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Artigos Educacionais

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FACULDADES NA MIRA DE EMPREGOS AOS FORMANDOS

Izabel Sadalla Grispino *

O ensino superior, assim como a educação básica, abraça a metodologia da cooperação, aproximando-se do aluno, envolvendo-se no futuro profissional dos formandos.

É interessante ao universitário saber das novas ajudas dadas às suas carreiras pelas faculdades. Faculdades e universidades criam departamentos para identificar competências dos alunos, ressaltar talentos, divulgar currículos e fazer parcerias com grandes empresas para colocar seus estudantes.

As instituições vão além da colocação de cartazes, de anúncios de estágio, pregados nos corredores, como costumeiramente fez. Surgem os departamentos que funcionam como Recursos Humanos, que ajudam no desenvolvimento de carreiras. Em algumas faculdades, como a Ibmec, o estudante, se quiser, poderá se submeter a testes desenvolvidos por uma empresa de consultoria para traçar o seu perfil.

O teste identifica, entre outras características, liderança, ansiedade e criatividade. O aluno amplia sua visão de dinâmica de grupo, da importância do desempenho no conjunto das equipes. Revela a capacidade de criatividade, apresentada frente às dificuldades do dia-a-dia. Os testes revelam em que áreas tem mais talento e o que ainda lhe falta. Por exemplo, ressalta-se que alguns engenheiros têm aptidão para as vendas, outros para projetos, outros para chão de fábrica.

Esse procedimento vai dando ao estudante mais confiança, mais esperança de emprego. O fator emprego vem sendo abordado pelo ensino superior como um diferencial nas concorrências entre as faculdades. O aluno procura inteirar-se se nelas há o departamento de carreiras. Muitas faculdades revisam e aprimoram os currículos dos alunos e colocam em sites da própria instituição. Outras realizam pré-seleções para vagas, a pedido de empresas, que acreditam que “os mais dedicados no ambiente acadêmico serão também os mais dedicados no ambiente profissional”.

As empresas firmam parcerias com faculdades e universidades em busca de talentos e empregam alunos e formandos. Valorizam a aproximação com a instituição, porque assim podem conhecer melhor, escolher melhor quem trazer para a empresa. O programa o Banco do Futuro do Unibanco promove estágios em que o aluno desenvolve projetos para o Unibanco sem sair da instituição onde estuda. Uma sala foi montada dentro do Ibmec, onde trabalham os estagiários.

O IBTA, que dá cursos na área de tecnologia, possui 170 empresas credenciadas para ter acesso ao banco de currículos. No IBTA, disciplinas como gestão de carreira, ética e mercado também fazem parte do currículo, trabalhado em sala de aula.

As instituições de ensino superior modificaram seu comportamento diante da possibilidade de se indicar um emprego. Antes apenas indicavam as vagas para seus alunos. Hoje, chegam a ceder salas para o processo de recrutamento de uma empresa, trazendo a empresa para dentro da escola. A faculdade conjuga-se à empresa, mostra o seu perfil e o perfil de seus alunos. O procedimento de examinar e identificar as competências dos estudantes no início e no fim do curso traz reais proveitos, porque além de aferir suas características naturais pode perceber que avanços a instituição deu a ele no final.

Os departamentos de Recursos Humanos dessas faculdades fornecem um grande suporte aos seus alunos que aprendem, ao lado do desenvolvimento de suas competências, da correção de suas dificuldades, a comercializá-las, a vendê-las. O aluno já sai da faculdade com um projeto de carreira.

Essas faculdades estão sendo um pólo de atração aos estudantes universitários. Elas acompanham o atual interesse das empresas pelas pessoas intuitivas, criativas. Ainda há pouco tempo, as empresas procuravam pessoas com Q.I. (inteligência), mas foram percebendo que mais importante que Q.I. era Q.E, isto é, pessoas com controle de emoções, chegando no momento atual a valorizar prioritariamente as pessoas intuitivas, criativas. As empresas, na verdade, aliam Q.I., Q.E. e priorizam a criatividade e a intuição vistas como capacidade de perceber possibilidades futuras. Em termos de intuição, acredita-se na força do inconsciente mais que na do consciente. A idéia é soltar a imaginação, ouvir o que vem de dentro.

A universidade acompanha os passos da empresa, ressaltando, no estudo, suas prioridades. Visando a empregabilidade, a universidade aprimora-se na formação profissional, ultrapassando a hegemonia da teoria, partindo para questões práticas, educando o cérebro nessa direção. Põe o aluno diante dos fatos e encorajá-o a atravessar as barreiras da dúvida, da vacilação, levando-o a agir, a tomar iniciativa. O conhecimento dos fatos é importante, a teoria é importante, mas não se deve perder muito tempo com a teoria e partir direto para o fazer, para a prática. O Senac, em seus cursos, coloca o papel da prática na formação profissional numa dimensão relevante. Pergunta: Quem educa quem: é o cérebro que ensina as mãos a trabalharem ou são elas, por meio da repetição, que ensinam a cabeça a aprender uma nova habilidade?

Assim, junto à teoria, avança-se na aprendizagem prática, vivencia-se a função a que se prepara.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2004)

SÉRIOS ENTRAVES À QUALIDADE DE ENSINO

Izabel Sadalla Grispino*

Em um dos meus artigos anteriores, vimos que a qualificação docente é fator preponderante para uma boa aprendizagem. Há, contudo, sérios problemas dentro da escola, independentes da atuação do professor e que interferem, pesadamente, na sua organização e na sua qualidade de ensino.

Um fator agravante do ensino-aprendizagem, e que vem crescendo a cada dia, é a desordem endêmica da escola, seguida de violência.

O ambiente de ordem e de trabalho é muito importante para o desenvolvimento do ensino. Volta-se ao palco das discussões o abandono da educação pública, em nossa sociedade. Segurança escolar, praticamente, não existe e a desordem, a baderna, o completo desrespeito às normas disciplinares, impedem os avanços da boa aprendizagem.

Sob o prisma da reforma do ensino, que se supõe melhorar a qualidade da educação, um estudo do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial em São Paulo mostra que a rotina de violência e desordem nas escolas públicas interfere bruscamente nas condições da escola, esbarrando a caminhada pedagógica.

O estudo mostra que o maior perigo para a qualidade da educação é a desordem endêmica, ou seja, a desordem que vai se tornando crônica, avançando paulatinamente. Essa desordem, conclui o estudo, é tão nociva para a educação quanto a violência.

Controlar o crime e a violência nas escolas está se transformando em ponto de honra. Este estado perturbador aniquila o ensino e provoca debandada de professores e diretores que trabalham apavorados. Muitos já foram vítimas de ataques violentos por parte de alunos, chegando, alguns, à morte.

Este é um desafio, complexo, assustador, que a escola não pode deixar de enfrentar. Quando menos se espera, irrupções de violência e desordem tomam conta da escola e ela, contudo, não tem condições de enfrentar tamanho problema sozinha. Maior mobilização de recursos sobre segurança escolar, especialmente, em escolas mais necessitadas, precisa ser acionada e com urgência.

Professores e diretores não podem se sentir isolados e sem respaldo em situações que chegam a ser de risco. Uma grande reclamação é de que professores e diretores não recebem apoio institucional quando são ameaçados de morte ou quando seus carros sofrem vandalismos do lado de fora da escola.

O pior é que os desvios de comportamento não sofrem conseqüências e isso encoraja os desordeiros a continuar em suas atitudes criminosas ou anti-sociais.

Os alunos devem ser mantidos em suas escolas, por mais perturbadores ou agressores que sejam. Mostra o estudo do Instituto Braudel que os direitos humanos de estudantes desordeiros têm mais peso que os direitos humanos de professores que querem ensinar e de alunos que querem aprender.

As soluções encontradas nem sempre trazem os efeitos esperados. Utilizam-se  práticas esportivas, teatro, coral, dança ou a criação de ambientes diferenciados, dentro da escola, salas de aulas separadas com alunos estudando sob supervisão.

Quadro desolador! E saber que a riqueza do País está na escola, na boa escola, nos anos de escolaridade, cursados no respaldo do ensino de qualidade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em julho/2007)

CRIANÇAS COM SOBRECARGA DE ATIVIDADES

Izabel Sadalla Grispino *

Recentemente, deparei-me, num jornal de língua espanhola, com um tema que julguei assaz interessante, oportuno, real e que, sob a minha ótica, comento com os meus prezados leitores.

