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Artigos Educacionais

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A CORRUPÇÃO EMPOBRECE O PAÍS

Izabel Sadalla Grispino *

Até quando viveremos sob o impacto da corrupção? Até quando este nosso Brasil ficará emperrado, sem conseguir alçar vôos? O Brasil é um País empobrecido pela corrupção. Uma terra privilegiada como a nossa, com seus invejáveis recursos naturais, está sempre pendente, sempre pendurada, arcada em dívidas, ajoelhada ao FMI. O que se constata no País é uma corrupção impregnada nos hábitos da sociedade. Constata-se a existência de grupos que passam de um governo a outro e se firmam pela impunidade. A cultura da corrupção é histórica entre nós e só um trabalho prolongado de conscientização, de estímulo à ética, aos valores morais, e desde a fase da educação infantil, poderá trazer a esperança de enfraquecê-la.

O nosso ensino não consegue avançar. Países do primeiro mundo mostram um nível educacional invejável, um avançado amadurecimento do povo sobre a importância da educação, visto como pilar do desenvolvimento humano. Uma inscrição esculpida em mármore na entrada da Biblioteca Pública de Boston, nos Estados Unidos, diz: “A comunidade exige educação como salvaguarda da ordem e da liberdade”.

O povo exigindo educação! Aqui no Brasil, precisamos ainda trabalhar muito, anos e anos, para que o povo chegue a esse entendimento, à importância da educação na vida da nação. Quando isso acontecer, o Brasil deixará de ser País de terceiro mundo, nível de País em desenvolvimento, para se tornar País de primeiro mundo, País desenvolvido. Educação está na base de toda transformação social.

Um grande escritor brasileiro, Monteiro Lobato, segundo minha memória, disse: “Um país se faz de livros e de homens”. Observemos a ordem das palavras na frase: primeiro, livros; depois, homens. Primeiro o conhecimento, a cultura, estruturando o homem, ilustrando-o para o exercício da função. Ainda nessa linha de pensamento, lembro o grande estadista norte americano Abraham Lincoln, que dizia: “Ninguém salva o povo, o povo salva a si mesmo através da educação” e a educação foi a grande prioridade de seu governo.

No nosso Brasil, a educação continua num marasmo. A pesquisa da Unesco, Ensino Médio: Múltiplas Vozes, realizada em 13 capitais, entrevistando 7 mil professores e mais de 50 mil alunos da rede pública e particular, revelou o alto grau de insatisfação dos estudantes com que aprendem nas escolas.

Nossas escolas têm condições de melhorar aquilo que ensina? Têm condições de oferecer aulas com qualidade, para aumentar o interesse dos alunos? Professores desmotivados, destreinados, pouco capacitados para o exercício do magistério, vão arrastando a situação do mau ensino. O despreparo docente chega ao nível absurdo de levar o MEC a mudar, ainda este ano, o sistema de classificação de livros didáticos. Desde 1985, início do programa governamental de distribuição de material didático, o Ministério fazia recomendações sobre a qualidade dos títulos a serem escolhidos pelos professores das escolas. O critério para classificar o livro didático ia de uma a três estrelas. No ano passado, o MEC passou a usar os conceitos “pouco recomendado”, “recomendado” e “muito recomendado”. Agora, não faz mais avaliações, apenas uma descrição de cada livro. E isso ocorreu devido ao fato de os professores, ultimamente, estarem optando por livros de uma estrela ou os pouco recomendados. Escolhem os piores entre os pré-avaliados pelo MEC.

O presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Henrique Paim Fernandes, considera a fraca escolha dos professores, a razão de estes livros conterem conteúdos mais fáceis; “Assim, os professores não correriam o risco de não entender ou não saber como lidar com livros supostamente mais sofisticados. Geralmente, escolhem os livros que já conhecem ou que crêem ser mais próximos de sua realidade”.

Se contássemos com professores bem treinados didaticamente, recebendo salários condizentes com sua função, não estaríamos nessa situação. Teríamos um magistério valorizado. Mas, o que ocorre é o contrário, a falta de estímulo leva o professor a se acomodar, a se desinteressar, trazendo desinteresse aos alunos.

Como elevar o padrão de ensino sem um devotamento político leal à causa da educação? O mais freqüente é ver, na mídia, os constantes relatos de graves corrupções. As verbas destinadas ao ensino perdem-se no caminho de sua destinação, conduzidas para fins ilícitos. Em abril p. passado, lemos nos jornais, em letras garrafais, o desvio dos recursos destinados ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Médio e de Valorização do Magistério (Fundef)! O Ministério Público estima que de cada R$ 4,00 só R$ 1,00 é aplicado corretamente! Detectou quadrilhas com ramificações nacionais, especializadas em falsificar planilhas de gastos e forjar prestações de contas. A Controladoria Geral da União deparou com um verdadeiro esquema de fraude documental e irregularidade freqüente no registro de estudantes fantasmas. No ano passado, auditoria do MEC constatou a existência de 280 mil matrículas irregulares de 1.ª a 8.ª  séries.

Antes do Fundef, as reclamações de compras eram freqüentes. Surgiu o Fundef justamente para corrigir os casos de corrupção. 60% do Fundef estão vinculados ao pagamento de professores; o restante vem sofrendo desvios abomináveis. O dinheiro do Fundef é depositado em uma conta do Banco do Brasil e seu extrato pode ser acessado por vereadores e membros do conselho de fiscalização dos municípios.

Deputados da Comissão de Educação da Câmara querem mudar a forma de escolha e a composição dos conselhos municipais de acompanhamento do Fundef. Defendem projeto que impede que familiares dos prefeitos e secretários municipais integrem os conselhos, além de estabelecer eleições para a definição dos membros e a inclusão de um representante dos alunos. O representante dos pais também não poderá ser servidor municipal, nem prestador de serviços da prefeitura.

Hoje, fala-se em mobilização dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário --, reforçando a luta do Estado contra a corrupção, tentando fazer com que o Estado, que tem o leme nas mãos, possa dirigir esse barco, encharcado de corrupção, com mais firmeza.

Será esse o caminho? Poderá até ajudar, mas a corrupção está tão enraizada no seio do povo que ela sempre encontrará um jeito de burlar as determinações legais.

Só um trabalho sério de educação poderá tentar reverter tal situação.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2004)

EDUCAÇÃO INFANTIL, PRIORIDADE EDUCACIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

O Brasil é uma terra de contrastes; cresce desordenadamente. Frisante desigualdade entre o Sul, o Norte e o Nordeste, entre a opulência de poucos e a cruel, a extrema pobreza de muitos!

No Nordeste, a desnutrição infantil, largamente denunciada, alcança considerável parcela dessa população e vem gerando o nanismo. Crianças mal nutridas, sofrivelmente alimentadas, acabam degenerando-se, sucumbindo-se ou tornando-se nanicas. Perdas de vitaminas, na alimentação das primeiras idades, não se repõem jamais, dizem os especialistas do assunto. De nada adianta alimentá-las bem, depois dessa fase; o que se perdeu não se recupera mais. A criança atingida pelo nanismo está prejudicada de modo irreversível.

