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Artigos Educacionais

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DESCOMPASSO ENTRE A PROPOSTA DE CICLOS E O ENTENDIMENTO PREDOMINANTE

Izabel Sadalla Grispino *

Parece haver unanimidade sobre as vantagens do sistema de ciclos para a aprendizagem, visto como metodologia, que atrela ao ensino o desenvolvimento infantil. A sua proposta está embasada em Jean Piaget, na qual o desenvolvimento infantil ocorre por fases. Adapta-se o processo de construção do conhecimento a essas fases da criança. Os ciclos, coincidindo às fases do desenvolvimento, aumentam as possibilidades de aprendizado, pois o ritmo das crianças é respeitado. Traz a possibilidade de o aluno aprender de acordo com seu ritmo, no espaço de 2, 3 ou 4 anos. Também, nesse processo, levam-se em conta os conhecimentos que as crianças trazem de casa, da convivência social.

O aluno recebe um atendimento diferenciado; acompanham-se as deficiências individuais. É um processo que visa garantir a permanência e o aprendizado dos alunos com a propositura de poder haver reprovação ao fim de cada ciclo. Ele vem acompanhado de uma estrutura – recuperação paralela, aulas de reforço, recuperação no período de férias – que deve permitir a recuperação das defasagens. A coerção, a reprovação são substituídas por outros mecanismos, que se transformam em novos estímulos.

É uma proposta inovadora, mas que requer condições especiais para a sua aplicabilidade, principalmente mudança de mentalidade. Traz como uma de suas bases de sustentação o atendimento individual ao aluno.

Na prática, o que se constata é que os ciclos não foram assimilados pela grande maioria dos professores. O que poderia significar um salto para o futuro está criando confusão, desorganizando a escola. Também, não está havendo boas condições de trabalho, especialmente quando se fala em superlotação das classes. Como fica o atendimento individual, requerido pelo ciclo, nesse caso? Há um outro agravante, que deve ser revisto. A nova legislação garante a aprovação do aluno, caso freqüente 75% das aulas durante o ano. O cálculo é feito a partir da presença nas aulas de todas as disciplinas e não em cada uma individualmente. Desse modo, o aluno pode perder todas as aulas de uma disciplina e, mesmo assim, avançar para a série seguinte.

A mudança do sistema seriado para o de ciclos foi rápida, arrojada. Foi uma transição brusca, os professores não foram preparados para ela. A mudança não foi discutida pelos professores, que, em conseqüência, não incorporaram suas necessidades. Não foi feito um levantamento mais criterioso das condições de ensino, constatando-se falta de instalações, como bibliotecas, laboratório, salas disponíveis para aulas de reforço, quando, muitas vezes, o aluno é obrigado a fazer o reforço em outro prédio, outra localidade e nem sempre com o mesmo professor, o que descaracteriza a continuidade do processo.

Por um conjunto de fatores, o ciclo está sendo mal aplicado, mal entendido. O próprio professor admite seu despreparo para trabalhar conforme os novos parâmetros, surgindo, assim, um descompasso entre a proposta de ciclos, em sua progressão continuada, e a mentalidade predominante na rede escolar.

De acordo com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), a avaliação, realizada em sua 1.ª fase no ano de 1997, revelou vantagens em relação às demais séries do ensino fundamental, nos agrupamentos das 1.ªs e 2.ªs séries do ciclo básico. Acontece que em 1984, na fusão da 1.ª e 2.ª séries houve todo um aparato preparatório para os professores da rede estadual de ensino. Os professores foram treinados para entender e aplicar o processo ensino-aprendizagem do ciclo, o que não ocorreu em 1997, quando da ampliação desses ciclos. Aliás, o passo foi bem mais ousado. Poder-se-ia caminhar nessa direção, mas, mais calmamente, ampliando o 1.º ciclo, de 1.ª e 2.ª séries, para um segundo, que seria de 3.ª e 4.ª séries. Formar-se-iam dois ciclos de 1.ª à 4.ª série, com um prazo para apurar, em avaliações, o resultado obtido.

Não teria sido conveniente primeiro reciclar o professor, melhorar sua atuação, mudar-lhe a cabeça, para depois lançar, na prática, as propostas renovadoras? Não estaríamos, hoje, conseguindo melhores resultados, caminhando com mais segurança para o futuro?

Sabemos que a reprovação nem sempre significa garantia de melhor aprendizagem, especialmente se o aluno a encarar como um castigo. O aluno, com mais idade, sente-se deslocado no seu grupo, podendo regredir ainda mais. Nesse sentido,  a  progressão  continuada  é  melhor do que submeter o aluno a sucessivos fracassos.

Não queremos voltar à “cultura da repetência”, época em que era considerado o melhor professor aquele que mais reprovava, mas também não podemos criar a “cultura da aprovação”, quando a aprovação em massa poderá ser, em contrapartida, um desestímulo ao bom aluno, que não percebe critério, justiça, além de proporcionar, ao mau aluno, um desrespeito a si mesmo e à aprendizagem não ocorrida. Independentemente do sistema adotado, é preciso educar para a auto-estima. Compreender as raízes sociais do fracasso, como a desestruturação da família, a miséria... e ajustar-se a elas, lutando pelo êxito da criança, afastando-a do fracasso.

O governo argumentou, em 1998, que a política de acabar com a repetência, introduzida na rede pública, reduziu as perdas do sistema de R$ 700 milhões para R$ 350 milhões. Eu me pergunto: se esses milhões fossem empregados na formação do professor, na infra-estrutura da escola, não se conseguiria, a médio prazo, um resultado mais contundente, mais duradouro, em termos de repetência e de qualidade de ensino?

Ilustrando esta minha observação, citarei a conduta tomada pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, quando da implementação, no início da década de 70, dos Guias Curriculares referentes às matérias do núcleo comum, elaborados de acordo com as normas traçadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) n.º 5.692, promulgada no ano de 1971. A primeira preocupação da Secretaria foi a de capacitar os professores, fazê-los conhecer o conteúdo, a metodologia, a filosofia, da nova proposta; levá-los a discuti-la, a situar a teoria, em estudo, na sua prática diária, para somente depois, com os professores já treinados, lançar os “guias” na rede oficial, em caráter facultativo. Mesmo sendo facultativo, a acolhida foi geral. Avaliações posteriores revelaram um resultado positivo surpreendente.

A proposta do ciclo básico é boa, pedagogicamente correta, mas, para que a progressão continuada venha a representar um avanço, é preciso investir maciçamente na formação do professor e em suas condições de trabalho. Do jeito que está sendo aplicada, mais parece uma tentativa de mascarar o problema da repetência no país.

Deve haver articulação entre as diversas instâncias dos poderes federal, estadual e municipal. O professor precisa ser ajudado, mas, na seqüência, também se ajudar, somar esforços para que o aluno aprenda. É ele, o professor, o responsável para que o bom ensino aconteça. É, pois, necessário dar condições a que ele garanta a aprendizagem, para não correr o risco de se despejar no mercado de trabalho, nas portas das universidades, levas de despreparados, de analfabetos funcionais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2000)

APOSENTADO, SER À MARGEM DA SOCIEDADE

Izabel Sadalla Grispino *

A grande proposta do momento, tanto da esfera federal quanto da estadual, é a escola trabalhar com metas, acompanhando e controlando os resultados. Metas e resultados não são procedimentos usuais nas escolas públicas e o propósito é alcançar a qualidade de ensino.

Apoiando-se no esforço gerencial, pretende-se estimular o desempenho dos professores. As melhorias obtidas, no processo de metas do governo do Estado de São Paulo, reverter-se-ão em bônus aos professores. São bonificações por desempenho, continuando, desde a era Mário Covas, a política de bonificação e não de reajuste salarial.

O bônus, além de não se incorporar ao salário, não é extensivo ao aposentado. Não vivemos mais a Pátria de todos, da igualdade, da fraternidade. Vivemos a Pátria dos privilegiados. A Pátria que renega, que deixa no ostracismo os filhos do passado, os filhos que por ela lutaram, que a dignificaram, a sustentaram e possibilitaram a construção do dia de hoje.

Insensatos, governantes, imbuídos de poder, deixam, anos a fio, o aposentado ao relento, com seu salário, a cada ano mais defasado, perante o aumento do custo de vida. Tudo é conduzido sem alma, na mais pura objetividade. Não se alimenta, o ambiente escolar, do sentimento de patriotismo, de valorização dos combatentes do passado. Hoje, esse combatente, se perdeu as forças, joga-se fora, como um retirante sem glórias.

Esse é o exemplo que se passa aos jovens, à sociedade. Passa-se uma visão negativa do idoso, considerado um encosto, necessitando de amparo familiar e institucional. Abandonado pela cúpula governamental, o aposentado é tratado em m´9iseros sentimentos cívicos, deixado no ostracismo, apoiando-se na bengala da misericórdia.

