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Artigos Educacionais

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EQUOTERAPIA

Izabel Sadalla Grispino *

Os avanços na metodologia educacional alcançam dimensões criativas e surpreendentes. Em casos de atendimento específico, como do aluno com deficiência, a natureza trouxe o cavalo como um auxiliar poderoso na reabilitação motora e neurológica.

A prática da equoterapia traz benefícios físicos, como a melhora do tônus muscular, maior equilíbrio para andar, maior equilíbrio espacial e benefícios psicológicos e afetivos. A criança e o jovem aprendem a relaxar e melhora o medo que têm de tudo.

Esta é a grande vantagem da equoterapia,  alia o tratamento físico ao psicológico. O trabalho é com o cavalo e sobre o cavalo, traçado a partir de um plano individualizado. A terapia é acompanhada por uma equipe multidisciplinar, o trabalho é gradual e acompanhado de perto pela equipe de profissionais.

Quem estipula as metas é a equipe, que inclui psicólogo, fisioterapeuta, instrutor de equitação, condutor de cavalo e um profissional de educação. Os alunos interagem com o animal em várias situações e começam a reter melhor as informações, ajudando-os até no processo de alfabetização e na melhora da fala.

A prática é recomendada para crianças a partir de 2 anos, especialmente para casos de paralisia cerebral, síndrome de down, acidente vascular cerebral (AVC), traumas, autismo, déficit de atenção, estresse, síndrome de pânico, esquizofrenia, entre outros.

Há restrições para quadros de luxação de quadril e instabilidade severa  de pressão, mas, mesmo nesses casos, é possível determinar um bom programa de equoterapia, respeitando-se os limites.

Depois da Segunda Guerra Mundial,  os  médicos  começaram  a notar que o cavalo podia ser um aliado da saúde do homem. Na Europa, os homens mutilados ou depressivos, que praticavam equitação, tinham uma melhora mais rápida e logo voltavam à vida social.

Com o estudo desses benefícios, foram surgindo centros de equoterapia na França, Itália e Inglaterra. No Brasil, a prática é mais recente, chegou há 18 anos, com a Associação Nacional de Equoterapia (Ande-Brasil), cuja sede fica na Granja do Torto, em Brasília.

O número de adeptos brasileiros começou a crescer consideravelmente. Segundo a Ande-Brasil, em 1989 havia 6 alunos e o último levantamento, de 2005, aponta 13.760, com crescimento contínuo. No Estado de São Paulo, há 65 centros filiados às atividades, com uma média de 1.400 atendimentos por mês. No Brasil, são 250 centros filiados.

Os centros credenciados seguem as regras estipuladas: necessidade de uma equipe interdisciplinar e todos os membros com curso feito de equoterapia na Ande-Brasil. Os cavalos são treinados para ter um modo específico de andar. Para cada caso, a fisioterapeuta determina o ritmo do animal – o único animal que reproduz a marcha humana.

A equipe traça em conjunto os objetivos, levando em conta aspectos físicos, psicológicos, educacionais. Reavaliam o projeto a cada semestre.

Surpreendente descoberta no meio animal: o cavalo é uma valiosa ferramenta educacional e medicinal. É ajuda e remédio para muitos males.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2007)

DIFERENÇAS NO SISTEMA DE COTAS RACIAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Parece estar surgindo um novo raiar quanto à consciência da questão de cotas raciais. Começa-se a entender a interferência negativa que elas provocariam na qualidade do ensino, atrapalhando o processo da igualdade social. “A educação é o grande fator de desigualdade na sociedade brasileira”. (Simon Schwartzman)

Tem, sim, que haver políticas afirmativas em direção às minorias, aos pobres, aos negros, aos índios. Mas, políticas que vão de encontro à qualificação profissional e não a um remendo instrucional. As cotas têm, sem dúvida, chamado a atenção sobre as camadas mais carentes da população, sobre a necessidade de estas camadas  ascenderem-se socialmente.

Elas não são, porém, caminho revitalizador. Dissemos, no artigo anterior, do reforço educacional que se deve dar à educação básica do aluno pobre, capacitá-lo para o exercício da função escolhida, do fator mérito que se impõe para o ingresso ao ensino superior. Boa escola é o que está faltando aos pobres.

As convicções a respeito das cotas não se firmam. As universidades divergem quanto à sua aplicação. Não há uma regularidade no sistema de cotas. Cada instituição dá a sua versão. No fundo, falta credibilidade ao processo.

A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira universidade federal do País a adotar  o  sistema  de  cotas raciais, antes mesmo de o Ministério da Educação (MEC) definir como seria sua aplicação. Desse modo, terminou por adotar critérios diferentes do que pretende o MEC. Um desses critérios é não levar em conta a renda do candidato ou o fato de ter ele estudado ou não em escolas públicas. Entendeu a Universidade de Brasília (UnB) que os negros estão principalmente entre a camada mais pobre da população. Por essa razão, as cotas raciais automaticamente beneficiam quem mais precisa. Outro item, estabelecido pela UnB, é de que o seu sistema não é para afrodescendentes, mas para brasileiros que tenham o genótipo dos negros, isto é, aparentem fisicamente ser negros.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) elaborou o Programa de Ação Afirmativa para Inclusão Social. Pelo Programa, os candidatos que cursaram o ensino médio em escola pública terão um bônus de 30 pontos no vestibular da Unicamp. Eles serão somados à média da prova da 2.ª fase. O propósito é aumentar, em pelo menos 27%, o ingresso dos estudantes da rede pública nos cursos de graduação. Negros, pardos e indígenas autodeclarados ganharão mais 10 pontos, somando 40.

O reitor da Universidade diz que “não é cota, trata-se de uma ação afirmativa para incentivar e facilitar que estudantes de escolas públicas entrem na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)”. Estima-se que o número de aprovados vindos de escolas públicas aumente dos 30,3% registrados no corrente ano para 38% em 2005. O projeto prevê, também, que seja ampliado o número de bolsas para estudantes carentes.

O governo federal, contudo, insiste na adoção de cotas raciais para negros e índios. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai enviar ao Congresso projeto de lei para garantir a reserva de metade das vagas das universidades federais a alunos que concluíram o ensino médio em escolas públicas.

Os reitores das universidades mostram-se cautelosos. O reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ulysses Fagundes Neto, considerou que 50% de reservas de vagas na universidade constituem uma tragédia. A instituição tem cerca de 300 vagas a cada vestibular e já aprovou projeto de cotas para negros e estudantes de escolas públicas, mas com percentual de 10%.

São poucas as universidades públicas no País que adotam o sistema. Estatísticas falam que em 2003 só três estabelecimentos tinham uma política de cotas. Este ano, surgiram mais dois. O Ministério da Educação revela que, atualmente, 41,8% dos estudantes que se formam em universidades federais cursaram o ensino médio em escola pública. Nesse percentual, entretanto, existem grandes diferenças regionais. Nos Estados do Norte e Nordeste, onde há poucas universidades privadas, esta taxa passa dos 50%, enquanto que na Universidade de Brasília (UnB) apenas 30%, dos 25 mil alunos, vieram de escolas públicas. Há ainda a registrar que a concentração de estudantes carentes está em cursos de licenciatura; estudantes que vêm de escolas particulares conseguem vencer as concorridas vagas de Medicina, Engenharia, Administração, Direito, entre outras.

As universidades, preocupadas, estão se revestindo de cautela para que a inclusão não venha piorar a qualidade de seu ensino, a qualidade de ensino voltada à parcela da população de renda mais baixa. O melhor instrumento de inclusão seria expandir o número de vagas, principalmente dos cursos noturnos, e valorizar a escola pública, investindo no ensino médio e na educação básica como um todo.

Milagres no terreno educacional não existem. Ou se tem uma boa estrutura para se avançar ou se fica à margem da sociedade. Um diploma que não qualifica leva igualmente à exclusão social.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2004)

UNIVERSIDADES CORPORATIVAS: REALIDADE QUE SE IMPÕE

Izabel Sadalla Grispino *

Um novo segmento na área educacional vem surgindo e se impondo: as universidades corporativas. As universidades tradicionais têm dificuldade em se afinar ao mercado, aos avanços tecnológicos, em acompanhar a evolução científica em sua diversidade, principalmente as particulares. Preocupam-se, de preferência, em dar uma formação geral ao aluno. Com isso vão criando lacunas, deixando espaços, aprendizagens a serem complementadas. Nessas brechas inserem-se as universidades corporativas.

