. Nesse momento, tomam contato com técnicas usadas pelo artista, ouvem explanações dos educadores e passam a exercitar, como em um laboratório.

É ocasião oportuna para se travar diálogo, discussões, buscando entender e lidar com arte de modo prazeroso, estreitando as barreiras entre obra e visitante. Aproxima o visitante dos conceitos usados pelos artistas, numa interação incentivadora. O que se quer não é bem formar artistas, mas educar, sensibilizar para a arte, ajudar no encontro de vocações.

No Museu de Ciências e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), o aviso tradicional “não toque” é retirado. A ordem é o contrário: apalpar, clicar, interagir, para sentir e ver como funciona a vida do organismo humano ao movimento do universo. Para sentir e ver o que o homem fez e faz, da roda aos aviões, das cavernas às viagens interplanetárias.

O Museu de Ciências e Tecnologia diverte e ensina sobre o corpo humano, espaço e dinossauros. Mistura informação com diversão atraindo o público que, surpreso, retorna para desfrutar mais do museu.

Escolas há que mantêm uma linha pedagógica mais definida, construtivista, tradicional – hoje, um tanto superada – Montessori, Waldorf e outras, mas sempre há entre elas ramificações que se encontram, dando uma amplitude coerente e estimulante ao processo.

O construtivismo surgiu com o psicólogo e geneticista suíço Jean Piaget, que desenvolveu uma teoria em que a criança constrói o próprio conhecimento, segundo as fases do seu desenvolvimento mental. A criança é instigada a aprender a partir de seu próprio raciocínio. O trabalho em grupo, no construtivismo, é valorizado.

Na linha tradicional, os conteúdos são transmitidos  por meio de aulas expositivas. O professor é a fonte do conhecimento. A avaliação da aprendizagem é feita através de provas formais constantes. Essa linha vem perdendo força e incorporando elementos construtivistas, valorizando aspectos emocionais e psicológicos.

Montessori, criada pela italiana Maria Montessori. A ênfase está na concentração, individualidade e liberdade. Colocam-se nas salas de aula conjuntos de jogos, caixas, superfícies com texturas e sons diferentes. As crianças os manipulam, pesquisam e vão compreendendo conceitos de várias disciplinas.

Waldorf, criada pelo filósofo suíço Rudolf Steiner, parte do conceito holístico – considera o todo. As disciplinas são integradas a partir de temas de interesse dos alunos. Geralmente, é o mesmo professor que ministra todas as aulas. Os brinquedos devem ser de pano, em detrimento do plástico e materiais sintéticos. Evita-se o uso da televisão e oferece uma alimentação bem natural. Waldorf  é uma filosofia de vida, uma escola onde os valores morais, espirituais são muito valorizados. A família participa das atividades escolares.

A metodologia contempla o perfil do aluno, com atividades adequadas a cada um. Para o aluno agitado, que não pára um minuto, o ideal é gastar essa forte energia em práticas esportivas, dança, música ou circo. Para o aluno tímido, que não pergunta durante as aulas, fica no seu mundo, o importante é buscar atividades que combatam o medo e a insegurança, como teatro, artes plásticas, poesia. Para o aluno temperamental, que faz escândalo quando seus desejos não são atendidos, deve-se programar atividades que combatam a agressividade, como jogos de tabuleiro, argila, marcenaria e culinária. Para o avoado, que vive distraído, astronomia, dobradura, informática, cinema, malabarismo e modelagem podem ajudar.

As diferenças individuais encontram-se nas variações metodológicas, pontos de apoio e caminhos alternativos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2005)

SÉRIOS ENTRAVES À QUALIDADE DE ENSINO

Izabel Sadalla Grispino*

Em um dos meus artigos anteriores, vimos que a qualificação docente é fator preponderante para uma boa aprendizagem. Há, contudo, sérios problemas dentro da escola, independentes da atuação do professor e que interferem, pesadamente, na sua organização e na sua qualidade de ensino.

Um fator agravante do ensino-aprendizagem, e que vem crescendo a cada dia, é a desordem endêmica da escola, seguida de violência.

