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Artigos Educacionais

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COM QUE IDADE ALFABETIZAR?

Izabel Sadalla Grispino *

A criação do ensino fundamental de 9 anos, colocando na escola crianças a partir dos 6 anos, tem levado pais e professores a questionarem sobre a melhor idade para se alfabetizar.

Estudos, baseados em experiências educacionais, têm trazido luzes nessa área. Na alfabetização, cada criança tem o seu próprio ritmo, leitura e escrita podem começar tanto aos 4 quanto aos 7 anos. Entra nessa variável o estímulo recebido pelos pais.

Os neuropediatras dizem que o período para se alfabetizar não é fixo, vai dos 4 aos 7 anos, dependendo do desenvolvimento cerebral da criança. Antes da alfabetização, o cérebro deve passar por diversas fases, como a aquisição das noções de espaço e tempo e pela fase da coordenação motora fina.

Um fator que muito contribui para a alfabetização é o incentivo que recebe em casa, dos pais. O ambiente influencia e desperta o interesse para a leitura e à escrita. Pais que dão, desde cedo, livros infantis aos filhos, lápis e papel para rabiscarem ou lêem histórias antes da criança dormir. Os pais devem ler e não apenas contar histórias. Ler é diferente de contar. Quando se lê a história com um livro, desperta a curiosidade da criança para saber o que aqueles riscos, no livro, significam.

Porém, a criança pobre vem de um ambiente de baixa escolaridade e geralmente os pais não se interessam pela leitura, não encorajando, assim, os filhos. Despertar o gosto pela leitura, sensibilizar para os livros, desde cedo, farão a diferença em toda a vida escolar.

O que se constata é que nas escolas particulares comumente as crianças chegam à 1.ª série, aos 7 anos, já alfabetizadas, enquanto que na escola pública, geralmente, é com essa idade que vão começar a aprender a ler e a escrever. Essas crianças diferentemente daquelas, com raras exceções, não passaram pela pré-escola.

É preciso ater-se ao fator lúdico dos primeiros anos de alfabetização. O contato com as letras deve se processar de maneira prazerosa e um professor mau formado pode bloquear a vontade de aprender para o resto da vida.

A criança não deve ser forçada a aprender logo a ler e a escrever. O interesse pelas letras deve partir da própria criança. Deve ser natural. Às escolas, aos pais cabem apenas estimulá-la para a aprendizagem. Dizem os especialistas que se a criança for forçada, sentir-se-á muito cobrada e poderá ter problemas emocionais, de auto-estima, como ter medo da escola, ter horror aos estudos.

Costumam-se relacionar itens de como estimular as crianças para a leitura e para a  escrita:

a)  Biblioteca infantil: os pais devem, desde cedo, dar livros com textos e muitas ilustrações. Há livros especiais para crianças mais novas, alguns são de pano, outros, de plástico.

b) Estojo cheio: as crianças devem ter lápis de cor, de cera e muitos papéis para rabiscar. Habituando-se ao lápis, terão mais facilidade para aprender a escrever.

c) Exemplo: os pais devem ler livros, revistas e jornais na presença dos filhos. Levá-los a livrarias e bibliotecas, fazer isso como se fosse um passeio.

Pode ocorrer de algumas crianças ler ou escrever bem melhor que o restante da classe. Nesse caso, o que fazer? Continuar com a turma de sempre ou avançar na série? Referendam os especialistas de que saber ler e escrever não é motivo para pular de ano. A criança, nesse caso, para não se desinteressar, deve receber atividades especiais, mais complexas, durantes as aulas.

Essa criança não deve avançar na escolaridade, porque no jardim da infância não conta apenas o fator cognitivo. É preciso levar em conta o nível de desenvolvimento psicomotor, social e emocional da criança.

Uma criança, por exemplo, de 5 anos que lê e escreve bem como uma de 7 anos, não é aconselhável que deixe o grupo de sua faixa etária. Emocionalmente, ela reage melhor com crianças de sua idade, tem os mesmos interesses, gosta das mesmas brincadeiras, entrosa-se melhor. Com as mais velhas, ela pode se sentir desajustada, isolar-se. Na infância, 1 ou 2 anos fazem muita diferença.

Na aprendizagem, no curso dos anos de estudos, os psicólogos chamam atenção para a autodisciplina, como um indicador de sucessos acadêmicos, superior a um bom Q.I. (quociente de inteligência). Dizem que a autodisciplina pode ser mais importante do que um elevado Q.I. para se conseguir melhores desempenhos. Programas que constroem autodisciplina podem ser um caminho importante para conquistar realizações acadêmicas. Estudos mostraram que adolescentes altamente disciplinados superaram seus colegas mais impulsivos, mais desorganizados, em todas as variáveis de interpretação acadêmica, incluindo boletins, notas de provas, admissão em faculdades competitivas.

Apoiando-se nesses estudos, por que pais e professores não partem para a criação de situações que treinam, que preparam os estudantes para a autodisciplina?

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em abril/2006)

PARÂMETROS DE QUALIDADE

Izabel Sadalla Grispino *

O Estado de São Paulo, por sua Secretaria Estadual da Educação, realiza mudanças no seu sistema de ensino. Iniciou, em maio p.p., com um novo sistema de avaliação. Todas as escolas da rede estadual passaram a adotar um mesmo padrão de médias bimestrais, com notas em números inteiros que vão de zero a 10. Os valores decimais são arredondados para cima. A proposição foi mudar a avaliação da progressão continuada, do ensino fundamental, que passou a ser de cada 2 anos e não mais de 4.

Recentemente, um mês depois, em junho, a Secretaria montou um esquema de controle de qualidade de ensino: a partir de 2008, o ensino médio receberá um material didático, elaborado pelo Estado, para cada uma de suas séries. Após essa primeira etapa, a Secretaria fará o material para o ensino fundamental, de 5.ª à 8.ª série; uma versão para professores e outra para alunos. Para a 1.ª à 4.ª série, o Estado vai utilizar o material já produzido pela Prefeitura de São Paulo, com seu enfoque em leitura e escrita.

Essas preparações fazem parte do projeto intitulado “Percurso de Aprendizagem”. O objetivo do projeto é delinear o conteúdo mínimo que os alunos das escolas públicas devem aprender, conteúdo que será cobrado em exames, como no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), avaliação externa à escola que visa aferir o rendimento escolar da rede pública de ensino.

Os materiais didáticos têm como suporte os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), elaborados pelo Ministério da Educação (MEC) no fim dos anos 90. Os Parâmetros foram criados para servir de referência, de orientação, à elaboração de currículos às escolas públicas e privadas do País.Fornecem recomendações gerais para as disciplinas, enfatizam a ministração do conteúdo, sem fim em si mesmo, trabalhado por meio do desenvolvimento das competências e das habilidades dos alunos.

Os materiais elaborados pelo Estado abordam áreas de estudos semelhantes às dos Parâmetros. Não são divididos em disciplinas e sim em três grandes áreas: Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, que incluem matemática, física, química e biologia; Ciências Humanas e suas Tecnologias – história, geografia, sociologia e filosofia; e Linguagens, Códigos e suas Tecnologias – língua portuguesa e literatura, artes, educação física, língua estrangeira.

Esses materiais serão como guias e trarão síntese de conteúdos, indicações bibliográficas, recomendações de estudos e exercícios. Segundo a Secretaria, eles não substituirão o livro didático. Diferentemente dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), o material, elaborado pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, vai além das recomendações gerais para as disciplinas, vai conferir, posteriormente, em avaliações, sua aplicabilidade.

O professor deverá fazer uma adequação do livro didático ao novo material, processo, hoje, nada fácil ao professor. Buscam-se caminhos revigoradores do processo ensino-aprendizagem, mas essas inovações cairão em terreno fértil, adubado para a nova colheita?

Continua-se o processo de reformar a casa pelo teto, deixando as paredes trincadas, o alicerce abalado!