Transferindo-se essas perdas para a área educacional, do mesmo modo, a estimulação precoce perdida da primeira infância, desassistida da pedagogia, acarreta deficiências de aprendizagem, dificilmente superadas. O nosso País privilegia o ensino fundamental, e descuida-se da educação infantil, fase mais importante do desenvolvimento da criança, comprometendo o futuro de toda uma geração.  As vagas preenchidas nas creches e nas pré-escolas não são consideradas, pelo governo, para efeito de cálculo e repasse do Fundef (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental).

A ciência, em sua descoberta, mostrou que o cérebro é muito mais elástico do que se imaginava e tem sua capacidade definida nos primeiros anos de vida, fase em que a quantidade de sinapses (conexões neurais) depende de estímulos, do trato pedagógico recebido.

O cientista Carl Seagan, já falecido, pôs em xeque o modelo educacional adotado no Brasil pela negligência com que se atua, em relação às nossas crianças. Lançou, à reflexão, o desafio da necessidade da abrangência da educação infantil. Disse ele: “A principal revolução das primeiras décadas do novo século não estará no uso da informática, mas, sim, na educação das nossas crianças de muito pequena idade”.

No meu artigo sobre o exame vestibular eu dizia: O vestibular se constitui na última etapa de uma seleção que começou bem antes, na aprendizagem das primeiras letras. Seu afunilamento é preenchido por alunos que receberam a melhor educação, que freqüentaram a melhor escola. Ele é um termostato de todo o conhecimento adquirido anteriormente. Nesse contexto, escola particular tornou-se, praticamente, “pré-requisito” para se entrar em uma universidade pública e, esta a melhor do País -- a que oferece melhores empregos no mercado de trabalho – fica reservada aos ricos.

Essa discrepância vem de longa caminhada, quando poucos têm o privilégio de freqüentar o ensino infantil. É aí, nessa fase inicial de estimulação às primeiras aprendizagens, que se inicia a grande defasagem cultural das classes menos favorecidas. É aí, nessa faixa etária, que as crianças de famílias de baixa renda ficam, costumeiramente, de fora.  A ausência desse ensino, pelas crianças pobres, completa o ciclo da desigualdade escolar dessas crianças, futuros adultos, futuros concorrentes à marginalização profissional.

Felizmente, a educação desperta para a importância da pré-escola. Iniciar a aprendizagem formal de uma criança pelo ensino fundamental, pulando a pré-escola, é o mesmo que construir uma casa sem a consistência de um bom alicerce.

É preciso, pois, lutar pela educação infantil e pelo educador infantil, defendendo políticas públicas que priorizem esta etapa da educação. A nossa rede pública atende, hoje, apenas 9% da população  de zero a três anos nas creches e 48% das crianças de idade entre 4 a 6 anos, nas escolas de educação infantil.

A desatenção ao desenvolvimento integral das crianças na primeira infância responde pelas significativas taxas de evasão e repetência na escolaridade básica. As creches não se caracterizam mais como reservatório de crianças. Hoje, elas têm um conteúdo educacional, critérios curriculares, transformam o contato das crianças com os educadores em relações de aprendizado. Desenvolvem na criança os aspectos físicos, cognitivos, afetivos, éticos, as relações interpessoais e sociais.

A educação começa no berço e os primeiros anos têm peso fundamental para o resto da vida escolar. A educação que a pessoa teve no “período de molde” (de 1 a 7 anos) vai influenciar todo o seu comportamento futuro. O tratamento pedagógico de uma criança não é igual ao de um adolescente, que, por sua vez, é diferente do de um adulto.

A criança precisa ser atendida nos próprios interesses, sem imposição, para que libere o seu potencial, desenvolva a auto-educação, a autonomia na aprendizagem. Com a educação infantil, iniciam-se as fases específicas do desenvolvimento mental, que começam com a mais tenra idade e vão até a adolescência. Aos 14 anos, a criança está madura para raciocinar hipoteticamente – fase operatória formal ou hipotética – quando se completa, segundo Jean Piaget, o processo intelectual da criança.

Ao deixar de freqüentar a pré-escola, a criança perde, em estimulação e correspondente aprendizagem, as fases: sensório-motor (ou motora), pré-operatória e a iniciante operatória concreta,  produzindo  considerável  lacuna no desenvolvimento de sua inteligência e de sua formação integral.

A criança é um ser que interage com a realidade, formando, nessa interação, suas estruturas mentais e, se conduzida pedagogicamente, terá um desenvolvimento bem mais significativo. O potencial da criança está relacionado à estimulação ambiental e o encontro desses dois fatores realiza-se na pré-escola,  conferindo a esta um papel primordial.

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em julho/2001)

O HÁBITO DA LEITURA

Izabel Sadalla Grispino *

Retorno a um ponto capital da escola na formação do educando: o hábito da leitura.

A criança, para se tornar um leitor, deve ter uma relação de companheirismo com os livros, conviver com contos, romances, poesias, textos de teatro, obras populares, obras clássicas da literatura nacional e internacional, sempre ajustados à sua faixa etária. Esse convívio com os livros facilita o incentivo do hábito de ler.

A leitura freqüente leva a uma melhor escrita; quanto mais se lê, mais domínio se tem sobre o texto escrito; leva a um raciocínio mais apurado, a um mais alto nível de inteligência, a uma habilidade expressiva aprimorada. A psicologia vem demonstrando que existe uma correspondência estreita, uma forte correlação entre o nível de vocabulário e o quociente de inteligência, isto é, entre o domínio da linguagem e a inteligência. Quanto maior o número de palavras, quanto mais elaboradas as comunicações – por exemplo, entre as crianças e o adulto – mais potencializado fica o desenvolvimento da sua inteligência.

A qualidade do ensino passa pelo hábito da leitura e a escola não pode mais deixar o estímulo à leitura por conta da família, de sua herança cultural, conforme fazia no passado. Hoje, a rede pública conta com uma clientela bem diferente, de um nível sociocultural empobrecido e compete a ela encaminhar a criança, e até mesmo sua família, à leitura.

A escola precisa reservar em sua organização curricular, em seu projeto pedagógico, um lugar especial para a leitura, para a literatura. Ela deve promover atividades que intensifiquem a prática da leitura. Criar, inovar formas de tratar o texto literário. Idealizar espaços para a leitura, enriquecer o acervo de sua biblioteca, com variedade de textos que sejam representativos das diferentes faixas etárias e da cultura heterogênea de nosso povo. Emprestar os livros não só para os alunos, mas também para seus pais e para toda a comunidade, melhorando o seu ambiente, elevando o grau de cultura geral.

