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Artigos Educacionais

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O COMPUTADOR E A EDUCAÇÃO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

O computador é um excelente auxiliar na construção do conhecimento, em todas as fases da aprendizagem. Ele é útil desde a educação infantil, quando crianças são alfabetizadas através dele, e com vantagens.

A criança vai, aos poucos, manuseando o computador, explorando-o, conseguindo demonstrar que sabem e que são capazes de produzir. Diante do computador, a criança tem liberdade para criar, inventar palavras, histórias, desenhos, emocionar-se, estimular-se. Por isso, as crianças gostam muito de trabalhar com ele.

O computador dispõe as informações de maneira clara, objetiva, lógica, favorece a exploração espontânea e a autonomia na aprendizagem. Ele pede reflexão, atenção, definição do que se quer fazer. A criança aprende a se organizar e passar informações ordenadas, digitando corretamente.

O computador favorece a auto-aprendizagem, a autocorreção, porque dá um retorno imediato do processo de construção. Ele trabalha numa disposição espacial das informações que pode ser controlada, seqüencialmente, pela criança, desenvolvendo o seu campo perceptível visual e seu raciocínio lógico. As possibilidades enriquecem-se e trazem oportunidades variadas. Ao trabalhar imagens e textos de forma combinada, o computador ativa os dois hemisférios cerebrais.

No processo da aprendizagem, ele vem sendo apontado, por educadores, como um facilitador do desenvolvimento natural da expressão simbólica da criança no uso de caracteres gráficos. Esse fator é importante tanto na fase da alfabetização como no desenvolvimento posterior da leitura e da escrita. Vale a pena conferir.

Os projetos pedagógicos devem fazer com que o aluno use a tecnologia para pesquisa, trabalhos em equipe, para raciocinar e dialogar em um mundo interativo. O computador é uma ferramenta a mais na aprendizagem, de precioso alcance, mas não absoluto. Ele precisa estar conjugado a outros métodos pedagógicos, fazendo da educação um processo abrangente e reflexivo, como, por exemplo, a formação do hábito da leitura, seguido do debate, dotando as crianças de capacidade expressiva, de interpretação.

A leitura freqüente leva a uma melhor escrita, a um raciocínio mais apurado, a um mais alto nível de inteligência, a uma habilidade expressiva consistente. A psicologia vem demonstrando que existe uma correspondência estreita, uma forte correlação entre o nível de vocabulário e o quociente de inteligência, isto é, entre o domínio da linguagem e a inteligência. Quanto maior o número de palavras, quanto mais elaboradas as comunicações (por exemplo, entre crianças e pessoas adultas) mais potencializado fica o desenvolvimento da inteligência da criança.

Nas histórias, lidas ou contadas, deve-se ater à expressividade; ler ou falar com entonação, com ênfase, em determinados momentos, respeitando as pontuações, as exclamações, as interrogações, as reticências, despertando emoções, provocando reflexões, criando verdadeiros recitais. Esse ambiente de representação recupera a arte, que foi deixada para trás, da récita.

Um outro aspecto da função da escola é a passagem dos valores morais. A pedagogia nos ensina que justiça, solidariedade, tolerância, obediência às regras, respeito ao limite, são valores que se aprendem, como também se aprendem os antivalores: injustiça, crueldade, preconceito, egoísmo, desrespeito ou desprezo pelas normas.

A escola de educação infantil deve primar-se por formar moralmente as crianças, porque é nessa faixa de idade que se constrói o alicerce. Sabemos hoje que, ultrapassada a fronteira da infância, em torno dos 13 ou 14 anos, fase da adolescência, a mudança de personalidade torna-se muito difícil. “É de pequeno que se torce o pepino”.

É responsabilidade, pois, da escola infantil educar para os valores morais, assim como para a leitura, a escrita, a comunicação, habilidades que devem ser iniciadas desde cedo, durante a infância. Entre seus métodos de ensino, a inserção do computador não é mais escolha e, sim, necessidade. A criança fica em dia com as inovações da época. Enquanto brinca, enquanto aprende a lidar com o computador, alfabetizando-se, se conduzida com carinho, com diálogo, com a devida orientação pedagógica, ela vai se modulando, pouco a pouco, tornando-se um adulto responsável, altruísta, solidário com os demais seres humanos.

A escola infantil, por contribuir com esses atributos na formação da criança, é hoje, considerada o grande baluarte da transformação social, especialmente em termos de mudança comportamental. Ela é o alicerce da aprendizagem global, a que deixa a criança pronta para aprender. Alicerce do desenvolvimento cognitivo, afetivo, psicomotor.

Acordou-se para o importante papel da educação infantil. Na “Reunião das Américas para Avaliação da Educação para Todos”, realizada em São Domingos, capital da República Dominicana, em fevereiro de 2000, com a presença de ministros da educação da América Latina, Caribe, Estados Unidos e Canadá, colocou-se como prioridade, nas Américas, o investimento na pré-escola. O documento conclui: “A insuficiente atenção ao desenvolvimento integral das crianças na primeira infância é o principal responsável pelas altas taxas de evasão e repetência na escolaridade básica. A prioridade de investimentos na pré-escola deve ser a primeira, dentre as outras, por garantir o direito universal de uma educação de qualidade desde o nascimento”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2001)

RESPONSABILIDADE SOCIAL

Izabel Sadalla Grispino *

A época atual tem sua atenção voltada para a sociedade. A desordem social, o alarmante desnível econômico, estão hoje, mais do que nunca, exigindo a necessidade de formar cidadãos conscientes. Uma comunidade consciente de seus direitos passa a agir na sociedade que, articulada, se mobiliza em direção à participação, à solidariedade, à inclusão. O indivíduo começa a entender que sua responsabilidade vai além do pessoal, do familiar, a ter consciência de que a sociedade não é compromisso só do governo e que todo cidadão é governo. A ter consciência de que sociedade é um organismo vivo, mutável, de desejo de realização, de auto-afirmação. A ter consciência da ajuda que necessita para se auto-realizar, criando recursos, meios, condições para isso e não, apenas, estender-lhe a mão, no sentido de filantropia, de paternalismo.

O indivíduo entende que a responsabilidade social deve se traduzir em crescimento para a cidade, em comunidades de sucesso. Entende que pode e deve agir na sociedade, dentro de seu universo, desenvolvendo o sentido de cidadania. Passa a viver no entendimento de que todos têm direitos, assim como têm deveres, igualdade de oportunidades, condenando regalias e privilégios.

O cidadão se forma desde que nasce. A criança, sentindo-se respeitada pelo adulto, tendo suas necessidades atendidas, vai adquirindo a noção de respeito e o respeito vai fazer parte de sua vida. Uma criança que vive, por exemplo, o drama de ter que se afastar da escola para trabalhar e poder comer, como vai entender democracia ou cidadania? Se gritar, apelar, não será ouvida e, não sendo ouvida, não ouvirá também, transgredirá. Essa criança que se vê anulada em seus direitos, em suas necessidades básicas, não entenderá de respeito.

Conceituar cidadania e não praticá-la é perder, para o aprendiz, o seu significado. São pelas atitudes dos adultos que as crianças passam a entender o conceito de justiça. Quando ouvidas, atendidas, vão se colocar na sociedade democraticamente, desenvolver a sociabilidade. É a experiência de vida quem vai lhe ditar a idéia de cidadania e, como reflexo dessa idéia, ela repetirá as atitudes, passando-as avante. O exemplo do adulto é fundamental. Se o adulto é respeitoso, solidário, a criança o terá como referência.

A chave da responsabilidade social está nos atos praticados pelos adultos; se esses atos passarem uma imagem favorável à prática do bem comum, do compromisso com o outro, essa imagem propagar-se-á, do mesmo modo o seu contrário. Além da ação consciente, o adulto deve aprender a ouvir, principalmente em contato com os jovens. Conversar, dialogar, formular normas conjuntamente, não impondo, mas conscientizando, para que esses jovens se sintam responsáveis por suas atitudes. O contato com o adulto determinará sua visão de mundo, seu relacionamento com a sociedade.

A escola contribui com a responsabilidade social, desenvolvendo a consciência crítica da realidade, a compreensão de que o interesse social é mais importante que o individual, a fazer o aluno ver a realização como fruto do esforço comum. Ela deve se tornar um espaço de realização, criar formas de intervenção social, despertando interesse por atividades sociais.

A adolescência é uma fase em que o jovem é idealista, tem necessidade de acreditar em alguma coisa, a fase em que quer mudar o mundo, quando abraça os ideais de liberdade e de igualdade em profundidade. É o momento de a escola canalizar essa energia para ações produtivas no seio da comunidade, montando projetos que o envolva nessas ações. O jovem na adolescência, como diz a psicologia, deixa de ser filho do casal para ser ele próprio e as instituições de ensino devem ser catalisadoras desse potencial juvenil.

Cidadania é reflexo, é vivência, cabe aos pais, aos educadores dar o exemplo no entendimento de que só existe cidadania praticando-a. Começa em casa, na escola, com a educação recebida e vai para a rua com a prática do respeito. Educar para agir com consciência todos os dias; cobrando deveres das autoridades, cuidando da cidade, respeitando as regras sociais. Assim, a criança compreenderá que nasceu para viver e não sobreviver, tendo seus direitos respeitados.

