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Artigos Educacionais

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CULTURA AFRO-BRASILEIRA

Izabel Sadalla

Fala-se muito em discriminação racial – realmente ela parece existir – e quer-se, por força de lei, bani-la. Porém, discriminação não é coisa que se acabe por determinação. Discriminação é fator cultural, enfoque educacional, conquista de méritos próprios. Educa-se, orienta-se, reflete-se sobre as causas que levam à discriminação e busca-se debatê-las, eliminando preconceitos, que são frutos do desconhecimento.

No caso em questão, sobre o povo negro, devem-se passar esclarecimentos, já nos bancos escolares, sobre o valor desse povo, o sofrimento e o isolamento por que passaram, a chaga social que foi a escravatura, a dívida social que o povo brasileiro tem para com o negro. Recuperar a sua dignidade é ponto que se impõe, valorizando a sua cultura, historiando o seu povo, mostrando, aos alunos, a importância que a raça negra teve na história nacional.

Sob esse prisma, considero louvável a lei 10.639, sancionada em 10 de janeiro de 2003, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que determina às escolas do ensino fundamental e médio a inclusão, a partir deste ano, do ensino da história e cultura afro-brasileira. Os currículos deverão abordar a história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra e sua contribuição nas áreas social, econômica e política.

A cultura afro será assunto de todas as disciplinas, mais especificamente nas aulas de história e educação artística. A nova lei institui, também, no calendário escolar, o 20 de novembro como “Dia da Consciência Negra”. A nova Lei de Diretrizes de Bases da Educação (LDB) já faz menção sobre a contribuição cultural dos negros.

Apraz-me tomar conhecimento da adoção de medidas governamentais ou da sociedade civil que vêm de encontro ao favorecimento da diversidade racial. Estímulos na área social, no mercado de trabalho, visando à ascensão profissional do negro, estão sendo pensados e postos em prática. São empresas que oportunizam a contratação de afro-descendentes, que se dispõem a reservar um percentual de vagas para trabalhadores negros em seus cursos de treinamento, atualização e aperfeiçoamento. Dessa forma, estudando, reciclando-se, este trabalhador prepara-se para obter sucesso, podendo exercer, condignamente, a sua função.

É isso que precisa acontecer, dar condições para que o candidato à universidade ou ao mercado de trabalho se qualifique, se posicione em pé de igualdade aos demais concorrentes. Estabelecer, simplesmente, uma cota, sem qualificar o pretendente, é contribuir para a discriminação, é dar, gratuitamente, um privilégio que não resulta em conquista própria, e que, portanto, não leva à auto-afirmação. Afinal, os negros só carecem de oportunidades para crescer. São iguais a todos os que vivem comunitariamente no País, iguais em inteligência, em devotamento, não necessitando de favores que podem, inclusive, voltar contra si mesmo.

A criação de cotas enfraquece o critério de mérito, desvaloriza o conhecimento, influi mal sobre a motivação pessoal. Estamos na era do conhecimento, dele não podemos nos furtar. O mercado de treinamento e educação de profissionais vem se aquecendo como tendência mundial. Em tempos de alta tecnologia, de redução de postos de trabalho e competitividade acirrada, vence quem melhor preparado está. Nesse contexto, condescendência não resulta em benefício, atrapalha, humilha.

A força moral e a inteligência rechaçam a idéia de superioridade de uns sobre outros, de uma cor sobre outra. O País precisa acordar para a responsabilidade de levar educação de qualidade às camadas de menor poder aquisitivo, independentemente de etnias. A integração racial das minorias se faz baseada no respeito que a atuação pessoal e profissional vier a conquistar. Privilegiar e não capacitar é reforçar o preconceito, é manter a exclusão social.

Só transformaremos a realidade em que vivemos quando soubermos estender a todos as mesmas formas de tratamento. Comenta-se que somos um País de negros e que só temos brancos na universidade, mas, afianço-lhes não serão as cotas que promoverão a justiça social reclamada e sim um ensino que capacite, que promova qualidade a todos indistintamente.

A segregação racial surge em vários setores da atividade humana no Brasil. No magistério, por exemplo, 66,2% dos professores são brancos, mas com variações por níveis. Brancos são 74,8% no ensino médio e 83,1% no superior; da 5.ª à 8.ª série são 65,4%; da 1.ª à 4.ª série e na educação infantil os negros somam 40%. No 1.º ciclo, onde se encontram quase 40% dos professores, 47,5% são negros e 35,5%, brancos. Ou seja, os negros se concentraram em níveis que exigiam menor qualificação.

Se quisermos uma transformação social, compatível com a exigência educacional da época, temos que “lavar os olhos”, como dizia Darcy Ribeiro, atuar com honestidade, com democracia sem demagogia.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em abril/2003)

ALERTA UNIVERSAL SOBRE A EDUCAÇÃO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

O mundo, como um todo, desperta para a educação infantil. Pesquisas mostram  a importância do maternal e da pré-escola. A conclusão, hoje, é  de que a educação infantil é um dos mais poderosos instrumentos para combater a pobreza e a desigualdade.

O poder da educação das crianças pobres nos primeiros anos de vida – as ricas já possuem –  norteia a opinião universal. Crianças pobres de 3 a 4 anos, numa sala de aula rica em palavras, são munidas de condições básicas para aprender, para aprimorar as potencialidades, para resolver problemas. Um ambiente instrutivo cria situações em que crianças pobres e ricas passam a ter as mesmas chances, não só no jardim da infância, mas na vida inteira.

Constatam os estudiosos de que o principal fator da pobreza são as diferenças familiares acarretando influências no desempenho escolar. Constatam que essas influências se manifestam não apenas nos primeiros meses de vida, como são mais poderosas nessa fase.

James Heckman, Prêmio Nobel de Economia, presente, no Rio de Janeiro, no seminário sobre educação, organizado, em novembro de 2005, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentou números mostrando que a maior parte das defasagens entre o desempenho de ricos e pobres, em testes, por exemplo, de matemática, já existe aos 6 anos, antes da 1.ª série do ensino fundamental. Pesquisas divulgadas no seminário, pela Fundação Getúlio Vargas, a freqüência a creches também se concentra na classe mais rica, atingindo, de 0 a 3 anos, 21,64% das crianças entre os 20% mais ricos, e apenas 5,2%, entre os 20% mais pobres.

A Educação Infantil constrói melhores cidadãos, concluem as pesquisas. O histórico estudo do Projeto Pré-Escolar Perry acompanhou as vidas de crianças pobres que freqüentaram escolas-modelo na infância (nos EUA, pré-escola corresponde ao maternal e ao jardim de infância daqui). Este projeto acompanhou um grupo de crianças afro-americanas pobres desde o maternal, no início dos anos 60, até a meia-idade. As conclusões foram consideradas assombrosas: um retorno de US$ 17 para o indivíduo e à sociedade, para cada dólar gasto, nesta etapa.

As crianças que estudaram no Programa Perry mostraram possibilidade de se formar no ensino médio e se casar bem maior que entre as crianças que não freqüentaram a pré-escola. A probabilidade de serem presas e dependerem de assistência pública mostrou-se significativamente menor. Ganham em média 25% a mais que as crianças que não passaram pela pré-escola. Uma diferença que permitiu que elas superassem a linha da pobreza.

O Ensino Infantil, além de melhorar o desempenho futuro no mercado de trabalho, melhora e muito o desempenho acadêmico posterior. Um outro estudo, de uma organização americana, divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas em Educação Infantil, examinou os efeitos de uma boa experiência em pré-escola. Em testes de vocabulário, as crianças, que freqüentaram maternais estaduais tiveram notas 31% mais altas que as de um grupo similar de crianças que não freqüentaram o equivalente a 3 meses de aprendizado. Em testes de habilidades matemáticas, as que freqüentaram o maternal estadual tiveram notas 41% mais altas.

As iniciativas estaduais nos EUA vêm valorizando cada vez mais a freqüência de crianças na pré-escola, ressaltando no ensino as habilidades em leitura, interpretação e aritmética.

O Brasil precisa aparelhar-se para investir com força na pré-escola. Aqui, a matrícula de crianças de 4 a 6 anos, em famílias com renda superior a 20 salários mínimos, é de quase 90%, cai para menos de 30% nas que ganham menos de 1 salário mínimo (dados do MEC).

Um ponto alentador encontra-se no Nordeste, região com maior penetração da pré-escola. Dos 10 primeiros municípios brasileiros com maior proporção de crianças de 4 a 6 anos sendo escolarizadas, 8 são nordestinos. O governo espera a aprovação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que substituirá o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), para ampliar a abrangência do programa para pré-escola, a partir dos 4 anos. A necessidade de ampliar o atendimento à educação infantil é ponto pacífico, porém, é indispensável pensar em preparar o professor para o correto atendimento à faixa etária correspondente a esse período.

