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Artigos Educacionais

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AS NOVAS CONCLUSÕES DO ENADE

Izabel Sadalla Grispino *

O último Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) foi aplicado a 277.476 alunos, escolhidos por amostragem, que ingressaram na universidade e os que se formaram em 2005. Avaliou 5.511 cursos superiores em que 27% receberam os conceitos máximos, 20% foram reprovados e 53% ficaram na média.

O ponto destoante foi  mostrar que alunos de cursos, com conceito máximo no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), não acertaram nem metade das questões da prova! Mostrou que cursos de universidades públicas e conceituadas, como a Unesp, que tiveram médias em torno de 45, numa escala de 0 a 100, receberam conceito 5 no final, o mais alto.

O Enade, criado para substituir o Provão, que surgiu na gestão do ministro Paulo Renato Souza, não estabelece meta para o estudante, só compara instituições. Apenas ordena os melhores e os piores cursos a partir do desempenho do grupo, sem determinar previamente a que nível o estudante deveria chegar para receber o maior conceito. Nesse ponto, o Enade repete a falha do Provão.

O Ministério da Educação introduziu no Enade, na avaliação realizada em 2005, o Indicador de Diferença entre o Desempenho Objetivo e o Esperado (IDD), um dado que revela aspectos interessantes, que passavam desapercebidos pelo Provão.

O IDD mede o quanto uma universidade contribui para a formação do aluno, ampliando o seu nível de conhecimento e sua competência profissional. É um conceito de “valor agregado”, que permite maior clareza do ensino superior. O Enade reabilitou o ensino superior privado, tido normalmente como ruim.

Cada instituição pública ou privada tem uma clientela específica para atuar e deve se preparar para oferecer um espaço acadêmico próprio a ela. Na instituição privada, os alunos, na grande maioria, vêm da rede pública do ensino médio, com uma educação de baixa qualidade, com déficit, praticamente, em todas as competências. Necessitam de cursos mais curtos para ingressar logo no mercado de trabalho.

Os baixos resultados, em termos de conhecimento, obtidos pelo Enade, refletem a falta de qualidade de toda a educação básica brasileira. Mostraram que, no conjunto, os alunos das instituições públicas continuam tendo um desempenho melhor do que os das instituições privadas. Porém, o novo indicador do Enade apurou que 41,8% das universidades federais tiveram um Indicador de Diferença entre o Desempenho Objetivo e o Esperado negativo, significando que quase metade das universidades mantidas pela União não conseguiu agregar o valor que se esperava a seus alunos. Entre as universidades privadas, 58,5% das instituições apresentaram um IDD positivo, reabilitando, nesse aspecto, a imagem das instituições privadas. Quebra o enraizado conceito de que toda universidade pública é boa e a privada sempre ruim.

Um dado que surpreendeu foi o fato de os cursos das universidades de São Paulo perderem para os de instituições do Ceará, Bahia, Sergipe, Paraíba e Rondônia no conceito que mostra o valor agregado aos alunos nos cursos freqüentados. A comparação foi feita a partir da porcentagem de conceitos 5 (máximo) de cada Estado no Índice de Diferença do Desempenho (IDD). A maior quantidade de conceitos 5 foi do Estado de Sergipe, com 9,l5%.

De acordo com a clientela recebida, a instituição privada, em boa parte delas, vem conseguindo formar adequadamente seus alunos. A avaliação do ensino superior se aperfeiçoa e o Enade, pelo Índice de Diferença do Desempenho (IDD) é capaz de avaliar o quanto a universidade agregou de valor a seus alunos durante o curso.

Por esse índice, reabilitou boa parte do ensino privado, mostrando que, devido à diversidade, à heterogeneidade, existentes na sociedade, não pode haver modelo único de ensino, antes um multissistema de ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em setembro 2006)

ENSINO INFANTIL E RENDA

Izabel Sadalla Grispino *

A época, através de organizações como a ONU, de Fundações, como a Abrinq, vem, constantemente, demonstrando as vantagens de se cursar o ensino infantil. Vem apelando, aos órgãos governamentais, a implementação de uma educação infantil universal, a mesma prioridade dada aos demais graus de ensino.

Buscando conscientizar sobre os benefícios dessa educação e sobre os problemas que sua ausência acarreta, a Fundação Abrinq, pelos Direitos da Criança, passa a lançar uma campanha nacional, pela valorização da educação infantil.

Ampliar o acesso e receber atendimento de qualidade são preocupações que atingem crianças de zero a 6 anos. É na fase dos 3 anos que a criança começa aprender a aprender o mundo ao seu redor. 90% das conexões cerebrais se formam até os 3 anos, significando o desenvolvimento do pensamento simbólico, a memória, a racionalidade e controle dos impulsos mais primitivos.

Essas conexões não são resultantes apenas da genética, mas, também, da interação com o ambiente, com a família, com os educadores. Aos 6 ou 7 anos, a criança já passou por esse período, sumamente importante à sua formação.

Segundo dados do Inep, órgão do Ministério da Educação, atualmente, maio de 2007, 7,2 milhões de crianças de até 6 anos estão matriculadas em escolas particulares e públicas no País. Desse total, 5,2 milhões estão na educação infantil, que engloba a fase de 4 a 6 anos e deve começar a preparar a criança para a alfabetização. Isso significa, pelos dados do IBGE, que só 13% das crianças brasileiras têm acesso à creche. Na faixa de 4 a 6 anos, o índice fica em torno de 70%;

Os ganhos adquiridos pela criança, que freqüentou a pré-escola, vão garantir uma seqüência de estudos com mais facilidade, mais proveito. Estudos mostram a real influência da educação infantil no desempenho do aluno.

Uma pesquisa inédita, realizada em maio de 2007, feita pelo Ibemec São Paulo e pela Tendências Consultoria, mostra que esses alunos têm notas mais altas nos exames nacionais, maior probabilidade de concluir o ensino médio e entrar numa faculdade. A pesquisa revela que as pessoas, com idade entre 21 e 65 anos, que freqüentaram a pré-escola, têm maior escolaridade do que aquelas que começaram a estudar somente a partir da 1.ª série do ensino fundamental.

A freqüência à pré-escola permite um aumento de 4% na conclusão da 4.ª série, 18%, na 8.ª série, 23%, no ensino médio e 5%, na faculdade, totalizando 1,5 ano no estudo a mais do que quem ingressou na escola na 1.ª série. O impacto da creche, com alunos até 3 anos de idade, é maior na conclusão do nível superior, mas faz pouca diferença no nível profissional.

Essa pesquisa é inédita no sentido de revelar a renda maior que o ensino infantil gera. Quem fez o ensino infantil, ou começou a estudar entre os 4 e 6 anos de idade, tem, em média, renda 27% maior do que quem entrou, na escola, apenas aos 7 anos. A pesquisa consegue mostrar, numericamente, a importância e influência futura do ingresso no ensino infantil.

Comprovadamente, a pré-escola traz benefícios significativos às pessoas, quer sobre o crescimento intelectual, quer sobre o impacto do salário. Estes fatores são fortes indicadores da prioridade a ser dada ao ensino infantil, tornando-o universal.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2007)

AO JORNAL “A CIDADE”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “A Cidade”, deste valioso instrumento de comunicação que Ribeirão Preto aprendeu a admirar pelo alto profissionalismo, há, exatamente, um ano, venho publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporcionou-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade ribeirão-pretana, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Neste ano que se finda, propus-me a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional das escolas oficiais.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Inúmeros conceitos nele passei, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “A Cidade” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e ilumine a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Ribeirão Preto, já é tradicional, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “A Cidade”, que beira um século de existência, nas pessoas da família Camargo, de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com brilho e persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população. O jornal “A Cidade” cresce com Ribeirão e com ele se faz pioneiro na região. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, competente de que é marca  consagrada.

