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Artigos Educacionais

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FORMAÇÃO GLOBALIZADA

Izabel Sadalla Grispino *

Não há desenvolvimento econômico sem uma poderosa estrutura científico-tecnológica, representada, em nosso País, pelas universidades públicas. Necessário se faz fortificar essas universidades para não comprometer a pesquisa, o desenvolvimento baseado no conhecimento. Necessário se faz investir num sistema educacional que nos tire da condição de País de terceiro mundo. Investir numa política efetiva de inclusão pela melhoria do ensino básico, pelo reforço do preparo dos estudantes pobres à universidade e não por facilitadores mecanismos de acesso à universidade, comprometendo a qualidade do ensino superior. Um país sem universidades de excelência e centros de pesquisa de alto padrão não tem como alavancar o conhecimento e tornar-se nação de primeira grandeza.

O futuro será do país que souber reunir conhecimento e indústria. O conhecimento científico, em seu progresso, tem que caminhar juntamente com a aplicação prática, traduzir-se em tecnologia aplicada. A distância entre teoria e prática provoca desajustes consideráveis no produto resultante dessa combinação. Na indústria farmacêutica, por exemplo, mediante as descobertas científicas, parte-se para a produção de medicamentos; pesquisas transformam-se em vacinas.

A prática do conhecimento transitado decide o papel da indústria e seu impulso ao desenvolvimento econômico. A indústria impulsiona a universidade e é por ela impulsionada, criando importantes ações comerciais. O que se quer é que a ciência produzida pela universidade não fique só na ciência, que haja uma comercialização do conhecimento por ela adquirido, da pesquisa por ela desenvolvida. Esse é, sem dúvida, um caminho da recuperação da atividade econômica do país.

Aliado a esse aspecto da transformação do conhecimento em produtos comercializados, um outro ponto interessante a abordar é a criação de um projeto educacional que permita ao jovem estudante ser um cidadão do mundo globalizado. As grandes potências buscam fortalecer as dimensões internacionais de sua educação superior, atraindo investimentos e formas de intercâmbio.

Olhos voltados para o enriquecimento cultural, técnico das universidades, ajudam o mercado, hoje inserido na globalização. Projetos ambiciosos, em determinadas áreas, buscam capacitar o formando na visão internacional, tendo em vista a expansão da economia, o enfoque internacional do nosso comércio. Observadores da área econômica constatam que “todos os negócios estão num ambiente globalizado e mesmo que uma empresa não exporte nada, certamente compra produtos importados ou negocia aquisição de tecnologia”.

A preocupação na formação do estudante vai além do enfoque nacional. A expansão do comércio mundial exige uma crescente necessidade de relações com o exterior. Experiência internacional, no avançar dos anos de estudo, propicia maior visão de mundo, de mercado, conhecimento de tecnologias diferentes e de outras culturas. Essas características ajudarão e muito na colocação de empregos e no desenvolvimento de negócios. A vivência no exterior traz como maior benefício o aprendizado cultural e é isso que faz a diferença numa carreira. A vivência ajuda no crescimento pessoal e profissional.

Felizmente, as escolas despertam para a amplitude das relações internacionais e vem oferecendo, com mais freqüência, oportunidades de aprendizado fora do País. As olimpíadas vem aumentado, tanto na esfera nacional como internacional. Escolas públicas brasileiras participaram recentemente, dezembro de 2004, entre 39 países, da 1.ª Olimpíada Internacional Júnior de Ciência, estimulando a busca do conhecimento. Nas nossas escolas, em geral, o ensino de ciência é ainda muito teórico, com poucas aulas em laboratórios, poucas possibilidades para o aluno criar.

A disputa foi na Indonésia e 6 alunos brasileiros – 4 meninas e 2 meninos de até 15 anos – participaram de 3 dias de provas. Fizeram provas práticas, além de testes e de questões dissertativas sobre química, física e biologia. Atualmente, cerca de 500 mil adolescentes brasileiros participam de disputas em várias áreas do conhecimento. Os medalhistas, freqüentemente, recebem bolsas de iniciação científica ou são convidados a participar de cursos especiais em universidades, uma forma de aproveitamento de talentos e de incentivo ao estudo.

A classe social mais abastada coloca os filhos em escolas internacionais renomadas, onde os filhos falam, desde pequenos, mais de um idioma. São escolas bilíngües, a criança é alfabetizada em português e de acordo com a opção da família em uma outra língua. Apresentam um currículo internacional que assegura a continuidade dos estudos em qualquer país, sem, contudo, descuidar do currículo adaptado à realidade brasileira e às orientações do Ministério da Educação (MEC).

O que se procura é a valorização do contato com outras culturas, formação globalizada, portas abertas para o futuro. Os alunos das escolas internacionais, no convívio com pessoas de outras nacionalidades, no convívio, desde cedo, com outros idiomas, ajustam-se com mais facilidade, com mais abrangência, na realidade contemporânea.

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2005)

A BIBLIOTECA ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

A biblioteca é um recurso didático indispensável no processo de aprendizagem. A adoção, pela escola, do método construtivista coloca a pesquisa na vanguarda da metodologia. Além disso, como despertar o aluno para a imperiosa leitura, como criar o hábito de ler, sem a existência de sua matéria-prima?

IDADE IDEAL PARA SE COLOCAR NA CRECHE

Izabel Sadalla Grispino *

A escola é uma instituição que insere o ser humano numa sociedade cada vez mais complexa, com profundas transformações econômicas, sociais e culturais. Ainda que a escola esteja sofrendo um histórico e contínuo processo de desvalorização, ela é, ainda, o que de melhor podemos oferecer à criança, ao adulto.

O importante é escolher uma escola, no início da aprendizagem, que se afine com a subjetividade, com a identidade da criança em questão. O desenvolvimento das ciências humanas, no século XVIII, trouxe a descoberta da infância como uma fase de características próprias e de enorme importância para o seu desenvolvimento. Educar a criança desde pequena passou a ser preocupação das famílias, do Estado. Influenciadas pela valorização da escolaridade, muitas famílias passaram a querer que seus filhos se alfabetizassem o mais cedo possível. A alfabetização precoce tornou-se desejo generalizado, embora a literatura afirmasse que a forma própria de aprender da criança é a brincadeira, o jogo.

As atividades de caráter lúdico devem povoar a educação infantil. A leitura e a escrita devem entrar na vida da criança como lazer antes de qualquer processo formal de alfabetização; é o lazer que deve proporcionar o ambiente da educação infantil.

As crianças pequenas têm direito à educação infantil, mas deve ser observado o período inicial de colocarem-nas em  creches. Crianças que entram nas creches muito cedo começam a apresentar uma doença atrás da outra, dizem os pediatras. A licença maternidade de apenas 4 meses leva os bebês a freqüentarem as creches com 4, 5 ou 6 meses de idade.

Quanto mais cedo a criança entra na creche, maior a probabilidade de contrair e desenvolver doenças e nos bebês mais novinhos costumam ser mais sérias. O organismo mais novo tem poucas defesas, menos anticorpos e na convivência com outras crianças e com adultos ele fica em contato com vírus e bactérias em grande quantidade. Adquirem doenças, especialmente, respiratórias: sinusites, otites, resfriados, gripes e doenças virais.