O ambiente de ordem e de trabalho é muito importante para o desenvolvimento do ensino. Volta-se ao palco das discussões o abandono da educação pública, em nossa sociedade. Segurança escolar, praticamente, não existe e a desordem, a baderna, o completo desrespeito às normas disciplinares, impedem os avanços da boa aprendizagem.

Sob o prisma da reforma do ensino, que se supõe melhorar a qualidade da educação, um estudo do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial em São Paulo mostra que a rotina de violência e desordem nas escolas públicas interfere bruscamente nas condições da escola, esbarrando a caminhada pedagógica.

O estudo mostra que o maior perigo para a qualidade da educação é a desordem endêmica, ou seja, a desordem que vai se tornando crônica, avançando paulatinamente. Essa desordem, conclui o estudo, é tão nociva para a educação quanto a violência.

Controlar o crime e a violência nas escolas está se transformando em ponto de honra. Este estado perturbador aniquila o ensino e provoca debandada de professores e diretores que trabalham apavorados. Muitos já foram vítimas de ataques violentos por parte de alunos, chegando, alguns, à morte.

Este é um desafio, complexo, assustador, que a escola não pode deixar de enfrentar. Quando menos se espera, irrupções de violência e desordem tomam conta da escola e ela, contudo, não tem condições de enfrentar tamanho problema sozinha. Maior mobilização de recursos sobre segurança escolar, especialmente, em escolas mais necessitadas, precisa ser acionada e com urgência.

Professores e diretores não podem se sentir isolados e sem respaldo em situações que chegam a ser de risco. Uma grande reclamação é de que professores e diretores não recebem apoio institucional quando são ameaçados de morte ou quando seus carros sofrem vandalismos do lado de fora da escola.

O pior é que os desvios de comportamento não sofrem conseqüências e isso encoraja os desordeiros a continuar em suas atitudes criminosas ou anti-sociais.

Os alunos devem ser mantidos em suas escolas, por mais perturbadores ou agressores que sejam. Mostra o estudo do Instituto Braudel que os direitos humanos de estudantes desordeiros têm mais peso que os direitos humanos de professores que querem ensinar e de alunos que querem aprender.

As soluções encontradas nem sempre trazem os efeitos esperados. Utilizam-se  práticas esportivas, teatro, coral, dança ou a criação de ambientes diferenciados, dentro da escola, salas de aulas separadas com alunos estudando sob supervisão.

Quadro desolador! E saber que a riqueza do País está na escola, na boa escola, nos anos de escolaridade, cursados no respaldo do ensino de qualidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2007)

INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL

Izabel Sadalla Grispino *

Há pouco tempo escrevi sobre crianças com deficiência. Saindo de uma escola estadual, uma mãe abordou-me e em lágrimas pedia que eu escrevesse um novo artigo discorrendo sobre o preconceito que tanto prejudica o aluno deficiente. Relatou-me seu conflito, os problemas que a incompreensão de pais traziam para a sala de aula, onde estudam crianças portadoras da síndrome de Down.

Percebi como realmente a mudança de mentalidade é um processo vagaroso. Ultimamente, muito se tem escrito, muito se tem falado das vantagens, tanto para as crianças deficientes como não deficientes, da inclusão de deficientes em classes regulares. Continua o desafio de superar barreiras sociais na chamada inclusão social, de mesclar deficientes e não deficientes no mesmo grupo de atividades escolares.

Na rede pública, essa experiência começa a expandir-se com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). A proposta contida na pedagogia da inclusão é um passo adiante numa área, ainda, cercada de desinformação e discriminações. Ainda, há pais que chegam a tirar os filhos da escola ao tomar conhecimento que suas crianças fazem atividades com deficientes da mesma faixa etária: temem que a deficiência seja contagiosa e prejudique o rendimento escolar de seus filhos.

