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Artigos Educacionais

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ALUNOS EM DESAJUSTE DE IDADE E SÉRIE

Izabel Sadalla Grispino *

Em 23 de maio de 2002, o Ministério da Educação (MEC) divulgou dados do Censo Escolar de 2001, onde demonstrou que uma parcela significativa de alunos está atrasada em relação à série ideal. Demonstrou um aumento do número de estudantes que concluem o ensino fundamental e médio com desajuste entre idade/série. A idade ideal para terminar a 8.ª série é 14 anos. Dos 35,3 milhões de alunos matriculados no ensino fundamental 22% têm mais de 14 anos, mas 31%, dos 2,6 milhões de alunos que chegaram ao fim do ensino fundamental em 2000, têm mais de 18 anos. A situação piora no ensino médio: dos 8,4 milhões de jovens matriculados, 54% têm mais de 17 anos e entre os concluintes, em 2000, 49% tinham mais de 20 anos.

O atraso escolar é um problema para a continuidade dos estudos. O aluno ou acaba evadindo-se da escola, abandonando os estudos, ou vai para o ensino supletivo. O crescimento de matrículas, na educação de jovens e adultos, é um indicador da passagem da escola regular para o ensino supletivo. O censo mostra outra parte das distorções quando registra 240,7 mil alunos com mais de 29 anos matriculados na 1.ª à 4.ª série. Esses alunos não deveriam estar freqüentando um curso como o ensino fundamental, mas recebendo um tratamento educacional mais adequado às suas condições.

O censo de 2000 registrou 3,4 milhões de estudantes, o censo de 2001, 3,8 milhões, com um aumento de 11%. Somando-se todos os níveis da educação básica, há mais de 54 milhões de alunos, em 2002, matriculados. Esses dados vêm demonstrar uma explosão de matrículas, uma ênfase na quantidade e não na qualidade.

O número de matrículas no ensino fundamental é bem maior do que a população de 7 a 14 anos, o que mostra o desencontro entre idade e série, ocasionando distúrbios na aprendizagem. São 26 milhões de crianças nessa faixa etária ante 35,3 milhões de matriculados. Essa distorção deve servir de alerta às autoridades da educação, na proposição da criação de modalidades de ensino que equacionem a situação.

Em contrapartida, há uma outra discrepância que deve ser revista: a maior parte dos alunos que fazem o supletivo tem entre 18 e 24 anos. Dos 3,8 milhões, 1,2 milhão estão nessa faixa etária. Mas, o censo mostrou que há crianças em idade para freqüentar a escola regular fazendo supletivo. São 79 mil alunos de até 14 anos matriculados nos supletivos e 530,7 mil de 15 a 17 anos.

O censo constatou, o que já se sabia, que a pobreza é um fator que influi na evasão e na repetência escolar. Comprova o número de ingressantes e concluintes do ensino fundamental. No Nordeste, região mais pobre do País, apenas 38% dos 2,3 milhões de alunos que ingressam na 1.ª série chegam ao fim do ensino fundamental. No Sudeste, região mais rica, 76% chegam ao fim do ensino fundamental.

Abriu-se vaga para todos nesse grau de ensino e a camada mais pobre da população começou a adentrar a sala de aula. Alunos que, provenientes de lares de renda mínima, de pais de baixa ou de nenhuma escolaridade, sem a freqüência à pré-escola, sem estimulação familiar aos estudos, vivendo num ambiente de pobreza financeira e cultural, se esbarram no caminho do aprender e acabam por desistir da escola.

A escola, por sua vez, atua com professores de precária formação, incapazes de uma metodologia que entre no mundo desmotivado desses alunos e os conduzam ao universo do saber. Embora o censo tenha demonstrado um aumento de professores, sobretudo na pré-escola, com curso superior completo – aumento de 40% -- ainda prevalecem os docentes com ensino médio completo: são 169,6 mil de um total de 248,6 mil. Em 2001, 61,3 mil professores de pré-escola tinham cursado uma faculdade.

A mesma situação repete-se com os professores das creches, em que prevalece a formação de nível médio. Dos 63 mil professores de creche, 68% têm diploma de 2.º grau. Na 1.ª à 4.ª série, nível em que 67% dos 809,2 mil professores têm magistério, houve um aumento de 47 mil professores lecionando com  diploma de grau superior.

O aumento de professores cursando o ensino superior é, sem dúvida, fator positivo, a redução de professores leigos, que não concluíram o ensino médio – a qualificação mínima para se dar aulas – foi significativa, de mais de 50%, mas não o suficiente para se reverter a situação da má qualidade do ensino. Em 1998, havia 95 mil docentes leigos, ante 46 mil constatados em 2001.

Duas grandes lições podemos tirar do censo 2001. A necessidade de se programar ações efetivas para a aprendizagem de jovens e adultos, colocando-os frente a uma metodologia que dê conta dessa faixa etária, considerando seus perfis, seus ritmos, e a de investir-se na formação dos professores, criando condições a uma formação continuada e em serviço.

Assistir a pobreza, criar boas condições de trabalho, diminuir o número de alunos por classe, cuidar melhor da escola, são combinações que trarão melhorias na qualidade de ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.           
(Publicado em novembro/2002)

* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em novembro/2002)

EDUCAR PARA OS DIREITOS HUMANOS

Izabel Sadalla Grispino *

O avanço no processo educacional ganha dimensões humanas inusitadas. A escola volta seu olhar para as pessoas de risco, buscando resgatar sua dignidade, na prática do exercício da cidadania. Em localidades carentes, a escola predispõe-se a regularizar a vida da criança, partindo do registro civil.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, em 16 de dezembro de 2002, que em 2000, em um ano, mais de um milhão de crianças não têm certidão de nascimento. Em 2000, 3,2 milhões de crianças nasceram em hospitais brasileiros, mas apenas 2,5 milhões foram registradas em cartórios. Além desses bebês – 700 mil  que não entraram nas estatísticas oficiais -- o IBGE calcula que outros 370 mil nascimentos ocorreram em casa e não foram notificados, levando a um total de 1.070.000 de crianças sem certidão de nascimento, em apenas um ano.

Os chamados sub-registros afetam não só os dados de nascimentos, mas também os óbitos. O IBGE estima que,  nas regiões Norte e Nordeste, 48,2% e 35,6% dos nascimentos não foram registrados em 2000.

A escola, considerando que o sub-registro é um problema sério, envolve a questão da cidadania, entende que o primeiro passo é providenciar o registro dessas crianças. Afinal, quem não tem certidão de nascimento não existe e não pode exercer seus direitos.

Criou-se, assim, a concepção de sujeito de direito, conceito que a escola quer desenvolver nos alunos. Mostrar à criança novos caminhos, estimular a vontade de ser alguém, desenvolver nela a consciência de que tem direitos, tem direito a ser criança, de que é uma pessoa capaz. Estes aspectos são pontos de partida para a educação da cidadania.

Sujeito de direito é uma louvável vertente da escola que quer educar a criança para os direitos humanos, procedimento que atinge tanto a educação formal, como a informal. A educação dos direitos humanos é multidimensional, abrange não só a dimensão cognitiva do aluno, mas a dimensão comportamental, social, afetiva, emocional. Prepara o aluno para ser um cidadão cônscio de seus deveres, suas responsabilidades e dos direitos a que tem e que pode usufruir.

*    *    *

FELIZ  ANO  NOVO

É o que desejo a todos vocês, queridos leitores. Que 2003 os conduza em direção à estrela-maior, reinado do amor, da fé, da esperança. Que sua irradiação transforme a terra num oráculo de canto e de paz.

 

PASSAGEM DE ANO

PASSAGEM DA VIDA

A vida desponta:

Crescemos,

Lutamos,

Construímos,

Energia total.

Vivemos junto à esperança,

Futuro e sonho,

Escritos em aliança.


