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Artigos Educacionais

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MARCAS DA DESIGUALDADE EDUCACIONAL

Izabel Sadalla Grispino*

A política de reserva de vagas, além de inconstitucional, não é o meio mais adequado para garantir acesso ao ensino superior, conforme argumentei no artigo anterior. Continuarei, neste, a abordar o assunto, trazendo maiores esclarecimentos.

Ampliando a visão a respeito, vejamos o que nos expõe o estatístico Adilson Simonis, do Instituto de Matemática e Estatística da USP, em seu “Estudo do desempenho dos candidatos da Fuvest/USP”. Diz ele que a reserva de vagas acarreta forte redução nas notas de corte do vestibular, nota que o candidato precisa alcançar para entrar na segunda fase do exame. Em conseqüência, alunos mais bem preparados perderiam o lugar para os despreparados, que viriam prejudicar o desempenho acadêmico.

O Estudo analisou o desempenho dos candidatos nos dois últimos vestibulares e concluiu que a política de quotas viria trazer um rebaixamento no nível do ensino, afetando sua qualidade. “Nas carreiras mais concorridas, um conjunto de alunos com média total de 661 (escala de 0 a 1000) seria excluído e substituído por outro grupo, com média 481, ou seja, seriam impedidos de entrar na USP alunos que tiveram um desempenho, no vestibular, de 37% superior”.

Explicou, ainda, que, em relação à nota de corte da primeira fase, haveria duas listas de convocados, uma para egressos das escolas públicas e outra para as privadas, com nota de corte diferente. “No caso do curso de engenharia, por exemplo, a nota de corte seria 81 para os primeiros e para os demais 131, isto é, uma diferença de 50 pontos numa prova. Assim, alunos de escolas privadas com 131 não seriam convocados, sendo substituídos por outros com nota 81”.

Na minha primeira abordagem, sobre este assunto, no artigo:  “Educação:  confusão  entre  ordem  direta  e inversa”, fiz as seguintes considerações: “Tenho, em meus artigos, reiteradas vezes, chamado a atenção para o baixo nível de ensino de nossas escolas oficiais. Tenho tentado mostrar a necessidade de se desenvolver nas escolas um ensino de qualidade, único fator capaz de nivelar, de dar oportunidade de igualdade a todos os cidadãos, independentemente de cor, raça ou classe econômica. O ensino de baixa qualidade das escolas oficiais vem se traduzindo, cada vez mais, em mecanismo de reprodução das desigualdades sociais existentes. A importância de uma educação de qualidade na vida pessoal e social já foi, exaustivamente, delineada em várias ocasiões”.

No Rio de Janeiro, com a aprovação do projeto de reserva de vagas, surgiu todo um processo de reparação aos possíveis males ao ensino. Visando garantir a qualidade do ingresso, previu-se, na regulamentação da lei, que trata da reserva na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), de que ela só terá validade para o aluno que se submeter a testes ao longo do ensino médio. O documento prevê, ainda, que a reserva seja adotada somente para o vestibular de 2003, oportunizando as condições preestabelecidas.

Serão programadas avaliações durante o ensino médio, avaliações continuadas que funcionarão como indicadores de qualidade. Os alunos serão submetidos a quatro provas durante o ensino médio (duas no último ano). “Somente alunos que obtiveram um coeficiente mínimo de aproveitamento nos testes terão direito à reserva de vagas”.

Será também instituída uma comissão de representantes das secretarias de Ciência e Tecnologia e da Educação e do movimento estudantil para acompanhar a aplicação das provas. Foi estabelecido, também, como critério de que o aluno deva cursar toda a vida escolar em instituições públicas.

Se o projeto vier a ser aprovado no Estado de São Paulo, seguramente, será, na sua regulamentação, acompanhado de critérios de rigidez. Se forem adotados procedimentos similares aos do Rio de Janeiro, o ensino médio, também, no Estado de São Paulo, caracterizar-se-á por uma seqüência de provas preparatórias para o ingresso ao ensino superior.

Contudo, esse processo de avaliação, montado durante todo o ensino médio, não obtém consenso entre os especialistas da educação. É a chamada “Avaliação Progressiva”, também, já formulada em projeto de lei e que chegou a tramitar no Conselho Nacional de Educação, mas que parece não ter chegado a um bom termo. É um processo de seleção ao ensino superior feito ao longo dos três anos do ensino médio. Seria um escalonamento do vestibular em três séries, transformando o ensino médio numa transição para o ensino superior.

Essa proposta tem suscitado controvérsias entre os educadores, assinaladas por mim, no artigo “Sistemas diferenciados de avaliação para o ingresso ao ensino superior”. Os educadores questionam o conceito maior da educação desse nível de ensino, ou seja, a formação básica da cultura geral e dizem que esse processo de seleção acarretaria a obstrução das etapas normais do desenvolvimento das faculdades intelectuais, das faculdades formativas de valores e atitudes. Sobre o aspecto amplo da formação do aluno, dir-se-ia que esse processo de avaliação periódica seria prejudicial ao ensino médio. “Roubaria do aluno o tempo destinado à leitura suplementar, à pesquisa, à atenção destinada às potencialidades, pré-requisitos essenciais à formação integral e à atuação do futuro profissional”.

Com essa política de reserva de vagas, cria-se um impasse na educação. É como diz a letra da música: “Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2001)

O QUE SIGNIFICA ALFABETIZAR?

Izabel Sadalla Grispino *

Em 2002, o Instituto Paulo Montenegro, entidade ligada ao grupo Ibope que se dedica a projetos sociais na área de educação, em parceria com a organização não-governamental Ação Educativa, divulgou dados de uma pesquisa sobre o alfabetismo. Só 26% dos brasileiros, entre 15 e 64 anos, dominam bem a leitura e a escrita. Outros 65% são alfabetizados, mas têm deficiências nas habilidades de leitura e de escrita e 9% da população são completamente analfabetos. Quadro nada abonador, visto que, num total de 100%, apenas 26% têm um bom domínio de leitura e escrita.

Foram entrevistados e avaliados duas mil pessoas em todo o País, amostragem com representatividade nacional. A idéia é fazer pesquisas a cada ano, para avaliar a evolução da alfabetização.

Os dados compõem o 1.º Indicador de Alfabetismo Funcional do País. A pesquisa dividiu o alfabetismo em três níveis:

Nível 1 – quem só consegue ler textos muito curtos, como títulos ou anúncios;

Nível 2 – inclui essa habilidade e a capacidade de compreender textos maiores, como uma reportagem pequena de jornal;

Nível 3 – o indivíduo domina a leitura de textos longos.

O ensino fundamental deveria proporcionar ao educando condição a que ele dominasse as habilidades de escrita e leitura e se enquadrasse no nível 3. Contudo, a pesquisa revelou que apenas 42% das pessoas com ensino fundamental completo ou ensino médio incompleto dominam escrita e leitura. O restante, 13%, se enquadra no alfabetismo nível 1 e 44% no nível 2.

Na aplicação dos testes, os pesquisadores elaboraram uma revista para a pesquisa. Dentre as tarefas, uma das mais simples era identificar, em um anúncio, a data de início de uma campanha de vacinação. Numa tarefa mais difícil, a pessoa tinha de saber consultar a programação de filmes na TV. A avaliação da pesquisa revela que quem está no nível 1 ou no nível 2 é analfabeto funcional. São pessoas que usam o que sabem no dia-a-dia, conseguem acompanhar a leitura de um texto simples ou ler um pequeno recado. Porém, o uso das habilidades fica muito restrito em algumas situações, comprometendo o grau mínimo que a pessoa precisa ter, para continuar se aprimorando.

A grande lição que tiramos desta pesquisa é de que não basta erradicar o analfabetismo. É preciso avançar o olhar sobre a alfabetização, trabalhar as habilidades reais dos estudantes e investir na correção das deficiências. O importante não é apenas freqüentar uma escola; é sair dela com qualificação suficiente para enfrentar as condições de vida e de trabalho, para o aluno aprender a usar o que sabe nas situações do cotidiano, na resolução de problemas. Alfabetizar não é só ensinar a ler, a escrever, a contar. É desenvolver a habilidade de pensar, de raciocinar, de criticar, é levar o aluno a uma leitura de mundo, com sua interpretação e sua participação efetiva. Essa leitura se faz pela palavra, por isso o professor deve aperfeiçoar no aluno a comunicação, definir as habilidades que espera ver definidas, privilegiar a interpretação e o raciocínio.

Essa pesquisa sobre alfabetismo explica o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), aplicado em adolescentes de 15 anos de 32 países, trazido ao conhecimento do público no início de 2002. O Brasil ficou em último lugar, em leitura e interpretação de texto, e, também, em matemática e Ciências. Os alunos brasileiros mostraram que não entendem o que lêem.

O que conta não é a quantidade de alunos que freqüenta a escola, mas a qualidade dos formados que dela saem. É a baixa qualidade do ensino público que gera a quantidade de analfabetos funcionais, a grande responsável pela exclusão social.

No meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola), na pág. 276, eu digo: “A escola precisa reservar em sua organização curricular, em seu projeto pedagógico, um lugar especial para a leitura, para a literatura... Criar, inovar formas de tratar o texto literário. Idealizar espaços para a leitura, enriquecer o acervo de sua biblioteca, com variedade de textos que sejam representativos das diferentes faixas etárias e da cultura heterogênea de nosso povo. Emprestar os livros não só para os alunos, mas também para seus pais e para toda a comunidade, melhorando o seu ambiente, elevando o grau de cultura geral”. Essa leitura deve ser assistida pelo professor, acompanhada de interpretação, de reflexão, sobre o texto lido. A leitura é parte integrante do processo de alfabetização.

