Payday loans uk
  1. Skip to Menu
  2. Skip to Content
  3. Skip to Footer>

Artigos Educacionais

  • Previous
  • Next
  • Stop
  • Play

CURSOS PROFISSIONALIZANTES

Izabel Sadalla Grispino *

Hoje, dizemos que emprego e escolaridade andam juntos, especialmente se o ensino for profissionalizante. Escolaridade com qualidade, quanto maior, maior a facilidade de colocação. Se com ela a dificuldade de emprego existe, imaginem sem ela!

Os avanços nos setores da economia são contínuos. O tempo não pára e precisa de profissionais cada vez mais habilitados. Sob esse prisma, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) oferecem, com vantagens, cursos rápidos, atualizando o conhecimento, proporcionando a colocação no mercado de trabalho, e contam pontos se o certificado do pretendente for emitido por essas instituições.

Esses Sistemas fazem sondagens periódicas das carências ocupacionais de trabalhadores flexíveis. O Senai vem investindo em cursos modulares para uma profissionalização segmentada e contínua, onde o trabalhador entra em sua área de interesse e especializa-se aos poucos.

Nas telecomunicações, o Senai, por exemplo, forma especialistas em manutenção de equipamentos. No setor automobilístico, notou a exigência por profissionais que atuassem da mecânica à parte elétrica, passando por questões administrativas, como orçamentos e trato com os clientes e criou cursos a respeito.

Um outro dado marcante no mercado de trabalho é a possibilidade de mulheres encontrarem serviço em segmentos antes fechados a elas. Pela constatação do Senai, a área gráfica é um setor que está abrindo as portas para as mulheres, por seu poder de concentração e perspicácia visual. Assim, os cursos do Senai, onde se aprende tudo sobre impressão, os cursos de manutenção de computadores e o hotel-escola, que forma garçons e cozinheiros, englobam os dois sexos.

O setor de Alimentos incentiva, também, a entrada da mulher, sobretudo as formadas em confeitaria e salgado. Excluindo panificação e sorveteria, em que o aprendizado é com equipamentos industriais, os demais cursos de Alimentos do Senai dão chances a quem quer trabalhar por conta própria, abrindo o próprio negócio. São cursos práticos, que incluem no currículo a aprendizagem de detalhes como avaliação da matéria-prima, rendimento, diminuição de desperdício e custo-benefício.

Os cursos profissionalizantes, mesmo curtos, têm um custo, mas, segundo consta, de retorno rápido, logo nos primeiros meses de trabalho. Alunos dos cursos de cabeleireiro, depilador, cozinheiro e garçom têm, praticamente, suas vagas garantidas, mesmo antes de se formarem, confirma o assessor técnico de educação do Senac, Francisco Cordão. Os pretendentes aos cursos profissionalizantes têm uma gama a escolher, de acordo com suas preferências, seus gostos e obter assim mais facilmente o sucesso.

O curso Noções de Mecânica está sento bastante procurado. Ajuda a conquistar vaga como operadora de telemarketing, em montadoras de carros, seguradoras e prestadoras de socorro mecânico. Esse mesmo curso, aliado a outros dois módulos – Motor Automotivo e Sistema de Alimentação – feito em 3 semanas, em período integral ou em 2 meses no período noturno,  forma  para  atuar em oficinas mecânicas. O aluno poderá estender a formação, reunindo Noções de Mecânica, Supervisão e Freio para trabalhar no balcão de distribuidoras de autopeças e ganhar à base de comissão de vendas.

Ultimamente, tem, inclusive, aumentado a preferência dos empregadores da área automobilística por mulheres. Um outro curso que vem empregando mulheres é o de Controlador Lógico Programável, de 40 horas, e capacita a atuar na linha de montagem de circuitos eletrônicos, num trabalho superminucioso.

Outros cursos são oferecidos, como o básico de Informática do Senai, com 72 horas e Windows,  Word e Excel no currículo. Com este certificado, o profssional está apto ao curso de Web Designer de 50 horas, com emprego inicial em torno de mil reais.

O interessante do Senai e do Senac é a sua ligação com o empresariado, permitindo-lhes manter quadros permanentes com ofertas de emprego. Há cursos, em áreas que vão de mecânica de automóveis à indústria de turismo, oferecidos gratuitamente.

Existem parcerias entre essas duas instituições, Senai e Senac, com a Secretaria do Estado da Educação em cursos profissionalizantes. Pelo Programa Profissão, o governo adquiri vagas do Senac, Senai, Centro Paula Souza e Escola Técnica Federal. Por esse Programa, o jovem continua estudando, consegue um bom emprego, podendo, depois, cursar uma faculdade. Os alunos inscrevem-se nas escolas onde estudam e o critério de seleção tem sido a assiduidade às aulas durante o ensino médio.

Neste ano de 2002, um outro projeto da Secretaria da Educação passou a oferecer 9 mil vagas de estágios nas próprias escolas da rede. São escolhidos três alunos que cursam o ensino médio em cada escola para trabalharem como monitores nos laboratórios de informática e recebem meio salário mínimo.

Senai e Senac são instituições de ensino profissionalizantes que fazem a diferença.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em outubro/2002)

PARÂMETROS DE QUALIDADE

Izabel Sadalla Grispino *

O Estado de São Paulo, por sua Secretaria Estadual da Educação, realiza mudanças no seu sistema de ensino. Iniciou, em maio p.p., com um novo sistema de avaliação. Todas as escolas da rede estadual passaram a adotar um mesmo padrão de médias bimestrais, com notas em números inteiros que vão de zero a 10. Os valores decimais são arredondados para cima. A proposição foi mudar a avaliação da progressão continuada, do ensino fundamental, que passou a ser de cada 2 anos e não mais de 4.

Recentemente, um mês depois, em junho, a Secretaria montou um esquema de controle de qualidade de ensino: a partir de 2008, o ensino médio receberá um material didático, elaborado pelo Estado, para cada uma de suas séries. Após essa primeira etapa, a Secretaria fará o material para o ensino fundamental, de 5.ª à 8.ª série; uma versão para professores e outra para alunos. Para a 1.ª à 4.ª série, o Estado vai utilizar o material já produzido pela Prefeitura de São Paulo, com seu enfoque em leitura e escrita.

Essas preparações fazem parte do projeto intitulado “Percurso de Aprendizagem”. O objetivo do projeto é delinear o conteúdo mínimo que os alunos das escolas públicas devem aprender, conteúdo que será cobrado em exames, como no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), avaliação externa à escola que visa aferir o rendimento escolar da rede pública de ensino.

Os materiais didáticos têm como suporte os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), elaborados pelo Ministério da Educação (MEC) no fim dos anos 90. Os Parâmetros foram criados para servir de referência, de orientação, à elaboração de currículos às escolas públicas e privadas do País.Fornecem recomendações gerais para as disciplinas, enfatizam a ministração do conteúdo, sem fim em si mesmo, trabalhado por meio do desenvolvimento das competências e das habilidades dos alunos.

Os materiais elaborados pelo Estado abordam áreas de estudos semelhantes às dos Parâmetros. Não são divididos em disciplinas e sim em três grandes áreas: Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, que incluem matemática, física, química e biologia; Ciências Humanas e suas Tecnologias – história, geografia, sociologia e filosofia; e Linguagens, Códigos e suas Tecnologias – língua portuguesa e literatura, artes, educação física, língua estrangeira.

Esses materiais serão como guias e trarão síntese de conteúdos, indicações bibliográficas, recomendações de estudos e exercícios. Segundo a Secretaria, eles não substituirão o livro didático. Diferentemente dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), o material, elaborado pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, vai além das recomendações gerais para as disciplinas, vai conferir, posteriormente, em avaliações, sua aplicabilidade.

O professor deverá fazer uma adequação do livro didático ao novo material, processo, hoje, nada fácil ao professor. Buscam-se caminhos revigoradores do processo ensino-aprendizagem, mas essas inovações cairão em terreno fértil, adubado para a nova colheita?

Continua-se o processo de reformar a casa pelo teto, deixando as paredes trincadas, o alicerce abalado!