As universidades corporativas vêm obtendo êxito, porque, num espaço menor de tempo, formam um profissional com novos parâmetros, preparado para enfrentar, hoje, o exigente mercado de trabalho, além de fornecer modalidades de treinamento empresarial. Dão cursos especializados,  com visão geral e ampliada do mercado, com visão abrangente das necessidades de uma empresa.

A filosofia implícita dessas universidades consiste em dar, junto ao treinamento que prioriza procedimentos repetitivos, programas que desenvolvam competências importantes para a empresa. Desenvolvam as faculdades de raciocínio, de liderança, de criatividade, formando um profissional autônomo. Têm como grande objetivo desenvolver a competência crítica, a eficiência, a competitividade. Montam cursos especializados, com funcionários ajustados aos seus produtos.

O mercado de trabalho vem requerendo profissionais dinâmicos, atualizados, com capacidade de iniciativa, de inventividade, com capacidade de tomar decisões. Nesse novo comércio, a indústria não pode prescindir de pessoal qualificado, ativo e em constante reciclagem; perderia em competitividade, portanto, em ganho. Ela quer um profissional diferenciado, entrosado aos seus objetivos, perfil dificilmente conseguido pelas universidades tradicionais.

Às universidades corporativas interessam formar um profissional mais rapidamente, contrapondo-se ao antigo modelo, quando a empresa levava de quatro a cinco anos para fazê-lo, após o aluno ter saído da universidade. As corporativas constatam que o propósito das instituições tradicionais, em formar o profissional generalista, estabelece um distanciamento entre o que o aluno aprende na escola e o que exige o mercado de trabalho.

Para superar deficiências, empresas fazem parcerias com instituições convencionais ou, então, montam suas próprias escolas, com prédio próprio, corpo docente e currículos próprios. Criam cursos para desenvolver determinadas técnicas ou para complementar a formação acadêmica. Têm estrutura curricular modular, tal como os cursos de graduação de uma universidade normal. Após cada módulo, o aluno passa por uma avaliação e, sendo aprovado, recebe um certificado.

A base das universidades corporativas reside na formação de projetos adaptados às necessidades da empresa, que querem garantir, aos seus funcionários, o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias ao atingimento de suas metas.

Universidades corporativas existem nos Estados Unidos desde a década de 80. Servem de modelo para o mundo todo, inclusive para nós. Estima-se haver no Brasil por volta de 40 universidades corporativas. As mais conhecidas são das empresas: Motorola, McDonald’s, Bank Boston, TAM e Visa. A FEA-USP e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) são instituições que mantêm parcerias com empresas, criando oportunidades de atualizar o currículo. Já despontam universidades públicas corporativas, como a Sabesp, com sua Universidade Empresarial, e a Metrô de São Paulo.

As necessidades empresariais já começam a influenciar os currículos das instituições convencionais, que se tornam mais sensíveis ao mercado de trabalho. Segundo observadores da área, se as universidades tradicionais não se reestruturarem, não mudarem de direção, aproximando seus currículos das necessidades empresariais, o prognóstico é de que, num futuro próximo, perderão terreno para as corporativas, o que vem comprovar a valorização, pelo mercado, dos certificados emitidos por essas universidades, embora sem valor oficial.

Contudo, a USP vem se preocupando com este aspecto. Na Faculdade de Economia e Administração, empresários bem sucedidos são freqüentemente convidados para relatar suas experiências. A USP tem um setor que atende indústrias necessitadas de resolverem problemas tecnológicos. A Escola Politécnica tem uma aproximação forte com a indústria paulista. Mas, a USP quer preservar a liberdade acadêmica, sua independência e não se colocar, apenas, a serviço da indústria. Talvez, uma articulação maior com o setor produtivo venha ocorrer gradativamente.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2001)

ALERTA UNIVERSAL SOBRE A EDUCAÇÃO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

O mundo, como um todo, desperta para a educação infantil. Pesquisas mostram  a importância do maternal e da pré-escola. A conclusão, hoje, é  de que a educação infantil é um dos mais poderosos instrumentos para combater a pobreza e a desigualdade.

O poder da educação das crianças pobres nos primeiros anos de vida – as ricas já possuem –  norteia a opinião universal. Crianças pobres de 3 a 4 anos, numa sala de aula rica em palavras, são munidas de condições básicas para aprender, para aprimorar as potencialidades, para resolver problemas. Um ambiente instrutivo cria situações em que crianças pobres e ricas passam a ter as mesmas chances, não só no jardim da infância, mas na vida inteira.

Constatam os estudiosos de que o principal fator da pobreza são as diferenças familiares acarretando influências no desempenho escolar. Constatam que essas influências se manifestam não apenas nos primeiros meses de vida, como são mais poderosas nessa fase.

James Heckman, Prêmio Nobel de Economia, presente, no Rio de Janeiro, no seminário sobre educação, organizado, em novembro de 2005, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentou números mostrando que a maior parte das defasagens entre o desempenho de ricos e pobres, em testes, por exemplo, de matemática, já existe aos 6 anos, antes da 1.ª série do ensino fundamental. Pesquisas divulgadas no seminário, pela Fundação Getúlio Vargas, a freqüência a creches também se concentra na classe mais rica, atingindo, de 0 a 3 anos, 21,64% das crianças entre os 20% mais ricos, e apenas 5,2%, entre os 20% mais pobres.

A Educação Infantil constrói melhores cidadãos, concluem as pesquisas. O histórico estudo do Projeto Pré-Escolar Perry acompanhou as vidas de crianças pobres que freqüentaram escolas-modelo na infância (nos EUA, pré-escola corresponde ao maternal e ao jardim de infância daqui). Este projeto acompanhou um grupo de crianças afro-americanas pobres desde o maternal, no início dos anos 60, até a meia-idade. As conclusões foram consideradas assombrosas: um retorno de US$ 17 para o indivíduo e à sociedade, para cada dólar gasto, nesta etapa.

As crianças que estudaram no Programa Perry mostraram possibilidade de se formar no ensino médio e se casar bem maior que entre as crianças que não freqüentaram a pré-escola. A probabilidade de serem presas e dependerem de assistência pública mostrou-se significativamente menor. Ganham em média 25% a mais que as crianças que não passaram pela pré-escola. Uma diferença que permitiu que elas superassem a linha da pobreza.

O Ensino Infantil, além de melhorar o desempenho futuro no mercado de trabalho, melhora e muito o desempenho acadêmico posterior. Um outro estudo, de uma organização americana, divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas em Educação Infantil, examinou os efeitos de uma boa experiência em pré-escola. Em testes de vocabulário, as crianças, que freqüentaram maternais estaduais tiveram notas 31% mais altas que as de um grupo similar de crianças que não freqüentaram o equivalente a 3 meses de aprendizado. Em testes de habilidades matemáticas, as que freqüentaram o maternal estadual tiveram notas 41% mais altas.

As iniciativas estaduais nos EUA vêm valorizando cada vez mais a freqüência de crianças na pré-escola, ressaltando no ensino as habilidades em leitura, interpretação e aritmética.

O Brasil precisa aparelhar-se para investir com força na pré-escola. Aqui, a matrícula de crianças de 4 a 6 anos, em famílias com renda superior a 20 salários mínimos, é de quase 90%, cai para menos de 30% nas que ganham menos de 1 salário mínimo (dados do MEC).

Um ponto alentador encontra-se no Nordeste, região com maior penetração da pré-escola. Dos 10 primeiros municípios brasileiros com maior proporção de crianças de 4 a 6 anos sendo escolarizadas, 8 são nordestinos. O governo espera a aprovação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que substituirá o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), para ampliar a abrangência do programa para pré-escola, a partir dos 4 anos. A necessidade de ampliar o atendimento à educação infantil é ponto pacífico, porém, é indispensável pensar em preparar o professor para o correto atendimento à faixa etária correspondente a esse período.

Desenvolver instrumentos pedagógicos para auxiliar os professores a ensinar práticas corretas, que alcancem o desenvolvimento das habilidades cognitivas, psicomotoras das crianças, não pode representar ao governo um objetivo menor. Diplomar sem qualificar é jogar no mercado de trabalho pessoas despreparadas, que, mais cedo ou mais tarde, causarão graves prejuízos para si mesmas e para a sociedade.

Um país justo não deve ter uma educação de primeira para os ricos e uma de segunda para os pobres.