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Ribeirão Preto. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos. A todos, meus versos sobre o Terceiro Milênio.


TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2000)

AO JORNAL “GUARIBA NOTÍCIAS”

Izabel Sadalla Grispino *

Venho, através do jornal “Guariba Notícias”, há, aproximadamente, dois anos, publicando, semanalmente, poesias e, ocasionalmente, artigos de fundo educacional e social. Este jornal amigo dá-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade-irmã de Guariba, momento de prazer para mim, quando envio mensagens, através das poesias, de fé, de coragem, de amor, quando sugiro idéias ou passo orientações educacionais, abordando temas pedagógicos.

O jornal “Guariba Notícias” vem, a cada edição, angariando a confiança e o entusiasmo de seus leitores, por apresentar um jornalismo sério, responsável. Parabenizo o Sr. Domingos Ap. Rodrigues de Oliveira, vulgo Sr. Guta, carro-chefe dessa máquina jornalística, a diretora Ana Cláudia dos Santos, a jornalista responsável Ana Lúcia Castro, Sérgio Alves de Brito, Cristiane Brito, Gercino Gomes e demais funcionários, pelo profissionalismo com que vêm conduzindo o jornal, pela maneira cordial com que atende a todos, indistintamente.

A equipe, com perseverança e idealismo, mantém um jornal que reflete e representa a comunidade guaribense. Que Deus, nesse novo ano que se inicia, proteja os seus dirigentes, lhes dê saúde e vigor para que possam continuar na nobre missão de educar, de esclarecer, de divulgar, que, em última análise, é o que faz o bom jornal. Homens que lutam por ideais salvaguardam a humanidade. Parabéns ao jornal!

Desejo, a toda querida população dessa terra-mãe, um feliz Ano Novo. Que Deus a coloque em seu manto protetor, derramando bênçãos sobre ela. Que Ele nos ilumine, que ilumine os nossos dirigentes, para que, juntos, possamos fazer de Guariba uma cidade próspera, humana, acolhedora.

Quero, também, agradecer aos meus prezados leitores pela atenção, pelas manifestações de carinho e de apreço, a mim formulados, pela publicação de minhas poesias e de meus artigos.

A todos, meus versos sobre o terceiro milênio.

TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em janeiro/2001)

COM QUE IDADE ALFABETIZAR?

Izabel Sadalla Grispino *

A criação do ensino fundamental de 9 anos, colocando na escola crianças a partir dos 6 anos, tem levado pais e professores a questionarem sobre a melhor idade para se alfabetizar.

Estudos, baseados em experiências educacionais, têm trazido luzes nessa área. Na alfabetização, cada criança tem o seu próprio ritmo, leitura e escrita podem começar tanto aos 4 quanto aos 7 anos. Entra nessa variável o estímulo recebido pelos pais.

Os neuropediatras dizem que o período para se alfabetizar não é fixo, vai dos 4 aos 7 anos, dependendo do desenvolvimento cerebral da criança. Antes da alfabetização, o cérebro deve passar por diversas fases, como a aquisição das noções de espaço e tempo e pela fase da coordenação motora fina.

Um fator que muito contribui para a alfabetização é o incentivo que recebe em casa, dos pais. O ambiente influencia e desperta o interesse para a leitura e à escrita. Pais que dão, desde cedo, livros infantis aos filhos, lápis e papel para rabiscarem ou lêem histórias antes da criança dormir. Os pais devem ler e não apenas contar histórias. Ler é diferente de contar. Quando se lê a história com um livro, desperta a curiosidade da criança para saber o que aqueles riscos, no livro, significam.

Porém, a criança pobre vem de um ambiente de baixa escolaridade e geralmente os pais não se interessam pela leitura, não encorajando, assim, os filhos. Despertar o gosto pela leitura, sensibilizar para os livros, desde cedo, farão a diferença em toda a vida escolar.

O que se constata é que nas escolas particulares comumente as crianças chegam à 1.ª série, aos 7 anos, já alfabetizadas, enquanto que na escola pública, geralmente, é com essa idade que vão começar a aprender a ler e a escrever. Essas crianças diferentemente daquelas, com raras exceções, não passaram pela pré-escola.

É preciso ater-se ao fator lúdico dos primeiros anos de alfabetização. O contato com as letras deve se processar de maneira prazerosa e um professor mau formado pode bloquear a vontade de aprender para o resto da vida.

A criança não deve ser forçada a aprender logo a ler e a escrever. O interesse pelas letras deve partir da própria criança. Deve ser natural. Às escolas, aos pais cabem apenas estimulá-la para a aprendizagem. Dizem os especialistas que se a criança for forçada, sentir-se-á muito cobrada e poderá ter problemas emocionais, de auto-estima, como ter medo da escola, ter horror aos estudos.

Costumam-se relacionar itens de como estimular as crianças para a leitura e para a  escrita:

a)  Biblioteca infantil: os pais devem, desde cedo, dar livros com textos e muitas ilustrações. Há livros especiais para crianças mais novas, alguns são de pano, outros, de plástico.

b) Estojo cheio: as crianças devem ter lápis de cor, de cera e muitos papéis para rabiscar. Habituando-se ao lápis, terão mais facilidade para aprender a escrever.

c) Exemplo: os pais devem ler livros, revistas e jornais na presença dos filhos. Levá-los a livrarias e bibliotecas, fazer isso como se fosse um passeio.

Pode ocorrer de algumas crianças ler ou escrever bem melhor que o restante da classe. Nesse caso, o que fazer? Continuar com a turma de sempre ou avançar na série? Referendam os especialistas de que saber ler e escrever não é motivo para pular de ano. A criança, nesse caso, para não se desinteressar, deve receber atividades especiais, mais complexas, durantes as aulas.

Essa criança não deve avançar na escolaridade, porque no jardim da infância não conta apenas o fator cognitivo. É preciso levar em conta o nível de desenvolvimento psicomotor, social e emocional da criança.

Uma criança, por exemplo, de 5 anos que lê e escreve bem como uma de 7 anos, não é aconselhável que deixe o grupo de sua faixa etária. Emocionalmente, ela reage melhor com crianças de sua idade, tem os mesmos interesses, gosta das mesmas brincadeiras, entrosa-se melhor. Com as mais velhas, ela pode se sentir desajustada, isolar-se. Na infância, 1 ou 2 anos fazem muita diferença.

Na aprendizagem, no curso dos anos de estudos, os psicólogos chamam atenção para a autodisciplina, como um indicador de sucessos acadêmicos, superior a um bom Q.I. (quociente de inteligência). Dizem que a autodisciplina pode ser mais importante do que um elevado Q.I. para se conseguir melhores desempenhos. Programas que constroem autodisciplina podem ser um caminho importante para conquistar realizações acadêmicas. Estudos mostraram que adolescentes altamente disciplinados superaram seus colegas mais impulsivos, mais desorganizados, em todas as variáveis de interpretação acadêmica, incluindo boletins, notas de provas, admissão em faculdades competitivas.

Apoiando-se nesses estudos, por que pais e professores não partem para a criação de situações que treinam, que preparam os estudantes para a autodisciplina?