* Supervisora de ensino aposentada.     
(Publicado em agosto/2007)

CICLO BÁSICO NOS CURSOS SUPERIORES

Izabel Sadalla Grispino *

Como parte da reforma universitária, o Ministério da Educação (MEC) propõe a criação do ciclo básico de 2 anos para os cursos superiores. Um ciclo comum, freqüentado pelos alunos, com um grupo de disciplinas mais genérico, antes da oferta dos conteúdos específicos de cada curso. O aluno terá uma melhor formação geral, um tempo maior para definir com mais segurança a carreira a seguir. Irá exercitar melhor suas aptidões, informar-se com mais tempo sobre o mundo do trabalho e fazer a escolha de sua profissão com mais maturidade.

A idéia do ciclo básico vem sendo bem recebida pelos educadores que entendem ser a medida portadora de uma formação mais ampla aos estudantes, permite uma maior flexibilidade na troca de cursos e evita a especialização excessiva, que limita a formação.

A nova LDB da Educação substitui, no currículo, padronização por flexibilização. A reforma do ensino adota currículos que se norteiam pela interdisciplinaridade -- interligando as diversas áreas do saber – e pela contextualização. A interdisciplinaridade promoverá ao aluno uma formação mais ampla, um conhecimento globalizado do assunto. Na universidade, corrige distorções do ensino superior e da especialização prematura dos cursos de graduação, realizados em departamentos, e cursos desintegrados dos demais. A interdisciplinaridade, aliada às diretrizes curriculares básicas comuns a todos os cursos, levará a especialização para os últimos anos, favorecendo ao aluno uma escolha posterior, com mais convicção.

O ciclo básico retoma noções de universidade, afirmam os educadores. O foco deixa de estar no curso e passa à universidade. Os primeiros anos de graduação agruparão estudantes de cursos com demandas diferentes em atividades inter e multidisciplinares. Os cursos serão interligados e as disciplinas básicas oferecidas conjuntamente.

Essa iniciativa do ciclo básico já existe em algumas universidades brasileiras, como a Universidade de São Paulo (USP), que, já há algum tempo, mudou o currículo da Escola Politécnica e do curso de Letras. Para que o ciclo básico seja bem aplicado é preciso que conte com professores bem formados, treinados, com visão global das disciplinas. O que se espera é que não venham a se tornar uma forma de economia, especialmente para as instituições privadas de ensino. Que ele represente o alargamento das fronteiras do conhecimento, hoje tão necessário.

O ciclo básico exige, para tal, um currículo bem entrosado e professores qualificados. Esse processo reforça a idéia de reforma na estrutura administrativa do ensino superior, da divisão das universidades em departamentos. O que se pretende é acabar com as antigas cátedras, agrupar os professores em órgãos colegiados por afinidade de conteúdo de suas disciplinas. Essa medida começou a ser implantada há pouco mais de três décadas pelo regime militar, mas por razões oportunistas e burocráticas não foi levada adiante.

O ciclo básico envolvendo disciplinas comuns torna-se refratário à segmentação do ensino em cursos, departamentos e faculdades que não se comunicam entre si. A sua aplicação talvez comece por áreas afins. Com sua adoção, o estudante poderia fazer o vestibular para um conjunto de áreas, sem escolher antecipadamente uma. Essa escolha ocorreria a partir do 3.º ano.

A idéia do ciclo básico no ensino superior injeta princípios inovadores na universidade. Na licenciatura, poderá melhor preparar o professor para encarar as mudanças implementadas pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), melhor entender o ciclo básico na progressão continuada do ensino fundamental. O que precisamos é de avanço na educação. É lamentável abrir o jornal e deparar com o resultado de uma avaliação do ensino médio, revelando que “a escola brasileira ensina menos que o mínimo”.

O Sistema de Avaliação do Ensino Médio (Saeb) divulgou, em 16 de junho corrente, um resultado demonstrando que, depois de três anos em queda progressiva, o ensino não avançou praticamente nada. Revelou, segundo o MEC, uma pequena tendência de melhora, que se pode dizer ser meramente estatística. Na realidade, não se percebe nenhuma mudança na qualidade de ensino, ensino que não consegue ir além do mínimo. Metade dos alunos não sabe nem português, nem matemática. Mostrou uma situação muito grave na 3.ª série do ensino médio, onde de cada 10 alunos 7 apresentam um nível de conhecimento considerado “muito crítico”. Na 4.ª série do ensino fundamental, 5 entre 10 alunos não dominam as quatro operações aritméticas e não conseguem ler e compreender textos simples e curtos. São crianças consideradas alfabetizadas, mas que não passam de analfabetas funcionais.

Revelou, também, que nem os alunos de colégios particulares chegam, na maior parte dos Estados, a atingir a média considerada adequada para as séries avaliadas. Constatou-se que o ensino público está ruim e que o ensino privado, salvo exceções, está longe do ideal. Os alunos terminam o curso sabendo bem  menos  do que deveriam. Embora as condições de ensino, na escola particular, sejam melhores, com recursos disponíveis superiores, o ensino fica a desejar. Esses alunos demonstraram um desempenho medíocre.

O presidente do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep) – Eliezer Pacheco – considerou que “a causa principal do nível insatisfatório dessas escolas está na formação dos professores, que não é adequada, o que acaba influenciando, também, no ensino privado”.

O Saeb mostrou a importância da formação dos professores. Quando o profissional tem apenas o ensino médio, a pontuação média dos alunos fica em 157 pontos. Se a formação é superior, a média dos alunos chega a 172 pontos. Mas, no geral, o que se constata é uma formação insuficiente, necessitada de reforço em conteúdo acadêmico e em metodologia.

Espera-se que, com a criação do ciclo básico de 2 anos, o ensino superior traga renovações, conteúdo abrangente e ensine o professor a trabalhar com métodos atualizados, interdisciplinares, revertendo a tendência tradicional que ainda persiste.

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em junho/2004)

ESCOLAS, PEQUENAS ILHAS DE EXCELÊNCIA

Izabel Sadalla Grispino *

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) leva em consideração dois fatores que interferem na qualidade de ensino: o rendimento escolar, por meio das taxas de aprovação, reprovação e abandono, e as médias de desempenho dos alunos nas avaliações nacionais – Saeb e Prova Brasil. A combinação entre o fluxo e a aprendizagem resulta em uma média para cada Estado, município, escola e País, que varia numa escala de 0 a 10.

Países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), para qualidade de ensino, consideram como índice médio o igual ou maior que 6,0. De um total de mais de 55 mil escolas, apenas 160, de acordo com a classificação do Ministério da Educação (MEC), ou seja, apenas 0,2% das escolas públicas brasileiras chega a este índice.

A comparação com nações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é possível, levando em conta a participação em avaliações internacionais, como o Pisa – que mede conhecimentos de leitura, matemática e ciências, e a criação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que considera o desempenho dos alunos na Prova Brasil, exame realizado por todas as crianças de 4.ª à 8.ª série do País, e o Sistema de Avaliação Básica (Saeb), feito por amostragem.

A média dos países da OCDE é de 6,0 (a Holanda ficou com Ideb 7,0 e o Reino Unido, com 6,5), valor que também foi considerado como meta a ser atingida pelo Brasil até 2021. Hoje, o Ideb médio nacional é de 3,8 nas séries iniciais do ensino fundamental.

Contudo, nem todas as escolas ou municípios, segundo o MEC, precisam de ter esse valor de índice. Cada escola tem uma meta diferente para 2021, de acordo com seu desenvolvimento. Mesmo escolas que tenham passado da média 6,0, hoje, terão de melhorar. O Ideb vai de 0 a 10.

Como sói acontecer, pouquíssimas escolas brasileiras atingiram a média 6,0 e, excepcionalmente, uma escola chegou a suplantar países com educação de excelência, como a Coréia do Sul e a Finlândia. A escola Professora Guiomar Gonçalves Neves, em Trajanos de Morais, no Estado do Rio de Janeiro, teve Ideb 8,5, o melhor índice do País.

Uma outra escola, municipal, Helena Borsetti, na cidade de Matão, interior do Estado de São Paulo, teve Ideb superior ao projetado para a Holanda, 7,8. Ficou classificada como a 3.ª do ranking das melhores do Brasil e a mis bem colocada de São Paulo. Uma escola que reflete a comunidade e o ambiente locais.

É na verdade muito pouco, mas é algo a se considerar, a se ir buscar como fonte, como elixir da boa aprendizagem. São escolas que vivem a sua realidade, que criam, da relação dos alunos com seu meio, estímulos para o aprender.