CLASSES HOSPITALARES

Izabel Sadalla Grispino *

A educação é um direito de todos. A obrigatoriedade faz parte da nossa legislação. A Constituição do Brasil, de 1988, diz que o ensino fundamental é obrigatório no País e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, determina que o poder público criará alternativas para o acesso ao ensino.

O direito à educação cria classes hospitalares, atendendo aos doentes. É uma modalidade de ensino especial, que começa a crescer no País. As crianças doentes têm direito à educação como qualquer outro aluno, inclusive as que ainda não estão matriculadas em escolas.

Uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) mencionou pela primeira vez as classes hospitalares em 2001. Pela resolução, os sistemas de ensino deveriam integrar-se aos de saúde para organizar o atendimento educacional especializado a crianças que não podem freqüentar a escola por problemas de saúde.

Em dezembro de 2002, o governo federal lançou um documento denominado Classe Hospitalar e Atendimento Pedagógico Domiciliar. Esse documento dá as diretrizes sobre como devem ser o funcionamento e a organização das escolas em hospitais. O único impedimento para que a criança não estude nos hospitais é a opinião médica, desaconselhando para o momento.

Nos últimos anos tem crescido o interesse de educadores e médicos pelo assunto. O envolvimento da criança pelo estudo acaba, também, sendo útil à sua recuperação. A criança se cura mais rapidamente.

Como numa escola, existem compromissos que devem ser cumpridos pelos educadores e pelas crianças. No lugar do exercício para casa, há o exercício para a cama. Também o momento de brincar, que seria a hora do recreio. Há a preocupação de adaptar o conteúdo ao contexto da criança internada e o acompanhamento é praticamente individual.

Os professores precisam preparar-se para a educação especial voltada para crianças com problemas de saúde, freqüentar cursos de capacitação. Dificuldades existem e vão desde a condição psicológica e física do aluno até a necessidade de um trabalho interdisciplinar, já que não há professores de todas as áreas.

Os educadores são ligados às secretarias municipal e estadual de Educação, mas planejam internamente as atividades. Os trabalhos levam em conta o desenvolvimento de cada criança e informações obtidas nas escolas em que estão matriculadas. Lições, provas e outros relatórios de desempenho são enviados ao hospital e voltam à escola de origem depois de prontos. As tarefas e as provas são assim elaboradas em conjunto com as escolas de origem. Notas ou avaliações são sempre consideradas pelas instituições, o que impede que a criança perca o ano.

A medicina moderna segue essa interdisciplinaridade, unindo profissionais de saúde e educação. Referenda que o contato escolar aproxima a criança internada de seu cotidiano. Dá a ela a sensação de cura, esperança de sair do hospital, o que ajuda na sua recuperação.

Brincar e estudar humanizam o tratamento, despertam entusiasmo e vontade de curar.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em dezembro/2006)

A CORRUPÇÃO EMPOBRECE O PAÍS

Izabel Sadalla Grispino *

Até quando viveremos sob o impacto da corrupção? Até quando este nosso Brasil ficará emperrado, sem conseguir alçar vôos? O Brasil é um País empobrecido pela corrupção. Uma terra privilegiada como a nossa, com seus invejáveis recursos naturais, está sempre pendente, sempre pendurada, arcada em dívidas, ajoelhada ao FMI. O que se constata no País é uma corrupção impregnada nos hábitos da sociedade. Constata-se a existência de grupos que passam de um governo a outro e se firmam pela impunidade. A cultura da corrupção é histórica entre nós e só um trabalho prolongado de conscientização, de estímulo à ética, aos valores morais, e desde a fase da educação infantil, poderá trazer a esperança de enfraquecê-la.

O nosso ensino não consegue avançar. Países do primeiro mundo mostram um nível educacional invejável, um avançado amadurecimento do povo sobre a importância da educação, visto como pilar do desenvolvimento humano. Uma inscrição esculpida em mármore na entrada da Biblioteca Pública de Boston, nos Estados Unidos, diz: “A comunidade exige educação como salvaguarda da ordem e da liberdade”.

O povo exigindo educação! Aqui no Brasil, precisamos ainda trabalhar muito, anos e anos, para que o povo chegue a esse entendimento, à importância da educação na vida da nação. Quando isso acontecer, o Brasil deixará de ser País de terceiro mundo, nível de País em desenvolvimento, para se tornar País de primeiro mundo, País desenvolvido. Educação está na base de toda transformação social.

Um grande escritor brasileiro, Monteiro Lobato, segundo minha memória, disse: “Um país se faz de livros e de homens”. Observemos a ordem das palavras na frase: primeiro, livros; depois, homens. Primeiro o conhecimento, a cultura, estruturando o homem, ilustrando-o para o exercício da função. Ainda nessa linha de pensamento, lembro o grande estadista norte americano Abraham Lincoln, que dizia: “Ninguém salva o povo, o povo salva a si mesmo através da educação” e a educação foi a grande prioridade de seu governo.

No nosso Brasil, a educação continua num marasmo. A pesquisa da Unesco, Ensino Médio: Múltiplas Vozes, realizada em 13 capitais, entrevistando 7 mil professores e mais de 50 mil alunos da rede pública e particular, revelou o alto grau de insatisfação dos estudantes com que aprendem nas escolas.

Nossas escolas têm condições de melhorar aquilo que ensina? Têm condições de oferecer aulas com qualidade, para aumentar o interesse dos alunos? Professores desmotivados, destreinados, pouco capacitados para o exercício do magistério, vão arrastando a situação do mau ensino. O despreparo docente chega ao nível absurdo de levar o MEC a mudar, ainda este ano, o sistema de classificação de livros didáticos. Desde 1985, início do programa governamental de distribuição de material didático, o Ministério fazia recomendações sobre a qualidade dos títulos a serem escolhidos pelos professores das escolas. O critério para classificar o livro didático ia de uma a três estrelas. No ano passado, o MEC passou a usar os conceitos “pouco recomendado”, “recomendado” e “muito recomendado”. Agora, não faz mais avaliações, apenas uma descrição de cada livro. E isso ocorreu devido ao fato de os professores, ultimamente, estarem optando por livros de uma estrela ou os pouco recomendados. Escolhem os piores entre os pré-avaliados pelo MEC.

O presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Henrique Paim Fernandes, considera a fraca escolha dos professores, a razão de estes livros conterem conteúdos mais fáceis; “Assim, os professores não correriam o risco de não entender ou não saber como lidar com livros supostamente mais sofisticados. Geralmente, escolhem os livros que já conhecem ou que crêem ser mais próximos de sua realidade”.

Se contássemos com professores bem treinados didaticamente, recebendo salários condizentes com sua função, não estaríamos nessa situação. Teríamos um magistério valorizado. Mas, o que ocorre é o contrário, a falta de estímulo leva o professor a se acomodar, a se desinteressar, trazendo desinteresse aos alunos.

Como elevar o padrão de ensino sem um devotamento político leal à causa da educação? O mais freqüente é ver, na mídia, os constantes relatos de graves corrupções. As verbas destinadas ao ensino perdem-se no caminho de sua destinação, conduzidas para fins ilícitos. Em abril p. passado, lemos nos jornais, em letras garrafais, o desvio dos recursos destinados ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Médio e de Valorização do Magistério (Fundef)! O Ministério Público estima que de cada R$ 4,00 só R$ 1,00 é aplicado corretamente! Detectou quadrilhas com ramificações nacionais, especializadas em falsificar planilhas de gastos e forjar prestações de contas. A Controladoria Geral da União deparou com um verdadeiro esquema de fraude documental e irregularidade freqüente no registro de estudantes fantasmas. No ano passado, auditoria do MEC constatou a existência de 280 mil matrículas irregulares de 1.ª a 8.ª  séries.

Antes do Fundef, as reclamações de compras eram freqüentes. Surgiu o Fundef justamente para corrigir os casos de corrupção. 60% do Fundef estão vinculados ao pagamento de professores; o restante vem sofrendo desvios abomináveis. O dinheiro do Fundef é depositado em uma conta do Banco do Brasil e seu extrato pode ser acessado por vereadores e membros do conselho de fiscalização dos municípios.

Deputados da Comissão de Educação da Câmara querem mudar a forma de escolha e a composição dos conselhos municipais de acompanhamento do Fundef. Defendem projeto que impede que familiares dos prefeitos e secretários municipais integrem os conselhos, além de estabelecer eleições para a definição dos membros e a inclusão de um representante dos alunos. O representante dos pais também não poderá ser servidor municipal, nem prestador de serviços da prefeitura.