Consideramos a alfabetização como um processo no qual o indivíduo não só aprende como aprende a aprender, aprende a pensar. É como se diz: “Ser camelô de badulaque é fácil”. O difícil é o trabalho sistematizado, a aprendizagem cumulativa, adquirida ao longo do tempo. Há um tempo de maturação para se chegar a um estilo, a uma mudança de comportamento.

Haverá verdadeira mudança na estrada da educação, quando o professor se conscientizar da humanização, da individualização, no processo de ensino-aprendizagem. Guardo na memória um pensamento que vem de encontro ao meu conceito de educação: “O professor não deve considerar o aluno apenas como aprendiz de textos, mas, principalmente, como a pessoa que precisa aprender também a conviver melhor consigo mesma e com seus semelhantes, aprender a descobrir nos textos que lê a mensagem de vida que freqüentemente se encontra encoberta”.

O mestre deve ser a pessoa que ajuda seus alunos a desvendarem os caminhos de suas existências, dentro da fisicamente pequena, mas, vivencialmente, do imenso espaço de uma sala de aula.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2005)

O ENSINO BILÍNGÜE

Izabel Sadalla Grispino *

Um grupo de renomados colégios particulares ensina o português, como língua materna, e alfabetiza, também, no idioma estrangeiro, o inglês. O aprendizado desta língua começa no jardim da infância.

Uma escola pública de Piraí(RJ), graças ao financiamento de uma ONG americana, vem adotando essa novidade no Brasil. Crianças de 5 a 8 anos, alunos do jardim da infância, iniciam seus estudos na língua inglesa.

Piraí, uma cidade de pouco mais de 22 mil habitantes, foi escolhida por causa de seu inovador e premiado programa de inclusão digital. A infra-estrutura, montada para essas escolas, mostra que elas estão abertas a iniciativas ousadas.

A Prefeitura oferece internet banda larga a preços populares e há quiosques com acesso à rede em diversos  pontos públicos, como nas bibliotecas. A esse fato, acresce-se que 18 das 20 escolas do município têm laboratório de informática e a maioria dos professores da rede pública foi capacitada para o ensino com o uso de computadores.

A informática é um instrumento importante para as aulas. O programa prevê o uso da internet para promover uma sistemática troca de experiências entre crianças e professores daqui e dos Estados Unidos, onde seis instituições públicas adotam o projeto para filhos de imigrantes, que têm o inglês como segunda língua. O inglês está se revelando tão importante quanto o uso da informática e essas crianças, crescendo vivenciando a língua, terão melhores condições de atuar, no futuro, no mercado de trabalho, competindo com candidatos oriundos da elite.

O método, que de início permite usar palavras em português nas duas aulas destinadas ao inglês, a idéia é falar apenas inglês. A aula é baseada mais na interação, diferentemente do que se observa nas escolas, onde o ensino privilegia, inicialmente, o vocabulário e, mais tarde, a leitura, voltado para a preparação do vestibular. A interação dos alunos com a dinâmica da sala de aula possibilita uma maior desinibição da língua.

O estudo de línguas na infância traz resultados consideráveis. O aparelho fonador em desenvolvimento auxilia no conhecimento de outra língua. O palato ainda está em formação, por isso é mais fácil de pronunciar determinadas palavras. A pronúncia de quem aprende mais cedo costuma ser melhor, confirmam os especialistas do assunto.

O ensino de inglês na educação infantil é um diferencial de grande proveito na vida escolar e profissional do aluno. O inglês, como acréscimo à inclusão digital na cidade de Piraí, complementa o ensino em direção a um ensino bilíngüe, a uma educação de qualidade.

O ensino bilíngüe é uma realidade mundial, no Brasil ele engatinha. A alfabetização em mais de um idioma é uma forma positiva de desenvolver o cérebro das crianças, aumenta as conexões cerebrais, melhora o raciocínio e desenvolve a criatividade.

Bilíngüe, definem os pedagogos, são as pessoas que aprendem todas as habilidades em duas línguas. Lêem, escrevem e falam, por exemplo, em português e inglês. Expandem o conhecimento aprendendo também matemática, ciências e outras matérias. Essas pessoas têm um nível superior na língua materna daquele que quem fala apenas uma língua. Além disso, desenvolvem melhor as habilidades intelectuais e podem se tornar mais criativas, porque ao conhecer dois idiomas, elas ampliam seus conhecimentos.

Pesquisas sobre o assunto mostram que os padrões de atividade do cérebro, ao aprender outra língua, mudam com a idade. Na pessoa adulta, as conexões usadas na língua materna ajudam na hora de aprender outra, desde que ela não seja muito diferente. Nas crianças não há essa diferença porque o cérebro está “novo”. Ao usar as primeiras palavras ao mesmo tempo, qualquer língua terá a mesma dificuldade.

Por isso, conclui a pesquisa, é importante ter contato com a língua o mais cedo e pelo maior tempo possível. Estudos mostram que quem aprendeu inglês na infância distingue melhor os sons do que quem aprendeu mais tarde. O pressuposto é de que, quanto mais cedo aprendemos outra língua, a atividade cerebral dela se aproxima da região da língua materna.

Dentro desses conceitos, a escrita também não se torna um problema. A explicação é de que para ler é preciso saber as conexões que correspondem às palavras e perceber a gramática entre elas. Quando se apropria da idéia de como ler, faz-se isso em qualquer língua. A alfabetização é uma só, não importa qual seja a língua, conclui a pesquisa.

Entender a importância do ensino bilíngüe leva à sua expansão. Esse ensino desenvolve o cérebro, apresenta regiões cerebrais ativadas durante a percepção de sons em língua estrangeira. Pessoas com aprendizagem precoce têm mais densidade de conexões nervosas na região temporo-parietal esquerda.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2006)

EDUCAR PELO CAMINHO DA RELIGIOSIDADE

Izabel Sadalla Grispino *

Fui solicitada, num encontro educacional, a proferir uma palestra sobre “Educação e Religião”. Após meditar sobre o tema, percebi a amplitude de abordagem que contém.

O ensino religioso, em si, é um aspecto complementar da educação e de importância capital. Ele alcança a educação da alma, da formação do caráter, da noção de solidariedade, dá ao homem a dimensão superior da vida. O importante não é a religião em si, é o senso religioso, sentimento carregado de amor, de justiça, de compreensão.

É preciso reconhecer que o progresso científico-tecnológico não foi acompanhado de um desenvolvimento centrado na pessoa humana. A própria escola foi se tornando uma entidade cada vez mais informativa, deixando de lado a formação do educando, na abrangência de sua educação integral. Hoje, voltamos a insistir, junto ao conhecimento, em uma escola cidadã, formadora de caráter, da participação comunitária.

Quando a escola fala em transversalidade, está falando em temas transversais, assuntos sociais que se incluem no currículo escolar. Ela observa a sociedade, o meio-ambiente, em seus amplos aspectos, ressalta os pontos que os vêm estrangulando, danificando, e se organiza em projetos educativos, socioculturais, em ações de intervenção social. Torna-se um agente ativo de prevenção. Ela se previne, se arregimenta, para afastar agressões inoportunas e violentas.

A escola não pode simplesmente refletir a sociedade; cabe a ela ser um elemento transformador e, ao lidar com mentes em formação, é a instituição mais apta para esse papel. Sabemos que a célula-mater da sociedade é a família, como nos ensinava Coelho Neto, mas a escola é sua grande coadjuvante. É preciso desestruturar o comportamento do ganha-fácil, provocar uma mudança radical no conceito de que, para se alcançar o que se quer, vale tudo. Para essas mudanças, a ciência pouco interfere. São mudanças de valores constitutivos da alma, mudança de mentalidade, o que não é fácil de se conseguir.

Vivemos um novo universo cultural, do prazer imediato, do descartável – usa-se e joga-se fora – da desvalorização dos sentimentos, da esperteza corrupta, do desrespeito generalizado. Respeito é um valor pedindo socorro. O que se presencia é a hipocrisia, a ironia, o deboche. Rompem-se os laços sociais. Aquele que, ao passar pelo outro, ergue os olhos ensejando um cumprimento, dizer um bom dia, uma boa tarde, é visto como ingênuo ou menos importante na escala social. É preciso “se valorizar”, “mostrar-se mais que o outro”, e, para tanto, caminha-se na arrogância, na individualidade, no afastamento das relações sociais, no preceito de que “eu sou mais eu”. Isola-se no egoísmo, no “dá lá, toma cá”.

Há estudos evidenciando a “cultura do individualismo”, tão disseminada na vida social. O professor Francis Kukuyama, no livro “A grande ruptura”, diz que a mesma sociedade que não admite limites em sua inovação tecnológica também “não percebe os limites em muitas formas de comportamento pessoal e a conseqüência é o aumento de crimes, famílias desfeitas, o malogro dos pais em exigir obrigação dos filhos, a recusa do vizinho de ter responsabilidade pelo outro e a retirada dos cidadãos da vida pública. Gosto, prazer, capricho, passam a impor o seu desejo cego”.

Os conceitos axiológicos, a formação da ética, da cidadania -- valores que a sociedade desesperadamente necessita – dizem respeito à alma, em seus componentes de amor, de verdade, de fraternidade. São atributos inerentes a Deus, onde o conhecimento pouco ou nada interfere.

