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Artigos Educacionais

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SISTEMA DE CICLOS E PROCESSO DE AVALIAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Tem-se, hoje, que o fracasso do aluno decorre da ausência de um equacionamento entre identidade cultural e itinerário educativo. A escola tradicional não se preocupava com a origem do aluno, com o seu meio de vida e mantinha uma relação de conteúdo autoritário, um critério de avaliação rígido, limitado. Agora, o professor tem que apostar na capacidade de ousadia, de invenção do aluno, apoiar-se em seu potencial, tornando a avaliação um ponto que não pode ser fechado.

Como na pedagogia do educador francês Freinet, a concepção é de que o aluno não vai à escola para tirar notas, vai para aprender, para crescer, para se desenvolver. A avaliação do aluno deve ser individual, apoiada em suas aptidões. Anísio Teixeira já pregava, nos anos idos de 50, o ensino individualizado e conseqüente avaliação individualizada; o aluno sendo avaliado de acordo com sua capacidade, ajudando a afastar a repetência.

No sistema de ciclos, adotado no Estado de São Paulo e em outros Estados, no ensino fundamental, o aluno não tem seu aproveitamento avaliado através de provas periódicas, com notas, que, totalizadas no final de cada ano letivo, determinariam sua promoção ou sua retenção. Não há mais o calendário oficial de provas, mas ele não exclui a avaliação do aproveitamento do aluno.

Segundo o que dispõe a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a avaliação deve ser feita no dia-a-dia da aprendizagem, utilizando-se das mais variadas formas: participação em aula, atitude do aluno frente a aprendizagem, freqüentes verificações e anotações da assimilação dos conteúdos... A avaliação deve incorporar, à educação formal, a experiência de vida trazida pelo aluno de seu universo familiar, social e de trabalho. As disciplinas devem estar integradas, ajustadas a um currículo flexível.

Avaliar é diagnosticar o desenvolvimento do aluno ao invés de julgar. A principal função do processo de avaliação não é dar uma nota, mas aperfeiçoar as situações da aprendizagem e do currículo como um todo. É verificar se o aluno está aprendendo, se a proposta pedagógica está dando resultado, se a aprendizagem está no caminho certo.

Conhecer as medidas educativas ajuda a entender o processo de avaliação e o melhor meio de contemplá-lo. Vejamos, sucintamente, sua evolução através dos tempos.

No passado, não tão distante, os professores tentavam julgar o desempenho do aluno em função do que eles próprios sabiam e do que julgavam ter transmitido. Se o aluno assimilasse tudo que fora ensinado, tiraria a nota máxima. As notas variavam de zero a 10 e se regulavam pelos acertos. Esse era o chamado método autocrático de avaliação e dava ao professor ampla margem de arbítrio. Na evolução do processo, passou-se a reagir contra a adoção de padrões apriorísticos de avaliações, especialmente pelo teor de subjetividade. Não competia ao professor estabelecer de antemão o que o aluno devia saber. Pelo arbítrio, um professor benevolente podia aprovar a todos e um professor rigoroso reprovar em massa. Contam-se casos de professores que só atribuíam nota máxima a quem soubesse tanto quanto ou até mais que ele. São os representantes de avaliação centrada no professor.

Avançando no processo, contra a avaliação autocrática, surgiu a avaliação normativa – baseada no grupo de alunos. A referência não era mais a sapiência do professor, mas o aproveitamento médio da classe. Se todos os alunos apresentassem rendimento baixo, não seria  justo reprovar a todos. Ter-se-ia que indagar as causas desse resultado. Passou-se a questionar o potencial dos educandos, as condições ambientais, condições de vida, deficiências das aulas, falta de confiabilidade das provas e outros, o que já era um grande avanço. A avaliação normativa permite saber em que posto de percentil se encontra determinado estudante, ou seja, a sua classificação no grupo.

A teoria clássica da medida surgiu do interesse em medir aptidões dos indivíduos. Buscaram-se medidas capazes de discriminar entre indivíduos dotados de maior aptidão. O grau de aptidão de cada um era estabelecido em função do grupo, através das provas de desempenho. Mas, em determinadas situações, o interesse do avaliador consistia em estabelecer se cada indivíduo alcançou um conjunto específico de objetivos. Neste caso, ele não seria comparado com seu grupo, mas referido a um critério (um padrão de desempenho previamente especificado).

Da medida centrada no professor, evolui-se para a medida normativa concebida como discriminatória dos diferentes indivíduos, chegando-se à medida baseada em critérios. Esta preocupa-se com a seqüência e individualização da instrução que surgem das unidades e módulos progressivos. Concluiu-se que a norma incentiva a rivalidade e compromete o autoconceito de alunos de baixo desempenho e passou-se a se preocupar com o rendimento mínimo.

Para a medida baseada em critério, uma vez estabelecidos os objetivos essenciais, em termos de comportamento, cumpre verificar se o  aluno  atingiu  as  metas prefixadas. Sua posição relativa ao grupo seria questão secundária. O aluno é avaliado por um conjunto específico de objetivos. Seus princípios são  usados em programas de instrução individualizada, instrução programada.

A avaliação baseada em critério é importante porque ressalta a necessidade de um rendimento mínimo. Exigência que requer o desenvolvimento das habilidades básicas essenciais, adquiridas antes das habilidades hierárquicas superiores.

Todas essas medidas educacionais são de importância e cada uma terá valor maior, dependendo do momento da aprendizagem e do objetivo a que se propõe. As várias abordagens não se excluem, antes se completam. Contudo, o professor, seja qual for a medida a tomar, não pode esquecer que a parte mais importante, em determinadas circunstâncias, é o potencial do aluno. O professor, conforme o momento, avalia o desempenho, as diferenças individuais, a classificação hierárquica e o potencial do aluno. Acima da norma ou do critério, o foco central da avaliação é o aluno em sua originalidade e unicidade. Propõe-se que na educação fundamental a aferição do conhecimento deve ser feita em função das aptidões da criança. Nesse grau de ensino, a posição do aluno em seu grupo, o grau de desempenho que atingiu não é tão importante. O fato de ter ele transformado em ato o seu potencial é que deve ser considerado. A visão pedagógica, em relação aos ciclos, é de que “se as virtualidades do aluno foram realizadas, deve ele ser promovido; seria inútil reprová-lo, tanto mais quando é certo que a educação é obrigatória até os 14 anos”

A norma, o critério e o potencial são componentes da avaliação, conforme as circunstâncias, um dos componentes reveste-se de maior relevância. A finalidade a que a aprendizagem se destina é que vai dizer, em cada caso, qual dessas medidas deve ter maior peso.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2001)

O TERCEIRO TURNO ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

É comum assistirmos inovações na estrutura escolar que pouco ou nada contribuem para a qualidade do ensino. Provocam impacto, especialmente, para uma população mais desavisada.

Quando li que a Prefeitura de São Paulo vai extinguir o terceiro turno, à primeira vista, a medida pareceu-me alentadora, um passo avante para a melhoria do ensino. A partir de fevereiro do corrente ano, as aulas do ensino fundamental, que eram de 3 horas e 40 minutos, estender-se-ão por 5 horas.

Aprofundando no assunto e lendo relatos de professores que atuam em escolas de três turnos, o entusiasmo começou a arrefecer. Não houve, por parte da Prefeitura, um plano consistente, uma programação que abrangesse a estrutura física das escolas.

“Tudo como dantes no quartel de Abrantes”. Tudo é feito a toque de caixa. Para se eliminar o terceiro turno, algumas salas de aula foram construídas e a outra saída foi desativar os espaços pedagógicos, enfraquecendo as condições de ensino, desestimulando áreas do saber.

Foram eliminadas as salas de educação física, as de educação artística, laboratórios de ciências. Utilizam-se, segundo a necessidade, salas de atividades pedagógicas, de brinquedotecas e as de vídeo e DVD, inclusive, invadem a sala dos professores, desalojando-os, privando-os dos encontros salutares, quando, descontraidamente, abordam problemas de alunos, de convivência escolar.

Essa falta de valorização dos complementos pedagógicos tão vitais, empobrecendo a escola e a visão do aluno em relação a ela, vai aos poucos se acentuando e refletindo no entusiasmo pelo estudo.

Educar é muito um estado de espírito. Premidos pelo desconforto, pelo plano inferior a que foram submetidos, docentes e discentes poderão reagir negativamente e o aumento do número de aulas não será revertido, certamente, ao nível pretendido, ao benefício esperado.

Um outro aspecto, ainda mais importante, lembrado por responsáveis educadores, é a fraca qualidade que vem norteando o ensino. Este continuará o mesmo, os professores, os mesmos, com as mesmas deficiências e esse número de horas-aula aumentado manterá o mesmo baixo padrão. Sob esse prisma, a derrocada continuará.

Quem atua em educação sabe que não virá melhoria de ensino se não se investir nas condições do ensino, no professor, em sua reciclagem de estudos, em sua valorização salarial. É preciso primeiro melhorar a qualidade dos integrantes do magistério, para depois pensar num reforço de horas-aula aos discentes. Como está, só se irá estender um ensino, que continuará diplomando analfabetos funcionais.

O ambiente escolar, em muitas localidades, vem se degradando, a ponto de os professores dizerem: “Os alunos organizam seus roubos e o negócio de drogas dentro da própria escola. E, mais tempo para eles?”