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em agosto/2007)

A CORRUPÇÃO EMPOBRECE O PAÍS

Izabel Sadalla Grispino *

Até quando viveremos sob o impacto da corrupção? Até quando este nosso Brasil ficará emperrado, sem conseguir alçar vôos? O Brasil é um País empobrecido pela corrupção. Uma terra privilegiada como a nossa, com seus invejáveis recursos naturais, está sempre pendente, sempre pendurada, arcada em dívidas, ajoelhada ao FMI. O que se constata no País é uma corrupção impregnada nos hábitos da sociedade. Constata-se a existência de grupos que passam de um governo a outro e se firmam pela impunidade. A cultura da corrupção é histórica entre nós e só um trabalho prolongado de conscientização, de estímulo à ética, aos valores morais, e desde a fase da educação infantil, poderá trazer a esperança de enfraquecê-la.

O nosso ensino não consegue avançar. Países do primeiro mundo mostram um nível educacional invejável, um avançado amadurecimento do povo sobre a importância da educação, visto como pilar do desenvolvimento humano. Uma inscrição esculpida em mármore na entrada da Biblioteca Pública de Boston, nos Estados Unidos, diz: “A comunidade exige educação como salvaguarda da ordem e da liberdade”.

O povo exigindo educação! Aqui no Brasil, precisamos ainda trabalhar muito, anos e anos, para que o povo chegue a esse entendimento, à importância da educação na vida da nação. Quando isso acontecer, o Brasil deixará de ser País de terceiro mundo, nível de País em desenvolvimento, para se tornar País de primeiro mundo, País desenvolvido. Educação está na base de toda transformação social.

Um grande escritor brasileiro, Monteiro Lobato, segundo minha memória, disse: “Um país se faz de livros e de homens”. Observemos a ordem das palavras na frase: primeiro, livros; depois, homens. Primeiro o conhecimento, a cultura, estruturando o homem, ilustrando-o para o exercício da função. Ainda nessa linha de pensamento, lembro o grande estadista norte americano Abraham Lincoln, que dizia: “Ninguém salva o povo, o povo salva a si mesmo através da educação” e a educação foi a grande prioridade de seu governo.

No nosso Brasil, a educação continua num marasmo. A pesquisa da Unesco, Ensino Médio: Múltiplas Vozes, realizada em 13 capitais, entrevistando 7 mil professores e mais de 50 mil alunos da rede pública e particular, revelou o alto grau de insatisfação dos estudantes com que aprendem nas escolas.

Nossas escolas têm condições de melhorar aquilo que ensina? Têm condições de oferecer aulas com qualidade, para aumentar o interesse dos alunos? Professores desmotivados, destreinados, pouco capacitados para o exercício do magistério, vão arrastando a situação do mau ensino. O despreparo docente chega ao nível absurdo de levar o MEC a mudar, ainda este ano, o sistema de classificação de livros didáticos. Desde 1985, início do programa governamental de distribuição de material didático, o Ministério fazia recomendações sobre a qualidade dos títulos a serem escolhidos pelos professores das escolas. O critério para classificar o livro didático ia de uma a três estrelas. No ano passado, o MEC passou a usar os conceitos “pouco recomendado”, “recomendado” e “muito recomendado”. Agora, não faz mais avaliações, apenas uma descrição de cada livro. E isso ocorreu devido ao fato de os professores, ultimamente, estarem optando por livros de uma estrela ou os pouco recomendados. Escolhem os piores entre os pré-avaliados pelo MEC.

O presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Henrique Paim Fernandes, considera a fraca escolha dos professores, a razão de estes livros conterem conteúdos mais fáceis; “Assim, os professores não correriam o risco de não entender ou não saber como lidar com livros supostamente mais sofisticados. Geralmente, escolhem os livros que já conhecem ou que crêem ser mais próximos de sua realidade”.

Se contássemos com professores bem treinados didaticamente, recebendo salários condizentes com sua função, não estaríamos nessa situação. Teríamos um magistério valorizado. Mas, o que ocorre é o contrário, a falta de estímulo leva o professor a se acomodar, a se desinteressar, trazendo desinteresse aos alunos.

Como elevar o padrão de ensino sem um devotamento político leal à causa da educação? O mais freqüente é ver, na mídia, os constantes relatos de graves corrupções. As verbas destinadas ao ensino perdem-se no caminho de sua destinação, conduzidas para fins ilícitos. Em abril p. passado, lemos nos jornais, em letras garrafais, o desvio dos recursos destinados ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Médio e de Valorização do Magistério (Fundef)! O Ministério Público estima que de cada R$ 4,00 só R$ 1,00 é aplicado corretamente! Detectou quadrilhas com ramificações nacionais, especializadas em falsificar planilhas de gastos e forjar prestações de contas. A Controladoria Geral da União deparou com um verdadeiro esquema de fraude documental e irregularidade freqüente no registro de estudantes fantasmas. No ano passado, auditoria do MEC constatou a existência de 280 mil matrículas irregulares de 1.ª a 8.ª  séries.

Antes do Fundef, as reclamações de compras eram freqüentes. Surgiu o Fundef justamente para corrigir os casos de corrupção. 60% do Fundef estão vinculados ao pagamento de professores; o restante vem sofrendo desvios abomináveis. O dinheiro do Fundef é depositado em uma conta do Banco do Brasil e seu extrato pode ser acessado por vereadores e membros do conselho de fiscalização dos municípios.

Deputados da Comissão de Educação da Câmara querem mudar a forma de escolha e a composição dos conselhos municipais de acompanhamento do Fundef. Defendem projeto que impede que familiares dos prefeitos e secretários municipais integrem os conselhos, além de estabelecer eleições para a definição dos membros e a inclusão de um representante dos alunos. O representante dos pais também não poderá ser servidor municipal, nem prestador de serviços da prefeitura.

Hoje, fala-se em mobilização dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário --, reforçando a luta do Estado contra a corrupção, tentando fazer com que o Estado, que tem o leme nas mãos, possa dirigir esse barco, encharcado de corrupção, com mais firmeza.

Será esse o caminho? Poderá até ajudar, mas a corrupção está tão enraizada no seio do povo que ela sempre encontrará um jeito de burlar as determinações legais.

Só um trabalho sério de educação poderá tentar reverter tal situação.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2004)

LIÇÃO DE MATURIDADE CÍVICA

Izabel Sadalla Grispino *

O que leva uma pessoa a se debruçar, horas a fio, meses e meses, numa transpiração, às vezes, dolorosa, para fazer ressuscitar as imagens do passado, a História de um povo, que caminha para sua realização? Indubitavelmente, o amor, mas muito também a consciência do valor desse passado, na manutenção da luta e dos ideais de toda uma população. Interessar-se pelas coisas da terra, da Pátria, é um ato de responsabilidade cidadã.

Quem ama preserva. A visão amadurecida sobre o desenrolar da vida nos faz retornar ao passado e preservá-lo para a posteridade, não deixando morrer as lições e o alicerce de que é portador. A clara noção da marcha do tempo, de sua inabalável destruição, reforça a intenção. O tempo marca a passagem do homem no curso da existência. No seu caminhar a vida passa. Triste ver o tempo esvair-se e não se atrever a registrar seus grandes momentos, seus personagens históricos, os valores vividos por uma época.

Estudar a História, a vida de um povo, seus costumes e tradições, são lições de civismo, de patriotismo, de amor à terra. Precisamos fazer memória de nossa terra, de nossa gente. A Pátria exige memória, é nela que estão os seus valores. Um povo que não sabe de onde vem, não sabe para onde vai. Um povo sem memória, sem tradições, divorciado de seu passado, abdica de si e se integra a uma outra civilização. Cultuar o passado é iluminar o presente e o futuro. Por isso, o grande escritor Guimarães Rosa dizia: “O passado também é urgente”.

Imbuída desses conceitos e do amor que tenho à minha gente, à minha terra, recentemente, lancei o livro: “Uma Viagem no Tempo: Guariba, em Minhas Lembranças”.

Terra natal é coisa séria! São silêncios, inspirações, alegrias e muito envolvimento. Quis guardar o seu passado, o seu legado histórico, refletindo a vida cotidiana da cidade, com sua movimentação, seu comércio, a era cafeeira e a canavieira, sua educação, o papel da Igreja Católica em sua cultura, as amizades, os momentos de lazer, as pessoas que nela circulavam, transmitindo um realismo palpável.