Viver Deus é viver o amor, lato sensu, isto é, na extensão maior. O que verificamos é que muito se fala Deus, muito se reza Deus, mas pouco se vive Deus e esse pouco vem trazendo conseqüências terríveis para a vida humana. Aprendemos, com o sentido de religiosidade, que se somos filhos de um mesmo Pai, temos que nos chamar de irmãos, temos de ser solidários, aprender a dividir, a somar, não a diminuir.

O amor é, também, um aprendizado. Quem não recebeu amor em casa, quem foi hostilizado institucionalmente, dificilmente levará amor à sociedade; engrossará o caótico social. Temos que nos alertar para o amor, para esse grande alicerce da alma, combater sua ausência desde muito cedo, em casa e nas salas de aula.

Essa imagem é configurada na minha poesia: “Refúgio para o mundo infantil”.

REFÚGIO PARA O MUNDO INFANTIL

Saudade eu tenho da candura, da lealdade,
Do sentimento elevado que se via,
Saudade das mãos dadas, da sobriedade,
Do andar calmo que o mundo nos oferecia!

O ar, hoje, é pesado, envolto em hipocrisia,
Dominado por um ideal vazio, sem par,
Amizade ganha peso de joalheria,
Valor se amolda ao tamanho do paladar!

Confiante, bati à porta da instrução,
Esperando encontrar construção mais humana,
Triste foi ver que, no trato do coração,
Instrução, nesse ponto, é o que mais engana!

Diplomado ou rico se moldam nas mesmas barras,
Engrossam o saber, acumulam fortuna,
Mas, se igualam em pobreza, de áridas terras,
Deixando, no cultivo da alma, a maior lacuna!


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2005)

A ESCOLA EM SUA MACRO-ORGANIZAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

O sucesso não ocorre por acaso. Escolas, que vêm mantendo a vanguarda do conhecimento e de sucesso escolar, organizam-se em funcionais princípios, baseados em uma moderna gestão educacional.

Elas fazem valer o espírito de equipe. O espírito de grupo cresce e alcança o de equipe, envolvendo toda a instituição. É o todo a favor das partes, é a unidade de pensamentos e atitudes, alicerçada na filosofia educacional adotada pela escola.

O foco da educação centraliza-se na qualidade do ensino e na sua utilidade. As avaliações de todo o processo estão em reavaliações contínuas, seja do ensino-aprendizagem, seja do sistema.

A macro-organização vai gerir a formulação de currículos interdisciplinares, norteados para o desenvolvimento de habilidades, numa visão ampla do conhecimento e não para fazer provas. Vai, na escola como um todo, mudar o olhar do sentido da educação, sustentado pelo momento atual, pelas exigências da sociedade, no equilíbrio do olhar interno com o externo, com o recinto da escola e o seu entorno. Expande o olhar em direção ao mundo globalizado.

A escola, interessando-se pelo seu entorno, buscando conhecer a sua comunidade, a sua região, vai melhor contextualizar o seu conhecimento, trazer matéria mais significativa para o aluno. Muito do que se ensina na escola não tem nada a ver com a realidade do aluno e nem relação com o mercado de trabalho e isso a desloca de seu eixo.

Conhecimento não é só para dentro da escola, mas, também, para fora dela. Esse entendimento começa a ganhar terreno. Para mudar o País, a escola precisa primeiro querer mudar o entorno de onde se insere, preocupar-se com a comunidade. Ao levar conhecimento à comunidade, a escola fortifica-se. Defende a idéia de trabalho comunitário, quando o jovem aprende a conhecer e a lidar com sua realidade, aprende a entendê-la e, através do conhecimento, passa a modificá-la.

A escola cria uma conscientização, que se inicia com ela e chega à sociedade, da importância da educação para viabilizar o crescimento geral da Nação.Melhorando o ambiente, o meio social, ela torna a educação uma realidade concreta a todos os alunos, pobres ou ricos.

O entorno mais esclarecido vai se encarregar de empurrar a educação para cima. O seu envolvimento, a sua participação interessada, chegam ao aluno, à organização da escola e engrossam as fileiras em favor de uma educação mais contextualizada, de qualidade.

A escola, funcionando como equipe, ganha armas, ganha força. Vai lutar, com unanimidade, pelos mesmos princípios educacionais e filosóficos, por ela implantados, surtindo, pelo conjunto, resultados animadores. É a união caminhando em direção aos valores ressaltados pelo momento educacional.

* Supervisora de ensino aposentada.         
(Publicado em agosto de 2006)

EDUCAÇÃO E SUAS IMPLICAÇÕES SOCIAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Costumeiramente, ouvimos a frase: “Educação é a primeira necessidade do homem depois do pão”. Eu me permitiria dizer: educação antecede, acompanha e sucede ao pão. São, na melhor das hipóteses, necessidades concomitantes: educa-se à medida que se dá o pão. O alimento sem a educação tem vida curta, logo degenera.

Educação abarga, de forma primordial, todos os aspectos da vida humana. Implementa-se uma biblioteca, enriquece-se a ciência da nação. “Constrói-se uma escola, fecha-se uma cadeia”, já nos dizia, no século XIX, o famoso escritor francês Vitor Hugo.  Isso há  mais de um século,  imaginem a força dessa expressão nos dias atuais. Só a educação pode salvar o mundo da avalanche da criminalidade, da violência juvenil, que nos assolam e nos amedrontam.

Educa-se a criança para não chorar o adulto. O resgate da juventude passa pela educação, a recuperação da sociedade passa pela educação. A educação ensina o homem a ter força na mente, não nos braços, não na violência.

Não se mede o preço da semente educacional. Dinheiro despendido em educação não é gasto, é investimento. Investir na educação é a saída honrosa para mudar a cara do País. Sem uma educação de qualidade, o brasileiro será apenas receptor de tecnologia, jamais produtor.

Não se transforma a realidade social pela caridade. É preciso dar condições para o indivíduo crescer. Corresponde ao provérbio: “Não dê o peixe, ensine a pescar”. O desenvolvimento do país é a soma do desenvolvimento individual. País de povo pobre, inculto, despreparado, jamais será uma grande potência. Quando um povo sabe para onde vai, o mundo se afasta para deixá-lo passar.

Hoje, sabemos, a estratégia não é mais o petróleo, a energia ou o asfalto. A estratégia, hoje, é investir em gente: educação, saúde, segurança. O capital do presente é o conhecimento. Não se pode pensar em desenvolvimento econômico, em democracia social, sem cuidar da educação, da cultura. O grande estadista norte-americano Abraham Lincoln dizia: “Ninguém salva o povo; o povo se salva a si mesmo, através da escola”.

Uma guerra não se ganha com discurso, se ganha com armas. Na guerra pela desigualdade social, pela violência, a educação é a maior arma.

É mister que a sociedade tome conhecimento do papel da educação. Campanhas de esclarecimento, palestras, deveriam chegar não só à escola, aos pais e aos professores, mas a toda sociedade, para que houvesse participação consciente e colaboração no desenrolar de metas estabelecidas.

A cobrança da sociedade por mais e melhores resultados, no Brasil, ainda é pouco significativa. Na Inglaterra, por exemplo, a pressão da sociedade por uma escolaridade de melhor qualidade é fortemente marcada. Essa sociedade, muito exposta à competição internacional, levou os ingleses a exigir do governo “armas para uma competição justa e educação é a primeira delas”. Na Inglaterra, o salário dos professores teve os melhores reajustes de toda a Europa, sob governo conservador! Comportamento semelhante constata-se no Canadá.

Tem-se, hoje, que a pressão social funciona como instrumento saudável, quando baseada em critérios de qualidade, de seriedade. Em nossa sociedade, já começam despontar luzes indicadoras de intenções políticas. A educação está sendo fortemente questionada e colocada num grau absoluto de prioridade. Economistas, ao registrarem  a  falência  do  nosso  ensino, concluem: “País que não luta por uma boa escola é país que trabalha contra si mesmo”. Mário Henrique Simonsen afirmava: “O orçamento da educação pública não é despesa a fundo perdido. É investimento com retorno garantido”.

Pedro Ferreira, economista da Fundação Getúlio Vargas, autor do livro: “No Brasil não se gasta pouco, gasta-se mal”, mostra a importância da educação no crescimento da economia. Diz que o baixo grau de escolaridade da população brasileira compromete o desenvolvimento econômico do País, torna difícil a incorporação de novas tecnologias e de novos métodos de organização de trabalho. Afirma que a situação atual do ensino no Brasil afeta diretamente as perspectivas de crescimento da economia. Se o Brasil tivesse um sistema de ensino semelhante aos melhores da América Latina, estaria, hoje, 40% mais rico.

Pedro Ferreira relata uma pesquisa internacional em que alunos brasileiros disputam com Moçambique – entre 20 países – o pior desempenho em Matemática e Ciências. Mostra que o Brasil possui a pior distribuição de renda do mundo e a causa principal é a desigualdade educacional. “O problema do Brasil não é de quantidade, mas de qualidade do sistema educacional, bem como de distribuição de recursos”. Cita dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram as distorções do Sistema de Ensino no Brasil. As universidades, com apenas 3% do total de alunos do País, recebem 39% dos recursos do governo destinados à educação. Enquanto isso, o ensino básico, com 88% dos alunos, recebe 52%. Gasta-se, portanto, 22 vezes mais em um aluno universitário do que em um aluno do 2º grau.

Embora haja desproporcionalidade, isso não significa que as universidades estejam recebendo bem, significa que todos os graus de ensino estão sendo muito mal atendidos, caracterizados como de ruim situação. A verba destinada à educação é, sob todos os aspectos, irrisória, difícil de se aceitar!