Se não se fizer uma revolução na educação, uma revisão do processo formal, os acréscimos de horas-aula serão irrisórios, superficiais, quando não prejudiciais!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2007)

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Izabel Sadalla Grispino *

O grande problema da frustração, que acompanha o ser humano a vida toda, tem sua origem, quase sempre, na infância: uma criança comparada com outra, tendo que se sair tão bem ou melhor que a outra!

As crianças entram numa competitividade desigual, fortemente desgastante e sem sentido. Elas são potencialmente diferentes e vão se aflorar em direções diferentes. Ninguém é igual a ninguém; difícil na educação é conduzir as individualidades, as especificidades.

O grande slogan das escolas atuais é o atendimento individual, o desenvolvimento das potencialidades. O avanço do método científico vem se apoiando, cada vez mais, no ensino diferenciado, personalizado, fundamentado nas diferentes habilidades de cada indivíduo. As mentes são diferentes e não há uma única inteligência capaz de comparar as crianças, diz a ciência. É preciso, pois, respeitar as diferenças.

A moderna pedagogia escolar apóia-se na teoria das inteligências múltiplas, estudadas, entre outros, pelo psicólogo e professor americano Howard Gardner, da Escola de Educação de Haward. Sua teoria diz que as pessoas são potencialmente múltiplas e possuem oito habilidades cada uma, ou seja, oito inteligências. São elas: inteligência musical, lógica – matemática, lingüística, corporal cinestésica, naturalista, intrapessoal, interpessoal e espacial.

A escola deve desenvolver a potencialidade de seus alunos, estimulá-los em todas essas inteligências, respeitar, porém, suas preferências, seus interesses.

Um outro aspecto importante da aprendizagem é a evolução natural dos processos psíquicos do educando. Professores e pais devem acompanhar, passo a passo, os avanços adquiridos e exigir das crianças apenas aquilo que elas podem conseguir fazer por si mesmas.

Um trabalho apresentado por uma criança que não corresponda ao seu nível de entendimento, ao seu nível de ensino, deve ser questionado sobe a real procedência. Teria tido o trabalho a participação de uma outra pessoa? Muitas vezes, os próprios pais, no afã de o filho vencer uma competição, de impressionar o professor ou visando a obtenção de notas altas, encarrega uma terceira pessoa  para “melhorar” o trabalho do filho.

Isso caracteriza um desvirtuamento da aprendizagem. A criança se refugia na ajuda, se encosta e se acomoda. Não evolui e se torna incapaz de avançar com autonomia e condições próprias, incapaz de transpor barreiras e enfrentar desafios, utilizando-se das próprias armas. Reforço na aprendizagem é de grande valia, contudo a elaboração dos textos é de exclusiva competência do aluno.

Pedir ou permitir que se façam exercícios, redações, resumos de livros, críticas literárias, para os filhos, é prejudicá-los, torna-los inseguros ao enfrentar, por si, algo a cumprir.

Ademais, esses pais estão ensinando os filhos a camuflar, a serem desonestos, perdendo, aos poucos, a sua autenticidade. Não os ensinam a crescer com responsabilidade, a fazer aquilo do que são capazes, a trilhar e desenvolver os próprios caminhos, a perceber a sua vocação, o seu limite, a sua tendência profissional. Essa criança não recebe estrutura mental compatível com as dificuldades da vida.

Um professor atento, zeloso do atendimento individual, perceberá, facilmente, as fraudes projetadas. Deverá conversar com os pais e elucidar a questão.

Educar é processo complexo, de estudo e reflexão. É um colocar frente ao espelho e definir, para o seu educando, linhas honestas, coerentes, de atuação.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em novembro/2006)

CONCLUSÕES SOBRE O RESULTADO DO ÚLTIMO ENEM

Izabel Sadalla Grispino *

Precisamos incentivar, reconhecer as boas escolas, não desanimar o ensino público.  Mas,  como  fechar os olhos diante de uma imensa rede de escolas públicas despreparadas, dotadas de fraca infra-estrutura, sem laboratórios de ciências, de informática, sem bibliotecas atualizadas, com jornais e revistas, com segurança ao deus-dará e com professores, na grande maioria, mal formados?

É preciso investir, de verdade, na classe popular, não apenas lançar discursos inflamados, em épocas de eleições. Na prática, usa-se a estratégia do tapa-buraco, dos arranjos e remendos provisórios.

Pesquisas têm mostrado que os professores da rede pública chegam a ser tão carentes quanto os seus alunos. Ganham mal, trabalham muito, não têm estímulo, nem dinheiro para investir na sua atualização, no seu aperfeiçoamento profissional. Os alunos, por sua vez, estão longe de conviver com um ambiente familiar que propicie a cultura, nem têm com quem falar sobre as coisas que acontecem ao seu redor e no mundo.

Essa falta de contacto do estudante com o conhecimento acaba por dificultar o pleno desenvolvimento de suas potencialidades, dificultar o desenvolvimento das competências e das habilidades. O mais comum é ele freqüentar a escola sem motivação por parte de sua família. É um quadro desolador que reforça a inferioridade educacional do estudante pobre e que acentua as desigualdades sociais.

Não nos causou surpresa o resultado do último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), noticiando que alunos das grandes escolas particulares do País são os detentores das melhores notas. No ensino público, a média mais alta chega a 41%, no limite de que o Enem considera ruim (40%). No privado, quase atinge a excelência, com 68%, com algumas escolas conseguindo nota acima de 70%.

Os jornais estampavam a receita das escolas campeãs: bons professores e boa infra-estrutura. São professores bem informados, bem preparados, atualizados, utilizando-se de uma metodologia avançada, que leva o aluno a produzir. Os alunos dessas escolas vão às aulas motivados pelas famílias, que pensam em deixar para os filhos a educação como herança.

O Enem revelou não apenas a disparidade entre escola particular e escola pública, mas, desigualdade entre escolas públicas do País e desigualdade entre as escolas particulares. Em São Paulo, o resultado de 10 escolas públicas assemelha-se ao das escolas particulares. São escolas tidas como grupos de excelência, ligadas a universidades, centros tecnológicos ou a militares, escolas existentes também em outros Estados do País e que apresentam muito bons resultados. No ensino público, os alunos que obtiveram melhor desempenho são oriundos de escolas técnicas.

Outras conclusões do Enem são possíveis assinalar:

a) Na rede particular, a avaliação revela que vários colégios particulares, com mensalidades caras, oferecem ensino precário, tendo seus alunos obtido resultados semelhantes aos de escolas públicas, fator que revoltou muito os pais, que não viram resultado de seus sacrifícios!

b) As escolas públicas com pior desempenho são as situadas nas zonas rurais e as que oferecem ensino do antigo supletivo: alunos da Educação de Jovens e Adultos (Eja). Alunos do Eja não revelam perfil de quem quer cursar o ensino superior.

Os resultados do Enem também mostram as desigualdades entre as regiões do País. As 6 piores capitais, segundo as médias de seus alunos, estão na região Norte, das 7 melhores capitais, 6 estão nas regiões Sul e Sudeste, mostrando as disparidades regionais.

O Enem é um exame realizado pelo MEC para concluintes do ensino médio. Ele não é obrigatório e sua nota é aproveitada em vestibulares e no programa de bolsas do governo federal, o ProUni.

O Enem é elaborado segundo as novas diretrizes curriculares do ensino médio, não é dividido em disciplinas e afere habilidades e competências dos alunos. Não mede conteúdo; pede interpretação de textos, relações e leitura de gráficos.

Os resultados do Enem apresentaram uma radiografia desfavorável ao conhecimento dos alunos que terminaram o ensino médio. Fala-se em investir no ensino médio, mas de que valerá investir num ensino médio com alunos egressos de um ensino fundamental fragilizado da rede pública? Uma boa educação depende de um percurso bem feito ao longo de todo processo. Precisa de um bom alicerce e o nosso não é bom.

A má qualidade do ensino público fecha a principal via de ascensão social para estudantes de lares pobres! A nossa desigualdade educacional cria um sistema de ensino de, pelo menos, dois níveis, um beneficiando pessoas bem nascidas, projetando-as socialmente, e outro, das pessoas carentes, deixando-as no anonimato, na marginalização social.

* Supervisora de ensino aposentada.             
(Publicado em março/2006)

O LIVRO “PRÁTICA PEDAGÓGICA” E A CRÍTICA ESPECIALIZADA

Izabel Sadalla Grispino *

É momento de agradecer. Tenho recebido manifestações de apreço e estímulo pela publicação do livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola). Na outra semana, vimos o artigo do emérito educador ribeirão-pretano Divo Marino. O apoio e o estímulo da insigne professora universitária de São Carlos Lederci Gigante de Oliveira. Esta semana, é a vez de agradecer a educadora araraquarense Fernanda Miranda, por suas pertinentes considerações, publicadas no jornal “Tribuna Impressa”, de Araraquara.

Faço uma ressalva no artigo da Fernanda, quando diz que sou de Araraquara. Na verdade, moro na cidade de Ribeirão Preto, mas tenho fortes ligações de afeto e amizade por Araraquara, onde, desde longa data, mantenho relações de trabalho. Relações que vêm desde fins de 1960, quando, como diretora de uma escola estadual, elaborei projetos educativos, pela Delegacia de Ensino, comandando-a o eminente prof. José Guilherme de Nardi, de quem guardo as melhores referências. Na segunda metade da década de 70, trabalhei ao lado das educadoras da UNESP de Araraquara – FFCLA – Cacilda de Oliveira Camargo, Maria Helena de Moura Neves, Najla Lauand e Sebastião Expedito Ignácio, na formulação e divulgação, para as escolas da rede estadual, do livro “Língua Portuguesa”, 5.ª a 8.ª série – 1.º grau – 1977, e no livro do mesmo nome, organizado sob a forma de Instrução Programada.