Eis que o sol poente aparece,

Quanta mágoa, quanta desilusão!

Ausência de fantasia,

Realidade e sangria.

A realização é inconsistente,

A vida é estreita demais,

Sempre se espera fazer mais.

Agora, pouco se olha pra frente,

O passado vira alimento,

A vida se torna lembranças,

Volta-se ao solar da criança.

A vida é canto sonoro,

Passos leves, sem esmagar,

A estrela que tanto brilha,

Lentamente se apaga ao luar,

Andamos tropeçando em túmulos,

Sabendo que haverá a hora de lá chegar!

Vida e tarde que escurece,

O esperar, o desesperar,

Chorar a saudade,

Viver o conflito,

A dor que arrebenta,

Um amor que nos sustenta;

Vão-se as noites de verão,

O inverno chega de antemão.

A vida vale pela paz,

Águas mansas que deslizam devagar,

Não há tempo, nem espaço para a insensatez,

O universo dá a todos pouca vez.

 

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em dezembro/2002)

FORMAÇÃO GLOBALIZADA

Izabel Sadalla Grispino *

Não há desenvolvimento econômico sem uma poderosa estrutura científico-tecnológica, representada, em nosso País, pelas universidades públicas. Necessário se faz fortificar essas universidades para não comprometer a pesquisa, o desenvolvimento baseado no conhecimento. Necessário se faz investir num sistema educacional que nos tire da condição de País de terceiro mundo. Investir numa política efetiva de inclusão pela melhoria do ensino básico, pelo reforço do preparo dos estudantes pobres à universidade e não por facilitadores mecanismos de acesso à universidade, comprometendo a qualidade do ensino superior. Um país sem universidades de excelência e centros de pesquisa de alto padrão não tem como alavancar o conhecimento e tornar-se nação de primeira grandeza.

O futuro será do país que souber reunir conhecimento e indústria. O conhecimento científico, em seu progresso, tem que caminhar juntamente com a aplicação prática, traduzir-se em tecnologia aplicada. A distância entre teoria e prática provoca desajustes consideráveis no produto resultante dessa combinação. Na indústria farmacêutica, por exemplo, mediante as descobertas científicas, parte-se para a produção de medicamentos; pesquisas transformam-se em vacinas.

A prática do conhecimento transitado decide o papel da indústria e seu impulso ao desenvolvimento econômico. A indústria impulsiona a universidade e é por ela impulsionada, criando importantes ações comerciais. O que se quer é que a ciência produzida pela universidade não fique só na ciência, que haja uma comercialização do conhecimento por ela adquirido, da pesquisa por ela desenvolvida. Esse é, sem dúvida, um caminho da recuperação da atividade econômica do país.

Aliado a esse aspecto da transformação do conhecimento em produtos comercializados, um outro ponto interessante a abordar é a criação de um projeto educacional que permita ao jovem estudante ser um cidadão do mundo globalizado. As grandes potências buscam fortalecer as dimensões internacionais de sua educação superior, atraindo investimentos e formas de intercâmbio.

Olhos voltados para o enriquecimento cultural, técnico das universidades, ajudam o mercado, hoje inserido na globalização. Projetos ambiciosos, em determinadas áreas, buscam capacitar o formando na visão internacional, tendo em vista a expansão da economia, o enfoque internacional do nosso comércio. Observadores da área econômica constatam que “todos os negócios estão num ambiente globalizado e mesmo que uma empresa não exporte nada, certamente compra produtos importados ou negocia aquisição de tecnologia”.

A preocupação na formação do estudante vai além do enfoque nacional. A expansão do comércio mundial exige uma crescente necessidade de relações com o exterior. Experiência internacional, no avançar dos anos de estudo, propicia maior visão de mundo, de mercado, conhecimento de tecnologias diferentes e de outras culturas. Essas características ajudarão e muito na colocação de empregos e no desenvolvimento de negócios. A vivência no exterior traz como maior benefício o aprendizado cultural e é isso que faz a diferença numa carreira. A vivência ajuda no crescimento pessoal e profissional.

Felizmente, as escolas despertam para a amplitude das relações internacionais e vem oferecendo, com mais freqüência, oportunidades de aprendizado fora do País. As olimpíadas vem aumentado, tanto na esfera nacional como internacional. Escolas públicas brasileiras participaram recentemente, dezembro de 2004, entre 39 países, da 1.ª Olimpíada Internacional Júnior de Ciência, estimulando a busca do conhecimento. Nas nossas escolas, em geral, o ensino de ciência é ainda muito teórico, com poucas aulas em laboratórios, poucas possibilidades para o aluno criar.

A disputa foi na Indonésia e 6 alunos brasileiros – 4 meninas e 2 meninos de até 15 anos – participaram de 3 dias de provas. Fizeram provas práticas, além de testes e de questões dissertativas sobre química, física e biologia. Atualmente, cerca de 500 mil adolescentes brasileiros participam de disputas em várias áreas do conhecimento. Os medalhistas, freqüentemente, recebem bolsas de iniciação científica ou são convidados a participar de cursos especiais em universidades, uma forma de aproveitamento de talentos e de incentivo ao estudo.

A classe social mais abastada coloca os filhos em escolas internacionais renomadas, onde os filhos falam, desde pequenos, mais de um idioma. São escolas bilíngües, a criança é alfabetizada em português e de acordo com a opção da família em uma outra língua. Apresentam um currículo internacional que assegura a continuidade dos estudos em qualquer país, sem, contudo, descuidar do currículo adaptado à realidade brasileira e às orientações do Ministério da Educação (MEC).

O que se procura é a valorização do contato com outras culturas, formação globalizada, portas abertas para o futuro. Os alunos das escolas internacionais, no convívio com pessoas de outras nacionalidades, no convívio, desde cedo, com outros idiomas, ajustam-se com mais facilidade, com mais abrangência, na realidade contemporânea.

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2005)

UNESCO CONSTATA BAIXA QUALIDADE DE ENSINO NO BRASIL

Izabel Sadalla Grispino *

Apontar, expor, frisar as deficiências do sistema de ensino público têm sido uma constante de educadores, na esperança de que sociedade, governos, responsáveis pela educação da nossa terra, se alertem, se toquem, se chacoalhem, na busca de soluções que venham reverter o quadro penoso que se apresenta. É uma situação que nos humilha, nos empobrece e que, lamentavelmente, persiste por décadas e décadas.

A educação é chave para o emprego e emprego é um dos fatores que mais pesa para se atingir o desenvolvimento sustentável de um país. No atual período de nossa recuperação econômica, a criação de empregos é ponto crucial e nela entra em jogo a educação O mercado pede qualificação, com forte exigência das empresas por mais e melhor escolaridade dos trabalhadores.

Infelizmente, em termos de qualidade de ensino, o Brasil está longe do ideal. O relatório divulgado em novembro p. passado, da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), sobre a educação no mundo, entre 127 países, o Brasil ocupa a triste posição de 72.º lugar. O documento, intitulado Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, diz que falta conteúdo de qualidade ao ensino brasileiro. O Índice de Desenvolvimento Educacional (IDE), criado pela Unesco, dá ao Brasil a nota de 0,899, colocando-o em uma posição considerada intermediária.

O indicador é formado por 4 itens: taxa de analfabetismo, matrículas no ensino fundamental, paridade de gêneros – meninos e meninas – e permanência na escola depois da 4.ª série do ensino fundamental. O item permanência na escola compromete a situação do Brasil. Na universalização do ensino fundamental, o Brasil ocupa a 32.ª posição, mas em permanência depois da 4.ª série ocupa um lugar nada honroso, 87.º lugar, assinalando uma repetência muito alta, dificultando a permanência do aluno na escola. A colocação brasileira no IDE é inferior à do Peru e do Equador.

