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Artigos Educacionais

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MEMÓRIA E PROCESSO PEDAGÓGICO

Izabel Sadalla Grispino *

Os avanços da ciência sobre o funcionamento do cérebro continuam clareando o procedimento pedagógico. No cérebro humano, dizem os cientistas, a memória vem em primeiro lugar.

A memória retém informações, arquiva-as e elas surgirão quando as apelamos. Divide-se em memória declarativa e memória processual. Declarativa, quando nos lembramos de algo, de algum acontecimento, de um número de telefone, de um nome..., e processual, quando ligada à habilidade de se fazer alguma coisa, por exemplo, andar de bicicleta.

Na memória declarativa, gravamos informações com mais facilidade, mas, também, com o tempo, esquecemos mais depressa. Na memória processual, a dificuldade para gravar é maior, mas, depois que aprendemos como se faz, como a coisa se processa, dificilmente esqueceremos. São exemplos: dirigir, ler, escrever, contar...

Inteirando-me das características e funcionamento da memória, passei a relacioná-los ao processo pedagógico, visto ter aí encontrado forte sustentação da metodologia renovada apregoada para o ensino-aprendizagem.

A escola utiliza-se bem mais da memória processual, que é onde se realiza, onde se constrói o conhecimento. Essa memória vai, aos poucos, gravando os passos adquiridos, em direção ao conhecer. Ela vem referendar o método construtivista, quando a criança, para chegar ao conhecimento, observa, manuseia, experimenta, analisa, formando conceito do assunto visado. É ela quem vai propiciar a interiorização, a formação das habilidades, quem desenvolve as faculdades de pensar, criar, inventar, agir...

A memória processual, em sua função, confirma a característica imprimida à aprendizagem, em termos de praticidade. Precisa ser prática, dar ao aluno a oportunidade de elaborar, de criar, ele próprio, o conhecimento. Hoje, a metodologia privilegia a autonomia na aprendizagem, a auto-educação, o caminho da ida e o caminho da volta, num processo de reversibilidade do conhecimento, enfatizado por Jean Piaget.

A memória processual consolida o preceito educacional de fazer do aluno o agente de sua aprendizagem. É o esforço próprio, a persistência que vai levar à fixação do conhecimento. É como diz Pedro Demo: “Tem que ralar, tem que maiar”.

Um outro prisma da memória é que ela pode ter curta ou longa duração. Curta, quando guardamos na lembrança por pouco tempo, havendo, nesse caso, um limite em reter as informações. Para uma memória longa, melhor, para que retenha algo por mais tempo, é preciso treinar muito e repetir bastante.

Essa é uma outra confirmação do que a escola já fazia empiricamente, ou seja, a importância, na aprendizagem, da repetição, dos exercícios continuados na seqüência do currículo, da utilização do processo de retorno ao assunto, de tempos em tempos, para que haja uma boa fixação da matéria.

Um fato interessante da memória é que ela não é um tipo de órgão, glândula ou coisa parecida e nem está localizada em local determinado no cérebro. A memória, confirma a ciência, é uma reação biológica e psicológica que acontece dentro da cabeça. Daí a importância de aliar a pedagogia à psicologia. De se ressaltar, no ensino-aprendizagem, os estímulos, o interesse, de despertar a confiança, trabalhar a auto-estima, considerar, em cada aluno, o seu limite, o seu potencial, as suas virtualidades e o seu ritmo. Estes são os fatores que garantem a ausência do fracasso. Todo professor sabe que, ganhando a afetividade e a confiança do aluno, ele já está ganhando uma porcentagem alta na aprendizagem. Esta surge em decorrência.

Há, contudo, o chamado lobo temporal – um pouco acima das orelhas – caracterizado pelos cientistas como um importante reservatório de acontecimentos passados. Esse lobo temporal costuma ser muito ativado na idade adulta, razão pela qual os idosos lembram de coisas muito antigas. Há, também, o neocórtex temporal, que se acredita ser a região envolvida com a memória longa e memória declarativa.

O que surpreende é a extensão da memória, que chega até a amígdala, região da garganta, que tem, inclusive, importante função.

A cada passo vamos percebendo os fundamentos científicos dos métodos ativos, consagrados pela nova escola. Eles  não  trazem  apenas  o resultado  de uma observação contínua, de uma comprovação prática de seu uso no dia-a-dia, mas o resultado de pesquisas científicas, da lógica racional.

Ao abordar o tópico “Métodos ativos para a aprendizagem”, no meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), na pág. 243, eu digo: “A escola não se sustenta mais como transmissora, ela deve ser construtora do saber. A disciplina não é mais imposta, mas discutida e estabelecida juntamente com os alunos.

Os métodos ativos são uma necessidade da nossa época. Não são novos na literatura pedagógica. Ao longo dos tempos, eles vêm sendo citados, mas pouco usados. Não havia uma conscientização geral de sua aplicabilidade. Hoje, porém, são indispensáveis, consagrados. Eles começaram a se despontar, com mais vigor, no final do século XVIII”.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em setembro/2005)

Caixa de texto: Clique para voltar ao sumário* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em setembro/2005)

EDUCAÇÃO INFANTIL, PRIORIDADE EDUCACIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

O Brasil é uma terra de contrastes; cresce desordenadamente. Frisante desigualdade entre o Sul, o Norte e o Nordeste, entre a opulência de poucos e a cruel, a extrema pobreza de muitos!

No Nordeste, a desnutrição infantil, largamente denunciada, alcança considerável parcela dessa população e vem gerando o nanismo. Crianças mal nutridas, sofrivelmente alimentadas, acabam degenerando-se, sucumbindo-se ou tornando-se nanicas. Perdas de vitaminas, na alimentação das primeiras idades, não se repõem jamais, dizem os especialistas do assunto. De nada adianta alimentá-las bem, depois dessa fase; o que se perdeu não se recupera mais. A criança atingida pelo nanismo está prejudicada de modo irreversível.

Transferindo-se essas perdas para a área educacional, do mesmo modo, a estimulação precoce perdida da primeira infância, desassistida da pedagogia, acarreta deficiências de aprendizagem, dificilmente superadas. O nosso País privilegia o ensino fundamental, e descuida-se da educação infantil, fase mais importante do desenvolvimento da criança, comprometendo o futuro de toda uma geração.  As vagas preenchidas nas creches e nas pré-escolas não são consideradas, pelo governo, para efeito de cálculo e repasse do Fundef (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental).

A ciência, em sua descoberta, mostrou que o cérebro é muito mais elástico do que se imaginava e tem sua capacidade definida nos primeiros anos de vida, fase em que a quantidade de sinapses (conexões neurais) depende de estímulos, do trato pedagógico recebido.

O cientista Carl Seagan, já falecido, pôs em xeque o modelo educacional adotado no Brasil pela negligência com que se atua, em relação às nossas crianças. Lançou, à reflexão, o desafio da necessidade da abrangência da educação infantil. Disse ele: “A principal revolução das primeiras décadas do novo século não estará no uso da informática, mas, sim, na educação das nossas crianças de muito pequena idade”.

No meu artigo sobre o exame vestibular eu dizia: O vestibular se constitui na última etapa de uma seleção que começou bem antes, na aprendizagem das primeiras letras. Seu afunilamento é preenchido por alunos que receberam a melhor educação, que freqüentaram a melhor escola. Ele é um termostato de todo o conhecimento adquirido anteriormente. Nesse contexto, escola particular tornou-se, praticamente, “pré-requisito” para se entrar em uma universidade pública e, esta a melhor do País -- a que oferece melhores empregos no mercado de trabalho – fica reservada aos ricos.

Essa discrepância vem de longa caminhada, quando poucos têm o privilégio de freqüentar o ensino infantil. É aí, nessa fase inicial de estimulação às primeiras aprendizagens, que se inicia a grande defasagem cultural das classes menos favorecidas. É aí, nessa faixa etária, que as crianças de famílias de baixa renda ficam, costumeiramente, de fora.  A ausência desse ensino, pelas crianças pobres, completa o ciclo da desigualdade escolar dessas crianças, futuros adultos, futuros concorrentes à marginalização profissional.

Felizmente, a educação desperta para a importância da pré-escola. Iniciar a aprendizagem formal de uma criança pelo ensino fundamental, pulando a pré-escola, é o mesmo que construir uma casa sem a consistência de um bom alicerce.

É preciso, pois, lutar pela educação infantil e pelo educador infantil, defendendo políticas públicas que priorizem esta etapa da educação. A nossa rede pública atende, hoje, apenas 9% da população  de zero a três anos nas creches e 48% das crianças de idade entre 4 a 6 anos, nas escolas de educação infantil.

A desatenção ao desenvolvimento integral das crianças na primeira infância responde pelas significativas taxas de evasão e repetência na escolaridade básica. As creches não se caracterizam mais como reservatório de crianças. Hoje, elas têm um conteúdo educacional, critérios curriculares, transformam o contato das crianças com os educadores em relações de aprendizado. Desenvolvem na criança os aspectos físicos, cognitivos, afetivos, éticos, as relações interpessoais e sociais.

A educação começa no berço e os primeiros anos têm peso fundamental para o resto da vida escolar. A educação que a pessoa teve no “período de molde” (de 1 a 7 anos) vai influenciar todo o seu comportamento futuro. O tratamento pedagógico de uma criança não é igual ao de um adolescente, que, por sua vez, é diferente do de um adulto.