Um aspecto que fere a consciência e imprime fortemente o traço da injustiça social é o trabalho infantil. Crianças e adolescentes que trabalham freqüentam menos a escola. No passado, esse número foi maior, mas, mesmo assim, hoje ainda é grande. Há trabalhadores infantis nas áreas urbanas e rurais. Pesquisas têm mostrado que cerca de metade das crianças e adolescentes que estão trabalhando utiliza produtos químicos, máquinas e ferramentas, com riscos constantes de sofrer acidentes. Esta parcela é maior entre os trabalhadores do campo, que somam 43% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que têm alguma atividade.

Também, serviço doméstico, distância e falta de vagas são outros motivos que afastam crianças e jovens da escola. Segundo O IBGE, o nível de escolaridade, entre pessoas de 5 a 17 anos, cresce de acordo com a faixa do rendimento familiar. Em famílias que ganham até ½ salário mínimo, esta faixa ficou em 83,1%. Já em famílias com rendimento até 10 salários mínimos ou mais, o nível de escolaridade sobe para 97,9%.

A má distribuição de renda responde pela sofrida desigualdade social. Crianças que deveriam estar na escola ou brincando arcam, prematuramente, com a responsabilidade de sustentar-se e ajudar no sustento da família.

O Estatuto da Criança e do Adolescente diz que é proibido qualquer trabalho a menores de 14 anos, a menos que seja na condição de aprendiz. São aprendizes os adolescentes que recebem formação técnico-profissional, que deve ser dada sem prejudicar o ensino regular. Os maiores de 14 anos que trabalham têm assegurado o seu estudo. Os aprendizes maiores de 14 anos devem receber direitos trabalhistas como os adultos. Nenhuma criança ou adolescente pode trabalhar à noite, nem realizar atividades perigosas ou em ambientes que sejam prejudiciais ao seu desenvolvimento. O Estatuto também garante o direito à educação: igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, o direito de ser respeitado pelos educadores, o acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência.

A realidade social é pesada, profundamente desigual. Entre nós, um terço da população vive na miséria. O pressuposto da cidadania é a igualdade de direitos e diante de tamanha desigualdade, para conquistá-la, haverá ainda muitas léguas a percorrer, muita estrada pela frente. Contudo, estaremos dando uma grande contribuição se educarmos a criança e o jovem dentro dos princípios de justiça, de ética, de solidariedade, se os ensinarmos a enfronhar-se nas causas sociais, aprendendo, na prática, o sentido de democracia e de cidadania.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2003)

EDUCAÇÃO E SAÚDE

Izabel Sadalla Grispino *

O artigo de hoje é uma homenagem ao dia 12 de outubro, Dia da Criança, a esse raio de sol que ilumina os corações dos homens e traz esperança de um futuro sorridente, mais acolhedor, mais próximo de Deus.

Presentemente, uma das grandes preocupações com a saúde é a obesidade infantil. Comprovam as estatísticas que a criança gorda será um adulto gordo.

A obesidade, além de roubar energias para a prática esportiva, traz, já na infância, problemas de colesterol, triglicérides e até complicações coronárias, agravando-se à medida que o tempo passa, afirmam os especialistas. É preciso haver exercícios diários e controle de peso.

A ciência comprova a força dos alimentos naturais na promoção da saúde, na qualidade de vida. Surge a expressão alimentos funcionais, alicerces de uma dieta equilibrada.

Não é fácil a uma criança deixar de comer o que gosta, principalmente, chocolate, sorvete, batata frita, coxinha, croquete, pastel, frituras em geral. Tem que haver, por parte dos pais, uma intervenção sábia e cautelosa. Conversar, explicar, conscientizar, mas, para essa faixa de idade, o que parece plausível é uma substituição gradativa, na qual a criança não sinta corte pesado.

Dizem os nutricionistas que nada é proibido, desde que os itens saudáveis superem de longe o número dos não saudáveis. Não é preciso abrir mão das guloseimas, mas saber dosar, saber comer.

As pesquisas vêm mudando certos conceitos. O pão, por exemplo, já ocupou lugar privilegiado na pirâmide alimentar. Sustentava a sua base, mas, agora, sabemos que o pão de farinha branca, como o pão francês, tem um nível glicêmico alto e o açúcar é rapidamente absorvido como gordura subcutânea (sob a pele), não dá tempo para digerir. Ele tem, também, uma saciedade menor, logo se está com fome, de novo. Deve-se comer, de preferência, pão integral.

A quantidade aumenta de acordo com a idade. Quem tem mais de 8 anos, por exemplo, deve comer duas fatias de pão, em vez de uma. As cores dos alimentos, também, são importantes, sinal de alimentação equilibrada, de vitaminas variadas: cenoura, rabanete, alface, tomate, pepino..., cores diversificadas.

Quando o alimento for perecível, como queijo e derivados ou sucos, deve-se colocar nas lancheiras das crianças, mesmo nas térmicas, uma bolsinha de gelo.

Sugestões da nutricionista Maristela G. de Sá Francisco para o lanche:

  1. Fruta ou uma porção de carboidrato.

Exemplos:

● 1 fatia de pão, de preferência integral;

● 1 bisnaguinha (de soja ou integral);

● 4 bolachas (sem recheio);

● 1 fatia de bolo (35 g) do tipo formigueiro ou de cenoura (sem cobertura).

b) Uma fonte protéica.

Exemplos:

● 1 fatia de peito de peru;

● 1 fatia de presunto magro;

● 2 fatias de blanquet ou similar.

c) Um laticínio.

Exemplos:

● 1 queijinho do tipo polenguinho ou 1 fatia de queijo minas (30 g);

● 1 iogurte (190 ml).

Observação: 1 iogurte com cereais já soma os itens necessários, pois tem laticínio, proteína e carboidrato.

Quando o lanche tem requeijão ou queijo, deve-se incluir água-de-coco ou suco de caixinha.

Mediante esse modelo, os pais podem variar dentre os alimentos funcionais que compõem a pirâmide da boa alimentação, quais sejam (a partir da base para o topo da pirâmide):

● Alimentos integrais, na maioria das refeições;

● Azeite ou óleos vegetais;

● Verduras e legumes, à vontade;

● Frutas, 2 ou 3 vezes ao dia;

● Laticínios ou suplementos de cálcio, 1 ou 2 vezes ao dia;

● Peixe, frango e ovos, até 2 vezes ao dia;

● Castanhas, amendoim, feijão, ervilha, grão-de-bico, de 1 a 3 vezes ao dia;

● Carne vermelha e manteiga, consumidas moderadamente;

● Arroz branco, pão branco, batata, macarrão e doces, em consumo moderado.

Que os pais se alertem para a necessária alimentação saudável, desde a tenra idade da criança.

 

AO PROFESSOR E AO MÉDICO

Dois grandes sentidos, duas grandes datas, para a humanidade se aproximam: 15 de Outubro, “Dia do Professor”, e 18 de Outubro, “Dia do Médico”.

Educação e Saúde são os dois baluartes da vida humana. Educação forma para o bem viver e Saúde prolonga e ampara esse viver. Sem esses dois ingredientes a vida se perderia num labirinto, caminharia por ruas sombrias, sem luz. Perderia sua estrutura definida, sem bases humanístico-científicas, enveredando-se para o caminho das paixões, para o desfecho das contradições, na perda do equilíbrio.

Exalto, em forma de versos, os dois expoentes da vida: o Magistério e a Medicina, nas pessoas do Professor e do Médico:

 

MAGISTÉRIO E MEDICINA

(Louvores ao 15 e ao 18 de Outubro)

Todas as profissões têm no magistério

Seu ponto de articulação,

Após os 1.ºs passos, segue os próprios critérios,

Cada uma cumprindo sua nobre missão.

Magistério é tronco em ramificações,

Sua estrada tem começo, mas não tem fim,

Sustenta a linha divisória das profissões,

É vibração que circula em anéis de marfim.

Magistério é educação, é saúde,

É astro que irradia com convicção,

Ensinamento, que vai do berço ao ataúde.

A educação tem no magistério a força, o caminho,

A saúde tem na medicina o sol, a lua,

Não haveria o amanhã, sem a união das duas!

 

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em outubro/2005)

ALCA DO ENSINO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

Os avanços tecnológicos ocorrem de maneira vertiginosa. É praticamente impossível prever-se as próximas evoluções. Não se pode mais trabalhar isoladamente e a integração de forças, em busca do novo, do conhecimento atualizado é pensado e desejado indistintamente, não importa em que setor da atividade humana.

Cogita-se de que num futuro breve, 10 ou 15 anos, as universidades serão “uma só”, interligadas pela internet. Pode-se, por exemplo, estando no Brasil fazer um curso na Universidade do México ou de Portugal e, estando lá, fazer disciplinas aqui. Apoiado nessa visão, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, propôs a embaixadores da América Latina, de Portugal e da Espanha, durante um encontro realizado em junho de 2003, criar a “Alca do Ensino Superior”. Ele defende um projeto comum de universidade na América Latina.