Os jovens vivem num mundo que muda num ritmo acelerado, caracterizado por pressões sociais que os fazem crescer muito depressa. São pressionados a adaptar-se a padrões familiares instáveis, a assumir compromissos, a ingressar mais cedo nas universidades, a participar e a competir nos esportes, em destrezas especializadas. Enfrentam informações e programas  para adultos antes que tenham vencido os problemas próprios da idade.

Estas pressões impõem-lhes maiores responsabilidades, causam-lhes estresse, ao mesmo tempo que redefinem a essência mesma da infância, esclarece o psicólogo Joan Isemberg.

A criança e o adolescente, de hoje, participam de atividades extracurriculares cada vez mais numerosas e exigentes. São atividades tidas como armas para o futuro, as quais, se não dosadas, podem tornar-se estressantes. Elas dividem o seu tempo entre a escola, os esportes e um sem-fim de tarefas.

A escola de meio período pode não cobrir todas as necessidades de aprendizagem da criança, mas complementá-las com uma carga pesada de atividades pode resultar em fator negativo. Muitos pais consideram que as tentações, como a TV, o computador, devem ser enfrentadas com uma agenda completa. Consideram que é preferível ocupá-la a deixá-la permanecer frente à TV, sem controle.

Depois da escola, as crianças estudam idiomas, computação, música, praticam esportes, dança, balé, não se descuidando das artes, das coisas do espírito – uma expressão artística sempre é enriquecedora.

É uma tendência deste tempo histórico social, com suas aspirações culturais, suas necessidades de conhecimento, de preparação para a vida futura. Porém, é preciso ponderar, estabelecer um equilíbrio, entre o que a criança quer e necessita e o que pode fazer sem se esgotar. Corre-se o risco de se desvalorizar o tempo livre, favorável ao amadurecimento emocional, afetivo e ao desenvolvimento da criatividade. O ócio também é bom e é preciso respeitar as etapas do desenvolvimento infantil, alertam os especialistas.

Quando o jovem está muito preso a horários, passa a viver sob tensão, diante da qual não consegue responder de maneira positiva. Começa a faltar às aulas, a se desmotivar e a produzir baixo rendimento. O excesso de exigência, com vista a uma competência refinada, cada vez mais se instala em todos os aspectos da vida.

As atividades são pensadas, pelos pais, como uma preparação necessária para um futuro mercado de trabalho exigente e competitivo. Elas sempre existiram, mas, agora, são outros os níveis de exigências, outras expectativas. Antes eram complementares ou passatempos, hoje, surge o fator competitividade, encarado não só no plano individual, mas comparado a um outro. Quando isso ocorre, pode se tornar perigoso porque coloca a criança, muito cedo, em frente de batalha.

Por outro lado, as atividades extracurriculares são importantes instâncias de socialização, principalmente para crianças e jovens muito tímidos. Surgem, contudo, dilemas entre os pais de qual o melhor procedimento: crianças agendadas ou crianças livres? Para psicólogos da área infantil, como Aurora Isasmendi, o importante é atender as demandas pessoais, não se podendo, assim, falar em regra geral. Aos pais competem observar o andamento, o rendimento, se a criança não demonstra cansaço e se não começa a fracassar nos estudos.

Nestes tempos, em que o comum são os pais trabalharem o dia todo, as atividades extracurriculares podem ser a solução para que os filhos não dispersem seu tempo, adquiram competência, não se deixando consumir pela TV. Elas são, de um modo geral, consideradas boas e necessárias, mas devem ser acompanhadas com cuidado, para não produzirem efeito negativo, reações de estresse, traduzidas por enxaquecas, dores de estômago, problemas de conduta e insônia.

É preciso apegar-se aos centros de interesses e ao desenvolvimento evolutivo de cada criança e oferecer atividades adequadas à sua idade. Pergunta-se: até que ponto estamos respeitando os ritmos evolutivos e as motivações de nossa criança e até que ponto estamos desraizando-a demasiado cedo da família? Não estamos limitando sua felicidade lúdica? Qual a educação apropriada para o desenvolvimento do nosso filho? Tentar ajustá-la às suas necessidades físicas, sociais, emocionais e cognitivas, como, também, às características sociais e ao trabalho da família.

“Desejaria que cada pai pensasse com a cabeça e agisse com o coração, que conseguisse captar o que agrada ao filho e o que o contraria”. (Isasmendi).

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em março/2001)

SISTEMA NACIONAL DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR

Izabel Sadalla Grispino *

Um novo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), preparado por uma comissão especial, Comissão Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Conaes), propõe mudanças no Exame Nacional de Cursos, o Provão. O foco da avaliação será a instituição e não o desempenho do aluno. O exame dos alunos perde peso para a avaliação institucional.

O teste deixa de ser obrigatório para todos os formandos e será apenas um dos itens da avaliação das instituições do ensino superior. Será aplicado por amostragem e a classificação por conceitos abandonados. A avaliação institucional levará 3 anos para ser concluída. Começará com uma auto-avaliação, feita por alunos, professores e funcionários. A instituição passará por uma análise externa, organizada pela Comissão Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Conaes). Essa comissão dará um parecer sobre a instituição, formando um dossiê com os resultados da avaliação para cada universidade, cujo resumo será divulgado pela Internet.

Um dos componentes do Sinaes é o Processo de Avaliação Integrada do Desenvolvimento Educacional e da Inovação de Área (Paidea). O teste dos alunos recebeu esse nome, Paidea, que, em grego, significa ensino ou educação. O exame será realizado por áreas: ciências humanas, exatas, tecnológicas e biológicas. Cada área será avaliada de dois em dois anos, com testes em duas etapas: no meio e no fim do curso. O teste além do conteúdo incluirá a avaliação do aluno sobre a instituição em que estuda.

Além da auto-avaliação, a cada três anos, a instituição receberá a visita de uma comissão externa, que verificará a infra-estrutura, entrevistará professores, alunos e servidores. O Paidea será feito por amostragem, só ficarão obrigados a passar por ele os alunos sorteados. Acabam os conceitos de A a E. O resultado do Paidea vai compor o dossiê final. Ficarão reunidas no Sinaes avaliações já existentes, como o Censo da Educação Superior, o Cadastro do Perfil Institucional (bibliotecas, laboratórios e outros equipamentos), Avaliação do Ensino Tecnológico Superior e Avaliação da Pós-graduação, realizada pela Capes. Todos vão fornecer elementos para o relatório final.

As opiniões sobre o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior têm oscilado. Uma parte dos envolvidos parece satisfeita, achando que as instituições ganham em autonomia e credibilidade. Serão avaliadas pela totalidade e não só pelo aluno. A avaliação dos alunos em duas etapas, no 2.º e no último ano, é positiva, porque mostra o nível do aluno quando entra na instituição e quando sai dela. Acha que o Provão discrimina ao aplicar uma prova única, sem considerar a clientela escolar recebida pelas faculdades.

Em verdade, a avaliação do Provão se propõe a verificar se os alunos assimilaram o conteúdo curricular mínimo obrigatório e um conhecimento mínimo é indispensável, não importa que clientela. Quanto à credibilidade, essa é uma conquista pessoal de cada instituição e a nível de sociedade, a nível de produto ofertado ao mercado de trabalho, a maioria não vem se enquadrando nesse item; não recebe conceito positivo.

Outros opinam ser o sistema de avaliação das faculdades, o Provão, o que de melhor aconteceu na esfera do ensino superior, nos últimos anos. Afirmam que o Provão é indicador de qualidade, aponta as boas e as más faculdades. São contrários à aplicação do exame por amostragem, como quer o novo sistema, porque enfraquece a avaliação por curso, dificultando a comparação entre eles, não distinguindo o bom do mau. O grande objetivo do Provão é fazer comparações e o novo sistema elimina o único referencial que existe no ranking das instituições do ensino superior. Além disso, o Sinaes propicia a volta do clientelismo, o tempo em que, conforme Paulo Renato Souza, influências políticas definiam o reconhecimento e a autorização dos cursos de ensino superior: “Eu criei um critério objetivo, justamente porque percebi que essa era a única maneira de impedir as pressões. O Provão definiu as atribuições do Conselho Nacional de Educação para o credenciamento dos cursos universitários, extinguindo o papel cartorial adotado pelas visitas dos enviados do antigo Conselho”, reitera o ex-ministro.