A criança precisa ser atendida nos próprios interesses, sem imposição, para que libere o seu potencial, desenvolva a auto-educação, a autonomia na aprendizagem. Com a educação infantil, iniciam-se as fases específicas do desenvolvimento mental, que começam com a mais tenra idade e vão até a adolescência. Aos 14 anos, a criança está madura para raciocinar hipoteticamente – fase operatória formal ou hipotética – quando se completa, segundo Jean Piaget, o processo intelectual da criança.

Ao deixar de freqüentar a pré-escola, a criança perde, em estimulação e correspondente aprendizagem, as fases: sensório-motor (ou motora), pré-operatória e a iniciante operatória concreta,  produzindo  considerável  lacuna no desenvolvimento de sua inteligência e de sua formação integral.

A criança é um ser que interage com a realidade, formando, nessa interação, suas estruturas mentais e, se conduzida pedagogicamente, terá um desenvolvimento bem mais significativo. O potencial da criança está relacionado à estimulação ambiental e o encontro desses dois fatores realiza-se na pré-escola,  conferindo a esta um papel primordial.

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em julho/2001)

EDUCAR PARA A ARTE

Izabel Sadalla Grispino *

Reclama-se da escola um projeto sério sobre arte, arte vista em sua multifacetada manifestação. Um projeto que dê ao aluno uma cultura abrangente, que reforce e difunda os valores artísticos de nossa terra. Que ensine a história de nossa música, nossa pintura, nossa poesia, nossa dramaturgia, nossa dança através dos tipos.

Tendo em vista as comemorações que, durante todo este ano de 2002, celebrarão os 80 anos da Semana da Arte Moderna, e o centenário de Carlos Drummond de Andrade, a arte vem a se tornar um tema oportuno,  oportuno levantar e debater sobre a educação artística. O que se nota, hoje, é uma educação artística ineficaz, incapacitada de despertar um interesse maior pela arte, nos alunos, vista, de preferência, como mera recreação.

A importância da Semana da Arte Moderna, ocorrida em São Paulo, no Teatro Municipal, de 11 a 18 de fevereiro de l922, com o objetivo de difundir o novo ideário estético. Constou de três espetáculos em que se exibiram a prosa, o verso, a música, a dança de vanguarda e uma exposição de artes plásticas que expressava as modernas tendências da pintura, escultura e arquitetura. Ela foi um marco fundamental do movimento modernista, esperava renovar a mentalidade nacional, criar a autonomia artística e literária do Brasil, descortinando, para nós, o século XX, colocar o País na atualidade do mundo. Que a escola faça os jovens conhecerem os seus grandes expoentes, como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, a poesia de Cassiano Ricardo, Carlos Drummond  de Andrade,  Cecília  Meirelles, a escultura de Victor Brecheret, a expressão artística de Anita Malfatti, a pintura de Tarsila do Amaral, entre outros.

Que a escola faça os jovens conhecerem a nossa música, clássica e popular, passando por Vila Lobos, Ernesto Nazaré, Chiquinha Gonzaga, Zequinha de Abreu. Conhecerem a eclosão da bossa nova, com Vinícius de Morais, Tom Jobim, João Gilberto, a revolução tropicalista, com Caetano Veloso e Gilberto Gil, suas causas, seus efeitos. Que leve os jovens a conhecerem a importância dos Beatles para a juventude dos anos 60, seu legado, a ruptura causada nos valores e nos padrões estéticos da época.

A arte está ligada à história. Arte e história refletem-se, explicam-se. A boa formação do professor, nessa área, é essencial para que ele seja capaz de dominar conceitos e técnicas das diferentes manifestações artísticas, ampliando os horizontes culturais do aluno. A arte é uma forma de abrandar a alma, de aplacar a revolta, de conduzir o indivíduo para o culto do belo, do sublime, do humano, da solidariedade.

Da maneira como está sendo enfocada, a educação artística torna-se uma matéria inexpressiva, sem conexão com as demais disciplinas do currículo. O MEC e o Instituto Itaú Cultural uniram-se para divulgar a arte brasileira nas escolas, mostrando o passado, analisando o presente, revelando a caminhada que permitiu chegar onde chegou, dando aos jovens armas para distinguir o bom do ruim, valorizar o bom. A arte ajuda o professor a incentivar entre os alunos cooperação e não competição. Ajuda-os a desenvolver habilidades específicas, a descobrir o potencial do aluno para a arte. As características individuais sendo incentivadas formarão um ser humano mais realizado, com personalidade mais ajustada, mais confiante. Hoje, a escola prima pela individualidade, inclusive pela individualização do currículo.

O programa prevê a distribuição de cartilhas, orientando sobre o uso interdisciplinar da arte e instalação de museus em 1.500 escolas do ensino médio, que receberão exposições itinerantes. É o momento de a escola interessar-se pelo programa e buscar maiores informações.

O que se quer com a parceria MEC e Itaú Cultural são impulsionar a arte em todas as suas modalidades e de forma consistente. Só o conhecimento produz a verdadeira transformação, seja na arte, seja na ciência, seja na vida.

A psicologia cognitiva mostrou que os seres humanos possuem diferentes modos de representar os significados e de compreender a natureza. Estudos recentes sobre a inteligência e habilidades humanas tendem a concluir que possuímos várias formas de inteligência. Desde o começo do último século, os psicólogos acreditavam que havia uma única forma de inteligência que podia ser diretamente mensurada pelos tradicionais testes de QI (Quociente Intelectual). Atualmente, há inúmeras pesquisas sugerindo a existência de vários e diferentes tipos de inteligência. A teoria das inteligências múltiplas supõe a existência de 8 ou 9 formas de inteligência: lingüística,  lógico-matemática,  espacial musical, corporal cinestésica, interpessoal, intrapessoal, naturalística e, ainda, a inteligência existencial. Segundo a teoria, nós possuímos todas estas formas de inteligência, mas nenhum de nós, mesmos os gêmeos idênticos, possuem o mesmo conjunto de inteligências num mesmo momento.

A maioria das escolas focaliza quase que exclusivamente só duas formas de inteligência: a lingüística e a lógico-matemática. Os sistemas de educação formal têm, de um modo geral, ignorado as outras formas de representação mental e de compreensão da natureza, tais como as formas artísticas (musical), atlética (corporal-cinestésica), pessoal (conhecimento de outros e de si próprio) que estão presentes e que devem ser ativadas.

Assim como para formamos leitores precisamos viver o livro na sala de aula, do mesmo modo para formarmos artistas, temos que viver a arte na sala de aula.

Desse modo, a música, a arte em geral, que é uma expressão, uma  face da inteligência, não pode ser esquecida, relegada, porque ela é um caminho cultural, caminho de solidariedade e de descoberta de vocação.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2002)

A ESCOLA FRENTE À MÍDIA

Izabel Sadalla Grispino *

O problema de ontem continua hoje. Vamos voltar à reflexão.

Como a escola pode ajudar as crianças frente à TV? Como educar a leitura que elas fazem da TV?

O primeiro passo é, sem dúvida, conhecer os programas a que elas mais se apegam. Estudar-lhes as características e os aspectos que mais as impressionam.

Proibir, simplesmente, não é o caminho. A proibição só vai aguçar a curiosidade, a vontade de assistir-lhes. Ao proibir, é preciso explicar as razões. Manter com as crianças uma aprendizagem crítica, uma aprendizagem do pensamento divergente. Ensinar a criança a questionar, a duvidar, a encontrar outras saídas, diferentes das apresentadas no filme. Duvidar do que se vê é um bom exercício mental, dizem os psicólogos. A atitude reflexiva favorece a elaboração de exercícios mentais, que a criança pode exercitar ao assistir aos filmes, aos desenhos.

Uma boa estratégia é encaminhar a criança para uma esclarecida interpretação. Professor e aluno raciocinando juntos, a criança sendo encaminhada à ponderação, a exaltar ações que conduzem ao amor, ao bem.

Uma outra preocupação dos pais e dos professores é com os jogos eletrônicos.  Até que ponto os videogames viciam e o que fazer? Especialistas da área de tecnologia dizem que a escolha dos jogos não pode ser aleatória. Eles devem ser relacionados segundo as características de cada criança, considerando, também, os aspectos socioculturais , educativos e psicológicos.

Os videogames têm seu lado positivo e negativo. É uma questão de regra e limites, que vale para o videogame, a TV, o computador, a Internet. Crianças que jogam de forma compulsiva sofrem os malefícios decorrentes, como sua exclusão do convívio social, o descumprimento de suas obrigações, dos efeitos colaterais orgânicos, como irritação dos olhos, excitação, insônia, principalmente quando os jogos são muito violentos.

Com horário e disciplina, os jogos podem trazer benefícios. Confirmam os especialistas que videogames e jogos para computador são excelentes para o desenvolvimento cognitivo. Desenvolvem a percepção, a memória visual e auditiva, a rapidez, o raciocínio, a capacidade de solucionar problemas e, até mesmo, a socialização, quando jogados via Internet.