A entrada precoce do bebê na creche apresenta aspectos orgânicos, como os já citados e aspectos emocionais, psicológicos que acabam influenciando os orgânicos. Os psicopedagogos esclarecem que dos 6 meses aos 2 anos de idade, aproximadamente, a criança passa pela chamada fase da ansiedade de separação. É um período de individualização, em que ela começa a se reconhecer como pessoa e a identificar os outros. Nesse período, a criança deve ser afastada gradativamente e por pouco tempo da mãe para não criar uma ansiedade de separação prolongada e difícil.

Ainda, entre pais, permanece o mito da socialização precoce, de que a criança que entra na creche cedo passaria a ser menos mimada e mais social. Isso  absolutamente não acontece, porque a criança de berço quase não interage e precisa brincar sozinha. Começa haver alguma interação depois de 1 ano e meio. Depois dos 2 anos, a creche passa a ser um bom lugar, um lugar interessante pelos estímulos que propicia à socialização. Afirmam os pediatras que antes disso a criança não precisa de creche e sim de alguém, de preferência a mãe, que lhe dê atenção e carinho. Por volta dos 2 anos de idade, a criança está pronta para iniciar seu ciclo escolar.

O horário que a criança permanece na escola deve ser aumentado progressivamente, na medida em que ela vai se acostumando com a nova rotina. A educação infantil é importante porque a criança pequena precisa de estimulação adequada e a escola propicia isso. Ela é essencial, pelo menos a partir dos 4 anos.

A educação infantil, que vai de 0 aos 6 anos e inclui desde a creche até a pré-escola, foi definida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 como a primeira etapa da educação básica no Brasil. A neurociência já mostrou que a maioria das conexões cerebrais é formada no período entre o nascimento e os 3 anos, pela interação do bebê com os estímulos do ambiente. Estudos provam que crianças que cursam educação infantil são alfabetizadas com mais facilidade.

Segundo o Ministério da Educação há no Brasil cerca de 7 milhões de crianças matriculadas na educação infantil. Enquanto os mais pobres sofrem com a falta de vagas em creches públicas, muitas escolas particulares têm pediatras, enfermeiras, nutricionistas, além de professores à disposição dos alunos. Atualmente, está-se entendendo a importância da educação para crianças de 0 a 6 anos, a importância da educação infantil para o seu desenvolvimento.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2006)

CURRICULUM VITAE

CURRICULUM VITAE

DE

IZABEL SADALLA GRISPINO

PRINCIPAIS ASPECTOS DO CURRÍCULO

  • Licenciada em Letras Neolatinas pela Universidade de São Paulo, ano de 1954;
  • Curso de pós-graduação em Língua e Literatura Francesa, a nível de mestrado, quando defendeu a tese: “O Simbolismo Francês e a poesia de Paul Verlaine e Arthur Rimbaud”;
  • Pós-graduação em Língua e Literatura Espanhola, em Filologia Portuguesa e Literatura Brasileira;
  • Licenciada no Curso de Pedagogia, com especializações em Administração, Supervisão, Orientação Educacional e Coordenação Pedagógica;
  • Ocupou, por concurso, na educação básica, as cadeiras de Português e de Francês e no ensino superior de Língua e Literatura Francesa;
  • Na área de administração e supervisão, exerceu, por concurso, os cargos de diretor de escola e de supervisor de ensino;
  • Foi membro integrante da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP) da Secretaria da Educação, onde monitorou e coordenou cursos de atualização, de aperfeiçoamento e de especialização em língua portuguesa, de 125 horas, para professores e especialistas da educação do ensino fundamental e médio, então, 1.º e 2.º graus;
  • Preparou, treinou, pela CENP, monitores, dos cursos montados, para todo o Estado de São Paulo;
  • Foi membro da equipe designada pelo Departamento de Recursos Humanos, da Secretaria da Educação, no Projeto “Capacitação de Recursos Humanos para o Ensino de 1.º e 2.º graus”, para proceder à análise crítica do texto-base, elaborado por insignes professores da Unesp, Araraquara: Cacilda de Oliveira Camargo, Maria Helena de Moura Neves, Najla Lauand e Sebastião Expedito Ignácio, designados que foram pelo MEC. Análise crítica no sentido da adequação do texto ao nível pretendido. A equipe foi, também, responsável pelo treinamento dado aos professores da rede.
  • Foi colaboradora do livro de Instrução Programada “Língua Portuguesa” – 5.ª à 8.ª série – 1.º grau – Secretaria de Estado da Educação;
  • Orientadora, pela USP-São Paulo, de estágios supervisionados do Curso Normal e de Letras;
  • Ao longo da carreira, participou de uma gama considerável de cursos de atualização, de aperfeiçoamento e de especialização, na perspectiva da educação continuada;
  • Autora de crônicas, de centenas de artigos educacionais, comportamentais, sociais, religiosos, publicados em jornais e revistas. Atualmente, está se propondo a registrar uma fase histórica da educação brasileira, ou seja, os principais passos da implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), n.º 9394/96, em seus diversos e amplos aspectos e a realidade do ensino no momento dessa implantação.
  • Poetisa, que reflete em seus versos as grandes questões humanas, os estados de alma, a problematização do ser. Retrata a alma em suas características universais, em suas inquietações diante dos enigmas da existência. Há momentos de muito lirismo, da exaltação do amor, da dor da saudade, das ilusões e desilusões, das amarguras e dos encantos da vida e há momentos de muita reflexão, de observação imparcial da realidade social e política, quando passa, então, sua visão de mundo, sua interpretação dos fatos, numa análise objetiva e subjetiva, porém, sempre crítica. No fundo, freqüentemente, é a poesia didática, é a mestra preocupada em ajudar, em orientar, em alertar, buscando suavizar o sofrimento da humanidade e contribuir para um mundo melhor. Há poesias de versos livres, mas, a sua formação clássica fala mais alto, quando observa com rigor, na grande maioria dos versos, a métrica e a rima;
  • Compositora musical – letra e música – de dezenas de obras sacras e populares;
  • Dentre as valiosas experiências, exercidas no magistério, ao longo da carreira, destaca os cursos ministrados, em larga escala, para professores e especialistas da educação, regando e adubando o terreno para melhor fazer brotar a semente educacional.

(Publicado em novembro/2000)

UM OLHAR DIRETO PARA O CÉU

Izabel Sadalla Grispino *

Há, entre os humanos, um fascínio pelo céu que perpassa as gerações, que habita o imaginário da criança e do adulto. Um projeto inovador, estimulador da aprendizagem científica, que irá encantar os alunos, está sendo montado por astrônomos de vários institutos brasileiros. Em fase piloto, os elaboradores do projeto estão importando telescópios a favor da educação de crianças e adolescentes das escolas da rede pública.

O programa conta com a participação de seis universidades do País, cada uma delas com uma escola parceira. Pela internet, alunos e professores poderão monitorar os equipamentos e fazer observações do espaço em tempo real. Poderão observar a lua, acompanhar diferenças de brilho das estrelas dentro de salas de informática em escolas públicas. Os alunos vivenciarão um projeto científico de alto nível.