Contudo, os downs não têm problemas de comportamento, não representam uma ameaça. É preciso que se reforce a passagem de uma nova imagem, na tentativa de amenizar esse receio social. Os downs não são incapazes, como se pensava, podem desenvolver muito se acreditarmos neles e se investirmos na sua estimulação. Há mais de 30 anos, quando eram chamados pejorativamente de mongolóides e confinados, longe dos olhares públicos, não tinham chance de aprender, tinham vergonha de si mesmos. Essa triste figura deu lugar a uma notável reabilitação. Eles são estimulados desde pequeninos, andam, falam, vão à escola, aprendem, estão chegando à faculdade e surpreendem pais e professores, derrubando os próprios limites. Não trabalham apenas em oficinas fechadas. Desenvolvem-se bem em muitos setores da economia, podendo exercer sua cidadania, não só por direito, mas por capacidade.

A determinação de incluir deficientes físicos e mentais nas escolas regulares já era lei na França em 1975. Lá, como aqui, os primeiros anos de prática de inclusão foram cheios de incertezas e desculpas. Porém, os limites vêm sendo quebrados a cada ano. Não se pode, entretanto, para remover obstáculos, deixar de ajustar a formação dos professores. Na França, quase 100% dos portadores de síndrome de Down estão em escola maternal e cerca de 75% freqüentam o curso elementar, após o qual seguem para os profissionalizantes.

As crianças com deficiência passam por um período de integração em que fazem atividades entre si e depois são agrupadas às classes comuns. Conforme já se constatou, a segregação de estudantes com problemas físicos e mentais em classes especiais é improdutiva, vivem em ambiente limitado e criam dimensão errada do mundo. Elas ganham muito com o convívio social.

Conduzir uma classe assim heterogênea é tarefa delicada. O plano de ensino de uma classe comum tem que ser ajustado para não imobilizar a criança com deficiência. O professor tem de estar convicto de que vale a pena investir nessa criança  para não discriminá-la.

As deficiências vão desde o comprometimento físico ou intelectual até o desenvolvimento diferenciado. As escolas públicas têm demonstrado resultados positivos em casos de deficiências leves e moderadas. Se o comprometimento for profundo ou se a criança não tem condições de atender a orientação coletiva, a prática se torna inviável. A escola regular não tem condições de atender as crianças que não estão aptas a um mínimo de interação.

Há comprovadamente estímulo na convivência de grupos heterogêneos. Numa classe especial, o diferente tem no professor o único exemplo, faltam elementos para o conhecimento real dos códigos sociais. Não deve ficar num mundo à parte, em classes regulares ele aprende a conviver com outras pessoas, ajustando-se melhor à sociedade.

Os portadores de deficiência têm ritmo próprio, não oferecem as mesmas respostas das demais crianças ao processo de aprendizagem. Apresentam desenvolvimento mais lento, mas aprendem. Às vezes, ficam em classes de faixas etárias mais baixas para poder acompanhar o progresso. O professor precisa reconhecer as limitações e garantir qualidade de aprendizado até onde conseguirem. Ele tem um papel fundamental no  entrelaçamento do processo num grupo heterogêneo. Não pode amedrontar-se, ficar tocado emocionalmente ou demonstrar sentimento de pena. Tem mais é que se capacitar, interessar-se, buscando informação a respeito.

Tanto os pais, como os professores precisam de assessoramento contínuo de pessoal especializado. O ideal é que o número de alunos, em classe, não passe de 18. Os benefícios entre pessoas diferentes são mútuos. A presença de alunos deficientes gera, entre todos, respeito e colaboração. Os alunos desenvolvem valores de natureza ética imprescindível para o processo de educação. As crianças normais crescem sabendo que existem diferenças e aprendem a respeitar isso. A inclusão estimula, inclusive, processos de ensino e aprendizagem. Um deficiente auditivo, por exemplo, pode levar os colegas a aprender a linguagem de gestos, favorecendo trabalhos de mímica, de interpretação teatral.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2003)

UNIVERSIDADES CORPORATIVAS: REALIDADE QUE SE IMPÕE

Izabel Sadalla Grispino *

Um novo segmento na área educacional vem surgindo e se impondo: as universidades corporativas. As universidades tradicionais têm dificuldade em se afinar ao mercado, aos avanços tecnológicos, em acompanhar a evolução científica em sua diversidade, principalmente as particulares. Preocupam-se, de preferência, em dar uma formação geral ao aluno. Com isso vão criando lacunas, deixando espaços, aprendizagens a serem complementadas. Nessas brechas inserem-se as universidades corporativas.

