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Artigos Educacionais

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EXAME NACIONAL PARA O ENSINO SUPLETIVO

Izabel Sadalla Grispino *

A proliferação desordenada, irresponsável, resvalando para a corrupção, o baixo nível de ensino, da maioria dos cursos supletivos particulares, alertaram as autoridades educacionais. O Ministério da Educação programou para novembro de 2002 o 1.º Exame Nacional de Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Enceja). O exame é voluntário e destinado às pessoas que concluíram o ensino supletivo. Voluntário porque, por lei, esse tipo de avaliação é da competência estadual, com normas fixadas pelos Conselhos Estaduais de Educação. Compete às secretarias estaduais de educação a concessão dos certificados de conclusão do curso supletivo. Ele será a nível nacional, por atender pedido dos Estados, esclarece o MEC.

Seu principal objetivo é “enfraquecer a indústria de diplomas”, diz Maria Helena Guimarães de Castro, secretária-executiva do MEC. São inúmeras as denúncias de fraude, de compra de diploma e o exame nacional atuará, nesse caso, como força moralizadora. A única conseqüência real para as escolas, após feita a comprovação, é a perda da autorização para emitir diplomas. Seus proprietários, contudo, podem, por lei, abrir uma nova entidade com igual desqualificação.

A prova abrangerá um conteúdo curricular necessário ao conhecimento do aluno, na conclusão do curso. Segundo informes do MEC, o exame será feito nos moldes do Exame Nacional do Ensino Médio, em que não será medido conteúdo, mas as habilidades e as competências adquiridas para esse período de estudos, a capacidade que o aluno tem de aplicar, no seu dia-a-dia, o que aprendeu na escola, a capacidade de resolução dos problemas do cotidiano.

O Enceja será uma prova – não por disciplinas isoladas – por área de conhecimento, como língua portuguesa, ciências naturais e ciências humanas. A prova contará, também, com uma redação.

Os limites mínimos de idade para os candidatos ao Enceja são os mesmos para fazer o exame supletivo, ou seja, 16 anos, no caso do ensino fundamente, e 18 anos para o médio. O ensino supletivo atende a uma população que perdeu a oportunidade de completar a escola regular na idade certa. A demanda por mais educação, exigida pelo mercado de trabalho, levou a população estudantil, de mais idade, a procurar, no ensino supletivo, o caminho da escolaridade, estimulando, assim, o aumento desses cursos, na maioria incapacitantes. Segundo o último Censo Educacional (2002) mais de 3,8 milhões de estudantes freqüentam cursos supletivos de ensino fundamental e médio. No ensino fundamental, cerca de 7,9 milhões de alunos, ou 22,5% dos matriculados, estão com idade superior à da série que freqüentam. Dos 35 milhões de alunos desse grau de ensino, 12% têm mais de 15 anos, acima, portanto, da idade correta para esse nível, que é de 7 a 14 anos. O Censo mostrou, também, que estão matriculados no ensino fundamental, de 1.ª à 4.ª série, 240,7 mil alunos com mais de 29 anos de idade. A disparidade entre idade e série é ainda pior no ensino médio e é a maior responsável pelas reprovações e evasões escolares.

Em julho de 2001, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou que entre 1991 e 2000 o contigente de População Economicamente Ativa (PEA), com zero a 4 anos de escolaridade, diminuiu 29%, enquanto aumentou em 73% o grupo com escolaridade entre 9 e 11 anos. Porém, os dados do Censo do IBGE demonstraram também que menos de 15% da população brasileira têm entre 8 e 10 anos de escolaridade. Mostrou que a demanda por mais educação fez com que na última década, entre os brasileiros com mais de 18 anos, a taxa de escolaridade aumentasse 40%. A pressão do mercado de trabalho por maior qualificação leva a população a procurar escolas e  uma grande parte, com idade mais avançada para os   cursos  regulares,  acaba  por  se


infiltrar nos cursos supletivos, que a atende de modo inadequado, cobrando por um serviço educacional que não realiza, prejudicando-a, ao invés de promovê-la.

O Exame Nacional de Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Enceja), além de esbarrar essa indústria de certificados, estará estabelecendo um padrão de referência nacional para os cursos supletivos. O Enceja corrigirá distorções desse ensino, redimensionará sua importância, construindo um ensino supletivo que capacite; pelo menos, é isso que se espera.

Um dos ingredientes da solução da chaga social, que nos ronda, é a escolarização e a educação qualificadas, envolvendo todo o povo brasileiro. Lutar por uma educação de qualidade, em qualquer nível, em qualquer modalidade de ensino, é caminho inquestionável na redução da desigualdade social.

Quando se estabelece relação entre educação e economia, na visão do macrossistema, constata-se que a baixa escolaridade atrapalha o crescimento econômico, porque afeta a produtividade. Pesquisadores do Ipea medem o impacto do índice de escolaridade sobre a renda. A chamada taxa de retorno varia de acordo com os níveis de escolaridade. O aumento no salário é proporcionado por cada ano de estudo, nesses diversos níveis. O prêmio maior do mercado de trabalho vai para o ensino superior (de 11 a 15 anos de estudo), seguido pelo ensino médio (8 a 11 anos) e o 1.º ciclo do ensino fundamental, antigo primário (0 a 4). O menor retorno é o do 2.º ciclo, o antigo ginásio (de 4 a 8 anos de estudo).

O número de anos de estudo é, de longe, o que mais pesa na renda. A desvantagem educacional do pobre faz com que sua renda seja 3 vezes menor. O impacto da escolarização alcança de cheio os mais pobres.

A história é movida pela educação. Com a educação crescem a produtividade, as exportações, o emprego, o consumo, a economia e a renda. As providências tomadas, sejam na esfera governamental, sejam em outras esferas, na direção de um ensino de qualidade, são vistas com interesse por toda a sociedade. Investir na educação é condição fundamental.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2002)

Domínio Público

DOMÍNIO PÚBLICO PARA A PROPRIEDADE INTELECTUAL

Domínio público, no Direito da Propriedade Intelectual, é o conjunto de obras culturais, de tecnologia ou de informação (livros, artigos, obras musicais, invenções e outros) de livre uso comercial, porque não submetidas a direitos patrimoniais exclusivos de alguma pessoa física ou jurídica, mas que podem ser objeto de direitos morais.

Noções Básicas

A proteção oferecida pelo  Direito de Autor  às  obras  intelectuais  e aos seus  titulares tem  uma  limitação no tempo,  justificada pela doutrina como uma   contribuição dos seus criadores à cultura dos povos.  Considera-se que a atribuição ao autor de um direito exclusivo de autorizar o uso de suas obras,  em troca da qual ele pode exigir a remuneração que  julgar  adequada,  deve  ser substituída,  após  um determinado  período  contado a partir de sua morte,  pelo direito da sociedade em geral de ter acesso à cultura. Isso  significa  que o autor e outros titulares de direitos autorais,  depois  de  beneficiados pela sociedade durante toda a vida do criador, e pelo prazo subseqüente que a lei determinar, passarão a retribuir à sociedade em geral, permitindo que se forme um acervo cultural de utilização livre e gratuita, constituído pelas obras cuja proteção se encontra esgotada.

Essas considerações explicam o uso da expressão "domínio público": uma vez esgotado o prazo de proteção, as obras deixam de pertencer ao "domínio privado" de seus titulares e passam a ser de uso de todos, da sociedade em geral, passando ao "domínio público".

As obras escritas por um único autor serão protegidas por toda sua vida e pelo período que vai até 70 anos após a sua morte, contando-se esse prazo a partir de 1º de janeiro do ano subseqüente ao do seu falecimento.

As obras de autores falecidos sem deixar sucessores e as obras de autor desconhecido pertencem ao domínio público.

– Lei n.º 9.610 de 1998: revogou a lei de 1973 aumentando o prazo de proteção para 70 (setenta anos), fluindo esse prazo a partir de janeiro do ano subsequente ao falecimento do autor. Se o autor morreu em setembro de 1999, por exemplo, o prazo passa a contar a partir de janeiro de 2.000. Em janeiro de 2071, a sua obra já estará em domínio público.

A que está valendo é essa última. A obra de Noel Rosa, por exemplo, que morreu em 1937, entrou em domínio público em janeiro deste ano.

Lei n.º 9.610 de 1998: revogou a lei de 1973 aumentando o prazo de proteção para 70 (setenta anos), fluindo esse prazo a partir de janeiro do ano subsequente ao falecimento do autor. Se o autor morreu em setembro de 1999, por exemplo, o prazo passa a contar a partir de janeiro de 2.000. Em janeiro de 2071, a sua obra já estará em domínio público.