O ministro lança a idéia de que, em vez de integração só por meio do comércio, os parceiros do Mercosul e da Alca desenvolvam meios para integrar as universidades. “Fala-se na Alca do comércio, mas não se fala da Alca do ensino superior”, frisou o ministro, e marcou um novo encontro, para discutir o assunto. O seu grande desejo é que se construa, ao lado do Mercosul da economia, a “Universidade Sul”, analisando ser mais fácil a criação dessa universidade que a unificação comercial, porque as contradições são menores.

Uma universidade em conjunto não tiraria as especificidades locais, só ampliaria a visão de mundo, daria amplitude ao conhecimento, aumentando possibilidades de aperfeiçoamento e intercâmbio cultura e profissional.

Hoje, estamos aqui, mas presos ao mundo, antenados numa rede mundial de conhecimento e acontecimento, que nos mostra que é preciso avançar, alargar as perspectivas, para se situar no mundo globalizado.

2004 bate à nossa porta. Que haja um pacto para a evolução do conhecimento científico, mas que 2004 consiga, também, um pacto para a cultura humanística. Só esta, abraçando a espiritualidade, educando a mente e a alma para o amor, poderá conseguir o que a ciência até hoje não conseguiu, reverter os caminhos sombrios da violência, da guerra, os caminhos mortíferos das drogas, aniquilando nossos jovens, anulando a revolução tecnológica, zerando a esperança de vida. A decadência do sentido moral na sociedade, acarretando perdas de valores, evidencia-se mais e mais, numa conseqüência desastrosa para a vida humana. Os lares brasileiros hospedam, hoje, o desassossego, a inquietação, o medo. Já diziam os antigos filósofos gregos: “A alma de toda cultura é a cultura da própria alma”. Cultura que faz chegar a Deus e modificar o interior do homem.

Na luz da alma, a paz universal; na luz do amor, a semente e a preservação da vida. Um feliz Ano Novo a todos vocês, prezados leitores, com votos de saúde, paz e prosperidade. Minhas reflexões, na poesia abaixo:

ANO  DE  2004

Fim de ano, balanço de atividades,
Para uns, 2003 foi auspicioso, um ano de realizações,
Para outros, transcorreu na normalidade,
E para outros, ainda, foi marcado de dor, de desolação,
Na minha família, aconteceu uma perda muito sentida,
Apagou-se a luz da vida de uma pessoa querida.

2004 inicia-se sem o Jorge, um amado irmão,
Inicia-se triste, por essa sua ausência,
Sua vida produtiva, porém, não foi em vão,
Deixou um legado de ensinamentos, de experiências,
Que englobamos em nossa caminhada,
E nos ajudam a transpor os percalços da jornada.

Neste raiar de ano, nos exaltamos e choramos,
Exaltamos, pedindo a Deus uma era de paz à humanidade,
Que haja mais amor entre os homens, suplicamos,
Que façam profissão de fé na luta pela desigualdade,
A luz do sol é farta, nasce para todos,
Por que não dividi-la, afastando caminhos rotos?

Choramos pela ausência dos nossos saudosos entes,
Só as lágrimas lavam a alma da dor,
A herança recebida engrossa a corrente,
A vida segue em frente, avança sem retrovisor,
Que 2004 injete a vacina da caridade,
Caminho por onde transita a felicidade.

A flor carrega, em suas pétalas coloridas,
O gérmen da semente que lhe deu origem,
Assim, o homem leva, dentro de si, por toda a vida,
Um pouco de sua infância, sua fase virgem;
Somos os grãos humanos reprodutores da existência,
Somente dentro de nós, a ética da vida, sua consciência!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2003)

ASSOCIAÇÃO DO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO

Izabel Sadalla Grispino *

Mensagens que ressoam. Comunicações que atingem os diferentes ângulos da alma humana e provocam reencontros afetivos. A vontade de contribuir, de abraçar, molham a terra e as sementinhas espalhadas começam a vicejar.

Após ter publicado, dias atrás, o artigo “O atendimento à criança autista”, recebi da cidade de Araraquara um telefonema do emérito educador Francisco da Silva Borba, ex-reitor da UNESP e atual professor de pós-graduação de lingüística da UNESP-Araraquara.

O ilustre professor externou um pronunciamento qualitativo sobre meus artigos, referendando plenamente os conceitos emitidos sobre o atendimento ao autista. Retratou sua vasta experiência profissional e pessoal sobre o assunto, sendo ele um dos fundadores da Associação de Atendimento Educacional Especializado (A.A.E.E.), em Araraquara, onde uma filha sua, autista, hoje com 30 anos de idade, recebe atendimento.A filha avançou muito no seu desenvolvimento, mas foi prejudicada, principalmente na fala, pelo atraso no atendimento inicial da síndrome.

Se hoje o atendimento ao autista é dificultado, pelo desconhecimento da síndrome e pela pouca disposição das instituições em oferecê-lo, imagine como não era há 30 anos atrás! No meu artigo eu dizia: “O importante é reconhecer o autista precocemente... A medicina mostra que o diagnóstico tardio é danoso. Quanto mais cedo se detectar o autismo melhor, de preferência no primeiro ano de vida, pelo menos, antes dos 3 anos, quando o tratamento produz resultados compensadores. A criança que começa a se tratar depois dos 5 anos tem um prognóstico diferente, aqueles que ainda não falam nessa idade, dificilmente desenvolverão a linguagem...”

Por essa e outras razões, foi deveras auspicioso tomar conhecimento de uma instituição de ensino de padrão, em Araraquara, facilitando e acolhendo, com rara competência, as crianças com necessidades especiais. Seu patrono, Francisco da Silva Borba, é uma grata referência sobre a qualidade da insigne Associação. “A A.A.E.E. é uma sociedade civil de caráter educativo e assistencial, fundada em 1992 por um grupo de pais de crianças e jovens excepcionais. Por não ter fins lucrativos, foi reconhecida como de utilidade pública, pelo decreto municipal n.º 6.713, de 21/10/1994. Seu objetivo básico é desenvolver programas de ajuda, adaptação, reabilitação, integração social, educacional e profissionalização de jovens excepcionais. Tais programas estarão a cargo de pessoal especializado, sendo tão completos e abrangentes quanto permitirem os recursos da Associação”.

Esses dados foram fornecidos pela entidade, que oferece programas de atendimento integrado: Psicopedagogia e Pedagogia; Fonoaudiologia; Fisioterapia e Educação Física Especial; Terapia Educacional.

Os que têm interesse sobre o assunto, os que necessitam de ajuda no atendimento aos filhos, a Associação atende igualmente crianças de toda classe social, seja abonada, seja carente, cada família paga de acordo com suas possibilidades. Visite-a e confira, você mesmo, a força educativa que os seus avantajados métodos produzem nas crianças portadoras de deficiência, crianças atendidas humanamente, por devotados e competentes profissionais.

Como em todo processo educacional, na educação especial o estímulo precoce faz a diferença. Sobre a síndrome de Down, por exemplo, o que se sabe é que não existem graus de Down. Há, contudo, portadores da síndrome que mal conseguem falar e outros que chegam à universidade, angariando um diploma do ensino superior. As diferenças nos seus desenvolvimentos foram motivadas pelos estímulos que receberam desde a infância. Cada um tem seu potencial próprio e a forma como esse potencial é trabalhado, desde o nascimento, é que vai dar significado ao seu desenvolvimento. O que essas crianças precisam é serem aceitas, principalmente pelos pais, pelos professores e depois pela sociedade. Se bem estimuladas, atendidas com carinho e entusiasmo, alcançam um progresso animador.

Recebi um cartão de boas-festas da Associação de Atendimento Educacional Especializado, que realmente me tocou: Natal 2005, Ano-Novo 2006. Fotografia de crianças deficientes, abaixo os dizeres: “Não queremos apenas existir, queremos viver!”.

Exalto de coração essa benfazeja Associação de Educação Especial. Que consiga ir avante, apensar das dificuldades e que hoje e sempre continue sendo reconhecida como valiosa entidade de utilidade pública.

* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em janeiro/2006)

REFLEXOS DA CULTURA SOBRE O MUNDO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

No mundo atual, nota-se uma precocidade marcante entre a geração de meninas de 9 a 12 anos.

As meninas querem crescer logo e, segundo os médicos, vêm enfrentando o crescimento hormonal da puberdade mais cedo que as do passado. Citam como causas a melhoria da alimentação, das condições sanitárias e de saúde. Dentre essas, estão os estímulos sensoriais, influenciando o encurtamento da infância e o conseqüente alargamento da adolescência.

A sociedade atual provoca mudanças no modo de se conceber o universo infanto-juvenil. As gerações antigas diferenciavam a cultura dos adultos e a cultura infantil. Esse conceito vem se modificando, provocando uma transformação acentuada da infância no alcance precoce da juventude.

As meninas, estimuladas socialmente, querem crescer logo, viver a adolescência antes do tempo, um comportamento adulto. A televisão, a tecnologia, a internet, imprimem mudança de conceito, difundindo informações, regras de etiqueta, produtos de beleza, roupas, sapatos, que ajudam a firmar a nova identidade juvenil. Além disso, as crianças assistem a programas recomendados para adultos, têm ao seu redor acesso a todas as novidades, modismos, jogos de computador, informações apropriadas à sua vaidade.

Há um forte apelo consumista, uma exigência no modo de vestir, de pentear, que se firma como uma forma de integração social dos pré-adolescentes. O mercado lança uma série de produtos, linhas de cosméticos para meninas, roupas provocantes, celulares coloridos, que podem trocar de capa e combinar com a roupa...