As universidades corporativas vêm obtendo êxito, porque, num espaço menor de tempo, formam um profissional com novos parâmetros, preparado para enfrentar, hoje, o exigente mercado de trabalho, além de fornecer modalidades de treinamento empresarial. Dão cursos especializados,  com visão geral e ampliada do mercado, com visão abrangente das necessidades de uma empresa.

A filosofia implícita dessas universidades consiste em dar, junto ao treinamento que prioriza procedimentos repetitivos, programas que desenvolvam competências importantes para a empresa. Desenvolvam as faculdades de raciocínio, de liderança, de criatividade, formando um profissional autônomo. Têm como grande objetivo desenvolver a competência crítica, a eficiência, a competitividade. Montam cursos especializados, com funcionários ajustados aos seus produtos.

O mercado de trabalho vem requerendo profissionais dinâmicos, atualizados, com capacidade de iniciativa, de inventividade, com capacidade de tomar decisões. Nesse novo comércio, a indústria não pode prescindir de pessoal qualificado, ativo e em constante reciclagem; perderia em competitividade, portanto, em ganho. Ela quer um profissional diferenciado, entrosado aos seus objetivos, perfil dificilmente conseguido pelas universidades tradicionais.

Às universidades corporativas interessam formar um profissional mais rapidamente, contrapondo-se ao antigo modelo, quando a empresa levava de quatro a cinco anos para fazê-lo, após o aluno ter saído da universidade. As corporativas constatam que o propósito das instituições tradicionais, em formar o profissional generalista, estabelece um distanciamento entre o que o aluno aprende na escola e o que exige o mercado de trabalho.

Para superar deficiências, empresas fazem parcerias com instituições convencionais ou, então, montam suas próprias escolas, com prédio próprio, corpo docente e currículos próprios. Criam cursos para desenvolver determinadas técnicas ou para complementar a formação acadêmica. Têm estrutura curricular modular, tal como os cursos de graduação de uma universidade normal. Após cada módulo, o aluno passa por uma avaliação e, sendo aprovado, recebe um certificado.

A base das universidades corporativas reside na formação de projetos adaptados às necessidades da empresa, que querem garantir, aos seus funcionários, o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias ao atingimento de suas metas.

Universidades corporativas existem nos Estados Unidos desde a década de 80. Servem de modelo para o mundo todo, inclusive para nós. Estima-se haver no Brasil por volta de 40 universidades corporativas. As mais conhecidas são das empresas: Motorola, McDonald’s, Bank Boston, TAM e Visa. A FEA-USP e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) são instituições que mantêm parcerias com empresas, criando oportunidades de atualizar o currículo. Já despontam universidades públicas corporativas, como a Sabesp, com sua Universidade Empresarial, e a Metrô de São Paulo.

As necessidades empresariais já começam a influenciar os currículos das instituições convencionais, que se tornam mais sensíveis ao mercado de trabalho. Segundo observadores da área, se as universidades tradicionais não se reestruturarem, não mudarem de direção, aproximando seus currículos das necessidades empresariais, o prognóstico é de que, num futuro próximo, perderão terreno para as corporativas, o que vem comprovar a valorização, pelo mercado, dos certificados emitidos por essas universidades, embora sem valor oficial.

