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Artigos Educacionais

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CULTURA E FÉ

Izabel Sadalla Grispino *

Após a encíclica “Fides et Ratio”, do papa João Paulo II, o tema da razão e da fé tem suscitado as mais diversas discussões, nem sempre com a imparcialidade desejada. Por isso, o arcebispo Dom Cláudio Hummes achou por bem criar, na Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), um núcleo de estudos que denominou “Cultura e Fé”.

Já na reunião inaugural, eminentes professores da área, como Paulo Nogueira Neto e Ana Lydia Sawaya, mostraram que os primeiros habitantes da Judéia, que há milhares de anos receberam a mensagem revelada do gênese, apesar do nível de seu analfabetismo científico, sabiam que o universo fora criado pelo “Big Bang” (“Fiat lux”). Conheciam, também, todos os fenômenos que deram conformação ao nosso planeta, ao longo dos 5 bilhões de anos, anteriores ao aparecimento do homem (águas, terras, plantas, peixes, animais) na incrível ordem que a ciência veio a revelar posteriormente e tal como estão descritos na Bíblia (nos 6 dias da Criação). Só após centenas e centenas de anos, veio a ciência confirmar o que os primitivos povos, sem noção de ciência, já sabiam por revelações. Foi ainda, mostrado, nesse núcleo de estudos, a previsão de São Pedro sobre o fim dos tempos. São Pedro, que não era especialista em astronáutica ou nas ciências siderais, em sua segunda carta, declarara que nos fins dos tempos a Terra será abrasada e consumida pelo Sol (elementa vero calore solventur), antecipando a tese de Carl Sagan, em seu livro “Cosmos”, que dá essa previsão como a mais provável, no momento em que o Sol explodir, daqui a uns 5 bilhões de anos, atingindo os planetas mais próximos (Mercúrio, Vênus e Terra), até se transformar numa estrela anã de densidade incomensurável. Tudo confirma não haver choque entre fé e ciência, antes, a ciência, por vir sempre atrás da fé, acaba por confirmar as verdades por ela reveladas.

Toynbee, em “Mãe Terra”, lamentava não poder dizer aos aficionados da razão, aos que querem crer que a razão pode tudo explicar, que Deus não existe. Quanto mais o homem evolui, mais percebe que suas verdades absolutas, em matéria de ciência, são relativas e, em grande parte, desmentidas posteriormente com novas descobertas, porque uma verdade científica só é valida até o momento em que se demonstra o contrário, por novos fatos supervenientes. A própria teoria da evolução de Darwin está hoje em pleno reexame científico, com as novas teorias fundamentadas na conformação do DNA, principalmente a partir do mapeamento genético.

Ainda para confirmar as verdades da fé, refletiremos um pouco sobre a vida de Jesus. Há, por exemplo, evidencias na vida de Jesus que não se podem contestar: Jesus era pobre, uma pessoa sem posses. Não era político, não tinha cargo público, não era um chefe de Estado, como Maomé. Comunicava-se em essênio, um idioma pouco conhecido; não deixou livros, nem sequer uma doutrina sistematizada, um texto básico, para o qual os apóstolos pudessem se servir a fim de propagar as suas mensagens. Três apóstolos, Lucas, Marcos e Mateus, se propuseram a registrar tudo o que testemunharam e através de seus relatos reconstitui-se a vida de Jesus. Ainda, os Evangelhos foram escritos de 40 a 80 anos após sua morte.

Porém, quem mais contribuiu para disseminar as idéias de Cristo, o cristianismo, foi um judeu de cidadania romana, que nem sequer conheceu Cristo pessoalmente. Chamava-se Saulo, era da cidade de Tarso. Numa viagem a Damasco, no ano 35, teve uma visão, na qual Jesus o chamava para reunir-se aos seus. Isolou-se por três anos, mudou o seu nome para Paulo, foi a Jerusalém e conheceu dois apóstolos, Pedro e Tiago. Fez quatro longas viagens evangelizadoras pelo mundo antigo e foi o principal pregador da fé cristã, a principal figura do cristianismo. Ele tomou os ensinamentos de Jesus compreensíveis por todos os povos.

A história conta que na cidade de Atenas teve uma grande desilusão. Pregando para um povo culto, adepto da racionalidade e da lógica, Paulo procurou adaptar o seu discurso pregando a existência de Deus e de Cristo, com métodos racionais. Os gregos não aceitaram e o vaiaram. Esse não era o caminho. Após muito refletir, sentiu a revelação da verdadeira mensagem cristã: Deus não precisava de uma doutrina lógica, seus desígnios não penetravam os humanos pelo corpo, mas, sim, pela alma. Explicações eram desnecessárias. Ele fazia revelações. Assim, para a crença cristã não há necessidade de comprovação científica, ela se apoia em uma revelação, em uma fé, que vai além da dimensão racional.

As limitações da ciência mostram a harmonia que deve existir entre ciência e religião. Essas constatações de fé e razão nos confortam, fortalecem a convicção. Imaginem o quanto é importante levar essas conclusões aos jovens, aos que estão com a alma em formação! No dia em que os jovens conhecerem realmente essas premissas básicas, certamente, se voltarão bem mais a Deus e, isso acontecendo, a possibilidade de uma reversão do comportamento social é bem mais promissora. A escola, os pais, a comunidade precisam investir nesse caminho.

Minha fé levou-me a fazer estes versos:

 

DEUS, ESSÊNCIA DA VIDA

A vida só tem sentido voltada a Deus,

Toda obra só se completa no Ser Sagrado,

Quanta agrura se inscreve até o último adeus!

Quanta esperança naufraga em barco furado!

No decurso da vida só há uma saída:

Alimentar os dias com a força do amor,

Acreditar no Encontro após a partida,

Deus é, desse turbilhão, a luz do esplendor.

O homem se empolga e se encaminha pela ciência,

Mas, mesmo a ciência sem fé é vazia,

Ilustra, mas não traz vital sabedoria.

Só as coisas do espírito têm consistência,

Podem não ser inteiramente racionais,

Mas, pra realização do homem, são essenciais.


* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2001)

 

 

SISTEMA DE CICLOS E PROCESSO DE AVALIAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Tem-se, hoje, que o fracasso do aluno decorre da ausência de um equacionamento entre identidade cultural e itinerário educativo. A escola tradicional não se preocupava com a origem do aluno, com o seu meio de vida e mantinha uma relação de conteúdo autoritário, um critério de avaliação rígido, limitado. Agora, o professor tem que apostar na capacidade de ousadia, de invenção do aluno, apoiar-se em seu potencial, tornando a avaliação um ponto que não pode ser fechado.

Como na pedagogia do educador francês Freinet, a concepção é de que o aluno não vai à escola para tirar notas, vai para aprender, para crescer, para se desenvolver. A avaliação do aluno deve ser individual, apoiada em suas aptidões. Anísio Teixeira já pregava, nos anos idos de 50, o ensino individualizado e conseqüente avaliação individualizada; o aluno sendo avaliado de acordo com sua capacidade, ajudando a afastar a repetência.

No sistema de ciclos, adotado no Estado de São Paulo e em outros Estados, no ensino fundamental, o aluno não tem seu aproveitamento avaliado através de provas periódicas, com notas, que, totalizadas no final de cada ano letivo, determinariam sua promoção ou sua retenção. Não há mais o calendário oficial de provas, mas ele não exclui a avaliação do aproveitamento do aluno.

Segundo o que dispõe a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a avaliação deve ser feita no dia-a-dia da aprendizagem, utilizando-se das mais variadas formas: participação em aula, atitude do aluno frente a aprendizagem, freqüentes verificações e anotações da assimilação dos conteúdos... A avaliação deve incorporar, à educação formal, a experiência de vida trazida pelo aluno de seu universo familiar, social e de trabalho. As disciplinas devem estar integradas, ajustadas a um currículo flexível.

Avaliar é diagnosticar o desenvolvimento do aluno ao invés de julgar. A principal função do processo de avaliação não é dar uma nota, mas aperfeiçoar as situações da aprendizagem e do currículo como um todo. É verificar se o aluno está aprendendo, se a proposta pedagógica está dando resultado, se a aprendizagem está no caminho certo.

Conhecer as medidas educativas ajuda a entender o processo de avaliação e o melhor meio de contemplá-lo. Vejamos, sucintamente, sua evolução através dos tempos.

No passado, não tão distante, os professores tentavam julgar o desempenho do aluno em função do que eles próprios sabiam e do que julgavam ter transmitido. Se o aluno assimilasse tudo que fora ensinado, tiraria a nota máxima. As notas variavam de zero a 10 e se regulavam pelos acertos. Esse era o chamado método autocrático de avaliação e dava ao professor ampla margem de arbítrio. Na evolução do processo, passou-se a reagir contra a adoção de padrões apriorísticos de avaliações, especialmente pelo teor de subjetividade. Não competia ao professor estabelecer de antemão o que o aluno devia saber. Pelo arbítrio, um professor benevolente podia aprovar a todos e um professor rigoroso reprovar em massa. Contam-se casos de professores que só atribuíam nota máxima a quem soubesse tanto quanto ou até mais que ele. São os representantes de avaliação centrada no professor.