Escrevo, semanalmente, no jornal “Tribuna Impressa” há vários anos. Em Araraquara moram familiares e amigos queridos. Em todo caso, só me envaidece, é um orgulho alguém se dizer araraquarense.

Voltando ao artigo da Fernanda Miranda, diria que ela captou aspectos importantes contidos no livro. “Transformar os métodos de ensino, convocando os educadores para uma revisão de suas atividades, é o ponto de partida do livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), de Izabel Sadalla Grispino”. Conclusão aplaudível, visto que abraçar uma metodologia renovadora é indispensável para se alcançar a reforma do ensino.

A linha tradicional, com suas aulas expositivas, com sua transmissão do conhecimento, está superada. A escola de hoje trabalha com projetos, constrói o conhecimento junto com o aluno, faz dele um ser reflexivo, criativo, construtor e não um receptor do saber. O aluno é o agente central do processo de aprendizagem, é fazedor do processo e não paciente do aprendizado, como falava Paulo Freire. Ele é visto como sujeito de sua análise de mundo.

A escola renovada emprega o método construtivista. “Esse método é uma exigência da época, que quer um indivíduo pensante, reflexivo, apto à pesquisa, interferindo, criticando, criando, inventando. Quer um indivíduo capaz de construir, de recriar a cultura. O construtivismo afasta o ranço da escola tradicional, que levava o aluno a decorar, a memorizar, não a entender, a concluir” (pág. 180).

Fernanda fala do princípio contido no livro da contextualização do currículo, da busca dos conteúdos na realidade de vida do aluno, da sua importância sociocultural, o que reforça o método construtivista. Deve-se, inclusive na alfabetização, partir do universo de fala do aluno e não do universo de fala do professor. Dentro do construtivismo são respeitadas a identidade e as posições do educando, permitindo que ele se aproprie do processo de seu conhecimento. Esses conceitos são por mim expressos nas “orelhas” do livro.

Fernanda ressalta a abordagem que fiz sobre o sistema de ciclos na progressão continuada. “Para tratar do sistema de ciclos na progressão continuada e sua polêmica aceitação, Sadalla Grispino dedica um capítulo à implantação desse processo pedagógico...”

É muito importante ao professor entender o sistema de ciclos, na progressão continuada, para bem aplicá-lo. O sistema de ciclos é uma proposta inovadora que requer mudança de mentalidade. “Baseia-se no pressuposto de que o processo de aprendizagem se dá de maneira evolutiva, individualizada e não pode ser segmentado em séries. Nele o ritmo do aluno é respeitado e ele aprende de acordo com as fases específicas de seu desenvolvimento mental, conforme ensina Jean Piaget... O aluno é avaliado de acordo com sua capacidade e os conteúdos são dados continuadamente e não por série. A avaliação, em certo aspecto, mudou. As provas são substituídas por outros métodos, que não excluem a avaliação da aprendizagem. Os alunos não têm seu aproveitamento avaliado através de provas periódicas, com notas. Não há mais o “calendário oficial” das provas, mas há a observação contínua, individual, sucessivas avaliações do conteúdo assimilado, a recuperação paralela, as aulas de reforço e recuperação do período de férias. A avaliação, contudo, foi mal compreendida. O professor, ou por estar arraigado ao sistema de notas, ou por não saber aplicar essa pedagogia inovadora, não conseguiu levar a bom termo esse novo programa”. (pág. 191).

Ao ressaltar pontos relevantes do livro, Fernanda Miranda chama a atenção para aspectos importantes do processo de aprendizagem e que devem merecer atenção especial do professor. Conclui sua análise com estas alentadoras observações: “Do início ao fim, “Prática Pedagógica” é uma ferramenta de reconstrução das atividades de ensino e traz inserido em si mesmo todas as propostas que apresenta – não deixa escapar o diálogo com o leitor, as atividades artísticas e culturais (representadas por poemas escritos pela própria autora sobre o dia-a-dia de prática pedagógica), nem as atividades reflexivas”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2004)

A JUVENTUDE BUSCANDO DEFINIÇÕES

Izabel Sadalla Grispino *

Diante das contradições e incertezas do mundo atual, em especial no campo profissional, das indefinições das políticas sociais, das mazelas que se arrastam pela sociedade, o jovem, perplexo, busca, ansioso, saídas para as suas indagações. Muitos não conseguem perceber o futuro como trajeto confiável, antes o vêem como algo ameaçador. Resta-lhes o presente e, nele, grande parte se entrega na transgressividade comportamental, no consumismo, no prazer imediato e intenso, quando não, pela fuga, nas drogas. Encontram no desfrute dos bens materiais a razão do existir.

A esses aspectos, acresce-se uma constatada revolução mundial, nos modos de captar os valores morais, influenciados pelos meios de comunicação. A mídia, com seu forte poder, introduz e reflete novas atitudes, novos estilos de vida.

Uma pesquisa feita pelo Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC), com o intuito de decifrar, para os próximos anos, a construção do juízo moral de jovens pertencentes a sociedades emergentes, lançou a pergunta: “Qual é o valor mais importante: ter bom caráter ou muito dinheiro?”. Dos, aproximadamente, 400 alunos arrolados, apenas um respondeu: “É ter bom caráter, sem dúvida alguma”. Os demais votaram no dinheiro, sem pestanejar.

Durante a pesquisa, questionários foram entregues aos mais de 10 mil alunos da universidade, durante a matrícula. Numa folha, à parte, os pesquisadores pediram aos estudantes que apresentassem os três principais valores da juventude de hoje. Pouco mais de 1.000 alunos, apenas, devolveram a folha. Em suas respostas, dinheiro apareceu em primeiro lugar, seguido de ter emprego, por 186 votos. A ênfase ficou nos valores materiais. Os alunos próximos de se formar revelaram medo de não conquistar um espaço no mercado de trabalho. O medo chegava a turvar-lhes a esperança. A pesquisa revela que família, amizade, felicidade também foram votadas, mas em escala menor.

Uma outra pesquisa, mais recente, feita pelo Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), vem mostrar uma faceta mais animadora da juventude. Foram entrevistados 900 jovens, entre 14 e 20 anos, de diferentes classes sociais de Curitiba. Desses jovens, 397 (44,1%) apontaram a família como instituição de maior ascendência em suas decisões. Em seguida, vem a escola, com 37%, e a TV, com 13,7% das respostas. Na seqüência da pesquisa, os estudantes deveriam dar uma nota sobre suas avaliações políticas, ponto em que revelaram forte decepção, forte rejeição. A média do governo ficou em 3,96; dos partidos políticos, 3,07; do Congresso Nacional, 4,49; e do Judiciário, 4,99. Valorizaram a família, 9,02, a escola, 7,74, e a Igreja, 7,56.

Essa pesquisa surgiu como um oásis no meio do deserto. Mostrou que uma parte dos jovens está buscando valores, como respeito, amor, fidelidade. A vida em família foi considerada fundamental, mesmo havendo conflito. Eles acharam melhor ter uma família danificada que não ter nenhuma. Isso se explica pelo fato de esses jovens serem filhos da permissividade e que hoje sentem necessidade de limites, de valores consistentes. Não querem mais a concessão impensada, mas a orientação, a palavra segura. Os anos da revolução sexual produziram muito sexo e pouco amor; produziram a relação descartável, com sua insegurança, seu vazio.

Há uma outra vertente, a do aspecto religioso, que devemos considerar. Estamos vivendo uma época  de dupla face: de febre racionalista e de febre espiritualista. Os defensores de uma cultura agnóstica acreditam que a humanidade seria mais civilizada e feliz se se libertasse das “amarras” espirituais. Acreditam que a religião, sutilmente, empurra o Homem a um sentimento místico, desfavorável à sua libertação total. O conhecimento desse aspecto é importante porque esse ardor racionalista se encontra subentendido em textos comemorativos do cinqüentenário da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, veiculados na imprensa internacional. Neles, nota-se, segundo a crítica especializada, a apologia da razão, do sonho da libertação pela razão, contrapondo-se à corrente espiritualista, que preconiza o sonho da libertação pela religião.

É marca freqüente da humanidade esta dualidade. Em uma célebre pintura de Goya, encontra-se cunhada a frase: “Deus e o sonho da liberdade” e o grande escritor Dostoiewski expressa sua convicção através de um personagem: “Se Deus não existe, então tudo é permitido”.

Um fato extraordinário, no campo da espiritualidade, que chamou a atenção da imprensa mundial, especialmente européia, aconteceu em 20 de agosto de 2003, no “Dia Mundial da Juventude”. O Papa João Paulo II celebrou uma missa, no campus de Tor Vergata, nos arredores de Roma, onde compareceram nada menos que cerca de dois milhões de jovens católicos do mundo todo. Eram jovens procedentes dos cinco continentes, de 160 países, participando da “15.ª Jornada Mundial da Juventude”. Atendendo a um chamado do Santo Padre, foram a Roma aclamar, orar, cantar em louvor a Cristo. Lá estavam de coração aberto, prontos para receber mensagens, ouvir, como discípulos, a palavra do maior guia católico da época, o Papa João Paulo II.