O descuido pela educação parece ter tido a aquiescência de grande parte da área produtiva. O economista José Márcio Camargo diz que: “Iludida pela mão-de-obra farta e barata, a economia brasileira contentou-se em produzir empregos ruins, com salários péssimos”.

A saúde da educação depende, indubitavelmente, da boa formação de seu quadro docente, mas não depende menos da qualidade de vida que esses mesmos docentes venham a ter, assim como da melhoria de suas condições de trabalho. Se quisermos avanço, precisamos fazer um bom diagnóstico da realidade social, sem preconceitos, sem máscara do que está acontecendo. “Tem que lavar os olhos”, como dizia Darcy Ribeiro, o autor da nova “Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional” (LDB).

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2000)

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS

Izabel Sadalla Grispino *

Durante a gestão do ministro Paulo Renato Souza, foram elaborados Parâmetros Curriculares Nacionais para os diversos graus de ensino da educação básica. Esses Parâmetros, pelo que se consta, não estão sendo aproveitados, como se devia pelas Escolas. Eles não têm caráter obrigatório, mas são de utilidade fundamental ao processo pedagógico, voltado a uma metodologia renovadora, construtivista. São referenciais para um ensino de qualidade e contribuem para a elaboração de currículos mais ajustados à realidade da escola.

Os Parâmetros propõem critérios curriculares para os diferentes níveis, desde a creche e pré-escola ao ensino médio. No ensino infantil, os Parâmetros buscam a uniformização desse atendimento. Indicam as capacidades a serem desenvolvidas pelas crianças, de ordem física, ética, estética, afetiva, de relação interpessoal, de inserção social. A base do parâmetro é transformar o contato das crianças com os educadores em relação de aprendizado.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental se dividem em Parâmetros de 1.ª à 4.ª série e de 5.ª à 8.ª série. Propõem que os conteúdos das disciplinas se aproximem do dia-a-dia da vida dos alunos, que haja correspondência entre o que o professor fala em sala de aula e o que o aluno faz lá fora. O trabalho escolar não pode estar desvinculado da vida do aluno e deve ressaltar problemas cotidianos. A realidade vivida pelo aluno deve servir de ponte entre o dizer e o fazer, deve unir o currículo formal e o currículo oculto.

Os Parâmetros trabalham o aluno como um todo, em sua formação integral, de al modo que informação e formação caminhem em movimento circular. Dedicam amplo espaço para os chamados temas transversais – sexualidade, droga, saúde, meio ambiente, valores morais, sociais e outros – que devem permear as matérias do currículo e ser incorporadas à prática, em sala de aula, sempre que a dinâmica da classe comportar.

Os Parâmetros entrelaçam as matérias obrigatórias com educação, sociedade, escola e cidadania. Reforça a importância da ética – ética democrática que afasta a arraigada cultura autoritária, da formação moral, do convívio escolar na ação de um perante o outro – da participação e co-responsabilidade pela vida social. Há um extenso capítulo sobre convívio social e ética, cidadania e pluralidade cultural.

Os Parâmetros oferecem, dentro do processo de construção do conhecimento, forma de estimular e de avaliar os alunos. Propõem uma avaliação ampla, investigativa e final, onde se consideram os aspectos concentuais, procedimentais e atitudinais. Eles ampliam o papel do professor e reforçam a importância do trabalho coletivo, da interdisciplinaridade. O ensino-aprendizagem deve fazer do aluno um ser pensante, criativo, essencialmente crítico, deve proporcionar-lhe oportunidades de “aprender a aprender” e se tornar um cidadão.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais não podem ser esquecidos. Todas as escolas devem a eles voltar sistematicamente. Eles orientam para uma escola moderna, autônoma, sintonizada com a realidade que a circunda. Eles levam à escola do sucesso.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em agosto/2006)

ENSINO MÉDIO EM FINS-DE-SEMANA

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino médio passa por um processo alternativo. Agora, o aluno desse ensino poderá cursá-lo em fins-de-semana, em São Paulo. Jovens e adultos – de 18 a 29 anos – poderão, pelo projeto Escola da Juventude, lançado em fevereiro do corrente ano, cursar o ensino médio em até um ano e meio. Segundo informes da Secretaria da Educação, o curso terá uma dinâmica diferente dos cursos tradicionais de educação de jovens e adultos. Pretende-se usar novas tecnologias para acelerar o processo de aprendizagem, laboratórios de informática, salas de vídeos e um portal na internet.

Para participar, o aluno deve ter concluído o ensino fundamental e efetuar matrícula diretamente nas escolas participantes do projeto. Inicialmente, a Escola da Juventude atenderá 300 escolas estaduais da capital e alguns municípios da grande São Paulo e do interior do Estado, num total de 30 mil vagas, sendo 100 por unidade.

O curso de ensino médio da Escola da Juventude está dividido em três tipos de atividades: curriculares presenciais, organizados em 4 módulos, sendo um optativo no sábado pela manhã e um obrigatório à tarde. No domingo, a situação inverte-se. Haverá no mínimo uma hora e meia por final de semana de atividades de inclusão digital, e atividades individuais durante a semana, sugeridas em classe e constantes dos materiais impressos.

Na sala de aula, o aluno contará com um orientador de estudos e na sala ambiente de informática, com um monitor para auxiliá-lo a tirar suas dúvidas. O curso desenvolver-se-á em módulos e o aluno terá flexibilidade para freqüentá-lo segundo sua disponibilidade de tempo. A avaliação será contínua, havendo provas freqüentes e, ao final do semestre, exame para a conclusão do módulo. A certificação será dada após a aprovação em todos os módulos, depois de 18 meses de atividades.

A programação parece bem pensada, bem organizada, agora é torcer para que esse curso abreviado de ensino médio, dado em fins-de-semana, não venha frustrar quanto à qualidade, fazendo o ensino decair ainda mais. As escolas devem passar avante a informação, deixando os alunos a par dessa recente inovação.

Um ensino médio com carga horária assim reduzida é prato de balança que oscila entre duas perspectivas. Permite ao aluno avançar em anos de escolaridade, ultrapassando os graus de ensino, engrossando as estatísticas, mas pode pôr em cheque a meta qualitativa. O ensino médio de um ano e meio favorece, é verdade, o aluno continuar na escola, afastando-o da rua, da ociosidade. Ajuda-o a não interromper o processo de estudo e a se afastar da violência.

Segundo a Unicef, o aumento da violência é proporcional à queda da escolaridade do adolescente, considerando que a sua cidadania depende da conciliação da educação formal com cursos profissionalizantes. Aponta que apenas 33% de jovens brasileiros, com idade entre 15 e 17 anos, freqüentam o ensino médio. Dentre as crianças que trabalham, a taxa de analfabetismo é de 20,1%, contra 7,6% entre as que não trabalham. Conclui que o problema da violência requer ação efetiva de toda sociedade e que sua solução passa necessariamente pela melhoria da escolaridade e profissionalização dos jovens, dentre outras medidas coerentes com aplicações socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Estatísticas comprovam que no Brasil o número de adolescentes que morrem violentamente supera o número de mortes nos países em guerra, como no Iraque, onde se calcula que 150 mil civis morreram na invasão movida pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha. Entre nós, mais de 24 mil jovens de 15 a 19 anos tiveram morte violenta em 2004, marcando um sangrento recorde mundial. Revelam as pesquisas que os adolescentes são, em geral, mais vítimas que autores da violência que os destrói.

Cerca de 68% das mortes de adolescentes no Brasil, com idade entre 15 e 19 anos, são provocadas por causas externas, como homicídios, acidentes de trânsito e suicídios. Perto de 10% de todos os crimes e delitos praticados no País são cometidos por adolescentes, o que causa séria preocupação.

A juventude está morrendo e está matando, e há fortes convicções de que esse quadro se modificaria se mais jovens estivessem na escola. Sob esse prisma, o ensino médio em fins-de-semana, conjugando estudo e trabalho, poderá ajudar, se conduzido por professores habilitados e interessados no processo, porque o mercado de trabalho considera prioritariamente a qualidade e não a quantidade de anos passados pelo aluno na escola.

Exigências do mercado levam as empresas de pequeno e médio porte a contratar pessoal qualificado na mira da adoção do selo de boas práticas trabalhistas, acompanhando as grandes empresas. Atuar com qualidade favorece o diferencial competitivo da empresa como foco na responsabilidade social. As pequenas empresas são as que têm até 99 empregados, no caso da indústria, e até 49, no caso de comércio e serviços. As de médio porte têm até 499 trabalhadores na indústria e 99 no comércio e serviços. O selo SA 8000 se tornou um termômetro da importância que as práticas internas empresariais têm em uma economia competitiva. Sua importância é tal que será como avalista para o futuro. Vai excluir empresas do mercado. O selo SA 8000 cria um ambiente ético que vai além da empresa e chega à sociedade, vai além das exigências trabalhistas, dando condições dignas de trabalho a seus empregados.

A SA 8000 é um conjunto de padrões que asseguram melhorias nas condições de trabalho nas empresas, com base nos preceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Para obter a certificação, que tem a validade de 3 anos, a empresa deve estar em dia com a legislação trabalhista, banir os trabalhos escravo e infantil e assegurar o direito à associação sindical e salários justos.

Para fazer parte de uma empresa bem organizada, de porte e sucesso, para receber os benefícios da SA 8000, o pretendente deve ter freqüentado uma escola de qualidade, adquirido uma boa formação acadêmica e profissional. Caso contrário, não passará nos testes de avaliação.

