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Artigos Educacionais

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UMA LIÇÃO DE PEDAGOGIA

Izabel Sadalla Grispino *

É preciso acordar para a importância da educação infantil. A proposta do prof. Giannetti, relatada por mim no artigo anterior, deve vir acompanhada de processos de melhorias de ensino.

Antes de chegar ao ensino fundamental, o aluno deverá ter percorrido as etapas da educação infantil, ter sido, devidamente, estimulado e respeitado nas diferentes fases do desenvolvimento infantil.

Hoje, a conclusão é de que a educação infantil é estratégica par o futuro do País. A educação de zero aos 6 anos constitui a grande lacuna do nosso sistema escolar. A primeira infância é o período mais importante na formação do indivíduo. Nessa fase se formam valiosas sinapses neurológicas e se constroem os fundamentos da nossa representação simbólica do mundo.

O cérebro desenvolve-se nos primeiros anos de vida. É na faixa etária de zero a 3 anos que se formam 90% das conexões cerebrais. As pesquisas científicas, há tempo, destacam a importância da educação infantil no desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e social das crianças. Quanto mais cedo a criança ingressa na educação infantil maior é o seu aproveitamento escolar e melhor sua conduta social.

Há estudos comprovando que as crianças que freqüentaram creches e pré-escola tendem a obter maior sucesso profissional em comparação com as que foram matriculadas no ensino fundamental sem passar pelo ensino infantil.

Além do ensino fundamental, é preciso enfatizar a importância da educação infantil, ensino que eleva o aproveitamento dos alunos no ensino fundamental, principalmente os de famílias de baixa renda.

O Brasil tem muito que avançar no ciclo da educação infantil. Este ciclo e o ciclo fundamental são ciclos decisivos para preparar as novas gerações para enfrentar o competitivo mercado de trabalho.

O relatório da Unesco sobre educação infantil, lançado recentemente – novembro de 2006 – em Nova York, coloca o Brasil entre os piores na área de educação infantil, em todo o mundo.

Elevar o nível de ensino é conhecer os pontos de estrangulamento do sistema e enfrentar as dificuldades. Na passagem do conhecimento temos a macroabordagem, que envolve a filosofia da escola, sua linha pedagógica e todo o contexto educacional vigente, e temos a microabordagem, que se resume, especificamente, na relação professor-aluno. É quando o conhecimento vai acontecer. Aqui o maior peso recai para a vocação docente. Quando se ama o que se faz, quando se sente compromissado com a causa, esta se realiza.

O grande educador, o educador de todos os tempos, Renato Alberto T. Di Dio, dizia: “Os docentes equilibrados e estudiosos tomam decisões com a propriedade que emana do bom senso”. Acrescentava: “Com equilíbrio e bom senso, qualquer teoria, qualquer método funciona”.

Numa palestra, realizada para os formandos do Magistério, elucidei um aspecto afetivo do ensino-aprendizagem, com minha poesia: “Uma lição de pedagogia”. Meu filho, sério, me perguntou, / Por que a senhora sempre grita? / Ontem me deu ordem, não conversou, / Hoje, mais parece acesa pipa! // Papai é diferente, mais amigo, / Vive alegre, me compreende, / Dialoga, papeia comigo, / Me estimula, me apóia sorridente. // Foi ducha fria na minha cabeça: / Ando vazia de amor, rancorosa, / Espalhando ira, sempre chorosa. // Ao invés de proferir fria sentença, / Cultive a rosa, aqueça a complacência, / Educar é fruto de amor, de paciência.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2006)

CONTEXTUALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Um dos aspectos que vem se tornando ponto pacífico na metodologia educacional é a contextualização do currículo. A educação contextualizada vem sendo observada em todos os graus de ensino e em todas as regiões do País: o ensino aproximando-se da cultura, da região, de quem aprende. É o ensino se revestindo da identidade de seu aluno.

O currículo apresenta termos locais, como costumes, moradias, famílias, artesanatos, comércio, agricultura, literatura e outros. Os livros didáticos passam a levar em consideração características regionais, bem mais que universais.

Os educadores sabem que não se explica, por exemplo, a maré para uma comunidade de pescadores da mesma maneira que se ensina para crianças de uma região afastada de rios e de pesca. Assim, as crianças recebem material para diferentes realidades, diferentes situações.

Os livros didáticos de hoje observam região, cultura e etnias. Observam a realidade concreta do aluno, estimulando a aprendizagem. A educação contextualizada dá sentido às áreas do conhecimento. O aluno acaba entendendo o motivo de estar aprendendo determinado assunto e passa a se interessar por ele, a tomar gosto pelo estudo. A escola dessa maneira passa a usar uma boa estratégia de inclusão, aborda o preceito “conhecer para valorizar”.

Vários são os exemplos de contextualização da educação, de escolas que buscam na sua realidade idealização de projetos, que englobam aspectos sociais vividos por seus alunos. Uma escola municipal da cidade de Curitiba acolheu idéias de alunos e adotou o hip-hop, integrando-o à rotina escolar.

Alunos que apresentavam dificuldade no aprendizado, alunos que engrossavam a lista da evasão e da repetência, passaram a ser objeto de atenção por parte da escola. Eram grupos de alunos que se interessavam pela dança, eram dançarinos de rua, fugiam da escola para dançar com os colegas, nas praças do bairro. Na escola eram indisciplinados, impacientes, desinteressados, porém, na dança se revelavam exatamente o contrário. A escola, mudando de estratégia, passou a apoiar os alunos dançarinos, entender a sua dança, descobrindo belezas nesse dançar, nos movimentos de cabeça, nos contorcionismos e nas letras de seus raps, que eram uma forma de crítica social. Percebeu uma música sincronizada com os movimentos corporais. A escola deu a esse grupo o direito de ensaiar as coreografias no pátio. Eles mesmos realizaram os grafites que ilustram a escola e as camisetas do grupo.

Esses alunos ao se sentirem compreendidos em seus ideais, valorizados no seu potencial, desenvolveram auto-estima e passaram a estudar mais. Entusiasmaram-se porque sabiam que tinham um espaço e hora para dançar. Coordenar a dança com os estudos foi a grande motivação para que não abandonassem a escola e se tornassem bons alunos. Uma das cláusulas do projeto era de que só permanecia no grupo quem freqüentasse as aulas e tirasse boas notas. A música e a dança os encaminhavam para a realização também nos estudos.

A direção da escola entendeu, inteligentemente, que deveria trazer para dentro dela o que mais gostavam de fazer fora dela. A escola colocou-se com competência, utilizando-se das músicas, que privilegiam temas sociais, que combatem a discriminação, que passam ensinamento sobre sexualidade, drogas e educação, para orientar, para ensinar valores, comportamentos sociais saudáveis. O movimento hip-hop passou a ser um escudo contra o mal, contra o mundo das drogas e do vandalismo.

A escola encontrou uma forma de ajudar e de mostrar uma realidade que caminha junto com a cultura popular, extraindo dela ensinamentos gerais. O grupo de dançarinos passou a ser convidado a se apresentar em eventos da cidade, elevando o nome da escola.

Competência e motivação dos professores são fundamentais para o sucesso de suas programações, de seus projetos normais ou alternativos. O modelo de educação hoje é aquele que se aproxima do contexto escolar, modelo moderno, condizente com a realidade das cidades, onde não se pode desconsiderar os altos índices de criminalidade da infância e da adolescência, os altos índices de envolvimento dos jovens com a droga, com a violência. O aluno, na escola, aprendendo, divertindo-se e desenvolvendo suas tendências, ficará preso a ela, afastando-se das más influências da rua.

A escola contextualiza quando retrata sua comunidade, observa aptidões, torna-se solidária, participando dos problemas mundiais. Leva para o currículo assuntos de relevância social. A didática para a modernidade aborda a teoria construtivista, a teoria sócio-interacionista, que vê o indivíduo como resultante de um processo sócio-histórico, resultante do meio em que vive. Deixá-lo se desenvolver no seu meio, de acordo com seu potencial, é um de seus grandes primados.

O currículo contextualizado passa a imagem da própria vida, a aprendizagem é extraída das situações encontradas. A escola cria projetos que vão de encontro ao perfil do aluno, de suas características, despertando assim seu interesse, atraindo-o ao ensino. Ela está sempre aberta a novas táticas de abordagem. É uma escola que atua de forma integrada e responde aos anseios dos alunos, desenvolvendo suas competências e habilidades, responde aos anseios da comunidade; integra-se e ajusta-se à sua clientela.

