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Artigos Educacionais

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VAGAS ESTATIZADAS OU VAGAS EM UNIVERSIDADES PÚBLICAS?

Izabel Sadalla Grispino *

Críticas às vagas estatizadas, às isenções fiscais a instituições particulares em troca de parte de vagas ociosas, foram feitas por reitores, professores e funcionários das universidades federais. Entendem eles que a expansão do 3.º grau deve ocorrer pelo ensino público.

A Associação dos Reitores das Universidades Federais (Andifes) divulgou, em março p. passado, nota contrária ao Universidade para Todos, por considerar que o programa não passa de “compra de vagas” na rede privada e opinou que o governo invista na expansão das instituições públicas. O indicativo é de que o governo fortalece as instituições privadas e enfraquece as públicas.

O ministro Tarso Genro defende-se dizendo que o programa representa, apenas, a criação de um espaço público na rede privada. Ponderou, contudo que, se o programa tiver adesão, poderá haver uma reordenação de recursos do Financiamento Estudantil (Fies) para as universidades federais. Haverá uma passagem gradativa de recursos para as instituições públicas.

O Fies é um programa de crédito educativo que financia alunos da rede privada. Atualmente, o Fies financia as mensalidades de 178.124 estudantes. A previsão é de que repasse ao setor privado, este ano, R$ 739 milhões. Esse valor supera os 609 milhões previstos no orçamento para o custeio de 55 instituições federais do ensino superior. Pelos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), as universidades federais atenderam 532 mil estudantes, revelando o grau de privatização do ensino superior.

O dinheiro do Fies sai das loterias federais, do pagamento do empréstimo pelos alunos já formados e do orçamento da União. O governo não paga as instituições em dinheiro, mas com títulos usados para quitar dívidas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em modelo semelhante ao idealizado para a Universidade para Todos.

A explicação do ministro, por ter optado pelas universidades privadas, é de que o programa permite o uso público de vagas privadas por um preço menor do que o pago pelo Financiamento Estudantil (Fies). “O Fies é compra de vagas. Na Universidade para Todos, o aluno não paga pelas vagas, porque é pobre. Estamos iniciando uma verdadeira publicização de espaços privados, sem prejuízo para o setor e com baixo custo para o Estado”, complementou Tarso Genro.

Atender o jovem carente é uma necessidade que não pode ser postergada. Quanto à credibilidade, é inegável a superioridade das faculdades oficiais, onde o melhor nível de ensino prevalece. A expansão do ensino superior, ocorrendo no sistema público, terá, sem dúvida, um novo significado. Ele já tem tradição de qualidade e, assumindo a liderança na oferta de vagas, estará acolhendo o aluno pobre com mais propriedade, principalmente em força de trabalho.

A verdade é que o jovem quer estudar, entende a exigência da época que pede competência profissional. Não quer ficar à margem da sociedade, quer emergir, poder se afirmar, vencer. Hoje, não é só a elite que busca o 3.º grau. O aluno pobre termina o ensino médio e anseia entrar para uma universidade, mas é barrado por suas condições econômicas. Socorrendo esse jovem, o governo estará desenvolvendo uma grande ajuda às famílias de baixa renda, minorando a desigualdade social, disseminando uma política de distribuição de renda.

Pelos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), somente 9% dos jovens, entre 18 e 24 anos, estão matriculados no ensino superior. Comparando-se com países da América Latina, como a Bolívia, por exemplo, que tem uma economia 61 vezes menor que a brasileira, o índice é de 20%; na Argentina, quase 40%.

Neste quadro, surge a Universidade para Todos, com suas estatizações, querendo acelerar a inclusão, mesmo porque a pressão por vagas no ensino superior cresce de modo acelerado. Em 1991, 666.367 jovens formaram-se no ensino médio. Em 2002, foram 2.065.722, jovens advindos sobretudo das classes C, D e E.

No Brasil, cerca de 70% das vagas são oferecidas pelas faculdades particulares, com mensalidades variando, no Estado de São Paulo, entre R$ 400,00 e R$ 600,00.

Para muitos estudantes, bolsas de estudo são a única saída. Estender o olhar para esse ângulo revela uma política social humana, necessária e urgente, em direção ao desequilíbrio social.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2004)

QUOTAS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS

Izabel Sadalla Grispino *

Está havendo posição simpática, por parte do governo federal, para o estabelecimento de quotas para negros nas universidades públicas. Coloca-se, com esta posição, o mesmo enfoque dado às reservas de vagas para alunos do ensino médio das escolas oficiais, o mesmo problema sobre a igualdade de oportunidades, advinda de um ensino de qualidade, na disputa de vagas universitárias.

A exclusão do candidato não tem causa na pobreza ou na cor e, sim, na ausência da boa formação, pois “inteligência não é privilégio dos ricos e dos brancos” – parafraseando a expressão do deputado Celso Tanaui. Essa quota de vagas é mais um procedimento discriminatório, que desvaloriza o potencial criador do candidato pobre ou negro, que tem idênticas possibilidades intelectuais dos mais afortunados, faltando-lhes apenas os meios para atingir esses fins. Eles se vêem beneficiados por um decreto que parece propagar que a desqualificação não tem importância.

A balança social é marcada por um quadro pesaroso de desigualdade entre ricos, pobres e negros. Há estudos, referentes a 1999, demonstrando forte correlação entre desigualdade educacional e desigualdade social. O economista Ricardo Henriques, do Ipea, desenvolveu, a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), um trabalho que mostrou ser a taxa de analfabetismo três vezes maior entre os negros e mulatos, demonstrando que, no ambiente profissional, eles recebem, praticamente, a metade – 48% – do salário que recebem os brancos. Entre as mulheres brancas, o desemprego é 25% menor que entre as negras.

Ricardo Henriques disse ser “incontrolável” a desigualdade, em relação à conquista dos chamados empregos de qualidade: “Há, apenas, um general negro nas Forças Armadas e apenas dois secretários na carreira do Itamaraty não são brancos”.

A Associação dos Juizes Federais relata que somente 10% dos juizes federais do País são negros. Na iniciativa privada, calcula-se que a desigualdade tenha a mesma proporção.

Os dados do Provão, revelados pelas estatísticas, demonstraram que apenas 2,2% dos estudantes que concluem os cursos universitários, públicos ou privados, são negros.

É histórica a desvantagem das pessoas negras se colocarem bem na sociedade, desvantagem que tem, também, como razão a má formação profissional. O Brasil inicia uma etapa que os Estados Unidos já pensam em abandoná-la. O que lá está em declínio, levado pela experiência negativa, aqui se principia começar.

Desde o final dos anos 80, Estados norte-americanos adotaram políticas de reservas obrigatórias de vagas para negros nas universidades e nos empregos. Atualmente, esses Estados têm dado visível demonstração de que, promover a igualdade de oportunidades através de quotas, não é o melhor caminho. A quota não responde pela qualidade, fruto de um gradual e lento processo educacional.

Nota-se, nos Estados Unidos, em vários setores da economia, e em várias universidades, uma reação contra essas quotas raciais. Este ano, um tribunal federal de Michigan forçou a Escola de Direito da Universidade do Estado a abandonar sua política de admissão, voltada em quotas raciais. Em várias outras localidades, há estudos para dissolver o sistema de quotas.

O frade franciscano David Raimundo Santos, diretor-executivo da organização Educação e Cidadania de Afro-descendentes e Carentes (Educafro), considera que a discriminação nas contratações e promoções dos negros tem revelado a “má administração das relações sociais”. “É necessário despertar no País políticas públicas que possam corrigir estes e outros casos”.

Têm surgido, entre nós, exemplos de ações favoráveis, como os cursinhos pré-universitários para negros e carentes. Eles se multiplicam pelo País, por iniciativa de organizações não-governamentais e mostram eficiência nessa ajuda. No Rio de Janeiro, onde se concentra a maior parte dos cursinhos pré-universitários, chega a 3,6% a taxa de alunos que concluem o ensino médio oficial e conseguem uma vaga nas universidades públicas. Em São Paulo, a estimativa é de apenas 1,1%.