Avançando no processo, contra a avaliação autocrática, surgiu a avaliação normativa – baseada no grupo de alunos. A referência não era mais a sapiência do professor, mas o aproveitamento médio da classe. Se todos os alunos apresentassem rendimento baixo, não seria  justo reprovar a todos. Ter-se-ia que indagar as causas desse resultado. Passou-se a questionar o potencial dos educandos, as condições ambientais, condições de vida, deficiências das aulas, falta de confiabilidade das provas e outros, o que já era um grande avanço. A avaliação normativa permite saber em que posto de percentil se encontra determinado estudante, ou seja, a sua classificação no grupo.

A teoria clássica da medida surgiu do interesse em medir aptidões dos indivíduos. Buscaram-se medidas capazes de discriminar entre indivíduos dotados de maior aptidão. O grau de aptidão de cada um era estabelecido em função do grupo, através das provas de desempenho. Mas, em determinadas situações, o interesse do avaliador consistia em estabelecer se cada indivíduo alcançou um conjunto específico de objetivos. Neste caso, ele não seria comparado com seu grupo, mas referido a um critério (um padrão de desempenho previamente especificado).

Da medida centrada no professor, evolui-se para a medida normativa concebida como discriminatória dos diferentes indivíduos, chegando-se à medida baseada em critérios. Esta preocupa-se com a seqüência e individualização da instrução que surgem das unidades e módulos progressivos. Concluiu-se que a norma incentiva a rivalidade e compromete o autoconceito de alunos de baixo desempenho e passou-se a se preocupar com o rendimento mínimo.

Para a medida baseada em critério, uma vez estabelecidos os objetivos essenciais, em termos de comportamento, cumpre verificar se o  aluno  atingiu  as  metas prefixadas. Sua posição relativa ao grupo seria questão secundária. O aluno é avaliado por um conjunto específico de objetivos. Seus princípios são  usados em programas de instrução individualizada, instrução programada.

A avaliação baseada em critério é importante porque ressalta a necessidade de um rendimento mínimo. Exigência que requer o desenvolvimento das habilidades básicas essenciais, adquiridas antes das habilidades hierárquicas superiores.

Todas essas medidas educacionais são de importância e cada uma terá valor maior, dependendo do momento da aprendizagem e do objetivo a que se propõe. As várias abordagens não se excluem, antes se completam. Contudo, o professor, seja qual for a medida a tomar, não pode esquecer que a parte mais importante, em determinadas circunstâncias, é o potencial do aluno. O professor, conforme o momento, avalia o desempenho, as diferenças individuais, a classificação hierárquica e o potencial do aluno. Acima da norma ou do critério, o foco central da avaliação é o aluno em sua originalidade e unicidade. Propõe-se que na educação fundamental a aferição do conhecimento deve ser feita em função das aptidões da criança. Nesse grau de ensino, a posição do aluno em seu grupo, o grau de desempenho que atingiu não é tão importante. O fato de ter ele transformado em ato o seu potencial é que deve ser considerado. A visão pedagógica, em relação aos ciclos, é de que “se as virtualidades do aluno foram realizadas, deve ele ser promovido; seria inútil reprová-lo, tanto mais quando é certo que a educação é obrigatória até os 14 anos”

A norma, o critério e o potencial são componentes da avaliação, conforme as circunstâncias, um dos componentes reveste-se de maior relevância. A finalidade a que a aprendizagem se destina é que vai dizer, em cada caso, qual dessas medidas deve ter maior peso.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2001)

A EDUCAÇÃO ESPECIAL NA INCLUSÃO DO DEFICIENTE

Izabel Sadalla Grispino *

Recentemente, publiquei um artigo que revelava o resultado de uma pesquisa internacional, encomendada pelas Olimpíadas Especiais, mostrando resistência à integração de deficientes mentais, um forte apego ao preconceito.

No Brasil, as análises têm sido mais estimuladoras. As conquistas, na área da educação especial, são lentas, mas continuadas. O Censo Escolar 2003, divulgado pelo Ministério da Educação, mostrou um aumento do número de crianças, com necessidades especiais, em classes regulares, nas redes oficiais de ensino. Mostrou um acréscimo de 30,6% da chamada educação inclusiva, em relação ao Censo 2002. De cada 100 estudantes com deficiências, 29 assistem às aulas em classes comuns. Em 1998, avaliou-se pela primeira vez essa inclusão e somente 15% dos alunos com necessidades especiais freqüentavam classes regulares.

O Brasil vem avançando em direção ao direito da escolaridade das crianças deficientes. Para um reforço no cumprimento das normas legais, é importante tomar conhecimento dos seguintes procedimentos:

– A  Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, no seu artigo 4.º, inciso III, definiu como dever do Estado a garantia de atendimento especializado gratuito aos educandos “com necessidades especiais, preferencialmente, na rede regular de ensino”. Assim, segundo a LDB, a inclusão deve ser preferencialmente na rede regular de ensino. Para tanto, o educador deve receber a capacitação necessária para esse atendimento, lembrando que a política de inclusão exige um professor treinado, capacitado.

– A Lei 7.853, de 1989, obrigou o Estado a apoiar os portadores de deficiência em sua integração social. Leis e decretos definiram normas gerais e critérios básicos para o atendimento às pessoas deficientes. Criou-se, no Ministério da Justiça, o Conselho Nacional de Direitos  da Pessoa Portadora de Deficiência.

– Através do Decreto 3.956, de 2001, foi ratificada a Convenção Interamericana para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas portadoras de deficiências.

– A Câmara de Ensino Básico do Conselho Nacional de Educação (Parecer 2/01) definiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para educação especial e o Parecer 17/01 estendeu essas diretrizes para toda a Educação Básica.

Era preciso que se cumprisse, na prática, o que essas leis determinavam. O Censo Escolar 2003 demonstrou que a aceitação do deficiente, em classes de escolaridade formal do ensino básico, avança favoravelmente. As instituições de ensino vêm, gradativamente, conscientizando-se e propagando a inclusão social, a promoção de acessibilidade das pessoas com mobilidade reduzida. O professores devem trabalhá-las tendo em vista suas potencialidades, na superação de suas dificuldades.

Hoje, já é consenso na educação de que a heterogeneidade, no ambiente escolar, só traz benefícios tanto para os deficientes como para os demais alunos, desde que ela seja acompanhada, assistida, por profissionais competentes e por condições necessárias ao seu bom desenvolvimento.

Uma outra pesquisa mostra que muitas empresas começam a criar programas de inclusão social, projetos que atendam às necessidades dos deficientes. Um estudo inédito da Fundação Banco do Brasil, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, divulgou, em outubro p. passado, resultados e apontou que o repasse de um salário mínimo a portadores de deficiência pelo governo, por meio do Benefício de Prestação Continuada (BPC), cresceu 350% entre 1996 e 2001. O estudo mostrou, ainda, que o número de deficientes no País varia de acordo com escolaridade, idade e renda. O relatório Diversidade – Retratos da Deficiência no Brasil – divulgado em 21/10/2003, considerou o grau de severidade das deficiências e revelou que 14,5% da população brasileira apresentam algum tipo de limitação. Que a metade da população com mais de 60 anos sofre de algum tipo de deficiência.

A média de renda das pessoas com limitações físicas é de R$ 529,00, enquanto a de quem não as tem fica em torno de R$ 628,00. Há, também, diferenças na escolaridade: 27,61% dos deficientes não são alfabetizados e há certa concentração de deficientes no Nordeste, justamente por ser a região mais pobre. A Paraíba lidera no número de deficientes: 18,76% da população.

O estudo feito pelas Fundações Banco do Brasil e Getúlio Vargas inova por apontar possibilidades de inclusão e de aplicação de políticas sociais, vindo de encontro aos anseios dos portadores de deficiência e de suas famílias. Abordando-se reiteradamente a problemática do deficiente, desvenda-se o véu da ignorância, retira o deficiente de seu isolamento, expande-se a humanidade, apontando para uma sociedade mais justa, menos preconceituosa.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2003)

AÇÃO MULTIDISCIPLINAR NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Além de o sistema público de ensino oferecer um desempenho muito inferior ao necessário, para uma sociedade cada vez mais centrada no conhecimento e na avançada tecnologia, marca preocupante presença no mundo da violência.

Escolas situadas em bairros pobres de periferia ou nos grandes centros conturbados pela desordem precisam de ajuda multidisciplinar para conseguir um ambiente tranqüilizador ao ensino da aprendizagem.

Muitas escolas trabalham com as famílias dos alunos, buscam o envolvimento da comunidade em suas iniciativas e desenvolvem práticas ligadas à sua realidade socioeconômica. Contam com forte apoio dos pais, principalmente, na fiscalização da freqüência e no controle das lições de casa. A escola sabe que a família é a base e incentiva-a a freqüentá-la, ajudando-a tornar seus alunos mais responsáveis, mais ordeiros.