A escola é uma instituição receptiva, não uma ilha isolada. Compartilha da vida de seus alunos, da vida social. A contextualização leva à resolução dos problemas do dia-a-dia e coloca os objetivos do ensino próximos da sala de aula.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em julho/2005)

EDUCAR PARA A ARTE

Izabel Sadalla Grispino *

Reclama-se da escola um projeto sério sobre arte, arte vista em sua multifacetada manifestação. Um projeto que dê ao aluno uma cultura abrangente, que reforce e difunda os valores artísticos de nossa terra. Que ensine a história de nossa música, nossa pintura, nossa poesia, nossa dramaturgia, nossa dança através dos tipos.

Tendo em vista as comemorações que, durante todo este ano de 2002, celebrarão os 80 anos da Semana da Arte Moderna, e o centenário de Carlos Drummond de Andrade, a arte vem a se tornar um tema oportuno,  oportuno levantar e debater sobre a educação artística. O que se nota, hoje, é uma educação artística ineficaz, incapacitada de despertar um interesse maior pela arte, nos alunos, vista, de preferência, como mera recreação.

A importância da Semana da Arte Moderna, ocorrida em São Paulo, no Teatro Municipal, de 11 a 18 de fevereiro de l922, com o objetivo de difundir o novo ideário estético. Constou de três espetáculos em que se exibiram a prosa, o verso, a música, a dança de vanguarda e uma exposição de artes plásticas que expressava as modernas tendências da pintura, escultura e arquitetura. Ela foi um marco fundamental do movimento modernista, esperava renovar a mentalidade nacional, criar a autonomia artística e literária do Brasil, descortinando, para nós, o século XX, colocar o País na atualidade do mundo. Que a escola faça os jovens conhecerem os seus grandes expoentes, como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, a poesia de Cassiano Ricardo, Carlos Drummond  de Andrade,  Cecília  Meirelles, a escultura de Victor Brecheret, a expressão artística de Anita Malfatti, a pintura de Tarsila do Amaral, entre outros.

Que a escola faça os jovens conhecerem a nossa música, clássica e popular, passando por Vila Lobos, Ernesto Nazaré, Chiquinha Gonzaga, Zequinha de Abreu. Conhecerem a eclosão da bossa nova, com Vinícius de Morais, Tom Jobim, João Gilberto, a revolução tropicalista, com Caetano Veloso e Gilberto Gil, suas causas, seus efeitos. Que leve os jovens a conhecerem a importância dos Beatles para a juventude dos anos 60, seu legado, a ruptura causada nos valores e nos padrões estéticos da época.

A arte está ligada à história. Arte e história refletem-se, explicam-se. A boa formação do professor, nessa área, é essencial para que ele seja capaz de dominar conceitos e técnicas das diferentes manifestações artísticas, ampliando os horizontes culturais do aluno. A arte é uma forma de abrandar a alma, de aplacar a revolta, de conduzir o indivíduo para o culto do belo, do sublime, do humano, da solidariedade.

Da maneira como está sendo enfocada, a educação artística torna-se uma matéria inexpressiva, sem conexão com as demais disciplinas do currículo. O MEC e o Instituto Itaú Cultural uniram-se para divulgar a arte brasileira nas escolas, mostrando o passado, analisando o presente, revelando a caminhada que permitiu chegar onde chegou, dando aos jovens armas para distinguir o bom do ruim, valorizar o bom. A arte ajuda o professor a incentivar entre os alunos cooperação e não competição. Ajuda-os a desenvolver habilidades específicas, a descobrir o potencial do aluno para a arte. As características individuais sendo incentivadas formarão um ser humano mais realizado, com personalidade mais ajustada, mais confiante. Hoje, a escola prima pela individualidade, inclusive pela individualização do currículo.

O programa prevê a distribuição de cartilhas, orientando sobre o uso interdisciplinar da arte e instalação de museus em 1.500 escolas do ensino médio, que receberão exposições itinerantes. É o momento de a escola interessar-se pelo programa e buscar maiores informações.

O que se quer com a parceria MEC e Itaú Cultural são impulsionar a arte em todas as suas modalidades e de forma consistente. Só o conhecimento produz a verdadeira transformação, seja na arte, seja na ciência, seja na vida.

A psicologia cognitiva mostrou que os seres humanos possuem diferentes modos de representar os significados e de compreender a natureza. Estudos recentes sobre a inteligência e habilidades humanas tendem a concluir que possuímos várias formas de inteligência. Desde o começo do último século, os psicólogos acreditavam que havia uma única forma de inteligência que podia ser diretamente mensurada pelos tradicionais testes de QI (Quociente Intelectual). Atualmente, há inúmeras pesquisas sugerindo a existência de vários e diferentes tipos de inteligência. A teoria das inteligências múltiplas supõe a existência de 8 ou 9 formas de inteligência: lingüística,  lógico-matemática,  espacial musical, corporal cinestésica, interpessoal, intrapessoal, naturalística e, ainda, a inteligência existencial. Segundo a teoria, nós possuímos todas estas formas de inteligência, mas nenhum de nós, mesmos os gêmeos idênticos, possuem o mesmo conjunto de inteligências num mesmo momento.

A maioria das escolas focaliza quase que exclusivamente só duas formas de inteligência: a lingüística e a lógico-matemática. Os sistemas de educação formal têm, de um modo geral, ignorado as outras formas de representação mental e de compreensão da natureza, tais como as formas artísticas (musical), atlética (corporal-cinestésica), pessoal (conhecimento de outros e de si próprio) que estão presentes e que devem ser ativadas.

Assim como para formamos leitores precisamos viver o livro na sala de aula, do mesmo modo para formarmos artistas, temos que viver a arte na sala de aula.

Desse modo, a música, a arte em geral, que é uma expressão, uma  face da inteligência, não pode ser esquecida, relegada, porque ela é um caminho cultural, caminho de solidariedade e de descoberta de vocação.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2002)

HABILIDADES DE APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

A educação é a principal chave de abertura para um esperançoso futuro. Entender a clientela escolar, em suas manifestações em sala de aula, é, talvez, a maior estratégia da escola. Ela trabalha com crianças digitais e eletrônicas, mas sem deixar de ser crianças. A diversidade, a diferença comportamental pedem o difícil atendimento individual, tratar cada criança como se fosse única.

A experiência tem demonstrado que é melhor ter alunos desregrados, dispersivos, mas conectados e inventivos, que alunos bem comportados e obedientes, mas isolados, pouco comunicativos.

O aluno, às vezes, mostra uma participação excessiva, excessiva vontade de confrontar, gerando atrito, certo desconforto; mas são esses alunos que, comumente, alçam vôo e não os regulados por ordens superiores, sem a ousadia de externar opiniões, participar de decisões, privando-se de se tornar sujeitos ativos no processo do conhecimento. O aluno, emancipando-se, caminha com mais autonomia pela vida afora.

Há toda uma rede de informações implícitas nos comportamentos expressos pelos alunos. Dessa maneira, o professor pode levá-los ao autoconhecimento, proporcionando-lhes a segurança necessária para vencer desafios, para conviver com as diferenças e adaptar-se mais facilmente às transformações da sociedade.

Um grande desafio, hoje, da escola é a formação de uma boa equipe de trabalho. Só com um pessoal bem treinado, altamente qualificado e comprometido com a educação, é possível formar alunos construtivos e idealistas. O corpo docente, na atualidade, investe na carreira como pesquisadores e como professores. Formula projetos pedagógicos com diretrizes modernas e ambiciosas, onde o aluno, jamais sujeito passivo, deixa de opinar e interferir.

Um outro aspecto de escola, que luta para garantir motivação aos alunos da geração web, é contar com professores especialistas em pedagogia e em informática, capazes de dominar os recursos de última geração.

Além de um eficiente sistema de orientação de estudo, a escola necessita ter um revolucionário material didático multimídia, um portal de educação, salas do futuro. Seus profissionais desenvolvem e trazem para a sala de aula, de forma integrada, os principais e mais avançados recursos tecnológicos educacionais, especialmente no ensino médio. As mais renomadas escolas oferecem um completo portal da Internet, que permite integração com o ambiente escolar a alunos e familiares.

Educar para a modernidade exige abrangência de conhecimentos, atualização constante e visão aprimorada do contexto social, nacional e internacional. Exige um profissional de caráter renovador, antenado ao mundo. Pagar  bem os professore é uma forma de estimulá-los a se aprimorar e a corresponder à exigente sociedade contemporânea.

* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em julho/2007)

ATITUDES E SABERES CONJUGADOS

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, de hoje, atua dentro de conceitos abrangentes, em benefício da educação integral do aluno, conceitos que vão além da transmissão do conhecimento. Ao lado do conceito “sujeito de direito”, assunto por mim abordado em um artigo anterior, ela trabalha, por exemplo, o conceito de saúde alimentar. Preocupada com a saúde da criança, com problemas de obesidade, acarretando, já na infância, alta de colesterol, de triglicéride, provocando doenças cardíacas, renais, passa princípios de boa nutrição. Ensina alunos, pais, comunidade escolar, a importância de uma comida balanceada. As cantinas são orientadas a substituírem lanches, como hamburgueres, batata frita, frituras em geral, alimentos de alto teor calórico, refrigerantes, por sucos naturais, por pouco doce e por salgadinhos menos gordurosos.

Em casa, os pais devem estar atentos a certas atitudes, como: “Tome toda a sopa ou coma a salada, para ganhar a sobremesa”. Passa a idéia de que tomar sopa não é gostoso, mas a sobremesa é o máximo! A criança pode passar a não gostar de sopa a vida toda. Do mesmo modo, tornar a ida à lanchonete um programão, faz a comida de casa ficar meio sem graça.

É bom lembrar de que se deve educar pelo exemplo; os jovens prestam mais atenção nos atos dos adultos que em suas palavras. Crianças que desde cedo estão acostumadas a ver pela casa frutas e verduras, sucos naturais e pais que não são sedentários terão mais facilidade em desenvolver um estilo de vida adequado.

Hipócrates, médico grego, tido como o pai da medicina, já dizia: “Somos o que comemos”. Muito além da preocupação com a obesidade, precisamos estar atentos à nossa saúde. A medicina, hoje, confirma que a alimentação saudável previne uma série de doenças crônicas degenerativas, como o câncer ou o diabetes.

Em termos de saúde, outra preocupação da escola recai sobre a postura correta do aluno, o peso, nas costas, das mochilas, que tanto afeta a coluna vertebral. É um trabalho de educação que quer que o aluno se sinta amado, protegido.

Geralmente, as crianças não verificam quais as aulas do dia e acabam levando para a escola o material de todas as disciplinas, aumentando o peso nas costas. Essa é uma característica que deve ser trabalhada por pais e professores, porque o aluno pode carregar, na mochila, no máximo 10% de seu peso, conforme recomendam os ortopedistas pediátricos. Mais que isso, pode causar vícios de postura, dores musculares, lombalgia e até problemas no crescimento, revelam estudos ortopédicos.

Entre as crianças pequenas, as mochilas pesam pouco, o problema é maior entre alunos das últimas séries do ensino fundamental e médio, devido ao aumento do número de disciplinas e conseqüente aumento do número de livros. Nessa faixa de idade, os alunos, de um modo geral, recusam-se a levar mochila com rodinha, porque acham que é coisa de criança e acabam apresentando dores freqüentes na coluna.

A diversificação educacional faz da escola de hoje uma instituição vista como a grande auxiliadora no entendimento das reações humanas e psicológicas do aluno. Aborda problemas comportamentais de muita ajuda aos pais, como, por exemplo, educar para a verdade. Entra num terreno bastante vivenciado pelos pais, como o fato de mentir, e que faz parte do comportamento infantil.

As crianças mentem, seja para expressar um desejo ou esconder um malfeito. Elas fazem uso desse artifício por se sentirem inseguras em dizer a verdade. O que mais querem é ser amadas e aceitas, sempre. Quando isso acontece, a orientação é de dar atenção, de ter firmeza e diálogo, para trazer as crianças de volta ao caminho da verdade. Mostrar o que é correto com firmeza, explicar-lhes que para se viver em sociedade regras devem ser cumpridas. A preocupação com a mentira é tão importante como a forma de se relacionar e de entender a mensagem da criança que está nas atitudes. Fantasiar, brincar de faz-de-conta, fazem parte do desenvolvimento infantil, ajuda a criança a se expressar e a enfrentar seus medos e anseios.

 

Contudo, para a boa educação, o ideal é que a mentira seja cortada pela raiz, orientando com compreensão, discutindo, com atenção e respeito, sobre o certo e o errado. Fazer a criança sentir que sobre mentiras não se constrói uma relação de confiança.

A psicoterapeuta infantil Violeta Daou Queijo explica com propriedade: “A criança amadurece na fantasia e entra, aos poucos, em contato com o mundo real. Nesse processo, o companheiro imaginário a escuta e partilha suas aflições sem repreendê-la. Preservar a vida imaginária da criança é permitir que ela viva essa experiência inteiramente, sem repressões ou bloqueios, que enriquece a vida. Aos  poucos, por si mesma, ela vai diferenciar a

fantasia da realidade. Não há uma idade exata para isso acontecer. Cada criança é única e tem o seu próprio tempo”.

Os pais ajudam a criança a se desenvolver bem, ensinando-a a partilhar seus pertences. Estimular a convivência com outras crianças, seja trazendo amigos para casa ou deixando que ela durma, às vezes, na casa de amigos e motivá-la à prática de esportes coletivos, são comportamentos que arejam a mente infantil.

Escolas competitivas estimulam a individualidade. O aluno, vivenciando uma socialização saudável, tende a enfrentar melhor a verdade e mais tarde os fatos da vida. Por isso, as escolas devem dar mais atenção ao relacionamento e realizar trabalhos em grupo. Escolas e pais devem impor limites, mas, sem restringir demais a vida da criança. Austeridade em excesso acaba podando o seu desenvolvimento.

Educação é processo integrado. Atitudes e  saberes não devem ser separados. O indivíduo é um ser por inteiro, englobado em mente, corpo e alma. Não é um ser compartimentado. É com esse entendimento que a escola renovada se encaminha.

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em julho/2005)


* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em julho/2005)

A ESCOLA E A VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL

Izabel  Sadalla Grispino *

Como pode a escola exercer seu papel de coadjuvante da transformação social? Sabemos que escola e sociedade se integram, se interagem. São interfaces que se refletem, que se completam: uma recebe o produto da outra. O projeto pedagógico da escola deve contemplar a realidade vivida pelo aluno, seu cotidiano; contemplar o contexto socioeconômico-cultural, no qual se insere. A contextualização é matéria-prima do currículo. A análise reflexiva do comportamento social é vital para a performance da escola. Os alunos que a freqüentam saem da sociedade, é dela parte integrante. De que características se reveste a sociedade de hoje?

No cotidiano social vivenciamos a violência, a fome, a corrupção, o desemprego, tudo banalizado pela alta freqüência. Estamos nos tornando uma comunidade anestesiada pela repetida violência, que vai minando o organismo social. Presenciamos, em larga escala, uma juventude desajustada, psicologicamente envelhecida, deixando, no uso da droga, a própria capacidade de sonhar. O número da delinqüência juvenil vem aumentando em progressão geométrica. A miséria moral se configura no seio social.

As causas da violência, apontadas por especialistas, ajudam no entendimento e na colaboração que cada instituição – família, escola, igreja, justiça, polícia... – pode dar. Pesquisas realizadas nessa área mostram várias causas, todas girando em torno da família. A ênfase é dada à desestruturação da família. A destruição do casamento vem trazendo uma pesada fatura. A ruptura familiar produz na criança, no jovem, o “rasgão afetivo”, responsável pelo comportamento desajustado.

Resgatar a juventude significa recuperar o conceito de família. Subverte-se a escala de valores da ordem social e com ela vem a desintegração da família, caracterizada como um grave problema do nosso tempo. Evidencia-se o advento de uma nova civilização, com outro quadro de valores, gerado pelas mutações das épocas. Mas, dentro de toda essa mudança, algo deve ser revisto, repensado, como medida salvadora, em termos da união da família, de fortalecimento dos laços familiares.

O número de casas sem pais vem crescendo assustadoramente. Pais ausentes, filhos delinqüentes, diz a regra. Pais fora de casa, filhos entregues à “babá eletrônica”, com maléficas conseqüências. A ausência de vínculos afetivos gera introspecção, frieza, revolta. Família sadia é ainda a melhor receita para uma sociedade sadia. Família que reza unida, permanece unida, nos ensina a Bíblia Sagrada e a sabedoria popular nos adverte: “Colheremos o amargo fruto que a nossa omissão ajudar a semear”.

Violência e droga são aspectos afins,  ambas se prendendo à crise familiar. Uma pesquisa do Ibope, realizada em fins do ano de 1999, em cinco capitais brasileiras, concluiu que os conflitos familiares, o declínio da família, são a principal causa da entrada dos jovens no mundo da droga. De cada 100 adolescentes entrevistados, 35 alegaram que se drogavam para fugir dos problemas familiares. O segundo motivo, a necessidade de ser aceito pelo grupo, vem bem atrás, 15% dos jovens visitados. Um estudo do Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas  (Cebrid), em setembro de 1999, mostrou que 26% dos jovens brasileiros usaram algum tipo de droga, legal ou não. Hoje, esse número, estima-se ser maior. Nas famílias problemáticas, esse índice é bastante superior.