Qual o significado dessa ida dos jovens para professar sua fé em Jesus Cristo? Como interpretar essa mensagem? Estaremos, por acaso, presenciando uma reviravolta, um contrapeso da balança, em direção aos valores espirituais perenes? Certamente, os jovens não estão encontrando, no materialismo exacerbado, sentido real para suas vidas. Estão buscando caminhos novos para seu futuro, estão em busca de algo maior, de um significado maior para a vida.

Esse acontecimento não deve ser esquecido. Deve ser reavivado, com reflexões para os jovens e para o mundo. Essa tão significativa participação da juventude, nos apelos da Igreja, provocou ao Papa a expressão: “Olho com fé o futuro da humanidade”.

Esse encontro, classificado como o Woodstock da Igreja, foi também chamado de “Parada Católica do Amor” e nos manda o recado de que nem tudo está perdido, que há esperanças e luzes despontando na edificação de um novo mundo, mundo voltado a Deus.

Que assim seja, Senhor!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2005)

SENTIMENTOS DE FAMÍLIA

Izabel Sadalla Grispino *

No dia 27 de abril p. passado, numa bonita festa de confraternização, que reuniu os membros de minha família, parentes e amigos, lancei o livro “Sentimentos de Família, Família Feres Sadalla”, minha família, Júlia, minha mãe, Feres, meu pai.

A festa foi uma homenagem, que os filhos, os genros, as noras, os netos, os bisnetos, fizeram em memória dos genitores. Na festa falou alto o sentimento de família, o valor da instituição família, sua estruturação. A festa passou o sentido de união, de fortalecimentos das atitudes de compreensão do dia-a-dia. Nos dias subseqüentes, recebia solicitações para que escrevesse sobre o propósito do livro, na esperança de que outras famílias abraçassem a idéia.

O que me motivou a escrever o livro foi, sem dúvida, o amor que tenho à minha família, aos meus amados irmãos, pela devoção, respeito e admiração à vida bonita, traçada pelos meus pais. Disse eu, no momento do lançamento do livro: “Felizes os filhos que, como nós, podem exaltar, com louvor, a vida dos pais, render-lhes tributo de amor, de reconhecimento pela luta honrosa travada, pelo brilho das vitórias, pelo exemplo dignificante deixado”.

O exemplo dos meus pais, legado aos filhos, determinava a sua trajetória. “Ensina-se bem mais pelo exemplo que pelas palavras”, alertava-nos Rui Barbosa. Hoje, temos a graça de sermos uma irmandade unida, confraternizada por laços de amor, de consideração. Somos amigos, cúmplices, parceiros. Juntos choramos, juntos sorrimos.

No momento da festa, meio à alegria do convívio amigável de todos, lágrimas, na alma, rolavam por uma ausência muito doída, ausência de um irmão querido, do médico José Sadalla, que partiu cedo, deixando um vazio nos nossos corações. José, à semelhança do pai, deixou uma imagem consagrada nos corações de todos que o conheceram, de todos que partilharam de sua amizade, de sua competente medicina. Era um grande estudioso, punha na ciência o prumo de seu barco, mas não se descuidava de Deus. Dr. José Sadalla não deixou que o sonho se apagasse de sua alma. Ele foi, inclusive, um grande orador, tinha a alma de poeta, declamava com enlevo, com sentimento. Se vivo estivesse, estaria, na festa, dividindo comigo o palco das saudações, dos agradecimentos.

Aliados a esses sentimentos peculiares, tocou-me como seria salutar motivar, incentivar o amor à família, através de sua história, ilustrada por fotografias, do seu uso, costumes e crenças. O homem, ao preservar a sua história, a história de seus  pais, está preservando a linhagem, dando-lhe estrutura. Família é a coisa mais séria e a mais bela a se conservar; é o maior patrimônio do homem, sua maior riqueza. Família estruturada é o melhor plano pedagógico, a mais significativa estratégia para se educar bem os filhos. Ela se encarrega de dar o suporte emocional, moral, de passar valores, que vão formar o caráter, a personalidade.

Acredito na força da família. Dizia-nos Coelho Neto: “A família é o núcleo, o gérmen da sociedade. Nela é que se formam todas as virtudes e se amolda o caráter... As pátrias são agregações de famílias e, quanto mais virtuosos os lares, que são elos, mais forte será a cadeia da nacionalidade”. O homem feliz no seio da família expande essa felicidade para o mundo. O homem infeliz na família não encontrará felicidade em parte alguma.

Um livro de família encontra ressonância no seio dessa família. É sentimento para sentimento. Ele é feito para as gerações presentes e para as gerações futuras, que nele se encontrarão com suas raízes, conhecerão suas origens, na caracterização de sua árvore genealógica. Pertencer é tão importante quanto comer ou respirar, nos fala a psicanálise. A família é nossa identidade, nossa estrela-guia nos caminhos da vida.

No livro que lancei, a professora se fez presente. Fiz uma divisão didática, dividi-o, em capítulos, por assunto. No 1.º capítulo está a Apresentação, o Prefácio e a biografia de meus pais, com o título: “Espelho da alma, Júlia e Feres”;

no 2.º capítulo: “A vida religiosa da família”; no 3.º capítulo, “O médico José Sadalla”; no 4.º capítulo, “Aspectos da vida em família”; no 5.º capítulo, “A Irmandade”, ou seja, a 1.ª geração; no 6.º capítulo, “A 2.ª geração, os netos de Júlia e de Feres” e as minhas considerações finais.

Que outras famílias, a exemplo da minha, reunam suas lembranças, suas fotos, leguem às suas gerações as histórias dos antepassados, dando sentido à vida familiar, formando a sua estrutura. Que propiciem aos descendentes se unirem e se fortalecerem em torno do tronco comum, do cerne formado.

Transcrevo, a seguir, uma das minhas poesias contidas no livro:

FAMÍLIA  UNIDA

Família de fé é família unida,
Divide o pão, abraça compreensão,
Percorre com amor a longa jornada,
Programa coletiva construção.

Um só graveto se quebra num chute,
Um feixe resiste a contramão,
Força dupla afugenta o embuste,
Torna-se trave na corporação.

Uma casa construída em várias mãos
Tem a solidez do barro do João,
Deixa longe o frio dos esquimós.

O sonho só se torna realidade,
E ganha auspiciosa veracidade,
Quando junto ao eu se encontra o nós.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2002)

A ESCOLA FRENTE À ERA INFORMATIZADA

Izabel Sadalla Grispino *

Provocar reflexões sobre as mudanças que a época vem requerendo é um passo avante para a necessária mudança de mentalidade. As instituições devem promover debates, articulando interesses tradicionais e interesses inovadores. A transformação do mundo é matéria-prima do currículo. A escola precisa trabalhar com essa transformação. Precisa reconhecer a importância da contribuição interdisciplinar, multidisciplinar, trazendo uma globalização positiva. Precisa, nos países em desenvolvimento, como é considerado o nosso Brasil, ousar para diminuir a distância, cada vez maior, que separa os países ricos dos pobres. Os debates para produzirem o efeito desejado não podem acontecer aleatoriamente; precisam ser planejados e fundamentados nas teorias subjacentes. Conhecer os princípios filosóficos, que vêm norteando a reforma do ensino, consolida o entendimento.

Com as mudanças da reforma do ensino, propostas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), em atendimento à nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), surge um novo conceito de currículo, no qual o enciclopedismo é posto de lado e se prioriza a realidade vivida pelo aluno, seu cotidiano. Um currículo flexível, que se ajuste à era informatizada, onde a escola, no processo ensino-aprendizagem, busque a relação entre conhecimento e vida, a articulação entre teoria e prática. Uma escola que ofereça experiências sintonizadas com a família, com a comunidade, que se adapte  para receber o aluno. Não é mais o aluno se adaptando à escola, mas esta ao aluno.

O educando não pode mais esperar sair da escola para pôr em prática o que aprendeu, tem que relacionar o seu aprendizado com o momento de seu estudo, porque a cada 6 meses, um ano, temos renovações drásticas no conhecimento humano. Diferentemente do passado, quando o grande objetivo da escola era preparar o aluno para o futuro, entende que o futuro não se faz amanhã, se faz hoje. Estabelece com o aluno uma relação dialógica e dinâmica, deixando o sistema tradicional da transmissão mecânica dos conhecimentos prontos e acabados. A escola do momento é da pesquisa, do raciocínio, da crítica, aliados à iniciativa, à criatividade, à improvisação, à intuição, onde a decoreba não tem mais lugar. É uma escola que prima pela qualidade. Não despreza a quantidade, mas trabalha a qualidade. Quanto mais qualidade mais fácil atingir a quantidade. A quantidade será o termômetro da qualidade.

No presente, com a facilidade do acesso às informações, disponíveis na mídia, na Internet, o papel do professor mudou. Sua função primordial, agora, é a de desafiar o aluno, orientá-lo a hierarquizar e organizar de forma crítica as informações às quais tem acesso. A escola tem que repensar a educação, repensar o conceito de aula, estimular a “imaginação pedagógica”, como queria Anísio Teixeira. O modelo atual está ameaçado. Quem ensina, hoje, precisa estimular a inteligência, não apenas a cognitiva, mas as inteligências múltiplas; não deve ser mais um mero provedor do conhecimento. Precisa reconhecer o conjunto das capacidades do aluno, considerar também o conhecimento informal. O enfoque do conteúdo mudou e a mudança precisa estar inscrita na ação pedagógica.