Dentre as múltiplas causas que concorrem para a decadência do ensino uma é a violência, manifestada sob os mais variados aspectos. Alunos baderneiros, indisciplinados, frutos ................ da omissão de pais por uma educação regulada em normas, princípios e limites e frutos de uma sociedade violenta, permissiva, aliciadora. Toda essa conturbada situação explode na escola.

Há situações em que a escola se sente impotente para harmonizar o seu ambiente conturbado. Professores chegam a ser ameaçados, física e moralmente, por gangues e alunos. Conscientizar alunos e pais vai além do que se faz necessário. Em casos mais agressivos, a escola vem recorrendo à justiça, à promotoria responsável pela vara da Infância e a Adolescência, na busca de ajuda às graves situações.

O que se consta é que quando a escola encontra respaldo na autoridade judicial ela consegue aplainar a violência, avançar na ordem e na disciplina. Temos notícia, pela mídia, de uma atuação devotada e competente de um promotor público, que não hesita em formar fileiras às escolas necessitadas de ajuda.

Alunos-problema que tentam desorganizar a escola, queimando cortinas, quebrando carteiras e cadeiras, pichando muros e lousas, envolvendo-se em brigas com desordeiros são, pelo promotor, obrigados a cumprir penas disciplinares, a consertar o que destruíram ou prestar serviços comunitários.

Verifica-se que a grande maioria se recupera e o vandalismo na escola, praticamente, desaparece. Os mais violentos, que reincidem nos atos de violência, têm seus pais chamados pela justiça e forçados a pagar os prejuízos.

Também, no caso de alunos faltosos, em escolas com alto índice de evasão, os pais são chamados para conversar, para se conscientizar da necessidade da permanência dos filhos menores na escola. Se a ausência persiste, os pais recebem ordem de prisão, apoiada no Código Penal, sobre o crime de abandono intelectual. No município, onde tal ato ocorreu, a evasão caiu de 20% para zero.

Esses fatos comprovam a necessidade de rigor, de autoridade, de força conjugada, para o bom desfecho da agressividade. Em muitas localidades, a escola não se supre mais. Reforço da comunidade, dos pais, da Igreja, da justiça são-lhe imprescindíveis. A desestruturação da instituição escolar, por problemas de violência, afeta toda uma sociedade, que não pode fechar os olhos para esse sério quadro.

A conscientização de se juntar as mãos para reabilitar o ensino precisa avançar. Esse é o ponto em que chegamos e se cruzarmos os braços onde chegaremos?

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em fevereiro/2007)

AVANÇAR NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Uma inscrição esculpida no mármore da arquitrave da biblioteca pública de Boston diz: “A comunidade exige educação do povo como salvaguarda da ordem e da liberdade”.

Não parece ter sido fácil, aos nossos governantes, atingir esse pensamento, tendo em vista o nosso sistema educacional decadente. Educação está na base de qualquer alteração social. Nosso atraso educacional salta aos olhos. Um trabalho de conscientização da necessária elevação do padrão de ensino, atingindo, em massa, a formação continuada do professor, viria como um colírio para suavizar a deficitária e falha estrutura educacional.

O professor ainda veste a camisa da escola tradicional, transmitindo o conhecimento mais na base de lousa e giz. De um modo geral, resiste ao computador, deixa de usar este recurso e de estimular o aluno a aprender. Assim procedendo, não se enquadra, devidamente, à época vivida pelo aluno. Nessa era digital da sociedade cibernética, o raciocínio do aluno tem uma velocidade muito maior que há 20 anos. O professor, utilizando-se de métodos arcaicos, não se modernizando, impede o aluno de avançar e de encontrar um sentido maior na escola.

A escola precisa ser mais assistida, para melhor assistir, mais ajudada, no nível técnico e no nível financeiro. É preciso fazer dela prioridade nacional, lugar que nunca deveria ter deixado de ocupar. Como fazer o aluno avançar nos conhecimentos da informática, na evolução do raciocínio, da observação, da análise, da crítica, se quem o conduz é um profissional pouco aprimorado no assunto?

Hoje, sabemos, por exemplo, que os games de ação ajudam o cérebro. Jogos podem melhorar as habilidades visuais e os tempos de reação dos praticantes. Segundo uma nova pesquisa feita nos Estados Unidos, pessoas que brincam regularmente com jogos de ação de computador processam mais rápido informações visuais e com mais precisão que aquelas que não jogam. As conclusões sugerem que os jogos, anteriormente criticados, podem ter efeitos positivos e ser úteis para o ensino e o desenvolvimento de habilidades, desde que usados com moderação. Parece que a ação rápida que se desenrola na tela do computador pode treinar o cérebro para responder com mais eficiência a estímulos particulares, concluem os especialistas de ciências do cérebro.

Praticar o game, porém, não se tornar um jogador compulsivo, porque pode desenvolver também um nível de atenção muito pouco seletivo, além de a criança ficar mais impaciente e agitada. No dia a dia, o que se nota é que os games estão dando respostas mais rápidas e novos modos de comportamento. Um professor analfabeto em informática não acompanhará a agilidade dos alunos pós-modernos. Em muitas escolas oficiais não existem computador, em outras, os computadores ficam trancafiados numa sala, porque os professores não sabem como utilizá-los.

Hoje, o professor não tem como ignorar essa ferramenta de trabalho, não tem como não introduzi-la na sala de aula. O computador beneficia não só o ensino-aprendizagem como a vida do aluno, da comunidade, em geral, que acaba se beneficiando também. Na Índia, por exemplo, o governo priorizou o envio de computadores para as escolas situadas em áreas pobres do país e treinou os professores. Os resultados dessa política atraíram a atenção de técnicos da ONU e da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que registraram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. A informática vem se revelando como fator primordial para atenuar as desigualdades locais e regionais.

Percebe-se que a resistência da escola às novas tecnologias afeta a qualidade do ensino, desestimulando o aluno. É um retrocesso, inclusive, ao progresso da região onde ela se localiza. O computador abre caminho para um aprendizado que faz mais sentido para o aluno, porque permite executar projetos e pesquisas sobre situações reais da comunidade, quando força o aluno a procurar na matemática, na língua portuguesa e nas outras disciplinas os recursos na busca de soluções. A escola insere-se mais na comunidade, que ganha com essa inserção. A presença do computador é também indicador de qualidade de vida. Ele traz conseqüências benéficas e duradouras na vida dos beneficiados. Há pesquisas que mostram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. Escola e professor precisam mudar, aceitar seus novos papéis. A transmissão do conhecimento pelas vias tradicionais já está obsoleta. Construindo o conhecimento, professores e alunos passam, ambos, por uma experiência colaborativa de aprendizagem.

O desafio é fazer com que os professores mais tradicionais deixem de ter resistência ao computador e passem a usar este recurso para estimular o aluno a aprender e colocá-lo na modernidade.

SER PROFESSOR

Izabel Sadalla Grispino *

O magistério despertou cedo em minha vida. De criança, brincava de professora. Queria saber para poder ensinar. Perguntava, tinha curiosidade, conversava com os mais velhos, sempre no sentido de aprender e repassar.

Ser professor é gostar do outro, gostar do encontro. É partilhar do destino do outro, condoer-se da dor, vibrar com a vitória. É crescer fazendo crescer, unir, dividir, somar. Ser professor é ter um olhar para dentro e um olhar para fora, um olhar local e um olhar universal. Ser professor é gostar de estudar, de aprender a aprender, ilustrar-se, avançar no conhecimento, expandir esse conhecimento ao redor, participar do desenvolvimento humano, social, científico da humanidade. Ser professor é estar antenado, é um inquietar-se, um desejo de dar sua parcela de contribuição no reforço aos direitos humanos, no restabelecimento da justiça e eqüidade social, no encaminhamento de uma sociedade de paz, de um mundo de luz, de amor.

Professor da escola, dos alunos, da comunidade, professor do mundo! Felizes os vocacionados, que sentem essas vibrações na alma. Elas saciam a sede, impulsionam as realizações. Felizes os que professam uma função por vocação. É a vocação que faz a diferença.

Nossos votos ao professor, em 15 de outubro, dia consagrado ao professor, é que ele seja reconhecido socialmente, que tenha sua auto-estima elevada, que governos lhe propiciem melhores condições de vida, melhores condições de trabalho.

“Homenageamos a todos que se dispõem a ensinar, não só o professor institucional, mas, também, o informal, a todos que passam o seu saber para as novas gerações, colaborando com o crescimento do outro, com a construção de um mundo melhor.

Embora o papel do professor, nessa nova sociedade tecnológica, tenha mudado, ele continua sendo o elemento indispensável para a promoção humana e social. Durante muito tempo, o professor mobilizou um saber disciplinar – apoiado nas disciplinas do currículo – era o transmissor do conhecimento científico. A escola era o lugar privilegiado do saber, a instituição responsável pela transmissão da memória social e cultural e o professor, a principal fonte do conhecimento. Esse conhecimento, centralizado na sua pessoa, colocava-o como um capital profissional, um capital de saberes. Hoje, ele perdeu a vanguarda do conhecimento – detêm-no a mídia, o computador, a internet. A escola não é mais o lugar propriamente da informação, mas o lugar do que fazer da informação. Associa-se, hoje, mais que ontem, à função de professor a do educador”. (Do meu livro “Prática Pedagógica”, págs. 353-354).