A escola de Matão está situada na zona rural e tem seu currículo adaptado às crianças desse meio, incorporando noções de agricultura e pesquisas da realidade vivida pelos alunos.

Firma-se, cada vez mais, o conceito de escola inserida em seu meio. Os rankings mostram que as escolas do interior do Brasil são as mais bem colocadas, quando se fala das séries iniciais do ensino fundamental. São escolas que têm um trabalho mais próximo da comunidade, comunidade que valoriza a atuação do professor, a sua atitude em sala de aula

Dentre as 55.967 escolas que fazem parte do índice, apenas, 0,01%, ou seja, 9 delas, tem Ideb, como a de Matão. Outras 33 unidades de ensino, o que representa 0,05% do total, chegam a 6,5 e se equiparam ao Reino Unido.

É ponto significativo, mas é ponto mínimo. Daria para dizer: “Vá em frente, sacode a poeira e dá a volta por cima”?

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2007)

UMA PARADA PARA MEDITAR

Izabel Sadalla Grispino *

A situação precária em que o Brasil se encontra no terreno educacional vem de décadas e se acentuando com o passar do tempo. Não é falta de alerta, não são vozes isoladas que se manifestam, mas a seriedade norteadora de ações governamentais, fortes e abrangentes, continua diminuta.

São análises internas que se encontram e se completam nas análises de organismos externos. O quadro que se apresenta da educação brasileira é desolador, deprimente, revelam-nos recentes pesquisas do Pnad e da Unesco. A que ponto chegou o tão conceituado magistério do passado! E pensar que se fala em desenvolvimento, em crescimento da economia, como se o Brasil tivesse se pautando por princípios sustentadores dessa evolução!

O ponto forte de todo desenvolvimento, ninguém hoje ignora, é um povo qualificado, portador de ferramentas educacionais consistentes; é a formação escolar das novas gerações, gerações estas, que, no País, não estão sendo educadas para enfrentar o mercado de trabalho do amanhã.

A pesquisa que o IBGE acaba de divulgar, abril de 2006, sobre dados relativos a 2004 do Plano Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad), mostra a ineficiência do nosso sistema educacional. Ineficiência que recai sobre a população brasileira, apresentando uma larga margem de analfabetos e analfabetos funcionais.

De acordo com a pesquisa, um quarto da população com idade igual ou superior a 15 anos tinha menos de 4 anos completos de estudo, em 2004. São pessoas que só sabem escrever o nome e têm dificuldade em operações matemáticas, em ler manuais de instrução. São os chamados analfabetos funcionais.

Revela a pesquisa que jovens na faixa etária entre 18 e 24 anos, idade em que deveriam cursar uma faculdade, 58,5% continuam no ensino fundamental ou no ensino médio. Com relação à população adulta, pessoas com 25 anos ou mais, a situação piora. Em 2004, 27,9% tinham, no máximo, 3 anos de estudo e só 7,8% haviam concluído 15 anos ou mais de escolaridade.

O Norte e o Nordeste apresentam maiores ineficiências que o Sudeste. No Norte, os analfabetos funcionais correspondiam a 29,1% da população com mais de 15 anos, em 2004. No Nordeste, a proporção era de 37,6%, contra 18,1% do Sudeste e 13,6% na região metropolitana de São Paulo, a mais industrializada do País.

No País, o tempo médio para a conclusão do ensino fundamental é de 9,9 anos, porém, em 6 dos 9 Estados do Nordeste, ele é de 11 anos ou mais, contra 8,7 anos em São Paulo. Constata-se, ainda, que no Nordeste 73,2% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos ainda cursavam o ensino fundamental ou médio, em 2004, e só 16,4% estavam matriculados no ensino superior. No Sudeste, a proporção chegava a 43,7%.

Como pensar num País gigante com uma geração de jovens tão despreparada? Com esse penoso cenário da educação brasileira e sua má qualidade de ensino, fica evidente o tamanho do desafio que o País enfrenta, quer na inclusão, em termos de escolaridade, quer no avanço profissional.

Para reforçar e comprovar a nossa ineficiência educacional, o relatório “Educação para Todos 2006 – Professores  e Educação de Qualidade”, lançado em 25 de abril de 2006 pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, mostra que o Brasil é, na América Latina, um dos países com menor grau de formação de seus professores.

Segundo o relatório, os professores de 1.ª à 4.ª série (92%) têm apenas o magistério, definido pela Unesco como ensino médio completo, mais 1 ou 2 anos de estudo. Apenas Nicarágua e Panamá, entre os países da América Latina, estão na mesma situação que o Brasil. A Argentina tem 67% dos seus professores do primário com ensino superior; o Chile, 92%.

Embora a qualificação dos professores vem crescendo, a pesquisa coloca o País junto com a Indonésia e Egito, países que precisam de um grande esforço para garantir que os professores primários tenham ensino superior.

O Brasil continua entre os países com maiores taxas de repetência do mundo, 21%, igual à da Eritréia e Moçambique, maior que a de Ruanda e Lesoto. “A repetência reflete más condições de ensino e aprendizagem e aumenta a pressão sobre os professores e sobre os recursos nacionais”, diz o relatório.

Dar uma boa formação aos professores para melhorar o nível de ensino continua sendo uma batalha nacional. O Brasil vai precisar de mais 396 mil professores até 2015 para manter o atendimento no ensino básico, para assegurar a universalização. O que se constata é que o número de alunos no ensino básico vem diminuindo, assim como a quantidade de crianças em idade escolar, por causa da queda da mortalidade.

Quanto ao salário dos professores, encontramos problemas, embora, quando comparado com outros 11 países da América Latina e Caribe, que têm dados nacionais, o Brasil não está mal, mas perde de longe para o México, país que tem economia semelhante à nossa.

O relatório da Unesco conclui que os professores são poucos, ganham pouco e sabem pouco. Esse relatório é um estudo comparativo sobre a qualidade de ensino e as necessidades globais, que se enfrentarão até 2015. Dos 142 países avaliados, o Brasil está entre os que apresentam os piores resultados, abaixo do Haiti, tido como a nação mais atrasada das Américas.

A distância do preparo que necessitam as novas gerações, para colocar o País em condições de vencer, é muito grande, tornando-se, a cada passo, mais complexas!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2006)

O QUE SIGNIFICA ALFABETIZAR?

Izabel Sadalla Grispino *

Em 2002, o Instituto Paulo Montenegro, entidade ligada ao grupo Ibope que se dedica a projetos sociais na área de educação, em parceria com a organização não-governamental Ação Educativa, divulgou dados de uma pesquisa sobre o alfabetismo. Só 26% dos brasileiros, entre 15 e 64 anos, dominam bem a leitura e a escrita. Outros 65% são alfabetizados, mas têm deficiências nas habilidades de leitura e de escrita e 9% da população são completamente analfabetos. Quadro nada abonador, visto que, num total de 100%, apenas 26% têm um bom domínio de leitura e escrita.

Foram entrevistados e avaliados duas mil pessoas em todo o País, amostragem com representatividade nacional. A idéia é fazer pesquisas a cada ano, para avaliar a evolução da alfabetização.

Os dados compõem o 1.º Indicador de Alfabetismo Funcional do País. A pesquisa dividiu o alfabetismo em três níveis:

Nível 1 – quem só consegue ler textos muito curtos, como títulos ou anúncios;

Nível 2 – inclui essa habilidade e a capacidade de compreender textos maiores, como uma reportagem pequena de jornal;

Nível 3 – o indivíduo domina a leitura de textos longos.

O ensino fundamental deveria proporcionar ao educando condição a que ele dominasse as habilidades de escrita e leitura e se enquadrasse no nível 3. Contudo, a pesquisa revelou que apenas 42% das pessoas com ensino fundamental completo ou ensino médio incompleto dominam escrita e leitura. O restante, 13%, se enquadra no alfabetismo nível 1 e 44% no nível 2.