Em tudo, não há modelo único de educação. Vai depender de cada criança. As regras e os limites devem ser passados dentro dos conceitos éticos, morais, culturais de cada sociedade, de cada família. O importante é conhecer a criança que se tem à frente para ser educada e agir de acordo com cada caso. Para impor limite aos videogames, ao computador, estuda-se a melhor forma, como programar atividades compartilhadas, passeios, esportes, diálogo... Disciplinar os horários, conscientizá-los da hora de estudar, de dormir e de brincar, é imprescindível. Videogame, por exemplo, só depois da lição de casa feita.

Com a finalidade de evitar a violência do jogo, a prática de atos sexuais e desvirtuamento de valores éticos e morais, o Ministério da Justiça definiu a norma de que todos os cartuchos e CDs, de games, tragam, em suas embalagens, um selo de classificação etária.

O Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento – CAD --, clínica formada por uma equipe multidisciplinar da capital, explicitou regras úteis para o aconselhamento e à aprendizagem de crianças e de jovens.

Dos 3 aos 7 anos: as regras são externas à criança, que espera que os adultos lhe dêem ordens. Aproveite a fase para fixar bem a rotina e estabelecer hábitos saudáveis;

Dos 7 aos 12 anos: a criança começa a internalizar as regras. Explique os porquês de suas exigências, sem abrir mão delas. Ela espera esse limite do adulto. É uma boa fase para trabalhar direitos e deveres, estabelecer horários das atividades escolares, de lazer e sono;

Dos 12 anos em diante: o jovem já deve ter adquirido autonomia e capacidade de pensar os valores por si mesmo.

Diálogo é essencial. O jovem deve participar da construção e/ou reformulação das regras para poder organizar sua própria vida. Vai exigir coerência dos pais e dos educadores e um compromisso recíproco de respeito às regras.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2006)

SISTEMA ÚNICO DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Inúmeras propostas de sugestões de mudança infiltram-se na área da educação. O ministro Cristovam Buarque tem se revelado um profissional irrequieto, inconformado com o decadente ensino oficial brasileiro.

Por vezes, assusta-nos pela quantidade de inovações lançadas, como reformulações no Exame Nacional de Cursos, o Provão, no Exame Vestibular, no Exame Nacional do Ensino Médio, com realização anual, na Universalização do Ensino Médio, seguido do acréscimo de um quarto ano, opcional para o aluno, ou alfabetizar todo mundo.

Tantas e complexas propostas, muitas de difícil concretização, chamam, contudo, a atenção e colocam na pauta de discussões a causa da educação oficial, que no Brasil beira à raia da falência. As freqüentes considerações de mudança podem despertar consciências, movimentar opiniões, transformar-se em assunto prioritário, criar um fortalecimento político em torno da falência da escola pública. Cria-se, também, a expectativa de se formar uma escola preparada para lidar com o problema crucial da dificuldade de aprender.

Como uma de suas últimas propostas, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, fala da criação de um sistema único da educação, inspirado nos Sistemas Únicos da Saúde (SUS) e da Segurança Pública (Susp). Essa nova forma de organização teria a participação da União, Estados e municípios, também de sindicatos e organizações não-governamentais (ONGs).

As sugestões do ministro foram bem acolhidas por Estados e municípios, que apoiam em compor com o governo federal o sugerido sistema integrado de educação. Aliás, a Constituição Federal, no seu artigo 211, define como a União, Estados, Distrito Federal e municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino.

O ministro Cristovam Buarque propõe, ainda, um grande projeto, que chamou de sistema solidário de educação, visando melhorar a qualidade da formação do profissional da educação. Fazem parte desse projeto quatro propostas: instituir um piso salarial para o professor e implantar a avaliação permanente do seu trabalho; garantia de vaga a todas as crianças a partir de 4 anos; ensino médio obrigatório; quatro anos de ensino médio, sendo um deles profissionalizante.

É patente a louvável intenção do ministro de criar uma mobilização, envolvendo governo, sociedade, sobre o sério problema que o Brasil enfrenta na área do ensino público.

Terá ele condições de viabilizar a contento tantas iniciativas? Estruturas deficitárias, falta de verba, falta de professores, vão requerer muita criatividade e objetividade, para uma real operacionalização dessas propostas.

 

15 DE OUTUBRO, DIA DO PROFESSOR

Antecipando-me ao 15 de Outubro, Dia do Professor, não posso deixar de render minha homenagem ao professor. Irmano-me à causa do ensino, à luta por melhores condições de trabalho e, particularmente, por melhores salários. Que a Nação passe a compreender que sem professor não há ensino e sem ensino não há pátria altaneira. Que haja uma consciência nacional sobre a função insubstituível do professor para a sociedade e para a vida como um todo.

A você, professor, com carinho e respeito, meus versos abaixo:

AO  PROFESSOR

Querido professor,
Não desanime, vá avante,
Da humanidade é luz do esplendor,
É sol que brilha em terra exuberante,
Estrada iluminada,
Luzeiro de escuras madrugadas!

Sem você, a sociedade esmorece,
A criança perde seu futuro,
Você é, de todos, a mais bela prece,
O sonho que surge prematuro,
A fé que a esperança carece,
O brilho que nunca desaparece.

Embora pouco reconhecido,
E, pouco prestígio alcança,
Com Jesus é parecido;
Seu devotamento, transpassado de lança,
Tem como maior recompensa
A luta, para que seu aluno vença.

Assemelha-se ao pesado arado,
Que remove a terra, prepara o plantio,
Joga-se o grão adubado,
Que vencerá o inverno e o estio,
Com a chuva, a colheita é abundante,
A terra sorri em seu veludo verdejante!

Você, professor, vai além,
Prepara, aduba, planta, conquista,
Trata da semente como ninguém,
Da mente e da alma é um especialista;
Você é o amanhã de suave brisa,
O construtor, que a sociedade mobiliza ou paralisa!


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2003)

APOSENTADO, SER À MARGEM DA SOCIEDADE

Izabel Sadalla Grispino *

A grande proposta do momento, tanto da esfera federal quanto da estadual, é a escola trabalhar com metas, acompanhando e controlando os resultados. Metas e resultados não são procedimentos usuais nas escolas públicas e o propósito é alcançar a qualidade de ensino.

Apoiando-se no esforço gerencial, pretende-se estimular o desempenho dos professores. As melhorias obtidas, no processo de metas do governo do Estado de São Paulo, reverter-se-ão em bônus aos professores. São bonificações por desempenho, continuando, desde a era Mário Covas, a política de bonificação e não de reajuste salarial.

O bônus, além de não se incorporar ao salário, não é extensivo ao aposentado. Não vivemos mais a Pátria de todos, da igualdade, da fraternidade. Vivemos a Pátria dos privilegiados. A Pátria que renega, que deixa no ostracismo os filhos do passado, os filhos que por ela lutaram, que a dignificaram, a sustentaram e possibilitaram a construção do dia de hoje.

Insensatos, governantes, imbuídos de poder, deixam, anos a fio, o aposentado ao relento, com seu salário, a cada ano mais defasado, perante o aumento do custo de vida. Tudo é conduzido sem alma, na mais pura objetividade. Não se alimenta, o ambiente escolar, do sentimento de patriotismo, de valorização dos combatentes do passado. Hoje, esse combatente, se perdeu as forças, joga-se fora, como um retirante sem glórias.

Esse é o exemplo que se passa aos jovens, à sociedade. Passa-se uma visão negativa do idoso, considerado um encosto, necessitando de amparo familiar e institucional. Abandonado pela cúpula governamental, o aposentado é tratado em m´9iseros sentimentos cívicos, deixado no ostracismo, apoiando-se na bengala da misericórdia.

A bonificação é injusta, parcial e provoca rivalidade, porque os professores da ativa, sufocados pelas  premências, volta às costas ao aposentado e procura agarrar o seu. Com esse procedimento, eles não atinam que estão cavando a própria cova, porque eles serão no futuro os debilitados aposentados de hoje. Educa-se bem mais pelo exemplo que pela palavra, já nos ensinava Rui Barbosa e eu me pergunto: como a escola vai educar as crianças, os jovens, para o respeito, para a valorização da força produtiva do passado e que ergueu o arcabouço do mundo atual? A imagem que se passa é de que só tem valor quem faz hoje, quem fez, joga-se fora.

Como conseguir que os jovens busquem na cultura dos anciãos sabedoria e aprendizagem? Eles são vistos como ultrapassados, marginalizados e, como tal, só podem postular o recolhimento e o abandono. O aposentado, pessoa de alma e de mente calosas, é pedra que atrapalha e que precisa ser retirada do cominho. Por isso, deixam-no à mingua, à própria sorte.

Belos discursos políticos, triste e dolorosa prática política! O aposentado é o réu de toda essa negra engrenagem, perniciosa política demagógica.

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em setembro/2007)

LIBERTAR A CRIANÇA PELA ARTE

Izabel Sadalla Grispino *

O professor Divo Marino, escritor eclético, versátil, de variada cultura, presenteou-me, recentemente, com dois livros de sua autoria. Um, da área educacional, cujo título fala por si, “Libertar a criança pela arte”, outro, de cunho bem diferente: “Orquídeas para Lincoln Gordon” (depoimento sobre o golpe de 64).

