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Artigos Educacionais

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A JUVENTUDE NA BUSCA DE CAMINHOS

Izabel Sadalla Grispino *

Diante das contradições e incertezas do mundo atual, em especial no campo profissional, das indefinições das políticas sociais, das mazelas que se arrastam pela sociedade, o jovem, perplexo, busca, ansioso, saídas para as suas indagações. Muitos não conseguem perceber o futuro como trajeto confiável, antes o vêem como algo ameaçador. Resta-lhes o presente e, nele, grande parte se entrega na transgressividade comportamental, no consumismo, no prazer imediato e intenso, quando não, pela fuga, nas drogas. Encontram no desfrute dos bens materiais a razão do existir.

A esses aspectos, acresce-se uma constatada revolução mundial, nos modos de captar os valores morais, influenciados pelos meios de comunicação. A mídia, com seu forte poder, introduz e reflete novas atitudes, novos estilos de vida.

Uma pesquisa de maio de 2000, feita pelo Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC), com o intuito de decifrar, para os próximos três anos, a construção do juízo moral de jovens pertencentes a sociedades emergentes, lançou a pergunta: “Qual é o valor mais importante: ter bom caráter ou muito dinheiro?”. Dos, aproximadamente, 400 alunos arrolados, apenas um respondeu: “É ter bom caráter, sem dúvida alguma”. Os demais votaram no dinheiro, sem pestanejar.

Durante a pesquisa, iniciada no começo do ano passado, questionários foram entregues aos mais de 10 mil alunos da universidade, durante a matrícula. Numa folha, à parte, os pesquisadores pediram aos estudantes que apresentassem os três principais valores da juventude de hoje. Pouco mais de 1.000 alunos, apenas, devolveram a folha. Em suas respostas, dinheiro apareceu em primeiro lugar, seguido de ter emprego, por 186 votos. A ênfase ficou nos valores materiais. Os alunos próximos de se formar revelaram medo de não conquistar um espaço no mercado de trabalho. O medo chegava a turvar-lhes a esperança. A pesquisa revela que família, amizade, felicidade também foram votadas, mas em escala menor.

Uma outra pesquisa, mais recente, feita pelo Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), vem mostrar uma faceta mais animadora da juventude. Foram entrevistados 900 jovens entre 14 e 20 anos de diferentes classes sociais de Curitiba. Desses jovens, 397 (44,1%) apontaram a família como instituição de maior ascendência em suas decisões. Em seguida, vem a escola, com 37% e a TV com 13,7% das respostas. Na seqüência da pesquisa, os estudantes deveriam dar uma nota sobre suas avaliações políticas, ponto em que revelaram decepção, forte rejeição. A média do governo ficou em 3,96; dos partidos políticos, 3,07; do Congresso Nacional, 4,49; e do Judiciário, 4,99. Valorizaram a família, 9,02, a escola, 7,74 e a Igreja, 7,56.

Essa pesquisa surgiu como um oásis no meio do deserto. Mostrou que uma parte dos jovens está buscando valores, como respeito, amor, fidelidade. A vida em família foi considerada fundamental, mesmo havendo conflito. Eles acharam melhor ter uma família danificada que não ter nenhuma. Isso se explica pelo fato de esses jovens serem filhos da permissividade e que hoje sentem necessidade de limites, de valores consistentes. Não querem mais a concessão impensada, mas a orientação, a palavra segura. Os anos da revolução sexual produziram muito sexo e pouco amor; produziram a relação descartável, com sua insegurança, seu vazio.

Há uma outra vertente, a do aspecto religioso, que devemos considerar. Estamos vivendo uma época  de dupla face: de febre racionalista e de febre espiritualista. Os defensores de uma cultura agnóstica acreditam que a humanidade seria mais civilizada e feliz se se libertasse das “amarras” espirituais. Acreditam que a religião, sutilmente, empurra o Homem a um sentimento místico, desfavorável à sua libertação total. O conhecimento desse aspecto é importante porque esse ardor racionalista se encontra subentendido em textos comemorativos do cinqüentenário da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, veiculados na imprensa internacional. Neles, nota-se, segundo a crítica especializada, a apologia da razão, do sonho da libertação pela razão, contrapondo-se à corrente espiritualista, que preconiza o sonho da libertação pela religião.

É marca freqüente da humanidade esta dualidade. Em uma célebre pintura de Goya, encontra-se cunhada a frase: “Deus e o sonho da liberdade” e o grande escritor Dostoiewski expressa sua convicção através de um personagem: “Se Deus não existe, então tudo é permitido”.

Um fato extraordinário, no campo da espiritualidade, que chamou a atenção da imprensa mundial, especialmente européia, aconteceu em 20 de agosto passado, no “Dia Mundial da Juventude”. O Papa João Paulo II celebrou uma missa, no campus de Tor Vergata, nos arredores de Roma, onde compareceram nada menos que cerca de dois milhões de jovens católicos do mundo todo. Eram jovens procedentes dos cinco continentes, de 160 países, participando da “15.ª Jornada Mundial da Juventude”. Atendendo a um chamado do Santo Padre, foram a Roma aclamar, orar, cantar em louvor a Cristo. Lá estavam de coração aberto, prontos para receber mensagens, ouvir, como discípulos, a palavra do maior guia católico, o Papa João Paulo II.

Qual o significado dessa ida dos jovens para professar sua fé em Jesus Cristo? Como interpretar essa mensagem? Estaremos, por acaso, presenciando uma reviravolta, um contrapeso da balança, em direção aos valores espirituais perenes? Certamente, os jovens não estão encontrando, no materialismo exacerbado, sentido real para suas vidas. Estão buscando caminhos novos para seu futuro, estão em busca de algo maior, de um significado maior para a vida.

Diante de tão significativa participação, o Papa, entusiasmado, disse: “Olho com fé o futuro da  humanidade”. A juventude mostra uma forte necessidade de religião, pois esta ajuda a superar “a espiral do desespero, da insensatez e da violência”. João Paulo II exortou-os “a empenhar-se na edificação de um novo mundo, baseado no poder do amor e do perdão, na luta contra a injustiça e contra toda a miséria física, moral e espiritual”. Lançou-lhes uma provocação: que tivessem a coragem de ser os santos do 3.º milênio, o que aconteceria se eles seguissem Jesus Cristo.

Esse encontro, classificado como o Woodstock da Igreja, foi também chamado de “Parada Católica do Amor” e nos manda o recado de que nem tudo está perdido, que há esperanças e luzes despontando num horizonte aberto, promissor. Que assim seja, Senhor!

* Supervisora de ensino aposentada        
(Publicado em dezembro/2000)

BRASIL ALFABETIZADO

Izabel Sadalla Grispino *

O governo federal lançou em 8 de setembro do corrente ano, no Palácio do Planalto, o Programa Brasil Alfabetizado. Para se assegurar da viabilidade do programa, fechou convênios com prefeituras, organizações não-governamentais e universidades, que garantem a alfabetização de cerca de 1 milhão de jovens e adultos. O ministro da Educação, Cristovam Buarque, também assinou documentos com entidades representativas de universidades públicas e particulares para que elas se comprometam a estimular seus alunos a serem alfabetizadores, dando, inclusive, créditos em disciplinas para esses alunos. Segundo o ministro, o estudante que é um alfabetizador será um melhor profissional.

Não haverá uma metodologia única de ensino. O método será escolhido pelo educador, porém, o governo dará uma orientação para os cursos de alfabetização, 200 horas/aula, divididas em 10 horas semanais, ou 6 meses de cursos. Espera-se que os jovens e adultos, acima de 15 anos, sejam alfabetizados em cursos de 6 a 8 meses. Confederações nacionais da indústria, comércio e agricultura também se comprometeram a alfabetizar funcionários de seus filiados e adotar processos de seleção para a contratação e dar preferência a candidatos que tiverem o certificado de alfabetização do MEC.

É um movimento pioneiro, uma alfabetização em massa, de alcance educacional um tanto precário, onde surgirão inevitavelmente analfabetos funcionais, mas que não deixa de ser um primeiro passo para os que nunca freqüentaram uma escola. Alfabetizar uma criança é bem mais delicado, requer um professor bem formado, conhecedor de métodos de alfabetização, das etapas do desenvolvimento infantil, das especificidades que cada ano de idade da criança requer, quando então se parte do concreto caminhando para o abstrato. Alfabetizar a criança exige competência técnica aprimorada. Alfabetizar o adulto é processo mais simplificado. O adulto já atingiu a etapa final do seu desenvolvimento mental, sem ter tido, contudo, as estimulações precoces da educação infantil. Ao adulto, o importante é ajustar o conhecimento ao perfil e ao ritmo do aluno a ser alfabetizado. O objetivo é ensinar a ler e a escrever e não ministrar educação integral, pouco se envolvendo em atitudes e comportamentos.

Pesquisas têm demonstrado que apenas 29% da população brasileira possuem um bom nível de alfabetização. O déficit educacional do brasileiro é grande, cerca de 60% da população não teve 8 anos de estudo. As pesquisas mostram que em apenas 19 municípios brasileiros a população possui um índice que corresponde às 8 séries do ensino fundamental. Em outros 1.796 municípios do País a escolarização média da população é inferior a 4 séries concluídas, não atingindo o término do 1.º ciclo do ensino fundamental.