Desenvolver instrumentos pedagógicos para auxiliar os professores a ensinar práticas corretas, que alcancem o desenvolvimento das habilidades cognitivas, psicomotoras das crianças, não pode representar ao governo um objetivo menor. Diplomar sem qualificar é jogar no mercado de trabalho pessoas despreparadas, que, mais cedo ou mais tarde, causarão graves prejuízos para si mesmas e para a sociedade.

Um país justo não deve ter uma educação de primeira para os ricos e uma de segunda para os pobres.

GERAÇÕES DE BRASILEIROS SEM-DOCUMENTOS

Izabel Sadalla Grispino *

Um ponto sério de reflexão é a geração, que o País tem formado, dos sem-documentos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) manifestou-se, em janeiro de 2003, dizendo não ter idéia de quantos brasileiros estão nessa situação. O Instituto não tem dados sobre quantas são essas pessoas; oficialmente elas não existem. São pessoas que não têm nenhum documento, nem mesmo o registro de nascimento. Não têm carteira de identidade, CPF, carteira de trabalho, PIS, nem título de eleitor. São adultos e crianças sem documentos! É desumanidade sem tamanho!

O demógrafo da pesquisa estatística sobre os registros civis, Antônio Tadeu de Oliveira, diz que o IBGE não tem um dado sobre os brasileiros adultos sem documentos. “Essa é uma estatística inexistente e é justamente entre os adultos que o problema é mais difícil de ser combatido”. Sem documentos, uma pessoa não pode votar, fazer o alistamento militar, receber qualquer benefício, como aposentadoria ou pensão. Também não pode ser incluída nos programas sociais do governo federal.

O cadastro único para identificar os beneficiários de programas do governo federal exige pelo menos um documento para que a pessoa possa ser inscrita. A orientação dada para as prefeituras é de registrar em arquivos à parte, para quem não tem documentos e de como regularizar a documentação. Exige-se pelo menos um documento para evitar pessoas fictícias ou duplicidade. Até o fim de dezembro de 2002, havia 5,5 milhões de famílias cadastradas e 5.400 pessoas notificadas como sem nenhum documento.

Os dados mais aproximados são os dos cartórios, mostrados pelo IBGE em “Estatísticas do Registro Civil”, em dezembro de 2000, quando 21,3% das crianças nascidas no País não foram registradas no mesmo ano, o que equivale entre 700 mil e 1 milhão de crianças. Em 2000, a estimativa era de 3,4 milhões de nascimentos. Cerca de 3,2 milhões de crianças nasceram em hospitais, mas houve apenas 2,5 milhões de registros. Poderiam  ter sido registradas pelo menos mais 700 mil crianças nascidas em hospitais, fora as que nasceram em casa.

Os chamados sub-registros afetam não só os dados de nascimento, mas também os óbitos. O IBGE, em seu levantamento de 16 de dezembro de 2002, estima que, nas regiões Norte e Nordeste, 48,2% e 35,6% dos nascimentos não foram registrados em 2000. O sub-registro de mortes tem proporções semelhantes, 33,2% para o Norte e 42,7% para o Nordeste. Essa ausência de registros interfere negativamente em outras estatísticas que são calculadas, baseando-se nos registros. É o caso da taxa de mortalidade infantil, com cálculo que surge estimado pelo IBGE, pela falta de dados reais. Em alguns Estados do Nordeste, o sub-registro de óbitos chega a 60%!

São nas regiões mais pobres do País que se encontram as maiores taxas de sub-registro de crianças. No Sudeste, a taxa cai para 6,3%, no Sul é de 11,3% e no Centro-Oeste, 19,7%.

Os dados do Registro Civil divulgados mostram que, na década de 90, houve aumento dos registros tardios, aqueles feitos depois de 3 meses do nascimento do bebê. Registros com até 10 anos de atraso eram de 25,6% em 1991. Subiu para 30,3% em 2000. Mas, mesmo notificando com atraso, muitos brasileiros passaram a registrar seus filhos. Essa situação evidencia-se melhor, segundo o IBGE, em anos de eleição, quando os políticos têm interesse em ampliar o eleitorado, ou em anos em que há campanhas de registro civil gratuito, como ocorreu em 1999.

A lei 9.534, de dezembro de 1997, determina que sejam gratuitos os registros de nascimento e morte. Outra lei, a 6.015, determina que a criança seja registrada até 15 dias depois do nascimento, sendo que o prazo é ampliado para 3 meses, em lugares que estejam a mais de 30 km da sede do cartório.

Embora ainda altas, as taxas de sub-registro melhoraram nos últimos anos. Em 1991, 29,2% das crianças brasileiras não eram registradas. Até 12 anos de idade, a certidão pode ser tirada sem problemas, desde que os pais estejam com os documentos em ordem. Depois há dificuldades suplementares.

O sub-registro é uma questão que precisa ser tratada com muito interesse pelos organismos competentes. É uma parte triste de nossa história, onde a miséria e a ignorância se completam. O sub-registro envolve o problema da cidadania. Quem não tem certidão de nascimento não existe oficialmente e não pode exercer seus direitos. Sobrevive sem existir legalmente, dependendo de favores para qualquer atividade formal.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em janeiro/2004)

ENSINO RELIGIOSO

Izabel Sadalla Grispino *

Os caminhos conturbados, que cercam a juventude atual, levam as escolas a pensarem seriamente na abordagem do ensino religioso. Não é o ensino da religião em si, mas do sentido de religiosidade, de educar para o bem, para o amor, no caminho da solidariedade.

Dentro do respeito à diversidade religiosa, sem ferir os princípios constitucionais de liberdade de credo, colocar a presença de Deus na vida da criança é importante.

O ensino religioso já existe na rede estadual do Estado de São Paulo, apenas na 8.ª série, desde 2002. Não tem caráter obrigatório, os alunos, com seus pais, decidem se vão ou não participar das aulas. O conteúdo das aulas não é confessional e trata da história das religiões, dos pontos em comum entre elas e do sentido de tolerância. Segundo a Secretaria Estadual da Educação, os professores de história, filosofia e ciências sociais estão habilitados para dar a disciplina.

O ensino religioso é previsto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996. O conteúdo da disciplina deve ser oferecido de acordo com as preferências dos alunos ou de seus responsáveis. A LDB permite que as aulas sejam confessionais ou  interconfessionais.

No Estado do Rio de Janeiro, os alunos, desde 2004, no governo de Rosinha Matheus, são separados por credo, para receber ensino religioso. Contratam-se professores para ensinar as doutrinas católica, evangélica, espírita, umbandista e messiânica.

A religião abre um vasto caminho em direção à espiritualidade. Ela alcança a educação da alma, da formação do caráter, dá ao homem a dimensão superior da existência. Embora sejamos dotados de fé católica, não importa a que religião pertencemos, a que Deus nos referimos, o que importa é o senso religioso, que vem carregado de mensagens de amor, de justiça, de humanidade. Esse sentido, em seus atributos, prepara o ser para as virtudes essenciais do viver, estrutura a alma para os embates da vida.

Já aprendíamos com os filósofos gregos de que “a alma de toda cultura é a cultura da própria alma”. É essa cultura que vai engrandecer o ser humano, tornando-o autêntico filho de Deus, Aquele que nos ensina a olhar nossos semelhantes como irmãos. É a cultura da alma que aprofunda e humaniza o olhar da ciência, da literatura, das artes. Ela nos ensina a sermos solidários, a dividir, a somar, nunca subtrair.

É muito importante passar esses conceitos às crianças. Guardamos, no percurso da existência, o fervor religioso adquirido na infância. Nessa fase, uma vez plantadas as raízes dos bons sentimentos, da devoção a Deus, elas crescem com o organismo, se firmam e dificilmente serão abaladas.

A religião conforta-nos nos momentos de dor e nos momentos alegres, dá-nos a tranqüilidade do bom caminho. Enriquecemo-nos com seus ensinamentos, ganhamos em aceitação, em encaixe real da existência: As rosas é que são belas / Os espinhos é que picam / Mas, são as rosas que caem / São os espinhos que ficam.

Independentemente das teorias religiosas ou anti-religiosas existentes, são as luzes da alma que conduzem o ser às realizações positivas e essas luzes, seguramente, não são fruto da matéria. Essas luzes são dos nossos sentimentos, do nosso espírito, da parte inatingível do nosso ser, do nosso psiquismo, da nossa conduta e não carece de método experimental, de comprovação científica, para assegurar a sua existência.

A conscientização da educação religiosa deve partir da escola e chegar à sociedade.  O  ser  sem fé é um ser amargo, ressequido, árvore que não floresce, que se quebranta, aos poucos, antes de morrer. A própria razão nos conduz à fé, nos ensina que precisamos dela para viver melhor.