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em abril/2006)

UNIVERSIDADES CORPORATIVAS: REALIDADE QUE SE IMPÕE

Izabel Sadalla Grispino *

Um novo segmento na área educacional vem surgindo e se impondo: as universidades corporativas. As universidades tradicionais têm dificuldade em se afinar ao mercado, aos avanços tecnológicos, em acompanhar a evolução científica em sua diversidade, principalmente as particulares. Preocupam-se, de preferência, em dar uma formação geral ao aluno. Com isso vão criando lacunas, deixando espaços, aprendizagens a serem complementadas. Nessas brechas inserem-se as universidades corporativas.

As universidades corporativas vêm obtendo êxito, porque, num espaço menor de tempo, formam um profissional com novos parâmetros, preparado para enfrentar, hoje, o exigente mercado de trabalho, além de fornecer modalidades de treinamento empresarial. Dão cursos especializados,  com visão geral e ampliada do mercado, com visão abrangente das necessidades de uma empresa.

A filosofia implícita dessas universidades consiste em dar, junto ao treinamento que prioriza procedimentos repetitivos, programas que desenvolvam competências importantes para a empresa. Desenvolvam as faculdades de raciocínio, de liderança, de criatividade, formando um profissional autônomo. Têm como grande objetivo desenvolver a competência crítica, a eficiência, a competitividade. Montam cursos especializados, com funcionários ajustados aos seus produtos.

O mercado de trabalho vem requerendo profissionais dinâmicos, atualizados, com capacidade de iniciativa, de inventividade, com capacidade de tomar decisões. Nesse novo comércio, a indústria não pode prescindir de pessoal qualificado, ativo e em constante reciclagem; perderia em competitividade, portanto, em ganho. Ela quer um profissional diferenciado, entrosado aos seus objetivos, perfil dificilmente conseguido pelas universidades tradicionais.

Às universidades corporativas interessam formar um profissional mais rapidamente, contrapondo-se ao antigo modelo, quando a empresa levava de quatro a cinco anos para fazê-lo, após o aluno ter saído da universidade. As corporativas constatam que o propósito das instituições tradicionais, em formar o profissional generalista, estabelece um distanciamento entre o que o aluno aprende na escola e o que exige o mercado de trabalho.

Para superar deficiências, empresas fazem parcerias com instituições convencionais ou, então, montam suas próprias escolas, com prédio próprio, corpo docente e currículos próprios. Criam cursos para desenvolver determinadas técnicas ou para complementar a formação acadêmica. Têm estrutura curricular modular, tal como os cursos de graduação de uma universidade normal. Após cada módulo, o aluno passa por uma avaliação e, sendo aprovado, recebe um certificado.

A base das universidades corporativas reside na formação de projetos adaptados às necessidades da empresa, que querem garantir, aos seus funcionários, o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias ao atingimento de suas metas.

Universidades corporativas existem nos Estados Unidos desde a década de 80. Servem de modelo para o mundo todo, inclusive para nós. Estima-se haver no Brasil por volta de 40 universidades corporativas. As mais conhecidas são das empresas: Motorola, McDonald’s, Bank Boston, TAM e Visa. A FEA-USP e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) são instituições que mantêm parcerias com empresas, criando oportunidades de atualizar o currículo. Já despontam universidades públicas corporativas, como a Sabesp, com sua Universidade Empresarial, e a Metrô de São Paulo.

As necessidades empresariais já começam a influenciar os currículos das instituições convencionais, que se tornam mais sensíveis ao mercado de trabalho. Segundo observadores da área, se as universidades tradicionais não se reestruturarem, não mudarem de direção, aproximando seus currículos das necessidades empresariais, o prognóstico é de que, num futuro próximo, perderão terreno para as corporativas, o que vem comprovar a valorização, pelo mercado, dos certificados emitidos por essas universidades, embora sem valor oficial.

Contudo, a USP vem se preocupando com este aspecto. Na Faculdade de Economia e Administração, empresários bem sucedidos são freqüentemente convidados para relatar suas experiências. A USP tem um setor que atende indústrias necessitadas de resolverem problemas tecnológicos. A Escola Politécnica tem uma aproximação forte com a indústria paulista. Mas, a USP quer preservar a liberdade acadêmica, sua independência e não se colocar, apenas, a serviço da indústria. Talvez, uma articulação maior com o setor produtivo venha ocorrer gradativamente.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2001)

JOGOS PARAOLÍMPICOS

Izabel Sadalla Grispino *

O mundo desperta com mais vigor para a educação do deficiente, dos portadores de necessidades especiais (PND). Descobre-se que suas potencialidades, quando bem trabalhadas, levam-no a realizações inesperadas.

Terminaram recentemente os Jogos Paraolímpicos, organizados logo depois dos Olímpicos, na mesma cidade e instalações, em Atenas, Grécia. No período de 17 a 28 de setembro competiram 3.857 atletas paraolímpicos, representando 145 países. São atletas portadores de deficiência mental e física. A competição tem uma tradição de 44 anos. O Brasil paraolímpico é bem superior ao olímpico. Possui uma das melhores equipes, tem 9 recordes mundiais. Em Sydney conquistou 22 medalhas, seis delas  de ouro. Para esses últimos Jogos Paraolímpicos, o Brasil enviou a maior delegação de sua história: 98 atletas de 13 modalidades. Teve a melhor participação do País, com 34 medalhas, sendo 14 de ouro, 12 de prata e 8 de bronze. O destaque foi o nadador brasileiro Clodoaldo Silva, que conquistou 6 medalhas de ouro e 1 de prata. Fechou sua participação no ponto mais alto do pódio.

Alguns esportes praticados são bem conhecidos, como o basquete de cadeira de rodas e a natação. Outros são novidades, como o futebol de 5, que aparece na Paraolimpíada pela primeira vez. Em dois tempos de 25 minutos cada um, jogadores cegos ou de pouca visão – que  usam tampões nos olhos para não ter vantagem – orientam-se pelo som. Há ainda o vôlei, goalball, hipismo, tênis, futebol de 5 para cegos – mencionado acima --, futebol de 7 para paralisados cerebrais, halterofilismo, judô, tênis de mesa, ciclismo e atletismo.

É emocionante notar como os deficientes fazem de tudo, hoje em dia. A Paraolimpíada dá a oportunidade de o deficiente mostrar o quanto é capaz, em termos de concentração, de raciocínio, de superação de si mesmo.

Os jogos Paraolímpicos reforçam o conceito de valorização da educação do aluno deficiente. No estudo de um novo idioma, por exemplo, ultrapassam a barreira da língua materna. Muitos deficientes visuais e auditivos freqüentam aulas regulares, com sucesso, em inglês, espanhol, italiano e outros idiomas. Usam material em braile, fazem leitura dos lábios, contam com programas avançados de computador. Mostram-se animados, com vontade de aprender. Os que têm deficiência auditiva se valem, também, do aparelho para audição.

O importante na aprendizagem do deficiente é observar o ritmo e as características de cada um, dar-lhe o apoio que necessita e usar material didático adequado. Introduzi-lo na sala de aula comum, com os outros alunos e incentivá-lo a participar. Segundo os fonoaudiólogos, apenas deficientes auditivos oralizados, isto é, que conseguem ler lábios e reproduzir os sons, podem participar das aulas normais de idiomas. Os que têm perda profunda de audição precisam de um professor que saiba a língua dos sinais.

