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Artigos Educacionais

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FELIZ ANO DE 2007

Izabel Sadalla Grispino *

Desejo a todos meus leitores um 2007 de paz, saúde e prosperidade. Um ano de luz, de confraternizações e esperanças. Que o homem, neste ano, seja motivado à participação e à solidariedade.

Alargando os votos de um ano feliz, desejo que, no exercício da cidadania, toda a sociedade civil assuma uma participação ativa, consciente, nas questões sociais, co-responsabilizando-se com o Estado, na formação de um mundo mais igual, menos injusto.

Aprendamos a reforçar em nós o sentimento do bem, do amor, dividindo, um pouco que seja, do que temos, para os que nada têm. A luz do sol é farta, nasce para todos. Por que não dividi-la, afastando caminhos rotos?

Aprendamos a reforçar em nós o conceito de humanidade e tentar pô-lo em prática no nosso dia-a-dia. Somos os grãos humanos reprodutores da existência, somente dentro de nós, a ética da vida, sua consciência.

Guardemos a esperança de que, neste ano, a conscientização sobre a educação, como único caminho possível para a redenção dos problemas sociais, tome conte das preocupações gerais da nação. Que haja um grande esforço governamental para oferecer às nossas crianças, aos nossos jovens, uma educação que corresponda às necessidades reais da sociedade. Não apenas uma escola que diplome, mas uma escola que ensine com qualidade, que ofereça mão-de-obra capaz, apta ao serviço a que se destina.

 

MEDITAÇÃO

O Ano-Novo não é novo,

É uma convenção do povo,

As intenções é que são novas,

Nos conceitos que se renovam.

Aprimoremos, pois, nossas ações,

Aprimoremos nossos sentimentos,

Se quisermos ver um dia

A terra girar em paz, no firmamento!

A vida é feita de anos corridinhos,

Na ilusão, ano vai, ano vem,

E, como tal lebre rapidinha,

Vai levando o homem pro além.

O tempo é uma roda-gigante,

Oscila sem parar, pra baixo e pra cima,

É um traiçoeiro amante,

Pela fugacidade prima.

Que Deus alerte nosso viver,

Nos dê da luta a medida certa,

Pensamento que desponte o alvorecer,

Canção divina, salmo da floresta!

Fé na vida, fé no amor!

Que os dias, ao longo deste ano,

Espalhem canteiros de flor,

Paz no campo e no centro urbano.

Louvemos o ano de 2007,

Louvemos Nosso Senhor,

Rezemos pelo homem,

Rezemos pela fome!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2006)

EDUCAR PARA OS DIREITOS HUMANOS

Izabel Sadalla Grispino *

O avanço no processo educacional ganha dimensões humanas inusitadas. A escola volta seu olhar para as pessoas de risco, buscando resgatar sua dignidade, na prática do exercício da cidadania. Em localidades carentes, a escola predispõe-se a regularizar a vida da criança, partindo do registro civil.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, em 16 de dezembro de 2002, que em 2000, em um ano, mais de um milhão de crianças não têm certidão de nascimento. Em 2000, 3,2 milhões de crianças nasceram em hospitais brasileiros, mas apenas 2,5 milhões foram registradas em cartórios. Além desses bebês – 700 mil  que não entraram nas estatísticas oficiais -- o IBGE calcula que outros 370 mil nascimentos ocorreram em casa e não foram notificados, levando a um total de 1.070.000 de crianças sem certidão de nascimento, em apenas um ano.

Os chamados sub-registros afetam não só os dados de nascimentos, mas também os óbitos. O IBGE estima que,  nas regiões Norte e Nordeste, 48,2% e 35,6% dos nascimentos não foram registrados em 2000.

A escola, considerando que o sub-registro é um problema sério, envolve a questão da cidadania, entende que o primeiro passo é providenciar o registro dessas crianças. Afinal, quem não tem certidão de nascimento não existe e não pode exercer seus direitos.

Criou-se, assim, a concepção de sujeito de direito, conceito que a escola quer desenvolver nos alunos. Mostrar à criança novos caminhos, estimular a vontade de ser alguém, desenvolver nela a consciência de que tem direitos, tem direito a ser criança, de que é uma pessoa capaz. Estes aspectos são pontos de partida para a educação da cidadania.

Sujeito de direito é uma louvável vertente da escola que quer educar a criança para os direitos humanos, procedimento que atinge tanto a educação formal, como a informal. A educação dos direitos humanos é multidimensional, abrange não só a dimensão cognitiva do aluno, mas a dimensão comportamental, social, afetiva, emocional. Prepara o aluno para ser um cidadão cônscio de seus deveres, suas responsabilidades e dos direitos a que tem e que pode usufruir.

*    *    *

FELIZ  ANO  NOVO

É o que desejo a todos vocês, queridos leitores. Que 2003 os conduza em direção à estrela-maior, reinado do amor, da fé, da esperança. Que sua irradiação transforme a terra num oráculo de canto e de paz.

 

PASSAGEM DE ANO

PASSAGEM DA VIDA

A vida desponta:

Crescemos,

Lutamos,

Construímos,

Energia total.

Vivemos junto à esperança,

Futuro e sonho,

Escritos em aliança.


Eis que o sol poente aparece,

Quanta mágoa, quanta desilusão!

Ausência de fantasia,

Realidade e sangria.

A realização é inconsistente,

A vida é estreita demais,

Sempre se espera fazer mais.

Agora, pouco se olha pra frente,

O passado vira alimento,

A vida se torna lembranças,

Volta-se ao solar da criança.

A vida é canto sonoro,

Passos leves, sem esmagar,

A estrela que tanto brilha,

Lentamente se apaga ao luar,

Andamos tropeçando em túmulos,

Sabendo que haverá a hora de lá chegar!

Vida e tarde que escurece,

O esperar, o desesperar,

Chorar a saudade,

Viver o conflito,

A dor que arrebenta,

Um amor que nos sustenta;

Vão-se as noites de verão,

O inverno chega de antemão.

A vida vale pela paz,

Águas mansas que deslizam devagar,

Não há tempo, nem espaço para a insensatez,

O universo dá a todos pouca vez.

 

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em dezembro/2002)

A IGREJA FRENTE AO RACIONALISMO CIENTÍFICO

Izabel Sadalla Grispino *

Assistimos hoje a uma reconciliação da Igreja com a ciência. A Igreja mudou de semblante, mudou de postura diante das descobertas da ciência. Em outros tempos, admitir o encontro da fé com a razão era considerado fraqueza, capitulação. O papa João Paulo II lançou, no ano de 2000, a encíclica “Fides et Ratio” (Fé e Razão), onde faz verdadeira apologia da razão. Reabilita os princípios filosóficos e científicos do racionalismo. “Não existe, não pode e não deve haver contradição entre a verdade que Deus nos revela em Jesus Cristo e as verdades pela filosofia. Deus não tem nada a temer com a descoberta progressista dos segredos da natureza. Não existe oposição entre Revelação e Razão, entre Fé e Pensamento, mas uma complementariedade indispensável”.

A Igreja caminha agora com Galileu Galilei, um cientista de sólida convicção religiosa, que dizia “Deus se revela a cada instante na majestade das leis naturais, que só podemos enxergar através da “luneta” da ciência e a ciência, assim, não pode deixar de progredir...”.