A bonificação é injusta, parcial e provoca rivalidade, porque os professores da ativa, sufocados pelas  premências, volta às costas ao aposentado e procura agarrar o seu. Com esse procedimento, eles não atinam que estão cavando a própria cova, porque eles serão no futuro os debilitados aposentados de hoje. Educa-se bem mais pelo exemplo que pela palavra, já nos ensinava Rui Barbosa e eu me pergunto: como a escola vai educar as crianças, os jovens, para o respeito, para a valorização da força produtiva do passado e que ergueu o arcabouço do mundo atual? A imagem que se passa é de que só tem valor quem faz hoje, quem fez, joga-se fora.

Como conseguir que os jovens busquem na cultura dos anciãos sabedoria e aprendizagem? Eles são vistos como ultrapassados, marginalizados e, como tal, só podem postular o recolhimento e o abandono. O aposentado, pessoa de alma e de mente calosas, é pedra que atrapalha e que precisa ser retirada do cominho. Por isso, deixam-no à mingua, à própria sorte.

Belos discursos políticos, triste e dolorosa prática política! O aposentado é o réu de toda essa negra engrenagem, perniciosa política demagógica.

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em setembro/2007)

PROBLEMAS DE SAÚDE INTERFERINDO NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Um assunto importante tanto para os pais quanto para a escola são os problemas de saúde das crianças. Um deles é a visão. A medicina, na área de oftalmologia, vem ao nosso encontro e nos dá preciosa orientação.

Problemas de visão podem aparecer em crianças muito pequenas. É preciso estar atento aos sintomas e consultar um oftalmologista, para que se faça o tratamento adequado e não deixar a visão ficar comprometida para o resto da vida. A criança pode estar precisando de óculos ou outras terapias alternativas. Os sintomas são variados, como quando, ao falar com a criança, parece que ela olha em outra direção ou quando ela se senta muito perto para assistir à televisão, quando os olhos lacrimejam constantemente, quando surge o aparecimento de um reflexo branco nas pupilas e outros.

Mesmo sem problemas aparentes, recomenda-se consultar o médico entre os 3 e os 4 anos. Em caso de problemas, é fundamental que receba tratamento adequado, porque a criança que enxerga mal tende a ser distraída e pode vir a ter dificuldades na escola.

As doenças mais comuns na infância são:

Hipermetropia: A criança vê mal os objetos que estão perto e também poderá ver mal os que estão longe. Até um certo grau, a hipermetropia pode ser considerada normal. Sintomas: a hipermetropia costuma ter os mesmos sintomas do que chamamos, popularmente, de vista cansada. A criança pode ter dor de cabeça, cansaço e vermelhidão nos olhos. Geralmente, desvia um olho para dentro, quando foca objetos próximos (estrabismo).

Astigmatismo: A superfície da córnea não é esférica, provocando visão distorcida. O astigmatismo é, em geral, uma doença de nascença e que pode não piorar. De qualquer maneira, a criança necessitará usar óculos para corrigir a fadiga visual, provocada pelo esforço contínuo dos olhos para focalizar objetos ou para lhe facilitar um completo desenvolvimento visual. Sintomas: dor de cabeça crônica, irritação dos olhos, fadiga, dificuldade de leitura, confunde algumas letras e números.

Miopia: A criança vê bem os objetos que estão próximos, mas vê mal os que estão distantes. Acredita-se que a miopia pode ser encontrada nos pais ou parentes mais próximos. Caso um dos pais seja míope, há 40% de chance de a criança também vir a ser. Se ambos os pais forem míopes, o risco sobe para 60%. A miopia pode ser progressiva. Já existe cirurgia capaz de corrigir a visão desfocada, mas só é recomendada na idade adulta. Sintomas: a criança tem dificuldade para enxergar ao longe. Senta-se muito perto da televisão, enxerga pior à noite, podendo semicerrar os olhos na tentativa de enxergar os objetos distantes. Por vezes, a miopia pode estar associada ao estrabismo.

Estrabismo: Os olhos não focalizam o mesmo ponto, o que leva o cérebro a receber duas imagens diferentes. O estrabismo pode ser resolvido com cirurgia, óculos ou tratamento oclusivo (lente ou olho tapado). Sintomas: A criança pode sentir mal-estar com o excesso de claridade, fechando sempre um olho quando se encontra em uma situação de grande luminosidade, como o sol. Outro mal é adquirir uma posição anômala da cabeça para obter melhor qualidade visual ou o desvio evidente de um dos olhos para dentro, para fora ou para cima.

Um outro aspecto importante a ser considerado na saúde é a obesidade infantil, que cresce no mundo todo. Segundo pesquisas, nos Estados Unidos, as complicações associadas à obesidade representam a segunda causa de morte.

A criança obesa, geralmente, apresenta alterações no comportamento que costumam passar desapercebidas ou não são valorizadas pelos pais e professores. Alterações no humor, revertendo em mau rendimento escolar. O excesso de peso, além de problemas físicos, afeta o aspecto psicológico. Torna a criança triste, com baixa auto-estima e com tendência à depressão. Os gordinhos acabam sendo marginalizados e afastam-se dos colegas. Geralmente, têm humor inconstante, ora aceitam o apelido de boa-praça, aquele que faz rir, ora tornam-se violentos e chantagistas, especialmente em casa.

Para se evitar o excesso de peso na infância, a prevenção deve começar cedo, desde o aleitamento materno. Deve-se utilizar de uma educação voltada para bons hábitos alimentares, uma vida saudável, com a participação dos pais. A medicina ensina-nos que o leite materno deve ser o único alimento pelo menos até o 6.º mês de vida ou como suplemento durante o máximo de tempo possível. Posteriormente, deve-se incutir na criança o gosto por alimentos dos vários grupos.

Os pais não devem esquecer que as crianças aprendem mais com os exemplos do que com as palavras. Na alimentação, como nos valores que devem ser ensinados aos filhos, os pais precisam dar o exemplo. As regras de uma alimentação saudável devem ser seguidas por todos da família. As refeições devem incluir alimentos de todos os grupos. Quando a mãe começar a introduzir ao bebê alimentos sólidos, sua alimentação deve ser rica e variada, com muita cor, sabores e texturas diferentes.

A criança gordinha pode requerer acompanhamento especializado e os pais têm papel relevante no processo. A quantidade de alimentos consumidos ao longo do dia deve ser repartida, estabelecendo-se o número de refeições e os intervalos sobre elas. É importante controlar as quantidades de gorduras, carnes, açúcares. As guloseimas devem ser reservadas para os dias especiais. Quanto mais precocemente se intervém no excesso de peso, mais fácil será reverter o processo. Alimentos comumente contra-indicados: frituras, carnes gordurosas, defumados, embutidos, chocolates, amendoim, amêndoas, cacau. Comer, de preferência, pão escuro ou integral, cereais, vegetais, leite, iogurte, queijo fresco, tudo dosado pelo nutricionista.

Além dos cuidados com a alimentação, a criança deve, de acordo com o seu médico, aumentar sua atividade física.

Os pais, em benefício dos filhos, não devem fechar os olhos para a obesidade infantil. Ela poderá trazer sérios problemas de saúde e de aproveitamento escolar a seus filhos. É fundamental que fiquem atentos ao peso das crianças e as ajudem no momento certo.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2005)

A ESCOLA FRENTE AO “EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO” (ENEM)

Izabel Sadalla Grispino *

Para dar boas respostas ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a escola precisa aprender a desenvolver nos alunos habilidades e competências, no seu processo de ensino-aprendizagem. Aprender a colocar a formação acima da informação, fazer do aluno um cidadão participante consciente. Desenvolver-lhe a capacidade de raciocinar, de interpretar, de interferir na realidade, de resolver os problemas do dia-a-dia.

O aluno, ao construir o próprio conhecimento, ao partir da observação, da manipulação, da pesquisa, da análise, vai vivenciar o conceito ao invés de recebê-lo pronto. Vai internalizar, chegando com mais profundidade ao conhecimento.

A escola deve realizar um currículo com conteúdos contextualizados, próximos da realidade do aluno, e trabalhados de maneira indisciplinar, em conteúdos interligados. Deve ter presente que o objetivo do Enem é medir habilidades e não conteúdo, é processar uma avaliação interdisciplinar.

A título de informação, o Enem do ano passado foi interdisciplinar, apoiou-se em interpretações de textos, aferiu mais compreensão que conhecimento específico. O exame exigiu conhecimentos usados no cotidiano. Não exigiu do candidato muitas contas, mas que ele fosse capaz de aplicar o raciocínio. Não pediu fórmulas. Trouxe questões do dia-a-dia que estão nos jornais: analfabetismo, clonagem, vacinação, cadeia alimentar, ecologia e reciclagem de materiais foram as bases das questões de biologia. A redação teve como tema: “Cidadania e participação social” (o engajamento e a participação social do jovem.