Contudo, a USP vem se preocupando com este aspecto. Na Faculdade de Economia e Administração, empresários bem sucedidos são freqüentemente convidados para relatar suas experiências. A USP tem um setor que atende indústrias necessitadas de resolverem problemas tecnológicos. A Escola Politécnica tem uma aproximação forte com a indústria paulista. Mas, a USP quer preservar a liberdade acadêmica, sua independência e não se colocar, apenas, a serviço da indústria. Talvez, uma articulação maior com o setor produtivo venha ocorrer gradativamente.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2001)

CAMINHOS ALTERNATIVOS PARA A APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino*

A qualidade de ensino das escolas públicas continua sendo um grande desafio. As estatísticas multiplicam-se em seus resultados desabonadores. Mostram que 54% das crianças que estão na 5.ª série do ensino fundamental lêem mal e não conseguem interpretar o texto lido. O mais cruciante são as crianças que ficam fora da escola, expostas a todo tipo de violência: exploração sexual, trabalho infantil, direitos violados. Essas crianças, vivendo o abandono, a ausência de valores, transformam-se, com facilidade, em marginais, em delinqüentes. Estudos têm demonstrado que violência é menos fruto da pobreza que do desequilíbrio social. Ela resulta, preferencialmente, da desigualdade, do confronto entre riqueza e pobreza, da pobreza dentro da riqueza. Resulta de uma juventude desarticulada em seus valores, sem rumo.

A sociedade precisa encontrar respostas a essa juventude, fazê-la ter perspectivas de novos horizontes. Reforçar a bolsa-escola é um procedimento que se faz urgente. Preparar o professor para receber e reter essas crianças no recinto escolar é outro procedimento urgente. Preparar diretores para se ocupar da parte pedagógica, envolver-se mais com os projetos acadêmicos e menos com o prédio escolar ou com as questões burocráticas. Preparar a escola para incentivar a participação comunitária. Oferecer aos professores educação continuada, de preferência na própria escola, estimulando a formação permanente.

Fazer a criança, o jovem e o adulto estudar é ponto crucial para se enfrentar a grande desproporcionalidade socioeconômica reinante. Um outro recurso educacional, que vem crescendo a cada passo e que deve ser passado à comunidade, é a viabilidade do estudo a distância. Apostilas pelo correio, telecursos na televisão e pós-graduação por videoconferência são alternativas para quem não pode ir à escola e quer estudar. Estamos em plena era da alta tecnologia, quando se fazem pesquisas e mesmo operações bancárias via internet. Fala-se com grupos de pessoas em teleconferências, acompanham-se as imagens, em tempo real, de guerras longínquas pela TV.

Encaminhar o jovem e o adulto para cursos a distância é porta aberta em direção aos estudos. Orientá-lo, quando for o caso, a freqüentar um supletivo a distância. No Estado de São Paulo, o Instituto Universal Brasileiro, por exemplo, funcionando desde 1941, oferece cursos técnicos e supletivo de ensino fundamental e médio por um preço bastante acessível. O curso é de 24 parcelas de R$ 26,00 e a maioria dos alunos tem mais de 25 anos. O Instituto Monitor, com 63 anos de funcionamento, oferece mais de 30 cursos a alunos de todo o Brasil. Inclui ensino fundamental, médio e cursos técnicos de eletrônica, contabilidade, secretariado, transações imobiliárias e informática. A média de idade dos alunos é de 35 anos e 52% são homens. Há um plantão permanente de dúvidas, que pode ser acessado pela internet, fax ou carta. O Instituto Universal Brasileiro e o Instituto Monitor são reconhecidos pelo Conselho Estadual de Educação, órgão fiscalizador.

O Telecurso 2000, aulas televisivas, desenvolvido pela Fundação Roberto Marinho em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), apresenta uma metodologia dinâmica, em aulas baseadas na realidade, que se desenvolvem através de situações do cotidiano e interpretadas por atores que se revezam com as explicações dos professores. Os diplomas oferecidos aos alunos são reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC). Desde 1978 no ar, os telecursos são transmitidos por 10 emissoras do País, a rede Globo e mais 5 canais educativos. As aulas podem ser assistidas em telessalas, existentes em grande número por todo o País, que têm vídeo, orientador capacitado no uso da metodologia e material pedagógico de apoio, ou assistidas em casa. Quem assiste aos telecursos em casa pode adquirir o material didático em livrarias ou bancas de jornais. As provas finais devem ser agendadas pelas secretarias municipais de educação. Uma infinidade de brasileiros utiliza-se do Telecurso 2000.