Neste livro, Divo, com comovida surpresa para mim, premiou-me com essa dedicatória: “Para a colega de Magistério e do jornal “A Cidade”, professora Izabel Sadalla Grispino, ofereço o “Orquídeas para Lincoln Gordon”, como homenagem pelo seu trabalho de educadora”. Uma homenagem vinda de Divo Marino é ponto acrescido na realização profissional!

Na obra “Libertar a criança pela arte”, Divo mostra-se um grande estudioso, um pesquisador penetrante, um especialista em arte. O livro traz um embasamento teórico e prático de alto alcance para educadores e para todos os que se interessam por arte. Preconiza a arte livre, espontânea, capaz de revelar a criança, a arte como meio de expressão, como meio para a criança exteriorizar suas idéias, seus sentimentos, suas percepções.

O livro foi lançado em 1960 e os conceitos sobre arte, sobre sua metodologia de trabalho, sobre a noção de criança, que transmite, são absolutamente atuais. Lendo o livro pude sentir o quanto a preocupação da escola, no encaminhamento do ensino da arte, encontra respostas no livro. Nessa época havia  já todo um movimento de educadores – não podendo esquecer Anísio Teixeira, um dos que se manifestaram com louvor ao livro – tentando implantar as idéias da escola nova, com seus princípios psicopedagógicos, que culminaram na escola de hoje. Contudo, a passagem da metodologia renovada, aos educadores, deu-se de maneira lenta e parcial. Mas, Divo absorveu-a em sua integralidade e com competência passou orientações às escolas.

Ao publicar o livro “Libertar a criança pela arte”, ele foi considerado, pela crítica especializada, um pioneiro no gênero, no País, um vanguardista, um criador de mentalidade nova na educação da arte da criança.

O livro trata da arte, em seus variados aspectos e conceitos, em riqueza de informação. Deixa claro a importância do desenho espontâneo, da importância de se cultivá-lo como forma de expressão da personalidade e como colaborador da socialização. Vivemos, presentemente, uma crise de expressão, as crianças, os jovens se expressando mal, tendo dificuldade de liberar os seus sentimentos e a arte, iniciada já na infância, o desenho infantil, são mecanismos eficazes para a criação de perspectivas, de formas novas e diferentes de expressão, de comunicação. O autor estuda a arte desde as suas origens, sua história, sua evolução através dos tempos, sempre no enfoque da arte infantil. Analisa-a sobe a ótica da psicologia, da metodologia libertadora, reveladora de aptidões, de potencialidades. No livro, quando Divo trata da escolha da cor, da busca da harmonia, ele assim se expressa: “As preferências para determinadas cores, tendo origem no subconsciente, nas associações psicológicas, nos temperamentos, não têm relação com o problema estético das cores”. Essas preferências revelam o indivíduo.

Deparamo-nos no livro com o conceito de criança concebido através dos tempos. A criança era tida como um adulto em miniatura: “É recente, na chamada civilização, a valorização da criança, como ser diferente do adulto”. “A criança tem necessidades suas, próprias e uma mentalidade relacionada a tais necessidades “ (Rousseau). Explana as fases específicas do desenvolvimento mental da criança.

A arte infantil demorou a ser entendida pelo adulto, que via nela uma atividade menor, uma atividade nula. O importante, na conceituação da época, era estudar apenas as matérias básicas do currículo, como geografia, história, matemática e letras. Nas escolas, os professores obrigavam as crianças a copiarem os desenhos, roubando-

lhes a criatividade, o estímulo à iniciativa, à livre expressão. Ainda hoje encontramos professores que se regem por este comportamento! “A arte, ensina-nos o livro, na idade da pedra, era exercício espontâneo de uma faculdade inata. A arte, na criança, também é prática livre, intuitiva, de uma disposição existente de maneira inata”. A arte

 

infantil é relacionada à arte dos primitivos. “As crianças não apresentam disposições para o desenho como cópia do natural. Não a reproduzem, criam a obra artística, baseadas na realidade mental, não no realismo visível, concreto, extraído da própria natureza”.

O livro mostra as influências que ocorrem sobre a arte e traça pontos de ligação entre sexualidade e desenho infantil.

A valorização estética e psicológica do desenho infantil veio bem mais tarde, no século XIX, com o professor Cizek, de Viena, relata-nos o autor. A partir de então, o educador passou a entender a relação existente entre  a linguagem e o desenho, a entender que a criança prefere o desenho da imaginação ao desenho natural. A escola passou a reconhecer a prática da arte infantil como um processo de libertação da estética, e da auto-expressão da criança.

Passeando pelo livro, encontramos citações interessantes, quando, por exemplo, no capítulo sobre a “Origem das artes”, ele cita Darwin, que condiciona seu aparecimento ao instinto sexual, “relacionando a fecundação dos vegetais ao belo colorido das flores”, embora, essa concepção seja refutada pelos biologistas, que dizem: “O que atrai o inseto não é a beleza da flor; é o açúcar da mesma. Entre os animais, a força física é mais importante que os ornamentos”.

O livro é repleto de curiosidades, um denso tratado sobre arte, espaço onde o professor, o especialista em arte, encontrarão rico subsídio à sua ilustração.

O trecho final do livro, escolhido por Divo, reproduz o espírito da obra: cita Cizek, quando pede ao professor que deixe as crianças aprenderem por si mesmas. “Eu suplico aos professores que livrem as escolas do clássico “mestre-escola” e que estas sejam jardins, onde cresçam as flores como o jardim de Deus. O professor deve cobrir com asas seus discípulos, como um espírito invisível, e terá de estar sempre disposto a dar ânimos, mas nunca a forçar ou exercer pressão”.

Cizek afirmava, fala-nos Divo, que os melhores trabalhos infantis foram, na maioria inconteste das vezes, encontrados nas “classes” dos professores não especializados em estética, mas que tinham na alma o amor intenso às crianças”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2002)

DESPERTANDO-SE PARA A CAUSA DO DEFICIENTE

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade começa a despertar-se para o diferente. Uma nova postura, um novo olhar se descortina para os grupos minoritários, mesmo porque não se pode penalizar as pessoas por suas deficiências, pela cor de sua pele ou por sua origem étnica. Tem que haver a “discriminação positiva”, isto é, a criação de normas favoráveis às minorias.

Os diferentes galgam, aos poucos, conquistas significativas, como o maior acesso ao trabalho e à educação especializada. Pessoas cegas, mudas, surdas, deficientes mentais ou físicos, conquistam a cidadania, incluindo-se favoravelmente na sociedade. Avanços são notados, como a criação de cursos de informática dirigidos aos deficientes, o aumento, segundo levantamento de dados em 16 cidades, de 475% no número de deficientes empregados, a construção em São Paulo de 108 rampas de acesso e o aplaudido bicampeonato mundial de futebol para cegos, atividade comprovando que habilidades independem da visão.

A informática tem se revelado um instrumento valioso na inclusão social, por facilitar a comunicação e o aprendizado. Há um curso oferecido pela organização não-governamental Transformar Associação para o Desenvolvimento do Portador de Deficiência, com o apoio da empresa Convergys e Metodologia do Comitê para Democratização da Informática (CDI), onde 15 crianças e adolescentes com disfunções neuromotoras participam da Escola Especial de Informática, que se formou pela parceria instituída com a organização. O número de participantes vem crescendo e para o ano de 2003 serão 30, conforme afirma a presidente da Transformar.

Outros comportamentos, a favor do deficiente, vêm surgindo na esfera social. A legislação determina às empresas, com mais de 100 funcionários, a contratação de 2% de deficientes. Em Osasco, a fiscalização para a aplicação da lei registrou em 16 cidades da região de Osasco, através da Subdelegacia Regional do Trabalho, um número recorde de 1.710 trabalhadores portadores de deficiência no mercado regional. Em empresas com mais de mil empregados, o percentual é de 5%.

Mas, o que se depara, conforme confirma o coordenador do Centro de Cidadania, Carlos Aparício Clemente, é que os números escondem uma falsa realidade: “A lei não define o nível de deficiência, as empresas contratam pessoas com deficiência auditiva leve como se fossem surdas”.

Também merecem ser citados um curso de pesca amadora, dedicado a pessoas surdas, e um novo site da Associação de Desporto para Deficientes (ADD), o www.add.org.br, que é uma grande fonte de informação sobre deficientes brasileiros. Um outro fato, são as condições de acessibilidade às lojas da maior rede de varejo do País. O grupo Pão de Açúcar lançou, em suas 505 lojas, o selo de acessibilidade, símbolo universal de acessibilidade, que garante autonomia e comodidade para a circulação de pessoas com deficiência.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), com professores traduzindo a linguagem de sinais, ofereceu à Escola de Educação Especial Hellen Keller um curso para 80 garotos surdos, de 4 a 16 anos, de pescadores amadores. Esse curso iniciou um programa que vai se estender por todo o País. Ensina-se a pescar e a não provocar danos ao meio ambiente, como, por exemplo, não jogar lixo na rua, porque esse lixo acaba chegando aos rios, poluindo suas águas e deteriorando a carne do peixe.