O projeto intitula-se Observatórios Virtuais e tem como coordenador Laerte Sodré Júnior, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAGUSP). Baseia-se em um programa americano semelhante, patrocinado pela Nasa, que usa um telescópio do Instituto Tecnológico da Califórnia.

O projeto Observatórios Virtuais é gratuito para as escolas que quiserem dele participar. A única exigência, para a observação do espaço, é o software, que permite monitorar os telescópios. O software está sendo desenvolvido pelo IAGUSP e ficará disponível no próprio site do projeto. A previsão é que o programa esteja aberto a todos, sem custos, em meados do ano que vem. Contudo,  já desperta curiosidade geral. Vai usar telescópios acoplados a redes de computadores e para participar dela as escolas precisarão apenas de computadores ligados à internet.

O pesquisador do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), André de Castro Milone, fala da observação espacial nas escolas como um processo simples. “Ninguém vai colocar o olho no telescópio. O aluno ou o professor digitará no computador a coordenada do objeto a ser observado e o aparelho se movimentará seguindo essas recomendações. É como se estivesse dizendo a ele: direcione para a lua ou para uma determinada estrela”.

O computador ajuda porque permite exposições mais prolongadas e coleta imagens melhores que o olho humano. Em São José dos Campos, o Inpe acaba de construir um miniobservatório para abrigar um dos telescópios que está sendo importado.

O projeto provoca forte interesse nos alunos, que vão, com entusiasmo, de madrugada, às aulas na escola. O Colégio Bandeirantes é um dos únicos no País que participa, há dois anos, do programa americano que inspirou o brasileiro. Por isso, nessa fase inicial os seus alunos vão aproveitar o telescópio de São Paulo que ficará no IAG. O professor do Bandeirantes Airton Borges, que participará da execução do projeto, diz que com “apenas os conhecimentos básicos de geografia, os estudantes conseguem fazer o reconhecimento do céu e trazer uma nova discussão para a escola”. Procuram por supernovas em galáxias que o telescópio pode visualizar. Aprendem astronomia de verdade, bem mais real do que está nos livros.

Nos Estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Santa Catarina, o projeto piloto será realizado com estudantes de escolas públicas. No Rio Grande do Sul, será em um colégio militar. Os professores dessas escolas e mais os dos colégios que vierem a aderir ao projeto receberão um treinamento especial para orientar os alunos a fazer as observações e as pesquisas.

O projeto Observatórios Virtuais está sendo financiado pela Fundação Vital. Cada telescópio custa em média 6 mil dólares. Aos poucos o aluno vai entendendo e manuseando melhor o telescópio, com uma análise sobre os assuntos, cada vez mais objetivo, mais lógico.

Este é um projeto ousado, de longo alcance, que tem a propriedade de se abrir à escola pública, tão necessitada de avanços tecnológicos.

Há, atualmente, um crescente interesse pela astronomia. Este ano, realizou-se na Rússia, na cidade de Bukova, a 7.ª Olimpíada Internacional de Astronomia e um aluno brasileiro do 2.º ano do ensino médio do Colégio Objetivo, Felipe Augusto Cardoso Pedreira, ganhou a medalha de bronze. Apenas o Brasil representou o continente americano e Felipe concorreu com 50 estudantes de 21 países. Ele participou de exames teóricos, práticos e de observação. Antes da etapa internacional, disputou com outros 60 mil alunos brasileiros. Ele já está classificado para a Olimpíada de 2003.

Neste Natal, envio meu abraço a todo morador desta querida cidade, pedindo a Jesus que derrame, em seu coração, esperança de uma  vida  harmoniosa e feliz. Que neste Natal, o mundo coloque paz no lugar da violência e que os homens se reconheçam como irmãos em Cristo. Levo aos prezados leitores a inspiração que, este ano, o Natal me passou.

N A T A L

O colorido na terra ressurge,
Magia inexplicável,
A vaquinha novamente muge,
Natal é emoção renovável.

A cada ano vem mais exuberante,
Vem, como se fosse a primeira vez,
Põe os homens na ala dos amantes,
Provoca na alma uma certa embriaguez.

Assim, são todos os Natais,
Cumprimentos, alegrias e abraços,
O grande afago dos mortais,
Perene, varre os tempos, os espaços.

Seria o Natal fruto da imaginação?
Da necessidade do sonho, da esperança?
A verdade é que ele habita cada coração,
E Jesus renasce no sorriso da criança.

A cada idade, um voto especial,
A cada nação, uma prece que apraz,
Mas, em todos, um desejo universal:
Que o Natal reuna os povos na santa paz.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2002)

CULTURA AFRO-BRASILEIRA

Izabel Sadalla

Fala-se muito em discriminação racial – realmente ela parece existir – e quer-se, por força de lei, bani-la. Porém, discriminação não é coisa que se acabe por determinação. Discriminação é fator cultural, enfoque educacional, conquista de méritos próprios. Educa-se, orienta-se, reflete-se sobre as causas que levam à discriminação e busca-se debatê-las, eliminando preconceitos, que são frutos do desconhecimento.

No caso em questão, sobre o povo negro, devem-se passar esclarecimentos, já nos bancos escolares, sobre o valor desse povo, o sofrimento e o isolamento por que passaram, a chaga social que foi a escravatura, a dívida social que o povo brasileiro tem para com o negro. Recuperar a sua dignidade é ponto que se impõe, valorizando a sua cultura, historiando o seu povo, mostrando, aos alunos, a importância que a raça negra teve na história nacional.

Sob esse prisma, considero louvável a lei 10.639, sancionada em 10 de janeiro de 2003, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que determina às escolas do ensino fundamental e médio a inclusão, a partir deste ano, do ensino da história e cultura afro-brasileira. Os currículos deverão abordar a história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra e sua contribuição nas áreas social, econômica e política.

A cultura afro será assunto de todas as disciplinas, mais especificamente nas aulas de história e educação artística. A nova lei institui, também, no calendário escolar, o 20 de novembro como “Dia da Consciência Negra”. A nova Lei de Diretrizes de Bases da Educação (LDB) já faz menção sobre a contribuição cultural dos negros.

Apraz-me tomar conhecimento da adoção de medidas governamentais ou da sociedade civil que vêm de encontro ao favorecimento da diversidade racial. Estímulos na área social, no mercado de trabalho, visando à ascensão profissional do negro, estão sendo pensados e postos em prática. São empresas que oportunizam a contratação de afro-descendentes, que se dispõem a reservar um percentual de vagas para trabalhadores negros em seus cursos de treinamento, atualização e aperfeiçoamento. Dessa forma, estudando, reciclando-se, este trabalhador prepara-se para obter sucesso, podendo exercer, condignamente, a sua função.

É isso que precisa acontecer, dar condições para que o candidato à universidade ou ao mercado de trabalho se qualifique, se posicione em pé de igualdade aos demais concorrentes. Estabelecer, simplesmente, uma cota, sem qualificar o pretendente, é contribuir para a discriminação, é dar, gratuitamente, um privilégio que não resulta em conquista própria, e que, portanto, não leva à auto-afirmação. Afinal, os negros só carecem de oportunidades para crescer. São iguais a todos os que vivem comunitariamente no País, iguais em inteligência, em devotamento, não necessitando de favores que podem, inclusive, voltar contra si mesmo.