A cidade carrega a história das gerações. Ela é um organismo vivo, não pára, caminha, se modifica. O livro retrata uma sociedade que, praticamente, não está mais aqui, faz chegar às mãos das novas gerações a forma primitiva de Guariba. Leva-as a conhecer a Guariba-menina, conhecê-la pequenina, com os encantos que possuía. Relembro, com admiração, as famílias que edificaram a cidade, com seus ideais, seus sonhos, sua chama, sua determinação. Recordo, com emoção, a imagem dos valorosos imigrantes, força que foram de alavanca da cidade.

Passo a passo com a História, com minhas lembranças e participações na vida da cidade, ele vai formando conceitos de amor e de responsabilidade à terra onde se vive, à Pátria,  educando para o patriotismo e senso de pertencimento. É um livro valioso às escolas, à formação integral do adolescente, à sua politização, ao entendimento da relação do homem com seu meio. Busca sensibilizar, conquistar o jovem para a prática da cidadania, tendo como base o amor à sua terra.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2007)

ENSINO RELIGIOSO NAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência toma conta da cidade e do campo. A vida tornou-se um sobressalto permanente. Nos consultórios médicos, enfileiram-se pessoas que procuram ajuda para a síndrome do medo.

O Hospital das Clínicas de São Paulo montou uma equipe médica voltada para o tratamento da síndrome do pânico, quer de pessoas que passaram, elas mesmas, pelo trauma do seqüestro, do estupro ou de violentos assaltos, ou viveram o drama de uma pessoa da família violentada. Os atendimentos aos pacientes, acometidos dessa síndrome, crescem a cada dia e a equipe manifestou-se dizendo não estar mais dando conta do recado. Hoje, constata-se que os remédios antidepressivos pertencem ao quarto grupo mais vendido, atrás somente dos antiinflamatórios, analgésicos, contraceptivos.

Algo muito sério precisa ser pensado diante de tão pesada situação. Se a geração atual tem uma grande ala que já descambou para o mal, não tendo mais, infelizmente, como conter essa avalanche assassina, temos que nos preocupar, com rigor, nas gerações que vêm vindo. Prepará-las para uma convivência pacífica, conduzindo os seus passos, educando-as para a compreensão, afastando o tipo de competição acirrada, que gera egoísmo, individualismo perverso. Preparar a criança para viver o amor, lançando alicerces éticos e morais desde a mais tenra idade. A criança deve conviver com a idéia de Deus, dessa entidade que simboliza paz, ajuda ao próximo, solidariedade. Deve ser despertada para o sentido de religiosidade, ensinada a conviver com o diferente, com a desigualdade social. Ter o olhar voltado para os mais necessitados.

Muitas escolas, hoje, preocupam-se em adotar ensino religioso, mesmo não havendo unanimidade de opinião entre os professores. Acham importante passar, aos alunos, noções de religião, onde destacam a importância de conceitos como fraternidade, ajuda e respeito. Introduzir o aluno no universo da fé, sem entrar em conflito com o universo científico, antes harmonizá-los. A escola deve respeitar a crença de todos os alunos, fazendo-os perceber uma sociedade plural e com ela aprender a conviver. A escola não vai entrar na doutrina de nenhuma religião, vai buscar o que de comum há entre elas, a idéia de Deus, carregada de bondade, justiça, da prática do bem, da condenação do mal, da divisão do pão, da igualdade de oportunidades. Mostrar aos alunos o que significa ter uma religião, os comportamentos que a representam, como e porque a religião surgiu (contexto histórico-cultural), dar a eles uma estrutura moral. A religião forma o indivíduo para uma cultura humanística, para uma civilização voltada ao bem comum.

O que se tem questionado nas escolas é a possível divergência que possa vir ocorrer entre religião e ciência. Muitos professores são contra a idéia do ensino religioso, achando que a escola deve ter somente base científica, não se envolver com a questão da fé. Mas, o que se vê é que a evolução da ciência, em termos de convivência pacífica entre os povos, em termos de qualidade de alma, não trouxe contribuição positiva. Deve-se aproveitar a brecha que essa situação oferece à educação religiosa, fazê-la interferir, dar o seu recado de humanização, tentando reverter essa caótica posição.

Deixar como está é inviável. É preciso enfrentar o desafio, o crescente envolvimento da sociedade com a violência. Se a ciência, com sua estrondosa evolução, não está trazendo recuo nessa área, ao contrário, a violência se acentua a cada passo, temos, sim, que apelar para a crença, para a fé, para a cultura da alma. Aliás, já diziam os antigos gregos “a alma de toda cultura é a cultura da própria alma”. Temos que promover a sociabilização do conhecimento sobre a violência, privilegiando informações isentas de preconceito, carregadas de atributos morais, em estratégias de trabalho pedagógico. Temos que fazer o aluno sentir que a mudança de posição virá dele, só ele tem, em suas mãos, a força da transformação que possa vir ocorrer na sociedade, no caso em questão, da violência, das drogas.

A violência alastra-se e forte, também, nas escolas. O seu grau chegou a ponto de a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) entender que se devem desenvolver pesquisas de âmbito nacional sobre o uso de drogas nas escolas, no ensino fundamental e médio, e entre crianças e adolescentes em situação de rua, bem como sobre padrões de consumo de álcool e partir para um plano de ação.

Os professores contrários ao ensino religioso criam polêmica também na abordagem do criacionismo. As duas vertentes, criacionismo e evolucionismo, costumam ser entraves ao ensino religioso. Porém, os dois conceitos devem ser passados aos alunos e, em ambos, o que deve ser ressaltado é a figura do homem, a principal criação de Deus, ou da vida, como querem alguns. Indicar livros que completem as explicações e deixar as conclusões para eles. O criacionismo é uma teoria baseada na Bíblia, que fala ser a origem do universo e de todas as formas da vida resultado da intervenção divina. Em tudo houve um Criador, que é Deus. O homem descenderia de Adão e Eva. Essa teoria se opõe ao evolucionismo, que diz ser o homem descendente dos primatas. Os ancestrais do homem são macacos, dizia o cientista inglês Charles Darwin. Em 1859, Darwin publicou “A Origem das Espécies”, onde expõe os fundamentos do evolucionismo. Os criacionistas consideram os evolucionistas ateus.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em seu artigo 33, diz que cabe aos Estados decidir como e por quem serão dadas as aulas. Diz que toda escola pública brasileira de ensino fundamental deve oferecer aulas de religião, mas a freqüência é facultativa para o aluno. Pela lei, o ensino religioso “é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurando o respeito à diversidade cultural e religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo”.

A escola, educando a alma, formando o caráter, desenvolvendo na criança, em si, ações éticas, comportamento moral, terá nessa criança, no adulto de amanhã, talvez, a maior solução para o problema da violência. É uma perspectiva, um caminho que não pode ser desprezado, em nome de uma pretensa ciência.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2004)

SENSIBILIZANDO PARA A DESIGUALDADE SOCIAL

Izabel Sadalla Grispino*

As crianças, os jovens, bem nascidos, desencastelam-se. São orientados a conhecer e a conviver com o outro lado da moeda. A conhecer a pobreza, a vida de carência, de dificuldades de outras pessoas, de crianças e jovens de sua idade.

Passam a valorizar o que têm, a estender o olhar ao seu redor. Na aproximação, na constatação direta, não do que ouviu falar ou do que viu na TV, no cinema, sentem-se tocado pelo diferente, pelo sentido de solidariedade.

Colégios, freqüentados por alunos de classe média-alta, programam, com a aquiescência dos pais, visitas a favelas, diminuindo a distância entre mundos diferentes. Esses alunos passam a conviver com crianças e jovens como eles, que moram em regiões carentes, esquecidos pelo poder público e que enfrentam uma vida de dificuldades, de horizonte estreito, descambando para a violência.