A que está valendo é essa última. A obra de Noel Rosa, por exemplo, que morreu em 1937, entrou em domínio público em janeiro deste ano.


Para ter acesso aos livros do Domínio Público, estando em Pesquisa Básica, clicar:

Tipo de Mídia -> escolher Texto -> Em Categoria -> escolher Literatura -> Idioma -> escolher Português -> Pesquisar

 

 

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CONFLITOS ENTRE ESCOLARES

Izabel Sadalla Grispino *

A presença dos pais na vida escolar tem significativo valor para os estudos dos filhos e para a vitalidade das instituições. Crianças e jovens que freqüentam a escola têm, como é natural, temperamentos diferentes, o que provocam constantes conflitos. Muitas vezes eles mesmos conseguem administrar o problema, sem interferência externa, mas há os que apelam para os pais.

Desentendimentos entre alunos são comuns e variam de intensidade de acordo com a faixa etária. Entre os pequenos, na faixa de 1 a 6 anos, o que mais surge são apelidos maldosos, puxões de cabelo ou brinquedos quebrados.

O período mais crítico fica por volta dos 12 aos 17 anos e, entre estes, dos 13 aos 16 anos, quando a sexualidade dos meninos está em ebulição. O jovem, para ser aceito no grupo, tem que se sujeitar às suas regras, ao seu modo de falar, de vestir. O grupo coloca à prova valores familiares e próprios e quem não se enquadrar na “tribo”, quem ousar ser diferente, é massacrado sem consideração.

Quando a intimidação, por parte de um colega ou do grupo, é sistemática, quando caminha para a violência física, pressão psicológica, ameaças freqüentes, ela provoca danos emocionais, baixa auto-estima, baixa autovalia, que é a capacidade de se avaliar em relação ao grupo, levando a problemas de rendimento escolar.

As agressões por causa de garotas são comuns e se restringem comumente ao próprio grupo. Mas, brigas também existem fora da escola, quando a convivência cria rixas. A intimidação é comum mesmo entre meninas. Cria-se competição no âmbito da aparência. Quem não estiver com a roupa da moda ou com o corpo esbelto pode ser excluída do grupo e vira alvo de gozação.

Casos mais graves, como brigas envolvendo drogas, roubos e discriminação, exigem intervenção imediata. Nessas circunstâncias, a escola atua com a família, junta pais e escolares envolvidos. Não é raro a escola perceber que o comportamento do estudante é reprodução do que aprendeu em casa. São os próprios pais que muitas vezes incentivam a intimidação, na filosofia do “bateu, levou”.

Um bom procedimento para a escola é professores e alunos elaborarem um texto em conjunto, propondo normas disciplinares. Escolas renomadas têm regras disciplinares bem definidas que constam na agenda dos alunos. Contudo, a escola pode intimidar o aluno ao ignorar sua cultura, sua bagagem social. Antes de punir, deve inteirar-se de sua origem, olhar a raiz. De onde vem esse aluno? Como é sua família? Daí a importância de uma gestão democrática, de uma participação efetiva dos pais na vida da escola.

É na fase em que a personalidade está se moldado que a escola precisa trabalhar na integração do grupo. Muitas escolas criam o “momento da roda”, quando toda a classe se reúne para conversar. Esse é um valioso momento para se educar: se um coleguinha é caçoado por causa de seus óculos, aparelho nos dentes ou jeito, aproveita-se para falar, por exemplo, da importância de respeitar o modo de ser das pessoas. Pais e professores devem fazer cada um a sua parte, ensinando a criança a respeitar o outro e acolher as diferenças.

No seio da família, também surgem conflitos, não acontece só no convívio escolar. As exigências do mundo moderno cresceram. A família tradicional vem passando por um processo de mudança. O papel dos pais começa a ser questionado. Pai e mãe trabalham fora e se sobrecarregam de atividades e, geralmente, não há tempo para criar um espaço comum, não há tempo para o diálogo. Uma convivência menor com a família reflete no rendimento escolar, no número de horas que a criança ou o adolescente passa em frente da televisão, criando ansiedade, deficiência de atenção, hiperatividade e atraso no desenvolvimento. Problemas emocionais, como depressão e estresse, acabam acontecendo e a grande receita é amor, carinho, atenção.

Os pais, num determinado período da existência, são as pessoas mais importantes na vida dos filhos. As crianças precisam de uma família, de relações afetivas. Isso traz segurança, fator fundamental ao bom desenvolvimento infanto-juvenil.

Tanto na escola quanto em casa, as crianças não podem ser tratadas todas da mesma maneira. Uma estratégia pode funcionar para uma e não para outra. A personalidade, a individualidade devem ser respeitadas. Por isso, nunca se deve fazer comparações. Deve-se dar meios para que as crianças desenvolvam o que têm de bom e para que sejam orientadas em relação aos defeitos. Perfeição não existe, portanto, dosar as exigências. As crianças precisam desenvolver experiências adequadas à sua idade. Olhar para elas em todas as suas dimensões: biológica, afetiva, emocional e moral de forma integrada para que todos os aspectos do desenvolvimento e comportamento infantil possam ser envolvidos.

As crianças precisam de disciplina, de limites que estruturem a sua vida e lhes tragam boas respostas às expectativas criadas. Educar não é bater, não é fazer prevalecer a vontade dos adultos. A criança precisa galgar experiência, ter segurança para fazer suas escolhas e ter responsabilidades sobre eles. Educar para a autonomia, não para a dependência.

Também é oportuno lembrar que não se deve sobrecarregar as crianças de atividades, para fazer uma série de cursos extracurriculares, como judô, balé, natação, inglês... Elas precisam ter tempo para ser crianças, brincar, aproveitar a infância, os melhores anos da vida.

São nos primeiros anos de vida que se constroem as bases do futuro e a criança precisa ter esperança no futuro. Pais e professores devem conviver com as crianças de modo a integrá-las no meio em que vivem, a criar com elas cumplicidade e fortalecer os laços afetivos.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2003)


A EDUCAÇÃO DO RICO VERSUS A EDUCAÇÃO DO POBRE

Izabel  Sadalla  Grispino *

A realidade educacional no Brasil é tema inquietante, a ser refletido por toda a sociedade brasileira. Realidade de duas faces: a boa educação para os ricos e a má educação para os pobres. Há décadas, Demerval Saviani, em seus livros, já denunciava a equivocada escola assistencialista, merendeira. São freqüentes e periódicas as citações de especialistas da educação sobre o decadente ensino das classes menos favorecidas.

O objetivo de toda escola deve ser o de tornar o aluno competente. A escola deve lutar, buscar os meios para realizar este objetivo, para dar aos alunos as ferramentas mentais de ação, a fim de que possam enfrentar o mercado de trabalho, hoje tão exigente. Nunca o livro didático foi tão necessário ao professor. A escolha de um bom livro poderá amenizar a situação do ensino público. Um livro que traga ao professor  instruções detalhadas, que propicie experiências abertas, exercícios práticos, onde se possa praticar o construtivismo. A criança precisa freqüentar a boa escola, desde os primeiros anos de alfabetização, porque a aprendizagem é um processo em que uma etapa influi e explica a outra. A construção do conhecimento exige tempo, é preparação sistemática, gradual, encadeada, ligando os diferentes graus de ensino. Não é um simples “depósito bancário”, usando a expressão do educador Paulo Freire. Não adianta avançar etapas, se a aprendizagem não se concretizou. Hoje, temos bem clara a noção de que o importante não é a quantidade do que se ensina ao aluno, mas a qualidade do que ele aprende.

O desinteresse oficial por uma escola pública de qualidade se constitui em mecanismo de reprodução das desigualdades. Concursos de ingresso ao magistério público há, em que Secretarias de Estado observam com rigor a porcentagem de acertos e erros, aprovando os realmente capazes – como o recente concurso, realizado no Rio Grande do Sul, onde 70% dos candidatos foram reprovados, ou o concurso de ingresso na Bahia, em 97/98, que reprovou cerca de 90% dos candidatos. Secretarias há em que, desconsiderando a má formação, rebaixam o nível de conhecimento, aceitam uma porcentagem de acertos inferior ou bem inferior ao que seria a média das questões, facilitando o acesso  para abarcar o maior número de candidatos, mas não garantem, depois, a qualificação necessária ao padrão requerido pela época. Nessa acomodação política, o aluno pobre é o maior prejudicado, pois que tem aula com professores mal preparados, cuja efetividade não foi fruto de competência. O ensino fica, assim, nivelado por baixo.