Em rede de conhecimento, nas ondas cibernéticas da internet, surge a interatividade, o grande fator de estimulação e de abrangência. Essa rede vem se espalhando como instrumento de ensino para profissionais de empresas, nas chamadas universidades corporativas. A Petrobrás, com 27 anos de experiência, é uma das pioneiras em educação a distância. Ela faz uso dos mais variados veículos, tem uma grande variedade de cursos, tanto pela internet (ensino conhecido como e-learning), como com mídia impressa e TV. Mantém, atualmente, 45 salas de videoconferência, oferecendo, inclusive, cursos de mestrado, em parceria com universidades. Para atender a necessidade do aluno, este pode defender, por exemplo, uma tese estando numa plataforma em Manaus, assistido pelo professor em São Paulo, com uma banca de jurados em Brasília, todos seguindo a apresentação em tempo real.

O MEC mantém alguns programas, desenvolvidos pela Secretaria de Educação a Distância, como a TV Escola, que envia televisores, antenas e fitas de vídeo aos colégios; o Programa Nacional de Informática na Educação, com distribuição de computadores para a rede pública; e o programa de complementação para professores que não têm habilitação pedagógica, entre outros. Para a pós-graduação lato sensu a distância, 4 universidades aprovadas pelo MEC oferecem cursos de licenciatura para professores da rede pública, no ensino fundamental.

Os cursos a distância são caminhos que chegam a um lugar de sol. São pontos  de apoio para uma juventude que busca sua auto-afirmação. É preciso que se passe avante tais possibilidades, que escola e meios de comunicação divulguem os cursos a distância, fazendo o povo deles tomar conhecimento e deles tirar proveito.

Caminhos para a educação devem ser expostos e incentivados a trilhá-los. Neles estão a salvaguarda da igualdade, da liberdade e da fraternidade.


* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em maio/2004)

POLITIZANDO O EDUCANDO

Izabel Sadalla Grispino *

A politização é um aspecto muito importante do currículo.

“Politizar o educando é um objetivo que não pode ser postergado. Levá-lo à análise do comportamento político, do conhecimento dos regimes políticos, da ética democrática, diferenciando-a da cultura autoritária, na conquista da cidadania, do convívio social, da reivindicação dos direitos do cidadão e respeito pelos deveres a serem cumpridos, no nascimento de um novo povo. De um povo, que, pela participação política, renasce, a cada dia, para a batalha da vida, para a busca de soluções aos destinos de sua terra. Politizar o aluno é dar-lhe estrutura para atuar no campo político, com vistas a uma política responsável, a uma militância consciente. Levá-lo a refletir sobre o voto e sua importância para o País. Mecanismos pedagógicos devem ser acionados, como debates, discussões, trabalhos entre os alunos, ressaltando-se temas como “O País que quero morar”, “O País que quero ter”, “O País dos meus sonhos” etc.” (Do meu livro “Prática Pedagógica”, pág. 63 do item “O sentimento patriótico”).

Esse período de eleições é próprio para se abordar o assunto, para se motivar o aluno. Nós que labutamos na área da educação, devemos fazer, junto com os alunos, um levantamento dos candidatos da cidade, que se apresentam com a bandeira da educação. Pesquisar sua vida pregressa, seu currículo, os trabalhos desenvolvidos na área, a honestidade, a seriedade de sua atuação, o nível de suas contribuições, a transparência, o caráter, lisura de comportamento, ausência de demagogia, de atos corruptos.

Essa análise é importante para se bem votar, para não se errar e correr o risco de entregar o posto a alguém que não o merece, alguém que vai ocupar o lugar de um outro que poderia exercê-lo com mais dignidade, mais competência. Nessa eleição, a escola deve falar ao aluno sobre o papel do vereador, o que significa legislar, o que significa legislativo; falar sobre o papel do prefeito, da função executiva, administrativa. Colocar o aluno a par do sentido político de governar, do sentido de democracia que possibilita a formação de partidos e de eleições. A escola deve manter uma atitude de neutralidade, não demonstrar preferência partidária, não entrar no mérito doutrinário ou em ideologia.