Os alunos passam o dia nas favelas, participam de atividades programadas, em creches e pré-escolas, como horta, marcenaria, coleta seletiva, berçário, cozinha, biblioteca etc. Esses estudantes reformulam-se, descobrem o quanto são semelhantes, o quanto as crianças pobres só precisam de oportunidades para evoluir. Ganham em vivência, expandem a visão de mundo, tornam-se mais humanos. Percebem o quanto de preconceito existe em relação à pobreza e mudam o olhar em relação a ela.

Experiências como estas deveriam fazer parte do currículo das escolas. Aproximam crianças de classes sociais diferentes, quebram preconceitos, e elas se humanizam. Isolando, marginalizando, olhando com desconfiança, as diferenças cristalizam-se, compartimentam-se, simplesmente, em ricos e pobres.

Mais que qualquer outra ajuda, a cooperação, a aproximação, o entrelaçamento solidário é o melhor caminho a trilhar na quebra da insensibilidade em relação às diferenças sociais. Trabalhando para o crescimento da criança carente, dando-lhe perspectivas de vida, ela se afastará das sendas do crime.

Um outro fator de aproximação e enfraquecimento da violência é a oferta, pela escola, de atividades esportivas e culturais, em fins-de-semana, para os seus alunos, suas famílias, sua vizinhança. Além do fator convivência, do estímulo, a Organização das Nações Unidas (Unesco) revela que lazer e cultura são fatores comprovados de combate à violência.

A falta de opções de lazer e cultura é causa de tensão para os jovens da periferia, que respondem, favoravelmente, quando encontram, na escola, o espaço que falta no bairro, para usar o tempo livre, em atividades dirigidas, conglomerando o pessoal de sua comunidade. Essa política de aproximação, de prevenção à violência, melhora, inclusive, a relação professor-aluno. Há, comprovadamente, casos de queda de indisciplina, de brigas entre os estudantes e um aumento considerável da aprendizagem. Um dado importante da pesquisa da Unesco é o aumento significativo da participação dos pais na vida escolar dos filhos.

A aproximação escola e família, em uma ação educativa conjunta, tem-se revelado fator determinante para a melhoria em todos os outros indicadores educacionais. A escola, por sua vez, precisa levar em conta as características de sua comunidade e não deve prescindir da segurança preventiva, onde a polícia exerce menos força repressiva e age mais pela presença institucional.

Os estabelecimentos de ensino, que se integraram ao programa da Unesco, denominado “Escola da Paz”, começaram a se abrir, nos fins-de-semana, à comunidade, e constataram que, além da melhora do índice de aprendizagem, a escola começou a respirar um ar de mais tranqüilidade, de mais participação comunitária. O número de gangues caiu, os casos de vandalismo foram reduzidos, houve queda generalizada de casos de furto e roubo.

Cada vez mais chega-se à conclusão de que, se se quer paz, tem-se que enfrentar a pobreza, provocar uma convivência amistosa entre as diferentes classes sociais, um envolvimento coletivo na busca de oportunidades aos necessitados. A educação, com seu ingrediente de amor, de aproximação aos excluídos, é, sem sombra de dúvida, o melhor caminho a trilhar no combate à discriminação, à desigualdade social, à violência.

A escola redescobre o valor da arte, da cultura, do esporte, do lazer, no combate à violência, na formação da cidadania, do humanismo. Volta-se à confraternização entre as classes sociais, valoriza a cooperação, em detrimento da competição. Batalhando nessa direção, assistindo a pobreza, abrindo horizontes aos menos favorecidos, estaremos nos enveredando pelos caminhos da compreensão, adversos à violência.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em outubro/2002)


* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em outubro/2002)

O QUADRO ATUAL DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO PAÍS

Izabel Sadalla Grispino *

A Constituição de 1988 e a Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de dezembro de 1996, rezam que todos têm direito ao ensino fundamental, independente da faixa etária. Dados indicadores do IBGE mostram que estamos nos aproximando da universalização do ensino público fundamental, da faixa dos 7 aos 14 anos. As pesquisas mostram que, aproximadamente, 90% das crianças, nessa faixa etária, freqüentam a escola, contudo, aprendem pouco, com um nível do ensino lastimável.

Porém, na área da educação de jovens e adultos o País se mostra empobrecido, com um longo caminho a percorrer. O resultado do IBGE do início deste ano não é muito animador. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1999, revela que 13,3% da população, com 15 anos ou mais, é analfabeta. Ainda, pela última contagem populacional do IBGE, de 1996, se tomarmos por critério os anos de escolaridade, esta taxa sobe para 14,4%; são 15,1 milhões de pessoas que nunca freqüentaram a escola ou têm menos de um ano de escolaridade. Situação tida como crítica pelo próprio Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação e Cultura (MEC).

O Brasil está colocado entre os sete países latino-americanos com taxa de analfabetismo superior a 10%, empatando com a República Dominicana, Bolívia, Honduras, El Salvador, Guatemala e Haiti.

Pelos resultados das pesquisas, nota-se acentuada diferença regional: no Nordeste, 18,4% da população nunca freqüentaram uma escola, ou freqüentaram-na menos de um ano; no Sul, a porcentagem é de 7,1%, quase empatando com o Sudeste, 7,8%.

Ao compararmos os resultados obtidos em 1980, entre o Nordeste com o Sul e o Sudeste, percebe-se um aumento dos desníveis. Em 1980, a taxa de analfabetismo na população nordestina de 15 anos ou mais era 2,8 vezes maior do que a do Sul, entre 45,4% a 16,3%. Em 1996, a diferença aumentou para mais de três vezes.

O número de jovens e adultos no País com grau de formação inferior ao ideal é significativo. Segundo a Contagem Populacional do IBGE de 1996, 21,7% dos jovens de 15 a 19 anos não completaram a 4.ª série do ensino fundamental e 66,7% não haviam completado os oito anos de escolaridade obrigatória. Hoje, com o crescimento das matrículas, o índice deve ter caído. Mas, mesmo assim, calculam os especialistas do MEC, deverá levar uma ou duas gerações para que o quadro melhore. Concluem, também, que a erradicação do analfabetismo no Brasil depende de dois fatores: “da manutenção das crianças e dos jovens na escola em idade adequada e da melhor formação do professor”.

É indispensável melhorar a qualificação do professor, a fim de que ele seja capaz de formar um aluno que saiba aplicar, no dia-a-dia, o que aprendeu na escola, avalia o educador Jamil Cury, relator das “Diretrizes Curriculares para a Educação de Jovens e Adultos”.

Para reduzir a defasagem, o MEC quer ampliar o acesso para a população que abandonou os estudos, aumentando as classes de alfabetização e os cursos supletivos.

O Censo Educacional, divulgado pelo MEC, revela que as matrículas têm aumentado nos dois níveis: fundamental e médio, mas os números absolutos de alunos atendidos ainda são pequenos. Estão inscritos nos cursos de alfabetização 162.974 alunos, quando a demanda, a partir dos 15 anos, gira em torno de 15 milhões de pessoas. Nos supletivos de 5.ª a 8.ª séries, faixa com maior número de matrículas, houve aumento de 9,9% das inscrições entre 1999 e 2000, chegando a 1,2 milhão de estudantes. Apesar dessa melhora, o levantamento do MEC mostra que, ainda, há um grande desafio pela frente.

Quanto à qualidade de ensino da rede pública, nos dados levantados pelo IBGE, constatou-se estar muito distante do que se possa caracterizar como desejável. O atraso escolar em algumas regiões, como no Maranhão, Tocantins e Sergipe, chega a ser trágico. Mesmo na região sul do País, a situação não foi considerada boa, 56,1%, com a menor taxa de atraso, e na região Nordeste, a pior, com 88%.

Ressalva-se o Distrito Federal, que é a região com a menor taxa de analfabetismo no País; apenas 14,9% da população tinha menos de quatro anos de escolaridade em 1999, sendo que a média nacional, no mesmo ano, era de 29,4%. O Distrito Federal tem, ainda, o maior índice de matrícula no ensino fundamental, 98%, à frente de São Paulo e 97% da média nacional.