Hoje, fala-se em mobilização dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário --, reforçando a luta do Estado contra a corrupção, tentando fazer com que o Estado, que tem o leme nas mãos, possa dirigir esse barco, encharcado de corrupção, com mais firmeza.

Será esse o caminho? Poderá até ajudar, mas a corrupção está tão enraizada no seio do povo que ela sempre encontrará um jeito de burlar as determinações legais.

Só um trabalho sério de educação poderá tentar reverter tal situação.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2004)

QUOTAS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS

Izabel Sadalla Grispino *

Está havendo posição simpática, por parte do governo federal, para o estabelecimento de quotas para negros nas universidades públicas. Coloca-se, com esta posição, o mesmo enfoque dado às reservas de vagas para alunos do ensino médio das escolas oficiais, o mesmo problema sobre a igualdade de oportunidades, advinda de um ensino de qualidade, na disputa de vagas universitárias.

A exclusão do candidato não tem causa na pobreza ou na cor e, sim, na ausência da boa formação, pois “inteligência não é privilégio dos ricos e dos brancos” – parafraseando a expressão do deputado Celso Tanaui. Essa quota de vagas é mais um procedimento discriminatório, que desvaloriza o potencial criador do candidato pobre ou negro, que tem idênticas possibilidades intelectuais dos mais afortunados, faltando-lhes apenas os meios para atingir esses fins. Eles se vêem beneficiados por um decreto que parece propagar que a desqualificação não tem importância.

A balança social é marcada por um quadro pesaroso de desigualdade entre ricos, pobres e negros. Há estudos, referentes a 1999, demonstrando forte correlação entre desigualdade educacional e desigualdade social. O economista Ricardo Henriques, do Ipea, desenvolveu, a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), um trabalho que mostrou ser a taxa de analfabetismo três vezes maior entre os negros e mulatos, demonstrando que, no ambiente profissional, eles recebem, praticamente, a metade – 48% – do salário que recebem os brancos. Entre as mulheres brancas, o desemprego é 25% menor que entre as negras.

Ricardo Henriques disse ser “incontrolável” a desigualdade, em relação à conquista dos chamados empregos de qualidade: “Há, apenas, um general negro nas Forças Armadas e apenas dois secretários na carreira do Itamaraty não são brancos”.

A Associação dos Juizes Federais relata que somente 10% dos juizes federais do País são negros. Na iniciativa privada, calcula-se que a desigualdade tenha a mesma proporção.

Os dados do Provão, revelados pelas estatísticas, demonstraram que apenas 2,2% dos estudantes que concluem os cursos universitários, públicos ou privados, são negros.

É histórica a desvantagem das pessoas negras se colocarem bem na sociedade, desvantagem que tem, também, como razão a má formação profissional. O Brasil inicia uma etapa que os Estados Unidos já pensam em abandoná-la. O que lá está em declínio, levado pela experiência negativa, aqui se principia começar.

Desde o final dos anos 80, Estados norte-americanos adotaram políticas de reservas obrigatórias de vagas para negros nas universidades e nos empregos. Atualmente, esses Estados têm dado visível demonstração de que, promover a igualdade de oportunidades através de quotas, não é o melhor caminho. A quota não responde pela qualidade, fruto de um gradual e lento processo educacional.

Nota-se, nos Estados Unidos, em vários setores da economia, e em várias universidades, uma reação contra essas quotas raciais. Este ano, um tribunal federal de Michigan forçou a Escola de Direito da Universidade do Estado a abandonar sua política de admissão, voltada em quotas raciais. Em várias outras localidades, há estudos para dissolver o sistema de quotas.

O frade franciscano David Raimundo Santos, diretor-executivo da organização Educação e Cidadania de Afro-descendentes e Carentes (Educafro), considera que a discriminação nas contratações e promoções dos negros tem revelado a “má administração das relações sociais”. “É necessário despertar no País políticas públicas que possam corrigir estes e outros casos”.

Têm surgido, entre nós, exemplos de ações favoráveis, como os cursinhos pré-universitários para negros e carentes. Eles se multiplicam pelo País, por iniciativa de organizações não-governamentais e mostram eficiência nessa ajuda. No Rio de Janeiro, onde se concentra a maior parte dos cursinhos pré-universitários, chega a 3,6% a taxa de alunos que concluem o ensino médio oficial e conseguem uma vaga nas universidades públicas. Em São Paulo, a estimativa é de apenas 1,1%.

Já começam a aparecer no País escolas criando quotas para alunos negros. A Escola Técnica Everardo Passos, em São José dos Campos, é a primeira do município a criar quotas de vagas gratuitas para alunos negros. As negociações para a criação de quotas, realizadas com entidades do movimento negro, começaram em 2000.

Mas, será o sistema de quotas o método capaz de alterar o quadro da desigualdade social? Ele conseguirá elevar, por si só, o padrão de ensino das escolas públicas? Sem esse padrão haverá futuro para o formando?

Preocupações pairam no ar!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2001)

O PERFIL DA ADOLESCÊNCIA BRASILEIRA

Izabel Sadalla Grispino *

O relatório divulgado em 11 de dezembro de 2002 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra mais de um terço de adolescentes brasileiros comprometido por seus níveis de escolaridade e renda. Num total de 21,2 milhões, cerca de 8 milhões de jovens entre 12 e 19 anos incompletos pertencem a famílias com renda per capita menor que meio salário mínimo e têm, pelo menos, 3 anos de defasagem em relação à escolaridade correspondente à sua faixa etária.

A redução, nos últimos anos, da mortalidade infantil perde sua expressividade perante as altas taxas de mortalidade entre adolescentes. As crianças que se salvam ao nascer correm o risco de morrer ao entrar na adolescência ou de se tornar um adulto excluído do mundo de trabalho ou um candidato a bolsas de assistência social do governo.

A baixa escolaridade e a falta de políticas públicas integradas para a juventude têm provocado um quadro social deplorável. A marginalização desses jovens, analisa o Fundo, provém de diferentes fatores. Em ordem decrescente de valores, surge primeiro o analfabetismo, que atinge 1,3 milhão de jovens, seguido do abandono escolar – 3,3 milhões não freqüentam a escola – e do trabalho infantil – 1,9 milhão entre 10 e 14 anos trabalham e, na faixa dos 15 aos 17 anos, 3,2 milhões. Segundo o relatório da Unicef, a maioria realiza trabalhos precários, mal remunerados e cumpre jornada excessiva, o que dificulta sua ida à escola.

Aliadas a esses fatores, há ainda a considerar a baixa qualidade de ensino recebida, as diferenças regionais e diferenças de raças. Esses jovens, sem uma direção a seguir, acabam descambando para a violência, para o uso das drogas. O alto índice de gravidez precoce, revelado no relatório, reproduz o ciclo de exclusão: baixa renda, escolaridade precária e inserção precoce no mercado de trabalho.

Para a Unicef, nosso País, que tem a marca de tantas desigualdades, enfrenta o grande desafio da criação de um plano nacional e articulado para o adolescente. “Não existem só desigualdades regionais. Também dentro dos municípios há diferenças nas regiões periféricas e entre zona rural e urbana. Por isso, defendemos a necessidade de uma política nacional e não de políticas setoriais ou localizadas”, diz o oficial da Unicef Sílvio Kaloustian.

O analfabetismo de adolescentes foi o principal índice usado para classificar os Estados e municípios, no relatório da Unicef. A razão está em que se um adolescente não sabe ler ou escrever não tem lugar no mundo do trabalho. Em Alagoas, o índice é de 18%, em Santa Cataria, de 1,3%. Essa disparidade reflete tanto a situação econômica quanto a educacional e de atitude. “O desafio, então, não é olhar para a cidade ou para o campo, centro ou periferia, Sul ou Norte, mas verificar se todas as crianças estão tendo oportunidades”.

Por causa da diversidade, o relatório fala em adolescências brasileiras. “Por um lado, encontramos no Brasil o fenômeno da adolescência prolongada, comum nas classes média e alta, em que a condição do adolescente tende a se prolongar em função das expectativas de uma formação cada vez mais especializada e exigente. Temos, igualmente, um significativo contingente de adolescentes que, pela pobreza de suas famílias, fica impedido de viver essa etapa preparatória, sendo obrigado a uma inserção precoce no mercado de trabalho, formal ou informalmente”, explica o documento.

O Censo 2000 do IBGE, publicado em 20/12/2002, mostra que, embora o País tenha alcançado a universalização do ensino fundamental, com 94,5% de crianças de 7 a 14 anos freqüentando a escola, não conseguiu acabar com a defasagem escolar. Os dados do Censo revelam que, de cada 10 alunos na faixa dos 13 anos, 6 não cursaram a série que deveriam; aos 14 anos, já eram 7.