Na aplicação dos testes, os pesquisadores elaboraram uma revista para a pesquisa. Dentre as tarefas, uma das mais simples era identificar, em um anúncio, a data de início de uma campanha de vacinação. Numa tarefa mais difícil, a pessoa tinha de saber consultar a programação de filmes na TV. A avaliação da pesquisa revela que quem está no nível 1 ou no nível 2 é analfabeto funcional. São pessoas que usam o que sabem no dia-a-dia, conseguem acompanhar a leitura de um texto simples ou ler um pequeno recado. Porém, o uso das habilidades fica muito restrito em algumas situações, comprometendo o grau mínimo que a pessoa precisa ter, para continuar se aprimorando.

A grande lição que tiramos desta pesquisa é de que não basta erradicar o analfabetismo. É preciso avançar o olhar sobre a alfabetização, trabalhar as habilidades reais dos estudantes e investir na correção das deficiências. O importante não é apenas freqüentar uma escola; é sair dela com qualificação suficiente para enfrentar as condições de vida e de trabalho, para o aluno aprender a usar o que sabe nas situações do cotidiano, na resolução de problemas. Alfabetizar não é só ensinar a ler, a escrever, a contar. É desenvolver a habilidade de pensar, de raciocinar, de criticar, é levar o aluno a uma leitura de mundo, com sua interpretação e sua participação efetiva. Essa leitura se faz pela palavra, por isso o professor deve aperfeiçoar no aluno a comunicação, definir as habilidades que espera ver definidas, privilegiar a interpretação e o raciocínio.

Essa pesquisa sobre alfabetismo explica o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), aplicado em adolescentes de 15 anos de 32 países, trazido ao conhecimento do público no início de 2002. O Brasil ficou em último lugar, em leitura e interpretação de texto, e, também, em matemática e Ciências. Os alunos brasileiros mostraram que não entendem o que lêem.

O que conta não é a quantidade de alunos que freqüenta a escola, mas a qualidade dos formados que dela saem. É a baixa qualidade do ensino público que gera a quantidade de analfabetos funcionais, a grande responsável pela exclusão social.

No meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), na pág. 276, eu digo: “A escola precisa reservar em sua organização curricular, em seu projeto pedagógico, um lugar especial para a leitura, para a literatura... Criar, inovar formas de tratar o texto literário. Idealizar espaços para a leitura, enriquecer o acervo de sua biblioteca, com variedade de textos que sejam representativos das diferentes faixas etárias e da cultura heterogênea de nosso povo. Emprestar os livros não só para os alunos, mas também para seus pais e para toda a comunidade, melhorando o seu ambiente, elevando o grau de cultura geral”. Essa leitura deve ser assistida pelo professor, acompanhada de interpretação, de reflexão, sobre o texto lido. A leitura é parte integrante do processo de alfabetização.

Consideramos a alfabetização como um processo no qual o indivíduo não só aprende como aprende a aprender, aprende a pensar. É como se diz: “Ser camelô de badulaque é fácil”. O difícil é o trabalho sistematizado, a aprendizagem cumulativa, adquirida ao longo do tempo. Há um tempo de maturação para se chegar a um estilo, a uma mudança de comportamento.

Haverá verdadeira mudança na estrada da educação, quando o professor se conscientizar da humanização, da individualização, no processo de ensino-aprendizagem. Guardo na memória um pensamento que vem de encontro ao meu conceito de educação: “O professor não deve considerar o aluno apenas como aprendiz de textos, mas, principalmente, como a pessoa que precisa aprender também a conviver melhor consigo mesma e com seus semelhantes, aprender a descobrir nos textos que lê a mensagem de vida que freqüentemente se encontra encoberta”.

O mestre deve ser a pessoa que ajuda seus alunos a desvendarem os caminhos de suas existências, dentro da fisicamente pequena, mas, vivencialmente, do imenso espaço de uma sala de aula.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2005)

O SÉCULO XXI REENCONTRANDO DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A volta calorosa do confronto entre racionalidade e crença, comentada no artigo anterior, despertou-me curiosidade. Pesquisas a respeito trouxeram-me ajuda e apraz-me dividi-la com vocês, prezados leitores.

No passado, cada descoberta da ciência parecia constituir-se em derrota para a Igreja, em suas teorias fundamentais, que sempre colocou Deus na origem de todas as coisas, do universo. Era o confronto do método experimental da razão com a fé. As leis da evolução tornariam a gênese, o bigue-bangue, a história de Adão e Eva ficções. Parecia que o Iluminismo triunfaria sobre a Revelação, contida na Bíblia. O fulcro da questão ficava entre fé e razão.

Em 1991, surge o livro “Dieu et la Science”, escrito pelo filósofo cristão Jean Guitton, em parceria com os irmãos Bogdanov, que contém toda uma tradição cientificista. Neste livro, eles mostram que a fé não é inimiga da razão e que os resultados das pesquisas mais atuais sobre a história do universo e da vida não são contrários aos ensinamentos das grandes religiões.

Os avanços da ciência, nas descobertas sobre a origem das coisas ou da vida, esbarram-se com significativos limites. Quanto mais se esclarecem alguns mistérios, outros vão ganhando forças. Já se repete a frase: “Nos avanços da ciência, a sombra de Deus”. Constata-se que a razão não consegue esclarecer tudo. Num determinado ponto, a sombra de Deus começa a pairar. Telescópio, microscópio, longe de derrotar a presença de um Deus, parece ainda mais fortificá-lo.

Albert Einstein, que chegara a reduzir os fenômenos do cosmo a uma equação, assombrou o mundo ao admitir que “algo existe atrás da matéria”. O grande cientista Louis Pasteur (século XIX) lançou uma interrogação instigante: “Podemos ainda dizer que se um pouco de ciência nos afasta de Deus, muita ciência nos reconduz a Ele?”.

Nos Estados Unidos, uma organização composta por inúmeros cientistas, que se utiliza da sigla IDEA – Intelligence Design and Evolution Awareness – abraça, fortemente, a questão. Mesmo não pondo em dúvida a evolução, considerando os estudos sobre os fósseis, mostra-se convicta de que atrás dela está a mão transcendente de um Criador.

Em Michigan, parlamentares pedem que se ensine nas escolas, ao lado da teoria da evolução, a teoria dos neocriacionistas. Estes dizem concordarem com a tese evolucionista, quando diz que o mundo não foi criado há apenas 6 mil anos, mas defendem, convictamente, a idéia de que o processo evolutivo foi criado por Deus, há bilhões de anos.

Mais recentemente, um renomado cientista, Michael J. Behe, pertencente a uma comunidade científica das mais respeitadas do mundo, após exaustivos programas de análise matemática à assombrosa complexidade da célula, chega a uma conclusão que difere da teoria de Darwin; “As estruturas celulares, com sua múltipla interdependência, não podem ser explicadas como resultantes do acaso, pelo menos com a matemática. Deve existir uma inteligência superior que dá forma e sentido à vida”.

Dr. Michael chega a uma conclusão parecida com a de Newton, na passagem dos séculos XVII e XVIII, quando formulou as leis da gravitação universal: “Os astros, de fato, se atraem com uma força proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que os separa”. Dizia ele: “Por trás dessa elegante relação matemática, existe um elemento capaz de tê-lo formulado”.

Assim, para Newton, a ciência, longe de negar Deus, O confirmava.

Sob um outro aspecto, do diálogo entre a fé e a cultura, está surgindo a perspectiva de um encontro universal, unificando o senso religioso, o sentido da presença de Deus em todas as culturas. A Igreja católica vem dando significativas demonstrações de aproximação com todas as religiões. Busca relacionar-se às demais culturas, sejam africanas, asiáticas ou indígenas, mesmo sem formação cristã e distante da modernidade ocidental.

A Igreja encara a globalização vantajosa em vários aspectos, mas, rejeita a uniformização cultural. Legitima as diferentes culturas humanas, defende a diversidade cultural. Faz um apelo ao diálogo entre essas culturas e, nesse diálogo, quer expor sua visão cristã do mundo, em testemunho de amor à vida social, em preocupação com os povos mais pobres, mais sofridos.

A Igreja quer uma comunhão que promova a unidade na diversidade, uma convivência humana mais pacífica, que ostente a bandeira do amor, do perdão, da solidariedade. No início de junho, do corrente ano, houve em Puebla, no México, promovido pelo Vaticano, por seu Pontifício Conselho de Cultura, um encontro continental americano, que teve como tema geral o diálogo entre fé e cultura.