Na verdade, Deus não perde terreno com os avanços da ciência e o papa propõe como que um acordo entre fé e razão, num comportamento bem diferente do passado, quando cientistas, considerados hereges, eram excomungados, como as teses de Galileu ou Giordano Bruno, este queimado vivo, em Roma, no ano de 1600. Períodos negros, sombrios da Inquisição, são superados, ficando no passado. A história foi bastante tempestuosa nas relações da Igreja com a pesquisa científica, quando aquela se mostrou hostil às descobertas de novas verdades pela razão. Isso porque muitas descobertas científicas questionavam seriamente as afirmações literais da Bíblia, consideradas, durante séculos, como verdades intocáveis. Por essa razão, os racionalistas ficaram surpresos, quando, em 31 de outubro de 1992, o Vaticano, com a maior seriedade, reabilitou Galileu, nas questões do heliocentrismo. O mesmo em relação às descobertas de Darwin, sua teoria evolucionista, em contraposição à teoria criacionista, da Igreja, em que todas as espécies teriam sido criadas de uma só vez por Deus. Na teoria da evolução, os seres vivos seriam feitos de matéria comum, derivados, em toda a sua diversidade, de uma primeira e única forma de vida, enquanto a gênese e a configuração da arca de Noé nos ensinam que Deus criou, como querem os criacionistas, toda a diversidade das espécies animais ao mesmo tempo.

A crença da Igreja repousa sobre uma revelação que não depende de demonstração científica, do método experimental, porque Deus está além da ciência; impõe uma fé, uma confiança que deve escapar ao exame crítico e à dimensão racional. A ciência, por sua vez, evoluiu; emancipou-se dos limites rígidos do racionalismo cientificista, das formas distorcidas da razão “positivista”, mantidas, ainda, no século de Júlio Verne. O emergir da bioética constrói uma nova cultura e, neste particular, os cientistas estão menos  seguros de si, menos otimistas e menos confiantes que seus antecessores, nos inevitáveis benefícios do progresso. Eles se questionam sobre a moral, sobre o sentido e a sabedoria que convêm às suas descobertas.

Hoje, o Vaticano está menos preocupado com as descobertas da ciência do que com suas repercussões práticas, especialmente no campo das ciências da vida. Faz apelos à ciência e à medicina para que não se esqueçam da dimensão ética, que não se transformem em manipuladores da vida. Pois, se a Igreja não dúvida de Deus, desconfia do Homem que pensa sem Deus. Para a Igreja é indiferente que o Homem tenha surgido do “evolucionismo” ou do “criacionismo”, conforme ela acredita, porque é no momento em que Deus outorga uma alma ao ser humano que ele ganha essa dimensão. Na verdade, não há oposição entre ciência e fé.

A partir de 1860, as teorias de Darwin seriam energicamente condenadas pela Igreja, até que o próprio Darwin foi excomungado. Esse comportamento da Igreja, em relação à ciência, despertou, nos adeptos do racionalismo, uma certa prevenção contra os ensinamentos religiosos, em relação às descobertas do universo. A Igreja católica, reconhecendo seus erros, resolveu celebrar um grande jubileu, no ano de 2000, e numa atitude que muito vem ensinar os cristãos, num exame profundo de consciência, pede perdão pelas falhas ocorridas no passado, pelo abuso de autoridade, decorrentes de erros humanos, falhas humanas, não da Igreja em suas verdades fundamentais anunciadas por Cristo. A Igreja é representada por homens e todos nós, enquanto humanos, somos passíveis de falhas.

O jubileu tem a ver com o perdão, e o grande jubileu, do ano passado, comemorou os 2000 anos do nascimento de Jesus Cristo e sua obra redentora. Comemorou o perdão, o louvor a Deus e a peregrinação.

O perdão foi amplamente comentado pelo papa João Paulo II, que estimulou os cristãos a examinar a história do último milênio do cristianismo e pedir perdão. Mas, ao mesmo tempo, estimulou os cristãos a louvar a Deus, pelos imensos frutos que a fé cristã trouxe à história da humanidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2001)

LONGO DESCASO À EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Em nosso País, economistas encontram no prolongado descaso à educação a explicação para a desigualdade de renda brasileira. Descaso secular, em que a cada década os problemas se agravam, se avolumam e arrastam o País para um futuro incerto, desordenado. A baixa escolaridade levou à baixa produtividade da mão-de-obra, aos baixos salários, à favelização, à criminalidade.

Diferenciais de salário estão diretamente relacionados a diferenciais educacionais. Em meados dos anos 90, o ensino fundamental universalizou-se e com ele se agravou a qualidade. O IBGE mostra que, praticamente, 3 de cada 5 jovens lêem e escrevem mal.

Confirmam os economistas que cada ano a mais na escola  representa  um  investimento  para a sociedade equivalente a uma aplicação financeira que rende 15% de juros reais ao ano. O nosso atraso educacional é responsável, reforçam eles, por no mínimo 1/3 da diferença de produtividade do trabalho que há entre o Brasil e os Estados Unidos.

Os resultados recentes, em economia da educação, apontam o ambiente doméstico como um dos determinantes do mau desempenho dos alunos, da queda de qualidade da educação pública.  Esse fator é facilmente comprovado observando os alunos que freqüentam escolas particulares. Essa conclusão tem empurrado a escola a olhar para o meio onde está inserida, no preceito de educação não só para dentro dela, mas para o seu entorno. Ao contribuir para que os pais, os lares, sejam melhores, a escola estará contribuindo para melhorar a escola de amanhã e para melhorar a renda familiar.

A atenção voltada às famílias é uma maneira de compensar, em parte, as carências do ambiente familiar. Ao criar programas de orientação, a escola eleva a qualidade dos pais, elevando a dos filhos. A universalização do ensino fundamental, embora tenha agravado a qualidade do ensino, trará, contudo, para as futuras gerações de alunos, pais em melhores condições culturais para educar os seus filhos, revertendo em qualidade de ensino.

Países no estágio de desenvolvimento como o Brasil precisam se voltar à pobreza, ao ambiente desestruturado, de pais separados, analfabetos ou semi-analfabetos em que vivem uma boa parte das crianças que vão à escola pública.

Acordaremos, um dia, para a realidade educacional em que vivem os brasileiros? O descaso prolongado à educação, de décadas e décadas, é muito presente, de triste resultado, precisando de outras tantas décadas de políticas públicas consistentes para se conseguir uma solução plausível para a educação, em sua qualidade de ensino.

Poucas são as regiões do Brasil que apresentam um maior avanço na educação. Uma cidade destacada pela qualidade e apontada como exemplo é Águas de São Pedro, no interior de São Paulo, próxima a Campinas. A persistência de anos de políticas públicas  caracterizou o diferencial da educação de qualidade.

Águas de São Pedro possui os maiores índices de crianças matriculadas do País. Não possui escolas particulares e as escolas públicas garantem o nível elevado do ensino.

Teremos, em Águas de São Pedro, uma luz capaz de irradiar seu modelo para o resto do País?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro de 2007)

A ESCOLA FRENTE AO “EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO” (ENEM)

Izabel Sadalla Grispino *

Para dar boas respostas ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a escola precisa aprender a desenvolver nos alunos habilidades e competências, no seu processo de ensino-aprendizagem. Aprender a colocar a formação acima da informação, fazer do aluno um cidadão participante consciente. Desenvolver-lhe a capacidade de raciocinar, de interpretar, de interferir na realidade, de resolver os problemas do dia-a-dia.

O aluno, ao construir o próprio conhecimento, ao partir da observação, da manipulação, da pesquisa, da análise, vai vivenciar o conceito ao invés de recebê-lo pronto. Vai internalizar, chegando com mais profundidade ao conhecimento.