A vocês, irmãos do magistério, bravos correligionários, num grande abraço, transcrevo os meus versos, com os quais introduzo o livro “Prática Pedagógica”.

AO  PROFESSOR

Querido professor,
Não desanime, vá avante,
Da humanidade é luz do esplendor,
É sol que brilha em terra exuberante,
Estrada iluminada,
Luzeiro de escuras madrugadas!

Sem você, a sociedade esmorece,
A criança perde seu futuro,
Você é, de todos, a mais bela prece,
O sonho que surge prematuro,
A fé que a esperança carece,
O brilho que nunca desaparece.

Embora pouco reconhecido,
E, pouco prestígio alcança,
Com Jesus é parecido;
Seu devotamento, transpassado de lança,
Tem como maior recompensa,
A luta, para que seu aluno vença.

Assemelha-se ao pesado arado,
Que remove a terra, prepara o plantio,
Joga-se o grão adubado,
Que vencerá o inverno e o estio,
Com a chuva, a colheita é abundante,
A terra sorri em seu veludo verdejante!

Você, professor, vai além,
Prepara, aduba, planta, conquista,
Trata da semente como ninguém,
Da mente e da alma é um especialista;
Você é o amanhã de suave brisa,
O construtor, que a sociedade mobiliza ou paralisa!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2004)

EMPRESAS INVESTEM NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Izabel Sadalla Grispino*

As empresas, ressentindo-se da ausência de determinadas profissões requeridas por elas, organizam cursos de formação na própria instituição. Tentam suprir lacunas deixadas pelo sistema escolar.

Com a reativação de produção de máquinas e equipamentos pesados, antigas profissões, como de maquinistas de trem, de soldadores, de caldeireiros, de ferramenteiros e outros, vêm faltando ao mercado de trabalho. A escassez desses trabalhadores dificulta a reposição dos velhos profissionais, que se aposentaram pela estagnação do setor.

A indústria pesada deixou por algum tempo de investir em infra-estrutura. A função de metalúrgico, por exemplo, diminuiu e aumentou o setor de serviços, onde as chances de emprego eram maiores. A indústria passou a produzir equipamentos mais modernos e essas antigas profissões tiveram, com o avanço da tecnologia, uma função mais moderna, distante daquela em que o maquinista jogava carvão na locomotiva.

O Brasil Ferrovias vem dando cursos de auxiliar de maquinista, com 184 horas de aulas teóricas e 220 horas de aulas práticas, ministradas pelos técnicos da própria companhia. A razão dos cursos é preencher as vagas em aberto. Neste último ano, o Brasil Ferrovias ampliou sua frota em 56 locomotivas e 2,3 mil vagões, na linha férrea entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. No ano de 2004 foram dados 12 cursos de auxiliar de maquinista e de janeiro a setembro a companhia contratou 376 pessoas, a maioria para a função de auxiliar de maquinista. Destes, os melhores serão treinados para a função de maquinista, em dois anos, com salário superior.

O mesmo procedimento ocorre com a Jaraguá, em Sorocaba/SP, que produz máquinas e equipamentos para indústrias siderúrgicas, petrolíferas, e de infra-estrutura. Para as aulas teóricas, a empresa contratou o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e as aulas práticas ficam por conta dos funcionários da empresa.

O Senai vem prestando serviço para várias empresas da região de Sorocaba. A oferta de ferramenteiros – trabalhadores especializados na confecção de moldes mais refinados – está em falta. Também, em falta, profissionais da área mecânica e elétrica e o Senai, a partir de 2005, vai iniciar cursos para essas profissões. Segundo pesquisas, a procura por trabalhadores do setor metalomecânico cresceu cerca de 30% na região.

Em Ourinhos/SP, um grupo formado pela associação das indústrias locais organizou, com a colaboração da prefeitura e do Senai, um curso para a formação de soldador. Entre soldadores e caldeireiros existem perto de 200 vagas na região, com salários variando de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil. O crescimento das exportações é o responsável pelo aumento da demanda desses profissionais. Uma grande parte da indústria fabrica equipamentos de extração de óleo vegetal.

Na Suco faltam caldeireiros e soldadores. O caldeireiro é o profissional que transforma chapas de aço em peças e seu salário está em torno de R$ 1,5 mil.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) revela que no prazo de um ano, encerrado em agosto, foram criadas 23,4 mil vagas na indústria de máquinas. Os segmentos mais procurados são mecânica pesada, máquinas-ferramentas, gráfica e agrícola.

Para se ter idéia do avanço das profissões citadas, relata o diretor regional do Senai, de São Paulo, Luiz Carlos de Souza Vieira, que no primeiro semestre de 2004, nos cursos do Senai, havia 6 candidatos por vaga. Antes dessa data, o Senai não tinha nenhum candidato. Hoje, para dar conta da demanda, o Senai ampliou o número de escolas móveis, que funcionam dentro de carretas. Há 13 escolas móveis em atividade, revelando como essas profissões estão em alta no mercado de trabalho.

Na situação de desemprego em que o País se encontra, tomar conhecimento de novas alternativas favorece a possibilidade de encontro. Tem-se que caminhar com os olhos voltados para a época, para as crescentes renovações do mercado de trabalho.

O ano de 2005 bate à nossa porta. Que em cada coração, em cada lar, a presença de Deus se faça viva, com a prática de seus ensinamentos. Que a paz reine entre os povos e que a caridade seja a semente que, em 2005, frutificará. Saúde, prosperidade, a todos os meus prezados leitores. Com amor, minha poesia a seguir:

 

ANO  DE  2005

O ano novo se avizinha,

Ano vai, ano vem,

A vida, tal lebre rapidinha,

Vai levando o homem pro além.

O tempo é uma roda-gigante,

Oscila sem parar, pra baixo e pra cima,

É um traiçoeiro amante,

Pela fugacidade prima.

Ano-novo só é mais um dia novo,

É apenas um símbolo do tempo,

É a soma da existência do povo,

Marca a passagem de nossos momentos.

Fé na vida, fé no amor,

Que os dias desse novo ano

Espalhem canteiros de flor,

Paz no campo e no centro urbano.

O importante é se dar as mãos,

Formar a roda da solidariedade,

O mundo está sedento de oração,

De corações carregados de humanidade!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2004)

SISTEMAS DIFERENCIADOS DE AVALIAÇÃO PARA O INGRESSO AO ENSINO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

Projetos de sistemas diferenciados de avaliação para o ingresso ao ensino superior continuam surgindo e se ajustando à identidade, às características das instituições, diversificando as oportunidades de acesso a esse grau de ensino.

O vestibular, a tradicional prova de ingresso às faculdades, que no Brasil remonta a 1911, deixou de ser obrigatório pela última Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n.° 394/96). As universidades, hoje, têm liberdade de escolher seu próprio sistema de avaliação, de decidir qual a melhor opção para sua estrutura educacional. Há, mesmo, os que defendem a eliminação do vestibular ou de qualquer outra forma de seleção. Apoiam-se em países cuja realidade é bem distante da nossa, como, por exemplo, na América Latina, o México e a Argentina.

Na verdade, processos de seleção são inevitáveis em sistemas de ensino, organizados em séries, como é o nosso. Quanto mais qualificada a escola superior, quanto mais alto o seu grau de ensino, maior rigor nas provas de seleção e mais seletivo o seu ingresso. Há casos de faculdades menos conceituadas, em que o exame de seleção não passa de um engodo. O que mais precisam é de alunos, pois, dependendo da área, há mais vagas que pretendentes.

Uma inovação foi o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) criado pelo MEC em 1998 para avaliar as habilidades e as competências adquiridas pelos estudantes no fim da educação básica, dando, também, às universidades a oportunidade de usar o resultado da avaliação como um dos critérios de seleção dos candidatos.

O Enem não deixa de ser uma boa opção e parece estar sendo bem recebido por educadores e alunos. Esse exame tem similar nos Estados Unidos, onde o processo de seleção inclui, além dos testes aplicados, a análise do histórico escolar do aluno, em que se verificam as notas obtidas durante o ensino médio, a carga horária das disciplinas e a escola em que o aluno estudou. O aluno deve apresentar, ainda, um projeto, uma espécie de ensaio sobre sua vida e o que pretende com a universidade.

Sobre o Enem já discorri, em artigo publicado recentemente por este jornal.