A criação de cotas enfraquece o critério de mérito, desvaloriza o conhecimento, influi mal sobre a motivação pessoal. Estamos na era do conhecimento, dele não podemos nos furtar. O mercado de treinamento e educação de profissionais vem se aquecendo como tendência mundial. Em tempos de alta tecnologia, de redução de postos de trabalho e competitividade acirrada, vence quem melhor preparado está. Nesse contexto, condescendência não resulta em benefício, atrapalha, humilha.

A força moral e a inteligência rechaçam a idéia de superioridade de uns sobre outros, de uma cor sobre outra. O País precisa acordar para a responsabilidade de levar educação de qualidade às camadas de menor poder aquisitivo, independentemente de etnias. A integração racial das minorias se faz baseada no respeito que a atuação pessoal e profissional vier a conquistar. Privilegiar e não capacitar é reforçar o preconceito, é manter a exclusão social.

Só transformaremos a realidade em que vivemos quando soubermos estender a todos as mesmas formas de tratamento. Comenta-se que somos um País de negros e que só temos brancos na universidade, mas, afianço-lhes não serão as cotas que promoverão a justiça social reclamada e sim um ensino que capacite, que promova qualidade a todos indistintamente.

A segregação racial surge em vários setores da atividade humana no Brasil. No magistério, por exemplo, 66,2% dos professores são brancos, mas com variações por níveis. Brancos são 74,8% no ensino médio e 83,1% no superior; da 5.ª à 8.ª série são 65,4%; da 1.ª à 4.ª série e na educação infantil os negros somam 40%. No 1.º ciclo, onde se encontram quase 40% dos professores, 47,5% são negros e 35,5%, brancos. Ou seja, os negros se concentraram em níveis que exigiam menor qualificação.

Se quisermos uma transformação social, compatível com a exigência educacional da época, temos que “lavar os olhos”, como dizia Darcy Ribeiro, atuar com honestidade, com democracia sem demagogia.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em abril/2003)

LEI DO APRENDIZ

Izabel Sadalla Grispino *

Uma salutar iniciativa é a Lei do Aprendiz, quando adolescentes de 14 a 18 anos podem ganhar treinamento técnico em uma empresa, sem deixar de estudar. O aluno torna-se um aprendiz, adquire experiência em empresas, cujo trabalho é regulado por uma lei antiga, que foi reformulada em 2000 como Lei n.º 10.097. Essa lei foi abraçada pela Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente, no enfrentamento do desafio da exclusão de milhões de adolescentes. A fundação lançou em 12 de maio p.p. uma campanha publicitária para divulgar a lei e conscientizar empresas, sociedade civil, Sistema S, envolver entidades como Febraban e sindicatos, sensibilizá-los para a causa do adolescente carente.

A Lei de Aprendizagem obriga as empresas a reservarem no mínimo 5% das vagas, e no máximo 15%, para os adolescentes. Através de um contrato de trabalho, os empresários comprometem-se a matricular os aprendizes em cursos profissionalizantes do Sistema S, como Senai, Senac, Senar, Senat e Sescoop,  escolas técnicas ou ONGs registradas nos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente. Em contrapartida, os adolescentes assumem o compromisso de executar, “com zelo e diligência”, suas tarefas.

A estimativa é de que podem ser beneficiados entre 650 mil e 2 milhões de adolescentes. Segundo o Ministério do Trabalho e do Emprego, no ano passado, 41.445 adolescentes conseguiram ocupação.

A lei não tem nada a ver com trabalho infantil. A legislação proíbe o trabalho de menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz. Eles terão uma carga horária de 6 horas e o contrato não pode passar de dois anos, assegura direitos trabalhistas, como registro em carteira e salário mínimo/hora. Para o empregador, há redução de encargos: a alíquota do FGTS cai de 8% para 2%. As empresas que desrespeitarem a lei podem ser multadas.

Essa lei é um grande incentivo para os adolescentes que conseguem trabalhar, aprender, receber salário e, o mais importante, continuar estudando. O jovem que pára de estudar – para  trabalhar e ajudar a família – dificilmente voltará aos estudos. A lei  tem caráter educativo e proíbe o aluno de deixar de estudar.

Atualmente, há 3,2 milhões de adolescentes entre 15 e 17 anos que estão no mercado informal ou estão sem trabalho. Apesar de o Brasil proibir o trabalho de jovens antes dos 16 anos, a não ser como aprendizes, no ano de 2001, uma pesquisa do IBGE revelou que mais de 2 milhões de meninos e meninas de 5 a 14 anos estavam trabalhando, comprometendo os estudos e a saúde.

A divulgação e a conscientização da lei, por parte das empresas, da sociedade civil, dos governos, devem merecer a atenção de todos. É uma atitude de relevância social, de qualificação profissional. Os meios de comunicação têm abraçado a causa, divulgando inclusive a diferença entre aprendiz e estagiário.

Aprendiz

• Tem vínculo empregatício;

• Tem carteira de trabalho especial assinada para aprendizagem, com duração de, no máximo, 2 anos;

• Recebe salário mínimo/hora;

• A empresa contratante tem encargos trabalhistas e previdenciários com redução do recolhimento do FGTS de                                   8% para 2%;

• Recebe formação técnico-profissional metódica, com atividades teóricas e práticas e tarefas de complexidade                          progressiva;

• ter de 14 a 18 anos incompletos e estar cursando ou ter concluído o ensino fundamental.

Estagiário

• Não há vínculo empregatício;

• Assina termos de compromisso por período não inferior a um semestre letivo;

• Pode receber bolsa ou outra forma de remuneração a combinar;

• Tem seguro de acidentes pessoais;

• Complementa o ensino, é acompanhado e avaliado conforme currículos, programas e calendários escolares;

• É aluno do ensino superior, do ensino médio, da educação profissional de nível médio ou superior e de escolas de educação especial.

No Estado de São Paulo, 220 empresas buscam aprendizes na ONG Ensino Social Profissionalizante (Espro), que forma 1.200 por ano. A ONG Movimento Degrau, fundada em 2002 para inserir jovens no mercado, está presente em 78 cidades. Esta ONG propôs, em março deste ano, no 48.º Congresso Estadual de Municípios, um “Pacto pela Juventude”. Esse número de aprendizes pode ser aumentado e muito pelo trabalho de divulgação e conscientização. O estudante, após o período de aprendiz, após ter concluído o ensino fundamental e estar cursando o ensino médio ou, mais tarde, uma faculdade, pode retornar à empresa, agora como estagiário.

Professores, diretores de escola, devem inteirar-se sobre esse assunto de importância social e orientar seus alunos, suas famílias, falar à sociedade civil, aos empresários, fazendo valer a Lei do Aprendiz.