A base de toda cultura se assenta na existência de um Deus, por que, então, não se unir nos propósitos, nos valores fundamentados por Ele? O confronto do diálogo entre fé e cultura, entre fé e razão, entre fé e ciência, é o caminho para se atingir a união e, através dela, a paz.

Nas próximas semanas, continuarei a trazer o resultado das pesquisas sobre ciência e fé.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2001)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

NOVOS TEMPOS, NOVAS METODOLOGIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Idéias revolucionárias surgem no horizonte social, na tentativa de alcançar o comportamento delinqüente. A psicologia, grande aliada da educação, dita novas normas de conduta, para essa nova era que vivemos.

Assumindo a realidade que se nos impõe – a desordenada violência, gente inocente morrendo, assaltos diários, as pessoas com medo de sair à rua, todo mundo sujeito a tomar um tiro em qualquer lugar – a sociedade repensa seus métodos de atuação. Todos sentem saudades das cadeiras na calçada, do bate-papo descontraído entre vizinhos, amigos. Isso ficou no passado e, queiramos ou não, temos que nos adaptar à realidade de um mundo violento e sem força de lei.

A bandidagem é uma realidade social, não podemos ignorá-la. Convivemos com ela no dia-a-dia. Assim sendo, precisamos encontrar caminhos que a alcancem, que a desestruturem. Sociólogos, psicólogos sugerem mudança radical no relacionamento de bandidos com autoridades locais. Chamá-los à mesa de conversação, ouvir o que têm a dizer, o que têm a reclamar e o que propõem. Tentar falar a sua linguagem para poder modificá-la, elaborar planos comuns, na perspectiva de objetivos comuns.

Deixá-los sozinhos já está comprovado que o esquema da violência prolifera. Tê-los, de alguma maneira por perto, pô-los em atividades que resultem em benefícios próprios. Criar iniciativas que sirvam de celeiro de novas idéias no combate à violência. Montar estratégias que os envolvam em ações coletivas, que os despertem para a autovalorização, para o auto-respeito, elevando a auto-estima.

O processo, agora, é da aproximação, da infiltração, da análise das carências que se escondem atrás dos atos da bandidagem. Sabe-se que entre os favelados há uma certa cumplicidade, um forte espírito de coletividade. Os poderes locais, abrindo um canal de diálogo com os líderes infratores, estão abrindo força de comunicação com todo o grupo e podem trabalhar para alterar a situação.

A integração é uma forma de transformar a realidade e esta transformação está intimamente ligada à conciliação, à condição e perspectiva de vida, à valorização pessoal. Atraí-los à participação, a interessar-se por algo que tenha significado e ligação direta com suas vidas. Incorporar a contribuição que possam dar. É preciso mudar a tática, estabelecer um novo padrão de atendimento, dando ao desajustado armas para que possa, ele mesmo, encontrar soluções para seus problemas, para que se sinta capaz de atuar com responsabilidade.  A revolta, o abandono reforçam a bandidagem e, segundo consta, nas favelas, em todo o mundo , existe sensação de perigo, de hostilidade.

Trabalhar na criação de associações comunitárias, de centros de esportes, cuidar da educação, da saúde, dar ao bandido condições de competir. Incentivar procedimentos comuns e de valia, como são, por exemplo, os mutirões. Ensinar as comunidades a se organizarem, a se mobilizarem para conseguir recursos e, sem dúvida, ajudar pessoas que se ajudam é bem mais fácil. Trabalhando os líderes, é possível formar bases comunitárias fortes, capazes de se enveredarem pela senda do trabalho. O entrosamento é uma esperança de transformação. O isolamento significa manter o “status quo” reinante, com tendência a aumentar.

Mostrar interesse, dar suporte, atender reivindicações na criação de políticas integradas, fazem a diferença na vida das pessoas. Sob o aspecto de melhoria de condições de vida, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o projeto força-tarefa que visa melhorar moradias precárias nas favelas, na tentativa de urbanizá-las. O objetivo dessa força-tarefa, uma das dez criadas pela Declaração do Milênio, é melhorar as condições de vida de 100 milhões de favelados até 2020.

Em setembro de 2000, a Declaração do Milênio estabeleceu uma agenda com os principais problemas que impedem o desenvolvimento sustentável, sob três enfoques: paz, meio ambiente e pobreza. O Projeto Milênio criou 10 forças-tarefas, entre elas a que mostra a importância da questão das favelas.

Dada a relevância da situação, espera-se que o compromisso de abrandar a violência não seja apenas do governo, mas da sociedade como um todo, criando no Brasil, dentro da mentalidade exposta no artigo, um pacto social. Pacto que se reverteria em projetos para melhorar as condições de pessoas carentes, marginalizadas, aproximando-as da comunidade.

Estamos começando uma nova era na história da humanidade com a quebra rígida do isolamento existente entre as classes sociais?

Para novos tempos, novas metodologias!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2003)

O SENTIMENTO PATRIÓTICO

Izabel Sadalla Grispino *

Valores que despertam para a espiritualidade, na direção da moral, da ética, do cooperativismo, que despontam para a valorização e o amor à pátria, na configuração de uma terra respeitada, altaneira, batem à porta da escola e pedem para entrar. Formar o aluno nessas duas vertentes contribui para uma sociedade assentada em bases humanísticas e cívicas.

O sentimento patriótico amplia e reforça a visão de família, de luta unida em favor do bem comum. Afinal, a pátria não é mais que uma agregação de famílias, sustentadas por um tronco comum a todos. Desenvolver a noção de pátria é meio caminho andado à formação política do aluno.

Politizar o educando é um objetivo que não pode ser postergado. Levá-lo à análise do comportamento político, do conhecimento dos regimes políticos, da ética democrática, diferenciando-a da cultura autoritária, na conquista da cidadania, do convívio social,  da reivindicação dos direitos do cidadão e respeito pelos deveres a serem cumpridos, no nascimento de um povo novo. De um povo que, pela participação política, renasce, a cada dia, para a batalha da vida, para a busca de soluções aos destinos de sua terra. Politizar o aluno é dar-lhe estrutura para atuar no campo político, com vistas a uma política responsável, a uma militância consciente. Levá-lo a refletir sobre o voto e sua importância para o País. Mecanismos pedagógicos devem ser acionados, como debates, discussões, trabalhos entre os alunos, ressaltando-se temas como “O País que quero morar”, “O País que quero ter”, “O País dos meus sonhos” etc.

Presenciamos com entusiasmo o retorno aos estímulos patrióticos, com a volta, às escolas, do hasteamento da bandeira e da execução do hino nacional. Há tempos atrás, uma vez por semana, antes do início da 1.ª aula de cada período, professores e alunos hasteavam a bandeira e cantavam o hino pátrio, tentando resgatar valores de nacionalidade, de amor e compromisso para com a pátria. No fim do dia, um aluno era destacado para arriar a bandeira, dobrá-la e, com orgulho, entregá-la a um professor.

O programa governamental, de junho de 2002, denominado Mutirão da Cidadania, teve o mérito de despertar para o retorno do movimento patriótico, instituindo a volta do ato cívico mencionado.

A Secretaria da Educação, abraçando a idéia, remete à escola, em sua autonomia, a decisão de avaliar a pertinência dessa realização, que reforça a cidadania. O Secretário da Educação, Gabriel Chalita, considerou que o hino pode ser usado, também, como base para o ensino das disciplinas do programa curricular, em trabalhos interdisciplinares. Ensinar português, história, geografia e até matemática, utilizando-se do hino.

Embora a execução do hino nacional não esteja sendo obrigatório, o Ministério da Educação (MEC) lembra que pela lei 5.700, de 1.º de setembro de 1971, promulgada pelo governo Médici e mantida na Constituição de 1988, as escolas do ensino fundamental e médio são obrigadas a hastear a bandeira e a cantar o hino uma vez por semana, durante o ano letivo. Essa determinação, infelizmente, caiu no esquecimento.

À argumentação de alguns de que a instituição do hino é uma volta ao passado, ao governo militar, à lembrança desse regime, o secretário Chalita rebate, dizendo: “Para alguns pode lembrar a ditadura, mas, também, lembra as diretas-já e Ayrton Senna”.

Acima de qualquer consideração, o hino é um sentimento suprapartidário, supra-regimental, encerra em si mesmo o amor à pátria, encontra nesse amor o seu maior significado.