O sentimento de religiosidade é sustentação, é conforto na estrada íngreme da existência. Ele é a certeza do bom caminho que trilhará o indivíduo.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2006)

ALTERAÇÃO DE CURRÍCULO

Izabel Sadalla Grispino *

Fui solicitada a me pronunciar sobre a mudança do currículo do ensino médio diurno, da rede estadual, com a ampliação da carga horária de 25 para 30 horas semanais.

Esse aumento da carga horária atende a uma antiga reivindicação dos professores. Na época do governador Mário Covas, em 1998, por sua determinação – gestão da secretária Rose Neubauer – houve uma diminuição do período de aulas. Passou de 6 para 5 o número de aulas diárias e a duração de cada uma aumentou de 50 para 60 minutos.

O novo currículo, aprovado para ser implantado já neste ano letivo de 2005, traz acréscimo de disciplinas, como filosofia e psicologia. Os alunos do ensino médio terão a matriz curricular ampliada de 25 para 30 horas semanais. A disciplina filosofia passa a ser obrigatória para os alunos do 1.º e 2.º anos do ensino médio diurno. Eles terão 2 aulas  de filosofia por semana. No 3.º ano desse ensino, as escolas poderão optar por 2 aulas semanais de sociologia ou de psicologia. As outras horas serão usadas para as disciplinas de ciências e humanas, uma aula a mais por semana de português, matemática, história e geografia. No 3.º ano, a escola pode optar por uma a mais de química, física ou biologia.

O currículo constava de 4 aulas semanais de português e literatura, 4 de matemática e, em média, 2 para cada uma das outras disciplinas: história, geografia, química, física, biologia e língua estrangeira. Havia ainda uma aula semanal para o 1.º e 2.º anos do ensino médio e 3 para o 3.º ano que deviam ser usadas para filosofia, sociologia ou psicologia.

O período noturno do ensino médio não sofrerá mudanças. A nova grade não será aplicada ao noturno porque, segundo a Secretaria da Educação, os alunos trabalham e não têm flexibilidade de horário. Eles têm apenas 4 aulas por dia, com carga total de 20 horas semanais. Porém, o fato de a mudança não se estender ao ensino médio noturno e ao ensino fundamental desagradou os professores, que argumentam que ambos perderam aulas em 1998. O ensino médio noturno abriga 49% dos alunos desse ensino e merece uma carga horária maior, opinam os professores, que lançam uma proposta de ampliação da matriz para o ensino fundamental e ensino  médio

noturno.

No início da implantação do novo currículo do ensino médio diurno, os professores das novas disciplinas, que deverão ter formação específica, foram chamados pela Secretaria da Educação com base no concurso público realizado em 2004. No decorrer do ano, diz o secretário, haverá a possibilidade de um novo concurso. Afirma o secretário da Educação, Gabriel Chalita, que todos os professores passarão por um processo de capacitação.

Colocada a posição antiga e atual da matriz curricular do ensino médio diurno, podemos argumentar que uma carga horária maior, uma grade curricular mais completa, enriquecida por diferentes disciplinas, só podem trazer benefícios aos alunos. Há um enriquecimento do conteúdo, uma diversidade de assuntos, que ampliam a visão do educando.

Para a sociedade que vivemos quanto mais conhecimento, quanto mais abrangência curricular melhor. Contudo, só haverá realmente um reforço de aprendizagem se as condições forem apropriadas a um melhor desenvolvimento das matérias. Infra-estrutura é importante, mas, o mais importante é o professor, em sua formação, em sua mudança de mentalidade, na renovação metodológica aplicada, no domínio do conteúdo a ser ministrado.

Se a mudança de currículo não se caracterizar por mudanças estruturais na sua aplicação prática, se não passar por uma nova dinâmica, teremos mais um remendo, mais uma colcha de retalhos. A inter e a multidisciplinaridade, quando bem aplicadas, reforçam o entendimento dos assuntos tratados, completam sobremaneira a extensão do conhecimento que abordam. A grande revolução educacional está focada na competente atuação docente, em sua renovada metodologia.

Fato semelhante ocorre com a inclusão digital proposta para as escolas, que já se organizam com propostas de inclusão. O computador é um bem essencial nos dias de hoje, está longe de ser um bem secundário. Ele é considerado tão importante para as novas gerações como a TV foi para as gerações anteriores. Acredita-se que todo entretenimento tende a convergir para o computador, além de ser um instrumento valioso para a educação, para a autonomia na aprendizagem.

Os jovens percebem a sua importância, sabem que precisam dominar o PC se não quiserem estar fora do mercado de trabalho. Mas, alunos das escolas públicas terão oportunidades de se afirmar na inclusão digital? Terão chances de dominar essa poderosa ferramenta educacional e profissional? Estar incluído significa ter familiaridade com os processos fundamentais do mundo virtual. Recebem, na escola, através de seus professores, conhecimento necessário para operar um computador e navegar, por exemplo, na web? Seus professores possuem essa habilidade a ponto de poder repassá-la? É aí que se encontra o maior entrave na inclusão digital do aluno carente, na própria capacitação virtual do professor. Falta-lhe uma montagem de estrutura de suporte à implementação de novas tecnologias de informação e comunicação.

Uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, a pais de alunos, sobre a qualidade das escolas públicas, revelou uma avaliação positiva por parte deles. São pais em que a maioria não tem nem o ensino fundamental, com dificuldade em fazer uma ajustada avaliação. Contudo, externaram a opinião de que as escolas particulares, de um modo geral, são melhores. Consideraram que as escolas públicas estão muito fáceis e que não ensinam computação.

A consciência da boa formação profissional, seu aprimoramento, sua atualização, são assuntos que deveriam permear a preocupação de toda escola, especialmente das mais necessitadas.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2005)

AO JORNAL “A CIDADE”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “A Cidade”, deste valioso instrumento de comunicação que Ribeirão Preto aprendeu a admirar pelo alto profissionalismo, há, exatamente, um ano, venho publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporcionou-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade ribeirão-pretana, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Neste ano que se finda, propus-me a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional das escolas oficiais.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Inúmeros conceitos nele passei, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “A Cidade” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e ilumine a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Ribeirão Preto, já é tradicional, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “A Cidade”, que beira um século de existência, nas pessoas da família Camargo, de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com brilho e persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população. O jornal “A Cidade” cresce com Ribeirão e com ele se faz pioneiro na região. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, competente de que é marca  consagrada.

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Ribeirão Preto. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos. A todos, meus versos sobre o Terceiro Milênio.


TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2000)

AVANÇAR NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Uma inscrição esculpida no mármore da arquitrave da biblioteca pública de Boston diz: “A comunidade exige educação do povo como salvaguarda da ordem e da liberdade”.

Não parece ter sido fácil, aos nossos governantes, atingir esse pensamento, tendo em vista o nosso sistema educacional decadente. Educação está na base de qualquer alteração social. Nosso atraso educacional salta aos olhos. Um trabalho de conscientização da necessária elevação do padrão de ensino, atingindo, em massa, a formação continuada do professor, viria como um colírio para suavizar a deficitária e falha estrutura educacional.

O professor ainda veste a camisa da escola tradicional, transmitindo o conhecimento mais na base de lousa e giz. De um modo geral, resiste ao computador, deixa de usar este recurso e de estimular o aluno a aprender. Assim procedendo, não se enquadra, devidamente, à época vivida pelo aluno. Nessa era digital da sociedade cibernética, o raciocínio do aluno tem uma velocidade muito maior que há 20 anos. O professor, utilizando-se de métodos arcaicos, não se modernizando, impede o aluno de avançar e de encontrar um sentido maior na escola.

A escola precisa ser mais assistida, para melhor assistir, mais ajudada, no nível técnico e no nível financeiro. É preciso fazer dela prioridade nacional, lugar que nunca deveria ter deixado de ocupar. Como fazer o aluno avançar nos conhecimentos da informática, na evolução do raciocínio, da observação, da análise, da crítica, se quem o conduz é um profissional pouco aprimorado no assunto?

Hoje, sabemos, por exemplo, que os games de ação ajudam o cérebro. Jogos podem melhorar as habilidades visuais e os tempos de reação dos praticantes. Segundo uma nova pesquisa feita nos Estados Unidos, pessoas que brincam regularmente com jogos de ação de computador processam mais rápido informações visuais e com mais precisão que aquelas que não jogam. As conclusões sugerem que os jogos, anteriormente criticados, podem ter efeitos positivos e ser úteis para o ensino e o desenvolvimento de habilidades, desde que usados com moderação. Parece que a ação rápida que se desenrola na tela do computador pode treinar o cérebro para responder com mais eficiência a estímulos particulares, concluem os especialistas de ciências do cérebro.