Educar exige avaliação constante, continuada e divulgação dos resultados. Processos de avaliação são indispensáveis em qualquer atividade humana; nas escolas, constatam a correspondência entre o que é oferecido e o que, realmente, oferece, entre o que se fala e o que se faz; conferem se os cursos cumprem um papel social, cultural e econômico.

Essas considerações vão ajudar o leitor a refletir sobre os dois sistemas de avaliação do ensino superior, para melhor opinar a respeito, pois, segundo o ministro Cristovam Buarque, a proposta lançada pelo MEC deverá ser submetida à opinião pública, aos especialistas da educação, antes de se concretizar. É possível que muita coisa ainda mude e que se entenda que a boa formação do aluno é o maior indicador do ensino ministrado por uma escola. O resultado da avaliação do desempenho do aluno é o espelho que refletirá, com mais propriedade, a eficiência da instituição escolar.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em setembro/2003)

PROBLEMAS DE SAÚDE INTERFERINDO NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

Um assunto importante tanto para os pais quanto para a escola são os problemas de saúde das crianças. Um deles é a visão. A medicina, na área de oftalmologia, vem ao nosso encontro e nos dá preciosa orientação.

Problemas de visão podem aparecer em crianças muito pequenas. É preciso estar atento aos sintomas e consultar um oftalmologista, para que se faça o tratamento adequado e não deixar a visão ficar comprometida para o resto da vida. A criança pode estar precisando de óculos ou outras terapias alternativas. Os sintomas são variados, como quando, ao falar com a criança, parece que ela olha em outra direção ou quando ela se senta muito perto para assistir à televisão, quando os olhos lacrimejam constantemente, quando surge o aparecimento de um reflexo branco nas pupilas e outros.

Mesmo sem problemas aparentes, recomenda-se consultar o médico entre os 3 e os 4 anos. Em caso de problemas, é fundamental que receba tratamento adequado, porque a criança que enxerga mal tende a ser distraída e pode vir a ter dificuldades na escola.

As doenças mais comuns na infância são:

Hipermetropia: A criança vê mal os objetos que estão perto e também poderá ver mal os que estão longe. Até um certo grau, a hipermetropia pode ser considerada normal. Sintomas: a hipermetropia costuma ter os mesmos sintomas do que chamamos, popularmente, de vista cansada. A criança pode ter dor de cabeça, cansaço e vermelhidão nos olhos. Geralmente, desvia um olho para dentro, quando foca objetos próximos (estrabismo).

Astigmatismo: A superfície da córnea não é esférica, provocando visão distorcida. O astigmatismo é, em geral, uma doença de nascença e que pode não piorar. De qualquer maneira, a criança necessitará usar óculos para corrigir a fadiga visual, provocada pelo esforço contínuo dos olhos para focalizar objetos ou para lhe facilitar um completo desenvolvimento visual. Sintomas: dor de cabeça crônica, irritação dos olhos, fadiga, dificuldade de leitura, confunde algumas letras e números.

Miopia: A criança vê bem os objetos que estão próximos, mas vê mal os que estão distantes. Acredita-se que a miopia pode ser encontrada nos pais ou parentes mais próximos. Caso um dos pais seja míope, há 40% de chance de a criança também vir a ser. Se ambos os pais forem míopes, o risco sobe para 60%. A miopia pode ser progressiva. Já existe cirurgia capaz de corrigir a visão desfocada, mas só é recomendada na idade adulta. Sintomas: a criança tem dificuldade para enxergar ao longe. Senta-se muito perto da televisão, enxerga pior à noite, podendo semicerrar os olhos na tentativa de enxergar os objetos distantes. Por vezes, a miopia pode estar associada ao estrabismo.

Estrabismo: Os olhos não focalizam o mesmo ponto, o que leva o cérebro a receber duas imagens diferentes. O estrabismo pode ser resolvido com cirurgia, óculos ou tratamento oclusivo (lente ou olho tapado). Sintomas: A criança pode sentir mal-estar com o excesso de claridade, fechando sempre um olho quando se encontra em uma situação de grande luminosidade, como o sol. Outro mal é adquirir uma posição anômala da cabeça para obter melhor qualidade visual ou o desvio evidente de um dos olhos para dentro, para fora ou para cima.

Um outro aspecto importante a ser considerado na saúde é a obesidade infantil, que cresce no mundo todo. Segundo pesquisas, nos Estados Unidos, as complicações associadas à obesidade representam a segunda causa de morte.

A criança obesa, geralmente, apresenta alterações no comportamento que costumam passar desapercebidas ou não são valorizadas pelos pais e professores. Alterações no humor, revertendo em mau rendimento escolar. O excesso de peso, além de problemas físicos, afeta o aspecto psicológico. Torna a criança triste, com baixa auto-estima e com tendência à depressão. Os gordinhos acabam sendo marginalizados e afastam-se dos colegas. Geralmente, têm humor inconstante, ora aceitam o apelido de boa-praça, aquele que faz rir, ora tornam-se violentos e chantagistas, especialmente em casa.

Para se evitar o excesso de peso na infância, a prevenção deve começar cedo, desde o aleitamento materno. Deve-se utilizar de uma educação voltada para bons hábitos alimentares, uma vida saudável, com a participação dos pais. A medicina ensina-nos que o leite materno deve ser o único alimento pelo menos até o 6.º mês de vida ou como suplemento durante o máximo de tempo possível. Posteriormente, deve-se incutir na criança o gosto por alimentos dos vários grupos.

Os pais não devem esquecer que as crianças aprendem mais com os exemplos do que com as palavras. Na alimentação, como nos valores que devem ser ensinados aos filhos, os pais precisam dar o exemplo. As regras de uma alimentação saudável devem ser seguidas por todos da família. As refeições devem incluir alimentos de todos os grupos. Quando a mãe começar a introduzir ao bebê alimentos sólidos, sua alimentação deve ser rica e variada, com muita cor, sabores e texturas diferentes.

A criança gordinha pode requerer acompanhamento especializado e os pais têm papel relevante no processo. A quantidade de alimentos consumidos ao longo do dia deve ser repartida, estabelecendo-se o número de refeições e os intervalos sobre elas. É importante controlar as quantidades de gorduras, carnes, açúcares. As guloseimas devem ser reservadas para os dias especiais. Quanto mais precocemente se intervém no excesso de peso, mais fácil será reverter o processo. Alimentos comumente contra-indicados: frituras, carnes gordurosas, defumados, embutidos, chocolates, amendoim, amêndoas, cacau. Comer, de preferência, pão escuro ou integral, cereais, vegetais, leite, iogurte, queijo fresco, tudo dosado pelo nutricionista.

Além dos cuidados com a alimentação, a criança deve, de acordo com o seu médico, aumentar sua atividade física.

Os pais, em benefício dos filhos, não devem fechar os olhos para a obesidade infantil. Ela poderá trazer sérios problemas de saúde e de aproveitamento escolar a seus filhos. É fundamental que fiquem atentos ao peso das crianças e as ajudem no momento certo.


* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2005)

A CASA COMO ESCOLA DOS FILHOS

Izabel Sadalla Grispino *

Atinge as esferas judiciais e educacionais a discussão sobre a possibilidade de os pais ministrarem, aos filhos, o ensino em casa, sem que tenham que ir à escola e freqüentar a sala de aula. A mídia tem noticiado casos em que pais tentam, através de mandado de segurança, garantir, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o direito de educar os filhos em casa e levá-los a uma escola determinada apenas para realizar as provas, a fim de submeter-se à avaliação escolar.

INDICADORES DE UMA BOA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Algumas características se ressaltam na constituição de uma escola e deixam aspectos que a representam.

Se ao entrarmos numa escola de Educação Infantil depararmos com paredes pintadas e decoradas, trabalhos de crianças expostos em murais, alguma desordem ordenada, muita conversa, risos, temos bons indicadores da vida escolar. Se nos depararmos, afixadas em quadro, datas marcadas de reuniões de estudo, de projetos programados, de avaliação da aprendizagem, passamos a confiar mais no seu processo pedagógico, na sua metodologia, na formação de seus docentes.

Se a escola é grande, sabemos que o número de amizades é maior, mas a criança corre o risco de ser apenas mais uma dentre as demais. Uma escola menor, geralmente, propicia uma identidade maior com os alunos, uma aproximação maior entre professor e aluno, um acompanhamento maior da evolução do aluno. Se bem que isso pode ser controlado pelo número de alunos que a escola põe em sala de aula, pelo número de aulas que se atribui ao professor.