Uma segunda causa apontada para o crescimento da violência infanto-juvenil são os jogos eletrônicos. Uma pesquisa realizada, durante 5 anos, pela psicóloga Paula Gomide, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, com 500 crianças e adolescentes, relata: “Cumulativamente, os efeitos da exposição contínua à violência podem causar sérios danos psicológicos”. Especialistas endossam essa afirmativa, demonstrando forte conexão entre a violência transmitida via entretenimento e sua dramática transposição para a vida real. Um dos videogames de maior sucesso, o Carmageddon, revelou-se um autêntico laboratório de crime e perversão. Um garoto de 12 anos assim se manifestou: “Eu acho dez o Carmageddon. É engraçado ver todo mundo se despedaçando. Eu adoraria poder jogar o carro em cima dos pedestres, principalmente idosos. É legal ver o velhinho sair correndo e a gente atrás”. É uma apologia ao comportamento destrutivo, indiferente ao sofrimento humano, antes, estimulador.

Essa precoce carga de perversidade, estimulada pelos jogos eletrônicos, pode ser mais uma origem de comportamentos patológicos, excessivamente agressivos.

Outras causas são apontadas por especialistas; refletiremos sobre elas na próxima semana.

Baseada em minhas observações e conduzida pelas luzes da Psicologia Comportamental, convido meus leitores a refletirem sobre minha poesia “Estrutura familiar”.

ESTRUTURA FAMILIAR

Pai e mãe, suporte físico e moral,
Estrela-guia das pedras do caminho,
Anjo que fortalece o emocional,
Que dá ao filho a dimensão do espinho.

Pai e mãe, da criança o porto seguro,
Navegando juntos, o alvo é certo,
Em segurança, encara o futuro,
Tendo o amor e a proteção por perto.

Pai e mãe separados, filhos bloqueados,
Crescem divididos, sem referência,
Passam a existência desencontrados.

“O que Deus uniu, o homem não separe”,
Sabedoria bíblica em evidência,
Sua válvula de escape, repare!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2001)

ENSINO MÉDIO EM FINS-DE-SEMANA

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino médio passa por um processo alternativo. Agora, o aluno desse ensino poderá cursá-lo em fins-de-semana, em São Paulo. Jovens e adultos – de 18 a 29 anos – poderão, pelo projeto Escola da Juventude, lançado em fevereiro do corrente ano, cursar o ensino médio em até um ano e meio. Segundo informes da Secretaria da Educação, o curso terá uma dinâmica diferente dos cursos tradicionais de educação de jovens e adultos. Pretende-se usar novas tecnologias para acelerar o processo de aprendizagem, laboratórios de informática, salas de vídeos e um portal na internet.

Para participar, o aluno deve ter concluído o ensino fundamental e efetuar matrícula diretamente nas escolas participantes do projeto. Inicialmente, a Escola da Juventude atenderá 300 escolas estaduais da capital e alguns municípios da grande São Paulo e do interior do Estado, num total de 30 mil vagas, sendo 100 por unidade.

O curso de ensino médio da Escola da Juventude está dividido em três tipos de atividades: curriculares presenciais, organizados em 4 módulos, sendo um optativo no sábado pela manhã e um obrigatório à tarde. No domingo, a situação inverte-se. Haverá no mínimo uma hora e meia por final de semana de atividades de inclusão digital, e atividades individuais durante a semana, sugeridas em classe e constantes dos materiais impressos.

Na sala de aula, o aluno contará com um orientador de estudos e na sala ambiente de informática, com um monitor para auxiliá-lo a tirar suas dúvidas. O curso desenvolver-se-á em módulos e o aluno terá flexibilidade para freqüentá-lo segundo sua disponibilidade de tempo. A avaliação será contínua, havendo provas freqüentes e, ao final do semestre, exame para a conclusão do módulo. A certificação será dada após a aprovação em todos os módulos, depois de 18 meses de atividades.

A programação parece bem pensada, bem organizada, agora é torcer para que esse curso abreviado de ensino médio, dado em fins-de-semana, não venha frustrar quanto à qualidade, fazendo o ensino decair ainda mais. As escolas devem passar avante a informação, deixando os alunos a par dessa recente inovação.

Um ensino médio com carga horária assim reduzida é prato de balança que oscila entre duas perspectivas. Permite ao aluno avançar em anos de escolaridade, ultrapassando os graus de ensino, engrossando as estatísticas, mas pode pôr em cheque a meta qualitativa. O ensino médio de um ano e meio favorece, é verdade, o aluno continuar na escola, afastando-o da rua, da ociosidade. Ajuda-o a não interromper o processo de estudo e a se afastar da violência.

Segundo a Unicef, o aumento da violência é proporcional à queda da escolaridade do adolescente, considerando que a sua cidadania depende da conciliação da educação formal com cursos profissionalizantes. Aponta que apenas 33% de jovens brasileiros, com idade entre 15 e 17 anos, freqüentam o ensino médio. Dentre as crianças que trabalham, a taxa de analfabetismo é de 20,1%, contra 7,6% entre as que não trabalham. Conclui que o problema da violência requer ação efetiva de toda sociedade e que sua solução passa necessariamente pela melhoria da escolaridade e profissionalização dos jovens, dentre outras medidas coerentes com aplicações socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Estatísticas comprovam que no Brasil o número de adolescentes que morrem violentamente supera o número de mortes nos países em guerra, como no Iraque, onde se calcula que 150 mil civis morreram na invasão movida pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha. Entre nós, mais de 24 mil jovens de 15 a 19 anos tiveram morte violenta em 2004, marcando um sangrento recorde mundial. Revelam as pesquisas que os adolescentes são, em geral, mais vítimas que autores da violência que os destrói.

Cerca de 68% das mortes de adolescentes no Brasil, com idade entre 15 e 19 anos, são provocadas por causas externas, como homicídios, acidentes de trânsito e suicídios. Perto de 10% de todos os crimes e delitos praticados no País são cometidos por adolescentes, o que causa séria preocupação.

A juventude está morrendo e está matando, e há fortes convicções de que esse quadro se modificaria se mais jovens estivessem na escola. Sob esse prisma, o ensino médio em fins-de-semana, conjugando estudo e trabalho, poderá ajudar, se conduzido por professores habilitados e interessados no processo, porque o mercado de trabalho considera prioritariamente a qualidade e não a quantidade de anos passados pelo aluno na escola.

Exigências do mercado levam as empresas de pequeno e médio porte a contratar pessoal qualificado na mira da adoção do selo de boas práticas trabalhistas, acompanhando as grandes empresas. Atuar com qualidade favorece o diferencial competitivo da empresa como foco na responsabilidade social. As pequenas empresas são as que têm até 99 empregados, no caso da indústria, e até 49, no caso de comércio e serviços. As de médio porte têm até 499 trabalhadores na indústria e 99 no comércio e serviços. O selo SA 8000 se tornou um termômetro da importância que as práticas internas empresariais têm em uma economia competitiva. Sua importância é tal que será como avalista para o futuro. Vai excluir empresas do mercado. O selo SA 8000 cria um ambiente ético que vai além da empresa e chega à sociedade, vai além das exigências trabalhistas, dando condições dignas de trabalho a seus empregados.

A SA 8000 é um conjunto de padrões que asseguram melhorias nas condições de trabalho nas empresas, com base nos preceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Para obter a certificação, que tem a validade de 3 anos, a empresa deve estar em dia com a legislação trabalhista, banir os trabalhos escravo e infantil e assegurar o direito à associação sindical e salários justos.

Para fazer parte de uma empresa bem organizada, de porte e sucesso, para receber os benefícios da SA 8000, o pretendente deve ter freqüentado uma escola de qualidade, adquirido uma boa formação acadêmica e profissional. Caso contrário, não passará nos testes de avaliação.

Um ensino médio de bom nível é porta aberta para uma boa colocação no mercado de trabalho.  Os relatos acima são questões para se pensar.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2005)

VALORIZANDO O DEFICIENTE

Izabel Sadalla Grispino *

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (Apae-SP) lançou, em começo de abril, um selo que estimula o emprego de deficientes. A Apae trabalha em parceria com empresas que apoiam a inserção de deficientes no mercado de trabalho. Essa parceria resultou em 240 postos de trabalho, em poucos meses. A mensagem passada pela Apae é de que, em vez de valorizarmos a deficiência, valorizemos a potencialidade do deficiente, que, embora não sendo igual ao mais evoluído, tem um alcance que é dele. Há muitas tarefas que ele pode cumprir e bem. Os deficientes passam por um período de aprendizado antes de ser ou não contratados como funcionários das empresas que fizer a parceria com a Apae.