A escola deve criar a hora do conto, podendo, neste setor, obter, inclusive, a colaboração dos pais, que queiram dedicar um tempo para a escola, lendo ou contando histórias para as crianças. Nessas circunstâncias, o voluntariado exerce um papel tão importante, no despertar do gosto pela leitura, quanto o próprio especialista da educação. Nas histórias lidas ou contadas, deve-se ater à expressividade; ler ou falar com entonação, com ênfase em determinados momentos, respeitando as pontuações, as exclamações, as interrogações, as reticências, despertando emoções, provocando reflexão, criando verdadeiros recitais. Esse ambiente de representação recupera a arte, que foi deixada para trás, da récita.

A escola pode convidar escritores, contadores de histórias, declamadores de poesia, incentivando e motivando o universo imaginário da criança. Estas são algumas das ações que se transformam em efetivos instrumentos pedagógicos, capazes de conduzir o aluno ao prazer da leitura e a escola ao significado maior que a literatura empresta ao seu currículo.

Essa preocupação da escola com a leitura intensificou-se, principalmente, depois do resultado do “Programa Internacional da Avaliação de Alunos”, que mostrou o grande fracasso dos alunos brasileiros, em relação à leitura e  ao entendimento de texto. Só um longo descuido da escola explica esse desastroso resultado! É, como se diz: “Depois da porta arrombada coloca-se a tranca”.

Em 1997, através do Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), o MEC coletou informações para averiguar se a escola estava ministrando um ensino de qualidade, se a educação estava formando cidadãos capazes, inseridos no mundo atual. O resultado foi bastante desolador. Revelou que o baixo aproveitamento e queda do nível de aprendizagem aumentavam à medida que as séries avançavam e isso vem se confirmando desde as avaliações feitas a partir de 1990. Em alguns casos, nenhum aluno conseguiu dominar os conteúdos mínimos da série em que estava.

Na análise de texto, não houve interpretação e raciocínio, revelou o estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), feito por especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU), chamados pelo MEC para avaliar o fraco desempenho dos alunos, constatado no último Saeb.

Essa entidade sugeriu mudanças. A título de exemplo, citaremos as mudanças no ensino de português: “O modelo de ensino de português deve ir além dos livros didáticos; o aluno deve ter contato com textos diferenciados, desde os literários aos mais comuns, contato com jornais, revistas e até mesmo com manuais de instrução”.

Um outro aspecto revelador da decadência do ensino veio do resultado do questionário aplicado aos alunos pelo Exame Nacional de Cursos, o Provão. Mostrou que os universitários brasileiros lêem pouco e, como conseqüência, são pouco criativos, pouco afeitos à pesquisa, à curiosidade científica.

No Brasil perpetua-se a cultura oral, de ouvir falar. A falta de hábito de leitura mostra que estamos formando profissionais medíocres, divorciados das fontes escritas da civilização. O Provão revelou que, na média nacional, 20% dos estudantes não leram nenhum livro no último ano (1998), exceto os escolares. Em São Paulo, o índice cai para 18%. Apenas 23,6% dos alunos leram mais de 4 livros em 12 meses.

O mais triste é que o aluno pode aprender, na escola, a não ir além do que o professor manda. Quando acontece de o aluno tomar a iniciativa de avançar, o professor interfere, possivelmente amedrontado, impedindo o seu crescimento pessoal. Usa da prerrogativa de que a orientação recebida é mais do que suficiente.

Jacinto Brandão, então coordenador do vestibular e vice-reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, lamentou o baixo índice de leitura entre os universitários e concluiu: “Os que não lêem e não têm contato com os diversos tipos de texto, certamente, terão maior dificuldade no mercado de trabalho, em razão da falta de autonomia intelectual”.

A falta de curiosidade é a razão da falta de interesse pela busca da leitura, dizem os especialistas, e isso se refletirá na carreira profissional. Este profissional será, sem dúvida, mais passivo, mais acomodado.

A leitura é a chave que abre as portas da realização profissional, de seu sucesso.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2002)

O TRANSTORNO DA HIPERATIVIDADE NA CRIANÇA

Izabel Sadalla Grispino *

Na segunda década do século XX, houve um forte despertar sobre o estudo da criança. Sua forma de agir, sua evolução psíquica, aspectos fundamentais da personalidade. A cada dia, a ciência, a psicopedagogia, nos enviam recados. Registrei alguns aspectos que devem fazer parte do conhecimento da educação infantil, quer pela família, quer pela escola.

Vejamos o caso de crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), uma doença infantil, conhecida apenas como hiperatividade. É uma doença que causa uma agitação acima do normal, transtornos de aprendizagem, dificuldade de concentração e instabilidade emocional, entre outros sintomas. Os psicólogos a definem como doença neuropsiquiátrica, caracterizada, essencialmente, por distração, inquietação e baixa tolerância à frustração, que, geralmente, vem associada à impulsividade comportamental.

É comum essas crianças apresentarem dificuldades de atenção, percepção, planejamento e organização, além de falhas de comportamento. Essas dificuldades podem causar prejuízos na formulação de sentenças, tarefas que envolvem memória seqüencial, percepção viso-especial, síntese de idéias e coordenação motora.

O psiquiatra Ênio Roberto de Andrade diz que a criança se distrai com tudo, não consegue avaliar o que é mais importante, porque o cérebro trabalha mais lentamente. Ele é o fundador do Ambulatório para TDAH do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), primeiro ambulatório especializado no Brasil. Nesse serviço, a criança é encaminhada para tratamento, que, geralmente, envolve a administração de medicamentos estimulantes, para que o cérebro volte à atividade normal. “Dependendo do caso, também é indicada terapia individual, familiar ou acompanhamento de um fonoaudiólogo”.

Segundo Dr. Ênio, o TDAH atinge de 3 a 5% da população mundial, de acordo com os estudos internacionais. Acomete, porém, mais em meninos que em meninas. No ambulatório do HC, são nove casos em meninos, contra uma ocorrência no sexo feminino (out. de 2004). Por definição, esse distúrbio aparece por volta dos 7 anos e afeta pelo menos duas outras áreas da vida infantil escolar, como o convívio social e familiar.

Hiperatividade não é uma doença associada à deficiência na inteligência. Há casos de hiperativos com inteligência bem desenvolvida. A principal causa apontada por especialistas é o fator genético. Geralmente, o pai da criança hiperativa também já apresentou a doença. Raramente, o TDAH pode estar relacionado a traumas no sistema nervoso, devido a algum acidente em que a criança tenha sofrido um choque na cabeça. Tabagismo e álcool durante a gravidez aumentam o risco, de duas ou três vezes, de a criança, já propensa, adquirir a doença, diz o Dr. Ênio.

A necessidade de medicamentos deve ser avaliada individualmente por profissionais credenciados, para não produzir efeitos negativos, quando o humor da criança pode vacilar da euforia alegre para um estado de muita tristeza, beirando à depressão. A gravidade também se acentua em escolas despreparadas para lidar com o problema. Escolas que, por desconhecer a doença e a melhor forma de educar essa criança, através de broncas e constantes observações pejorativas, acabam por provocar queda na sua auto-estima.