O relatório da Unesco mostra que o Brasil, junto com Nicarágua e Suriname, é um dos únicos países da América Latina onde a educação obrigatória começa para os alunos apenas aos 7 anos de idade. Na maioria dos países, inicia-se aos 5 e em alguns aos 6. São 2 anos de atraso! A maior parte dos demais países da região leva a educação obrigatória, pelo menos, até os 15 anos. No Brasil ela termina aos 14 anos. Quanto ao número de horas diárias, segundo a Unesco, são necessárias entre 4h25 e 5 horas para as crianças realmente aprender. A média brasileira é de 4h15 e em muitos Estados não chega nem mesmo a 4 horas.

Todos os fatores elencados são de importância para um bom ensino, porém, os fatores essenciais são, sem dúvida, o grande número de alunos em classe, as condições insuficientes de trabalho, com escolas mal equipadas, a baixa qualidade de vida dos profissionais da educação, com seus baixos salários, que os afastam da educação permanente, os desencorajam, revertendo em professores mal qualificados e alunos pouco estimulados. Esse quadro, revelado pela Unesco, só vem comprovar que os nossos sucessivos governos não consideraram educação como essencial. Necessário se faz uma revalorização do professor, acompanhada de treinamento contínuo. Enfrentar o desestímulo à carreira, encorajar o professor de ensino fundamental a freqüentar o ensino superior, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde uma grande parte não possui formação universitária e onde a remuneração gira em torno do salário mínimo.

Se emprego depende de crescimento econômico, não depende menos de uma educação de qualidade, que tem no binômio emprego e renda seus subprodutos imediatos. Estamos vivendo a sociedade do conhecimento, onde o recrutamento se torna cada vez mais rigoroso e diante de nosso desastroso quadro educacional ficam penalizados os indivíduos e o País.

Os avanços em anos de escolaridade têm sido pouco significativos.  Entre 1993 e 2003, brasileiros de 10 anos ou mais tinham, em média, 5 anos de escola, hoje têm 6,4 anos e 6,4 anos é muito pouco para se colocar na sociedade tecnológica, que revoluciona a produção. A mesma deficiência acontece com o grupo de jovens que tem entre 20 e 24 anos e chega a 8,5 anos de estudo. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Rio de Janeiro, IBGE, 2003) mostra que a proporção dos brasileiros que têm 11 anos ou mais de estudos passou de 14,4%, em 1993, para 24,9% em 2003. É um avanço irrisório, visto que apenas um quarto dos brasileiros completa o ensino médio e chega ao ensino superior e três quartos ficam aquém dessa proporcionalidade.

No quesito emprego, em 2003, nas regiões metropolitanas, 98% das vagas oferecidas foram preenchidas por aqueles que cursaram 11 anos de estudos ou mais. Os que não se encontravam nessa situação ou ficaram desempregados ou conseguiram um precário trabalho. O mencionado relatório da Unesco relata que a universalização do ensino fundamental no Brasil, com matrícula de 96% das crianças nas escolas, foi atingida pela Coréia do Sul em 1959! Imaginem o atraso, quase meio século! A Irlanda atingiu o objetivo da educação secundária generalizada no início dos anos 60 e a partir de então abraçou, firmemente, a educação superior. O relatório mostra que essas duas nações são as que mais avançaram em educação, as que mais se projetam nos dias de hoje.

Após a oferta generalizada de vagas, após a ampliação das matrículas, esses países dedicaram-se, de imediato, à qualidade de ensino, bem diferente do que aconteceu no Brasil. Qualificação docente, salário, tamanho das classes, estrutura e equipamentos escolares, foram providências firmemente tomadas por esses países.

Se quisermos elevar nosso nível educacional, temos que remover as causas do baixo desempenho, tomando medidas enérgicas e constantes. Dar ao povo uma boa educação é elevar o padrão de vida desse povo, trazer bons empregos, bem-estar e estímulo coletivo. Dar ao povo uma boa educação é garantir cidadania a todo indivíduo, valorizando o pessoal e o coletivo. É construir, realmente, um País melhor para todos!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2004)

UM OÁSIS NO MEIO DO DESERTO

Izabel Sadalla Grispino *

Num cenário de desolação do nível de ensino de grande parte das escolas oficiais, surgem, esporadicamente, escolas abraçando experiências educacionais promissoras, alentadoras. São escolas que não nos deixam esmorecer e nos fazem acreditar que a reabilitação do ensino pode ainda ser real.

É preciso haver curiosidade, vontade de conhecer, de aprender. Aparentemente, uma escola igual às demais torna-se realce nos processos de ensino-aprendizagem. É uma escola que tem muito a mostrar, a ilustrar, o passar experiências e ajudar os professores no trajeto da sua prática didático-pedagógica.

A pesquisadora educacional Jane Wreford, a serviço do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, analisou várias escolas públicas da Grande São Paulo, em 2002. Meio a muitos desencantos, como a falta de preparo do professor da rede oficial para atrair a atenção dos alunos, ela se deparou com uma escola estadual, na periferia de São Paulo, que computou excelente. A Escola Parque Piratininga II, escola de comunidade pobre, em Itaquaquecetuba, extremo leste da metrópole, chamou-lhe a atenção pelo bom estado de conservação e pelo seu processo de aprendizagem.

Logo, ao entrar, observou um salão de entrada pintado, decorado com trabalhos dos alunos, mobiliado com cadeiras e mesa de junco, aspecto de sala de espera. A escola possui uma organização pedagógica capaz de servir de modelo. Nas paredes da sala dos professores, havia gráficos expostos, um para cada série, que mostravam as mais recentes avaliações de professores de cada matéria. Ao observá-los, notavam-se as áreas preocupantes por classe e por disciplina. Junto aos gráficos, no lado oposto, estavam os planos de trabalho de cada uma dessas áreas.

A diretora da escola conta com indicadores de rendimento próprios. O ensino é planejado e avaliado. Os novos professores são treinados para usar método de ensino interativo, aplicar projetos que atraem o interesse dos alunos e possibilitam trabalhos originais. Ficam à disposição dos professores substitutos os dados sobre cada classe, com planos de ensino em andamento e cópia da ficha de cada aluno.

Os alunos depositam sugestões numa caixa que serão, semanalmente, avaliadas pelos professores. Os períodos escolares são organizados por faixa etária, propiciando um convívio mais harmonioso e salas de aula montadas com materiais e livros apropriados. Nelas encontram-se expostos trabalhos dos alunos, desenhos, numa apresentação agradável. Incentivam-se os alunos a permanecerem na escola após o término das aulas. A biblioteca da escola, embora modesta, com cerca de 6 mil livros, é muito bem organizada. Todos os livros são identificados por títulos, na lombada, e expostos de modo atraente. A biblioteca fica aberta aos alunos e à comunidade por todo o horário de aula. Os atendentes são voluntários, entre eles alunos mais velhos, fora do período de aulas.

Os maiores problemas, relatados pela direção, são a grande rotatividade e as faltas dos professores. A maioria vem de outras regiões da cidade, sem incentivo para trabalhar na periferia. Ao lidar com tantos funcionários novos, a escola despende muito tempo treinando-os para o método adotado.

Esse treinamento dado a todos os professores, novos e antigos, é uma forte característica positiva, da escola, a ser ressaltada. Outras características são a ênfase ao trabalho de equipe, à auto-estima dos profissionais e  currículo e gráficos da avaliação dos alunos, expostos nas paredes da sala da diretoria.

Apesar de a escola estar inserida numa região assolada pela violência, não havia paredes pichadas. A escola, ao trabalhar a comunidade, passou a ser respeitada e protegida por ela. Os alunos limpam a sola do sapato, tiram o barro quando chove, para entrar na escola. São alunos envolvidos com a aprendizagem, não faltam às aulas e interessam-se pelo material didático; muitas salas têm TVs e vídeos, bastante usados pelos alunos. Os professores aprendem que nessa escola “as aulas precisam chamar a atenção dos alunos”. Vem daí, em grande parte, a presença maciça dos alunos em sala de aula. O nível de conhecimento dos alunos é tido como muito bom, assemelhando-se ao das escolas particulares. Cultiva-se um ambiente escolar cooperativo, evitando a competição, gerando calma, ausência de brigas. A orientação dada é para que todos os alunos se sintam igualmente importantes na escola.