Somos responsáveis pelos homens públicos que colocamos no poder e acertamos bem mais quando acompanhamos suas ações, seus desempenhos, quando aprendemos a manusear as armas poderosas que as eleições nos oferecem, filtrando, peneirando o universo indesejável. A escola conseguirá formar um aluno compromissado com a pátria, se despertar o amor à terra natal desde a tenra idade, porque os bons princípios, os sentimentos, crescendo com a criança, se  desenvolvendo com ela, se firmarão e dificilmente serão abalados.

Ao mestre, reforço as reflexões, nos meus versos abaixo:

AMOR  À  PÁTRIA

Quando criança, meu coração batia
Ao ouvir o hino nacional,
As cores da bandeira eu coloria,
Sentia minha esta terra natal!

Cresci orgulhosa da terra-mãe,
Na sua grandeza me espelhava,
Queria lutar, ser-lhe filha, irmã,
O ardor patriótico me falava!

Freqüentando a escola, mais tarde,
Aprendi os três poderes constituídos,
O respeito, praticado sem alarde,
O civismo em passos instituídos.

Hoje, olho a criança, sua apatia,
Não aprende a pátria enaltecer,
É barco perdido em travessia,
Nave sem lume no alvorecer!

Tradição e valores esquecidos
Tornam pobre toda e qualquer nação,
Navio de pilares enfraquecidos
Não leva longe a tripulação.

A pátria é dos filhos a identidade,
Termômetro das condições de vida,
Querê-la pujante, em notoriedade,
Lealdade se elege, esforço se envida.

Orgulho da pátria, orgulho do lar,
Patente timbrada em nobre brasão,
Laço materno que nos clama a amar,
A nos dar as mãos, chamarmos de irmão.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2002)

MUNICIPALIZAÇÃO DO ENSINO

Izabel  Sadalla  Grispino *

É época de eleição. Educação é, sem dúvida, o grande alvo, o grande discurso. Num recente debate entre candidatos, abordou-se o tema municipalização do ensino. Abriu-se espaço para interpelações, espectadores querendo se esclarecer sobre o ensino municipalizado. Achei oportuno escrever a respeito, esclarecer o prezado leitor, inteirá-lo melhor sobre o assunto.

O que é a municipalização do ensino? Quais suas bases de sustentação? Por que municipalizar, também, o ensino fundamental?

A educação pública é dever compartilhado entre as entidades políticas: federais, estaduais e municipais. A Constituição da República diz: “A educação é direito de todos e dever do Estado”. Estabelece que o “acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo”.

A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), definindo responsabilidades, diz que “os municípios deverão oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas e, com prioridade, o ensino fundamental”; os Estados encarregar-se-ão de “assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o ensino médio”. Portanto, é obrigação cumulativa dos municípios e dos Estados pelo ensino fundamental, devendo haver, entre eles, coordenação, compromisso político, ajuda financeira e assessoria técnica dos Estados aos municípios.

EMENDA CONSTITUCIONAL N.° 14 – A ajuda financeira ficou definida com a aprovação pelo legislativo da Emenda Constitucional n.° l4, em setembro de 1996, a qual passou a ter efeito em janeiro de 1998. Essa emenda reafirma a necessidade de Estados e municípios cumprirem os dispositivos da Constituição de 1988, ou seja, de aplicar 25% de suas receitas de impostos na manutenção e desenvolvimento do ensino e obriga ambas as instâncias a colocarem 15% desses recursos no ensino fundamental, onde se encontram 80% dos alunos. O restante devendo ser empregado na educação infantil, em creche e pré-escola.

A Emenda Constitucional n.° 14 obriga, assim, o poder público a dar prioridade à educação obrigatória de 8 anos. Essa legislação disciplina gastos e impede que as administrações apliquem parte dos recursos educacionais nos níveis que desejarem.

FUNDO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL E VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIOEm cada Estado, a Emenda Constitucional n.° 14 cria um fundo, aprovado em dezembro de 1996 , “Fundo de Desenvolvimento da Educação Fundamental e Valorização do Magistério” (Fundef), denominado “fundão”, que vai viger por 10 anos. O “fundão” possibilita solucionar desequilíbrios entre localidades, permitindo que os recursos caminhem direto para quem realmente investe na educação fundamental. Por exemplo: uma cidade rica, com muitos alunos em escolas estaduais e poucos em estabelecimentos municipais, tem seu excedente transferido para cidades sem recurso tributário suficiente para manter as escolas do próprio município. A partir de 1.° de janeiro de 1998, Estados e municípios passaram a receber dinheiro de acordo com o número de alunos matriculados no ensino fundamental. O fundo privilegia Estados e municípios que têm escolas de ensino fundamental. Estes receberão a maior parcela em detrimento dos que não oferecem este nível de ensino.

O “fundão” é um fundo de natureza contábil, instituído em cada Estado e no Distrito Federal, através do qual passarão a ser distribuídos os recursos para o ensino fundamental. É constituído de 15% das receitas do ICMS, dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios e do IPI-Exportação. O dinheiro irá para o fundo estadual e será distribuído em cada Estado e para seus municípios proporcionalmente ao número de alunos matriculados na rede de ensino fundamental. A Emenda Constitucional n.° 14 define, também, que 60% dos recursos do fundo deverão ser destinados exclusivamente ao salário dos professores que estejam trabalhando em sala de aula, daí o nome “Valorização do Magistério”.

O governo federal vai participar apenas nas localidades onde a união de recursos estaduais e municipais não for suficiente para garantir a aplicação mínima por aluno estabelecida anualmente. Neste caso, o governo federal complementará o fundo para que seja atingido o investimento mínimo.

ENCAMINHAMENTO DA MUNICIPALIZAÇÃO – a municipalização iniciou-se lenta, muito questionada. O censo preliminar de matrículas, realizado na 2.ª quinzena de novembro de 1998, mostrou que menos de 20 cidades do Estado de São Paulo receberam verbas do fundão. A maioria dos municípios teve de repassar dinheiro ao Estado, por não manter rede de ensino fundamental. Segundo números do Ministério da Educação (MEC), poucos municípios paulistas, além da capital, receberam dinheiro transferido do Estado para investir no ensino fundamental no ano de 1999. O governo estadual ficou com a maior parte do dinheiro do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, por assumir mais de 80% dos alunos do ensino fundamental. A maioria dos municípios, por não possuir esse ensino, teve de transferir receita aos cofres estaduais.

O fundo, criado pelo MEC, redistribui parte das receitas de Estados e municípios pelo número de matrículas em cada uma das redes de ensino. Pela matemática do fundo, perderão mais aqueles municípios com arrecadação alta que não mantiverem rede de ensino fundamental, como aconteceu com São Bernardo do Campo. Mesmo cidades com escolas municipais podem ser obrigadas a transferir recursos se o número de matrículas for muito pequeno em relação à arrecadação de impostos.

Ainda, hoje, sob esse aspecto, há resistências. Todavia, a municipalização do ensino fundamental, se bem conduzida, se bem assistida, pedagógica e financeiramente, só poderá trazer benefícios. Representa uma descentralização na gestão e enseja gestão colegiada na administração do processo educacional. A administração mais próxima da escola favorece a comunicação e a pressão por uma melhor escolaridade. Cria maior intercâmbio entre prefeitura, comunidade e escola, facilitando a participação dos pais e da comunidade em tarefas de cooperação e de fiscalização. A municipalização pode harmonizar o atendimento técnico e o atendimento humano, sem prejuízo um do outro.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2000)

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS DO ENSINO INFANTIL

Izabel  Sadalla  Grispino *

Acompanhando a implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o Ministério da Educação (MEC), com o objetivo de assessorar as escolas, elaborou referenciais para um ensino de qualidade da educação básica: os “Parâmetros Curriculares Nacionais”.

Os Parâmetros não têm caráter obrigatório e servem de orientação às escolas públicas e particulares. A liberdade dada à escola, na formulação do currículo, traduz, ao lado da conquista de uma mais ampla autonomia, uma responsabilidade maior do desempenho do professor. Os Parâmetros, assessorando a competência profissional, vão contribuir para a elaboração de currículos de melhor nível, mais ajustados à realidade do ensino. Eles dão sugestões de currículos, abordam conteúdos atualizados e diversificados, métodos de ensino renovados. A finalidade é melhorar a qualidade do ensino, trabalhar a educação plena e promover práticas pedagógicas que venham garantir a permanência dos alunos na escola, reduzindo as taxas de evasão e repetência.