Um outro indicador da postura da escola é a maneira como ela se relaciona com os jovens, no ensino fundamental e médio. Hoje, os jovens, em determinados aspectos, são mais revolucionários, mais articulados, querem se infiltrar no seu tempo, envolver-se com o mundo globalizado, manifestar-se, expressar sua participação. A expressão da cultura jovem tem aflorado a preocupação das escolas, que vêm oferecendo oportunidades a que talentos apareçam e esta abertura de espaços para os jovens tem chamado a atenção dos pais.

A escola na individualidade valoriza a diversidade, valorizando, acima de tudo, a potencialidade. Uma escola de ensino fundamental e médio que deixa espaço para os jovens desenvolverem suas aptidões artísticas, para criar projetos juvenis, mostra sua face atualizada.

Não se pode ver os jovens como sendo todos iguais. Diferenciam-se em gostos, em atitudes, em modos de vestir, pentear-se. São várias identidades, mas que se entendem, se comunicam, numa linguagem universal. Brasil, Estados Unidos, França, Alemanha têm culturas diferentes, mas, dentro das suas especificidades, há o encontro global do entendimento jovem.

Esse espaço cultural, criado pela escola, serve não só para a criação de trabalhos, de projetos, de atividades, mas, também, para que os jovens se aproximem, se dialoguem, desenvolvam a capacidade de convivência humana, de troca, na meditação da realidade em que vivem. Desenvolvem meios de participar mais dessa realidade, participar mais da comunidade.

Um outro aspecto indicador de modernidade são as práticas esportivas, os exercícios físicos, Hoje, as crianças são muito apegadas à tecnologia, não se desgrudam da TV, computador, videogame. A violência barra os jovens das saudáveis brincadeiras de rua. A escola, colaborando com esses jovens, oferece espaço de lazer, de variedade de jogos à escolha dos alunos. Estes escolhem os que lhes dão mais prazer. Dizem os fisiologistas que as habilidades e as aptidões surgem espontaneamente, que não se deve pressionar.

Praticando esporte, os alunos melhoram a auto-estima, o humor e a autoconfiança, a socialização, alicerçando a personalidade. As perdas e os ganhos nos jogos ajudam o indivíduo a lidar melhor com as frustrações. Incentivar as crianças e os jovens a praticar esportes é salutar, mas querer que sejam um campeão é prejudicial. Nesse caso, a criança ou o jovem sente-se investido de uma responsabilidade negativa.

As aulas de educação física têm papel importante na formação de valores. Trabalha conceitos sobre regras, disciplina, espírito de equipe e competitividade amigável. A escola mostra indicadores esportivos quando, desde o jardim da infância, lança a sementinha durante as brincadeiras e atividades lúdicas. As crianças aprendem a respeitar o colega, a desenvolver o senso crítico, a conviver com as regras e ampliam suas experiências. De acordo com a idade, a escola vai colocando desafios progressivos para a criança e à medida que os supera vai ganhando autoconfiança. Na prática esportiva há a preocupação com a formação integral das crianças e dos adolescentes, tendo em mira a receita de dosar as atividades.

A escola, ao desenvolver aptidões, ao descobrir potencialidades juvenis, abrindo espaços entre os períodos regulares de aula, absorve o jovem em comportamentos prazerosos e saudáveis. Afasta-o da ociosidade e de más companhias. Recente pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas, em 2005, mostrou que os jovens vêm consumindo, cada vez mais, drogas ilícitas. Revela que aos 12 anos de idade, quase 13% dos estudantes brasileiros já usaram algum tipo de droga, sendo o álcool a mais usada.

Indo atrás da potencialidade do aluno, criando espaço de realização de suas aptidões, a escola está trabalhando a droga em sua prevenção, colaborando com os pais, na boa formação dos filhos, e com a sociedade.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em janeiro/2006)

CAMINHOS CONSTRUTIVISTAS NA APRENDIZAGEM

Izabel Sadalla Grispino *

As escolas partem para semear transformações na educação. Os alunos trabalham em projetos que eles criam  e desenvolvem, nos quais empregam conhecimentos adquiridos não só na escola como no seu dia-a-dia.

O computador, por exemplo, não se torna apenas uma fonte de dados, mas um instrumento de comunicação entre eles. Os alunos caminham com autonomia na aprendizagem. Discutem determinadas questões e eles próprios decidem o que fazer. Montam um projeto, pesquisam, fazem o acompanhamento e analisam os resultados, sempre sob a orientação dos professores.

Os professores são treinados para utilizar atividades de ensino construtivistas, que levam o aluno a construir o conhecimento. O filósofo e psicólogo suíço Jean Piaget descobriu que as crianças não pensam como os adultos, têm sua própria ordem e sua própria lógica. A pedagogia tradicional as tornava “recipientes” a serem preenchidos com conhecimento. Elas são, contudo, ativos construtores do conhecimento, tal como fazem os cientistas que criam e testam suas próprias teorias.

O aluno não é um ser passivo e o conhecimento é o resultado da interação entre ele e o mundo. O conhecimento não é cópia, mas resultado de uma construção/elaboração do mundo ou, como dizia Jean Piaget, “assimilação da realidade”.

Construir o conhecimento é aprender, numa estrutura em construção, algo que se quer conhecer. Para haver aprendizagem, não basta a transmissão da informação, por mais competente que ela seja. É o sujeito que, fazendo relações, associando o novo ao já conhecido, vai construindo o conhecimento, segundo a sua estrutura em formação. Novos sentidos serão construídos em cada sujeito, de acordo com os esquemas de compreensão que já adquiriu. Ao longo da vida, o sujeito terá oportunidades diversas de ressignificar o conteúdo de acordo com sua experiência.

No construtivismo dizemos que ser educador é possuir a sabedoria de fazer brotar a sabedoria do outro, fazendo-o tomar posse do verdadeiro saber, saber compreendido, assimilado de dentro para fora. Por isso, educar é ter o poder de ensinar a aprender, é trocar experiências vividas, fazendo surgir novas luzes. O método de ensino adotado pela escola e aplicado pelo professor tem efeito considerável sobre a aprendizagem. Um método distorcido, distanciado da realidade da sala de aula, sem o aprimoramento de seus passos, pode levar o aluno ao fracasso.

A escola deve ajustar-se ao perfil do aluno, às suas características de personalidade, ao seu ritmo de aprendizagem, ajudá-lo em suas buscas. Não deve lhe apresentar um conhecimento pronto, acabado, mas construir com ele o conhecimento, recriar conjuntamente a cultura. Hoje, a escola se distancia da visão culturalista, enciclopedista. Ela aborda a cultura do dia-a-dia, questões de relevância social, de interesse dos alunos, trazendo um conteúdo significativo, um conteúdo contextualizado.

A alfabetização é ponto-chave no processo de aprendizagem. Ela, também, deve partir do estudo da cultura da comunidade do aluno, em que nível lingüístico e cultural ele se encontra, quando chega no 1.º ano do ensino fundamental, e em que nível se quer fazê-lo chegar. A escola, reconhecendo e respeitando o universo de onde veio o aluno, adaptando-se a ele, fará uma adequação do universo cultural que ele trouxe com o universo oferecido por ela, evitando que ele se sinta um estranho no ninho. Dessa maneira, a escola provocará uma ruptura bem menor desses universos. O aluno, aceito em sua maneira de ser, vai percebendo que é possível articular a sua linguagem com a da escola.

Reivindica-se à escola que, a partir de uma cultura popular, ela crie uma consciência de sua necessidade de formar um elo, uma relação de articulação serena, entre o seu universo e o da criança. No momento em que essa articulação se concretizar, a aprendizagem estará garantida. A criança não se sentirá frustrada, olhada como alguém que fala um discurso estranho. Perceberá que não há discurso distinto entre o dela e o da escola. Vai evoluir com naturalidade, não vai decorar ou repetir aquilo que lhe mandam. A passagem entre o seu mundo e o das letras processou-se de modo tranqüilo, com respeito e valorização (trecho extraído da aba da contracapa do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente a Escola).

Esse é um grande passo para integrar o aluno no recinto da escola e motivá-lo a ela.