Segundo o relatório “Monitoramento Internacional dos Direitos dos Deficientes”, elaborado pela Rede Internacional de Deficientes e pelo Centro para a Reabilitação Internacional, divulgado no início de setembro p. passado, o Brasil, entre 24 países pesquisados, é o País das Américas que assegura a melhor proteção e tratamento aos deficientes físicos. O que influenciou esse resultado foi a legislação que, entre outros fatores, assegura cotas de contratação nas empresas, garantias constitucionais de apoio financeiro e proibição da discriminação no trabalho.

Mas, em termos de realidade, pouco se faz no cumprimento dessas vantagens, para que o País seja realmente inclusivo no trato do deficiente. A reserva de mercado aos deficientes, com cotas obrigatórias, estabelecidas pela legislação, em empresas com mais de 100 funcionários, nem sempre é cumprida. Há ainda o obstáculo da locomoção que impede a chegada e a permanência do deficiente no emprego. Do mesmo modo, a reserva de 5% das vagas para os concursos públicos tem seu privilégio esbarrado pelas condições de acesso à educação. O deficiente não consegue trabalho ou estudar porque não tem acesso ao local do emprego e à escola. A lei da reserva de vagas para os concursos públicos, regulamentada em 1988, em que pese a boa intenção, deveria adequar a escola, o sistema de saúde, o transporte público, para atender a demanda dos interessados, garantir a sua participação efetiva na sociedade.

Um outro contra-senso, outro desencontro entre legislação e realidade, é a garantia do direito de voto, que deveria ser acompanhada do direito de acesso ao local de votação. No segundo semestre deste ano – 2004 – o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, incongruentemente, que os deficientes que não possam chegar aos locais de votação estão dispensados. Somente 20% dos postos de votação do País estão equipados para receber portadores de deficiências. Diante desse parecer, haverá interesse em equipar os demais?

Segundo o Censo do IBGE, realizado em 2000, o Brasil possui uma população de mais de 24,5 milhões de brasileiros portadores de algum tipo de deficiência. Dentre os deficientes visuais, 159.824 responderam que são incapazes de enxergar. Dos brasileiros com deficiência auditiva, 176.067 disseram que são incapazes de ouvir. Em cada 100 brasileiros, no mínimo 14 apresentaram alguma limitação física ou sensorial. O número é elevado e merece toda nossa atenção, toda atenção governamental.

Percebemos que ainda há muito que fazer pelos deficientes, ultrapassar os limites da legislação, legislação que colocou o Brasil como o melhor País das Américas no tratamento do deficiente. Quantos anos ainda levaremos para dar condições apropriadas para que o deficiente possa exercer, com dignidade, sua cidadania?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro de 2004)

LIBERADA A EXIGÊNCIA DO CURSO NORMAL SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

 

No ano 2000, o Ministério da Educação fixou que os professores, de todos os níveis da educação básica, depois de 2007, deveriam ter o diploma de graduação, para trabalhar na rede pública de ensino. O curso normal, o antigo magistério, por si só, não credenciaria mais o aluno a lecionar. Teria que ser complementado por um curso de formação de professores, o normal superior.

Desde então, os cursos de formação superior começaram a aumentar. Atualmente, há 668 cursos cadastrados no MEC, isto é, com autorização para funcionar. No ano 2000, havia apenas 110 cursos no País. O censo realizado pelo Ministério em 2001 mostrava a existência de 306 cursos, sendo 239 em instituições públicas e 67 em particulares.

A Universidade Estadual Paulista (Unesp), preocupada com a formação adequada dos professores, através do programa Pedagogia Cidadã, está formando 4.500 profissionais de redes de ensino municipais no Estado. Segundo Wilson Galhego Garcia, responsável pelo programa, cerca de 15 mil professores paulistas participam, atualmente, de cursos superiores, organizados em convênios de universidades e secretarias de educação.

Essa exigência do curso superior foi, sem dúvida, a mola que propulsionou a busca de melhor formação docente. Sabemos que a qualificação profissional tem estreita relação com o aproveitamento do aluno. O Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), realizado pelo Ministério da Educação, comprova a constatação acima. Alunos da rede pública ou particular, cujos professores cursaram ensino superior, têm nota 10% maior que a dos alunos cujos professores fizeram apenas o antigo magistério. É uma diferença significativa que mostra que a formação deficiente do professor repercute na formação deficiente do aluno. Comprovadamente, a formação docente define o desempenho do aluno.

Pelos resultados do Saeb, os alunos de professores que apenas cursaram o magistério tiveram notas médias de 154,3 da rede pública e 199,1, da rede particular. Os alunos com professores de melhor formação tiveram notas 168,2 da rede pública e 217,2, da particular. Os especialistas do Saeb consideram diferenças acima de 12 pontos importantes. A pontuação do Saeb varia de 125 a 425.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) informa que há no País 772.500 professores sem formação superior, atuando no ensino infantil ou nas 1.ªs séries do ensino fundamental (1.ª à 4.ª série), o que representa 72% do total de profissionais nesses níveis de ensino. O Conselho Nacional de Educação (CNE) menciona 86 mil professores que nem sequer cursaram o ensino médio e trabalham na educação infantil, em creches, educação de jovens e adultos e no ensino fundamental.

A exigência do curso normal superior para quem cursou ou cursará o normal até 2007 acaba de cair por terra por um parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE). Nesse parecer, o Conselho autoriza os professores do ensino infantil, que atende crianças de até 6 anos de idade, e das quatro 1.ªs séries do ensino fundamental, a lecionarem sem a formação superior. O Conselho Nacional de Educação apoia-se na interpretação dada à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996.

A Lei no artigo 62 prevê que deve ser exigido dos professores de educação infantil e de 1.ª à 4.ª série apenas o curso normal. Porém, nas Disposições Transitórias estabelece que “até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior”. A Década da Educação começou um ano depois da sanção da LDB.

Uma primeira interpretação, dada a esse instrumento legal, foi de que, a partir de 2007, apenas quem tivesse diploma de curso superior poderia continuar a exercer o magistério.

O atual Conselho Nacional de Educação interpreta a lei diferentemente e apoiando na expressão: “a ser admitido” do artigo 87 estipula que a formação mínima a ser exigida é a do curso normal para quem já exerce o magistério na educação infantil e nas 4 séries do ensino fundamental e para os que se formarem até 2007.

É evidente que para o nosso decadente ensino público a primeira interpretação, qual seja, a de exigir o normal superior até 2007, é bem mais apropriada. Difícil deixar a critério, sobre a freqüência ao curso superior, de um profissional mal remunerado, sem tempo e sem dinheiro para prosseguir os estudos.

Entendo essa última interpretação como recurso à ausência, já confirmada, de professores habilitados para o exercício do magistério. Seria um tapa buraco, principalmente, em regiões mais carentes desse profissional. Mas, é preciso que o professor se alerte porque, gradativamente, o normal superior avançando poderá acabar encampando os que só terminaram o curso normal, em nível de ensino médio. Certamente, os critérios não foram publicados, mas na classificação deverá levar vantagem aquele que apresentar diploma de curso superior.

Fazer um curso superior será sempre um diferencial.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2003)

ESTAREMOS ASSISTINDO A UM PRENÚNCIO DE DECADÊNCIA DO ENSINO PÚBLICO SUPERIOR?

Izabel Sadalla Grispino *

Já começam a pipocar, espaçadamente, observações preocupantes referentes à estrutura de sustentação do bom ensino público universitário. Nesse último qüinqüênio, a universidade pública vem perdendo, gradativamente, professores do mais alto gabarito para o setor privado. Salários estacionados, precários, desestímulo à carreira, condições de trabalho a desejar, motivam a passagem. Perdas, também, pelo fator aposentadoria, quando os professores, receando alterações desfavoráveis na legislação previdenciária, se apressaram no pedido da aposentadoria.