O adolescente, como aprendiz, sente que ali, na empresa, começa um mundo novo para ele. Ele recebe um preparo para entrar no mercado de trabalho e é um grande incentivo para que se dedique, se empenhe cada vez mais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2004)

INTERATIVIDADE ESCOLA-COMUNIDADE, ESCOLA-ALUNO

Izabel Sadalla Grispino *

A escola, em sua visão humana, não considera o aluno como uma carreira em desenvolvimento, mas um ser em formação. Prioriza a educação integral nos aspectos cognitivos, afetivos e psicomotores. Diferentemente do passado, de um mundo mais lento, de uma educação mais devagar, com seu conteúdo mais sedimentado e com mais tempo para o estudante se aprofundar nas matérias, vivemos hoje um mundo onde tudo é muito rápido. Hoje, muita coisa é descartável e muitas necessidades foram criadas.

A escola, no contexto atual, oferece oportunidades para que o aluno faça suas descobertas e coloca o professor como mediador na construção do conhecimento. Nesse processo, o professor vai descobrindo como o aluno aprende, vai criando condições para que ele desenvolva todo seu potencial.

O ensino não pode ser padronizado, porque cada aluno é uma pessoa única, com seu tempo, ritmo e tendências próprias. Ele não é um sistema fechado, mas abrangente, como é a formação das pessoas e a construção da sociedade do futuro.

Professor e aluno trabalham num sistema de parceria. A parceria cria, na sala de aula, um clima interativo, um conhecimento articulado, facilitadores da comunicação e da abordagem democrática, libertadora. O professor vai adequar o seu ensino ao tipo de aluno que recebe, vai falar, como emissor, a língua do aluno, o receptor. Conhecê-lo bem, conhecer seu universo cultural, deve ser o ponto de partida, a fim de centrar a aprendizagem em bases no real, no concreto, preferentemente nas séries iniciais, evitando, dessa maneira, uma possível inadaptação do aluno aos métodos da escola.

Escola é vida, é experiência de vida. Investigar o cotidiano do aluno, trazer sua vida à escola, relacioná-lo, estrategicamente, aos conteúdos do currículo, vão tornar a aula mais atraente, mais condizente com esse aluno.

Ajustar-se às condições de vida do aluno, à sua realidade, é para a escola ponto central, tanto para a sua organização, para a montagem de seu currículo, de seu calendário, como para a sua didática. Tomemos como exemplo as escolas do campo, não mais chamadas de rurais. Essas escolas incorporam o modo de vida das pessoas do campo e valorizam a idéia do pertencimento.

As escolas do campo têm programas específicos, diferentes das escolas da cidade, buscando preservar a cultura dos pequenos agricultores, num processo de revalorização do trabalho do campo. A escola inclui na carga horária o tempo em que o aluno trabalha com a família, sob sua orientação.

A escola não se fecha mais em si mesma. Ela se abre e reflete a vida da comunidade onde se insere. Em 2002, com o apoio do Ministério da Educação (MEC), foram aprovadas as primeiras diretrizes pedagógicas para a organização de escolas no campo. No mês de fevereiro do corrente ano (2006), o Conselho Nacional de Educação (CNE) reconheceu como dias letivos o período em que alunos ficam em casa, desenvolvendo projetos agrícolas com suas famílias, monitorados pelas escolas. É a chamada Pedagogia da Alternância, que leva em conta o fato de os jovens da zona rural não poderem cumprir o calendário escolar convencional, porque trabalham nas suas propriedades. As escolas incluem atividades extraclasses, como ensinar a subir em árvores e colher frutas.

É a escola ensinando o aluno a se desenvolver no ambiente em que vive, a aprender a gostar do lugar onde mora.

O ato pedagógico deve estar inserido nas condições de vida do aluno e nas suas condições psicossociais, dentro de sua faixa etária e ministrado de forma prazerosa, afetiva. O professor encaminha seu ensino de modo a desenvolver habilidades paralelamente à aquisição do conhecimento. Esses preceitos não são recentes, já aprendíamos com Anísio Teixeira, nas décadas de 50 e 60, com sua proposta de escola-parque.

Ajustar o conteúdo escolar à vida da comunidade, à vida do aluno, é fator de sucesso, visto que a apropriação do conhecimento historicamente constituído leva o aluno ao desinteresse, à apatia. Contudo, a competência do professor está em superar, gradativamente, essa realidade e dar ao aluno uma formação compatível com o mundo moderno, remetendo à escola seu caráter formal. É evidente que a preparação do professor tem reflexo na aprendizagem. Ele precisa mostrar qualidade, atualizar-se.

Deve existir entre professor e aluno a troca, onde se transmitem e se recebem informações. É preciso “aprender a aprender”, como enfatizou Paulo Freire, saber interpretar as múltiplas linguagens, as falas heterogêneas, na constatação de que o saber é uma viagem, não um porto. A troca é democrática, forma o aluno para o diálogo. Democracia é treino. A parceria, a troca, são canais, por vezes, difíceis, que demandam tempo,  mas que precisam acontecer.

Traçando o perfil do aluno, valorizando sua história, obedecendo a estrutura do pensamento, o professor terá um aluno interessado, participativo, com um desempenho compensador.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2006)

A DIDÁTICA DA SENSIBILIZAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

A didática para a modernidade leva o aluno a vivenciar as situações de aprendizagem. A teoria é porta aberta para a prática. Diferentemente do passado, o ensino, por exemplo, de música, antes das notas musicais, é dirigida à sensibilidade do aluno. Nas aulas de iniciação musical, a criança aprende a sentir e a entender um pouco mais sobre música. Ao invés de decorar as notas musicais, como sempre se faz tradicionalmente, a criança dança ao lado dos colegas, ao som de valsas, sambas, ritmos populares, folclóricos. Aprende a identificar o som de cada instrumento e se diverte ao tocá-los. Mais tarde irá estudar as notas musicais.

As crianças aprendem, na iniciação musical, a escutar e a apreciar a música, preparando-se para no futuro ser admiradoras de música,  quando não músicos. Isso significa ir além do ensino das notas musicais.

As crianças ficam em contato com músicas diferentes, de outras culturas, diferentes ritmos e têm plena liberdade para escolher o que querem. Vão, aos poucos, adquirindo consciência musical e desenvolvendo a criatividade.

O estudo pela música deve se iniciar cedo, logo na Educação Infantil. Grandes gênios da música começaram ainda pequenos. O austríaco Wolfgang Amadeus Mozart começou a mostrar seu talento musical aos 5 anos de idade, quando criou suas primeiras composições, para o espanto de sua família. Seu primeiro instrumento foi o cravo. O alemão Ludwig van Beethoven começou a tocar piano muito cedo e aos 11 anos já tinha composto suas primeiras sinfonias. O alemão Johann Sebastian Bach começou a tocar órgão aos 10 anos. O austríaco Johann Strauss começou a tocar violino ainda pequeno. É conhecido como o pai da valsa.

O brasileiro Heitor Villa-Lobos foi um dos mais importantes músicos de sua época. Começou a tocar clarineta aos 12 anos e aos 15 já tocava violoncelo e violão.

No processo moderno de ensino, despertar o gosto pela música, descobrir vocação começam por um processo bem mais divertido: vivenciando, saboreando a própria música.