A escola deve realizar um currículo com conteúdos contextualizados, próximos da realidade do aluno, e trabalhados de maneira indisciplinar, em conteúdos interligados. Deve ter presente que o objetivo do Enem é medir habilidades e não conteúdo, é processar uma avaliação interdisciplinar.

A título de informação, o Enem do ano passado foi interdisciplinar, apoiou-se em interpretações de textos, aferiu mais compreensão que conhecimento específico. O exame exigiu conhecimentos usados no cotidiano. Não exigiu do candidato muitas contas, mas que ele fosse capaz de aplicar o raciocínio. Não pediu fórmulas. Trouxe questões do dia-a-dia que estão nos jornais: analfabetismo, clonagem, vacinação, cadeia alimentar, ecologia e reciclagem de materiais foram as bases das questões de biologia. A redação teve como tema: “Cidadania e participação social” (o engajamento e a participação social do jovem.

Quanto à inscrição dos candidatos, orientá-los de que a mesma deve ser feita em qualquer agência dos Correios, munidos de um documento original de identidade, com foto. Ele preencherá uma ficha de inscrição no próprio local e pagará uma taxa estipulada, no momento, pelo MEC (com exceção dos alunos carentes). A inscrição pode ser feita em uma cidade e a prova em outra, bastando indicar, no formulário, o código do município desejado. Pode ser feita, também, via procuração.

De acordo com Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), o Enem avalia cinco competências e 21 habilidades gerais desenvolvidas pelo aluno ao longo da Educação Básica. Cada habilidade é medida por meio de três questões e a nota da prova objetiva, numa escala de 0 a 100, é atribuída a partir da avaliação de cada uma das cinco competências, que são as seguintes:

-- Domínio de linguagens: demonstrar domínio básico da norma culta da Língua Portuguesa e das diferentes linguagens.

-- Compreensão de fenômenos: construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.

-- Enfrentamento de situações-problema: selecionar, organizar, relacionar e interpretar dados e informações para enfrentar situações-problema com vista a tomadas de decisão.

-- Construção de argumentações: organizar informações e conhecimentos disponíveis em situações concretas para desenvolver argumentações consistentes.

-- Elaboração de propostas de intervenção na realidade: recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas criativas, considerando a diversidade sociocultural como inerente à condição humana no tempo e no espaço.

Com esta propositura, o Enem afasta a decoreba, derruba o hábito da cola de que tanto a escola se ressente. Reforça a interdisciplinaridade e a contextualização. Esses dois conceitos, no ensino médio, levarão à confecção de livros didáticos orientados mais para a história do contexto, remetendo ao uso de jornais e revistas no dia-a-dia do ensino. “Dificilmente, um livro poderá ser destinado a uma série específica, porque os conteúdos estarão muito relacionados. A liberdade de a escola dividir os 3 anos do curso, em séries ou módulos, impedirá a edição de livros para cada uma das séries, como ocorre hoje. A tendência é que as editoras ofereçam livros para o ensino médio, nos quais estarão os conceitos básicos, que serão tratados em sala de aula de forma diferentemente, de acordo com o nível escolar”, esclarece Ruy Berger, secretário da Educação Média e Tecnológica do MEC.

O “Exame Nacional do Ensino Médio” (Enem) é  uma   indicação  de como será o processo educacional nos próximos anos. Ele segue a atual tendência de ensinar os alunos como usar todas as informações aprendidas no dia-a-dia, na interpretação de informações e na situação de problemas.

Os modelos educacionais vêm sofrendo mudanças. As escolas mudam o foco do ensino, que dava ênfase à memória para contemplar a autonomia dos alunos na aprendizagem, dar-lhes uma maior compreensão de seu cotidiano, fazê-los capazes de tomar decisões e tornar-se mais aptos ao convívio social. Essas são, hoje, as principais tendências do ensino que deverão consolidar-se na próxima década.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

O PERFIL DA ADOLESCÊNCIA BRASILEIRA

Izabel Sadalla Grispino *

O relatório divulgado em 11 de dezembro de 2002 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra mais de um terço de adolescentes brasileiros comprometido por seus níveis de escolaridade e renda. Num total de 21,2 milhões, cerca de 8 milhões de jovens entre 12 e 19 anos incompletos pertencem a famílias com renda per capita menor que meio salário mínimo e têm, pelo menos, 3 anos de defasagem em relação à escolaridade correspondente à sua faixa etária.

A redução, nos últimos anos, da mortalidade infantil perde sua expressividade perante as altas taxas de mortalidade entre adolescentes. As crianças que se salvam ao nascer correm o risco de morrer ao entrar na adolescência ou de se tornar um adulto excluído do mundo de trabalho ou um candidato a bolsas de assistência social do governo.

A baixa escolaridade e a falta de políticas públicas integradas para a juventude têm provocado um quadro social deplorável. A marginalização desses jovens, analisa o Fundo, provém de diferentes fatores. Em ordem decrescente de valores, surge primeiro o analfabetismo, que atinge 1,3 milhão de jovens, seguido do abandono escolar – 3,3 milhões não freqüentam a escola – e do trabalho infantil – 1,9 milhão entre 10 e 14 anos trabalham e, na faixa dos 15 aos 17 anos, 3,2 milhões. Segundo o relatório da Unicef, a maioria realiza trabalhos precários, mal remunerados e cumpre jornada excessiva, o que dificulta sua ida à escola.

Aliadas a esses fatores, há ainda a considerar a baixa qualidade de ensino recebida, as diferenças regionais e diferenças de raças. Esses jovens, sem uma direção a seguir, acabam descambando para a violência, para o uso das drogas. O alto índice de gravidez precoce, revelado no relatório, reproduz o ciclo de exclusão: baixa renda, escolaridade precária e inserção precoce no mercado de trabalho.

Para a Unicef, nosso País, que tem a marca de tantas desigualdades, enfrenta o grande desafio da criação de um plano nacional e articulado para o adolescente. “Não existem só desigualdades regionais. Também dentro dos municípios há diferenças nas regiões periféricas e entre zona rural e urbana. Por isso, defendemos a necessidade de uma política nacional e não de políticas setoriais ou localizadas”, diz o oficial da Unicef Sílvio Kaloustian.

O analfabetismo de adolescentes foi o principal índice usado para classificar os Estados e municípios, no relatório da Unicef. A razão está em que se um adolescente não sabe ler ou escrever não tem lugar no mundo do trabalho. Em Alagoas, o índice é de 18%, em Santa Cataria, de 1,3%. Essa disparidade reflete tanto a situação econômica quanto a educacional e de atitude. “O desafio, então, não é olhar para a cidade ou para o campo, centro ou periferia, Sul ou Norte, mas verificar se todas as crianças estão tendo oportunidades”.

Por causa da diversidade, o relatório fala em adolescências brasileiras. “Por um lado, encontramos no Brasil o fenômeno da adolescência prolongada, comum nas classes média e alta, em que a condição do adolescente tende a se prolongar em função das expectativas de uma formação cada vez mais especializada e exigente. Temos, igualmente, um significativo contingente de adolescentes que, pela pobreza de suas famílias, fica impedido de viver essa etapa preparatória, sendo obrigado a uma inserção precoce no mercado de trabalho, formal ou informalmente”, explica o documento.

O Censo 2000 do IBGE, publicado em 20/12/2002, mostra que, embora o País tenha alcançado a universalização do ensino fundamental, com 94,5% de crianças de 7 a 14 anos freqüentando a escola, não conseguiu acabar com a defasagem escolar. Os dados do Censo revelam que, de cada 10 alunos na faixa dos 13 anos, 6 não cursaram a série que deveriam; aos 14 anos, já eram 7.