A escola precisa refletir o que a mídia faz na sala de aula, abrir-se para recebê-la, criar espaço para a conversa, para o diálogo, fortalecendo o espírito crítico. Deve enfrentar a mídia, não com a falsa ilusão de vencê-la, mas de entendê-la, de enriquecer-se com ela. É como se diz: “Se não vencê-los, junte-se a eles”.

Hoje, a leitura do conhecimento é uma rede. A escola é só mais um espaço, não é mais propriamente o lugar da informação, mas o lugar do que fazer da informação, que mediação o professor pode ter. Refletir, por exemplo, como é que se cria, como é que se relaciona, como é que se analisa. No fundo, o professor precisa ser capaz de gerenciar uma sociedade de conhecimento. Escola, cada vez mais, está tendo papel mais educativo que informativo.

A sociedade tecnológica força a mudança do papel da escola. As universidades não são mais vistas como locais de instrução definitiva. Na sociedade tradicional, a escola era o lugar privilegiado do saber, a instituição responsável pela

transmissão social e cultural.  O  professor  era  a  principal  fonte  de onde  emanava  todo  o  conhecimento  que as novas  gerações precisavam adquirir.  Ele  era considerado como um “capital profissional”, como um “capital de sabe-

res”. A passagem do saber do mestre aos discípulos dava-se num processo de comunicação unidirecional, o velho “magister dixit” ( o professor fala e os alunos escutam). A transmissão era basicamente oral e o que interessava era a reprodução fiel do texto. A memória humana era usada pedagogicamente para a repetição exata. Os próprios professores foram formados nesse tipo de ensino, tudo textual, sem imagens, sem cores, sem sons, sem movimentos, bem

diferente do que a TV, o videocassete, o videogame e outros, produzem no comportamento das crianças, dos jovens e dos adultos de hoje. Somos da geração alfabética, da aprendizagem por meio do texto escrito, da leitura do livro. Valorizamos apenas um segmento do conhecimento: a palavra oral ou escrita, deixamos de lado a leitura das imagens, dos sons, dos movimentos. Os alunos de hoje aprendem em variadas situações, o mundo deles é polifônico e policrônico. Suas formas de raciocínio não são mais lineares: introdução, desenvolvimento e conclusão, mas envolvem aspectos globais, o físico, o afetivo, o cognitivo, o intuitivo. Comportamentos de aprendizagem mais abrangentes, diferente da lógica racional que prevalece, ainda, na aprendizagem escolar. A escola continua a mesma, não está fácil a ela abraçar essa fase de transição entre a concretude do texto impresso e a pluralidade do texto eletrônico.

A escola precisa aproveitar a riqueza dos recursos externos, não para reproduzi-los em sala de aula, mas para orientar as discussões, preencher as lacunas. A proposta é de que, ao lado dos aspectos de memorização, verbalização e reprodução, que continuam existindo na docência, sejam abertos espaços para o envolvimento integral do aluno, que a aprendizagem envolva o racional e o emocional, a análise lógica ao lado do imaginário, da inventividade, da imagem e do som. Que professor e aluno reflitam juntos sobre a criação, sobre como enfrentar os desafios.

A escola deve levar a TV para a sala de aula e junto com os alunos fazer uma leitura crítica da programação. Esta pode ser uma das principais armas para enfrentar esse poderoso meio de comunicação.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2000)

AJUDA À VISTA AOS UNIVERSITÁRIOS

Izabel Sadalla Grispino *

Ajudar o aluno pobre a enriquecer a sua formação acadêmica é, sem dúvida, o melhor caminho para o  ingresso à universidade. A instituição de cotas poderá representar uma ajuda vazia, um castelo de areia, que viria contra o próprio beneficiado.

Alunos que ingressam na universidade com deficiência de conhecimento poderão vir a ter sentimentos de desânimo, de desistência, sem falar da repetência. Para que isso não ocorra, a instituição terá que baixar o seu padrão de ensino, conseguir um nível inferior, que permita ao aluno dar seqüência aos seus estudos. A instituição não vai poder atender a padrões de qualidade e desempenho, o que traria queda na qualidade do ensino superior, como já existe na educação básica. Essa é uma estrada que não culmina com a melhoria do ensino, porque transitada por alunos sem o devido preparo.

É necessário que se forme conceito a respeito e que se tomem providências para se alcançar um porto seguro. Investir, primeiramente, e com seriedade, na qualificação da educação básica, fazendo as escolas públicas aproximarem-se das escolas particulares. Aumentar a oferta de cursinhos pré-vestibulares e bolsas de estudo à população carente. O cursinho pré-vestibular, lutando para suprir as deficiências de aprendizagem, fornecendo aos alunos um conhecimento mais compatível com a carreira universitária, e a bolsa permitindo-lhes a possibilidade de estudo.

Conforta-nos saber que os cursinhos pré-vestibulares multiplicam-se não só na capital, como no interior do Estado. Tomei conhecimento da existência do Curso Unificado do Campus de Araraquara (Cuca), através de seu coordenador e orientador, Prof. Miguel Jafelicci Júnior. Esse curso surgiu em 1994, por iniciativa dos alunos do Instituto de Química. Em 2002, foi implantado o Cuca/Prefeitura, resultado de uma parceria da Prefeitura de Araraquara com o Campus de Araraquara da UNESP, num projeto pioneiro na região, neste tipo de convênio.

O Cuca/Prefeitura atende atualmente 300 alunos em 5 salas localizadas em três bairros de Araraquara, Selmi-Dei, Vale do Sol e Jardim Martinez. Estes alunos são isentos de quaisquer pagamentos – matrícula, mensalidade e material didático. É atendido por 40 professores e 2 coordenadores, todos alunos de graduação da UNESP, que recebem bolsas de Extensão Universitária.

Essa é uma iniciativa que merece aplauso e que deve ser seguida por outras localidades. Parabéns aos organizadores e aos alunos que, através desse cursinho, elevam seu padrão de ensino e podem sonhar com horizontes mais claros, com um futuro mais consistente.

Um outro aspecto, que seria interessante divulgar, são as oportunidades de trabalho que surgem na própria universidade aos alunos que precisam trabalhar ou aos que querem já dar os primeiros passos na carreira durante a graduação. Estes alunos devem procurar por vagas oferecidas dentro do campus, publicadas em editais, divulgados nos murais de aviso e no site da instituição. As principais fontes de informação vêm, contudo, de alunos veteranos, de funcionários e de professores da universidade.

A falta de comunicação acaba por dificultar as chances existentes. Para os interessados, a Coordenadoria Executiva de Cooperação Universitária e de Atividades Especiais (Cecae) deixa o endereço eletrônico – www.cecae.usp.br. O Cecae oferece, entre outras atividades, estágios aos programas sociais da USP. Conta com mais de 100 alunos, que participam de trabalhos, como programas de reciclagem, de inclusão social de crianças carentes, de desenvolvimento tecnológico para pequenas empresas e de evolução ambiental.

Há, também, estágios no setor responsável por reformas das unidades da instituição. São formados por grupos de 7 alunos, que analisam as necessidades das faculdades, traçam planos de reforma e consultam preços dos materiais para o projeto. Cada aluno recebe cerca de dois salários mínimos por 20 horas semanais e trabalha nas horas em que há tempo entre uma aula e outra, no caso do curso ser integral.

Ao lado da divulgação das vagas de trabalho ou de estágio na universidade, os próprios alunos podem anunciar serviços, como tradução e revisão de textos e cursos de idiomas ou de instrumentos musicais. Há ainda a possibilidade de o aluno desenvolver o seu próprio projeto, como, por exemplo, o de revitalização de uma área da cidade e pedir ajuda à instituição para conseguir parcerias ou financiamento. Na USP, o estudante deve procurar o Cecae; em outras universidades, procurar auxílio no serviço de atendimento ao estudante.

Também existem as oportunidades de trabalho temporário, como as oferecidas no período dos vestibulares, no processo seletivo. Geralmente, esse trabalho tem duração de 4 meses e as funções são as de atender o público, cadastrar vestibulandos, cuidar da distribuição dos materiais, como os manuais do candidato e fiscalizar os procedimentos de inscrição. Ganha-se cerca de R$ 500,00 por mês, trabalhando 6 horas diárias. Durante as provas, ganha-se mais R$ 200,00 por dois dias de trabalho, como fiscal.

Espera-se que os universitários tomem conhecimento dessas possibilidades e que busquem concretizá-las.

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em maio/2004)

EDUCAR PARA OS DIREITOS HUMANOS

Izabel Sadalla Grispino *

O avanço no processo educacional ganha dimensões humanas inusitadas. A escola volta seu olhar para as pessoas de risco, buscando resgatar sua dignidade, na prática do exercício da cidadania. Em localidades carentes, a escola predispõe-se a regularizar a vida da criança, partindo do registro civil.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, em 16 de dezembro de 2002, que em 2000, em um ano, mais de um milhão de crianças não têm certidão de nascimento. Em 2000, 3,2 milhões de crianças nasceram em hospitais brasileiros, mas apenas 2,5 milhões foram registradas em cartórios. Além desses bebês – 700 mil  que não entraram nas estatísticas oficiais -- o IBGE calcula que outros 370 mil nascimentos ocorreram em casa e não foram notificados, levando a um total de 1.070.000 de crianças sem certidão de nascimento, em apenas um ano.

Os chamados sub-registros afetam não só os dados de nascimentos, mas também os óbitos. O IBGE estima que,  nas regiões Norte e Nordeste, 48,2% e 35,6% dos nascimentos não foram registrados em 2000.