Os “Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Infantil” propõem critérios curriculares para o aprendizado em creche e pré-escola. Buscam a uniformização da qualidade desse atendimento. Os parâmetros indicam as capacidades a serem desenvolvidas pelas crianças, de ordem física, cognitiva, ética, estética, afetiva, de relação interpessoal, de inserção social e fornecem os campos de ação. Nesses campos são especificados o conhecimento de si e do outro, o brincar, o movimento, a língua oral e escrita, a matemática, as artes visuais, a música e o conhecimento do mundo, ressaltando a construção da cidadania.

A base do parâmetro é transformar o contato das crianças com os educadores em relações de aprendizado. “Nessa relação, é possível desenvolver capacidades motoras, afetivas e de relacionamento social”. Uma outra concepção é o desenvolvimento da autonomia, considerando, no processo da aprendizagem, que a criança tem interesses e desejos próprios e que é um ser capaz de interferir no meio em que vive. Os Parâmetros abordam questões como relação entre cuidar e educar, conteúdos, necessários a essa faixa etária, e  a  função  de  brincar no processo educativo.

O ministro da Educação, ao se referir aos Parâmetros Curriculares do Ensino Fundamental, ponderou: “Passamos a oferecer a perspectiva de que as creches passem a ter um conteúdo educacional e deixem de ser meros depósitos de crianças. Em todo o mundo está havendo a preocupação de desenvolver a criança desde o seu nascimento”.

Dados de 1998, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  apenas 25% da população de zero a 6 anos freqüentam creche ou pré-escola. São 5,5 milhões de crianças de um total de 21,3 milhões.

A educação infantil é definida na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) como parte da educação básica, mas não da educação obrigatória. A lei define, também, nas disposições transitórias, a passagem das creches para o sistema educacional. O Ministério da Educação (MEC) determinou que, a partir de janeiro de 1999, todas as creches do País deveriam estar credenciadas nos sistemas educacionais.

Conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, cabe aos sistemas municipais a responsabilidade maior por esse atendimento. A Constituição da República diz que “A educação é direito de todos e dever do Estado”. A emenda constitucional n.° 14/96 alterou dispositivos relativos à educação e estabeleceu que a educação infantil é atribuição prioritária dos municípios.

Dois entraves à implementação dos Parâmetros são colocados: no aspecto pedagógico, a formação do professor, e, no aspecto financeiro, a situação dos municípios, alegada, como precária, pelos prefeitos.

Existem no País, segundo dados de 1997 do MEC, 219,5 mil professores de pré-escola. Desses, 16,1 mil não têm o 1.° grau completo. Por lei, os municípios devem reservar 10% de sua arrecadação de impostos para o atendimento de creches e pré-escolas, todavia, essa porcentagem é questionada pelos municípios, que dizem ser ela absolutamente irrelevante à manutenção desse atendimento, quanto mais de sua expansão.

Contudo, espera-se que, com o despertar de consciência sobre a importância da educação infantil na vida do cidadão, os dirigentes municipais, estaduais e federais venham a se compatibilizar e a encontrar soluções, a fim de priorizar, igualmente, esse ensino na educação básica, trazendo igualdade de oportunidade à população de baixa renda, visto que as crianças de maior poder aquisitivo já são atendidas pelo setor privado.

A educação infantil tem-se revelado primordial para uma aprendizagem efetiva. Ela sociabiliza, desenvolve habilidades, melhora o desempenho escolar futuro, propiciando à criança resultados superiores ao chegar ao ensino fundamental. A educação infantil é o verdadeiro alicerce da aprendizagem, aquela que deixa a criança pronta para aprender.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2000)

HABILIDADES DE APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

A educação é a principal chave de abertura para um esperançoso futuro. Entender a clientela escolar, em suas manifestações em sala de aula, é, talvez, a maior estratégia da escola. Ela trabalha com crianças digitais e eletrônicas, mas sem deixar de ser crianças. A diversidade, a diferença comportamental pedem o difícil atendimento individual, tratar cada criança como se fosse única.

A experiência tem demonstrado que é melhor ter alunos desregrados, dispersivos, mas conectados e inventivos, que alunos bem comportados e obedientes, mas isolados, pouco comunicativos.

O aluno, às vezes, mostra uma participação excessiva, excessiva vontade de confrontar, gerando atrito, certo desconforto; mas são esses alunos que, comumente, alçam vôo e não os regulados por ordens superiores, sem a ousadia de externar opiniões, participar de decisões, privando-se de se tornar sujeitos ativos no processo do conhecimento. O aluno, emancipando-se, caminha com mais autonomia pela vida afora.

Há toda uma rede de informações implícitas nos comportamentos expressos pelos alunos. Dessa maneira, o professor pode levá-los ao autoconhecimento, proporcionando-lhes a segurança necessária para vencer desafios, para conviver com as diferenças e adaptar-se mais facilmente às transformações da sociedade.

Um grande desafio, hoje, da escola é a formação de uma boa equipe de trabalho. Só com um pessoal bem treinado, altamente qualificado e comprometido com a educação, é possível formar alunos construtivos e idealistas. O corpo docente, na atualidade, investe na carreira como pesquisadores e como professores. Formula projetos pedagógicos com diretrizes modernas e ambiciosas, onde o aluno, jamais sujeito passivo, deixa de opinar e interferir.

Um outro aspecto de escola, que luta para garantir motivação aos alunos da geração web, é contar com professores especialistas em pedagogia e em informática, capazes de dominar os recursos de última geração.

Além de um eficiente sistema de orientação de estudo, a escola necessita ter um revolucionário material didático multimídia, um portal de educação, salas do futuro. Seus profissionais desenvolvem e trazem para a sala de aula, de forma integrada, os principais e mais avançados recursos tecnológicos educacionais, especialmente no ensino médio. As mais renomadas escolas oferecem um completo portal da Internet, que permite integração com o ambiente escolar a alunos e familiares.

Educar para a modernidade exige abrangência de conhecimentos, atualização constante e visão aprimorada do contexto social, nacional e internacional. Exige um profissional de caráter renovador, antenado ao mundo. Pagar  bem os professore é uma forma de estimulá-los a se aprimorar e a corresponder à exigente sociedade contemporânea.

* Supervisora de ensino aposentada.            
(Publicado em julho/2007)

“PRÁTICA PEDAGÓGICA”: UMA PEDAGOGIA COM POEMA

Izabel Sadalla Grispino *

O livro “Prática Pedagógica” tem merecido o olhar da crítica especializada com saldo bastante positivo. Dentre as manifestações por escrito, cito trechos de um artigo, um tanto extenso para ser transcrito na íntegra, do emérito educador ribeirão-pretano Divo Marino, que também já morou em São Carlos e foi no passado professor titular de arte da Escola Estadual “Álvaro Guião”.

Sob o título sugestivo de “Uma pedagogia com poesia”, Divo faz considerações sobre o livro, registra passagens, com comentários auspiciosos, animadores. Inicia o artigo dizendo: Professora que, semanalmente, publica artigo especializado de educação, no matutino “A Cidade”, histórico órgão de imprensa de Ribeirão Preto, Izabel Sadalla Grispino lançou seu novo livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola). Escrever sobre um livro, continua ele, que propõe estruturar pedagogicamente a escola, pede um resumo do processo histórico da educação brasileira, centralizada em políticas públicas do período republicano do Estado de São Paulo.

Inicialmente, a influência da cultura francesa e do Positivismo dos primeiros líderes republicanos...  A realidade do antigo curso ginasial até 1942 era retratada no diploma que coroava o seu término: “Bacharel em Ciências e Letras”. Durante o clima de renovação que emoldurou a Revolução de 1930, a educação modernizou-se, seguindo as diretrizes de histórico “Manifesto dos Educadores”... Criou-se, então, em 1934, a Universidade de São Paulo (USP), “Faculdade de Filosofia Ciências e Letras”, a primeira do País com a função geradora de mestres para o ensino secundário e normal.