A escola com atendimento às crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) deve ter uma metodologia especial, professores preparados para lidar com o quadro hiperativo.

Há casos de descontrole emocional da criança, que embora, às vezes, beira ao patológico, geralmente não têm nada a ver com anomalias de comportamento. É o caso da birra, crianças que se jogam no chão aos berros por querer algo que a mãe está negando, seja em casa, numa loja de brinquedos ou na rua. Provoca constrangimentos aos pais, quando a criança grita cada vez mais alto, chora, soluça.

Em muitas situações, a birra é comum e inevitável. Logicamente que há motivações, graus e dimensões diferentes, mas, normalmente, faz parte do processo de desenvolvimento da criança. Dizem os psicólogos que é errado seguir para o lado da avaliação moral, acusando a criança de ser mal-educada. Estamos no domínio do sofrimento psicológico. Não mimar muito a criança, ponderar, dialogar em diversas situações são aconselháveis. A birra expressa o sentimento de impotência perante o adulto, é conseqüência da intolerância. Através da birra é possível avaliar a capacidade da criança para tolerar a contrariedade, até que ponto ela sabe lidar com as frustrações. Quando ajudada a resolver o sentimento frustrante, a birra passa.

A psicologia fala nos primeiros desafios à autoridade, aos 18 meses. Nesse período, a criança é totalmente egocêntrica, não sabe dividir seus pertences, nem seu espaço com ninguém. Não deve ser forçada a dividir, porque ainda ela não entende. É momento para se começar a apresentar alternativas, como trocar um brinquedo por outro, fazer um desenho, ao invés de jogar, mas de uma maneira que não pareça uma substituição. Com um ano e meio, a capacidade de concentração da criança é muito pequena. Diante da birra, não adianta forçar ou colocá-la de castigo, porque ela não entende. O melhor a fazer é explicar o que se faz, o que não se faz e dar o porquê.

Aos dois anos, a criança já entende o que o adulto lhe diz e aos três anos já sabe distinguir o certo do errado. Mas, se a birra continuar, dos três aos cinco anos as estratégias das crianças, para enfrentar os adultos, são intensificadas. Diante da contrariedade, crianças explodem e chegam a bater nos adultos. Tornam-se temperamentais e descontrolam os pais.

Os pais ao ceder fortalecem, na criança, a capacidade da manipulação, afastando-a da capacidade de aceitação, de equilíbrio. A birra pode traduzir situações delicadas que devem ser encaradas com naturalidade e ponderação, ensinando a criança a lidar com o sentimento de frustração.

A hiperatividade e a birra são dois aspectos importantes a serem considerados no desenvolvimento da criança pela Educação Infantil.

AO JORNAL “GUARIBA NOTÍCIAS”

Izabel Sadalla Grispino *

Venho, através do jornal “Guariba Notícias”, há, aproximadamente, dois anos, publicando, semanalmente, poesias e, ocasionalmente, artigos de fundo educacional e social. Este jornal amigo dá-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade-irmã de Guariba, momento de prazer para mim, quando envio mensagens, através das poesias, de fé, de coragem, de amor, quando sugiro idéias ou passo orientações educacionais, abordando temas pedagógicos.

O jornal “Guariba Notícias” vem, a cada edição, angariando a confiança e o entusiasmo de seus leitores, por apresentar um jornalismo sério, responsável. Parabenizo o Sr. Domingos Ap. Rodrigues de Oliveira, vulgo Sr. Guta, carro-chefe dessa máquina jornalística, a diretora Ana Cláudia dos Santos, a jornalista responsável Ana Lúcia Castro, Sérgio Alves de Brito, Cristiane Brito, Gercino Gomes e demais funcionários, pelo profissionalismo com que vêm conduzindo o jornal, pela maneira cordial com que atende a todos, indistintamente.

A equipe, com perseverança e idealismo, mantém um jornal que reflete e representa a comunidade guaribense. Que Deus, nesse novo ano que se inicia, proteja os seus dirigentes, lhes dê saúde e vigor para que possam continuar na nobre missão de educar, de esclarecer, de divulgar, que, em última análise, é o que faz o bom jornal. Homens que lutam por ideais salvaguardam a humanidade. Parabéns ao jornal!

Desejo, a toda querida população dessa terra-mãe, um feliz Ano Novo. Que Deus a coloque em seu manto protetor, derramando bênçãos sobre ela. Que Ele nos ilumine, que ilumine os nossos dirigentes, para que, juntos, possamos fazer de Guariba uma cidade próspera, humana, acolhedora.

Quero, também, agradecer aos meus prezados leitores pela atenção, pelas manifestações de carinho e de apreço, a mim formulados, pela publicação de minhas poesias e de meus artigos.

A todos, meus versos sobre o terceiro milênio.

TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em janeiro/2001)

CRIANÇAS COM SOBRECARGA DE ATIVIDADES

Izabel Sadalla Grispino *

Recentemente, deparei-me, num jornal de língua espanhola, com um tema que julguei assaz interessante, oportuno, real e que, sob a minha ótica, comento com os meus prezados leitores.

Os jovens vivem num mundo que muda num ritmo acelerado, caracterizado por pressões sociais que os fazem crescer muito depressa. São pressionados a adaptar-se a padrões familiares instáveis, a assumir compromissos, a ingressar mais cedo nas universidades, a participar e a competir nos esportes, em destrezas especializadas. Enfrentam informações e programas  para adultos antes que tenham vencido os problemas próprios da idade.

Estas pressões impõem-lhes maiores responsabilidades, causam-lhes estresse, ao mesmo tempo que redefinem a essência mesma da infância, esclarece o psicólogo Joan Isemberg.

A criança e o adolescente, de hoje, participam de atividades extracurriculares cada vez mais numerosas e exigentes. São atividades tidas como armas para o futuro, as quais, se não dosadas, podem tornar-se estressantes. Elas dividem o seu tempo entre a escola, os esportes e um sem-fim de tarefas.

A escola de meio período pode não cobrir todas as necessidades de aprendizagem da criança, mas complementá-las com uma carga pesada de atividades pode resultar em fator negativo. Muitos pais consideram que as tentações, como a TV, o computador, devem ser enfrentadas com uma agenda completa. Consideram que é preferível ocupá-la a deixá-la permanecer frente à TV, sem controle.

Depois da escola, as crianças estudam idiomas, computação, música, praticam esportes, dança, balé, não se descuidando das artes, das coisas do espírito – uma expressão artística sempre é enriquecedora.

É uma tendência deste tempo histórico social, com suas aspirações culturais, suas necessidades de conhecimento, de preparação para a vida futura. Porém, é preciso ponderar, estabelecer um equilíbrio, entre o que a criança quer e necessita e o que pode fazer sem se esgotar. Corre-se o risco de se desvalorizar o tempo livre, favorável ao amadurecimento emocional, afetivo e ao desenvolvimento da criatividade. O ócio também é bom e é preciso respeitar as etapas do desenvolvimento infantil, alertam os especialistas.