Uma outra triste realidade, constatada pelo IBGE, é que as crianças entram na escola, mas só uma parte permanece, a maioria acaba retida ou eliminada. Para combater a evasão e a repetência, muitos Estados vêm adotando uma nova política educacional que prevê a “promoção automática”, no ensino fundamental. Contudo esse sistema vem se revelando problemático, porque o nível de ensino, por questões estruturais, passou a piorar.

Constata-se que, por esse sistema de ciclos, os alunos vêm ganhando anos de escolaridade, mas perdendo em qualidade de ensino, saindo da escola, praticamente, semi-analfabetos. Esse sistema, da maneira como se processa, só maqueia a situação.

Diante do quadro exposto, conclua você, prezado leitor, como anda a educação pública de jovens e adultos no nosso Brasil.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2001)

A COMPETITIVIDADE DOS MERCADOS GLOBAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade, líderes empresariais, começam a se preocupar seriamente com a educação no Brasil. Buscam se comprometer com ações concretas para melhorar o ensino, especialmente em língua materna e matemática. Procuram criar para o problema da educação um envolvimento nacional, num desafio extraordinário.

AÇÃO MULTIDISCIPLINAR NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Além de o sistema público de ensino oferecer um desempenho muito inferior ao necessário, para uma sociedade cada vez mais centrada no conhecimento e na avançada tecnologia, marca preocupante presença no mundo da violência.

Escolas situadas em bairros pobres de periferia ou nos grandes centros conturbados pela desordem precisam de ajuda multidisciplinar para conseguir um ambiente tranqüilizador ao ensino da aprendizagem.

Muitas escolas trabalham com as famílias dos alunos, buscam o envolvimento da comunidade em suas iniciativas e desenvolvem práticas ligadas à sua realidade socioeconômica. Contam com forte apoio dos pais, principalmente, na fiscalização da freqüência e no controle das lições de casa. A escola sabe que a família é a base e incentiva-a a freqüentá-la, ajudando-a tornar seus alunos mais responsáveis, mais ordeiros.

Dentre as múltiplas causas que concorrem para a decadência do ensino uma é a violência, manifestada sob os mais variados aspectos. Alunos baderneiros, indisciplinados, frutos ................ da omissão de pais por uma educação regulada em normas, princípios e limites e frutos de uma sociedade violenta, permissiva, aliciadora. Toda essa conturbada situação explode na escola.

Há situações em que a escola se sente impotente para harmonizar o seu ambiente conturbado. Professores chegam a ser ameaçados, física e moralmente, por gangues e alunos. Conscientizar alunos e pais vai além do que se faz necessário. Em casos mais agressivos, a escola vem recorrendo à justiça, à promotoria responsável pela vara da Infância e a Adolescência, na busca de ajuda às graves situações.

O que se consta é que quando a escola encontra respaldo na autoridade judicial ela consegue aplainar a violência, avançar na ordem e na disciplina. Temos notícia, pela mídia, de uma atuação devotada e competente de um promotor público, que não hesita em formar fileiras às escolas necessitadas de ajuda.

Alunos-problema que tentam desorganizar a escola, queimando cortinas, quebrando carteiras e cadeiras, pichando muros e lousas, envolvendo-se em brigas com desordeiros são, pelo promotor, obrigados a cumprir penas disciplinares, a consertar o que destruíram ou prestar serviços comunitários.

Verifica-se que a grande maioria se recupera e o vandalismo na escola, praticamente, desaparece. Os mais violentos, que reincidem nos atos de violência, têm seus pais chamados pela justiça e forçados a pagar os prejuízos.

Também, no caso de alunos faltosos, em escolas com alto índice de evasão, os pais são chamados para conversar, para se conscientizar da necessidade da permanência dos filhos menores na escola. Se a ausência persiste, os pais recebem ordem de prisão, apoiada no Código Penal, sobre o crime de abandono intelectual. No município, onde tal ato ocorreu, a evasão caiu de 20% para zero.

Esses fatos comprovam a necessidade de rigor, de autoridade, de força conjugada, para o bom desfecho da agressividade. Em muitas localidades, a escola não se supre mais. Reforço da comunidade, dos pais, da Igreja, da justiça são-lhe imprescindíveis. A desestruturação da instituição escolar, por problemas de violência, afeta toda uma sociedade, que não pode fechar os olhos para esse sério quadro.

A conscientização de se juntar as mãos para reabilitar o ensino precisa avançar. Esse é o ponto em que chegamos e se cruzarmos os braços onde chegaremos?

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em fevereiro/2007)

O SÉCULO XXI REENCONTRANDO DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A volta calorosa do confronto entre racionalidade e crença, comentada no artigo anterior, despertou-me curiosidade. Pesquisas a respeito trouxeram-me ajuda e apraz-me dividi-la com vocês, prezados leitores.

No passado, cada descoberta da ciência parecia constituir-se em derrota para a Igreja, em suas teorias fundamentais, que sempre colocou Deus na origem de todas as coisas, do universo. Era o confronto do método experimental da razão com a fé. As leis da evolução tornariam a gênese, o bigue-bangue, a história de Adão e Eva ficções. Parecia que o Iluminismo triunfaria sobre a Revelação, contida na Bíblia. O fulcro da questão ficava entre fé e razão.

Em 1991, surge o livro “Dieu et la Science”, escrito pelo filósofo cristão Jean Guitton, em parceria com os irmãos Bogdanov, que contém toda uma tradição cientificista. Neste livro, eles mostram que a fé não é inimiga da razão e que os resultados das pesquisas mais atuais sobre a história do universo e da vida não são contrários aos ensinamentos das grandes religiões.

Os avanços da ciência, nas descobertas sobre a origem das coisas ou da vida, esbarram-se com significativos limites. Quanto mais se esclarecem alguns mistérios, outros vão ganhando forças. Já se repete a frase: “Nos avanços da ciência, a sombra de Deus”. Constata-se que a razão não consegue esclarecer tudo. Num determinado ponto, a sombra de Deus começa a pairar. Telescópio, microscópio, longe de derrotar a presença de um Deus, parece ainda mais fortificá-lo.

Albert Einstein, que chegara a reduzir os fenômenos do cosmo a uma equação, assombrou o mundo ao admitir que “algo existe atrás da matéria”. O grande cientista Louis Pasteur (século XIX) lançou uma interrogação instigante: “Podemos ainda dizer que se um pouco de ciência nos afasta de Deus, muita ciência nos reconduz a Ele?”.

Nos Estados Unidos, uma organização composta por inúmeros cientistas, que se utiliza da sigla IDEA – Intelligence Design and Evolution Awareness – abraça, fortemente, a questão. Mesmo não pondo em dúvida a evolução, considerando os estudos sobre os fósseis, mostra-se convicta de que atrás dela está a mão transcendente de um Criador.

Em Michigan, parlamentares pedem que se ensine nas escolas, ao lado da teoria da evolução, a teoria dos neocriacionistas. Estes dizem concordarem com a tese evolucionista, quando diz que o mundo não foi criado há apenas 6 mil anos, mas defendem, convictamente, a idéia de que o processo evolutivo foi criado por Deus, há bilhões de anos.

Mais recentemente, um renomado cientista, Michael J. Behe, pertencente a uma comunidade científica das mais respeitadas do mundo, após exaustivos programas de análise matemática à assombrosa complexidade da célula, chega a uma conclusão que difere da teoria de Darwin; “As estruturas celulares, com sua múltipla interdependência, não podem ser explicadas como resultantes do acaso, pelo menos com a matemática. Deve existir uma inteligência superior que dá forma e sentido à vida”.

Dr. Michael chega a uma conclusão parecida com a de Newton, na passagem dos séculos XVII e XVIII, quando formulou as leis da gravitação universal: “Os astros, de fato, se atraem com uma força proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que os separa”. Dizia ele: “Por trás dessa elegante relação matemática, existe um elemento capaz de tê-lo formulado”.

Assim, para Newton, a ciência, longe de negar Deus, O confirmava.

Sob um outro aspecto, do diálogo entre a fé e a cultura, está surgindo a perspectiva de um encontro universal, unificando o senso religioso, o sentido da presença de Deus em todas as culturas. A Igreja católica vem dando significativas demonstrações de aproximação com todas as religiões. Busca relacionar-se às demais culturas, sejam africanas, asiáticas ou indígenas, mesmo sem formação cristã e distante da modernidade ocidental.