Apesar das conquistas obtidas, há ainda muito o que fazer para que o grupo de deficientes, 14,5% da população – cerca de 24,5 milhões de pessoas – conquiste uma melhor cidadania. Quebrar as barreiras do preconceito é a grande caminhada. Os empregadores os vêem como alguém de baixa capacidade de resolução de problemas, mas, por avaliação, os deficientes, quando bem orientados, desenvolvem um trabalho de forma capaz. Rendem como qualquer outra pessoa. Falta-lhes igualdade de oportunidades e condições apropriadas, como as construções arquitetônicas representadas por prédios sem rampas, a dificuldade de transporte, principalmente em ônibus, e a falta de  clareza na legislação, são os grandes obstáculos das pessoas com deficiência.

O que se espera é que as leis definam os critérios de deficiência, para adequá-los convenientemente à realidade. Há conquistas por parte dos deficientes, que nos orgulham e nos animam à contribuição. Conquistas que confirmam o seu potencial, a excelente performance em atividades de várias naturezas. No futebol, por exemplo, a seleção brasileira de cegos destaca-se com dois títulos mundiais e disputou, invicta em 2002, o III Campeonato Mundial.

Mizael Conrado, de 25 anos, cego desde os 13, foi considerado o melhor jogador de futebol de 2001. O futebol para cegos é jogado com guizos na bola e os atletas usam vendas para evitar a vantagem dos que ainda têm um pouco de visão.

É salutar envolvermos com a causa do deficiente, formando fileiras, núcleos de ajuda, para o desenvolvimento de sua auto-estima, advinda, principalmente, da realização de suas potencialidades.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em janeiro/2003)

MAIS UM ANO PARA O ENSINO MÉDIO

Izabel Sadalla Grispino *

Sem educação não há avanço social, não há igualdade de oportunidades; sem educação as diferenças de classe se acentuam. Para que a educação pública seja portadora de um certo equilíbrio social é preciso que os governos invistam corajosamente nela. Política educacional honesta não se faz com discurso e sim com verbas. A melhoria das condições de ensino, da formação profissional, do salário dos integrantes do magistério só se tornam perceptíveis quando se incrementa o financiamento da educação. Nessas condições, a escola consegue repensar seu papel social, seus métodos de trabalho e os conteúdos ensinados. Torna-se capaz de entender a necessidade de abandonar seu compromisso com os programas burocráticos e abraçar, de forma determinante, seu compromisso com o aprendizado dos alunos e, o importante, de todos os alunos.

Somente sob esse prisma, podemos, a médio e longo prazo, pensar em mais igualdade social, enfraquecendo o preconceito de classe, o preconceito, em relação às minorias, em relação à pobreza.

Um outro aspecto é o alijamento em que se deixa a criança pobre da educação infantil. A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), com propriedade, inovou ao fazer da educação infantil parte do sistema educacional, considerando a educação infantil como um período importante na vida da criança, combatendo a idéia do assistencialismo que a marcou por longo tempo, desde a sua origem. Quer para a educação infantil uma educação de verdade, uma educação no sentido exato da palavra, favorecendo o aprendizado numa das fases mais decisivas do desenvolvimento intelectual das crianças.

Hoje, a educação infantil está assistida pela pedagogia, pela psicologia que mostram que os primeiros anos de atendimento são pré-requisitos para conquistas futuras, para a afirmação do conhecimento. A criança, na educação infantil, aprende de acordo com sua idade, suas aptidões e necessidades, dentro do que a época torna socialmente valorizado. A educação pública, para se tornar boa, tem desafios sérios a enfrentar. As avaliações da educação do País têm nos mostrado, reiteradas vezes, o quanto ela é deficitária e, até certo ponto, ineficaz. Manter o aluno na escola, sem que ele aprenda, introduzi-lo numa universidade sem estar bem preparado para cursá-la, é, no fundo, anular a esse aluno as condições justas para bem se colocar na sociedade. Não são os anos que ele passa na escola que vão atestar a sua capacidade, mas a qualidade desenvolvida nesses anos, a qualidade de seu ensino, o quanto de aproveitamento ele obteve em seus estudos.

A escola pública tal como se encontra é portadora de exclusão social. Os alunos de baixa renda, vítimas da falência do ensino público, do descaso com a educação, do desprestígio do magistério, não têm muito que escolher, que optar na sociedade. Estão sempre à margem dos melhores empregos, das melhores colocações.

Lendo o jornal de fins de fevereiro, deparo-me com uma proposta do MEC de ampliação do ensino médio de 3 para 4 anos. A justificativa é dar ao aluno uma alternativa para prepará-lo melhor. Pela proposta, mais um ano de estudo melhoraria sua formação e dar-lhe-ia mais condições de chegar ao mercado de trabalho ou à universidade. “Esses 3 anos não preparam para nada”, disse Antônio Ibañez Ruiz, secretário de Educação Média e Tecnologia.

Pelo projeto, as matérias do 4.º ano seriam escolhidas em função da opção do aluno. Cursar ou não o 4.º ano, também uma opção do aluno. As escolas ficariam obrigadas a oferecer a complementação a todos os que quiserem cursá-la. “Para os que quiserem entrar logo na universidade, haveria um aprofundamento das disciplinas específicas. Para os alunos interessados em ingressar em cursos de Educação Profissionalizante, o 4.º ano teria uma grade curricular mais específica. Para quem vai para o mercado de trabalho, logo de cara, sem ter uma especialização, o 4.º ano o prepararia melhor para ser um comerciante ou uma secretária”.

Pela lógica do projeto, nas escolas públicas, a oferta do 4.º ano deve ser obrigatória; as escolas particulares podem ficar isentas porque “o bom nível de ensino oferecido por elas faz com que o aluno não sinta a necessidade de uma série a mais”, completa Ibañez.

Na teoria, até parece uma boa idéia, mas na prática, nas condições em que se encontra o ensino público, um ano a mais na escola resolveria o problema ou apenas o arrastaria para mais um ano? Se “3 anos, segundo pronunciamento de Ibañez, não preparam para nada”, um ano, apenas, prepararia?

O que, realmente, está em jogo não é a quantidade de anos estipulada para o ensino médio, mesmo porque 3 anos foram considerados suficientes pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), para desenvolver no aluno competências e habilidades que lhe permitam ingressar no mercado de trabalho ou na universidade.

Um olhar aprofundado da questão nos leva ao enfoque da luta pela melhoria do ensino público em nosso País. Levar para o 4.º ano do curso o mesmo padrão de ensino dos anos anteriores significa, simplesmente, repetir a façanha da falência do ensino-aprendizagem.

O foco do problema é a melhoria da qualidade do ensino, não só do médio, mas da educação básica como um todo. O dinheiro que se vai investir nesse ano a mais seria preferível investi-lo no aprimoramento das ações do magistério, buscando, de todas as maneiras, reverter esse triste quadro da ineficiência do ensino oficial.

Se na escola particular, 3 anos de ensino médio são suficientes para dar ao aluno uma boa formação, por que não se investir nessa direção, qualificando o ensino público, equiparando-o ao privado?

Sempre a mesma saída, pelo lado mais cômodo, como foi a criação das cotas! É evidente que o despreparo do aluno é resultante da qualidade e não da quantidade!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2003)

PARCERIA PROFESSOR-ALUNO. CONCEITOS BÁSICOS

Izabel Sadalla Grispino *

A parceria do professor com o aluno cria, na sala de aula, um clima interativo, um conhecimento articulado, facilitadores da comunicação e da abordagem da educação democrática e libertadora.

Ao trabalhar o aluno, sua matéria-prima, o professor marca sua presença na sociedade, quando lhe entrega o resultado de sua obra maior: um cidadão conscientizado de que o desenvolvimento do País é a soma do desenvolvimento individual.

Para chegar a esse bom termo, o professor precisa adequar o seu ensino ao tipo de aluno que recebe; precisa falar, como emissor, a língua do aluno, o receptor. Conhecê-lo bem, conhecer seu universo cultural, deve ser o ponto de partida, a fim de centrar a aprendizagem em bases no real, no concreto, preferentemente nas séries iniciais, e evitar, assim, uma possível inadaptação do aluno aos métodos da escola.

Escola é vida, é experiência de vida. Investigar o cotidiano do aluno, trazer sua vida à escola, relacioná-la, estrategicamente, aos conteúdos do currículo, vão tornar a aula mais atraente, mais condizente com esse aluno.

O ato pedagógico deve estar inserido nas condições psicossociais do aluno, dentro de sua faixa etária, e ministrado de forma prazerosa e afetiva. O professor deve encaminhar o seu ensino de modo a desenvolver habilidades paralelamente à aquisição do conhecimento. Estes preceitos já aprendíamos, na década de 60, com o Prof. Anísio Teixeira, na proposta de sua escola-parque.

É consenso entre os pedagogos de que “pacote pronto” leva à repetência e de que a apropriação do conhecimento historicamente constituído leva ao desinteresse, à apatia.

A função do professor é um questionar contínuo. Deve ser um pesquisador permanente. Para melhor se aproximar do aluno, questiona-se: quem é esse elemento humano que recebo? Como é o seu modo de vida? Quais são as suas condições financeiras? Quais as marcas culturais que traz de sua família? De sua comunidade? Mediante respostas obtidas, ressalta as variantes que deve considerar no seu planejamento de ensino e os meios para interagir com elas.