Embora trabalha-se muito o preconceito, ele ainda é bastante forte na sociedade. Um estudo encomendado pelas Olimpíadas Especiais mostra resistência à integração de deficientes mentais. A pesquisa, envolvendo 8 mil pessoas no Brasil, China, Egito, Alemanha, Japão, Nigéria, República da Irlanda,  Irlanda  do Norte, Rússia e Estados Unidos, constata que a maioria das pessoas entrevistadas tem visão preconceituosa do deficiente. O preconceito impede que os portadores de deficiência mental tenham melhores oportunidades na sociedade.

As pessoas opinam achando que os deficientes devem estar em escolas segregadas, não em escolas regulares, e que eles não têm condições de lidar com as situações do dia-a-dia. Stephen Corbindeão, da Universidade Olimpíadas Especiais, que patrocinou o trabalho, diz que a visão pejorativa do passado persiste, mesmo nos Estados Unidos, que se mostram como um país avançado nessa área. Termos pejorativos, como idiota e retardado, são freqüentes na pesquisa, que revelou uma enorme oposição à integração do deficiente. Apenas 14% dos entrevistados acham que os deficientes podem praticar esportes com atletas “normais”. Só 25% acreditam que possam viver por conta própria ou em casa com supervisão e 21% aceitam a idéia de que eles freqüentem escolas regulares.

Essas opiniões negativas repercutem desfavoravelmente à integração e à realização do deficiente na sociedade. A visão da maioria dos entrevistados é de que os deficientes têm condições de cuidar de sua higiene pessoal e vestir-se sozinhos, mas acham que eles não conseguem lidar com situações de emergência, nem entender o noticiário. Acreditam, também, que a presença de deficientes mentais em escolas e locais de trabalho aumenta o risco de acidentes.

A pesquisa conclui que esses dados “têm conseqüências graves e negativas para os 170 milhões de deficientes mentais do planeta. A atitude em relação aos deficientes é mais dura nos países menos desenvolvidos, onde os recursos para educação e apoio são reduzidos”.

2003 é o 1.º ano que as Olimpíadas Especiais se realizaram fora dos Estados Unidos. Mais de 7 mil atletas com deficiência de mais de 160 países passaram 4 dias em junho, em eventos culturais, em cidades e aldeias da Irlanda.

Estímulos à reintegração de deficientes surgem em amplos setores. A Biblioteca Braille, por exemplo, permite acesso à internet aos deficientes visuais. Uma exposição, em julho p. passado, denominada Olhos da Alma – Artes Plásticas para Deficientes Visuais, no Centro Cultural São Paulo, composta por 12 quadros em alto-relevo e instalações sensoriais que estimulam os sentidos e a imaginação das pessoas portadoras de deficiência visual, surpreendeu pelo número de visitantes que normalmente não freqüenta o centro cultural. O diretor do Centro, Augusto Calil, diz que “é realmente comovente acompanhar a emoção da descoberta quando eles tocam as obras”.

A exposição foi sugestão da IBM do Brasil que fez parceria com o Centro Cultural de São Paulo. A IBM organizou a mostra e doou à Biblioteca Braille um servidor, 17 computadores NetVista, uma impressora, que agiliza a produção de livros em Braille, e um software especial, Home Page Reader, que permite aos deficientes visuais navegarem pela internet. A impressora é um aparelho importado dos Estados Unidos, que permite tanto a impressão em apenas um lado da folha como também na frente e no verso. Isso vem de encontro às necessidades de certos deficientes que não conseguem uma boa leitura em livros com caracteres impressos em todas as páginas.

Os computadores que permitem acesso à internet tornaram-se motivo de encontro de deficientes. Antes, eles passavam pelo Centro Cultural apenas para levar material para casa; agora, torna-se extensão de sua casa, observa Augusto Calil. Criou-se uma boa integração entre eles, os freqüentadores e os funcionários da biblioteca.

Os deficientes são orientados a navegar na rede mundial por meio de diferentes vozes, que narram o que estão visualizando na tela naquele momento e indicam os próximos caminhos a serem seguidos. A freqüência à biblioteca facilita a inclusão digital e social dos deficientes visuais, abrindo-lhes ampla visão do mundo.

A internet abre caminhos que despertam o deficiente para um melhor se conhecer, acorda-o para horizontes mais floridos, numa individualidade que lhe dá o direito de pensar e escolher dentro de valores intrínsecos de sua potencialidade. Em projetos de colaboração, os deficientes podem se conectar com outros de diferentes regiões e isso causa impacto na aprendizagem e na estimulação. Cria-se desse modo um novo modelo de política educacional e social.

Que cada um jogue a sementinha do esclarecimento, que passe avante o que aprendeu a respeito, facilitando a compreensão, afastando o preconceito e dando aos deficientes a oportunidade de um lugar ao sol a que fazem jus.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2003)

A TECNOLOGIA IRRADIANDO-SE EM TODOS OS GRAUS DE ENSINO

Izabel Sadalla Grispino *

O desenvolvimento tecnológico revoluciona a educação. Professores e alunos dispõem de amplas fontes de informação, têm acesso às mais importantes bibliotecas do mundo e podem, em qualquer lugar que estejam, conversar, trocar experiências entre si, pela internet. A avançada tecnologia utiliza uma série de ferramentas virtuais de última geração, como videoconferências e comunicação por voz, via internet.

No âmbito da sala de aula, a escola elabora uma pedagogia própria para o computador e a internet, que leva à auto-aprendizagem, à pesquisa, abre novos horizontes, desperta a inquietação intelectual.

A tecnologia aplicada como metodologia ativa traz resultados auspiciosos, em todos os graus de ensino. Ganha a aprendizagem. Na alfabetização de adultos analfabetos ou semi-alfabetizados conquista cada vez mais adeptos, colocando-se na sala de aula computadores e internet. Deixa-se de lado a cartilha, a lousa, o bê-á-bá, cria estímulos, via digital, para que o aluno, cansado do trabalho, não desista de estudar.

O uso de computadores e softwares especiais, divertidos, em aulas de recuperação, encarregam-se de prender o aluno e de levá-lo a estudar. Eles abrem espaço para a aprendizagem; o aluno torna-se mais participativo, mais criativo, com mais iniciativa.

Contudo, a tecnologia não produz efeito se o professor não souber usá-la. O bom preparo do professor para essas aulas é o segredo do sucesso. A tecnologia aliada a uma nova postura do professor atrai  o aluno, compete com a TV e os games. Com os softwares, a relação professor-aluno melhora muito, porque o professor deixa de ser um transmissor da matéria, passando a ser um mediador, um estimulador do aluno, valorizando o conhecimento que ele já tem.

O ideal seria que esse mesmo sistema atingisse, também, as aulas regulares, o que já ocorre em muitas escolas particulares, tornando-as mais interessantes. Os resultados das pesquisas parecem indicar que esse é um caminho que a escola deve seguir.

No ensino superior, várias universidades, valendo-se do recurso da tecnologia, criam o ensino a distância, colocam em prática uma modalidade de ensino, autorizada pelo Ministério da Educação (MEC), em que, por meio de aulas a distância, ministram até 20% da carga horária dos cursos regulares de graduação. Até 20% da carga horária, o aluno não precisa estar na sala de aula.

Adotam o método da inserção da tecnologia em cursos em que, até então, o computador era apenas um apoio para atividades extracurriculares e oferecem infra-estrutura de acesso para os alunos.

O ensino a distância deve ser um processo dinâmico, criativo, ficando bem além da simples digitalização do conteúdo dos livros e apostilas usados em classe. Usam-se links, animações e espaços para interação, como e-mail e fóruns de debate.

O ritmo da navegação fica por conta do aluno. Porém, tudo o que faz, assim que entra no site, é monitorado pelos professores, que verificam a freqüência, o tempo que ele passou em cada texto ou tempo que levou em cada exercício.

A tecnologia deve exercitar as habilidades do aluno, só repetir o conteúdo dado em classe não tem sentido. No início, muitos alunos se ressentem, acham falta do modelo presencial, estranham e encontram alguma dificuldade de adaptação, mas, aos poucos, aprendem a usar o programa, acostumam e passam a gostar desse tipo de ensino que vai alcançando bons resultados e ganhando credibilidade.

A tecnologia irradia sua ação para a área de segurança das escolas, como pátios, corredores, entrada ou saída, inclusive com câmeras que chegam às salas de aula. Muitas escolas do Rio e de São Paulo colocam câmeras de vídeo nas classes para monitorar os alunos, visando disciplina, comportamento, afastando pequenos atos ilícitos, como furtos de objetos, que ocorrem, às vezes, até por diversão.