O rendimento dos alunos é discutido em reuniões semanais e mensais, em conselhos formados por professores e estudantes. O aluno participa da avaliação e conscientiza-se da importância de estudar.

A escola aprimora-se na oferta da merenda escolar. É feita com alimentos frescos, de qualidade e preparada diariamente. Servem-se verduras, legumes e frutas todos os dias. Carne e ovos regularmente. A higiene da cozinha e do refeitório é notável. É oferecido aos alunos um complemento nutricional que os revigora e os deixa mais aptos às aulas. Os alunos elogiam a comida que comem.

Dentre os projetos da escola, há projetos-piloto destinados a promover a inclusão social, fortificar as relações comunidade/escola, criando entre elas cumplicidade e ajuda mútua. Os pais começam a entender a importância da participação direta na escola do filho, passando, inclusive, a ela a sensação de mais segurança. Quando os filhos têm problemas no estudo estes são discutidos por pais e professores, evitando que um culpe o outro, mas fazendo com que cada um dê  o melhor de si para a aprendizagem do aluno. Cria-se um pacto de responsabilidade mútua pelo comportamento e pela aprendizagem do aluno.

Essa é uma escola que deve ser preservada. É uma referência educacional que precisa ser cuidada, referência que reverterá em benefício dos estudantes, recursos de que a nação precisa para se desenvolver.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em março/2004)

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

Na semana passada abordei, sobre o processo de Avaliação da Aprendizagem, o item “Conceituação”. Hoje, teremos, também em forma de versos, o segundo item anunciado, “Aspectos do Desenvolvimento”.

Na conceituação, pudemos perceber que a avaliação é um processo contínuo de pesquisas, que visa estudar e interpretar os conhecimentos, habilidades e atitudes dos alunos, tendo em vista mudanças esperadas no comportamento, propostas nos objetivos da escola, a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas no planejamento do trabalho do professor, da escola como um todo. Propõe-se, então, indagar o que avaliar? O que deve ser avaliado no aluno?

Não são só os aspectos cognitivos, as habilidades lingüísticas ou matemáticas, que devem ser avaliados, mas, também, os diferentes valores, os diferentes comportamentos, os amplos aspectos do desenvolvimento do aluno. A avaliação abrange as inteligências múltiplas, afloradas nas potencialidades do aluno. O professor, ao dar oportunidade a que os alunos se expressem, perceberá, em suas manifestações, as diversas habilidades – corporal, espacial, naturalista, interpessoal – que não podem deixar de ser acolhidas, consideradas.

O objetivo da escola vai além da transmissão do conhecimento, por isso outras áreas do comportamento devem ser avaliadas para que haja compreensão dos fatores que impedem o progresso do aluno nos estudos.

ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO

“A escola tem fins mais complexos,            Desenvolve amplas capacidades,
Que a construção do conhecimento,            O criar, o inventar, variado engenho,   
Avalia, em conteúdos anexos,                        No mundo atual, versatilidades
Aspectos do desenvolvimento.                       Se igualam ao intelectual empenho.            
Observa o aluno em aspectos amplos,        O mercado quer generalista,
O ligado ao físico-motor:                                  Saber eclético, articulado,  
Deficiências, visão, vários ângulos,              A época do régio especialista
Que influem no agente receptor.                   Ficou distante, hoje é passado.

Outro aspecto, o social-afetivo,                     A avaliação não é sempre igual,
Reflete a classe, a reação pessoal,              É usada em variada situação,
Liga-se ao aspecto cognitivo,                         Quanto mais prova sem ar formal,
Em entrelaçamento total.                                Mais rica será sua atuação.

Avalia tipos de aprendizagem,                       Ensino-aprendizagem contínuo
Às faculdades dá preferência,                       Requer avaliação permanente,
Promove ensino qualitativo,                           Objetivo claro, nada ambíguo,
Atenuando, assim, a repetência.                  Mestre e aluno em constante corrente.

Adota variados instrumentos,                       Padrões de rendimento aceitável
Lápis, papel, não são suficientes                 Eliminam discriminação,
Para avaliar desenvolvimentos,                   Teste com validade, confiável,
Com seus comportamentos reagentes.    Suaviza o ensino e evita evasão.

Ressalta aspectos qualitativos,                   Se o ensino-aprendizagem vai bem,
Habilidade e competência,                            O educando marcará vitória,
Insiste em métodos reflexivos,                    O professor se avalia também,
Trabalha atitudes com freqüência.              Louvor é dado à sua trajetória.”

 

* Supervisora de ensino aposentada           
(Publicado em agosto de 2000)

EXAME NACIONAL DE CURSOS, O “PROVÃO”

Izabel  Sadalla Grispino *

Fui solicitada, por estudantes universitários, a escrever sobre o Exame Nacional de Cursos (ENC), o chamado “Provão”. Os estudantes queriam saber o porquê do Provão e qual sua real finalidade. Já discorri, anteriormente, sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), quando, então, abordei, de passagem, o Exame Nacional de Cursos, o “Provão”: “O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é totalmente diferente do Exame Nacional de Cursos, o “Provão”. O “Provão” não dá conseqüências individuais, é feito para avaliar o curso superior. No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), as conseqüências são individuais, possibilita o acesso ao ensino superior, embora não dê direito garantido como dá, por exemplo, o vestibular. Vai depender do critério adotado pela escola”.

O Exame Nacional de Cursos, o “Provão”, foi instituído pelo MEC, em 1996, com a finalidade de avaliar, através do desempenho do aluno, a qualidade de ensino das instituições de nível superior. Esse exame tem como função principal induzir a qualidade de ensino dos cursos de graduação. É uma prova aplicada todos os anos nos alunos que estão concluindo o curso de graduação. O exame mede as habilidades e as competências adquiridas pelo aluno durante o curso. O aluno é obrigado a fazer a prova, sob pena de não receber o diploma de conclusão de curso. As comissões que elaboram os exames definem os objetivos, o perfil ideal do graduando, as habilidades exigidas ao longo do curso e os conteúdos que o estudante precisa dominar ao fim da graduação.

O “Provão” visa preparar uma prova abrangente, que verifique mais a capacidade do aluno, desenvolvida no período de formação, o raciocínio, que os conteúdos memorizados, ou as fórmulas decoradas. O que se busca não são as especificidades, mas a formação geral, os conhecimentos e as habilidades fundamentais. Não se restringe ao conhecimento, quer avaliar também a capacidade de o aluno aplicar o que aprendeu.

O “Provão”  está preocupado com a formação acadêmica, com a qualidade dos cursos de graduação. O que se constata é que, freqüentemente, se colocam os profissionais mais inexperientes na graduação, diz o MEC. Os exames devem refletir o que a comunidade acadêmica pensa sobre a formação profissional na graduação.

Além da prova, o formando responderá um questionário-pesquisa sobre o perfil socioeconômico, através do qual é possível saber a avaliação que ele faz do próprio curso. O questionário é uma espécie de levantamento de opinião; traz a opinião do aluno, que se reverte numa informação importante, porque, “quando 60% dos alunos dizem que tal curso é fraco, quem vai planejar o curso terá de levar em consideração esse dado. A opinião dos alunos é um instrumento de análise”, reforça o ministro da Educação.