Todavia, a competência do professor está em superar gradativamente essa realidade e dar ao aluno uma formação compatível com o mundo moderno, remetendo à escola o seu caráter formal. É evidente que a preparação do professor tem reflexo na aprendizagem. Ele precisa mostrar qualidade, atualizar-se.

Uma das maneiras de conhecer o aluno é trocar informações com ele. Nessa troca, o professor não pode considerar, apenas, o seu saber, mas, também, o saber do aluno. Não fecha o conhecimento, não se coloca como o “detentor do saber”, ao contrário, abre-se para outras culturas, as pluriculturas, que, mesmo diferentes da sua, são igualmente válidas. É uma troca onde se transmitem e se recebem informações. Tem que “aprender a aprender”, como enfatizou o nosso Paulo Freire, saber interpretar as múltiplas linguagens, as falas heterogêneas, na constatação de que o saber é uma viagem, não um porto.

A troca é democrática, forma o aluno para o diálogo. Democracia é treino. A parceria, a troca, são canais, por vezes, difíceis, que demandam tempo, mas que precisam acontecer.

Traçando o perfil do aluno, valorizando sua história, obedecendo a estrutura do pensamento – as fases específicas do desenvolvimento mental delineadas por Jean Piaget – o professor terá um aluno interessado, participativo, com um desempenho que irá, indubitavelmente, do grau bom ao excelente.

Um outro aspecto a ser considerado nessa linha de atuação é não se utilizar do saber como fonte de poder: o professor detém o poder porque é aquele que sabe, o aluno aquele que não sabe. O saber, embora tenha o seu peso, não pode ser o determinante do poder. O poder não pode estar monopolizado, restrito a uma pessoa ou a um pequeno grupo, mas estender-se a todos os membros da parceria; um poder compartilhado, do aluno para o professor, do professor para o diretor, da comunidade para a escola e vice-versa, onde todos devem ter voz e vez. Um poder que ressurge do grupo, nunca imposto de cima para baixo. Isso, desde a colocação de procedimentos disciplinares, dos limites, os quais deverão ser elaborados, analisados com os alunos, antes de serem adotados, até a escolha de cursos que serão ofertados pela escola.

A opção, hoje, não é pela disciplina do silêncio, mas pela disciplina do diálogo, que conscientiza e, por isso mesmo, favorece o compromisso, a cumplicidade, a vontade de acertar. Desemboca na educação libertadora.

A educação libertadora contempla o construtivismo, faz do aluno o agente e o centro da aprendizagem. No desenrolar de seu processo, o aluno, ao ser encorajado e valorizado em sua fala, libera o seu eu, caminha para a criatividade, para o espírito crítico, atingindo autonomia de expressão. É a pedagogia de um saber que resulta da observação, da pesquisa, da experimentação, do fazer e que, através desses passos, chega, criticamente, ao saber acumulado pela humanidade. Não se quer um aluno acrítico, acomodado, mas um indivíduo crítico, participando da transformação do mundo.

Ao pensar criticamente, o aluno vai aprendendo o sentido específico das palavras, o sentido, por exemplo, de liberdade, dos limites que se impõem para conquistá-la, diferenciando-a de libertinagem, de atos libertinos. A educação libertadora prioriza o ser pensante, o ser capaz de ousar para, no amanhã, enfrentar, com coragem, os desafios inerentes à própria vida.

Atuar profissionalmente, de modo a não sufocar a semente plantada, a regá-la, a arejá-la e no seu desabrochar poder dizer: “Eu fui, apenas, o jardineiro; a flor já estava lá”, é a grande realização do professor.

* Extraído do site www.izabelsadallagrispino.com.br

ALUNOS EM DESAJUSTE DE IDADE E SÉRIE

Izabel Sadalla Grispino *

Em 23 de maio de 2002, o Ministério da Educação (MEC) divulgou dados do Censo Escolar de 2001, onde demonstrou que uma parcela significativa de alunos está atrasada em relação à série ideal. Demonstrou um aumento do número de estudantes que concluem o ensino fundamental e médio com desajuste entre idade/série. A idade ideal para terminar a 8.ª série é 14 anos. Dos 35,3 milhões de alunos matriculados no ensino fundamental 22% têm mais de 14 anos, mas 31%, dos 2,6 milhões de alunos que chegaram ao fim do ensino fundamental em 2000, têm mais de 18 anos. A situação piora no ensino médio: dos 8,4 milhões de jovens matriculados, 54% têm mais de 17 anos e entre os concluintes, em 2000, 49% tinham mais de 20 anos.

O atraso escolar é um problema para a continuidade dos estudos. O aluno ou acaba evadindo-se da escola, abandonando os estudos, ou vai para o ensino supletivo. O crescimento de matrículas, na educação de jovens e adultos, é um indicador da passagem da escola regular para o ensino supletivo. O censo mostra outra parte das distorções quando registra 240,7 mil alunos com mais de 29 anos matriculados na 1.ª à 4.ª série. Esses alunos não deveriam estar freqüentando um curso como o ensino fundamental, mas recebendo um tratamento educacional mais adequado às suas condições.

O censo de 2000 registrou 3,4 milhões de estudantes, o censo de 2001, 3,8 milhões, com um aumento de 11%. Somando-se todos os níveis da educação básica, há mais de 54 milhões de alunos, em 2002, matriculados. Esses dados vêm demonstrar uma explosão de matrículas, uma ênfase na quantidade e não na qualidade.

O número de matrículas no ensino fundamental é bem maior do que a população de 7 a 14 anos, o que mostra o desencontro entre idade e série, ocasionando distúrbios na aprendizagem. São 26 milhões de crianças nessa faixa etária ante 35,3 milhões de matriculados. Essa distorção deve servir de alerta às autoridades da educação, na proposição da criação de modalidades de ensino que equacionem a situação.

Em contrapartida, há uma outra discrepância que deve ser revista: a maior parte dos alunos que fazem o supletivo tem entre 18 e 24 anos. Dos 3,8 milhões, 1,2 milhão estão nessa faixa etária. Mas, o censo mostrou que há crianças em idade para freqüentar a escola regular fazendo supletivo. São 79 mil alunos de até 14 anos matriculados nos supletivos e 530,7 mil de 15 a 17 anos.

O censo constatou, o que já se sabia, que a pobreza é um fator que influi na evasão e na repetência escolar. Comprova o número de ingressantes e concluintes do ensino fundamental. No Nordeste, região mais pobre do País, apenas 38% dos 2,3 milhões de alunos que ingressam na 1.ª série chegam ao fim do ensino fundamental. No Sudeste, região mais rica, 76% chegam ao fim do ensino fundamental.

Abriu-se vaga para todos nesse grau de ensino e a camada mais pobre da população começou a adentrar a sala de aula. Alunos que, provenientes de lares de renda mínima, de pais de baixa ou de nenhuma escolaridade, sem a freqüência à pré-escola, sem estimulação familiar aos estudos, vivendo num ambiente de pobreza financeira e cultural, se esbarram no caminho do aprender e acabam por desistir da escola.

A escola, por sua vez, atua com professores de precária formação, incapazes de uma metodologia que entre no mundo desmotivado desses alunos e os conduzam ao universo do saber. Embora o censo tenha demonstrado um aumento de professores, sobretudo na pré-escola, com curso superior completo – aumento de 40% -- ainda prevalecem os docentes com ensino médio completo: são 169,6 mil de um total de 248,6 mil. Em 2001, 61,3 mil professores de pré-escola tinham cursado uma faculdade.

A mesma situação repete-se com os professores das creches, em que prevalece a formação de nível médio. Dos 63 mil professores de creche, 68% têm diploma de 2.º grau. Na 1.ª à 4.ª série, nível em que 67% dos 809,2 mil professores têm magistério, houve um aumento de 47 mil professores lecionando com  diploma de grau superior.

O aumento de professores cursando o ensino superior é, sem dúvida, fator positivo, a redução de professores leigos, que não concluíram o ensino médio – a qualificação mínima para se dar aulas – foi significativa, de mais de 50%, mas não o suficiente para se reverter a situação da má qualidade do ensino. Em 1998, havia 95 mil docentes leigos, ante 46 mil constatados em 2001.

Duas grandes lições podemos tirar do censo 2001. A necessidade de se programar ações efetivas para a aprendizagem de jovens e adultos, colocando-os frente a uma metodologia que dê conta dessa faixa etária, considerando seus perfis, seus ritmos, e a de investir-se na formação dos professores, criando condições a uma formação continuada e em serviço.

Assistir a pobreza, criar boas condições de trabalho, diminuir o número de alunos por classe, cuidar melhor da escola, são combinações que trarão melhorias na qualidade de ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.           
(Publicado em novembro/2002)

* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em novembro/2002)

UMA LIÇÃO DE PEDAGOGIA

Izabel Sadalla Grispino *

É preciso acordar para a importância da educação infantil. A proposta do prof. Giannetti, relatada por mim no artigo anterior, deve vir acompanhada de processos de melhorias de ensino.

Antes de chegar ao ensino fundamental, o aluno deverá ter percorrido as etapas da educação infantil, ter sido, devidamente, estimulado e respeitado nas diferentes fases do desenvolvimento infantil.