“Somos responsáveis pelos homens públicos que colocamos no poder e acertamos bem mais quando acompanhamos suas ações, seus desempenhos, quando aprendemos a manusear as armas poderosas que as eleições nos oferecem, filtrando, peneirando o universo indesejável. A escola conseguirá formar um aluno compromissado com a Pátria, se despertar o amor à terra natal desde a tenra idade, porque os bons princípios, os sentimentos, crescendo com a criança, se desenvolvendo com ela, se firmarão e dificilmente serão abalados”. (Do meu livro “Prática Pedagógica”, pág. 65).

Completo meus pensamentos na poesia que segue e que gostaria que os professores fizessem chegar até os alunos, com uma leitura seguida de interpretação.

VOTO  CONSCIENTE

Caro eleitor, dê a sua cota,                    Votar não pode ser paixão,
Está chegando a eleição,                       Tem que ser ato racional,
Vote como patriota,                                 Utilize-se, pois, da razão,
Pondere bem a situação                        Deixe de lado o emocional.

Vote com plena consciência,               Votar é delegar poder
Não se iluda com promessa,               A alguém que decide por nós,
É época de reverência,                          É momento de rever,
Sorriso fácil, fé confessa.                    De ajustar os dominós.

Ao votar, pense no futuro,                    Aja com imparcialidade,
No dia do próximo amanhã,                 Sempre há honestos e vilões,
Seu voto trará mundo obscuro,          Não pense em si, mas na cidade,
Ou pomar de muita maçã.                    Livre a pátria das corrupções!

Se já existe procedência,                     Fique atento à demagogia,
Fica mais fácil decidir,                           Lute forte por seriedade,
O passado é referência,                       Seu exemplo arrastará maioria,        
Para não se deixar iludir.                      Levará a cidade à prosperidade.                    
Também, analise as propostas,         A cidade, onde vive, aprimore,
Que sejam viáveis, pés no chão,        Cuide bem de sua terra natal,
Após, confirme as respostas,             Nos princípios éticos se escore,
Cobre firme, faça pressão.                  Cante, com orgulho, o Hino Nacional!

 

* Supervisora de ensino aposentada.                 
(Publicado em setembro/2004)

ESCOLAS DE LÍNGUAS

Izabel Sadalla Grispino *

Nota-se um aquecimento de escolas de línguas no mundo todo, influenciado pelo desenvolvimento de negócios. Pessoas que buscam aprender bem idiomas, distanciando-se do período em que a economia era fechada. Pessoas que descobrem novos negócios, que cuidam das relações internacionais de grandes empresas, aperfeiçoam-se no estudo de idiomas.

À medida que a globalização quebra barreiras, o ensino de línguas se expande, afinal a língua está relacionada com o comércio. Li, a respeito, o pronunciamento do presidente mundial da Berlitz Centro de Idiomas, Mark W. Harris, rede presente em 63 países, com 450 unidades, e que ensina 42 idiomas, do inglês ao tagalo, das Filipinas. Harris diz que o ensino de idioma incomum cresce para negócios. Professores americanos têm ido a Hong Kong ensinar mandarim aos chineses! Esclarece que está cada vez mais comum os americanos, em missões especiais de trabalho, recorrerem, às pressas, ao aprendizado do Português, o idioma oficial do País, não mais visto somente como a nação do futebol e do carnaval.

Polônia, Eslovênia, República Tcheca, antes ex-satélites soviéticos e restritas ao idioma russo, abrem-se para novas culturas. O crescimento da Berlitz está bastante concentrado na Ásia. De 1965 para cá, foram abertas, só no Japão, 56 unidades. Estão previstas 22 novas unidades lá, mais duas na Coréia. Na Tailândia, a Berlitz inaugura, este ano, o 6.º centro, na China, o 5.º, e em Xangai o 1.º.