A Igreja encara a globalização vantajosa em vários aspectos, mas, rejeita a uniformização cultural. Legitima as diferentes culturas humanas, defende a diversidade cultural. Faz um apelo ao diálogo entre essas culturas e, nesse diálogo, quer expor sua visão cristã do mundo, em testemunho de amor à vida social, em preocupação com os povos mais pobres, mais sofridos.

A Igreja quer uma comunhão que promova a unidade na diversidade, uma convivência humana mais pacífica, que ostente a bandeira do amor, do perdão, da solidariedade. No início de junho, do corrente ano, houve em Puebla, no México, promovido pelo Vaticano, por seu Pontifício Conselho de Cultura, um encontro continental americano, que teve como tema geral o diálogo entre fé e cultura.

A base de toda cultura se assenta na existência de um Deus, por que, então, não se unir nos propósitos, nos valores fundamentados por Ele? O confronto do diálogo entre fé e cultura, entre fé e razão, entre fé e ciência, é o caminho para se atingir a união e, através dela, a paz.

Nas próximas semanas, continuarei a trazer o resultado das pesquisas sobre ciência e fé.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2001)

ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO DO PAÍS

Izabel Sadalla Grispino *

Vários setores da economia começam a preocupar-se com o baixo nível de ensino dos estudantes da escola pública. Sentem o impacto desse baixo nível na economia e partem para diferentes iniciativas. Empresários programam-se para melhorar o ensino, unem esforços para elevar o Índice de Desenvolvimento Humano do País.

Grandes empresas decidiram investir juntas no problema da má qualidade da educação pública. Em vez de projetos isolados de responsabilidade social, o grupo Empresários pelo Desenvolvimento Humano (EDH), em programas conjuntos, investe na educação. “Percebemos que soluções de varejo não funcionam mais; precisamos de ações de atacado”, diz o presidente da Philips, Marcos Magalhães.

O grupo Empresários pelo Desenvolvimento Humano é formado por cerca de 50 empresas multinacionais, como Credicard, Nokia, Nestlé, Oracle, e nacionais, como Itaú Seguros, Unibanco e Estrela. O grupo, ao arrebanhar forças para melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano do País, percebeu que o objetivo só seria alcançado por meio da educação de qualidade e colocou, como alvo de atuação, o ensino fundamental, de 1.ª a 8.ª séries. Seus projetos atuais envolvem a alfabetização de crianças que cursam o ensino fundamental em séries mais avançadas e a aceleração do processo de aprendizagem para alunos em defasagem idade/série. Utilizam a metodologia e a tecnologia do Instituto Ayrton Senna.

O Instituto Ayrton Senna desenvolveu o primeiro projeto de Empresários pelo Desenvolvimento Humano (EDH), combatendo igualmente o problema do analfabetismo. Capacitou cinco mil professores da própria rede de ensino do Estado e formou salas especiais em 48 municípios para alfabetização.

Os empresários preocupam-se, também, em garantir que haja mudanças estruturais no sistema. Não têm a intenção de montar projetos permanentes. A intenção do EDH é, ao capacitar professores, mudar a maneira de ensinar e melhorar a qualidade da educação. Tem, ainda, a intenção de que os programas se transformem em políticas públicas.

O Índice de Desenvolvimento Humano é baseado no cálculo de três indicadores: educação (taxas de alfabetização e matrícula), renda (PIB per capita) e longevidade. O Brasil é o 73.º no ranking mundial.

Um outro movimento em prol da educação, digno de louvor, é a preocupação da USP em ensinar professores de periferia. É uma medida que virá melhorar o acesso de alunos da rede pública à instituição pública. A maior parte dos alunos, oriundos do ensino médio de escolas públicas, consegue vagas apenas nos cursos menos concorridos, como letras, geografia, história ou matemática. A USP, comprometendo-se com o ensino médio público, querendo melhorar sua interação, montou um projeto para qualificar os professores das escolas estaduais. Assim, em vez de facilitar a prova do vestibular, melhora o ensino dos alunos que estão sendo barrados pelo vestibular.

A USP prepara para os professores cursos de especialização nas diversas áreas, de línguas a ciências. O foco do programa é a utilização de mídias interativas, como vídeo e teleconferências, que permitem capacitar o maior número de profissionais. Os professores inscritos não precisarão se deslocar da periferia da capital ou de sua localidade até a cidade universitária. Estúdios montados na Faculdade de Educação da USP geram vídeos para os centros onde estarão os professores.

Não será, contudo, um curso de educação a distância, porque professores e alunos de pós-graduação da USP acompanharão o trabalho nas escolas. O currículo dos cursos incluirá atividades culturais para toda especialização. O entendimento geral é de que não adianta ser um bom professor no abstrato. Ele precisa entender as características de sua escola, de seus alunos, de sua região, para ser um bom professor. Para tanto, a capacitação será centrada na própria escola e, preferencialmente, serão atendidos os locais onde os professores são considerados menos preparados.

As dificuldades dos docentes podem ser notadas nas avaliações aplicadas aos alunos pela Secretaria do Estado, o Saresp. Os dados mostram que as maiores dificuldades dos alunos estão nas áreas de matemática, ciências e língua portuguesa.

A USP tem os olhos voltados para a área social, cumprindo um papel de transformadora da sociedade, de ajuda aos carentes. Seu projeto é de capacitação de professores, que, fortalecendo o conhecimento, numa ação afirmativa, poderá enfraquecer o sistema de cotas, para dar oportunidades de igualdade a todos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2004)

FUNDEF REAJUSTADO EM 20,5%

Izabel Sadalla Grispino *

A decadência do ensino das escolas oficiais é registrada a cada passo das avaliações efetuadas, quer do Vestibular, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), do Sistema Nacional de Avaliação Básica (Saeb) e de outras modalidades.

No Vestibular, a freqüência à escola privada torna-se pré-requisito para o seu sucesso. No Enem do ano passado foi feito um estudo comparativo das notas obtidas por alunos da escola pública e alunos da rede privada. Estes tiveram significativa vantagem sobre aqueles. Os resultados do último Saeb, realizado em 2001, revelaram que a grande maioria dos alunos, que termina a 3.ª série do ensino médio, sai sem saber matemática e língua portuguesa. Na edição do Saeb de 2003 (resultado ainda não divulgado), a avaliação coletou dados sobre a exaustão emocional e o baixo comprometimento dos professores da educação básica, com seu trabalho, problema batizado por Síndrome da Desistência Simbólica do Educador. O que se quer saber é a influência dessa síndrome no desempenho dos alunos.

Essa introdução é para situar uma questão que chamou a atenção de educadores – fui solicitada a me pronunciar a respeito – sobre uma nota do Informativo MEC – julho – n.º 1 – do reajuste de 20,5% efetuado pelo Fundef. Diz a nota: “Com um reajuste de 20,5% dos valores do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), em janeiro de 2004, o Governo Federal cumpriu, pelo segundo ano consecutivo, o compromisso de elevar as verbas da educação. Essa decisão é um diferencial em relação ao que aconteceu até o final de 2002, quando os recursos do fundo eram reajustados apenas para cobrir a inflação do período. O reajuste obrigou estados e municípios a investir, no mínimo, R$ 537,71 por aluno matriculado em suas redes da 1.ª a 4.ª série e R$ 564,60 para os alunos da 5.ª a 8.ª série. A previsão do Governo Federal é de que o Fundef movimente, em 2004, cerca de R$ 28,2 bilhões, contra R$ 25,2 bilhões em 2003”.

“O Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef), denominado Fundão, é um fundo de natureza contábil, instituído em cada Estado e no Distrito Federal, através do qual passarão a ser distribuídos os recursos para o ensino fundamental. É constituído de 15% das receitas do ICMS, dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios e do IPI-Exportação. O dinheiro irá para o fundo estadual e será distribuído em cada Estado e para seus municípios proporcionalmente ao número de alunos matriculados na rede de ensino fundamental... O governo federal vai participar apenas nas localidades onde a união de recursos estaduais e municipais não for suficiente para garantir a aplicação mínima por aluno estabelecida anualmente. Neste caso, o governo federal complementará o fundo para que seja atingido o investimento mínimo”. (do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), págs. 106 e 107).