Quando o jovem está muito preso a horários, passa a viver sob tensão, diante da qual não consegue responder de maneira positiva. Começa a faltar às aulas, a se desmotivar e a produzir baixo rendimento. O excesso de exigência, com vista a uma competência refinada, cada vez mais se instala em todos os aspectos da vida.

As atividades são pensadas, pelos pais, como uma preparação necessária para um futuro mercado de trabalho exigente e competitivo. Elas sempre existiram, mas, agora, são outros os níveis de exigências, outras expectativas. Antes eram complementares ou passatempos, hoje, surge o fator competitividade, encarado não só no plano individual, mas comparado a um outro. Quando isso ocorre, pode se tornar perigoso porque coloca a criança, muito cedo, em frente de batalha.

Por outro lado, as atividades extracurriculares são importantes instâncias de socialização, principalmente para crianças e jovens muito tímidos. Surgem, contudo, dilemas entre os pais de qual o melhor procedimento: crianças agendadas ou crianças livres? Para psicólogos da área infantil, como Aurora Isasmendi, o importante é atender as demandas pessoais, não se podendo, assim, falar em regra geral. Aos pais competem observar o andamento, o rendimento, se a criança não demonstra cansaço e se não começa a fracassar nos estudos.

Nestes tempos, em que o comum são os pais trabalharem o dia todo, as atividades extracurriculares podem ser a solução para que os filhos não dispersem seu tempo, adquiram competência, não se deixando consumir pela TV. Elas são, de um modo geral, consideradas boas e necessárias, mas devem ser acompanhadas com cuidado, para não produzirem efeito negativo, reações de estresse, traduzidas por enxaquecas, dores de estômago, problemas de conduta e insônia.

É preciso apegar-se aos centros de interesses e ao desenvolvimento evolutivo de cada criança e oferecer atividades adequadas à sua idade. Pergunta-se: até que ponto estamos respeitando os ritmos evolutivos e as motivações de nossa criança e até que ponto estamos desraizando-a demasiado cedo da família? Não estamos limitando sua felicidade lúdica? Qual a educação apropriada para o desenvolvimento do nosso filho? Tentar ajustá-la às suas necessidades físicas, sociais, emocionais e cognitivas, como, também, às características sociais e ao trabalho da família.

“Desejaria que cada pai pensasse com a cabeça e agisse com o coração, que conseguisse captar o que agrada ao filho e o que o contraria”. (Isasmendi).

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em março/2001)

O ENCONTRO DA FÉ E DA RAZÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Com este artigo, finalizo a série que venho publicando sobre fé e razão. A velha rivalidade não se restringe à análise da origem das coisas e do universo; atinge, também, o comportamento humano. Registro, sucintamente, algumas passagens.

Sobre a evolução do comportamento humano, a sociobiologia, surgida por volta de 1976, estudando o substrato biológico do comportamento social, passou a idéia de que é possível analisar o comportamento dos animais pelos genes. Haveria uma seleção natural, onde as chances de reprodução seriam amplificadas de geração em geração; uma filtragem progressiva de mutações aleatórias que explicariam a evolução dos traços físicos do animais; mas explicaria o seu comportamento?

Discordando dessa teoria, um grupo de cientistas relutou em aceitar que um processo mecânico, e não um Deus, tivesse podido criar uma criatura tão perfeita, como o homem ou como o animal.

Quanto ao comportamento humano, apoiavam-se no padrão das ciências sociais, das ciências humanas, que diziam ser ele moldado em fatores culturais, arbitrários e suscetíveis de variar ao infinito, porque escapam às limitações biológicas que afetam os animais. Questionavam o eugenismo, sem contudo, anular os fundamentos genéticos do comportamento dos animais.

Mais recentemente, contudo, há cerca de uma década, numerosos antropólogos, psicólogos, sociólogos, voltam a analisar aspectos do comportamento humano à luz da teoria evolucionista de Darwin. Na Grã-Bretanha, a segunda revolução darwiniana atinge o grande público, transforma-se num fenômeno editorial, com a publicação da série intitulada “Deus, os genes e o destino”.

O escritor inglês William D. Hamilton abordou genética e antropologia, em correlação. Preocupou-se com o problema do altruísmo (na época, um problema para os darwinistas): quando alguns pássaros percebem um predador, emitem um grito de alerta a seus congêneres, correndo o risco, eles mesmos, de serem apanhados. Entre as formigas e as abelhas, as castas de operárias estéreis passam a vida inteira alimentando a raínha-fecunda.

Para Hamilton, somos geneticamente levados a ajudar nossos irmãos e irmãs que possuem, em média, a metade de nossos genes – teoria da relação parental. No interior de um mesmo organismo, a cooperação entre as células, portadoras dos mesmos genes, é total.

Nessa altura, assistimos novamente à dualidade razão e fé. Os genes explicam tudo? Ou o homem está submetido a dois tipos independentes de evolução: a cultural e a biológica, conforme querem, hoje, as ciências humanas? A seleção natural é aleatória? A perfeição do corpo humano é fruto do acaso ou é planejado e da ordem maravilhosa da vida, resultante de uma Consciência que presidiu sua elaboração? As mais altas faculdades do espírito humano são simplesmente derivadas da matéria?

O papa João Paulo II, a respeito, assim se expressou: “Existem leituras materialistas e reducionistas, como leituras espiritualistas da teoria da evolução de Darwin. O julgamento final, nesse ponto, é da competência própria da filosofia, além da teologia”.

Meditando sobre nós mesmos, sentimos que as fortes aspirações humanas de paz, de felicidade, ou o seu inverso, as apreensões, as angústias, os sofrimentos levam o homem a se evadir, a sair desse plano terrestre, sair da matéria,  a buscar a sublimação, uma transposição capaz de lançá-lo a uma dimensão superior, ao infinito, onde, seguramente, habita Deus.

Independentemente das teorias existentes, são as luzes da alma que conduzem o ser às realizações positivas e essa luz, seguramente, não é fruto da matéria. Essa luz sai dos nossos sentimentos, do nosso espírito, da parte inatingível de nosso ser, do nosso psiquismo, da nossa conduta e não carece de método experimental, de comprovação científica para assegurar sua existência.

O ser sem fé é um ser amargo, ressequido, árvore que não floresce, que se quebranta, aos poucos, antes de morrer. É a própria razão que nos conduz à fé, que nos ensina que precisamos dela para uma vida melhor. A fé, por sua vez, enriquece e enobrece a razão. Há uma inter-relação, uma reciprocidade autêntica entre elas.

Essas reflexões inspiraram-me a poesia “No além, a presença de Deus”. Respondam comigo, prezados leitores, as questões que nela formulo. Para mim, a resposta está na última estrofe e para você?

NO ALÉM, A PRESENÇA DE DEUS

Se nada, além da vida, existe,
O que é esse amor que se sente?
Esse anseio de continuidade,
O sonho da posteridade?