Na Inglaterra, o processo avança. O departamento de Inglês da Universidade de Warwick, localizado na área central da Inglaterra, conta com cursos diferenciados para grupos específicos. O departamento, ao invés de turmas fechadas e programas prontos, adapta os cursos às necessidades dos estudantes, necessidades ligadas ao aperfeiçoamento do inglês, por causa do trabalho. O Centro de Língua Inglesa promove, entre outros, cursos para grupos de executivos chineses, analistas de sistemas mexicanos, professores da Malásia e profissionais japoneses da área de saúde.

Vivemos num mundo cercado por interesses econômicos, alastrando-se a cada passo. A globalização, se por um lado oprime, sob certos ângulos, os países em desenvolvimento, por outro, oferece perspectivas amplas de trabalho e comércio. A área financeira é o grande tema deste novo século e o domínio do mundo é sua finalidade. Embora Lincoln dissesse que democracia é o governo do povo pelo povo e para o povo, ela caracteriza uma participação que acontece por meio de eleições, somente até a escolha de um governante. O poder determinante está mais acima, como fala o escritor português José Saramago, que são os poderes econômicos. São estes que  impulsionam e que determinam novas posturas, novos caminhos.

Representantes de escolas de idiomas reafirmam, no estudo das línguas, a tendência a áreas que dão vantagens internacionais, como hotelaria, seguido de ramos como telecomunicações e informática. Esses setores são os que mais oferecem oportunidades de carreira internacional.

É, principalmente, por meio da aprendizagem de idiomas que se galgam espaços para avançar nas carreiras internacionais. Para quem gosta de viajar, conhecer o mundo, conhecer o modo de viver de outras pessoas, a cultura do diferente, o primeiro passo é estudar bem idiomas. O desenvolvimento de negócios, a visão globalizada do mundo exigem fluência no uso das línguas. Um executivo do setor de hotelaria, relatando sua caminhada profissional, contou que morou em onze países, por conta do trabalho. Entre eles, Taiti, Polinésia, Kuwait, Egito, Estados Unidos e Nepal. “Conheci uns 50 países em viagem, a maior parte a trabalho”. Ele domina bem os idiomas inglês, francês e espanhol. Hotelaria é um ramo em expansão. O turismo é outra profissão em moda, uma área aberta do mundo, onde o domínio de idiomas é indispensável.

No Brasil, o estudo de idiomas cresce e atinge uma população jovem considerável. O interesse, a procura pelo estudo de línguas fazem as escolas de línguas incrementarem-se, tornando um mercado rendoso, também, por aqui. Nas faculdades, os cursos de letras não parecem manter essa concorrência, quando se focaliza o ingresso ao magistério. Os jovens buscam os cursos com vistas a uma maior exposição internacional, e menos a uma carreira docente.

Esse, como outros temas que possam alargar os horizontes profissionais do educando, deve fazer parte do compromisso informativo das escolas.  Os professores devem estar antenados à época, podendo demonstrar mais amplamente as várias ocupações que vêm surgindo, abrindo o leque das oportunidades atuais do mercado de trabalho.

Sob uma outra faceta, a escola deve inteirar-se de inovações, como a desestruturação de muitos cursos, para atender uma demanda de profissionais, ainda inexistente, principalmente na área de elaboração de negócios. A Fundação Getúlio Vargas (FGV), por exemplo, prepara, já para o ano que vem, seu vestibular para seu primeiro curso de graduação em Direito, que funcionará em 2005. Esse novo curso de graduação modifica o modelo tradicional de ensino hoje existente no Direito, uma sinergia entre Administração, Economia e Direito, sendo que Administração e Economia são cursos de graduação já existentes na FGV.

A falta de profissionais com uma formação mais ampla levou a Fundação a idealizar um currículo, no curso de Direito, onde se incluem as áreas de finanças, contabilidade, microeconomia, macroeconomia, meio ambiente e informática. A proposta é oferecer, já na graduação, toda a qualificação profissional existente, dando ao aluno as credenciais que geralmente ele busca, após a graduação, no exterior em cursos de mestrado.

Acompanhar essas inovações dá à escola um caráter institucional gabaritado, de considerável valia aos seus educandos.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em julho/2003)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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