Em recente publicação do texto: “Duas experiências de ensino estruturado”, Cláudio de Moura Castro, assessor da Divisão de Programas Sociais do Banco Interamericano do Desenvolvimento, faz uma análise sociológica, cultural do Brasil, das últimas décadas e compara-o aos Estados Unidos. Ambos, diz ele, encontram dificuldades em “criar escolas capazes de oferecer um ensino de boa qualidade aos mais pobres e mais vulneráveis... têm escolas péssimas servindo a essa população”. Ambos têm grande desigualdade na distribuição de renda. Sendo que nos Estados Unidos “a maioria esmagadora é imensamente rica, embora tenha muitos bolsões de pobreza, sobretudo, nos centros urbanos”. No Brasil, ao contrário, temos “uma minoria muito rica e uma grande camada de pobreza, incompatível com nossa renda per capita”. O contraste entre Brasil e Estados Unidos está na grande diferença entre população rica e pobre. Se aqui poucos têm boa escola, lá a grande maioria a tem.

Cada povo tem  a educação que o espelha e a nossa pouco nos engrandece.

O magistério é  vocação sublime,  abre caminhos de esperança, de sonhos, de realizações. O professor é pedra angular, a fundamental na construção do ser humano. Batalhar a educação é batalhar a vida no seu grau supremo da promoção humana e social. Ela é essência, ultrapassa a dimensão circundante do Homem, alcança a dimensão cósmica, quando então, entra em comunhão com a obra do Criador e se torna a grande responsável pelo desenvolvimento sustentável do planeta, pela continuidade de nossa mãe-Terra, em sua missão de gerar novas vidas. “O que acontece à terra, acontece aos filhos da terra” – Seattle, chefe das tribos indígenas Duwarnish – Canadá.

Vimos, em seqüência, espalhando sementinhas, que a seu tempo – esperamos – se revertam no nascimento de árvores frondosas. Outras sementes, juntando-se a estas, romper-se-ão em outras árvores, que, no seu conjunto, formarão o cerne, a frente robustecida de combate, com núcleos de influência, semeando permanentemente. Se cada um fizer a sua parte, o grande encontro virá e coroado da salvadora redenção. Completo essas considerações com meus versos “O sono da combalida educação”.

O SONO DA COMBALIDA EDUCAÇÃO

A educação dorme no leito do atraso,
Sono do descaso, da assistência falida,
Da oscilante ideologia do acaso,
Brotando uma atuação didática abolida.

Quantos caminhos perdidos em sua dormência!
Enquanto dorme, o mau ensino perdura,
A criança se embrenha na estrada da falência,
Os pais choram a perda da visão futura!

Educação é luz, terra em maternidade,
Gera o alimento para o corpo e para a alma,
Sacia o sonho, a desigualdade acalma.

Desperte “Consciência”, alce a vontade política,
Faça da sociedade uma análise crítica,
Distribua o saber em social eqüidade.!

 

A ESCOLA INCLUSIVA

Izabel Sadalla Grispino *

A política oficial, já há algum tempo, desde 1996, prevê a inclusão dos portadores de deficiência, na rede regular de ensino. Contudo, em agosto de 2001, o ministro Paulo Renato Souza, regulamentando a Lei de Diretrizes para a Educação Especial, assinou resolução, pela qual as escolas públicas do País deverão atender estudantes com necessidades especiais.

Infelizmente, essa é mais uma mudança, na estrutura de ensino, imposta a uma rede pública desaparelhada, despreparada para recebê-la. É um “Deus nos acuda”, uma perspectiva nada animadora, conforme já se constata em avaliações. A falta de informações ou o despreparo para lidar com a educação inclusiva faz com que os próprios professores, inconscientemente, discriminem os alunos. Isolam-nos, não os motivam, acabando por marginalizá-los, no processo de ensino. Professores que deixam os alunos com deficiência visual acentuada, ou cegos, sentados ou bem na frente da classe ou bem no fundo, na intenção de protegê-los, e acabam por excluí-los do convívio social da classe. Professores que, inadvertidamente, citam, conforme relato de pesquisas, o aluno deficiente como exemplo e que acaba por diminuí-lo perante os colegas, dizendo: “Se até ele consegue, vocês podem conseguir também”.

Para que essa educação venha obter sucesso, é preciso dar estrutura de aprendizagem. É preciso que seja uma inclusão responsável para não comprometer o avanço dos alunos portadores de deficiência. É importante treinar os professores, produzir material de apoio, principalmente para portadores de deficiências visuais e auditivas, assim como adaptações de títulos didáticos para o sistema braile. As escolas devem possuir as chamadas  salas de recursos, equipadas, para facilitar a aprendizagem. Possuir professor de braile, acontecendo, por vezes, ter a sala, mas não o professor.

O que se nota, na maioria das escolas da rede pública, é ausência de infra-estrutura. Ausência de instalações especializadas, de rampas, carteiras anatômicas e, principalmente, faltam professores capacitados para lidar com o aluno deficiente.

Uma outra barreira a se vencer, em relação aos alunos portadores de deficiência, é o preconceito. Preconceito da sociedade, da escola, dos pais e até mesmo dos professores. Quando o processo de ensino da educação inclusiva é bem conduzido, administrado por professores competentes, habilitados para a área, ele consegue resultados animadores. Consegue formar indivíduos ajustados, produtivos, capacitados para exercerem tarefas que vão desde as mais simples às mais complexas. A sua inserção, em salas regulares, ajuda-os a vencer, a se integrar melhor na sociedade.

O que mais se necessita, para o sucesso da educação inclusiva, é o apoio a ser dado ao professor, à sua capacitação. Permanecendo, apenas, em instituições especializadas, os alunos deficientes acabam perdendo o convívio social, sem saber como lidar com as pessoas em sociedade. Instituições que só atendem alunos deficientes, adotam, costumeiramente, métodos “mecanicistas”, que tendem a nivelar as crianças. Na inclusão, adota-se uma linha alternativa e mais democrática de ensino. Falta, sobretudo, à rede pública aprender a desenvolver projetos que abram oportunidades educacionais adequadas a essas crianças.

A Educação Inclusiva surgiu na Europa na década de 1950 e, hoje, já é uma realidade. Segundo dados estatísticos, a rede estadual paulista atendeu, no ano de 2001, 19.215 alunos com necessidades especiais em salas regulares, de um total de 6,1 milhões de estudantes. Das 5.580 escolas, apenas 695 praticam a inclusão. Mais de 15.000 alunos são assistidos por instituições especializadas, por causa do alto grau de deficiência.

Neste particular, ressalta-se a atuação das “Associações dos Pais e Amigos dos Excepcionais” (Apaes),com seu atendimento primoroso. Fui supervisora de ensino de algumas Apaes e todas elas primavam pela competência, pelo devotamento aos alunos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, apenas, 2,2% dos brasileiros com deficiências físicas e mentais recebem atendimento educacional. Dentre os 17 milhões, só 374 mil são atendidos pela rede pública ou por instituições privadas, em parceria com o governo federal.

Algumas escolas particulares de ensino regular têm projetos bem sucedidos de inclusão de estudantes especiais. Promovem orientação pedagógica específica, resultando em trabalho diferenciado. São escolas que, em atenção às diferenças e às necessidades dos  alunos, mantêm em classe, no máximo, 15 alunos, permitindo ao professor atendimento individual, acompanhar de perto as dificuldades de cada um, colocando somente um ou dois alunos especiais por classe. Escolas há que adotam, como método estimulador da afetividade dos alunos, a presença de animais na escola: pôneis, cabritos, ovelhas, coelhos, tartarugas, patos e outros. Os animais favorecem a integração entre os alunos.

Há escolas que oferecem atividades de inclusão social. Dão cursos de Preparação e Qualificação Profissional, em que os alunos são encaminhados para o mercado de trabalho. Ensinam o ofício de padeiro, confeiteiro, de atendimento ao público, de auxiliar de escritório, de ajudante de cozinha, entre outros. Para a inserção da mão-de-obra dos portadores de deficiência, no mercado de trabalho, há muito preconceito e desinformação. O preconceito é, ainda, a maior barreira, na colocação de pessoas especiais, no trabalho.