Este lembrete histórico demonstra que Izabel Sadalla Grispino, cuja biografia atravessa os anos da decadência da educação pública, acertou em escrever um livro que busca dar estrutura à escola, com um receituário científico e bem de acordo com a sua visão idealista de Educação, tida como fenômeno social. A autora divide seu livro em capítulos, aqui ilustrados com citações endereçadas ao debate. No Prefácio, pág. 17: “Até décadas atrás, a nossa escola pública tinha como clientela a população das camadas altas e médias mais escolarizadas. Assim, boa parte do estímulo ao ensino vinha mais da própria família e dos círculos de convivência social que do ambiente escolar. A realidade modificou-se. A escola pública, de agora, é freqüentada pela classe pobre e muito pouco faz para retê-la, com aproveitamento, no recinto escolar”. No item “A Escola que educa para o pensar”, sobre o enciclopedismo do currículo, a autora diz, na pág. 27: “Queremos formar a escola do cotidiano, da resolução dos problemas enfrentados pelos alunos, uma escola que sirva para o dia-a-dia. Não é bem o diário, mas a ligação do conhecimento com sua aplicação diária. A mudança pretendida é afastar-se de conteúdos desvinculados da realidade... No capítulo: “Principais Passos da Reforma do Ensino”, no item “A Reforma do Ensino”, pág. 75: “Para que a reforma do ensino venha a ocorrer, para se alcançar a sonhada educação de qualidade é essencial investir na qualificação docente, assistir o professor nas mudanças que venham a ocorrer”. (Perfeito, acrescenta Divo). No capítulo “Educação Infantil”, no item de igual nome, sobre a descoberta da ciência de que o cérebro é muito mais elástico do que se imaginava e tem sua capacidade definida nos primeiros anos de vida, encontramos, na pág. 227, “Descobriu-se que o melhor período para desenvolver o potencial da criança é de zero a 3 anos; o melhor período de aprendizagem ocorre dos 2  aos 10 anos. Ao entrar na pré-escola, metade do processo de desenvolvimento do cérebro da criança já está concluído”.

Estas e tantas outras citações provocam profundas reflexões. O livro em si conduz a mudanças de mentalidade, mudança no atuar.

Divo termina seu artigo, com as seguintes considerações: Consciente em conhecer, já em 1950, a preciosidade que é a educação do pré-escolar, quando pesquisei milhares e milhares de desenhos espontâneos escrevi um livro editado nacionalmente sobre a arte infantil e criei as primeiras escolinhas de arte criadora infantil do Estado de São Paulo, na Escola Norma do I. E. Otoniel Mota. Depois de muitos anos, quando secretário municipal da Educação, em 1983-84, criei as primeiras “EMEIS” (Escolas Municipais de Educação Infantil), fato que demonstra quanto é lenta a evolução da Pedagogia  e  da  Prática  de  Ensino em “nuestra América”.

O livro “Prática Pedagógica” provoca indagações e debates sobre temas educacionais e é muito útil como guia teórico-prático para o professorado. Está adornado pelas poesias da autora sobre diferentes temas educacionais, valorizando, pela Arte, a mensagem contida na obra.

Medidas pontuais, experimentais, demagógicas, de exposição em vitrines ou em estatísticas da ONU, como biombos, escondem milhões de analfabetos sem escolaridade e milhões de analfabetos “funcionais” em um País que reserva as suas mais preciosas verbas para o pagamento da dívida. Quando teremos uma escola para todos?  Por isso mesmo, sempre é louvável um livro sobre educação que defende o real interesse do sofrido povo brasileiro, como é o caso de “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), de Izabel Sadalla Grispino”.

Voltando à minha pessoa, tenho recebido cumprimentos de louvor pelo livro de vários educadores de São Carlos e de Araraquara. Um me foi particularmente expressivo, o de Lederci Gigante de Oliveira, uma ex-colega de supervisão de ensino, mestra em Pedagogia, professora universitária. Lederci é referência. Ao me parabenizar pelo livro, disse-me: “Izabel, gostei muito do livro, vou aproveitá-lo para minhas aulas na faculdade”.

Agradeço aos manifestantes. Recebo as congratulações como força e estímulo para o prosseguimento.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em agosto/2004)

ALTERNATIVAS PARA O ENSINO PÚBLICO

Izabel Sadalla Grispino *

Escolas de cidades do interior, na busca da qualidade do ensino, começam a empregar metodologia e material didático de escola particular, na rede municipal, dotando-as de sistema didático do ensino privado. Em vez dos livros enviados pela Secretaria de Estado da Educação, essas escolas usam apostilas do sistema adotado.

Pela pesquisa, mais de 30 prefeituras paulistas, que municipalizaram o ensino fundamental, substituem os livros, comprados com os recursos do Ministério da Educação (MEC) pelas apostilas. O MEC envia às prefeituras, que administram a rede de ensino fundamental, livros didáticos e de literatura. São livros avaliados pelo Ministério e títulos escolhidos pelas próprias escolas. No Estado de São Paulo, especificamente, o MEC remete os recursos à Secretaria Estadual, que compra e envia o material.

Nas prefeituras conveniadas a sistema particular de educação as escolas recebem apenas os livros paradidáticos, servindo de apoio às apostilas.

As prefeituras, através de parcerias, firmam contratos com sistemas particulares de educação. Três sistemas da iniciativa privada vêm firmando convênio com as secretarias municipais: o sistema COC, o maior deles, o Positivo e o Objetivo. Além do material, esses sistemas montam o projeto de ensino, encarregam-se de capacitar os professores para o uso do material e fazem o acompanhamento pedagógico das escolas públicas. Os três sistemas fornecem as apostilas às escolas e esse material não passa por avaliações do MEC, nem da Secretaria Estadual da Educação, antes de chegar à sala de aula.

As prefeituras, para as parcerias com o sistema privado, pagam os serviços prestados com uma parcela do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (Fundef). Pela Lei 9.424, que instituiu o Fundef em 1998, 60% dos recursos são destinados à remuneração dos docentes. Os 40% restantes podem ser aplicados na construção, ampliação, reforma de escolas, capacitação de pessoal e compra de material.

Ao que tudo indica, os convênios das prefeituras com os sistemas privados de ensino vêm tendo uma repercussão positiva no conceito da população. Os alunos aprendem mais, os pais sentem-se reconfortados ao saber que o filho usa o mesmo material, recebe o mesmo ensino das boas escolas particulares. O ensino se mostra mais estruturado, mais qualificado e a auto-estima do aluno mais elevada. O método é mais dinâmico e professor e aluno devem se adaptar ao novo ritmo. O ensino médio continua a seguir a metodologia curricular do Estado. A inovação vem sendo processada apenas nos graus inferiores do ensino.

Contudo, o MEC vê esses convênios com alguma reserva. Sugere que se analisem bem as apostilas adotadas para se certificar da qualidade. Também contesta o fato de o treinamento, pelos sistemas, estar ligado ao uso de um material didático. "Preferia uma capacitação na qual os professores aprendessem a alfabetizar e não simplesmente sobre como usar o material”. “Hoje, os prefeitos podem contratar capacitação de universidades públicas que não relacionam seu trabalho com qualquer material específico”, diz o presidente do Conselho Estadual de Educação, Francisco José Carbonari.

A presidente da União dos Dirigentes Municipais, Vera Lúcia Hilst, alerta que o assédio às prefeituras que municipalizaram o ensino fundamental vem sendo constante por parte dos sistemas privados e aconselha: “Há coisas boas e outras nem tanto. Recomendamos que as prefeituras avaliem o conteúdo pedagógico do projeto e vejam se haverá ganhos qualitativos”.

Há prefeituras que rejeitam a parceria por entenderem que os sistemas particulares enfocam muito o trabalho do vestibular, e mais a área de exatas, e deixam a formação do educando mais de lado, como cidadania e educação para a vida. Mas, o que se constata, de um modo geral, é a validade desses convênios, com apurada melhoria da qualidade do ensino. Segundo resultado de pesquisas, eles conseguem elevar o nível técnico e profissional dos professores e obter um resultado mais qualificado do ensino.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em dezembro/2002)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

Leia Mais

A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

Leia Mais

A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

Leia Mais


Reconhecimento

Premiado pelo Buscaki

buscaki

I.S.G

izabel1

Colaboração

Slideshow Image 1

Novos Jogos

eduespc

Vídeos

videos

Visitante Número