O Exame Nacional de Cursos, o “Provão”, tem por objetivo complementar as avaliações mais abrangentes das instituições e dos cursos de ensino superior – como análise do corpo docente e da infra-estrutura – visando a melhoria dos cursos de graduação. Ele é parte do processo de avaliação das instituições. Outros itens compõem a avaliação: grau de titulação – especialização, mestrado, doutorado – nível de dedicação dos professores, volume de publicações, adequação dos métodos pedagógicos, nível de proximidade com o mercado de trabalho, qualidade de laboratórios, bibliotecas e correlatos. São, portanto, três aspectos de universo pesquisado: qualificação do corpo docente, organização didático-pedagógica e instalações.

Considera-se que mais importante do que os resultados das provas, no entanto, serão os efeitos do “Provão” sobre as faculdades. Haverá, sem dúvida, um espaço maior em direção à qualidade da aprendizagem. O ensino superior só tem a ganhar com as avaliações. Elas promovem uma salutar concorrência entre as instituições e possibilitam, inclusive, identificar cursos conhecidos como “fábricas de diplomas”.

Os resultados acumulados em 5 anos de Exame Nacional de Cursos (ENC) serão fundamentais para o recredenciamento das instituições universitárias, pelo Conselho Nacional de Educação. Serão credenciadas a cada 5 anos como universidades, centros universitários, faculdades integradas, faculdades, instituições superiores ou escolas superiores. Se por 3 anos consecutivos esses cursos tiverem conceitos D ou E e se o MEC verificar que as providências não foram tomadas, elas podem ser descredenciadas. Em contrapartida, as faculdades que tiverem bons resultados consecutivos poderão obter a concessão para abertura de vagas e criação de novos cursos.

O MEC publicou portaria vinculando os resultados do “Provão” a uma maior autonomia das universidades e centros universitários em criar cursos ou expandir suas redes. Com o objetivo de premiar a qualidade das instituições, as universidades e centros universitários, com 2 anos de conceitos A e B, na maioria dos indicadores de avaliação, podem abrir cursos de graduação fora de suas sedes, sem autorização prévia. Já instituições com conceito A, por 2 anos, podem ampliar seus cursos em até 3 municípios, dentro do estado no qual estão instaladas.

As instituições poderão sofrer um início de processo de fechamento dos cursos se revelarem, em seqüência, mau desempenho do “Provão”. Já há casos de cursos superiores que iniciam o processo de fechamento de cursos que já receberam os piores conceitos (D ou E) nas duas últimas edições do “Provão”. Caso obtenham um terceiro resultado negativo, serão submetidos a processo de renovação do reconhecimento pelo MEC, sob o risco de serem fechados. Se vierem a repetir o mau desempenho, serão visitados por comissões de especialistas para verificar a qualidade de ensino. Com base no relatório dessas comissões, o Conselho Nacional de Educação (CNE) decidirá se renova o reconhecimento dos cursos. Ser reconhecido é condição indispensável para a validade dos diplomas. Também são submetidos à renovação, com risco de fechamento, os cursos com conceito insuficiente em pelo menos 2 ou 3 itens da “Avaliação das Condições de Oferta” – em que especialistas visitam as instituições para analisar os professores, as instalações e os currículos.

O Exame Nacional de Cursos, o “Provão”, teve o mérito de colocar na pauta da discussão a qualidade dos cursos de graduação. Sinaliza, sem dúvida, política de melhoria do sistema. É forte argumento de mobilização dos universitários e de reflexão dos dirigentes escolares para a necessidade de mudanças, de atualização dos cursos, da qualidade do ensino.

*Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em junho/2000)

MATÉRIAS HUMANÍSTICAS PARA O ENSINO MÉDIO

Izabel Sadalla Grispino *

O currículo do ensino médio passa por reformulação. Em novembro de 2002, a Secretaria da Educação estipulou um acréscimo na grade curricular do 2.º e do 3.º ano, das escolas da rede pública estadual, incluindo as disciplinas: filosofia, sociologia e psicologia. As escolas incluirão pelo menos uma dessas três disciplinas. A decisão sobre as matérias a acrescentar cabe à própria escola.

O aumento do número de disciplinas, de 9 para 12, não é, contudo, acompanhado do aumento da carga horária, que continuará sendo de 5 horas no período diurno e 4 horas no noturno. As escolas passarão a ter menos aulas das disciplinas tradicionais, como língua portuguesa, matemática, história, geografia ou inglês.

A inclusão das novas disciplinas contempla uma reivindicação da classe do magistério, que defende o enriquecimento do currículo, em matérias que ajudam a formar consciência de cidadania e a desenvolver  criticidade. Louva a inclusão, mas lamenta a diminuição da carga de outras disciplinas. Esperava que ela fosse acompanhada de uma hora a mais na carga diária. Considera as matérias filosofia, sociologia e psicologia importantes para a formação integral dos alunos, mas não concorda com a proposta de diminuir a carga das outras disciplinas. Entende que essa redução vai afetar o montante da aprendizagem. Sugere a volta da grade curricular de 1997, quando os alunos tinham 6 aulas de 50 minutos no diurno e 5 no noturno.

O secretário de Estado da Educação, Gabriel Chalita, contra-argumenta, dizendo que a redução no número de aulas das outras disciplinas, de 5 para 4, é muito pequena e em nada interferirá na qualidade do ensino.

A Secretaria ainda define uma cota mínima de horas-aula para 2003 das matérias tradicionais, um valor que seja suficiente para não prejudicar os alunos, diz ela. Para o Ministério da Educação, a mudança não vai atrapalhar as outras matérias, podendo, inclusive, ajudar na compreensão geral. “Os alunos poderão melhorar o seu desempenho em outras matérias porque passarão a ter uma compreensão melhor dos assuntos”, diz a diretora do Ensino Médio, Maria Beatriz Gomes da Silva.

As escolas, pela legislação, têm autonomia para definir como incluir novas disciplinas. A lei exige, apenas, que sejam dadas no mínimo 800 horas anuais e 200 dias letivos.

A concepção atual de currículo é formulá-lo, não por disciplinas estanques, mas englobadas, atadas em áreas de conhecimento, favorecendo o método interdisciplinar. Para abraçar a reforma, precisam-se derrubar as paredes do individualismo das escolas. Formar uma comunidade de professores que discuta o entrelaçamento de suas disciplinas, evitando a compartimentalização. Hoje, a idéia é do profissionalismo interativo, o de atuar em conjunto, melhorando o ensino, não por partes, mas no todo, como uma comunidade. O conteúdo de uma disciplina completa o da outra, liga-se um no outro, numa amplitude de conhecimentos. Os professores precisam aprender a trabalhar mais unidos, tanto no aspecto conceitual, como no atitudinal e no comportamental. Portanto, o número de aulas não é o grande fator preponderante, mas, sim, como essas aulas são dadas, como se entrosam, se complementam, enriquecendo-se mutuamente. A qualidade não provém apenas da quantidade de aulas, mas da capacitação do professor, do compromisso com o ensino, dos investimentos empregados.

Na tentativa de melhorar a atuação do professor, criam-se movimentos paralelos que venham contribuir com a escola. Foi lançada em 26 de novembro de 2002, no encontro “A Escola dos Nossos Sonhos”, a idéia da criação de um espaço permanente de debates e sugestões para a melhoria da escola pública. Espaço que teria o caráter de fórum permanente da educação, com a participação de sindicalistas, empresários, pais de alunos, jornalistas, organizações não-governamentais entre outros setores da sociedade.

A partir de fevereiro, a cada 2 meses, um grupo de convidados se reúne na capital e apresenta suas idéias. Simultaneamente, a Secretaria deseja estimular encontros semelhantes, de pais, associações de amigos de bairros e líderes comunitários, nas 89 diretorias de ensino do Estado. A proposta é de que os encontros reunam, de preferência, pessoas de fora da escola, para tratar de assuntos referentes a ela.