Há outro projeto, a “Avaliação Progressiva”, que chegou a tramitar no Conselho Nacional de Educação, mas houve pouca divulgação. Trata-se de um processo de seleção ao ensino superior, feito ao longo dos 3 anos do ensino médio. Seria um escalonamento do vestibular em 3 séries, transformando o ensino médio numa transição para o ensino superior. Há práticas, nessa linha, em algumas poucas universidades brasileiras, com a “Santa Maria”, no Rio Grande do Sul, e a Universidade de Brasília. Diferente do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que tem sua prova de seleção somente no final desse ensino, a “Avaliação Progressiva” se faz em todos os 3 anos do ensino médio. Se tomarmos o vestibular como referência, esta proposta de “Avaliação Progressiva” é, sem dúvida, mais flexível, menos estressante e oferece mais oportunidades ao aluno, eliminando, com suas avaliações periódicas, o temor da avaliação única. Além disso, a apuração dos conhecimentos limita-se ao conteúdo especificamente ministrado ao longo do ensino médio, não havendo necessidade de o aluno recorrer a estudos extras ou a cursinhos.

Em princípio, parece ser uma boa proposta de acesso ao ensino superior, porém tem suscitado controvérsias entre educadores que questionam o conceito maior da educação desse nível de ensino, ou seja, a formação básica da cultura geral. Esse processo de seleção acarretaria a obstrução das etapas normais do desenvolvimento das faculdades intelectuais, das faculdades formativas de valores e atitudes. Sobre o aspecto amplo da formação do aluno, dir-se-ia que este processo de avaliação periódica seria um aniquilador do ensino médio. Roubaria do aluno o tempo destinado à leitura suplementar, à pesquisa, pré-requisitos essenciais à formação integral e à atuação plena do futuro profissional. Sabe-se, hoje, que atrás do bom desempenho, de qualquer função, está, grandemente, o bom domínio do conhecimento geral.

Por exigência do mercado, é freqüente a extinção de uma função e o surgimento de outras, como, em nossos dias, a da informática, das relações internacionais, do comércio exterior, do turismo... e é justamente o conhecimento amplo e diversificado que vai ajudar o profissional a passar de uma ocupação para outra.

Com o sistema de “Avaliação Progressiva”, o ensino médio reduzir-se-ia a um curso preparatório para o ensino superior, com uma sucessão de provas e adestramento  para elas, o que provocaria ao aluno mais prejuízo que o tão decantado vestibular. A preocupação com a deformação da aprendizagem na sua utilização específica de preparar alunos para o ensino superior vem de longe. Francisco Campos, em 1931, escrevia, a respeito do então ensino secundário:  “O ensino secundário tem sido considerado  como um simples instrumento de candidatos ao ensino superior, desprezando-se, assim, a sua função eminentemente educativa, que consiste, precisamente, no desenvolvimento das faculdades de apreciação, de juízo e de critério, essenciais a todos os ramos da atividade humana (...) Assim, o ensino secundário (...) perdeu as suas características próprias e específicas (...) passando a ser de finalidade exclusivamente utilitária, despido de finalidade interna, fundamentalmente educativa. A última fase desse processo de degeneração do ensino secundário (...) o transformou em mera chancelaria de exames”.

VESTIBULAR – O exame vestibular continua sendo o grande processo de seleção ao ensino superior, o que responde, ainda, pela formação de calouros nas universidades públicas. Sobre ele falaremos na próxima semana.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2000)

EDUCAÇÃO: ARMA CONTRA A CORRUPÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

A educação é arma poderosa contra a corrupção. Só ela tem força de mudança, força de renovação. É indispensável haver investimentos sociais, mudar a realidade educacional existente, se queremos, de verdade, construir um País sério. Educação tem que ser prioridade; ela é a mola propulsora da cidadania. É um valor inestimável, que engrandece o homem como ser humano, como ser empreendedor da  economia, como ser beneficiário e benfeitor da sociedade.

Empobrecida como anda, mais caminha para a morte do cisne! A defasagem educacional gera, no curso do tempo, insegurança, exclusão social e marginalização. Descamba para o oportunismo, para a esperteza viciada e daí para a corrupção é só um passo. E o pior é que ela vem em cascata, contamina todos os níveis.

É inimaginável os rumos que toma a corrupção, as situações por onde se infiltra! Ela chegou num grau extremo de aceitação, transvestindo-se das mais variadas faces. Hoje, constatamos a compra de trabalhos acadêmicos, denegrindo a ética universitária. Alunos compram resenhas de livros, monografias e até teses de doutorado, feitas por profissionais especializados! Corruptos e corruptores!

Se a educação, no seu bojo, deteriora-se, o que aguardar do futuro da humanidade? Onde procurar a ética, os princípios humanos e morais? Vejamos um exemplo: os cursos supletivos particulares a distância revelaram-se pontos de corrupção. A cortina descerrada, desses cursos, mostrou um quadro desalentador, revoltante, dessa área educacional. Esses cursos tornaram-se uma farsa, verdadeiros antros de venda de certificados!

Alunos despreparados ou acorrentados por horários, em decorrência do trabalho, quando continuam os estudos, geralmente o fazem através dos cursos supletivos. Hoje, esses cursos têm um enorme contingente de alunos que recebem o certificado sem aprender nada. Os supletivos a distância ou com presença flexível proliferaram-se nos últimos anos.

Pelo Censo 2000 do Ministério da Educação, em São Paulo, existem mais de 515 mil alunos em cursos supletivos de escolas estaduais, onde há presença mínima de aula. Na rede privada, são quase 116 mil, entre cursos presenciais e a distância.

O descrédito dos supletivos particulares a distância chegou a tal ponto que o Conselho Estadual de Educação (CEE) achou por bem cercear a emissão dos certificados, acabando com o sistema atual. “É preciso dar um basta à farra dos cursos supletivos particulares a distância; moralizar o sistema”, expressou o seu presidente.

O Conselho publicou no Diário Oficial do Estado, dia 25 de abril p. p., decisão proibindo os cursos supletivos particulares a distância de realizarem provas para emitir certificados de conclusão do ensino médio. Se quiser ter um diploma, o aluno precisará prestar uma prova autorizada.

Todas as pessoas que se matricularem, a partir desta data, deverão ser submetidas a exames em instituição autorizada pelo Conselho. Quem já iniciou o curso está isento da determinação. O presidente do CEE, Artur Fonseca Filho, disse que o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, é um dos mais cotados para ser uma das avaliações necessárias para obtenção do diploma. “O modelo ideal é este em que a prova é feita por uma entidade diferente da que deu o curso”, arremata Artur  Fonseca.

O que se quer são cursos que ofereçam competência e não certificados. É  uma tentativa para melhorar a qualidade de ensino desses cursos, acabar com o esquema de facilitação de diplomas. As instituições sérias não temerão o novo processo, ou seja, o resultado do exame autorizado. Mas, para a maioria desses cursos a distância, a perda da autonomia trará, sem dúvida, um desaquecimento de sua freqüência. Nesses cursos supletivos a jato, o aluno acima de 15 anos podia, num tempo mínimo, obter um certificado de 1.º e 2.º graus em 90 dias. Quanto aos exames, esses eram marcados em horários flexíveis, feitos separadamente para cada matéria e os prazos eram determinados pelas escolas.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma das provas a fornecer certificados aos supletivos, ocorre, apenas, uma vez por ano. Além dele, serão indicadas, pelo Conselho, as instituições, privadas ou públicas, autorizadas a realizar as provas. Terá que haver uma adequação, por parte do aluno, a essas exigências e uma reestruturação dos cursos.

A perda de autonomia, de os cursos supletivos particulares a distância realizarem as provas, põe ordem nesse universo adulterado, afasta a bandalheira e com esta ausência acaba afastando, infelizmente, também os candidatos. Esses cursos tinham, na facilitação ou, praticamente, na venda dos certificados, a sua maior atração.

A educação deformando ao invés de formar, corrompendo ao invés de moralizar, contribuindo para uma sociedade trapaceira, injusta, corrupta. Estaremos vivendo o caos? Os cursos supletivos, que poderiam ser o grande alvo na educação de jovens e de adultos, perdem, no desvirtuamento das funções,  a grande finalidade a que deveria se propor. É a sombra sinistra da corrupção infiltrando-se em todos os setores da vida nacional! Proteja-nos, Deus!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

UNIVERSALIZAÇÃO DO ENSINO MÉDIO

Izabel Sadalla Grispino *

O secretário da Educação Média e Tecnologia do Ministério da Educação anunciou a intenção do MEC de tornar a matrícula obrigatória, a partir de 2004, para o 1.º ano do ensino médio. Em 2005, tornaria obrigatória a matrícula no 2.º ano e, em 2006, no 3.º ano desse nível de ensino.

Desse modo, gradativamente, o ensino médio seria universalizado como foi o ensino fundamental. Todos os alunos que terminarem a 8.ª série do ensino fundamental terão vagas garantidas no ensino médio. Os alunos receberiam, no 1.º ano, livro didático e merenda escolar, englobaria, inclusive, bolsa-escola.