Se nada, além da vida, existe,
Por que essa raiz tão consistente?
Essa consciência profunda
Do dever, que o ser inunda?

Se nada existe além da vida,
Se tudo acaba na partida,
Qual sentido da ação ingente,
Que arrasta a alma da gente?

Se pro ateu só razão consiste,
Só pelo cérebro a alma existe,
Como explicar o dom de amar,
O impulso pra construir, gerar?

Quem pôs ao homem tais sentimentos?
Quem nos deu os altos alentos?
Acaso, são frutos do nada?
São restritos a essa jornada?

No além desta vida, eu lhe digo,
Há Deus que caminha consigo,
Que lhe cobre de amor bendito,
E dá-lhe a graça do infinito.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

ASSOCIAÇÃO DO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO

Izabel Sadalla Grispino *

Mensagens que ressoam. Comunicações que atingem os diferentes ângulos da alma humana e provocam reencontros afetivos. A vontade de contribuir, de abraçar, molham a terra e as sementinhas espalhadas começam a vicejar.

Após ter publicado, dias atrás, o artigo “O atendimento à criança autista”, recebi da cidade de Araraquara um telefonema do emérito educador Francisco da Silva Borba, ex-reitor da UNESP e atual professor de pós-graduação de lingüística da UNESP-Araraquara.

O ilustre professor externou um pronunciamento qualitativo sobre meus artigos, referendando plenamente os conceitos emitidos sobre o atendimento ao autista. Retratou sua vasta experiência profissional e pessoal sobre o assunto, sendo ele um dos fundadores da Associação de Atendimento Educacional Especializado (A.A.E.E.), em Araraquara, onde uma filha sua, autista, hoje com 30 anos de idade, recebe atendimento.A filha avançou muito no seu desenvolvimento, mas foi prejudicada, principalmente na fala, pelo atraso no atendimento inicial da síndrome.

Se hoje o atendimento ao autista é dificultado, pelo desconhecimento da síndrome e pela pouca disposição das instituições em oferecê-lo, imagine como não era há 30 anos atrás! No meu artigo eu dizia: “O importante é reconhecer o autista precocemente... A medicina mostra que o diagnóstico tardio é danoso. Quanto mais cedo se detectar o autismo melhor, de preferência no primeiro ano de vida, pelo menos, antes dos 3 anos, quando o tratamento produz resultados compensadores. A criança que começa a se tratar depois dos 5 anos tem um prognóstico diferente, aqueles que ainda não falam nessa idade, dificilmente desenvolverão a linguagem...”

Por essa e outras razões, foi deveras auspicioso tomar conhecimento de uma instituição de ensino de padrão, em Araraquara, facilitando e acolhendo, com rara competência, as crianças com necessidades especiais. Seu patrono, Francisco da Silva Borba, é uma grata referência sobre a qualidade da insigne Associação. “A A.A.E.E. é uma sociedade civil de caráter educativo e assistencial, fundada em 1992 por um grupo de pais de crianças e jovens excepcionais. Por não ter fins lucrativos, foi reconhecida como de utilidade pública, pelo decreto municipal n.º 6.713, de 21/10/1994. Seu objetivo básico é desenvolver programas de ajuda, adaptação, reabilitação, integração social, educacional e profissionalização de jovens excepcionais. Tais programas estarão a cargo de pessoal especializado, sendo tão completos e abrangentes quanto permitirem os recursos da Associação”.

Esses dados foram fornecidos pela entidade, que oferece programas de atendimento integrado: Psicopedagogia e Pedagogia; Fonoaudiologia; Fisioterapia e Educação Física Especial; Terapia Educacional.

Os que têm interesse sobre o assunto, os que necessitam de ajuda no atendimento aos filhos, a Associação atende igualmente crianças de toda classe social, seja abonada, seja carente, cada família paga de acordo com suas possibilidades. Visite-a e confira, você mesmo, a força educativa que os seus avantajados métodos produzem nas crianças portadoras de deficiência, crianças atendidas humanamente, por devotados e competentes profissionais.

Como em todo processo educacional, na educação especial o estímulo precoce faz a diferença. Sobre a síndrome de Down, por exemplo, o que se sabe é que não existem graus de Down. Há, contudo, portadores da síndrome que mal conseguem falar e outros que chegam à universidade, angariando um diploma do ensino superior. As diferenças nos seus desenvolvimentos foram motivadas pelos estímulos que receberam desde a infância. Cada um tem seu potencial próprio e a forma como esse potencial é trabalhado, desde o nascimento, é que vai dar significado ao seu desenvolvimento. O que essas crianças precisam é serem aceitas, principalmente pelos pais, pelos professores e depois pela sociedade. Se bem estimuladas, atendidas com carinho e entusiasmo, alcançam um progresso animador.

Recebi um cartão de boas-festas da Associação de Atendimento Educacional Especializado, que realmente me tocou: Natal 2005, Ano-Novo 2006. Fotografia de crianças deficientes, abaixo os dizeres: “Não queremos apenas existir, queremos viver!”.

Exalto de coração essa benfazeja Associação de Educação Especial. Que consiga ir avante, apensar das dificuldades e que hoje e sempre continue sendo reconhecida como valiosa entidade de utilidade pública.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em janeiro/2006)

DOIS DE NOVEMBRO, DIA DE FINADOS. HOMENAGEM AOS MORTOS

Izabel Sadalla Grispino *

Aos nossos mortos queridos, nossas lembranças doídas. Nosso profundo amor e nossa profunda saudade!

O outro lado da vida está repleto de pessoas amadas, que ocupam o nosso pensamento e confirmam o pedacinho de tempo que passamos na terra, peregrinos que somos de um mundo mutável, finito. Somos pequenas gotas de orvalho, que vão, aos poucos, se evaporando e se avolumando na eternidade. Somos a contradição entre a debilidade física, que nos faz vulnerável e mortal e a força psíquica, que impulsiona a inteligência e nos leva a vôos espetaculares, vencendo os imensos espaços do universo.

Vida curta! Vida enigmática!

Hoje é dia de silêncio, de meditação,

Dia de viver os nossos mortos,

Cobrir-nos com o manto da saudade, da oração,

Povoar nossas mentes com as lembranças que voltam.

Hoje, a brevidade da vida fica patente,

A estrada do infinito fica mais que evidente,

Trabalha-se a alma, reformulam-se conceitos,

O ponto de chegada tem peso de efeito!

A morada dos mortos é o nosso amanhã,

Quanto mais o tempo passa, mais dela nos aproximamos,

Poucos conseguem delinear tamanha certeza!

Poucos se afinam com as leis da humana natureza!

AGRESSIVIDADE ADQUIRIDA ATRAVÉS DOS VIDEOGAMES

A Associação Americana de Psicologia estuda, há 20 anos, em diversas partes do mundo, a reação dos videogames sobre as crianças e os adolescentes. Depois de muita análise, chegou à conclusão de que os games, com imagens de violência, podem levar as crianças e adolescentes a ter comportamentos violentos, a ser agressivos.