Segundo o pensamento da Secretaria, os educadores já são ouvidos em outras instâncias. Quer, a cada 2 meses, 20 pessoas, que não sejam da rede pública, atuando como um conselho, cujo peso de suas opiniões será de alto alcance.

Será um peso ao lado do grande peso que é o Conselho Estadual de Educação. Um Conselho que forme canais de discussões sociais, levante questões, proponha soluções em aspectos relevantes, esquecidos ou desconsiderados pela Secretaria da Educação.

Arregimentam-se forças  a fim de tornar a escola uma alavanca da nacionalidade. Espera-se que se leve a sério tal iniciativa, que lhe dê consistência e a estimule à continuidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2003)

DESPERTANDO-SE PARA A CAUSA DO DEFICIENTE

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade começa a despertar-se para o diferente. Uma nova postura, um novo olhar se descortina para os grupos minoritários, mesmo porque não se pode penalizar as pessoas por suas deficiências, pela cor de sua pele ou por sua origem étnica. Tem que haver a “discriminação positiva”, isto é, a criação de normas favoráveis às minorias.

Os diferentes galgam, aos poucos, conquistas significativas, como o maior acesso ao trabalho e à educação especializada. Pessoas cegas, mudas, surdas, deficientes mentais ou físicos, conquistam a cidadania, incluindo-se favoravelmente na sociedade. Avanços são notados, como a criação de cursos de informática dirigidos aos deficientes, o aumento, segundo levantamento de dados em 16 cidades, de 475% no número de deficientes empregados, a construção em São Paulo de 108 rampas de acesso e o aplaudido bicampeonato mundial de futebol para cegos, atividade comprovando que habilidades independem da visão.

A informática tem se revelado um instrumento valioso na inclusão social, por facilitar a comunicação e o aprendizado. Há um curso oferecido pela organização não-governamental Transformar Associação para o Desenvolvimento do Portador de Deficiência, com o apoio da empresa Convergys e Metodologia do Comitê para Democratização da Informática (CDI), onde 15 crianças e adolescentes com disfunções neuromotoras participam da Escola Especial de Informática, que se formou pela parceria instituída com a organização. O número de participantes vem crescendo e para o ano de 2003 serão 30, conforme afirma a presidente da Transformar.

Outros comportamentos, a favor do deficiente, vêm surgindo na esfera social. A legislação determina às empresas, com mais de 100 funcionários, a contratação de 2% de deficientes. Em Osasco, a fiscalização para a aplicação da lei registrou em 16 cidades da região de Osasco, através da Subdelegacia Regional do Trabalho, um número recorde de 1.710 trabalhadores portadores de deficiência no mercado regional. Em empresas com mais de mil empregados, o percentual é de 5%.

Mas, o que se depara, conforme confirma o coordenador do Centro de Cidadania, Carlos Aparício Clemente, é que os números escondem uma falsa realidade: “A lei não define o nível de deficiência, as empresas contratam pessoas com deficiência auditiva leve como se fossem surdas”.

Também merecem ser citados um curso de pesca amadora, dedicado a pessoas surdas, e um novo site da Associação de Desporto para Deficientes (ADD), o www.add.org.br, que é uma grande fonte de informação sobre deficientes brasileiros. Um outro fato, são as condições de acessibilidade às lojas da maior rede de varejo do País. O grupo Pão de Açúcar lançou, em suas 505 lojas, o selo de acessibilidade, símbolo universal de acessibilidade, que garante autonomia e comodidade para a circulação de pessoas com deficiência.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), com professores traduzindo a linguagem de sinais, ofereceu à Escola de Educação Especial Hellen Keller um curso para 80 garotos surdos, de 4 a 16 anos, de pescadores amadores. Esse curso iniciou um programa que vai se estender por todo o País. Ensina-se a pescar e a não provocar danos ao meio ambiente, como, por exemplo, não jogar lixo na rua, porque esse lixo acaba chegando aos rios, poluindo suas águas e deteriorando a carne do peixe.

Apesar das conquistas obtidas, há ainda muito o que fazer para que o grupo de deficientes, 14,5% da população – cerca de 24,5 milhões de pessoas – conquiste uma melhor cidadania. Quebrar as barreiras do preconceito é a grande caminhada. Os empregadores os vêem como alguém de baixa capacidade de resolução de problemas, mas, por avaliação, os deficientes, quando bem orientados, desenvolvem um trabalho de forma capaz. Rendem como qualquer outra pessoa. Falta-lhes igualdade de oportunidades e condições apropriadas, como as construções arquitetônicas representadas por prédios sem rampas, a dificuldade de transporte, principalmente em ônibus, e a falta de  clareza na legislação, são os grandes obstáculos das pessoas com deficiência.

O que se espera é que as leis definam os critérios de deficiência, para adequá-los convenientemente à realidade. Há conquistas por parte dos deficientes, que nos orgulham e nos animam à contribuição. Conquistas que confirmam o seu potencial, a excelente performance em atividades de várias naturezas. No futebol, por exemplo, a seleção brasileira de cegos destaca-se com dois títulos mundiais e disputou, invicta em 2002, o III Campeonato Mundial.

Mizael Conrado, de 25 anos, cego desde os 13, foi considerado o melhor jogador de futebol de 2001. O futebol para cegos é jogado com guizos na bola e os atletas usam vendas para evitar a vantagem dos que ainda têm um pouco de visão.

É salutar envolvermos com a causa do deficiente, formando fileiras, núcleos de ajuda, para o desenvolvimento de sua auto-estima, advinda, principalmente, da realização de suas potencialidades.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em janeiro/2003)

FACES DA VIOLÊNCIA

Izabel Sadalla Grispino *

A criminalidade está crescendo e o povo está em pânico. Ela se expande, evolui de tal modo que vivemos por ela cercados, em período integral.

Há alguns meses, escrevi sobre violência no artigo “A violência nas escolas”, revelando a face da miséria, do abandono, do desemprego, da exclusão social. Retratava a classe pobre, crianças e jovens das favelas, das periferias. Dizia eu: “A violência, entretanto, não é fruto da escola, não se origina nela. A escola trabalha com o efeito, as causas lhe são externas. A violência nasce nos becos das favelas, nas ruelas escuras das periferias, na urbanização desenfreada, desordenada. Ela nasce da miséria, do desajuste familiar, da ausência de condições razoáveis de vida, da ausência de educação. A violência é fruto de um conjunto de fatores socioculturais, por isso a escola sozinha não tem como resolver o problema. É necessário uma ação de todas as instituições, ações multidisciplinares, interdisciplinares, envolvendo escola, família, igreja, judiciário, polícia e governo”. Pesquisa feita pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade de São Paulo demonstra a relação direta entre pobreza e violência. Demonstra, ainda, que a violência se concentra em áreas de maior população, com moradores de menor renda e de baixa escolaridade.

Hoje, outra face da violência se descortina. De suas origens maltrapilhas, ela avança e atinge a classe média e a classe média-alta. Notamos, com freqüência, em noticiário policial, crimes, vandalismo, consumo e tráfico de drogas, estampando jovens de perfil revelador de classes abastadas. O novo delinqüente veste roupa de grife, freqüenta colégios caros, tem carro próprio. É jovem bem-nascido, que se caracteriza por comportamento anti-social. Os fatores apontados para esse desajuste recaem, prioritariamente, sobre a desestruturação da família. Pais separados, desestabilizando o emocional dos filhos, a perda de referência ou pais, mesmo juntos, que pecam pela falta do exercício da paternidade. Pais excessivamente preocupados com sua ascensão profissional, sem tempo e nem vontade para conversar, para interessar-se pelo dia-a-dia do filho ou simplesmente sem vontade de abraçar, fazer o filho sentir-se amado e importante. Esse distanciamento derruba pilares na estrutura da alma, cria vazios afetivos. Esses pais procuram compensar suas ausências com valores materiais, carro, boa mesada, jóias, celular, empurrando o jovem para o consumismo. Na ânsia de querer bens, cada vez mais sofisticados, os jovens acabam enveredando por sendas ilícitas.