Quanto à inscrição dos candidatos, orientá-los de que a mesma deve ser feita em qualquer agência dos Correios, munidos de um documento original de identidade, com foto. Ele preencherá uma ficha de inscrição no próprio local e pagará uma taxa estipulada, no momento, pelo MEC (com exceção dos alunos carentes). A inscrição pode ser feita em uma cidade e a prova em outra, bastando indicar, no formulário, o código do município desejado. Pode ser feita, também, via procuração.

De acordo com Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), o Enem avalia cinco competências e 21 habilidades gerais desenvolvidas pelo aluno ao longo da Educação Básica. Cada habilidade é medida por meio de três questões e a nota da prova objetiva, numa escala de 0 a 100, é atribuída a partir da avaliação de cada uma das cinco competências, que são as seguintes:

-- Domínio de linguagens: demonstrar domínio básico da norma culta da Língua Portuguesa e das diferentes linguagens.

-- Compreensão de fenômenos: construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.

-- Enfrentamento de situações-problema: selecionar, organizar, relacionar e interpretar dados e informações para enfrentar situações-problema com vista a tomadas de decisão.

-- Construção de argumentações: organizar informações e conhecimentos disponíveis em situações concretas para desenvolver argumentações consistentes.

-- Elaboração de propostas de intervenção na realidade: recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas criativas, considerando a diversidade sociocultural como inerente à condição humana no tempo e no espaço.

Com esta propositura, o Enem afasta a decoreba, derruba o hábito da cola de que tanto a escola se ressente. Reforça a interdisciplinaridade e a contextualização. Esses dois conceitos, no ensino médio, levarão à confecção de livros didáticos orientados mais para a história do contexto, remetendo ao uso de jornais e revistas no dia-a-dia do ensino. “Dificilmente, um livro poderá ser destinado a uma série específica, porque os conteúdos estarão muito relacionados. A liberdade de a escola dividir os 3 anos do curso, em séries ou módulos, impedirá a edição de livros para cada uma das séries, como ocorre hoje. A tendência é que as editoras ofereçam livros para o ensino médio, nos quais estarão os conceitos básicos, que serão tratados em sala de aula de forma diferentemente, de acordo com o nível escolar”, esclarece Ruy Berger, secretário da Educação Média e Tecnológica do MEC.

O “Exame Nacional do Ensino Médio” (Enem) é  uma   indicação  de como será o processo educacional nos próximos anos. Ele segue a atual tendência de ensinar os alunos como usar todas as informações aprendidas no dia-a-dia, na interpretação de informações e na situação de problemas.

Os modelos educacionais vêm sofrendo mudanças. As escolas mudam o foco do ensino, que dava ênfase à memória para contemplar a autonomia dos alunos na aprendizagem, dar-lhes uma maior compreensão de seu cotidiano, fazê-los capazes de tomar decisões e tornar-se mais aptos ao convívio social. Essas são, hoje, as principais tendências do ensino que deverão consolidar-se na próxima década.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2001)

AS TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS E OS PROCESSOS DE PRODUÇÃO

Izabel  Sadalla Grispino *

As atividades humanas apresentam, desde os primórdios da civilização, com variações de intervalos cíclicos, comportamentos mais ou menos padronizados, que refletem seu “modus vivendi”.

Cada nova ordem social, promotora de mudanças, impulsiona novos procedimentos, imprime seu cunho, a sua marca conceitual e metodológica de realização.

Já vai longe o tempo em que era possível desenvolver trabalho artesanal, unitário. Hoje, ainda, existe, sobretudo como idealismo, “hobby” ou lazer, ou como produto de civilizações mais primitivas ou de pequenas corporações.

Na contemporaneidade não há, praticamente, lugar para o trabalho individual. O grau de complexidade a que chegou o fazer humano passou a exigir, num mesmo segmento, diferentes formas do saber, trabalhado de modo complementar. Presentemente, constatamos, nos mais diversos setores da produção, da educação, da economia, a incorporação de atitudes na linha da “troca”, “parceria”, “co-gestão”, “co-autoria”, “trabalho em equipe”, “interação”, envolvendo “relações interpessoais”.

O setor escolar, também, redefine posições. O trabalho individual cedeu espaço ao trabalho conjugado, cada vez mais explorado. Cooperam-se mutuamente: direção, professor, aluno e comunidade. O professor mantém com seu colega uma interligação horizontal – troca de experiência, planejamento conjunto,  conteúdo interdisciplinar, adoção de critérios e linguagens comuns – e vertical – graduação seqüencial do conteúdo, no entendimento de que “o hoje não existe sem o ontem, o amanhã é o resultado do hoje”.

É uma realidade no cenário educacional a interdisciplinaridade, a contextualização, o construtivismo, a formação integral do aluno, a autonomia na aprendizagem, através de uma educação democrática, libertadora, essencialmente crítica – a crítica da ciência faz parte da ciência. Ontem, falávamos em transmissão do conhecimento, supondo um aluno passivo, depositário. Hoje, falamos em construção do conhecimento, supondo um aluno ativo, criativo. Fazemos um corte no modelo tradicional, onde tudo vem pronto.

O planejamento maior do ensino converge para o binômio professor--aluno, o objetivo maior do ensino é o aluno. Para atingi-lo, a escola precisa estar em consonância com a realidade que a cerca. Entrosar-se com esta realidade e trazê-la para o interior da escola são passos importantes para desenvolver, com êxito, seu projeto educacional. Entra num sistema de parceria com a comunidade, mantendo com ela uma troca permanente. A comunidade participa da vida da escola e a escola, da vida da comunidade, procurando ajustar-se uma à outra. A comunidade empresta o seu saber e a sua língua populares e a escola os absorve e os transforma em saber aperfeiçoado, em língua culta. A escola procura interpretar os valores, os anseios da comunidade e dar-lhe respostas favoráveis. Cria-se um intercâmbio, onde a organização da escola, as normas educacionais resultam da parceria de regras, estabelecendo-se uma co-gestão. O pai participa da escola numa conceituação bem diferente daquela em que, praticamente, só era chamado para ouvir reclamação do filho, por alguma falta cometida. Hoje, procura-se conscientizá-lo de todo procedimento utilizado pela escola, buscando-se uma mútua interação. Profissionais credenciados da comunidade são convidados a participar diretamente do ensino, em sala de aula, dando noções de culinária, de carpintaria, de dança, de balé etc. Busca-se uma participação ativa e não meramente simbólica, como, por exemplo, a dos pais. A tendência atual é canalizar a sociedade civil para uma grande participação na educação.

O ensino nas escolas, visando uma aprendizagem efetiva, uma diminuição da repetência e da evasão, não pode criar uma cultura própria, transformando a sala de aula numa estrutura dissociada da vida comunitária, por conseguinte, da vida do aluno. Estamos voltando às origens, à famosa barganha do início da humanidade, perpetuando a sabedoria da solidariedade, da cooperação, para a sobrevivência das instituições e do próprio indivíduo.

Entre os professores, a parceria manifesta-se por uma co-autoria no levantamento de prioridades, de objetivos educacionais, de conteúdos afins, de metodologias, de estratégias, do sistema de avaliação e tantos outros itens correlatos, pertinentes ao planejamento de ensino. Trocam-se experiência e idéias que repercutem na identidade profissional do ensino.

A parceria do professor com o aluno cria, na sala de aula, um clima interativo, um conhecimento articulado, facilitadores da comunicação e da abordagem da educação democrática e libertadora. Ao trabalhar o aluno, sua matéria-prima, o professor marca sua presença na sociedade, quando lhe entrega o resultado de sua obra maior, um cidadão capaz, consciente que de seu desenvolvimento resulta o desenvolvimento do País.

Para chegar a esse bom termo, o professor precisa adequar o seu ensino ao tipo de aluno que recebe, precisa falar, como emissor, a língua do aluno, o receptor. Conhecê-lo bem, conhecer seu universo cultural, deve ser o ponto de partida, centrando a aprendizagem em bases no real, no concreto, e evitar, assim, uma possível inadaptação do aluno aos métodos da escola.

Escola é vida, é experiência de vida. Investigar o cotidiano do aluno, trazer sua vida à escola, relacioná-la, estrategicamente, aos conteúdos do currículo, vão tornar a aula mais atraente, mais condizente com esse aluno.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em junho/2000)

CURIOSIDADES NA APRENDIZAGEM ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), das 43 nações que participaram do exame em 2003, revelou que os meninos se saem melhor em matemática que as meninas. Dentre os países analisados, a única exceção ficou com a Finlândia, onde as meninas tiveram um melhor desempenho. O Brasil, lastimavelmente, obteve o pior resultado de todos os países na disciplina matemática. As meninas fizeram 348 pontos e os meninos 365. A avaliação adotou uma escala que pode passar de 660 pontos. Leitura, embora não tenha sido o foco principal, também foi avaliada. Agora, inverteu-se a posição: em todos os países, as meninas foram melhores, ficaram à frente.