No grupo de pessoas entre 10 e 14 anos, 1 milhão não sabe ler, nem escrever. A defasagem varia de acordo com o tamanho da cidade. É maior nos pequenos municípios. Um adolescente de 14 anos que mora em uma cidade com até 20 mil habitantes tem mais chance de não estar no ano correto do que o que mora em uma cidade grande. Nas pequenas, 78,8% das crianças  nessa faixa estão atrasadas, ante 63% nos grandes centros. A diferença entre rede pública e privada é grande. Nas escolas públicas, 74% dos alunos de 14 anos não freqüentavam a série que deveriam em 2000. Nas particulares, a porcentagem é de 43%.

O atraso na escola é um sério problema na educação, na vida pessoal e na sociedade. Desajusta-se a personalidade, trazendo desencontro nas realizações. Nessas condições, o normal é o aluno desanimar-se e desistir dos estudos, candidatando-se à marginalidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2003)

O SÉCULO XXI REENCONTRANDO DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A volta calorosa do confronto entre racionalidade e crença, comentada no artigo anterior, despertou-me curiosidade. Pesquisas a respeito trouxeram-me ajuda e apraz-me dividi-la com vocês, prezados leitores.

No passado, cada descoberta da ciência parecia constituir-se em derrota para a Igreja, em suas teorias fundamentais, que sempre colocou Deus na origem de todas as coisas, do universo. Era o confronto do método experimental da razão com a fé. As leis da evolução tornariam a gênese, o bigue-bangue, a história de Adão e Eva ficções. Parecia que o Iluminismo triunfaria sobre a Revelação, contida na Bíblia. O fulcro da questão ficava entre fé e razão.

Em 1991, surge o livro “Dieu et la Science”, escrito pelo filósofo cristão Jean Guitton, em parceria com os irmãos Bogdanov, que contém toda uma tradição cientificista. Neste livro, eles mostram que a fé não é inimiga da razão e que os resultados das pesquisas mais atuais sobre a história do universo e da vida não são contrários aos ensinamentos das grandes religiões.

Os avanços da ciência, nas descobertas sobre a origem das coisas ou da vida, esbarram-se com significativos limites. Quanto mais se esclarecem alguns mistérios, outros vão ganhando forças. Já se repete a frase: “Nos avanços da ciência, a sombra de Deus”. Constata-se que a razão não consegue esclarecer tudo. Num determinado ponto, a sombra de Deus começa a pairar. Telescópio, microscópio, longe de derrotar a presença de um Deus, parece ainda mais fortificá-lo.

Albert Einstein, que chegara a reduzir os fenômenos do cosmo a uma equação, assombrou o mundo ao admitir que “algo existe atrás da matéria”. O grande cientista Louis Pasteur (século XIX) lançou uma interrogação instigante: “Podemos ainda dizer que se um pouco de ciência nos afasta de Deus, muita ciência nos reconduz a Ele?”.

Nos Estados Unidos, uma organização composta por inúmeros cientistas, que se utiliza da sigla IDEA – Intelligence Design and Evolution Awareness – abraça, fortemente, a questão. Mesmo não pondo em dúvida a evolução, considerando os estudos sobre os fósseis, mostra-se convicta de que atrás dela está a mão transcendente de um Criador.

Em Michigan, parlamentares pedem que se ensine nas escolas, ao lado da teoria da evolução, a teoria dos neocriacionistas. Estes dizem concordarem com a tese evolucionista, quando diz que o mundo não foi criado há apenas 6 mil anos, mas defendem, convictamente, a idéia de que o processo evolutivo foi criado por Deus, há bilhões de anos.

Mais recentemente, um renomado cientista, Michael J. Behe, pertencente a uma comunidade científica das mais respeitadas do mundo, após exaustivos programas de análise matemática à assombrosa complexidade da célula, chega a uma conclusão que difere da teoria de Darwin; “As estruturas celulares, com sua múltipla interdependência, não podem ser explicadas como resultantes do acaso, pelo menos com a matemática. Deve existir uma inteligência superior que dá forma e sentido à vida”.

Dr. Michael chega a uma conclusão parecida com a de Newton, na passagem dos séculos XVII e XVIII, quando formulou as leis da gravitação universal: “Os astros, de fato, se atraem com uma força proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que os separa”. Dizia ele: “Por trás dessa elegante relação matemática, existe um elemento capaz de tê-lo formulado”.

Assim, para Newton, a ciência, longe de negar Deus, O confirmava.

Sob um outro aspecto, do diálogo entre a fé e a cultura, está surgindo a perspectiva de um encontro universal, unificando o senso religioso, o sentido da presença de Deus em todas as culturas. A Igreja católica vem dando significativas demonstrações de aproximação com todas as religiões. Busca relacionar-se às demais culturas, sejam africanas, asiáticas ou indígenas, mesmo sem formação cristã e distante da modernidade ocidental.

A Igreja encara a globalização vantajosa em vários aspectos, mas, rejeita a uniformização cultural. Legitima as diferentes culturas humanas, defende a diversidade cultural. Faz um apelo ao diálogo entre essas culturas e, nesse diálogo, quer expor sua visão cristã do mundo, em testemunho de amor à vida social, em preocupação com os povos mais pobres, mais sofridos.

A Igreja quer uma comunhão que promova a unidade na diversidade, uma convivência humana mais pacífica, que ostente a bandeira do amor, do perdão, da solidariedade. No início de junho, do corrente ano, houve em Puebla, no México, promovido pelo Vaticano, por seu Pontifício Conselho de Cultura, um encontro continental americano, que teve como tema geral o diálogo entre fé e cultura.

A base de toda cultura se assenta na existência de um Deus, por que, então, não se unir nos propósitos, nos valores fundamentados por Ele? O confronto do diálogo entre fé e cultura, entre fé e razão, entre fé e ciência, é o caminho para se atingir a união e, através dela, a paz.

Nas próximas semanas, continuarei a trazer o resultado das pesquisas sobre ciência e fé.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2001)

ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS E DE CRIANÇAS

Izabel Sadalla Grispino *

A competência profissional é fator de sucesso em qualquer setor da atividade. Há anos, a fala governamental se dirige aos analfabetos adultos, na pretensão de eliminar o analfabetismo, programando-lhes passaporte para a escrita e a leitura.

Mas, os analfabetos continuam e cada vez mais em número crescente. Acontece que os programas governamentais partem de um pressuposto falho. Acha o governo que qualquer pessoa que saiba ler e escrever pode alfabetizar um adulto. O adulto, já cristalizado em seus hábitos, quer por vergonha, quer por falta de tempo, quer por medo de não conseguir aprender, reluta em se alfabetizar. Acaba por desistir. Muitos já tentaram sem sucesso e chegam a se considerar incapazes, sem inteligência.

Alfabetização de adultos não é mera obra de voluntários, mesmo que tenham boa vontade. Sem o sentido de profissionalismo, sem o devido preparo pedagógico para entender as bifurcações que levam à alfabetização, não chegarão lá. Pelo fato de o adulto ter alcançado a última fase do desenvolvimento cognitivo, capaz de raciocínio, de abstração, de reversibilidade, o processo do conhecimento não é tão simples. Esse adulto não foi estimulado na fase própria da aprendizagem, tem a inteligência pouco trabalhada e, quase sempre, interiorizado um sentimento de incompetência, de vergonha, quando não, de culpa por não saber ler.

Aí é que entra a força da didática centrada na formação do alfabetizador. É preciso capacitação específica para alfabetizar. Um professor que leciona em cursos mais avançados e que nunca alfabetizou, não recebeu treinamento nessa área, vai ter, inclusive, dificuldade em alfabetizar. Na formação do professor, reside o maior entrave para os cursos de alfabetização de adultos. Um professor, com conhecimento em alfabetização, saberá conduzir, facilitar o aprendizado e passar estímulo, para que o aluno continue aprendendo pela vida afora.

A LDB impõe a necessidade do curso normal superior como formação mínima para o exercício do magistério na área de educação infantil. O professor precisa ter uma boa formação para não atropelar o processo de desenvolvimento da criança e conduzi-la, com serenidade, à aprendizagem. Vários são os métodos adotados, porém, em todos, o atendimento individual, a observância da autonomia na aprendizagem, a participação ativa da criança na construção do conhecimento, são procedimentos comuns a todos. Privilegiam os métodos ativos que mantenham uma interação fecunda professor/aluno.