Os pais, sempre distantes, sempre “ocupados”, abrem caminho para que a permissividade aconteça, para uma educação sem limites, sem balizas éticas. Os jovens começam por transgredir normas e valores e acabam caindo num consumismo agressivo. Filhos precisam de pais por perto, de carinho, de atenção, de companheirismo. Precisam de uma mão firme, conduzindo, orientando. A falta do suporte emocional gera insegurança, fragiliza e torna o jovem presa fácil do ilícito. O fortalecimento da família, as relações pais e filhos devem ser aprimoradas e pais conscientizados da importância do diálogo, do amor na criação dos filhos e do sentimento de religiosidade.

Entre outros agravantes da violência, citam-se a influência via TV, cinema, os delírios dos shows de auditório, a valorização do sucesso, independente do meio utilizado, ou os desvios comportamentais, vistos com aparência de normalidade.

O crime evoluiu em toda a sua dimensão. A criminalidade atinge todas as camadas sociais. Agiganta-se e tem sua outra face nas megas organizações nacionais e internacionais, que se apoiam no próprio progresso tecnológico e empresarial. O crime organizado atua com eficiência, portando poderoso arsenal bélico. Confronta-se, entre nós, com uma polícia depauperada, tanto em recursos humanos quanto instrumentais, sempre havendo grande possibilidade de o bandido não ser apanhado e, quando preso, se evadir. Ele foge pelo subsolo, por terra, pelo ar, quando não, garante sua impunidade através de um esperto advogado, que encontra no Código de Processo Penal chances de recurso e de prescrição da pena. A violência tem, também, a face das táticas de guerrilhas, dos movimentos armados, que se especializam em assaltos a bancos e, mais freqüentemente, em seqüestros milionários.

Tráfico de drogas, contrabando de armas e seqüestros saem dos  bilhões de dólares que se sustentam, largamente, pela lama das favelas. Hoje, populações inteiras de  favelas vivem à custa das drogas, único emprego ali existente. A miséria, material ou espiritual, é o instrumento que sustenta o banditismo, que lhe dá suporte financeiro.

Voltando à escola, direi que ela precisa conhecer para combater, para conscientizar. Deve aproveitar as reuniões de Pais e Mestres, os Conselhos de Escola, oportunizar outros encontros, para esclarecer, para discutir e atuar, conjuntamente, na prevenção da violência. A escola exercerá um papel fundamental no combate à criminalidade, na medida em que conclamar pais, comunidade a se juntarem a ela, nessa luta de extrema gravidade e que exige a participação de todos nós. Este artigo inspirou-me os versos abaixo:

 

SOCIEDADE AO DEUS-DARÁ

 

Abro o jornal; morte, violência,

É o caos, uma irreverência!

São barbáries tão recorrentes,

Que passam como inexistentes!

O homem parece anestesiado,

Prostra-se, não tem mais reação,

É um ser vivendo angustiado,

Sofrendo, sem apelação!

Miséria e lama nas favelas,

Todo um pessoal desempregado,

Coabitando à luz de velas,

Num viver marginalizado!

Brutal inversão de valores,

Cultiva dores, nunca flores,

Cidadania que é bem comum,

Torna-se privilégio de alguns!

O grito rouco de socorro

Fica congelado no morro,

Ensurdecido ao governante,

Com seu discurso humanizante!

De oratória em oratória,

Fica mais negra a trajetória,

E essa vida, que é tão bela,

Está virando triste cela!

 


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2005)

A DIFÍCIL ARTE DE EDUCAR

Izabel Sadalla Grispino *

No meu artigo “A outra face da educação” abordei a crescente onda que se forma de crianças e jovens malcriados, em desencontro à boa educação. O grande mal-estar gerado leva os próprios jovens a solicitar o ensino da ética, da moral, nas escolas de ensino médio, segundo uma pesquisa realizada pela U.F.P.A.

SAÚDE ALIMENTAR E POSTURAL DO ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da simples transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada.

EDUCAÇÃO RURAL

Izabel Sadalla Grispino *

O Brasil, com suas políticas públicas para a educação voltadas às grandes cidades, começa a estender o olhar para a educação do campo.

Professores, sem formação superior que já trabalham na zona rural, poderão, agora, freqüentar uma faculdade e receber diploma de professor rural. Universidades federais, como as de Minas Gerais (UFMG), da Bahia (UFBA), de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, de Sergipe (UFS) e a Universidade de Brasília (UnB) vão oferecer, a partir de junho do corrente ano, cursos de graduação, com 50 vagas em cada universidade, duração de 4 anos, para professores do campo.

Licenciatura com essa formulação é novidade no Brasil. O analfabetismo na zona rural atinge 29,8% dos adultos, enquanto na cidade o índice é de 8,7%. 41,4% dos alunos da zona rural estão fora da série adequada. De cada 5 professores só um tem diploma universitário, fator ainda mais lastimável quando, segundo o MEC, metade das escolas brasileiras está no campo, sendo a formação profissional fator preponderante à aprendizagem.

O curso abrange aspectos específicos da pedagogia da terra. A educação rural tem especificidades próprias, condizentes à lavoura e à situação do local, em que a escola está inserida. O número reduzido de alunos e de professores  leva à formação de salas multisseriadas, onde alunos de séries diferentes se agrupam na mesma sala e recebem aulas do mesmo professor.

Outra particularidade da escola do campo é a chamada pedagogia da alternância. Na época do plantio e da colheita, os alunos ficam sem aulas para ajudar nas tarefas do campo, evitando a evasão. As semanas sem aulas serão repostas após essa fase.

Os cursos têm a preocupação de elevar a auto-estima dos professores e, por tabela, dos alunos, ressaltando os valores do campo, atitudes e tradições de seus moradores. O aluno da roça tende a valorizar as coisas da cidade, colocando os costumes da roça em posição de inferioridade; preferem, por exemplo, o suco artificial, produto químico, que o natural das frutas por ele colhidas.

Pela orientação do MEC, os cursos não podem ser pré-moldados; devem se apoiar na realidade do campo, que é muito diversificada, muito heterogênea. Elabora-se uma nova pedagogia assentada na educação rural, porém, abriga a pedagogia geral, abrangente, de todas as escolas, urbanas ou rurais. Prepara o professor para desenvolver no aluno habilidades fundamentais à sua formação, incluindo a habilidade de aprender continuamente, com iniciativa e responsabilidade.

Escola da cidade ou do campo deve formar cidadãos críticos, criativos, capazes de atuar, como vencedores, no atual mercado de trabalho, seja urbano, seja rural.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro de 2007)

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, ZONA LESTE DA CAPITAL

Izabel Sadalla Grispino *

A zona leste da capital terá a sua Universidade de São Paulo, USP. As obras do futuro campus da USP Leste estão bem adiantadas, com o primeiro vestibular previsto para 2005.

A USP Leste, segundo o que se depreende do noticiário divulgado, decidiu por novos cursos, em número de 12, sem se ater a pesquisas de opinião dos maiores interessados, os alunos. Entendeu a USP que era momento de inovar, formar profissionais para as demandas do mercado, criar novas demandas e não aumentar vagas nos cursos conhecidos, como Medicina, Engenharia ou Direito, embora estes tenham sido os cursos mais citados e solicitados pelos alunos.

Dos 12 cursos sugeridos pelo campus Zona Leste 10 foram aprovados: Lazer e Turismo; Tecnologia Têxtil; Gestão Ambiental; Licenciatura em Ciências da Natureza; Sistemas da Informação; Gestão em Políticas Públicas; Ciências da Atividade Física; Marketing; Gerontologia e Obstetrícia. Foi aprovado um 1.º ano de ciclo básico para os 1.020 alunos previstos.