Esse resultado confere com as observações escolares, das instituições de ensino, comprovando a superioridade masculina na matemática e a feminina na leitura. A consultora para o Pisa, na área de matemática, acredita que brincadeiras e afazeres de meninos e meninas na infância podem contribuir para essas diferenças. As meninas, geralmente, ainda assumem tarefas domésticas, cuidam dos irmãos. Os meninos saem mais de casa, jogam futebol e têm uma relação maior com espaço e forma. A área em que as meninas se saem melhor é a chamada quantidade, em que estão mais presentes informações da vida cotidiana. O Pisa constatou que elas conseguem melhor resultado em soluções de problemas que não estão ligados diretamente à disciplina de matemática, como taxas de câmbio e preços.

Essas observações, de cunho cultural e social, podem ajudar a escola a melhorar o contexto da disciplina e desenvolver o interesse e a confiança das meninas em matemática.

Há especialistas em neuropediatria, como o Dr. Luiz C. Vilanova, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que fala haver diferença no mecanismo de dominância cerebral de homens e mulheres. O predomínio do hemisfério esquerdo do cérebro – ligado à lógica, aos códigos – é maior no sexo masculino, que passa a ter mais noções espaciais. Pode ocorrer também no sexo feminino, mas em freqüência menor. Nesse sexo, há uma significativa influência no hemisfério direito, que é o da intuição, razão pela qual, na área da linguagem, as meninas levam vantagem.

Há predominância, não exclusividade, havendo mulheres que se dão bem em matemática e homens, em linguagem. O Pisa 2003 mostrou que os meninos fizeram 11 pontos a mais que as meninas nas provas de matemática, em todos os países; e fizeram 34 pontos a menos que as meninas, na área de leitura.

Em matemática, 16,9% estão nos níveis 5 e 6 de proficiência, os 2 mais altos. Eles somam 12,4% nesses níveis. O exame de matemática do Pisa é dividido em 4 áreas. A que é chamada de espaço e forma e com questões de geometria, raciocínio espacial e modelos bi e tridimensionais  registra as maiores diferenças a favor dos meninos.

A pontuação geral dos jovens brasileiros foi de 356, o que deixou o País abaixo do nível 1 de proficiência, o mais baixo. Isso quer dizer que eles não são capazes de compreender conceitos básicos ou calcular resultados combinatórios em uma situação limitada e bem definida. Para o MEC, a defasagem idade/série prejudicou os brasileiros. No Brasil, muitos alunos de 15 anos não estão no 1.º ano do ensino médio, como seria o correto, e sim na 7.ª ou 8.ª série, não  tendo, dessa forma, aprendido muitos conceitos pedidos nos exames. Os mais bem posicionados do ranking foram Finlândia e Hong Kong, que ficaram no nível 4, com cerca de 500 pontos.

Do ponto de vista social, o menino é canalizado para a individualização, baseado no afastamento. As meninas para o apego e verbalização, por isso têm mais facilidade nas comunicações. A sugestão de especialistas é de que melhores práticas educativas, principalmente das famílias, podem mudar essa situação. As diferenças inatas ente os gêneros, conforme fala a ciência, devem despertar na metodologia escolar caminhos criativos, situações de aprendizagem que incentivem a superação de dificuldades.

Do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) participam países-membros e convidados. São avaliados meninos e meninas de 15 anos de escolas públicas e particulares. A avaliação é feita a cada 3 anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE). A cada ano, o Pisa dá ênfase a uma área do conhecimento. Em 2000, foi leitura, em 2003, matemática, em 2006, será ciências e, em 2009, leitura novamente. As questões abordam resolução de problemas. A maior parte delas – 72% – é dissertativa e o restante de múltipla escolha. Os resultados se prendem à pontuação do total de alunos de cada país, classificado em níveis de proficiência, que vão de 1 (mais baixo) ao 6.

*Supervisora de ensino aposentada
(Publicado em dezembro/2005)

COOPERATIVA EDUCACIONAL

Izabel Sadalla Grispino *

Diferentes organizações de ensino surgem no cenário educacional do País. Uma modalidade de escola em expansão são as chamadas cooperativas educacionais, formadas pelos próprios pais. Elas despontam em razão do descontentamento com o ensino público, com o particular, no aumento das suas mensalidades, e nos últimos cinco anos cresceram cerca de 80%.

As escolas cooperativas, no Brasil, iniciaram-se na década de 90. Há, atualmente, no País 625 escolas que são cooperativas filiadas à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). No Estado de São Paulo, são 55, a maioria funcionando no interior. Em 1992, existiam apenas quatro cooperativas educacionais no Estado de São Paulo, mas o sucesso dessa organização tem ensejado a sua evolução.

São os pais dos alunos os fundadores da cooperativa e também seus financiadores. Para a abertura, cada pai contribui com cerca de R$ 300,00, acrescidos, por mês, do rateio das despesas. A mensalidade é substituída pelo rateio, que varia de escola para escola e é controlado pelos seus membros. Quando os filhos saem da escola, os pais deixam a cooperativa e levam o que restou de sua parte no capital. Novos alunos significam novos pais cooperados. Os pais cuidam da escola com dedicação e interesse, como uma construção deles. Em média, é 40% mais barato que as mensalidades das escolas particulares.

A escola é administrada pelos pais, por meio de conselhos eleitos e a responsabilidade pela execução da linha pedagógica, escolhida pelos pais, cabe ao professor e aos profissionais da área da educação contratados pela cooperativa. Tem tido prioridade a adoção do modelo de ensino que se apoia no método socioconstrutivista. O cooperativismo é ressaltado como uma construção de valores.

Nem todos os pais trabalham na administração da escola, mas todos estão por perto, com direito a esclarecimentos e a opinar. Os pais que não fizeram parte da fundação das cooperativas usufruem igualmente da participação direta da gestão e abraçam a causa com o mesmo sentido de sucesso educacional.

Estas escolas não visam lucro, têm como principal objetivo a boa formação do aluno. A sobra de dinheiro vai para melhorar a infra-estrutura, quer dos recursos humanos, na capacitação docente, quer dos recursos materiais, na compra de equipamentos, de material didático-pedagógico. Nas escolas particulares, o pai paga a mensalidade, praticamente se retrai e aguarda o resultado. Nas cooperativas, eles crescem com a participação, quer da esfera administrativa, quer da pedagógica. Isso resulta em um triplo incentivo: da escola, dos pais e dos alunos.

A escola cooperativa é um trabalho interativo entre família e escola. Há um envolvimento produtivo. É uma escola que precisa mostrar serviço, comprovar um bom rendimento escolar, manter bom conceito. Revelam as estatísticas que as cooperativas educacionais têm demonstrado um padrão muito bom de ensino. Elas criam condições para ter qualidade.

Há escolas cooperativas que se tornaram famosas pelo sucesso de seus alunos, como a escola de Goiatuba, no interior de Goiás, fundada em 1992, tendo hoje cerca de 400 alunos. Nestes últimos vestibulares da Fuvest, Unicamp e Fundação Getúlio Vargas, um seu aluno, Lucas Mendes, foi o 1.º colocado. Outras cooperativas educacionais aprovam, segundo dados de pesquisa, alunos do ensino médio, em vestibulares concorridos, sem necessidade de freqüentar cursinhos.

Não se tem notícia de cooperativas educacionais mal organizadas, mal sucedidas. O empenho dos pais contamina professores e alunos e no conjunto há um esforço, uma vontade de todos, para colocá-las em um bom termo, em um bom desenvolvimento.

As escolas cooperativas são regidas pela Lei Federal n.º 2.764/71. As pessoas, os pais, interessados em formar uma cooperativa educacional, devem valer-se dos seguintes requisitos: constituir, pelo menos, 20 pessoas que pagam a cota-parte, formando o capital da cooperativa. Essas pessoas farão parte da assembléia, que elegerá o conselho administrativo e o conselho fiscal da cooperativa, ambos com mandato de dois anos. Cria-se o estatuto da cooperativa, registra-o na Junta Comercial e na Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp) ou do Estado correspondente. Uma equipe de educadores, que também pode ser outra cooperativa, é contratada para executar a linha pedagógica, já escolhida pelos pais.