A escola, considerando que o sub-registro é um problema sério, envolve a questão da cidadania, entende que o primeiro passo é providenciar o registro dessas crianças. Afinal, quem não tem certidão de nascimento não existe e não pode exercer seus direitos.

Criou-se, assim, a concepção de sujeito de direito, conceito que a escola quer desenvolver nos alunos. Mostrar à criança novos caminhos, estimular a vontade de ser alguém, desenvolver nela a consciência de que tem direitos, tem direito a ser criança, de que é uma pessoa capaz. Estes aspectos são pontos de partida para a educação da cidadania.

Sujeito de direito é uma louvável vertente da escola que quer educar a criança para os direitos humanos, procedimento que atinge tanto a educação formal, como a informal. A educação dos direitos humanos é multidimensional, abrange não só a dimensão cognitiva do aluno, mas a dimensão comportamental, social, afetiva, emocional. Prepara o aluno para ser um cidadão cônscio de seus deveres, suas responsabilidades e dos direitos a que tem e que pode usufruir.

*    *    *

FELIZ  ANO  NOVO

É o que desejo a todos vocês, queridos leitores. Que 2003 os conduza em direção à estrela-maior, reinado do amor, da fé, da esperança. Que sua irradiação transforme a terra num oráculo de canto e de paz.

 

PASSAGEM DE ANO

PASSAGEM DA VIDA

A vida desponta:

Crescemos,

Lutamos,

Construímos,

Energia total.

Vivemos junto à esperança,

Futuro e sonho,

Escritos em aliança.


Eis que o sol poente aparece,

Quanta mágoa, quanta desilusão!

Ausência de fantasia,

Realidade e sangria.

A realização é inconsistente,

A vida é estreita demais,

Sempre se espera fazer mais.

Agora, pouco se olha pra frente,

O passado vira alimento,

A vida se torna lembranças,

Volta-se ao solar da criança.

A vida é canto sonoro,

Passos leves, sem esmagar,

A estrela que tanto brilha,

Lentamente se apaga ao luar,

Andamos tropeçando em túmulos,

Sabendo que haverá a hora de lá chegar!

Vida e tarde que escurece,

O esperar, o desesperar,

Chorar a saudade,

Viver o conflito,

A dor que arrebenta,

Um amor que nos sustenta;

Vão-se as noites de verão,

O inverno chega de antemão.

A vida vale pela paz,

Águas mansas que deslizam devagar,

Não há tempo, nem espaço para a insensatez,

O universo dá a todos pouca vez.

 

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em dezembro/2002)

EDUCAÇÃO E SUAS IMPLICAÇÕES SOCIAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Costumeiramente, ouvimos a frase: “Educação é a primeira necessidade do homem depois do pão”. Eu me permitiria dizer: educação antecede, acompanha e sucede ao pão. São, na melhor das hipóteses, necessidades concomitantes: educa-se à medida que se dá o pão. O alimento sem a educação tem vida curta, logo degenera.

Educação abarga, de forma primordial, todos os aspectos da vida humana. Implementa-se uma biblioteca, enriquece-se a ciência da nação. “Constrói-se uma escola, fecha-se uma cadeia”, já nos dizia, no século XIX, o famoso escritor francês Vitor Hugo.  Isso há  mais de um século,  imaginem a força dessa expressão nos dias atuais. Só a educação pode salvar o mundo da avalanche da criminalidade, da violência juvenil, que nos assolam e nos amedrontam.

Educa-se a criança para não chorar o adulto. O resgate da juventude passa pela educação, a recuperação da sociedade passa pela educação. A educação ensina o homem a ter força na mente, não nos braços, não na violência.

Não se mede o preço da semente educacional. Dinheiro despendido em educação não é gasto, é investimento. Investir na educação é a saída honrosa para mudar a cara do País. Sem uma educação de qualidade, o brasileiro será apenas receptor de tecnologia, jamais produtor.

Não se transforma a realidade social pela caridade. É preciso dar condições para o indivíduo crescer. Corresponde ao provérbio: “Não dê o peixe, ensine a pescar”. O desenvolvimento do país é a soma do desenvolvimento individual. País de povo pobre, inculto, despreparado, jamais será uma grande potência. Quando um povo sabe para onde vai, o mundo se afasta para deixá-lo passar.

Hoje, sabemos, a estratégia não é mais o petróleo, a energia ou o asfalto. A estratégia, hoje, é investir em gente: educação, saúde, segurança. O capital do presente é o conhecimento. Não se pode pensar em desenvolvimento econômico, em democracia social, sem cuidar da educação, da cultura. O grande estadista norte-americano Abraham Lincoln dizia: “Ninguém salva o povo; o povo se salva a si mesmo, através da escola”.

Uma guerra não se ganha com discurso, se ganha com armas. Na guerra pela desigualdade social, pela violência, a educação é a maior arma.

É mister que a sociedade tome conhecimento do papel da educação. Campanhas de esclarecimento, palestras, deveriam chegar não só à escola, aos pais e aos professores, mas a toda sociedade, para que houvesse participação consciente e colaboração no desenrolar de metas estabelecidas.

A cobrança da sociedade por mais e melhores resultados, no Brasil, ainda é pouco significativa. Na Inglaterra, por exemplo, a pressão da sociedade por uma escolaridade de melhor qualidade é fortemente marcada. Essa sociedade, muito exposta à competição internacional, levou os ingleses a exigir do governo “armas para uma competição justa e educação é a primeira delas”. Na Inglaterra, o salário dos professores teve os melhores reajustes de toda a Europa, sob governo conservador! Comportamento semelhante constata-se no Canadá.

Tem-se, hoje, que a pressão social funciona como instrumento saudável, quando baseada em critérios de qualidade, de seriedade. Em nossa sociedade, já começam despontar luzes indicadoras de intenções políticas. A educação está sendo fortemente questionada e colocada num grau absoluto de prioridade. Economistas, ao registrarem  a  falência  do  nosso  ensino, concluem: “País que não luta por uma boa escola é país que trabalha contra si mesmo”. Mário Henrique Simonsen afirmava: “O orçamento da educação pública não é despesa a fundo perdido. É investimento com retorno garantido”.

Pedro Ferreira, economista da Fundação Getúlio Vargas, autor do livro: “No Brasil não se gasta pouco, gasta-se mal”, mostra a importância da educação no crescimento da economia. Diz que o baixo grau de escolaridade da população brasileira compromete o desenvolvimento econômico do País, torna difícil a incorporação de novas tecnologias e de novos métodos de organização de trabalho. Afirma que a situação atual do ensino no Brasil afeta diretamente as perspectivas de crescimento da economia. Se o Brasil tivesse um sistema de ensino semelhante aos melhores da América Latina, estaria, hoje, 40% mais rico.

Pedro Ferreira relata uma pesquisa internacional em que alunos brasileiros disputam com Moçambique – entre 20 países – o pior desempenho em Matemática e Ciências. Mostra que o Brasil possui a pior distribuição de renda do mundo e a causa principal é a desigualdade educacional. “O problema do Brasil não é de quantidade, mas de qualidade do sistema educacional, bem como de distribuição de recursos”. Cita dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram as distorções do Sistema de Ensino no Brasil. As universidades, com apenas 3% do total de alunos do País, recebem 39% dos recursos do governo destinados à educação. Enquanto isso, o ensino básico, com 88% dos alunos, recebe 52%. Gasta-se, portanto, 22 vezes mais em um aluno universitário do que em um aluno do 2º grau.

Embora haja desproporcionalidade, isso não significa que as universidades estejam recebendo bem, significa que todos os graus de ensino estão sendo muito mal atendidos, caracterizados como de ruim situação. A verba destinada à educação é, sob todos os aspectos, irrisória, difícil de se aceitar!

O descuido pela educação parece ter tido a aquiescência de grande parte da área produtiva. O economista José Márcio Camargo diz que: “Iludida pela mão-de-obra farta e barata, a economia brasileira contentou-se em produzir empregos ruins, com salários péssimos”.

A saúde da educação depende, indubitavelmente, da boa formação de seu quadro docente, mas não depende menos da qualidade de vida que esses mesmos docentes venham a ter, assim como da melhoria de suas condições de trabalho. Se quisermos avanço, precisamos fazer um bom diagnóstico da realidade social, sem preconceitos, sem máscara do que está acontecendo. “Tem que lavar os olhos”, como dizia Darcy Ribeiro, o autor da nova “Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional” (LDB).

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2000)

ENSINO SUPERIOR PARA O ÍNDIO

Izabel Sadalla Grispino *

Uma outra minoria que desponta em direção à afirmação, ao enfrentamento do preconceito, é a do índio. O índio começa a entender o valor da educação e sai à procura de escolas. Desperta-se para uma nova realidade, valorizando a formação profissional. Quer ter acesso ao ensino superior, melhorar o conhecimento, aperfeiçoar-se.

A sociedade também começa a dar mais atenção aos grupos étnicos discriminados. Já se manifesta, em pontos localizados, exortando medidas governamentais, que garantam escolas, de todos os níveis, à população indígena.

A exclusão é sempre lastimável, tanto para os grupos marginalizados, como para o desenvolvimento do País, que se vê limitado no avanço das competições, no mercado internacional. Embora haja toda uma legislação favorável, a política educacional de apoio às minorias é lenta e desestimulada. No Brasil, surgiu, neste segundo semestre, a primeira universidade estadual, localizada em Mato Grosso (Unemat). É uma iniciativa pioneira, onde serão oferecidos cursos de licenciatura, exclusivos para formar professores índios em nível superior. É um passo que se dá em direção à criação de uma universidade abrangente do gênero no País. Matricularam-se na Unemat 300 alunos de 35 etnias.