A esse fator, há outros, como o desejo das mães, de que as filhas sejam bem torneadas, magras, elegantes como as modelos. É um conjunto de fatores que propicia uma pré-adolescência precoce.

As brincadeiras tradicionais da infância estão desaparecendo. As crianças vivem o mundo da tecnologia, do computador, dos CDs, dos “shoppings centers”. Preferem os jogos de computador às bonecas.

Meninas de 9, 10, 11 e 12 anos freqüentam salão de beleza, fazem unhas e cabelo, usam blusas que deixam ver o piercing colocado no umbigo, usam salto plataforma e estão, sempre, levemente maquiadas. São meninas que deixam de lado o sonho lúdico, para abraçar a vaidade e as curiosidades dos adultos. Esmeram-se na imagem bela e bem cuidada, vivem sob o domínio de estímulos de consumo e comportamento, podendo, até certo ponto, despertar mais cedo a curiosidade em relação ao sexo.

A infância de hoje imita esse modelo disponível, diferente do modelo de outrora. Segundo os psicólogos, a menina apenas imita, exterioriza um corpo desenvolvido, modulado, mas continua com uma mentalidade infantil. São modificações aparentes, são modelos que seguem, mas não estão mais maduras intelectualmente, nem mais preparadas para os apelos sexuais que procuram mostrar. Copiam um padrão de moda, considerado moderno. No fundo, essas meninas continuam sendo crianças.

Dizem os hebiatras – especialistas que cuidam de pré-adolescentes e adolescentes – que não adianta proibir ou reprimir. As meninas juntam-se aos seus grupos, comunicam-se, interagem-se.

Pais e professores precisam encarar essa realidade, entrar nesse mundo para melhor compreender, melhor orientar, refreando o abuso do comportamento adulto. As escolas vêm acompanhando de perto esse novo modelo que a sociedade imprime às meninas e procura ajustar a sua metodologia ao momento dessa criança.

Em entrevista, numa pesquisa sobre o assunto, o diretor de uma escola de informática relatou o seguinte: “Temos um curso infantil, para crianças de 6 a 11 anos. Os pais as trazem para fazer a matrícula e elas se recusam, porque não querem fazer nada de criança. Querem entrar direto no programa dos adultos e o interessante é que conseguem acompanhar muito bem as aulas”.

Esse fenômeno da precocidade infantil verifica-se no mundo todo. Observar, compreender e orientar são preceitos que se impõem. Ter, sobre esse processo da aceleração da puberdade, um olhar capaz de ajudar as meninas a caminhar mais lentamente, a perder a ansiedade do mundo adulto.

Pais e professores devem filtrar o que chega aos olhos da criança, desenvolver-lhe valores internos, preparando-a com calma para a vida adulta. Buscar criar no grupo estímulos próprios, condizentes à fase em que vive a criança, na linha da disciplina e da formação de novos paradigmas.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2006)

LUZES NA TRAVESSIA DO TÚNEL

Izabel Sadalla Grispino *

Lançando-se um olhar, interessado e criterioso, sobre o nosso imenso e desigual País, toca-nos as disparidades regionais, a frisante desigualdade social – alguns ricos, outros tantos muito ricos e uma imensa camada de pobres, muito pobres, resvalando na miséria. As almas sensíveis, solidárias, responsáveis, acabam comovendo-se e, seguindo os ditames do coração e da razão, buscam minorar o sofrimento dos excluídos. Envolvem-se, de modo altruísta, sob a forma de trabalho voluntário, às causas sociais, sem pensar em remuneração.

O trabalho voluntário sempre existiu. Pessoas que reservam parte de seu tempo para o próximo. Esse trabalho não deve ser encarado como simples caridade. Ele quebra paradigmas da sociedade capitalista, que vê na remuneração, no lucro, as únicas razões de luta. O trabalho voluntário anula interesses pessoais, incentiva a articulação entre sociedade e compromisso social. É uma busca alternativa para alcançar os desníveis sociais, o abrandamento da fome, do desemprego, da ignorância alfabética. Ultimamente, o trabalho voluntário vem se firmando e até se institucionalizando. Em muitas escolas, já faz parte do currículo escolar.

A cooperação, a aproximação, o entrelaçamento solidário entre as classes sociais, são o melhor caminho na quebra da insensibilidade e do preconceito, especialmente em relação à pobreza. Hoje, o pensamento dominante é de que, se se quer paz, tem-se que enfrentar a pobreza, formar uma convivência amistosa, um envolvimento coletivo, visando criar oportunidades de vida melhor aos necessitados.

O triunfo da indiferença que impera em boa parte da sociedade é superado por outra parte de ação benemérita, que merece ser aplaudida, com entusiasmo e admiração. Em Ribeirão Preto, o trabalho voluntário floresce a cada dia. Uma plêiade de voluntários, mais especificamente, de voluntárias, que junto às tarefas do lar ou de uma profissão remunerada, não se furta ao dever do seu papel social.

Sexta-feira, dia 21 de março, tive a grata satisfação de participar da inauguração da nova sede da “Associação Beneficente Pró-Família”, fundada, dirigida e mantida por voluntárias. Essa associação, aberta ao convívio social, iniciou-se há uma década, com uma jovem, imbuída de ideais humanitários, de crença no potencial do ser humano: Cláudia Jábali Biagi. Essa jovem sentia na alma a certeza de que educando a criança estaria formando o adulto realizado de amanhã. Ao visitar a favela das Mangueiras, na Vila Virgínia, Cláudia condoeu-se das crianças mal vestidas, perambulando pelas ruas, sem destino. Um lampejo de consciência e de piedade tocou-lhe o coração. Organizou-se, criou uma sala de aula improvisada, acolheu as crianças, de 3 a 6 anos, iniciando-as na escolarização. Cada vez mais, Cláudia ia percebendo o quanto era importante o trabalho que devotava a essas crianças. A cada ano, o número de alunos crescia e era preciso criar novas salas para atendê-los.

Uniu-se a outra voluntária, tal como ela, abnegada, disposta a se entregar à causa da criança carente: Andrea Cicciarelli Pereira Lima. Alugaram uma casa, transferindo a “escolinha” para lá.

Um sonho começava a habitar suas almas, o sonho do prédio próprio, da escola idealizada. Assim, com garra e determinação, engajaram-se nessa direção e essa vontade se concretizou! Dia 21 de março foi o marco da vitória e elas puderam, com a alegria do dever cumprido, da satisfação do acolhimento, inaugurar a escola sonhada. Um moderno prédio, construído em moldes educacionais, com toda a infra-estrutura necessária a uma escola de educação infantil, não se esquecendo da sala do dentista, uma sala odontológica plenamente aparelhada.

Cumpre-nos externar louvores a essas duas mosqueteiras, que passam à sociedade fé e esperança em dias melhores. O homem forja o caráter malhando em ferro. Colocando pedra sobre pedra, tijolo sobre tijolo, conseguindo a adesão de outras dedicadas voluntárias, elas ergueram, na Vila Virgínia, um monumento de solidariedade à humanidade sofrida. Formaram trincheira, no apoio, no suporte cognitivo, afetivo, no suporte alimentar, de saúde, a crianças que corriam o perigo das ruas, de mãos estrangeiras, das drogas, da violência. Que Deus as proteja e lhes dê força na caminhada. São de exemplos como esses que precisamos para ilustrar nossos filhos, nossos netos, nossos jovens.

Contudo, é preciso que se diga, que elas nunca estiveram sozinhas. Desde o início, até hoje, sempre esteve na retaguarda, assessorando, capitaneando, uma mulher de extraordinário valor: Dea Spadoni Biagi. Uma guerreira versátil, de exuberante vitalidade, uma educadora da vida, que lhes serviu de infra-estrutura emocional, intelectual, criativa. Dea é a gangorra que promove o equilíbrio, gangorra que quando desce é para subir mais alto, porque traz, com a descida, a visão de amplitude, clareando o caminho. Dea é, no seu próprio dizer, “o bombeiro que ateia fogo e que apaga o fogo”, não deixando o elã se esfriar, nem se empolgar demais, respeitando limites e possibilidades.

Nos meus versos abaixo, a imagem que Dea me passa:

À  DEA  SPADONI BIAGI
De Izabel Sadalla Grispino

Há seres que conseguem se sobrepujar,
Pairam na vida acima do bem e do mal,
Atravessam a enxurrada sem se sujar,
Força moral, construção de amor por igual,
São lutas que se impõem em tempo integral;
Tambores que rufam acordando o ideal.

Há seres que vêm ao mundo iluminados,
Para a grandeza convergem os olhares,
A solidariedade são seus passos ritmados,
Se no alto da montanha constroem os seus lares,
Na superfície enfincam os pilares,
Na ajuda aos carentes, convocam os seus pares!

Há seres de luz irradiante,
Formam clareira na senda da pobreza,
Encontram nas favelas minas de diamante,
Lapidam as pedras brutas em profundeza,
Ensinando a extrair riquezas da natureza,
Ensinando a ver o mundo em seu raiar de beleza!

Caminham olhando o céu, pisando a terra,
Sublime virtude, suada construção!
Vales de sol, onde não se cultiva guerra,
Onde a inteligência se une à oração,
Onde o amor ao próximo é vocação;
Vales, onde o trabalho é religião!