Empresas que empregam portadores de deficiência dizem dar a eles tratamento igual e as responsabilidades são cobradas como de qualquer outro empregado, sem paternalismo e que a correspondência é muito boa. Eles são aproveitados em livrarias, supermercados, lanchonetes, videolocadoras, doceiras, escritórios, especialmente, de advocacia.

A escola de ensino regular, ao receber o aluno portador de deficiência, ao trabalhar o preconceito, ela está difundindo o sentido de igualdade de oportunidades a esse aluno; está desenvolvendo, entre os alunos, a formação humanística e, sob esse prisma, a integração virá bem mais forte e mais consistente.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2002)

ALFABETIZAÇÃO RUMO AO CONHECIMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

As crianças estão na escola, mas a maioria não consegue adquirir os conhecimentos básicos, indispensáveis à continuidade dos estudos e a uma vida digna, tanto em termos materiais quanto humanos.

A performance dos nossos alunos, nos testes nacionais e internacionais, nos atesta que não se pode medir a sua competência pelo número de anos que passam na escola. Comprova que não possuímos, em larga escala, uma educação de qualidade. Nossos alunos são mal alfabetizados, chegam ao final do ensino fundamental com uma leitura e uma escrita longe do desejável.

Hoje, entendemos a alfabetização como um processo bem mais amplo que a simples aquisição da leitura e da escrita. Ela deve ampliar no aluno sua visão de mundo, como queria Paulo Freire, ensiná-lo a interpretar os fatos que ocorrem no mundo, para melhor nele se situar. A alfabetização deve abranger igualmente, como todo ensino básico, a educação integral, nos seus aspectos cognitivo, afetivo, psicomotor. Deve educar para os valores essenciais da vida, desenvolver as capacidades e as habilidades, que são operações mentais capazes de levar o aluno a atingir o aprender a aprender.

Formar um aluno pensante, um leitor crítico, um produtor de texto, um aluno capaz de gerir suas próprias aprendizagens, de criar e recriar o conhecimento, faz parte do processo de alfabetização. Dizemos que o aluno está alfabetizado quando for capaz de interpretar e estabelecer relações criativas entre as diversas áreas do saber, capaz de resolver situações-problema relacionadas à sua vida. Esse indivíduo assim formado encontrará oportunidades reais no seio da sociedade para a sua realização pessoal e social.

Uma grande dificuldade em atingir um bom nível de ensino está em que o professor foi formado e ainda se forma pelo modelo da velha escola, que só ensina a transmitir informações. As faculdades, na grande maioria, continuam presas ao método tradicional, não preparam o futuro professor para transformar, para construir e reconstruir o conhecimento, para a contextualização do conteúdo, sua inter e multidisciplinaridade e não vêm dando indicação de que o professor esteja desenvolvendo, em si, essa competência.

Só a escola para o pensar desenvolve uma educação de qualidade. Há, ainda, outros aspectos, nessa linha de preocupações, a serem considerados, como os benefícios que o estudo da informática traz ao aluno. Ela estimula a pesquisa e incentiva a comunicação. A internet e os computadores ligados em rede abrem as portas do mundo para a educação. Mas, essas ferramentas se restringem, praticamente, às escolas particulares. As escolas públicas apresentam, nesse setor, poucas experiências.

A educação de qualidade para todos ainda é bastante limitada. As renomadas escolas particulares, colocando-se na vanguarda da educação globalizada, oferecem curso bilíngüe, isto é, curso em duas línguas: português e outro idioma, como inglês, espanhol, francês ou alemão. Aulas de matérias tradicionais são dadas nesse outro idioma, o que faz os alunos se familiarizarem com a língua nova. Nos corredores da escola, a maioria das placas indicativas – banheiro, sala de aula, diretoria – está escrita na língua estrangeira que a escola segue.

Crianças que aprendem inglês, por exemplo, aos 5 anos já falam com fluência essa língua. São crianças que se preparam para idiomas considerados universais, falados em algum lugar do planeta. Crianças com educação qualificada que podem prever um horizonte amplo, largas possibilidades de boas realizações.

O ensino deveria seguir por esse rumo e estender-se à grande população. Vivemos a sociedade do conhecimento, que tem nos avanços da ciência a chave do desenvolvimento do País. Vivemos num mundo altamente conectado, espalhando conhecimento a todos os continentes e conhecimento significa desenvolvimento, significa ciência aplicada ao mercado, com grande força impulsionadora do progresso.

Uma educação de alto nível é a arma eficiente para o desenvolvimento das civilizações, que, utilizando-se das inovações trazidas pela ciência, se sobrepujam e dominam suas épocas.

Como conseguir um alto padrão científico, tecnológico, sem uma consistente formação educacional? Na área do agronegócio, por exemplo, quanta renovação tecnológica trazida pela pesquisa aos produtores rurais.  A produtividade aumenta a cada ano, a qualidade do produto aprimora-se, apóia-se no mapeamento genético de espécies, na reprodução e clonagem animal.

A sociedade do conhecimento, com suas aplicações intensivas no cotidiano dos negócios, não pode mais esperar, sem grandes atrasos nos resultados, que o País, por falta de uma escola de qualidade, retarde ou anule essa alavanca do seu desenvolvimento global. Sérios compromissos governamentais à promoção de mudanças deveriam ser tomados, estabelecendo, se necessário, uma política de intervenção qualitativa no processo de ensino-aprendizagem das escolas públicas. Já surge a idéia da criação da Lei de Responsabilidade Educacional, apregoando o direito de recursos condicionados às melhorias de qualidade obtidas, partindo da fase de alfabetização, fase que é o alicerce de toda aprendizagem futura.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2005)

O ENTENDIMENTO QUE DEVE SER ALCANÇADO

Izabel Sadalla Grispino *

O nosso sistema de ensino, no grau debilitado em que se encontra, vem minando a estabilidade e o desenvolvimento futuro do País. A falta de conhecimento da população está diretamente ligada à desordem social.

Que sociedade teremos, daqui a alguns anos, se nossas crianças não conseguem aprender? Enfrentar o fracasso de nossas escolas requer uma análise profunda das falhas de estrutura e incentivos ao sistema. Pensa-se, hoje, numa ação conjunta, integrada de todos os Estados e municípios.

As universidades e institutos de pedagogia preparam mal o professor para o exercício em sala de aula. Ainda, observa-se pouco interesse na solução de problemas sistêmicos do ensino público. O sistema tem negligenciado os resultados acadêmicos, voltando-se mais aos benefícios de infra-estrutura que do produto de seu ensino, levando os nossos jovens ao analfabetismo e a nação à pobreza.

Desenvolver capacidades institucionais, nos diversos domínios da educação escolar, vem alcançando o entendimento geral, a fim de viabilizar soluções de ordem pedagógica e da desordem crônica das escolas.

Uma consistente reforma educacional deve ser providenciada se quisermos salvar nossos jovens do analfabetismo e a não da pobreza. A coisa é mais preocupante do que se apresenta. Entram em jogo o desenvolvimento econômico, a desordem social, gerando violência e perturbações de toda ordem.

Na constatação de que a baixa escolaridade – o jovem, em média, tem 8,5 anos de estudo – é entrave ao desenvolvimento, o Banco Mundial (Bird) apresenta um trabalho em que demonstra o tamanho do estrago que ela traz ao social e ao sistema econômico. Apresenta um relatório “Jovem em situação de risco no Brasil”, divulgado em 25 de julho p.p., mostrando que os custos para o País são muito mais amplos: violência, aids, gravidez precoce, desemprego, abuso de drogas e álcool. Custos não só em despesas diretas do País, quanto no que esse jovem deixará de produzir para si e para o País.

O Banco Mundial conclui que o Produto Interno Bruto (PIB) deixa de crescer meio ponto percentual por ano, porque um grande contingente de jovens não consegue terminar a escola, não consegue aprender. Essa porcentagem, explica o Banco, significa que em uma geração (30 ou 40 anos, neste caso) o Brasil deixa de ganhar R$ 300 bilhões, o equivalente a 16% do Produto Interno Bruto.

O Banco conclui que “a baixa acumulação de capital humano permite antecipar uma futura geração que não será competitiva nem na região, nem no mundo”. Mostra que o número de jovens, que chega ao ensino superior no Brasil, é o menor da América Latina. A pobreza, aliada à incompetência escolar, faz com que todos os demais riscos aumentem.