Praticar o game, porém, não se tornar um jogador compulsivo, porque pode desenvolver também um nível de atenção muito pouco seletivo, além de a criança ficar mais impaciente e agitada. No dia a dia, o que se nota é que os games estão dando respostas mais rápidas e novos modos de comportamento. Um professor analfabeto em informática não acompanhará a agilidade dos alunos pós-modernos. Em muitas escolas oficiais não existem computador, em outras, os computadores ficam trancafiados numa sala, porque os professores não sabem como utilizá-los.

Hoje, o professor não tem como ignorar essa ferramenta de trabalho, não tem como não introduzi-la na sala de aula. O computador beneficia não só o ensino-aprendizagem como a vida do aluno, da comunidade, em geral, que acaba se beneficiando também. Na Índia, por exemplo, o governo priorizou o envio de computadores para as escolas situadas em áreas pobres do país e treinou os professores. Os resultados dessa política atraíram a atenção de técnicos da ONU e da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que registraram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. A informática vem se revelando como fator primordial para atenuar as desigualdades locais e regionais.

Percebe-se que a resistência da escola às novas tecnologias afeta a qualidade do ensino, desestimulando o aluno. É um retrocesso, inclusive, ao progresso da região onde ela se localiza. O computador abre caminho para um aprendizado que faz mais sentido para o aluno, porque permite executar projetos e pesquisas sobre situações reais da comunidade, quando força o aluno a procurar na matemática, na língua portuguesa e nas outras disciplinas os recursos na busca de soluções. A escola insere-se mais na comunidade, que ganha com essa inserção. A presença do computador é também indicador de qualidade de vida. Ele traz conseqüências benéficas e duradouras na vida dos beneficiados. Há pesquisas que mostram a velocidade das mudanças na qualidade de vida das pessoas depois que elas tiveram acesso ao computador. Escola e professor precisam mudar, aceitar seus novos papéis. A transmissão do conhecimento pelas vias tradicionais já está obsoleta. Construindo o conhecimento, professores e alunos passam, ambos, por uma experiência colaborativa de aprendizagem.

O desafio é fazer com que os professores mais tradicionais deixem de ter resistência ao computador e passem a usar este recurso para estimular o aluno a aprender e colocá-lo na modernidade.

UNIVERSIDADES CORPORATIVAS: REALIDADE QUE SE IMPÕE

Izabel Sadalla Grispino *

Um novo segmento na área educacional vem surgindo e se impondo: as universidades corporativas. As universidades tradicionais têm dificuldade em se afinar ao mercado, aos avanços tecnológicos, em acompanhar a evolução científica em sua diversidade, principalmente as particulares. Preocupam-se, de preferência, em dar uma formação geral ao aluno. Com isso vão criando lacunas, deixando espaços, aprendizagens a serem complementadas. Nessas brechas inserem-se as universidades corporativas.

As universidades corporativas vêm obtendo êxito, porque, num espaço menor de tempo, formam um profissional com novos parâmetros, preparado para enfrentar, hoje, o exigente mercado de trabalho, além de fornecer modalidades de treinamento empresarial. Dão cursos especializados,  com visão geral e ampliada do mercado, com visão abrangente das necessidades de uma empresa.

A filosofia implícita dessas universidades consiste em dar, junto ao treinamento que prioriza procedimentos repetitivos, programas que desenvolvam competências importantes para a empresa. Desenvolvam as faculdades de raciocínio, de liderança, de criatividade, formando um profissional autônomo. Têm como grande objetivo desenvolver a competência crítica, a eficiência, a competitividade. Montam cursos especializados, com funcionários ajustados aos seus produtos.

O mercado de trabalho vem requerendo profissionais dinâmicos, atualizados, com capacidade de iniciativa, de inventividade, com capacidade de tomar decisões. Nesse novo comércio, a indústria não pode prescindir de pessoal qualificado, ativo e em constante reciclagem; perderia em competitividade, portanto, em ganho. Ela quer um profissional diferenciado, entrosado aos seus objetivos, perfil dificilmente conseguido pelas universidades tradicionais.

Às universidades corporativas interessam formar um profissional mais rapidamente, contrapondo-se ao antigo modelo, quando a empresa levava de quatro a cinco anos para fazê-lo, após o aluno ter saído da universidade. As corporativas constatam que o propósito das instituições tradicionais, em formar o profissional generalista, estabelece um distanciamento entre o que o aluno aprende na escola e o que exige o mercado de trabalho.

Para superar deficiências, empresas fazem parcerias com instituições convencionais ou, então, montam suas próprias escolas, com prédio próprio, corpo docente e currículos próprios. Criam cursos para desenvolver determinadas técnicas ou para complementar a formação acadêmica. Têm estrutura curricular modular, tal como os cursos de graduação de uma universidade normal. Após cada módulo, o aluno passa por uma avaliação e, sendo aprovado, recebe um certificado.

A base das universidades corporativas reside na formação de projetos adaptados às necessidades da empresa, que querem garantir, aos seus funcionários, o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias ao atingimento de suas metas.

Universidades corporativas existem nos Estados Unidos desde a década de 80. Servem de modelo para o mundo todo, inclusive para nós. Estima-se haver no Brasil por volta de 40 universidades corporativas. As mais conhecidas são das empresas: Motorola, McDonald’s, Bank Boston, TAM e Visa. A FEA-USP e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) são instituições que mantêm parcerias com empresas, criando oportunidades de atualizar o currículo. Já despontam universidades públicas corporativas, como a Sabesp, com sua Universidade Empresarial, e a Metrô de São Paulo.

As necessidades empresariais já começam a influenciar os currículos das instituições convencionais, que se tornam mais sensíveis ao mercado de trabalho. Segundo observadores da área, se as universidades tradicionais não se reestruturarem, não mudarem de direção, aproximando seus currículos das necessidades empresariais, o prognóstico é de que, num futuro próximo, perderão terreno para as corporativas, o que vem comprovar a valorização, pelo mercado, dos certificados emitidos por essas universidades, embora sem valor oficial.

Contudo, a USP vem se preocupando com este aspecto. Na Faculdade de Economia e Administração, empresários bem sucedidos são freqüentemente convidados para relatar suas experiências. A USP tem um setor que atende indústrias necessitadas de resolverem problemas tecnológicos. A Escola Politécnica tem uma aproximação forte com a indústria paulista. Mas, a USP quer preservar a liberdade acadêmica, sua independência e não se colocar, apenas, a serviço da indústria. Talvez, uma articulação maior com o setor produtivo venha ocorrer gradativamente.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2001)

ESCOLA E FORMAÇÃO DE VALORES, POR SUA EDUCAÇÃO INTEGRAL

Izabel  Sadalla Grispino *

Tem-se hoje que a evolução humana é basicamente cultural. O fator genético permite posturas biológicas iguais, mas só é possível alterar o futuro de uma criança investindo em sua educação. Segundo estudos do Genoma, tudo o que somos tem razão genética, porém, costumes, características de vida são incorporados a partir de uma herança cultural local.

Educação é um processo constante de renovação. Educador é a pessoa compromissada com o outro. Para se achegar ao outro e ajudá-lo, deve inserir-se num mundo que exige atualização constante, revisão sucessiva de métodos e técnicas. Ele tem a função da pesquisa, da reflexão contínua sobre sua prática pedagógica do dia-a-dia, colocando-a a serviço da exigência atual.

O ensino escolar não pode estar desvinculado do que acontece no mundo. O mundo ficou muito complexo e tem, com razão, intimidado o professor. Transformar a escola é uma grande revolução. O professor, em geral, tem deficiência de formação, tem dificuldade para adequar o programa à realidade vivida pelos alunos, e fica, assim, preso ao livro didático. Ele é um profissional gravemente injustiçado, desvalorizado. Aviltantes salários forçam-no a uma sobrecarga de trabalho, roubando-lhe tempo precioso à sua reciclagem. O próprio MEC revela que baixos salários, falta de infra-estrutura das escolas e baixa qualidade de vida constroem o quadro de fracasso escolar que se vê hoje.

Johan H. Pestalozzi (1740-1827), um clássico da Pedagogia e considerado o pai da educação integral, dizia: “O amor é o instrumento da educação”. É esse amor que inspira o professor, que o leva a sublimar sua função, caminhando em correspondência ao pensamento: “Mesmo correndo entre pedras, as águas cumprem sua missão. As árvores plantadas são testemunhas disso”.