Assim é nossa Dea Spadoni Biagi,
Espírito de gigante, coração de “menino”,
Baluarte da coragem, revolução que age,
Prepara o adulto, modelando o “bambino”,
Missionária da formação do pequenino,
Engenheira da construção do belo destino.

Dea, Deus lhe mostrou a estrela matutina,
Na aurora, fez resplandecer sua alma divina!


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2003)

POR QUE PROFESSORAS E NÃO “TIAS”?

Izabel Sadalla Grispino *

A escola caminha pelos olhares intrínsecos da pedagogia, pelos avanços científicos. A “tia” da escola infantil, forma de se dirigir à professora, teve seus dias contados, abolida pela linha socioconstrutivista.

Os pedagogos afirmam que o resgate do termo professora não é uma simples questão semântica. As escolas, que adotaram métodos das modernas práticas pedagógicas, ponderaram que a professora representa um novo modelo na vida da criança – ela não é, realmente, uma extensão familiar – e como tal deve ser preservada.

Paulo Freire, em seu livro “Professora sim, tia não”, escreve: “Ser professora implica assumir uma profissão, enquanto ser tia é viver uma relação de parentesco. Chamar a professora de tia é no fundo uma ideologia que trabalha contra o rigor da profissionalização da educadora, como se para ser boa professora fosse necessário ser pura afetividade”.

O professor é uma imagem importante para o aluno; ele não substitui afetos familiares. O componente afetivo deve existir, mas nunca como ideologia. A criança precisa de alguém que a oriente com firmeza, que lhe transmita os valores de vida, e o professor é o mentor desse processo de criação.

O costume de chamar a professora de “tia” vem da década de 60. As mulheres, ao buscar afirmação profissional, recorriam às escolas para cuidar de seus filhos e, de certa forma, segundo relato de mães, entregar os filhos à tia e não à professora lhes aliviava a culpa. Contudo, esse tratamento dissimula a relação de autoridade. A criança precisa diferenciar universos e perceber que cada espaço tem seus próprios valores, concluíram os pedagogos. Assim, as então chamadas escolas alternativas, hoje socioconstrutivistas, começaram a rever o tratamento nos anos 70.

A relação de aprendizado é uma nova aquisição na vida da criança. A professora é portadora de um conhecimento, abre as portas de um novo mundo, não estando, portanto, em situação de igualdade com as crianças. O psiquiatra infantil Haim Grunspun completa a análise: “Como “tia” a profissional acaba não considerando o seu próprio processo, do qual é proprietária. Existe uma ideologia de desprofissionalização do educador. A afirmação profissional emerge da conquista dos direitos do exercício pleno da função. O aluno aprende a respeitar a partir do próprio respeito. Pergunta: “Como as crianças podem entender 10 mil “tias” em greve?”

As crianças acabam percebendo por si que professora é a pessoa que educa, ensina brincadeiras, criar, inventar; tia é a irmão da mãe ou do pai. Hoje, se a dúvida persiste, ela está entre aqueles que escolhem a escola de acordo com suas convicções. Voltando a Paulo Freire, ele disse (1993): “Uma das características básicas do construtivismo é não estar demasiado certo da certeza. Se você absolutiza não tem oportunidade de crescer. Tenho 72 anos e estou aberto. Tenho este gesto da incerteza do certo”.

Porém, no caso da denominação professora ou “tia”, fica evidente que a primeira é um procedimento bem mais saudável e real.

No processo de ensino-aprendizagem, o importante é a escolha, por parte dos pais, de uma instituição idônea, capaz de oferecer aos seus alunos o que de melhor a época exige. Como escolher uma boa escola infantil?

A escolha deve partir primeiramente de sua situação legal, isto é, deve ser regularizada, com autorização do município para funcionar. A escola tem de estar dentro da lei. Ela deve aproveitar o potencial enorme que a criança tem em aprender, estimulá-la corretamente e oferecer-lhe espaços para que possa brincar. Há muitas especificidades na educação de crianças de 0 a 6 anos e professores não capacitados e ausência de um projeto pedagógico podem impedir esse processo. As crianças precisam brincar e se movimentar, os espaços não podem ser pequenos e pouco arejados. O imóvel precisa ser adequado para receber crianças: mesas com cantos arredondados não deve ter  escadas e tomadas de luz aparentes.

Só depois da Constituição de 1998 a educação passou a ser direito das crianças com menos de 7 anos. Até então, a criança brasileira não tinha direito a educação. A Constituição de 1998 reconheceu a Educação Infantil como direito da criança e dever do Estado. Assim, deixou de ser vinculada à assistência social. A exigência do registro no município por parte do estabelecimento de ensino infantil veio apenas em 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Esta lei definiu o município como responsável pelo ensino infantil e exigiu formação mínima de nível médio para os professores. Porém, até 2007 este professor deve possuir licenciatura de nível superior. O Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2001, dá prazo até 2006 para que os estabelecimentos de ensino infantil cumpram padrões de infra-estrutura para funcionamento.

Todos esses aspectos legais, estruturais, para o bom funcionamento de uma escola, são importantes, mas a tudo sobreleva, a atuação do professor. Um bom método de trabalho, consciência profissional, competência e afetividade são ingredientes indispensáveis à educação. O professor que trabalhar mais como um facilitador da aprendizagem será insubstituível e inesquecível como é, para qualquer um de nós, a figura da primeira professora.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2003)

REALIDADE CONFLITANTE

Izabel Sadalla Grispino *

Constata-se em nosso País o estabelecimento de conexões do crime aqui praticado com o crime organizado internacional, deixando a sociedade nas mãos de bandidos de alta periculosidade.

Os descuidos políticos na área da segurança estão sendo dolorosos para o País. Poderes advindos do crime vão se firmando no mundo todo, com forte representatividade no Brasil. São as sombras do mal rondando a terra. Prendem-se à alça da ganância, do terror, da destruição, transformam-se num mercado sumamente lucrativo.

Vive-se no preceito de que vale mais quem tem mais, criando nessa inversão de valores estímulos a contravenção. O gérmen do crime está muito nesses valores invertidos, subvertidos, antiéticos e, sob esse prisma, o seqüestro atua numa sociedade onde os poderes se encontram.

Há, segundo consta, vários esquemas no País visando criar uma grade de proteção contra o crime. Porém, ao que tudo indica, as causas mais profundas, mais reveladoras da violência são de caráter social, como a miséria, o desemprego, a concentração de renda, cada vez maior e sem condições de fomentar o crescimento dessa renda em favor da população mais pobre.

O capitalismo selvagem, o mundo do grosso dinheiro, vêm trazendo comportamentos agregados, com um capital girando em torno de si mesmo e produzindo um consumismo exagerado. Paralelo a esse regime, surge o estabelecimento de poderosas organizações, possuidoras de um portentoso aparelho criminal, enfrentando com grande desigualdade e grande vantagem o desestruturado e arcaico aparelho policial do País.

A descrença é geral, a proteção, praticamente, inexistente ao cidadão. A epidemia de violência demonstra, claramente, que os bandidos estão soltos, dão pouca importância aos encarregados de manter as leis. O que tudo indica é que o crime organizado tem muito dinheiro para alimentar essa negra situação.

Diante de tanto desalento, a imagem da educação surge como o grande lenitivo, o grande socorro. A passagem, dos jovens, dos valores morais, éticos, a formação humanística, a visão de felicidade que advém de uma vida simples, solidária, o apego à religiosidade, são conceitos que, em seqüência, trarão a esperança da reversão.

Elevar o nível de ensino das escolas públicas, aparelhando-as condignamente, ministrando um ensino de qualidade, resgatam compromissos com a sociedade, no sentido da exclusão dos despossuídos Criar frentes de trabalho, dar condições de vida digna aos necessitados, são saídas que, sem dúvida, trarão o equilíbrio social tão necessário. Creio serem esses os melhores caminhos a trilhar, começando já, sem perda de tempo, para que, a médio e a longo prazo, possamos sair dessa assustadora realidade social.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2006)

ENSINO RELIGIOSO

Izabel Sadalla Grispino *

Os caminhos conturbados, que cercam a juventude atual, levam as escolas a pensarem seriamente na abordagem do ensino religioso. Não é o ensino da religião em si, mas do sentido de religiosidade, de educar para o bem, para o amor, no caminho da solidariedade.

Dentro do respeito à diversidade religiosa, sem ferir os princípios constitucionais de liberdade de credo, colocar a presença de Deus na vida da criança é importante.

O ensino religioso já existe na rede estadual do Estado de São Paulo, apenas na 8.ª série, desde 2002. Não tem caráter obrigatório, os alunos, com seus pais, decidem se vão ou não participar das aulas. O conteúdo das aulas não é confessional e trata da história das religiões, dos pontos em comum entre elas e do sentido de tolerância. Segundo a Secretaria Estadual da Educação, os professores de história, filosofia e ciências sociais estão habilitados para dar a disciplina.

O ensino religioso é previsto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996. O conteúdo da disciplina deve ser oferecido de acordo com as preferências dos alunos ou de seus responsáveis. A LDB permite que as aulas sejam confessionais ou  interconfessionais.