Após consolidada esta etapa, é intenção do governo expandir para 4 anos o tempo de duração do ensino médio, mudança que ocorreria apenas em 2007. A legislação não pede matrícula obrigatória no ensino médio como faz no ensino fundamental. O MEC estima que 65 milhões de jovens e adultos não tiveram acesso ao ensino médio, embora a sua expansão de matrículas seja alta e crescente. Segundo o Censo Escolar 2002, nos últimos 6 anos, o número de matrículas aumentou 53%. Só no ano 2002 foram feitas mais de 400 mil novas matrículas. O Censo Escolar revelou uma grande diversidade em termos de faixas etárias: apenas 3,8 milhões dos matriculados – entre  os 8,4 milhões de alunos no final de 2001 – estão na relação idade/série, entre 15 e 17 anos; mais de 2 milhões de alunos têm mais de 20 anos e 1,2 milhão tem mais de 25 anos, sem contar uma considerável parcela de alunos que tem mais de 29 anos de idade. Contudo, o último censo do IBGE mostrou que menos de um terço dos jovens brasileiros entre 15 e 24 anos está ou esteve matriculado no ensino médio.

O MEC ao tornar a matrícula obrigatória nesse nível de ensino teria que atender grande demanda, com investimentos consideráveis e considerável contratação de professores. Há, ainda, a particularidade da trajetória escolar, enquanto que, no ensino fundamental, 59% dos alunos concluem o ciclo, no ensino médio temos 74% dos que completam o ciclo. Esses dados nos mostram o cuidado que se deve ter na implantação da universalização do ensino médio. Seriam necessários recursos vultosos para o cumprimento do projeto. Além da falta de estrutura, ainda recentemente o MEC anunciou um déficit de 250 mil professores nesse ensino e nas últimas séries do ensino fundamental  e essa falta de professores licenciados acarretaria, sem dúvida, prejuízo à qualidade do ensino.

Uma boa iniciativa foi o anúncio, por parte do então secretário da Educação Média e Tecnologia, Antonio Ibañez, hoje, substituído por Luiz Araújo, da criação de 60 a 80 mil bolsas de estudo para alunos do curso noturno, que têm dificuldades em permanecer na escola e correm o risco de se evadir. Os critérios de seleção das bolsas recaem sobre renda e desempenho na escola e o valor gira em torno de R$ 250,00.

Pela matrícula obrigatória, os Estados ficariam obrigados a criar estrutura condizente e arrebanhar professores licenciados para poder oferecer vaga a todos que terminarem o ensino fundamental e, de antemão, afirmam não ter como arcar com as despesas. São Paulo, o Estado mais rico da União, segundo Sônia Maria Silva, da  Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas da Secretaria da Educação, as verbas para o ensino médio destinam-se apenas para projetos de capacitação de professores, para melhora de laboratórios e bibliotecas. “Para tornar a matrícula obrigatória no ensino médio é preciso um repasse bem maior de recursos”.

Sem dúvida, é um projeto louvável, respaldado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, que fala ser a educação básica direito de todos. Deve, entretanto, ser lançado em bases reais, em estrutura e condições plausíveis se não quiser continuar  resvalando na decadência desse ensino. Continuaríamos com a expansão quantitativa em detrimento da expansão qualitativa. É a qualidade do ensino o nosso grande desafio de hoje.

Paralelamente à obrigatoriedade da freqüência ao ensino médio, visando atender pessoas de mais idade, com 30, 40 anos ou mais, com dificuldade de freqüentar um curso regulamentar, Antonio Ibañez propôs um ensino médio aliado ao profissionalizante e defendeu a criação de um Fundo Nacional de Educação Profissional. O Ministério da Educação vai propor aumento de recursos do Fundo de Amparo para o Trabalhador (FAT) a fim de investir no ensino profissionalizante.

Criar uma nova escola é o que o País está precisando. A realidade educacional brasileira mostra-se decepcionante. Uma pesquisa sobre alfabetização que a Unesco e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgaram, em julho do corrente ano, onde, numa escala sobre níveis de compreensão de leitura, englobando 41 países, o Brasil está, praticamente, no fim da fila em alfabetização, em 37.º, pouco à frente apenas da Macedônia, Albânia, Indonésia e Peru, países de economia bem mais fraca que a nossa.

Cerca de 50% dos alunos brasileiros, macedônios e albaneses, na faixa etária de 15 anos, estão abaixo ou no nível 1 de alfabetização, uma marca estabelecida pela Unesco que classifica os estudantes que conseguem apenas lidar com tarefas muito básicas de leitura. O Brasil em relação aos países da América do Sul, mais pobres, está em pior situação. Segundo consta, o Brasil tem uma economia 175 vezes maior que a da Macedônia e 160 maior que da Albânia, mas, em educação, vergonhosamente, assemelha-se a elas. Comprovação incontestável de que no Brasil a educação, nas últimas décadas, não se constituiu em prioridade nacional, de que não se investiu, como se devia, na educação do povo.

Educação é polo gerador de riqueza e de renda no País. Conhecimento interfere no setor econômico, no aumento da renda, no aumento de empregos, melhorando a qualidade de vida da população e refletindo no respeito internacional. “Investir, hoje, eficazmente, na educação custaria muito menos do que o que será preciso gastar daqui a 20 ou 30 anos para corrigir os desastres decorrentes da falta de educação”, considerou Cristovam Buarque.

O ministro apela por uma coalizão suprapartidária, no sentido de colocar a educação como prioridade nacional e afirma que, caso isso ocorra, “o Brasil poderá se tornar um líder mundial em educação”.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em agosto/2003)

CONFLITOS ENTRE ESCOLARES

Izabel Sadalla Grispino *

A presença dos pais na vida escolar tem significativo valor para os estudos dos filhos e para a vitalidade das instituições. Crianças e jovens que freqüentam a escola têm, como é natural, temperamentos diferentes, o que provocam constantes conflitos. Muitas vezes eles mesmos conseguem administrar o problema, sem interferência externa, mas há os que apelam para os pais.

Desentendimentos entre alunos são comuns e variam de intensidade de acordo com a faixa etária. Entre os pequenos, na faixa de 1 a 6 anos, o que mais surge são apelidos maldosos, puxões de cabelo ou brinquedos quebrados.

O período mais crítico fica por volta dos 12 aos 17 anos e, entre estes, dos 13 aos 16 anos, quando a sexualidade dos meninos está em ebulição. O jovem, para ser aceito no grupo, tem que se sujeitar às suas regras, ao seu modo de falar, de vestir. O grupo coloca à prova valores familiares e próprios e quem não se enquadrar na “tribo”, quem ousar ser diferente, é massacrado sem consideração.

Quando a intimidação, por parte de um colega ou do grupo, é sistemática, quando caminha para a violência física, pressão psicológica, ameaças freqüentes, ela provoca danos emocionais, baixa auto-estima, baixa autovalia, que é a capacidade de se avaliar em relação ao grupo, levando a problemas de rendimento escolar.

As agressões por causa de garotas são comuns e se restringem comumente ao próprio grupo. Mas, brigas também existem fora da escola, quando a convivência cria rixas. A intimidação é comum mesmo entre meninas. Cria-se competição no âmbito da aparência. Quem não estiver com a roupa da moda ou com o corpo esbelto pode ser excluída do grupo e vira alvo de gozação.

Casos mais graves, como brigas envolvendo drogas, roubos e discriminação, exigem intervenção imediata. Nessas circunstâncias, a escola atua com a família, junta pais e escolares envolvidos. Não é raro a escola perceber que o comportamento do estudante é reprodução do que aprendeu em casa. São os próprios pais que muitas vezes incentivam a intimidação, na filosofia do “bateu, levou”.

Um bom procedimento para a escola é professores e alunos elaborarem um texto em conjunto, propondo normas disciplinares. Escolas renomadas têm regras disciplinares bem definidas que constam na agenda dos alunos. Contudo, a escola pode intimidar o aluno ao ignorar sua cultura, sua bagagem social. Antes de punir, deve inteirar-se de sua origem, olhar a raiz. De onde vem esse aluno? Como é sua família? Daí a importância de uma gestão democrática, de uma participação efetiva dos pais na vida da escola.

É na fase em que a personalidade está se moldado que a escola precisa trabalhar na integração do grupo. Muitas escolas criam o “momento da roda”, quando toda a classe se reúne para conversar. Esse é um valioso momento para se educar: se um coleguinha é caçoado por causa de seus óculos, aparelho nos dentes ou jeito, aproveita-se para falar, por exemplo, da importância de respeitar o modo de ser das pessoas. Pais e professores devem fazer cada um a sua parte, ensinando a criança a respeitar o outro e acolher as diferenças.

No seio da família, também surgem conflitos, não acontece só no convívio escolar. As exigências do mundo moderno cresceram. A família tradicional vem passando por um processo de mudança. O papel dos pais começa a ser questionado. Pai e mãe trabalham fora e se sobrecarregam de atividades e, geralmente, não há tempo para criar um espaço comum, não há tempo para o diálogo. Uma convivência menor com a família reflete no rendimento escolar, no número de horas que a criança ou o adolescente passa em frente da televisão, criando ansiedade, deficiência de atenção, hiperatividade e atraso no desenvolvimento. Problemas emocionais, como depressão e estresse, acabam acontecendo e a grande receita é amor, carinho, atenção.