Recentes pesquisas têm mostrado que a grande maioria das escolas vem-se negligenciando da parte formativa do aluno, com reflexos negativos no comportamento social. A escola tornou-se uma entidade repetitiva de informação, sem priorizar a educação integral, nos aspectos: cognitivo, afetivo, psicomotor. A educação integral engloba comportamento e conhecimento. A construção do conhecimento, o desenvolvimento das habilidades, devem processar-se paralelamente à formação do educando. Formação das capacidades cognitivas de caráter geral e formação de valores, de ordem ética, moral e religiosa.

A abordagem holística do homem é hoje prioritária em todos os setores. No diagnóstico da doença, examinam-se componentes genéticos, emocionais e ambientais. Saber ler, escrever, contar, raciocinar, é pouco, tem que haver a cultura mais profunda da alma, do sonho, da criatividade.

A escola precisa repensar sua atuação e, num processo de reeducação, tornar-se uma unidade formadora de caráter, de cidadania.

Cidadania não é ensinada como uma disciplina, ela se aprende na vivência, na convivência. É um exercício que se conquista na exigência da ética, da justiça. É o respeito que se tem pelo outro, por sua identidade, pelos bens alheios, pelo patrimônio coletivo, pelo sentido de igualdade de condições. Implica em comportamento responsável, em noção de limite, dentro do preceito de que o direito de cada um termina onde começa o do outro. Já dizia Rui Barbosa: “Educa-se muito mais pelo exemplo que pela doutrina”.

Estamos vivendo uma sociedade violenta, individualista, arbitrária. Formam-se grupos oportunistas, que não têm outra finalidade senão a de se promover e a de tirar proveito do outro. O outro só existe como elemento de conveniência. Uma sociedade onde os fins justificam meios ilícitos, desumanos, onde Deus é uma presença vaga, indefinida, distante. Uma sociedade sem luz, sem fé.

É, principalmente, neste quadro social que se pensou na volta do ensino religioso como obrigatório, não mais como facultativo, conforme reza a Constituição.Por tudo isso, começa haver uma preocupação de educadores de que valores sociais, como amizade, amor, solidariedade, cooperação, lealdade... devam fazer parte dos currículos escolares. Montam projetos que vêm de encontro à proposta do MEC, quando fala em currículos transversais. Permeiam a educação com temas transversais, como política, sociedade, sexualidade, droga, ética, cidadania e outros.

São temas tratados não como disciplina específica, mas como um espaço a ser discutido em sala de aula, por um componente ou por vários. Dependendo da abrangência do tema, projetam atividades interdisciplinares, como um leque de assuntos ofertados. Cada disciplina encontrará um conteúdo correspondente.

É a escola exercendo sua função social na orientação dos jovens, na formação de uma sociedade mais humana, mais ordeira, criando vínculos de inter-relações humanas.

Até recentemente, o grande objetivo da escola era preparar o aluno para o futuro. Hoje, o grande intento é prepará-lo para o presente, para a resolução de seus problemas imediatos, de suas necessidades atuais. Preocupa-se com sua inserção em uma sociedade produtiva, ética, solidária, capaz de ajudá-lo, de maneira saudável, a se realizar. A escola faz uma ponte, ligando a percepção do aluno entre o que aprendeu e a vida. Ele se apodera do saber e aplica-o à sua vida do dia-a-dia, vivencia na escola comportamentos salutares e os desenvolve na comunidade, na sua vida social. A  aprendizagem vai se processando a partir de sue próprio interesse e das condições ambientais que o cercam.

A escola trabalha o presente, ousa, alça vôos, para alcançar o futuro. Busca integrar-se no conceito apregoado pelo consultor americano Michael Hammer: “O segredo do sucesso não é prever o futuro. É preparar-se para um futuro que não pode ser previsto”.

Para tanto, diferentemente do passado, o aluno não consome, mas produz o conhecimento e, assim, como o professor, torna-se um pesquisador permanente, um observador zeloso das relações interpessoais.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2000)

JOGOS NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

No mundo moderno, na velocidade em que se processa a informação global on line, o conhecimento, mais do que nunca, tornou-se o protagonista da evolução de todo avanço social. O progresso é filho do aprendizado, de um saber, cada vez mais apurado, sofisticado.

A evolução traz aperfeiçoamento, reforça ou enfraquece convicções. Em todas as áreas da educação, os avanços são enormes. Ganha fôlego o estudo da criança, a pedagogia referente à educação infantil. Desenvolve-se uma maior consciência sobre a importância de bem conduzir a criança nesse período.

Brincar, para a criança, é essencial para o seu desenvolvimento, para o seu aprendizado. Brincando ela vai se preparando para vivenciar a realidade, para transformá-la, desenvolvendo habilidades sensoriais e cognitivas. Vai aprendendo a lidar com valores simbólicos e sociais. Na área da brinquedoteca, têm surgido brinquedos educativos cada vez mais atraentes, aperfeiçoados, destinados a cada fase do desenvolvimento infantil e que transformam a hora de brincar em hora de aprender. São brinquedos que dão espaço para a imaginação, que estimulam a criança no brincar. Levar a criança a fazer muitas experiências, apoiadas em instrumentos facilitadores como são os jogos, torna sua aprendizagem prazerosa, convidativa. Experiências com o corpo, o tato, o olfato, os movimentos, o raciocínio...

Não se deve, contudo, entregar unicamente o brinquedo à criança. Para que ela desenvolva suas potencialidades e para que o brinquedo venha a ser realmente educativo, faz-se necessária a participação dos pais ou dos professores. O brinquedo não é auto-educativo; ele é caminho para a educação. Ao adquiri-lo, o professor deve inteirar-se bem de seu funcionamento, da finalidade a que se propõe. Deve haver afinidade entre o brinquedo e a criança. Ele deve proporcionar interação, provocar reação, estimular a observação; caso contrário, não vai cumprir sua função educativa. A criança, por sua vez, não deve se sentir pressionada, cobrada, com obrigação de corresponder à expectativa.

O brinquedo, quando bem situado, auxilia o professor em suas múltiplas tarefas, alfabetiza a criança lentamente, ensina paulatinamente conceitos matemáticos, desenvolve sua autonomia no ato de aprender. O jogo vem sendo reconhecido e utilizado no mundo inteiro como uma ferramenta educativa de largo alcance. O jogo nos faz lembrar Anísio Teixeira, ao dizer: “Quando monto na asa de um pensamento, de uma idéia, eu vôo nessa idéia como se ela fosse minha ave”. Um bom jogo, faz voar nas asas da criatividade, descortinando horizontes inimagináveis. Ele faz cumprir seus objetivos, a finalidade a que se propõe, tornando-se realmente educativo.

O mercado de brinquedos educativos aumenta a cada ano, mediante um público exigente, professores, escolas que selecionam pelo visual brinquedos atraentes, coloridos, variados e pelo caráter científico. A Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos Educativos e Afins (Abrine) estima que os fabricantes, de pequeno, médio e grande porte, de brinquedos no País ocupam de 15 a 20% do mercado, enquanto há 5 anos essa porcentagem era cerca de 5 a 8%.

Os fabricantes mais idôneos têm a seu serviço psicólogos e pedagogos especializados, capazes de oferecer um produto à altura da demanda exigida. Para cada faixa etária, para cada fase do desenvolvimento infantil, oferecem brinquedos apropriados. Até os 15 primeiros meses, criam objetos macios e sonoros, que estimulam o tato, a audição, o olfato. Até 5 meses, a criança precisa de estimulações basicamente sensoriais, para estimular o tato, o paladar, o olfato e a audição. Do zero aos 8 meses, são indicados chocalhos com sons suaves e diversificados, móbiles, que podem ser manipulados pela criança, bolas e dados de espuma, com diferentes texturas. Objetos moles, com reentrâncias para morder, por causa do início da dentição. Após os 9 meses, usar brinquedos com encaixes, pinos cilíndricos e coloridos de vários tamanhos. A criança, nesse período, começa a executar diversos movimentos com as mãos, ter noções de direção e relações de causa e efeito.

No período dos 15 meses a 2 anos, inicia-se a estimulação da coordenação motora. São recomendados brinquedos com figuras grandes, coloridas, comunicativas e de encaixar. Auxilia na coordenação e na descarga de agressividade da criança e também no desenvolvimento da linguagem e expressão. Para esse período são aconselhados, ainda, instrumentos de percussão, de sopro simples, como tambores, cornetinhas e gaitas.

Dos 2 aos 3 anos, a criança começa ordenar, classificar, aprender as cores e os tamanhos. Brinquedos com caixas grandes, com peças de montar e ordenar, ensinam cores e tamanhos. Blocos inteiros para manipular, empilhar e armar, como um quebra-cabeça simples, ajudam a exercitar noções de equilíbrio, de ordem, estimular a criatividade e ter a percepção de tamanho e alteridade, período de criação e descoberta.