No Estado do Rio de Janeiro, os alunos, desde 2004, no governo de Rosinha Matheus, são separados por credo, para receber ensino religioso. Contratam-se professores para ensinar as doutrinas católica, evangélica, espírita, umbandista e messiânica.

A religião abre um vasto caminho em direção à espiritualidade. Ela alcança a educação da alma, da formação do caráter, dá ao homem a dimensão superior da existência. Embora sejamos dotados de fé católica, não importa a que religião pertencemos, a que Deus nos referimos, o que importa é o senso religioso, que vem carregado de mensagens de amor, de justiça, de humanidade. Esse sentido, em seus atributos, prepara o ser para as virtudes essenciais do viver, estrutura a alma para os embates da vida.

Já aprendíamos com os filósofos gregos de que “a alma de toda cultura é a cultura da própria alma”. É essa cultura que vai engrandecer o ser humano, tornando-o autêntico filho de Deus, Aquele que nos ensina a olhar nossos semelhantes como irmãos. É a cultura da alma que aprofunda e humaniza o olhar da ciência, da literatura, das artes. Ela nos ensina a sermos solidários, a dividir, a somar, nunca subtrair.

É muito importante passar esses conceitos às crianças. Guardamos, no percurso da existência, o fervor religioso adquirido na infância. Nessa fase, uma vez plantadas as raízes dos bons sentimentos, da devoção a Deus, elas crescem com o organismo, se firmam e dificilmente serão abaladas.

A religião conforta-nos nos momentos de dor e nos momentos alegres, dá-nos a tranqüilidade do bom caminho. Enriquecemo-nos com seus ensinamentos, ganhamos em aceitação, em encaixe real da existência: As rosas é que são belas / Os espinhos é que picam / Mas, são as rosas que caem / São os espinhos que ficam.

Independentemente das teorias religiosas ou anti-religiosas existentes, são as luzes da alma que conduzem o ser às realizações positivas e essas luzes, seguramente, não são fruto da matéria. Essas luzes são dos nossos sentimentos, do nosso espírito, da parte inatingível do nosso ser, do nosso psiquismo, da nossa conduta e não carece de método experimental, de comprovação científica, para assegurar a sua existência.

A conscientização da educação religiosa deve partir da escola e chegar à sociedade.  O  ser  sem fé é um ser amargo, ressequido, árvore que não floresce, que se quebranta, aos poucos, antes de morrer. A própria razão nos conduz à fé, nos ensina que precisamos dela para viver melhor.

O sentimento de religiosidade é sustentação, é conforto na estrada íngreme da existência. Ele é a certeza do bom caminho que trilhará o indivíduo.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em agosto/2006)

VALORIZANDO O DEFICIENTE

Izabel Sadalla Grispino *

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (Apae-SP) lançou, em começo de abril, um selo que estimula o emprego de deficientes. A Apae trabalha em parceria com empresas que apoiam a inserção de deficientes no mercado de trabalho. Essa parceria resultou em 240 postos de trabalho, em poucos meses. A mensagem passada pela Apae é de que, em vez de valorizarmos a deficiência, valorizemos a potencialidade do deficiente, que, embora não sendo igual ao mais evoluído, tem um alcance que é dele. Há muitas tarefas que ele pode cumprir e bem. Os deficientes passam por um período de aprendizado antes de ser ou não contratados como funcionários das empresas que fizer a parceria com a Apae.

Embora trabalha-se muito o preconceito, ele ainda é bastante forte na sociedade. Um estudo encomendado pelas Olimpíadas Especiais mostra resistência à integração de deficientes mentais. A pesquisa, envolvendo 8 mil pessoas no Brasil, China, Egito, Alemanha, Japão, Nigéria, República da Irlanda,  Irlanda  do Norte, Rússia e Estados Unidos, constata que a maioria das pessoas entrevistadas tem visão preconceituosa do deficiente. O preconceito impede que os portadores de deficiência mental tenham melhores oportunidades na sociedade.

As pessoas opinam achando que os deficientes devem estar em escolas segregadas, não em escolas regulares, e que eles não têm condições de lidar com as situações do dia-a-dia. Stephen Corbindeão, da Universidade Olimpíadas Especiais, que patrocinou o trabalho, diz que a visão pejorativa do passado persiste, mesmo nos Estados Unidos, que se mostram como um país avançado nessa área. Termos pejorativos, como idiota e retardado, são freqüentes na pesquisa, que revelou uma enorme oposição à integração do deficiente. Apenas 14% dos entrevistados acham que os deficientes podem praticar esportes com atletas “normais”. Só 25% acreditam que possam viver por conta própria ou em casa com supervisão e 21% aceitam a idéia de que eles freqüentem escolas regulares.

Essas opiniões negativas repercutem desfavoravelmente à integração e à realização do deficiente na sociedade. A visão da maioria dos entrevistados é de que os deficientes têm condições de cuidar de sua higiene pessoal e vestir-se sozinhos, mas acham que eles não conseguem lidar com situações de emergência, nem entender o noticiário. Acreditam, também, que a presença de deficientes mentais em escolas e locais de trabalho aumenta o risco de acidentes.

A pesquisa conclui que esses dados “têm conseqüências graves e negativas para os 170 milhões de deficientes mentais do planeta. A atitude em relação aos deficientes é mais dura nos países menos desenvolvidos, onde os recursos para educação e apoio são reduzidos”.

2003 é o 1.º ano que as Olimpíadas Especiais se realizaram fora dos Estados Unidos. Mais de 7 mil atletas com deficiência de mais de 160 países passaram 4 dias em junho, em eventos culturais, em cidades e aldeias da Irlanda.

Estímulos à reintegração de deficientes surgem em amplos setores. A Biblioteca Braille, por exemplo, permite acesso à internet aos deficientes visuais. Uma exposição, em julho p. passado, denominada Olhos da Alma – Artes Plásticas para Deficientes Visuais, no Centro Cultural São Paulo, composta por 12 quadros em alto-relevo e instalações sensoriais que estimulam os sentidos e a imaginação das pessoas portadoras de deficiência visual, surpreendeu pelo número de visitantes que normalmente não freqüenta o centro cultural. O diretor do Centro, Augusto Calil, diz que “é realmente comovente acompanhar a emoção da descoberta quando eles tocam as obras”.

A exposição foi sugestão da IBM do Brasil que fez parceria com o Centro Cultural de São Paulo. A IBM organizou a mostra e doou à Biblioteca Braille um servidor, 17 computadores NetVista, uma impressora, que agiliza a produção de livros em Braille, e um software especial, Home Page Reader, que permite aos deficientes visuais navegarem pela internet. A impressora é um aparelho importado dos Estados Unidos, que permite tanto a impressão em apenas um lado da folha como também na frente e no verso. Isso vem de encontro às necessidades de certos deficientes que não conseguem uma boa leitura em livros com caracteres impressos em todas as páginas.

Os computadores que permitem acesso à internet tornaram-se motivo de encontro de deficientes. Antes, eles passavam pelo Centro Cultural apenas para levar material para casa; agora, torna-se extensão de sua casa, observa Augusto Calil. Criou-se uma boa integração entre eles, os freqüentadores e os funcionários da biblioteca.

Os deficientes são orientados a navegar na rede mundial por meio de diferentes vozes, que narram o que estão visualizando na tela naquele momento e indicam os próximos caminhos a serem seguidos. A freqüência à biblioteca facilita a inclusão digital e social dos deficientes visuais, abrindo-lhes ampla visão do mundo.

A internet abre caminhos que despertam o deficiente para um melhor se conhecer, acorda-o para horizontes mais floridos, numa individualidade que lhe dá o direito de pensar e escolher dentro de valores intrínsecos de sua potencialidade. Em projetos de colaboração, os deficientes podem se conectar com outros de diferentes regiões e isso causa impacto na aprendizagem e na estimulação. Cria-se desse modo um novo modelo de política educacional e social.

Que cada um jogue a sementinha do esclarecimento, que passe avante o que aprendeu a respeito, facilitando a compreensão, afastando o preconceito e dando aos deficientes a oportunidade de um lugar ao sol a que fazem jus.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2003)

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Durante a gestão do ministro Paulo Renato Souza, foram elaborados Parâmetros Curriculares Nacionais para os diversos graus de ensino da educação básica. Esses Parâmetros, pelo que se consta, não estão sendo aproveitados, como se devia pelas Escolas. Eles não têm caráter obrigatório, mas são de utilidade fundamental ao processo pedagógico, voltado a uma metodologia renovadora, construtivista. São referenciais para um ensino de qualidade e contribuem para a elaboração de currículos mais ajustados à realidade da escola.

Os Parâmetros propõem critérios curriculares para os diferentes níveis, desde a creche e pré-escola ao ensino médio. No ensino infantil, os Parâmetros buscam a uniformização desse atendimento. Indicam as capacidades a serem desenvolvidas pelas crianças, de ordem física, ética, estética, afetiva, de relação interpessoal, de inserção social. A base do parâmetro é transformar o contato das crianças com os educadores em relação de aprendizado.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental se dividem em Parâmetros de 1.ª à 4.ª série e de 5.ª à 8.ª série. Propõem que os conteúdos das disciplinas se aproximem do dia-a-dia da vida dos alunos, que haja correspondência entre o que o professor fala em sala de aula e o que o aluno faz lá fora. O trabalho escolar não pode estar desvinculado da vida do aluno e deve ressaltar problemas cotidianos. A realidade vivida pelo aluno deve servir de ponte entre o dizer e o fazer, deve unir o currículo formal e o currículo oculto.