Já começam a aparecer no País escolas criando quotas para alunos negros. A Escola Técnica Everardo Passos, em São José dos Campos, é a primeira do município a criar quotas de vagas gratuitas para alunos negros. As negociações para a criação de quotas, realizadas com entidades do movimento negro, começaram em 2000.

Mas, será o sistema de quotas o método capaz de alterar o quadro da desigualdade social? Ele conseguirá elevar, por si só, o padrão de ensino das escolas públicas? Sem esse padrão haverá futuro para o formando?

Preocupações pairam no ar!

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2001)

EDUCAR PARA A AUTONOMIA

Izabel Sadalla Grispino *

Dando continuidade ao assunto tratado na semana passada, sobre as atividades extracurriculares dos jovens, gostaria, ainda, de acrescentar de que os pais devem saber diferenciar suas expectativas e as de seu filho. Na maioria dos casos, os filhos são induzidos a realizar os projetos que os pais não conseguiram concretizar e farão o máximo de seu investimento para que suas frustrações não se repitam na vida dos filhos.

Os pais devem, também, considerar que cada filho é um filho e que com cada um deve estabelecer diferentes tipos de relação. O fundamental aos pais é ouvir os filhos, dizem os psicólogos, entender, por exemplo, que para os filhos menores é mais fácil estabelecer uma rotina de tarefas; já para os filhos adolescentes, a partir dos 12 ou 13 anos, pode tornar-se mais difícil, porque eles querem fazer valer suas opiniões, seus desejos. Quando não são ouvidos, encontram meios para chamar-lhes a atenção, ou pelo abandono dos estudos, ou, então, por qualquer motivo, faltam às aulas de atividades escolhidas pelos pais. Buscar um equilíbrio nas multitarefas é essencial.

Educar é transmitir costumes, valores e normas vigentes na sociedade em que vivemos e essa educação deve ser feita com compreensão, com moderação. Manter uma educação não totalmente liberal, nem muito controladora. Na educação liberal, a criança não se sente apoiada, não tem uma referência segura e pode passar por experiências que venham lhe causar frustrações e sofrimento. Na educação controladora, a criança não tem independência para fazer nada, não consegue desenvolver iniciativa e criatividade, tem poucas chances de experiências, desconhecendo sua capacidade.

Em ambos os extremos, a criança sofre e pode desenvolver distúrbios de conduta, como birras, timidez excessiva, agressividade contra si e contra os outros. Atitudes diferentes dos pais, diante de uma mesma situação, também confundem a criança e quando existem problemas mais graves de relacionamento entre os cônjuges, muitas vezes os filhos são manipulados e aprendem a manipular, criando atitudes patológicas.

Um ambiente saudável propicia um bom desenvolvimento aos filhos, oferece apoio, suporte emocional, permite independência, escolha de opção, dando à criança consciência de suas possibilidades, tornando-a capaz de desenvolver segurança, estabelecer relação de troca e acreditar em si. Alguns fatores exercem grande influência na relação pais e filhos, como as expectativas dos pais em relação à criança, a demonstração positiva ou negativa sobre o ritmo pessoal, o tipo de personalidade e o comportamento observado.

Desde que a criança nasce até os anos pré-escolares, as metas essenciais são o ganho da confiança, da autonomia e da iniciativa. Para adquirir confiança, a proteção e a sensibilidade dos pais são fundamentais. Quanto à iniciativa, a criança descobre que há coisas possíveis e outras, também possíveis, mas proibidas e cabe aos pais demarcá-las e dar as devidas explicações. O diálogo fortifica a confiança, estimula a iniciativa e desemboca no comportamento autônomo.

A criança é levada a fazer muitas coisas de uma vez e, para que cresçam com noção de disciplina, para que adquiram confiança, os pais devem vigiar, orientar, porque ela não tem capacidade ou energia suficiente para obter êxito em todas as situações. Compete aos pais acompanhar o desabrochar da personalidade da criança, orientar, sem tolher as potencialidades afloradas.

Embora o ser humano, ao nascer, seja extremamente dependente de seus pais, ele já nasce com algumas capacidades, como a de inibir estímulos desagradáveis, tolerar frustrações. Ele vai atuando no ambiente e reivindicando a satisfação de suas necessidades, de acordo com o temperamento e com o ritmo próprios. Essas duas características, temperamento e ritmo, são determinantes para o bom desenvolvimento da personalidade, por isso, devem merecer atenção por parte dos pais.

As primeiras trocas afetivas entre mãe e filho, os cuidados básicos recebidos, as ações e reações da criança com seu meio-ambiente vão moldando o seu comportamento. E essas vivências, positivas ou negativas, serão, posteriormente, transferidas ao meio social mais amplo, favorecendo ou dificultando a sua adaptação.

A responsabilidade dos pais no ajuste ou no desajuste psicológico dos filhos é grande, e “não é preciso que os pais sejam perfeitos, eles apenas devem ser atentos, sensíveis e humanos” (Buscaglia).

*Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2001)

AO JORNAL “A CIDADE”, O GRANDE SEMEADOR DE IDÉIAS

Izabel Sadalla Grispino *

Através do jornal “A Cidade”, deste valioso instrumento de comunicação que Ribeirão Preto aprendeu a admirar pelo alto profissionalismo, há, exatamente, um ano, venho publicando, semanalmente, artigos de fundo educacional. Este jornal amigo proporcionou-me a oportunidade de contatar-me com a sociedade ribeirão-pretana, levando conhecimento, em temas educacionais, culturais, sociais, religiosos e outros. Neste ano que se finda, propus-me a registrar os principais passos da reforma do ensino, na implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a realidade educacional das escolas oficiais.

Encontrei neste jornal, com afável acolhida, um livro aberto, de folhas em branco, para serem preenchidas, tendo em vista ilustrar a comunidade, nos mais variados assuntos. Inúmeros conceitos nele passei, ressaltando a idéia de que o bom professor faz a diferença do ensino e de que ele é capaz de compensar a falta de estruturas. Passei a idéia de que a formação, a dedicação e o salário do professor são alguns dos fatores que mais interferem no ensino e de que, sem um ensino de qualidade, jamais resolveremos a questão das desigualdades sociais. Ressaltei a necessidade de cursos de reciclagem para o professor, que, de um modo geral, não está absorvendo as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), emanados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O professorado não está conseguindo ensinar os alunos dentro desses novos referenciais, que abargam, principalmente, a interdisciplinaridade e a contextualização, isto é, a aproximação do conteúdo ensinado com o cotidiano do aluno.

A escola não vem acompanhando as mudanças e tem demonstrado de que os fatores que favorecem o desempenho dos alunos estão mais relacionados ao dia-a-dia da escola do que com as diretrizes elaboradas pelo MEC. Daí a importância de se dar mais atenção ao professor, dar-lhe suporte profissional, porque ele é, sem dúvida a mola-mestra, não só do progresso, mas da eqüidade social.

Neste novo ano que se inicia, continuarei, com o apoio do jornal “A Cidade” e com a proteção de Deus, a analisar situações de ensino, lutando para que a luz educacional prevaleça e ilumine a consciência nacional de sua importância, lutando para que a vontade política se manifeste com mais verbas para a educação, cuidando melhor de nossos professores.

O jornal merece nossa reverência, porque ele é uma escola aberta, o mestre maior que bate à nossa porta para introduzir conhecimentos, para formar, de modo responsável, mente e corações. Em Ribeirão Preto, já é tradicional, nos festejos de fim de ano, saudar o jornal “A Cidade”, que beira um século de existência, nas pessoas da família Camargo, de seus digníssimos diretores e de todos os seus funcionários, que, com brilho e persistente idealismo, angariam, cada vez mais, a confiança da população. O jornal “A Cidade” cresce com Ribeirão e com ele se faz pioneiro na região. Muita saúde, muito vigor, aos seus dirigentes, para que possam continuar a receber as alegrias de seu jornalismo imparcial, competente de que é marca  consagrada.

Formulo votos de um feliz Ano Novo a toda população de Ribeirão Preto. Que Deus lhe dê um ano de paz, de amor, de prosperidade. Quero também agradecer aos meus leitores pela atenção, pelas manifestações de apreço, a mim formuladas, durante a publicação dos artigos. A todos, meus versos sobre o Terceiro Milênio.