Assim, uma nova escola deverá surgir, na conscientização da boa educação a ser dada aos jovens, a essa parcela da população mais importante do processo de desenvolvimento do País. Se se conseguir avançar nessa direção, os demais problemas decorrentes serão amenizados.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2007)

A BIBLIOTECA

Izabel Sadalla Grispino *

A biblioteca é da comunidade o seu mestre-sala abrindo alas para a entrada do caminho do sol, descortinando um horizonte de estrelas. Ela é a sua fada-madrinha, presenteando a população com a mais cara jóia da humanidade, o livro. Nela moram os gênios da humanidade, os grandes das ciências, das artes, da filosofia, nela está armazenada a nata da intelectualidade mundial, as obras dos maiores artistas, dos maiores pensadores de todas as civilizações. Ela nos põe em contato com séculos de sabedoria e “só depende de você, de sua vontade de crescer como ser humano, na companhia deles”.

É a biblioteca quem fornece a matéria-prima da cultura, do reforço escolar, quem propicia e fortalece na criança e no jovem o hábito da imperiosa leitura, o hábito de ler. Ela é um recurso didático imprescindível ao ensino-aprendizagem. Com a adoção, pela escola, do método construtivista, coloca-se a pesquisa na vanguarda da metodologia.

A familiaridade com os livros deve acontecer desde a mais tenra idade. Várias são as estratégias utilizadas, lembrando a já consagrada “hora do conto”. Deve-se valer do imaginário mágico da criança e estimular a curiosidade, passar imagens, conceitos, como de que em cada livro há um tesouro escondido e que os mais valiosos tesouros do mundo estão guardados na biblioteca. Extrair das histórias o conteúdo moral, educacional, relacionando-o ao tesouro escondido.

Se quisermos formar leitores temos que nos valer de procedimentos que convirjam para esse fim. Montar uma biblioteca, com atrativos visuais, em local amplo, espaçoso, arejado, mantendo-o sempre limpo, com livros, revistas e jornais que atendam as diferentes faixas etárias, dispostos de maneira atraente, de fácil alcance e manuseio, de retirada facilitada, inclusive estimulada, porque o mais comum é dificultar, desestimulando o seu uso.

A biblioteca deve se constituir num ambiente acolhedor, convidativo, o usuário ou o aluno orientados, reiteradas vezes, para colaborar com a ordem, serem responsáveis, ajudando a manter o livro em bom estado de conservação. É indispensável uma pessoa treinada, encarregada da organização, da manutenção, do atendimento à população como um todo.

Frases estimuladoras, incentivadoras, slogans, devem ser espalhados em volta e dentro da biblioteca. No final do artigo, passo aos interessados, em meus versos, considerações e imagens sobre biblioteca, que podem ser colocados nas portas ou nas paredes da biblioteca, como estímulo e reflexão.

Sem a educação de nada adiantaria o avanço social; ele perderia sua base de sustentação, de conservação. São os livros que fortificam e dão forma à educação. Uma biblioteca pública coloca, em seu regaço hospitaleiro, também o menino pobre, estendendo-lhe as mãos, ajudando-o a desbravar sua inóspita floresta, fazendo-o alcançar a clareira e com ela encontrar o seu vale do sol.

Já se disse que “os livros constroem as grandes pátrias”. Os povos ignorantes abdicam de si nos outros e voltam-se à servidão e ao desaparecimento. A biblioteca, por seus livros, é a saída honrosa para se erguer o nosso Brasil, é a saída honrosa para fazer seu povo ascender, com dignidade e sabedoria, na escala social. Ela é o salvo-conduto para o mundo do conhecimento, mundo este encarregado de trazer a compreensão e a paz, de equilibrar o desnível social.

Quanto mais livros à disposição da população, mais a certeza de que ela saberá como achar seu tesouro escondido, como encontrar o verdadeiro caminho da felicidade.

 

BIBLIOTECA

Quanto encanto numa biblioteca!

Nos livros, quanta sabedoria!

As histórias da criança sapeca

Acordam do sono a alegoria!

Guardemos, pelo livro, respeito,

Tenhamos, por ele, o maior conceito!

Há vida intensa na biblioteca,

Nela moram o poeta e o escritor,

É da língua escrita a discoteca,

A ousadia do grande inventor!

O livro é um caminho de luz,

Como a Bíblia, ensina ver Jesus!

Biblioteca é desenvolvimento,

Sinônimo de educação,

Representa, ao homem, crescimento,

Força pra mente e pro coração!

O livro ensina a viver em paz,

Ele guarda as jóias que o mundo faz.

 

*Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em março/2001)

A ESCOLA EM SEU NOVO DIRECIONAMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

Penetrando no mundo de valores diferenciados, na tentativa de alcançar as diversidades culturais, a escola expande seus horizontes, ultrapassa fronteiras e, num comportamento menos elitista, chega às camadas mais necessitadas da população.

A tendência atual é educar para a coletividade. A diversidade cultural hoje é mais acentuada que ontem e as crianças, desde cedo, entram em contato com ela. Como se situar nessa diversidade? Como se ajustar a ela sem confrontos desgastantes?

A educação direcionada ao coletivo leva ao enfraquecimento da competitividade. Educa para o entendimento da realidade circundante, do entorno, para conhecer a história do outro, suas tradições, seus costumes, seus anseios e limitações. Esse conhecimento aproxima uns dos outros, relaxa as rivalidades, convida às mãos estendidas.

Vivemos um outro momento, em que se faz necessário uma educação de valores abrangentes, uma compreensão de padrões de comportamento, de normas subjacentes aos diferentes grupos de convivência social. Uma educação que alcance a formação de uma consciência moral.

Crianças de origens diferentes, agindo de forma coordenada, colaboram para o equilíbrio, para uma convivência mais pacífica, desarmando intenções. A escola passa a educar para a responsabilidade social, ensinando a criança a participar da construção de uma sociedade cidadã, onde se trabalha o respeito aos direitos do outro e a consciência dos próprios deveres.

A escola passa a educar par a construção de uma sociedade comunitária, onde um sente a necessidade do outro, onde se aprende a não mais ignorar o outro, num aproveitamento de mente, de alma e de braços, no reerguimento da paz e da própria economia da Nação.

Já é tempo de se olhar, como aprendizes, às comunidades pobres. Saber ver o seu potencial, o imenso capital de conhecimento que essa comunidade herdou de pais, de avós, ver os valores socialmente criativos que expressam.

Nesse aspecto, a escola passa a ser uma instituição da coletividade, seguindo o relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI (Unesco), que estabeleceu quatro pilares, como eixos estruturais da Educação na sociedade contemporânea: Aprender a Aprender – buscar o saber, alcançar os seus objetivos;  Aprender a Fazer – relacionando o ensino à prática; Aprender a Viver e Conviver – desenvolver o conhecimento do outro, formar uma nova mentalidade, que vai gerar mais união e diminuição da competitividade, vai gerar o desejo de criar, de elaborar projetos conjuntos, de viver juntos; e Aprender a Ser – desenvolver a capacidade de autonomia e julgamento, fortalecendo a responsabilidade pessoal pelo destino coletivo.

Hoje, a escola reforça a visão de que a educação deve se dirigir ao convívio coletivo, ao desenvolvimento humano, no encontro das diferentes culturas, aproximando os povos e os segmentos da sociedade.

Transformar o meio em que se vive passa, necessariamente, pela sala de aula. Já passou a época da alienação aos menos favorecidos. Terá que haver um esforço para conciliar a destinação com a esperança. Um esforço para anular o sintoma da desigualdade e acreditar na capacidade de recuperação.

 

* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em dezembro/2006)

EDUCAÇÃO INFANTIL

Izabel  Sadalla Grispino *

As recentes descobertas sobre a formação do cérebro humano provocaram uma revolução nas pesquisas sobre o processo de aprendizado. Influenciaram e modificaram toda a estrutura de ensino dessa faixa de atendimento infantil. Abriram novas perspectivas para o desenvolvimento intelectual e emocional da criança e levaram à reformulação do currículo das escolas infantis. O neurobiologista Harry Chugami, da Universidade de Michigan, adverte: “O currículo das escolas tradicionais está fora de sincronia com as teorias modernas sobre aprendizado infantil, porque subestima a capacidade das crianças. A pré-escola desperdiça o potencial infantil de aprendizagem, porque exige pouco, e mantém baixas as expectativas sobre o que as crianças são capazes de entender”.