Um ensino médio de bom nível é porta aberta para uma boa colocação no mercado de trabalho.  Os relatos acima são questões para se pensar.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em maio/2005)

TECNOLOGIAS DE APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Na última década, mais precisamente nos últimos cinco anos, a expressão tecnologia da informação já faz parte do vocabulário escolar. Para atingir um número maior de educandos ou para tornar a aula mais interessante, a escola vem se utilizando de outros mecanismos que não só a sala de aula.

O rádio e a TV são duas mídias de grande penetração, concorrendo, agora, com a Internet. Paulo Freire dizia que no seu tempo o rádio era o grande referencial, que, agora, passa a ser a Internet, trazendo a escola virtual, a aprendizagem on-line.

Compatibiliza-se o aparato tecnológico com o processo de ensino, constrói-se um novo espaço, um novo modelo de ensinar e de aprender. São novas estratégias de ensino que vão corresponder a novas formas de aprendizagem, a uma outra maneira de se relacionar. A tecnologia é uma aprendizagem colaborativa, não apenas um instrumento de informação. Ela transforma o ambiente virtual em mais um espaço educacional, trazendo posturas diferentes do professor e do aluno. Conjuga-se à sala de aula, quando então se debate a informação recebida por ela, transformando essa informação em conhecimento..

A Internet preenche espaços no ensino presencial, com salas de aula utilizando-se do computador, aprimorando os processos comunicativos, a interação e o relacionamento professor-aluno. A contextualização exige a absorção das novas tecnologias da aprendizagem que favorecem o pluralismo de idéias e de concepções. Associam-se o material impresso, a lousa, com as tecnologias mais avançadas, numa elaboração construtivista, tendo sempre presente o aperfeiçoamento do ser humano.

Os recursos dessas novas tecnologias devem ser trabalhados com a mesma metodologia empregada na aula presencial, o aluno passando de paciente a agente. Ele deve ser preparado para esse ensino – o que não fazíamos antes – ter controle de seu percurso na aprendizagem. Os modelos presenciais são os mesmos dos modelos virtuais: aluno participativo, responsável, desenvolvendo aprendizagem autônoma, atitude pró-ativa de busca do conhecimento; o professor ensinando o aluno a construir o conhecimento, a pesquisar, a investigar, a encontrar sentido na pesquisa. Fazer o aluno entender que pesquisar não é encontrar o texto e apenas copiá-lo, mas é processar, transformar a informação em conhecimento. Para tanto, o professor indica ou sugere caminhos, propondo questões, reflexões, promovendo experiências práticas, exercícios variados ou debatendo a pesquisa em sala de aula.

Cria-se, assim, na escola um novo ambiente, modificam-se as práticas convencionais, promove-se uma educação mais contextualizada, mais atrativa. Para que as tecnologias de aprendizagem se tornem interativas, meios são necessários, como o fax, o telefone, o computador, o e-mail. As videoconferências e a Internet tornam a aprendizagem e os cursos bem mais acessíveis.

Enfrentamos, hoje, uma explosão de informações e o professor, com seu novo papel, busca estabelecer significado às informações obtidas, a classificá-las, utilizando-se do espírito crítico. As novas tecnologias enriquecem a aprendizagem, favorecem as inteligências múltiplas, as aptidões, atendem as diversificações.

É preciso que se coloquem computadores na sala de aula, que capacite o professor porque o aluno não pode estar ausente dos meios de comunicação, da Internet, sem grandes prejuízos à sua formação. No Brasil, infelizmente, a informatização é lenta, chegando com atraso, em especial, nas escolas da rede oficial. Tomando como referências os Estados Unidos, enquanto 99% das escolas públicas norte-americanas já possuem computadores, aqui, apenas 17% das escolas estaduais são equipadas. Porém, a falta de computadores não é o maior problema. As escolas não têm profissionais especializados e treinados para lidar com os computadores e, por isso, muitas salas de informática ficam trancadas para os alunos.

As nossas escolas particulares acompanham bem mais a evolução na área da informática, preparando melhor o aluno para enfrentar a modernidade, a sociedade tecnológica. É um ponto a mais, e importante, a favor dessas escolas, que somando ao padrão de qualidade de seu ensino formal, colocam-nas na preferência da população em idade escolar. Algumas, as mais renomadas, apresentam um grau avançado no ensino da informática, constituindo-se em forte atrativo para a clientela de maior posse. Mesmo as de ensino não tão aprimorado se distanciam das precárias escolas públicas. Os pais com alguma possibilidade financeira, mínima que seja, quase sempre com sacrifício, com ônus para as despesas familiares, nem sequer cogitam em colocar os filhos nas deficitárias escolas oficiais.

Uma sondagem de opinião, revelada na mídia, mostrou que “os pais preferem se endividar a pôr os filhos na escola pública. A queda da qualidade do ensino público, a partir da década de 70 – imaginem hoje! – fez com que a educação privada deixasse de ser um luxo. Agora é uma necessidade da classe média”.

Desperta, Brasil!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2001)

MUDANÇAS NA REFORMA DO ENSINO

Izabel  Sadalla Grispino *

Muito já se tem falado ou escrito sobre a reforma do ensino, mas o que parece é que ela está sendo sofrivelmente entendida e aplicada, em boa parte das escolas. Hoje, se preconizam voluntários da educação, pessoas da comunidade, da sociedade em geral, que, de alguma forma, possam contribuir com a escola, enriquecer seu conhecimento, seu currículo, inclusive sob a forma de atividades aos alunos. Este artigo engloba o objetivo de fornecer às escolas subsídios à reflexão sobre a nova realidade escolar, inscrita nas proposições emanadas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).

A escola precisa fornecer parada para a meditação, para a reequilibração num processo de feed-back. “Um professor que não pára para rever sua prática pedagógica, se ver em atuação, trocar com seus pares, é um professor literalmente tragado pela “fazeção” do dia-a-dia, que acaba ficando sem sentido”. (Paulo Freire)

Surge uma nova concepção de currículo e, com ele, uma nova concepção de escola. Nova em seu formato, em seu funcionamento, em sua organização, requerendo uma profunda revisão das metodologias de ensino. Uma escola que deve estar apoiada em avaliações periódicas, renovando-se, ajustando-se a um mundo em permanente mutação, para o qual o ensino tradicional tornou-se inapropriado, obsoleto.

Revoluciona-se o conceito de currículo, que tem, agora, sua maior característica na flexibilização. A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) prevê a flexibilização na organização de cursos e carreiras e por isso torna possível a mudança que vale tanto para as escolas públicas como para as privadas. A idéia central é substituir a atual estrutura curricular, baseada em disciplinas e carga horária fixa, por outros modos de organização. Na educação básica por: “séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência” e em outros critérios e formas diversas de organização, como módulos, reclassificação de alunos, aceleração da aprendizagem... No ensino superior a LDB prescreve que “alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos... podem ter abreviada a duração de seus cursos”.

O novo currículo substitui padronização por flexibilização. Vivemos numa sociedade plural, plural que deve ser usado para o enriquecimento, para o acréscimo, não para a unificação. A reforma adota currículos que buscam a cultura compartilhada, atualizada, incluindo a informal, onde a leitura de jornais e revistas deve ser pensada como uma de sua parte integrante. O currículo formal só é autêntico se apoiado no currículo oculto, oriundo da vida do aluno, sua cultura, suas variadas influências. O projeto pedagógico da escola precisa contemplar o contexto sociocultural, trabalhar a metodologia interativa, interdisciplinar, contextualizada, com o foco do currículo caracterizado mais por competência cognitiva de caráter geral que por informações. “No lugar de uma cabeça bem cheia, uma cabeça bem feita”, nos ensinava no século XVII o pensador francês Montaigne.

As modernas teorias pedagógicas têm suas raízes no passado, foram estruturadas ao longo dos séculos. Reforçam, entre outras, o pragmatismo lançado pelo educador norte-americano John Dewey, que antes da década de 30 dizia: “Escola é vida, não é preparação para a vida”. Propunha que a escola desenvolvesse aptidões e habilidades nos alunos por meio de experiências vividas; é o famoso “aprender fazendo”. Piaget e Bruner, influentes mentores da educação moderna, na 2ª metade deste século, possibilitaram-nos a formação de programas de ensino mais realistas, conteúdo mais acessível, métodos de ensino e de aprendizagem mais adequados aos alunos. “O aluno é um ser que interage com a realidade”, dizia Piaget.

As disciplinas tradicionais do currículo devem estar relacionadas aos aspectos essenciais da vida do cidadão, como ética, saúde, meio-ambiente,  movimentos  culturais,  sexualidade,  pluralidade  cultural,  mito  da democracia

social, vivência familiar, social e outros. Esses temas serão incluídos e trabalhados em associação às áreas convencionais, conforme recomendam os “Parâmetros Curriculares Nacionais”. A escola abre oportunidade para que os alunos aprendam temas normalmente excluídos e atua propositadamente na formação de valores e atitudes.

O currículo de todos os níveis de ensino contém uma base nacional comum, complementada por uma parte diversificada que variará de conformidade com as “características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela” (LDB). Deve nortear-se pela interdisciplinaridade –  interligando as diversas áreas do saber  – pela contextualização. A interdisciplinaridade promoverá ao aluno uma formação geral mais ampla e a contextualização buscará solução dos problemas sociais no seu trato com o cotidiano.