Os Parâmetros trabalham o aluno como um todo, em sua formação integral, de al modo que informação e formação caminhem em movimento circular. Dedicam amplo espaço para os chamados temas transversais – sexualidade, droga, saúde, meio ambiente, valores morais, sociais e outros – que devem permear as matérias do currículo e ser incorporadas à prática, em sala de aula, sempre que a dinâmica da classe comportar.

Os Parâmetros entrelaçam as matérias obrigatórias com educação, sociedade, escola e cidadania. Reforça a importância da ética – ética democrática que afasta a arraigada cultura autoritária, da formação moral, do convívio escolar na ação de um perante o outro – da participação e co-responsabilidade pela vida social. Há um extenso capítulo sobre convívio social e ética, cidadania e pluralidade cultural.

Os Parâmetros oferecem, dentro do processo de construção do conhecimento, forma de estimular e de avaliar os alunos. Propõem uma avaliação ampla, investigativa e final, onde se consideram os aspectos concentuais, procedimentais e atitudinais. Eles ampliam o papel do professor e reforçam a importância do trabalho coletivo, da interdisciplinaridade. O ensino-aprendizagem deve fazer do aluno um ser pensante, criativo, essencialmente crítico, deve proporcionar-lhe oportunidades de “aprender a aprender” e se tornar um cidadão.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais não podem ser esquecidos. Todas as escolas devem a eles voltar sistematicamente. Eles orientam para uma escola moderna, autônoma, sintonizada com a realidade que a circunda. Eles levam à escola do sucesso.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em agosto/2006)

O ENSINO TÉCNICO E SUAS OPORTUNIDADES EDUCACIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) n.º 9.394/96 separa o ensino técnico do ensino médio, até, então, funcionando de modo único, integrado. A Lei separa a parte acadêmica da parte profissional. O ensino técnico e o ensino médio passam a ser duas realidades distintas, pertencentes, contudo, a um mesmo sistema. Uma realidade é o ensino médio tradicional, que prepara para a universidade, e a outra, a educação profissionalizante, que prepara técnicos de nível pós-secundário, objetivando a formação de mão-de-obra especializada, requerida pelo mercado.

O aluno para receber o diploma de técnico terá de freqüentar as duas realidades: o ensino médio e a educação profissionalizante. Faz-se o curso normal do ensino médio e, se quiser ser técnico, complementa-o na área técnica. As matérias técnicas poderão ser lecionadas simultaneamente ao curso regular do ensino médio ou de forma complementar, depois de o aluno tê-lo terminado.

O técnico é um ensino paralelo, não interfere no ensino médio. O programa de habilitação técnica, segundo orientação, será dividido em módulos, cuja definição dependerá das necessidades do setor produtivo, e terá duração variável. Ao final de cada módulo, o aluno receberá um certificado, mas não será técnico. A formação de técnico estará condicionada à conclusão do conjunto de módulos referentes à habilitação escolhida. Só poderá candidatar-se quem estiver cursando o ensino médio ou já tiver concluído o curso. Esse programa modularizado poderá ser feito ininterruptamente ou ser interrompido e prosseguido depois – pode ir e vir. Serão módulos complementares que não precisarão ser feitos na própria escola do aluno, desde que a referida escola reconheça oficialmente a situação.

A nova Lei de Diretrizes e Bases prevê a flexibilização na organização de cursos e carreiras. Por isso, é possível substituir a atual estrutura curricular, baseada em disciplinas e em cargas horárias fixas, por outro modo de organização, como, por exemplo, o sistema de módulos.

As escolas técnicas públicas, particulares, Senai e Senac terão dois tipos de diplomas: o básico, que pede qualquer tipo de escolaridade anterior, e o técnico, para os que cursaram o ensino médio.

As dificuldades socioeconômicas da atualidade empurram uma faixa etária mais jovem para o trabalho e levantam o problema da profissionalização. Em 1971, quando foi promulgada a antiga Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei n.º 5.692/71, era possível discutir o conceito de “terminalidade” em relação ao exercício profissional. Por essa lei, o aluno, ao cursar o 2º grau, podia, de forma integrada, receber uma formação acadêmica – preparando-se para a universidade – e receber uma educação profissionalizante, obtendo o diploma de técnico. Constatou-se, posteriormente, que nessas condições, a preparação para o trabalho era um engano e uma lei posterior, de n.º 7.044/82, libertou o 2º grau da obrigatoriedade da profissionalização, mas não se definiu sobre o 2º grau como um todo.

Cerca de 100 mil dos 5 milhões de alunos do ensino médio, no Brasil, estão em escolas técnicas federais. Há uma centena delas em todo o País. Dois terços estão voltados para a formação de mão-de-obra especializada para a indústria e um terço para a agropecuária.

A parte acadêmica não ficará de fora da formação do técnico. O que se quer é um técnico com formação da área humana, considerando-se, para tanto, a parte acadêmica como importante na sua formação.

Na reformulação dos currículos dos cursos de graduação das universidades, o Conselho Nacional de Educação (CNE) recomenda uma formação geral sólida, para que o futuro profissional possa superar os desafios de renovadas condições de exercício profissional. Recomenda, ainda, nesse processo de mudança, a criação de currículos menos rígidos, afinados à características regionais, possibilitando formar  um  profissional  mais adequado ao mercado de trabalho regional. A partir do regional, o profissional acompanhando a evolução do conhecimento, alargando seu   campo de atividade, poderá atingir outras regiões, dentro e fora do País. Essa evolução do conhecimento far-se-á mediante uma aprendizagem contínua. O técnico, como qualquer outro profissional, tem que estudar permanentemente. O diploma não significa fim de jornada instrucional.

Vejamos o conceito que o jornal de RH da “Associação Paulista de Administração de Recursos Humanos” dá à aprendizagem contínua: “Muito se tem falado em aprendizagem contínua, mas nem todos sabem o que isso realmente significa e representa para a empresa e para a carreira de um profissional. Aprendizagem contínua é a necessidade que os profissionais têm de estar cada vez mais atualizados e informados, principalmente em um cenário no qual as empresas multinacionais procuram pessoas altamente preparadas e capacitadas”.

O jornal reforça a conceituação, através de pronunciamentos de competentes profissionais. O diretor de RH para a “América Latina da Novartis”, Mauro Ribeiro, diz: “Em um mundo de tantas mudanças é necessário manter-se atualizado constantemente. Atualmente é muito difícil alcançar o nível ideal de conhecimento e habilidade, por isso é extremamente necessário estar sempre buscando”.

A analista de RH da SKF do Brasil, Fabiana Ribeiro, completa: “O profissional, hoje, precisa saber de tudo. Temos que ter experiência de todo o universo da empresa. É preciso participar de todas as áreas e atividades. Precisamos estar à frente e por isso é preciso se informar, buscando sempre o que há de novo no mercado”.

O diretor comercial da “Integral Consultoria & Treinamento”, Fernando de Carvalho Cardoso, conclui: “O aprender contínuo é estar sempre bem informado, prestando atenção à mídia, sabendo o que está acontecendo a sua volta, principalmente, na sua área de atuação... Estudamos a vida inteira para entrarmos no mercado de trabalho, Mas, agora é preciso aprender de verdade para nos mantermos nesse mercado”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2000)

CONSTRUTIVISMO NA ANÁLISE SOCIOLÓGICA

Izabel Sadalla Grispino *

Educar implica em colocar o indivíduo como sujeito de sua análise de mundo. Ele é um elemento fazedor do processo e não um paciente do aprendizado. Não é uma incidência do ato de ensinar.

Na alfabetização, por exemplo, o adulto deve ser alfabetizado a partir de seu universo de fala e não do universo do educador. A aprendizagem é um ato de criação, de construção. “O sujeito que conhece é aquele que se apropria do processo de conhecer e não aquele que recebe uma justaposição no seu corpo e na sua inteligência do objeto que está sendo ensinado pelo educador”. (Paulo Freire).

Dentro do construtivismo são respeitadas a identidade e as posições do educando. O construtivismo fala de inteligência como uma criação que depende da sua prática e do seu uso. Não é possível estudar o construtivismo sem nos estudar. Nesse entendimento, o professor tem que trabalhar como facilitador do ato de aprender. “Ser educador é possuir a sabedoria de fazer brotar a sabedoria do outro, é tomar posse do verdadeiro saber: o saber com sabor, com inteligência, com prazer, com humor”. (Fernando Pessoa)

A educação não se restringe ao lar, à escola, abrange toda a coletividade. Ela sozinha não é a salvação, mas sem ela não há salvação. Em termos de sociedade, o programa Fome Zero, impregnado de um humanismo louvável, tem suscitado questões a respeito da pobreza.

Aplicando o construtivismo numa análise sociológica, no conceito de que educar é um processo no qual o sujeito é seu agente, é preciso considerar a visão que as pessoas pobres têm da pobreza e de seus problemas, é preciso trocar as experiências vividas.