O socioconstrutivismo tem sido um dos métodos mais praticados nas escolas. Emília Ferreiro é o ponto de partida da orientação socioconstrutivista, que se encontra mesclada pelas linhas básicas de pensamento de  teóricos, que defendem uma visão integrada do desenvolvimento humano, como Jean Piaget e Lev Vigotsky. Vigotsky atuou mais na área da psicologia e da neurologia. Piaget descobriu que as crianças não pensam como adultos, têm sua própria ordem e sua própria lógica. Para a pedagogia tradicional, elas eram como “recipientes” a serem preenchidos com conhecimentos. Piaget demonstrou que as crianças são ativos construtores do conhecimento. Para ele, o conhecimento resulta da interação entre o sujeito e o mundo. Mundo em que o sujeito não é passivo e o conhecimento não é cópia, mas construção ou elaboração do mundo, é “assimilação da realidade”. O sujeito e o conhecimento se constroem. Para haver aprendizagem não basta a transmissão da informação por mais competente que ela seja, como fazia a escola tradicional. É o sujeito quem, fazendo relações, associando o novo ao já conhecido, vai construindo o conhecimento, segundo a sua estrutura de formação. Piaget procurou decifrar as fases do desenvolvimento mental. A criança é um ser que interage com a realidade e assim forma suas estruturas mentais. É referência obrigatória.

O método Montessori, criado pela médica italiana Maria Montessori (1870-1952), iniciou-se com o desenvolvimento de técnicas para ensinar crianças excepcionais. Parte do pressuposto de que a criança é dotada de infinitas potencialidades e é capaz de autocrescimento. Seu método foi chamado de "Escola do Silêncio”, por estimular a concentração, a introspecção e a integração social. As atividades são propostas levando-se em consideração as peculiaridades da criança. Na relação professor/aluno, as atividades são sugeridas e orientadas, deixando que a própria criança se corrija.

Um outro método que vem ganhando espaço é o Waldorf, também chamado de antroposófico. O nome Waldorf surgiu pelo fato de as primeiras alunas de seu fundador, o alemão Rudolf Waldorf (1861-1925), serem funcionários da fábrica Waldorf Astoria, na Alemanha. O método trabalha a criança conjuntamente no seu desenvolvimento físico, social e individual. As turmas se dividem por faixa etária e não por série. Não há repetência e a relação da escola com os pais é muito grande. Evita-se o máximo a troca de professores, que devem acompanhar a mesma turma por um período de 7 anos.

Essa pequena explanação elucida o quanto o professor deve conhecer, estudar, praticar, para exercer, em bom nível, a alfabetização.

A alfabetização de adultos atingiria o seu objetivo se pudesse contar com professores preparados para esse fim, como já se faz com a alfabetização das crianças.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em fevereiro/2004)

CURSOS PROFISSIONALIZANTES

Izabel Sadalla Grispino *

Hoje, dizemos que emprego e escolaridade andam juntos, especialmente se o ensino for profissionalizante. Escolaridade com qualidade, quanto maior, maior a facilidade de colocação. Se com ela a dificuldade de emprego existe, imaginem sem ela!

Os avanços nos setores da economia são contínuos. O tempo não pára e precisa de profissionais cada vez mais habilitados. Sob esse prisma, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) oferecem, com vantagens, cursos rápidos, atualizando o conhecimento, proporcionando a colocação no mercado de trabalho, e contam pontos se o certificado do pretendente for emitido por essas instituições.

Esses Sistemas fazem sondagens periódicas das carências ocupacionais de trabalhadores flexíveis. O Senai vem investindo em cursos modulares para uma profissionalização segmentada e contínua, onde o trabalhador entra em sua área de interesse e especializa-se aos poucos.

Nas telecomunicações, o Senai, por exemplo, forma especialistas em manutenção de equipamentos. No setor automobilístico, notou a exigência por profissionais que atuassem da mecânica à parte elétrica, passando por questões administrativas, como orçamentos e trato com os clientes e criou cursos a respeito.

Um outro dado marcante no mercado de trabalho é a possibilidade de mulheres encontrarem serviço em segmentos antes fechados a elas. Pela constatação do Senai, a área gráfica é um setor que está abrindo as portas para as mulheres, por seu poder de concentração e perspicácia visual. Assim, os cursos do Senai, onde se aprende tudo sobre impressão, os cursos de manutenção de computadores e o hotel-escola, que forma garçons e cozinheiros, englobam os dois sexos.

O setor de Alimentos incentiva, também, a entrada da mulher, sobretudo as formadas em confeitaria e salgado. Excluindo panificação e sorveteria, em que o aprendizado é com equipamentos industriais, os demais cursos de Alimentos do Senai dão chances a quem quer trabalhar por conta própria, abrindo o próprio negócio. São cursos práticos, que incluem no currículo a aprendizagem de detalhes como avaliação da matéria-prima, rendimento, diminuição de desperdício e custo-benefício.

Os cursos profissionalizantes, mesmo curtos, têm um custo, mas, segundo consta, de retorno rápido, logo nos primeiros meses de trabalho. Alunos dos cursos de cabeleireiro, depilador, cozinheiro e garçom têm, praticamente, suas vagas garantidas, mesmo antes de se formarem, confirma o assessor técnico de educação do Senac, Francisco Cordão. Os pretendentes aos cursos profissionalizantes têm uma gama a escolher, de acordo com suas preferências, seus gostos e obter assim mais facilmente o sucesso.

O curso Noções de Mecânica está sento bastante procurado. Ajuda a conquistar vaga como operadora de telemarketing, em montadoras de carros, seguradoras e prestadoras de socorro mecânico. Esse mesmo curso, aliado a outros dois módulos – Motor Automotivo e Sistema de Alimentação – feito em 3 semanas, em período integral ou em 2 meses no período noturno,  forma  para  atuar em oficinas mecânicas. O aluno poderá estender a formação, reunindo Noções de Mecânica, Supervisão e Freio para trabalhar no balcão de distribuidoras de autopeças e ganhar à base de comissão de vendas.

Ultimamente, tem, inclusive, aumentado a preferência dos empregadores da área automobilística por mulheres. Um outro curso que vem empregando mulheres é o de Controlador Lógico Programável, de 40 horas, e capacita a atuar na linha de montagem de circuitos eletrônicos, num trabalho superminucioso.

Outros cursos são oferecidos, como o básico de Informática do Senai, com 72 horas e Windows,  Word e Excel no currículo. Com este certificado, o profssional está apto ao curso de Web Designer de 50 horas, com emprego inicial em torno de mil reais.

O interessante do Senai e do Senac é a sua ligação com o empresariado, permitindo-lhes manter quadros permanentes com ofertas de emprego. Há cursos, em áreas que vão de mecânica de automóveis à indústria de turismo, oferecidos gratuitamente.

Existem parcerias entre essas duas instituições, Senai e Senac, com a Secretaria do Estado da Educação em cursos profissionalizantes. Pelo Programa Profissão, o governo adquiri vagas do Senac, Senai, Centro Paula Souza e Escola Técnica Federal. Por esse Programa, o jovem continua estudando, consegue um bom emprego, podendo, depois, cursar uma faculdade. Os alunos inscrevem-se nas escolas onde estudam e o critério de seleção tem sido a assiduidade às aulas durante o ensino médio.

Neste ano de 2002, um outro projeto da Secretaria da Educação passou a oferecer 9 mil vagas de estágios nas próprias escolas da rede. São escolhidos três alunos que cursam o ensino médio em cada escola para trabalharem como monitores nos laboratórios de informática e recebem meio salário mínimo.

Senai e Senac são instituições de ensino profissionalizantes que fazem a diferença.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em outubro/2002)

UMA PROPOSTA DE MUDANÇA

Izabel Sadalla Grispino *

Num debate sobre educação e capital humano, após análise e conclusão da inoperante educação básica brasileira, surgiu por parte do emérito prof. Eduardo Giannetti da Fonseca, economista PhD, pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, professor titular e coordenador do Ibmec, em São Paulo, uma proposta de mudança, de valorização do ensino fundamental, que vale a pena divulgá-la, levar os educadores a tomar conhecimento e a refletir sobre ela.

Constata-se que no Brasil chega ao limiar do ensino superior uma camada de alunos que mal conseguiu atingir o nível de competência necessário para passar de ano e se formar no ensino médio. Esses alunos não adquiriram, em sua formação, as qualificações necessárias ao grau de educação básica e vão freqüentar o ensino superior carregando uma defasagem significativa.