INTERDISCIPLINARIDADE – As disciplinas inter-relacionadas fornecem ao aluno um conhecimento globalizado do assunto. Na universalidade, por exemplo, vem corrigir distorções do ensino superior e da especialização excessiva dos cursos de graduação realizados em departamentos e cursos desintegrados dos demais. Hoje, os profissionais mais qualificados para o mercado de trabalho são os chamados especialistas generalizantes, que, junto ao conhecimento de sua área e especialização, devem ter a capacidade de adquirir informações sobre outras áreas, facilitando o conhecimento do papel de outras pessoas e uma melhor interação entre elas.

A interdisciplinaridade, aliada às diretrizes curriculares básicas comuns a todos os cursos, levará a especialização para os últimos anos, o que faz repensar na forma atual do exame vestibular, que força o estudante à escolha precoce, a uma especialização com escolha preestabelecida.

CONTEXTUALIZAÇÃO – O ensino das disciplinas tradicionais deve estar relacionado aos contextos: trabalho, ambiente, convivência social, movimentos culturais e outros. Estes relacionamentos rompem com o modelo de educação, no qual o aluno não sabe aplicar na vida a teoria aprendida na escola.

Ao evitar conhecimentos descolados da realidade, a escola afasta o enciclopedismo dos currículos, colocando os objetivos do ensino próximos ao dia-a-dia da sala de aula. A nova proposta parte do pressuposto de que o conhecimento não está mais parado nas enciclopédias, ao contrário, sofre mudanças espantosas.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março de 2000)

LUZES NA TRAVESSIA DO TÚNEL

Izabel Sadalla Grispino *

Lançando-se um olhar, interessado e criterioso, sobre o nosso imenso e desigual País, toca-nos as disparidades regionais, a frisante desigualdade social – alguns ricos, outros tantos muito ricos e uma imensa camada de pobres, muito pobres, resvalando na miséria. As almas sensíveis, solidárias, responsáveis, acabam comovendo-se e, seguindo os ditames do coração e da razão, buscam minorar o sofrimento dos excluídos. Envolvem-se, de modo altruísta, sob a forma de trabalho voluntário, às causas sociais, sem pensar em remuneração.

O trabalho voluntário sempre existiu. Pessoas que reservam parte de seu tempo para o próximo. Esse trabalho não deve ser encarado como simples caridade. Ele quebra paradigmas da sociedade capitalista, que vê na remuneração, no lucro, as únicas razões de luta. O trabalho voluntário anula interesses pessoais, incentiva a articulação entre sociedade e compromisso social. É uma busca alternativa para alcançar os desníveis sociais, o abrandamento da fome, do desemprego, da ignorância alfabética. Ultimamente, o trabalho voluntário vem se firmando e até se institucionalizando. Em muitas escolas, já faz parte do currículo escolar.

A cooperação, a aproximação, o entrelaçamento solidário entre as classes sociais, são o melhor caminho na quebra da insensibilidade e do preconceito, especialmente em relação à pobreza. Hoje, o pensamento dominante é de que, se se quer paz, tem-se que enfrentar a pobreza, formar uma convivência amistosa, um envolvimento coletivo, visando criar oportunidades de vida melhor aos necessitados.

O triunfo da indiferença que impera em boa parte da sociedade é superado por outra parte de ação benemérita, que merece ser aplaudida, com entusiasmo e admiração. Em Ribeirão Preto, o trabalho voluntário floresce a cada dia. Uma plêiade de voluntários, mais especificamente, de voluntárias, que junto às tarefas do lar ou de uma profissão remunerada, não se furta ao dever do seu papel social.

Sexta-feira, dia 21 de março, tive a grata satisfação de participar da inauguração da nova sede da “Associação Beneficente Pró-Família”, fundada, dirigida e mantida por voluntárias. Essa associação, aberta ao convívio social, iniciou-se há uma década, com uma jovem, imbuída de ideais humanitários, de crença no potencial do ser humano: Cláudia Jábali Biagi. Essa jovem sentia na alma a certeza de que educando a criança estaria formando o adulto realizado de amanhã. Ao visitar a favela das Mangueiras, na Vila Virgínia, Cláudia condoeu-se das crianças mal vestidas, perambulando pelas ruas, sem destino. Um lampejo de consciência e de piedade tocou-lhe o coração. Organizou-se, criou uma sala de aula improvisada, acolheu as crianças, de 3 a 6 anos, iniciando-as na escolarização. Cada vez mais, Cláudia ia percebendo o quanto era importante o trabalho que devotava a essas crianças. A cada ano, o número de alunos crescia e era preciso criar novas salas para atendê-los.

Uniu-se a outra voluntária, tal como ela, abnegada, disposta a se entregar à causa da criança carente: Andrea Cicciarelli Pereira Lima. Alugaram uma casa, transferindo a “escolinha” para lá.

Um sonho começava a habitar suas almas, o sonho do prédio próprio, da escola idealizada. Assim, com garra e determinação, engajaram-se nessa direção e essa vontade se concretizou! Dia 21 de março foi o marco da vitória e elas puderam, com a alegria do dever cumprido, da satisfação do acolhimento, inaugurar a escola sonhada. Um moderno prédio, construído em moldes educacionais, com toda a infra-estrutura necessária a uma escola de educação infantil, não se esquecendo da sala do dentista, uma sala odontológica plenamente aparelhada.

Cumpre-nos externar louvores a essas duas mosqueteiras, que passam à sociedade fé e esperança em dias melhores. O homem forja o caráter malhando em ferro. Colocando pedra sobre pedra, tijolo sobre tijolo, conseguindo a adesão de outras dedicadas voluntárias, elas ergueram, na Vila Virgínia, um monumento de solidariedade à humanidade sofrida. Formaram trincheira, no apoio, no suporte cognitivo, afetivo, no suporte alimentar, de saúde, a crianças que corriam o perigo das ruas, de mãos estrangeiras, das drogas, da violência. Que Deus as proteja e lhes dê força na caminhada. São de exemplos como esses que precisamos para ilustrar nossos filhos, nossos netos, nossos jovens.

Contudo, é preciso que se diga, que elas nunca estiveram sozinhas. Desde o início, até hoje, sempre esteve na retaguarda, assessorando, capitaneando, uma mulher de extraordinário valor: Dea Spadoni Biagi. Uma guerreira versátil, de exuberante vitalidade, uma educadora da vida, que lhes serviu de infra-estrutura emocional, intelectual, criativa. Dea é a gangorra que promove o equilíbrio, gangorra que quando desce é para subir mais alto, porque traz, com a descida, a visão de amplitude, clareando o caminho. Dea é, no seu próprio dizer, “o bombeiro que ateia fogo e que apaga o fogo”, não deixando o elã se esfriar, nem se empolgar demais, respeitando limites e possibilidades.

Nos meus versos abaixo, a imagem que Dea me passa:

À  DEA  SPADONI BIAGI
De Izabel Sadalla Grispino

Há seres que conseguem se sobrepujar,
Pairam na vida acima do bem e do mal,
Atravessam a enxurrada sem se sujar,
Força moral, construção de amor por igual,
São lutas que se impõem em tempo integral;
Tambores que rufam acordando o ideal.

Há seres que vêm ao mundo iluminados,
Para a grandeza convergem os olhares,
A solidariedade são seus passos ritmados,
Se no alto da montanha constroem os seus lares,
Na superfície enfincam os pilares,
Na ajuda aos carentes, convocam os seus pares!

Há seres de luz irradiante,
Formam clareira na senda da pobreza,
Encontram nas favelas minas de diamante,
Lapidam as pedras brutas em profundeza,
Ensinando a extrair riquezas da natureza,
Ensinando a ver o mundo em seu raiar de beleza!

Caminham olhando o céu, pisando a terra,
Sublime virtude, suada construção!
Vales de sol, onde não se cultiva guerra,
Onde a inteligência se une à oração,
Onde o amor ao próximo é vocação;
Vales, onde o trabalho é religião!

Assim é nossa Dea Spadoni Biagi,
Espírito de gigante, coração de “menino”,
Baluarte da coragem, revolução que age,
Prepara o adulto, modelando o “bambino”,
Missionária da formação do pequenino,
Engenheira da construção do belo destino.

Dea, Deus lhe mostrou a estrela matutina,
Na aurora, fez resplandecer sua alma divina!


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2003)

ALTERAÇÃO DE CURRÍCULO

Izabel Sadalla Grispino *

Fui solicitada a me pronunciar sobre a mudança do currículo do ensino médio diurno, da rede estadual, com a ampliação da carga horária de 25 para 30 horas semanais.

Esse aumento da carga horária atende a uma antiga reivindicação dos professores. Na época do governador Mário Covas, em 1998, por sua determinação – gestão da secretária Rose Neubauer – houve uma diminuição do período de aulas. Passou de 6 para 5 o número de aulas diárias e a duração de cada uma aumentou de 50 para 60 minutos.

O novo currículo, aprovado para ser implantado já neste ano letivo de 2005, traz acréscimo de disciplinas, como filosofia e psicologia. Os alunos do ensino médio terão a matriz curricular ampliada de 25 para 30 horas semanais. A disciplina filosofia passa a ser obrigatória para os alunos do 1.º e 2.º anos do ensino médio diurno. Eles terão 2 aulas  de filosofia por semana. No 3.º ano desse ensino, as escolas poderão optar por 2 aulas semanais de sociologia ou de psicologia. As outras horas serão usadas para as disciplinas de ciências e humanas, uma aula a mais por semana de português, matemática, história e geografia. No 3.º ano, a escola pode optar por uma a mais de química, física ou biologia.