Diferentes procedimentos pedagógicos, dependendo do assunto, fazem a teoria virar aula prática. Exemplos de criatividade não faltam para dar à matéria tratada um significado tangível, quase palpável. Uma determinada escola, ao querer passar aos alunos noções sobre o meio ambiente, sobre sua preservação e sua degradação, idealizou um projeto Barco Escola. Estudantes do ensino fundamental são levados, pelos professores da área, a passear de barco por rios, de preferência, poluídos. Passam a conhecer de perto espécies de fauna e flora da região, observando piranhas e plantas aquáticas. Percebem a relação de causa e conseqüência, sentindo responsabilidade pela ecologia.

Esse passeio de barco não só desenvolve a comunicação, o comportamento social dos alunos, como complementa prazerosamente o aprendizado teórico da sala de aula. O aluno,vivenciando a problemática ambiental, sensibiliza-se e passa avante, como um alerta, despertando a conscientização da comunidade.

Em todas as áreas do conhecimento são pensadas atividades que levam os alunos a desenvolver conceitos, observando-os na prática. A iniciação, por exemplo, ao hábito da leitura surte bem mais efeito quando a criança participa ativamente da leitura em conjunto. Nas rodas de leitura, o professor lê, em círculo, conjuntamente com as crianças. Os livros são lidos com paradas para comentários, reflexões. Quando a criança julgar necessário, durante a leitura, ela externa sua opinião, pede esclarecimentos, tornando a leitura movimentada, dialogada.

É bem mais suave e interessante a  leitura integrada. O aluno não precisa se isolar ou ler por obrigação. Outra maneira de conquistar a criança para a leitura, de sensibilizá-la para os livros, é a já consagrada “hora do conto”. São leituras participativas, vivenciadas em suas histórias, na companhia de todos da classe.

Segundo divulgação da mídia, o professor terá, no próximo ano, no ensino fundamental uma grande ferramenta pedagógica, capaz de incentivar a pesquisa e a prática do ensino, qual seja, o computador portátil: o laptop. Todos os alunos da rede pública terão um laptop, um computador que será como um livro que eles possam trazer para a escola e levar para a casa, levá-lo em todos os lugares. Destinado ao aluno carente, toda a família poderá partilhá-lo, incorporando-o à sua realidade.

O laptop fará parte do cotidiano do aluno e não apenas de uma experiência feita na escola. Ele será conectado à rede, quando a criança pode buscar e trocar informações ou ver seu trabalho publicado na internet. A criança vai tomando contato com a sociedade da informação, preparando-se para o novo mundo de trabalho nessa sociedade.

A escola, hoje, prima por um aprendizado que se constrói e o computador é um grande caminho dessa construção. Um caminho para o aluno vivenciar conceitos, entrar em contato, de modo abrangente, com aspectos do conhecimento, colocando-se, gradualmente, na sociedade de informação, que se consolida firmemente.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em dezembro/2005)

RESPOSTA A UMA ALUNA DO CURSO NORMAL

Izabel Sadalla Grispino *

Foi com satisfação que li a mensagem, enviada a mim, através do jornal Guariba Notícias, de Maria Aparecida Monteiro, em véspera de se formar professora.

Maria Aparecida é aluna do 3.º ano do Curso Normal do Instituto de Educação Professora Marisa Serrano, da cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Seu curso termina agora, em 30 de junho.

Citarei trechos de seu e-mail, enviado à redação do jornal: “ ... Venho agradecer as matérias da professora Izabel Sadalla Grispino, que têm sido de grande ajuda para o meu desempenho na escola. Levo os textos para a sala de aula para ser discutido com o grupo, pois, sempre, têm o que nós precisamos. Uso, também, para os meus portfólios os textos de meditação, que sempre nos trazem momentos de reflexão... Nós do Instituto de Educação Professora Maria Serrano, OMEP/BR/MS, agradecemos a sua colaboração, através de seus trabalhos, publicados no jornal Guariba Notícias, o qual recebo regularmente. Maria Aparecida Monteiro, Campo Grande/MS”. (Publico, semanalmente nesse jornal, junto ao artigo educacional, uma poesia para meditação).

Maria Aparecida, seu e-mail cativou-me pelo processo adotado na aquisição do conhecimento. Sua curiosidade leva-a ao método construtivista, de pesquisa e análise, ao encontro de uma metodologia ativa, concreta, interativa.

Você faz, exatamente, o que tem que ser feito: não é apenas ler o texto, mas discuti-lo em grupo, chegar a conclusões, fixar os conceitos emitidos e traduzi-los em práticas educativas, na sala de aula, junto aos alunos.

A sua vontade de aprender, a sua responsabilidade perante a função, a conduzirão às instâncias superiores do saber. Tenho fé em sua futura atuação docente. Você já desponta com brilho no cenário da educação, tal distinguida abelha obreira, fabricando mel para a colméia, tal soldado engajado na luta pelo engrandecimento da Pátria.

Que bom que meus estudos, frutos de suadas lavras, estejam caindo em terra fértil, adubando-a para a rica colheita! Avançar pelo critério de mérito, pela luz do conhecimento, é caminho que consolida toda e qualquer carreira profissional.

Parabéns pela iniciativa,  espero  que  esse processo de aprender a aprender percorra toda sua existência. Se quisermos nos manter em alto nível nessa sociedade do conhecimento, não podemos jamais deixar de lado a educação continuada.

Amanhã, a Nação, por suas famílias, seus jovens, pela sociedade, agradecerá seu ilustrado devotamento à causa da educação, na luta por um ensino de qualidade, o único capaz de dar respostas ao mundo globalizado, em que vivemos.

Abraços e louvores a você.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2007)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

EDUCAÇÃO RURAL

Izabel Sadalla Grispino *

O Brasil, com suas políticas públicas para a educação voltadas às grandes cidades, começa a estender o olhar para a educação do campo.

Professores, sem formação superior que já trabalham na zona rural, poderão, agora, freqüentar uma faculdade e receber diploma de professor rural. Universidades federais, como as de Minas Gerais (UFMG), da Bahia (UFBA), de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, de Sergipe (UFS) e a Universidade de Brasília (UnB) vão oferecer, a partir de junho do corrente ano, cursos de graduação, com 50 vagas em cada universidade, duração de 4 anos, para professores do campo.

Licenciatura com essa formulação é novidade no Brasil. O analfabetismo na zona rural atinge 29,8% dos adultos, enquanto na cidade o índice é de 8,7%. 41,4% dos alunos da zona rural estão fora da série adequada. De cada 5 professores só um tem diploma universitário, fator ainda mais lastimável quando, segundo o MEC, metade das escolas brasileiras está no campo, sendo a formação profissional fator preponderante à aprendizagem.

O curso abrange aspectos específicos da pedagogia da terra. A educação rural tem especificidades próprias, condizentes à lavoura e à situação do local, em que a escola está inserida. O número reduzido de alunos e de professores  leva à formação de salas multisseriadas, onde alunos de séries diferentes se agrupam na mesma sala e recebem aulas do mesmo professor.

Outra particularidade da escola do campo é a chamada pedagogia da alternância. Na época do plantio e da colheita, os alunos ficam sem aulas para ajudar nas tarefas do campo, evitando a evasão. As semanas sem aulas serão repostas após essa fase.