As cooperativas educacionais são uma excelente oportunidade para não se onerar as despesas da família, com a vantagem de ver os filhos freqüentando uma escola que prima, acima de tudo, por seu bom nome, oferecendo um ensino de qualidade, um ambiente regido pelos próprios pais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2002)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

UM OLHAR DIRETO PARA O CÉU

Izabel Sadalla Grispino *

Há, entre os humanos, um fascínio pelo céu que perpassa as gerações, que habita o imaginário da criança e do adulto. Um projeto inovador, estimulador da aprendizagem científica, que irá encantar os alunos, está sendo montado por astrônomos de vários institutos brasileiros. Em fase piloto, os elaboradores do projeto estão importando telescópios a favor da educação de crianças e adolescentes das escolas da rede pública.

O programa conta com a participação de seis universidades do País, cada uma delas com uma escola parceira. Pela internet, alunos e professores poderão monitorar os equipamentos e fazer observações do espaço em tempo real. Poderão observar a lua, acompanhar diferenças de brilho das estrelas dentro de salas de informática em escolas públicas. Os alunos vivenciarão um projeto científico de alto nível.

O projeto intitula-se Observatórios Virtuais e tem como coordenador Laerte Sodré Júnior, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAGUSP). Baseia-se em um programa americano semelhante, patrocinado pela Nasa, que usa um telescópio do Instituto Tecnológico da Califórnia.

O projeto Observatórios Virtuais é gratuito para as escolas que quiserem dele participar. A única exigência, para a observação do espaço, é o software, que permite monitorar os telescópios. O software está sendo desenvolvido pelo IAGUSP e ficará disponível no próprio site do projeto. A previsão é que o programa esteja aberto a todos, sem custos, em meados do ano que vem. Contudo,  já desperta curiosidade geral. Vai usar telescópios acoplados a redes de computadores e para participar dela as escolas precisarão apenas de computadores ligados à internet.

O pesquisador do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), André de Castro Milone, fala da observação espacial nas escolas como um processo simples. “Ninguém vai colocar o olho no telescópio. O aluno ou o professor digitará no computador a coordenada do objeto a ser observado e o aparelho se movimentará seguindo essas recomendações. É como se estivesse dizendo a ele: direcione para a lua ou para uma determinada estrela”.

O computador ajuda porque permite exposições mais prolongadas e coleta imagens melhores que o olho humano. Em São José dos Campos, o Inpe acaba de construir um miniobservatório para abrigar um dos telescópios que está sendo importado.

O projeto provoca forte interesse nos alunos, que vão, com entusiasmo, de madrugada, às aulas na escola. O Colégio Bandeirantes é um dos únicos no País que participa, há dois anos, do programa americano que inspirou o brasileiro. Por isso, nessa fase inicial os seus alunos vão aproveitar o telescópio de São Paulo que ficará no IAG. O professor do Bandeirantes Airton Borges, que participará da execução do projeto, diz que com “apenas os conhecimentos básicos de geografia, os estudantes conseguem fazer o reconhecimento do céu e trazer uma nova discussão para a escola”. Procuram por supernovas em galáxias que o telescópio pode visualizar. Aprendem astronomia de verdade, bem mais real do que está nos livros.

Nos Estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Santa Catarina, o projeto piloto será realizado com estudantes de escolas públicas. No Rio Grande do Sul, será em um colégio militar. Os professores dessas escolas e mais os dos colégios que vierem a aderir ao projeto receberão um treinamento especial para orientar os alunos a fazer as observações e as pesquisas.

O projeto Observatórios Virtuais está sendo financiado pela Fundação Vital. Cada telescópio custa em média 6 mil dólares. Aos poucos o aluno vai entendendo e manuseando melhor o telescópio, com uma análise sobre os assuntos, cada vez mais objetivo, mais lógico.

Este é um projeto ousado, de longo alcance, que tem a propriedade de se abrir à escola pública, tão necessitada de avanços tecnológicos.

Há, atualmente, um crescente interesse pela astronomia. Este ano, realizou-se na Rússia, na cidade de Bukova, a 7.ª Olimpíada Internacional de Astronomia e um aluno brasileiro do 2.º ano do ensino médio do Colégio Objetivo, Felipe Augusto Cardoso Pedreira, ganhou a medalha de bronze. Apenas o Brasil representou o continente americano e Felipe concorreu com 50 estudantes de 21 países. Ele participou de exames teóricos, práticos e de observação. Antes da etapa internacional, disputou com outros 60 mil alunos brasileiros. Ele já está classificado para a Olimpíada de 2003.

Neste Natal, envio meu abraço a todo morador desta querida cidade, pedindo a Jesus que derrame, em seu coração, esperança de uma  vida  harmoniosa e feliz. Que neste Natal, o mundo coloque paz no lugar da violência e que os homens se reconheçam como irmãos em Cristo. Levo aos prezados leitores a inspiração que, este ano, o Natal me passou.

N A T A L

O colorido na terra ressurge,
Magia inexplicável,
A vaquinha novamente muge,
Natal é emoção renovável.

A cada ano vem mais exuberante,
Vem, como se fosse a primeira vez,
Põe os homens na ala dos amantes,
Provoca na alma uma certa embriaguez.

Assim, são todos os Natais,
Cumprimentos, alegrias e abraços,
O grande afago dos mortais,
Perene, varre os tempos, os espaços.

Seria o Natal fruto da imaginação?
Da necessidade do sonho, da esperança?
A verdade é que ele habita cada coração,
E Jesus renasce no sorriso da criança.

A cada idade, um voto especial,
A cada nação, uma prece que apraz,
Mas, em todos, um desejo universal:
Que o Natal reuna os povos na santa paz.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2002)

VÍNCULOS ENTRE EDUCAÇÃO E POBREZA

Izabel Sadalla Grispino *

O estudante brasileiro de baixa renda tem no estudo seu passaporte para o mercado de trabalho, o qual consegue somente através de bolsas de estudo. Financiar os estudos dos estudantes carentes é lutar pelo desenvolvimento social da nação.

O jovem pobre, hoje, é consciente da necessidade de se freqüentar um curso superior para melhorar de vida. O Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ), divulgado em março de 2004, revela, surpreendentemente, que, ao contrario do que se fala, o jovem brasileiro gosta de trabalhar, quer estudar e luta para conseguir trabalho e conciliá-lo com os estudos.

Políticas afirmativas vêm surgindo, cada vez mais, nos meios educacionais. A educação começa a criar vínculos com a pobreza. A Universidade de São Paulo (USP), como alternativa à política de cotas para ingresso ao ensino superior, vai implantar um cursinho pré-vestibular gratuito. Deverá ser inaugurado em 1.º de julho do corrente ano, na zona leste da capital, uma das áreas mais carentes de São Paulo. Serão oferecidas 5 mil vagas para alunos da escola pública da região. As aulas do cursinho pré-vestibular e as apostilas serão supervisionadas por professores da USP, dadas por alunos da USP, que receberão capacitação e bolsa em dinheiro. O cursinho irá reforçar as 9 disciplinas do ensino médio e as aulas devem ser dadas em salas ociosas da rede estadual de ensino. A Secretaria Estadual de Educação entrou como parceira da USP, financiando o projeto.

Outra medida de ajuda da USP será a concessão, ainda para este ano, de 60 mil inscrições da taxa de vestibular da Fuvest para estudantes de baixa renda. No ano passado foram oferecidas 20 mil.

O cursinho pré-vestibular será de grande valia, porque irá socorrer alunos oriundos da rede pública, de um sistema de ensino decaído; alunos sem condições de pagar cursinhos particulares. Cinco mil vagas é um número insuficiente, o Educafro atende 9 mil alunos carentes, mas é, sem dúvida, uma iniciativa, um primeiro passo que será, certamente, seguido de outros. A tendência é crescer.

A formação de um cursinho pré-vestibular comunitário foi a alternativa que a USP encontrou, diante da política de cotas que o Ministério da Educação tenta implantar. A USP prefere ajudar na formação dos alunos do ensino médio, nas deficiências curriculares desse ensino, que aceitar aluno sem qualificação para os seus cursos, o que iria desestabilizar o seu padrão de ensino. Essa convicção foi reforçada após a primeira lei de cotas destinadas aos alunos da rede pública, aprovada pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, em 2000. Na ocasião, os professores das universidades estaduais exigiram que se implantasse um Sistema de Acompanhamento do Desempenho dos Estudantes do Ensino Médio paralelo. Instituiu-se uma prova e os alunos que obtivessem conceitos D e E não poderiam pleitear a inclusão nas cotas. Em outubro de 2002, foi feita a primeira avaliação e 42,2% tiveram conceito E – menos  de 20% de acertos na prova – e 34%,  conceito D – menos de um terço de acertos na prova.

A avaliação preliminar às cotas mostrou uma precária formação, incapacitada à freqüência de uma universidade pública. Entendeu a USP que a desigualdade social não se corrigirá através de cotas e, sim, por melhorias no ensino público.