Quando se fala em baixo nível de ensino, a questão da verba se ressalta. Esse percentual de valor monetário irá proporcionar um relaxamento maior das escolas. Se não houver desvios, se vier acompanhado de eficiência administrativa, há relativa esperança no fortalecimento da infra-estrutura, da segurança, das melhorias de condições de trabalho docente. Contudo, são “n” os fatores impedidores de uma educação de qualidade. Muitas escolas particulares, de um bom padrão, não lidam, também, com cifras vantajosas. É preciso haver, entre outros fatores, capacidade administrativa, organizacional, compromisso que se assume com a escola, com o ensino, com a comunidade. Um ponto crucial é a formação do professor e, conforme relatamos acima, pesquisa mostra que o professor da rede pública se encontra em “exaustão emocional”. Essa exaustão leva ao desânimo, à baixa auto-estima, ao desestímulo ao aperfeiçoamento profissional, ao desapego à instituição escolar. Cansaço resultante de classes superlotadas, da violência que vem se infiltrando nas escolas, com pouca ou nenhuma segurança e o professor lutando com suas próprias armas para se defender. A isso acrescem-se os baixos salários, arrastando o docente a trabalhar em 3 períodos, em 2 ou mais escolas. Distante está a chamada dedicação exclusiva.

Cuida-se da árvore para se cuidar dos frutos. A Síndrome da Desistência Simbólica afeta o humor, a predisposição do educador, que, por sua vez, reflete na predisposição do educando. Educador e educando naufragando no mesmo barco. Essa lastimável constatação não é senão resultado de anos e anos de descuido ao magistério oficial, de problemas que foram se acumulando, formando, no conjunto, uma difícil reversibilidade.

Num paralelo entre escola particular e oficial, as condições de ensino, nas particulares, são visivelmente superiores: infra-estrutura, professores capacitados, utilizando centros de informática, laboratórios, computadores, internet, colocando o aluno na modernidade. São escolas que oferecem atividades extracurriculares e, sobretudo, têm uma clientela de nível socioeconômico mais elevado. Estudo feito no último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) confirma o que, de há muito, já sabíamos: o nível socioeconômico das famílias, o acesso a bem culturais, a escolaridade dos pais, interferem diretamente na aprendizagem, têm forte influência no desempenho escolar.

A escola particular tem a seu favor a garra, a vontade de crescer, detém a vanguarda do conhecimento, recicla seus profissionais, exige atualização, métodos de ensino renovados, que, ao invés de transmitir conhecimento, cria possibilidades para a sua produção, sua construção, métodos ajustados ao momento da época. São escolas que superam as falhas do sistema público e que, com determinação, enfrentando a concorrência, conseguem manter-se num bom padrão de ensino, atrair e motivar o aluno, garantindo a evolução social.

*  Supervisora de ensino aposentada.   
(Publicado em setembro/2004)

A ESCOLA EM SUA MACRO-ORGANIZAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

O sucesso não ocorre por acaso. Escolas, que vêm mantendo a vanguarda do conhecimento e de sucesso escolar, organizam-se em funcionais princípios, baseados em uma moderna gestão educacional.

Elas fazem valer o espírito de equipe. O espírito de grupo cresce e alcança o de equipe, envolvendo toda a instituição. É o todo a favor das partes, é a unidade de pensamentos e atitudes, alicerçada na filosofia educacional adotada pela escola.

O foco da educação centraliza-se na qualidade do ensino e na sua utilidade. As avaliações de todo o processo estão em reavaliações contínuas, seja do ensino-aprendizagem, seja do sistema.

A macro-organização vai gerir a formulação de currículos interdisciplinares, norteados para o desenvolvimento de habilidades, numa visão ampla do conhecimento e não para fazer provas. Vai, na escola como um todo, mudar o olhar do sentido da educação, sustentado pelo momento atual, pelas exigências da sociedade, no equilíbrio do olhar interno com o externo, com o recinto da escola e o seu entorno. Expande o olhar em direção ao mundo globalizado.

A escola, interessando-se pelo seu entorno, buscando conhecer a sua comunidade, a sua região, vai melhor contextualizar o seu conhecimento, trazer matéria mais significativa para o aluno. Muito do que se ensina na escola não tem nada a ver com a realidade do aluno e nem relação com o mercado de trabalho e isso a desloca de seu eixo.

Conhecimento não é só para dentro da escola, mas, também, para fora dela. Esse entendimento começa a ganhar terreno. Para mudar o País, a escola precisa primeiro querer mudar o entorno de onde se insere, preocupar-se com a comunidade. Ao levar conhecimento à comunidade, a escola fortifica-se. Defende a idéia de trabalho comunitário, quando o jovem aprende a conhecer e a lidar com sua realidade, aprende a entendê-la e, através do conhecimento, passa a modificá-la.

A escola cria uma conscientização, que se inicia com ela e chega à sociedade, da importância da educação para viabilizar o crescimento geral da Nação.Melhorando o ambiente, o meio social, ela torna a educação uma realidade concreta a todos os alunos, pobres ou ricos.

O entorno mais esclarecido vai se encarregar de empurrar a educação para cima. O seu envolvimento, a sua participação interessada, chegam ao aluno, à organização da escola e engrossam as fileiras em favor de uma educação mais contextualizada, de qualidade.

A escola, funcionando como equipe, ganha armas, ganha força. Vai lutar, com unanimidade, pelos mesmos princípios educacionais e filosóficos, por ela implantados, surtindo, pelo conjunto, resultados animadores. É a união caminhando em direção aos valores ressaltados pelo momento educacional.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em agosto de 2006)

NOVO ENTENDIMENTO DAS TECNOLOGIAS DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

A época competitiva, globalizada, imprevisível que vivemos, leva a escola a procurar novas metodologias de aprendizagem, através da tecnologia. Hoje, o computador é usado de várias maneiras, seja em casa, seja na escola. Afastar a criança do micro é torná-la uma analfabeta virtual, em descompasso com o mundo moderno, como o nosso.

Atualmente, avança-se no conceito do uso das novas tecnologias da educação. Elas são vistas como meios de construção do conhecimento, não mais apenas como instrumentos de ensinar ou de transmitir informações. Já vai o tempo em que o professor colocava o conteúdo no computador para que as crianças encontrassem, lá, tudo pronto. Experiências inovadoras na área da educação criam ambientes de aprendizagem, onde as crianças participam ativamente, escolhem o que querem fazer e conduzem os próprios projetos.

O professor pode apresentar um tema abrangente, como, por exemplo, a comunidade em que a escola está inserida, sugerir reflexões aos alunos e deixá-los que encaminhem e resolvam os problemas. À medida em que as crianças inventam soluções para os problemas levantados, elas vão formando opinião, desenvolvendo a criatividade, a capacidade de pensar, de raciocinar, de atuar.

A proposta da utilização das novas tecnologias, como fotografia digital, vídeo digital e robótica, é levar a criança a inventar equipamentos e construir pensamentos, idéias, úteis às suas vidas. A utilidade da invenção deve estar sempre presente. Assim, através da robótica, cria carrinhos de brinquedos que auxiliam a repassar o lixo das caçambas, através de um software, elabora um jornal eletrônico, onde se aprimora na produção de textos e no trabalho jornalístico e outros. Aprende programação de computador, física, mecânica, matemática... e, conhecendo as técnicas, vai escolher quais usar.

Ter todo o aparato tecnológico numa escola é importante, porém, o mais importante é torná-lo disponível ao aluno, dar-lhe liberdade de escolher o que quer fazer. O aluno ganha mais independência na aprendizagem. Se receber ordem, se o professor diz o que ele tem de fazer, perde-se o sentido do encaminhamento dessa aprendizagem. O aluno deve aprender a tomar iniciativas e assumir as responsabilidades de suas escolhas. A criança, simplesmente, não se interessa, quando percebe que está sendo mandada. Ao escolher ela mesma, se engaja e cumpre a tarefa com prazer, com satisfação. A criança escolhe, mas os objetivos para o professor devem estar bem definidos.