No grupo de pessoas entre 10 e 14 anos, 1 milhão não sabe ler, nem escrever. A defasagem varia de acordo com o tamanho da cidade. É maior nos pequenos municípios. Um adolescente de 14 anos que mora em uma cidade com até 20 mil habitantes tem mais chance de não estar no ano correto do que o que mora em uma cidade grande. Nas pequenas, 78,8% das crianças  nessa faixa estão atrasadas, ante 63% nos grandes centros. A diferença entre rede pública e privada é grande. Nas escolas públicas, 74% dos alunos de 14 anos não freqüentavam a série que deveriam em 2000. Nas particulares, a porcentagem é de 43%.

O atraso na escola é um sério problema na educação, na vida pessoal e na sociedade. Desajusta-se a personalidade, trazendo desencontro nas realizações. Nessas condições, o normal é o aluno desanimar-se e desistir dos estudos, candidatando-se à marginalidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2003)

A ESCOLA E O MUNDO DE PAZ

Izabel Sadalla Grispino *

É sempre com emoção que participo de momentos representativos da vida da escola. Fui convidada a presenciar uma atividade extracurricular, no final do ano letivo, uma representação teatral, de uma renomada escola. Ela contou com a presença de pais, de familiares e representantes da comunidade. Foi uma atividade que agradou pela organização, pela esmerada apresentação e pelas significativas mensagens passadas. Deixou transparecer a escola que representa. Houve um congraçamento enaltecedor das relações humanas, com saldo positivo para a escola. Um envolvimento caloroso entre professores e alunos, entre escola e comunidade, em cumprimentos efusivos.

Os alunos representaram no palco, em seis atos, não muito longos, com trajes típicos, cuidadosamente confeccionados, algumas das nacionalidades que despontam no cenário político mundial, em termos de riqueza e em termos de pobreza. Ao lado da beleza do espetáculo, a representação passou imagens significativas em valores humanos, uma auspiciosa sugestão de integração entre os povos, um ensinamento no "formar a roda", no sentido da solidariedade.

Presenciamos a escola exercendo, criativamente, de modo prazeroso, a função social de educar para a paz, para o amor. A escola abrangendo a visão pluralista da educação e da vida, preparando o aluno para entender o momento atual de guerra e de terrorismo, para entender o lado humano que deve nortear o conceito de globalização. É como dizia o educador Antonio Severino: “O professor deve ser fundamentalmente particular e fundamentalmente universal. Pensar globalmente, agir localmente”.

O mundo de amanhã pertence aos jovens. Se quisermos, para eles, um mundo de paz, temos que levá-los a refletir sobre as relações de poder. O paradigma do mercado é a polpuda conta bancária e não a dignidade pessoal. A concentração de renda gira forte entre os poderosos e não permite a entrada dos excluídos. É, pois, a mudança de valores, e não mecanismos econômicos, que vai permitir a reversão do sistema.

A escola está passando da hora de parar de reproduzir informação e começar a formar, a trabalhar caráter, afetividade, preconceito, diferenças, desníveis sociais, apontando para uma convivência pacífica.

Escola é um espaço educacional. Deve saber oportunizar os momentos da educação. Ela não molda, mas interfere na formação da personalidade. Considerei a escolha, da representação teatral, feliz, porque abre a mente e o coração para o acolhimento universal, para a compreensão das opulências e das carências que se contradizem na vida dos povos.

A pobreza, a miséria, que são os pivôs da exclusão social, geram revolta e violência. A violência vem sendo tratada, nos meios educacionais, como um item prioritário, tanto assim que a Pontifícia Universidade Católica (PUC), de Campinas, criou, para o corrente ano, um curso, inédito no País, de pós-graduação de prevenção à violência. O curso será ministrado por especialistas contratados especificamente para ele, terá duração de um ano e será voltado para profissionais de áreas que lidam, diretamente, com vítimas, autores ou situação de violência.

A escola, preparando-se para educar na direção das diferenças sociais, estará dando acentuada contribuição ao combate da violência. Para se ter uma idéia das discrepâncias sociais, vejamos o que nos expõe o Banco Mundial, quando fala que dois terços da população mundial vivem abaixo da linha da pobreza: “Habitam o nosso planeta, hoje, 6,1 bilhões de pessoas. Só 2,1 bilhões desfrutam de condições dignas de vida. Os outros 4 bilhões padecem: 2,8 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, o que significa que não dispõem de renda mensal equivalente a mais de US$ 60. E 1 bilhão e 200 milhões vivem abaixo da linha da miséria, porque possuem renda mensal inferior ao equivalente a US$ 30”.

Os alunos, nessa atividade extracurricular, ao viver no palco sentimentos  de  patriotismo,  peculiaridades cultu-

rais, sociais e econômicas dos diferentes povos, tornam-se mais sensíveis à questão da desigualdade. O interessante é que participaram da representação também atores mirins, correspondentes à faixa etária do período escolar referente à educação infantil, fase da vida em que se deve dar ênfase à formação da personalidade.

Hoje, nós sabemos que a pré-escola é a detentora do troféu das transformações sociais. Quando dizemos que as crianças são o futuro do País, não estamos nos valendo de expressão feita, mas de um profundo sentido real. O provérbio popular, que diz: “É de menino que se torce o pepino”, é rico em sabedoria. “Nós somos o que a criança que fomos fez de nós”. Machado de Assis dizia: “O menino é o pai do homem”.

Podemos perceber o quanto o adulto está na criança, o quanto sai da criança, o quanto é filho da criança. Só a educação das primeiras letras é capaz de modificar o quadro reinante, quadro de sociedades profundamente marcadas por desigualdades de acesso aos bens essenciais.

Para se chegar à mudança social, a escola deve valer-se de projetos alternativos, que conscientizem, estimulem e restaurem os valores humanos, os compromissos morais e éticos. Parabenizo a escola pela estratégia montada a favor da formação do educando, pela idealização da mensagem de paz, pelo despertar de consciências.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(*Publicado em janeiro/2002)

A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

FORMAS DIFERENCIADAS DE ORGANIZAÇÃO ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

O nosso sistema escolar enseja uma variedade de formas de ensino. Além das escolas públicas, que seguem normas oficiais, há escolas particulares com diferentes formatos, diferentes modalidades, em projetos de permanente construção e reconstrução.

Surgiram na década de 90 as chamadas cooperativas educacionais, uma atividade empresarial dirigida por um conselho de pais-cooperados, eleitos em períodos regulares. A gestão administrativa, incluindo contratação de pessoal, e a gestão  educacional são feitas por profissionais de cada uma das áreas, escolhidos por competência, por mérito, afastando o protecionismo. Essas escolas vêm mostrando alto desempenho, muito boa organização e se multiplicando no Estado de São Paulo. Atestam que escola não é só um espaço físico, mas, sobretudo, resultado de um projeto educacional.

O IBGE, num levantamento feito em 2004, mostrou queda na renda das famílias, com influência negativa na procura por educação diferenciada. As escolas particulares, como outras atividades do setor de serviços, estão enfrentando dificuldades. A crise enfrentada pelas escolas mostra caminhos diferentes em sua solução. Algumas passaram a se preocupar menos com a qualidade do ensino, evitando maiores gastos e se concentrando no fluxo de caixa. Outras não se descuidaram da atividade-fim, tentando resguardar a credibilidade adquirida ao longo dos anos, na tarefa de educar. A inadimplência foi contornada, buscou-se proteger e conservar o seu patrimônio pedagógico, seus professores competentes, comprometidos com a boa educação.