O currículo constava de 4 aulas semanais de português e literatura, 4 de matemática e, em média, 2 para cada uma das outras disciplinas: história, geografia, química, física, biologia e língua estrangeira. Havia ainda uma aula semanal para o 1.º e 2.º anos do ensino médio e 3 para o 3.º ano que deviam ser usadas para filosofia, sociologia ou psicologia.

O período noturno do ensino médio não sofrerá mudanças. A nova grade não será aplicada ao noturno porque, segundo a Secretaria da Educação, os alunos trabalham e não têm flexibilidade de horário. Eles têm apenas 4 aulas por dia, com carga total de 20 horas semanais. Porém, o fato de a mudança não se estender ao ensino médio noturno e ao ensino fundamental desagradou os professores, que argumentam que ambos perderam aulas em 1998. O ensino médio noturno abriga 49% dos alunos desse ensino e merece uma carga horária maior, opinam os professores, que lançam uma proposta de ampliação da matriz para o ensino fundamental e ensino  médio

noturno.

No início da implantação do novo currículo do ensino médio diurno, os professores das novas disciplinas, que deverão ter formação específica, foram chamados pela Secretaria da Educação com base no concurso público realizado em 2004. No decorrer do ano, diz o secretário, haverá a possibilidade de um novo concurso. Afirma o secretário da Educação, Gabriel Chalita, que todos os professores passarão por um processo de capacitação.

Colocada a posição antiga e atual da matriz curricular do ensino médio diurno, podemos argumentar que uma carga horária maior, uma grade curricular mais completa, enriquecida por diferentes disciplinas, só podem trazer benefícios aos alunos. Há um enriquecimento do conteúdo, uma diversidade de assuntos, que ampliam a visão do educando.

Para a sociedade que vivemos quanto mais conhecimento, quanto mais abrangência curricular melhor. Contudo, só haverá realmente um reforço de aprendizagem se as condições forem apropriadas a um melhor desenvolvimento das matérias. Infra-estrutura é importante, mas, o mais importante é o professor, em sua formação, em sua mudança de mentalidade, na renovação metodológica aplicada, no domínio do conteúdo a ser ministrado.

Se a mudança de currículo não se caracterizar por mudanças estruturais na sua aplicação prática, se não passar por uma nova dinâmica, teremos mais um remendo, mais uma colcha de retalhos. A inter e a multidisciplinaridade, quando bem aplicadas, reforçam o entendimento dos assuntos tratados, completam sobremaneira a extensão do conhecimento que abordam. A grande revolução educacional está focada na competente atuação docente, em sua renovada metodologia.

Fato semelhante ocorre com a inclusão digital proposta para as escolas, que já se organizam com propostas de inclusão. O computador é um bem essencial nos dias de hoje, está longe de ser um bem secundário. Ele é considerado tão importante para as novas gerações como a TV foi para as gerações anteriores. Acredita-se que todo entretenimento tende a convergir para o computador, além de ser um instrumento valioso para a educação, para a autonomia na aprendizagem.

Os jovens percebem a sua importância, sabem que precisam dominar o PC se não quiserem estar fora do mercado de trabalho. Mas, alunos das escolas públicas terão oportunidades de se afirmar na inclusão digital? Terão chances de dominar essa poderosa ferramenta educacional e profissional? Estar incluído significa ter familiaridade com os processos fundamentais do mundo virtual. Recebem, na escola, através de seus professores, conhecimento necessário para operar um computador e navegar, por exemplo, na web? Seus professores possuem essa habilidade a ponto de poder repassá-la? É aí que se encontra o maior entrave na inclusão digital do aluno carente, na própria capacitação virtual do professor. Falta-lhe uma montagem de estrutura de suporte à implementação de novas tecnologias de informação e comunicação.

Uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, a pais de alunos, sobre a qualidade das escolas públicas, revelou uma avaliação positiva por parte deles. São pais em que a maioria não tem nem o ensino fundamental, com dificuldade em fazer uma ajustada avaliação. Contudo, externaram a opinião de que as escolas particulares, de um modo geral, são melhores. Consideraram que as escolas públicas estão muito fáceis e que não ensinam computação.

A consciência da boa formação profissional, seu aprimoramento, sua atualização, são assuntos que deveriam permear a preocupação de toda escola, especialmente das mais necessitadas.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2005)

A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência é a escalada do mal que vem atingindo crianças e escolas. Nossos dias são marcados por ela. Raciocinamos sobre suas causas e seus remédios, questionamos os fatores que desencadeiam situações de conflito. É unânime em se colocar, em primeiro plano, o uso das drogas, seguido da exclusão social, desemprego, fome, ausência dos pais e, em relação à escola, uma certa inabilidade dos professores para lidar com o problema.

A marginalização acaba levando as pessoas a procurarem as drogas e, através delas, a escorregar-se para a violência. As crianças crescem em meio ao mundo das drogas. Os pais ausentes, sem nada em casa para comer, à busca de alimento, elas acabam caindo nas armadilhas do traficante. Às vezes, fazem mesmo com a conivência da família. O que a criança ganha numa semana, o pai não consegue ganhar num mês, e assim se vai num crescendo, num círculo vicioso.

Mas, a violência, que era marca da periferia, já chegou à classe média. Nas escolas, estima-se que 15% dos estudantes usam ou já usaram algum entorpecente. A droga, nesse caso, começa na infância e dentro da própria escola. Primeiro a criança ganha, depois passa a comprar. As campanhas antidrogas não estão surtindo o efeito desejado, o consumo das drogas, por estudantes, continua a crescer.

A violência, entretanto, não é fruto da escola, não se origina nela. A escola trabalha com o efeito, as causas lhe são externas. A violência nasce nos becos das favelas, nas ruelas escuras da periferia, na urbanização desenfreada, desordenada. Ela nasce da miséria, do desajuste familiar, da ausência de educação. A violência é fruto de um conjunto de fatores socioculturais, por isso, a escola sozinha não tem como resolver o problema. É necessário uma ação de todas as instituições, ações multidisciplinares e interdisciplinares envolvendo escola, família, igreja, judiciário, polícia...

A escola, como instituição formadora, tem a função de conscientizar para os malefícios da droga. Sua contribuição é de caráter ético, moral, educacional. Ela não pode ser mais um espaço fechado, feudal. Precisa estar constantemente se revendo, entendendo que pertence à comunidade. Não tem mais razão de ser a escola vertical, presa a uma hierarquia arcaica, de tomada de decisões de cima para baixo. Faz-se necessário a criação da escola horizontalizada, das decisões conjuntas, dos trabalhos integrados e entrosados às universidades, para que possa melhorar sua atuação, ter mais competência.

Já foi a época da escola soberana, auto-suficiente, voltada estritamente para o seu circuito interno, preocupada, tão-somente, com a transmissão do conhecimento. Ultrapassar os muros, abrir diálogo, firmar parcerias com a comunidade, interferir na realidade social, é hoje parte importante de sua atuação.

A escola precisa investir na educação politizada, fazer o aluno refletir sobre deveres e direitos, fazer dele um cidadão ético, dar-lhe armas participativas. – Vivemos numa democracia representativa porque não sabemos participar. Precisa educar para a vida, para o amor, para o lazer, para a compreensão. O aluno agindo, analisando, interferindo, mais que absorvendo conteúdo. Conteúdo é conseqüência e pode ser adquirido por outros meios.

Um dos caminhos da escola, para combater a violência, apontado por especialistas,  é  ela se tornar prazerosa, significativa, promover, dentro dela, através do esporte, da cultura, da arte, a integração, erguer na solidariedade o grande pilar. Manifestações culturais em sala de aula – teatro, dança, música, poesia – mostram a outra face da vida, o seu lado espiritual, seu encantamento, e acaba por afastar a obsessão do consumismo. O aluno vai percebendo que o mais importante é o ser, o ter vem depois.

A escola deve munir-se de biblioteca, de um centro esportivo-cultural de lazer. Apegamo-nos à TV, à internet, ao celular, e o contato humano onde fica? A escola pública, no combate à violência, deve utilizar-se, com afinco, das prerrogativas educacionais, das armas afetivas, morais e psicológicas. Ela tem, apenas, elementares mecanismos de proteção, falta de inspetores nos corredores, de segurança nas portas, de câmaras internas, que são mecanismos importantes, mas, não tão fundamentais.

As grandes armas estão na administração de conteúdos significativos, que abranjam a realidade social, a realidade do aluno, em currículo contextualizado, na criação de momentos de lazer, de descontração; pautar-se pelo diálogo, pelo contato humano, pela inserção da família, dos pais em seus projetos pedagógicos. A escola do presente troca idéias, experiências, busca na ajuda, no amor, a reversão de uma situação, que atinge as raias do limite.

A paz da árdua viagem da vida adulta depende da mão que guia a criança e o jovem no dia de hoje.

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em novembro/2001)

PROJETO EDUCATIVO: PARCERIA ESCOLA-COMUNIDADE

Izabel  Sadalla  Grispino *

O papel da escola mudou, não se centraliza mais em si mesma. Abre-se cada vez mais ao diálogo e abandona conceitos cristalizados. Quanto mais se aproxima dos pais, quanto mais mantém com eles uma parceria afinada, mais alcança a identidade cultural do aluno, os aspectos sociológicos que o cercam e uma aprendizagem real, efetiva.

A desmotivação do aluno é conseqüência da distância entre a sala de aula e o seu cotidiano. A escola deve criar um ambiente que tenha a ver com seu mundo, evitar choque cultural, evitar que ele se sinta “um estranho no ninho”. Busca-se o homem e devolve-o a seu destino, com ampla autonomia.