O Pisa, uma avaliação internacional, comparativa entre países, mostrou que não apenas o Brasil ficou em último lugar, como apontou algo incrível: “As crianças que vêm da elite brasileira entendem menos o que está escrito no papel do que os filhos de operários em países da Europa”. Isso torna evidente que a questão da escolaridade, em nosso País, está mal resolvida.

A sociedade brasileira desperta lentamente para a importância da educação. É preciso, pois, avançar nesse terreno e aperfeiçoar a visão docente sobre a necessidade de mudança. Apoiado nesse pressuposto, Giannetti propõe um exame nacional unificado, no final do ensino fundamental. Propõe uma avaliação que mostre que quem passou por esse processo educacional demonstre que adquiriu habilidades e capacidades associadas a este grau de ensino.

O estudante não terá o ensino fundamental completo, simplesmente por ter cumprido os anos determinados por esse ensino. Ele o terá se passar num exame nacional, que vai testar se adquiriu as competências educacionais próprias desse grau.

É um processo semelhante ao exame da Ordem dos Advogados do Brasil. O formando não se torna advogado se não for aprovado no exame da Ordem. Assim, não terá ensino fundamental completo o aluno que não passar no exame.

Pondera Giannetti que o exame vai dar uma indicação da qualidade do ensino, mostrar onde estão as deficiências e por onde começar sua correção. Será um termômetro, fornecendo informações, incentivando as escolas a cumprirem bem o seu papel de ensinar e os alunos a se dedicarem ao estudo, visando sua aprovação no exame.

O exame será um credencial para os concluintes do ensino fundamental na hora de se conseguir um bom emprego. Comprova o grau acadêmico correspondente ao curso. A sociedade terá informações para saber se o aluno, em sua formação, adquiriu as qualificações próprias desse grau escolar.

Os estudantes que não passarem no exame deverão ter toda oportunidade de voltar a estudar, deverá ser criado algum tipo de curso extra, uma reforçada preparação e novas chances de participar dos próximos exames.

Para que não haja esfacelamento de provas, Giannetti propõe acabar com todos os demais exames oficiais – Neb, Prova Brasil –,  ficando apenas esse, de final de curso.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em novembro/2006)

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS DE 1.ª À 4.ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL

Izabel  Sadalla Grispino *

Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental se dividem em Parâmetros de 1.ª à 4.ª série e de 5.ª à 8.ª série. Os de 1.ª à 4.ª série são uma coleção de 10 livros, enviados às escolas no final de 1997.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais de 1.ª à 4.ª série cobrem as matérias obrigatórias dessas séries, o núcleo comum, para língua portuguesa, matemática, ciências, história, geografia, artes e educação física. Trazem roteiros de que deve, de como deve e para que ensinar aos alunos de 1.ª à 4.ª série. Propõem que os conteúdos das disciplinas se aproximem do dia-a-dia da vida dos alunos, que haja correspondência entre o que o professor fala em sala de aula e o que o aluno faz lá fora. O trabalho escolar não pode estar desvinculado da vida do aluno e deve ressaltar problemas cotidianos. A realidade vivida pelo aluno deve servir de ponte entre o dizer e o fazer, deve unir o currículo formal e o currículo oculto.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais trabalham o aluno como um todo, em sua formação integral, de tal modo que informação e formação caminhem em movimento circular. Dedicam amplo espaço aos chamados temas transversais – sexualidade, droga, saúde, valores morais, sociais e outros – que devem permear as matérias do currículo e ser incorporados à prática, em sala de aula, sempre que a dinâmica da classe comportar.

Os Parâmetros entrelaçam as matérias obrigatórias com educação, sociedade, escola e cidadania. Reforça a importância da ética – ética democrática que afasta a arraigada cultura autoritária – da formação moral, do convívio escolar – na ação de um perante o outro – da participação e co-responsabilidade pela vida social. Há um extenso capítulo: convívio social e ética, cidadania, ética e pluralidade cultural.

Sensibilidade, respeito, coerência e idoneidade são qualidades que se adquirem em casa, mas que a escola ajuda a desenvolver. Respeito é um valor pedindo socorro! Diferentemente do passado, quando o respeito dos filhos pelos pais fundamentava o comportamento respeitoso, hoje, o que impera é o cinismo, o deboche, a agressividade. A criança precisa aprender desde cedo que, quando seu comportamento interferir na vida do outro, ela deve colocar, acima de tudo, o seu compromisso com a ética.

Os Parâmetros oferecem, dentro do processo de construção do conhecimento, formas de estimular e de avaliar os alunos. Propõem uma avaliação ampla, investigativa e final, onde se consideram os aspectos conceituais, procedimentais e atitudinais. Eles ampliam o papel do professor e reforçam a importância do trabalho coletivo. O ensino-aprendizagem deve fazer do aluno um ser pensante, criativo, essencialmente crítico, deve proporcionar-lhe oportunidades de “aprender a aprender” e se tornar um cidadão.

PLURALIDADE CULTURAL – Pluralidade cultural é um tema que vem sendo considerado como de grande importância à aprendizagem. Ele conscientiza o aluno dos valores diferenciados do homem. A diversidade cultural é um patrimônio da humanidade, uma forma de afirmação étnica e da cidadania. Deve ser explorada pelo professor, porque é na compreensão dessa pluralidade que se mantém o respeito mútuo, o respeito aos valores alheios, que se criam sentimentos de tolerância. Num País como o Brasil, com seu quadro sociológico composto da multiplicidade étnica e cultural, não há lugar para a uniformização. A uniformização leva à discriminação, ao preconceito, ao racismo, à anulação de povos e de grupos minoritários.

“Pluralidade cultural” propõe amplo estudo das religiões, não como ensino religioso em si, mas como parte da cultura, da história, da arte dos povos. O documento insiste no caráter laico do Estado e na necessidade de laicidade do ensino público para se garantir o livre-arbítrio e os valores das diferentes religiões. Esse item reforça conceitos apregoados pela renomada educadora Emília Ferrero, quando registrou a importância das diferentes culturas, do multilingüismo, das variações dialetais, variações da fala, no processo ensino-aprendizagem. A escola, ao respeitar a cultura dos alunos, seus costumes, suas tradições, promove a idéia de plural da sociedade, estimula e dá autenticidade à aprendizagem. Utilizar-se do plural para diversificar, não para unificar.

Os modelos educacionais mudaram nas últimas décadas. Deixando de lado a ênfase na memorização, as escolas passaram a adotar propostas pedagógicas destinadas a dar mais autonomia aos alunos na aprendizagem, a torná-los pessoas com maior compreensão de seu cotidiano, mais capazes de tomar decisões e mais aptos ao convívio social. Esses procedimentos são, hoje, as principais tendências do ensino, que deverão se consolidar na próxima década.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2000)

UM PARALELO ENTRE O ENSINO OFICIAL E O ENSINO PRIVADO

Izabel Sadalla Grispino *

Pesquisa da Unesco, sobre o ensino médio, em 13 capitais brasileiras, mostrou o desinteresse dos alunos pelo aprendizado da escola. Mostrou sonhos diferenciados ente alunos de classe abastada e de classe pobre. Alunos de escola particular estão preocupados com o vestibular e os da escola pública, em arrumar emprego ao terminar o ensino médio.

Os alunos da escola pública estão em desvantagem na aprendizagem, especialmente no que se refere ao acesso à informática, ao uso de laboratórios e às atividades extracurriculares. A grande maioria não tem computador em casa. Nas escolas públicas 76% não usam computador em classe, na particular apenas 14%.

O livro “Ensino Médio: Múltiplas Vozes”, lançado em abril de 2003, coordenado pelos pesquisadores da Unesco Miriam Abramovay e Mary Garcia Castro, traz um retrato do ensino médio. Foram entrevistados mais de 7 mil professores e 50.740 alunos de 673 escolas públicas e privadas em 2001. Um dado triste e que revela falta de auto-estima é o fato de os alunos mostrarem tendência a se culpar pelo fracasso na escola. Os professores, também, atribuem ao desinteresse do aluno os maus resultados obtidos. Em São Paulo, os professores disseram que 71% dos problemas da escola são o desinteresse dos alunos e a maioria dos alunos, 57%, concordou.