Em classes mais numerosas, fica difícil controlar a desordem, as conversas, as brincadeiras, que tanto atrapalham as aulas. A vigilância das câmeras ajuda a identificar alunos rebeldes, que riscam carteiras, paredes, que furtam celulares, walkmans, estojos, cadernos... e outras travessuras. As imagens são vistas apenas por funcionários e no caso de algum problema os pais são chamados e conjuntamente resolvem a questão vexatória, como a de um aluno que roubou uma bicicleta de um colega, no pátio da escola. As áreas externas têm acompanhamento em tempo integral, nas salas de aula as cenas são gravadas e vistas depois.

A respeito do monitoramento por vídeo, todo educador sabe que o processo de educação deve ocorrer de dentro para fora e não simplesmente ser imposto. Nessas circunstâncias, pode ocorrer uma  noção falsa de ética, de moral, ensinando o aluno a camuflar. Sabendo vigiado, disfarça e longe das câmeras transforma-se, praticando o ilícito em outro lugar. As câmeras podem também criar um relacionamento construído, afastando a espontaneidade entre alunos e professores.

Monitorar por monitorar não resolve, porém, se esse controle vier acompanhado das discussões das causas emocionais que levaram ao comportamento reprovado, creio que ajudará. A observação de perto deve igualmente levar ao diálogo, à conscientização da falta, acompanhadas do trabalho educacional de orientação e de assistência.

Para que o monitoramento surta efeito prolongado ou definitivo, necessário se faz a aproximação, a confiança, o afeto entre educadores e educandos, ou entre pais e filhos.

Uma escola, com grande número de alunos, muitas vezes, vê-se obrigada a um controle mais rígido, para coibir indisciplinas, mas, nunca esse controle, por si só, resolverá um problema que é de cunho educacional. Ele apenas posterga, deixando para o entendimento das razões dos atos de delito sua elucidação, sua possível eliminação.

* Supervisora de ensino aposentada.           
(Publicado em novembro/2005)

CRIANÇAS COM SOBRECARGA DE ATIVIDADES

Izabel Sadalla Grispino *

Recentemente, deparei-me, num jornal de língua espanhola, com um tema que julguei assaz interessante, oportuno, real e que, sob a minha ótica, comento com os meus prezados leitores.

Os jovens vivem num mundo que muda num ritmo acelerado, caracterizado por pressões sociais que os fazem crescer muito depressa. São pressionados a adaptar-se a padrões familiares instáveis, a assumir compromissos, a ingressar mais cedo nas universidades, a participar e a competir nos esportes, em destrezas especializadas. Enfrentam informações e programas  para adultos antes que tenham vencido os problemas próprios da idade.

Estas pressões impõem-lhes maiores responsabilidades, causam-lhes estresse, ao mesmo tempo que redefinem a essência mesma da infância, esclarece o psicólogo Joan Isemberg.

A criança e o adolescente, de hoje, participam de atividades extracurriculares cada vez mais numerosas e exigentes. São atividades tidas como armas para o futuro, as quais, se não dosadas, podem tornar-se estressantes. Elas dividem o seu tempo entre a escola, os esportes e um sem-fim de tarefas.

A escola de meio período pode não cobrir todas as necessidades de aprendizagem da criança, mas complementá-las com uma carga pesada de atividades pode resultar em fator negativo. Muitos pais consideram que as tentações, como a TV, o computador, devem ser enfrentadas com uma agenda completa. Consideram que é preferível ocupá-la a deixá-la permanecer frente à TV, sem controle.

Depois da escola, as crianças estudam idiomas, computação, música, praticam esportes, dança, balé, não se descuidando das artes, das coisas do espírito – uma expressão artística sempre é enriquecedora.

É uma tendência deste tempo histórico social, com suas aspirações culturais, suas necessidades de conhecimento, de preparação para a vida futura. Porém, é preciso ponderar, estabelecer um equilíbrio, entre o que a criança quer e necessita e o que pode fazer sem se esgotar. Corre-se o risco de se desvalorizar o tempo livre, favorável ao amadurecimento emocional, afetivo e ao desenvolvimento da criatividade. O ócio também é bom e é preciso respeitar as etapas do desenvolvimento infantil, alertam os especialistas.

Quando o jovem está muito preso a horários, passa a viver sob tensão, diante da qual não consegue responder de maneira positiva. Começa a faltar às aulas, a se desmotivar e a produzir baixo rendimento. O excesso de exigência, com vista a uma competência refinada, cada vez mais se instala em todos os aspectos da vida.

As atividades são pensadas, pelos pais, como uma preparação necessária para um futuro mercado de trabalho exigente e competitivo. Elas sempre existiram, mas, agora, são outros os níveis de exigências, outras expectativas. Antes eram complementares ou passatempos, hoje, surge o fator competitividade, encarado não só no plano individual, mas comparado a um outro. Quando isso ocorre, pode se tornar perigoso porque coloca a criança, muito cedo, em frente de batalha.

Por outro lado, as atividades extracurriculares são importantes instâncias de socialização, principalmente para crianças e jovens muito tímidos. Surgem, contudo, dilemas entre os pais de qual o melhor procedimento: crianças agendadas ou crianças livres? Para psicólogos da área infantil, como Aurora Isasmendi, o importante é atender as demandas pessoais, não se podendo, assim, falar em regra geral. Aos pais competem observar o andamento, o rendimento, se a criança não demonstra cansaço e se não começa a fracassar nos estudos.

Nestes tempos, em que o comum são os pais trabalharem o dia todo, as atividades extracurriculares podem ser a solução para que os filhos não dispersem seu tempo, adquiram competência, não se deixando consumir pela TV. Elas são, de um modo geral, consideradas boas e necessárias, mas devem ser acompanhadas com cuidado, para não produzirem efeito negativo, reações de estresse, traduzidas por enxaquecas, dores de estômago, problemas de conduta e insônia.

É preciso apegar-se aos centros de interesses e ao desenvolvimento evolutivo de cada criança e oferecer atividades adequadas à sua idade. Pergunta-se: até que ponto estamos respeitando os ritmos evolutivos e as motivações de nossa criança e até que ponto estamos desraizando-a demasiado cedo da família? Não estamos limitando sua felicidade lúdica? Qual a educação apropriada para o desenvolvimento do nosso filho? Tentar ajustá-la às suas necessidades físicas, sociais, emocionais e cognitivas, como, também, às características sociais e ao trabalho da família.

“Desejaria que cada pai pensasse com a cabeça e agisse com o coração, que conseguisse captar o que agrada ao filho e o que o contraria”. (Isasmendi).

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em março/2001)

A CORRUPÇÃO EMPOBRECE O PAÍS

Izabel Sadalla Grispino *

Até quando viveremos sob o impacto da corrupção? Até quando este nosso Brasil ficará emperrado, sem conseguir alçar vôos? O Brasil é um País empobrecido pela corrupção. Uma terra privilegiada como a nossa, com seus invejáveis recursos naturais, está sempre pendente, sempre pendurada, arcada em dívidas, ajoelhada ao FMI. O que se constata no País é uma corrupção impregnada nos hábitos da sociedade. Constata-se a existência de grupos que passam de um governo a outro e se firmam pela impunidade. A cultura da corrupção é histórica entre nós e só um trabalho prolongado de conscientização, de estímulo à ética, aos valores morais, e desde a fase da educação infantil, poderá trazer a esperança de enfraquecê-la.

O nosso ensino não consegue avançar. Países do primeiro mundo mostram um nível educacional invejável, um avançado amadurecimento do povo sobre a importância da educação, visto como pilar do desenvolvimento humano. Uma inscrição esculpida em mármore na entrada da Biblioteca Pública de Boston, nos Estados Unidos, diz: “A comunidade exige educação como salvaguarda da ordem e da liberdade”.

O povo exigindo educação! Aqui no Brasil, precisamos ainda trabalhar muito, anos e anos, para que o povo chegue a esse entendimento, à importância da educação na vida da nação. Quando isso acontecer, o Brasil deixará de ser País de terceiro mundo, nível de País em desenvolvimento, para se tornar País de primeiro mundo, País desenvolvido. Educação está na base de toda transformação social.

Um grande escritor brasileiro, Monteiro Lobato, segundo minha memória, disse: “Um país se faz de livros e de homens”. Observemos a ordem das palavras na frase: primeiro, livros; depois, homens. Primeiro o conhecimento, a cultura, estruturando o homem, ilustrando-o para o exercício da função. Ainda nessa linha de pensamento, lembro o grande estadista norte americano Abraham Lincoln, que dizia: “Ninguém salva o povo, o povo salva a si mesmo através da educação” e a educação foi a grande prioridade de seu governo.