Há grupos de escolas partindo para soluções mais imediatas para resolver o problema de evasão de alunos e a inadimplência. Estão se reunindo em uma “holding” que oferece mensalidades reduzidas, porque os professores são terceirizados. Desse modo, livram-se dos encargos da legislação trabalhista, como a remuneração do descanso semanal e as férias. O professor ganha pelo número de alunos que tem em sala de aula. O proprietário da escola apenas aluga espaço e instalações para uma cooperativa de docentes. A escola vende serviço educacional aos interessados.

A holding, chamada Colégio Brasil Novo, que em 2004 contava com adesão de 49 escolas, definiu o critério de remuneração: 25% da receita fica para os professores locatários e o restante para o locador. A holding propõe que os professores se empenhem e sejam fatores determinantes na atração e manutenção de alunos para evitar sua evasão.

Manter os filhos numa escola mantida por uma holding é uma opção dos pais, que preferem educar os filhos de forma diferenciada, preferindo o ensino privado ao público. A questão que se coloca, em relação a professores itinerantes, locatários de salas de aula, remunerados conforme o número de alunos que possuem, é a validade dessa organização escolar, da atuação docente, em termos educacionais e pedagógicos.

Escola é uma organização formal, necessita de um dirigente que responda por ela, que é responsável perante os alunos, os pais, a comunidade. Não é só um lugar que recebe alunos, mas representa uma filosofia educacional, uma linha pedagógica abrangente a toda instituição, capaz de responder pela execução de seu currículo, mantendo programas de educação compartilhada com toda comunidade escolar. É necessária uma coordenação das atividades docentes, planos pedagógicos interligados, correlacionados, integrados e jamais se colocar em projetos individualizados, representativos de cada professor. O ensino, há muito, deixou de ser  compartimentado.  As fronteiras do conhecimento se diluem cada vez mais na comunicação entre as disciplinas do currículo.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), no seu parágrafo único do artigo 25, define responsabilidade das autoridades educacionais. “Com essa Lei surgiu uma nova concepção de currículo e com ele uma nova concepção de escola. Nova em seu formato, em seu funcionamento, em sua organização, requerendo uma profunda revisão das metodologias de ensino... Revoluciona-se o conceito de currículo, que tem, agora, sua maior característica na flexibilização. A Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) prevê  a flexibilização na organização de cursos e carreiras e por isso torna possível a mudança que vale tanto para as escolas públicas como para as privadas. A idéia central é substituir a estrutura curricular, baseada em disciplinas e carga horária fixa, por outros modos de organização. Na educação básica por: séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios e formas diversas de organização, como módulos, reclassificações de alunos, aceleração da aprendizagem”. (do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), págs. 39 e40).

Após a promulgação da nova LDB, inovações vêm surgindo a cada passo. Contudo, necessário se faz avaliar bem as condições das inovações, o contexto do trabalho desenvolvido, a metodologia aplicada e os resultados obtidos, em termos acadêmicos e educacionais. As mudanças precisam ser bem pensadas, bem regidas, bem estruturadas pedagogicamente.

Uma das principais características da moderna administração escolar é a de avaliar continuamente os resultados, mantendo ou redefinindo seus planos de ação. Estamos vivendo a época do diálogo, tempos de parcerias, especialmente da escola com os pais de alunos, onde as decisões são, em parte, compartilhadas com responsabilidade. Nas mudanças, os pais devem ser esclarecidos e ouvidos em suas reivindicações.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2005)

QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Um grande objetivo hoje é educar com a paz. Trabalhar o sentimento de paz, tê-la como companheira, como conselheira. Um conceito toma conta dos meios educacionais: “Educar é acreditar na vida e ter esperança no futuro; é semear com sabedoria e olhar com paciência”. Esse olhar leva à paz.

Educação envolve a árdua tarefa de penetrar nos domínios da inteligência e da emoção. É caminhar com cautela nesses territórios. Hoje, a ciência fala em inteligência como fator genético, cujo desenvolvimento se favorece com o contexto cultural. Genética e ambiente devem andar de mãos dadas com conhecimento e incentivo. Cada vez mais, temos elementos para nos colocar, com mais precisão, frente ao aluno.

Entre as práticas pedagógicas ressalta-se o diálogo; em sala de aula a disposição em U ou semicírculo. Ressalta-se o pensamento de que educar é criar idéias, é cativar e não repetir palavras. Não é um manual de regras, é aproximação, é abraço, é liberdade e encorajamento à construção da própria história.

Educar é compreender o momento do estudante, compreender o momento social, o crescimento da violência e da alienação. A velocidade do pensamento do jovem e do adulto há um século era bem menor que a atual. Surge daí a necessidade de criar um novo modelo de educação. No passado, o conhecimento duplicava a cada dois séculos. Hoje, duplica a cada cinco anos, constatam as pesquisas. O excesso de conhecimento, associado aos estímulos da TV, à competição acirrada, forçou de maneira assustadora a produção de pensamentos, podendo levar ao estresse.

Para tanto, é preciso educar a emoção, educá-la com inteligência, ensinando os alunos a pensar antes de reagir. Ensinar os alunos a serem pensadores e não reprodutores de informação. Educá-lo a pensar e a acreditar na sua transformação, na sua capacidade cognitiva.

Hoje, consideramos que, para a educação ter qualidade, talvez, o principal seja propiciar aos alunos autonomia intelectual e espírito inquiridor. Desenvolver uma cidadania consciente, em que a obtenção de respostas, às perguntas, seja feita de forma independente de professores e na possibilidade de o aluno ser capaz de estar permanentemente fazendo perguntas.

O hábito de leitura, por prazer, é outro caminho importante a ser contemplado numa educação de qualidade. A leitura ajuda os jovens a formularem seus próprios julgamentos, a alcançar melhor as atividades que a escola apresente e depois o mercado de trabalho. É preciso que a leitura se constitua num lazer saudável e não só na busca do saber acumulado pela humanidade. A construção do prazer na leitura é, contudo, dificultada pelo próprio contexto escolar, onde 60% dos professores no Brasil não têm o hábito da leitura, conforme dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Estimular a criação de bibliotecas municipais, atualizadas, introduzir na grade curricular semanal uma hora de leitura por prazer, podem ajudar. Porém, o mais importante é capacitar os professores para um trabalho mais competente com a leitura, tornando-os leitores. É voz corrente de que se os mestres gostarem de ler, freqüentarem bibliotecas públicas e fizerem dos livros companheiros de viagem, a grande probabilidade é que seus alunos também o farão.

Essa  é uma cruzada que não pode ser relegada, nem postergada, se quisermos uma educação de qualidade. Índice demonstrado em avaliações do Ministério da Educação (MEC) é de que 30% das crianças chegam à 4.ª série sem saber ler.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ministério da Educação (MEC), desde 1997,  passam orientação do que deve ser enfatizado em cada segmento de ensino, mas a forma e a complementação são de competência da escola, que deve ajustar o seu ensino às características do momento social. A escola precisa, acompanhando o movimento atual, envolver-se em discussões sobre como desenvolver nos jovens coração e mente, emoção e objetividade, para que venha acontecer melhoria sustentável na educação. A escola, desenvolvendo competências e habilidades,  aspectos cognitivos de caráter geral, garante que os avanços obtidos não sejam perdidos no tempo.