Já há algum tempo vem-se denunciando a instável situação das universidades públicas. Em fins de 1997, quando o MEC, por seu Programa de Modernização e Qualificação do Ensino Superior, aplicou recursos na compra de equipamentos de laboratórios e de hospitais universitários, em projetos  de  melhoria  da graduação, o prof. Odilon Marcuzzo de Castro, da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais do Ensino Superior (Andifes), questionou este investimento em infra-estrutura. Disse que a capacidade de as universidades poderem usufruir dessas melhorias ficava inibida, porque não tinham condições de investir em pessoal qualificado. “Não há dúvida de que os incentivos em laboratórios, em infra-estrutura... sinalizam políticas de melhoria do sistema, mas para ter qualidade é preciso ter profissionais preparados e, hoje, os professores têm sido atraídos por salários do setor privado.

Ainda mais recentemente, em abril passado, quando da reivindicação dos funcionários, da área científica, por melhores salários, o presidente da Associação de Funcionários da Fiocruz (Asfoc), Álvaro Nascimento, disse que “o montante destinado à ciência e tecnologia, anunciado pelo presidente, é ridículo. A maioria dos países investe entre 2 a 3% do PIB em pesquisa científica. O investimento no Brasil fica abaixo de 0,5%. Há um esvaziamento de cérebros das instituições porque os cientistas trocam o salário de R$ 2.500,00 pelo de US$ 7 mil na iniciativa privada”.

São fatos de se lamentar, visto terem as nossas universidades públicas, tanto no ensino quanto na pesquisa, conseguido manter, ao longo dos anos, um padrão de alto nível. Todos os países desenvolvidos preservam seu padrão de excelência, pois dele advém as grandes cabeças pensantes, os grandes avanços, capazes de colocar o país em patamar superior, em situação de supremacia.

Estaremos nos arriscando a perder esse padrão tão desejável, tão imprescindível ao conceito de uma nação? Cairão as nossas universidades públicas em descaso crônico dos governos, como aconteceu com o ensino fundamental e médio? A situação atual da USP, em relação à falta de professores, é preocupante. Para contornar a situação, as universidades têm contratado educadores em regimes alternativos – não por concurso, como seria normal, mas apenas para dar aulas. São professores que não têm vínculo com a instituição, ganham por aula – 12 horas de aula ao mês, recebem R$ 260,00 – não desenvolvem pesquisa, como vem acontecendo com a Escola de Comunicação e Artes (ECA) e outras mais. Quem explica é Jair Borin, Chefe do Depto. de Jornalismo e Editoração da ECA/USP.

A falta de professores começa a causar sérios danos. Alunos de graduação de História e Geografia da Universidade de São Paulo (USP) correm o risco de não se formar no prazo previsto para os referidos cursos. Não há professores em número suficiente para cobrir todas as disciplinas do currículo, por isso, os departamentos deixam de oferecer matérias optativas. Sem estas matérias, o aluno não obtém créditos suficientes para concluir seus estudos no prazo determinado. Isso ocorre no fim do curso, que é quando as optativas se concentram. Em Geografia, das 46 disciplinas previstas no currículo, 21 estão sem professores; em História – pasmem! – o déficit de professores levou a direção do curso a suspender a oferta de optativas no semestre! Para operar com um mínimo de condições didático-pedagógicas, a faculdade precisaria contratar, de imediato, cerca de 30 profissionais.

“Temos a pior relação professor/aluno de toda a história da USP, perto de 33 estudantes para cada professor; enquanto a média da universidade é por volta de 13 para 1”, diz Francis Henrik Aubert, diretor da FFLCH/USP.

A falta de recursos é a principal dificuldade da USP para substituir os professores aposentados. Essa situação vem se estendendo sem que, politicamente, se encontre uma saída para ela.

A formação do futuro profissional está sendo comprometida. As universidades trabalham com classes superlotadas, apresentando uma estrutura prejudicial à qualidade do ensino. Por falta de professores, os alunos acabam escolhendo uma disciplina que não tem nada a ver com seu curso, só para conseguirem os créditos e terminar o curso mais rápido. Alunos de História, por exemplo, se inscrevem em disciplinas de Letras, porque em História não está sendo oferecida nenhuma optativa. Ainda, oferecem-se menos turmas de cada disciplina e assim nem todos conseguem se matricular, a concorrência aumentando leva à seleção, com criação de pré-requisitos. Há sobrecarga para o professor, que fica com excesso de alunos na sala de aula, acarretando prejuízo pedagógico. Cursos há, como de trabalho de campo, em Geografia, que em geral são 40 alunos por turma, por falta de professor, chega a quase 90. Também em outros cursos, como Letras, Ciências Sociais e História, as salas ficam repletas com 100 e 120 alunos. “Mal dá para discutir. Está tudo precário”, avalia o aluno Pedro Falco, segundanista de Letras.

Nota-se uma lastimável inadequação da universidade às suas necessidades. Ela vem sendo usurpada de sua competência, arcada com problemas produzidos por políticas educacionais desencontradas. Ao poder público compete equipar humana e materialmente a instituição, a criar condições de infra-estrutura para que ela não perca sua eficiência, seu comprometimento com as transformações e as conseqüentes necessidades sociais.

Se abandonada pelos cofres públicos, como esperar que se mantenha no padrão de excelência que sempre a caracterizou? Estará havendo porta aberta para a privatização do melhor ensino superior do Brasil, do ensino que nos honra e nos orgulha? Será esse o caminho desejado pela sociedade brasileira?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2000)

A POBREZA E O ENSINO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

A realidade brasileira é marcada por forte desigualdade social e um caminho a trilhar, nessa direção, é a educação. O acesso ao 3.º grau é uma das formas mais seguras de ascensão social no Brasil. A população carente começa a entender o processo, a necessidade de se cursar uma universidade para se afirmar socialmente.

 

CONCLUSÕES SOBRE O RESULTADO DO ÚLTIMO ENEM

Izabel Sadalla Grispino *

Precisamos incentivar, reconhecer as boas escolas, não desanimar o ensino público.  Mas,  como  fechar os olhos diante de uma imensa rede de escolas públicas despreparadas, dotadas de fraca infra-estrutura, sem laboratórios de ciências, de informática, sem bibliotecas atualizadas, com jornais e revistas, com segurança ao deus-dará e com professores, na grande maioria, mal formados?

É preciso investir, de verdade, na classe popular, não apenas lançar discursos inflamados, em épocas de eleições. Na prática, usa-se a estratégia do tapa-buraco, dos arranjos e remendos provisórios.

Pesquisas têm mostrado que os professores da rede pública chegam a ser tão carentes quanto os seus alunos. Ganham mal, trabalham muito, não têm estímulo, nem dinheiro para investir na sua atualização, no seu aperfeiçoamento profissional. Os alunos, por sua vez, estão longe de conviver com um ambiente familiar que propicie a cultura, nem têm com quem falar sobre as coisas que acontecem ao seu redor e no mundo.

Essa falta de contacto do estudante com o conhecimento acaba por dificultar o pleno desenvolvimento de suas potencialidades, dificultar o desenvolvimento das competências e das habilidades. O mais comum é ele freqüentar a escola sem motivação por parte de sua família. É um quadro desolador que reforça a inferioridade educacional do estudante pobre e que acentua as desigualdades sociais.