Segundo os pesquisadores, “bastam 10 minutos de jogo violento para que, logo em seguida, num teste psicológico, o jogador revele um comportamento agressivo”.

Uma outra pesquisa, feita por professores de 600 alunos com idade entre 13 e 15 anos, constatou que as crianças que passavam mais tempo diante de videogames, com cenas de luta e morte, eram mais hostis com os colegas e discutiam mais facilmente com o professore e o diretor.

As pesquisas evidenciaram que a exposição à violência aumenta os sentimentos de hostilidade e de agressividade. Parecem comprovar que a violência é uma forma de lidar com situações potenciais de conflito. Por essas características, a Associação Americana de Psicologia elaborou uma resolução em que defende a diminuição da violência interativa nos jogos eletrônicos.

Um outro estudo veio mostrar que quem pratica um ato violento nos jogos virtuais fica impune em 73% das situações. A psicóloga Elizabeth Carel, uma das diretoras da Associação Americana de Psicologia, concluiu que “mostrar situações violentas sem as devidas conseqüências é ensinar aos jovens que a violência é uma boa forma de resolver conflitos. Mostrar dor e sofrimento, como conseqüência, pode inibir comportamentos agressivos”

Outros estudos confirmam que o principal fator de ligação entre a violência virtual e o comportamento agressivo é a forma como a criança entende a violência. O que incentiva é a forma como a criança percebe a violência e a maneira como os pais, os professores, ensinam a entender essa realidade.

O que se aconselha é que pais e professores ensinem a criança ou o adolescente a encarar os jogos de forma crítica, com reflexões, adquirindo a capacidade de separar fantasia e realidade. Quando a violência é via TV, isso fica mais fácil; nos jogos, é mais difícil, porque a criança pratica a violência.

Os videogames, com imagens de violência, devem ser usados com cautela e orientação.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em outubro/2005)

AO JORNAL “A CIDADE”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “A Cidade”, deste valioso instrumento de comunicação que Ribeirão Preto aprendeu a admirar pelo alto profissionalismo, há, exatamente, um ano, venho publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporcionou-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade ribeirão-pretana, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Neste ano que se finda, propus-me a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional das escolas oficiais.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Inúmeros conceitos nele passei, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “A Cidade” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e ilumine a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Ribeirão Preto, já é tradicional, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “A Cidade”, que beira um século de existência, nas pessoas da família Camargo, de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com brilho e persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população. O jornal “A Cidade” cresce com Ribeirão e com ele se faz pioneiro na região. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, competente de que é marca  consagrada.

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Ribeirão Preto. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos. A todos, meus versos sobre o Terceiro Milênio.


TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2000)

ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA

Izabel Sadalla Grispino *

Conforme escrevi, na semana passada, um dia após o lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), o Ministério da Educação (MEC) divulgou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Este Índice será o instrumento principal para o MEC colocar em prática as ações do Plano, será o seu indicador para verificar o cumprimento das metas fixadas no Compromisso Todos pela Educação.

Estes tópicos da legislação, recentemente lançada, devem nortear a preocupação de Estados e municípios, devem ser, por eles, minuciosamente estudados, através de seus órgãos competentes e das escolas, por seus professores e diretores. Os benefícios advindos serão compensadores para aqueles que assumirem e cumprirem o pacto firmado.

O Ideb aponta indicadores por redes de ensino referentes às 1.ª e 2.ª fases do ensino fundamental e para redes de ensino médio, onde houver. Além do Ideb 2005, estão disponíveis consultas às projeções do indicador ao longo dos anos, com metas bienais, estipuladas para cada Estado e município.

Quando comparados os níveis de ensino, vê-se que, quanto mais o tempo passa, pior é a média dos alunos. Na fase 1, a média brasileira foi de 3,8; na fase 2, baixou para 3,5. No ensino médio, a nota geral foi 3,4.

O novo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) leva em consideração dois fatores que interferem na qualidade do ensino: o rendimento escolar, por meio das taxas de aprovação, reprovação e abandono e as médias de desempenho dos alunos nas avaliações nacionais – Saeb e Prova Brasil. A combinação entre fluxo e aprendizagem resulta em uma média para cada Estado, município e País, que varia de 0 a 10.

Os resultados do Ideb vão nortear, entre outros, o envio de equipes de consultores do MEC para cidades interessadas em firmar o pacto da educação, com o governo federal. Esse pacto é uma espécie de contrato, por meio do qual são estipuladas metas a serem cumpridas pelos municípios em determinado período de tempo.

Os últimos colocados no ranking serão os primeiros a receber a visita dos consultores. Espera-se que até o fim deste semestre os consultores iniciem as visitas, que serão de dois dias em cada município. A partir da análise de campo, a equipe, em conjunto com os gestores municipais, estabelecerá metas a serem cumpridas ao longo dos anos.

O trabalho a ser desenvolvido baseia-se, principalmente, na capacitação de professores e em diretores de escola, com poder de liderança, empenhados e com iniciativa. Se as recomendações do MEC não forem atendidas, se o nível da educação básica não melhorar por descumprimento ao pacto, o repasse de verba pode ser suspenso.

O Ideb, criado como um parâmetro para a educação, servindo como nova avaliação educacional, viabiliza uma articulação entre Estados e municípios, chamando-os à responsabilidade pela qualidade da educação. O Ideb foi elevado à categoria de pacto nacional para se erguer o nível educacional da educação básica brasileira.

Ao utilizar os resultados da Prova Brasil e dos censos educacionais no Ideb, será possível avaliar, ao mesmo tempo, aprendizagem e fluxo. O Ideb cria um eixo de intervenção nos Estados e municípios, aguardando melhoras gradativas na educação.

O Ideb é considerado uma ação dirigida que intervirá na qualidade da educação dos municípios.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2007)

EDUCAR PARA OS DIREITOS HUMANOS

Izabel Sadalla Grispino *

O avanço no processo educacional ganha dimensões humanas inusitadas. A escola volta seu olhar para as pessoas de risco, buscando resgatar sua dignidade, na prática do exercício da cidadania. Em localidades carentes, a escola predispõe-se a regularizar a vida da criança, partindo do registro civil.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, em 16 de dezembro de 2002, que em 2000, em um ano, mais de um milhão de crianças não têm certidão de nascimento. Em 2000, 3,2 milhões de crianças nasceram em hospitais brasileiros, mas apenas 2,5 milhões foram registradas em cartórios. Além desses bebês – 700 mil  que não entraram nas estatísticas oficiais -- o IBGE calcula que outros 370 mil nascimentos ocorreram em casa e não foram notificados, levando a um total de 1.070.000 de crianças sem certidão de nascimento, em apenas um ano.

Os chamados sub-registros afetam não só os dados de nascimentos, mas também os óbitos. O IBGE estima que,  nas regiões Norte e Nordeste, 48,2% e 35,6% dos nascimentos não foram registrados em 2000.