Os estudos revelam a existência de uma forte correlação entre o grau de instrução e a taxa de analfabetismo. Em Niterói (RJ), cuja população possui o maior número médio de séries concluídas do País, de 9,5 anos, a taxa de analfabetismo é de 3,6%. No outro extremo está a cidade de Guaribas (PI), na qual a população tem, em  média, apenas 1,1 série concluída. No município, a taxa de analfabetismo é de 59% e o analfabetismo funcional alcança quase 93% da população.

As diferenças regionais evidenciam-se quando se leva em conta o grau de instrução da população. Todos os 10 municípios com melhores indicadores estão nas regiões Sul e Sudeste e as 10 cidades com o menor número médio de séries concluídas estão nas regiões Norte e Nordeste. O País continua marcado pela desigualdade. Os índices de analfabetismo em famílias com renda acima de 10 salários mínimos chega a ser 20 vezes menor dos que ganham 1 salário mínimo.

Um outro agravante no País é o número cada vez maior de analfabetos funcionais. A pesquisa Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf), da Fundação Paulo Montenegro/Ibope e Ação Educativa, revela que 67% dos brasileiros são analfabetos funcionais. Temos, é verdade, avançado na alfabetização absoluta, com 97% das crianças na escola, mas o analfabetismo funcional continua crescendo. A escola vem oferecendo aos alunos um ensino de tão baixa qualidade que eles não sabem como usar na, vida real, o pouco que aprenderam. Isso indica dupla preocupação: com os 20 milhões de analfabetos absolutos, que nunca freqüentaram uma escola, e com os que, apesar de saberem ler e escrever, são analfabetos funcionais, incapazes de entender um texto simples. A leitura é truncada, lenta e cansativa. Não conseguem escrever sobre o que leram. Estão em total desvantagem na educação. Eles são reflexos de uma escola decadente, que reflete um atraso acumulado dos últimos 30 anos. Uma escola que alfabetiza, mas não se preocupou em estimular a leitura e para uma boa alfabetização a leitura é indispensável. A leitura fortalece o conhecimento, amplia a visão de mundo.

Pelo exposto, percebemos o quanto a sociedade deve ser mobilizada, conscientizada, para o nosso falido sistema educacional, que marca um forte retrocesso nas condições sociais do País. A lacuna entre trabalhadores e inclusão no mercado de trabalho se faz sentir fortemente. Como, por exemplo, a indústria poderá conviver com o funcionário analfabeto diante de um mecanismo robotizado?

* Supervisora de ensino aposentada.             
(Publicado em outubro/2003)

UM QUADRO DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

Izabel Sadalla Grispino*

O Censo do Ensino Superior divulgado, em 22 de novembro de 2002, pelo Ministério da Educação (MEC) mostra um crescimento de matrículas nesse nível de ensino. O número de alunos freqüentando o ensino superior privado foi quase três vezes maior do que nas instituições públicas, em 2001. No total de 3 milhões de alunos na graduação, mais de 2 milhões estudam em escolas particulares. 395 mil alunos se formaram no ensino superior, sendo o curso de Direito o que mais concedeu diplomas, graduando 44.202 bacharéis.

Entre os formandos, 35.149 concluíram o curso de Administração, pouco abaixo de Pedagogia, com 37.083. De acordo com o censo, as universidades formaram 8.004 médicos e 12.767 jornalistas. Do total, 263 mil cursaram a rede privada de ensino superior, enquanto 55 mil estudaram em instituições estaduais, 65 mil em federais e 12 mil em municipais.

A expansão é bem mais rápida na área privada. Nas universidades federais, o número de alunos cresceu 4,2%, em 2001, enquanto a taxa de expansão das instituições privadas foi quatro vezes maior: 15,7%. O censo revela a predominância do sexo feminino sobre o masculino na freqüência às faculdades. Os universitários são na maioria mulheres e estudam em cursos noturnos.

O crescimento em larga escala no ensino superior da área privada não trouxe correspondência quanto ao quesito qualidade dos profissionais formados. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem sido uma das entidades mais combativas contra o surgimento do que classifica de “fábricas de diplomas”, pelo baixo nível de conhecimento generalizado dos bacharéis.

O conjunto das instituições de ensino superior brasileiras oferecia, em 2001, 12.155 cursos de graduação. Porém, estudar numa universidade pública e gratuita é um sonho quase impossível para a maioria dos estudantes brasileiros, estudantes que freqüentam ou freqüentaram a educação básica pública, com seu baixo nível de ensino. Como sabemos, a expansão quantitativa do sistema educacional brasileiro não foi acompanhada da qualidade e a maior escolaridade, ou seja, o maior número de anos na escola, não se traduz em mais renda e melhor qualidade de vida para os futuros profissionais. Sem uma educação de qualidade, no sistema geral de ensino, não se pode esperar, de fato, um equilíbrio social, um contexto capaz de criar oportunidades iguais para todos.

Além da qualidade, existe, também, a falta da educação infantil, um grande fator da dificuldade de alfabetização do ensino fundamental. Segundo o Censo do IBGE, das crianças que chegam analfabetas à 4.ª série desse nível, 81% não passaram pela pré-escola. Pelas avaliações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC, uma considerável parcela dos estudantes sabe menos do que deveria, na série escolar em que se encontra, e, outro tanto está atrasado quanto à idade e série. Freqüentam uma série que não tem correspondência com a idade.

Há muito, pois, que fazer para que o sistema escolar público represente fator de oportunidades para a classe social menos favorecida.

Os alunos devem prestar atenção às características que indicam  uma boa faculdade, quais sejam:

n  Turmas com, no máximo, 50 alunos;

n  Maioria dos professores com títulos de mestres e doutores;

n  Maioria dos professores em tempo integral;

n  Boas instalações de laboratórios e bibliotecas;

n  Além de graduação, cursos de pós-graduação.

Contudo, no ensino superior, surge uma luz através dos cursos de graduação de serviços do Senac. As Faculdades Senac, que se expandiram no fim dos anos 90, com seus cursos técnicos, oferecem graduação de alto nível, ligada aos serviços e comércio. Encontra-se em fase final de construção um moderno complexo educacional, um campus, em Santo Amaro/SP, de 120 mil metros quadrados para o ensino superior. Em áreas nada tradicionais, oferecem cursos de Moda, Hotelaria, Turismo, Gastronomia, Fotografia, Meio Ambiente, entre outros. O campus terá biblioteca, quase do tamanho de um campo de futebol e com um acervo especial sobre moda. Grandes espaços serão destinados a laboratórios e a um centro para estudo de gastronomia. A meta é ampliar o número de alunos de 4.200 existentes hoje para 14 mil até 2010.

A preocupação maior dos dirigentes do Senac é com a qualidade dos cursos, com a aprimorada formação dos educandos e colocar esses cursos em sintonia com o mercado de trabalho. Preocupa, também ao Senac, oferecer uma formação profissional sólida, humana e ética.

Em algumas áreas, o Brasil precisa mais de técnicos do que de acadêmicos e sua maior viabilidade é que os cursos do Senac seguem a demanda do mercado de trabalho e, caso este mude, mudam-se também os cursos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2003)

O SENTIMENTO PATRIÓTICO

Izabel Sadalla Grispino *

Valores que despertam para a espiritualidade, na direção da moral, da ética, do cooperativismo, que despontam para a valorização e o amor à pátria, na configuração de uma terra respeitada, altaneira, batem à porta da escola e pedem para entrar. Formar o aluno nessas duas vertentes contribui para uma sociedade assentada em bases humanísticas e cívicas.

O sentimento patriótico amplia e reforça a visão de família, de luta unida em favor do bem comum. Afinal, a pátria não é mais que uma agregação de famílias, sustentadas por um tronco comum a todos. Desenvolver a noção de pátria é meio caminho andado à formação política do aluno.

Politizar o educando é um objetivo que não pode ser postergado. Levá-lo à análise do comportamento político, do conhecimento dos regimes políticos, da ética democrática, diferenciando-a da cultura autoritária, na conquista da cidadania, do convívio social,  da reivindicação dos direitos do cidadão e respeito pelos deveres a serem cumpridos, no nascimento de um povo novo. De um povo que, pela participação política, renasce, a cada dia, para a batalha da vida, para a busca de soluções aos destinos de sua terra. Politizar o aluno é dar-lhe estrutura para atuar no campo político, com vistas a uma política responsável, a uma militância consciente. Levá-lo a refletir sobre o voto e sua importância para o País. Mecanismos pedagógicos devem ser acionados, como debates, discussões, trabalhos entre os alunos, ressaltando-se temas como “O País que quero morar”, “O País que quero ter”, “O País dos meus sonhos” etc.

Presenciamos com entusiasmo o retorno aos estímulos patrióticos, com a volta, às escolas, do hasteamento da bandeira e da execução do hino nacional. Há tempos atrás, uma vez por semana, antes do início da 1.ª aula de cada período, professores e alunos hasteavam a bandeira e cantavam o hino pátrio, tentando resgatar valores de nacionalidade, de amor e compromisso para com a pátria. No fim do dia, um aluno era destacado para arriar a bandeira, dobrá-la e, com orgulho, entregá-la a um professor.