Não nos causou surpresa o resultado do último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), noticiando que alunos das grandes escolas particulares do País são os detentores das melhores notas. No ensino público, a média mais alta chega a 41%, no limite de que o Enem considera ruim (40%). No privado, quase atinge a excelência, com 68%, com algumas escolas conseguindo nota acima de 70%.

Os jornais estampavam a receita das escolas campeãs: bons professores e boa infra-estrutura. São professores bem informados, bem preparados, atualizados, utilizando-se de uma metodologia avançada, que leva o aluno a produzir. Os alunos dessas escolas vão às aulas motivados pelas famílias, que pensam em deixar para os filhos a educação como herança.

O Enem revelou não apenas a disparidade entre escola particular e escola pública, mas, desigualdade entre escolas públicas do País e desigualdade entre as escolas particulares. Em São Paulo, o resultado de 10 escolas públicas assemelha-se ao das escolas particulares. São escolas tidas como grupos de excelência, ligadas a universidades, centros tecnológicos ou a militares, escolas existentes também em outros Estados do País e que apresentam muito bons resultados. No ensino público, os alunos que obtiveram melhor desempenho são oriundos de escolas técnicas.

Outras conclusões do Enem são possíveis assinalar:

a) Na rede particular, a avaliação revela que vários colégios particulares, com mensalidades caras, oferecem ensino precário, tendo seus alunos obtido resultados semelhantes aos de escolas públicas, fator que revoltou muito os pais, que não viram resultado de seus sacrifícios!

b) As escolas públicas com pior desempenho são as situadas nas zonas rurais e as que oferecem ensino do antigo supletivo: alunos da Educação de Jovens e Adultos (Eja). Alunos do Eja não revelam perfil de quem quer cursar o ensino superior.

Os resultados do Enem também mostram as desigualdades entre as regiões do País. As 6 piores capitais, segundo as médias de seus alunos, estão na região Norte, das 7 melhores capitais, 6 estão nas regiões Sul e Sudeste, mostrando as disparidades regionais.

O Enem é um exame realizado pelo MEC para concluintes do ensino médio. Ele não é obrigatório e sua nota é aproveitada em vestibulares e no programa de bolsas do governo federal, o ProUni.

O Enem é elaborado segundo as novas diretrizes curriculares do ensino médio, não é dividido em disciplinas e afere habilidades e competências dos alunos. Não mede conteúdo; pede interpretação de textos, relações e leitura de gráficos.

Os resultados do Enem apresentaram uma radiografia desfavorável ao conhecimento dos alunos que terminaram o ensino médio. Fala-se em investir no ensino médio, mas de que valerá investir num ensino médio com alunos egressos de um ensino fundamental fragilizado da rede pública? Uma boa educação depende de um percurso bem feito ao longo de todo processo. Precisa de um bom alicerce e o nosso não é bom.

A má qualidade do ensino público fecha a principal via de ascensão social para estudantes de lares pobres! A nossa desigualdade educacional cria um sistema de ensino de, pelo menos, dois níveis, um beneficiando pessoas bem nascidas, projetando-as socialmente, e outro, das pessoas carentes, deixando-as no anonimato, na marginalização social.

* Supervisora de ensino aposentada.             
(Publicado em março/2006)

O CAMINHO DA REABILITAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Diante de um mercado de trabalho cada vez mais exigente, a qualificação é chave para a profissão. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE, em setembro de 2006, dá, novamente, seu sinal de alerta: “A educação brasileira continua muito abaixo dos padrões necessários a uma economia dinâmica e competitiva – capaz de aumentar sua presença no mercado mundial, condição básica para a geração de emprego e redução da desigualdade social”.

A cada passo da avaliação da educação básica, mais a presença da necessidade da intervenção nessa educação. São fatos mensurados pelas estatísticas, revelando um ensino sem qualidade, cujos efeitos negativos se espalham pelas atividades sociais, essenciais ou secundárias, comprovando uma política educacional ineficaz.

Ajudas parciais às escolas, por parte da sociedade civil, vêm acontecendo, há algum tempo. São ajudas limitadas, destinadas a algumas e que trazem benefícios educacionais comprovados pelas avaliações oficiais. Porém, a grande maioria das escolas fica restrita ao debilitado sistema oficial, sem chances de crescer.

Dentre essas ajudas está a Fundação Abrinq. Essa Fundação abriga um programa “Crer para Ver”, que tem como objetivo apoiar iniciativas e dar meios para a criatividade florescer dentro das escolas públicas.

Fundações há que fazem parcerias com escolas públicas, fornecendo equipamentos, material de apoio didático-pedagógico, promovem a reciclagem de estudos dos professores, acompanham, passo a passo, a atuação da escola, o nível de aprendizagem dos alunos, as avaliações e exigem dela uma performance primorosa.

O movimento empresarial “Todos pela Educação”, lançado em setembro de 2006, quer alcançar a consciência nacional de ajuda à educação. O propósito é criar uma mobilização social em favor da educação, ensinar a sociedade cobrar educação e educação de qualidade.

São movimentos auxiliares, com resultados parcelados, porque não conseguem uma unanimidade, um alcance global da educação básica.

A idéia lançada pelo professor Eduardo Giannetti da Fonseca, propondo um exame nacional unificado, no final do ensino fundamental, que venha credenciar a certificação desse ensino, é, no mínimo, digna de ser considerada. É uma proposta compacta, plausível, objetiva, que deve ir formando o imaginário dos educadores. É um caminho aberto, em que, certamente, sugestões virão, virão outras propostas, que, na confrontação, surgirá a melhor proposição.

Algo de concreto precisa acontecer. O ensino básico, ensino de alicerce, é prioridade na pirâmide educacional. Temos, para um País que se quer desenvolvido, uma educação descontrolada, anacrônica, decadente, precisando ser encarada. A exclusão social, que vem acontecendo em larga escala, é provocada, não pelos anos de escolaridade, mas pelo péssimo ensino público.

Constatar a ineficiência do sistema educacional, deixando de fazer as mudanças necessárias, significa permanecer na discussão inútil, estéril, sem avançar na prática educativa, no acesso à profissão de qualidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(publicado em novembro/2006)

CAMINHOS ALTERNATIVOS PARA A APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino*

A qualidade de ensino das escolas públicas continua sendo um grande desafio. As estatísticas multiplicam-se em seus resultados desabonadores. Mostram que 54% das crianças que estão na 5.ª série do ensino fundamental lêem mal e não conseguem interpretar o texto lido. O mais cruciante são as crianças que ficam fora da escola, expostas a todo tipo de violência: exploração sexual, trabalho infantil, direitos violados. Essas crianças, vivendo o abandono, a ausência de valores, transformam-se, com facilidade, em marginais, em delinqüentes. Estudos têm demonstrado que violência é menos fruto da pobreza que do desequilíbrio social. Ela resulta, preferencialmente, da desigualdade, do confronto entre riqueza e pobreza, da pobreza dentro da riqueza. Resulta de uma juventude desarticulada em seus valores, sem rumo.

A sociedade precisa encontrar respostas a essa juventude, fazê-la ter perspectivas de novos horizontes. Reforçar a bolsa-escola é um procedimento que se faz urgente. Preparar o professor para receber e reter essas crianças no recinto escolar é outro procedimento urgente. Preparar diretores para se ocupar da parte pedagógica, envolver-se mais com os projetos acadêmicos e menos com o prédio escolar ou com as questões burocráticas. Preparar a escola para incentivar a participação comunitária. Oferecer aos professores educação continuada, de preferência na própria escola, estimulando a formação permanente.