Hoje, a conclusão é de que a educação infantil é estratégica par o futuro do País. A educação de zero aos 6 anos constitui a grande lacuna do nosso sistema escolar. A primeira infância é o período mais importante na formação do indivíduo. Nessa fase se formam valiosas sinapses neurológicas e se constroem os fundamentos da nossa representação simbólica do mundo.

O cérebro desenvolve-se nos primeiros anos de vida. É na faixa etária de zero a 3 anos que se formam 90% das conexões cerebrais. As pesquisas científicas, há tempo, destacam a importância da educação infantil no desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e social das crianças. Quanto mais cedo a criança ingressa na educação infantil maior é o seu aproveitamento escolar e melhor sua conduta social.

Há estudos comprovando que as crianças que freqüentaram creches e pré-escola tendem a obter maior sucesso profissional em comparação com as que foram matriculadas no ensino fundamental sem passar pelo ensino infantil.

Além do ensino fundamental, é preciso enfatizar a importância da educação infantil, ensino que eleva o aproveitamento dos alunos no ensino fundamental, principalmente os de famílias de baixa renda.

O Brasil tem muito que avançar no ciclo da educação infantil. Este ciclo e o ciclo fundamental são ciclos decisivos para preparar as novas gerações para enfrentar o competitivo mercado de trabalho.

O relatório da Unesco sobre educação infantil, lançado recentemente – novembro de 2006 – em Nova York, coloca o Brasil entre os piores na área de educação infantil, em todo o mundo.

Elevar o nível de ensino é conhecer os pontos de estrangulamento do sistema e enfrentar as dificuldades. Na passagem do conhecimento temos a macroabordagem, que envolve a filosofia da escola, sua linha pedagógica e todo o contexto educacional vigente, e temos a microabordagem, que se resume, especificamente, na relação professor-aluno. É quando o conhecimento vai acontecer. Aqui o maior peso recai para a vocação docente. Quando se ama o que se faz, quando se sente compromissado com a causa, esta se realiza.

O grande educador, o educador de todos os tempos, Renato Alberto T. Di Dio, dizia: “Os docentes equilibrados e estudiosos tomam decisões com a propriedade que emana do bom senso”. Acrescentava: “Com equilíbrio e bom senso, qualquer teoria, qualquer método funciona”.

Numa palestra, realizada para os formandos do Magistério, elucidei um aspecto afetivo do ensino-aprendizagem, com minha poesia: “Uma lição de pedagogia”. Meu filho, sério, me perguntou, / Por que a senhora sempre grita? / Ontem me deu ordem, não conversou, / Hoje, mais parece acesa pipa! // Papai é diferente, mais amigo, / Vive alegre, me compreende, / Dialoga, papeia comigo, / Me estimula, me apóia sorridente. // Foi ducha fria na minha cabeça: / Ando vazia de amor, rancorosa, / Espalhando ira, sempre chorosa. // Ao invés de proferir fria sentença, / Cultive a rosa, aqueça a complacência, / Educar é fruto de amor, de paciência.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2006)

BRASIL ALFABETIZADO

Izabel Sadalla Grispino *

O governo federal lançou em 8 de setembro do corrente ano, no Palácio do Planalto, o Programa Brasil Alfabetizado. Para se assegurar da viabilidade do programa, fechou convênios com prefeituras, organizações não-governamentais e universidades, que garantem a alfabetização de cerca de 1 milhão de jovens e adultos. O ministro da Educação, Cristovam Buarque, também assinou documentos com entidades representativas de universidades públicas e particulares para que elas se comprometam a estimular seus alunos a serem alfabetizadores, dando, inclusive, créditos em disciplinas para esses alunos. Segundo o ministro, o estudante que é um alfabetizador será um melhor profissional.

Não haverá uma metodologia única de ensino. O método será escolhido pelo educador, porém, o governo dará uma orientação para os cursos de alfabetização, 200 horas/aula, divididas em 10 horas semanais, ou 6 meses de cursos. Espera-se que os jovens e adultos, acima de 15 anos, sejam alfabetizados em cursos de 6 a 8 meses. Confederações nacionais da indústria, comércio e agricultura também se comprometeram a alfabetizar funcionários de seus filiados e adotar processos de seleção para a contratação e dar preferência a candidatos que tiverem o certificado de alfabetização do MEC.

É um movimento pioneiro, uma alfabetização em massa, de alcance educacional um tanto precário, onde surgirão inevitavelmente analfabetos funcionais, mas que não deixa de ser um primeiro passo para os que nunca freqüentaram uma escola. Alfabetizar uma criança é bem mais delicado, requer um professor bem formado, conhecedor de métodos de alfabetização, das etapas do desenvolvimento infantil, das especificidades que cada ano de idade da criança requer, quando então se parte do concreto caminhando para o abstrato. Alfabetizar a criança exige competência técnica aprimorada. Alfabetizar o adulto é processo mais simplificado. O adulto já atingiu a etapa final do seu desenvolvimento mental, sem ter tido, contudo, as estimulações precoces da educação infantil. Ao adulto, o importante é ajustar o conhecimento ao perfil e ao ritmo do aluno a ser alfabetizado. O objetivo é ensinar a ler e a escrever e não ministrar educação integral, pouco se envolvendo em atitudes e comportamentos.

Pesquisas têm demonstrado que apenas 29% da população brasileira possuem um bom nível de alfabetização. O déficit educacional do brasileiro é grande, cerca de 60% da população não teve 8 anos de estudo. As pesquisas mostram que em apenas 19 municípios brasileiros a população possui um índice que corresponde às 8 séries do ensino fundamental. Em outros 1.796 municípios do País a escolarização média da população é inferior a 4 séries concluídas, não atingindo o término do 1.º ciclo do ensino fundamental.

Os estudos revelam a existência de uma forte correlação entre o grau de instrução e a taxa de analfabetismo. Em Niterói (RJ), cuja população possui o maior número médio de séries concluídas do País, de 9,5 anos, a taxa de analfabetismo é de 3,6%. No outro extremo está a cidade de Guaribas (PI), na qual a população tem, em  média, apenas 1,1 série concluída. No município, a taxa de analfabetismo é de 59% e o analfabetismo funcional alcança quase 93% da população.

As diferenças regionais evidenciam-se quando se leva em conta o grau de instrução da população. Todos os 10 municípios com melhores indicadores estão nas regiões Sul e Sudeste e as 10 cidades com o menor número médio de séries concluídas estão nas regiões Norte e Nordeste. O País continua marcado pela desigualdade. Os índices de analfabetismo em famílias com renda acima de 10 salários mínimos chega a ser 20 vezes menor dos que ganham 1 salário mínimo.

Um outro agravante no País é o número cada vez maior de analfabetos funcionais. A pesquisa Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf), da Fundação Paulo Montenegro/Ibope e Ação Educativa, revela que 67% dos brasileiros são analfabetos funcionais. Temos, é verdade, avançado na alfabetização absoluta, com 97% das crianças na escola, mas o analfabetismo funcional continua crescendo. A escola vem oferecendo aos alunos um ensino de tão baixa qualidade que eles não sabem como usar na, vida real, o pouco que aprenderam. Isso indica dupla preocupação: com os 20 milhões de analfabetos absolutos, que nunca freqüentaram uma escola, e com os que, apesar de saberem ler e escrever, são analfabetos funcionais, incapazes de entender um texto simples. A leitura é truncada, lenta e cansativa. Não conseguem escrever sobre o que leram. Estão em total desvantagem na educação. Eles são reflexos de uma escola decadente, que reflete um atraso acumulado dos últimos 30 anos. Uma escola que alfabetiza, mas não se preocupou em estimular a leitura e para uma boa alfabetização a leitura é indispensável. A leitura fortalece o conhecimento, amplia a visão de mundo.

Pelo exposto, percebemos o quanto a sociedade deve ser mobilizada, conscientizada, para o nosso falido sistema educacional, que marca um forte retrocesso nas condições sociais do País. A lacuna entre trabalhadores e inclusão no mercado de trabalho se faz sentir fortemente. Como, por exemplo, a indústria poderá conviver com o funcionário analfabeto diante de um mecanismo robotizado?

* Supervisora de ensino aposentada.             
(Publicado em outubro/2003)

O TRANSTORNO DA HIPERATIVIDADE NA CRIANÇA

Izabel Sadalla Grispino *

Na segunda década do século XX, houve um forte despertar sobre o estudo da criança. Sua forma de agir, sua evolução psíquica, aspectos fundamentais da personalidade. A cada dia, a ciência, a psicopedagogia, nos enviam recados. Registrei alguns aspectos que devem fazer parte do conhecimento da educação infantil, quer pela família, quer pela escola.

Vejamos o caso de crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), uma doença infantil, conhecida apenas como hiperatividade. É uma doença que causa uma agitação acima do normal, transtornos de aprendizagem, dificuldade de concentração e instabilidade emocional, entre outros sintomas. Os psicólogos a definem como doença neuropsiquiátrica, caracterizada, essencialmente, por distração, inquietação e baixa tolerância à frustração, que, geralmente, vem associada à impulsividade comportamental.

É comum essas crianças apresentarem dificuldades de atenção, percepção, planejamento e organização, além de falhas de comportamento. Essas dificuldades podem causar prejuízos na formulação de sentenças, tarefas que envolvem memória seqüencial, percepção viso-especial, síntese de idéias e coordenação motora.