O programa governamental, de junho de 2002, denominado Mutirão da Cidadania, teve o mérito de despertar para o retorno do movimento patriótico, instituindo a volta do ato cívico mencionado.

A Secretaria da Educação, abraçando a idéia, remete à escola, em sua autonomia, a decisão de avaliar a pertinência dessa realização, que reforça a cidadania. O Secretário da Educação, Gabriel Chalita, considerou que o hino pode ser usado, também, como base para o ensino das disciplinas do programa curricular, em trabalhos interdisciplinares. Ensinar português, história, geografia e até matemática, utilizando-se do hino.

Embora a execução do hino nacional não esteja sendo obrigatório, o Ministério da Educação (MEC) lembra que pela lei 5.700, de 1.º de setembro de 1971, promulgada pelo governo Médici e mantida na Constituição de 1988, as escolas do ensino fundamental e médio são obrigadas a hastear a bandeira e a cantar o hino uma vez por semana, durante o ano letivo. Essa determinação, infelizmente, caiu no esquecimento.

À argumentação de alguns de que a instituição do hino é uma volta ao passado, ao governo militar, à lembrança desse regime, o secretário Chalita rebate, dizendo: “Para alguns pode lembrar a ditadura, mas, também, lembra as diretas-já e Ayrton Senna”.

Acima de qualquer consideração, o hino é um sentimento suprapartidário, supra-regimental, encerra em si mesmo o amor à pátria, encontra nesse amor o seu maior significado.

Somos responsáveis pelos homens públicos que colocamos no poder e acertamos bem mais quando acompanhamos suas ações, seus desempenhos, quando aprendemos a manusear as armas poderosas que as eleições nos oferecem, filtrando, peneirando o universo indesejável. A escola conseguirá formar um aluno compromissado com a pátria, se despertar o amor à terra natal desde a tenra idade, porque os bons princípios, os sentimentos, crescendo com a criança, se  desenvolvendo com ela, se firmarão e dificilmente serão abalados.

Ao mestre, reforço as reflexões, nos meus versos abaixo:

AMOR  À  PÁTRIA

Quando criança, meu coração batia
Ao ouvir o hino nacional,
As cores da bandeira eu coloria,
Sentia minha esta terra natal!

Cresci orgulhosa da terra-mãe,
Na sua grandeza me espelhava,
Queria lutar, ser-lhe filha, irmã,
O ardor patriótico me falava!

Freqüentando a escola, mais tarde,
Aprendi os três poderes constituídos,
O respeito, praticado sem alarde,
O civismo em passos instituídos.

Hoje, olho a criança, sua apatia,
Não aprende a pátria enaltecer,
É barco perdido em travessia,
Nave sem lume no alvorecer!

Tradição e valores esquecidos
Tornam pobre toda e qualquer nação,
Navio de pilares enfraquecidos
Não leva longe a tripulação.

A pátria é dos filhos a identidade,
Termômetro das condições de vida,
Querê-la pujante, em notoriedade,
Lealdade se elege, esforço se envida.

Orgulho da pátria, orgulho do lar,
Patente timbrada em nobre brasão,
Laço materno que nos clama a amar,
A nos dar as mãos, chamarmos de irmão.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2002)

LUZES NA TRAVESSIA DO TÚNEL

Izabel Sadalla Grispino *

Lançando-se um olhar, interessado e criterioso, sobre o nosso imenso e desigual País, toca-nos as disparidades regionais, a frisante desigualdade social – alguns ricos, outros tantos muito ricos e uma imensa camada de pobres, muito pobres, resvalando na miséria. As almas sensíveis, solidárias, responsáveis, acabam comovendo-se e, seguindo os ditames do coração e da razão, buscam minorar o sofrimento dos excluídos. Envolvem-se, de modo altruísta, sob a forma de trabalho voluntário, às causas sociais, sem pensar em remuneração.

O trabalho voluntário sempre existiu. Pessoas que reservam parte de seu tempo para o próximo. Esse trabalho não deve ser encarado como simples caridade. Ele quebra paradigmas da sociedade capitalista, que vê na remuneração, no lucro, as únicas razões de luta. O trabalho voluntário anula interesses pessoais, incentiva a articulação entre sociedade e compromisso social. É uma busca alternativa para alcançar os desníveis sociais, o abrandamento da fome, do desemprego, da ignorância alfabética. Ultimamente, o trabalho voluntário vem se firmando e até se institucionalizando. Em muitas escolas, já faz parte do currículo escolar.

A cooperação, a aproximação, o entrelaçamento solidário entre as classes sociais, são o melhor caminho na quebra da insensibilidade e do preconceito, especialmente em relação à pobreza. Hoje, o pensamento dominante é de que, se se quer paz, tem-se que enfrentar a pobreza, formar uma convivência amistosa, um envolvimento coletivo, visando criar oportunidades de vida melhor aos necessitados.

O triunfo da indiferença que impera em boa parte da sociedade é superado por outra parte de ação benemérita, que merece ser aplaudida, com entusiasmo e admiração. Em Ribeirão Preto, o trabalho voluntário floresce a cada dia. Uma plêiade de voluntários, mais especificamente, de voluntárias, que junto às tarefas do lar ou de uma profissão remunerada, não se furta ao dever do seu papel social.

Sexta-feira, dia 21 de março, tive a grata satisfação de participar da inauguração da nova sede da “Associação Beneficente Pró-Família”, fundada, dirigida e mantida por voluntárias. Essa associação, aberta ao convívio social, iniciou-se há uma década, com uma jovem, imbuída de ideais humanitários, de crença no potencial do ser humano: Cláudia Jábali Biagi. Essa jovem sentia na alma a certeza de que educando a criança estaria formando o adulto realizado de amanhã. Ao visitar a favela das Mangueiras, na Vila Virgínia, Cláudia condoeu-se das crianças mal vestidas, perambulando pelas ruas, sem destino. Um lampejo de consciência e de piedade tocou-lhe o coração. Organizou-se, criou uma sala de aula improvisada, acolheu as crianças, de 3 a 6 anos, iniciando-as na escolarização. Cada vez mais, Cláudia ia percebendo o quanto era importante o trabalho que devotava a essas crianças. A cada ano, o número de alunos crescia e era preciso criar novas salas para atendê-los.

Uniu-se a outra voluntária, tal como ela, abnegada, disposta a se entregar à causa da criança carente: Andrea Cicciarelli Pereira Lima. Alugaram uma casa, transferindo a “escolinha” para lá.

Um sonho começava a habitar suas almas, o sonho do prédio próprio, da escola idealizada. Assim, com garra e determinação, engajaram-se nessa direção e essa vontade se concretizou! Dia 21 de março foi o marco da vitória e elas puderam, com a alegria do dever cumprido, da satisfação do acolhimento, inaugurar a escola sonhada. Um moderno prédio, construído em moldes educacionais, com toda a infra-estrutura necessária a uma escola de educação infantil, não se esquecendo da sala do dentista, uma sala odontológica plenamente aparelhada.

Cumpre-nos externar louvores a essas duas mosqueteiras, que passam à sociedade fé e esperança em dias melhores. O homem forja o caráter malhando em ferro. Colocando pedra sobre pedra, tijolo sobre tijolo, conseguindo a adesão de outras dedicadas voluntárias, elas ergueram, na Vila Virgínia, um monumento de solidariedade à humanidade sofrida. Formaram trincheira, no apoio, no suporte cognitivo, afetivo, no suporte alimentar, de saúde, a crianças que corriam o perigo das ruas, de mãos estrangeiras, das drogas, da violência. Que Deus as proteja e lhes dê força na caminhada. São de exemplos como esses que precisamos para ilustrar nossos filhos, nossos netos, nossos jovens.

Contudo, é preciso que se diga, que elas nunca estiveram sozinhas. Desde o início, até hoje, sempre esteve na retaguarda, assessorando, capitaneando, uma mulher de extraordinário valor: Dea Spadoni Biagi. Uma guerreira versátil, de exuberante vitalidade, uma educadora da vida, que lhes serviu de infra-estrutura emocional, intelectual, criativa. Dea é a gangorra que promove o equilíbrio, gangorra que quando desce é para subir mais alto, porque traz, com a descida, a visão de amplitude, clareando o caminho. Dea é, no seu próprio dizer, “o bombeiro que ateia fogo e que apaga o fogo”, não deixando o elã se esfriar, nem se empolgar demais, respeitando limites e possibilidades.

Nos meus versos abaixo, a imagem que Dea me passa:

À  DEA  SPADONI BIAGI
De Izabel Sadalla Grispino

Há seres que conseguem se sobrepujar,
Pairam na vida acima do bem e do mal,
Atravessam a enxurrada sem se sujar,
Força moral, construção de amor por igual,
São lutas que se impõem em tempo integral;
Tambores que rufam acordando o ideal.

Há seres que vêm ao mundo iluminados,
Para a grandeza convergem os olhares,
A solidariedade são seus passos ritmados,
Se no alto da montanha constroem os seus lares,
Na superfície enfincam os pilares,
Na ajuda aos carentes, convocam os seus pares!