A educação precisa entrar na agenda do País; os países desenvolvidos cresceram educando a população. A única idéia-força capaz de levar o País a um avanço histórico é a revolução da qualidade da educação. Essa colheita, infelizmente, o Brasil não está colhendo, porque não está semeando acertadamente.

O social que muda uma sociedade é a escola nota 10. A grande libertação do povo faz-se com lápis e caneta, não com assistencialismo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2006)

O EXAME VESTIBULAR

Izabel  Sadalla  Grispino *

O exame vestibular continua sendo o grande processo de seleção ao ensino superior, o que responde, ainda, pela formação de calouros nas universidades públicas. É um processo que acaba por discriminar as classes populares, revelando o desnível existente entre a boa e a má educação.

O vestibular já se firmou como a oportunidade dos bem-nascidos, como o trampolim da elite para o melhor do ensino superior. Ele se constitui na última etapa de uma seleção que começou bem antes, na aprendizagem das primeiras letras. Seu afunilamento é preenchido por alunos que receberam a melhor educação, que freqüentaram a melhor escola. Ele é um termostato de todo o conhecimento adquirido anteriormente. Não é, pois, o 3.º ano do ensino médio, ou o próprio ensino médio que aprova ou reprova o candidato no vestibular. Ele, também, não é uma tentativa tão aleatória, como querem alguns, chegando a classificá-lo como um jogo de sorte ou de azar. A um professor do 3.º ano do ensino médio não é difícil prever quem passará na 1.ª tentativa, quem conseguirá na 2.ª e quem nunca chegará lá.

A “Folha de S. Paulo”, em 1999, denunciava o fracasso dos estudantes da rede pública no vestibular da Fuvest. Nesse vestibular, a rede pública teve o pior desempenho da USP. O perfil socioeconômico, traçado pela FUVEST, que faz levantamento de dados desde 1977, mostra que a grande maioria dos alunos freqüentou escola particular e pertence à classe média/alta e que os alunos da rede pública estão desaparecendo da Universidade de São Paulo. Em 1977, 57,3% dos novos alunos vinham da rede pública e 29,3% das escolas particulares. No ano de 1999, 62,4% dos calouros cursaram o 2.º grau em colégios privados e apenas 20,7% não pagaram pela educação secundária.

A queda tem sido gradual e contínua. Os resultados dos últimos 5 anos são preocupantes, em termos de probabilidade de extinção desse alunado na USP – tal o grau de decadência do ensino público. Entre 1993 e 1998, houve uma queda de 12 pontos percentuais; alunos vindos de escolas públicas passaram de 32,5% do total de novos alunos para 20,7%. Presentemente, o alunado que sai da escola particular entra na universidade pública; o que sai da escola pública só consegue entrar na universidade particular. Um contra-senso. Uma distorção da realidade socioeconômica da população, provocada pela desigualdade cultural. Nessa conjuntura, escola particular tornou-se, praticamente, “pré-requisito” para entrar em uma universidade pública e esta – a melhor do País, a que oferece melhores empregos do mercado de trabalho – fica reservada aos ricos.

Há, ainda, um outro ponto a considerar nesta desigualdade. Investe-se no ensino fundamental, o que é muito louvável e caracteriza um avanço, mas deixa-se no vazio a educação infantil, denominada de pré-escola. É, aí, nesta fase inicial de estimulação às primeiras aprendizagens que se inicia a grande defasagem cultural das classes menos favorecidas. É aí, nesta faixa etária, que as crianças de famílias de baixa renda ficam, costumeiramente, de fora.

A pré-escola sociabiliza, desenvolve mais habilidades, melhora o desempenho escolar futuro, propiciando à criança resultados superiores ao chegar ao ensino fundamental. A educação infantil é o verdadeiro alicerce da aprendizagem, aquela que deixa a criança pronta para aprender. A ausência desse ensino, pelas crianças pobres, completa o ciclo da desigualdade escolar dessas crianças, futuros adultos, futuros concorrentes à marginalização profissional.

Felizmente, a preocupação com a pré-escola começa a ganhar força na área governamental. Em São Domingos, capital da República Dominicana, de 10 a 12 de fevereiro do ano 2000, realizou-se, com a participação de representantes dos ministérios da Educação da América Latina e do Caribe, além dos Estados Unidos e Canadá, a “Reunião das Américas para Avaliação da Educação para Todos”. O documento “Marco de Ação Regional”, elaborado por técnicos da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e do Banco Mundial, sintetizou as decisões, nas quais foi ressaltado o investimento na pré-escola, considerado como a nova prioridade em todas as ações educacionais nas Américas. O documento concluiu que a “insuficiente atenção ao desenvolvimento integral das crianças na 1.ª infância era o principal responsável pelas “altas taxas de evasão e repetência” na escolaridade básica. A prioridade de investimentos na pré-escola deve ser a 1.ª, dentre as outras, por garantir o direito universal de uma “educação de qualidade desde o nascimento”.

Considerou-se que os investimentos   devem contar com ampla participação social que assegure a transparência e devem ser descentralizados. Os governos aceitaram, também, o compromisso de que “os docentes têm lugar insubstituível na transformação da educação”. O uso dos novos recursos didáticos e tecnológicos na Educação não substitui o professor. A Unesco mostrou preocupações com a melhoria da formação docente, considerando que a valorização da profissão docente está associada à “melhoria das condições de vida e trabalho” do educador. Ainda, pelo documento, os governos assumiram o compromisso de “converter políticas assistencialistas em políticas de promoção de capacidades das pessoas”. O que seria extremamente louvável, pois deslocaria da escola o foco assistencialista, passando para o da competência.

Enquanto persistirem, em grau significativo, as desigualdades educacionais, acarretando desigualdades sociais, permanecerá, com raras exceções, a elite no comando do País. Perpetua-se no poder, desde a época imperial, apesar da propalada democracia, a classe abastada, dominando pelo dinheiro e pela cultura.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2001)

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: MEDIDAS EDUCATIVAS

Izabel  Sadalla  Grispino *

Com este artigo, finalizamos os aspectos relevantes da avaliação da aprendizagem. Iniciamos com “Conceituação”, passamos para “Aspectos do Desenvolvimento”, “Momentos da Avaliação” e, hoje, terminaremos com “Medidas Educativas”.

Em Momentos da Avaliação, ressaltamos a importância das avaliações: diagnóstica e formativa. A somativa será apenas o resultado das duas primeiras.

Que técnicas podem ser usadas para avaliar? Num passado, ainda recente, os professores julgavam o desempenho do aluno em função do que eles próprios sabiam e acreditavam ter transmitido. Se o aluno assimilara tudo o que foi ensinado, tinha a nota máxima; do contrário, a quem não aprendera nada, atribuía-se zero. As notas intermediárias eram dadas na proporção dos acertos. Era o chamado método autocrático da avaliação – avaliação centrada no professor – que deixava ao mestre uma ampla margem de arbítrio.

Hoje, reage-se aos padrões apriorísticos de avaliação, que pecam, principalmente, por subjetividade. Falamos em componentes da avaliação, como a norma, o potencial, o critério, que se reverterão de maior relevância conforme as circunstâncias. Contudo, não importa o processo que se use, se uma avaliação for criteriosa, bem dosada, poderá ser justa, trazer bons resultados.

Necessário se faz levar em conta os fatores sociais do rendimento escolar, por isso os objetivos e os padrões de rendimento devem ser levantados de acordo com a realidade da classe. Compreende-se que um desempenho pode não ser de alto nível, mas aceitável em face das circunstâncias. O professor precisa ter a sensibilidade de perceber as raízes sociais do fracasso escolar, considerar que a avaliação não é um fim em si.