A pesquisa revela que para os professores a repetência está simplesmente ligada a causas externas à escola, como família e condições socioeconômicas. Não há, entre eles, um questionamento sobre as falhas do sistema, ou a ausência de um ensino de qualidade, capaz de atrair e motivar o aluno. A repetência é grande, metade dos alunos já foi reprovada pelo menos uma vez nas escolas públicas. Nas particulares, o percentual fica em 25%. A reprovação é maior entre os estudantes do período noturno, 65%, do diurno, 40%. Entre a escola pública e a particular, a pública registra uma porcentagem bem maior de repetência: 43% por 19%.

Quanto à infra-estrutura, a escola pública perde de longe das privadas. Os alunos da escola pública ressentem-se da falta de um centro de informática, de laboratórios e de mais computadores. Os alunos das escolas particulares pedem mais liberdade, mais atividades extraclasses e mais esporte, reivindicando mais espaço. Segundo o relatório da pesquisa, numa escala de 0 a 10, os alunos das escolas públicas deram notas entre 4,7 e 6,3 para as salas de aula e os das escolas particulares, entre 6,4 e 7,8.

Uma grande ausência das escolas públicas é o computador. Dados do Ministério de 2003 mostram que o número de computadores nas escolas públicas é bem inferior ao das escolas  particulares. Se essa distância for mantida, a informatização das escolas públicas pode demorar 40 anos para terminar. Segundo o MEC, para que todas as escolas tenham uma média de um computador para cada 50 estudantes, são necessárias 800 mil máquinas. A rede pública recebeu apenas 42 mil computadores.

Entre 1999 e 2002, a quantidade de micros no ensino público subiu de 111.986 para 226.986. O setor privado, com muito menos alunos, as máquinas passaram de 184.371 para 263.001. Temos 179.935 escolas públicas e 34.258 estabelecimentos particulares. Na rede pública, o percentual das escolas que contam com computadores subiu de 13% (25.705) para apenas 23% (42.488) nos últimos três anos. Nas escolas particulares, a relação cresceu de 60% (17.735) para 70% (24.008) no mesmo período.

As escolas públicas estão ainda em defasagem bem maior no que se refere à disponibilidade de acesso à Internet. O número de escolas públicas, onde se pode usar a rede, em 1999, era de 1,3% (2.528) e em 2002, 8,2% (14.773). No ensino particular, os estabelecimentos com conexão à Internet subiram de 17% (5.157) em 1999 para 32% (13.320) em 2002. Essa defasagem será de difícil correção, estampando na rede oficial um ensino de baixa qualidade e uma fraca formação em informática. Como concorrer em igualdade de condições no mercado de trabalho, no ingresso ao ensino superior de uma boa faculdade?

Enquanto o setor privado forma cidadãos aptos a enfrentar os desafios que lhes vêm pela frente, o setor público vem formando não-cidadãos, fracassados por falta de conhecimento. O setor privado está bem próximo, segundo a pesquisa, de conseguir dar acesso à informática a todos os seus alunos; o ensino público coloca-se à margem, bem distante desse objetivo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2004)

O ANALFABETISMO RONDANDO A POLÍTICA

Izabel Sadalla Grispino *

Será que está havendo o despertar de uma nova aurora para o Brasil? Já sentimos um pipocar de consciência sobre as ramificações que exerce a educação em todos os setores da economia do País.

Passo a passo, medidas vêm surgindo na reabilitação da educação, na moralização de padrões de conhecimento para o exercício de cargos políticos. O Ministério Público Eleitoral (MPE) do Ceará, pressupondo a existência de candidatos analfabetos a prefeito, vice-prefeito e vereador, pediu à justiça a impugnação do registro de 826 candidatos, sendo mais da metade pela condição de analfabetos. Esses candidatos deveriam fazer um teste simples de conhecimento de leitura e escrita ou contestar o Ministério Público Eleitoral, apresentando um documento que comprovasse a escolaridade mínima exigida, qual seja o término do ensino fundamental. Na falta desse comprovante, haveria, ainda, a opção de redigir, de próprio punho, uma declaração provando que sabe escrever.

Tem ocorrido o absurdo da declaração do candidato não ser redigida por ele mesmo, quando a declaração não é feita na presença dos juízes eleitorais. Por isso, a importância do teste. O MPE apóia-se no artigo 14 da Constituição, que diz que analfabetos podem votar, mas não são elegíveis. O prazo para recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) vai até 4 de setembro e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 28 do mesmo mês.

Para as provas, não há um padrão a ser seguido. Elas são aplicadas em sessão pública e agendadas pelos juízes dos municípios. Pela jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o teste deve ser compatível com o ambiente cultural, social e econômico do município. Testes para comprovar se os candidatos sabem ler e escrever vêm sendo aplicados em diversos Estados, como Alagoas, Bahia, São Paulo, Paraná, Ceará, Mato Grosso do Sul, Piauí e Minas Gerais.

Em Aracati, no Ceará, a juíza eleitoral aplicou a prova em 18 dos 20 candidatos convocados. Eles tiveram que ler um trecho do livro infantil “O menino mágico”, de Rachel de Queirós. Dos 18 candidatos, 3 não conseguiram fazer a prova, alegando estar nervosos, e a juíza marcou-lhes outra data para um novo teste.

Em São Gabriel do Oeste (MS), 22 candidatos fizeram uma prova de uma hora, para escrever 20 palavras de um ditado, fazer as 4 operações matemáticas e interpretar um texto simples. Apenas metade foi aprovada, 11 reprovados, tendo alguns tirado nota zero. No ditado das palavras, houve erros chocantes como “demogracia (democracia) “senvergonhise” (sem-vergonhice). Na interpretação de texto, respostas sem nenhuma ligação com o texto e nas operações matemáticas, o absurdo de respostas como esta: 1.218+29 = 1.546.

A decisão de aplicar o teste dos juízes eleitorais tem amparo na resolução 21.606 do TSE, mas tem criado polêmica entre partidos, candidatos e especialistas em legislação. Argumentam ser o teste eletista, ridiculariza e humilha o candidato, ao invés de questionar o analfabetismo dos candidatos. Por que não apelar ao candidato que se prepare, que se alfabetize, antes de se candidatar? Como pode um prefeito, um vereador, exercer funções administrativas, legislativas, praticar uma infinidade de atos, sem saber o que assina? Como governar, legislar, representar a comunidade, sem um conhecimento mínimo de leitura e escrita, para exercer a função pública?

Há muito já se sabia da existência de políticos analfabetos. O diagnóstico era contundente, mas o problema parecia não apresentar solução, até que, finalmente, surgiu uma frente corajosa e passou a encarar a questão.

O povo se mira em seus governantes. Quem está no poder deve dar exemplo, estudar, aperfeiçoar-se, estimulando tal comportamento. “Educa-se bem mais pelo exemplo que pelas palavras”, já nos ensinava Rui Barbosa. O metalúrgico Vicentinho de Paula, prevendo a possibilidade de ascensão em cargos públicos, passou a abraçar os estudos, fazendo cursos supletivos, prestando vestibular e ingressando em uma universidade.

“Uma nação se faz de livros e de homens”, nos dizia Monteiro Lobato. Ao enunciar a frase, colocou livro antes de homem: primeiro estudar, estruturar-se no conhecimento, para depois enfrentar o cargo pretendido. Afinal, como atingir os objetivos, essenciais que sejam, sem desenvoltura lingüística? Sem a capacidade de interpretar atos, formular projetos, elaborar leis, tomar decisões importantes?

Esse teste para políticos analfabetos deve servir de alerta à Nação, afinal num País tão desigual, como o nosso, a baixa escolaridade da população só faz diminuir o nível de desenvolvimento social.O espelho deve refletir cultura e não ignorância. Só a educação é capaz de gerar novos e promissores avanços sociais.

Pelos poucos exemplos citados, das respostas ao teste, podemos constar a validade da existência dos mesmos, para candidatos que não comprovem a escolaridade mínima exigida. Acorda Brasil, comece a pôr os pingos nos “is”, a fazer os inconseqüentes se tocarem, se prepararem antes de aspirar funções de comando, de grande responsabilidade e de difícil mensuração das repercussões negativas. Esses políticos representarão a coletividade, responderão pelo patrimônio público, numa função altamente importante.

O espírito crítico, que nutre a sociedade, não pode ser anulado, tragado pela irresponsabilidade de alguns. Hoje, o sonho do brasileiro é exportar conhecimento, não apenas produtos in natura e de matéria-prima. Para tanto a educação é decisiva, a plenitude do desenvolvimento social e econômico só virá com ela. Os políticos devem dar exemplo!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2004)

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