Ainda sobre o debate de cotas, o reitor Adolpho José Melfi revelou números do vestibular da USP de 2003, que mostram não ser apenas a origem racial ou pobreza os impedidores do ingresso à universidade. Entra aí, com peso considerável, a escolaridade dos pais. 34% dos inscritos no vestibular eram alunos do ensino médio público. Entre os aprovados, o índice foi de 18%. O que chamou a atenção foi o fato de, nesse montante, apenas 2% dos aprovados ter renda familiar mensal per capita inferior a R$ 500,00. Candidatos que conseguiram ingressar nas melhores universidades, tanto estaduais com federais, geralmente, têm pai e mãe com curso superior completo. Em alguns cursos, a porcentagem chega a 80% dos aprovados.

Esses dados vêm comprovar como o ambiente cultural interfere diretamente na aprendizagem do aluno. Analistas sociais citam a baixa escolaridade dos pais como forte fator de exclusão social, sobrepujando a faixa de renda familiar.

Quando se fala em baixo nível de escolaridade, a qualidade de vida surge como espelho refletor da realidade. Fatores culturais empobrecidos geram nível de ensino empobrecido. O ambiente cultural nativo tem peso considerável no desequilíbrio social. Que se arregimentem forças na ajuda ao aluno carente, seja por financiamentos, por bolsas de estudo, vagas estatizadas, vagas oficiais, cursinhos pré-vestibulares, isenção de taxas de inscrições ao exame vestibular, ou por outros mecanismos que venham facilitar o aluno pobre a estudar.

Que esses estudantes não sejam eles os pais, sem curso superior, a interferir negativamente na boa aprendizagem de seus futuros filhos. Que a médio prazo possamos reverter esse quadro, substituindo-o por um mais iluminado panorama educacional. Uma forte corrente de motivação deve percorrer os estratos mais pobres da população, provocar um renascimento, não deixando que o aluno pobre, ao concluir o ensino médio, pratique um ato de renúncia, de auto-exclusão. Esse aluno eleva sua autoconfiança quando percebe viabilizado economicamente o seu ingresso ao ensino superior.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2004)

ATENDIMENTO À CRIANÇA DEFICIENTE

Izabel Sadalla Grispino *

Nas semanas anteriores abordei o desafio das escolas no trato da criança hiperativa e do aluno superdotado. Junto a esse desafio, um outro problema vem se revelando na inclusão da criança com deficiência.

Os pais quase sempre perambulam de uma escola a outra, buscando uma que acolha, com carinho e interesse a inclusão de crianças portadoras de deficiências, necessitando de uma educação especial..

A grande maioria das escolas rejeita essa criança, argumentando que não tem espaço, nem condições apropriadas para o seu atendimento. Passa por cima da Constituição Brasileira e de diversas leis que garantem a universalização do ensino em detrimento da discriminação.

Na verdade, essas escolas não estão preparadas, nem física, nem pedagogicamente, para entender o aluno com deficiência e ajudar no seu desenvolvimento cognitivo, motor ou comportamental. Forçar a permanência desse aluno, que precisa de diferentes métodos de aprendizagem, de estímulo a um ensino que utiliza de formas diferenciadas, numa escola despreparada, desmotivada, só irá contribuir para o seu desalento.

O correto seria toda escola regular, particular ou pública, estar habilitada à inclusão, formando seus educadores, na base da conscientização de que toda criança tem capacidade de aprender. O que precisa é respeitar o tempo cognitivo da criança, ensinar com entusiasmo, acreditar no seu potencial.

Hoje se sabe que para uma criança deficiente é importante conviver com outras crianças. Essa convivência é proveitosa para todas elas, deficientes ou não. Para a criança com deficiência, o convívio estimula o seu desenvolvimento e cria parâmetros de comportamento social. Para as outras é uma forma de desenvolver o companheirismo e derrubar preconceitos advindos da falta de informação. No decorrer da vida, as crianças que conviverem com as diferenças na escola, aprenderam, desde cedo, a olhar o deficiente com mais compreensão, com mais senso de realidade.

Quanto à escola, os pais nem sempre sabem como proceder: colocar o filho em escolas regulares, mesmo havendo discriminação, ausência de metodologia apropriada, ou coloca-lo em escolas especiais onde será atendido adequadamente, mas prejudicado pelo convívio social? O bom seria que escolas regulares buscassem a formação de seu professores, tendo as escolas especiais como coadjuvantes na orientação do ensino. Bom seria que as escolas regulares incluíssem em seus projetos pedagógicos temas relacionados à inclusão, metodologias que propiciassem a observação das dificuldades, de desenvolvimento das potencialidades, dentro do ritmo próprio da criança com deficiência.

Há municípios que criam programas de inclusão, fornecendo embasamento pedagógico a todas as unidades escolares. Programas em que professores habilitados itinerantes dão apoio à escola, programas que oferecem salas de apoio e acompanhamento ao aluno. É um atendimento complementar realizado fora do horário normal da escola.

Empunhar a bandeira da inclusão leva ao amor a essas crianças e ao estímulo à sua aprendizagem.

*Supervisora de ensino aposentada.           
(Publicado em abril/2007)

CONTROVÉRSIAS QUANTO AO USO DO COMPUTADOR

Izabel Sadalla Grispino *

Aprender a viver na sociedade hoje é aprender a compreender a necessidade de uma educação de qualidade. A boa escola leva o jovem a recuperar a confiança na estrutura educacional. Essa escola sabe, pedagogicamente, como lutar pelas dificuldades de aprendizagem dos alunos e como fazê-los galgar os degraus do saber. Coloca como prioridade o desafio da qualidade de ensino e acompanha as mudanças requeridas por um mundo em acelerada mutação.

O aluno, nessa escola, passa a confiar mais no futuro, nas suas possibilidade de realização. Essa escola sabe que o crescimento econômico do País é indispensável ao seu desenvolvimento, mas sabe que desenvolvimento com distribuição de renda tem seu maior peso na educação.

A boa escola tem que definir sua linha pedagógica e a época se caracteriza por uma gama considerável dela e muito voltada ao uso do computador. Utiliza precocemente o uso da informática alegando exigência da época, adaptação à sociedade.

Curiosamente, contrária ao uso do computador por crianças, há uma linha que vem sendo considerada, discutida, e recebendo adeptos. Essa pedagogia combate o uso da tecnologia na rotina das crianças, como se faz comumente nas grandes escolas. O prof. Valdemar Setzer, da Universidade de São Paulo (USP), titular do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística, preconiza que o computador seja utilizado somente a partir dos 17 anos de idade: “Deixe as crianças serem infantis, não lhes permita o acesso à TV, joguinhos eletrônicos e computadores”.

No seu artigo “Contra o uso de computadores por crianças e jovens” relata conclusões a que chegou, como “ser o pensamento abstrato, forçado pelo computador, prejudicial aos menores de 16 ou 17 anos. Força-os ao uso de uma linguagem e um tipo de pensamento totalmente inadequado a essa faixa etária. Eles ainda não possuem uma maturidade intelectual adequada”.

Essa metodologia é compartilhada pelas escolas que abraçam a pedagogia Waldorf, introduzida pelo austríaco Rudolf Steiner, em 1919, na Alemanha. A base é deixar que a criança brinque por si, com o mínimo de estímulo externo. A escola programa-se para que não haja interferência no desenvolvimento, com a criança criando recursos próprios. Limites, contudo, são colocados suavemente pelo professor.

A criança na pedagogia Waldorf está sempre ativa. Os dias são preenchidos com atividades artísticas e artesanais. Brincam com bonecas confeccionadas por elas, sobem em árvores plantadas na escola, ouvem, em roda, histórias, contos do folclore, fazem teatro de marionetes, com cirandas e poesias.

A escola considera que os brinquedos manufaturados limitam a fantasia. Não adere à tendência, de hoje, de deixar a criança passiva diante da TV ou do computador. Prima pela individualidade de cada um, fazendo a criança desabrochar no seu potencial. Quanto ao computador, é contra ao seu uso precoce, por exigir muita concentração e mesmo abstração, num período em que a criança e o jovem não estão bem desenvolvidos intelectualmente e, conforme já está comprovado, a aceleração da intelectualidade é altamente prejudicial à criança e ao adolescente.

O prof. Setzer diz “não existir pesquisa científica que mostre os benefícios do uso do computador como ferramenta didática ou de lazer na infância. Você pensa que usa o computador, mas freqüentemente é ele quem usa você. Em qualquer uso, o computador força um raciocínio matemático restrito, lógico-simbólico e o jovem tem de ter uma maturidade muito grande para se controlar”. Para comprovar sua tese, diz não ter deixado seus 4 filhos terem acesso a computadores na infância. Hoje, um deles, de 32 anos, é diretor da Oracle, um dos principais fabricantes de software do mundo.