Os cursos têm a preocupação de elevar a auto-estima dos professores e, por tabela, dos alunos, ressaltando os valores do campo, atitudes e tradições de seus moradores. O aluno da roça tende a valorizar as coisas da cidade, colocando os costumes da roça em posição de inferioridade; preferem, por exemplo, o suco artificial, produto químico, que o natural das frutas por ele colhidas.

Pela orientação do MEC, os cursos não podem ser pré-moldados; devem se apoiar na realidade do campo, que é muito diversificada, muito heterogênea. Elabora-se uma nova pedagogia assentada na educação rural, porém, abriga a pedagogia geral, abrangente, de todas as escolas, urbanas ou rurais. Prepara o professor para desenvolver no aluno habilidades fundamentais à sua formação, incluindo a habilidade de aprender continuamente, com iniciativa e responsabilidade.

Escola da cidade ou do campo deve formar cidadãos críticos, criativos, capazes de atuar, como vencedores, no atual mercado de trabalho, seja urbano, seja rural.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro de 2007)

EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Izabel Sadalla Grispino *

Lutar para elevar o nível de ensino das escolas brasileiras, em especial das escolas públicas, é lutar pelo de-senvolvimento do País, lutar pela desigualdade social.  A diferença educacional do pobre e do rico só faz aumentar a concentração de renda. Não há ascensão social sem educação de qualidade, inexistindo a possibilidade de empregos bem remunerados.

Quanto à economia, nosso decadente ensino nega os recursos humanos necessitados pelas empresas em mão-de-obra qualificada. A produtividade fica inibida diante do fraco treinamento dos professores para encarar tecnologias mais avançadas no campo da produtividade. O baixo nível de escolaridade interfere, também, na competitividade internacional, quando países como o Brasil disputam a mesma parcela do mercado globalizado.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um indicador que passou a ser usado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a partir dos anos 90. Pelo IDH, divulgado em julho corrente, o Brasil teve uma queda acentuada no ranking que mede o desenvolvimento humano no mundo. Na comparação com 175 países e 2 territórios, entre os anos 2001 e 2002, o Brasil caiu da 65.ª posição para a 72.ª, ficando abaixo da colocação que se encontrava no começo dos anos 90.

A queda brasileira no ranking deu-se pela piora nos dados de educação, principalmente pelo percentual de analfabetos entre pessoas com mais de 15 anos. A posição brasileira no ranking mundial mostra um retrocesso lamentável na educação.

O IDH mostra que a riqueza do País continua concentrada nas mãos de uma minoria da população. Mostra, no Índice, quantas vezes a renda dos 10% mais ricos no País é maior do que a dos 10% mais pobres, e o Brasil atinge 85 vezes. Vemos, então, como somos um País desigual e quanto devemos batalhar por uma educação de qualidade para as classes menos favorecidas.

O grande caminho para enfrentar a marginalidade educacional, social e econômica é assistir melhor à escola. Investir mais no ensino, melhorar e muito o salário dos professores, para que, estimulados, assumam maior compromisso com a educação. Para que se dediquem à reciclagem de conhecimentos, educando-se convenientemente, contribuindo qualitativamente com a escola que a época vem pedindo. Ao capacitar-se melhor, o professor, com mais possibilidades, entenderá que o maior objetivo da escola é fazer o aluno aprender; dar-lhe uma boa formação e não apenas fazê-lo passar de ano, muitas vezes, sem o mínimo necessário de conhecimento.

Bons professores resultam em bons alunos. Os próprios professores da rede pública, quando se trata de colocar os filhos na escola, colocam-nos em escolas privadas. Uma pesquisa realizada pela Unesco, feita com educadores brasileiros, “O Perfil dos Professores Brasileiros”, divulgada em maio de 2004, mostrou que os professores brasileiros, ganhando mal, preferem se sacrificar e pagar escolas particulares para seus filhos que deixá-los em escolas públicas. Mostrou que 54% dos 5 mil entrevistados escolheram pagar pela educação dos filhos. Querem garantir, segundo a pesquisa, uma “mobilidade social” para eles, um futuro melhor daquele  que tiveram. Ponderou Jorge Werthein, representante da Unesco no Brasil, de que “esses professores são a prova de que o investimento na educação tem altíssimo retorno”. Esses professores buscam qualidade de ensino, garantia de evolução social, que não encontram nas escolas públicas.

Um fato auspicioso que vem surgindo é o projeto de política integrada para os jovens. É um projeto que, segundo o ministro da Secretaria Geral da República, Luiz Dulci, vai integrar as políticas para a juventude, desenvolvido por várias áreas do governo, pelo Congresso e pela sociedade civil. Entre as ações que se programam está a reativação do Projeto Rondon. Luiz Dulci diz ser “um projeto totalmente novo, diferente do que era realizado no período autoritário”.

Contudo, o objetivo do novo Projeto Rondon “continuará sendo o de permitir uma integração maior dos estudantes com a realidade das regiões menos favorecidas do Brasil”. É, na verdade, um intercâmbio, onde os jovens levam seus conhecimentos e suas aptidões a outras regiões do País e, de retorno, assimilam novas culturas, ganham novas experiências.

A volta do Projeto Rondon foi proposta pela União Nacional dos Estudantes (UNE), como uma ação voltada para a área da juventude. O primeiro projeto foi criado em 1967, durante o regime militar, e durou até 1989. O propósito era levar estudantes universitários e professores para as regiões carentes do País, visando a realização de trabalhos sociais. Durou 22 anos e dele participaram mais de 350 mil alunos e 13 mil professores. O projeto atual pensa em ampliar a participação; além de universitários, incluir alunos do ensino médio.

O projeto de integração para a juventude quer priorizar ações na área do lazer, tentando combater a criminalidade. Atualmente, 18 áreas do governo têm ações voltadas para a juventude e o número de programas nessa ala chega a 48.

Integrar ações entre os jovens propicia avançar em direção à cidadania, à comunicação social. O projeto Rondon foi no passado uma iniciativa bem sucedida, em que a juventude se sentia útil na prática de ações sociais, desenvolvia a sociabilidade, o senso humanitário do viver, a responsabilidade perante a sociedade, vivenciando as desigualdades regionais. Vale a pena repetir a experiência.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2004)

BIOTECNOLOGIA, CIÊNCIA PARA A VIDA

Izabel Sadalla Grispino *

O grande surto do progresso, do desenvolvimento econômico do País, de hoje, está centrado na atualização tecnológica dos professores e da sociedade como um todo. Um assunto que vem chamando a atenção é o da biotecnologia moderna, com constantes desafios à sua compreensão.

Freqüentemente, ouvimos falar em clonagem, células-tronco, biossegurança, transgênicos, nanotecnologia e outros. Sabemos que são procedimentos científicos, capazes de aperfeiçoar e trazer grandes avanços para a humanidade, mas, geralmente, estamos por fora de sua real compreensão. Ainda recentemente, escrevi sobre o ensino de ciência, a preocupação mundial com a decadência desse ensino e sua relevante importância à educação para a vida.

Nunca se fez tão necessária a adoção da educação continuada. A ciência e a tecnologia avançam rapidamente, tornando obsoleta boa parte do conhecimento anteriormente adquirido. É imprescindível conhecer as novas tecnologias, os novos conceitos, adquirir uma opinião sólida e fundamentada cientificamente e só assim seremos capazes de aderir convictamente aos novos avanços da economia, enquadrando-nos à competitividade global.