Os cursos serão dados no campus de Barra do Bugres, a 160 quilômetros da capital Cuiabá. O que antes parecia um sonho distante,  hoje, a idéia de reunir só universitários indígenas em sala de aula torna-se realidade. Levantamento estatístico mostrou existir, entre nós, 207 povos indígenas, com mais de 62 mil alunos freqüentando o ensino fundamental de 1.ª a 8.ª série. Temos 3.041 professores índios, espalhados em 1.666 escolas e que cursaram, com dificuldade, o 1.º e o 2.º graus. São considerados professores leigos porque lecionam sem diploma universitário.

Os ingressantes à Unemat são, na maioria, professores em suas aldeias. Dos aprovados, 167 são homens e as idades variam de 18 a 56 anos. As aulas serão sempre em julho, janeiro e fevereiro, meses de férias escolares. Depois de cinco anos serão formatos em Matemática, Ciências Sociais e Português. Professores de outras universidades, como USP, Unicamp, Puccamp, UFRJ e UFPR, darão, para os índios, aulas em português.

Na passagem dos conteúdos, a universidade vai dialogar com os índios, relacioná-los à cultura indígena, na caracterização da pluralidade cultural e na contextualização do currículo. A metodologia privilegia o debate intercultural. Na redação do vestibular, os candidatos dissertaram sobre a vida dos índios, realidade vivida por eles.

No País, menos de 100 alunos têm acesso ao ensino superior. O Estado de São Paulo, ainda fica no magistério. Pela estatística, há 700 crianças índias, de 7 a 14 anos, tendo aulas com instrutores leigos e em salas de aula em precárias condições. No Amazonas, há 649 escolas, a maioria de madeira, em situação lastimável. É a imagem de um Brasil pequeno, vôo de tico-tico, longe do condor!

Muitos Estados ainda não se acordaram para a educação indígena, em todos os níveis.  O  Estado  do Paraná,

através da Assembléia Legislativa, aprovou, em abril p. passado, uma lei que destina 15 vagas nas universidades estaduais para índios paranaenses. Mas, eles estudarão com os brancos.

Universidades indígenas, que ofereçam cursos como de medicina, enfermagem, agronomia e direito, levarão, ainda, um bom tempo para existir, de oito a dez anos, calcula-se.

Desde 1991, a responsabilidade pelo ensino das tribos passou para o Ministério da Educação. Era da Fundação Nacional do Índio. A legislação prevê que o ensino deve ser feito, preferencialmente, por índios e que até 2007 todos os professores, dos ensinos fundamental e médio, incluindo os professores indígenas, devem ter diploma universitário. O curso universitário para os índios acaba de ser criado, o que faz concluir que para eles essa é uma realidade que se posiciona longe.

O estímulo a uma política educacional para o povo indígena teve um bom suporte, com a elaboração do Parâmetro Curricular Nacional das Escolas Indígenas, pelo Ministério da Educação (MEC), lançado em 21 de maio de 1998. Com esse referencial, as escolas das aldeias passaram a ter, desde 1999, currículos próprios, valorizando sua cultura. Até então, buscava-se apenas civilizar, integrar os índios à sociedade, deixando de preservar e valorizar as suas diferentes culturas.

O parâmetro curricular alia o ensino das matérias tradicionais à discussão de temas de interesse das comunidades, como a organização e direitos das nações indígenas no Brasil. Pela proposta do MEC, o ensino da língua portuguesa deverá ser simultâneo ao da língua indígena local. Na Matemática, além do tradicional estudo de números e operações, o aluno lidará com os sistemas numéricos usados pelos diferentes povos indígenas e pela sociedade em geral, para facilitar sua comunicação. Na geografia, a proposta é partir do espaço geográfico onde vive o aluno para ajudá-lo a entender sua localização no Brasil e no mundo. Na educação física, o aluno deverá conhecer desde os jogos e brincadeiras tradicionais de sua tribo, até as práticas esportivas brasileiras e internacionais.

O índio necessita preservar sua auto-estima, orgulhar-se de sua descendência, não negar sua condição de índio, reabilitar-se perante a sociedade. Ele não pode perder o seu arraigado sentido de grupo, devendo a escola saber conciliar tradição e modernidade.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2001)

FORMAÇÃO DEFICIENTE DIFICULTA A REFORMA DO ENSINO

Izabel  Sadalla  Grispino *

Os preceitos contidos na reforma do ensino, louváveis, imprescindíveis à época, esbarram na qualidade dos recursos humanos, os responsáveis por sua aplicação.

Sabemos que o ensino ministrado nas escolas é muito mais o ensino organizado pelos professores, por sua forma de pensar, agir, por seu nível intelectual, do que aquele sistematizado pelos organismos centrais. O papel do professor é decisivo frente ao ensino efetivo, sem ele não há ensino, a melhoria desse ensino depende basicamente dele e não raro seu trabalho fica longe do declarado desejável.

Jean Piaget, em seu livro “Psicologia e Pedagogia”, diz: “ As mais perfeitas reformas ficam sem conclusão, se não há professores disponíveis, em qualidade e número suficientes. A psicologia infantil pode multiplicar os dados de fatos, multiplicar nossos conhecimentos sobre o mecanismo do desenvolvimento, esses fatos ou essas idéias não atingirão jamais a escola se os professores não os incorporarem até traduzi-los em realizações originais”.

É ilusão pensar que se atingirá tal domínio nas condições atuais. A deficiente formação dos professores é um grande obstáculo à reforma dos currículos. A posse do diploma de nível superior não representa garantia de uma formação de boa qualidade do profissional a quem cabe definir e colocar em prática o currículo real das escolas brasileiras. “Não adianta mudar o currículo no papel se a cabeça do professor também não mudar”, diz Elba de Sá Barreto, coordenadora da análise que a fundação Carlos Chagas faz das propostas curriculares. Demerval Saviani, um dos mais respeitados filósofos da educação do País, titular em História da Educação da Unicamp, diz: “É uma utopia discutir as mudanças das diretrizes curriculares, quando as escolas operam em condições precárias, com professores mal preparados”.

Nem cabe culpar o professor, ele também é resultado do debilitado e falho sistema educacional. Estaremos devotando a devida atenção ao docente? Estaremos valorizando suas atividades, melhorando seu salário, propiciando-lhe uma melhor qualidade de vida, criando condições de um real engajamento, um real compromisso com a educação pública? Num recente pronunciamento, Rose Neubauer, secretária da Educação do Estado de São Paulo, disse haver, ainda hoje, cerca de 6 mil professores não habilitado para o ensino médio. “O Estado perde professores de matemática e física para o mercado financeiro e de informática, e os de geografia, biologia e química para novas áreas do meio-ambiente, das indústrias e das ONGs”. Os professores evadem-se em busca de melhores salários. É histórico o sucateamento do nosso sistema educacional.

Quanto à qualificação, os cursos de reciclagem, oferecidos pelo sistema, não resolvem, são muito rápidos – duração em média de uma semana. O máximo que podem atingir é o objetivo da sensibilização, mas não o de formar conceitos. “Os cursos ligeiros de capacitação de professores podem titular as pessoas e não necessariamente qualificá-las. É preciso programação consistente para que eles sejam bem utilizados. A mudança de mentalidade de um professor é processo lento e difícil, como esperar que uma capacitação tão rápida seja eficiente?”, disse Antônio Joaquim Severino, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

O melhor seriam cursos mais extensivos com um ou dois representantes por escola, que os repassariam, como agentes multiplicadores, em suas unidades escolares, formando nelas um núcleo de apoio, atuando permanentemente. As reformas foram propostas como se a semente estivesse caindo em terreno fértil, preparado, pronto para o plantio. Foram lançadas numa rede escolar despreparada, sem condições de adubar o solo para conseguir a boa colheita. Aplica-se à estrutura do ensino a parábola evangélica, quando diz: “O destino das sementes depende do terreno”.

Não deveriam os órgãos centrais ter primeiro reciclado o professor, tê-lo posto frente aos novos conceitos, tê-lo estruturado, para depois implantar as novas proposições? Não estaríamos, agora, colhendo um resultado mais promissor, mais consistente? Do modo como o ensino se processa, não há como esperar um trabalho por inteiro, mas, sim, diluído, permeado por remendos, por colchas de retalhos.

Educação é um processo a  médio e longo prazos. Os primeiros passos são, como se sabe, os mais difíceis, mas, também, os mais importantes. São os que dão segurança para os passos subseqüentes. Pular etapas provoca desequilíbrio tanto para quem aplica como para quem recebe a aprendizagem. Lançar fórmulas, sem antes elucidá-las, é cair em desestruturação, em discordância à necessária mudança de comportamento de futuros profissionais, que ficarão desajustados, perdidos entre o que lhes ensinaram e o que deveriam ter aprendido. A escola, nessas condições, não tem como cumprir a função de processar as profundas transformações das relações sociais e de trabalho.