Além de acelerar a intelectualidade, o computador não dá margem à interação e a escola deve priorizar atividades em conjunto. Aprender sozinho limita o indivíduo, não o ajuda na socialização, na troca. O computador é um instrumento mecânico de aprendizagem, afasta o elemento humano, indispensável na educação. O trabalho coletivo traz maior prazer, um brincar mais produtivo, mais criativo. O contato com o humano faz a criança tornar-se mais tranqüila. A TV é igualmente barrada nessa pedagogia.

Além das escolas que adotam o método Waldorf, onde as crianças se desenvolvem em atividades naturais, outras vêm aderindo, senão total, mas parcialmente, às orientações de preencher os espaços da criança em atividades que as afastem do computador e da TV. Escolas particulares programam atividades para receber alunos no período de férias, em janeiro. Atividades como pintura, plantação, cavalgadas, culinária e até relaxamento para crianças de zero a 7 anos. Há preparação de horta para plantar cenouras, rabanetes, confecção de fantasias e banhos de boneca.

Quanto ao processo de afastar a criança e o jovem do uso do computador, surgem grandes celeumas entre os educadores. Atualmente, a grande maioria das escolas coloca crianças de 3 anos diante do computador. Adota desde cedo o seu uso atraindo clientela com esse sistema. As crianças, desde o jardim, vão se familiarizando com as máquinas e seu uso se prolonga no ensino fundamental, com aulas formais de informática.

A filosofia dominante dessas escolas é o ajuste da educação à sociedade reinante. Acreditam que se ficar fora da informática estarão prejudicando a juventude atual, deixando-a fora de seu tempo.

Qual o melhor caminho a seguir? Barrar totalmente a tecnologia à criança e ao jovem até a idade proposta por Setzer ou introduzi-los cedo ao seu uso? Setzer não está contra o uso do computador, mas eliminando o seu uso precoce, em obediência às fases do desenvolvimento cognitivo da criança e do jovem e utilizando-o no momento certo.

A informática é a coqueluche do momento, uma forte alavanca do futuro. Quanto ao seu uso precoce, exigindo, de acordo com especialistas, uma maturidade intelectual que a criança não tem, não haveria necessidade de mais estudo, mais observação, para uma mais ajustada conclusão? Até lá, não seria viável a adoção de um meio termo, de uma adequação aos níveis de abstração, uma graduação no raciocínio formal, hipotético-dedutivo?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2005)

MUDANÇAS NA REFORMA DO ENSINO

Izabel  Sadalla Grispino *

Muito já se tem falado ou escrito sobre a reforma do ensino, mas o que parece é que ela está sendo sofrivelmente entendida e aplicada, em boa parte das escolas. Hoje, se preconizam voluntários da educação, pessoas da comunidade, da sociedade em geral, que, de alguma forma, possam contribuir com a escola, enriquecer seu conhecimento, seu currículo, inclusive sob a forma de atividades aos alunos. Este artigo engloba o objetivo de fornecer às escolas subsídios à reflexão sobre a nova realidade escolar, inscrita nas proposições emanadas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).

A escola precisa fornecer parada para a meditação, para a reequilibração num processo de feed-back. “Um professor que não pára para rever sua prática pedagógica, se ver em atuação, trocar com seus pares, é um professor literalmente tragado pela “fazeção” do dia-a-dia, que acaba ficando sem sentido”. (Paulo Freire)

Surge uma nova concepção de currículo e, com ele, uma nova concepção de escola. Nova em seu formato, em seu funcionamento, em sua organização, requerendo uma profunda revisão das metodologias de ensino. Uma escola que deve estar apoiada em avaliações periódicas, renovando-se, ajustando-se a um mundo em permanente mutação, para o qual o ensino tradicional tornou-se inapropriado, obsoleto.

Revoluciona-se o conceito de currículo, que tem, agora, sua maior característica na flexibilização. A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) prevê a flexibilização na organização de cursos e carreiras e por isso torna possível a mudança que vale tanto para as escolas públicas como para as privadas. A idéia central é substituir a atual estrutura curricular, baseada em disciplinas e carga horária fixa, por outros modos de organização. Na educação básica por: “séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência” e em outros critérios e formas diversas de organização, como módulos, reclassificação de alunos, aceleração da aprendizagem... No ensino superior a LDB prescreve que “alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos... podem ter abreviada a duração de seus cursos”.

O novo currículo substitui padronização por flexibilização. Vivemos numa sociedade plural, plural que deve ser usado para o enriquecimento, para o acréscimo, não para a unificação. A reforma adota currículos que buscam a cultura compartilhada, atualizada, incluindo a informal, onde a leitura de jornais e revistas deve ser pensada como uma de sua parte integrante. O currículo formal só é autêntico se apoiado no currículo oculto, oriundo da vida do aluno, sua cultura, suas variadas influências. O projeto pedagógico da escola precisa contemplar o contexto sociocultural, trabalhar a metodologia interativa, interdisciplinar, contextualizada, com o foco do currículo caracterizado mais por competência cognitiva de caráter geral que por informações. “No lugar de uma cabeça bem cheia, uma cabeça bem feita”, nos ensinava no século XVII o pensador francês Montaigne.

As modernas teorias pedagógicas têm suas raízes no passado, foram estruturadas ao longo dos séculos. Reforçam, entre outras, o pragmatismo lançado pelo educador norte-americano John Dewey, que antes da década de 30 dizia: “Escola é vida, não é preparação para a vida”. Propunha que a escola desenvolvesse aptidões e habilidades nos alunos por meio de experiências vividas; é o famoso “aprender fazendo”. Piaget e Bruner, influentes mentores da educação moderna, na 2ª metade deste século, possibilitaram-nos a formação de programas de ensino mais realistas, conteúdo mais acessível, métodos de ensino e de aprendizagem mais adequados aos alunos. “O aluno é um ser que interage com a realidade”, dizia Piaget.

As disciplinas tradicionais do currículo devem estar relacionadas aos aspectos essenciais da vida do cidadão, como ética, saúde, meio-ambiente,  movimentos  culturais,  sexualidade,  pluralidade  cultural,  mito  da democracia

social, vivência familiar, social e outros. Esses temas serão incluídos e trabalhados em associação às áreas convencionais, conforme recomendam os “Parâmetros Curriculares Nacionais”. A escola abre oportunidade para que os alunos aprendam temas normalmente excluídos e atua propositadamente na formação de valores e atitudes.

O currículo de todos os níveis de ensino contém uma base nacional comum, complementada por uma parte diversificada que variará de conformidade com as “características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela” (LDB). Deve nortear-se pela interdisciplinaridade –  interligando as diversas áreas do saber  – pela contextualização. A interdisciplinaridade promoverá ao aluno uma formação geral mais ampla e a contextualização buscará solução dos problemas sociais no seu trato com o cotidiano.

INTERDISCIPLINARIDADE – As disciplinas inter-relacionadas fornecem ao aluno um conhecimento globalizado do assunto. Na universalidade, por exemplo, vem corrigir distorções do ensino superior e da especialização excessiva dos cursos de graduação realizados em departamentos e cursos desintegrados dos demais. Hoje, os profissionais mais qualificados para o mercado de trabalho são os chamados especialistas generalizantes, que, junto ao conhecimento de sua área e especialização, devem ter a capacidade de adquirir informações sobre outras áreas, facilitando o conhecimento do papel de outras pessoas e uma melhor interação entre elas.

A interdisciplinaridade, aliada às diretrizes curriculares básicas comuns a todos os cursos, levará a especialização para os últimos anos, o que faz repensar na forma atual do exame vestibular, que força o estudante à escolha precoce, a uma especialização com escolha preestabelecida.

CONTEXTUALIZAÇÃO – O ensino das disciplinas tradicionais deve estar relacionado aos contextos: trabalho, ambiente, convivência social, movimentos culturais e outros. Estes relacionamentos rompem com o modelo de educação, no qual o aluno não sabe aplicar na vida a teoria aprendida na escola.

Ao evitar conhecimentos descolados da realidade, a escola afasta o enciclopedismo dos currículos, colocando os objetivos do ensino próximos ao dia-a-dia da sala de aula. A nova proposta parte do pressuposto de que o conhecimento não está mais parado nas enciclopédias, ao contrário, sofre mudanças espantosas.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março de 2000)

O NÍVEL SOCIOECONÔMICO E A APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Comprovadamente, o nível socioeconômico dos alunos repercute no seu desempenho escolar. A condição social e familiar são fatores que influenciam a aprendizagem.

O Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), de 2004, anexou à prova de leitura um questionário aos alunos da 3.ª série, sobre sua condição de vida, dedicação à escola e escolaridade dos pais.