A escola, considerando que o sub-registro é um problema sério, envolve a questão da cidadania, entende que o primeiro passo é providenciar o registro dessas crianças. Afinal, quem não tem certidão de nascimento não existe e não pode exercer seus direitos.

Criou-se, assim, a concepção de sujeito de direito, conceito que a escola quer desenvolver nos alunos. Mostrar à criança novos caminhos, estimular a vontade de ser alguém, desenvolver nela a consciência de que tem direitos, tem direito a ser criança, de que é uma pessoa capaz. Estes aspectos são pontos de partida para a educação da cidadania.

Sujeito de direito é uma louvável vertente da escola que quer educar a criança para os direitos humanos, procedimento que atinge tanto a educação formal, como a informal. A educação dos direitos humanos é multidimensional, abrange não só a dimensão cognitiva do aluno, mas a dimensão comportamental, social, afetiva, emocional. Prepara o aluno para ser um cidadão cônscio de seus deveres, suas responsabilidades e dos direitos a que tem e que pode usufruir.

*    *    *

FELIZ  ANO  NOVO

É o que desejo a todos vocês, queridos leitores. Que 2003 os conduza em direção à estrela-maior, reinado do amor, da fé, da esperança. Que sua irradiação transforme a terra num oráculo de canto e de paz.

 

PASSAGEM DE ANO

PASSAGEM DA VIDA

A vida desponta:

Crescemos,

Lutamos,

Construímos,

Energia total.

Vivemos junto à esperança,

Futuro e sonho,

Escritos em aliança.


Eis que o sol poente aparece,

Quanta mágoa, quanta desilusão!

Ausência de fantasia,

Realidade e sangria.

A realização é inconsistente,

A vida é estreita demais,

Sempre se espera fazer mais.

Agora, pouco se olha pra frente,

O passado vira alimento,

A vida se torna lembranças,

Volta-se ao solar da criança.

A vida é canto sonoro,

Passos leves, sem esmagar,

A estrela que tanto brilha,

Lentamente se apaga ao luar,

Andamos tropeçando em túmulos,

Sabendo que haverá a hora de lá chegar!

Vida e tarde que escurece,

O esperar, o desesperar,

Chorar a saudade,

Viver o conflito,

A dor que arrebenta,

Um amor que nos sustenta;

Vão-se as noites de verão,

O inverno chega de antemão.

A vida vale pela paz,

Águas mansas que deslizam devagar,

Não há tempo, nem espaço para a insensatez,

O universo dá a todos pouca vez.

 

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em dezembro/2002)

A CONCESSÃO DE BOLSAS DE ESTUDO PARA O 3.º GRAU

Izabel Sadalla Grispino *

A sociedade do conhecimento, ao exigir uma educação de qualidade, está conduzindo os pais, com poder aquisitivo, a procurar a melhor escola para seus filhos., mesmo porque já se começa a questionar a qualidade de muitas escolas particulares. É uma busca criteriosa, ressaltando princípios, programas, metodologias, funcionamento, capazes de produzir uma aprendizagem atualizada, prática e eficaz.

CLASSES HOSPITALARES

Izabel Sadalla Grispino *

A educação é um direito de todos. A obrigatoriedade faz parte da nossa legislação. A Constituição do Brasil, de 1988, diz que o ensino fundamental é obrigatório no País e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, determina que o poder público criará alternativas para o acesso ao ensino.

O direito à educação cria classes hospitalares, atendendo aos doentes. É uma modalidade de ensino especial, que começa a crescer no País. As crianças doentes têm direito à educação como qualquer outro aluno, inclusive as que ainda não estão matriculadas em escolas.

Uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) mencionou pela primeira vez as classes hospitalares em 2001. Pela resolução, os sistemas de ensino deveriam integrar-se aos de saúde para organizar o atendimento educacional especializado a crianças que não podem freqüentar a escola por problemas de saúde.

Em dezembro de 2002, o governo federal lançou um documento denominado Classe Hospitalar e Atendimento Pedagógico Domiciliar. Esse documento dá as diretrizes sobre como devem ser o funcionamento e a organização das escolas em hospitais. O único impedimento para que a criança não estude nos hospitais é a opinião médica, desaconselhando para o momento.

Nos últimos anos tem crescido o interesse de educadores e médicos pelo assunto. O envolvimento da criança pelo estudo acaba, também, sendo útil à sua recuperação. A criança se cura mais rapidamente.

Como numa escola, existem compromissos que devem ser cumpridos pelos educadores e pelas crianças. No lugar do exercício para casa, há o exercício para a cama. Também o momento de brincar, que seria a hora do recreio. Há a preocupação de adaptar o conteúdo ao contexto da criança internada e o acompanhamento é praticamente individual.

Os professores precisam preparar-se para a educação especial voltada para crianças com problemas de saúde, freqüentar cursos de capacitação. Dificuldades existem e vão desde a condição psicológica e física do aluno até a necessidade de um trabalho interdisciplinar, já que não há professores de todas as áreas.

Os educadores são ligados às secretarias municipal e estadual de Educação, mas planejam internamente as atividades. Os trabalhos levam em conta o desenvolvimento de cada criança e informações obtidas nas escolas em que estão matriculadas. Lições, provas e outros relatórios de desempenho são enviados ao hospital e voltam à escola de origem depois de prontos. As tarefas e as provas são assim elaboradas em conjunto com as escolas de origem. Notas ou avaliações são sempre consideradas pelas instituições, o que impede que a criança perca o ano.

A medicina moderna segue essa interdisciplinaridade, unindo profissionais de saúde e educação. Referenda que o contato escolar aproxima a criança internada de seu cotidiano. Dá a ela a sensação de cura, esperança de sair do hospital, o que ajuda na sua recuperação.

Brincar e estudar humanizam o tratamento, despertam entusiasmo e vontade de curar.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em dezembro/2006)

AO JORNAL “TRIBUNA IMPRESSA”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “Tribuna Impressa”, deste valioso instrumento de comunicação que Araraquara aprendeu a admirar pelo alto profissionalismo, venho, há cerca de dois meses, publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporciona-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade araraquarense, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Estou me propondo, entre outros, a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional do ensino vigente.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Já tive a oportunidade de passar alguns conceitos, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida, a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “Tribuna Impressa” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e clareie a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Araraquara, já vem se tornando habitual, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “Tribuna Impressa”, nas pessoas de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com brilho e persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população.  O jornal “Tribuna Impressa” cresce com Araraquara, coloca-se na vanguarda jornalística. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, competente, que vem se tornando marca consagrada. Pessoas que lutam por ideais salvaguardam a humanidade. Onde há uma vontade, há um caminho. Parabéns!

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Araraquara. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos.

A todos vocês, queridos leitores,/ Que esse dois mil e um lhes seja risonho,/ Caminhos abertos, muitos amores,/ Que se realize seu mais lindo sonho.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em dezembro/2000)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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