Essas observações vêm confirmar a preocupação, hoje, do Ministério da Educação e Cultura (MEC) em melhorar a formação dos professores do ensino médio para que possam acolher com mais propriedade a reforma pretendida desse ensino. A crescente procura pelo ensino médio “aumentou a preocupação do governo com a capacitação dos professores que vão atender a demanda”, disse Rui Berger, secretário de Educação Média e Tecnológica do MEC. Idealizam-se projetos para a capacitação de professores em exercício, por meio de ensino a distância, “destinado a dar condições aos educadores de elaborar um programa ou dominar itens do currículo”, complementou Rui Berger.

A reforma do ensino exige qualificação, competência profissional. Tem-se que investir na formação continuada do professor. Tem-se que melhorar o ensino universitário, lugar que se situa a fonte, onde o professor beberá a água que regará a semente fertilizadora do terreno educacional.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2000)

ENSINO RELIGIOSO NAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência toma conta da cidade e do campo. A vida tornou-se um sobressalto permanente. Nos consultórios médicos, enfileiram-se pessoas que procuram ajuda para a síndrome do medo.

O Hospital das Clínicas de São Paulo montou uma equipe médica voltada para o tratamento da síndrome do pânico, quer de pessoas que passaram, elas mesmas, pelo trauma do seqüestro, do estupro ou de violentos assaltos, ou viveram o drama de uma pessoa da família violentada. Os atendimentos aos pacientes, acometidos dessa síndrome, crescem a cada dia e a equipe manifestou-se dizendo não estar mais dando conta do recado. Hoje, constata-se que os remédios antidepressivos pertencem ao quarto grupo mais vendido, atrás somente dos antiinflamatórios, analgésicos, contraceptivos.

Algo muito sério precisa ser pensado diante de tão pesada situação. Se a geração atual tem uma grande ala que já descambou para o mal, não tendo mais, infelizmente, como conter essa avalanche assassina, temos que nos preocupar, com rigor, nas gerações que vêm vindo. Prepará-las para uma convivência pacífica, conduzindo os seus passos, educando-as para a compreensão, afastando o tipo de competição acirrada, que gera egoísmo, individualismo perverso. Preparar a criança para viver o amor, lançando alicerces éticos e morais desde a mais tenra idade. A criança deve conviver com a idéia de Deus, dessa entidade que simboliza paz, ajuda ao próximo, solidariedade. Deve ser despertada para o sentido de religiosidade, ensinada a conviver com o diferente, com a desigualdade social. Ter o olhar voltado para os mais necessitados.

Muitas escolas, hoje, preocupam-se em adotar ensino religioso, mesmo não havendo unanimidade de opinião entre os professores. Acham importante passar, aos alunos, noções de religião, onde destacam a importância de conceitos como fraternidade, ajuda e respeito. Introduzir o aluno no universo da fé, sem entrar em conflito com o universo científico, antes harmonizá-los. A escola deve respeitar a crença de todos os alunos, fazendo-os perceber uma sociedade plural e com ela aprender a conviver. A escola não vai entrar na doutrina de nenhuma religião, vai buscar o que de comum há entre elas, a idéia de Deus, carregada de bondade, justiça, da prática do bem, da condenação do mal, da divisão do pão, da igualdade de oportunidades. Mostrar aos alunos o que significa ter uma religião, os comportamentos que a representam, como e porque a religião surgiu (contexto histórico-cultural), dar a eles uma estrutura moral. A religião forma o indivíduo para uma cultura humanística, para uma civilização voltada ao bem comum.

O que se tem questionado nas escolas é a possível divergência que possa vir ocorrer entre religião e ciência. Muitos professores são contra a idéia do ensino religioso, achando que a escola deve ter somente base científica, não se envolver com a questão da fé. Mas, o que se vê é que a evolução da ciência, em termos de convivência pacífica entre os povos, em termos de qualidade de alma, não trouxe contribuição positiva. Deve-se aproveitar a brecha que essa situação oferece à educação religiosa, fazê-la interferir, dar o seu recado de humanização, tentando reverter essa caótica posição.

Deixar como está é inviável. É preciso enfrentar o desafio, o crescente envolvimento da sociedade com a violência. Se a ciência, com sua estrondosa evolução, não está trazendo recuo nessa área, ao contrário, a violência se acentua a cada passo, temos, sim, que apelar para a crença, para a fé, para a cultura da alma. Aliás, já diziam os antigos gregos “a alma de toda cultura é a cultura da própria alma”. Temos que promover a sociabilização do conhecimento sobre a violência, privilegiando informações isentas de preconceito, carregadas de atributos morais, em estratégias de trabalho pedagógico. Temos que fazer o aluno sentir que a mudança de posição virá dele, só ele tem, em suas mãos, a força da transformação que possa vir ocorrer na sociedade, no caso em questão, da violência, das drogas.

A violência alastra-se e forte, também, nas escolas. O seu grau chegou a ponto de a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) entender que se devem desenvolver pesquisas de âmbito nacional sobre o uso de drogas nas escolas, no ensino fundamental e médio, e entre crianças e adolescentes em situação de rua, bem como sobre padrões de consumo de álcool e partir para um plano de ação.

Os professores contrários ao ensino religioso criam polêmica também na abordagem do criacionismo. As duas vertentes, criacionismo e evolucionismo, costumam ser entraves ao ensino religioso. Porém, os dois conceitos devem ser passados aos alunos e, em ambos, o que deve ser ressaltado é a figura do homem, a principal criação de Deus, ou da vida, como querem alguns. Indicar livros que completem as explicações e deixar as conclusões para eles. O criacionismo é uma teoria baseada na Bíblia, que fala ser a origem do universo e de todas as formas da vida resultado da intervenção divina. Em tudo houve um Criador, que é Deus. O homem descenderia de Adão e Eva. Essa teoria se opõe ao evolucionismo, que diz ser o homem descendente dos primatas. Os ancestrais do homem são macacos, dizia o cientista inglês Charles Darwin. Em 1859, Darwin publicou “A Origem das Espécies”, onde expõe os fundamentos do evolucionismo. Os criacionistas consideram os evolucionistas ateus.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em seu artigo 33, diz que cabe aos Estados decidir como e por quem serão dadas as aulas. Diz que toda escola pública brasileira de ensino fundamental deve oferecer aulas de religião, mas a freqüência é facultativa para o aluno. Pela lei, o ensino religioso “é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurando o respeito à diversidade cultural e religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo”.

A escola, educando a alma, formando o caráter, desenvolvendo na criança, em si, ações éticas, comportamento moral, terá nessa criança, no adulto de amanhã, talvez, a maior solução para o problema da violência. É uma perspectiva, um caminho que não pode ser desprezado, em nome de uma pretensa ciência.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2004)

O ENTENDIMENTO QUE DEVE SER ALCANÇADO

Izabel Sadalla Grispino *

O nosso sistema de ensino, no grau debilitado em que se encontra, vem minando a estabilidade e o desenvolvimento futuro do País. A falta de conhecimento da população está diretamente ligada à desordem social.

Que sociedade teremos, daqui a alguns anos, se nossas crianças não conseguem aprender? Enfrentar o fracasso de nossas escolas requer uma análise profunda das falhas de estrutura e incentivos ao sistema. Pensa-se, hoje, numa ação conjunta, integrada de todos os Estados e municípios.

As universidades e institutos de pedagogia preparam mal o professor para o exercício em sala de aula. Ainda, observa-se pouco interesse na solução de problemas sistêmicos do ensino público. O sistema tem negligenciado os resultados acadêmicos, voltando-se mais aos benefícios de infra-estrutura que do produto de seu ensino, levando os nossos jovens ao analfabetismo e a nação à pobreza.

Desenvolver capacidades institucionais, nos diversos domínios da educação escolar, vem alcançando o entendimento geral, a fim de viabilizar soluções de ordem pedagógica e da desordem crônica das escolas.

Uma consistente reforma educacional deve ser providenciada se quisermos salvar nossos jovens do analfabetismo e a não da pobreza. A coisa é mais preocupante do que se apresenta. Entram em jogo o desenvolvimento econômico, a desordem social, gerando violência e perturbações de toda ordem.

Na constatação de que a baixa escolaridade – o jovem, em média, tem 8,5 anos de estudo – é entrave ao desenvolvimento, o Banco Mundial (Bird) apresenta um trabalho em que demonstra o tamanho do estrago que ela traz ao social e ao sistema econômico. Apresenta um relatório “Jovem em situação de risco no Brasil”, divulgado em 25 de julho p.p., mostrando que os custos para o País são muito mais amplos: violência, aids, gravidez precoce, desemprego, abuso de drogas e álcool. Custos não só em despesas diretas do País, quanto no que esse jovem deixará de produzir para si e para o País.

O Banco Mundial conclui que o Produto Interno Bruto (PIB) deixa de crescer meio ponto percentual por ano, porque um grande contingente de jovens não consegue terminar a escola, não consegue aprender. Essa porcentagem, explica o Banco, significa que em uma geração (30 ou 40 anos, neste caso) o Brasil deixa de ganhar R$ 300 bilhões, o equivalente a 16% do Produto Interno Bruto.

O Banco conclui que “a baixa acumulação de capital humano permite antecipar uma futura geração que não será competitiva nem na região, nem no mundo”. Mostra que o número de jovens, que chega ao ensino superior no Brasil, é o menor da América Latina. A pobreza, aliada à incompetência escolar, faz com que todos os demais riscos aumentem.

Assim, uma nova escola deverá surgir, na conscientização da boa educação a ser dada aos jovens, a essa parcela da população mais importante do processo de desenvolvimento do País. Se se conseguir avançar nessa direção, os demais problemas decorrentes serão amenizados.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2007)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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