MEDIDAS  EDUCATIVAS

“As medidas se apoiam num tripé:               O outro objetivo distinguido,
Potencial, normativo, critério,                         O máximo desenvolvimento,
Centrada em professor não dá fé,                 Encontra intento perseguido,
Sustenta-se no poder de arbítrio.                  Comparando o grupo no evento.

A norma, o critério e o potencial,                   Na avaliação baseada em critério,
São componentes da avaliação,                    Aptidão, ritmo e potencial,
Somente o fator circunstancial                     Observados em trabalho sério,
Dirá qual entrará em ação.                             Fazem crescer conforme o pessoal.

Norma é posição dentro do grupo,               Ao considerar o potencial,    
Centrada em professor é autocrática,        Ao se achegar ao nível do aluno,
Critério e Potencial são do tipo                     Virtualidades fluem natural,
Que age de maneira democrática.               E o educando não perde o ano.


Grau de desempenho pré-fixado                   Para avaliações construtivistas,
Denota avaliação por critério,                        Estrutura e funcionamento,            
Tem estudo personalizado,                            Indissociáveis características,                                                     Molda-se aos testes de domínio.                  Assinalam o aproveitamento.

Domínio implica em exclusão mútua:          Realce é dado à auto-avaliação,
Ou o aluno dominou o objetivo,                      Um comportamento aprendido,
Ou ficou aquém e não continua;                    Pessoa responsável por sua ação,
Volta ao programa, repetitivo.                        Um ser crítico, conscientizado.


Distinguem-se entre os objetivos                 As medidas educacionais
Aqueles do mínimo essencial,                       Não se excluem, antes se completam,
Medido em avanços relativos,                       Seus valores são proporcionais,
A que cada um faz no individual.                   Circunstancialmente se revezam.”

 

* Supervisora de ensino aposentada         
(Publicado em agosto/2000)


A REALIDADE EDUCACIONAL NO BRASIL

Izabel Sadalla Grispino *

O grande entrave à educação no Brasil está, sem dúvida, no baixo nível socioeconômico da população, reproduzindo o círculo de pobreza, marginalização e exclusão social. Ressalta-se, também, a precária formação do professor, com sua adoção de métodos ineficazes de aprendizagem. Métodos deficientes e deficitários, incapazes de penetrar num mundo estudantil desmotivado, desconjunturado e extrair dele potencialidades afloradas. Comprovadamente, a má formação docente contribui para a decadência do ensino e essa má formação vem sendo registrada pelas mais variadas situações. Citaremos experiências dos anos 97/98.

A MÁ FORMAÇÃO DOCENTE DO ENSINO BÁSICO – Um concurso público, promovido pela Secretaria da Educação da Bahia, para preenchimento de 7.300 vagas de professores, reprovou mais de 90% dos candidatos. Dos 62.730 inscritos, apenas 3.291 conseguiram atingir a nota mínima – de 4,7 a 5,0, dependendo da disciplina. O presidente da Associação dos Professores Licenciados da Bahia (APLB), Ruy Oliveira, informou que “a grande maioria dos candidatos é da rede pública baiana, em cursos do magistério.

Sobre a formação de professores, em termos de licenciatura, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do MEC, revela que, entre 1,5 milhão de professores do ensino fundamental, 124.642 são considerados leigos, ou seja, não têm o 1º grau ou o 2º grau completos. Um total de 63,7 mil professores, sem o 1º grau completo, lecionam para alunos do ensino fundamental. Há, ainda, 71 professores que, embora não tendo o 1º grau completo, lecionam para alunos do ensino médio. Outros 997 docentes do ensino médio não possuem o 2º grau completo.

A legislação determina que o professor tenha o ensino médio completo para dar aulas no ensino fundamental em seu 1º ciclo – 1ª à 4ª série. Para ministrar aulas no 2º ciclo do ensino fundamental – 5ª à 8ª série – e no ensino médio deve ter o curso superior e a licenciatura. A tendência é de se estender, para todos os níveis,  o curso superior.

A presidente do Inep, Maria Helena de Castro, comenta que “a falta de formação dos professores é um dos sérios problemas do ensino, principalmente nas áreas rurais e nas regiões Norte e Nordeste”. Essa deficiência maior só aumenta a distância entre a diferença de aprendizagem das diversas regiões do País. Constatou-se, por exemplo, pela avaliação, que um aluno de 4ª série em Brasília sabe tanto quanto um aluno  da  8ª  série  no Nordeste.

Várias pesquisas, realizadas paralelamente às do MEC, denunciaram essa falta de formação do professor. No Estado de São Paulo, considerado um dos mais avançados da União, a atuação docente fica, também, a desejar. No município de São Paulo, uma pesquisa realizada, pela “Fundação-Instituto de Administração” (FIA), da Universidade de São Paulo (USP), com professores de 1ª a 8ª séries, demonstrou um pluralismo nas escolas municipais, apesar de a Secretaria Municipal da Educação ter adotado o construtivismo como método de ensino. Os professores alegaram sentir-se despreparados para aplicar o ensino-aprendizagem construtivista.

Estudos realizados pelo Instituto de Química da USP, ao analisar laboratórios de 3.740 escolas estaduais, concluíram pela inutilidade de sua existência, constatando ser ilusório incentivar aulas de laboratório na grande maioria das escolas estaduais. Com raríssimas exceções, as salas não têm condições físicas para acolher os alunos e, o mais importante, faltam professores especializados para organizar os laboratórios.

A professora Reiko Isuyama, que coordenou a avaliação, afirmou que há casos de extrema periculosidade: “Foram encontrados ácidos concentrados, solventes cancerígenos e frascos de sódio metálico, substância que pode explodir em contato com a água e atingir, por exemplo, um funcionário durante a limpeza da sala”. O relatório revela que do jeito que está é melhor fechar os laboratórios, “é inútil fornecer reagentes e vidrarias se os professores não sabem utilizá-los”.

Para que os laboratórios possam funcionar com qualidade é preciso capacitar os professores do ensino médio. Quando se fala em falência do ensino, uma das causas apontadas é a falta de infra-estrutura das escolas. Percebe-se o corolário que se forma: como usar a infra-estrutura se as escolas estão desfalcadas de profissionais capacitados?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro de 2007)

EDUCAÇÃO E SAÚDE

Izabel Sadalla Grispino *

O artigo de hoje é uma homenagem ao dia 12 de outubro, Dia da Criança, a esse raio de sol que ilumina os corações dos homens e traz esperança de um futuro sorridente, mais acolhedor, mais próximo de Deus.

Presentemente, uma das grandes preocupações com a saúde é a obesidade infantil. Comprovam as estatísticas que a criança gorda será um adulto gordo.

A obesidade, além de roubar energias para a prática esportiva, traz, já na infância, problemas de colesterol, triglicérides e até complicações coronárias, agravando-se à medida que o tempo passa, afirmam os especialistas. É preciso haver exercícios diários e controle de peso.

A ciência comprova a força dos alimentos naturais na promoção da saúde, na qualidade de vida. Surge a expressão alimentos funcionais, alicerces de uma dieta equilibrada.

Não é fácil a uma criança deixar de comer o que gosta, principalmente, chocolate, sorvete, batata frita, coxinha, croquete, pastel, frituras em geral. Tem que haver, por parte dos pais, uma intervenção sábia e cautelosa. Conversar, explicar, conscientizar, mas, para essa faixa de idade, o que parece plausível é uma substituição gradativa, na qual a criança não sinta corte pesado.