As descobertas provocaram mudança de mentalidade e passou-se a diminuir a idade em que a criança começa ir à escola. Descobriu-se que o melhor período para desenvolver o potencial da criança é de zero a 3 anos; o melhor período de aprendizagem ocorre dos 2 aos 10 anos. Ao entrar na pré-escola, metade do processo de desenvolvimento do cérebro da criança já está concluído. Há duas décadas atrás, o cérebro de uma criança de 5 anos era visto como uma fita semivirgem, que registrava tudo que fosse ensinado pelos professores.

Acreditava-se de que até os 6 anos a criança deveria apenas brincar, quando, hoje, sabemos que a estimulação precoce altera a maneira e o grau de aprendizagem infantil. Brincar é importante, é o laboratório natural da afetividade, da sociabilidade, da ética e serve de suporte para uma adequada estimulação. Limitar experiências na pré-escola é desperdiçar o melhor período de aprendizagem da criança.

É na interação com o meio em que vive que a criança constrói o conhecimento. Novas metodologias, novas abordagens didático-pedagógicas do conteúdo começam a surgir. Educação infantil amplia conceito de pré-escola e esta passa a assumir papel formal no processo de aprendizagem. O envolvimento com a leitura e a escrita começa muito cedo, desde o maternal, assim como a formação ética e moral.

A denominação pré-escola, embora usada oficialmente, é rejeitada pelo educadores que consideram este período fundamental para o desenvolvimento intelectual da criança; desenvolvimento que se dá através de estímulos táteis, visuais e auditivos, aproveitando todo o potencial da criança.

Hoje, sabemos da importância de trabalhar conceito e não conteúdo. Pelo conteúdo, a criança vai memorizar o conhecimento; pelo conceito, vai incorporá-lo. “Em vez de memorizar tabelas de multiplicação, crianças de até 4 anos devem estar “brincando” com conceitos de matemática e lógica. O importante é que as crianças entendam o conceito cedo. As fórmulas ficam para mais tarde”, diz o pedagogo Sam Houston, encarregado de reformular o currículo das escolas primárias da Carolina do Norte, nos EUA.

Crianças de até 8 anos devem ficar sentadas o mínimo possível, porque elas aprendem por experiência, na prática, vivendo o que está sendo ensinado, permitindo ao cérebro relacionar os fatos.

Os anos 90 estão sendo conhecidos como a “década da pesquisa cerebral”, devido às inúmeras descobertas sobre o desenvolvimento do cérebro. Aparelhos que captam imagens do interior do corpo humano em funcionamento, os “scanners”, trouxeram, entre muitas outras, duas descobertas importantes: a) o cérebro usa o mundo exterior para se moldar; b) existem períodos críticos em que as células cerebrais – os neurônios – precisam de determinados estímulos para desenvolver habilidades como visão, coordenação motora ou linguagem. Esses períodos passaram a chamar-se “janelas de oportunidade” e vão do nascimento até por volta de 12 anos de idade. Até o início da década de 80, só era possível estudar o cérebro de pessoas mortas.

Não se sabe com precisão em que idade as “janelas de oportunidade” se fecham, mas os cientistas são unânimes em afirmar que a maior parte delas se abre nos primeiros meses de vida. Descobriu-se que as “janelas de oportunidade” – período em que se formam as conexões entre os neurônios – para aprender, por exemplo, um segundo idioma só se fecham aos 6 anos e o período ideal para aprender música começa aos 3 e vai até os 10 anos. Crianças de 5 anos, se corretamente estimuladas, conseguem entender conceitos matemáticos, como volume e densidade, falar mais de um idioma, tocar instrumentos e chegar a ler partituras.

Os cientistas colocam dois fatores determinantes na interação da formação do cérebro infantil: genes e ambiente. Os genes são responsáveis pela estrutura do cérebro e o ambiente, pelo seu funcionamento. As experiências vividas pelo bebê, do nascimento aos 6 anos, determinam seu futuro emocional e intelectual. A outra parte desse futuro é determinada pela carga genética herdada dos pais.

A ciência mais uma vez dando o seu recado, integrando o processo psico-pedagógico da aprendizagem.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em maio/2000)

EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO (ENEM)

Izabel  Sadalla  Grispino *

O Ministério da Educação e Cultura (MEC), ao iniciar seu processo de avaliação do ensino médio, deu início ao projeto do “Exame Nacional do Ensino Médio” (Enem), um exame nacional de final de ensino médio, criado em 1998, com o objetivo de avaliar as habilidades e as competências adquiridas pelos alunos no fim da educação básica. Expandiu, porém, o objetivo que passou a ter também o propósito de oferecer às universidades um outro critério de seleção ao seu ingresso. O Enem é, ao lado do vestibular, uma outra opção de ingresso ao ensino superior.

Universidades, sob a chancela do MEC, organizarão o Enem, que é financiado por uma taxa de inscrição e é voluntário, tanto para o aluno como para a universidade, que terá liberdade em adotar ou não o resultado do exame, como um dos critérios a seu ingresso. O aluno terá pontuação, aproveita a nota a universidade que quiser.

O MEC dará um limite de vagas para poder garantir outro tipo de ingresso, por exemplo, aos alunos do curso supletivo e para os que não fizeram o Enem. Não vai permitir que 100% das vagas sejam preenchidas com os alunos que venham a ter as melhores notas no exame. Aquele que perder o exame poderá fazê-lo em qualquer época e o que obteve nota insatisfatória poderá repetir o exame para melhorar a pontuação. O exame não será feito apenas pelo aluno que tenha concluído, no respectivo ano, o ensino médio, mas por todos os que já o completaram, não importando se há 10 anos ou mais. O “Exame Nacional do Ensino Médio” (Enem) é apenas uma referência, visa, essencialmente, a rede pública. A particular mantém seus próprios critérios, como já tem feito. Sobre a pontuação, tomando o exemplo dado pelo ministro Paulo Renato Souza, temos: sobre o máximo de 500, o aluno obteve 350 pontos. Uma determinada universidade poderá aceitar essa pontuação, e outra só aceitar acima disso. As pontuações regulares poderão ser submetidas a outros critérios.

O “Exame Nacional do Ensino Médio” (Enem) é totalmente diferente do Exame Nacional de Cursos (ENC), o provão. O provão não traz conseqüências individuais, é feito para avaliar o curso superior. No “Exame Nacional do Ensino Médio” (Enem) as conseqüências são individuais, embora não dê direito garantido de ingresso ao ensino superior, como dá, por exemplo, o vestibular. Vai depender do critério adotado pela universidade. O Enem abre apenas a possibilidade de ingresso.

O Enem põe em prática a metodologia implícita nos preceitos emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) para a reforma do ensino. Os exames têm sido elaborados com o propósito de testar a capacidade de o aluno aplicar conhecimentos na resolução dos problemas diários. Busca aferir a estruturação do raciocínio e a análise de problemas, cobrando conteúdo próximo à realidade do aluno.

Conforme orientação do MEC, o que se quer é avaliar as habilidades e as competências desenvolvidas pelos alunos durante a educação básica. Ressaltando a necessidade de os exames abordarem o conteúdo de modo interdisciplinar, a coordenadora do Enem, Maria Inês Pini, diz que “a avaliação será interdisciplinar, não havendo questões específicas por matérias. Serão perguntas que irão misturar conceitos de física e matemática, por exemplo. Em todas as questões o aluno precisará ser capaz de estabelecer relações entre as diversas áreas do conhecimento. O objetivo maior do Enem é montar uma prova que não meça conteúdo e, sim, habilidades.”

O Enem é constituído por uma prova única, contendo 63 questões objetivas de múltipla escolha e uma redação. Todo participante receberá um boletim individual de resultados, que é sigiloso e fornece informações sobre o desempenho do aluno, comparando-0 com a média geral do País.

No 3.º ano de sua existência, o Enem traz mais uma característica: a avaliação, também, poderá se tornar fonte de informação para as empresas na contratação de pessoal e qualificação profissional. O exame pode ser utilizado pelo mercado de trabalho, na seleção de pessoal de nível médio, servindo como referência de qualidade, no currículo dos candidatos. Uma outra utilização do Enem no mercado de trabalho poderá se dar na preparação de cursos e treinamentos, considerando as necessidades específicas de cada clientela. “O Enem vai ao encontro das novas necessidades do mercado de trabalho, que busca cada vez mais um profissional capaz de intervir, de forma lógica e criativa na realidade”, reforça Maria Helena G. de Castro, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC).