No nosso Brasil, a educação continua num marasmo. A pesquisa da Unesco, Ensino Médio: Múltiplas Vozes, realizada em 13 capitais, entrevistando 7 mil professores e mais de 50 mil alunos da rede pública e particular, revelou o alto grau de insatisfação dos estudantes com que aprendem nas escolas.

Nossas escolas têm condições de melhorar aquilo que ensina? Têm condições de oferecer aulas com qualidade, para aumentar o interesse dos alunos? Professores desmotivados, destreinados, pouco capacitados para o exercício do magistério, vão arrastando a situação do mau ensino. O despreparo docente chega ao nível absurdo de levar o MEC a mudar, ainda este ano, o sistema de classificação de livros didáticos. Desde 1985, início do programa governamental de distribuição de material didático, o Ministério fazia recomendações sobre a qualidade dos títulos a serem escolhidos pelos professores das escolas. O critério para classificar o livro didático ia de uma a três estrelas. No ano passado, o MEC passou a usar os conceitos “pouco recomendado”, “recomendado” e “muito recomendado”. Agora, não faz mais avaliações, apenas uma descrição de cada livro. E isso ocorreu devido ao fato de os professores, ultimamente, estarem optando por livros de uma estrela ou os pouco recomendados. Escolhem os piores entre os pré-avaliados pelo MEC.

O presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Henrique Paim Fernandes, considera a fraca escolha dos professores, a razão de estes livros conterem conteúdos mais fáceis; “Assim, os professores não correriam o risco de não entender ou não saber como lidar com livros supostamente mais sofisticados. Geralmente, escolhem os livros que já conhecem ou que crêem ser mais próximos de sua realidade”.

Se contássemos com professores bem treinados didaticamente, recebendo salários condizentes com sua função, não estaríamos nessa situação. Teríamos um magistério valorizado. Mas, o que ocorre é o contrário, a falta de estímulo leva o professor a se acomodar, a se desinteressar, trazendo desinteresse aos alunos.

Como elevar o padrão de ensino sem um devotamento político leal à causa da educação? O mais freqüente é ver, na mídia, os constantes relatos de graves corrupções. As verbas destinadas ao ensino perdem-se no caminho de sua destinação, conduzidas para fins ilícitos. Em abril p. passado, lemos nos jornais, em letras garrafais, o desvio dos recursos destinados ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Médio e de Valorização do Magistério (Fundef)! O Ministério Público estima que de cada R$ 4,00 só R$ 1,00 é aplicado corretamente! Detectou quadrilhas com ramificações nacionais, especializadas em falsificar planilhas de gastos e forjar prestações de contas. A Controladoria Geral da União deparou com um verdadeiro esquema de fraude documental e irregularidade freqüente no registro de estudantes fantasmas. No ano passado, auditoria do MEC constatou a existência de 280 mil matrículas irregulares de 1.ª a 8.ª  séries.

Antes do Fundef, as reclamações de compras eram freqüentes. Surgiu o Fundef justamente para corrigir os casos de corrupção. 60% do Fundef estão vinculados ao pagamento de professores; o restante vem sofrendo desvios abomináveis. O dinheiro do Fundef é depositado em uma conta do Banco do Brasil e seu extrato pode ser acessado por vereadores e membros do conselho de fiscalização dos municípios.

Deputados da Comissão de Educação da Câmara querem mudar a forma de escolha e a composição dos conselhos municipais de acompanhamento do Fundef. Defendem projeto que impede que familiares dos prefeitos e secretários municipais integrem os conselhos, além de estabelecer eleições para a definição dos membros e a inclusão de um representante dos alunos. O representante dos pais também não poderá ser servidor municipal, nem prestador de serviços da prefeitura.

Hoje, fala-se em mobilização dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário --, reforçando a luta do Estado contra a corrupção, tentando fazer com que o Estado, que tem o leme nas mãos, possa dirigir esse barco, encharcado de corrupção, com mais firmeza.

Será esse o caminho? Poderá até ajudar, mas a corrupção está tão enraizada no seio do povo que ela sempre encontrará um jeito de burlar as determinações legais.

Só um trabalho sério de educação poderá tentar reverter tal situação.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2004)

SAUDOSA LEMBRANÇA DE EX-COLEGAS DE JABOTICABAL

Izabel  Sadalla  Grispino*

Ao escrever o artigo “Retrospectiva Histórica: a escola pública na década de 60” era constantemente assaltada por lembranças de colegas, com os quais vivi uma fase ricamente produtiva, uma etapa relevante da educação em Guariba. Formávamos uma equipe valorosa de trabalho e idealismo; tínhamos o privilégio do estudo pedagógico, orientado diretamente pelo “Centro de Recursos Humanos e Pesquisas Educacionais Prof. Laerte Ramos de Carvalho” (CERHUP), um departamento da S.E., hoje com o nome de “Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas” (CENP).

Além dos dedicados professores de Guariba, contávamos com outros das cidades vizinhas, especialmente de Jaboticabal, onde, com saudade e apreço, recordo: Osny Silveira, Osnei Cardoso, Cecília Fráguas P. Farias, Ivan R. Gagliardi, Mirlei Polachini, Zélia M. Thomaz de Aquino. Reverencio-me a citar o nome do insigne mestre Carlos Nobre Rosa, muito respeitado pelo alto saber, pelo domínio do conteúdo em sua área de atuação: ciências.

Há, também, que se destacar o nome de Maria Carlota Niero Rocha, digníssima prefeita desta cidade, então, professora de geografia, a quem cumprimento pela bonita escalada política que vem realizando, formulando-lhe votos de sucessos contínuos, com amplitude de horizontes, galgando postos, cada vez mais elevados, no cenário político nacional.

Uma outra lembrança recai sobre o Prof. Rolando José Gonçalves Dias, que havia deixado, recentemente, a direção do colégio. Hoje, como é do conhecimento de todos, o Prof. Rolando dirige, com galhardia, a tradicional Escola Estadual “Aurélio Arrobas Martins” e marca sua presença com exemplo de devotamento profissional, lutando por uma educação capaz de dar respostas à sociedade tecnológica. Parabéns!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2000)

LIÇÃO DE MATURIDADE CÍVICA

Izabel Sadalla Grispino *

O que leva uma pessoa a se debruçar, horas a fio, meses e meses, numa transpiração, às vezes, dolorosa, para fazer ressuscitar as imagens do passado, a História de um povo, que caminha para sua realização? Indubitavelmente, o amor, mas muito também a consciência do valor desse passado, na manutenção da luta e dos ideais de toda uma população. Interessar-se pelas coisas da terra, da Pátria, é um ato de responsabilidade cidadã.

Quem ama preserva. A visão amadurecida sobre o desenrolar da vida nos faz retornar ao passado e preservá-lo para a posteridade, não deixando morrer as lições e o alicerce de que é portador. A clara noção da marcha do tempo, de sua inabalável destruição, reforça a intenção. O tempo marca a passagem do homem no curso da existência. No seu caminhar a vida passa. Triste ver o tempo esvair-se e não se atrever a registrar seus grandes momentos, seus personagens históricos, os valores vividos por uma época.

Estudar a História, a vida de um povo, seus costumes e tradições, são lições de civismo, de patriotismo, de amor à terra. Precisamos fazer memória de nossa terra, de nossa gente. A Pátria exige memória, é nela que estão os seus valores. Um povo que não sabe de onde vem, não sabe para onde vai. Um povo sem memória, sem tradições, divorciado de seu passado, abdica de si e se integra a uma outra civilização. Cultuar o passado é iluminar o presente e o futuro. Por isso, o grande escritor Guimarães Rosa dizia: “O passado também é urgente”.

Imbuída desses conceitos e do amor que tenho à minha gente, à minha terra, recentemente, lancei o livro: “Uma Viagem no Tempo: Guariba, em Minhas Lembranças”.

Terra natal é coisa séria! São silêncios, inspirações, alegrias e muito envolvimento. Quis guardar o seu passado, o seu legado histórico, refletindo a vida cotidiana da cidade, com sua movimentação, seu comércio, a era cafeeira e a canavieira, sua educação, o papel da Igreja Católica em sua cultura, as amizades, os momentos de lazer, as pessoas que nela circulavam, transmitindo um realismo palpável.

A cidade carrega a história das gerações. Ela é um organismo vivo, não pára, caminha, se modifica. O livro retrata uma sociedade que, praticamente, não está mais aqui, faz chegar às mãos das novas gerações a forma primitiva de Guariba. Leva-as a conhecer a Guariba-menina, conhecê-la pequenina, com os encantos que possuía. Relembro, com admiração, as famílias que edificaram a cidade, com seus ideais, seus sonhos, sua chama, sua determinação. Recordo, com emoção, a imagem dos valorosos imigrantes, força que foram de alavanca da cidade.