Um outro grande passo é respeitar o seu momento diante da aprendizagem, visto que o desenvolvimento infantil ocorre por fases. Esta foi uma das razões que se pensou em organizar as escolas da rede em ciclos, que coincidem com as fases do desenvolvimento, aumentando as possibilidades de aprendizagem, pois o ritmo das crianças é respeitado. Além disso, nesse processo são levados em conta os conhecimentos que as crianças trazem de casa e da convivência social.



* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em março/2006)

UMA REALIDADE QUE PRECISA SER MUDADA

Izabel Sadalla Grispino *

A dificuldade de aprendizagem é maior a cada ano, revela-nos o resultado de um estudo feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, em 2003. O desenvolvimento das habilidades básicas em matemática e português dos nossos alunos é muito baixo.

Segundo análise dos resultados do Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), desde 1995, aumentou o número de alunos que se encaixam nos conceitos muito crítico e crítico de desempenho.

O Saeb é um exame realizado a cada dois anos pelo governo, com uma amostra de alunos do ensino público e particular das 4.ª e 8.ª séries e 3.º ano do ensino médio, nas áreas de português e matemática. O desempenho é classificado em níveis que variam de 125 a 400 pontos, pontuação que foi agrupada em estágios muito crítico, crítico, intermediário, adequado e avançado.

Desde a primeira realização, o Saeb nunca chegou a 10% de alunos em nível adequado de aprendizagem, nível em que os estudantes apresentam habilidades compatíveis à 4.ª série. Ao longo dos anos também diminuiu o número de estudantes com desempenho intermediário, passando para cerca de 40%. Esses dados revelam uma clientela sem tradição de boa escolaridade, sem hábitos de leitura. Esses alunos não encontram na escola condições propícias ao seu desenvolvimento intelectual.

Os resultados das pesquisas do Inep mostram queda, ano a ano, no desempenho dos alunos de 4.ª série. Em português, em 2003, quase 60% dos estudantes estão nos estágios muito crítico e crítico. Em 1995, eram cerca de 40%. Os alunos, incluídos nessa porcentagem, nem conseguem realizar a prova, observa o então diretor de Avaliações do Ensino Básico do MEC, Carlos Henrique de Araújo.

As crianças classificadas no estágio muito crítico lêem apenas frases simples de forma truncada, o que significa que não foram alfabetizadas adequadamente. Em matemática, elas não conseguem identificar operações envolvidas em problemas e têm dificuldade, principalmente, em contas de divisão e somar, com números decimais. Foi pedido a 4 crianças da 4.ª série de uma escola estadual da capital o cálculo de divisão do número 300 por 4. Passou-se o tempo estipulado e as crianças, de 9 anos, não conseguiram esboçar sequer uma solução para a conta. Uma delas se justificou dizendo que somar é bem mais fácil que dividir.

Com a universalização do ensino fundamental, a qualidade da educação deteriorou-se. A reforma curricular foi introduzida na educação sem que os professores tivessem sido preparados para colocá-la em prática. Sem suporte, sem uma boa formação, o professor não deu a seqüência ao ensino desejado. Ele não estava preparado para lidar com a heterogeneidade dos alunos, com as dificuldades que a pobreza acarreta ao ensino. “Até décadas atrás, a nossa escola pública tinha como clientela a população das camadas altas e médias mais escolarizadas”. Assim, boa parte do estímulo ao ensino vinha mais da própria família e dos círculos de convivência social que do ambiente escolar. A realidade modificou-se. A escola pública, de agora, é freqüentada pela classe pobre e muito pouco faz para retê-la, com aproveitamento, no recinto escolar.

Uma vez conseguida a universalização do atendimento à população mais necessitada, o grande desafio, enfrentado pela escola pública, é o de programar ações, currículos, capazes de, efetivamente, alcançar esses novos alunos, provenientes das camadas populares. O desafio de prever em seus projetos pedagógicos, em sua organização curricular, um lugar de tratamento adequado a esses alunos, definindo instrumentos pedagógicos que cheguem até eles, dando-lhes respostas que venham de encontro à qualidade de ensino. O desafio de formar um aluno competente, apto ao exigente mercado de trabalho. O desafio de vencer a crise da aprendizagem. Compreender que o aluno carente tem, como todos os demais, um potencial que deve ser transformado em ato, ir a ele, não pelas carências, mas pela riqueza. Saber o que ele faz, o que gosta, o que quer. Dar-lhe a oportunidade de descobrir-se, de manifestar-se espontaneamente, sem homogeneização.

O trabalho pela qualidade de ensino passa, sem dúvida, pela capacitação dos profissionais da educação, pela luta ao desamparo intelectual e institucional, que não são senão legados de décadas de atraso.

Não se pode mais fechar os olhos à causa do ensino público. “Ele só terá chance de se reerguer se contar com mãos estendidas, juntando esforços do governo, da sociedade, da família, da escola, ressaltando-se um reforço técnico competente, a ser dado ao professor”. (Do meu livro “Prática Pedagógica” (Estruturando Pedagogicamente da Escola), págs. 17 e 18).

Conscientizar-nos da necessidade de mudança é caminho a seguir. Em São Paulo, Estado que tem índices mais altos de qualidade se comparados à média brasileira, os índices de aproveitamento continuam preocupantes. Segundo o Saeb 2001, caiu de 1,43% (em 1995) para 0,85  a quantidade de alunos considerados avançados em português. São estudantes que apresentam nível até superior ao exigido na 4.ª série.

A tendência de evolução negativa se mantém em todas as regiões do Brasil, com o Norte e o Nordeste apresentando situações mais precárias. O Rio Grande do Norte é o Estado com maior percentual de alunos na situação muito crítica em português, atualmente 38,53%. O melhor desempenho está no Distrito Federal.

Conclui o estudo de que “os pobres estão aprendendo menos e os ricos também não evoluem”. Necessário se faz mirar em países como a Coréia do Sul, que implantou um projeto corajoso, investindo fortemente na educação básica. Em 7 anos, está invertendo a produção do país, tornando um exemplo para o mundo.

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em março/2005)

VINTE E TRÊS DE MAIO – DIA DO SOLDADO CONSTITUCIONALISTA

Izabel Sadalla Grispino *

A escola não pode deixar de reviver, nesta época, os episódios da Revolução Constitucionalista. Reverenciar os heróis da Pátria é despertar no educando o sentimento patriótico, é resgatar os valores humanos de nossa terra e preparar as novas gerações para o amor e para as responsabilidades sociais, que a Pátria impõe.

Através dos grandes vultos de sua História, ensina-se a exortar o lugar onde nasceu ou onde vive, ensina-se a enaltecê-lo, a defendê-lo e, acima de tudo, a amá-lo. Ensina-se a respeitar os seus princípios, crenças e tradições, ensina-se a valorizar os atos de bravura devotados à Pátria, como o que aconteceu com a morte dos 4 estudantes: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, dando a própria vida pela redenção democrática do País – os seus despojos foram colocados, para orgulho do povo brasileiro, no Mausoléu do Ibirapuera. Ensina-se aos alunos o valor de uma Constituição, da Carta Magna de um país.

Como preâmbulo à poesia abaixo, lembro que em 1930 deveria haver eleição para presidente da República. Eram candidatos Júlio Prestes e Getúlio Vargas. Este, gaúcho, em 3 de novembro de 1930, sob o pretexto de que uma fraude eleitoral (antigo PRP) elegera Júlio Prestes, desencadeou no Sul a Revolução, conhecida como de 1930.

Tropas vieram do Sul e chegaram até o Rio de Janeiro, onde tomaram o poder. Getúlio Vargas tornou-se o chefe da Nação e nomeou interventores para governar os Estados, sendo em São Paulo interventor o embaixador Pedro de Toledo.

SOLDADO  CONSTITUCIONALISTA


Glorioso Soldado Constitucionalista,
Herói que lutou pela Revolução Paulista,
Bradou forte por uma nova Constituição,
Acirrada luta travou pela republicana redenção.

A rebelião teve origem na Revolução de 1930,
Tropas sulistas, sangrentas tintas derramaram sobre o País,
Se apossaram do poder, tendo à frente Getúlio Vargas,
Destituindo e prendendo o presidente Washington Luiz.

O governo provisório foi se tornando permanente,
O Estado de São Paulo não aceitava essa situação,
Em maio de 1932, por uma Constituição premente,
O povo saiu às ruas, contra a ditadura fez exortação.