Há seres de luz irradiante,
Formam clareira na senda da pobreza,
Encontram nas favelas minas de diamante,
Lapidam as pedras brutas em profundeza,
Ensinando a extrair riquezas da natureza,
Ensinando a ver o mundo em seu raiar de beleza!

Caminham olhando o céu, pisando a terra,
Sublime virtude, suada construção!
Vales de sol, onde não se cultiva guerra,
Onde a inteligência se une à oração,
Onde o amor ao próximo é vocação;
Vales, onde o trabalho é religião!

Assim é nossa Dea Spadoni Biagi,
Espírito de gigante, coração de “menino”,
Baluarte da coragem, revolução que age,
Prepara o adulto, modelando o “bambino”,
Missionária da formação do pequenino,
Engenheira da construção do belo destino.

Dea, Deus lhe mostrou a estrela matutina,
Na aurora, fez resplandecer sua alma divina!


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2003)

LEI DO APRENDIZ

Izabel Sadalla Grispino *

Uma salutar iniciativa é a Lei do Aprendiz, quando adolescentes de 14 a 18 anos podem ganhar treinamento técnico em uma empresa, sem deixar de estudar. O aluno torna-se um aprendiz, adquire experiência em empresas, cujo trabalho é regulado por uma lei antiga, que foi reformulada em 2000 como Lei n.º 10.097. Essa lei foi abraçada pela Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente, no enfrentamento do desafio da exclusão de milhões de adolescentes. A fundação lançou em 12 de maio p.p. uma campanha publicitária para divulgar a lei e conscientizar empresas, sociedade civil, Sistema S, envolver entidades como Febraban e sindicatos, sensibilizá-los para a causa do adolescente carente.

A Lei de Aprendizagem obriga as empresas a reservarem no mínimo 5% das vagas, e no máximo 15%, para os adolescentes. Através de um contrato de trabalho, os empresários comprometem-se a matricular os aprendizes em cursos profissionalizantes do Sistema S, como Senai, Senac, Senar, Senat e Sescoop,  escolas técnicas ou ONGs registradas nos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente. Em contrapartida, os adolescentes assumem o compromisso de executar, “com zelo e diligência”, suas tarefas.

A estimativa é de que podem ser beneficiados entre 650 mil e 2 milhões de adolescentes. Segundo o Ministério do Trabalho e do Emprego, no ano passado, 41.445 adolescentes conseguiram ocupação.

A lei não tem nada a ver com trabalho infantil. A legislação proíbe o trabalho de menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz. Eles terão uma carga horária de 6 horas e o contrato não pode passar de dois anos, assegura direitos trabalhistas, como registro em carteira e salário mínimo/hora. Para o empregador, há redução de encargos: a alíquota do FGTS cai de 8% para 2%. As empresas que desrespeitarem a lei podem ser multadas.

Essa lei é um grande incentivo para os adolescentes que conseguem trabalhar, aprender, receber salário e, o mais importante, continuar estudando. O jovem que pára de estudar – para  trabalhar e ajudar a família – dificilmente voltará aos estudos. A lei  tem caráter educativo e proíbe o aluno de deixar de estudar.

Atualmente, há 3,2 milhões de adolescentes entre 15 e 17 anos que estão no mercado informal ou estão sem trabalho. Apesar de o Brasil proibir o trabalho de jovens antes dos 16 anos, a não ser como aprendizes, no ano de 2001, uma pesquisa do IBGE revelou que mais de 2 milhões de meninos e meninas de 5 a 14 anos estavam trabalhando, comprometendo os estudos e a saúde.

A divulgação e a conscientização da lei, por parte das empresas, da sociedade civil, dos governos, devem merecer a atenção de todos. É uma atitude de relevância social, de qualificação profissional. Os meios de comunicação têm abraçado a causa, divulgando inclusive a diferença entre aprendiz e estagiário.

Aprendiz

• Tem vínculo empregatício;

• Tem carteira de trabalho especial assinada para aprendizagem, com duração de, no máximo, 2 anos;

• Recebe salário mínimo/hora;

• A empresa contratante tem encargos trabalhistas e previdenciários com redução do recolhimento do FGTS de                                   8% para 2%;

• Recebe formação técnico-profissional metódica, com atividades teóricas e práticas e tarefas de complexidade                          progressiva;

• ter de 14 a 18 anos incompletos e estar cursando ou ter concluído o ensino fundamental.

Estagiário

• Não há vínculo empregatício;

• Assina termos de compromisso por período não inferior a um semestre letivo;

• Pode receber bolsa ou outra forma de remuneração a combinar;

• Tem seguro de acidentes pessoais;

• Complementa o ensino, é acompanhado e avaliado conforme currículos, programas e calendários escolares;

• É aluno do ensino superior, do ensino médio, da educação profissional de nível médio ou superior e de escolas de educação especial.

No Estado de São Paulo, 220 empresas buscam aprendizes na ONG Ensino Social Profissionalizante (Espro), que forma 1.200 por ano. A ONG Movimento Degrau, fundada em 2002 para inserir jovens no mercado, está presente em 78 cidades. Esta ONG propôs, em março deste ano, no 48.º Congresso Estadual de Municípios, um “Pacto pela Juventude”. Esse número de aprendizes pode ser aumentado e muito pelo trabalho de divulgação e conscientização. O estudante, após o período de aprendiz, após ter concluído o ensino fundamental e estar cursando o ensino médio ou, mais tarde, uma faculdade, pode retornar à empresa, agora como estagiário.

Professores, diretores de escola, devem inteirar-se sobre esse assunto de importância social e orientar seus alunos, suas famílias, falar à sociedade civil, aos empresários, fazendo valer a Lei do Aprendiz.

O adolescente, como aprendiz, sente que ali, na empresa, começa um mundo novo para ele. Ele recebe um preparo para entrar no mercado de trabalho e é um grande incentivo para que se dedique, se empenhe cada vez mais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2004)

A FACE DO ATUAL MAGISTÉRIO PÚBLICO

Izabel Sadalla Grispino *

O magistério, que há décadas atrás ainda atraía profissionais oriundos da classe média, da classe média-alta, com esmerada formação, hoje é representado, na grande maioria, especialmente nas escolas da rede oficial, por professores da classe pobre, com enfraquecida formação. São filhos de pais de baixa escolaridade, pais que nunca foram à escola ou não completaram os quatro primeiros anos do ensino fundamental. Foi o que demonstrou o questionário socioeconômico do provão 2001.

O questionário demonstrou que os formandos dos cursos para professores, como pedagogia, letras, matemática, biologia, física e química, têm perfil distinto dos formandos de cursos como medicina, engenharia ou mesmo os de oferta mais comum, como direito e administração. Em pedagogia, 9,8% dos pais nunca freqüentaram escola, contrapondo-se à medicina, onde apenas 0,9% dos pais estão na mesma situação. Em pedagogia, 54,7% não completaram a 4.ª série do ensino fundamental, em medicina, apenas 10,7%.

A renda mensal das famílias, em cursos de formação de professores, também destoa da média dos demais. Em letras, por exemplo, 23,1% e matemática 24,4% vivem em família com renda inferior a R$ 540,00, sendo que a média de todos os cursos gira em torno de 10,9%. Em algumas carreiras mais concorridas, como odontologia, essa proporção é de, apenas, 2,2%.

O magistério, hoje, é, com raras exceções, freqüentado por profissionais que conseguiram chegar até ele, com dificuldades financeiras e com deficiência de formação. A baixa escolaridade dos pais, o ambiente de pobreza, de falta de recursos, de boas condições de vida, não propiciam o desenvolvimento intelectual ou a apropriação de um saber mais elaborado. Também, os estímulos são reduzidos. Pesquisas demonstraram, por exemplo, ser a evasão e a repetência marcadas por alunos pobres, com pais de baixa ou nenhuma escolaridade.

Sem boa estrutura social, sem boa estrutura educacional, dificilmente os estudantes conseguirão freqüentar uma universidade de nível, arrastam-se por universidades privadas e freqüentemente de baixa qualificação. As universidades públicas não formam muitos professores, mostram as estatísticas. De acordo com o Exame Nacional de Cursos, o provão, comprovadamente, a qualidade das universidades privadas é inferior às universidades públicas. Rose Neubauer, em entrevista feita em dezembro de 2001, afirmou que 90% dos professores fizeram universidades particulares.

A decadência do ensino público está muito sustentada por essas características, que levam a uma base precária de formação de seus profissionais. A escola pública, a continuar com essa face empobrecida, sem os devidos cuidados por parte dos governos, que, em seus discursos, a colocam como prioridade, mas que, na prática, usam a tática do “deixa rolar”, muito dificilmente se erguerá. Essa nova leva de docentes necessita de assistência técnica reforçada para poder exercer bem a profissão.

Desassistida, a escola não se torna uma entidade convidativa e corre o risco de ter quebra em seus quadros docentes, o que, aliás, já vem ocorrendo Dificilmente,  um professor será um desempregado, nos próximos anos. Haverá vagas, mas, a manter esta situação, faltará formação.