Os pais, num determinado período da existência, são as pessoas mais importantes na vida dos filhos. As crianças precisam de uma família, de relações afetivas. Isso traz segurança, fator fundamental ao bom desenvolvimento infanto-juvenil.

Tanto na escola quanto em casa, as crianças não podem ser tratadas todas da mesma maneira. Uma estratégia pode funcionar para uma e não para outra. A personalidade, a individualidade devem ser respeitadas. Por isso, nunca se deve fazer comparações. Deve-se dar meios para que as crianças desenvolvam o que têm de bom e para que sejam orientadas em relação aos defeitos. Perfeição não existe, portanto, dosar as exigências. As crianças precisam desenvolver experiências adequadas à sua idade. Olhar para elas em todas as suas dimensões: biológica, afetiva, emocional e moral de forma integrada para que todos os aspectos do desenvolvimento e comportamento infantil possam ser envolvidos.

As crianças precisam de disciplina, de limites que estruturem a sua vida e lhes tragam boas respostas às expectativas criadas. Educar não é bater, não é fazer prevalecer a vontade dos adultos. A criança precisa galgar experiência, ter segurança para fazer suas escolhas e ter responsabilidades sobre eles. Educar para a autonomia, não para a dependência.

Também é oportuno lembrar que não se deve sobrecarregar as crianças de atividades, para fazer uma série de cursos extracurriculares, como judô, balé, natação, inglês... Elas precisam ter tempo para ser crianças, brincar, aproveitar a infância, os melhores anos da vida.

São nos primeiros anos de vida que se constroem as bases do futuro e a criança precisa ter esperança no futuro. Pais e professores devem conviver com as crianças de modo a integrá-las no meio em que vivem, a criar com elas cumplicidade e fortalecer os laços afetivos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2003)


A ESCOLA E O MUNDO DE PAZ

Izabel Sadalla Grispino *

É sempre com emoção que participo de momentos representativos da vida da escola. Fui convidada a presenciar uma atividade extracurricular, no final do ano letivo, uma representação teatral, de uma renomada escola. Ela contou com a presença de pais, de familiares e representantes da comunidade. Foi uma atividade que agradou pela organização, pela esmerada apresentação e pelas significativas mensagens passadas. Deixou transparecer a escola que representa. Houve um congraçamento enaltecedor das relações humanas, com saldo positivo para a escola. Um envolvimento caloroso entre professores e alunos, entre escola e comunidade, em cumprimentos efusivos.

Os alunos representaram no palco, em seis atos, não muito longos, com trajes típicos, cuidadosamente confeccionados, algumas das nacionalidades que despontam no cenário político mundial, em termos de riqueza e em termos de pobreza. Ao lado da beleza do espetáculo, a representação passou imagens significativas em valores humanos, uma auspiciosa sugestão de integração entre os povos, um ensinamento no "formar a roda", no sentido da solidariedade.

Presenciamos a escola exercendo, criativamente, de modo prazeroso, a função social de educar para a paz, para o amor. A escola abrangendo a visão pluralista da educação e da vida, preparando o aluno para entender o momento atual de guerra e de terrorismo, para entender o lado humano que deve nortear o conceito de globalização. É como dizia o educador Antonio Severino: “O professor deve ser fundamentalmente particular e fundamentalmente universal. Pensar globalmente, agir localmente”.

O mundo de amanhã pertence aos jovens. Se quisermos, para eles, um mundo de paz, temos que levá-los a refletir sobre as relações de poder. O paradigma do mercado é a polpuda conta bancária e não a dignidade pessoal. A concentração de renda gira forte entre os poderosos e não permite a entrada dos excluídos. É, pois, a mudança de valores, e não mecanismos econômicos, que vai permitir a reversão do sistema.

A escola está passando da hora de parar de reproduzir informação e começar a formar, a trabalhar caráter, afetividade, preconceito, diferenças, desníveis sociais, apontando para uma convivência pacífica.

Escola é um espaço educacional. Deve saber oportunizar os momentos da educação. Ela não molda, mas interfere na formação da personalidade. Considerei a escolha, da representação teatral, feliz, porque abre a mente e o coração para o acolhimento universal, para a compreensão das opulências e das carências que se contradizem na vida dos povos.

A pobreza, a miséria, que são os pivôs da exclusão social, geram revolta e violência. A violência vem sendo tratada, nos meios educacionais, como um item prioritário, tanto assim que a Pontifícia Universidade Católica (PUC), de Campinas, criou, para o corrente ano, um curso, inédito no País, de pós-graduação de prevenção à violência. O curso será ministrado por especialistas contratados especificamente para ele, terá duração de um ano e será voltado para profissionais de áreas que lidam, diretamente, com vítimas, autores ou situação de violência.

A escola, preparando-se para educar na direção das diferenças sociais, estará dando acentuada contribuição ao combate da violência. Para se ter uma idéia das discrepâncias sociais, vejamos o que nos expõe o Banco Mundial, quando fala que dois terços da população mundial vivem abaixo da linha da pobreza: “Habitam o nosso planeta, hoje, 6,1 bilhões de pessoas. Só 2,1 bilhões desfrutam de condições dignas de vida. Os outros 4 bilhões padecem: 2,8 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, o que significa que não dispõem de renda mensal equivalente a mais de US$ 60. E 1 bilhão e 200 milhões vivem abaixo da linha da miséria, porque possuem renda mensal inferior ao equivalente a US$ 30”.

Os alunos, nessa atividade extracurricular, ao viver no palco sentimentos  de  patriotismo,  peculiaridades cultu-

rais, sociais e econômicas dos diferentes povos, tornam-se mais sensíveis à questão da desigualdade. O interessante é que participaram da representação também atores mirins, correspondentes à faixa etária do período escolar referente à educação infantil, fase da vida em que se deve dar ênfase à formação da personalidade.

Hoje, nós sabemos que a pré-escola é a detentora do troféu das transformações sociais. Quando dizemos que as crianças são o futuro do País, não estamos nos valendo de expressão feita, mas de um profundo sentido real. O provérbio popular, que diz: “É de menino que se torce o pepino”, é rico em sabedoria. “Nós somos o que a criança que fomos fez de nós”. Machado de Assis dizia: “O menino é o pai do homem”.

Podemos perceber o quanto o adulto está na criança, o quanto sai da criança, o quanto é filho da criança. Só a educação das primeiras letras é capaz de modificar o quadro reinante, quadro de sociedades profundamente marcadas por desigualdades de acesso aos bens essenciais.

Para se chegar à mudança social, a escola deve valer-se de projetos alternativos, que conscientizem, estimulem e restaurem os valores humanos, os compromissos morais e éticos. Parabenizo a escola pela estratégia montada a favor da formação do educando, pela idealização da mensagem de paz, pelo despertar de consciências.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(*Publicado em janeiro/2002)

A ESCOLA E A VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL

Izabel  Sadalla Grispino *

Como pode a escola exercer seu papel de coadjuvante da transformação social? Sabemos que escola e sociedade se integram, se interagem. São interfaces que se refletem, que se completam: uma recebe o produto da outra. O projeto pedagógico da escola deve contemplar a realidade vivida pelo aluno, seu cotidiano; contemplar o contexto socioeconômico-cultural, no qual se insere. A contextualização é matéria-prima do currículo. A análise reflexiva do comportamento social é vital para a performance da escola. Os alunos que a freqüentam saem da sociedade, é dela parte integrante. De que características se reveste a sociedade de hoje?

No cotidiano social vivenciamos a violência, a fome, a corrupção, o desemprego, tudo banalizado pela alta freqüência. Estamos nos tornando uma comunidade anestesiada pela repetida violência, que vai minando o organismo social. Presenciamos, em larga escala, uma juventude desajustada, psicologicamente envelhecida, deixando, no uso da droga, a própria capacidade de sonhar. O número da delinqüência juvenil vem aumentando em progressão geométrica. A miséria moral se configura no seio social.

As causas da violência, apontadas por especialistas, ajudam no entendimento e na colaboração que cada instituição – família, escola, igreja, justiça, polícia... – pode dar. Pesquisas realizadas nessa área mostram várias causas, todas girando em torno da família. A ênfase é dada à desestruturação da família. A destruição do casamento vem trazendo uma pesada fatura. A ruptura familiar produz na criança, no jovem, o “rasgão afetivo”, responsável pelo comportamento desajustado.

Resgatar a juventude significa recuperar o conceito de família. Subverte-se a escala de valores da ordem social e com ela vem a desintegração da família, caracterizada como um grave problema do nosso tempo. Evidencia-se o advento de uma nova civilização, com outro quadro de valores, gerado pelas mutações das épocas. Mas, dentro de toda essa mudança, algo deve ser revisto, repensado, como medida salvadora, em termos da união da família, de fortalecimento dos laços familiares.