TERCEIRO MILÊNIO, ANO 2001

Izabel Sadalla Grispino

Surge um novo milênio, uma outra aurora,
A ciência comprovando Jesus,
Ventos do infinito indicam que agora
É chegada a hora de viver a luz.

Demos um salto para o espiritual,
Conciliamos ciência e fé,
Confraternizamos real e virtual,
A razão se achegou à Santa Sé.

A face de Deus deixa o lado escuro,
Terceiro milênio é porta de frente,
Mostra o claro que vem pelo futuro,
Ressalta o homem na alma e na mente.

Que saibamos entender o momento,
Que em coro, rezemos à Mãe Maria,
Ligando oração e comportamento,
Livraremos o mundo da orgia.

O homem terá um novo semblante,
Virá aterrorizante avanço,
A ciência criando um semelhante,
A bioética entrando em balanço.

A todos vocês, queridos leitores,
Que esse dois mil e um lhes seja risonho,
Caminhos abertos, muitos amores,
Que se realize seu mais lindo sonho.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2000)

DIFICULDADE DE APRENDER

Izabel Sadalla Grispino *

Como encarar a dificuldade de aprender do aluno? Restringe-se à sala de aula, à incompatibilidade com o professor ou com o curso?

As dificuldades do aluno podem estar fora da sala de aula. A prática pedagógica chama a atenção para dois fatores: falta de prontidão e imaturidade.

Na falta de prontidão, o rendimento é prejudicado pelo fato de o aluno não ter o conteúdo necessário para acompanhar as aulas. É problema de formação deficiente que ele traz dos anos anteriores. O estudante pode até ser esforçado, prestar atenção às aulas, ser disciplinado, fazer as atividades, mas não alcança a aprendizagem no nível desejado. A falta de prontidão manifesta-se, também, pela dificuldade de concentração. Os psicólogos passam a seguinte imagem: “O aluno parece uma parabólica, capta tudo que aparece, se liga em tudo ao mesmo tempo, mas não consegue organizar o raciocínio”.

Outro fator, a imaturidade, leva, freqüentemente, à repetência, pela dificuldade de aprender. A imaturidade manifesta-se em três situações. A primeira pelo que chamamos de complexo de onipotência, assim descrito pela psicologia: “O aluno acha que nada de ruim acontece a ele, se acha o bom, julga-se capaz de fazer tudo ao mesmo tempo e vai adiando a recuperação das perdas. Acha que na hora “h” estala o dedo e consegue tudo”.

A outra situação de imaturidade é a desmotivação, que pode ter o mesmo efeito da anteriormente citada. Em geral, vem de uma família que sempre faz as coisas por ele, mima-o demais, dá tudo de “mão beijada”. A criança acaba acomodando-se, habituando-se a transferir responsabilidades. Conclui que nas situações adversas a mãe vai à escola, conversa e resolve o problema.

Um terceiro fator é a agressividade. O aluno assim descrito, quando contrariado, torna-se agressivo. Age com rebeldia, fica alterado, não consegue enfrentar uma situação problemática.

A criança quando conduzida com equilíbrio e ponderação, quando colocada devidamente no nível de seu alcance educacional, vai criando percepção, reagindo com mais maturidade. Nos casos de baixo rendimento do aluno, a conversa com os pais é importante. É importante haver um bom entrosamento entre pais e mestres para que as causas sejam evidenciadas e tratadas conjuntamente. O que se percebe é que muitos pais reagem desfavoravelmente à explicação da escola. Contestam e pedem reconsideração. Quando a reprovação é inevitável, a opção, geralmente, é por mudar o filho de escola.

Quanto a mudar de escola, há posições diferentes: uns consideram que mudar de escola não é o caminho adequado; outros, como o Colégio Bandeirantes, de São Paulo, acham a mudança um procedimento salutar. O aluno entrará em contato com outra filosofia de ensino e voltará, depois, se quiser. No Bandeirantes, o aluno que ficar em mais de três disciplinas não pode se matricular novamente.

No caso da alfabetização, métodos inadequados podem gerar dificuldades na aprendizagem. Escolas mais avançadas, que ensinam outros idiomas, além do materno, mostram que a impropriedade metodológica pode criar confusão na criança.

Parece haver consenso de que a alfabetização não deve ser bilíngüe. Se a fala em outro idioma deve ser estimulada desde o nascimento, o mesmo não ocorre com a escrita. Especialistas concordam que a alfabetização deve ser feita em uma língua primeiro e só mais tarde em outra.

A Escola Graduada de São Paulo (americana) segue esta orientação. As crianças fixam bem um idioma antes de investir no outro, evitando confundi-las. Nessa escola, a alfabetização ocorre em inglês e, só no 2.º ano, que corresponde ao 1.º no currículo brasileiro, o português é ensinado. O que se verifica é que as crianças aprendem os dois idiomas tranqüilamente.

Para a fala, quanto antes o aprendizado começar melhor. Evita crescer com sotaques. Deve-se incentivar a conversação em língua estrangeira, porém, na escrita, iniciar com só um idioma. Há escolas que, quando a criança está próxima de iniciar a educação formal, conversam com os pais para saber onde os filhos vão continuar os estudos. Se for numa escola em português, a pré-alfabetização será feita em português.

Há casos de crianças que só ouvem, por exemplo, espanhol em casa com os pais, falam português com amigos e inglês na escola. Os professores comprovam que essas crianças passam de uma língua para a outra naturalmente porque a aprendizagem começou antes que os sons da língua materna estivessem arraigados, o que ocorre com os adultos.

Na dificuldade de aprender não se pode generalizar; é preciso que se busquem as causas: desencontro profissional? Problemas de relacionamento? Falta de prontidão da criança? De concentração? Imaturidade? Em relação ao professor, falta de formação? Métodos inadequados de ensino? Outras?

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em março/2003)

A REALIDADE EDUCACIONAL NO BRASIL

Izabel Sadalla Grispino *

O grande entrave à educação no Brasil está, sem dúvida, no baixo nível socioeconômico da população, reproduzindo o círculo de pobreza, marginalização e exclusão social. Ressalta-se, também, a precária formação do professor, com sua adoção de métodos ineficazes de aprendizagem. Métodos deficientes e deficitários, incapazes de penetrar num mundo estudantil desmotivado, desconjunturado e extrair dele potencialidades afloradas. Comprovadamente, a má formação docente contribui para a decadência do ensino e essa má formação vem sendo registrada pelas mais variadas situações. Citaremos experiências dos anos 97/98.

A MÁ FORMAÇÃO DOCENTE DO ENSINO BÁSICO – Um concurso público, promovido pela Secretaria da Educação da Bahia, para preenchimento de 7.300 vagas de professores, reprovou mais de 90% dos candidatos. Dos 62.730 inscritos, apenas 3.291 conseguiram atingir a nota mínima – de 4,7 a 5,0, dependendo da disciplina. O presidente da Associação dos Professores Licenciados da Bahia (APLB), Ruy Oliveira, informou que “a grande maioria dos candidatos é da rede pública baiana, em cursos do magistério.

Sobre a formação de professores, em termos de licenciatura, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do MEC, revela que, entre 1,5 milhão de professores do ensino fundamental, 124.642 são considerados leigos, ou seja, não têm o 1º grau ou o 2º grau completos. Um total de 63,7 mil professores, sem o 1º grau completo, lecionam para alunos do ensino fundamental. Há, ainda, 71 professores que, embora não tendo o 1º grau completo, lecionam para alunos do ensino médio. Outros 997 docentes do ensino médio não possuem o 2º grau completo.

A legislação determina que o professor tenha o ensino médio completo para dar aulas no ensino fundamental em seu 1º ciclo – 1ª à 4ª série. Para ministrar aulas no 2º ciclo do ensino fundamental – 5ª à 8ª série – e no ensino médio deve ter o curso superior e a licenciatura. A tendência é de se estender, para todos os níveis,  o curso superior.