Uma pesquisa realizada pela própria USP, concluída em junho de 2003, com os alunos que estão terminando o ensino médio, mostra um descompasso entre o que está sendo oferecido e o que foi solicitado por eles. A pesquisa ouviu mais de 5 mil alunos das escolas públicas e privadas e cursinhos. Foram ouvidas 5.697 pessoas, com 5.280 questionários, em 49 escolas de ensino médio e 15 cursinhos, distribuídos por todas estas regiões da cidade de São Paulo.

A pesquisa foi realizada entre fevereiro  e abril de 2003, sendo a Fuvest a responsável pela conferência e tabulação dos dados. 69% dos questionários foram aplicados a alunos da última série do ensino médio da rede pública e 31% aos alunos das escolas privadas e cursinhos. 48% eram alunos dos cursos diurnos e 52% do noturno. Também foi levantado o perfil socioeconômico desses estudantes. Quanto ao grau de instrução do pai, 36% das respostas revelaram um ensino fundamental incompleto; 19%, fundamental completo e apenas 14%, universitário. Os números são semelhantes quanto à escolaridade da mãe.

O questionário foi aplicado em duas etapas. Na primeira, o entrevistado recebia um pequeno texto, com explicações do currículo de 22 cursos superiores escolhidos pela USP. Na segunda etapa, transcorrida no dia seguinte, o entrevistado preenchia um questionário quanto à opção demonstrada pela instituição e respondia à questão: “Você gostaria de fazer algum curso que não consta desse questionário? Explique suas razões”.

As respostas revelaram grande distância entre as escolhas dos estudantes, sobre os cursos universitários, e os que serão oferecidos no novo campus da USP. Contudo, mostraram, também, que 53% dos jovens “não têm consciência da razão da escolha”; 33% falaram em interesse pessoal e apenas 5,1% mencionaram “oportunidades de trabalho”. Perguntas sobre as razões pelas quais desejavam cursar uma faculdade, 35,2% responderam “melhoria das condições financeiras” e 37,9% afirmaram “realização pessoal” e somente 5,3 ficaram com a opção “reconhecimento social”.

A USP tinha, portanto, dados reais, pesquisados, para formular e assentar novos cursos no campus da zona leste. Até que ponto é válido ignorar as demandas solicitadas e apoiar-se apenas na criação de novas demandas? Não seria justo fazer uma adequação entre os cursos mais pedidos, que referendam vocação, revelam potencialidades, com a introdução de novos cursos? Afinal, a zona leste é uma região carente, onde o aluno não tem condições de se locomover, ir em busca de suas aspirações, acabando por sucumbir, relegar seus ideais de realizações, tendo que freqüentar os cursos ofertados.

As respostas à pesquisa mostraram possibilidades de um equacionamento na oferta dos cursos. Aos 35,2% que disseram querer apenas “melhorar suas condições financeiras” fariam os cursos idealizados pela USP, mas os 37,9% que opinaram por “realização pessoal” deveriam poder atender aos seus estímulos internos, os que levam à verdadeira realização profissional.

A USP, após a leitura da pesquisa, deu uma explicação razoável, porém não convincente. Iria abrir cursos de humanidades na zona leste da cidade porque encontraria, assim, “maior simetria interna”, visto ser o campus de Ribeirão Preto mais orientado para as habilidades na área da saúde e o de São Carlos para as ciências exatas. “O campus da zona leste encontra sua vocação principalmente no campo das humanidades”, disse a comissão de professores indicada pela reitoria. Mas, a USP não atinou com a distância em quilômetros entre estes campi, obrigando o aluno carente a sufocar sua vocação, deixar o sonho pela pesada realidade.

A USP deixou de aproveitar a diversidade de interesses pessoais, acadêmicos e conciliá-los à diversidade de possibilidades de emprego da região. Mesmo que quisesse se prender ao item controle social, favorecendo o equilíbrio em regiões carentes de determinados profissionais, poderia equilibrar anseios individuais e mercado de trabalho, equacionar vocação institucional, vocação educacional da região e vocação discente.

Pensar só em mercado de trabalho, ricas aptidões se perdem e ganham-se medíocres profissionais. Quando se trata de USP, a primeira idéia que surge é a expansão de ensino com padrão de qualidade. Difícil encontrar esse padrão em aluno desmotivado pela escolha da carreira, desencontrado em suas aspirações. Hoje, a formação universitária prima por transformar o aluno superficial em aluno profundo. Como chegar à profundidade sem vocação, quando o que está impulsionando o aluno é simplesmente o atendimento a demandas externas?

A USP Zona Leste, ignorando o resultado da pesquisa, decidiu, por si só, a criação de cursos que objetiva simplesmente ativar o mercado da localidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2004)

O DIFÍCIL EQUILÍBRIO DA BALANÇA

Izabel Sadalla Grispino *

Pobre Brasil, País em desenvolvimento. Sem o respaldo da boa educação, deste setor estratégico do desenvolvimento, continuará como País de terceiro mundo, ainda por muito tempo!

O nosso sistema educacional evolui sofrivelmente, não oferece, em todos os graus de ensino, uma educação com um mínimo de qualidade. Não está conseguindo formar mão-de-obra qualificada para o mercado interno e externo, enfraquecendo-se à competição globalizada.

A falta de prioridade à área educacional, que vem de longa data, foi se acentuando no tempo, chegando, hoje, a possuir um déficit de aproximadamente 250 mil professores no ensino médio e ensino fundamental de 5.ª à 8.ª série. Situação caótica, denominada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) de apagão educacional.

Esses dados foram fornecidos, recentemente, pelo relatório Escassez de Professores no Ensino Médio: Soluções Estruturais e Emergenciais, elaborado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). Faltam professores graduados em Licenciaturas de Física, Química, Biologia, Matemática e outras, professores que precisariam ser contratados em caráter emergencial. A situação se agrava nas disciplinas Física e Química. Apenas 9% de professores de Física, que atuam nas escolas públicas brasileiras, têm formação específica na área.

Como conseguir esses professores? Pela linha da competência, da boa formação não é fácil, pois a carreira do magistério não é, hoje, nada atraente.

Com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), é provável que haja a universalização do acesso ao ensino médio, que será esbarrado pela falta de oferta de professores. O número diminuto de professores não atenderá a crescente demanda ao curso e esse déficit é realidade em todos os Estados do País.

Professores de outras áreas, já há algum tempo, vêm assumindo as turmas afetadas pela ausência de professores especialistas na matéria, especialmente áreas de Física, Química e Biologia. Eles são, contudo, apenas “tapa-buracos”, não têm formação para suprir o conteúdo das disciplinas afetadas. O comum é o aluno terminar o curso analfabeto na área científica.

O que se ressalta na atualidade, e mesmo em décadas atrás, é a preocupação dos governantes mostrar estatísticas como troféu. Na pressa de aparecer em números, descuidam-se dos métodos educacionais e insistem em programas contingenciais. É quando o tiro sai pela culatra.

Já se diz que é preciso reinventar o professor. Este continua ministrando aulas nos mesmos moldes da linha tradicional, usando programas de ensino idênticos, não importa em que região do País. Programas distanciados das localidades, das realidades da vida do aluno.

Continua mantendo um sistema, em que o professor fala, transmite o conteúdo, e o aluno responde da mesma maneira, seja no Amazonas, no Pará, ou no sul do País. Em nome de uma formação básica comum, caminha-se para um currículo único, divorciado de contexto da escola, ao invés da adoção de currículos abrangentes e precisos.

Em situações problemáticas como o apagão de professores, criam-se medidas emergenciais, que são apenas paliativos, não sustentando, de forma alguma, a posição desejável para a boa escola.

Negligenciaram o professor. Ouve-se, comumente, dizer que lecionar para crianças e adolescentes se proletarizou.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2007)

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2007)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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