Abandonada pelos cofres públicos, a escola ostenta baixos salários e condições deficientes de ensino. Uma pesquisa, intitulada “Retrato da Escola”, feita pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), com base nos dados do MEC, revelou que há carências de recursos pedagógicos, graves ou menos graves, em 65,3% das escolas públicas do ensino médio. Nas escolas de 8.ª série, as carências são de 53,2% e nas escolas de 4.ª série, de 46,2%. A pesquisa revelou, também, que em 73,5% das escolas públicas de 4.ª série, em 85,1% das de 8.ª série e em 87,2% das de ensino médio, havia problemas de insuficiência de recursos financeiros.

A escola pública vem se marcando por defasagens cada vez mais acentuadas. Os seus professores, que, no passado, representavam a elite cultural do País, hoje, têm a mesma origem social de seus alunos. Essa característica os leva a conhecer, a entender melhor a realidade social de seu aluno, fator que pode aproximá-los, mas que pouco pode ajudá-los, em termos de ascensão social, em termos de qualificação profissional.

Louva-se, contudo, o esforço desses pais que, com muita luta, muita garra, conseguem dar condições de estudo aos filhos e louva-se, também, o esforço dos filhos, que com dificuldade sobem a rampa, olhando para o alto, para um mundo melhor. Faltam a esses pais, a esses filhos uma melhor assistência por parte dos governos e da sociedade como um todo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2002)

ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS -- (2)

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino fundamental de 9 anos de duração é assunto que ronda a preocupação dos pais. Como vai ser? Meu filho vai ter que estudar mais 1 ano para completar esse ensino?

Na verdade, sim, só que será um acréscimo inicial. Ao invés de o aluno ingressar aos 7 anos de idade, vai fazê-lo aos 6. O ensino fundamental será, então, não mais dos 7 aos 14 anos, mas dos 6 aos 14, continuando o aluno a sair do ensino básico – infantil, fundamental e médio – com os mesmos 17 anos.

É um enriquecimento inicial que virá fortalecer as etapas posteriores da alfabetização. Ao invés da 1.ª à 8.ª série, a criança cursará do 1.º ao 9.º ano mudando, apenas, a nomenclatura. Começará o novo 1.º ano aos 6 anos. Todos “pulam” uma série, mas só na nomenclatura. Os conteúdos do 2.º ao 9.º ano devem continuar os mesmos que eram dados de 1.ª à 8.ª série. Quem estará, por exemplo, na 3.ª série cursará o 4.º ano com o mesmo conteúdo do 3.º ano.

A mudança será na estrutura da escola, preparando-se para atender crianças mais novas, na faixa etária dos 6 anos. O importante não é apenas a obrigatoriedade em oferecer vagas, mas como essas crianças serão atendidas. Um novo projeto pedagógico deverá cobrir a mudança. Não é só transferir o conteúdo que era dado aos 7 anos para os 6 anos.

O novo 1.º ano terá de incorporar características do ensino infantil, passando a funcionar com o mesmo conteúdo que já era dado na pré-escola. A alfabetização não será adiantada, começa na idade adotada pelo ensino infantil.

A instituição terá que adaptar salas de aula e parte da escola para receber crianças menores. Atividades lúdicas, de arte e recreação, precisam continuar para essas crianças, assim como experiências já iniciadas de ler e escrever, como ouvir histórias, nos cantinhos de leitura, escrever cartinhas, bilhetes. Inclui-se, aí, brinquedoteca e também a preocupação com a motricidade da criança. Os banheiros são um outro ponto a se considerar, a se ajustar.

Esses preparativos levam a rede pública a mudar só em 2008. A rede particular, a maioria – 90% -- já funcionando com educação infantil, tem condições apropriadas para fazer funcionar o ensino fundamental de 9 anos em 2007. Algumas redes já haviam mudado, por critério próprio, antes da lei.

A ampliação do ensino fundamental de 8 para 9 anos, prevista pela lei 11.274 e sancionada em fevereiro de 2006, pelo presidente Lula, torna obrigatório o início desse ensino aos 6 anos de idade e dá um prazo até 2010 para que todas as escolas de ensino fundamental se adaptem ao novo formato de ensino.

O ensino fundamental, sendo o único considerado obrigatório pela Constituição, vai obrigar, agora, crianças de 6 aos 14 anos, incluindo crianças pobres de 6 anos que estão fora da escola e que nela passarão um ano a mais. Este aspecto foi o principal objetivo da lei, favorecendo, especialmente a rede pública, os alunos carentes, porque os mais abonados já têm a seu dispor a educação infantil de 6 anos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2007)

A GESTÃO ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

A gestão escolar vem, cada vez mais, se ressaltando dentro da organização da escola. A qualidade da gestão tem respondido pelo bom desempenho dos alunos.

Economistas de renome, como Naércio Menezes Filho, da USP e do Ibmec, cruzando os dados dos resultados do último exame do Sistema Nacional da Avaliação da Educação Básica (Saeb) e da Prova Brasil, constataram que alunos tiveram o mesmo desempenho, apesar da expressiva diferença na quantidade de recursos destinados ao setor educacional entre os municípios analisados.

Muitos municípios, por terem uma gestão eficiente, mesmo gastando pouco, obtiveram mais retorno no investimento dado à educação que municípios que gastaram mais, tendo, porém, escolas mal geridas. Conclui-se, assim, que o desempenho escolar não é determinado apenas pelo orçamento, mas, principalmente, pela eficiência na administração das escolas. Conclui-se da necessidade de uma profissionalização da gestão, com cobranças de resultados. De um gerenciamento, que acompanhe e monitore o processo educacional, levando à elaboração, pela unidade escolar, de projetos que definam o que os alunos devem aprender.

Pesquisadores educacionais pronunciam-se por uma definitiva profissionalização na gestão escolar para se chegar a uma necessária revolução da educação Querem passar, entre os educadores, a idéia de que a educação é um serviço e que seus representantes devem prestar contas de seus resultados.

Reforçam o conceito de que um dos graves problemas da educação é a falta de gestão. Com isso, chamam a atenção da gestão escolar obtida na base da meritocracia e nunca pela indicação de partidos políticos, de lideranças comunitárias, ou de sindicatos, como acontece em muitos municípios.

A função de gestar deve recair, necessariamente, em profissionais capacitados. A qualidade da gestão escolar tem sido responsável pela melhora na apresentação de projetos escolares, na elaboração de plano de metas.

Uma gestão compartilhada entre escolas e secretarias de educação é capaz de refletir mudanças significativas no resultado da educação. Cada escola, dentro de sua autonomia, elabora seu projeto, definindo o que os alunos devem aprender. Não se trata mais de conduzir o ensino, seguindo apenas o livro didático e ensinar o que o professor acha que deve ser ensinado. É apoiar-se na necessidade do grupo-classe e conduzir a aprendizagem estabelecendo metas e ações.

Toda mudança na escola deve vir acompanhada de opiniões dos pais dos alunos, deve, com eles, ser discutida e concluída. A importância da participação da comunidade, na definição dos rumos da escola, é um aspecto bastante considerado na moderna gestão escolar. Outros aspectos, como o uso racional dos recursos e a melhora no desempenho do aluno, fazem parte de um plano, onde entram conselhos gestores das escolas.

Tenta-se, por diversos caminhos, desvendar o fracasso do sistema educacional, na mira de mudanças.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2007)

O ENSINO RELIGIOSO

Izabel Sadalla Grispino *

O momento conturbado, desencontrado, violento em que vive a sociedade, está referendando o retorno ao ensino religioso nas escolas, compreendido como reflexão sobre o mal, sobre a ética, valores e princípios de cidadania, sobre a relação do homem com Deus, sobre a valorização da vida.

O Conselho Estadual de Educação, pela deliberação CEE-16, de 27 de julho de 2001, regulamentou as aulas de religião, no ensino fundamental, das escolas estaduais de São Paulo, com seu início a partir de 2002. É um ensino religioso não confessional. Contudo, prevê aulas extracurriculares de religião confessional, dadas por voluntários das diferentes entidades religiosas, a partir da opção da família do aluno.

Segundo a Secretaria Estadual da Educação, professores de 1.ª a 4.ª série e docentes de história, filosofia e ciências sociais serão capacitados para essas aulas. Nas 1.ªs séries do ensino fundamental, a religião fará parte do conteúdo geral. Só na 7.ª e 8.ª séries, haverá uma aula específica por semana. Contudo, seu ensino iniciou-se com as 8.ªs séries.

Este ensino abrangerá a história das religiões, sua importância nas culturas dos povos, respeitando o pluralismo cultural e religioso, estimulando a prática do diálogo, levando a uma convivência de tolerância e de compreensão.

A Constituição brasileira de 1988, reconhecendo a importância de religião na vida das pessoas, estabelece, no parágrafo 1.º do artigo 210, a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas: “O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”.

A Lei n.º 9.475, de 1997, acrescentou: “O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurando o respeito à diversidade cultural, religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo”.

Todos só têm a ganhar com a inclusão do ensino religioso no currículo escolar. Ganha o aluno, a família, a sociedade, o mundo, porque esse ensino é aquele que alcança a alma, que orienta à prática dos valores morais e espirituais, que expande o amor, com vistas à solidariedade, ao compromisso ético, à compreensão do homem e ao autoconhecimento.