Tomei conhecimento de uma pesquisa feita por um grupo de professores da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal de Pernambuco, de 1991, para o Banco Mundial: “Consultations with the Poor”, feita com 632 pessoas em três lugares diferentes: favelas da região metropolitana de Recife, comunidades pobres do município de Itabuna (BA), vítimas do desemprego gerado pela crise nas lavouras do cacau, e comunidades pobres de Santo André, no ABC paulista, onde se acentuavam os efeitos do desemprego motivado pela retração do setor automobilístico.

O estudo da pesquisa chamou a atenção para a significativa variação da percepção de bem-estar, demonstrada pelos grupos e lugares pesquisados. De um modo geral, as pessoas pobres consideram a pobreza sinônimo de falta de poder e relacionam bem-estar com segurança, onde entram emprego e renda estáveis, alimentação, boa saúde, possibilidade de bons serviços, propriedade da terra ou da habitação. Também, de um modo geral, os pobres se vêem como mais vulneráveis e sujeitos a riscos, como deslizamentos de encostas, inundações, violências e crimes. A segurança proporcionada pelo emprego não está apenas na renda que ele traz. Emprego estável significa também relações com um empregador, a quem se recorre nas dificuldades.

Os autores do estudo enfatizam o ponto em que a visão social aponta a pobreza como causa da violência ou como meio que favorece a violência, enquanto os pobres se vêem como vítimas dessa violência.

O que se constatou, nesse estudo, é que as piores crises acontecem nas famílias chefiadas por mulheres (sem parceiro) e por velhos. Por isso, são os que mais precisam de proteção e que deve ser uma indicação de prioridade no programa Fome Zero. Pelas pessoas ouvidas, a insegurança tem crescido pelo aumento do desemprego, pela explosão da violência, “do crime nas comunidades” e pela concentração de renda: “O pobre está ficando mais pobre e o rico mais rico”.

Nesse quadro, emprego e acesso à educação são considerados fatores essenciais para escapar da pobreza. Um outro fator é acesso à infra-estrutura de saneamento, de saúde, de educação. Na falta de infra-estrutura entre os pobres, o governo é apontado como o maior responsável. De qualquer forma, as populações envolvidas na discussão não acreditam que sozinhas possam mudar a situação.

Nesse contexto, a Igreja católica é vista como a instituição mais importante pela assistência espiritual e de ajuda emergencial às famílias. A pior instituição é a polícia pela participação no quadro da violência da qual se sentem vítimas.

Talvez a lição maior, considerada pelo estudo, é a visão que os pobres têm dos ricos, sintetizada pela frase de uma mulher: “Rico é quem diz: vou fazer. E faz”. Isto é, rico é quem pode tomar decisões. Essa concepção é considerada um forte indicador para o processo político-administrativo como um todo, no sentido de fazer a sociedade participar, escolher, opinar, decidir.

Um outro fator, que chama a atenção nessa conjuntura, é o comportamento da mídia, que, em geral, aborda assuntos grandiosos, dramáticos, da crise de proporções assustadoras. A mídia poderá ajudar se mudar o foco, dirigir-se ao cidadão comum, saber o que pensa, o que lhe interessa, enfim abordar também o pobre, o cotidiano, não só falar do grande, do soberano; galgar passos construtivistas.

Essa pesquisa nos mostra que ajudar significa conhecer melhor o objeto de ajuda. Esse conhecer encarregar-se-á de ditar a direção a seguir. Juntar visão pessoal e visão alheia, valorizando a visão do outro.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2003)

ENSINO MÉDIO EM FINS-DE-SEMANA

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino médio passa por um processo alternativo. Agora, o aluno desse ensino poderá cursá-lo em fins-de-semana, em São Paulo. Jovens e adultos – de 18 a 29 anos – poderão, pelo projeto Escola da Juventude, lançado em fevereiro do corrente ano, cursar o ensino médio em até um ano e meio. Segundo informes da Secretaria da Educação, o curso terá uma dinâmica diferente dos cursos tradicionais de educação de jovens e adultos. Pretende-se usar novas tecnologias para acelerar o processo de aprendizagem, laboratórios de informática, salas de vídeos e um portal na internet.

Para participar, o aluno deve ter concluído o ensino fundamental e efetuar matrícula diretamente nas escolas participantes do projeto. Inicialmente, a Escola da Juventude atenderá 300 escolas estaduais da capital e alguns municípios da grande São Paulo e do interior do Estado, num total de 30 mil vagas, sendo 100 por unidade.

O curso de ensino médio da Escola da Juventude está dividido em três tipos de atividades: curriculares presenciais, organizados em 4 módulos, sendo um optativo no sábado pela manhã e um obrigatório à tarde. No domingo, a situação inverte-se. Haverá no mínimo uma hora e meia por final de semana de atividades de inclusão digital, e atividades individuais durante a semana, sugeridas em classe e constantes dos materiais impressos.

Na sala de aula, o aluno contará com um orientador de estudos e na sala ambiente de informática, com um monitor para auxiliá-lo a tirar suas dúvidas. O curso desenvolver-se-á em módulos e o aluno terá flexibilidade para freqüentá-lo segundo sua disponibilidade de tempo. A avaliação será contínua, havendo provas freqüentes e, ao final do semestre, exame para a conclusão do módulo. A certificação será dada após a aprovação em todos os módulos, depois de 18 meses de atividades.

A programação parece bem pensada, bem organizada, agora é torcer para que esse curso abreviado de ensino médio, dado em fins-de-semana, não venha frustrar quanto à qualidade, fazendo o ensino decair ainda mais. As escolas devem passar avante a informação, deixando os alunos a par dessa recente inovação.

Um ensino médio com carga horária assim reduzida é prato de balança que oscila entre duas perspectivas. Permite ao aluno avançar em anos de escolaridade, ultrapassando os graus de ensino, engrossando as estatísticas, mas pode pôr em cheque a meta qualitativa. O ensino médio de um ano e meio favorece, é verdade, o aluno continuar na escola, afastando-o da rua, da ociosidade. Ajuda-o a não interromper o processo de estudo e a se afastar da violência.

Segundo a Unicef, o aumento da violência é proporcional à queda da escolaridade do adolescente, considerando que a sua cidadania depende da conciliação da educação formal com cursos profissionalizantes. Aponta que apenas 33% de jovens brasileiros, com idade entre 15 e 17 anos, freqüentam o ensino médio. Dentre as crianças que trabalham, a taxa de analfabetismo é de 20,1%, contra 7,6% entre as que não trabalham. Conclui que o problema da violência requer ação efetiva de toda sociedade e que sua solução passa necessariamente pela melhoria da escolaridade e profissionalização dos jovens, dentre outras medidas coerentes com aplicações socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Estatísticas comprovam que no Brasil o número de adolescentes que morrem violentamente supera o número de mortes nos países em guerra, como no Iraque, onde se calcula que 150 mil civis morreram na invasão movida pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha. Entre nós, mais de 24 mil jovens de 15 a 19 anos tiveram morte violenta em 2004, marcando um sangrento recorde mundial. Revelam as pesquisas que os adolescentes são, em geral, mais vítimas que autores da violência que os destrói.

Cerca de 68% das mortes de adolescentes no Brasil, com idade entre 15 e 19 anos, são provocadas por causas externas, como homicídios, acidentes de trânsito e suicídios. Perto de 10% de todos os crimes e delitos praticados no País são cometidos por adolescentes, o que causa séria preocupação.

A juventude está morrendo e está matando, e há fortes convicções de que esse quadro se modificaria se mais jovens estivessem na escola. Sob esse prisma, o ensino médio em fins-de-semana, conjugando estudo e trabalho, poderá ajudar, se conduzido por professores habilitados e interessados no processo, porque o mercado de trabalho considera prioritariamente a qualidade e não a quantidade de anos passados pelo aluno na escola.

Exigências do mercado levam as empresas de pequeno e médio porte a contratar pessoal qualificado na mira da adoção do selo de boas práticas trabalhistas, acompanhando as grandes empresas. Atuar com qualidade favorece o diferencial competitivo da empresa como foco na responsabilidade social. As pequenas empresas são as que têm até 99 empregados, no caso da indústria, e até 49, no caso de comércio e serviços. As de médio porte têm até 499 trabalhadores na indústria e 99 no comércio e serviços. O selo SA 8000 se tornou um termômetro da importância que as práticas internas empresariais têm em uma economia competitiva. Sua importância é tal que será como avalista para o futuro. Vai excluir empresas do mercado. O selo SA 8000 cria um ambiente ético que vai além da empresa e chega à sociedade, vai além das exigências trabalhistas, dando condições dignas de trabalho a seus empregados.

A SA 8000 é um conjunto de padrões que asseguram melhorias nas condições de trabalho nas empresas, com base nos preceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Para obter a certificação, que tem a validade de 3 anos, a empresa deve estar em dia com a legislação trabalhista, banir os trabalhos escravo e infantil e assegurar o direito à associação sindical e salários justos.

Para fazer parte de uma empresa bem organizada, de porte e sucesso, para receber os benefícios da SA 8000, o pretendente deve ter freqüentado uma escola de qualidade, adquirido uma boa formação acadêmica e profissional. Caso contrário, não passará nos testes de avaliação.

Um ensino médio de bom nível é porta aberta para uma boa colocação no mercado de trabalho.  Os relatos acima são questões para se pensar.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2005)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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