O psiquiatra Ênio Roberto de Andrade diz que a criança se distrai com tudo, não consegue avaliar o que é mais importante, porque o cérebro trabalha mais lentamente. Ele é o fundador do Ambulatório para TDAH do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), primeiro ambulatório especializado no Brasil. Nesse serviço, a criança é encaminhada para tratamento, que, geralmente, envolve a administração de medicamentos estimulantes, para que o cérebro volte à atividade normal. “Dependendo do caso, também é indicada terapia individual, familiar ou acompanhamento de um fonoaudiólogo”.

Segundo Dr. Ênio, o TDAH atinge de 3 a 5% da população mundial, de acordo com os estudos internacionais. Acomete, porém, mais em meninos que em meninas. No ambulatório do HC, são nove casos em meninos, contra uma ocorrência no sexo feminino (out. de 2004). Por definição, esse distúrbio aparece por volta dos 7 anos e afeta pelo menos duas outras áreas da vida infantil escolar, como o convívio social e familiar.

Hiperatividade não é uma doença associada à deficiência na inteligência. Há casos de hiperativos com inteligência bem desenvolvida. A principal causa apontada por especialistas é o fator genético. Geralmente, o pai da criança hiperativa também já apresentou a doença. Raramente, o TDAH pode estar relacionado a traumas no sistema nervoso, devido a algum acidente em que a criança tenha sofrido um choque na cabeça. Tabagismo e álcool durante a gravidez aumentam o risco, de duas ou três vezes, de a criança, já propensa, adquirir a doença, diz o Dr. Ênio.

A necessidade de medicamentos deve ser avaliada individualmente por profissionais credenciados, para não produzir efeitos negativos, quando o humor da criança pode vacilar da euforia alegre para um estado de muita tristeza, beirando à depressão. A gravidade também se acentua em escolas despreparadas para lidar com o problema. Escolas que, por desconhecer a doença e a melhor forma de educar essa criança, através de broncas e constantes observações pejorativas, acabam por provocar queda na sua auto-estima.

A escola com atendimento às crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) deve ter uma metodologia especial, professores preparados para lidar com o quadro hiperativo.

Há casos de descontrole emocional da criança, que embora, às vezes, beira ao patológico, geralmente não têm nada a ver com anomalias de comportamento. É o caso da birra, crianças que se jogam no chão aos berros por querer algo que a mãe está negando, seja em casa, numa loja de brinquedos ou na rua. Provoca constrangimentos aos pais, quando a criança grita cada vez mais alto, chora, soluça.

Em muitas situações, a birra é comum e inevitável. Logicamente que há motivações, graus e dimensões diferentes, mas, normalmente, faz parte do processo de desenvolvimento da criança. Dizem os psicólogos que é errado seguir para o lado da avaliação moral, acusando a criança de ser mal-educada. Estamos no domínio do sofrimento psicológico. Não mimar muito a criança, ponderar, dialogar em diversas situações são aconselháveis. A birra expressa o sentimento de impotência perante o adulto, é conseqüência da intolerância. Através da birra é possível avaliar a capacidade da criança para tolerar a contrariedade, até que ponto ela sabe lidar com as frustrações. Quando ajudada a resolver o sentimento frustrante, a birra passa.

A psicologia fala nos primeiros desafios à autoridade, aos 18 meses. Nesse período, a criança é totalmente egocêntrica, não sabe dividir seus pertences, nem seu espaço com ninguém. Não deve ser forçada a dividir, porque ainda ela não entende. É momento para se começar a apresentar alternativas, como trocar um brinquedo por outro, fazer um desenho, ao invés de jogar, mas de uma maneira que não pareça uma substituição. Com um ano e meio, a capacidade de concentração da criança é muito pequena. Diante da birra, não adianta forçar ou colocá-la de castigo, porque ela não entende. O melhor a fazer é explicar o que se faz, o que não se faz e dar o porquê.

Aos dois anos, a criança já entende o que o adulto lhe diz e aos três anos já sabe distinguir o certo do errado. Mas, se a birra continuar, dos três aos cinco anos as estratégias das crianças, para enfrentar os adultos, são intensificadas. Diante da contrariedade, crianças explodem e chegam a bater nos adultos. Tornam-se temperamentais e descontrolam os pais.

Os pais ao ceder fortalecem, na criança, a capacidade da manipulação, afastando-a da capacidade de aceitação, de equilíbrio. A birra pode traduzir situações delicadas que devem ser encaradas com naturalidade e ponderação, ensinando a criança a lidar com o sentimento de frustração.

A hiperatividade e a birra são dois aspectos importantes a serem considerados no desenvolvimento da criança pela Educação Infantil.

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS DE 1.ª À 4.ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL

Izabel  Sadalla Grispino *

Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental se dividem em Parâmetros de 1.ª à 4.ª série e de 5.ª à 8.ª série. Os de 1.ª à 4.ª série são uma coleção de 10 livros, enviados às escolas no final de 1997.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais de 1.ª à 4.ª série cobrem as matérias obrigatórias dessas séries, o núcleo comum, para língua portuguesa, matemática, ciências, história, geografia, artes e educação física. Trazem roteiros de que deve, de como deve e para que ensinar aos alunos de 1.ª à 4.ª série. Propõem que os conteúdos das disciplinas se aproximem do dia-a-dia da vida dos alunos, que haja correspondência entre o que o professor fala em sala de aula e o que o aluno faz lá fora. O trabalho escolar não pode estar desvinculado da vida do aluno e deve ressaltar problemas cotidianos. A realidade vivida pelo aluno deve servir de ponte entre o dizer e o fazer, deve unir o currículo formal e o currículo oculto.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais trabalham o aluno como um todo, em sua formação integral, de tal modo que informação e formação caminhem em movimento circular. Dedicam amplo espaço aos chamados temas transversais – sexualidade, droga, saúde, valores morais, sociais e outros – que devem permear as matérias do currículo e ser incorporados à prática, em sala de aula, sempre que a dinâmica da classe comportar.

Os Parâmetros entrelaçam as matérias obrigatórias com educação, sociedade, escola e cidadania. Reforça a importância da ética – ética democrática que afasta a arraigada cultura autoritária – da formação moral, do convívio escolar – na ação de um perante o outro – da participação e co-responsabilidade pela vida social. Há um extenso capítulo: convívio social e ética, cidadania, ética e pluralidade cultural.

Sensibilidade, respeito, coerência e idoneidade são qualidades que se adquirem em casa, mas que a escola ajuda a desenvolver. Respeito é um valor pedindo socorro! Diferentemente do passado, quando o respeito dos filhos pelos pais fundamentava o comportamento respeitoso, hoje, o que impera é o cinismo, o deboche, a agressividade. A criança precisa aprender desde cedo que, quando seu comportamento interferir na vida do outro, ela deve colocar, acima de tudo, o seu compromisso com a ética.

Os Parâmetros oferecem, dentro do processo de construção do conhecimento, formas de estimular e de avaliar os alunos. Propõem uma avaliação ampla, investigativa e final, onde se consideram os aspectos conceituais, procedimentais e atitudinais. Eles ampliam o papel do professor e reforçam a importância do trabalho coletivo. O ensino-aprendizagem deve fazer do aluno um ser pensante, criativo, essencialmente crítico, deve proporcionar-lhe oportunidades de “aprender a aprender” e se tornar um cidadão.

PLURALIDADE CULTURAL – Pluralidade cultural é um tema que vem sendo considerado como de grande importância à aprendizagem. Ele conscientiza o aluno dos valores diferenciados do homem. A diversidade cultural é um patrimônio da humanidade, uma forma de afirmação étnica e da cidadania. Deve ser explorada pelo professor, porque é na compreensão dessa pluralidade que se mantém o respeito mútuo, o respeito aos valores alheios, que se criam sentimentos de tolerância. Num País como o Brasil, com seu quadro sociológico composto da multiplicidade étnica e cultural, não há lugar para a uniformização. A uniformização leva à discriminação, ao preconceito, ao racismo, à anulação de povos e de grupos minoritários.

“Pluralidade cultural” propõe amplo estudo das religiões, não como ensino religioso em si, mas como parte da cultura, da história, da arte dos povos. O documento insiste no caráter laico do Estado e na necessidade de laicidade do ensino público para se garantir o livre-arbítrio e os valores das diferentes religiões. Esse item reforça conceitos apregoados pela renomada educadora Emília Ferrero, quando registrou a importância das diferentes culturas, do multilingüismo, das variações dialetais, variações da fala, no processo ensino-aprendizagem. A escola, ao respeitar a cultura dos alunos, seus costumes, suas tradições, promove a idéia de plural da sociedade, estimula e dá autenticidade à aprendizagem. Utilizar-se do plural para diversificar, não para unificar.

Os modelos educacionais mudaram nas últimas décadas. Deixando de lado a ênfase na memorização, as escolas passaram a adotar propostas pedagógicas destinadas a dar mais autonomia aos alunos na aprendizagem, a torná-los pessoas com maior compreensão de seu cotidiano, mais capazes de tomar decisões e mais aptos ao convívio social. Esses procedimentos são, hoje, as principais tendências do ensino, que deverão se consolidar na próxima década.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2000)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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