A presidente do Inep, Maria Helena de Castro, comenta que “a falta de formação dos professores é um dos sérios problemas do ensino, principalmente nas áreas rurais e nas regiões Norte e Nordeste”. Essa deficiência maior só aumenta a distância entre a diferença de aprendizagem das diversas regiões do País. Constatou-se, por exemplo, pela avaliação, que um aluno de 4ª série em Brasília sabe tanto quanto um aluno  da  8ª  série  no Nordeste.

Várias pesquisas, realizadas paralelamente às do MEC, denunciaram essa falta de formação do professor. No Estado de São Paulo, considerado um dos mais avançados da União, a atuação docente fica, também, a desejar. No município de São Paulo, uma pesquisa realizada, pela “Fundação-Instituto de Administração” (FIA), da Universidade de São Paulo (USP), com professores de 1ª a 8ª séries, demonstrou um pluralismo nas escolas municipais, apesar de a Secretaria Municipal da Educação ter adotado o construtivismo como método de ensino. Os professores alegaram sentir-se despreparados para aplicar o ensino-aprendizagem construtivista.

Estudos realizados pelo Instituto de Química da USP, ao analisar laboratórios de 3.740 escolas estaduais, concluíram pela inutilidade de sua existência, constatando ser ilusório incentivar aulas de laboratório na grande maioria das escolas estaduais. Com raríssimas exceções, as salas não têm condições físicas para acolher os alunos e, o mais importante, faltam professores especializados para organizar os laboratórios.

A professora Reiko Isuyama, que coordenou a avaliação, afirmou que há casos de extrema periculosidade: “Foram encontrados ácidos concentrados, solventes cancerígenos e frascos de sódio metálico, substância que pode explodir em contato com a água e atingir, por exemplo, um funcionário durante a limpeza da sala”. O relatório revela que do jeito que está é melhor fechar os laboratórios, “é inútil fornecer reagentes e vidrarias se os professores não sabem utilizá-los”.

Para que os laboratórios possam funcionar com qualidade é preciso capacitar os professores do ensino médio. Quando se fala em falência do ensino, uma das causas apontadas é a falta de infra-estrutura das escolas. Percebe-se o corolário que se forma: como usar a infra-estrutura se as escolas estão desfalcadas de profissionais capacitados?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro de 2007)

EMPRESAS INVESTEM NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Izabel Sadalla Grispino*

As empresas, ressentindo-se da ausência de determinadas profissões requeridas por elas, organizam cursos de formação na própria instituição. Tentam suprir lacunas deixadas pelo sistema escolar.

Com a reativação de produção de máquinas e equipamentos pesados, antigas profissões, como de maquinistas de trem, de soldadores, de caldeireiros, de ferramenteiros e outros, vêm faltando ao mercado de trabalho. A escassez desses trabalhadores dificulta a reposição dos velhos profissionais, que se aposentaram pela estagnação do setor.

A indústria pesada deixou por algum tempo de investir em infra-estrutura. A função de metalúrgico, por exemplo, diminuiu e aumentou o setor de serviços, onde as chances de emprego eram maiores. A indústria passou a produzir equipamentos mais modernos e essas antigas profissões tiveram, com o avanço da tecnologia, uma função mais moderna, distante daquela em que o maquinista jogava carvão na locomotiva.

O Brasil Ferrovias vem dando cursos de auxiliar de maquinista, com 184 horas de aulas teóricas e 220 horas de aulas práticas, ministradas pelos técnicos da própria companhia. A razão dos cursos é preencher as vagas em aberto. Neste último ano, o Brasil Ferrovias ampliou sua frota em 56 locomotivas e 2,3 mil vagões, na linha férrea entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. No ano de 2004 foram dados 12 cursos de auxiliar de maquinista e de janeiro a setembro a companhia contratou 376 pessoas, a maioria para a função de auxiliar de maquinista. Destes, os melhores serão treinados para a função de maquinista, em dois anos, com salário superior.

O mesmo procedimento ocorre com a Jaraguá, em Sorocaba/SP, que produz máquinas e equipamentos para indústrias siderúrgicas, petrolíferas, e de infra-estrutura. Para as aulas teóricas, a empresa contratou o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e as aulas práticas ficam por conta dos funcionários da empresa.

O Senai vem prestando serviço para várias empresas da região de Sorocaba. A oferta de ferramenteiros – trabalhadores especializados na confecção de moldes mais refinados – está em falta. Também, em falta, profissionais da área mecânica e elétrica e o Senai, a partir de 2005, vai iniciar cursos para essas profissões. Segundo pesquisas, a procura por trabalhadores do setor metalomecânico cresceu cerca de 30% na região.

Em Ourinhos/SP, um grupo formado pela associação das indústrias locais organizou, com a colaboração da prefeitura e do Senai, um curso para a formação de soldador. Entre soldadores e caldeireiros existem perto de 200 vagas na região, com salários variando de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil. O crescimento das exportações é o responsável pelo aumento da demanda desses profissionais. Uma grande parte da indústria fabrica equipamentos de extração de óleo vegetal.

Na Suco faltam caldeireiros e soldadores. O caldeireiro é o profissional que transforma chapas de aço em peças e seu salário está em torno de R$ 1,5 mil.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) revela que no prazo de um ano, encerrado em agosto, foram criadas 23,4 mil vagas na indústria de máquinas. Os segmentos mais procurados são mecânica pesada, máquinas-ferramentas, gráfica e agrícola.

Para se ter idéia do avanço das profissões citadas, relata o diretor regional do Senai, de São Paulo, Luiz Carlos de Souza Vieira, que no primeiro semestre de 2004, nos cursos do Senai, havia 6 candidatos por vaga. Antes dessa data, o Senai não tinha nenhum candidato. Hoje, para dar conta da demanda, o Senai ampliou o número de escolas móveis, que funcionam dentro de carretas. Há 13 escolas móveis em atividade, revelando como essas profissões estão em alta no mercado de trabalho.

Na situação de desemprego em que o País se encontra, tomar conhecimento de novas alternativas favorece a possibilidade de encontro. Tem-se que caminhar com os olhos voltados para a época, para as crescentes renovações do mercado de trabalho.

O ano de 2005 bate à nossa porta. Que em cada coração, em cada lar, a presença de Deus se faça viva, com a prática de seus ensinamentos. Que a paz reine entre os povos e que a caridade seja a semente que, em 2005, frutificará. Saúde, prosperidade, a todos os meus prezados leitores. Com amor, minha poesia a seguir:

 

ANO  DE  2005

O ano novo se avizinha,

Ano vai, ano vem,

A vida, tal lebre rapidinha,

Vai levando o homem pro além.

O tempo é uma roda-gigante,

Oscila sem parar, pra baixo e pra cima,

É um traiçoeiro amante,

Pela fugacidade prima.

Ano-novo só é mais um dia novo,

É apenas um símbolo do tempo,

É a soma da existência do povo,

Marca a passagem de nossos momentos.

Fé na vida, fé no amor,

Que os dias desse novo ano

Espalhem canteiros de flor,

Paz no campo e no centro urbano.

O importante é se dar as mãos,

Formar a roda da solidariedade,

O mundo está sedento de oração,

De corações carregados de humanidade!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em dezembro/2004)

MUDANÇAS À VISTA NA ÁREA DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Grandes passos da reforma de ensino, introduzidas no governo Fernando Henrique Cardoso, com respaldo do ex-ministro da Educação Paulo Renato e do MEC, passos por mim comentados em artigos neste jornal, são, agora, no governo atual de Luiz Inácio Lula da Silva, postos em questionamento. Tomemos conhecimento dos principais.

Fala-se em mudanças ou em modificações, mas, até a presente data, não tem nada definido. É bom, contudo, tomar conhecimento das propostas de alterações, para se ir firmando conceito a respeito. Uma das mudanças mencionadas refere-se ao Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef) – financiamento da educação fundamental de oito anos – para um Fundeb ampliado, que incluiria desde a pré-escola até o ensino médio, isto é, não apenas o ensino fundamental, mas toda a educação básica.