Fazer a criança, o jovem e o adulto estudar é ponto crucial para se enfrentar a grande desproporcionalidade socioeconômica reinante. Um outro recurso educacional, que vem crescendo a cada passo e que deve ser passado à comunidade, é a viabilidade do estudo a distância. Apostilas pelo correio, telecursos na televisão e pós-graduação por videoconferência são alternativas para quem não pode ir à escola e quer estudar. Estamos em plena era da alta tecnologia, quando se fazem pesquisas e mesmo operações bancárias via internet. Fala-se com grupos de pessoas em teleconferências, acompanham-se as imagens, em tempo real, de guerras longínquas pela TV.

Encaminhar o jovem e o adulto para cursos a distância é porta aberta em direção aos estudos. Orientá-lo, quando for o caso, a freqüentar um supletivo a distância. No Estado de São Paulo, o Instituto Universal Brasileiro, por exemplo, funcionando desde 1941, oferece cursos técnicos e supletivo de ensino fundamental e médio por um preço bastante acessível. O curso é de 24 parcelas de R$ 26,00 e a maioria dos alunos tem mais de 25 anos. O Instituto Monitor, com 63 anos de funcionamento, oferece mais de 30 cursos a alunos de todo o Brasil. Inclui ensino fundamental, médio e cursos técnicos de eletrônica, contabilidade, secretariado, transações imobiliárias e informática. A média de idade dos alunos é de 35 anos e 52% são homens. Há um plantão permanente de dúvidas, que pode ser acessado pela internet, fax ou carta. O Instituto Universal Brasileiro e o Instituto Monitor são reconhecidos pelo Conselho Estadual de Educação, órgão fiscalizador.

O Telecurso 2000, aulas televisivas, desenvolvido pela Fundação Roberto Marinho em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), apresenta uma metodologia dinâmica, em aulas baseadas na realidade, que se desenvolvem através de situações do cotidiano e interpretadas por atores que se revezam com as explicações dos professores. Os diplomas oferecidos aos alunos são reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC). Desde 1978 no ar, os telecursos são transmitidos por 10 emissoras do País, a rede Globo e mais 5 canais educativos. As aulas podem ser assistidas em telessalas, existentes em grande número por todo o País, que têm vídeo, orientador capacitado no uso da metodologia e material pedagógico de apoio, ou assistidas em casa. Quem assiste aos telecursos em casa pode adquirir o material didático em livrarias ou bancas de jornais. As provas finais devem ser agendadas pelas secretarias municipais de educação. Uma infinidade de brasileiros utiliza-se do Telecurso 2000.

Em rede de conhecimento, nas ondas cibernéticas da internet, surge a interatividade, o grande fator de estimulação e de abrangência. Essa rede vem se espalhando como instrumento de ensino para profissionais de empresas, nas chamadas universidades corporativas. A Petrobrás, com 27 anos de experiência, é uma das pioneiras em educação a distância. Ela faz uso dos mais variados veículos, tem uma grande variedade de cursos, tanto pela internet (ensino conhecido como e-learning), como com mídia impressa e TV. Mantém, atualmente, 45 salas de videoconferência, oferecendo, inclusive, cursos de mestrado, em parceria com universidades. Para atender a necessidade do aluno, este pode defender, por exemplo, uma tese estando numa plataforma em Manaus, assistido pelo professor em São Paulo, com uma banca de jurados em Brasília, todos seguindo a apresentação em tempo real.

O MEC mantém alguns programas, desenvolvidos pela Secretaria de Educação a Distância, como a TV Escola, que envia televisores, antenas e fitas de vídeo aos colégios; o Programa Nacional de Informática na Educação, com distribuição de computadores para a rede pública; e o programa de complementação para professores que não têm habilitação pedagógica, entre outros. Para a pós-graduação lato sensu a distância, 4 universidades aprovadas pelo MEC oferecem cursos de licenciatura para professores da rede pública, no ensino fundamental.

Os cursos a distância são caminhos que chegam a um lugar de sol. São pontos  de apoio para uma juventude que busca sua auto-afirmação. É preciso que se passe avante tais possibilidades, que escola e meios de comunicação divulguem os cursos a distância, fazendo o povo deles tomar conhecimento e deles tirar proveito.

Caminhos para a educação devem ser expostos e incentivados a trilhá-los. Neles estão a salvaguarda da igualdade, da liberdade e da fraternidade.


* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em maio/2004)

A INTRANQUILIDADE DAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

Como gostaríamos de passar notícias boas sobre a educação pública brasileira, diferentes das que vêm sendo veiculadas pela imprensa. Porém, diante da realidade, revelada por pesquisas sérias, seria procedimento ingênuo, ilusório.

Pode até existir exceções, mas no final, a escola acaba sendo envolvida, arrastada, pelo meio social no qual se insere. Dificilmente, a escola hoje se sente segura. Tem medo do entorno, da violência das ruas que entra nela e da própria violência que existe dentro dela: brigas, furtos, rebeldia, alunos que não aceitam repreensão, seja por notas ou por comportamento e provocam estragos. Alunos que se espelham em traficantes e assaltantes, considerando-os heróis “porque eles andam de golf enquanto nós andamos a pé”.

A realidade das grandes cidades entrou nas escolas. Uma recente pesquisa, janeiro de 2006, coordenada pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), sobre a realidade das escolas, mostra que estudantes e professores vêem a escola pública como um local para se tomar cuidado.

A intranqüilidade toma conta da escola. Ela deixou de ser, de 10 anos para cá, um lugar seguro, como era no passado. Segundo a pesquisa, a percepção da violência começa nas pequenas coisas, como furtos. Os furtos são freqüentes nas escolas e o pior é que os estudantes já vêem a situação como natural: “Se pega é porque não tem, é só comprar outro”. O furto sendo visto com normalidade, fica difícil para os professores encararem essa situação. O ato permanece sem conseqüências, comumente a direção não toma providências, e leva a violência para além dos prejuízos materiais. A pesquisa assinala que quase 20% dos jovens dizem já ter batido em alguém, dentro da escola. Cinco por cento admitiram já ter apanhado.

Um outro aspecto da pesquisa foi notar a agressividade das meninas. Quase 10% delas dizem ter agredido alguém e 3% admitem ter apanhado. Geralmente, elas andam em grupos e agridem colegas que estão usando uma roupa diferente, um tênis da moda ou material escolar mais caro.

As meninas estão tendo reações típicas dos meninos, brigam por xingamentos ou por estar olhando feio uma para a outra. Nesse ambiente de confronto, a violência, às vezes, surge como uma maneira de aprender a se defender. A grande tarefa é melhorar o ambiente escolar.

Há, também, com muita freqüência, invasão, por pessoas de fora da escola. A pesquisa fala que em 55,8% das instituições pesquisadas houve invasões e em muitos casos o objetivo era bater em estudantes. O ambiente no entorno é pesado e colabora com a desordem. Há relatos de roubos, tiroteios e brigas perto das escolas.

Esse cenário de violência traz conseqüências de convivência, de relacionamento entre os alunos  e alunos e professores, dificultando a aprendizagem e até mesmo a permanência na escola. Alunos e professores sentem medo da criminalidade no ambiente escolar.

O clima de insegurança no pátio e na sala de aula arrefece o ensino-aprendizagem. A violência abala os fundamentos das práticas pedagógicas.