Os estudantes aderiram bravamente ao movimento,
À democracia se prenderam em juramento,
No dia 23, na Praça da República,
Quatro jovens tombaram pela nobre causa pública.

Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo
Foram os primeiros mortos na luta pela Constituição,
Lavaram com seu sangue a afronta nacional,
Ídolos se tornaram no coração social!

Ergueu-se a sigla MMDC, como um estandarte,
Representa a data, traz as primeiras letras dos estudantes,
Cujo sacrifício pela Pátria não foi em vão,
O País teve, em 1934, a sua propalada Constituição!

Esta Constituição vigorou até 10 de novembro de 1937,
Quando Getúlio impôs nova ditadura ao povo,
Farsa que denominou “Estado Novo”,
Encomendando outra Constituição, a de 1937.

Em 9 de julho de 1932, em São Paulo,
Foi declarada a Revolução Constitucionalista,
Trazia o lema: “Tudo pela Constituição”,
O povo exaltado exigia a reparação.

Em homenagem aos quatro estudantes, de ardor nacionalista,
23 de maio foi consagrado ao Soldado Constitucionalista,
MMDC sintetiza para a Nação o gesto heróico,
A força que marcou o exemplo patriótico.

No Estado de São Paulo, por esse episódio,
O pendor de bravura ficou notório,
Pela Justiça, São Paulo revelou-se o primeiro,
Pela Democracia, impôs-se como pioneiro!

 

* Supervisora de ensino aposentada.    
(Publicado em maio/2005)

AJUDA À VISTA AOS UNIVERSITÁRIOS

Izabel Sadalla Grispino *

Ajudar o aluno pobre a enriquecer a sua formação acadêmica é, sem dúvida, o melhor caminho para o  ingresso à universidade. A instituição de cotas poderá representar uma ajuda vazia, um castelo de areia, que viria contra o próprio beneficiado.

Alunos que ingressam na universidade com deficiência de conhecimento poderão vir a ter sentimentos de desânimo, de desistência, sem falar da repetência. Para que isso não ocorra, a instituição terá que baixar o seu padrão de ensino, conseguir um nível inferior, que permita ao aluno dar seqüência aos seus estudos. A instituição não vai poder atender a padrões de qualidade e desempenho, o que traria queda na qualidade do ensino superior, como já existe na educação básica. Essa é uma estrada que não culmina com a melhoria do ensino, porque transitada por alunos sem o devido preparo.

É necessário que se forme conceito a respeito e que se tomem providências para se alcançar um porto seguro. Investir, primeiramente, e com seriedade, na qualificação da educação básica, fazendo as escolas públicas aproximarem-se das escolas particulares. Aumentar a oferta de cursinhos pré-vestibulares e bolsas de estudo à população carente. O cursinho pré-vestibular, lutando para suprir as deficiências de aprendizagem, fornecendo aos alunos um conhecimento mais compatível com a carreira universitária, e a bolsa permitindo-lhes a possibilidade de estudo.

Conforta-nos saber que os cursinhos pré-vestibulares multiplicam-se não só na capital, como no interior do Estado. Tomei conhecimento da existência do Curso Unificado do Campus de Araraquara (Cuca), através de seu coordenador e orientador, Prof. Miguel Jafelicci Júnior. Esse curso surgiu em 1994, por iniciativa dos alunos do Instituto de Química. Em 2002, foi implantado o Cuca/Prefeitura, resultado de uma parceria da Prefeitura de Araraquara com o Campus de Araraquara da UNESP, num projeto pioneiro na região, neste tipo de convênio.

O Cuca/Prefeitura atende atualmente 300 alunos em 5 salas localizadas em três bairros de Araraquara, Selmi-Dei, Vale do Sol e Jardim Martinez. Estes alunos são isentos de quaisquer pagamentos – matrícula, mensalidade e material didático. É atendido por 40 professores e 2 coordenadores, todos alunos de graduação da UNESP, que recebem bolsas de Extensão Universitária.

Essa é uma iniciativa que merece aplauso e que deve ser seguida por outras localidades. Parabéns aos organizadores e aos alunos que, através desse cursinho, elevam seu padrão de ensino e podem sonhar com horizontes mais claros, com um futuro mais consistente.

Um outro aspecto, que seria interessante divulgar, são as oportunidades de trabalho que surgem na própria universidade aos alunos que precisam trabalhar ou aos que querem já dar os primeiros passos na carreira durante a graduação. Estes alunos devem procurar por vagas oferecidas dentro do campus, publicadas em editais, divulgados nos murais de aviso e no site da instituição. As principais fontes de informação vêm, contudo, de alunos veteranos, de funcionários e de professores da universidade.

A falta de comunicação acaba por dificultar as chances existentes. Para os interessados, a Coordenadoria Executiva de Cooperação Universitária e de Atividades Especiais (Cecae) deixa o endereço eletrônico – www.cecae.usp.br. O Cecae oferece, entre outras atividades, estágios aos programas sociais da USP. Conta com mais de 100 alunos, que participam de trabalhos, como programas de reciclagem, de inclusão social de crianças carentes, de desenvolvimento tecnológico para pequenas empresas e de evolução ambiental.

Há, também, estágios no setor responsável por reformas das unidades da instituição. São formados por grupos de 7 alunos, que analisam as necessidades das faculdades, traçam planos de reforma e consultam preços dos materiais para o projeto. Cada aluno recebe cerca de dois salários mínimos por 20 horas semanais e trabalha nas horas em que há tempo entre uma aula e outra, no caso do curso ser integral.

Ao lado da divulgação das vagas de trabalho ou de estágio na universidade, os próprios alunos podem anunciar serviços, como tradução e revisão de textos e cursos de idiomas ou de instrumentos musicais. Há ainda a possibilidade de o aluno desenvolver o seu próprio projeto, como, por exemplo, o de revitalização de uma área da cidade e pedir ajuda à instituição para conseguir parcerias ou financiamento. Na USP, o estudante deve procurar o Cecae; em outras universidades, procurar auxílio no serviço de atendimento ao estudante.

Também existem as oportunidades de trabalho temporário, como as oferecidas no período dos vestibulares, no processo seletivo. Geralmente, esse trabalho tem duração de 4 meses e as funções são as de atender o público, cadastrar vestibulandos, cuidar da distribuição dos materiais, como os manuais do candidato e fiscalizar os procedimentos de inscrição. Ganha-se cerca de R$ 500,00 por mês, trabalhando 6 horas diárias. Durante as provas, ganha-se mais R$ 200,00 por dois dias de trabalho, como fiscal.

Espera-se que os universitários tomem conhecimento dessas possibilidades e que busquem concretizá-las.

* Supervisora de ensino aposentada.          
(Publicado em maio/2004)

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO

Izabel Sadalla Grispino *

Na semana passada abordei, sobre o processo de Avaliação da Aprendizagem, o item “Conceituação”. Hoje, teremos, também em forma de versos, o segundo item anunciado, “Aspectos do Desenvolvimento”.

Na conceituação, pudemos perceber que a avaliação é um processo contínuo de pesquisas, que visa estudar e interpretar os conhecimentos, habilidades e atitudes dos alunos, tendo em vista mudanças esperadas no comportamento, propostas nos objetivos da escola, a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas no planejamento do trabalho do professor, da escola como um todo. Propõe-se, então, indagar o que avaliar? O que deve ser avaliado no aluno?

Não são só os aspectos cognitivos, as habilidades lingüísticas ou matemáticas, que devem ser avaliados, mas, também, os diferentes valores, os diferentes comportamentos, os amplos aspectos do desenvolvimento do aluno. A avaliação abrange as inteligências múltiplas, afloradas nas potencialidades do aluno. O professor, ao dar oportunidade a que os alunos se expressem, perceberá, em suas manifestações, as diversas habilidades – corporal, espacial, naturalista, interpessoal – que não podem deixar de ser acolhidas, consideradas.

O objetivo da escola vai além da transmissão do conhecimento, por isso outras áreas do comportamento devem ser avaliadas para que haja compreensão dos fatores que impedem o progresso do aluno nos estudos.

ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO

“A escola tem fins mais complexos,            Desenvolve amplas capacidades,
Que a construção do conhecimento,            O criar, o inventar, variado engenho,   
Avalia, em conteúdos anexos,                        No mundo atual, versatilidades
Aspectos do desenvolvimento.                       Se igualam ao intelectual empenho.            
Observa o aluno em aspectos amplos,        O mercado quer generalista,
O ligado ao físico-motor:                                  Saber eclético, articulado,  
Deficiências, visão, vários ângulos,              A época do régio especialista
Que influem no agente receptor.                   Ficou distante, hoje é passado.

Outro aspecto, o social-afetivo,                     A avaliação não é sempre igual,
Reflete a classe, a reação pessoal,              É usada em variada situação,
Liga-se ao aspecto cognitivo,                         Quanto mais prova sem ar formal,
Em entrelaçamento total.                                Mais rica será sua atuação.

Avalia tipos de aprendizagem,                       Ensino-aprendizagem contínuo
Às faculdades dá preferência,                       Requer avaliação permanente,
Promove ensino qualitativo,                           Objetivo claro, nada ambíguo,
Atenuando, assim, a repetência.                  Mestre e aluno em constante corrente.

Adota variados instrumentos,                       Padrões de rendimento aceitável
Lápis, papel, não são suficientes                 Eliminam discriminação,
Para avaliar desenvolvimentos,                   Teste com validade, confiável,
Com seus comportamentos reagentes.    Suaviza o ensino e evita evasão.

Ressalta aspectos qualitativos,                   Se o ensino-aprendizagem vai bem,
Habilidade e competência,                            O educando marcará vitória,
Insiste em métodos reflexivos,                    O professor se avalia também,
Trabalha atitudes com freqüência.              Louvor é dado à sua trajetória.”

 

* Supervisora de ensino aposentada           
(Publicado em agosto de 2000)

CONTROVÉRSIAS QUANTO AO USO DO COMPUTADOR

Izabel Sadalla Grispino *

Aprender a viver na sociedade hoje é aprender a compreender a necessidade de uma educação de qualidade. A boa escola leva o jovem a recuperar a confiança na estrutura educacional. Essa escola sabe, pedagogicamente, como lutar pelas dificuldades de aprendizagem dos alunos e como fazê-los galgar os degraus do saber. Coloca como prioridade o desafio da qualidade de ensino e acompanha as mudanças requeridas por um mundo em acelerada mutação.

O aluno, nessa escola, passa a confiar mais no futuro, nas suas possibilidade de realização. Essa escola sabe que o crescimento econômico do País é indispensável ao seu desenvolvimento, mas sabe que desenvolvimento com distribuição de renda tem seu maior peso na educação.

A boa escola tem que definir sua linha pedagógica e a época se caracteriza por uma gama considerável dela e muito voltada ao uso do computador. Utiliza precocemente o uso da informática alegando exigência da época, adaptação à sociedade.

Curiosamente, contrária ao uso do computador por crianças, há uma linha que vem sendo considerada, discutida, e recebendo adeptos. Essa pedagogia combate o uso da tecnologia na rotina das crianças, como se faz comumente nas grandes escolas. O prof. Valdemar Setzer, da Universidade de São Paulo (USP), titular do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística, preconiza que o computador seja utilizado somente a partir dos 17 anos de idade: “Deixe as crianças serem infantis, não lhes permita o acesso à TV, joguinhos eletrônicos e computadores”.

No seu artigo “Contra o uso de computadores por crianças e jovens” relata conclusões a que chegou, como “ser o pensamento abstrato, forçado pelo computador, prejudicial aos menores de 16 ou 17 anos. Força-os ao uso de uma linguagem e um tipo de pensamento totalmente inadequado a essa faixa etária. Eles ainda não possuem uma maturidade intelectual adequada”.

Essa metodologia é compartilhada pelas escolas que abraçam a pedagogia Waldorf, introduzida pelo austríaco Rudolf Steiner, em 1919, na Alemanha. A base é deixar que a criança brinque por si, com o mínimo de estímulo externo. A escola programa-se para que não haja interferência no desenvolvimento, com a criança criando recursos próprios. Limites, contudo, são colocados suavemente pelo professor.

A criança na pedagogia Waldorf está sempre ativa. Os dias são preenchidos com atividades artísticas e artesanais. Brincam com bonecas confeccionadas por elas, sobem em árvores plantadas na escola, ouvem, em roda, histórias, contos do folclore, fazem teatro de marionetes, com cirandas e poesias.

A escola considera que os brinquedos manufaturados limitam a fantasia. Não adere à tendência, de hoje, de deixar a criança passiva diante da TV ou do computador. Prima pela individualidade de cada um, fazendo a criança desabrochar no seu potencial. Quanto ao computador, é contra ao seu uso precoce, por exigir muita concentração e mesmo abstração, num período em que a criança e o jovem não estão bem desenvolvidos intelectualmente e, conforme já está comprovado, a aceleração da intelectualidade é altamente prejudicial à criança e ao adolescente.

O prof. Setzer diz “não existir pesquisa científica que mostre os benefícios do uso do computador como ferramenta didática ou de lazer na infância. Você pensa que usa o computador, mas freqüentemente é ele quem usa você. Em qualquer uso, o computador força um raciocínio matemático restrito, lógico-simbólico e o jovem tem de ter uma maturidade muito grande para se controlar”. Para comprovar sua tese, diz não ter deixado seus 4 filhos terem acesso a computadores na infância. Hoje, um deles, de 32 anos, é diretor da Oracle, um dos principais fabricantes de software do mundo.

Além de acelerar a intelectualidade, o computador não dá margem à interação e a escola deve priorizar atividades em conjunto. Aprender sozinho limita o indivíduo, não o ajuda na socialização, na troca. O computador é um instrumento mecânico de aprendizagem, afasta o elemento humano, indispensável na educação. O trabalho coletivo traz maior prazer, um brincar mais produtivo, mais criativo. O contato com o humano faz a criança tornar-se mais tranqüila. A TV é igualmente barrada nessa pedagogia.

Além das escolas que adotam o método Waldorf, onde as crianças se desenvolvem em atividades naturais, outras vêm aderindo, senão total, mas parcialmente, às orientações de preencher os espaços da criança em atividades que as afastem do computador e da TV. Escolas particulares programam atividades para receber alunos no período de férias, em janeiro. Atividades como pintura, plantação, cavalgadas, culinária e até relaxamento para crianças de zero a 7 anos. Há preparação de horta para plantar cenouras, rabanetes, confecção de fantasias e banhos de boneca.

Quanto ao processo de afastar a criança e o jovem do uso do computador, surgem grandes celeumas entre os educadores. Atualmente, a grande maioria das escolas coloca crianças de 3 anos diante do computador. Adota desde cedo o seu uso atraindo clientela com esse sistema. As crianças, desde o jardim, vão se familiarizando com as máquinas e seu uso se prolonga no ensino fundamental, com aulas formais de informática.

A filosofia dominante dessas escolas é o ajuste da educação à sociedade reinante. Acreditam que se ficar fora da informática estarão prejudicando a juventude atual, deixando-a fora de seu tempo.

Qual o melhor caminho a seguir? Barrar totalmente a tecnologia à criança e ao jovem até a idade proposta por Setzer ou introduzi-los cedo ao seu uso? Setzer não está contra o uso do computador, mas eliminando o seu uso precoce, em obediência às fases do desenvolvimento cognitivo da criança e do jovem e utilizando-o no momento certo.

A informática é a coqueluche do momento, uma forte alavanca do futuro. Quanto ao seu uso precoce, exigindo, de acordo com especialistas, uma maturidade intelectual que a criança não tem, não haveria necessidade de mais estudo, mais observação, para uma mais ajustada conclusão? Até lá, não seria viável a adoção de um meio termo, de uma adequação aos níveis de abstração, uma graduação no raciocínio formal, hipotético-dedutivo?

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em fevereiro/2005)

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: MOMENTOS DA AVALIAÇÃO

Izabel  Sadalla  Grispino*

No artigo anterior, constatamos que aspectos amplos do desenvolvimento do aluno devem ser avaliados. O professor busca informações para obter a compreensão do comportamento demonstrado pelo aluno. Essas informações, para efeito de organização, foram classificadas em três aspectos: físico e motor, social e afetivo e intelectual.

Para se avaliar hábitos de trabalho, responsabilidade, participação, relacionamento com colegas etc., deve-se levar em conta que as provas onde o aluno utiliza lápis e papel não são suficientes para dar informações sobre os aspectos do desenvolvimento considerados. Para saber se estes comportamentos ocorrem ou não, é necessário observar e estudar o comportamento dos alunos quando eles reagem em matemática, português, artes etc.