Transformar o Fundef em Fundeb é, sem dúvida, intenção louvável desde que se consiga verba suficiente para tal abrangência, porque sem recursos adicionais significa diluir os investimentos em educação básica e o atendimento ser bem mais precário. O Fundef, em vigor desde 1996, é formado por 15% do total arrecadado com o Fundo de Participação dos Estados, dos municípios e impostos. O total arrecadado em cada Estado é distribuído de acordo com os alunos matriculados na rede pública de ensino. Que critérios seriam colocados para o Fundeb?

Sobre um outro passo da reforma de ensino, o Exame Nacional de Cursos, o Provão, o ministro Cristovam Buarque descartou, por enquanto, a hipótese de mudança significativa. “Poderá ocorrer um aperfeiçoamento e novas formas de avaliação, mas não será extinto, e as mudanças só ocorrerão no ano de 2004”.

As avaliações se tornaram marca da política educacional brasileira nos últimos anos e, ao que tudo indica, terão continuidade. O sistema de avaliação do ensino superior foi criado na gestão de Paulo Renato e o aspecto mais conhecido é o Exame Nacional de Cursos. O Provão hoje é obrigatório e a idéia que vem surgindo é não torná-lo obrigatório para todos os alunos. Porém, conforme posicionamento de vários educadores, fazer o Exame Nacional de Cursos por amostragem fugiria do propósito para o qual ele foi criado, ou seja, ter um critério claro de autorização dos cursos do ensino superior e esse critério baseia-se no resultado de todos os alunos.

O ministro fala, também, em ampliar as avaliações, não avaliar a universidade apenas pelos alunos, mas essa amplitude já existe. Fazem parte do processo: a Avaliação das Condições de Ensino, a Avaliação Institucional e o questionário preenchido pelos formandos sobre professores, estrutura e didática da universidade em que o aluno estuda. “O processo, hoje, engloba diferentes dimensões: produção acadêmica, proposta didático-pedagógica, estrutura da instituição. O Provão é apenas uma parte disso”, contra-argumenta Maria Helena Guimarães de Castro, uma das responsáveis pela criação do sistema atual de avaliação. Ademais, é a Avaliação das Condições de Ensino que faz um raio X das instituições, com inspeção no local. Especialistas visitam as instituições e verificam a qualidade dos professores, dos currículos e das instalações.

Uma mudança do Provão que parece estar sendo bem recebida é deixar de classificar cursos pelos conceitos de A a E, como faz desde 1996, ano de sua criação. Considera-se que os conceitos impedem comparação entre áreas. A intenção do Ministério da Educação é divulgar as notas diretamente, numa escala de 0 a 100. O conceito A, B, C, D ou E de cada curso era estipulado a partir de um cálculo com a média geral da área avaliada. O sistema atual permite que os conceitos signifiquem desempenhos diferentes, dependendo da área. Atualmente, a partir da média geral do curso é feito um desvio-padrão que determina o ponto de corte para a atribuição dos conceitos de A a E. Com a mudança, as médias de cada curso passariam a ser divulgadas diretamente. Se bem que, conforme afirma Maria Helena, o objetivo do Provão foi sempre o de fazer comparações. “Ele indica quais são os melhores e quais são os piores”.

Na aplicação da prova deste ano, 8 de junho, a única novidade, segundo o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais do MEC (Inep), Otaviano Helene, será a inclusão de mais perguntas no questionário socioeconômico que o formando preenche. Além das 58 questões sobre a estrutura da instituição, planos de ensino, exigência do curso e condições pessoais do aluno, será abordada a área social. Haverá 11 itens sobre, entre outros temas, o trabalho comunitário dos estudantes e a relação do curso com problemas sociais brasileiros.

Outra avaliação que pode aparecer de cara nova no governo Lula é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Segundo pronunciamento do ministro Buarque, o Enem deverá ser feito através dos 3 anos do ensino médio e não apenas no final do curso. Deverá seguir a linha por ele implantada há 7 anos, em Brasília, o Programa de Avaliação Seriada (PAS), que é o instrumento de ingresso, hoje, na Universidade Nacional de Brasília (UNB), para metade dos alunos. O vestibular é feito no fim de cada ano do ensino médio.

O propósito do ministro é mudar o sistema de avaliação do Enem, adotando nos Estados o PAS. Por esse método de avaliação, os estudantes com os melhores desempenhos nos 3 anos do ensino médio têm vaga assegurada na Universidade de Brasília. A UNB faz as avaliações ao fim de cada um dos 3 anos do ensino médio e, segundo consta, este processo tem surtido bom efeito em Brasília. Contudo, há sérias restrições a respeito. Delas falaremos no próximo artigo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2003)

BASE HUMANÍSTICA DA EDUCAÇÃO

Izabel Sadalla Grispino *

Continuando o assunto sobre voluntariado, constatamos que escolas há que orientam os alunos para a participação voluntária. Muitas já incluem, em seus projetos pedagógicos, atividades de trabalho voluntário. Os exemplos começam a se multiplicar.

Alunos de escolas particulares de alto padrão estão se predispondo, com orientação, a oferecer ajuda, em diversas disciplinas, a alunos de escolas da rede oficial, com dificuldade de aprendizagem, ajudando a tirar dúvidas e a elevar o nível de conhecimento desses alunos. Eles integram a programação da escola contemplada, uma ou duas vezes por semana, em determinado período, participam de atividades extraclasses ou, então, a escola monta um horário especial para esse atendimento.

O entusiasmo atinge o emissor e o receptor: os alunos, com deficiência de aprendizagem, evoluem e os que ensinam fixam o conhecimento, adquirindo uma visão mais ampla do assunto.

Outras escolas incentivam os alunos à assistência hospitalar, às crianças doentes, internadas em hospitais. É o caso de adolescentes, de 16, 17 anos, geralmente do 3.º ano do ensino médio, que se dedicam, como voluntários, a brincar com crianças – na maior parte carentes – internadas em hospitais, exercitando o amor ao próximo.

Utilizam-se de livros infantis, tintas, lápis de cor, teatrinhos de fantoches e outros. Contam histórias, pintam, desenham, encenam peças infantis, organizam jogos, sempre com a supervisão de um técnico em recreação. Trabalham atividades educativas e recreativas.

As crianças doentes sentem-se animadas com o ganho dessas parceiras para brincar. O ganho dos adolescentes é de outra natureza: tornam-se pessoas mais solidárias, com sentimentos mais elevados, com um olhar voltado ao infortúnio humano. A presença deles, no hospital, contribui para a humanização do atendimento, diminuindo o impacto da internação da criança.

Os resultados, segundo consta, são surpreendentes. As crianças aceitam melhor o tratamento, curam-se mais depressa. Muitas choram quando recebem alta, por não querer se afastar dos novos amiguinhos, mais velhos.

Um outro grupo dedica-se ao atendimento de idosos. Os adolescentes buscam sentido nesse trabalho, ganham experiência, avançam para a maturidade emocional e engrossam a ação solidária da sociedade.

Na abrangência do trabalho voluntário, outras luzes surgem na educação, quais sejam, os cursinhos comunitários. Alunos da classe pobre, oriundos de escolas públicas de má qualidade, poucas chances têm de ingressar numa boa universidade. Ainda recentemente, esse dado foi comprovado, quando as universidades públicas de São Paulo anunciaram isenção da taxa do vestibular para alunos carentes, alunos que cursaram o ensino básico em escolas públicas e que pertencem a famílias de baixa renda.

As universidades decidiram sobre a isenção, “apesar de terem tido uma experiência considerada insatisfatória, quando nem todas as isenções foram utilizadas”. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) aumentou o número de candidatos isentos, porém poucos beneficiados passaram no seu vestibular. A USP também divulgou que os isentos não tiveram bom desempenho.

As barreiras desses alunos para atingir um nível razoável de conhecimento são grandes. Trazem defasagem de longa data, que vai, no tempo, se acumulando, e ainda não só não podem pagar um bom cursinho preparatório para o ingresso a uma boa universidade, como não têm base suficiente para absorver o conteúdo por ele ministrado.