A sociedade, marcada por desigualdades de condições referentes a bens essenciais, a juventude desassistida, buscando sentido para a própria vida, encontrarão, nos projetos educacionais, que visam o bem comum, que visam a conscientização da responsabilidade pessoal e social, amparo e vôos de esperança.

O ensino religioso passará a ter orientação de especialistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Para o ano de 2003, as escolas contarão com livros didáticos e vídeos para serem usados em salas de aula, elaborados por professores e pesquisadores da Unicamp. A Unicamp programa, também, realizar cursos de capacitação e acompanhamento pedagógico aos professores, promovendo encontros com assistentes técnicos, pedagógicos e supervisores de ensino.

As orientações apoiam-se na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) que estabelece um ensino supraconfessional, quando trata todas as religiões da mesma forma, distanciando-se do campo doutrinário. A visão pessoal do professor não deve contar e sim a visão multirreligiosa. Em muitos Estados, criam-se conselhos ecumênicos para reger o ensino, evitando doutrinas religiosas, das várias denominações.

O objetivo maior desse ensino é abordar valores universais. O artigo 33 da LDB, alterado em 1997, diz que o ensino religioso deve ter um conteúdo de caráter universal, sem privilegiar nenhuma religião. Os conteúdos das disciplinas devem promover o entendimento e a vivência dos valores universais, éticos, morais, religiosos e de cidadania.

Segundo informes, o projeto da Unicamp é fiel a esta orientação, não se resvalando para “chavões moralistas ou formação doutrinária”. Esse ensino deve passar as histórias das religiões, deixar entrever elementos semelhantes entre elas, numa análise enriquecedora, porém, imparcial. Os alunos vão percebendo as diversas convicções, as diferenças entre elas, alargando a compreensão da própria crença. Aprendem a respeitar e a valorizar as outras religiões, entendendo que, pela convicção, para cada pessoa a sua religião é a correta. O importante é fortalecer a alma, melhorar a formação do ser humano e ensinar a convivência pacífica. O importante é o aperfeiçoamento pessoal levando ao aperfeiçoamento social. É compreender que os novos tempos não surgem na virada dos séculos, dos milênios, mas no coração que se converte, que muda de rumo e descobre que ele e o próximo têm destino comum, morada comum, vivendo num mundo divino. A procura incessante do homem por Deus sinaliza a busca de um sentido maior para a existência.

A dimensão religiosa, no ser humano, é surpreendente, percorre todos os ângulos da alma, forma unidade no bem, juntando a moral, a justiça, o amor. O brasileiro, de índole religiosa, baterá às portas do reino da paz e espalhará, entre os homens, a virtuosa espiritualidade, com vistas à reversão dessa sociedade violenta.

Que a escola saiba como assentar esse ensino, no respeito à liberdade religiosa de cada estudante, extraindo das religiões sua essência maior, seu traço de união, que é Deus, e os seus ensinamentos. Ensinamentos que virão a ser, assim o esperamos, o alicerce de toda sociedade, eticamente constituída.

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2002)

CONTROVÉRSIAS QUANTO AO USO DO COMPUTADOR

Izabel Sadalla Grispino *

Aprender a viver na sociedade hoje é aprender a compreender a necessidade de uma educação de qualidade. A boa escola leva o jovem a recuperar a confiança na estrutura educacional. Essa escola sabe, pedagogicamente, como lutar pelas dificuldades de aprendizagem dos alunos e como fazê-los galgar os degraus do saber. Coloca como prioridade o desafio da qualidade de ensino e acompanha as mudanças requeridas por um mundo em acelerada mutação.

O aluno, nessa escola, passa a confiar mais no futuro, nas suas possibilidade de realização. Essa escola sabe que o crescimento econômico do País é indispensável ao seu desenvolvimento, mas sabe que desenvolvimento com distribuição de renda tem seu maior peso na educação.

A boa escola tem que definir sua linha pedagógica e a época se caracteriza por uma gama considerável dela e muito voltada ao uso do computador. Utiliza precocemente o uso da informática alegando exigência da época, adaptação à sociedade.

Curiosamente, contrária ao uso do computador por crianças, há uma linha que vem sendo considerada, discutida, e recebendo adeptos. Essa pedagogia combate o uso da tecnologia na rotina das crianças, como se faz comumente nas grandes escolas. O prof. Valdemar Setzer, da Universidade de São Paulo (USP), titular do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística, preconiza que o computador seja utilizado somente a partir dos 17 anos de idade: “Deixe as crianças serem infantis, não lhes permita o acesso à TV, joguinhos eletrônicos e computadores”.

No seu artigo “Contra o uso de computadores por crianças e jovens” relata conclusões a que chegou, como “ser o pensamento abstrato, forçado pelo computador, prejudicial aos menores de 16 ou 17 anos. Força-os ao uso de uma linguagem e um tipo de pensamento totalmente inadequado a essa faixa etária. Eles ainda não possuem uma maturidade intelectual adequada”.

Essa metodologia é compartilhada pelas escolas que abraçam a pedagogia Waldorf, introduzida pelo austríaco Rudolf Steiner, em 1919, na Alemanha. A base é deixar que a criança brinque por si, com o mínimo de estímulo externo. A escola programa-se para que não haja interferência no desenvolvimento, com a criança criando recursos próprios. Limites, contudo, são colocados suavemente pelo professor.

A criança na pedagogia Waldorf está sempre ativa. Os dias são preenchidos com atividades artísticas e artesanais. Brincam com bonecas confeccionadas por elas, sobem em árvores plantadas na escola, ouvem, em roda, histórias, contos do folclore, fazem teatro de marionetes, com cirandas e poesias.

A escola considera que os brinquedos manufaturados limitam a fantasia. Não adere à tendência, de hoje, de deixar a criança passiva diante da TV ou do computador. Prima pela individualidade de cada um, fazendo a criança desabrochar no seu potencial. Quanto ao computador, é contra ao seu uso precoce, por exigir muita concentração e mesmo abstração, num período em que a criança e o jovem não estão bem desenvolvidos intelectualmente e, conforme já está comprovado, a aceleração da intelectualidade é altamente prejudicial à criança e ao adolescente.

O prof. Setzer diz “não existir pesquisa científica que mostre os benefícios do uso do computador como ferramenta didática ou de lazer na infância. Você pensa que usa o computador, mas freqüentemente é ele quem usa você. Em qualquer uso, o computador força um raciocínio matemático restrito, lógico-simbólico e o jovem tem de ter uma maturidade muito grande para se controlar”. Para comprovar sua tese, diz não ter deixado seus 4 filhos terem acesso a computadores na infância. Hoje, um deles, de 32 anos, é diretor da Oracle, um dos principais fabricantes de software do mundo.

Além de acelerar a intelectualidade, o computador não dá margem à interação e a escola deve priorizar atividades em conjunto. Aprender sozinho limita o indivíduo, não o ajuda na socialização, na troca. O computador é um instrumento mecânico de aprendizagem, afasta o elemento humano, indispensável na educação. O trabalho coletivo traz maior prazer, um brincar mais produtivo, mais criativo. O contato com o humano faz a criança tornar-se mais tranqüila. A TV é igualmente barrada nessa pedagogia.

Além das escolas que adotam o método Waldorf, onde as crianças se desenvolvem em atividades naturais, outras vêm aderindo, senão total, mas parcialmente, às orientações de preencher os espaços da criança em atividades que as afastem do computador e da TV. Escolas particulares programam atividades para receber alunos no período de férias, em janeiro. Atividades como pintura, plantação, cavalgadas, culinária e até relaxamento para crianças de zero a 7 anos. Há preparação de horta para plantar cenouras, rabanetes, confecção de fantasias e banhos de boneca.

Quanto ao processo de afastar a criança e o jovem do uso do computador, surgem grandes celeumas entre os educadores. Atualmente, a grande maioria das escolas coloca crianças de 3 anos diante do computador. Adota desde cedo o seu uso atraindo clientela com esse sistema. As crianças, desde o jardim, vão se familiarizando com as máquinas e seu uso se prolonga no ensino fundamental, com aulas formais de informática.

A filosofia dominante dessas escolas é o ajuste da educação à sociedade reinante. Acreditam que se ficar fora da informática estarão prejudicando a juventude atual, deixando-a fora de seu tempo.

Qual o melhor caminho a seguir? Barrar totalmente a tecnologia à criança e ao jovem até a idade proposta por Setzer ou introduzi-los cedo ao seu uso? Setzer não está contra o uso do computador, mas eliminando o seu uso precoce, em obediência às fases do desenvolvimento cognitivo da criança e do jovem e utilizando-o no momento certo.

A informática é a coqueluche do momento, uma forte alavanca do futuro. Quanto ao seu uso precoce, exigindo, de acordo com especialistas, uma maturidade intelectual que a criança não tem, não haveria necessidade de mais estudo, mais observação, para uma mais ajustada conclusão? Até lá, não seria viável a adoção de um meio termo, de uma adequação aos níveis de abstração, uma graduação no raciocínio formal, hipotético-dedutivo?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2005)

ALUNOS DE DESEMPENHO EXCEPCIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

O Brasil tem um atendimento irrisório ao estudante superdotado. Poucos, muito poucos, são os programas de incentivo, criados, quer pelo governo, quer pela iniciativa privada, para alunos com desempenho acima da média.