Dos 3 aos 5 anos, a criança associa números, quantidades e formas geométricas com mais facilidade. É o momento para brincar em grupos, é quando desenvolve comportamentos de grupos e consegue compreender regras simples. Conjuntos desmontáveis e coleções mostrando animais domésticos e selvagens são aconselháveis.

Dos 5 aos 7 anos, usam-se brinquedos com seqüências para lógica, matemática e universo lúdico. Fazem parte os jogos de memória e atenção, jogos que exigem ordenação e raciocínio. Recomendam-se, nessa fase, brincadeiras com teatros de fantoche, fantasias representando animais e personagens do mundo infantil.

Dos 7 aos 10 anos, para estimular a habilidade motora, o desenvolvimento da linguagem escrita e cálculos matemáticos, pensamento abstrato, usam-se livros, CDs e jogos. As brincadeiras ficam mais complexas, aumenta a capacidade de fantasiar. Para tanto, usam-se o jogo de xadrez, com peças diferentes, no lugar de figuras tradicionais, histórias de montagem, microscópios, lentes de aumento, kits científicos de iniciação à química, física e biologia e outros.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2005)

A APRENDIZAGEM EM BASES CIENTÍFICAS

Izabel Sadalla Grispino *

A Educação Infantil é uma preocupação mundial. Educar a criança é o ponto de partida para a transformação social, para se construir um mundo de valores, os quais se diluem diante de nossos olhos. Se a criança é o adulto de amanhã, como será esse adulto sem uma base de sustentação montada na infância? Base sem consistência, edifício desmoronado!

Por essa razão, cerca-se o estudo do desenvolvimento infantil de todas as áreas: pedagógica, psicológica e científica. A escola não pode parar no conhecimento, tem que avançar, caminhar par a par com as descobertas que vêm surgindo e, com elas, reformular-se.

Até ontem, acreditava-se que os alunos lentos na aprendizagem, com certa dificuldade de adquirir o conhecimento, eram somente produtos de uma situação de pobreza, de problemas familiares, de falta de prontidão. Hoje, com as descobertas da ciência, certifica-se que a causa pode ser genética e como tal pode e deve ser tratada. Esta foi a declaração dada à TV britânica, em março de 2003, por James Watson, um dos dois cientistas que descobriram a estrutura do DNA, há 50 anos, conquista que lhe valeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1962. Nessa declaração, o cientista afirma que “a burrice é uma doença genética que deveria ser tratada”. “As pessoas burras, continua ele, ou com coeficiente intelectual baixo, que não têm um transtorno mental diagnosticado, sofrem de uma desordem transmitida de forma hereditária pelos genes, como ocorre com doenças como a fibrose cística ou a hemofilia”. “Se alguém é realmente burro, chamaria isso doença”, reforça esse renomado professor, grande  impulsionador  do Projeto Genoma Humano, a iniciativa internacional para decifrar o chamado mapa da vida.

James Watson conclama ao uso da engenharia genética para melhorar a raça humana. Pede aos cientistas que desenvolvam tratamentos genéticos, que façam exames pré-natais para prevenir o nascimento de crianças burras. “É injusto que as pessoas não tenham as mesmas oportunidades (de ser inteligentes). Uma vez que se dispõe de métodos para melhorar nossas crianças, ninguém pode evitar sua aplicação. Seria “burro” não usá-los”, defendeu Watson.

Um outro aspecto, agora vindo da psicologia infantil, a ser observado pelos educadores e de fundamental importância para o desenvolvimento da personalidade, é a solidão na infância. A dificuldade de socialização, quando a criança não faz amizades e se acostuma ao isolamento, significa que algo está errado; é o momento de se buscar ajuda.

A dificuldade de se relacionar com outras crianças é mais evidente na escola, onde se aprende a arte da convivência. Esse comportamento, revela-nos a psicologia, pode ser sintoma de que ela está passando por algum problema, como, por exemplo, a separação dos pais, a falta de atenção, de carinho, a baixa auto-estima.

No ambiente microssocial que é a escola, é muito importante o professor não se limitar à sala de aula. Observar o aluno no recreio, nas horas de lazer, se ele se afasta, se não se achega aos coleguinhas e comunicar-se com os pais. Manter com os pais cumplicidade, facilitando o diagnóstico do problema e a busca de solução. As crianças que se isolam na hora do recreio, que têm dificuldades de fazer amiguinhos, mostram sério sintoma.

O professor deve incentivar o relacionamento dessa criança com seus coleguinhas e os pais devem brincar mais com esse filho, convidar outras crianças para brincar  com ele  em casa.  Os pais devem buscar espaços onde haja mais crianças e estimular atividades coletivas. Não resolve, por exemplo, levar a criança ao shopping, onde há muita criança, mas sem interação entre elas. Os psicólogos chamam a atenção para a terapia infantil, chamada ludoterapia, considerada importante no caso de crianças com dificuldade de relacionamento.

Os psicólogos dão uma relação de motivos do isolamento infantil:

  • Muito convívio com adultos ou dedicação a atividades solitárias, como videogame, TV, computador. O que fazer? Os pais devem incentivar o convívio com outras crianças e as escolas programar atividades em conjunto.
  • Quando a criança tem gostos e características diferentes da maioria, quando tem maior sensibilidade, ou preferência pela leitura, deve-se ajudar essa criança a encontrar amigos que compartilhem dos mesmos prazeres.
  • Uma séria causa de isolamento e de outros comportamentos anti-sociais é quando a criança está enfrentando problemas familiares, discórdia entre seus membros. Ocasião em que toda a família deve procurar terapia, parar para reflexão, porque o que se constata é que a violência sai das ruas e invade os lares das mais variadas formas.

A sociedade passa por transformações num ritmo intenso, mudando valores morais, sociais, religiosos e a família se ressente da mudança, gerando conflitos. Um mundo novo se descortina e as pessoas não estão sabendo bem como agir. Antes, contava-se com fórmulas mais exatas, com respostas que se programavam, com modelos que se seguiam. Agora, passa-se por alternâncias de desconstrução/reconstrução, sem um guia seguro. Tem-se que enfrentar novos desafios, fazer escolhas num terreno em que não se está preparado. Os parâmetros fixos que orientavam as pessoas não existem mais.

O aprender a conviver com o novo repercute na  família,  de  modo a provocar instabilidade, insegurança. A criança absorve o ambiente conturbado e passa a ter problemas emocionais, viés de comportamento. Os problemas familiares são abrangentes e as causas da desestabilização da criança estão embutidas nas atitudes dos adultos.

O professor alcança a aprendizagem de todos os seus alunos quando se torna um profissional interessado, participativo de suas vidas, não se contentando com a posição de mero espectador. Ele não pode, inclusive, prescindir da educação continuada. Novas descobertas, novas pesquisas, novas avaliações surgem e é preciso acompanhá-las, para introduzi-las em seus métodos de trabalho, colocando-os dentro da modernidade, ajudando o aluno.

* Supervisora de ensino aposentada.

(Publicado em setembro/2003)

VIDA: CONCEITUAÇÕES E CURRÍCULO ESCOLAR

Izabel Sadalla Grispino *

Para os psicólogos “A vida é para ser vivida”, isto é, desfrutada. Esta foi a primeira conclusão a que chegou um estudo, publicado em 2003 pela revista britânica Journal of Humanistic Psychology, sobre o sentido da vida. Partilha dessa visão o ex-presidente dos Estados Unidos Thomas Jefferson. A segunda conclusão é dos que acreditam que o sentido da vida é “amar, ajudar e prestar serviços aos demais”. Estão nesse grupo o físico Albert Einstein e o líder indiano Mahatma Gandhi. Uma outra visão, agora pessimista, é de que a vida simplesmente não tem sentido. Pensavam dessa forma Sigmund Freud, criador da psicanálise, e os escritores Franz Kafka e Jean Paul Sartre. Finalmente, um número menor de entrevistados dizia que a vida é simplesmente “uma piada”. Entram aqui o cantor Bob Dylan e o escritor Oscar Wilde.

Um outro aspecto da vida que divide a humanidade diz respeito às religiões, ao humanismo e ao racionalismo. O cristianismo, por exemplo, professa que Deus é essencialmente amor e quer ser acolhido por adesão livre. Ele, como as outras religiões,  liberta o homem do mal, purifica e eleva a alma, trazendo uma realização plena. As religiões pregam o amor, o diálogo, a paz, a misericórdia, atributos que levam à libertação. Se assim não for, não é religião, não está pregando o sentido de religiosidade.