O desempenho geral da série, sem levar em conta a condição dos estudantes, foi de 0,3% no nível ótimo de leitura, 5,8% no muito bom, 27,1% no bom, 37,7% no regular, 12,1% no insuficiente e 17,1% no abaixo do insuficiente. Os alunos da 3.ª série tiveram resultados semelhantes aos apresentados nas demais séries.

Um cruzamento de dados revelou que mais de 60% dos alunos que vivem em casas sem luz elétrica, por exemplo, ficaram em níveis de leitura insuficiente ou abaixo de insuficiente. As notas ruins se repetem entre os que moram em ruas sem calçamento ou casas que não têm água encanada.

A escolaridade dos pais também revelou conseqüência ao desempenho do aluno na prova. Mais de 54% das crianças cujas mães ou pais nunca estudaram estão nos piores níveis, significando que elas não são capazes de ler qualquer tipo de texto apresentado no exame, mesmo tendo, no mínimo, 9 anos de idade; a maioria tem mais.

Quando os pais cursaram o ensino superior ou mesmo o ensino médio, mais de 40% dos filhos estão nos níveis bom, muito bom e ótimo de leitura. Já compreendem trechos de reportagens, fábulas, propagandas em histórias em quadrinhos.

A tabulação mostrou, ainda, a influência negativa de defasagem entre idade e série. Mais de 67% das crianças que têm 13 anos ou mais e continuam na 3.ª série se encontram nos níveis insuficientes ou abaixo de insuficiente. Entre os que estão com 9 anos, 24,4% tiveram esse desempenho e 75,6% ficaram acima do nível regular, isto é, acertaram mais de 50% das questões.

Um grande princípio pedagógico é a escola aproximar-se da vida de seus alunos. Conhecer a realidade que os cerca e suprir, de alguma forma, as deficiências encontradas. Alunos marcados pela pobreza, pela ausência de bens culturais, devem encontrar na escola meios de suprir suas necessidades. Se moram em localidades onde não há eletricidade em casa, não têm, nessas condições, acesso à TV, ao vídeo, ao computador, sem falar das condições financeiras que não permitem tais comodidades.

A escola pública oferece a possibilidade de reposição desses recursos, que auxiliam a aprendizagem? O professor não pode se valer da idéia de que o aluno não vai aprender porque é pobre. Não pode se apoiar em suas condições de pobreza para justificar seu atraso. A escola tem que se preparar para desenvolver esses alunos, chegar até eles, reconhecer suas falhas, suas dificuldades e trabalhar as deficiências apresentadas.

No meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), no tópico “A inclusão do aluno à escola”  (pág. 55) eu digo: “Um dos objetivos prioritários da escola refere-se à inclusão do aluno no ambiente escolar. Em muitas localidades, especialmente nas periferias, é necessário incentivar o aluno a ir à escola, fazê-lo trocar o cotidiano das ruas pelo da escola. Nessas regiões, a escola compete com a rua... A escola precisa adotar projetos que resgatem a cultura popular da região. A construção da identidade, com base na educação que leva em conta as raízes, ajuda as novas gerações a manter o vínculo com a terra, sua gente, suas tradições.

O nível socioeconômico é um forte ponto a se considerar, tem séria influência, séria repercussão no andamento do projeto pedagógico e a ele deve ser ajustado...

O objetivo maior da educação é o aluno, ajustar-se a ele, conquistá-lo, ajudá-lo no desenvolvimento de sua personalidade, significa ganhar esse aluno para a escola... Tudo em educação gira em torno do aluno, em torno de sua boa formação... A escola não pula etapas, não tem como “fazer de conta”; a realidade é seu espelho, seu suporte, sua consistência. Ela parte do nível encontrado, seja do mais elementar e busca atingir um nível mais elevado, numa progressão continuada. Vale-se da conceituação de que a sala de aula é uma comunidade de investigação, um espaço de relações humanas, um lugar de interação social, zona de desenvolvimento proximal (Vigotsky). O grupo é sempre heterogêneo. O professor deve ficar atento às diferenças individuais, às diversidades e valorizá-las...

A escola vale-se da alternativa de que a escolaridade é a variável capaz de eliminar as diferenças sociais. “Educação é um ato de amor, de conexão, um ato de responsabilidade, de compromisso, de consciência social”.

A escola, imbuída desses conceitos, saberá encontrar o caminho da realização do aluno carente. Saberá programar ações, currículos, capazes de alcançar esse aluno. Saberá prever-lhe em seus projetos pedagógicos um lugar de tratamento adequado, definindo instrumentos que cheguem até ele. A escola abraçará o desafio de vencer a crise de aprendizagem, descobrindo o potencial do aluno, indo a ele não pelas deficiências, mas pelo que ele pode oferecer.

Esse comportamento da escola é inevitável. Com pesar vemos a divulgação da avaliação do Saresp, em que o maior contingente  dos alunos das escolas estaduais de São Paulo tem nível regular de leitura. Isso significa que muitos deles, dependendo da série, não são capazes de interpretar um texto, se os conteúdos não forem explícitos, identificar a seqüência dos fatos em uma reportagem ou perceber a ironia na literatura, informa o resultado do Sistema de Avaliação do Estado de São Paulo (Saresp).

O Saresp assinalou que a maioria das crianças que não freqüentou pré-escola se saiu pior e isso reforça a importância da educação infantil.

Quando uma boa parte dos alunos não aprende a falha é da escola. É ela quem precisa mudar, rever seus métodos de trabalho e atuar de maneira mais eficiente.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2005)

AÇÃO MULTIDISCIPLINAR NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Além de o sistema público de ensino oferecer um desempenho muito inferior ao necessário, para uma sociedade cada vez mais centrada no conhecimento e na avançada tecnologia, marca preocupante presença no mundo da violência.

Escolas situadas em bairros pobres de periferia ou nos grandes centros conturbados pela desordem precisam de ajuda multidisciplinar para conseguir um ambiente tranqüilizador ao ensino da aprendizagem.

Muitas escolas trabalham com as famílias dos alunos, buscam o envolvimento da comunidade em suas iniciativas e desenvolvem práticas ligadas à sua realidade socioeconômica. Contam com forte apoio dos pais, principalmente, na fiscalização da freqüência e no controle das lições de casa. A escola sabe que a família é a base e incentiva-a a freqüentá-la, ajudando-a tornar seus alunos mais responsáveis, mais ordeiros.

Dentre as múltiplas causas que concorrem para a decadência do ensino uma é a violência, manifestada sob os mais variados aspectos. Alunos baderneiros, indisciplinados, frutos ................ da omissão de pais por uma educação regulada em normas, princípios e limites e frutos de uma sociedade violenta, permissiva, aliciadora. Toda essa conturbada situação explode na escola.

Há situações em que a escola se sente impotente para harmonizar o seu ambiente conturbado. Professores chegam a ser ameaçados, física e moralmente, por gangues e alunos. Conscientizar alunos e pais vai além do que se faz necessário. Em casos mais agressivos, a escola vem recorrendo à justiça, à promotoria responsável pela vara da Infância e a Adolescência, na busca de ajuda às graves situações.

O que se consta é que quando a escola encontra respaldo na autoridade judicial ela consegue aplainar a violência, avançar na ordem e na disciplina. Temos notícia, pela mídia, de uma atuação devotada e competente de um promotor público, que não hesita em formar fileiras às escolas necessitadas de ajuda.

Alunos-problema que tentam desorganizar a escola, queimando cortinas, quebrando carteiras e cadeiras, pichando muros e lousas, envolvendo-se em brigas com desordeiros são, pelo promotor, obrigados a cumprir penas disciplinares, a consertar o que destruíram ou prestar serviços comunitários.

Verifica-se que a grande maioria se recupera e o vandalismo na escola, praticamente, desaparece. Os mais violentos, que reincidem nos atos de violência, têm seus pais chamados pela justiça e forçados a pagar os prejuízos.

Também, no caso de alunos faltosos, em escolas com alto índice de evasão, os pais são chamados para conversar, para se conscientizar da necessidade da permanência dos filhos menores na escola. Se a ausência persiste, os pais recebem ordem de prisão, apoiada no Código Penal, sobre o crime de abandono intelectual. No município, onde tal ato ocorreu, a evasão caiu de 20% para zero.

Esses fatos comprovam a necessidade de rigor, de autoridade, de força conjugada, para o bom desfecho da agressividade. Em muitas localidades, a escola não se supre mais. Reforço da comunidade, dos pais, da Igreja, da justiça são-lhe imprescindíveis. A desestruturação da instituição escolar, por problemas de violência, afeta toda uma sociedade, que não pode fechar os olhos para esse sério quadro.

A conscientização de se juntar as mãos para reabilitar o ensino precisa avançar. Esse é o ponto em que chegamos e se cruzarmos os braços onde chegaremos?

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em fevereiro/2007)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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