A lei prevê atendimento especial ao aluno superdotado, mas, no plano oficial, não há programas específicos para esse aluno. Países avançados investem fortemente em cérebros, desenvolvendo e beneficiando aluno e país, que acaba formando profissionais altamente capazes em pesquisa e tecnologia, favorecendo o crescimento de sua economia. Uma nação enfrenta com vantagens a competitividade moderna, quando possui em seus quadros número considerável de bons cientistas, de mão-de-obra qualificada.

A escola precisa mudar o olhar, saber reconhecer jovens talentos e apoiá-los. Investir em programas para capacitar estudantes com altas habilidades. Primar pela caça ao talento no Brasil deve merecer atenção especial, sobretudo, pelo pouco que tem de aproveitamento considerável no padrão acadêmico nos cursos regulares.

Quanto aos superdotados, a psicologia educacional moderna afasta a imagem de gênio. São crianças com habilidades especiais, que devem ser desenvolvidas e incentivadas. São crianças que têm um alto desempenho em uma área, mas não são gênios. São especiais, dotadas, sim, de altas habilidades e que devem ser treinadas, estimuladas a desenvolver, mas que são, antes de mais nada, crianças.

Muitas vezes, os pais percebem que o filho é superdotado e se assustam. Temem que a cobrança comece a ser acima do normal e que a criança comece a se achar mais do que as outras. O medo é comum entre famílias de crianças com altas habilidades e esse tem sido um dos argumentos apontados pelo Ministério da Educação (MEC) para não incentivar a existência de escolas especiais para superdotados. Incentiva a convivência em escolas regulares, o que torna, em grande parte, um desafio a mais para os professores.

O MEC incentiva os Estados a terem programas específicos de identificação de superdotados. Brasília, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul têm centros para isso. Também as prefeituras de Lavras (MG) e Belém do Pará trabalham com crianças superdotadas, usando programas especiais. Brasília treina professores de escolas públicas para identificar crianças com habilidades especiais. A Secretaria de Educação Especial do MEC recomenda ao professor que reconheça e responda à diversidade, acolha as diferentes potencialidades, características e ritmos de aprendizagem.

Até pouco tempo, usava-se apenas o teste de Q.I. para medir o grau de capacidade de um aluno. Hoje, ele é complementado por avaliações psicológicas, que medem as habilidades das crianças em várias áreas. Os testes, quando feitos, revelam, normalmente, no superdotado um Q.I. acima da média. Os testes são a última etapa de uma avaliação que analisa o comportamento da criança, seus interesses, habilidades orais e físicas e também a sua maturidade. Uma criança pode ser ricamente desenvolvida em uma área e nem tanto em outras. Há crianças, por exemplo, extremamente criativas, utilizam-se facilmente das palavras, inventam histórias e jogos, mas podem não ter nenhuma habilidade manual, com uma coordenação motora ruim.

A escola vive um momento importante de mudanças. Sempre trabalhou com o paradigma da igualdade; hoje o paradigma é da inclusão da diversidade. No meu artigo da semana passada eu dizia: “A escola deve valorizar a diversidade, mas valorizar, acima de tudo, a potencialidade do aluno”. Valorizando as potencialidades, ela estará valorizando as individualidades em suas diversidades.

O superdotado é um aluno dotado de altas habilidades numa determinada área, um aluno que se destaca, de alguma forma, do seu grupo. O professor percebe o superdotado quando o aluno apresenta habilidades acima da média, quando tem criatividade e, principalmente, persistência. Se o interesse do aluno é apenas de momentos, se não permanece, se não persiste, não se trata de um superdotado. A Associação Brasileira para Superdotados aponta que “as crianças superdotadas costumam ser bastante persistentes na busca por mais informações sobre assuntos que lhes interessam. Chegam a ser “chatas” de tanto que perguntam. Têm senso de humor e também senso de justiça, reagem positivamente a novos elementos e costumam ter idéias variadas sobre um mesmo assunto”.

Entre as habilidades da criança superdotada está a facilidade para aprender coisas novas, compreender uma explicação e uma memória privilegiada. Sua velocidade de aprendizagem é bem maior. A regra é passar tarefa extra porque o aluno termina antes e acaba atrapalhando a aula. Um dos recursos é pedir ao aluno que ajude os colegas nas tarefas da classe.

O aluno superdotado precisa de atividades que vão além da sala de aula, como desenvolver projetos. Programas específicos devem ser preparados, incentivando as habilidades especiais e acalmando sua inquietação. Programas que remanejam os melhores alunos para classes mais adiantadas, que conduzam os alunos do ensino médio a uma universidade para cursar aulas nos fins-de-semana, como ocorre em muitos países avançados.

Além das salas regulares, das aulas regulares, deve haver a sala de recursos, que complementa as atividades, onde o aluno tem meios e oportunidades de desenvolver as habilidades, de pesquisar, de exercer a criatividade. Levar o aluno fora do período normal a freqüentar outros grupos, dar formas de acesso a uma escola de pintura, de música, de dança etc., de acordo com seus interesses, é outro comportamento recomendado. Acima de tudo, a escola deve ensinar esse aluno a desenvolver as próprias habilidades.

AJUDA À VISTA AOS UNIVERSITÁRIOS

Izabel Sadalla Grispino *

Ajudar o aluno pobre a enriquecer a sua formação acadêmica é, sem dúvida, o melhor caminho para o  ingresso à universidade. A instituição de cotas poderá representar uma ajuda vazia, um castelo de areia, que viria contra o próprio beneficiado.

Alunos que ingressam na universidade com deficiência de conhecimento poderão vir a ter sentimentos de desânimo, de desistência, sem falar da repetência. Para que isso não ocorra, a instituição terá que baixar o seu padrão de ensino, conseguir um nível inferior, que permita ao aluno dar seqüência aos seus estudos. A instituição não vai poder atender a padrões de qualidade e desempenho, o que traria queda na qualidade do ensino superior, como já existe na educação básica. Essa é uma estrada que não culmina com a melhoria do ensino, porque transitada por alunos sem o devido preparo.

É necessário que se forme conceito a respeito e que se tomem providências para se alcançar um porto seguro. Investir, primeiramente, e com seriedade, na qualificação da educação básica, fazendo as escolas públicas aproximarem-se das escolas particulares. Aumentar a oferta de cursinhos pré-vestibulares e bolsas de estudo à população carente. O cursinho pré-vestibular, lutando para suprir as deficiências de aprendizagem, fornecendo aos alunos um conhecimento mais compatível com a carreira universitária, e a bolsa permitindo-lhes a possibilidade de estudo.

Conforta-nos saber que os cursinhos pré-vestibulares multiplicam-se não só na capital, como no interior do Estado. Tomei conhecimento da existência do Curso Unificado do Campus de Araraquara (Cuca), através de seu coordenador e orientador, Prof. Miguel Jafelicci Júnior. Esse curso surgiu em 1994, por iniciativa dos alunos do Instituto de Química. Em 2002, foi implantado o Cuca/Prefeitura, resultado de uma parceria da Prefeitura de Araraquara com o Campus de Araraquara da UNESP, num projeto pioneiro na região, neste tipo de convênio.

O Cuca/Prefeitura atende atualmente 300 alunos em 5 salas localizadas em três bairros de Araraquara, Selmi-Dei, Vale do Sol e Jardim Martinez. Estes alunos são isentos de quaisquer pagamentos – matrícula, mensalidade e material didático. É atendido por 40 professores e 2 coordenadores, todos alunos de graduação da UNESP, que recebem bolsas de Extensão Universitária.

Essa é uma iniciativa que merece aplauso e que deve ser seguida por outras localidades. Parabéns aos organizadores e aos alunos que, através desse cursinho, elevam seu padrão de ensino e podem sonhar com horizontes mais claros, com um futuro mais consistente.

Um outro aspecto, que seria interessante divulgar, são as oportunidades de trabalho que surgem na própria universidade aos alunos que precisam trabalhar ou aos que querem já dar os primeiros passos na carreira durante a graduação. Estes alunos devem procurar por vagas oferecidas dentro do campus, publicadas em editais, divulgados nos murais de aviso e no site da instituição. As principais fontes de informação vêm, contudo, de alunos veteranos, de funcionários e de professores da universidade.

A falta de comunicação acaba por dificultar as chances existentes. Para os interessados, a Coordenadoria Executiva de Cooperação Universitária e de Atividades Especiais (Cecae) deixa o endereço eletrônico – www.cecae.usp.br. O Cecae oferece, entre outras atividades, estágios aos programas sociais da USP. Conta com mais de 100 alunos, que participam de trabalhos, como programas de reciclagem, de inclusão social de crianças carentes, de desenvolvimento tecnológico para pequenas empresas e de evolução ambiental.

Há, também, estágios no setor responsável por reformas das unidades da instituição. São formados por grupos de 7 alunos, que analisam as necessidades das faculdades, traçam planos de reforma e consultam preços dos materiais para o projeto. Cada aluno recebe cerca de dois salários mínimos por 20 horas semanais e trabalha nas horas em que há tempo entre uma aula e outra, no caso do curso ser integral.