O analfabetismo científico emperra o desenvolvimento da ciência e o conseqüente desenvolvimento do País. O mundo moderno considera a biotecnologia um instrumento necessário para o crescimento econômico, para o atendimento de problemas de saúde, meio ambiente e agricultura.

Uma população de educação científica empobrecida prejudica as pesquisas por resistência e incompreensão sobre as vantagens da aplicação das tecnologias. Criam-se tabus, preconceitos como acontece com os produtos transgênicos, por exemplo. Projetos são cortados por desinformação.

Isso tem levado muitos países a investirem na socialização do conhecimento científico, na atualização de professores e da sociedade. Elaboram instrumentos que permitam a popularização das tecnologias, como uma revista, por exemplo de cunho científico, escrita numa linguagem acessível, mostrando que os avanços das ciências modernas não são absolutamente prejudiciais ao meio ambiente e que a biotecnologia traz grandes benefícios ao homem.

Ao se divulgar as vantagens da biotecnologia,  colocando  ao alcance  da sociedade a compreensão dos avanços científicos, torna-se possível formar um país competitivo, com chances de crescimento

No Brasil, há dois anos, foram realizadas as Olimpíadas de Biologia, buscando promover a atualização dos professores sobre as ciências da vida, porém, o alcance foi restrito. Muitos países formulam sua Lei de Biotecnologia pensando sobretudo na educação da população, esclarecendo-a sobre as vantagens da aplicação da biotecnologia.

Percebem o quanto a ignorância científica é trave para os avanços da economia. Criam situações práticas que permitem a popularização da biotecnologia. Os Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia se esmeram nessa direção.

Como exemplo, citaremos a Embrapa, que deixou de produzir um mamão resistente a vírus, a cana-de-açúcar resistente à herbicida e que requer menos defensivos, poluindo menos o ambiente.

A Índia avançou em sua fabricação de tecidos feitos com algodão transgênico, enquanto a nossa safra foi totalmente queimada.

Quando se avança no conhecimento, avança-se na vida como um todo. É só olhar para a China, com suas atuais vantagens econômicas e sociais, adquiridas na introdução dos novos produtos biotecnológicos.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em outubro de 2006)

COM QUE IDADE ALFABETIZAR?

Izabel Sadalla Grispino *

A criação do ensino fundamental de 9 anos, colocando na escola crianças a partir dos 6 anos, tem levado pais e professores a questionarem sobre a melhor idade para se alfabetizar.

Estudos, baseados em experiências educacionais, têm trazido luzes nessa área. Na alfabetização, cada criança tem o seu próprio ritmo, leitura e escrita podem começar tanto aos 4 quanto aos 7 anos. Entra nessa variável o estímulo recebido pelos pais.

Os neuropediatras dizem que o período para se alfabetizar não é fixo, vai dos 4 aos 7 anos, dependendo do desenvolvimento cerebral da criança. Antes da alfabetização, o cérebro deve passar por diversas fases, como a aquisição das noções de espaço e tempo e pela fase da coordenação motora fina.

Um fator que muito contribui para a alfabetização é o incentivo que recebe em casa, dos pais. O ambiente influencia e desperta o interesse para a leitura e à escrita. Pais que dão, desde cedo, livros infantis aos filhos, lápis e papel para rabiscarem ou lêem histórias antes da criança dormir. Os pais devem ler e não apenas contar histórias. Ler é diferente de contar. Quando se lê a história com um livro, desperta a curiosidade da criança para saber o que aqueles riscos, no livro, significam.

Porém, a criança pobre vem de um ambiente de baixa escolaridade e geralmente os pais não se interessam pela leitura, não encorajando, assim, os filhos. Despertar o gosto pela leitura, sensibilizar para os livros, desde cedo, farão a diferença em toda a vida escolar.

O que se constata é que nas escolas particulares comumente as crianças chegam à 1.ª série, aos 7 anos, já alfabetizadas, enquanto que na escola pública, geralmente, é com essa idade que vão começar a aprender a ler e a escrever. Essas crianças diferentemente daquelas, com raras exceções, não passaram pela pré-escola.

É preciso ater-se ao fator lúdico dos primeiros anos de alfabetização. O contato com as letras deve se processar de maneira prazerosa e um professor mau formado pode bloquear a vontade de aprender para o resto da vida.

A criança não deve ser forçada a aprender logo a ler e a escrever. O interesse pelas letras deve partir da própria criança. Deve ser natural. Às escolas, aos pais cabem apenas estimulá-la para a aprendizagem. Dizem os especialistas que se a criança for forçada, sentir-se-á muito cobrada e poderá ter problemas emocionais, de auto-estima, como ter medo da escola, ter horror aos estudos.

Costumam-se relacionar itens de como estimular as crianças para a leitura e para a  escrita:

a)  Biblioteca infantil: os pais devem, desde cedo, dar livros com textos e muitas ilustrações. Há livros especiais para crianças mais novas, alguns são de pano, outros, de plástico.

b) Estojo cheio: as crianças devem ter lápis de cor, de cera e muitos papéis para rabiscar. Habituando-se ao lápis, terão mais facilidade para aprender a escrever.

c) Exemplo: os pais devem ler livros, revistas e jornais na presença dos filhos. Levá-los a livrarias e bibliotecas, fazer isso como se fosse um passeio.

Pode ocorrer de algumas crianças ler ou escrever bem melhor que o restante da classe. Nesse caso, o que fazer? Continuar com a turma de sempre ou avançar na série? Referendam os especialistas de que saber ler e escrever não é motivo para pular de ano. A criança, nesse caso, para não se desinteressar, deve receber atividades especiais, mais complexas, durantes as aulas.

Essa criança não deve avançar na escolaridade, porque no jardim da infância não conta apenas o fator cognitivo. É preciso levar em conta o nível de desenvolvimento psicomotor, social e emocional da criança.

Uma criança, por exemplo, de 5 anos que lê e escreve bem como uma de 7 anos, não é aconselhável que deixe o grupo de sua faixa etária. Emocionalmente, ela reage melhor com crianças de sua idade, tem os mesmos interesses, gosta das mesmas brincadeiras, entrosa-se melhor. Com as mais velhas, ela pode se sentir desajustada, isolar-se. Na infância, 1 ou 2 anos fazem muita diferença.

Na aprendizagem, no curso dos anos de estudos, os psicólogos chamam atenção para a autodisciplina, como um indicador de sucessos acadêmicos, superior a um bom Q.I. (quociente de inteligência). Dizem que a autodisciplina pode ser mais importante do que um elevado Q.I. para se conseguir melhores desempenhos. Programas que constroem autodisciplina podem ser um caminho importante para conquistar realizações acadêmicas. Estudos mostraram que adolescentes altamente disciplinados superaram seus colegas mais impulsivos, mais desorganizados, em todas as variáveis de interpretação acadêmica, incluindo boletins, notas de provas, admissão em faculdades competitivas.

Apoiando-se nesses estudos, por que pais e professores não partem para a criação de situações que treinam, que preparam os estudantes para a autodisciplina?

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em abril/2006)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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