Cada escola deve achar um canal de comunicação com a comunidade, deve estimular os pais a participarem da vida da escola, de sua gestão, transformando-os em aliados. Deve rediscutir suas propostas curriculares, montar projetos, projetos educativos que a referendam na sua comunidade, em termos de atuação social.

Projeto educativo é o projeto macro da escola. É um projeto político-pedagógico, uma linguagem que democratiza e amplia o conhecimento num entrelaçamento com a comunidade. Traduz-se em trabalhos coletivos, articulados, envolvendo escola, alunos, pais e comunidade, numa metodologia interativa e de cooperação. É a escola se inserindo em sua realidade, promovendo efetivo desenvolvimento social de sua comunidade mais próxima. Coloca o eixo na formação da cidadania e incentiva, por parte da comunidade, todas as formas de participação: consultas sobre a escolha de temas, entrevistas, palestras, visitas localizadas etc. Premia o aluno-cidadão frente aos problemas sociais, politizando-o, espalhando sementes politizadoras por toda a comunidade. Quanto mais consciência da situação social, quanto mais intervém nessa situação, quanto mais campanha cidadã, mais capaz o indivíduo vai se tornando e mais facilmente atingem-se os objetivos. O projeto educativo aproxima a comunidade da escola e vice-versa. A escola passa a ser o fermento de ações sociais educativas.

Esses projetos se utilizam da transversalidade – transposição dos conteúdos sociais para os escolares, quando os conteúdos se tecem como numa rede – e da interdisciplinaridade, da maneira de como trabalhar os conteúdos. Na interdisciplinaridade, as diversas disciplinas se complementam, se interligam, sem que, contudo, venham a perder sua linguagem própria, sua individualidade. A  partir das especificidades, constroem a integração.

A escola irradia-se por toda a comunidade, espalha o exercício da cidadania. O projeto educativo põe ênfase na criatividade individual, grupal, buscando soluções para situações de risco, para contenção da violência, da criminalidade e outros. Mobilizam-se escola e comunidade na busca de respostas à problemática social de diversas ordens.

Pode reportar-se aos mais diferentes assuntos, onde o amor a Deus, ao próximo, à Pátria estão sempre no alicerce das proposituras. Temas como “Minha cidade, minha responsabilidade”, “Vamos arrumar a casa social”, “Cuide bem de mim”, permitem amplitude de objetivos instrucionais e atitudinais. O tema “Ecologia” deve estar presente, obrigatoriamente, no currículo escolar. O estudo da educação ambiental, do ecossistema, da responsabilidade de todos pela preservação do meio-ambiente, pela exploração racional dos recursos naturais, evitando o esgotamento das fontes e impedindo a degradação ambiental. Alunos e professores entrosar-se-ão com pais, com representantes da área do meio-ambiente. Os alunos pesquisarão clima, atmosfera, energia, tecnologia, recursos hídricos, poluição, queimada, desmatamento, com seu efeito universal, envolvendo conceitos de biodiversidade, de efeito estufa, de desenvolvimento sustentável, de desertificação do solo e outros.

A união de propósitos, em torno de um objetivo comum, vai estreitar e fortalecer as relações interpessoais de amizade, de solidariedade, de respeito. Sendo um projeto de educação intencionada, tornar-se-á um capítulo de estudos interdisciplinares. A grande arma está numa metodologia criativa, diversificada.

O professor poderá garantir ocasiões para troca de informações, de idéias, de opiniões, em sala de aula, organizando-a para momentos coletivos, quando terá a oportunidade de contemplar a diversidade apresentada. Não deve reduzir as diferenças, antes, aproveitar a variedade de respostas, promovendo troca entre elas. Poderá garantir momentos individualizados, quando o professor conhecerá melhor cada aluno em sua idealização.

Nesses projetos, o pragmatismo deve estar presente. É importante ao aluno saber que o resultado de sua pesquisa poderá servir de utilidade pública. De nada adianta investir numa pesquisa que não serve para algum segmento da população ou para a vida prática do educando.

O projeto educativo deverá destacar aspectos que levem a um produto final, destinado ao uso da escola e da comunidade como um todo. “Não basta saber, é preciso aplicar; não basta querer, é preciso, também, agir”. (Goethe).

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2000)

SAUDAÇÕES AO ANO LETIVO

Izabel Sadalla Grispino *

Convidada a proferir a aula inaugural de uma escola normal, teci considerações que, hoje, trago a você professor, num gesto de atenção, desejando, num grande abraço, abranger todo o magistério desta cidade.

Março é o mês em que a escola, já organizada, dá a sua largada ritmada, rumo ao cumprimento do dever que o ano letivo lhe impõe. Fevereiro é o mês dos preâmbulos, dos planejamentos, dos acertos, dos ajustes. Então, neste momento, quero dar aos professores, ao diretor da escola e a todos os seus funcionários as boas-vindas, desejar-lhes um trabalho auspicioso, produtivo, que tenham, ao longo do ano, força renovada, alento e apoio nas sinceras e procedentes reivindicações.

Em cada grau da pirâmide educacional, o professor correspondente tem uma importância capital, formando no conjunto a gleba florida. O professor das primeiras letras, o nosso querido professor primário, é marco nessa escalada da aprendizagem. Sua importância é grande e com os avanços da psicologia genética a educação infantil firma-se e se mantém como a grande fase formadora do alicerce educacional do indivíduo.

A educação infantil está sendo cada vez mais valorizada; sua ausência repercutirá desfavoravelmente em todo o percurso escolar posterior. Cabe ao professor primário a séria responsabilidade de, ao introduzir a criança no mundo da leitura e da escrita, torná-la um estudante animado, encorajado, confiante. A postura do professor, diante da criança, é bem mais representativa que o seu próprio saber. São a atenção, o cuidado, o carinho que levam essas crianças ao bom termo final. É o amor o maior ingrediente da educação, ou como dizia Pestalozzi, seu maior instrumento.

O início da atividade intelectual tanto pode fazer do aluno um continuador incentivado ou um ser desanimado, inculcado, com vícios de aprendizagem. Esse professor será ou a escada rolante, que o conduzirá ao topo, ou o chicote, a cortar-lhe durante todo o trajeto, e a escolinha primária ou uma colméia em que se fabricam as primeiras  gotas de mel, ou um vespeiro agitando a caminhada.

Escola é um organismo vivo, acompanha a evolução dos tempos e se modifica com ela. Não é uma entidade estática; cabe a nós, professores, atualizá-la, torná-la competente para responder à altura ao mundo tecnológico dos nossos dias.

A educação moderna vem exigindo competência e dedicação crescentes por parte do professor. Manda que se atenda à realidade do aluno, da comunidade em que se insere e que, ao lado da instrução, ministre a educação. Na instrução, o aluno abrange o saber; na educação, torna-se um ser consciente de suas responsabilidades morais, sociais, religiosas, torna-se um estudante que se desenvolve nas capacidades cognitivas de caráter geral.

A orientação pedagógica pede, hoje, bem mais ao professor. Ele não pode se descuidar da educação integral, porque só ela vai ajudar o aluno a vencer as barreiras do avanço científico-cultural. O aluno bem formado nos aspectos conceituais, atitudinais e comportamentais chega por si só à informação.

Dizemos que a atuação do professor é complexa, singular, contextualizada. Complexa, porque envolve vários fatores: exigências sociais, experiências de vida dos alunos, apropriação do conhecimento, desenvolvimento de habilidades e de atitudes; singular, porque não há duas classes, dois professores ou dois alunos iguais; e contextualizada, porque tem que abordar um currículo adequado ao contexto sócio-cultural.

Vimos que escola não é só “razão instrumental”, ela está comprometida com o pensar, com as relações humanas, o pensar com os outros dentro de um contexto intersubjetivo que proporciona a autonomia dos educandos.

O que é feito com amor, com entusiasmo, produz o melhor resultado. A decadência do ensino público afeta a todos nós, a todos diz respeito. Nenhum educador fica indiferente a esse quadro empobrecido do ensino público e o que mais queremos é vê-lo prosperar, abraçar patamares que dignifiquem o magistério de nossa terra. O que mais queremos é que ele seja coroado, porque nenhuma coroa pesa mais, nenhuma significa mais que a coroa do saber. Somos conscientes de que educação não é variável isolada. Com o aumento da marginalidade, do desemprego, da exclusão social, não se pode esperar milagres da educação. Contudo, com criatividade, com espírito de solidariedade, a escola pode muito colaborar.

O professor é uma necessidade social e ele deve tomar consciência desse seu papel. Ele é, no dizer poético, “o guieiro dos filhos da Pátria”. Quanto mais elevado o grau de instrução, de educação, mais forte será a cadeia da nacionalidade. A escola, juntamente com a família, é o núcleo da sociedade. Nelas aprimoram-se as virtudes, amolda-se o caráter, que é a expressão da alma. A escola continua o lar e ambas, unidas, lutam pela formação de homens honrados, idealistas, úteis à família, à sociedade, à Pátria e a Deus.

Professor caminhe firme em direção ao saber, mas não despreze as boas normas de conduta. Cultive a alma, atue com sabedoria e eqüidade social,  influenciando toda a comunidade escolar e, em especial, seu aluno. Ninguém é grande ou pequeno pela vida pomposa que ostenta ou pela vida simples que leva. A categoria em que temos de classificar a importância dos homens deduz-se do valor dos atos que eles praticam, das idéias que difundem e dos sentimentos que comunicam aos seus semelhantes.

Que Deus e a Pátria os protejam!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março de 2001)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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