O professor deve avaliar como um educador, não como um comunicador de informação, deve interessar-se pelos alunos enquanto pessoas, valorizar suas atitudes e responsabilidade. Ao levantar os objetivos dos Planos de Ensino, deve assinalar os essenciais e dar conhecimento aos alunos. Deve colocar os padrões de rendimento aceitável, tomando por base os objetivos essenciais, em todas as atividades que serão avaliadas.

Depois de se ter decidido o que avaliar, uma outra questão surge: quando deve ser feita a avaliação?

MOMENTOS  DA  AVALIAÇÃO

“Tenho a cada momento uma ação,                 Tem sutil função controladora,                                                        Antes de uma seqüência de ensino,                  Recupera o ensino regular,
A diagnóstica faz sua função,                             Tem finalidade formadora,
Evita trabalho sem destino.                                  Escolaridade salutar.

Diagnostique o nível do aprendiz,                       Recuperar a avaliação
Planeje de acordo à realidade,                            Nas ações formativo-diagnósticas,
O aluno aprende e avança feliz,                          É da escola séria atribuição,
Visto no potencial, na irmandade.                      Pra alçar vôo, atingir veias humanísticas.

Antes do programa, dê pré-teste,                      No final da seqüência de ensino,
Para auscultar possibilidade,                             Pra promover e classificar,
No final, aplique o pós-teste,                               A somativa indica o caminho,
No confronto, a confiabilidade.                           Que o intelecto deve conquistar.

Durante o processo-aprendizagem,                  Aqui os desempenhos cognitivos,
Corrigindo o desvio quando ocorre,                   Pelos objetivos essenciais,
A formativa traz sua mensagem,                       Em avaliações cumulativas,
E o estudo paralelo socorre.                               Ditam os resultados finais.

Avaliação de acompanhamento                         Não cobre apenas uma só vez,
Não visa promover, nem reter,                           Pratique revisões espaçadas,
Aspectos do desenvolvimento                           Conduza o educando à solidez,
São objetivos a recorrer.                                     Testando atuações reiteradas.

É pro mestre valioso recurso,                            Usando bom senso e equilíbrio,
De identificação de fatores,                                Desprezando padrão absoluto,
Que ajudam ou esbarram o percurso,             Qualquer método, em bom desígnio,
E a adequação dos fios condutores.                Desempenha um papel enxuto.”

 

*Supervisora de ensino aposentada          
(Publicado em agosto/2000)

VIOLÊNCIA E FALTA DE QUALIDADE NAS ESCOLAS PÚBLICAS

Izabel Sadalla Grispino *

A escola brasileira apresenta deficiências acumuladas, precisa se dar conta dos desafios que deve enfrentar para uma aprendizagem de qualidade. Desafios que coloquem como prioridade um ensino que ofereça oportunidades a todas as classes sociais, buscando igualar os desníveis tão assinalados.

Violência e falta de qualidade são os dois maiores problemas enfrentados pela escola pública, preocupando sobremaneira os pais. A escola hoje oferece vagas a todos que a procuram e normalmente perto de casa. É, sem dúvida, um avanço, mas peca por seus métodos de ensino, incapazes de atingir a qualidade. A violência, ao lado da falta de um bom ensino, foi apontada como a maior preocupação dos pais, numa pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep), em janeiro do corrente ano.

A pesquisa foi realizada em cinco capitais – Belém, Recife, Brasília, Rio de Janeiro e Curitiba – e serviu de base para uma outra mais abrangente, iniciada em janeiro. A pesquisa, com 10 grupos de discussão, mostrou que pais temem pelos filhos nos casos de violência e se mostram decepcionados quanto à qualidade de ensino. Cem pais, participantes dos grupos de discussão, foram unânimes nas respostas. As afirmativas serviram para o Instituto organizar novo questionário com o mesmo objetivo e enviar a 10 mil pais em todo o País, incluindo cidades do interior.

Talvez essa segunda pesquisa nem seria necessária, é evidente a necessidade de se melhorar o ensino e as condições de segurança das escolas de todo território nacional. As escolas, principalmente nas grandes cidades, apresentam-se como um local inseguro e com falta de disciplina. Os pais ressaltam, ainda na pesquisa, que os filhos não estão aprendendo.

Vários pontos tiveram resultados positivos: o fato de a escola ser pública e gratuita, de haver vagas para todos, da matrícula ser simples e o acesso fácil. A merenda escolar e a distribuição de livros didáticos também foram elogiadas.

A pesquisa mostrou, em contrapartida, que a grande maioria dos pais não entende os novos métodos de ensino, a formação de ciclos e questiona a aprovação, que ela chama de automática. Questiona o processo de avaliação continuada, uma avaliação sem provas, feita por meio de trabalhos e da participação em sala de aula. Um outro aspecto da pesquisa foi mostrar que os pais freqüentam pouco a escola, talvez, esta seja uma das razões do desconhecimento dos métodos adotados.

Essa deficiência escolar reflete profundamente na vida social e no mercado de trabalho. As empresas começam a perceber a importância de fortalecer o ensino de seus funcionários. Percebem que não adianta dar um treinamento técnico avançado, quando há problemas na base da educação. Com a exportação, as empresas notaram que a qualificação da mão-de-obra era um diferencial competitivo importante para ganhar mercado em países como EUA e Canadá. Passaram a investir na educação de seus funcionários, sabendo que estariam investindo nelas próprias.

Dados do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife) mostram que 81% das empresas investem no ensino fundamental. Investem na educação dos 7 aos 14 anos influenciados pela Constituição de 1988, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e pelas políticas educacionais dos últimos governos, que priorizam a educação nessa faixa de idade. As empresas tomam para si o desafio de erradicar o analfabetismo, ampliar o acesso ao sistema educacional e tornar possível o acesso às novas tecnologias, como a informática. Empenham-se a oferecer ensino fundamental para a população adulta – de jovens e adultos – eliminando barreiras à inclusão social. O mercado de hoje exige esse conhecimento mínimo.

DIA 27 DE ABRIL, DIA DE PÁSCOA

A Páscoa é uma festa cristã, que comemora a ressurreição de Cristo. É o princípio de uma nova vida, a redenção da humanidade. Desejo que nesse dia o mundo se encontre num grande abraço de paz, de renovação, apoiado nos ensinamentos de Cristo.

A Campanha da Fraternidade, deste ano, aborda o tema “Solidariedade e Paz”, com seu lema: “Felizes os que promovem a paz”. Em homenagem a essa Campanha, os meus versos abaixo:

ESCALADA DA FELICIDADE

Para a felicidade só há uma estrada,
Aquela que a dor alheia abraça,
Que engrossa as fileiras da justiça,
Enfraquece os ânimos da cobiça,
A humildade do espírito, sua mansidão,
Se encarregam dos benefícios que virão.

A felicidade é um se doar,
Orar ao se levantar e ao se deitar,
Impregnar-se do sentido da oração,
Aprendendo com ela a dividir o pão,
Ela está no extremo de uma estrada penosa,
Tendo que atravessar uma humanidade perniciosa!

A felicidade fica além dos pântanos encharcados,
Além da trilha de povos irados,
Só após conhecer a desgraça,
É que se chega ao estado de graça,
Persistindo em sua busca, a claridade avança,
Descobre-se que ela é a paz, a esperança!

 

* Supervisora de ensino aposentada.        
(Publicado em abril/2007)

A PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA

Izabel Sadalla Grispino *

Cada vez louva-se mais a participação dos pais na vida escolar. Diante da atual conjuntura social, da rebeldia e violência juvenil que reinam na sociedade e que acabam por se infiltrar nas escolas, diante da dificuldade organizacional por que passam as instituições públicas, por falta de recursos humanos e financeiros, a presença dos  pais e de voluntários da educação, vem sendo vista como de alta valia.

 

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A INCLUSÃO DIGITAL

Izabel Sadalla Grispino *

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.

 

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A JUVENTUDE BATE À PORTA DE DEUS

Izabel Sadalla Grispino *

A violência juvenil disseminada por toda parte, as apreensões, os estremecimentos, levam a conjeturar sobre o futuro da juventude. Assusta-nos ver transitando pelo mundo uma população jovem transviada, desenfreada, perdendo, para as drogas, a capacidade de viver, de sonhar.

 

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