A conclusão da pesquisa é de triste situação. Diz a pesquisadora: “Vejo a escola profundamente infeliz, que não se consegue pensar, se relacionar com a juventude, que tem de ensinar. Sobre uma enorme frustração”.

Num ambiente como esse, marcado pela violência, pelo medo, como ressurgir para o desenvolvimento, ostentado pelas grandes nações? Como investir nessa direção? Como mudar as condições sociais que atingem educação e criminalidade?

Essas questões têm suscitado posicionamentos de educadores. Uma grande idéia vem surgindo, a do pertencimento. Levar o estudante a engajar-se em problemas sociais de sua comunidade, fazendo-o sentir um membro integrante dessa comunidade. Integrá-lo ao modo de vida do lugar onde vive, buscando melhorá-lo. Atrelando-se o estudante a compromissos sociais, é um valioso instrumento que vai refletir sua auto-estima, na sua identidade.

Esse é um dos encaminhamentos a que a escola deve postular. Incluir, ao conhecimento, o sentido de pertencimento, de abraçar os valores da comunidade, de melhorar o ambiente, o aluno enfincando raízes no seu passado. Não é educação só em escola, mas no meio em que vive o aluno.

Diz Gilberto Dimenstein que uma pessoa que não tem o senso de pertencimento pode aproximar-se com muito mais facilidade das drogas e está muito mais predispostas à utilização da violência, porque não tem nada a perder. Reforça o seu pensamento, dizendo: “As universidades precisam inserir os jovens rapidamente em estágios, em trabalhos comunitários, para que o estudante comece a lidar com a realidade”.

Sabemos que esse é um processo a médio e a longo prazo, mas é também uma grande possibilidade de redimir a juventude, de fazê-la sentir que, por detrás dela, há uma estrutura de vida, de família que ela precisa preservar. Essa propositura deve vir acompanhada de um policiamento sério, de um sério combate à violência, ao crime.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2006)

CONFLITOS ENTRE ESCOLARES

Izabel Sadalla Grispino *

A presença dos pais na vida escolar tem significativo valor para os estudos dos filhos e para a vitalidade das instituições. Crianças e jovens que freqüentam a escola têm, como é natural, temperamentos diferentes, o que provocam constantes conflitos. Muitas vezes eles mesmos conseguem administrar o problema, sem interferência externa, mas há os que apelam para os pais.

Desentendimentos entre alunos são comuns e variam de intensidade de acordo com a faixa etária. Entre os pequenos, na faixa de 1 a 6 anos, o que mais surge são apelidos maldosos, puxões de cabelo ou brinquedos quebrados.

O período mais crítico fica por volta dos 12 aos 17 anos e, entre estes, dos 13 aos 16 anos, quando a sexualidade dos meninos está em ebulição. O jovem, para ser aceito no grupo, tem que se sujeitar às suas regras, ao seu modo de falar, de vestir. O grupo coloca à prova valores familiares e próprios e quem não se enquadrar na “tribo”, quem ousar ser diferente, é massacrado sem consideração.

Quando a intimidação, por parte de um colega ou do grupo, é sistemática, quando caminha para a violência física, pressão psicológica, ameaças freqüentes, ela provoca danos emocionais, baixa auto-estima, baixa autovalia, que é a capacidade de se avaliar em relação ao grupo, levando a problemas de rendimento escolar.

As agressões por causa de garotas são comuns e se restringem comumente ao próprio grupo. Mas, brigas também existem fora da escola, quando a convivência cria rixas. A intimidação é comum mesmo entre meninas. Cria-se competição no âmbito da aparência. Quem não estiver com a roupa da moda ou com o corpo esbelto pode ser excluída do grupo e vira alvo de gozação.

Casos mais graves, como brigas envolvendo drogas, roubos e discriminação, exigem intervenção imediata. Nessas circunstâncias, a escola atua com a família, junta pais e escolares envolvidos. Não é raro a escola perceber que o comportamento do estudante é reprodução do que aprendeu em casa. São os próprios pais que muitas vezes incentivam a intimidação, na filosofia do “bateu, levou”.

Um bom procedimento para a escola é professores e alunos elaborarem um texto em conjunto, propondo normas disciplinares. Escolas renomadas têm regras disciplinares bem definidas que constam na agenda dos alunos. Contudo, a escola pode intimidar o aluno ao ignorar sua cultura, sua bagagem social. Antes de punir, deve inteirar-se de sua origem, olhar a raiz. De onde vem esse aluno? Como é sua família? Daí a importância de uma gestão democrática, de uma participação efetiva dos pais na vida da escola.

É na fase em que a personalidade está se moldado que a escola precisa trabalhar na integração do grupo. Muitas escolas criam o “momento da roda”, quando toda a classe se reúne para conversar. Esse é um valioso momento para se educar: se um coleguinha é caçoado por causa de seus óculos, aparelho nos dentes ou jeito, aproveita-se para falar, por exemplo, da importância de respeitar o modo de ser das pessoas. Pais e professores devem fazer cada um a sua parte, ensinando a criança a respeitar o outro e acolher as diferenças.

No seio da família, também surgem conflitos, não acontece só no convívio escolar. As exigências do mundo moderno cresceram. A família tradicional vem passando por um processo de mudança. O papel dos pais começa a ser questionado. Pai e mãe trabalham fora e se sobrecarregam de atividades e, geralmente, não há tempo para criar um espaço comum, não há tempo para o diálogo. Uma convivência menor com a família reflete no rendimento escolar, no número de horas que a criança ou o adolescente passa em frente da televisão, criando ansiedade, deficiência de atenção, hiperatividade e atraso no desenvolvimento. Problemas emocionais, como depressão e estresse, acabam acontecendo e a grande receita é amor, carinho, atenção.

Os pais, num determinado período da existência, são as pessoas mais importantes na vida dos filhos. As crianças precisam de uma família, de relações afetivas. Isso traz segurança, fator fundamental ao bom desenvolvimento infanto-juvenil.

Tanto na escola quanto em casa, as crianças não podem ser tratadas todas da mesma maneira. Uma estratégia pode funcionar para uma e não para outra. A personalidade, a individualidade devem ser respeitadas. Por isso, nunca se deve fazer comparações. Deve-se dar meios para que as crianças desenvolvam o que têm de bom e para que sejam orientadas em relação aos defeitos. Perfeição não existe, portanto, dosar as exigências. As crianças precisam desenvolver experiências adequadas à sua idade. Olhar para elas em todas as suas dimensões: biológica, afetiva, emocional e moral de forma integrada para que todos os aspectos do desenvolvimento e comportamento infantil possam ser envolvidos.

As crianças precisam de disciplina, de limites que estruturem a sua vida e lhes tragam boas respostas às expectativas criadas. Educar não é bater, não é fazer prevalecer a vontade dos adultos. A criança precisa galgar experiência, ter segurança para fazer suas escolhas e ter responsabilidades sobre eles. Educar para a autonomia, não para a dependência.

Também é oportuno lembrar que não se deve sobrecarregar as crianças de atividades, para fazer uma série de cursos extracurriculares, como judô, balé, natação, inglês... Elas precisam ter tempo para ser crianças, brincar, aproveitar a infância, os melhores anos da vida.

São nos primeiros anos de vida que se constroem as bases do futuro e a criança precisa ter esperança no futuro. Pais e professores devem conviver com as crianças de modo a integrá-las no meio em que vivem, a criar com elas cumplicidade e fortalecer os laços afetivos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2003)


A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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