Passo a passo com a História, com minhas lembranças e participações na vida da cidade, ele vai formando conceitos de amor e de responsabilidade à terra onde se vive, à Pátria,  educando para o patriotismo e senso de pertencimento. É um livro valioso às escolas, à formação integral do adolescente, à sua politização, ao entendimento da relação do homem com seu meio. Busca sensibilizar, conquistar o jovem para a prática da cidadania, tendo como base o amor à sua terra.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2007)

GERAÇÕES DE BRASILEIROS SEM-DOCUMENTOS

Izabel Sadalla Grispino *

Um ponto sério de reflexão é a geração, que o País tem formado, dos sem-documentos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) manifestou-se, em janeiro de 2003, dizendo não ter idéia de quantos brasileiros estão nessa situação. O Instituto não tem dados sobre quantas são essas pessoas; oficialmente elas não existem. São pessoas que não têm nenhum documento, nem mesmo o registro de nascimento. Não têm carteira de identidade, CPF, carteira de trabalho, PIS, nem título de eleitor. São adultos e crianças sem documentos! É desumanidade sem tamanho!

O demógrafo da pesquisa estatística sobre os registros civis, Antônio Tadeu de Oliveira, diz que o IBGE não tem um dado sobre os brasileiros adultos sem documentos. “Essa é uma estatística inexistente e é justamente entre os adultos que o problema é mais difícil de ser combatido”. Sem documentos, uma pessoa não pode votar, fazer o alistamento militar, receber qualquer benefício, como aposentadoria ou pensão. Também não pode ser incluída nos programas sociais do governo federal.

O cadastro único para identificar os beneficiários de programas do governo federal exige pelo menos um documento para que a pessoa possa ser inscrita. A orientação dada para as prefeituras é de registrar em arquivos à parte, para quem não tem documentos e de como regularizar a documentação. Exige-se pelo menos um documento para evitar pessoas fictícias ou duplicidade. Até o fim de dezembro de 2002, havia 5,5 milhões de famílias cadastradas e 5.400 pessoas notificadas como sem nenhum documento.

Os dados mais aproximados são os dos cartórios, mostrados pelo IBGE em “Estatísticas do Registro Civil”, em dezembro de 2000, quando 21,3% das crianças nascidas no País não foram registradas no mesmo ano, o que equivale entre 700 mil e 1 milhão de crianças. Em 2000, a estimativa era de 3,4 milhões de nascimentos. Cerca de 3,2 milhões de crianças nasceram em hospitais, mas houve apenas 2,5 milhões de registros. Poderiam  ter sido registradas pelo menos mais 700 mil crianças nascidas em hospitais, fora as que nasceram em casa.

Os chamados sub-registros afetam não só os dados de nascimento, mas também os óbitos. O IBGE, em seu levantamento de 16 de dezembro de 2002, estima que, nas regiões Norte e Nordeste, 48,2% e 35,6% dos nascimentos não foram registrados em 2000. O sub-registro de mortes tem proporções semelhantes, 33,2% para o Norte e 42,7% para o Nordeste. Essa ausência de registros interfere negativamente em outras estatísticas que são calculadas, baseando-se nos registros. É o caso da taxa de mortalidade infantil, com cálculo que surge estimado pelo IBGE, pela falta de dados reais. Em alguns Estados do Nordeste, o sub-registro de óbitos chega a 60%!

São nas regiões mais pobres do País que se encontram as maiores taxas de sub-registro de crianças. No Sudeste, a taxa cai para 6,3%, no Sul é de 11,3% e no Centro-Oeste, 19,7%.

Os dados do Registro Civil divulgados mostram que, na década de 90, houve aumento dos registros tardios, aqueles feitos depois de 3 meses do nascimento do bebê. Registros com até 10 anos de atraso eram de 25,6% em 1991. Subiu para 30,3% em 2000. Mas, mesmo notificando com atraso, muitos brasileiros passaram a registrar seus filhos. Essa situação evidencia-se melhor, segundo o IBGE, em anos de eleição, quando os políticos têm interesse em ampliar o eleitorado, ou em anos em que há campanhas de registro civil gratuito, como ocorreu em 1999.

A lei 9.534, de dezembro de 1997, determina que sejam gratuitos os registros de nascimento e morte. Outra lei, a 6.015, determina que a criança seja registrada até 15 dias depois do nascimento, sendo que o prazo é ampliado para 3 meses, em lugares que estejam a mais de 30 km da sede do cartório.

Embora ainda altas, as taxas de sub-registro melhoraram nos últimos anos. Em 1991, 29,2% das crianças brasileiras não eram registradas. Até 12 anos de idade, a certidão pode ser tirada sem problemas, desde que os pais estejam com os documentos em ordem. Depois há dificuldades suplementares.

O sub-registro é uma questão que precisa ser tratada com muito interesse pelos organismos competentes. É uma parte triste de nossa história, onde a miséria e a ignorância se completam. O sub-registro envolve o problema da cidadania. Quem não tem certidão de nascimento não existe oficialmente e não pode exercer seus direitos. Sobrevive sem existir legalmente, dependendo de favores para qualquer atividade formal.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em janeiro/2004)

AÇÃO MULTIDISCIPLINAR NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Além de o sistema público de ensino oferecer um desempenho muito inferior ao necessário, para uma sociedade cada vez mais centrada no conhecimento e na avançada tecnologia, marca preocupante presença no mundo da violência.

Escolas situadas em bairros pobres de periferia ou nos grandes centros conturbados pela desordem precisam de ajuda multidisciplinar para conseguir um ambiente tranqüilizador ao ensino da aprendizagem.

Muitas escolas trabalham com as famílias dos alunos, buscam o envolvimento da comunidade em suas iniciativas e desenvolvem práticas ligadas à sua realidade socioeconômica. Contam com forte apoio dos pais, principalmente, na fiscalização da freqüência e no controle das lições de casa. A escola sabe que a família é a base e incentiva-a a freqüentá-la, ajudando-a tornar seus alunos mais responsáveis, mais ordeiros.

Dentre as múltiplas causas que concorrem para a decadência do ensino uma é a violência, manifestada sob os mais variados aspectos. Alunos baderneiros, indisciplinados, frutos ................ da omissão de pais por uma educação regulada em normas, princípios e limites e frutos de uma sociedade violenta, permissiva, aliciadora. Toda essa conturbada situação explode na escola.

Há situações em que a escola se sente impotente para harmonizar o seu ambiente conturbado. Professores chegam a ser ameaçados, física e moralmente, por gangues e alunos. Conscientizar alunos e pais vai além do que se faz necessário. Em casos mais agressivos, a escola vem recorrendo à justiça, à promotoria responsável pela vara da Infância e a Adolescência, na busca de ajuda às graves situações.

O que se consta é que quando a escola encontra respaldo na autoridade judicial ela consegue aplainar a violência, avançar na ordem e na disciplina. Temos notícia, pela mídia, de uma atuação devotada e competente de um promotor público, que não hesita em formar fileiras às escolas necessitadas de ajuda.

Alunos-problema que tentam desorganizar a escola, queimando cortinas, quebrando carteiras e cadeiras, pichando muros e lousas, envolvendo-se em brigas com desordeiros são, pelo promotor, obrigados a cumprir penas disciplinares, a consertar o que destruíram ou prestar serviços comunitários.

Verifica-se que a grande maioria se recupera e o vandalismo na escola, praticamente, desaparece. Os mais violentos, que reincidem nos atos de violência, têm seus pais chamados pela justiça e forçados a pagar os prejuízos.

Também, no caso de alunos faltosos, em escolas com alto índice de evasão, os pais são chamados para conversar, para se conscientizar da necessidade da permanência dos filhos menores na escola. Se a ausência persiste, os pais recebem ordem de prisão, apoiada no Código Penal, sobre o crime de abandono intelectual. No município, onde tal ato ocorreu, a evasão caiu de 20% para zero.

Esses fatos comprovam a necessidade de rigor, de autoridade, de força conjugada, para o bom desfecho da agressividade. Em muitas localidades, a escola não se supre mais. Reforço da comunidade, dos pais, da Igreja, da justiça são-lhe imprescindíveis. A desestruturação da instituição escolar, por problemas de violência, afeta toda uma sociedade, que não pode fechar os olhos para esse sério quadro.

A conscientização de se juntar as mãos para reabilitar o ensino precisa avançar. Esse é o ponto em que chegamos e se cruzarmos os braços onde chegaremos?

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em fevereiro/2007)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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