O Enem, se aplicado com critério e bem dosado, terá o mérito de nos revelar os caminhos que o ensino médio vem tomando, assim como o grau de conhecimento demonstrado pelos alunos nesse nível de escolaridade. Despertará, para a escola, a aprendizagem prática, realista, contextualizada, reforçando seu  caráter  formativo,  no qual o ensino deve nortear-se mais pelo desenvolvimento das capacidades cognitivas de caráter geral  que  por  informações.  O  “Exame  Nacional do Ensino Médio” (Enem) pode vir a ser um grande referencial à metodologia da escola, uma alavanca na organização didático-pedagógica, que poderá conduzi-la à necessária renovação.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

EQUOTERAPIA

Izabel Sadalla Grispino *

Os avanços na metodologia educacional alcançam dimensões criativas e surpreendentes. Em casos de atendimento específico, como do aluno com deficiência, a natureza trouxe o cavalo como um auxiliar poderoso na reabilitação motora e neurológica.

A prática da equoterapia traz benefícios físicos, como a melhora do tônus muscular, maior equilíbrio para andar, maior equilíbrio espacial e benefícios psicológicos e afetivos. A criança e o jovem aprendem a relaxar e melhora o medo que têm de tudo.

Esta é a grande vantagem da equoterapia,  alia o tratamento físico ao psicológico. O trabalho é com o cavalo e sobre o cavalo, traçado a partir de um plano individualizado. A terapia é acompanhada por uma equipe multidisciplinar, o trabalho é gradual e acompanhado de perto pela equipe de profissionais.

Quem estipula as metas é a equipe, que inclui psicólogo, fisioterapeuta, instrutor de equitação, condutor de cavalo e um profissional de educação. Os alunos interagem com o animal em várias situações e começam a reter melhor as informações, ajudando-os até no processo de alfabetização e na melhora da fala.

A prática é recomendada para crianças a partir de 2 anos, especialmente para casos de paralisia cerebral, síndrome de down, acidente vascular cerebral (AVC), traumas, autismo, déficit de atenção, estresse, síndrome de pânico, esquizofrenia, entre outros.

Há restrições para quadros de luxação de quadril e instabilidade severa  de pressão, mas, mesmo nesses casos, é possível determinar um bom programa de equoterapia, respeitando-se os limites.

Depois da Segunda Guerra Mundial,  os  médicos  começaram  a notar que o cavalo podia ser um aliado da saúde do homem. Na Europa, os homens mutilados ou depressivos, que praticavam equitação, tinham uma melhora mais rápida e logo voltavam à vida social.

Com o estudo desses benefícios, foram surgindo centros de equoterapia na França, Itália e Inglaterra. No Brasil, a prática é mais recente, chegou há 18 anos, com a Associação Nacional de Equoterapia (Ande-Brasil), cuja sede fica na Granja do Torto, em Brasília.

O número de adeptos brasileiros começou a crescer consideravelmente. Segundo a Ande-Brasil, em 1989 havia 6 alunos e o último levantamento, de 2005, aponta 13.760, com crescimento contínuo. No Estado de São Paulo, há 65 centros filiados às atividades, com uma média de 1.400 atendimentos por mês. No Brasil, são 250 centros filiados.

Os centros credenciados seguem as regras estipuladas: necessidade de uma equipe interdisciplinar e todos os membros com curso feito de equoterapia na Ande-Brasil. Os cavalos são treinados para ter um modo específico de andar. Para cada caso, a fisioterapeuta determina o ritmo do animal – o único animal que reproduz a marcha humana.

A equipe traça em conjunto os objetivos, levando em conta aspectos físicos, psicológicos, educacionais. Reavaliam o projeto a cada semestre.

Surpreendente descoberta no meio animal: o cavalo é uma valiosa ferramenta educacional e medicinal. É ajuda e remédio para muitos males.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2007)

MUDANÇAS NA REFORMA DO ENSINO

Izabel  Sadalla Grispino *

Muito já se tem falado ou escrito sobre a reforma do ensino, mas o que parece é que ela está sendo sofrivelmente entendida e aplicada, em boa parte das escolas. Hoje, se preconizam voluntários da educação, pessoas da comunidade, da sociedade em geral, que, de alguma forma, possam contribuir com a escola, enriquecer seu conhecimento, seu currículo, inclusive sob a forma de atividades aos alunos. Este artigo engloba o objetivo de fornecer às escolas subsídios à reflexão sobre a nova realidade escolar, inscrita nas proposições emanadas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).

A escola precisa fornecer parada para a meditação, para a reequilibração num processo de feed-back. “Um professor que não pára para rever sua prática pedagógica, se ver em atuação, trocar com seus pares, é um professor literalmente tragado pela “fazeção” do dia-a-dia, que acaba ficando sem sentido”. (Paulo Freire)

Surge uma nova concepção de currículo e, com ele, uma nova concepção de escola. Nova em seu formato, em seu funcionamento, em sua organização, requerendo uma profunda revisão das metodologias de ensino. Uma escola que deve estar apoiada em avaliações periódicas, renovando-se, ajustando-se a um mundo em permanente mutação, para o qual o ensino tradicional tornou-se inapropriado, obsoleto.

Revoluciona-se o conceito de currículo, que tem, agora, sua maior característica na flexibilização. A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) prevê a flexibilização na organização de cursos e carreiras e por isso torna possível a mudança que vale tanto para as escolas públicas como para as privadas. A idéia central é substituir a atual estrutura curricular, baseada em disciplinas e carga horária fixa, por outros modos de organização. Na educação básica por: “séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência” e em outros critérios e formas diversas de organização, como módulos, reclassificação de alunos, aceleração da aprendizagem... No ensino superior a LDB prescreve que “alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos... podem ter abreviada a duração de seus cursos”.

O novo currículo substitui padronização por flexibilização. Vivemos numa sociedade plural, plural que deve ser usado para o enriquecimento, para o acréscimo, não para a unificação. A reforma adota currículos que buscam a cultura compartilhada, atualizada, incluindo a informal, onde a leitura de jornais e revistas deve ser pensada como uma de sua parte integrante. O currículo formal só é autêntico se apoiado no currículo oculto, oriundo da vida do aluno, sua cultura, suas variadas influências. O projeto pedagógico da escola precisa contemplar o contexto sociocultural, trabalhar a metodologia interativa, interdisciplinar, contextualizada, com o foco do currículo caracterizado mais por competência cognitiva de caráter geral que por informações. “No lugar de uma cabeça bem cheia, uma cabeça bem feita”, nos ensinava no século XVII o pensador francês Montaigne.

As modernas teorias pedagógicas têm suas raízes no passado, foram estruturadas ao longo dos séculos. Reforçam, entre outras, o pragmatismo lançado pelo educador norte-americano John Dewey, que antes da década de 30 dizia: “Escola é vida, não é preparação para a vida”. Propunha que a escola desenvolvesse aptidões e habilidades nos alunos por meio de experiências vividas; é o famoso “aprender fazendo”. Piaget e Bruner, influentes mentores da educação moderna, na 2ª metade deste século, possibilitaram-nos a formação de programas de ensino mais realistas, conteúdo mais acessível, métodos de ensino e de aprendizagem mais adequados aos alunos. “O aluno é um ser que interage com a realidade”, dizia Piaget.

As disciplinas tradicionais do currículo devem estar relacionadas aos aspectos essenciais da vida do cidadão, como ética, saúde, meio-ambiente,  movimentos  culturais,  sexualidade,  pluralidade  cultural,  mito  da democracia

social, vivência familiar, social e outros. Esses temas serão incluídos e trabalhados em associação às áreas convencionais, conforme recomendam os “Parâmetros Curriculares Nacionais”. A escola abre oportunidade para que os alunos aprendam temas normalmente excluídos e atua propositadamente na formação de valores e atitudes.

O currículo de todos os níveis de ensino contém uma base nacional comum, complementada por uma parte diversificada que variará de conformidade com as “características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela” (LDB). Deve nortear-se pela interdisciplinaridade –  interligando as diversas áreas do saber  – pela contextualização. A interdisciplinaridade promoverá ao aluno uma formação geral mais ampla e a contextualização buscará solução dos problemas sociais no seu trato com o cotidiano.

INTERDISCIPLINARIDADE – As disciplinas inter-relacionadas fornecem ao aluno um conhecimento globalizado do assunto. Na universalidade, por exemplo, vem corrigir distorções do ensino superior e da especialização excessiva dos cursos de graduação realizados em departamentos e cursos desintegrados dos demais. Hoje, os profissionais mais qualificados para o mercado de trabalho são os chamados especialistas generalizantes, que, junto ao conhecimento de sua área e especialização, devem ter a capacidade de adquirir informações sobre outras áreas, facilitando o conhecimento do papel de outras pessoas e uma melhor interação entre elas.