Ao lado da divulgação das vagas de trabalho ou de estágio na universidade, os próprios alunos podem anunciar serviços, como tradução e revisão de textos e cursos de idiomas ou de instrumentos musicais. Há ainda a possibilidade de o aluno desenvolver o seu próprio projeto, como, por exemplo, o de revitalização de uma área da cidade e pedir ajuda à instituição para conseguir parcerias ou financiamento. Na USP, o estudante deve procurar o Cecae; em outras universidades, procurar auxílio no serviço de atendimento ao estudante.

Também existem as oportunidades de trabalho temporário, como as oferecidas no período dos vestibulares, no processo seletivo. Geralmente, esse trabalho tem duração de 4 meses e as funções são as de atender o público, cadastrar vestibulandos, cuidar da distribuição dos materiais, como os manuais do candidato e fiscalizar os procedimentos de inscrição. Ganha-se cerca de R$ 500,00 por mês, trabalhando 6 horas diárias. Durante as provas, ganha-se mais R$ 200,00 por dois dias de trabalho, como fiscal.

Espera-se que os universitários tomem conhecimento dessas possibilidades e que busquem concretizá-las.

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em maio/2004)

FORMAS DIFERENCIADAS DE ORGANIZAÇÃO ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

O nosso sistema escolar enseja uma variedade de formas de ensino. Além das escolas públicas, que seguem normas oficiais, há escolas particulares com diferentes formatos, diferentes modalidades, em projetos de permanente construção e reconstrução.

Surgiram na década de 90 as chamadas cooperativas educacionais, uma atividade empresarial dirigida por um conselho de pais-cooperados, eleitos em períodos regulares. A gestão administrativa, incluindo contratação de pessoal, e a gestão  educacional são feitas por profissionais de cada uma das áreas, escolhidos por competência, por mérito, afastando o protecionismo. Essas escolas vêm mostrando alto desempenho, muito boa organização e se multiplicando no Estado de São Paulo. Atestam que escola não é só um espaço físico, mas, sobretudo, resultado de um projeto educacional.

O IBGE, num levantamento feito em 2004, mostrou queda na renda das famílias, com influência negativa na procura por educação diferenciada. As escolas particulares, como outras atividades do setor de serviços, estão enfrentando dificuldades. A crise enfrentada pelas escolas mostra caminhos diferentes em sua solução. Algumas passaram a se preocupar menos com a qualidade do ensino, evitando maiores gastos e se concentrando no fluxo de caixa. Outras não se descuidaram da atividade-fim, tentando resguardar a credibilidade adquirida ao longo dos anos, na tarefa de educar. A inadimplência foi contornada, buscou-se proteger e conservar o seu patrimônio pedagógico, seus professores competentes, comprometidos com a boa educação.

Há grupos de escolas partindo para soluções mais imediatas para resolver o problema de evasão de alunos e a inadimplência. Estão se reunindo em uma “holding” que oferece mensalidades reduzidas, porque os professores são terceirizados. Desse modo, livram-se dos encargos da legislação trabalhista, como a remuneração do descanso semanal e as férias. O professor ganha pelo número de alunos que tem em sala de aula. O proprietário da escola apenas aluga espaço e instalações para uma cooperativa de docentes. A escola vende serviço educacional aos interessados.

A holding, chamada Colégio Brasil Novo, que em 2004 contava com adesão de 49 escolas, definiu o critério de remuneração: 25% da receita fica para os professores locatários e o restante para o locador. A holding propõe que os professores se empenhem e sejam fatores determinantes na atração e manutenção de alunos para evitar sua evasão.

Manter os filhos numa escola mantida por uma holding é uma opção dos pais, que preferem educar os filhos de forma diferenciada, preferindo o ensino privado ao público. A questão que se coloca, em relação a professores itinerantes, locatários de salas de aula, remunerados conforme o número de alunos que possuem, é a validade dessa organização escolar, da atuação docente, em termos educacionais e pedagógicos.

Escola é uma organização formal, necessita de um dirigente que responda por ela, que é responsável perante os alunos, os pais, a comunidade. Não é só um lugar que recebe alunos, mas representa uma filosofia educacional, uma linha pedagógica abrangente a toda instituição, capaz de responder pela execução de seu currículo, mantendo programas de educação compartilhada com toda comunidade escolar. É necessária uma coordenação das atividades docentes, planos pedagógicos interligados, correlacionados, integrados e jamais se colocar em projetos individualizados, representativos de cada professor. O ensino, há muito, deixou de ser  compartimentado.  As fronteiras do conhecimento se diluem cada vez mais na comunicação entre as disciplinas do currículo.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), no seu parágrafo único do artigo 25, define responsabilidade das autoridades educacionais. “Com essa Lei surgiu uma nova concepção de currículo e com ele uma nova concepção de escola. Nova em seu formato, em seu funcionamento, em sua organização, requerendo uma profunda revisão das metodologias de ensino... Revoluciona-se o conceito de currículo, que tem, agora, sua maior característica na flexibilização. A Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) prevê  a flexibilização na organização de cursos e carreiras e por isso torna possível a mudança que vale tanto para as escolas públicas como para as privadas. A idéia central é substituir a estrutura curricular, baseada em disciplinas e carga horária fixa, por outros modos de organização. Na educação básica por: séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios e formas diversas de organização, como módulos, reclassificações de alunos, aceleração da aprendizagem”. (do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), págs. 39 e40).

Após a promulgação da nova LDB, inovações vêm surgindo a cada passo. Contudo, necessário se faz avaliar bem as condições das inovações, o contexto do trabalho desenvolvido, a metodologia aplicada e os resultados obtidos, em termos acadêmicos e educacionais. As mudanças precisam ser bem pensadas, bem regidas, bem estruturadas pedagogicamente.

Uma das principais características da moderna administração escolar é a de avaliar continuamente os resultados, mantendo ou redefinindo seus planos de ação. Estamos vivendo a época do diálogo, tempos de parcerias, especialmente da escola com os pais de alunos, onde as decisões são, em parte, compartilhadas com responsabilidade. Nas mudanças, os pais devem ser esclarecidos e ouvidos em suas reivindicações.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2005)

A ESCOLA EM SEU NOVO DIRECIONAMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

Penetrando no mundo de valores diferenciados, na tentativa de alcançar as diversidades culturais, a escola expande seus horizontes, ultrapassa fronteiras e, num comportamento menos elitista, chega às camadas mais necessitadas da população.

A tendência atual é educar para a coletividade. A diversidade cultural hoje é mais acentuada que ontem e as crianças, desde cedo, entram em contato com ela. Como se situar nessa diversidade? Como se ajustar a ela sem confrontos desgastantes?

A educação direcionada ao coletivo leva ao enfraquecimento da competitividade. Educa para o entendimento da realidade circundante, do entorno, para conhecer a história do outro, suas tradições, seus costumes, seus anseios e limitações. Esse conhecimento aproxima uns dos outros, relaxa as rivalidades, convida às mãos estendidas.

Vivemos um outro momento, em que se faz necessário uma educação de valores abrangentes, uma compreensão de padrões de comportamento, de normas subjacentes aos diferentes grupos de convivência social. Uma educação que alcance a formação de uma consciência moral.

Crianças de origens diferentes, agindo de forma coordenada, colaboram para o equilíbrio, para uma convivência mais pacífica, desarmando intenções. A escola passa a educar para a responsabilidade social, ensinando a criança a participar da construção de uma sociedade cidadã, onde se trabalha o respeito aos direitos do outro e a consciência dos próprios deveres.

A escola passa a educar par a construção de uma sociedade comunitária, onde um sente a necessidade do outro, onde se aprende a não mais ignorar o outro, num aproveitamento de mente, de alma e de braços, no reerguimento da paz e da própria economia da Nação.

Já é tempo de se olhar, como aprendizes, às comunidades pobres. Saber ver o seu potencial, o imenso capital de conhecimento que essa comunidade herdou de pais, de avós, ver os valores socialmente criativos que expressam.

Nesse aspecto, a escola passa a ser uma instituição da coletividade, seguindo o relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI (Unesco), que estabeleceu quatro pilares, como eixos estruturais da Educação na sociedade contemporânea: Aprender a Aprender – buscar o saber, alcançar os seus objetivos;  Aprender a Fazer – relacionando o ensino à prática; Aprender a Viver e Conviver – desenvolver o conhecimento do outro, formar uma nova mentalidade, que vai gerar mais união e diminuição da competitividade, vai gerar o desejo de criar, de elaborar projetos conjuntos, de viver juntos; e Aprender a Ser – desenvolver a capacidade de autonomia e julgamento, fortalecendo a responsabilidade pessoal pelo destino coletivo.

Hoje, a escola reforça a visão de que a educação deve se dirigir ao convívio coletivo, ao desenvolvimento humano, no encontro das diferentes culturas, aproximando os povos e os segmentos da sociedade.

Transformar o meio em que se vive passa, necessariamente, pela sala de aula. Já passou a época da alienação aos menos favorecidos. Terá que haver um esforço para conciliar a destinação com a esperança. Um esforço para anular o sintoma da desigualdade e acreditar na capacidade de recuperação.

 

* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em dezembro/2006)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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