Dizem os nutricionistas que nada é proibido, desde que os itens saudáveis superem de longe o número dos não saudáveis. Não é preciso abrir mão das guloseimas, mas saber dosar, saber comer.

As pesquisas vêm mudando certos conceitos. O pão, por exemplo, já ocupou lugar privilegiado na pirâmide alimentar. Sustentava a sua base, mas, agora, sabemos que o pão de farinha branca, como o pão francês, tem um nível glicêmico alto e o açúcar é rapidamente absorvido como gordura subcutânea (sob a pele), não dá tempo para digerir. Ele tem, também, uma saciedade menor, logo se está com fome, de novo. Deve-se comer, de preferência, pão integral.

A quantidade aumenta de acordo com a idade. Quem tem mais de 8 anos, por exemplo, deve comer duas fatias de pão, em vez de uma. As cores dos alimentos, também, são importantes, sinal de alimentação equilibrada, de vitaminas variadas: cenoura, rabanete, alface, tomate, pepino..., cores diversificadas.

Quando o alimento for perecível, como queijo e derivados ou sucos, deve-se colocar nas lancheiras das crianças, mesmo nas térmicas, uma bolsinha de gelo.

Sugestões da nutricionista Maristela G. de Sá Francisco para o lanche:

  1. Fruta ou uma porção de carboidrato.

Exemplos:

● 1 fatia de pão, de preferência integral;

● 1 bisnaguinha (de soja ou integral);

● 4 bolachas (sem recheio);

● 1 fatia de bolo (35 g) do tipo formigueiro ou de cenoura (sem cobertura).

b) Uma fonte protéica.

Exemplos:

● 1 fatia de peito de peru;

● 1 fatia de presunto magro;

● 2 fatias de blanquet ou similar.

c) Um laticínio.

Exemplos:

● 1 queijinho do tipo polenguinho ou 1 fatia de queijo minas (30 g);

● 1 iogurte (190 ml).

Observação: 1 iogurte com cereais já soma os itens necessários, pois tem laticínio, proteína e carboidrato.

Quando o lanche tem requeijão ou queijo, deve-se incluir água-de-coco ou suco de caixinha.

Mediante esse modelo, os pais podem variar dentre os alimentos funcionais que compõem a pirâmide da boa alimentação, quais sejam (a partir da base para o topo da pirâmide):

● Alimentos integrais, na maioria das refeições;

● Azeite ou óleos vegetais;

● Verduras e legumes, à vontade;

● Frutas, 2 ou 3 vezes ao dia;

● Laticínios ou suplementos de cálcio, 1 ou 2 vezes ao dia;

● Peixe, frango e ovos, até 2 vezes ao dia;

● Castanhas, amendoim, feijão, ervilha, grão-de-bico, de 1 a 3 vezes ao dia;

● Carne vermelha e manteiga, consumidas moderadamente;

● Arroz branco, pão branco, batata, macarrão e doces, em consumo moderado.

Que os pais se alertem para a necessária alimentação saudável, desde a tenra idade da criança.

 

AO PROFESSOR E AO MÉDICO

Dois grandes sentidos, duas grandes datas, para a humanidade se aproximam: 15 de Outubro, “Dia do Professor”, e 18 de Outubro, “Dia do Médico”.

Educação e Saúde são os dois baluartes da vida humana. Educação forma para o bem viver e Saúde prolonga e ampara esse viver. Sem esses dois ingredientes a vida se perderia num labirinto, caminharia por ruas sombrias, sem luz. Perderia sua estrutura definida, sem bases humanístico-científicas, enveredando-se para o caminho das paixões, para o desfecho das contradições, na perda do equilíbrio.

Exalto, em forma de versos, os dois expoentes da vida: o Magistério e a Medicina, nas pessoas do Professor e do Médico:

 

MAGISTÉRIO E MEDICINA

(Louvores ao 15 e ao 18 de Outubro)

Todas as profissões têm no magistério

Seu ponto de articulação,

Após os 1.ºs passos, segue os próprios critérios,

Cada uma cumprindo sua nobre missão.

Magistério é tronco em ramificações,

Sua estrada tem começo, mas não tem fim,

Sustenta a linha divisória das profissões,

É vibração que circula em anéis de marfim.

Magistério é educação, é saúde,

É astro que irradia com convicção,

Ensinamento, que vai do berço ao ataúde.

A educação tem no magistério a força, o caminho,

A saúde tem na medicina o sol, a lua,

Não haveria o amanhã, sem a união das duas!

 

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em outubro/2005)

APOSENTADO, SER À MARGEM DA SOCIEDADE

Izabel Sadalla Grispino *

A grande proposta do momento, tanto da esfera federal quanto da estadual, é a escola trabalhar com metas, acompanhando e controlando os resultados. Metas e resultados não são procedimentos usuais nas escolas públicas e o propósito é alcançar a qualidade de ensino.

Apoiando-se no esforço gerencial, pretende-se estimular o desempenho dos professores. As melhorias obtidas, no processo de metas do governo do Estado de São Paulo, reverter-se-ão em bônus aos professores. São bonificações por desempenho, continuando, desde a era Mário Covas, a política de bonificação e não de reajuste salarial.

O bônus, além de não se incorporar ao salário, não é extensivo ao aposentado. Não vivemos mais a Pátria de todos, da igualdade, da fraternidade. Vivemos a Pátria dos privilegiados. A Pátria que renega, que deixa no ostracismo os filhos do passado, os filhos que por ela lutaram, que a dignificaram, a sustentaram e possibilitaram a construção do dia de hoje.

Insensatos, governantes, imbuídos de poder, deixam, anos a fio, o aposentado ao relento, com seu salário, a cada ano mais defasado, perante o aumento do custo de vida. Tudo é conduzido sem alma, na mais pura objetividade. Não se alimenta, o ambiente escolar, do sentimento de patriotismo, de valorização dos combatentes do passado. Hoje, esse combatente, se perdeu as forças, joga-se fora, como um retirante sem glórias.

Esse é o exemplo que se passa aos jovens, à sociedade. Passa-se uma visão negativa do idoso, considerado um encosto, necessitando de amparo familiar e institucional. Abandonado pela cúpula governamental, o aposentado é tratado em m´9iseros sentimentos cívicos, deixado no ostracismo, apoiando-se na bengala da misericórdia.

A bonificação é injusta, parcial e provoca rivalidade, porque os professores da ativa, sufocados pelas  premências, volta às costas ao aposentado e procura agarrar o seu. Com esse procedimento, eles não atinam que estão cavando a própria cova, porque eles serão no futuro os debilitados aposentados de hoje. Educa-se bem mais pelo exemplo que pela palavra, já nos ensinava Rui Barbosa e eu me pergunto: como a escola vai educar as crianças, os jovens, para o respeito, para a valorização da força produtiva do passado e que ergueu o arcabouço do mundo atual? A imagem que se passa é de que só tem valor quem faz hoje, quem fez, joga-se fora.

Como conseguir que os jovens busquem na cultura dos anciãos sabedoria e aprendizagem? Eles são vistos como ultrapassados, marginalizados e, como tal, só podem postular o recolhimento e o abandono. O aposentado, pessoa de alma e de mente calosas, é pedra que atrapalha e que precisa ser retirada do cominho. Por isso, deixam-no à mingua, à própria sorte.

Belos discursos políticos, triste e dolorosa prática política! O aposentado é o réu de toda essa negra engrenagem, perniciosa política demagógica.

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em setembro/2007)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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