A interdisciplinaridade, aliada às diretrizes curriculares básicas comuns a todos os cursos, levará a especialização para os últimos anos, o que faz repensar na forma atual do exame vestibular, que força o estudante à escolha precoce, a uma especialização com escolha preestabelecida.

CONTEXTUALIZAÇÃO – O ensino das disciplinas tradicionais deve estar relacionado aos contextos: trabalho, ambiente, convivência social, movimentos culturais e outros. Estes relacionamentos rompem com o modelo de educação, no qual o aluno não sabe aplicar na vida a teoria aprendida na escola.

Ao evitar conhecimentos descolados da realidade, a escola afasta o enciclopedismo dos currículos, colocando os objetivos do ensino próximos ao dia-a-dia da sala de aula. A nova proposta parte do pressuposto de que o conhecimento não está mais parado nas enciclopédias, ao contrário, sofre mudanças espantosas.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março de 2000)

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Durante a gestão do ministro Paulo Renato Souza, foram elaborados Parâmetros Curriculares Nacionais para os diversos graus de ensino da educação básica. Esses Parâmetros, pelo que se consta, não estão sendo aproveitados, como se devia pelas Escolas. Eles não têm caráter obrigatório, mas são de utilidade fundamental ao processo pedagógico, voltado a uma metodologia renovadora, construtivista. São referenciais para um ensino de qualidade e contribuem para a elaboração de currículos mais ajustados à realidade da escola.

Os Parâmetros propõem critérios curriculares para os diferentes níveis, desde a creche e pré-escola ao ensino médio. No ensino infantil, os Parâmetros buscam a uniformização desse atendimento. Indicam as capacidades a serem desenvolvidas pelas crianças, de ordem física, ética, estética, afetiva, de relação interpessoal, de inserção social. A base do parâmetro é transformar o contato das crianças com os educadores em relação de aprendizado.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental se dividem em Parâmetros de 1.ª à 4.ª série e de 5.ª à 8.ª série. Propõem que os conteúdos das disciplinas se aproximem do dia-a-dia da vida dos alunos, que haja correspondência entre o que o professor fala em sala de aula e o que o aluno faz lá fora. O trabalho escolar não pode estar desvinculado da vida do aluno e deve ressaltar problemas cotidianos. A realidade vivida pelo aluno deve servir de ponte entre o dizer e o fazer, deve unir o currículo formal e o currículo oculto.

Os Parâmetros trabalham o aluno como um todo, em sua formação integral, de al modo que informação e formação caminhem em movimento circular. Dedicam amplo espaço para os chamados temas transversais – sexualidade, droga, saúde, meio ambiente, valores morais, sociais e outros – que devem permear as matérias do currículo e ser incorporadas à prática, em sala de aula, sempre que a dinâmica da classe comportar.

Os Parâmetros entrelaçam as matérias obrigatórias com educação, sociedade, escola e cidadania. Reforça a importância da ética – ética democrática que afasta a arraigada cultura autoritária, da formação moral, do convívio escolar na ação de um perante o outro – da participação e co-responsabilidade pela vida social. Há um extenso capítulo sobre convívio social e ética, cidadania e pluralidade cultural.

Os Parâmetros oferecem, dentro do processo de construção do conhecimento, forma de estimular e de avaliar os alunos. Propõem uma avaliação ampla, investigativa e final, onde se consideram os aspectos concentuais, procedimentais e atitudinais. Eles ampliam o papel do professor e reforçam a importância do trabalho coletivo, da interdisciplinaridade. O ensino-aprendizagem deve fazer do aluno um ser pensante, criativo, essencialmente crítico, deve proporcionar-lhe oportunidades de “aprender a aprender” e se tornar um cidadão.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais não podem ser esquecidos. Todas as escolas devem a eles voltar sistematicamente. Eles orientam para uma escola moderna, autônoma, sintonizada com a realidade que a circunda. Eles levam à escola do sucesso.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em agosto/2006)

EDUCAR PARA A AUTONOMIA

Izabel Sadalla Grispino *

Dando continuidade ao assunto tratado na semana passada, sobre as atividades extracurriculares dos jovens, gostaria, ainda, de acrescentar de que os pais devem saber diferenciar suas expectativas e as de seu filho. Na maioria dos casos, os filhos são induzidos a realizar os projetos que os pais não conseguiram concretizar e farão o máximo de seu investimento para que suas frustrações não se repitam na vida dos filhos.

Os pais devem, também, considerar que cada filho é um filho e que com cada um deve estabelecer diferentes tipos de relação. O fundamental aos pais é ouvir os filhos, dizem os psicólogos, entender, por exemplo, que para os filhos menores é mais fácil estabelecer uma rotina de tarefas; já para os filhos adolescentes, a partir dos 12 ou 13 anos, pode tornar-se mais difícil, porque eles querem fazer valer suas opiniões, seus desejos. Quando não são ouvidos, encontram meios para chamar-lhes a atenção, ou pelo abandono dos estudos, ou, então, por qualquer motivo, faltam às aulas de atividades escolhidas pelos pais. Buscar um equilíbrio nas multitarefas é essencial.

Educar é transmitir costumes, valores e normas vigentes na sociedade em que vivemos e essa educação deve ser feita com compreensão, com moderação. Manter uma educação não totalmente liberal, nem muito controladora. Na educação liberal, a criança não se sente apoiada, não tem uma referência segura e pode passar por experiências que venham lhe causar frustrações e sofrimento. Na educação controladora, a criança não tem independência para fazer nada, não consegue desenvolver iniciativa e criatividade, tem poucas chances de experiências, desconhecendo sua capacidade.

Em ambos os extremos, a criança sofre e pode desenvolver distúrbios de conduta, como birras, timidez excessiva, agressividade contra si e contra os outros. Atitudes diferentes dos pais, diante de uma mesma situação, também confundem a criança e quando existem problemas mais graves de relacionamento entre os cônjuges, muitas vezes os filhos são manipulados e aprendem a manipular, criando atitudes patológicas.

Um ambiente saudável propicia um bom desenvolvimento aos filhos, oferece apoio, suporte emocional, permite independência, escolha de opção, dando à criança consciência de suas possibilidades, tornando-a capaz de desenvolver segurança, estabelecer relação de troca e acreditar em si. Alguns fatores exercem grande influência na relação pais e filhos, como as expectativas dos pais em relação à criança, a demonstração positiva ou negativa sobre o ritmo pessoal, o tipo de personalidade e o comportamento observado.

Desde que a criança nasce até os anos pré-escolares, as metas essenciais são o ganho da confiança, da autonomia e da iniciativa. Para adquirir confiança, a proteção e a sensibilidade dos pais são fundamentais. Quanto à iniciativa, a criança descobre que há coisas possíveis e outras, também possíveis, mas proibidas e cabe aos pais demarcá-las e dar as devidas explicações. O diálogo fortifica a confiança, estimula a iniciativa e desemboca no comportamento autônomo.

A criança é levada a fazer muitas coisas de uma vez e, para que cresçam com noção de disciplina, para que adquiram confiança, os pais devem vigiar, orientar, porque ela não tem capacidade ou energia suficiente para obter êxito em todas as situações. Compete aos pais acompanhar o desabrochar da personalidade da criança, orientar, sem tolher as potencialidades afloradas.

Embora o ser humano, ao nascer, seja extremamente dependente de seus pais, ele já nasce com algumas capacidades, como a de inibir estímulos desagradáveis, tolerar frustrações. Ele vai atuando no ambiente e reivindicando a satisfação de suas necessidades, de acordo com o temperamento e com o ritmo próprios. Essas duas características, temperamento e ritmo, são determinantes para o bom desenvolvimento da personalidade, por isso, devem merecer atenção por parte dos pais.

As primeiras trocas afetivas entre mãe e filho, os cuidados básicos recebidos, as ações e reações da criança com seu meio-ambiente vão moldando o seu comportamento. E essas vivências, positivas ou negativas, serão, posteriormente, transferidas ao meio social mais amplo, favorecendo ou dificultando a sua adaptação.

A responsabilidade dos pais no ajuste ou no desajuste psicológico dos filhos é grande, e “não é preciso que os pais sejam perfeitos, eles apenas devem ser atentos, sensíveis e humanos” (Buscaglia).

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2001)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

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