Atuações altruístas surgem na área educacional e vêm criando oportunidades de um ensino complementar de bom nível aos alunos, como são os cursinhos comunitários. Estes constituem uma rede alternativa de ensino, mantida por voluntários, que investe, especialmente, na auto-estima dos alunos. O Educafro, por exemplo, é uma rede que agrupa quase 70% dos cursinhos comunitários dirigida pelo frei David dos Santos, um fervoroso defensor do aluno necessitado.

Os cursinhos comunitários são uma nova opção à população estudantil de baixa renda. Em geral, surgem da própria comunidade, que se organiza e monta um núcleo, ou de grêmios estudantis, onde todos os funcionários são pagos.

Abrir um cursinho comunitário exige muita vontade e trabalho, pois todos os seus integrantes são voluntários. A mensalidade equivale a 10% do salário mínimo, valor simbólico comparado aos grandes cursinhos. Esses cursinhos têm se revelado de grande utilidade e têm trazido resultados animadores, em termos de melhora da qualidade de ensino. Muitos alunos, hoje estudando em universidades, passaram por cursinhos comunitários. Torcemos para que o exemplo se prolifere, para que, daqui há algum tempo, não precisemos nos deparar com o resultado divulgado, no início de setembro de 2005, do Ibope, sobre analfabetismo funcional, mostrando que 75% da população não consegue ler e escrever direito.

A solidariedade é, sem dúvida, um caminho de reabilitação da escolaridade, evitando os profundos desníveis sociais. Reabilitação não só da parte que recebe a ajuda, mas, e muito, da parte que estende a mão e influencia o vizinho, para o comportamento cristão do pão repartido.

A preocupação em desenvolver uma base humanística e solidária entre os estudantes dos vários graus de ensino, hoje, é uma constante, um conhecimento a favor da cidadania. É um trabalho de educação que tem, a médio e longo prazo, perspectivas de sensibilizar alunos para que se envolvam em trabalhos voluntários.

É preciso pensar no conjunto da população, porque ninguém pode ser feliz vivendo no seio de uma comunidade desventurada. O ambiente geral é reflexo ou de uma sociedade bem constituída, bem repartida, ou de uma sociedade onde o desequilíbrio traz profundas marcas de dor.

Vamos educar  nossos alunos, os responsáveis pelo mundo que se formará amanhã, vamos conscientizá-los em direção à eqüidade social! Eqüidade em trabalho, em capacitação profissional, em realização pessoal, na linha construtiva do ensinar a pescar. Não é dar gratuitamente, é dar condições de vida própria, de vida de qualidade!

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em setembro/2005)

AO PROFESSOR E AO MÉDICO

Izabel Sadalla Grispino *

Reverenciamos o 15 e o 18 de Outubro, louvando o dia do Professor e o dia do Médico.

O professor é a estrela-guia da humanidade, o suporte da sociedade, a esperança de um mundo de luz. A desigualdade social tem nele o seu grande ponto de equilíbrio.

Nosso desejo é que o professor volte ao seu posto de respeito e consideração usufruído no passado. Nossa prece é que ele nunca abdique de sua função, nunca desanime da árdua luta no intrincado caminho do ensinar. Que o mundo não o perca de vista, que lhe dê chances de continuar semeando o saber, espalhando, com seus ensinamentos, a dádiva do trabalho realizador!

Do mesmo modo, queremos nos confraternizar, prestar nossa homenagem à valorosa classe médica.

O médico, em sua missão de curar, de aliviar o sofrimento, é um profissional insubstituível. Ele alcança as raias divinas, quando alia ciência e sentimento de humanidade, quando tem o dom de olhar o doente, antes de chegar à doença, curando-a mais profundamente.

Que Deus nunca lhe falte, lhe dê forças para enfrentar os duros embates do exercício da medicina.

Ao professor e ao médico, estandartes da vida humana, minha poesia abaixo:

MAGISTÉRIO E MEDICINA

Todas as profissões têm no magistério
Seu ponto de articulação,
Após os 1.ºs passos, segue os próprios critérios,
Cada uma cumprindo sua nobre missão.

Magistério é tronco em ramificações,
Sua estrada tem começo, mas não tem fim,
Sustenta a linha divisória das profissões,
É vibração que circula em anéis de marfim.

Magistério é educação, é saúde,
É astro que irradia com convicção,
Ensinamento, que vai do berço ao ataúde.

A educação tem no magistério a força, o caminho,
A saúde tem na medicina o sol, a lua,
Não haveria o amanhã, sem a união das duas!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2006)

O COMPUTADOR E A EDUCAÇÃO INFANTIL

Izabel Sadalla Grispino *

O computador é um excelente auxiliar na construção do conhecimento, em todas as fases da aprendizagem. Ele é útil desde a educação infantil, quando crianças são alfabetizadas através dele, e com vantagens.

A criança vai, aos poucos, manuseando o computador, explorando-o, conseguindo demonstrar que sabem e que são capazes de produzir. Diante do computador, a criança tem liberdade para criar, inventar palavras, histórias, desenhos, emocionar-se, estimular-se. Por isso, as crianças gostam muito de trabalhar com ele.

O computador dispõe as informações de maneira clara, objetiva, lógica, favorece a exploração espontânea e a autonomia na aprendizagem. Ele pede reflexão, atenção, definição do que se quer fazer. A criança aprende a se organizar e passar informações ordenadas, digitando corretamente.

O computador favorece a auto-aprendizagem, a autocorreção, porque dá um retorno imediato do processo de construção. Ele trabalha numa disposição espacial das informações que pode ser controlada, seqüencialmente, pela criança, desenvolvendo o seu campo perceptível visual e seu raciocínio lógico. As possibilidades enriquecem-se e trazem oportunidades variadas. Ao trabalhar imagens e textos de forma combinada, o computador ativa os dois hemisférios cerebrais.

No processo da aprendizagem, ele vem sendo apontado, por educadores, como um facilitador do desenvolvimento natural da expressão simbólica da criança no uso de caracteres gráficos. Esse fator é importante tanto na fase da alfabetização como no desenvolvimento posterior da leitura e da escrita. Vale a pena conferir.

Os projetos pedagógicos devem fazer com que o aluno use a tecnologia para pesquisa, trabalhos em equipe, para raciocinar e dialogar em um mundo interativo. O computador é uma ferramenta a mais na aprendizagem, de precioso alcance, mas não absoluto. Ele precisa estar conjugado a outros métodos pedagógicos, fazendo da educação um processo abrangente e reflexivo, como, por exemplo, a formação do hábito da leitura, seguido do debate, dotando as crianças de capacidade expressiva, de interpretação.

A leitura freqüente leva a uma melhor escrita, a um raciocínio mais apurado, a um mais alto nível de inteligência, a uma habilidade expressiva consistente. A psicologia vem demonstrando que existe uma correspondência estreita, uma forte correlação entre o nível de vocabulário e o quociente de inteligência, isto é, entre o domínio da linguagem e a inteligência. Quanto maior o número de palavras, quanto mais elaboradas as comunicações (por exemplo, entre crianças e pessoas adultas) mais potencializado fica o desenvolvimento da inteligência da criança.

Nas histórias, lidas ou contadas, deve-se ater à expressividade; ler ou falar com entonação, com ênfase, em determinados momentos, respeitando as pontuações, as exclamações, as interrogações, as reticências, despertando emoções, provocando reflexões, criando verdadeiros recitais. Esse ambiente de representação recupera a arte, que foi deixada para trás, da récita.

Um outro aspecto da função da escola é a passagem dos valores morais. A pedagogia nos ensina que justiça, solidariedade, tolerância, obediência às regras, respeito ao limite, são valores que se aprendem, como também se aprendem os antivalores: injustiça, crueldade, preconceito, egoísmo, desrespeito ou desprezo pelas normas.

A escola de educação infantil deve primar-se por formar moralmente as crianças, porque é nessa faixa de idade que se constrói o alicerce. Sabemos hoje que, ultrapassada a fronteira da infância, em torno dos 13 ou 14 anos, fase da adolescência, a mudança de personalidade torna-se muito difícil. “É de pequeno que se torce o pepino”.