Temas comunitários são interessantes porque levam a criança a uma maior integração com sua comunidade. Ela vai em busca de soluções para as questões surgidas. A partir da comunidade, amplia-se a sua integração com toda a cidade, com crianças de outras cidades, de outros Estados, outros países. Nesse elo, cria-se uma rede de cooperação local, nacional e internacional, conectando experiências de aprendizagem para os dias presentes e futuros.

Esses são passos que mudarão o rumo da educação nos próximos anos. Não se quer mais um currículo fixo, com visão temporal, ou uma aprendizagem imposta pelo professor. Dá-se ao aluno liberdade de construir, de aprender fazendo, como queria John Dewey, abrindo caminho para a iniciativa, para inventividade, o inusitado, o imprevisível, que vêm caracterizando nossa época.

Ao lado desse aspecto, deixa-se o aluno penetrar o conhecimento pela linha do prazer, da intuição, da aptidão.

Nessa metodologia renovadora, a escola deve criar projetos de vários modelos, preparando-se para o aprendizado do futuro, na proposição de formar um aluno  autônomo, ajustado   à  sua   personalidade,  à  sua  potenciali-

dade. Um aluno capaz de construir, de inovar, de criar, de relacionar, de pesquisar, de interpretar, de interferir na realidade, abrindo, para si mesmo, oportunidades de aprendizado. Em todo esse processo, o computador é um instrumento que precisa estar presente.

O aluno sentindo-se capaz de construir o seu aprendizado, capaz de descobrir formas de ultrapassar as dificuldades, utilizando-se da tecnologia, ganha confiança e caminha com mais segurança. O resultado é a elevação da auto-estima e esta encarregar-se-á de levá-lo ao sucesso.

Habilitar o aluno em informática é condição primordial para o seu ajustamento, colocação e progresso no mundo atual. Hoje, ela é indispensável a todos os ramos da atividade humana. Sua aplicabilidade atinge as raias do inimaginável. Torna-se ferramenta indispensável. Vai desde o diagnóstico de doenças até reparos de veículos. A telemedicina permite fazer uma cirurgia a distância. As oficinas mecânicas já fazem diagnósticos eletrônicos, de veículos conectados ao micro e já fazem consertos pelo computador, caso o problema seja de origem eletrônica. Hoje, mesmos os carros populares têm muitos dispositivos eletrônicos e fica impossível consertá-los com as ferramentas tradicionais.

Esses são apenas alguns exemplos que mostram ser a informática um caminho que a escola não pode deixar de trilhar e nele se aperfeiçoar.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2002)

ATIVIDADES EXTRACLASSES E EXTRA-ESCOLARES, INCLUÍDAS NO SISTEMA DE AVALIAÇÃO ESCOLAR

Izabel  Sadalla  Grispino *

O aluno é o vetor que traz para a escola o assunto, o tema. Analisa-se o conhecimento à luz de quem aprende e não de quem ensina. Quanto à ação, tira-se o foco do professor e passa-se para o aluno. Aprende quem faz e não quem ouve. A diferença está entre professor que faz e professor que manda fazer.

Levar o aluno a agir facilita o desenvolvimento do método construtivista. Ademais, a ação confere ao homem a superação de si mesmo. Ele é compelido a agir, é de sua natureza. Mesmo sabendo-se mortal, mesmo sabendo-se um peregrino que transita, temporariamente, por esse mundo, não sabe por qual elan extraordinário é impulsionado a agir, a se estruturar, a deixar, na passagem, a sua contribuição.

A preocupação com a educação integral do aluno tem ensejado atividades extraclasses, atividades que saiam do discurso da sala de aula e se materializam em ações. O professor deve pesquisar processos educacionais diferenciados, perceber que educação não se confina a espaços escolares tradicionais. Levar os alunos a observações locais, em diferentes pontos da cidade, ou de outras localidades, além de favorecer o desenvolvimento de habilidades de pensar, de associar causa e efeito, de tomar decisões, propicia vivenciar o companheirismo, a compreensão, o respeito. Vai tornar a teoria mais perto da realidade, quebrar a distância entre conhecimento e vida, facilitar a comunicação.

Atividades organizadas fora da sala de aula complementam o trabalho do professor. Não é recreação, as visitas têm objetivos determinados num momento do currículo. Os caminhos para a aprendizagem são amplos, os estímulos diversificados, tendo sempre que se ressaltar as potencialidades anunciadas pelo aluno.

A escola deve, também, considerar as atividades extra-escolares, como a formação de um coral, de um torneio de vôlei etc. e anexá-las às atividades curriculares. Não é só em sala de aula que se aprende. A escola dedica-se, sob as mais diversas formas, a um processo humano de crescimento, de conscientização dos valores perenes da alma, do significado maior da vida. Numa de suas últimas palestras, Darcy Ribeiro perguntava: “Será que se perdeu o sentido real do processo educativo, confundido com ensino?”

Todos os momentos do processo educativo devem passar pelo processo de avaliação, sejam os desenvolvidos em sala de aula ou fora dela. O professor precisa avaliar como educador e não como um comunicador de informações, interessar-se pelos alunos enquanto pessoas, valorizando suas atitudes e responsabilidade. A cada tópico, deve o professor ter conhecimento do grau de assimilação do conteúdo e dos comportamentos esperados, abrangendo, simultaneamente, informação e formação. Deve considerar a avaliação como parte integrante do processo de aprendizagem, como trabalho contínuo e sistematizado e não, simplesmente, um aspecto final da aprendizagem. Assim, por exemplo, quando um professor procura, em aula, verificar os alunos que estão com dificuldade de aprender e exatamente em que encontram dificuldade, está realizando avaliações. Quando um professor se preocupa, numa excursão, em descobrir se seus alunos estão se comunicando, comportando-se de forma independente e responsável, está pensando em avaliação.

A avaliação da aprendizagem é um problema que preocupa o professor em seu trabalho diário: a todo momento ele depara com a necessidade de avaliar. A avaliação consiste na constatação da situação do aluno e do próprio professor em relação ao plano proposto e deve abranger conhecimentos, habilidades e atitudes. Um aspecto fundamental da avaliação é a coleta de dados para o replanejamento do trabalho. Ela consiste num diagnóstico do desenvolvimento do aluno, possibilitando planejar um trabalho sobre dados reais, levando ao aperfeiçoamento das situações da aprendizagem e do currículo como um todo. Uma vez diagnosticada a situação, torna-se possível modificá-la de acordo com as necessidades detectadas. Ela é, pois, colocada numa perspectiva de diagnóstico e prognóstico. Essa proposição difere daquela em que a avaliação é um momento especial do ano letivo e cujos resultados são esperados para serem utilizados unicamente nas decisões de promoção ou retenção dos alunos ou reagrupamento de classes.

Por outro lado, a avaliação é, também, instrumento importante da integração do aluno no processo de aprendizagem, na medida em que este dela participa ativa e conscientemente, através de um sistema trabalhado de auto-avaliação.

A avaliação é um capítulo importante, essencial, no processo ensino-aprendizagem, se mal compreendida, portanto, mal aplicada, os resultados serão desastrosos. Comumente, a escola utiliza-a num processo de medida, aferindo apenas conhecimento

Avaliar é diagnosticar o desenvolvimento do aluno, ao invés de julgar. Enquanto medida restringe ao aspecto quantitativo; avaliação aplica-se tanto aos aspectos quantitativos como qualitativos do desenvolvimento. Deve focalizar especialmente aspectos do desenvolvimento como: relacionamento social, interesses, sentimentos em relação a si mesmo e em relação aos outros, processo de trabalho...

As atividades extraclasses, extra-escolares favorecem a educação integral, auxiliam o desenvolvimento dos aspectos comportamentais na formação de valores, ao mesmo tempo que trabalham os aspectos quantitativos, as habilidades e as competências.

* Supervisora de ensino aposentada       
(Publicado em julho de 2000)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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