O número de casas sem pais vem crescendo assustadoramente. Pais ausentes, filhos delinqüentes, diz a regra. Pais fora de casa, filhos entregues à “babá eletrônica”, com maléficas conseqüências. A ausência de vínculos afetivos gera introspecção, frieza, revolta. Família sadia é ainda a melhor receita para uma sociedade sadia. Família que reza unida, permanece unida, nos ensina a Bíblia Sagrada e a sabedoria popular nos adverte: “Colheremos o amargo fruto que a nossa omissão ajudar a semear”.

Violência e droga são aspectos afins,  ambas se prendendo à crise familiar. Uma pesquisa do Ibope, realizada em fins do ano de 1999, em cinco capitais brasileiras, concluiu que os conflitos familiares, o declínio da família, são a principal causa da entrada dos jovens no mundo da droga. De cada 100 adolescentes entrevistados, 35 alegaram que se drogavam para fugir dos problemas familiares. O segundo motivo, a necessidade de ser aceito pelo grupo, vem bem atrás, 15% dos jovens visitados. Um estudo do Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas  (Cebrid), em setembro de 1999, mostrou que 26% dos jovens brasileiros usaram algum tipo de droga, legal ou não. Hoje, esse número, estima-se ser maior. Nas famílias problemáticas, esse índice é bastante superior.

Uma segunda causa apontada para o crescimento da violência infanto-juvenil são os jogos eletrônicos. Uma pesquisa realizada, durante 5 anos, pela psicóloga Paula Gomide, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, com 500 crianças e adolescentes, relata: “Cumulativamente, os efeitos da exposição contínua à violência podem causar sérios danos psicológicos”. Especialistas endossam essa afirmativa, demonstrando forte conexão entre a violência transmitida via entretenimento e sua dramática transposição para a vida real. Um dos videogames de maior sucesso, o Carmageddon, revelou-se um autêntico laboratório de crime e perversão. Um garoto de 12 anos assim se manifestou: “Eu acho dez o Carmageddon. É engraçado ver todo mundo se despedaçando. Eu adoraria poder jogar o carro em cima dos pedestres, principalmente idosos. É legal ver o velhinho sair correndo e a gente atrás”. É uma apologia ao comportamento destrutivo, indiferente ao sofrimento humano, antes, estimulador.

Essa precoce carga de perversidade, estimulada pelos jogos eletrônicos, pode ser mais uma origem de comportamentos patológicos, excessivamente agressivos.

Outras causas são apontadas por especialistas; refletiremos sobre elas na próxima semana.

Baseada em minhas observações e conduzida pelas luzes da Psicologia Comportamental, convido meus leitores a refletirem sobre minha poesia “Estrutura familiar”.

ESTRUTURA FAMILIAR

Pai e mãe, suporte físico e moral,
Estrela-guia das pedras do caminho,
Anjo que fortalece o emocional,
Que dá ao filho a dimensão do espinho.

Pai e mãe, da criança o porto seguro,
Navegando juntos, o alvo é certo,
Em segurança, encara o futuro,
Tendo o amor e a proteção por perto.

Pai e mãe separados, filhos bloqueados,
Crescem divididos, sem referência,
Passam a existência desencontrados.

“O que Deus uniu, o homem não separe”,
Sabedoria bíblica em evidência,
Sua válvula de escape, repare!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2001)

PROJETO EDUCATIVO: PARCERIA ESCOLA-COMUNIDADE

Izabel  Sadalla  Grispino *

O papel da escola mudou, não se centraliza mais em si mesma. Abre-se cada vez mais ao diálogo e abandona conceitos cristalizados. Quanto mais se aproxima dos pais, quanto mais mantém com eles uma parceria afinada, mais alcança a identidade cultural do aluno, os aspectos sociológicos que o cercam e uma aprendizagem real, efetiva.

A desmotivação do aluno é conseqüência da distância entre a sala de aula e o seu cotidiano. A escola deve criar um ambiente que tenha a ver com seu mundo, evitar choque cultural, evitar que ele se sinta “um estranho no ninho”. Busca-se o homem e devolve-o a seu destino, com ampla autonomia.

Cada escola deve achar um canal de comunicação com a comunidade, deve estimular os pais a participarem da vida da escola, de sua gestão, transformando-os em aliados. Deve rediscutir suas propostas curriculares, montar projetos, projetos educativos que a referendam na sua comunidade, em termos de atuação social.

Projeto educativo é o projeto macro da escola. É um projeto político-pedagógico, uma linguagem que democratiza e amplia o conhecimento num entrelaçamento com a comunidade. Traduz-se em trabalhos coletivos, articulados, envolvendo escola, alunos, pais e comunidade, numa metodologia interativa e de cooperação. É a escola se inserindo em sua realidade, promovendo efetivo desenvolvimento social de sua comunidade mais próxima. Coloca o eixo na formação da cidadania e incentiva, por parte da comunidade, todas as formas de participação: consultas sobre a escolha de temas, entrevistas, palestras, visitas localizadas etc. Premia o aluno-cidadão frente aos problemas sociais, politizando-o, espalhando sementes politizadoras por toda a comunidade. Quanto mais consciência da situação social, quanto mais intervém nessa situação, quanto mais campanha cidadã, mais capaz o indivíduo vai se tornando e mais facilmente atingem-se os objetivos. O projeto educativo aproxima a comunidade da escola e vice-versa. A escola passa a ser o fermento de ações sociais educativas.

Esses projetos se utilizam da transversalidade – transposição dos conteúdos sociais para os escolares, quando os conteúdos se tecem como numa rede – e da interdisciplinaridade, da maneira de como trabalhar os conteúdos. Na interdisciplinaridade, as diversas disciplinas se complementam, se interligam, sem que, contudo, venham a perder sua linguagem própria, sua individualidade. A  partir das especificidades, constroem a integração.

A escola irradia-se por toda a comunidade, espalha o exercício da cidadania. O projeto educativo põe ênfase na criatividade individual, grupal, buscando soluções para situações de risco, para contenção da violência, da criminalidade e outros. Mobilizam-se escola e comunidade na busca de respostas à problemática social de diversas ordens.

Pode reportar-se aos mais diferentes assuntos, onde o amor a Deus, ao próximo, à Pátria estão sempre no alicerce das proposituras. Temas como “Minha cidade, minha responsabilidade”, “Vamos arrumar a casa social”, “Cuide bem de mim”, permitem amplitude de objetivos instrucionais e atitudinais. O tema “Ecologia” deve estar presente, obrigatoriamente, no currículo escolar. O estudo da educação ambiental, do ecossistema, da responsabilidade de todos pela preservação do meio-ambiente, pela exploração racional dos recursos naturais, evitando o esgotamento das fontes e impedindo a degradação ambiental. Alunos e professores entrosar-se-ão com pais, com representantes da área do meio-ambiente. Os alunos pesquisarão clima, atmosfera, energia, tecnologia, recursos hídricos, poluição, queimada, desmatamento, com seu efeito universal, envolvendo conceitos de biodiversidade, de efeito estufa, de desenvolvimento sustentável, de desertificação do solo e outros.

A união de propósitos, em torno de um objetivo comum, vai estreitar e fortalecer as relações interpessoais de amizade, de solidariedade, de respeito. Sendo um projeto de educação intencionada, tornar-se-á um capítulo de estudos interdisciplinares. A grande arma está numa metodologia criativa, diversificada.

O professor poderá garantir ocasiões para troca de informações, de idéias, de opiniões, em sala de aula, organizando-a para momentos coletivos, quando terá a oportunidade de contemplar a diversidade apresentada. Não deve reduzir as diferenças, antes, aproveitar a variedade de respostas, promovendo troca entre elas. Poderá garantir momentos individualizados, quando o professor conhecerá melhor cada aluno em sua idealização.

Nesses projetos, o pragmatismo deve estar presente. É importante ao aluno saber que o resultado de sua pesquisa poderá servir de utilidade pública. De nada adianta investir numa pesquisa que não serve para algum segmento da população ou para a vida prática do educando.

O projeto educativo deverá destacar aspectos que levem a um produto final, destinado ao uso da escola e da comunidade como um todo. “Não basta saber, é preciso aplicar; não basta querer, é preciso, também, agir”. (Goethe).

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2000)

AO JORNAL “PRIMEIRA PÁGINA”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “Primeira Página”, deste valioso instrumento de comunicação que São Carlos aprendeu a admirar pelo alto profissionalismo, venho, há vários meses, publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporcionou-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade são-carlense, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Neste ano que se finda, propus-me a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional do ensino vigente.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Inúmeros conceitos nele passei, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida, a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “Primeira Página” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e clareie a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em São Carlos, já vem se tornando habitual, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “Primeira Página”, nas pessoas de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com brilho e persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população.  O jornal “Primeira Página” cresce com São Carlos, coloca-se na vanguarda jornalística. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, competente, que  vem se tornando marca consagrada. Pessoas que lutam por ideais salvaguardam a humanidade. Onde há uma vontade, há um caminho. Parabéns!

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de São Carlos. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos.

A todos vocês, queridos leitores,/ Que esse dois mil e um lhes seja risonho,/ Caminhos abertos, muitos amores,/ Que se realize seu mais lindo sonho.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em dezembro/2000)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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