É responsabilidade, pois, da escola infantil educar para os valores morais, assim como para a leitura, a escrita, a comunicação, habilidades que devem ser iniciadas desde cedo, durante a infância. Entre seus métodos de ensino, a inserção do computador não é mais escolha e, sim, necessidade. A criança fica em dia com as inovações da época. Enquanto brinca, enquanto aprende a lidar com o computador, alfabetizando-se, se conduzida com carinho, com diálogo, com a devida orientação pedagógica, ela vai se modulando, pouco a pouco, tornando-se um adulto responsável, altruísta, solidário com os demais seres humanos.

A escola infantil, por contribuir com esses atributos na formação da criança, é hoje, considerada o grande baluarte da transformação social, especialmente em termos de mudança comportamental. Ela é o alicerce da aprendizagem global, a que deixa a criança pronta para aprender. Alicerce do desenvolvimento cognitivo, afetivo, psicomotor.

Acordou-se para o importante papel da educação infantil. Na “Reunião das Américas para Avaliação da Educação para Todos”, realizada em São Domingos, capital da República Dominicana, em fevereiro de 2000, com a presença de ministros da educação da América Latina, Caribe, Estados Unidos e Canadá, colocou-se como prioridade, nas Américas, o investimento na pré-escola. O documento conclui: “A insuficiente atenção ao desenvolvimento integral das crianças na primeira infância é o principal responsável pelas altas taxas de evasão e repetência na escolaridade básica. A prioridade de investimentos na pré-escola deve ser a primeira, dentre as outras, por garantir o direito universal de uma educação de qualidade desde o nascimento”.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2001)

JÁ FOI

Letra e música

Izabel Sadalla Grispino


Já foi,  já foi,  já foi,                                      Já foi, já foi, já foi,

A  história  contará,                                     A história contará,

Já foi,  já foi,  já foi,                                      Já foi, já foi, já foi,

Nada  mais posso  arriscar.                      Nada mais posso arriscar.

Secar  as  lágrimas,                                    Secar as lágrimas,

Deixar  tempo  rolar,                                   Deixar tempo rolar,

Não  mais  se lamentar,                             Não mais se lamentar,

Olhar o sol  raiar.                                         Olhar o sol raiar.

Manter  viva a ilusão,                                 Manter viva a ilusão,

Que a  sorte sorrirá,                                  Que a sorte sorrirá,

Deus, em  seu grande saber,                  Deus, em seu grande saber,

Dirá o que fazer.                                         Dirá o que fazer.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2000)


PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS DO ENSINO INFANTIL

Izabel  Sadalla  Grispino *

Acompanhando a implantação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o Ministério da Educação (MEC), com o objetivo de assessorar as escolas, elaborou referenciais para um ensino de qualidade da educação básica: os “Parâmetros Curriculares Nacionais”.

Os Parâmetros não têm caráter obrigatório e servem de orientação às escolas públicas e particulares. A liberdade dada à escola, na formulação do currículo, traduz, ao lado da conquista de uma mais ampla autonomia, uma responsabilidade maior do desempenho do professor. Os Parâmetros, assessorando a competência profissional, vão contribuir para a elaboração de currículos de melhor nível, mais ajustados à realidade do ensino. Eles dão sugestões de currículos, abordam conteúdos atualizados e diversificados, métodos de ensino renovados. A finalidade é melhorar a qualidade do ensino, trabalhar a educação plena e promover práticas pedagógicas que venham garantir a permanência dos alunos na escola, reduzindo as taxas de evasão e repetência.

Os “Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Infantil” propõem critérios curriculares para o aprendizado em creche e pré-escola. Buscam a uniformização da qualidade desse atendimento. Os parâmetros indicam as capacidades a serem desenvolvidas pelas crianças, de ordem física, cognitiva, ética, estética, afetiva, de relação interpessoal, de inserção social e fornecem os campos de ação. Nesses campos são especificados o conhecimento de si e do outro, o brincar, o movimento, a língua oral e escrita, a matemática, as artes visuais, a música e o conhecimento do mundo, ressaltando a construção da cidadania.

A base do parâmetro é transformar o contato das crianças com os educadores em relações de aprendizado. “Nessa relação, é possível desenvolver capacidades motoras, afetivas e de relacionamento social”. Uma outra concepção é o desenvolvimento da autonomia, considerando, no processo da aprendizagem, que a criança tem interesses e desejos próprios e que é um ser capaz de interferir no meio em que vive. Os Parâmetros abordam questões como relação entre cuidar e educar, conteúdos, necessários a essa faixa etária, e  a  função  de  brincar no processo educativo.

O ministro da Educação, ao se referir aos Parâmetros Curriculares do Ensino Fundamental, ponderou: “Passamos a oferecer a perspectiva de que as creches passem a ter um conteúdo educacional e deixem de ser meros depósitos de crianças. Em todo o mundo está havendo a preocupação de desenvolver a criança desde o seu nascimento”.

Dados de 1998, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  apenas 25% da população de zero a 6 anos freqüentam creche ou pré-escola. São 5,5 milhões de crianças de um total de 21,3 milhões.

A educação infantil é definida na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) como parte da educação básica, mas não da educação obrigatória. A lei define, também, nas disposições transitórias, a passagem das creches para o sistema educacional. O Ministério da Educação (MEC) determinou que, a partir de janeiro de 1999, todas as creches do País deveriam estar credenciadas nos sistemas educacionais.

Conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, cabe aos sistemas municipais a responsabilidade maior por esse atendimento. A Constituição da República diz que “A educação é direito de todos e dever do Estado”. A emenda constitucional n.° 14/96 alterou dispositivos relativos à educação e estabeleceu que a educação infantil é atribuição prioritária dos municípios.

Dois entraves à implementação dos Parâmetros são colocados: no aspecto pedagógico, a formação do professor, e, no aspecto financeiro, a situação dos municípios, alegada, como precária, pelos prefeitos.

Existem no País, segundo dados de 1997 do MEC, 219,5 mil professores de pré-escola. Desses, 16,1 mil não têm o 1.° grau completo. Por lei, os municípios devem reservar 10% de sua arrecadação de impostos para o atendimento de creches e pré-escolas, todavia, essa porcentagem é questionada pelos municípios, que dizem ser ela absolutamente irrelevante à manutenção desse atendimento, quanto mais de sua expansão.

Contudo, espera-se que, com o despertar de consciência sobre a importância da educação infantil na vida do cidadão, os dirigentes municipais, estaduais e federais venham a se compatibilizar e a encontrar soluções, a fim de priorizar, igualmente, esse ensino na educação básica, trazendo igualdade de oportunidade à população de baixa renda, visto que as crianças de maior poder aquisitivo já são atendidas pelo setor privado.

A educação infantil tem-se revelado primordial para uma aprendizagem efetiva. Ela sociabiliza, desenvolve habilidades, melhora o desempenho escolar futuro, propiciando à criança resultados superiores ao chegar ao ensino fundamental. A educação infantil é o verdadeiro alicerce da aprendizagem, aquela que deixa a criança pronta para aprender.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em maio/2000)

SENTIMENTOS DE FAMÍLIA

Izabel Sadalla Grispino *

No dia 27 de abril p. passado, numa bonita festa de confraternização, que reuniu os membros de minha família, parentes e amigos, lancei o livro “Sentimentos de Família, Família Feres Sadalla”, minha família, Júlia, minha mãe, Feres, meu pai.

A festa foi uma homenagem, que os filhos, os genros, as noras, os netos, os bisnetos, fizeram em memória dos genitores. Na festa falou alto o sentimento de família, o valor da instituição família, sua estruturação. A festa passou o sentido de união, de fortalecimentos das atitudes de compreensão do dia-a-dia. Nos dias subseqüentes, recebia solicitações para que escrevesse sobre o propósito do livro, na esperança de que outras famílias abraçassem a idéia.

O que me motivou a escrever o livro foi, sem dúvida, o amor que tenho à minha família, aos meus amados irmãos, pela devoção, respeito e admiração à vida bonita, traçada pelos meus pais. Disse eu, no momento do lançamento do livro: “Felizes os filhos que, como nós, podem exaltar, com louvor, a vida dos pais, render-lhes tributo de amor, de reconhecimento pela luta honrosa travada, pelo brilho das vitórias, pelo exemplo dignificante deixado”.