Há os que dizem que o humanismo cristão seria o responsável pela desertificação do universo, aquilo que Max Weber chama “o desencantamento do mundo”. São convictos de que o cristianismo despovoou a natureza dos deuses e das entidades mitológicas, concentrando toda a sacralidade na figura do homem. Assim, para eles, o mundo transformou-se em coisa inanimada, uma representação sem interioridade, “casca vazia autopsiada pela ciência e abertamente manipulada pela tecnologia. O sol visível do mundo foi ofuscado pelo sol invisível do espírito” (Vicente Ferreira da Silva).

Estamos vivendo uma época de febre racionalista. Os defensores de uma cultura agnóstica acreditam que a humanidade seria mais civilizada e feliz se se libertasse das “amarras” espirituais. Acreditam que a religião, sutilmente, empurra o homem a um sentimento místico, desfavorável à sua libertação total.

Para as coisas da alma não há muito que explicar. Lembro, aqui, Santa Bernadete, a dos milagres de Lourdes, na França, que, apertada por inquisidores, disse: “Não adianta explicar para os que crêem, não é necessário; para os que não crêem, não adianta”.

Transportando essa conclusão para o magistério, percebemos como nele o conceito é real. Se o magistério não acreditar, não vai realizar. São Tomé dizia, em relação à calúnia, é preciso ver para crer. Em relação ao magistério, o processo é o inverso: é preciso crer para ver. Na montagem do currículo, a escola tem necessidade de definir sua concepção filosófica, religiosa. Discutir, ao lado do aspecto intelectual do ensino, a questão moral, ética do comportamento humano. A desordem mundial, o agravamento dos problemas sociais, mostram-nos o quanto a educação moral dos jovens vem falhando. São lançadas na torrente da população levas de jovens sem princípios, sem fé, sem religião, sem sustentação de alma e com conseqüências desastrosas.

A função primeira da escola é o conhecimento, mas, também, formar o cidadão. Ela deve se definir em termos do ser humano que quer formar, da visão de mundo que quer projetar. Deve discutir sua concepção de educação e através dessa concepção criar seus critérios de avaliação e formular toda sua linha pedagógica.

A discussão do humanismo e do racionalismo é importante, porque as duas correntes marcam a humanidade. O ardor racionalista encontra-se subentendido nos textos comemorativos do cinqüentenário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Neles, nota-se a apologia da razão, do sonho da libertação pela razão, contrapondo-se à corrente espiritualista que preconiza o sonho  da  libertação  pela  religião.   Goya,  em uma célebre pintura, cunhou a frase: “Deus e o sonho da liberdade” e o grande escritor Dostoiewski, através de um personagem, diz: “Se Deus não existe, então, tudo é permitido”.

Estes são exemplos que devem perpassar as diretrizes do currículo, a fim de se conseguir uma atitude uniforme de seus membros. Deve-se ir além, às suas linhas norteadoras acrescentar, como queria o nosso  Paulo Freire: “a necessidade de se formar homens e mulheres capazes de sonhar, idealistas, práticos, capazes de transformar seus sonhos em realidade. Precisamos conscientizar os jovens da importância do investimento em si próprio, em sua cidadania. Conscientizá-los a fazer frente à realidade, colocá-los por dentro dos problemas que os envolvem na atualidade e subsidiá-los para atuar preventivamente”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2004)

FACULDADES NA MIRA DE EMPREGOS AOS FORMANDOS

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino superior, assim como a educação básica, abraça a metodologia da cooperação, aproximando-se do aluno, envolvendo-se no futuro profissional dos formandos.

É interessante ao universitário saber das novas ajudas dadas às suas carreiras pelas faculdades. Faculdades e universidades criam departamentos para identificar competências dos alunos, ressaltar talentos, divulgar currículos e fazer parcerias com grandes empresas para colocar seus estudantes.

As instituições vão além da colocação de cartazes, de anúncios de estágio, pregados nos corredores, como costumeiramente fez. Surgem os departamentos que funcionam como Recursos Humanos, que ajudam no desenvolvimento de carreiras. Em algumas faculdades, como a Ibmec, o estudante, se quiser, poderá se submeter a testes desenvolvidos por uma empresa de consultoria para traçar o seu perfil.

O teste identifica, entre outras características, liderança, ansiedade e criatividade. O aluno amplia sua visão de dinâmica de grupo, da importância do desempenho no conjunto das equipes. Revela a capacidade de criatividade, apresentada frente às dificuldades do dia-a-dia. Os testes revelam em que áreas tem mais talento e o que ainda lhe falta. Por exemplo, ressalta-se que alguns engenheiros têm aptidão para as vendas, outros para projetos, outros para chão de fábrica.

Esse procedimento vai dando ao estudante mais confiança, mais esperança de emprego. O fator emprego vem sendo abordado pelo ensino superior como um diferencial nas concorrências entre as faculdades. O aluno procura inteirar-se se nelas há o departamento de carreiras. Muitas faculdades revisam e aprimoram os currículos dos alunos e colocam em sites da própria instituição. Outras realizam pré-seleções para vagas, a pedido de empresas, que acreditam que “os mais dedicados no ambiente acadêmico serão também os mais dedicados no ambiente profissional”.

As empresas firmam parcerias com faculdades e universidades em busca de talentos e empregam alunos e formandos. Valorizam a aproximação com a instituição, porque assim podem conhecer melhor, escolher melhor quem trazer para a empresa. O programa o Banco do Futuro do Unibanco promove estágios em que o aluno desenvolve projetos para o Unibanco sem sair da instituição onde estuda. Uma sala foi montada dentro do Ibmec, onde trabalham os estagiários.

O IBTA, que dá cursos na área de tecnologia, possui 170 empresas credenciadas para ter acesso ao banco de currículos. No IBTA, disciplinas como gestão de carreira, ética e mercado também fazem parte do currículo, trabalhado em sala de aula.

As instituições de ensino superior modificaram seu comportamento diante da possibilidade de se indicar um emprego. Antes apenas indicavam as vagas para seus alunos. Hoje, chegam a ceder salas para o processo de recrutamento de uma empresa, trazendo a empresa para dentro da escola. A faculdade conjuga-se à empresa, mostra o seu perfil e o perfil de seus alunos. O procedimento de examinar e identificar as competências dos estudantes no início e no fim do curso traz reais proveitos, porque além de aferir suas características naturais pode perceber que avanços a instituição deu a ele no final.

Os departamentos de Recursos Humanos dessas faculdades fornecem um grande suporte aos seus alunos que aprendem, ao lado do desenvolvimento de suas competências, da correção de suas dificuldades, a comercializá-las, a vendê-las. O aluno já sai da faculdade com um projeto de carreira.

Essas faculdades estão sendo um pólo de atração aos estudantes universitários. Elas acompanham o atual interesse das empresas pelas pessoas intuitivas, criativas. Ainda há pouco tempo, as empresas procuravam pessoas com Q.I. (inteligência), mas foram percebendo que mais importante que Q.I. era Q.E, isto é, pessoas com controle de emoções, chegando no momento atual a valorizar prioritariamente as pessoas intuitivas, criativas. As empresas, na verdade, aliam Q.I., Q.E. e priorizam a criatividade e a intuição vistas como capacidade de perceber possibilidades futuras. Em termos de intuição, acredita-se na força do inconsciente mais que na do consciente. A idéia é soltar a imaginação, ouvir o que vem de dentro.

A universidade acompanha os passos da empresa, ressaltando, no estudo, suas prioridades. Visando a empregabilidade, a universidade aprimora-se na formação profissional, ultrapassando a hegemonia da teoria, partindo para questões práticas, educando o cérebro nessa direção. Põe o aluno diante dos fatos e encorajá-o a atravessar as barreiras da dúvida, da vacilação, levando-o a agir, a tomar iniciativa. O conhecimento dos fatos é importante, a teoria é importante, mas não se deve perder muito tempo com a teoria e partir direto para o fazer, para a prática. O Senac, em seus cursos, coloca o papel da prática na formação profissional numa dimensão relevante. Pergunta: Quem educa quem: é o cérebro que ensina as mãos a trabalharem ou são elas, por meio da repetição, que ensinam a cabeça a aprender uma nova habilidade?

Assim, junto à teoria, avança-se na aprendizagem prática, vivencia-se a função a que se prepara.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2004)

O QUE QUER DIZER VAGAS ESTATIZADAS?

Izabel Sadalla Grispino *

O Ministério da Educação (MEC) quer, através do programa Universidade para Todos, estender benefícios fiscais a todas as universidades particulares em troca de 25% das vagas. Estas vagas ficariam estatizadas, isto é, disponíveis ao governo para atender estudantes de baixa renda. A adesão seria voluntária. O MEC quer oferecer isenções fiscais que hoje beneficiam exclusivamente as instituições filantrópicas e sem fins lucrativos.