O exemplo dos meus pais, legado aos filhos, determinava a sua trajetória. “Ensina-se bem mais pelo exemplo que pelas palavras”, alertava-nos Rui Barbosa. Hoje, temos a graça de sermos uma irmandade unida, confraternizada por laços de amor, de consideração. Somos amigos, cúmplices, parceiros. Juntos choramos, juntos sorrimos.

No momento da festa, meio à alegria do convívio amigável de todos, lágrimas, na alma, rolavam por uma ausência muito doída, ausência de um irmão querido, do médico José Sadalla, que partiu cedo, deixando um vazio nos nossos corações. José, à semelhança do pai, deixou uma imagem consagrada nos corações de todos que o conheceram, de todos que partilharam de sua amizade, de sua competente medicina. Era um grande estudioso, punha na ciência o prumo de seu barco, mas não se descuidava de Deus. Dr. José Sadalla não deixou que o sonho se apagasse de sua alma. Ele foi, inclusive, um grande orador, tinha a alma de poeta, declamava com enlevo, com sentimento. Se vivo estivesse, estaria, na festa, dividindo comigo o palco das saudações, dos agradecimentos.

Aliados a esses sentimentos peculiares, tocou-me como seria salutar motivar, incentivar o amor à família, através de sua história, ilustrada por fotografias, do seu uso, costumes e crenças. O homem, ao preservar a sua história, a história de seus  pais, está preservando a linhagem, dando-lhe estrutura. Família é a coisa mais séria e a mais bela a se conservar; é o maior patrimônio do homem, sua maior riqueza. Família estruturada é o melhor plano pedagógico, a mais significativa estratégia para se educar bem os filhos. Ela se encarrega de dar o suporte emocional, moral, de passar valores, que vão formar o caráter, a personalidade.

Acredito na força da família. Dizia-nos Coelho Neto: “A família é o núcleo, o gérmen da sociedade. Nela é que se formam todas as virtudes e se amolda o caráter... As pátrias são agregações de famílias e, quanto mais virtuosos os lares, que são elos, mais forte será a cadeia da nacionalidade”. O homem feliz no seio da família expande essa felicidade para o mundo. O homem infeliz na família não encontrará felicidade em parte alguma.

Um livro de família encontra ressonância no seio dessa família. É sentimento para sentimento. Ele é feito para as gerações presentes e para as gerações futuras, que nele se encontrarão com suas raízes, conhecerão suas origens, na caracterização de sua árvore genealógica. Pertencer é tão importante quanto comer ou respirar, nos fala a psicanálise. A família é nossa identidade, nossa estrela-guia nos caminhos da vida.

No livro que lancei, a professora se fez presente. Fiz uma divisão didática, dividi-o, em capítulos, por assunto. No 1.º capítulo está a Apresentação, o Prefácio e a biografia de meus pais, com o título: “Espelho da alma, Júlia e Feres”;

no 2.º capítulo: “A vida religiosa da família”; no 3.º capítulo, “O médico José Sadalla”; no 4.º capítulo, “Aspectos da vida em família”; no 5.º capítulo, “A Irmandade”, ou seja, a 1.ª geração; no 6.º capítulo, “A 2.ª geração, os netos de Júlia e de Feres” e as minhas considerações finais.

Que outras famílias, a exemplo da minha, reunam suas lembranças, suas fotos, leguem às suas gerações as histórias dos antepassados, dando sentido à vida familiar, formando a sua estrutura. Que propiciem aos descendentes se unirem e se fortalecerem em torno do tronco comum, do cerne formado.

Transcrevo, a seguir, uma das minhas poesias contidas no livro:

FAMÍLIA  UNIDA

Família de fé é família unida,
Divide o pão, abraça compreensão,
Percorre com amor a longa jornada,
Programa coletiva construção.

Um só graveto se quebra num chute,
Um feixe resiste a contramão,
Força dupla afugenta o embuste,
Torna-se trave na corporação.

Uma casa construída em várias mãos
Tem a solidez do barro do João,
Deixa longe o frio dos esquimós.

O sonho só se torna realidade,
E ganha auspiciosa veracidade,
Quando junto ao eu se encontra o nós.

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em junho/2002)

SER PROFESSOR

Izabel Sadalla Grispino *

O magistério despertou cedo em minha vida. De criança, brincava de professora. Queria saber para poder ensinar. Perguntava, tinha curiosidade, conversava com os mais velhos, sempre no sentido de aprender e repassar.

Ser professor é gostar do outro, gostar do encontro. É partilhar do destino do outro, condoer-se da dor, vibrar com a vitória. É crescer fazendo crescer, unir, dividir, somar. Ser professor é ter um olhar para dentro e um olhar para fora, um olhar local e um olhar universal. Ser professor é gostar de estudar, de aprender a aprender, ilustrar-se, avançar no conhecimento, expandir esse conhecimento ao redor, participar do desenvolvimento humano, social, científico da humanidade. Ser professor é estar antenado, é um inquietar-se, um desejo de dar sua parcela de contribuição no reforço aos direitos humanos, no restabelecimento da justiça e eqüidade social, no encaminhamento de uma sociedade de paz, de um mundo de luz, de amor.

Professor da escola, dos alunos, da comunidade, professor do mundo! Felizes os vocacionados, que sentem essas vibrações na alma. Elas saciam a sede, impulsionam as realizações. Felizes os que professam uma função por vocação. É a vocação que faz a diferença.

Nossos votos ao professor, em 15 de outubro, dia consagrado ao professor, é que ele seja reconhecido socialmente, que tenha sua auto-estima elevada, que governos lhe propiciem melhores condições de vida, melhores condições de trabalho.

“Homenageamos a todos que se dispõem a ensinar, não só o professor institucional, mas, também, o informal, a todos que passam o seu saber para as novas gerações, colaborando com o crescimento do outro, com a construção de um mundo melhor.

Embora o papel do professor, nessa nova sociedade tecnológica, tenha mudado, ele continua sendo o elemento indispensável para a promoção humana e social. Durante muito tempo, o professor mobilizou um saber disciplinar – apoiado nas disciplinas do currículo – era o transmissor do conhecimento científico. A escola era o lugar privilegiado do saber, a instituição responsável pela transmissão da memória social e cultural e o professor, a principal fonte do conhecimento. Esse conhecimento, centralizado na sua pessoa, colocava-o como um capital profissional, um capital de saberes. Hoje, ele perdeu a vanguarda do conhecimento – detêm-no a mídia, o computador, a internet. A escola não é mais o lugar propriamente da informação, mas o lugar do que fazer da informação. Associa-se, hoje, mais que ontem, à função de professor a do educador”. (Do meu livro “Prática Pedagógica”, págs. 353-354).

A vocês, irmãos do magistério, bravos correligionários, num grande abraço, transcrevo os meus versos, com os quais introduzo o livro “Prática Pedagógica”.

AO  PROFESSOR

Querido professor,
Não desanime, vá avante,
Da humanidade é luz do esplendor,
É sol que brilha em terra exuberante,
Estrada iluminada,
Luzeiro de escuras madrugadas!

Sem você, a sociedade esmorece,
A criança perde seu futuro,
Você é, de todos, a mais bela prece,
O sonho que surge prematuro,
A fé que a esperança carece,
O brilho que nunca desaparece.

Embora pouco reconhecido,
E, pouco prestígio alcança,
Com Jesus é parecido;
Seu devotamento, transpassado de lança,
Tem como maior recompensa,
A luta, para que seu aluno vença.

Assemelha-se ao pesado arado,
Que remove a terra, prepara o plantio,
Joga-se o grão adubado,
Que vencerá o inverno e o estio,
Com a chuva, a colheita é abundante,
A terra sorri em seu veludo verdejante!

Você, professor, vai além,
Prepara, aduba, planta, conquista,
Trata da semente como ninguém,
Da mente e da alma é um especialista;
Você é o amanhã de suave brisa,
O construtor, que a sociedade mobiliza ou paralisa!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em outubro/2004)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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