A proposta, segundo o ministro Genro Tarso, é oferecer mais de 100 mil vagas, mas só parte delas gratuitas. As demais seriam pagas pelos estudantes durante o curso – cada aluno receberia uma bolsa e complementaria o restante – ou na forma de crédito educativo, a ser quitado após a formatura. Esse projeto deverá ficar pronto em até 60 dias, mas, já se transcorreu mais de um mês.

Segundo o ministro, critérios serão adotados para impedir a adesão ao programa de instituições de baixa qualidade. Para serem aceitas, as instituições deverão oferecer padrão de qualidade e estarem de acordo com a lei. O programa dar-se-á por adesão e cada instituição deverá informar quantas são as vagas disponíveis a serem estatizadas.

Essas vagas estatizadas deverão ser destinadas a professores do ensino fundamental e ensino médio da rede pública, principalmente os de 1.ª à 4.ª série. Alunos de escolas públicas, com certa faixa de renda, também terão prioridade. A opção pelos professores deveu-se ao fato de, dos 809.125 docentes de 1.ª à 4.ª série de escolas públicas, menos de 250 mil terem diploma universitário. Entre os 800.753 que dão aulas da 5.ª à 8.ª série, 200 mil não têm formação superior. No ensino médio, dos 468.310, 50 mil não têm curso superior.

Genro Tarso, ao ser questionado sobre o porquê da estatização de vagas, por instituições de ensino superior particulares, e não a abertura de vagas em universidades públicas, lançou mão do fator econômico. “Para criarmos um número de vagas nas universidades públicas igual ao que vamos criar com a nossa proposta, precisamos de 5 ou 6 vezes mais recursos”.

A racionalidade econômica parece estar norteando o projeto. Fica mais barato para o governo comprar vagas em instituições privadas que criar o mesmo número de vagas nas universidades federais, mas, contudo, vem provocando reações de reitores, professores e funcionários das universidades federais que acham que o governo deve priorizar o investimento nas universidades públicas.

Já no segundo semestre, o governo quer oferecer cerca de 60 mil vagas de graduação para estudantes de baixa renda. A seleção será feita tanto pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) quanto pelos vestibulares das universidades federais. A idéia é atender egressos de escola pública, professores de educação básica sem diploma de ensino superior, negros, deficientes físicos, índios e presidiários. As instituições filantrópicas que desejarem perder o título e funcionar como empresas com fins lucrativos, mas mantendo as isenções, poderão fazê-lo desde que cedam 20% de suas vagas.

A estatização de vagas das universidades privadas vai privilegiar as regiões mais ricas do País. Em Estados do Norte e Nordeste, com maior carência, há poucas instituições particulares e conseqüentemente menos vagas. No Pará, por exemplo, só existe uma universidade privada. Nessas regiões a saída é aumentar o número de vagas nas públicas. No Nordeste, segundo dados do MEC, mais de 450 mil alunos formaram-se no ensino médio em 2002. Enquanto as instituições particulares ofereciam apenas 150 mil vagas, as públicas, 90 mil. No Sudeste, o contrário. Havia mais vagas em faculdades e universidades privadas que formandos. O crescimento das particulares está relacionado ao poder aquisitivo da população de cada região. Em São Paulo, há vagas excedentes. São 510 mil formandos e 512 mil vagas só nas particulares.

O MEC deverá fornecer bolsas integrais e parciais (de 50%) aos alunos beneficiados, além de expandir o financiamento estudantil (Fies). Atualmente, o principal mecanismo de financiamento do estudo em instituições privadas é o chamado Financiamento Estudantil (Fies), que consumiu R$ 1,7 bilhão entre 1999 e 2003 e dispõe de R$ 900 milhões neste ano.

Este projeto ampliará o acesso ao ensino superior e atenderá estudantes de baixa renda. Vale-se do processo de expansão do ensino superior privado ocorrido nos últimos anos. O que se espera é que as universidades privadas ofereçam ensino qualificado, beneficiando, realmente, o estudante pobre, preparando-o condignamente para o mercado de trabalho.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2004)

SISTEMA NACIONAL DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

Um novo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), preparado por uma comissão especial, Comissão Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Conaes), propõe mudanças no Exame Nacional de Cursos, o Provão. O foco da avaliação será a instituição e não o desempenho do aluno. O exame dos alunos perde peso para a avaliação institucional.

O teste deixa de ser obrigatório para todos os formandos e será apenas um dos itens da avaliação das instituições do ensino superior. Será aplicado por amostragem e a classificação por conceitos abandonados. A avaliação institucional levará 3 anos para ser concluída. Começará com uma auto-avaliação, feita por alunos, professores e funcionários. A instituição passará por uma análise externa, organizada pela Comissão Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Conaes). Essa comissão dará um parecer sobre a instituição, formando um dossiê com os resultados da avaliação para cada universidade, cujo resumo será divulgado pela Internet.

Um dos componentes do Sinaes é o Processo de Avaliação Integrada do Desenvolvimento Educacional e da Inovação de Área (Paidea). O teste dos alunos recebeu esse nome, Paidea, que, em grego, significa ensino ou educação. O exame será realizado por áreas: ciências humanas, exatas, tecnológicas e biológicas. Cada área será avaliada de dois em dois anos, com testes em duas etapas: no meio e no fim do curso. O teste além do conteúdo incluirá a avaliação do aluno sobre a instituição em que estuda.

Além da auto-avaliação, a cada três anos, a instituição receberá a visita de uma comissão externa, que verificará a infra-estrutura, entrevistará professores, alunos e servidores. O Paidea será feito por amostragem, só ficarão obrigados a passar por ele os alunos sorteados. Acabam os conceitos de A a E. O resultado do Paidea vai compor o dossiê final. Ficarão reunidas no Sinaes avaliações já existentes, como o Censo da Educação Superior, o Cadastro do Perfil Institucional (bibliotecas, laboratórios e outros equipamentos), Avaliação do Ensino Tecnológico Superior e Avaliação da Pós-graduação, realizada pela Capes. Todos vão fornecer elementos para o relatório final.

As opiniões sobre o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior têm oscilado. Uma parte dos envolvidos parece satisfeita, achando que as instituições ganham em autonomia e credibilidade. Serão avaliadas pela totalidade e não só pelo aluno. A avaliação dos alunos em duas etapas, no 2.º e no último ano, é positiva, porque mostra o nível do aluno quando entra na instituição e quando sai dela. Acha que o Provão discrimina ao aplicar uma prova única, sem considerar a clientela escolar recebida pelas faculdades.

Em verdade, a avaliação do Provão se propõe a verificar se os alunos assimilaram o conteúdo curricular mínimo obrigatório e um conhecimento mínimo é indispensável, não importa que clientela. Quanto à credibilidade, essa é uma conquista pessoal de cada instituição e a nível de sociedade, a nível de produto ofertado ao mercado de trabalho, a maioria não vem se enquadrando nesse item; não recebe conceito positivo.

Outros opinam ser o sistema de avaliação das faculdades, o Provão, o que de melhor aconteceu na esfera do ensino superior, nos últimos anos. Afirmam que o Provão é indicador de qualidade, aponta as boas e as más faculdades. São contrários à aplicação do exame por amostragem, como quer o novo sistema, porque enfraquece a avaliação por curso, dificultando a comparação entre eles, não distinguindo o bom do mau. O grande objetivo do Provão é fazer comparações e o novo sistema elimina o único referencial que existe no ranking das instituições do ensino superior. Além disso, o Sinaes propicia a volta do clientelismo, o tempo em que, conforme Paulo Renato Souza, influências políticas definiam o reconhecimento e a autorização dos cursos de ensino superior: “Eu criei um critério objetivo, justamente porque percebi que essa era a única maneira de impedir as pressões. O Provão definiu as atribuições do Conselho Nacional de Educação para o credenciamento dos cursos universitários, extinguindo o papel cartorial adotado pelas visitas dos enviados do antigo Conselho”, reitera o ex-ministro.

Educar exige avaliação constante, continuada e divulgação dos resultados. Processos de avaliação são indispensáveis em qualquer atividade humana; nas escolas, constatam a correspondência entre o que é oferecido e o que, realmente, oferece, entre o que se fala e o que se faz; conferem se os cursos cumprem um papel social, cultural e econômico.

Essas considerações vão ajudar o leitor a refletir sobre os dois sistemas de avaliação do ensino superior, para melhor opinar a respeito, pois, segundo o ministro Cristovam Buarque, a proposta lançada pelo MEC deverá ser submetida à opinião pública, aos especialistas da educação, antes de se concretizar. É possível que muita coisa ainda mude e que se entenda que a boa formação do aluno é o maior indicador do ensino ministrado por uma escola. O resultado da avaliação do desempenho do aluno é o espelho que refletirá, com mais propriedade, a eficiência da instituição escolar.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2003)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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